Posts tagged ‘Missa Nova’

13 agosto, 2008

Cong. para o Culto Divino às Conferências Episcopais: reverência para com o Santo Nome de Deus

Para que a Palavra de Deus, escrita nos textos sagrados, possa ser conservada e transmitida numa maneira integral e fiel, toda tradução moderna dos livros da Bíblia objetiva ser uma fiel e acurada transposição dos textos originais. Tal esforço literário requer que o texto original seja traduzido com máxima integridade e exatidão, sem omissões e adições com relação a conteúdo e sem introduzir notas explanatórias ou paráfrases que não pertencem ao próprio texto sagrado.

[…]

Além de um motivo de ordem puramente filológica, existe também aquele de se manter fiel à tradição da Igreja, desde o início, de que o sagrado Tetragrammaton nunca era pronunciado no contexto Cristão nem traduzido para qualquer das línguas nas quais a Bíblia foi traduzida.

[…]

Nas celebrações litúrgicas, hinos e orações, o nome de Deus na forma do tetragrammaton YHWH não é para ser usado ou pronunciado.

No país da Cristoteca e do Barzinho de Jesus, onde o nome de Deus é cotidianamente tomado em vão, eis que mais uma diretriz da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, salvo alguma intervenção divina, tem destino quase certo: as gavetas empoeiradas onde se joga tudo que parte de Roma. Que nossas orações revertam esse quadro.

Imagem do The New Liturgical Movement:

Download do documento aqui.

31 julho, 2008

Lembrando Mons. Ranjith: não sejamos instrumentos do Demônio

O motu próprio Summorum Pontificum sobre a Liturgia Latina de 7 de julho de 2007 é o fruto de uma profunda reflexão do nosso Papa sobre a missão da Igreja.

Não cabe a nós, que vestimos a púrpura e o vermelho eclesiástico, colocarmos isso em questão, sermos desobedientes e fazermos o motu proprio vazio por nossas próprias pequenas e mínimas regras. Mesmo se elas fossem feitas por uma conferência de bispos. Mesmo os bispos não tem esse direito.

O que o Santo Padre diz tem de ser obedecido na Igreja. Se nós não seguirmos esse princípio, nós nos permitiremos ser usados como instrumentos do Demônio, e de ninguém mais. Isso vai levar a discórdia à Igreja e diminuir sua missão.

Nós não temos tempo a perder com isso. Mais, nós nos comportamos como Nero, ocupando-se com seu violino enquanto Roma pega fogo. As igrejas estão esvaziando, não existem vocações, os seminários estão vazios. Padres ficando velhos e velhos, e jovens padres são escassos.


28 julho, 2008

O milagre de Saint Nicholas du Chardonnet (IV)

Para melhor compreensão, leia também os artigos anteriores da série sobre a tomada da Igreja de Saint Nicholas du Chardonnet.

De maneira nada surpreendente, o Cardeal Marty não está contente em deixar a situação como está. Uma ordem judicial foi obtida dizendo que os tradicionalistas podiam ser expelidos por um oficial de justiça, pela polícia ou pelos militares, se necessário. Uma data foi dada, mas foi seguida por um prazo de execução até depois da Páscoa, para que toda a liturgia da Semana Santa pudesse ser mantida (talvez o próprio juiz desejasse assistí-la). Esse prazo expirava em 11 de abril, segunda-feira, e foi com alguma trepidação que eu fiz minha primeira visita à igreja por volta das 8:15 da manhã de 12 de abril, após uma viagem por toda a noite desde a Suíça. Ao entrar na igreja, pensei que o pior tivesse acontecido enquanto ouvia um padre falando em Francês – mas tudo estava bem, ele apenas estava lendo o Evangelho. Foi uma grande alegria assistir Missa numa bela igreja antiga exatamente como fora celebrada antes do Concílio.

Depois da Missa, tive uma conversa com o celebrante e alguns dos jovens que estavam guardando a igreja. Eles então me convidaram para compartilhar um lanche muito simples de pão com manteiga mergulhado no café. Seria difícil imaginar jovens mais agradáveis e corteses; descobrir tal fervor e dedicação pela fé tradicional entre pessoas jovens em plena “Igreja Conciliar” é certamente um sinal de grande esperança. Todas as portas da igreja, exceto uma, estavam trancadas, e ao menos dois ou três rapazes sempre lá permaneciam em guarda. Eles trabalham em turnos – alguns ficando em guarda a noite inteira enquanto outros dormem num dormitório provisório. É uma calúnia monstruosa sugerir, como alguns jornais liberais (católicos e seculares) fizeram, que esses são jovens com uma predileção pela violência. Se alguma tentativa é feita para expulsar-lhes da igreja pela força, eles resistirão – mas se eles não são atacados, não existirá violência. Aqueles com quem conversei também me asseguraram que eles não resistiriam à polícia – apenas um ataque corporal por leigos progressistas.

