Posts tagged ‘Leonardo Boff’

6 agosto, 2019

Não é de hoje…

Por FratresInUnum.com, 6 de agosto de 2019 – A foto divulgada no Twitter de Leonardo Boff é a prova cabal daquilo que sempre soubemos: Jorge Mario Bergoglio foi preparado por décadas para ser o pontífice que anistiaria de vez o teólogos da libertação.

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Bergoglio é o quarto, da direita para a esquerda, na fila de cima. Boff é o segundo, da esquerda para a direita, de gravata, na fila de baixo.

Segundo Boff, a foto lhe teria sido enviada pelo próprio papa argentino, em correspondência privada. A relação entre os dois, como comprova a foto, é bastante antiga. Não é de se admirar das antecipações feitas por Boff, que incluíram até a anunciação do nome “Francisco”, escolhido apenas no dia seguinte pelo “eleito” no último conclave.

A falsidade, a simulação, a teatralidade com a qual os progressistas se disfarçaram nas últimas décadas demonstra o quão inescrupulosos são, o quanto são psicopatas. Eles não têm sentimento de culpa, são incapazes de sinceridade, organizaram um paciente plano para a tomada do poder, uma extensão daquele traçado pela esquerda latino-americana para conquistar o poder em seus respectivos países.

O grande problema que enfrentam, porém, é que de pouco serve alcançar os cargos de comando e não possuir a hegemonia intelectual e imaginativa de seu povo. Francisco é a cabeça dos progressistas, os quais são um corpo estranho na totalidade dos católicos, incluídos aí muitos clérigos. Eles perderam completamente o controle intelectual sobre a Igreja: quanto mais agem, mais se desprendem da multidão dos fiéis. O resultado disso não pode ser um impeachment, figura desconhecida no direito canônico e incongruente com a natureza do poder papal; mas, certamente, serão expurgados, cedo ou tarde, pela totalidade dos fiéis. O teatro está acabando.

E não poderia ser diferente. As esquerdas tentaram chegar ao poder pelas armas, mas não conseguiram. Depois, obtiveram o controle dos meios de produção intelectual, mas, como estes por natureza não poderiam se prestar à formação de verdadeiros intelectuais, mas apenas à de militantes obedientes, obtiveram uma horda de papagaios retardados.

A foto comprova apenas o êxito de um fracasso, a genealogia de uma grande estupidez cujas últimas aparências de sanidade estão se desfazendo como a fumaça ao soprar do vento.

22 abril, 2018

Foto da semana.

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Curitiba, 19 de abril de 2018: Leonardo Boff é impedido de visitar Lula. E chora.

Fonte: O Estado de Minas

28 fevereiro, 2018

“Hoje, estamos em um rigoroso inverno”.

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Francisco recebeu em São Damião esta mensagem: reconstruir a Igreja que está em ruínas. Hoje, estamos em um rigoroso inverno, e o próprio castelo que os dois últimos papas criaram está em ruínas. E agora um novo papa vem de fora dos muros de Roma, quase dos confins do mundo, como ele mesmo disse, externo àqueles círculos de poder. E eu acredito que, acima de tudo, ele trabalhará internamente à Cúria para resgatar a credibilidade da Igreja, manchada pelos imbróglios, pelos escândalos dos pedófilos e do banco vaticano… E depois fará uma abertura ao mundo moderno, porque tanto Bento XVI quanto João Paulo II interromperam o diálogo com a modernidade.

[…]

A nossa Igreja [latino-americana] não é mais o espelho da Igreja europeia. É uma Igreja fonte, que desenvolveu um rosto e uma teologia próprias, uma pastoral com raízes nas culturas locais. Francisco trará essa vitalidade à Igreja universal, para acabar com o inverno rigoroso e entrar em uma perspectiva de primavera. Bergoglio oferece essa esperança, e a promessa de que o papado possa ser vivido de forma diferente.

Leonardo Boff em entrevista ao jornal Il Manifesto, 15/03/2013

Na imagem, a basílica de São Pedro ontem, 26 de fevereiro de 2018, ainda a aguardar a tal “primavera” da era Francisco. Há anos não havia tamanha nevasca em Roma.

9 novembro, 2017

A “perspectiva protestante” das “teologias da libertação”, como “parte da teologia moderna”.

Por Hermes Rodrigues Nery – FratresInUnum.com, 9 de novembro de 2017

Tanto na Mensagem de Natal à Cúria romana (2005), quanto à exposição que fez ao clero romano (em 14 de fevereiro de 2013), Bento XVI permaneceu convicto de que as incompreensões do Concílio Vaticano II se deram pelo modo como os mass media estimularam e se simpatizaram por “uma hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”1, causando confusão, “e também de uma parte da teologia moderna”2.

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Talvez esteja aqui, nessa colocação, o que aproxima e o que distancia Joseph Ratzinger do grupo que elegeu Jorge Mário Bergoglio, em 2013. Isso porque certos tradicionalistas dizem que tanto Ratzinger, quanto Bergoglio estão em sintonia com a mesma visão modernista de Igreja, a diferença está apenas no grau, sendo que Bergoglio mostrou-se disposto, desde o início a pisar no acelerador, por uma revolução sem precedentes, como um novo João XXIII.

Mas Bento XVI há muito havia colocado a mão no breque, aí talvez começou a se distinguir. Na sua exposição ao clero romano, Bento XVI associou a “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”3 estimulada pelos mass media e também por “uma parte da teologia moderna”4.

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2 janeiro, 2017

Boff: Ajudei o papa a escrever a ‘Laudato si’. Haverá uma grande surpresa. Talvez padres casados ou mulheres diáconos.

