Posts tagged ‘Mons. Ranjith’

22 agosto, 2008

“Estou nas mãos de Deus, quem sabe…”

É o que responde Dom Ranjith ao ser questionado por Bruno Volpe se permanecerá no seu atual cargo, secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

Esperamos que ele deixe o cargo não para retornar ao Sri-Lanka, como diziam boatos antigos, mas para assumir a Prefeitura da Congregação, já que o Cardeal Francis Arinze será logo substituído por motivo de idade.

15 agosto, 2008

Na festa da Assunção da Santíssima Virgem – Dom Ranjith

Dom Ranjith em Maria Vesperbild - 2008

Dom Ranjith em Maria Vesperbild - 2008

Queridos irmãos e irmãs, hoje muitos discípulos de Jesus em todos os estados e vocações da Igreja estão faltando com a reverência e alegria que vêm da verdadeira, contínua presença de Jesus entre nós, especialmente no Santíssimo Sacramento do Altar. Então, hoje nós devemos rezar mais do que nunca à Santa Mãe de Deus e pedir a ela que possa nos abrir aos tesouros de seu Imaculado Coração: sua fé e seu amor por Jesus em sua missão Eucarística. Não infreqüentemente nós ouvimos hoje de padres que, revelando uma falta de fé e de entendimento, celebram os Sagrados Mistérios da Eucaristia de uma maneira que é indigna de sua celestial magnificência. Também muitos fiéis perderam o sentido para o sagrado do Sacríficio da Missa. O convite de Jesus de se tornar completamente um com Ele e de receber a vida Dele, vida que corre de Seu tremendo Sacrifício do Gólgota, e de ser parte de Sua celestial assembléia do novo povo de Deus, — como o Senhor diz: Enquanto o Pai vivo me enviou, e eu vivo pelo Pai; assim aquele que me come, também viverá por mim. — esse convite maravilhoso está sendo degradado por uma visão puramente intra-mundana e horizontal da Santa Eucaristia, na qual não se vê mais que apenas o pão terreno. Nós não podemos honrar Maria se nós não podemos honrar Jesus Eucarístico! Nós devemos rezar para uma verdadeira renovação da Igreja, como quer o Santo Padre, acima de tudo na e através da Santa Missa e na veneração da Santa Eucaristia, através de uma fé aprofundada, uma digna celebração e um corajoso testemunho. Hoje, mais do que noutros tempos, nós precisamos amar e conhecer Maria para que nós amemos mais e conheçamos melhor Jesus, e O honremos mais.

(Dom Albert Malcolm Ranjith Patabendige Don, Secretário da Cong. para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos – missa na véspera da festa da Assunção da Santíssima Virgem em 2008, Maria Vesperbild, Bavaria)
 
13 agosto, 2008

Cong. para o Culto Divino às Conferências Episcopais: reverência para com o Santo Nome de Deus

Para que a Palavra de Deus, escrita nos textos sagrados, possa ser conservada e transmitida numa maneira integral e fiel, toda tradução moderna dos livros da Bíblia objetiva ser uma fiel e acurada transposição dos textos originais. Tal esforço literário requer que o texto original seja traduzido com máxima integridade e exatidão, sem omissões e adições com relação a conteúdo e sem introduzir notas explanatórias ou paráfrases que não pertencem ao próprio texto sagrado.

[…]

Além de um motivo de ordem puramente filológica, existe também aquele de se manter fiel à tradição da Igreja, desde o início, de que o sagrado Tetragrammaton nunca era pronunciado no contexto Cristão nem traduzido para qualquer das línguas nas quais a Bíblia foi traduzida.

[…]

Nas celebrações litúrgicas, hinos e orações, o nome de Deus na forma do tetragrammaton YHWH não é para ser usado ou pronunciado.

No país da Cristoteca e do Barzinho de Jesus, onde o nome de Deus é cotidianamente tomado em vão, eis que mais uma diretriz da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, salvo alguma intervenção divina, tem destino quase certo: as gavetas empoeiradas onde se joga tudo que parte de Roma. Que nossas orações revertam esse quadro.

Imagem do The New Liturgical Movement:

Download do documento aqui.

1 agosto, 2008

Entrevista de Dom Ranjith ao La Repubblica – Papa Ratzinger tem um plano e Dom Ranjith o leva com eficácia

O Padre Zuhlsdorf publicou em seu blog uma entrevista de Dom Malcolm Ranjith, secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, ao jornal italiano La Repubblica, cuja tradução apresentamos.

“Porque Ratzinger está recuperando o sagrado”

Marco Politi

O sinal era claro. Primeiro Corpus Christi em Roma, depois visto ao vivo por todo o mundo em Sidney. Bento XVI está demandando que, diante dele, a Comunhão seja recebida de joelhos. É uma das muitas reclamações desse pontificado: latim, a Missa “Tridentina”, celebração de costas para o povo.