Continua

27 julho, 2008

Os Redentoristas Transalpinos e o problema da jurisdição de suplência

Os Filhos dos Santíssimo Redentor publicaram em seu blog a continuação de uma entrevista do seu vigário geral, Pe. Michael Mary (que já comentamos aqui). Abaixo, traduzimos alguns excertos:

Jurisdição de suplência ou o Pão fresco pela janela de trás.

Perguntado sobre o conselho que ele supostamente havia recebido da SSPX (de que não existiria suplência para a jurisdição de um superior religioso ao receber votos) que foi negado veementemente por Dom Fellay, Pe. Michael Mary responde:

Eu retornei à pessoa que consultamos primeiramente sobre jurisdição. Ele agora diz que ele considerou que conversar conosco sobre essa matéria seria inútil e iniciaria uma discussão infrutífera interminável. E que ele lamentava que nós tivéssemos interpretado seu silêncio como uma aprovação.

[…]

Absolutamente nada mudou em nosso pensamento até 7 de julho de 2007 quando o Papa Bento XVI publicou o Motu Proprio pelo qual ele provou, sem dúvidas, que ele estava intencionado em “re-sacralizar” a Igreja. Foi como um milagre. Talvez, como na visão de São João Bosco, ele é o Papa que está atracando a Barca de Pedro entre os dois pilares do Santíssimo Sacramento e de Maria Imaculada. Conseqüentemente, logo que se reconhece que Bento XVI é, sem dúvida, verdadeiramente o Papa; uma nova dinâmica de vida Católica vem à tona.

Martin: O que é isso?

Padre Michael Mary: Desde o momento que se reconhece Bento XVI como verdadeiramente o Papa, o ‘Catolicismo sedevacantista prático’ dá lugar ao “Catolicismo Papal prático”; é inevitável. Mesmo que exista uma guerra nos cercando na Igreja, nós ainda temos que fazer o movimento em direção à Barca de Pedro ao abandonar o ‘catolicismo sedevacantista prático’ pelo ‘catolicismo Papal prático’, onde o Papa tem a primazia de jurisdição sobre cada um de nós. Nós enfileiraremos trincheiras com ele para nossa própria salvação; e após isso, nós enfileiraremos trincheiras com ele na batalha pela vida da Igreja. Mas eu repito, o que está acima é meu entendimento pessoal sobre os últimos 20 anos. Pode não ser o entendimento de outros. Mas eu sei que independente de como seja o entendimento sobre os últimos 20 anos, algo novo começou com Bento XVI e a maré virou.

[…]

Eu me lembro de algumas questões morais sobre “roubar” em casos de necessidades. A Segunda Guerra Mundial: alguns soldados ingleses estão escondidos numa cidade Francesa. Eles estão em terrível necessidade de comida e descobrem que a janela de trás da padaria pode ser aberta para dar-lhes acesso ao pão que acabou de ser assado. Eles podem pegar o pão sem isso ser o pecado de roubo?

Martin: Sim, eles podem. Existe necessidade e tomar o pão pela janela de trás é a única forma para que eles possam sobreviver

Padre Michael Mary: Exatamente. Mas então, depois de um período de tempo, o povo da cidade os nota. A guerra ainda não acabou, existem ainda muitos riscos, mas a França está lentamente sendo libertada. O padeiro anuncia que ele dará a eles todos os pães que eles precisam e então não existe mais necessidade de tomá-los pela janela de trás. Ele mesmo traria os pães até eles. Agora tudo mudou, e se não hoje, mas bem logo, tomar o pão pela janela de trás será chamado e será roubo.

Martin: O que significa?

Padre Michael Mary: Por 20 anos estávamos vivendo num estado de necessidade onde nós não tínhamos autorização para aquilo que precisávamos, particularmente o Pão Celestial, confissões, casamentos e profissões religiosas. Nós fazíamos como podíamos. Nós presumíamos autorização para tudo que precisávamos. Não era a melhor situação, mas fizemos o que fizemos porque nós não podíamos ver nenhuma outra forma de sobreviver.