Por Marco Tosatti, 27 de dezembro de 2016 | Tradução: André Sampaio – FratresinUnum: Leonardo Boff, o bem conhecido expoente da teologia da libertação, concedeu uma entrevista ao jornal alemão Kölner Stadt-Anzeiger. Boff, que tem 78 anos, falou livremente sobre a Igreja, e revelou alguns detalhes de sua relação com o Pontífice e de possíveis decisões futuras.

boff_-825x510A fonte da qual nós obtivemos o material que lhes oferecemos é um artigo de Maike Hickson para o One Peter Five. Sobre quanto se refere ao tema dos padres casados no Brasil, remetemos vocês a também alguns artigos que publicamos no passado acerca da matéria. É interessante notar como as declarações de Boff vão na mesma linha e direção de quanto escrevemos. Já há dois anos

Sobre a teologia da libertação, Boff diz que “Francisco é um de nós”. Em particular pela atenção aos problemas ecológicos, dos quais Boff se ocupou. O Pontífice leu os livros desse temário de Boff? “Mais que isso. Pediu-me material para a Laudato si’. Dei-lhe o meu conselho e lhe enviei coisas que escrevi… Contudo, o Papa me disse de maneira direta: ‘Boff, não me envie as cartas diretamente’.”

Por que não? “Disse-me: ‘Se o fizer, os subsecretários as interceptarão e eu não as receberei. Em vez disso, envie as coisas ao embaixador argentino junto à Santa Sé, com quem tenho um bom contato, e elas chegarão seguras às minhas mãos.” O embaixador é um velho amigo do Pontífice. ”E depois, um dia antes da publicação da encíclica, o Papa fez chamar-me para agradecer-me pela ajuda.”

No que diz respeito a um encontro pessoal, Boff falou ao Pontífice em relação a Bento XVI, que, quando Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve um papel importante na sua condenação: “Mas o outro ainda está vivo, afinal de contas!”. “Ele [Francisco] não aceitou isso [não aceitou o receio, a hesitação de Boff].  ‘Il Papa sono io’ [‘O Papa sou eu’], respondeu (em italiano no texto [do jornal alemão], n.d.r.). E fomos convidados a ir.”

À pergunta sobre por que a visita não se realizou ainda, Boff respondeu: “Eu havia recebido um convite e havia já desembarcado em Roma. Mas justamente naquele dia, imediatamente antes do início do [segundo] Sínodo da Família em 2015, 13 cardeais, entre os quais o alemão Gerhard Müller, puseram em pé uma rebelião contra o Papa com uma carta endereçada a ele que foi publicada – que surpresa! – em um jornal. O Papa estava irado e me disse: ‘Boff, não tenho tempo. Devo restabeler a calma antes que o Sínodo comece. Nós nos veremos em um outro momento’”.

Boff depois disse, sobre o futuro: “Esperem e vejam! Ainda recentemente o cardeal Walter Kasper, que é um estreito confidente do Papa, me disse que logo haverá alguma grande surpresa”.

Que tipo de surpresa? “Quem o sabe? Talvez um diaconato para as mulheres, após tudo. Ou a possibilidade de que os padres casados se envolvam no trabalho pastoral. Este é um pedido explícito dos bispos brasileiros ao Papa, especialmente da parte de seu amigo o cardeal Cláudio Hummes. Ouvi que o Papa quer atender ao seu pedido – inicialmente por um período experimental, no Brasil.”

Boff depois falou que uma decisão nesse sentido não mudaria nada para ele: “Pessoalmente, não tenho necessidade disso. Não mudaria nada para mim, porque faço aquilo que sempre fiz: batizo, presido a exéquias, e, se me ocorre de chegar a uma paróquia sem padre, celebro a missa com o povo”.

Leonardo Boff é, desde décadas, uma figura proeminente da teologia da libertação. Para uma biografia completa, remetemos à Wikipedia, da qual extraímos este parágrafo:

“A atividade de Boff continuou depois de 1992 como teólogo da libertação, escritor, docente e conferencista. Ele permanece também envolvido com as comunidades eclesiais de base brasileiras. Em 1993 se tornou professor de ética, filosofia da religião e ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da qual é professor emérito desde 2001. Nos anos seguintes se ocupou, de maneira sempre mais profunda, de política, tornando-se um verdadeiro e próprio teórico marxista, e se converteu em um expoente do considerado Movimento Antiglobalização (sempre foi convidado, na qualidade de orador, para as reuniões em Porto Alegre). Boff esteve sempre próximo das posições do Movimento Sem Terra brasileiro. Em 2001 lhe foi conferido o Right Livelihood Award [Prêmio de Subsistência com Equidade, também conhecido como Prêmio Nobel Alternativo]. Ele se tornou um defensor de Lula no momento da eleição deste como presidente do Brasil, mas se distanciou posteriormente, acusando-o de moderantismo. Atualmente (2010) vive no Jardim Araras, uma reserva ecológica em Petrópolis, junto de sua companheira Marcia Maria Monteiro de Miranda (ativista dos direitos humanos e ecologista), e tem seis filhos adotivos.”

19 agosto, 2015

Boff discursará em paróquia de Guarapuava. Com anúncio da Diocese. Nunca é tarde para denunciar um herege.

E seus parceiros nas dioceses. Leonardo Boff, que recentemente esteve, sem nenhuma objeção do ordinário local, em Caxias do Sul, agora é convidado de uma paróquia da diocese de Guarapuava, PR. A divulgação, no site oficial da Diocese – eles perderam completamente a vergonha -, ocorre em cima da hora: a diocese publicou em seu site apenas hoje e a conferência começará daqui a 10 minutos. Mas, para nós, nunca é tarde para escancarar a safadeza heterodoxa de hereges, que odeiam a Igreja, mas não deixam de gozar de suas benesses, e seus simpatizantes favorecedores.

Um leitor informa:

Laudetur Jesus Christus!