Papa Ratzinger tem um plano e o [Arcebispo] do Sri Lanka Malcolm Ranjith, quem o Pontífice quis consigo no Vaticano como Secretário da Congregação para o Culto Divino, o leva com eficácia.

Atenção à liturgia, ele explica, tem por objetivo uma “abertura ao transcendente”. A pedido do Papa, Ranjith adianta, a Congregação para o Culto Divino está preparando um Compendium sobre a Eucaristia para ajudar padres a “prepararem-se bem para a celebração e adoração Eucarística”.

A comunhão de joelhos aponta nessa direção?

“Na liturgia sente-se a necessidade de recuperar o sentido do sagrado, acima de tudo na celebração Eucarística. Já que cremos que o que ocorre no altar vai muito além do que nós podemos humanamente imaginar. E então, a fé da Igreja na Presença Real de Cristo nas espécies Eucarísticas é expressa através de gestos e comportamentos adequados diferentes daqueles da vida diária.”

Indicando uma descontinuidade?

“Nós não estamos diante de uma figura política ou de um personagem da sociedade moderna, mas diante de Deus. Quando a presença do Deus eterno desce no altar nós devemos nos colocar numa postura mais apta para adorá-Lo. Na minha cultura, no Sri Lanka, nós devemos nos prostar com a cabeça no chão como os budistas e os muçulmanos fazem em oração.”

Colocar a hóstia na mão diminui o sentido de transcendência da Eucaristia?

“Sim, num certo sentido. Arrisca-se que o comungante a sinta como um pão normal. O Santo Padre fala freqüentemente da necessidade de salvaguardar o sentido do “outro” na liturgia em todas as suas expressões. O gesto de tomar a Sagrada Hóstia e colocá-la nós mesmos na boca e não recebê-la reduz o significado profundo da Comunhão”.

Existe um desejo de se opor a tendências que banalizam a Missa?

“Em alguns lugares o sentido do eterno, sagrado ou celestial foi perdido. Existia uma tendência de colocar o homem no centro da celebração, e não o Senhor. Mas o Concílio Vaticano Segundo fala claramente sobre a liturgia como actio Dei, actio Christi. Ao invés, em certos círculos litúrgicos, seja por ideologia ou um certo intelectualismo, como preferir, a idéia espalha uma liturgia adaptável a várias situações, na qual tinha que se deixar espaço à criatividade para que ela fosse acessível e aceitável por todos. Então, particularmente, existiram aqueles que introduziram inovações sem ao menos respeitar o sensus fidei e os sentimentos espirituais dos fiéis.”

Às vezes até mesmos bispos pegam o microfone e vão a seus ouvintes com perguntas e respostas.

“O perigo moderno é que o padre pense que ele está no centro da ação. Dessa forma o rito pode tomar um aspecto de teatro ou de uma perfomance numa rede de televisão. O celebrante vê o povo que o vê como o ponto de referência e existe o risco de , para ter o maior sucesso possível com o público, ele fazer gestos e expressões como se ele fosse a figura principal.”

Qual seria a atitude correta?

“Quando o padre sabe que não é ele no centro, mas Cristo. No serviço humilde ao Senhor e à Igreja respeitando a liturgia e suas regras, como algo a ser recebido e não a ser inventado, significa deixar maior espaço para o Senhor, pois através do padre como o instrumento Ele pode despertar a atenção dos fiéis”.

Os sermões por leigos são também desvios?

“Sim. Pois o sermão, como diz o Santo Padre, é a forma na qual a Revelação e a grande Tradição da Igreja são explicadas, para que a Palavra de Deus possa inspirar a vida dos fiéis em suas escolhas diárias e fazer a celebração litúrgica rica de frutos espirituais. A tradição litúrgica da Igreja reserva o sermão ao celebrante. Aos bispos, padres e diáconos. Mas não aos leigos.”

Absolutamente não?

“Não porque eles não são capazes de fazer uma boa refelxão, mas porque na liturgia as funções devem ser respeitadas. Existe, como disse o Concílio, uma diferença “em essencial e não apenas em grau” entre o sacerdócio comum dos fiéis de todos os batizados e aquele dos padres”

Algum tempo atrás o Cardeal Ratzinger estava lamentando uma perda do sentido de mistério nos ritos.

“Freqüentemente a reforma conciliar foi interpretada ou considerada numa forma não inteiramente em conformidade com a mente do Vaticano II. O Santo Padre define essa tendência como o “anti-espírito” do Concílio.”

Um anós após a plena reintrodução da Missa Tridentina, qual é a avaliação?

