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12 novembro, 2019

Mons. Viganò: “A abominação de ritos idolátricos penetrou no santuário de Deus”.

Por LifeSiteNews, Roma, 6 de novembro de 2019 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com –  O arcebispo Carlo Maria Viganò pede a reconsagração da Basílica de São Pedro, à luz do que ele chama de “horríveis profanações idolátricas” que foram cometidas em seus muros pela veneração de estátuas da Pachamama.

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Em uma nova entrevista com o LifeSiteNews sobre o Sínodo da Amazônia, o arcebispo Viganò disse: “A abominação de ritos idolátricos entrou no santuário de Deus e deu origem a uma nova forma de apostasia cujas sementes, ativas há muito tempo, estão crescendo com renovado vigor e eficácia.”

Ele prossegue: “O processo de mutação interna da fé, que ocorre na Igreja Católica há várias décadas, viu neste Sínodo uma dramática aceleração em direção à fundação de um novo credo, resumido em um novo tipo de adoração [cultus]. Em nome da inculturação, elementos pagãos estão infestando o culto divino, a fim de transformá-lo em um culto idolátrico.”

Clérigos e leigos “não podem permanecer indiferentes aos atos idolátricos que testemunhamos”, insiste o arcebispo. “É urgente redescobrir o significado de oração, reparação e penitência, do jejum, dos pequenos sacrifícios, dos buquês espirituais e, acima de tudo, da adoração silenciosa e prolongada diante do Santíssimo Sacramento.”

Nesta exaustiva entrevista (veja o texto completo abaixo), abordamos com o arcebispo Viganò o que a “saga da Pachamama” revela sobre o estado da Igreja e como é a consequência lógica de outras declarações “aberrantes” feitas no atual pontificado. Também falamos sobre o documento final do Sínodo, que ele chama de “ataque frontal contra o edifício divino” da Igreja; o que o Sínodo da Amazônia revela sobre “sinodalidade”; e o que seus organizadores conseguiram.

Segundo o arcebispo Viganò, o “paradigma da Amazônia”, que visa fundamentalmente “transformar” a Igreja Católica, está alinhado com uma agenda “globalista” e “serve como uma passarela para baldear o que resta do edifício católico rumo a uma religião universal indefinida”.

“Para todos nós católicos, a paisagem da Santa Igreja está se tornando mais escura a cada dia”, diz ele. “Se esse plano satânico for bem-sucedido, os católicos que aderem a ele mudarão de fato de religião, e o imenso rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo será reduzido a uma minoria”.

“Essa minoria provavelmente terá muito que sofrer […] mas com Ele vencerá”, diz, concluindo suas observações com as palavras provocativas, proféticas e oportunas da mística e santa do século XIV, Brígida da Suécia.

A seguir, a nossa entrevista sobre o Sínodo da Amazônia com o Arcebispo Carlo Maria Viganò.

LifeSiteNews: Excelência, como o senhor caracterizaria o conjunto da narrativa do Sínodo? Existe uma imagem que o resuma adequadamente?

Arcebispo Viganò: A barca da Igreja está sacudida por uma tempestade furiosa. Para acalmar a tempestade, aqueles sucessores dos Apóstolos que tentaram deixar Jesus na praia e que não mais percebem Sua presença, começaram a invocar a Pachamama!

 “Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação […] então a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será” (Mt 24, 15 e 21).

A abominação dos ritos idolátricos entrou no santuário de Deus e deu origem a uma nova forma de apostasia, cujas sementes – que estão em atividade há muito tempo – estão crescendo com renovado vigor e eficácia. O processo de mutação interna da fé, que ocorre na Igreja Católica há várias décadas, viu neste Sínodo uma aceleração dramática em direção à fundação de um novo credo, resumido em um novo tipo de culto [cultus]. Em nome da inculturação, elementos pagãos estão infestando o culto divino, a fim de transformá-la em um culto idolátrico.

LSN: Qual parte do Documento Final do Sínodo Amazônico o senhor considera mais preocupante ou problemática?

AV: A estratégia de toda a operação do Sínodo da Amazônia é o engano, a arma preferida do diabo: dizer meias-verdades para alcançar um fim perverso. Falta de padres: para destruir o celibato, primeiro na Amazônia e depois em toda a Igreja, eles dizem que é necessário abrir-se aos padres casados e ao diaconato das mulheres. Em que continente a primeira evangelização da Igreja Católica foi realizada por padres casados? As missões na África, Ásia e América Latina foram feitas principalmente pela Igreja latina, e apenas em pequena escala pelas Igrejas orientais que têm clérigos casados.

O documento final desta assembleia vergonhosamente manipulada, cuja agenda e resultados foram planejados há muito tempo, é um ataque frontal contra o edifício divino da Igreja, atacando a santidade do sacerdócio católico e pressionando pela abolição do celibato eclesiástico e por um diaconato feminino.

LSN: O que a saga da Pachamama revelou? E o que deve ser feito em resposta?

AV: Em Abu Dhabi, o Papa Francisco declarou por escrito que Deus “deseja” todas as religiões. Apesar da correção fraterna apresentada a ele pessoalmente e por escrito pelo Bispo Athanasius Schneider, o Papa Francisco ordenou que sua declaração herética fosse ensinada nas universidades pontifícias e que se criasse uma comissão especial para espalhar este grave erro doutrinário.

Consistente com essa doutrina aberrante, não surpreende que o paganismo e a idolatria também sejam incluídos entre as religiões desejadas por Deus. O Papa no-lo mostrou e levou-o a cabo pessoalmente, profanando os jardins do Vaticano e a Igreja de Santa Maria em Traspontina, e dessacralizando a Basílica de São Pedro e a missa de encerramento do Sínodo, colocando no altar da Confissão aquela “planta” idolátrica que está intimamente ligada à Pachamama.

De acordo com a tradição da Igreja, a Igreja de Santa Maria em Traspontina e a Basílica de São Pedro devem ser novamente consagradas, à luz das terríveis profanações idolátricas nelas cometidas.

A saga da Pachamama revelou uma violação flagrante e muito séria do Primeiro Mandamento, bem como a tendência à idolatria em uma “Igreja com rosto amazônico”. Esse rito, que ocorreu no coração do cristianismo e do qual Bergoglio participou, assume o valor de um rito iniciático da nova religião. A veneração da Pachamama é o fruto venenoso da “inculturação” a qualquer preço e uma expressão fanática da “Teologia Índia”. O Sínodo ofereceu uma plataforma de lançamento para esta nova igreja sincretista neopagã, dedicada ao culto da Mãe Terra, ao mito naturalista do “bom selvagem” e à rejeição do modelo e do estilo de vida ocidentais das sociedades avançadas.

A idolatria chancela a apostasia. É o fruto da negação da verdadeira fé. Nasce da desconfiança em Deus e degenera em protesto e rebelião. O Pe. Serafino Lanzetta disse recentemente:

“Adorar um ídolo é adorar a si mesmo no lugar de Deus […] é adorar o anti-Deus que nos seduz e nos separa de Deus, ou seja, o diabo, como pode ser claramente visto nas palavras de Jesus ao tentador no deserto (cf. Mt 4, 8-10). O homem não pode deixar de adorar, mas deve escolher quem adorará. Ao tolerar a presença de ídolos – a Pachamama em nosso contexto atual – ao lado da fé, se diz que a religião é basicamente o que satisfaz os desejos do homem. Os ídolos são sempre atraentes porque se adora o que se quer e, acima de tudo, não é preciso suportar muitas dores de cabeça com a moral. Pelo contrário, os ídolos são na maior parte a sublimação de todos os instintos humanos. A verdadeira dor de cabeça, no entanto, ocorre quando a corrupção moral se espalha e infesta a Igreja. Um ‘abandono de Deus’ por impureza, prostituir-se com outros deuses, trocando a verdade de Deus por mentiras e adorando e servindo criaturas em vez do Criador (cf. Rom 1, 24-25). Parece que São Paulo está falando conosco hoje. A raiz dessa triste e trágica história é o colapso dogmático e moral”.

Não podemos permanecer indiferentes aos atos idolátricos que testemunhamos e nos deixaram perplexos. Esses ataques contra a santidade de nossa Igreja Mãe exigem de nós uma reparação justa e generosa. É urgente redescobrir o significado da oração, reparação e penitência, do jejum, dos “pequenos sacrifícios, dos buquês espirituais” e, sobretudo, da adoração silenciosa e prolongada diante do Santíssimo Sacramento.

Imploremos ao Senhor que volte e fale ao coração de sua Amada Noiva, atraindo-a de volta para Si na graça de seu primeiro e irrevogável amor, depois de cometer o erro de se entregar ao mundo e à sua prostituição.

LSN: O que o Sínodo da Amazônia nos mostrou sobre a natureza da “sinodalidade”?

AV: A Igreja não é uma democracia. O Sínodo dos Bispos, desde que Paulo VI o estabeleceu através do Motu Proprio Apostolica Sollicitudo em 15 de setembro de 1965, sempre lidou com problemas relacionados com a Igreja universal e concedeu aos bispos que representam todas as conferências episcopais no mundo inteiro o direito de participar. O Sínodo da Amazônia não respeitou esse critério.

A Igreja na Amazônia certamente tem seus próprios problemas, os quais precisam, portanto, ser abordados em nível local. Para resolvê-los, seria suficiente que os bispos latino-americanos seguissem as recomendações que o Papa Bento XVI lhes fez por ocasião de sua visita a Aparecida em 2007. Eles não o fizeram. De fato, há décadas muitos deles têm permitido, senão encorajado, que adeptos da teologia da libertação e de ideologias de origem assaz germânica, com os jesuítas na linha de frente, continuem se recusando a proclamar Cristo como o único Salvador.

“Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores” (Mt 7, 15). A situação em um setor da Igreja na Amazônia tem sido um fracasso, em parte por causa dos núncios apostólicos no Brasil, como o atual Secretário Geral do Sínodo dos Bispos, que propôs candidatos ao episcopado como os que vimos no Sínodo da Amazônia. Promovendo um Sínodo em Roma, em vez de promover um sínodo local, e convidando bispos selecionados entre os mais cegos para guiar outros cegos, houve uma tentativa de exportar e espalhar a doença para a Igreja universal?

O Papa Francisco usa a “sinodalidade” de uma maneira extremamente contraditória e minimamente sinodal! “Sinodalidade” é um dos “mantras” do atual pontificado, a solução mágica para todos os problemas que afetam a vida da Igreja. A tão aclamada “conversão sinodal” substituiu a conversão a Cristo. É exatamente por isso que a “sinodalidade” não é a solução, mas o problema.

Além disso, o Papa Francisco parece conceber a sinodalidade como uma via de mão única: os atores, o conteúdo e os resultados são planejados e dirigidos de maneira direcionada e inequívoca. Como resultado, a instituição sinodal é seriamente deslegitimada e a adesão dos fiéis a ela fica prejudicada.