Então o Papa Bento XVI nos notou e em clara voz anunciou pelo Motu Proprio que a missa antiga estava autorizada e que ele nos daria tudo que precisávamos e mais: Missa, ritual, jurisdição para confissões, casamentos, profissões religiosas e o uso exclusivo do Missal de 1962 em nossas comunidades. É claro que ele sabe que a guerra não está acabada já que ele mesmo está trabalhando para restaurar todas as coisas em Cristo. Ele nos chama a responder seu apelo e aceitar o pão que ele nos oferece em abundância de seus braços abertos.

Martin: Então você está dizendo: o padeiro é o Papa, certo? Ele sabe que existe uma guerra em curso e ele está liderando o caminho? Ele agora nos oferece o que antes de 7 de julho de 2007 nós simplesmente pegávamos? Ignorá-lo agora e continuar a pegar o pão pela janela de trás não é mais aceitável, já que não pode ser certo pegar por suas costas o que ele quer nos dar face a face?

Padre Michael Mary: Essa é uma maneira de colocar isso. E permita-me acrescentar, existem razões para acertar as coisas com a Igreja. Esse problema da jurisdição é um problema muito sério. Eu me lembro de um Doutor em Direito Canônico num seminário, citando um caso de uma anulação matrimonial pré-Vaticano II. Era algo assim:

A sobrinha de um bispo estava se casando numa diocese vizinha. A noiva convidou seu tio, o bispo, para celebrar a cerimônia. Foi acordado. O tio-bispo celebrou o casamento na catedral da diocese vizinha onde até o bispo local assistiu para dar solenidade à ocasião. Alguns anos depois o casamento acabou. O tribunal de casamento investigando o caso descobriu que o tio-bispo não pediu ou recebeu jurisdição do bispo vizinho (o Ordinário local) para celebrar o casamento; (ele presumia isso). E apesar do bispo local estar fisicamente presente, a Igreja declarou o casamento nulo por falta de jurisdição.

Certamente esse seria um caso de ‘erro humano e falha’? Certamente a Igreja teria declarado esse como um caso de ‘jurisdição suprida’. Não, foi julgado como um caso ‘sem jurisdição’. O casamento foi anulado. Deram-nos esse caso como um exemplo da seriedade e necessidade de ter jurisdição válida para executar atos válidos. Talvez alguns dirão que isso é legalista, e eu não argumento. Eu digo que isso é um exemplo que dá causa à preocupação de agir sem válida jurisdição quando ela pode ser tida ao pedir.

Confiteor: Por que agora o Pe. Michael Mary ‘aceita’ a possibilidade dos padres dos F.SS.R. celebrarem a Missa Nova fora do mosteiro, presumidamente quando eles estão em missão?

Padre Michael Mary: Não, não, não! Em minha resposta a Brendan, eu disse que fomos assegurados que não precisaríamos celebrar o Novus ordo e nem concelebrar. Essa segurança nos deu coragem para fazer o que consideramos a coisa certa e procurar reconciliação com a Santa Sé. Então, claramente nós não estamos querendo dizer a Missa Nova. Entretanto, se você aceita o Papa, você aceita o Direito Canônico e, portanto, nós devemos aceitar que o Direito Canônico não dá permissão para proibir um padre de rezar a Missa Nova. Isso não quer dizer que ele irá dizê-la. Nenhum de nossos padres quer dizê-la, nenhum de nossos seminaristas quer; e nem eles podem ser forçados a dizê-la, nunca! Nem mesmo nas missões! Mas a Igreja não permite aos superiores proibir seus padres de dizê-la. Eu fiquei desapontado ao ver essa afirmação dos fatos mal usada antes de se averiguar.

25 julho, 2008

A crise, a guerra, a apostasia – Dom Bernard Tissier de Mallerais

 

Traduzimos trechos seletos da entrevista concedida pelos três bispos da FSSPX à Angelus Magazine. Desta vez quem fala é Dom Bernard Tissier de Mallerais:

[…] João Paulo II não fez nada para reconstruir a fé. A grande apostasia vem crescendo; os jovens estão quase completamente perdidos na impureza e nas drogas. O reinado social de Cristo está completamente destruído pela liberdade religiosa e pelos direitos do homem. Estamos vivendo a grande apostasia da qual fala São Paulo aos Tessalonicenses: “venerit dicessio primum”.

Q: O que lhe impressionou quanto aos fiéis em suas muitas viagens para confirmação?

Tissier de Mallerais: Claro, as famílias com muitos filhos — maravilhoso! Isso é efeito da graça do Santo Sacrifício da Missa. Também, com isso vieram muitas novas escolas para meninos e meninas, escolas primárias além dos nossos priorados em muitos lugares. Portanto, igreja, priorado e escola são agora a unidade normal.