Pedimos gentil e caridosamente a publicação da seguinte notícia, que apareceu hoje no site da nossa Diocese: http://www.diopuava.org.br/2015/08/leonardo-boff-estara-hoje-na-paroquia-santa-cruz/

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O teólogo herético Leonardo Boff, que esteve novamente em nossa cidade para um evento ambiental, palestrará na paróquia dos passionistas, que outrora já recebeu um outro teólogo da libertação da América Latina, Enrique Dussel.

Por amor a Nosso Senhor crucificado, ofendido pelos sacerdotes da paróquia dos passionistas, denuncie esse escândalo!

Muito obrigado!

24 junho, 2015

Era Francisco: está aberta a gaiola das loucas.

Uma leitora nos escreve:

Será realizada uma palestra sobre Democracia e Direitos Humanos, a ser ministrada pelo Sr. Leonardo Boff, no dia 03/07/2015, às 18 horas, junto ao Teatro do Colégio Murialdo, cidade  de Caxias do Sul – RS. Colégio esse, pertencente a uma congregação religiosa.

Referido evento contará com a presença do Ministro petista da Secretaria de Direitos Humanos, Sr. Pepe Vargas, e possui o apoio de diversas entidades, entre elas: CUT; PT; DCE-UCS; Pastorais Sociais; Escola de Formação, Fé, Política e Trabalho; PCdoB; Caritas Diocesana; Livraria Paulus; Universidade de Caxias do Sul – UCS; etc.

Convidamos a todos os interessados para participar do “panelaço” que está sendo organizado, na data e local do próprio evento, como forma de protesto contra o apoio e realização deste.

Seguem também os contatos do senhor  Bispo diocesano de Caxias do Sul -Dom Alessandro Ruffinoni,  e da Coordenação Diocesana de Pastoral, para manifestações de repúdio.

Dom Alessandro Ruffinoni
Fone/Fax: (54) 3025-2896
domalessandro@diocesedecaxias.org.br

Coordenação Diocesana de Pastoral
Fone: (54) 3211.5032
E-mail: diocesedecaxias.pastoral@gmail.com

14 janeiro, 2015

Defendendo Messori contra os falsos dogmas de Boff.

Por Monsenhor Antonio Livi* | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: As considerações que Vittorio Messori publicou no Corriere della Sera a respeito do pontificado do Papa Bergoglio, em 24 de dezembro (republicado pelo La Nuova Bussula Quotidiana do dia 28 de dezembro) têm suscitado, como se esperava, muitas reações diferentes. Muitos manifestaram o seu acordo, outros o criticaram duramente. Não vou entrar no mérito daquelas avaliações, que, em todo caso, considero como legítimas. Trata-se de um jornalista sério, um historiador bem documentado e, especialmente, de um Católico de fé sincera e esclarecida. Há muitos anos que eu o conheço pessoalmente, li todos os seus livros, começando com o primeiro e mais famoso, “Hipótese sobre Jesus”, que dava espaço demais para uma interpretação fideísta de Pascal, mas, ainda assim fez uma apologética eficaz e notável. Nos últimos tempos, sempre li com interesse e prazer sua coluna no jornal Il Timone. Quem dera houvesse mais jornalistas católicos assim! Lamentável, eu sempre disse, que não tenham mais permitido que ele continuasse a escrever no Avvenire [ndr: publicação da Conferência Episcopal italiana]… Teria sido um bem para o “jornal da Igreja Católica” (e também para mim, que também fui literalmente excluído daquele jornal).

Mas, repito, não entro no mérito de suas considerações sobre o pontificado do Papa Bergoglio, porque sou da opinião de que em relação aos acontecimentos dentro da Igreja, os jornalistas deveriam se limitar à informação, que é o seu trabalho e sua missão específica, sem tentar influenciar a opinião pública com suas opiniões pessoais, inevitavelmente parciais, no sentido de que eles conseguem descrever apenas uma parte da realidade eclesial e expressar sobre ela o ponto de vista de apenas uma parte do povo de Deus.

Como eu já escrevi, também aqui na Bússola, eu prefiro que a atualidade da Igreja seja tratada do ponto de vista competente e autenticamente teológico ou do ponto de vista exclusivamente pastoral. Eu mesmo, preocupado, como sacerdote, com a grande desorientação doutrinária que percebo entre os fiéis, intervim muitas vezes sobre a “questão Bergoglio”, exortando os católicos a ignorar aquilo que é o pão de cada dia dos “vaticanistas” (as frases e gestos que sugerem “abertura “ou” fechamento”, nomeações e destituições de altos prelados) e, ao invés, interessar-se mais, de forma inteligente, por tudo aquilo que é propriamente o Magistério da Igreja. Ali, nos documentos do Magistério da Igreja (que em certos pontos-chave são imutáveis e eternos e em outros procedem historicamente com as oportunas “reformas na continuidade”) os católicos, hoje como sempre, encontram o guia seguro de sua consciência, a orientação segura para professar e viver a sua fé em suas vidas diárias.

Mas, agora resolvi intervir na questão Messori, não para aprovar ou desaprovar o que ele escreveu, mas para defendê-lo (como se deve) das críticas violentas e equivocadas de um certo religioso que se apresenta como teólogo e acusa o jornalista de má-fé ou ignorância em matéria teológica. Trata-se de Leonardo Boff. Sua crítica a Messori representa, por assim dizer, a soma de todos os disparates que os ideólogos da “teologia da libertação” já escreveram tanto antes como após a condenação pela Santa Sé, de sua mensagem sobre o Evangelho e a ação da Igreja no mundo.