Também se tem a impressão de que a sinodalidade está sendo apreendida e usada como um instrumento para se libertar da Tradição e daquilo que a Igreja sempre ensinou. Como pode existir verdadeira sinodalidade onde a fidelidade absoluta à doutrina está ausente?

Falando no Angelus sobre a assembleia recém-concluída, Francisco disse: “Caminhamos fitando-nos nos olhos e ouvindo-vos com sinceridade, sem esconder dificuldades.” Essas palavras falam de uma sinodalidade exercida a partir de baixo, não de Cristo, o Senhor, nem de ouvir sua verdade eterna. Elas refletem uma sinodalidade sociológica e mundana que serve a um projeto ideológico meramente humano.

LSN: O senhor tem alguma ideia de como o aparelho de mídia do Vaticano lidou com o Sínodo? Os críticos dizem que perdeu toda a credibilidade.

AV: Durante o Sínodo, assistimos a um gerenciamento de comunicação no estilo soviético, com a imposição de uma “versão oficial” que quase nunca coincidia com a realidade. Quando a evidência de mentiras ou ambiguidade foi trazida à luz por tantos jornalistas corajosos, eles o negaram ou denunciaram uma conspiração.

As vestes foram rasgadas, a ponto de se registrar uma queixa-crime sobre as deusas-mães Pachamama jogadas no rio Tibre! Depois vieram os epítetos habituais – católicos conservadores e fanáticos; retrógrados que não acreditam no diálogo; pessoas que ignoram a história da Igreja –, segundo um editorial publicado no Vatican News favorável às estátuas, completado com uma citação do cardeal S. John-Henry Newman. No entanto, a citação de Newman, segundo a qual os elementos de origem pagã são santificados por sua adoção na Igreja, não apenas testemunha a má-fé da pessoa que a usou, mas também se volta contra ela.

A citação de Newman, de fato, ressalta a diferença substancial existente entre a prática sábia da Igreja de Cristo e os métodos da apostasia modernista. De fato, a Igreja Romana, que destruiu a tirania dos ídolos demoníacos (pense na demolição dos templos de Apolo por São Bento ou no carvalho sagrado por São Bonifácio) e estabeleceu o reino de Cristo, adota formas da antiga religião pagã e as batiza. Os novos modernistas, pelo contrário, que acreditam que Deus deseja positivamente a diversidade das religiões, se entregam alegremente ao sincretismo e à idolatria.

LSN: O que especificamente sobre a Igreja e sua fé foi posto em risco ou ameaçado pelo Sínodo da Amazônia?

AV: O Sínodo Amazônico faz parte de um processo que visa nada menos que mudar a Igreja. O pontificado do Papa Francisco está repleto de atos sensacionais que visam minar doutrinas, práticas e estruturas que até agora eram consideradas consubstanciais à Igreja Católica. Ele próprio definiu esse processo como uma “mudança de paradigma”, isto é, uma clara ruptura com a Igreja que o precedeu.

Com o Sínodo da Amazônia surgiu a utopia de uma nova igreja tribalista e ecologista. É o antigo projeto deste progressismo latino-americano – já enfrentado por João Paulo II e pelo então cardeal Ratzinger, mas nunca realmente erradicado –, que agora está sendo promovido pelo topo da hierarquia católica. O objetivo deste Sínodo é avançar para a consagração definitiva da teologia da libertação em sua versão “verde” e “tribal”.

Com esse Sínodo, como em outras ocasiões, a Igreja Católica parece estar alinhada com as estratégias que dominam a cena globalista, as quais são apoiadas por forças e finanças poderosas. Essas estratégias são radicalmente anti-humanas e intrinsecamente anticristãs. A agenda inclui até a promoção do aborto, da ideologia de gênero e do homossexualismo, e dogmatiza a teoria do aquecimento global antropogênico.

Para todos nós católicos, a paisagem da Santa Igreja está se tornando mais escura a cada dia. A ofensiva progressista em curso anuncia uma revolução real, não apenas na maneira como a Igreja é entendida, mas também nas imagens apocalípticas que ela dá para toda a ordem mundial. Com profunda tristeza, vemos o presente pontificado marcado por fatos incomuns, comportamentos desconcertantes e declarações que contradizem a doutrina tradicional e semeiam uma dúvida geral nas almas sobre o que é a Igreja Católica e quais são seus verdadeiros e imutáveis ​​princípios. Parece que estamos nas garras de um caos religioso de proporção gigantesca. Se esse plano satânico for bem-sucedido, os católicos que aderem a ele de fato mudarão de religião, e o imenso rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo será reduzido a uma minoria. Essa minoria provavelmente terá muito que sofrer. Mas será sustentada pela promessa de Nosso Senhor de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja, e com Ele vencerá no Triunfo do Imaculado Coração de Maria prometido por Nossa Senhora em Fátima.

LSN: O que o senhor acha que os organizadores do sínodo obtiveram do ponto de vista deles? Que avanços eles fizeram em sua agenda?

AV: Os organizadores e protagonistas do Sínodo certamente alcançaram um de seus objetivos: tornar a Igreja mais amazônica e a Amazônia menos católica. O paradigma amazônico não é, portanto, a etapa final do processo de transformação visado pela “revolução pastoral” promovida pelo atual magistério papal. Serve como uma passarela para baldear o que resta do edifício católico rumo a uma religião universal indefinida.

O paradigma amazônico, com sua veneração panteísta da Mãe Terra e a interconexão utópica entre todos os elementos da natureza, deve permitir (de acordo com as especulações teológicas desenvolvidas na área germânica) a superação da religião católica tradicional através de um panteão mundial e apátrida. O recente Sínodo obteve sucesso no sentido de criar uma igreja amazônica constituída por um conjunto de crenças, adoração, práticas pagão-sacramentais, liturgias inculturadas em comunhão com a Natureza e muitos clérigos indígenas casados, com vistas à ordenação de mulheres. É um passo aberrante e verdadeiramente significativo na agenda de uma “igreja em saída”, ocupada no processo da Grande Substituição do Catolicismo por Outra Religião, que glorifica o Homem no lugar de Deus.

LSN: O senhor foi Núncio Apostólico nos Estados Unidos. O que acha da ideia de os leigos inundarem as Nunciaturas Apostólicas do Vaticano com cartas?

“O Rei­no dos Céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11, 12). Como o professor Roberto De Mattei nos convida: “Precisamos militarizar nossos corações e transformá-los em uma Acies Ordinata. A Igreja não tem medo de seus inimigos e sempre vence quando os cristãos lutam. Nossos adversários estão unidos pelo ódio ao bem; devemos nos unir no amor ao bem e à verdade. Esta não é uma batalha comum, mas uma guerra! É urgente que diante do processo contínuo de autodemolição da Igreja, a resistência católica seja fortemente unida e visível, e também supere ‘os muitos mal-entendidos que frequentemente dividem o campo do bem e busque entre essas forças uma unidade de propósitos e ação, mantendo suas diferentes identidades legítimas’” (De Mattei).

Nesta hora das mais graves, os leigos são certamente a ponta de lança da resistência. Por sua coragem, eles devem apelar a nós pastores, e nos encorajar a avançar com mais coragem e determinação para defender a Noiva de Cristo. A advertência de Santa Catarina de Siena é dirigida aos pastores: “Abram os olhos e observem a perversidade da morte que veio ao mundo, e especialmente ao Corpo da Santa Igreja. Ai de mim! Que seus corações e almas explodam ao ver tantas ofensas contra Deus! Ai de mim! Chega de silêncio! Gritem com cem mil línguas. Vejo que, através do silêncio, o mundo está morto, a Noiva de Cristo está pálida.”

LSN: O senhor gostaria de adicionar algo?

AV: Vamos dar a última palavra a Santa Brígida da Suécia, co-padroeira da Europa:

“O Pai falou, enquanto todo o exército do céu estava ouvindo, e Ele disse:

‘Diante de vós declaro minha queixa, entreguei minha filha a um homem que a atormenta terrivelmente e amarra seus pés a uma estaca de madeira, de tal modo que a medula saiu de seus pés.’

“O Filho respondeu: ‘Pai, eu a redimi com meu sangue e a tomei como noiva, mas agora ela foi raptada à força.’

“O Pai exclamou: ‘Meu Filho, compartilho o vosso lamento, vossa palavra é minha, vossas obras são minhas. Vós estais em Mim e eu em Vós. Que vossa vontade seja feita.’

“Então a Mãe falou, dizendo: ‘Vós sois meu Deus e meu Senhor. Meu seio portou os membros do vosso Filho abençoado, que é vosso verdadeiro Filho e meu verdadeiro Filho. Não recusei nada a Ele na terra. Por causa de minhas orações, tende piedade de sua filha, a Igreja!’

“O Pai respondeu: ‘Visto que nada me recusastes na Terra, não quero Vos recusar nada no Céu. Que seja feita a vossa vontade.’

“Depois disso, os anjos falaram, dizendo: ‘Vós sois nosso Senhor, em Vós possuímos tudo de bom e não precisamos de nada além de Vós. Quando Vós escolhestes esta Noiva, todos nos alegramos; a essa altura, temos motivos para ficar triste, porque ela foi entregue nas mãos dos piores homens, que a ofendem com todo tipo de insultos e abusos. Portanto, tende piedade dela, segundo vossa grande misericórdia, e não há ninguém para consolá-la e libertá-la senão Vós, Senhor, Deus Todo-Poderoso.’

“Então Ele disse aos anjos: ‘Vós sois meus amigos e a chama do vosso amor queima em meu coração. Terei piedade de minha filha, minha Igreja, pelo amor de vossas orações’ ”(Revelações, livro I, capítulo 24).

Mais uma vez, permitamos que Santa Brígida fale:

“Saiba que, se algum Papa conceder aos padres a permissão para contrair matrimônio carnal, ele será espiritualmente condenado por Deus […]. Deus privaria completamente o mesmo Papa da visão e audição espirituais, bem como das palavras e ações espirituais. Toda a sua sabedoria espiritual ficaria completamente congelada. Então, após sua morte, sua alma seria lançada no inferno para ser atormentada para sempre, para se tornar alimento de demônios eternamente e sem fim. Sim, mesmo que o próprio Papa São Gregório tivesse decretado isso, ele nunca obteria o perdão de Deus a partir dessa sentença, a menos que a revogasse humildemente antes da morte” (Apocalipse, livro VII, 10).

Senhor, tende piedade da vossa Igreja, pelo amor de nossas orações e aflições!

5 julho, 2019

Bomba: Viganò expõe ainda mais Francisco e sua corte. Denúncias de acobertamento de abusos e assassinato, parece que nunca se chega ao fundo do poço.