[…]

Q: A situação com Roma está mais encorajante após 20 anos?

Tissier de Mallerais: Não, nada mudou. Apenas o motu proprio de 7 de julho de 2007 foi um milagre inesperado, e isso muda radicalmente a prática da Santa Sé com relação à missa tradicional. Mas, praticamente, o retorno à Tradição é pequeno entre os padres. Apenas jovens padres, poucos deles, estão interessados. Mas quanto a liberdade religiosa, os direitos dos homens, o interesse de Roma em nosso trabalho: nada mudou – induratio cordium! Um endurecimento dos corações, uma cegueira das mentes.

Q: O que você diria àqueles que em 1988 previram que a Fraternidade de São Pio X estava criando uma Igreja paralela? A história não os provou que estavam errados?

Tissier de Mallerais: Eu respondo. Aonde está a Igreja, meus caros? Reconhece-se a árvore pelos frutos. Onde estão os frutos, aí está a Igreja. Eu não quero dizer que a Igreja está reduzida à Fraternidade, mas que seu coração é a Fraternidade. A verdadeira Fé, o verdadeiro ensinamento, os sacramentos não-bastardos, tudo isso está na Fraternidade. Em todos os outros lugares existe uma mistura cheia de compromissos por causa do liberalismo e da fraqueza dos espíritos. A Igreja paralela é a do Vaticano II – Nova Igreja: seu espírito, sua nova religião ou não-religião.

Q: O que permanece como o mais importante desenvolvimento dos últimos 20 anos? A morte do Arcebispo? A eleiçã de Bento XVI? O Motu Proprio?

Tissier de Mallerais: A resposta é a nossa perseverança, nossa existência. O milagre da continuação da Tradição. A consagração dos bispos foi apenas um meio para esse fim. Não, a morte de Mons. Lefebvre, a eleição de Bento XVI, então não foram eventos de significância. Realmente, nenhum evento particular aconteceu nos últimos 20 anos, mas apenas o milagre da sobrevivência da Tradição.

Mons. Bernard Tissier de Mallerais

Mons. Bernard Tissier de Mallerais

Q: Muitos Católicos que começaram ao lado do Arcebispo anos atrás agora sentem-se inclinados a unir forças com uma Roma aparentemente mais conservadora ao aliarem-se com organizações com mais “status regular” dentro da Igreja.

Tissier de Mallerais: Sim, muitas perdas. Por causa da falta de princípios, infidelidade à luta da Fraternidade, procurando compromissos, desejando paz, desejando vitória antes do tempo previsto por Deus. Essas pobres pessoas (padres, religiosos, leigos) são liberais e pragmáticos. Seduzidos por sorrisos de pessoas no Vaticano, e quero dizer prelados da Cúria Romana. Pessoas que se cansaram pelo longo, longo combate pela Fé: “Quarenta anos é o suficiente!”. Mas isso vai durar mais 30 anos. Então, não parem, não procurem “reconciliação”, mas lutem!

Q: Qual é a sua mais memorável recordação do Arcebispo?

Tissier de Mallerais: Quando, em 13 de outubro de 1969, ele nos abriu as portas da route de Marly, 106, Fribourg, Suíça, sozinho, sem qualquer padre, recebendo-nos, nove seminaristas nos dois apartamentos que ele alugou dos padres Salesianos. Sozinho e aos 63 anos de idade, e começando tudo conosco, pobres jovens! Isso foi comovedor, ver como ele tomou conta de nós, dando-nos conferências espirituais, muito simples, teológicas, com Santo Tomás de Aquino e sua experiência como um missionário. Um arcebispo, antigo superior geral de 3000 membros, antigo Delegado Apostólico, e agora sozinho com nove seminaristas para começar algo pela causa do sacerdócio, algo do qual ele nem mesmo sabia do futuro. Percebam essa fé!

[…]

Conseqüentemente, a luta contra a liberdade religiosa não pode ser separada da luta pela Missa. O mesmo vale para a luta contra o ecumenismo, pois se Cristo é Deus, então Ele é capaz de expiar e satisfazer por Sua Paixão todos os pecados; também, apenas Ele tem o direito de reger as leis civis conforme o Evangelho. Eu nãovejo separação entre a luta pela Missa, a luta pelo espírito cristão de sacrifício e a luta pelo reinado social de Cristo. Os modernistas não vêem diferença entre a sua Nova Missa, sua recusa ao mistério da Redenção e sua negação do reinado social de Jesus Cristo.