Boff acusa Messori de desconhecer o papel do “Espírito” que, segundo ele, agiria também e ainda melhor fora da Igreja Católica, a qual não sabe “aprender com os outros.” Com este propósito, Boff, arvorando-se em defensor do ofício daquele que ele chama de Espírito Santo, começa a escrever: “significa blasfemar contra o Espírito Santo pensar que os outros pensam só de modo errado. Por isso é extremamente importante uma Igreja aberta como a quer Francisco de Roma. É necessário que seja aberta às irrupções do Espírito chamado por alguns teólogos de ‘a fantasia de Deus’, por causa de sua criatividade e novidade, na sociedade, no mundo, na história dos povos, nos indivíduos, igrejas e até mesmo na Igreja Católica”, a qual antes de Francisco, teria sido muito ligada a Cristo, “cristocêntrica” demais.

Segundo o ex-franciscano, que quando lhe é conveniente posa de amante da doutrina (a sua), Vittorio Messori é terrivelmente deficiente em matéria de teologia: ele “incorre no erro teológico de cristomonismo, ou seja, somente Cristo conta. Não há realmente um lugar para o Espírito Santo. Tudo na Igreja é resolvido só com Cristo, algo que o Jesus dos Evangelhos exatamente não quer”.

Então, voltando a vestir os panos do anti-dogmático, acrescenta: “sem o Espírito Santo, a Igreja torna-se um instituição pesada, chata, sem graça, sem criatividade e, a um certo ponto, não tem nada a dizer ao mundo que não seja doutrina sobre de doutrina, sem suscitar esperança e alegria de viver”.  O pobre Messori também seria um ignorante em matéria de sociologia religiosa, pois não teria ainda compreendido que a América Latina é o verdadeiro centro da Igreja Católica de hoje, apesar do número de latino-americanos que se declaram católicos estar diminuindo exatamente por causa do proselitismo generalizado das seitas protestantes (na verdade, talvez seja exatamente por isso que Boff acredita que a América Latina está na vanguarda).

O cristianismo e a teologia teriam feito grandes progressos na América Latina (no Brasil, que é a pátria de Leonardo Boff, no Peru, que é a pátria de Gustavo Gutiérrez, e na Argentina, que é a pátria de Jorge Mario Bergoglio) pelo fato de terem dado ouvidos ao “Espírito”, graças também à cultura nativa (pré-colombiana) que teria libertado a Igreja da abstração doutrinal da teologia européia, a alemã em particular (o alvo polêmico é sempre Bento XVI, lembrado com carinho por Messori), por saber interpretar o Evangelho em sintonia com os ideais de libertação das massas populares. Convém dizer, a propósito, embora não seja muito importante aqui, que o mito da teologia indígena latino-americana é imediatamente desmentido, sem querer, pelo próprio Boff, quando ele cita como única autoridade teológica seu mestre Johan Baptist Metz, precursor na Alemanha daquela “teologia política” da qual derivam os teólogos da libertação latino-americanos, que foram todos formados na Bélgica, França e Alemanha, começando pelo peruano Gustavo Gutiérrez. E não é justamente do centro da Europa, precisamente da Alemanha, que saiu Karl Marx, o principal inspirador da “teologia da libertação”?

Mas isso que eu disse é apenas um parêntese sarcástico. O discurso sério é o teológico. Em primeiro lugar, porque a abordagem teológica é a única que me interessa quando se fala de atualidade eclesial e de possíveis mudanças na doutrina da Igreja e, depois, porque o tema principal do discurso de Boff é precisamente a “voz do Espírito “, que o Papa Bergoglio teria ouvido humildemente enquanto seus predecessores, particularmente Bento XVI, teriam ignorado por estarem fechados no “cristocentrismo” que para Boff significa dogmatismo, legalismo, tradicionalismo, o centralismo do Vaticano.

Ora, eu me pergunto: que sentido há, teologicamente falando, em arrogar-se exclusividade na interpretação “do que o Espírito diz às igrejas”? E ainda, que sentido há, teologicamente falando, em contrapor à doutrina dogmática e moral da Igreja a sua própria interpretação dos desígnios do Espírito Santo? Discursos dessa natureza são compreensíveis, ainda que ilógicos, na boca dos hereges e cismáticos, na boca dos propagandistas de algumas das muitas seitas que invadiram o Ocidente cristão, vagamente relacionadas com o cristianismo ou diretamente inspiradas pelo budismo, mas não na boca de quem se apresenta como católico e ainda mais como um teólogo católico.

A norma fundamental de um discurso autenticamente teológico, como deixei claro no meu tratado sobre a verdadeira e a falsa teologia (onde Leonardo Boff não é mencionado, mas são citados os seus mestres) é a intenção de explicar racionalmente a verdade revelada por Deus em Cristo Jesus, o qual confiou a interpretação autêntica do seu Evangelho à sua Igreja, isto é, aos Apóstolos e seus legítimos sucessores, os bispos em comunhão com o Papa, o qual goza individualmente do carisma da infalibilidade.

Em termos práticos, isto significa que alguém como Boff, que despreza os dogmas e atribui a si mesmo aquela infalibilidade que não reconhece no Magistério da Igreja, não fala como teólogo. Claro, eu reconheço o seu direito de ter suas idéias, ainda que sejam as mais loucas sobre o cristianismo, mas, se ele fala em público, dirigindo-se aos católicos, eu tenho o dever de alertar aos fiéis de que ele não possui a autoridade que compete a um teólogo da Igreja Católica. Como eu sempre digo nesses casos, trata-se de um falso profeta ou um mau mestre. E isso eu já disse várias vezes sobre Vito Mancuso e Enzo Bianchi, e não hesitei em dizer o mesmo também sobre Bruno Forte e Gianfranco Ravasi, que ocupam postos de destaque na hierarquia da igreja [ndr: o primeiro, secretário do Sínodo para a Família nomeado pessoalmente por Francisco e rejeitado, recentemente, pelos bispos italianos em eleição para vice-presidente da Conferência Episcopal; o segundo, Cardeal presidente do Pontifício Conselho para a Cultura]. Quem quiser dar ouvidos às suas teorias, que saibam pelo menos que o fazem por sua própria conta e risco (da alma, é claro). E disso eu adverti a todos que eu podia.