Novo testemunho de Viganò: o Vaticano encobriu alegações de abuso sexual de coroinhas do papa

Por LifeSiteNews, 3 de julho de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com –  Nota do Editor de LifeSiteNews: A entrevista do arcebispo Carlo Maria Viganò ao Washington Post, publicada em 10 de junho, continha uma resposta que o Washington Post decidiu expurgar da entrevista. Esta resposta continha informações importantes sobre as denúncias não tratadas de abuso sexual contra um alto funcionário da Santa Sé, bem como o acobertamento de um ex-seminarista, agora padre, acusado de abuso sexual contra adolescentes pré-seminaristas que serviam como coroinhas do Papa. O texto completo com as respostas inéditas que Viganò deu ao Washington Post, e que foi suprimido, segue abaixo. O texto foi ligeiramente modificado para incluir expressões normalmente usadas em inglês. O nome de um indivíduo foi removido pelo LifeSite porque não foi possível encontrar suporte suficiente para a acusação feita contra ele neste momento.

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O senhor vê algum sinal de que o Vaticano, sob o pontificado do Papa Francisco, está tomando as medidas adequadas para enfrentar as graves questões de abuso? Se não, o que está faltando?

Os sinais que vejo são verdadeiramente sinistros.  O papa não apenas não está fazendo quase nada para punir aqueles que cometeram abusos, mas também não está fazendo absolutamente nada para expor e levar à justiça aqueles que por durante décadas, facilitaram e acobertaram os abusadores. Só pra citar um exemplo, o Cardeal Wuerl, que acobertou os abusos de McCarrick e de outros por décadas seguidas e cujas repetidas e flagrantes mentiras foram manifestadas a todos que têm prestado atenção (para aqueles que não têm prestado atenção, ver http://washingtonpost.com / opiniões / cardeal-wuerl-sabia-sobre-theodore-mccarrick-e-ele-lied-sobre-it), teve que renunciar em desgraça devido à infâmia popular. No entanto, ao aceitar sua renúncia, o Papa Francisco o elogiou por sua “nobreza”. Que credibilidade o papa ainda tem depois desse tipo de declaração?

Mas tal comportamento não é de modo algum o pior. Voltando ao Encontro [ocorrido no Vaticano] e seu foco no abuso de menores, quero agora chamar a sua atenção para dois casos recentes e verdadeiramente aterrorizantes envolvendo alegações de abusos contra menores durante o mandato do papa Francisco. O papa e muitos prelados da cúria estão bem cientes dessas alegações, mas em nenhum dos casos foi permitida uma investigação aberta e minuciosa. Um observador objetivo não pode deixar de suspeitar que atos horríveis estão sendo encobertos.

1. O primeiro alega-se ter ocorrido dentro dos próprios muros do Vaticano, no Pré-Seminário Pio X, que fica a poucos passos da Domus Sanctae Marthae, onde o papa Francisco vive. Esse seminário forma os menores que servem como coroinhas na Basílica de São Pedro e em cerimônias papais.

Um dos seminaristas, Kamil Jarzembowski, colega de quarto de uma das vítimas, afirma ter testemunhado dezenas de incidentes de agressão sexual. Juntamente com outros dois seminaristas, ele denunciou o agressor, primeiramente e pessoalmente aos seus superiores no Pré-Seminário, depois por escrito aos cardeais e finalmente em 2014, novamente por escrito ao próprio papa Francisco. Uma das vítimas era um adolescente, supostamente abusado por cinco anos consecutivos, desde seus 13 anos de idade. O suposto agressor era um seminarista de 21 anos chamado Gabriele Martinelli.

Esse Pré-Seminário está sob a responsabilidade da diocese de Como e é dirigido pela Associação Don Folci. Uma investigação preliminar foi confiada ao vigário judicial de Como, Dom Andrea Stabellini, que encontrou evidências que justificaram investigações posteriores. Eu recebi as informações em primeira mão indicando que seus superiores proibiram que ele continuasse a investigação. Ele pode testemunhar por si mesmo e peço-lhe que vá entrevistá-lo. Eu rezo para que ele encontre a coragem para compartilhar com você o que ele tão corajosamente compartilhou comigo.

Juntamente com o anterior, fiquei sabendo como as autoridades da Santa Sé lidaram com este caso. Após a coleta de evidências feita por Dom Stabellini, o caso foi imediatamente encoberto pelo então bispo de Como, Diego Coletti, juntamente com o cardeal Angelo Comastri, vigário geral do papa Francisco para a Cidade do Vaticano. Além disso, o cardeal Coccopalmerio, então presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, quando foi consultado por Dom Stabellini, exortou-o fortemente a parar com a investigação.

Você pode se perguntar como esse caso horrível foi encerrado. O bispo de Como afastou Dom Stabellini do cargo de vigário judicial; o denunciante, ou seja, o seminarista Kamil Jarzembowski, foi expulso do seminário; seus dois companheiros seminaristas que se juntaram a ele na denúncia deixaram o seminário; e o suposto agressor, Gabriele Martinelli, foi ordenado sacerdote em julho de 2017. Tudo isso aconteceu dentro dos muros do Vaticano e nenhuma palavra sobre o caso saiu durante o Encontro sobre abuso sexual.

O Encontro foi, portanto, terrivelmente decepcionante, pois é hipocrisia condenar os abusos contra menores e alegar simpatizar com as vítimas, recusando-se a encarar os fatos honestamente. Uma revitalização espiritual do clero é mais que urgente, mas acabará sendo ineficaz se não houver disposição para abordar o problema real.

2. O segundo caso envolve o arcebispo Edgar Peña Parra, a quem o papa Francisco escolheu para ser o novo substituto na Secretaria de Estado, fazendo dele a terceira pessoa mais poderosa da cúria. Ao fazê-lo, o papa essencialmente ignorou um terrível dossiê enviado a ele por um grupo de fiéis de Maracaibo, intitulado “Quién es verdaderamente Monseñor Edgar Robinson Peña Parra, Nuevo Sustituto de la Secretaria de Estado do Vaticano?” (“Quem realmente é Monsenhor Edgar Robinson Peña Parra, o novo Substituto da Secretaria de Estado do Vaticano ”- LifeSite) O dossiê é assinado pelo Dr. Enrique W. Lagunillas Machado, em nome do “Grupo de Laicos de la Arquidiócesis de Maracaibo por una Iglesia e um Clero según o Corazón de Cristo” (“Grupo de Leigos da Arquidiocese de Maracaibo para uma Igreja e um Clero de acordo com o Coração de Cristo ”- LifeSite). Esses fiéis acusaram Peña Parra de terrível imoralidade, descrevendo em detalhes seus supostos crimes. Isso pode até ser um escândalo que supera o caso McCarrick, e não se deve permitir que ele seja coberto pelo silêncio.

Alguns fatos já foram publicados nos meios de comunicação, nomeadamente no semanário italiano L’Espresso (ver espresso.repubblica.it/inchieste/2018/10/18/news/buio-in-vaticano-ecco-l-ultimo-scandalo- 1,327923). Agora vou acrescentar fatos conhecidos pela Secretaria de Estado no Vaticano desde 2002, que fiquei sabendo quando servi como Delegado para Representações Pontifícias.

  • Em janeiro de 2000, o jornalista Gastón Guisandes López, de Maracaibo, fez sérias acusações contra alguns padres da diocese de Maracaibo, incluindo Mons. Peña Parra, envolvendo abuso sexual de menores e outras atividades possivelmente criminosas.
  • Em 2001, Gastón Guisandes López pediu duas vezes para ser recebido pelo arcebispo André Dupuy, núncio apostólico (o embaixador do Papa) na Venezuela, para discutir esses assuntos, mas o arcebispo inexplicavelmente se recusou a recebê-lo. No entanto, ele relatou à Secretaria de Estado que o jornalista havia acusado Mons. Peña Parra de dois crimes muito graves, descrevendo as circunstâncias.

Primeiro, Edgar Peña Parra foi acusado de ter seduzido, em 24 de setembro de 1990, dois seminaristas menores da paróquia de San Pablo, e que deveriam entrar no Seminário Maior de Maracaibo no mesmo ano. O evento teria ocorrido na igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde o reverendo José Severeyn era pároco. Rev. Severeyn foi posteriormente removido da paróquia pelo então arcebispo Mons. Roa Pérez. O caso foi denunciado à polícia pelos pais dos dois jovens e foi tratado pelo então reitor do seminário maior, Rev. Enrique Pérez, e pelo então diretor espiritual, Rev. Emilio Melchor. O Rev. Pérez, quando questionado pela Secretaria de Estado, confirmou por escrito o episódio de 24 de setembro de 1990. Vi esses documentos com meus próprios olhos.

Em segundo lugar, Edgar Peña Parra estaria envolvido, juntamente com [Nome removido], na morte de duas pessoas, um médico e um certo Jairo Pérez, que ocorreu em agosto de 1992, na ilha de San Carlos, no Lago Maracaibo. Eles foram mortos por uma descarga elétrica, e não está claro se as mortes foram acidentais ou não. Essa mesma acusação também está contida no referido dossiê enviado por um grupo de leigos de Maracaibo, com o detalhe adicional de que os dois cadáveres foram encontrados nus, com indícios de encontros lascivos e homossexuais macabros. Essas acusações são, para dizer no mínimo, extremamente graves. No entanto, Peña Parra não só não foi obrigado a encará-los, mas também foi autorizado a continuar no serviço diplomático da Santa Sé.

  • Essas duas acusações foram denunciadas à Secretaria de Estado em 2002 pelo então núncio apostólico na Venezuela, o arcebispo André Dupuy. A documentação pertinente, se não tiver sido destruída, pode ser encontrada tanto nos arquivos do pessoal diplomático da Secretaria de Estado onde ocupei o cargo de Delegado para as Representações Pontifícias, como também nos arquivos da nunciatura apostólica na Venezuela, onde os seguintes arcebispos serviram como núncios, desde Giacinto Berloco, de 2005 a 2009; Pietro Parolin, de 2009 a 2013; e Aldo Giordano, de 2013 até o presente. Todos tiveram acesso aos documentos que levantam estas acusações contra o futuro Substituto, assim como os cardeais Secretários de Estado Sodano, Bertone e Parolin e os Substitutos Sandri, Filoni e Becciu.
  • Particularmente notório é o comportamento do Cardeal Parolin que, como Secretário de Estado, não se opôs à recente nomeação de Peña Parra como Substituto, tornando-o seu colaborador mais próximo. E tem mais: anos antes, em janeiro de 2011, como núncio apostólico em Caracas, Parolin não se opôs à nomeação de Peña Parra como arcebispo e núncio apostólico no Paquistão. Antes de tais nomeações importantes, um rigoroso processo informativo é feito para verificar a idoneidade do candidato, de modo que essas acusações certamente foram trazidas à atenção do Cardeal Parolin.