[…]

Q: Como você pensa que seria a avaliação do Arcebispo Lefebvre sobre a crise conforme as coisas estão em 2008?

Tissier de Mallerais: Ele denunciaria não apenas o liberalismo — que era o caso de Paulo VI — mas o modernismo, que é o caso de Bento XVI: um verdadeiro modernista com uma teoria completa de modernismo atualizado! É tão sério que eu não posso expressar meu horror. Eu mantenho silêncio. Então, Arcebispo Lefebvre gritaria: “Seus hereges, vocês pervertem a Fé!”

[…]

Q: Que livros você pensa ser mais essenciais aos fiéis nesses dias?

Tissier de Mallerais: Para todos, seu Missal e seu catecismo. Para moços, livros sobre o reinado social de Cristo. Para moças, livros sobre culinária, costura e de como mobiliar uma casa.

 

24 julho, 2008

Ironia pós-conciliar: Sociedade de Paulo VI

De The Hermeneutic of continuity.


Um antigo amigo dos meus dias de Roma, Pe. Shaun Middleton, pároco de São Francisco de Assis, Pottery Lany, escreveu um pequeno artigo no the Tablet propondo a formação da Sociedade de Paulo VI para preservar as traduções do ICEL de 1974, a comunhão na mão, a abolição das mesas de comunhão, etc. Quando pela primeira vez eu ouvi sobre o artigo, eu pensei que poderia ser uma ironia, já que eu conheço o bom senso de humor do Pe. Shaun. Parece, entretanto, que ele fala sério, expressando suas preocupações sobre a “reforma da reforma” do Papa Bento.

Talvez em alguns anos nós possamos ver a formação de tal sociedade. Eu gostaria de ser magnânimo. A Latin Mass Society e outros grupos tradicionalistas lutaram durante váriás décadas de opróbrio e suspeitas. Vamos então, pelo contrário, acolher a Sociedade de Paulo VI e oferecer uma ampla e generosa aplicação das normas permitindo a Missa com todas as inovações litúrgicas em vigor até o reinado do Papa Bento.

A Missa poderia ser agendada uma vez ao mês, às 4 horas da tarde de domingo em paróquias diferentes a cada semana. (Seria melhor não fazer publicidade caso de exista qualquer perigo de discórdia com relação às reformas do Papa Bento.) Em alguns lugares, poderia-se erigir uma paróquai pessoal para o rito de 1970, mas apenas se o Conselho de Padres estiver em plena concordância.

A SSPVI necessitaria trazer seus próprios cálices de cerâmica, hóstias-pizzas, paramentos de poliester, violões e livros com os hinos para as celebrações. Eles também precisariam de uma tábua de passar roupas para colocar dois castiçais para a missa de frente para o povo. O Padre que estiver pregando deveria, claro, ter em sua honra não dizer nada contra a Missa Latina Tradicional.

20 julho, 2008

O milagre de Saint Nicholas du Chardonnet (II)

Para melhor compreensão, leia também os artigos anteriores da série sobre a tomada da Igreja de Saint Nicholas du Chardonnet.

Através da porta principal da igreja entrou uma triunfal procissão. Precedida por uma cruz  vinha uma longa fila de fiéis liderados por um bom número de padres, dos quais três estavam vestidos prontos para Missa — que seus nomes sejam conhecidos e venerados: M. l’Abbé Juan, sub-diácono; M. l’Abbé de Fommevault, diácono; Monsignor Ducaud-Bourget, celebrante — um padre com mais de oitenta anos de idade, uma figura patriarcal com longos cabelos brancos, um padre que parecia ser a reencarnação do Curé d’Ars. Entre os outros padres estavam M. l’Abbé Coache, expulso de sua paróquia pelo crime de organizar uma procissão em honra do Santíssimo Sacramento.

Por anos agora esses santos padres vêm celebrando uma série de missas a cada domingo na Salle Wagram, uma sala dilapidada próxima ao Arco do Triunfo. Eles imploraram e suplicaram, usaram toda aproximação possível das autoridades civis e religiosas para lhes ser concedido o uso de uma igreja para celebrar suas missas — mas em vão. A missa que eles queriam celebrar era a Missa codificada pelo Papa São Pio V — e a celebração desse tipo de Missa é a única e exclusiva forma de atividade que é total e absolutamente verboten na Igreja Francesa. A presente situação foi perfeitamente expressa pelo Pe. Henri Bruckberger, capelão geral da Resistência Francesa: “Hoje a um padre é permitido emprestar sua igreja para o uso de muçulmanos ou budistas, tibetanos ou patagonianos, hippies, papuanos ou não papuanos, rapazes, moças, pelos ambígüos, pelos ambivalentes, ambidestros, anfíbios e nômades — mas se um pobre padre deseja celebrar a Missa para a qual aquela própria igreja foi construída (e não pela hierarquia, mas pelo próprio povo), e se o povo Francês quer ir até lá assistir a mesma Missa que foi dita naquele lugar por séculos, então a completa fúria do episcopado Francês cai sobre eles“.