Para terminar com Boff, eu pergunto:  o que um cristão sabe do Espírito Santo, que como Deus é absolutamente transcendente? Sua Pessoa, no seio da “Trindade imanente”, é particularmente inacessível ao conhecimento humano, tanto assim que ele é chamado de “o Deus desconhecido”, e também a sua ação no mundo (a chamada economia trinitária) é totalmente invisível, senão por revelação pública. Mas a revelação pública é aquela do Filho de Deus, o Verbo Encarnado, Emmanuel, “Deus conosco”.

Aquilo que podemos saber dos mistérios de Deus é apenas o que Cristo revelou. Como é possível que alguém queira contrapor sua própria pretensão de conhecimento da ação do Espírito ao que o mesmíssimo Espírito nos revelou em Cristo? E Cristo nos revelou que o Espírito Santo foi enviado diretamente por Ele e pelo Pai no dia de Pentecostes, para tornar eficaz em todo o mundo, por todo o tempo da história, a ação salvífica da Igreja de Cristo, mediante o anúncio do Evangelho e da graça dos sacramentos. Isto é o que nós sabemos do Espírito Santo e apenas isso pode ser dito teologicamente, ou seja, com seriedade, com a pretensão de ser ouvido pelos fiéis.

O verdadeiro teólogo explica e aplica ao seu tempo e às pessoas a quem se dirige a verdade contida na revelação pública, ou seja, na doutrina da Igreja. O verdadeiro teólogo não pretende, como fazem os gnósticos, saber mais do que se pode saber sobre os mistérios de Deus. Ele é como qualquer outro fiel, uma pessoa que em um tempo qualquer acolheu com fé sincera a revelação divina. O verdadeiro teólogo, acima de tudo, não substitui a verdade divina por suas próprias conjecturas pessoais e arbitrárias, seja lá qual for a sinceridade com a qual essas sejam propostas ao povo (pior ainda se mentem deliberadamente sabendo que mentem, então esses falsos profetas não seriam apenas uns iludidos, mas verdadeiros “enganadores”, como o Anticristo do qual nos fala as Escrituras).

* Antonio Livi, ex-aluno de Étienne Gilson e professor da Universidade Lateranense de Roma, é sacerdote e filósofo.

8 janeiro, 2015

Polêmica: Boff, o neo-papista, massacrado publicamente por Vittorio Messori.

Apresentamos a seguir três artigos da recente polêmica, veiculada na imprensa italiana, entre Vittorio Messori, conhecido jornalista italiano, autor de livros-entrevistas com João Paulo II e Bento XVI e entusiasta de ambos, e o “teólogo” brasileiro neo-papista Leonardo Boff. 

Com o Cardeal Gerhard Müller cada vez mais isolado em sua defesa intransigente do matrimônio católico em uma Cúria adormecida, não surpreenderia se Leonardo Boff fosse chamado à chefia do Santo Ofício, de onde poderia aplicar sua misericórdia francisquista convidando Messori, ou quem sabe o próprio bispo emérito de Roma, a sentar-se naquela famosa “cadeira em que sentou Giordano Bruno”, como ele sempre fez questão de repetir acerca dos episódios de outrora em que ele, coitadinho, foi injustamente perseguido. Tempos obscuros aqueles! Agora temos Francisco, o libertador!

Tradução de Gercione Lima – Fratres in Unum.com

As dúvidas sobre a virada do Papa Francisco

http://www.vittoriomessori.it/blog/2014/12/24/i-dubbi-sulla-svolta-di-papa-francesco/

Corriere della Sera, 24 de dezembro de 2014, Vittorio Messori

Eu creio que seria honesto ter que admitir agora: abusando talvez do espaço que me foi concedido, o que proponho aqui, mais do que um simples artigo, é uma reflexão pessoal. Aliás, uma espécie de confissão que eu teria todo o prazer em adiar se não me fosse solicitado. Mas sim, adiada porque a minha (e não só minha) avaliação deste papado oscila continuamente entre adesão e perplexidade, é um julgamento mutável dependendo do momento, da ocasião, e dos temas. Um papa não imprevisto: por que no que me diz respeito, eu estava entre aqueles que esperavam um sul-americano, um homem de pastoral, de experiência cotidiana de governo, que nos proporcionaria quase um equilíbrio entre o admirável professor, um teólogo muito refinado para alguns paladares, tal qual é o nosso amado Joseph Ratzinger. Um papa não inesperado, portanto, mas que subitamente desde aquele seu primeiro “boa noite”, revelou-se imprevisível, a ponto de mudar gradualmente a mente até mesmo de alguns cardeais que estavam entre seus eleitores.

Uma imprevisibilidade que continua perturbando a tranquilidade do católico médio, habituado a não ter que pensar por conta própria no que diz respeito a fé e moral, e que sempre foi exortado a simplesmente “seguir o Papa”. Sim, mas qual Papa? Aquele de certas homilias matutinas em Santa Marta, dos sermões dos  párocos à moda antiga, com bons conselhos e provérbios sábios, chegando mesmo a nos advertir para não cairmos nas armadilhas que nos arma o demônio? Ou aquele que telefona a Giacinto Marco Pannella, o qual está empenhado novamente em mais uma enésima greve de fome e deseja-lhe “bom trabalho”, quando por décadas, o “trabalho” do líder radical consistiu e consiste apenas em pregar que a verdadeira caridade está na luta pelo divórcio, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade para todos, a teoria de gênero e assim por diante? O Papa que no discurso destes dias à Cúria Romana, citou com convicção Pio XII (mas, na verdade, o próprio São Paulo), que define a Igreja “corpo místico de Cristo”? Ou aquele que na primeira entrevista a Eugenio Scalfari, ridicularizou aqueles que pensam que “Deus é católico”, como se a Igreja Una, Santa, Apostólica, Romana fosse um acessório opcional para vincular, de acordo com o gosto pessoal de cada um à Trindade divina? O Papa Argentino consciente por experiência direta do drama da América Latina que está prestes a se tornar um continente ex-católico devido à apostasia em massa desses povos para o protestantismo pentecostal? Ou o Papa que tomou um avião para abraçar e desejar bom sucesso a um querido amigo, um pastor protestante em uma das suas comunidades que está esvaziando a Igreja Católica precisamente com o proselitismo que ele duramente condenou entre os Católicos?