Além disso, o cardeal Parolin conhece os nomes de vários padres da Cúria que são sexualmente ativos, violando as leis de Deus que eles solenemente se comprometeram a ensinar e praticar, e no entanto ele continua a fazer vistas grossas.

Se as responsabilidades do Cardeal Parolin são graves, mais ainda são as do papa Francisco por ter escolhido para uma posição extremamente importante na Igreja um homem acusado de crimes tão graves, sem antes insistir numa investigação aberta e minuciosa. Há mais um aspecto escandaloso nessa história horrível. Peña Parra está intimamente conectado a Honduras e, mais precisamente, ao cardeal Maradiaga e ao bispo Juan José Pineda. Entre 2003 e 2007, Peña Parra serviu na nunciatura em Tegucigalpa, e enquanto estava ali era muito próximo de Juan José Pineda, que em 2005 foi ordenado bispo auxiliar de Tegucigalpa, tornando-se o braço direito do cardeal Maradiaga. Juan José Pineda renunciou ao cargo de bispo auxiliar em julho de 2018, sem qualquer razão dada aos fiéis de Tegucicalpa. O Papa Francisco não divulgou os resultados do relatório que o Visitador Apostólico, o bispo argentino Alcides Casaretto, entregou diretamente e somente a ele há mais de um ano. Como poderíamos interpretar a firme decisão do Papa Francisco de não falar ou responder a qualquer pergunta sobre esse assunto, exceto como um acobertamento dos fatos e proteção de uma rede homossexual? Tais decisões revelam uma verdade terrível: em vez de permitir investigações abertas e sérias daqueles acusados ​​de graves ofensas contra a Igreja, o papa está permitindo que a própria Igreja sofra.

Voltando à sua pergunta. Você me pergunta se vejo sinais de que o Vaticano sob o Papa Francisco está tomando as medidas adequadas para enfrentar as graves questões de abuso. Minha resposta é simples: o próprio papa Francisco é que está acobertando os abusos agora, como fez com McCarrick. Eu digo isso com grande tristeza. Quando o rei David denunciou o homem rico ganancioso descrito na parábola de Natan, como sendo digno da morte, o profeta disse-lhe sem rodeios: “Tu és esse homem” (2 Sm 12: 1-7). Eu esperava que meu testemunho fosse recebido como o de Natan, mas ao invés disso foi recebido como o de Micaías (1Rs 22: 15-27). Eu oro para que isso mude.

17 junho, 2019

Dom Viganò ao Washington Post: “O Papa Francisco está ocultando deliberadamente as evidências do caso McCarrick”.

Por OnePeterFive, 10 de junho de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – O arcebispo Carlo Maria Viganò está novamente nos noticiários de hoje, após o lançamento de uma nova entrevista de 8.000 palavras para o Washington Post. De acordo com o Post, a entrevista foi conduzida via e-mail durante um período de dois meses, com o ex-núncio papal nos EUA fornecendo respostas para cerca de 40 perguntas.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

Aqueles que leram os testemunhos anteriores de Viganò perceberão muitas similaridades na entrevista, mas com maior profundidade. O arcebispo Viganò se recusou a responder perguntas sobre seu status pessoal, que, segundo ele, considera “irrelevante para os sérios problemas que a Igreja enfrenta”.

Ele começa com uma avaliação do Encontro sobre Abuso Sexual realizado em Roma, em fevereiro de 2019, o qual faz eco às preocupações que ele compartilhou com o National Catholic Register antes da abertura do Encontro. 

“Infelizmente”, diz Viganò ao Post, sobre o Encontro, “essa iniciativa acabou se tornando pura ostentação, pois não vimos nenhum sinal de uma disposição genuína de endereçar as causas reais da crise atual”. Ele destacou a falta de credibilidade do cardeal Cupich, que foi escolhido para ser um líder no Encontro, depois dele ter se referido às acusações de Viganò sobre o acobertamento dos abusos sexuais, como uma espécie de  “buraco de coelho”. Ele também lamentou a falta de transparência para com os jornalistas que procuravam informações sobre casos específicos.

Só pra citar um exemplo, o arcebispo [Charles] Scicluna, pego de surpresa com uma pergunta sobre o fato do papa ter acobertado o caso escandaloso do bispo Argentino Gustavo Zanchetta – “Como podemos acreditar que esta é de fato a última vez que vamos ouvir “não mais acobertamentos” quando, no final das contas, o próprio papa Francisco acobertou alguém na Argentina que tinha pornografia gay envolvendo menores? “-  acabou dando esta resposta embaraçosas:” Sobre esse caso, eu não, eu não, você sabe, eu não estou autorizado … ”. A resposta inepta de Scicluna deu a impressão de que ele precisava ser autorizado – o que levanta outra interrogação: autorizado por quem pra dizer a verdade? Alessandro Gisotti, o diretor do escritório interino de imprensa do Vaticano,  interveio rapidamente para assegurar aos repórteres que uma investigação havia sido iniciada e que, uma vez concluída, eles seriam informados dos resultados. É de se questionar se os resultados de uma investigação honesta e minuciosa serão realmente divulgados, e em tempo hábil”.

Viganò observa que um dos problemas-chave do Encontro foi a maneira pela qual “se concentrou exclusivamente no abuso de menores”.

“Esses crimes são de fato os mais horríveis”, acrescenta ele, “mas as recentes crises nos Estados Unidos, no Chile, na Argentina, em Honduras e em outros lugares têm muito mais a ver com abusos cometidos contra jovens adultos, inclusive seminaristas, não apenas nem principalmente contra menores. De fato, se o problema da homossexualidade no sacerdócio fosse honestamente reconhecido e devidamente tratado, o problema do abuso sexual seria muito menos severo ”.

Viganò ataca o papa Francisco, que segundo ele , “não apenas não está fazendo quase nada para punir aqueles que cometeram abusos”, mas também “não está fazendo absolutamente nada para expor e levar à justiça aqueles que, durante décadas, facilitaram e acobertaram os abusadores”.  Ele cita o exemplo do Cardeal Wuerl, que, não obstante as mentiras e acobertamentos dos abusos de “McCarrick e de outros por décadas”, sobre os quais ele só ofereceu “mentiras repetidas e descaradas”  e foi forçado a renunciar em desgraça,  ainda assim foi elogiado pelo papa por sua “nobreza”.

“Que credibilidade o papa ainda tem depois desse tipo de declaração?”, pergunta Viganó.

Sobre a questão da laicização de McCarrick, Viganò questiona por que isso só veio acontecer cinco anos depois que ele passou a informação ao Papa Francisco sobre McCarrick e por que isso só foi feito, “depois de mais de sete meses de silêncio total”, através de um procedimento administrativo e não judicial.

Viganò observa que, devido à natureza do procedimento, McCarrick foi “privado de qualquer oportunidade de recorrer da sentença” e foi privado do devido processo legal. “Ao tornar a sentença definitiva”, acrescenta Viganò, “o papa tornou impossível conduzir qualquer investigação adicional, o que poderia revelar quem na Cúria e em outros lugares sabia dos abusos de McCarrick, quando eles ficaram sabendo e quem o ajudou a ser nomeado arcebispo de Washington e, eventualmente, cardeal. A propósito, notem que os documentos deste caso, cuja publicação foi prometida, nunca foram produzidos ”.

“A linha de fundo”, diz Viganò, “é esta: o papa Francisco está deliberadamente ocultando as evidência do caso McCarrick”.

Sobre a questão da incomum intervenção da Santa Sé no encontro da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA em novembro passado, na qual o papa ordenou que os bispos reunidos não votassem em duas medidas contra o abuso sexual que haviam sido preparadas, Viganò diz que a Santa Sé estava tentando impedir um exame dos “problemas da corrupção episcopal, acobertamentos episcopais e falsidade, crimes sexuais do episcopado, tanto relacionados com menores como com adultos – qualquer um dos quais implicaria e embaraçaria intoleravelmente a Santa Sé”.

Questionado sobre a “notável falta de desmentidos” sobre o seu testemunho original – a pergunta foi feita antes de Francisco finalmente vir a público negando que ele sabia de alguma coisa, e que Vigano já havia declarado anteriormente ser “uma mentira” – o arcebispo argumenta que as acusações não podem ser desmentidas porque elas são verdadeiras. “Os cardeais e arcebispos que eu citei os nomes não querem ser pegos na mentira, e eles aparentemente acham que são tão poderosos e permanecerão intocáveis ​​se ficarem quietos e não levantarem polêmica”, disse ele.

Em um adendo à entrevista, depois que a longa e tardia negação feita pelo papa no mês passado foi divulgada, Viganò diz que as declarações do papa não podem ser reconciliadas entre si. “Ele primeiro diz que já respondeu várias vezes; segundo, que ele não sabia nada, absolutamente nada sobre McCarrick, e terceiro, que ele se esqueceu da minha conversa com ele. Como essas afirmações podem ser afirmadas e sustentadas juntas ao mesmo tempo? Todas essas três são mentiras descaradas ”, diz ele.

Sobre a mais óbvia alegação falsa feita pelo papa – de que ele havia respondido ao testemunho “várias vezes” – Viganò pergunta: “Durante nove longos meses ele não disse uma só palavra sobre meu testemunho, e até mesmo se gabou e continua a fazê-lo sobre seu silêncio, comparando-se a Jesus. Então, ele falou ou ficou em silêncio? Qual das duas opções é verdadeira?”

“Estamos em um momento verdadeiramente sombrio para a Igreja universal”, lamenta Viganò. “O Sumo Pontífice agora está mentindo descaradamente para o mundo inteiro para encobrir seus feitos perversos! Mas a verdade acabará por vir à tona, sobre McCarrick e todos os outros acobertamentos, como já aconteceu no caso do cardeal Wuerl, que também “não sabia de nada” e tinha “um lapso de memória”. Aqui o arcebispo se refere à revelação de que Wuerl sabia sobre as atividades sexuais ilícitas de seu antecessor, McCarrick, mesmo depois de muitas negações.

Além de sua tristeza pela desonestidade do papa, Viganò parece mais preocupado com o fato dos jornalistas falharem em investigar a fundo a história que ele colocou diante deles. “Não consigo imaginar que eles [os meios de comunicação] teriam sido tão tímidos se o papa em questão fosse João Paulo II ou Bento XVI”, diz ele, acrescentando: “É difícil não concluir que esses meios de comunicação relutam em fazê-lo porque eles apreciam a abordagem mais liberal do Papa Francisco em relação às questões de doutrina e disciplina da Igreja, e não querem comprometer sua agenda”.