“A Missa Tridentina tem seu profundíssimo valor interno que reflete toda a tradição da Igreja. Existe mais respeito pelo sagrado através de gestos, genuflexões, os períodos de silêncio. Existe maior espaço reservado à reflexão sobre a ação do Senhor e também para o senso de devoção pessoal do celebrante, que oferece o sacríficio não apenas para os fiéis mas também por seus próprios pecados e por sua própria salvação. Alguns elementos importantes do antigo rito podem ajudar também numa reflexão sobre a maneira de celebrar o Novus Ordo. Nós estamos no meio de uma jornada.”

Algum dia no futuro está previsto um rito que toma o melhor do antigo e do novo?

“Poderia ser,… mas talvez eu não vejo isso. Penso que nas próximas décadas nós iremos em direção a uma avaliação compreensiva tanto do antigo como do novo rito, salvaguardando o que for eterno e sobrenatural acontecendo no altar e reduzindo todo desejo de estar nos holofotes afim de deixar espaço para o contato efetivo entre os fiéis e o Senhor através da figura, mas não predominantemente, do sacerdote”.

Com posições alternativas do celebrante? Quando o padre se viraria para o abside?

“Você poderia considerar o ofertório, quando as oferendas são trazidas ao sacerdote, e dali em diante todo o caminho para a oração Eucarística, que representa o momento culminante da “transsubstantiatio” e “communio”.

O padre que volta suas costas desorienta o povo.

“É um erro falar dessa forma. Pelo contrário, ele está voltado para o Senhor junto com o povo. O Santo Padre, em seu livro O espírito do Concílio [ntd: creio ser um erro de digitação do pe. Zuhlsdorf. O livro do Cardeal Ratzinger chama-se O Espírito da Liturgia] explicou que quando o povo está sentado olhando cada um para si mesmo, um circulo fechado está formado. Mas quando o padre e os fiéis olham juntos ao Leste, em direção ao Senhor que vem, essa é uma forma de se abrir para o eterno”.

Nessa visão você coloca também a reabilitação (recupero) do Latin?

Eu não gosto da palavra ‘reabilitação’. Nós estamos implementando o Concílio Vaticano Segundo que explicitamente afirmou que o uso da língua Latina, exceto em caso de direito particular, era para ser preservado nos ritos Latinos. Então, se foi deixado também espaço para a introdução das línguas vernáculas, o Latim não era para ser completamente abandonado. O uso de uma língua sagrada é uma tradição em todo o mundo. No Hinduísmo a língua de oração é o sânscrito, que não está mais em uso. No Budismo o Pali [?] é usado, uma lingua que apenas os monges budistas estudam. No Islã o Árabe do Corão é usado. O uso da língua sagrada nos ajuda a viver uma experiência do “outro”.

O Latim como a língua sagrada da Igreja?

Claro. O próprio Santo Padre fala em sua Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis no parágrafo 62: “Afim de expressar mais claramente a unidade e a universalidade da Igreja, desejo endossar a proposta feita pelo Sínodo dos Bispos, em harmonia com as diretrizes do Concílio Vaticano Segundo, que, com exceção das leituras, homília e oração dos fiéis, é adequado que tais liturgias sejam celebradas em Latim”. Claro, “durante encontros internacionais”.

O que Bento XVI quer atingir dando nova força para a liturgia?

“O Papa quer oferecer a possibilidade de chegar à maravilha da vida em Cristo, uma vida que já na vida aqui na terra já nos leva a um sentido de liberdade e eternidade próprio dos filhos de Deus. E esse tipo de experiência é vivida poderosamente através de uma renovação autêntica da fé que pressupõe um antegozo da realidade celestial na liturgia em que se crê, se celebra e se vive. A Igreja é, e deve tornar-se, o poderoso instrumento e os meios para essa experiência litúrgica libertadora. E é sua liturgia que faz possível despertar tal experiência em seus fiéis”

31 julho, 2008

Lembrando Mons. Ranjith: não sejamos instrumentos do Demônio

O motu próprio Summorum Pontificum sobre a Liturgia Latina de 7 de julho de 2007 é o fruto de uma profunda reflexão do nosso Papa sobre a missão da Igreja.

Não cabe a nós, que vestimos a púrpura e o vermelho eclesiástico, colocarmos isso em questão, sermos desobedientes e fazermos o motu proprio vazio por nossas próprias pequenas e mínimas regras. Mesmo se elas fossem feitas por uma conferência de bispos. Mesmo os bispos não tem esse direito.

O que o Santo Padre diz tem de ser obedecido na Igreja. Se nós não seguirmos esse princípio, nós nos permitiremos ser usados como instrumentos do Demônio, e de ninguém mais. Isso vai levar a discórdia à Igreja e diminuir sua missão.

Nós não temos tempo a perder com isso. Mais, nós nos comportamos como Nero, ocupando-se com seu violino enquanto Roma pega fogo. As igrejas estão esvaziando, não existem vocações, os seminários estão vazios. Padres ficando velhos e velhos, e jovens padres são escassos.