Poderíamos continuar, é claro, com esses aspectos que parecem – e talvez são de fato – contraditórios. Poderíamos, mas não seria certo para um crente. Estes sabem que não se pode olhar para um Pontífice como se olha para um presidente eleito da República ou como um rei, herdeiro aleatório de outro rei. Claro, no Conclave, esses instrumentos do Espírito Santo, de acordo com a fé, são os cardeais eleitores que compartilham dos limites, erros, talvez os pecados que marcam a humanidade inteira. Mas o chefe único e verdadeiro da Igreja é Cristo onipotente e onisciente, que sabe um pouco melhor do que nós o que é a melhor escolha no que diz respeito ao seu representante temporário na terra. Esta escolha pode parecer desconcertante para a visão limitada dos contemporâneos, mas, em seguida, na perspectiva histórica, revela as suas razões. Quem realmente conhece a história fica surpreso e pensativo ao descobrir que – na perspectiva da visão milenar, que é aquela Católica — todos os Papas, conscientes ou não, interpretaram o seu papel idoneamente, e que no final, pareceu ser o necessário. Precisamente por estar consciente disso é que eu escolhi, no que me diz respeito, apenas observar, ouvir, refletir sem me lançar em opiniões intempestivas ou até temerárias.

Parafraseando uma pergunta muito mencionada fora do seu contexto: “Quem sou eu para julgar?”. Eu, que – ao lado de muitos outros, excluindo apenas um — certamente não sou assistido pelo “carisma pontifício” da assistência prometida pelo Paráclito.

E para aqueles que querem julgar, será que não diz nada a aprovação plena, e várias vezes repetida – verbalmente e por escrito – da atividade de Francisco por parte do  “Papa Emérito”, apesar de serem tão diferentes em estilo, formação, e até mesmo programa de governo?

Terrível é a responsabilidade de quem hoje é chamado a responder à pergunta: “Como anunciar o Evangelho aos contemporâneos? Como mostrar que Cristo não é um fantasma desaparecido e remoto, mas o rosto humano do Deus criador e salvador que todos podem e querem para dar sentido à vida e à morte?”. Há muitas respostas, muitas vezes conflitantes.

Para aquele pouco que conta, depois de décadas de experiência eclesial, também eu teria as minhas respostas. Eu, por exemplo diria que a condicional é obrigatória porque nada e ninguém me assegura ter vislumbrado a via adequada. Não correria talvez a o risco de ser como o cego do Evangelho, aquele que quer guiar outros cegos, acabando todos no mesmo abismo? Assim, certas escolhas pastorais do “Bispo de Roma”, como ele prefere ser chamado, convencem-me; mas outras me deixam perplexo, pois me parecem pouco oportunas, talvez suspeitas de um populismo capaz de obter um interesse tão vasto como superficial e efêmero. Eu teria que observar algumas coisas sobre as prioridades e conteúdos, na esperança de um apostolado mais fecundo. Eu teria pensado no condicional, repito, como exige uma perspectiva de fé, onde qualquer pessoa, mesmo um leigo (como estabelece o código canônico), pode expressar seus pensamentos, desde que de modo pacato e motivado sobre as táticas de evangelização. Mas deixando ao homem que saiu vestido de branco do Conclave a estratégia geral e, acima de tudo, a custódia do “depósito da fé”.

Em qualquer caso, não esquecendo de que foi o próprio Francisco que lembrou em seu duro discurso à Cúria: é fácil, disse ele, criticar os sacerdotes, mas quantos estão orando por eles? Querendo também recordar que ele, na Terra, é o “primeiro” entre os sacerdotes. E, assim, pedindo, a quem critica, aquelas orações que o mundo zomba, mas que guiam em segredo o destino da Igreja e do mundo inteiro.

* * *

Apoio ao Papa Francisco contra um nostálgico escritor

Leonardo Boff, teólogo brasileiro – 27 de dezembro de 2014

Um pouco por todas as partes surge forte oposição ao Papa Francisco, ao  seu modo pastoral, aberto, ecumênico e claramente posicionado ao lado dos pobres e sofredores deste mundo. Isso ocorre dentro da Cúria Romana, com cardeais e outros prelados, e em geral em certos grupos mais conservadores do catolicismo italiano e também brasileiro. Pressionado por esses grupos, o conhecido convertido e escritor Vittorio Messori publicou, exatamente na noite de Natal, um artigo critico sobre o modo do Papa exercer seu ministério. No meu modo de ver, não podemos deixar agredida uma fonte de esperança e de alegria que o Papa Francisco, bispo de Roma e Pastor universal, trouxe para uma Igreja altamente desmoralizada e para o mundo sem condução de líderes com envergadura moral e de liderança confiável. Aqui vai a minha resposta ao escritor, na esperança de que o diário Corriere della Sera a possa publicar. Brevemente o artigo aparecerá em português, pois o escrevi diretamente em italiano:

Eu li com um pouco de tristeza o artigo crítico de Vittorio Messori no Corriere della Sera, exatamente no dia menos adequado: a feliz noite de véspera de Natal, festa de alegria e de luz. Ele tentou estragar essa alegria para o bom pastor de Roma e do mundo, o Papa Francisco. Mas em vão, pois não sabe o significado da misericórdia e da espiritualidade deste Papa, virtude que seguramente não demonstra Messori. Por trás de palavras de compaixão e compreensão traz um veneno. E o faz em nome de tantos outros que se escondem por trás dele e não têm coragem de aparecer em público.