Sobre a questão da homossexualidade no sacerdócio, Viganò sinaliza sua descrença de que a conexão está sendo ignorada. “Homens heterossexuais, obviamente, não escolhem meninos e homens jovens como parceiros sexuais de sua preferência, e aproximadamente 80% das vítimas são do sexo masculino, a grande maioria dos quais são homens pós-puberes.”

“Não são pedófilos, mas padres gays predadores atacando garotos pós-púberes e levando várias dioceses à falência nos EUA”, acrescenta ele.

“Dada a esmagadora evidência, é incompreensível que a palavra ‘homossexualidade’ não tenha aparecido uma só vez, em nenhum dos recentes documentos oficiais da Santa Sé, incluindo os dois Sínodos sobre a Família, o da Juventude e o recente Encontro sobre abuso sexual em fevereiro passado.”

Viganò segue afirmando que a chamada “máfia gay” na Igreja está “unida não pela intimidade sexual compartilhada, mas por um interesse comum em proteger e promover um ao outro profissionalmente e sabotar todos os esforços de reforma”. Ele diz que embora o papa Bento XVI  tenha iniciado uma investigação sobre os seminários, nada de novo foi descoberto, “aparentemente porque vários poderes juntaram forças para ocultar a verdadeira situação”.

“Será que existe um único bispo nos EUA que admita ser ativamente homossexual? Claro que não. O trabalho deles é constitucionalmente clandestino”.

Sobre a questão, se ele poderia vir a se reconciliar com o Papa Francisco, Viganò responde:

A premissa da sua pergunta está incorreta. Não estou lutando contra o Papa Francisco, nem o ofendi. Eu simplesmente falei a verdade. O Papa Francisco precisa se reconciliar com Deus e toda a Igreja, já que ele acobertou McCarrick, se recusa a admitir e agora está acobertando várias outras pessoas. Sou grato ao Senhor porque Ele me protegeu de ter quaisquer sentimentos de raiva ou ressentimento contra o Papa Francisco, ou qualquer desejo de vingança. Eu rezo por sua conversão todos os dias. Nada me faria mais feliz do que o Papa Francisco reconhecer e acabar com os acobertamentos e confirmar seus irmãos na fé.

Há muito mais na entrevista com o arcebispo Viganò que eu não toquei aqui. Leia na íntegra no The Washington Post.

14 junho, 2019

Viganò reitera acusações contra Papa Francisco em caso McCarrick. “Está mentindo descaradamente”.

WASHINGTON DC, 11 Jun. 19 / 10:46 am (ACI).- Em uma extensa entrevista publicada na segunda-feira por ‘The Washington Post’, o ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, Dom Carlo Maria Viganò, acusou o Papa Francisco de “mentir descaradamente” no caso do ex-cardeal Theodore McCarrick e reiterou que o Papa sabia desde 2013 dos abusos cometidos pelo ex-arcebispo de Washington DC.

A saga iniciada por Dom Viganò contra o Pontífice começou em agosto de 2018 e agora continua através de uns e-mails trocados com ‘The Washington Post’ durante dois meses. A extensa entrevista foi publicada pelo jornal norte-americano em 10 de junho e é o resultado das respostas a cerca de 40 perguntas.

O jornal indicou que “as passagens selecionadas que contêm acusações não verificadas foram removidas, outras foram ligeiramente editadas para maior clareza”.

O texto foi publicado dias depois que o Santo Padre disse na entrevista concedida a Televisa que sobre as denúncias contra McCarrick “não sabia de nada”. Além disso, Francisco indicou que não lembra que Viganò falou com ele sobre os abusos do ex-cardeal durante o encontro que tiveram em junho de 2013.

“Em relação a esta coisa que diz que falou comigo naquele dia, que veio… Eu não me lembro se ele me falou sobre isso. Se é verdade ou não. Nem ideia! Mas vocês sabem que eu não sabia nada sobre McCarrick, senão não teria me calado, não?”, disse o Papa em uma entrevista divulgada em 28 de maio.

Na troca de e-mail com ‘The Washington Post’, Dom Viganò disse que em 23 de junho de 2013 “o próprio Papa Francisco me perguntou sobre McCarrick e lhe disse que tinha um grande registro sobre seus abusos na Congregação dos Bispos e que corrompeu gerações de seminaristas. Como alguém, especialmente um Papa, poderia esquecer isso?”.

“Estamos em um momento verdadeiramente sombrio para a Igreja universal: o Sumo Pontífice agora está mentindo descaradamente a todo o mundo para encobrir suas más obras! Mas a verdade sairá à luz com o tempo, sobre McCarrick e sobre todos os demais acobertamentos, como já aconteceu no caso do Cardeal Wuerl, que também ‘não sabia nada’ e tinha ‘um déficit de memória’”, expressou Viganò.

O ex-núncio fez sua primeira acusação em 25 de agosto de 2018, quando o Papa estava na Irlanda participando do Encontro Mundial das Famílias. Em uma carta de onze páginas, Dom Viganò disse que o Santo Padre não havia levado em consideração as sanções que Bento XVI impusera ao agora ex-cardeal.

Agora, nos e-mails trocados com o jornal norte-americano, Dom Viganò disse que, embora a expulsão de McCarrick do Colégio dos Cardeais e do sacerdócio seja uma “punição justa”, isso poderia ter sido feito “há mais de cinco anos” e que sua carta de agosto de 2018 acelerou a decisão da Santa Sé.

Segundo o ex-núncio, desde sua primeira carta até a expulsão de McCarrick houve “sete meses de silêncio total” e “é difícil evitar concluir que o tempo foi pensado para manipular a opinião pública”.

Em seus e-mails, Viganò também acusou o Papa de encobrir os abusos dos quais o bispo argentino Gustavo Zanchetta é acusado. No entanto, na entrevista concedida a Televisa, o Santo Padre explicou o processo seguido com o prelado e assinalou que seu caso está atualmente nas mãos da Congregação para a Doutrina da Fé.

Além disso, sobre sua decisão de não responder à primeira carta de Viganò e deixar que a imprensa investigue, o Papa disse a Televisa que fez isso porque “as evidências estavam lá, julguem vocês. Foi um ato de confiança realmente. E segundo, por Jesus, que em momentos de fúria não se pode falar, porque é pior. Tudo vai contra você. O Senhor nos ensinou esse caminho e eu o sigo”.

As acusações de Viganò contra o Papa foram rejeitadas por vários episcopados, como da Europa, Argentina, Espanha, entre outros.

29 maio, 2019

Viganò responde: o Papa mente.

Por Carlos Esteban – InfoVaticana | Tradução: Marcos Fleurer – FratresInUnum.com: O Papa não sabia de nada, nem tinha ideia, das “andanças” do defenestrado McCarrick, disse ele em entrevista concedida à Televisa, tentando desmoralizar a credibilidade do arcebispo Viganò. Mentira, respondeu em declarações ao LifeSiteNews o ex- núncio.

“O que o papa disse sobre não saber de nada é mentira”, respondeu o arcebispo Viganò, de seu desconhecido paradeiro ao portal LifeSiteNews.

“Ele finge não se lembrar do que eu disse sobre McCarrick, e finge que não foi ele quem me perguntou sobre McCarrick em primeiro lugar.”

E responde Carlo Maria Viganò, autor de um testemunho que inquietou e chocou o mundo católico e deixou literalmente sem palavras Sua Santidade, a entrevista concedida pelo Papa para a rede mexicana Televisa, no qual ele negou ter qualquer ideia das aventuras homossexuais e abusivas do ex-cardeal Theodore McCarrick, agora secularizado, e investiu contra o arcebispo que em seu documento sustentava ao contrário.

Infelizmente para a versão de Sua Santidade, no mesmo dia em que foi publicada no Vatican News a transcrição da entrevista, a revista Crux relatou o vazamento da correspondência do Papa e do secretário de Estado Pietro Parolin, no qual o cardeal confirma a existência de sanções privadas impostas ao ex-arcebispo de Washington pelo Vaticano em 2008 e das viagens de McCarrick por todo o globo durante o pontificado de Francisco desempenhando um papel fundamental para alcançar o polêmico pacto secreto entre a Santa Sé e o governo comunista chinês.

Não ajuda a credibilidade do Santo Padre, na entrevista, que parece ignorar seus próprios “discursos” contra a calúnia para atribuir a um julgamento civil sobre uma herança como “prova” de que Viganò não é crível no que diz. “O trabalho foi feito por vocês, foi ótimo, e tomei muito cuidado em dizer (certas) coisas, mas depois as disse três ou quatro meses depois, um juiz em Milão que o condenou”, afirma, surpreendentemente o Papa na entrevista, relacionando estranhamente a disputa trivial por uma herança com a veracidade do testemunho do ex-núncio nos Estados Unidos.

E ele acrescenta: “Eu fiquei quieto, para não denegri-lo, pois estragaria tudo. Que os jornalistas encontrem as coisas. E vocês encontraram, encontraram todo esse mundo. Foi um silêncio de confiança em relação a vocês, e ainda mais, essa é uma das razões que eu disse: “Aqui têm, estudem, isso é tudo “. E o resultado foi bom, foi melhor do que se eu me colocasse para explicar, para me defender … Vocês julgaram com as provas nas mãos “.

21 janeiro, 2019

Arcebispo Viganò exorta Cardeal McCarrick a arrepender-se publicamente em nova carta aberta.

Por LifeSiteNews, 14 de janeiro de 2019 | FratresInUnum.com— Em tom de caridade fraterna e sacerdotal, o Arcebispo Carlo Maria Viganò escreveu uma carta aberta ao ex Cardeal Theodore McCarrick, encorajando-o a arrepender-se publicamente de seus pecados e, assim, salvar a sua alma.

Na breve carta, datada de 13 de janeiro de 2019 e publicada em inglês e italiano (ver o texto completo abaixo), Dom Viganò buscou também persuadir McCarrick de que ele tem uma oportunidade única de beneficiar grandemente a Igreja com um ato público de arrependimento.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

“O tempo está se esgotando, mas o senhor pode confessar e arrepender-se de seus pecados, crimes e sacrilégios, e fazê-lo publicamente, uma vez que esses mesmos pecados e crimes tornaram-se públicos. A sua salvação eterna está em risco,” escreve Dom Viganò.

Ele acrescenta, “Um arrependimento público de sua parte traria uma medida significativa de cura para uma Igreja gravemente ferida e sofredora. O senhor está disposto a oferecer-lhe esse dom?”.

A carta aberta do ex Núncio dos EUA surge após revelações divulgadas da Congregação para a Doutrina da Fé de que o processo de McCarrick está sendo tratado por meio de um processo administrativo despojado — chamado “processo criminal administrativo” — cuja conclusão está prevista para antes do encontro para tratar de abusos sexuais por clérigos, a se realizar no Vaticano, em fevereiro.

