Posts tagged ‘Monsenhor Carlo Maria Viganò’

15 novembro, 2018

Viganò clama a bispos americanos a enfrentarem crise de abusos corajosamente.

ROMA, 13 de novembro de 2018, LifeSiteNews | Tradução: FratresInUnum.com — Hoje o Arcebispo Carlo Maria Viganò emitiu uma mensagem sucinta aos bispos dos EUA, instando-os a enfrentar os abusos sexuais como “pastores corajosos”, em vez de “ovelhas assustadas.”

Atualmente, os bispos dos EUA estão em Baltimore, na muito aguardada assembleia anual de outono, na qual eles deveriam votar em propostas concretas para responsabilizar os bispos por suas falhas após as revelações sobre o ex Cardeal Theodore McCarrick.

A mensagem de hoje do ex Núncio Apostólico para os Estados Unidos (2011-2016) chega um dia após o Vaticano ter instado aos Bispos dos EUA que na assembleia de outono não votassem em duas ações para prevenir o encobrimento de abusos sexuais: padrões de prestação de contas para bispos e a comissão especial para recebimento de reclamações contra bispos.

Publicamos abaixo o texto oficial da mensagem do Arcebispo Viganò aos Bispso dos EUA, datada de 13 de novembro.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

Queridos Irmãos Bispos dos EUA,

Escrevo-lhes para recordar-lhes o mandato sagrado que vocês receberam no dia de sua ordenação episcopal: guiar o rebanho para Cristo. Meditem em Provérbios 9:10: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria!” Não se comportem como ovelhas assustadas, mas como pastores corajosos. Não tenham medo de falar abertamente e fazer a coisa certa pelas vítimas, pelos fiéis e pela sua própria salvação. O Senhor dará a cada um de nós conforme as nossas ações e omissões.

Estou jejuando e orando por vocês.

Arcebispo Carlo Maria Viganò
O seu ex Núncio Apostólico

13 de novembro de 2018

23 outubro, 2018

Viganò responde ao Cardeal Ouellet. O terceiro testemunho.

Mons. Carlo Viganò responde às objeções de seu antigo companheiro de cúria romana, o Cardeal Marc Ouellet.

Fonte: Marco Tosatti | Tradução: FratresInUnum.com

19 de outubro de 2018

Na memória dos mártires da América do Norte

Testemunhar a corrupção na hierarquia da Igreja Católica tem sido para mim uma decisão dolorosa e ainda o é. Mas eu sou um homem já velho, que sabe que em breve terá que prestar contas ao justo Juiz por suas ações e omissões, que teme Aquele que tem o poder de jogar corpo e alma no inferno.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

Juiz, que apesar de sua infinita misericórdia, “dará a cada um segundo os méritos, a recompensa ou o castigo eterno” (Ato de fé). Antecipando a terrível pergunta daquele Juiz: “Como você pôde, você que estava ciente da verdade, permanecer em silêncio no meio de tanta falsidade e depravação?” Que resposta eu poderia dar?

Eu falei tendo plena consciência de que o meu testemunho iria provocar alarme e consternação em muitas pessoas eminentes: eclesiásticos, irmãos no Episcopado, colegas com quem trabalhei e rezei. Eu sabia que muitos deles se sentiriam magoados e traídos. Eu sabia que alguns deles iriam me acusar e questionar minhas intenções. E, o mais doloroso de tudo, eu sabia que muitos fiéis inocentes ficariam confusos e perplexos com o espetáculo de um bispo que acusa seus irmãos e superiores de malfeitos, pecados sexuais e grave negligência no seu dever. No entanto, acredito que meu contínuo silêncio teria posto em perigo muitas almas e certamente teria condenado a minha própria. Apesar de ter reportado várias vezes aos meus superiores, e até mesmo ao Papa, sobre as ações aberrantes de McCarrick, eu poderia ter denunciado antes e publicamente as verdades das quais eu estava ciente. Se existe alguma responsabilidade da minha parte por esse atraso, eu me arrependo, pois foi devido à gravidade da decisão que eu estava prestes a tomar e ao longo conflito da minha consciência.