Eu quero propor uma outra leitura do papa Francisco, como um contraponto à de Messori, um convertido que, na minha opinião, ainda precisa completar sua conversão com a recepção do Espírito Santo, para não dizer mais as coisas que escreveu.

Messori demonstra três insuficiências: duas de natureza teológica e uma outra que diz respeito à compreensão da Igreja do Terceiro Mundo.

Messori ficou escandalizado com a “imprevisibilidade” deste pastor porque “continua perturbando a tranquilidade do católico médio”. É necessário perguntar-se sobre a qualidade de fé deste “católico médio” que tem dificuldade em aceitar um pastor que tem cheiro de ovelha e que anuncia a “alegria do Evangelho”. São geralmente “católicos culturais” habituados à figura faraônica de um Papa com todos os símbolos de poder dos imperadores romanos pagãos. Agora aparece um Papa “franciscano” que ama os pobres, que não “veste Prada”, que faz uma dura crítica ao sistema que produz a miséria em grande parte do mundo, que abre a Igreja não só aos católicos, mas a todos aqueles que carregam o nome de “homens e mulheres”, sem julgá-los, mas acolhendo-os no espírito da “revolução da ternura”, como ele pediu aos bispos da América Latina que se reuniram no ano passado no Rio.

Há uma grande lacuna no pensamento de Messori. Estas são as duas deficiências teologais: a quase ausência do Espírito Santo. Eu diria mais, ele incorre no erro teológico do cristomonismo, isto é, somente Cristo conta. Não há realmente um lugar para o Espírito Santo. Tudo na Igreja se resolve só com Cristo, algo que o Jesus dos Evangelhos exatamente não quer. Por que digo isso?  Porque o que ele deplora é a “imprevisibilidade” da ação pastoral deste Papa. Ou melhor, esta é a característica do Espírito, sua imprevisibilidade, como diz São João: “O espirito sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; “(3.8). A sua natureza é a irrupção repentina com os seus dons e carismas. Francisco de Roma seguindo os passos de São Francisco de Assis se deixa conduzir pelo Espírito.

Messori é refém de uma visão linear própria de seu ““amado Joseph Ratzinger” e de tantos outros papas anteriores. Infelizmente, foi esta visão linear que fez da Igreja uma fortaleza incapaz de compreender a complexidade do mundo moderno, isolada em meio a outras igrejas e caminhos espirituais, sem dialogar e  sem aprender com os outros que também são iluminados pelo Espírito. Significa blasfemar contra o Espírito Santo pensar que os outros pensam só de modo errado. Por isso é extremamente importante uma Igreja aberta como o quer Francisco de Roma. Para perceber as irrupções  do Espírito na história. Não é sem motivo que alguns teólogos o chamam a “ fantasia de Deus”,  por causa de sua criatividade e novidade na sociedade, no mundo, na história dos povos, nos indivíduos, nas igrejas e até mesmo na Igreja Católica.

Sem o Espírito Santo, a Igreja torna-se uma instituição pesada, sem graça, sem criatividade e, em certo ponto, que não tem nada a dizer ao mundo que não seja doutrina encima de doutrina, sem despertar a esperança e a alegria de viver.

É um dom do Espírito Santo que este Papa venha  de fora do velho cristianismo europeu. Não aparece como um teólogo sutil, mas como um pastor que realiza o que Jesus pediu a Pedro: “confirma seus irmãos na fé” (Lc 22:31). Traz consigo a experiência das igrejas do Terceiro Mundo, especialmente, as da América Latina.

Esta é uma outra falha de Messori: não ter a dimensão do fato de que hoje o cristianismo é uma religião do Terceiro Mundo, como enfatizou muitas vezes o teólogo alemão Johan Baptist Metz. Na Europa vivem apenas 25% dos católicos; o resto dos 72,56% vive no Terceiro Mundo (na América Latina 48,75%). Por que não poderia vir desta maioria um que o Espírito fez bispo de Roma e Papa universal? Por que não aceitar as inovações que derivam dessas igrejas, que já não são igrejas-imagens das velhas igrejas europeias, mas igrejas-emergentes com seus próprios mártires, confessores e teólogos?

Talvez no futuro, a sede do Primado não será mais Roma e a Cúria, com todas as suas contradições, denunciados pelo Papa Francisco na reunião de Cardeais e prelados da Cúria com palavras só ouvidas da boca de Lutero e com menos força em meu livro condenado por card. J. Ratzinger “Igreja: Carisma e Poder” (1984), mas sim lá onde vive a maioria dos católicos: na América, África ou Ásia. Seria um sinal próprio da verdadeira catolicidade da Igreja no processo de globalização do fenômeno humano.

Eu esperava uma maior inteligência e abertura por parte de Vittorio Messori com os seus méritos de católico, fiel a uma espécie de Igreja e renomado escritor. Este Papa Francisco trouxe esperança e alegria para tantos católicos e outros cristãos. Não percamos este dom do Espírito em função de uma mentalidade bastante negativa sobre ele.