Um “processo criminal administrativo” desse tipo – que o direito canônico reserva para casos em que as evidências são tão fortes que dispensam um julgamento completo – dá a entender que as chances de condenação são muito grandes.

Theodore McCarrick é acusado de molestar três meninos — o mais novo com 11 anos de idade — e, pelo menos, oito seminaristas nas dioceses que governou. Se condenado, o ex Arcebispo de Washington, D.C. será destituído de seu estado clerical.

Atualmente, McCarrick reside no Mosteiro Capuchinho de São Fidelis, em Victoria, Kansas.

Apresentamos abaixo a carta aberta do Arcebispo Viganò a Theodore McCarrick. 

Carta a McCarrick

Reverendíssimo Arcebispo McCarrick,

Conforme tem sido noticiado pela Congregação para a Doutrina da Fé, as acusações contra o senhor por crimes contra menores e abusos contra seminaristas serão examinadas e julgadas muito em breve em um processo administrativo.

McCarrick

McCarrick e Francisco.

Não importa a decisão que a autoridade suprema da Igreja tomar a seu respeito, o que realmente importa e que entristeceu as pessoas que o amam e rezam pelo senhor é o fato de que ao longo desses meses o senhor não demonstrou qualquer sinal de arrependimento. Estou entre aqueles que rezam pela sua conversão, para que o senhor possa se arrepender e pedir o perdão de suas vítimas e da Igreja.

O tempo está se esgotando, mas o senhor pode confessar e se arrepender dos seus pecados, crimes e sacrilégios, e fazê-lo publicamente, uma vez que esses mesmos pecados e crimes tornaram-se públicos. A sua salvação eterna está em risco.

Todavia, algo de grande importância também está em jogo. Paradoxalmente, o senhor tem à sua disposição uma oferta imensa de grande esperança por parte do Senhor Jesus; o senhor está em condição de fazer um grande bem para a Igreja. Na realidade, agora o senhor está condição de fazer algo que se tornou mais importante para a Igreja do que todas as boas coisas que o senhor fez por Ela ao longo de toda a sua vida. Um arrependimento público de sua parte traria uma medida significativa de cura para uma Igreja gravemente ferida e sofredora. O senhor está disposto a oferecer-lhe este dom? Cristo morreu por nós todos quando ainda éramos pecadores (Rom. 5: 8). Ele somente pede que Lhe respondamos nos arrependendo e fazendo o bem que devemos fazer. O bem que o senhor está em condições de fazer agora é oferecer à Igreja o seu arrependimento sincero e público. O senhor dará este dom à Igreja?

Eu lhe imploro, arrependa-se publicamente dos seus pecados, de modo a fazer a Igreja regozijar-se e apresente-se diante do tribunal do Seu Senhor limpo pelo Seu sangue. Por favor, não anule o sacrifício de Cristo na cruz para o senhor. Cristo, Nosso Bom Senhor, continua lhe amando. Coloque sua total confiança em Seu Sagrado Coração. E reze para Maria, como eu e muitos outros estamos fazendo, pedindo que ela interceda pela salvação da sua alma.

“Maria Mater Gratiae, Mater Misericordiae, Tu nos ab hoste protege et mortis hora suscipe”.

Seu irmão em Cristo,

+ Carlo Maria Viganò

Domingo, 13 de janeiro de 2019

Festa do Batismo do Senhor

e São Hilário de Poitiers

e

7 janeiro, 2019

Retrospectiva 2018 – Nº 6: Bombástico! Antigo núncio nos EUA: “Papa Francisco sabia de tudo. Ele deve renunciar”.

Continuamos publicando os 10 posts mais lidos de 2018. Na sexta posição, matéria de 26 de agosto de 2018.

Por Rorate Caeli, 26 de agosto de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com

“Il papa si deve dimittere.” — O Papa deve se demitir.

São essas as palavras explosivas do antigo núncio apostólico (embaixador papal) nos Estados Unidos, de 2011 a 2016, o Arcebispo Carlo Maria Viganò.

Sua entrevista segue a publicação de seu explosivo testemunho escrito (leia íntegra aqui – tradução para o português sendo providenciada, se leitores puderem nos ajudar, enviem a tradução para fratresinunum@gmail.com) sobre como a máfia homossexual governa o Vaticano e ocupa os postos mais importantes nos EUA. Ela também trata de como Bento XVI tentou punir o ex-Cardeal McCarrick — e como o Papa Francisco, e o Cardeal Wuerl, embora cientes das sanções e razões, promoveram-no e honraram-no.

A passagem mais grave é a seguinte:

“Minha consciência exige que também revele fatos que experimentei pessoalmente, a respeito do Papa Francisco, que possuem dramático significado, que, como bispo, compartilhando a responsabilidade colegial por todos os bispos na Igreja universal, não me permitem ficar em silêncio, e eu declaro aqui, pronto a reafirmar tudo sob juramento, tomando a Deus como minha testemunha.

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15 novembro, 2018

Viganò clama a bispos americanos a enfrentarem crise de abusos corajosamente.

ROMA, 13 de novembro de 2018, LifeSiteNews | Tradução: FratresInUnum.com — Hoje o Arcebispo Carlo Maria Viganò emitiu uma mensagem sucinta aos bispos dos EUA, instando-os a enfrentar os abusos sexuais como “pastores corajosos”, em vez de “ovelhas assustadas.”

Atualmente, os bispos dos EUA estão em Baltimore, na muito aguardada assembleia anual de outono, na qual eles deveriam votar em propostas concretas para responsabilizar os bispos por suas falhas após as revelações sobre o ex Cardeal Theodore McCarrick.

A mensagem de hoje do ex Núncio Apostólico para os Estados Unidos (2011-2016) chega um dia após o Vaticano ter instado aos Bispos dos EUA que na assembleia de outono não votassem em duas ações para prevenir o encobrimento de abusos sexuais: padrões de prestação de contas para bispos e a comissão especial para recebimento de reclamações contra bispos.

Publicamos abaixo o texto oficial da mensagem do Arcebispo Viganò aos Bispso dos EUA, datada de 13 de novembro.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

Queridos Irmãos Bispos dos EUA,

Escrevo-lhes para recordar-lhes o mandato sagrado que vocês receberam no dia de sua ordenação episcopal: guiar o rebanho para Cristo. Meditem em Provérbios 9:10: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria!” Não se comportem como ovelhas assustadas, mas como pastores corajosos. Não tenham medo de falar abertamente e fazer a coisa certa pelas vítimas, pelos fiéis e pela sua própria salvação. O Senhor dará a cada um de nós conforme as nossas ações e omissões.

Estou jejuando e orando por vocês.

Arcebispo Carlo Maria Viganò
O seu ex Núncio Apostólico

13 de novembro de 2018

23 outubro, 2018

Viganò responde ao Cardeal Ouellet. O terceiro testemunho.

Mons. Carlo Viganò responde às objeções de seu antigo companheiro de cúria romana, o Cardeal Marc Ouellet.

Fonte: Marco Tosatti | Tradução: FratresInUnum.com

19 de outubro de 2018

Na memória dos mártires da América do Norte

Testemunhar a corrupção na hierarquia da Igreja Católica tem sido para mim uma decisão dolorosa e ainda o é. Mas eu sou um homem já velho, que sabe que em breve terá que prestar contas ao justo Juiz por suas ações e omissões, que teme Aquele que tem o poder de jogar corpo e alma no inferno.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

Juiz, que apesar de sua infinita misericórdia, “dará a cada um segundo os méritos, a recompensa ou o castigo eterno” (Ato de fé). Antecipando a terrível pergunta daquele Juiz: “Como você pôde, você que estava ciente da verdade, permanecer em silêncio no meio de tanta falsidade e depravação?” Que resposta eu poderia dar?

Eu falei tendo plena consciência de que o meu testemunho iria provocar alarme e consternação em muitas pessoas eminentes: eclesiásticos, irmãos no Episcopado, colegas com quem trabalhei e rezei. Eu sabia que muitos deles se sentiriam magoados e traídos. Eu sabia que alguns deles iriam me acusar e questionar minhas intenções. E, o mais doloroso de tudo, eu sabia que muitos fiéis inocentes ficariam confusos e perplexos com o espetáculo de um bispo que acusa seus irmãos e superiores de malfeitos, pecados sexuais e grave negligência no seu dever. No entanto, acredito que meu contínuo silêncio teria posto em perigo muitas almas e certamente teria condenado a minha própria. Apesar de ter reportado várias vezes aos meus superiores, e até mesmo ao Papa, sobre as ações aberrantes de McCarrick, eu poderia ter denunciado antes e publicamente as verdades das quais eu estava ciente. Se existe alguma responsabilidade da minha parte por esse atraso, eu me arrependo, pois foi devido à gravidade da decisão que eu estava prestes a tomar e ao longo conflito da minha consciência.

Eu fui acusado de ter criado com o meu testemunho confusão e divisão na Igreja. Esta afirmação só pode ter algum fundo de verdade para aqueles que acreditam que tal confusão e divisão eram irrelevantes antes de Agosto de 2018. Qualquer observador desapaixonado, no entanto, já teria sido capaz de ver bem a presença prolongada e significativa de ambos, algo inevitável quando o Sucessor de Pedro se recusa a exercer sua principal missão, que é confirmar seus irmãos na fé e na sólida doutrina moral. Quando, pois, com mensagens contraditórias ou declarações ambíguas, a crise é agravada, a confusão só piora.

Então, eu falei. Porque é a conspiração do silêncio que causou e continua a causar enormes danos à Igreja, a tantas almas inocentes, a jovens vocações sacerdotais ou aos fiéis em geral. No mérito dessa minha decisão é que tomei consciência diante de Deus, e aceito com toda boa vontade qualquer correção fraterna, conselho, recomendações e convite a progredir na minha vida de fé e de amor a Cristo, à Igreja e ao papa.

Permitam-me lembrá-los novamente dos principais pontos do meu testemunho.