Mas pelo primeiro Domingo da Quaresma de 1977 tiveram o suficiente — mais do que o suficiente. A assistência na Salle Wagram– 8000 a cada domingo — mais que passava qualquer outro lugar de culto em Paris, incluindo a Catedral de Notre Dame. Por que, eles se perguntaram a si mesmos, padres e povo igualmente, por que eles deveriam rezar numa sala pública pelo único crime de permanecerem fiéis à fé de seus pais?

Mons. Ducaud Bourget

Mons. Ducaud Bourget

“Com que direito você vem aqui?”, perguntou um dos padres da paróquia.

“Nós vimos”, respondeu Mons. Ducaud-Bourget (e não seria razoável clamar que isso foi inspirado?) “in Nomine Domini”.

Os apóstolos do progresso estão temporariamente abismados; antes de perceberem o que estava acontecendo, seu palanque e sua mesa foram relegados a um canto da igreja e uma Missa Solene está sendo celebrada no altar. Mas os apóstolos do progresso não permecem abismados por muito tempo. Militantes de campanha contra as estruturas sociais opressivas, advogados da participação leiga — o que eles podem fazer? A resposta é simples. Chamar a polícia. Eles o fazem sem hesitação. A polícia chega: “Expulsem aquelas pessoas da igreja“.

“Mas eles estão dizendo Missa e rezando. É para isso que serve uma igreja!”. Sai a polícia. Os apóstolos do progresso estão mais uma vez abismados.

E assim foi.

Os tradicionalistas vieram; rezaram; ficaram. E lá eles estão ainda.

Continua.

16 julho, 2008

Cardeal Poggi: Missa Tradicional abrogada é grosso erro

El Rito Tridentino contempla a un Dios joven y evidencia la belleza de una fe espontánea

NUNCA HE DEJADO DE CELEBRAR CON EL RITO TRIDENTINO“: Cardenal Poggi

“Si algunos obispos o “Pastores celosos” han pensado que el Novus Ordo (el nuevo rito de la misa) ha abrogado el Vetus Ordo (el rito romano tradicional del sacrificio de la misa), han cometido un grueso error”.

“Es así, el Rito Tridentino contempla a un Dios joven y evidencia la belleza de una fe espontánea. Cómo decirlo, esta Misa contiene elementos lamentablemente descuidados en la visión racionalista del Novus Ordo: la capacidad de asombrarse, el misterio y la trascendencia.”

Entrevista que el reconocido periodista italiano Bruno Volpe ha realizado al Cardenal Luigi Poggi. El texto original se encuentra en Petrus (revista católica que reseña las actividades del Santo Padre).

El Cardenal Poggi, una vida entera al servicio de la gloriosa Tradición de la Iglesia: “Nunca he dejado de celebrar con el Rito Tridentino”

Ciudad del Vaticano – Tiene 91 años, pero conserva la lucidez y el entusiasmo de un jovencito. El cardenal Luigi Poggi, quien fuera Archivista y Bibliotecario de la Santa Sede, es uno de los pocos purpurados que, después de la reforma litúrgica del Concilio Vaticano II ha continuado celebrando la Santa Misa con el Rito Tridentino en latín de San Pío V.

Eminencia, permítanos una provocación amigable: ¿por qué no se ha adecuado a la reforma?

Disculpe, pero ¿por qué me hace esta pregunta?, siempre he celebrado según el Misal de San Pío V que, es bueno recordarlo, el Concilio Vaticano II nunca ha abrogado.

Reformulamos la pregunta: ¿por qué ha elegido continuar con el Rito de San Pío V?

Así está mejor. Veamos: ninguno, y subrayo ninguno, está autorizado a cancelar la Tradición de la Iglesia, tanto menos el Concilio Vaticano II, el cual, que quede bien claro, tiene todo mi respeto. Pero, lo subrayo de nuevo, aquel Concilio no ha sustituido el Rito Tridentino, sino que simplemente ha añadido otro. Si luego algunos obispos o “Pastores celosos” han pensado que el Novus Ordo ha abrogado el Vetus Ordo, han cometido un grueso error.