Eu fui acusado de ter criado com o meu testemunho confusão e divisão na Igreja. Esta afirmação só pode ter algum fundo de verdade para aqueles que acreditam que tal confusão e divisão eram irrelevantes antes de Agosto de 2018. Qualquer observador desapaixonado, no entanto, já teria sido capaz de ver bem a presença prolongada e significativa de ambos, algo inevitável quando o Sucessor de Pedro se recusa a exercer sua principal missão, que é confirmar seus irmãos na fé e na sólida doutrina moral. Quando, pois, com mensagens contraditórias ou declarações ambíguas, a crise é agravada, a confusão só piora.

Então, eu falei. Porque é a conspiração do silêncio que causou e continua a causar enormes danos à Igreja, a tantas almas inocentes, a jovens vocações sacerdotais ou aos fiéis em geral. No mérito dessa minha decisão é que tomei consciência diante de Deus, e aceito com toda boa vontade qualquer correção fraterna, conselho, recomendações e convite a progredir na minha vida de fé e de amor a Cristo, à Igreja e ao papa.

Permitam-me lembrá-los novamente dos principais pontos do meu testemunho.

  • Em novembro de 2000, o núncio nos Estados Unidos, o Arcebispo Montalvo informou à Santa Sé sobre o comportamento homossexual do Cardeal McCarrick com seminaristas e sacerdotes.
  • Em dezembro de 2006, o novo núncio, o Arcebispo Pietro Sambi, informou à Santa Sé sobre o comportamento homossexual do cardeal McCarrick juntamente com outro padre.
  • Em dezembro de 2006, escrevi um memorando ao secretário de Estado, Cardeal Bertone, que o entregou pessoalmente ao substituto para os Assuntos Gerais, Arcebispo Leonardo Sandri, pedindo ao papa para tomar medidas disciplinares extraordinárias contra McCarrick visando prevenir crimes e escândalos futuros. Este memorando não recebeu nenhuma resposta.
  • Em abril de 2008, uma carta aberta ao Papa Bento XVI por parte de Richard Sipe foi transmitida ao Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Levada e ao secretário de Estado, o cardeal Bertone, e que continha acusações adicionais sobre o hábito de McCarrick levar para a cama seminaristas e sacerdotes. Foi-me entregue, um mês depois, em maio de 2008, um segundo memorando que eu mesmo apresentei ao então Substituto para os Assuntos Gerais, Arcebispo Fernando Filoni, referindo-se às alegações contra McCarrick e pedindo sanções contra ele. Também esse meu segundo memorando não obteve uma resposta.
  • Em 2009 ou 2010, eu ouvi do cardeal Re, prefeito da Congregação para os Bispos, que o Papa Bento XVI tinha ordenado a McCarrick que cessasse seu ministério público e começasse uma vida de oração e penitência. O núncio Sambi comunicou as ordens do papa a McCarrick, levantando a voz de tal maneira que chegou a ser ouvido nos corredores da nunciatura.
  • Em novembro de 2011, o cardeal Ouellet, o novo prefeito da Congregação para os Bispos, reconfirmou para mim, o novo núncio nos Estados Unidos, as restrições ordenadas pelo papa para McCarrick, e eu mesmo comuniquei cara a cara a McCarrick.
  • No dia 21 de Junho de 2013, no final de uma reunião oficial dos núncios no Vaticano, o Papa Francisco me dirigiu palavras de reprovação e de difícil interpretação sobre o episcopado Americano.
  • No dia 23 de junho de 2013, encontrei-me pessoalmente com o Papa Francisco em uma audiência privada em seu apartamento para maiores esclarecimentos, e o papa me perguntou: “O Cardeal McCarrick, como é ele?”. Palavras que só podem ser interpretadas como uma falsa curiosidade para saber se eu era ou não aliado de McCarrick. Então, disse-lhe que McCarrick havia corrompido sexualmente gerações de sacerdotes e seminaristas, e que o Papa Bento lhe havia ordenado a dedicar-se a uma vida de oração e penitência.
  • Em vez disso, McCarrick continuou a desfrutar de uma consideração especial por parte do papa Francisco, que de fato lhe confiou novas responsabilidades e missões importantes.
  • McCarrick era parte de uma rede de bispos favoráveis à homossexualidade e que, gozando do favor do papa Francisco, promoveu nomeações episcopais para se proteger da justiça e fortalecer a homossexualidade na hierarquia e na Igreja em geral.
  • O próprio Papa Francisco parece ser conivente com a propagação desta corrupção ou ciente daquilo que faz. Ele é gravemente responsável porque não se opõe a essa corrupção e nem procura erradicá-la.