  • Em novembro de 2000, o núncio nos Estados Unidos, o Arcebispo Montalvo informou à Santa Sé sobre o comportamento homossexual do Cardeal McCarrick com seminaristas e sacerdotes.
  • Em dezembro de 2006, o novo núncio, o Arcebispo Pietro Sambi, informou à Santa Sé sobre o comportamento homossexual do cardeal McCarrick juntamente com outro padre.
  • Em dezembro de 2006, escrevi um memorando ao secretário de Estado, Cardeal Bertone, que o entregou pessoalmente ao substituto para os Assuntos Gerais, Arcebispo Leonardo Sandri, pedindo ao papa para tomar medidas disciplinares extraordinárias contra McCarrick visando prevenir crimes e escândalos futuros. Este memorando não recebeu nenhuma resposta.
  • Em abril de 2008, uma carta aberta ao Papa Bento XVI por parte de Richard Sipe foi transmitida ao Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Levada e ao secretário de Estado, o cardeal Bertone, e que continha acusações adicionais sobre o hábito de McCarrick levar para a cama seminaristas e sacerdotes. Foi-me entregue, um mês depois, em maio de 2008, um segundo memorando que eu mesmo apresentei ao então Substituto para os Assuntos Gerais, Arcebispo Fernando Filoni, referindo-se às alegações contra McCarrick e pedindo sanções contra ele. Também esse meu segundo memorando não obteve uma resposta.
  • Em 2009 ou 2010, eu ouvi do cardeal Re, prefeito da Congregação para os Bispos, que o Papa Bento XVI tinha ordenado a McCarrick que cessasse seu ministério público e começasse uma vida de oração e penitência. O núncio Sambi comunicou as ordens do papa a McCarrick, levantando a voz de tal maneira que chegou a ser ouvido nos corredores da nunciatura.
  • Em novembro de 2011, o cardeal Ouellet, o novo prefeito da Congregação para os Bispos, reconfirmou para mim, o novo núncio nos Estados Unidos, as restrições ordenadas pelo papa para McCarrick, e eu mesmo comuniquei cara a cara a McCarrick.
  • No dia 21 de Junho de 2013, no final de uma reunião oficial dos núncios no Vaticano, o Papa Francisco me dirigiu palavras de reprovação e de difícil interpretação sobre o episcopado Americano.
  • No dia 23 de junho de 2013, encontrei-me pessoalmente com o Papa Francisco em uma audiência privada em seu apartamento para maiores esclarecimentos, e o papa me perguntou: “O Cardeal McCarrick, como é ele?”. Palavras que só podem ser interpretadas como uma falsa curiosidade para saber se eu era ou não aliado de McCarrick. Então, disse-lhe que McCarrick havia corrompido sexualmente gerações de sacerdotes e seminaristas, e que o Papa Bento lhe havia ordenado a dedicar-se a uma vida de oração e penitência.
  • Em vez disso, McCarrick continuou a desfrutar de uma consideração especial por parte do papa Francisco, que de fato lhe confiou novas responsabilidades e missões importantes.
  • McCarrick era parte de uma rede de bispos favoráveis à homossexualidade e que, gozando do favor do papa Francisco, promoveu nomeações episcopais para se proteger da justiça e fortalecer a homossexualidade na hierarquia e na Igreja em geral.
  • O próprio Papa Francisco parece ser conivente com a propagação desta corrupção ou ciente daquilo que faz. Ele é gravemente responsável porque não se opõe a essa corrupção e nem procura erradicá-la.

Eu invoquei Deus como testemunha da veracidade dessas minhas afirmações, e nenhuma delas foi desmentida. O Cardeal Ouellet escreveu-me, censurando-me pela minha ousadia em ter quebrado o silêncio e moveu acusações graves contra os meus irmãos no episcopado e superiores, mas, na verdade, sua repreensão me confirma na minha decisão e, de fato, confirma minhas declarações, uma por uma e em sua totalidade.

  • O cardeal Ouellet admite ter me falado sobre a situação de McCarrick antes de eu partir para Washington para começar minha missão como núncio.
  • O Cardeal Ouellet admite ter me comunicado por escrito sobre as condições e restrições impostas a McCarrick pelo Papa Bento XVI.
  • O cardeal Ouellet admite que essas restrições proibiam McCarrick de viajar e aparecer em público.
  • O Card. Ouellet admite que a Congregação para os Bispos, por escrito, em primeiro lugar através do Núncio Sambi, e depois novamente por mim, ordenou McCarrick a levar uma vida de oração e penitência.

Então o que o cardeal Ouellet está contestando?

  • O Card. Ouellet contesta a possibilidade de que o Papa Francisco teria sido capaz de se lembrar de informações importantes sobre McCarrick, num dia em que ele havia se encontrado com dezenas de núncios e dedicado a cada um apenas alguns momentos de conversa. Mas não foi isso que eu testemunhei. Eu testemunhei que, num segundo encontro privado, eu informei pessoalmente ao Papa, respondendo a uma pergunta dele sobre Theodore McCarrick, o então cardeal arcebispo emérito de Washington, figura proeminente na Igreja dos Estados Unidos, dizendo ao papa que McCarrick havia corrompido sexualmente seus próprios seminaristas e sacerdotes. Nenhum papa pode se esquecer disso.
  • O Card. Ouellet nega a existência em seus arquivos de cartas assinadas pelo Papa Bento XVI ou do Papa Francisco sobre as sanções contra McCarrick. Mas não foi isso que eu testemunhei. Eu testemunhei que havia nos seus arquivos documentos-chave — independente da proveniência — que incriminam McCarrick e sobre as medidas tomadas contra ele e outras evidências do encobrimento de sua situação. E eu confirmo tudo isso novamente.
  • O Card. Ouellet contesta a existência nos arquivos do seu predecessor, o Cardeal Re, dos “memorandos de audiências” que impunham a McCarrick as restrições citadas. Mas não foi isso que eu testemunhei. Eu testemunhei que existem outros documentos, por exemplo, uma nota do Cardeal Re, não “ex-audientia SS.mi”, ou seja assinada pelo Secretário de Estado ou pelo Substituto.
  • O Card. Ouellet contesta que é falso apresentar as medidas tomadas contra McCarrick como “sanções” decretadas pelo Papa Bento XVI e anuladas pelo Papa Francisco. Verdade. Elas não eram tecnicamente “sanções”, mas eram procedimentos, “condições e restrições.” Desqualificar se eram sanções ou procedimentos não passa do mais puro legalismo. Do ponto de vista pastoral, é exatamente a mesma coisa.

Em suma, o cardeal Ouellet admite as afirmações importantes que eu fiz e faço, e contesta as afirmações que eu não faço, e nunca fiz.

Há um ponto que devo absolutamente desmentir naquilo que o cardeal Ouellet escreve. O cardeal afirma que a Santa Sé tinha conhecimento apenas de simples “boatos”, que não eram suficientes para se tomar medidas disciplinares contra McCarrick. Pois eu afirmo que a Santa Sé tinha conhecimento de uma multidão de fatos concretos e em posse de documentos comprobatórios, e que apesar de tudo, as pessoas responsáveis preferiram não agir ou foram impedidas de fazê-lo. As indenizações das vítimas de abuso sexual de McCarrick na Arquidiocese de Newark e na Diocese de Metuchen, as cartas do Padre Ramsey, dos núncios Montalvo no ano 2000 e Sambi em 2006, as cartas do Dr. Sipe em 2008, os meus dois memorandos à Secretaria de Estado, descrevendo em detalhes as acusações específicas contra McCarrick, são apenas boatos de sacristia? São correspondência oficial e não fofoca da sacristia. Os delitos denunciados eram gravíssimos, havia até mesmo a denúncia das absolvições dos cúmplices em atos torpes, com sucessiva celebração sacrílega da Missa. Estes documentos especificam a identidade dos autores, de seus protetores e a seqüência cronológica dos acontecimentos. Eles estão guardados nos arquivos apropriados; e não é necessário nenhuma investigação extraordinária para recuperá-los.

Nas acusações feitas contra mim publicamente, notei duas omissões, dois silêncios dramáticos. O primeiro silêncio é sobre as vítimas. A segunda é a causa básica de tantas vítimas, a saber, o papel da homossexualidade na corrupção do sacerdócio e da hierarquia. No tocante ao primeiro silêncio, é chocante que, em meio a tantos escândalos e indignação, haja tão pouca consideração por aqueles que foram vítimas de predadores sexuais por parte de quem foi ordenado como ministro do Evangelho. Não se trata de acertar contas ou questões de carreiras eclesiásticas. Não é uma questão de política. Não é uma questão de como os historiadores da igreja possam avaliar este ou aquele papado. Trata-se de almas! Muitas almas foram colocadas em perigo e ainda estão em perigo por sua salvação eterna.

Em relação ao segundo silêncio, essa grave crise não pode ser adequadamente afrontada e resolvida, enquanto não chamarmos as coisas por seu devido nome. Esta é uma crise devido à praga da homossexualidade naqueles que a praticam, em seus movimentos e em sua resistência a serem corrigidos. Não é exagero dizer que a homossexualidade se tornou uma praga no clero e que só pode ser erradicada com armas espirituais. É uma enorme hipocrisia fingir reprovar o abuso, dizer chorar pelas vítimas e recusar a denunciar a principal causa de tantos abusos sexuais: a homossexualidade. É uma hipocrisia recusar admitir que esse flagelo se deve a uma grave crise na vida espiritual do clero e não recorrer aos meios para remediá-lo.

Existe sem dúvidas no clero, violações sexuais também com mulheres, e estas também causam sérios danos às almas daqueles que as praticam, à Igreja e às almas daqueles que são corrompidos. Mas essas infidelidades ao celibato sacerdotal são geralmente limitadas aos indivíduos imediatamente envolvidos; eles não tendem, por si mesmos, a promover, ou disseminar comportamentos semelhantes, para cobrir tais malfeitos. Ao passo que esmagadoras são as provas de como a homossexualidade é endêmica e se dissemina por contágio, com raízes profundas difíceis de se erradicar.

É certo que os predadores homossexuais desfrutam de seus privilégios clericais a seu favor. Mas reivindicar a crise em si como clericalismo é puro sofisma. É fingir que um meio, um instrumento, é na realidade sua causa principal.

A denúncia da corrupção homossexual e da vileza moral que as permite crescer não encontra consenso e nem solidariedade em nossos dias, infelizmente, nem nas mais altas esferas da Igreja. Não é de se surpreender que ao chamar a atenção para essas feridas, eu seja acusado de deslealdade ao Santo Padre e de fomentar uma rebelião aberta e escandalosa, mas a rebelião implicaria em incitar os outros a derrubar o papado. E eu não estou exortando a nada desse tipo. Eu rezo todos os dias pelo Papa Francisco mais do que já fiz pelos outros papas. Peço, na verdade, imploro que o Santo Padre enfrente os compromissos que assumiu. Ao aceitar ser o sucessor de Pedro, ele assumiu a missão de confirmar seus irmãos e a responsabilidade de guiar todas as almas no seguimento de Cristo, no combate espiritual, pelo caminho da cruz. Que ele admita seus erros, arrependa-se, e demonstre querer seguir o mandado dado a Pedro e que, uma vez convertido, confirme seus irmãos (Lucas 22:32).