Sabemos que de la Misa de San Pío V le gustan a usted los silencios, el mirar a Dios, a la Cruz…

¿Cómo podría ser de otro modo? Muchos se equivocan y analizan el problema reduciéndolo a la posición del celebrante. En ninguna parte está escrito que el sacerdote deba dirigirse hacia Oriente, sin embargo me parece que esa es la posición más correcta y teológicamente convincente. El sacerdote no es el protagonista de la Celebración Eucarística, pero habla en nombre de Cristo, por eso mira hacia la Cruz y al Sol naciente, esto es, al Verbo.

Introibo ad altare Dei …

Bellísima fórmula, que da plenamente la sensación y la idea de una procesión, de un devenir, de la indignidad del hombre para acercarse al Sacrificio Divino; pero especialmente me gusta subrayar la segunda parte …

Díganos.

“Qui laetificat juventutem meam”. No es una frase sin sentido, sino que testimonia la juventud de Dios y su inmensa misericordia; la misericordia del Padre que renueva en la fe a sus hijos donando la juventud y la frescura de los que creen. Es así, el Rito Tridentino contempla a un Dios joven y evidencia la belleza de una fe espontánea. Cómo decirlo, esta Misa contiene elementos lamentablemente descuidados en la visión racionalista del Novus Ordo: la capacidad de asombrarse, el misterio y la trascendencia.

Algunos estudiosos, religiosos e incluso rabinos, han hablado de rito antisemita.

Vea, he oído muchas inexactitudes pero, en serio, ésta supera a todas. El Rito Tridentino no quiere ofender a los judíos sino que pide simplemente la conversión. Tanto más siendo que, con extremo buen sentido, el Papa Benedicto XVI ha revisado la oración del Viernes Santo, deseando y confirmando el pedido de conversión de los judíos. A tal propósito, me permito afirmar que cada cristiano está llamado a convertir a los que no creen en Cristo. Por otro lado, ¿qué tiene de malo?

Eminencia, a los 91 años ¿se siente joven?

Ciertamente. Con un Dios que “laetificat juventutem meam” ¿cómo no podría?

9 julho, 2008

Dom Angelo Amato, novo Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos

Substituindo o Cardeal Saraiva Martins. Amato desempenhou importante papel como secretrário do então Cardeal Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé, especialmente em Dominus Iesus e nas últimas respostas da Congregação sobre aspectos controvertidos do Concílio Vaticano II. Seu lugar na secretaria do Santo Ofício será assumido por um jesuíta, agora arcebispo, Luis Francisco Ladaria Ferrer, importante representante da Comissão Teológica Internacional, cujo último trabalho sobre o destino das crianças falecidas sem batismo causou grande alvoroço entre os católicos.
O futuro Cardeal Angelo Amato com o então Cardeal Ratzinger

O futuro Cardeal Angelo Amato com o então Cardeal Ratzinger

Ainda não se tem novidades sobre o novo Prefeito para a Congregação para o Culto Divino, hoje comandada pelo Cardeal Francis Arinze que há poucos meses apresentou sua renúncia ao atingir a idade limite. Amato era um dos fortes concorrentes ao cargo, que agora tem como principal candidato o Cardeal Cañizares Llovera, arcebispo de Toledo e primaz da Espanha — também conhecido como “little Ratzinger”.

Esperamos que Mons. Ranjith, atual secretário da Congregação, não retorne ao seu Sri Lanka como arcebispo de Colombo, cuja Sé vacante aguarda seu novo prelado.
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Jean Madiran escreve um excelente artigo que demonstra a mentalidade e as trapaças do episcopado Francês diante do Motu Proprio, especialmente representado pelo Cardeal Vingt Trois, arcebispo de Paris. Quase tudo que é dito lá pode ser visto na aplicação de Summorum Pontificum no restante do mundo.

É importante analisar a próxima viagem do Papa à França. Noticia-se já atritos entre o episcopado Francês e o mestre de cerimônias do Papa. Há um desconforto com a idéia de distribuir comunhão na boca dos fiéis ajoelhados… Fiquemos de olho!

7 julho, 2008

Summorum Pontificum, um ano depois: O dever do Católico.