Leonardo Boff

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A Boff e outros críticos que não leram

Tréplica de Vittorio Messori, Corriere della Sera, 05 de janeiro de 2015

Leonardo Boff,  líder da Teologia da libertação ao estilo brasileiro, aquela com uma referência mais explícita ao marxismo, depois dos confrontos como o então cardeal Joseph Ratzinger e depois das advertências de João Paulo II, declarou que a Igreja era inabitável e irreformável. Assim, ele abandonou o hábito franciscano e foi morar com um companheira. Mas a implosão do comunismo veio como uma surpresa e, como aconteceu com outros tantos, ele mudou do vermelho para o verde, passou para o ambientalismo mais dogmático, com aspectos de culto panteísta à mãe Terra. Continua, no entanto, celebrando sacramentos, com liturgias eucarísticas e batismais elaboradas por ele mesmo (onde não falta, como comenta-se, semelhanças à new age) com o conhecimento do episcopado brasileiro. Em uma entrevista que apareceu há um ano no Vatican Insider, ele afirmou não apenas ter um bom relacionamento com o Papa Francisco desde seus tempos na Argentina como arcebispo, mas de colaborar com ele em questões ambientalistas, tendo em vista a encíclica “verde” anunciada pelo Bispo de Roma e, ao que parece, sugerida por ele próprio.

Dizemos isto porque, neste firme admirador de Jorge Bergoglio, parece haver muito pouco da ternura, do acolhimento, do respeito pelos outros e da indulgente misericórdia pregada com tanta paixão pelo Papa Francisco. Seus comentários, publicados ontem por este jornal, sobre o meu artigo de 24 de dezembro, não têm nada das boas maneiras que Bergoglio exige no trato com todos, mesmo com os adversários. O ex-padre Leonardo me atribui “grandes lacunas no pensamento,” escassa inteligência, ignorância, chamando-me até mesmo de mal convertido, que ao atingir uma “respeitável idade, deveria finalmente completar o processo de conversão”. Ele chega ao ponto de me lançar na cara algo que para ele deve soar como uma pesada acusação, mas que pra mim é um grande elogio, ao me chamar de “cristomonista”. Eu não sei bem o que isso significa, mas pelo que dá pra intuir não me desagrada, pelo contrário, me deixa muito lisonjeado.

No entanto, nenhuma surpresa: ao escrever coisas que não agradam a todos, eu sei bem como reagem na prática esses edificantes intelectuais (muitas vezes religiosos) que, de fato, do diálogo gostariam de fazer uma espécie de religião. Mas não, não é isso que chama a atenção. O que me deixa amargurado é que Boff parece não ter lido direito tudo o que eu escrevi: talvez seja por causa do imperfeito conhecimento da língua italiana, talvez a pressa, talvez o preconceito ideológico, o fato é que a reação dele, tão veemente quanto confusa, pouco ou nada tem a ver com o que eu realmente disse. O exemplo mais marcante é a acusação de eu ter quase ignorado o Espírito Santo. Na verdade, a referência ao Paráclito é o elemento central do meu discurso, onde eu recordo que nada compreenderemos do Papado se não nos referirmos à ação livre e inescrutável do Espírito. Deixe-me dizer que no desconcertante debate suscitado por meu artigo, muitos outros críticos julgaram irrelevante centralizar-se no verdadeiro conteúdo: ao ler com os óculos da ideologia, atacaram um texto existente apenas em seus prévios esquemas, talvez mais políticos do que religiosos.

Mas, voltando a Leonardo Boff, acontece que em um desses sites mais frequentados pelos católicos, La Nuova Bussola Quotidiana, saiu a análise de um teólogo profissional justamente sobre o artigo publicado ontem pelo Corriere, depois de ter circulado por muitos dias na rede. O teólogo é Monsenhor Antonio Livi, que há muitos anos é professor na Universidade dos Papas, a Lateranense, conhecido internacionalmente por seus estudos, pela originalidade de seu pensamento e por suas iniciativas acadêmicas e editoriais. Este estudioso, muito respeitado no Vaticano, não hesitou em denunciar que “as críticas violentas e insanas contra Messori por parte de um ex-religioso que se apresenta como teólogo, representam a suma de todos os disparates dos ideólogos da teologia da libertação”. Esse especialista de autoridade reforça: “Boff se arroga o direito exclusivo de interpretar o que o Espírito quer da Igreja e atribui a si a infalibilidade que ele nega ao  Magistério”. O ex-franciscano – diz ainda Monsenhor Livi – parece ignorar que um verdadeiro teólogo nunca toma como verdade divina suas arbitrárias conjecturas” . E assim por diante.

Em suma, todos os críticos devem ser levados a sério, mas nem todos devem ser tomados ao pé da letra. Creio que esse último caso é o do eco-teólogo brasileiro.

27 novembro, 2014

Dilma + Boff + Betto = “As bruxas de Eastwick”.

Do post do blog de Reinaldo Azevedo, que merece ser lido na íntegra:

Ai, ai… Lá vamos nós. A presidente Dilma Rousseff decidiu receber nesta quarta dois representantes do próprio hospício mental para tratar, segundo entendi, de tema nenhum, numa evidência de que a suprema mandatária pode andar meio desocupada. Leonardo Boff, suspeito de ser teólogo, e Betto, suspeito de ser frei, estiveram com a governanta. O encontro acontece um dia depois de a dupla ter assinado um dito “manifesto de intelectuais petistas” contra a indicação de Joaquim Levy e Kátia Abreu para, respectivamente, os ministérios da Fazenda e da Agricultura. Hein? […]

Dilma decidiu dar trela a essa gente. É bem provável que não tenha se aproximado da janela em nenhum momento, né? Não custa ser precavido. Ah, sim: Boff, o audacioso, disse não ter debatido nomes de ministros com a presidente. Que bom, né? Afinal, ninguém o elegeu para isso. Ainda que essas duas personagens tenham um apelo, digamos, momesco, ao recebê-las com certa solenidade, Dilma exibe sinais preocupantes, como se estivesse a purgar os pecados do realismo, ajoelhando-se no altar de heresias delirantes.