Concluindo, gostaria de repetir o meu apelo aos meus irmãos bispos e sacerdotes que sabem que as minhas afirmações são verdadeiras e que estão em condição de poder testemunhar, ou que têm acesso aos documentos que possam resolver esta situação para além de qualquer dúvida. Vocês também estão diante de uma escolha. Vocês podem escolher se retirar da batalha, continuar na conspiração do silêncio e desviar o olhar do avanço da corrupção. Vocês podem inventar desculpas, compromissos e justificativas que irão protelando até o dia do ajuste de contas. Vocês podem se consolar com a duplicidade e a ilusão de que será mais fácil dizer a verdade amanhã e depois novamente no dia seguinte.

Ou vocês podem escolher falar. Confie Naquele que nos disse: “a verdade vos libertará”. Não digo que será fácil decidir entre o silêncio e o falar. Exorto-vos a considerar em seu leito de morte qual a escolha diante do justo Juiz que você não se arrependerá de ter tomado.

+ Carlo Maria Viganò, 19 de outubro de 2018

Arcebispo Titular de Ulpiana –  Memória dos Mártires da América do Norte

Núncio Apostólico

28 setembro, 2018

Exclusivo – A segunda carta de Mons. Viganò: “Será que Cristo se tornou invisível para o seu vigário?”.

Apresentamos nossa tradução exclusiva para português da segunda carta de Mons. Carlo Viganò.

Scio Cui credidi

(2 Tm 1,12)

Antes de iniciar meu escrito, gostaria em primeiro lugar de dar graças e glória a Deus Pai por cada situação e provação que Ele tem preparado e preparará para mim durante minha vida. Como padre e bispo da santa Igreja, esposa de Cristo, sou chamado como toda pessoa batizada a dar testemunho da verdade. Pelo dom do Espírito que me sustenta com alegria no caminho que sou chamado a trilhar, pretendo fazer isso até o fim de meus dias. Nosso único Senhor dirigiu também a mim o convite, “Segue-me!”, e pretendo segui-lo com o auxílio da graça até o fim de meus dias.

“Enquanto viver, cantarei à glória do Senhor,

Salmodiarei ao meu Deus enquanto existir.

Possam minhas palavras lhe ser agradáveis!

Minha única alegria se encontra no Senhor.”

(Salmo 103,33-34)

*****

Faz um mês desde que ofereci meu testemunho, somente para o bem da Igreja, sobre o que ocorreu na audiência com o Papa Francisco em 23 de junho de 2013 e sobre certas questões que chegaram a meu conhecimento nas atribuições que me foram confiadas na Secretaria de Estado e em Washington, em relação àqueles que têm responsabilidade pelo encobrimento dos crimes cometidos pelo ex-arcebispo daquela capital.

Minha decisão de revelar aqueles graves fatos foi para mim a mais dolorosa e séria que já tomei em minha vida. Eu a tomei após longa reflexão e oração, durante meses de profundo sofrimento e angústia, durante o aparecimento contínuo de notícias sobre eventos terríveis, com vidas de milhares de vítimas inocentes destruídas e vocações e vidas de jovens padres e religiosos perturbadas. O silêncio dos pastores que poderiam ter providenciado um remédio e evitado novas vítimas tornou-se cada vez mais indefensável, um crime devastador para a Igreja. Completamente ciente das enormes conseqüências que meu testemunho poderia ter, porque o que eu estava para revelar envolvia o próprio sucessor de Pedro, mesmo assim resolvi falar para proteger a Igreja, e declaro com consciência limpa diante de Deus que meu testemunho é verdadeiro. Cristo morreu pela Igreja, e Pedro, Servus servorum Dei, é o primeiro a ser chamado a servir a esposa de Cristo.

Certamente, alguns fatos que eu estava para revelar estavam protegidos pelo segredo pontifício, que eu tinha prometido observar e que tinha observado fielmente desde o início de meu serviço à Santa Sé. Mas o propósito de qualquer segredo, incluindo o segredo pontifício, é proteger a Igreja contra seus inimigos, não encobrir crimes cometidos por alguns de seus membros, tornando-me, assim, cúmplice. Fui testemunha, não por escolha minha, de fatos chocantes e, como o Catecismo da Igreja Católica (nº 2491) afirma, o selo do segredo não é vinculante quando um mal muito grave só pode ser evitado com a divulgação da verdade. Apenas o selo da confissão justificaria meu silêncio.

Nem o papa nem qualquer dos cardeais em Roma negaram os fatos que afirmei em meu testemunho. “Qui tacet consentit” certamente se aplica aqui, porque se quisessem negar meu testemunho, bastaria que assim o fizessem e fornecessem a documentação para fundamentar a negação. Como é possível evitar que se conclua que a razão para não fornecerem a documentação é que eles sabem que esta confirma o testemunho?

O núcleo de meu testemunho foi que, desde pelo menos 23 de junho de 2013, o papa sabia por meu intermédio o quão perverso e mau era McCarrick em suas intenções e ações, e em vez de tomar as medidas que todo bom pastor teria tomado, o papa fez de McCarrick um de seus principais agentes no governo da Igreja, no que diz respeito aos Estados Unidos, à Cúria e mesmo à China, a qual acompanhamos nesses dias com grande preocupação e ansiedade por aquela Igreja mártir.

Ora, a resposta do papa ao meu testemunho foi: “Não direi uma só palavra!” Mas então, contradizendo a si mesmo, comparou seu silêncio ao de Jesus em Nazaré e diante de Pilatos, comparando-me ao grande acusador, Satanás, que semeia escândalo e divisão na Igreja — apesar de nunca pronunciar meu nome. Se ele tivesse dito: “Viganò mentiu,” teria desafiado minha credibilidade tentando afirmar a sua. Ao fazer isso, teria intensificado a demanda do povo de Deus e do mundo pela documentação necessária para determinar quem teria falado a verdade. Em vez disso, lançou uma sútil calúnia contra mim — sendo a calúnia uma ofensa que ele freqüentemente compara com a gravidade de um assassinato. De fato, assim o fez repetidamente, no contexto da celebração do Santíssimo Sacramento, a Eucaristia, onde ele não corre o risco de ser questionado por jornalistas. Quando falou com jornalistas, pediu que exercessem sua maturidade profissional e tirassem suas próprias conclusões. Mas como os jornalistas podem descobrir e conhecer a verdade se aqueles diretamente envolvidos com a questão recusam-se a responder quaisquer perguntas ou a fornecer quaisquer documentos? A falta de vontade do papa de responder a minhas acusações e sua surdez aos apelos dos fiéis que exigem uma prestação de contas são difíceis de conciliar com seus pedidos por transparência e construção de pontes.

Mais ainda, o acobertamento de McCarrick por parte do papa claramente não foi um erro isolado. Muitas outras instâncias foram documentadas recentemente na imprensa, mostrando que o Papa Francisco defendeu clérigos homossexuais que cometeram sérios abusos sexuais contra menores ou adultos. Isso inclui seu papel no caso do Pe. Julio Grassi em Buenos Aires, sua reintegração do Pe. Mauro Inzoli após o Papa Bento XVI o ter removido do ministério (até o momento em que o padre foi preso, quando então o Papa Francisco o laicizou), e sua paralisação da investigação das alegações de abuso sexual contra o Cardeal Cormac Murphy O’Connor.

Enquanto isso, uma delegação da USCCB, liderada por seu presidente, o Cardeal DiNardo, foi a Roma pedindo uma investigação sobre McCarrick. O Cardeal DiNardo e os outros prelados deveriam dizer à Igreja na América e no mundo: teria o papa se recusado a conduzir uma investigação no Vaticano sobre os crimes de McCarrick e daqueles responsáveis por encobri-los? Os fiéis merecem saber.

Gostaria de fazer um apelo especial ao Cardeal Ouellet porque, como núncio, sempre trabalhei em grande harmonia com ele e o tenho em alta estima e afeição. Ele lembrará quando, no fim de minha missão em Washington, recebeu-me em seu apartamento em Roma numa tarde para uma longa conversa. No começo do pontificado do Papa Francisco, o cardeal manteve sua dignidade, como mostrou com coragem quando era Arcebispo de Québec. Depois, entretanto, quando seu trabalho como prefeito da Congregação dos Bispos foi minado porque recomendações para indicações episcopais estavam sendo passadas diretamente para o Papa Francisco por dois “amigos” homossexuais de seu discatério, passando por cima do cardeal, ele desistiu. Seu longo artigo em L’Osservatore Romano, no qual se mostra favorável aos aspectos mais controversos de Amoris Laetitia, representa sua rendição. Eminência, antes de eu sair de Washington, foi o senhor que me contou sobre as sanções do Papa Bento XVI contra McCarrick. O senhor tem à sua completa disposição documentos chaves que incriminam McCarrick e muitos na cúria por seus encobrimentos. Eminência, eu insisto que o senhor seja testemnha da verdade.

*****

Finalmente, desejaria encorajá-los, queridos fiéis, meus irmãos e irmãs em Cristo: jamais desanimem! Tomem posse do ato de fé e de completa confiança em Cristo Jesus, nosso Salvador, feito por São Paulo em sua segunda Carta a Timóteo, Scio cui credidi (sei em quem tenho crido), que escolhi como meu lema episcopal. É um tempo de arrependimento, de conversão, de orações, de graça, para preparar a Igreja, a esposa do Cordeiro, para lutar e vencer com Maria a batalha contra o antigo dragão.

Scio Cui credidi” (2 Tim 1,12)

Em vós, Jesus, meu único Senhor, ponho toda a minha confiança.

“Diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum” (Rom 8,28).

Para comemorar minha ordenação episcopal em 26 de abril de 1992, a mim conferida por São João Paulo II, escolhi essa imagem retirada de um mosaico da Basílica de São Marcos em Veneza. Ela representa o milagre da tempestade acalmada. Fiquei impressionado pelo fato de que na barca de Pedro, jogada pelas águas, a figura de Jesus é representada duas vezes. Jesus dorme profundamente na proa, enquanto Pedro tenta acordá-lo: “Mestre, não te importas que morramos?” e os Apóstolos, aterrorizados, olham cada um para uma direção diferente e não se dão conta de que Jesus está de pé atrás deles, abençoando-os e comandando seguramente a barca: “Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: ‘Aquiete-se! Acalme-se,’… Então perguntou aos seus discípulos: ‘Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?’” (Mc 4,38-40).

A cena é muito propícia para representar a tremenda tempestade pela qual a Igreja está passando neste momento, mas com uma diferença substancial: o sucessor de Pedro não apenas falha em ver que o Senhor está no pleno controle barca; parece que ele não tem sequer a intenção de acordar Jesus adormecido na proa.

Será que Cristo se tornou invisível para o seu vigário? Será que ele está sendo tentado a agir como substituto do nosso único Mestre e Senhor?

O Senhor tem o pleno controle da barca!

Possa Cristo, a Verdade, ser sempre a luz de nosso caminho!

+ Carlo Maria Viganò

Arcebispo Titular de Ulpiana

Núncio Apostólico

29 de setembro de 2018

Festa de São Miguel Arcanjo