Michael Davies e Cardeal Ratzinger
Michael Davies e o então Cardeal Ratzinger

A doutrina da indefectibilidade não nos protege do dano causado por fraqueza, julgamentos infelizes ou falta de sensibilidade litúrgica por parte de um Papa. Na presente crise nós podemos ver que o Espírito Santo fez o suficiente para evitar que a Igreja falhasse em sua constituição divina, e nada mais. Isso deve tanto confortar e fortalecer a fé dos Católicos tradicionais como inspirá-los a tomar sua plena parte como membros do Corpo Místico para restaurar àquele Corpo a completa saúde novamente. O primeiro requisito para se alcançar isso deve ser obter o máximo de celebrações da Missa tradicional possível. O número de tais celebrações está crescendo diariamente. O segundo é trabalhar respeitosamente, como expressa Mons. Gamber, para a eventual restauração do Missal de 1962 como “a forma litúrgica principal para a celebração da Missa”.

Dietrich von Hildebrand, descrito pelo Papa Pio XII como o doutor da Igreja do século vinte, nos lembra que:

 

Os fiéis não estão obrigados a ter todas as ordens como boas e desejáveis. Eles podem lamentá-las e rezar para que elas sejam revogadas; realmente, eles podem trabalhar, com todo respeito devido ao Papa, para sua eliminação.

O fato de que o Missal Latino do Papa Paulo VI não possa ser descrito como mau, pernicioso ou instrínsecamente corrompido não significa que nós devemos considerá-lo um substituto aceitável para o Missal Tradicional. A crítica devastadora do Missal Latino de 1970 enviada ao Papa Paulo VI pelos Cardeais Ottaviani e Bacci deixa isso muito claro. Em sua carta de apresentação eles explicam ao Papa que:

 

O Novus Ordo Missae – considerando-se os novos elementos amplamente suscetíveis a muitas interpretações diferentes que estão nela implícitos ou são tomados como certos — representa, tanto em seu todo como nos detalhes, um surpreendente afastamento da teologia católica da Missa tal qual formulada na sessão 22 do Concílio de Trento. Os “cânones” do rito definitivamente fixado naquele tempo constituíam uma barreira intransponível contra qualquer tipo de heresia que pudesse atacar a integridade do Mistério.

Mons. Klaus Gamber pôde contemplar apenas uma solução realista para a presente crise na liturgia:

 

Em última análise, isso significa que no futuro o rito tradicional da Missa deve ser mantido na Igreja Católica Romana… como a principal forma litúrgica para a celebração da Missa. Ele deve tornar-se uma vez mais a norma de nossa fé e o símbolo da unidade Católica por todo o mundo, uma rocha de estabilidade num período de reviravoltas e mudanças intermináveis.

Tal dia uma vez virá? Quem pode dizer? Pode muito bem ser que agora estejamos nos últimos dias. O que nós podemos estar certos é que é nosso dever trabalhar por essa restauração por menores que nossas chances de sucesso possam parecer no momento. Nos dias da perseguição Ariana, quando Santo Atanásio era um fugitivo caçado excomungado pelo Papa, quem poderia sequer imaginar que se aproximava o dia quando os verdadeiros católicos que foram forçados a rezar fora de suas paróquias poderiam retornar a elas em triunfo? Nós devemos rezar por um Papa como Paulo IV, São Pio V ou São Pio X, que não recuará ao tomar as medidas necessárias para restaurar a ortodoxia,  sejam quais forem as consequências. Seria realmente preferível ter uma Igreja reduzida a uma fração de seu tamanho atual, mas composta de verdadeiros Católicos, do que uma Igreja composta de centenas de milhões de Católicos com uma larga proporção que não tem direito a esse nome. O Cardeal Newman escreveu:

 

Possa Deus levantar-se e tremer terrivelmente a terra (apesar de ser uma oração terrível) do que homens de dúplo pensamento mintam às ocultas entre nós e as almas se percam pela presente tranqüilidade… Que Ele nos separe, até que o joio seja plenamente removido: de qualquer forma, ao invocá-lo, nós não sabemos o que pedimos e sentindo que o fim em si mesmo é bom, ainda não podemos merecidamente estimar o temor de tal castigo do qual falamos tão livremente.

Qual seja o estado lamentável da Igreja no momento, quais sejam as terríveis provações e tribulações que nós tenhamos que encarar — Nossa Senhora de Fátima nos alertou sobre elas — nós devemos sob todas as circunstâncias permanecer na barca de Pedro que é a única Arca da Salvação. O Papa Leão XIII nos advertiu na Satis Cognitum:

 

A Igreja de Cristo, portanto, é una e a mesma para sempre: aqueles que a deixam afastam-se da vontade e do mandamento de Cristo Senhor. Deixando o caminho da salvação,  entram no caminho da perdição.

(I am with you always, Michael Davies, The Neumann Press, 1997, pp.74-75)