Eu invoquei Deus como testemunha da veracidade dessas minhas afirmações, e nenhuma delas foi desmentida. O Cardeal Ouellet escreveu-me, censurando-me pela minha ousadia em ter quebrado o silêncio e moveu acusações graves contra os meus irmãos no episcopado e superiores, mas, na verdade, sua repreensão me confirma na minha decisão e, de fato, confirma minhas declarações, uma por uma e em sua totalidade.

  • O cardeal Ouellet admite ter me falado sobre a situação de McCarrick antes de eu partir para Washington para começar minha missão como núncio.
  • O Cardeal Ouellet admite ter me comunicado por escrito sobre as condições e restrições impostas a McCarrick pelo Papa Bento XVI.
  • O cardeal Ouellet admite que essas restrições proibiam McCarrick de viajar e aparecer em público.
  • O Card. Ouellet admite que a Congregação para os Bispos, por escrito, em primeiro lugar através do Núncio Sambi, e depois novamente por mim, ordenou McCarrick a levar uma vida de oração e penitência.

Então o que o cardeal Ouellet está contestando?

  • O Card. Ouellet contesta a possibilidade de que o Papa Francisco teria sido capaz de se lembrar de informações importantes sobre McCarrick, num dia em que ele havia se encontrado com dezenas de núncios e dedicado a cada um apenas alguns momentos de conversa. Mas não foi isso que eu testemunhei. Eu testemunhei que, num segundo encontro privado, eu informei pessoalmente ao Papa, respondendo a uma pergunta dele sobre Theodore McCarrick, o então cardeal arcebispo emérito de Washington, figura proeminente na Igreja dos Estados Unidos, dizendo ao papa que McCarrick havia corrompido sexualmente seus próprios seminaristas e sacerdotes. Nenhum papa pode se esquecer disso.
  • O Card. Ouellet nega a existência em seus arquivos de cartas assinadas pelo Papa Bento XVI ou do Papa Francisco sobre as sanções contra McCarrick. Mas não foi isso que eu testemunhei. Eu testemunhei que havia nos seus arquivos documentos-chave — independente da proveniência — que incriminam McCarrick e sobre as medidas tomadas contra ele e outras evidências do encobrimento de sua situação. E eu confirmo tudo isso novamente.
  • O Card. Ouellet contesta a existência nos arquivos do seu predecessor, o Cardeal Re, dos “memorandos de audiências” que impunham a McCarrick as restrições citadas. Mas não foi isso que eu testemunhei. Eu testemunhei que existem outros documentos, por exemplo, uma nota do Cardeal Re, não “ex-audientia SS.mi”, ou seja assinada pelo Secretário de Estado ou pelo Substituto.
  • O Card. Ouellet contesta que é falso apresentar as medidas tomadas contra McCarrick como “sanções” decretadas pelo Papa Bento XVI e anuladas pelo Papa Francisco. Verdade. Elas não eram tecnicamente “sanções”, mas eram procedimentos, “condições e restrições.” Desqualificar se eram sanções ou procedimentos não passa do mais puro legalismo. Do ponto de vista pastoral, é exatamente a mesma coisa.

Em suma, o cardeal Ouellet admite as afirmações importantes que eu fiz e faço, e contesta as afirmações que eu não faço, e nunca fiz.

Há um ponto que devo absolutamente desmentir naquilo que o cardeal Ouellet escreve. O cardeal afirma que a Santa Sé tinha conhecimento apenas de simples “boatos”, que não eram suficientes para se tomar medidas disciplinares contra McCarrick. Pois eu afirmo que a Santa Sé tinha conhecimento de uma multidão de fatos concretos e em posse de documentos comprobatórios, e que apesar de tudo, as pessoas responsáveis preferiram não agir ou foram impedidas de fazê-lo. As indenizações das vítimas de abuso sexual de McCarrick na Arquidiocese de Newark e na Diocese de Metuchen, as cartas do Padre Ramsey, dos núncios Montalvo no ano 2000 e Sambi em 2006, as cartas do Dr. Sipe em 2008, os meus dois memorandos à Secretaria de Estado, descrevendo em detalhes as acusações específicas contra McCarrick, são apenas boatos de sacristia? São correspondência oficial e não fofoca da sacristia. Os delitos denunciados eram gravíssimos, havia até mesmo a denúncia das absolvições dos cúmplices em atos torpes, com sucessiva celebração sacrílega da Missa. Estes documentos especificam a identidade dos autores, de seus protetores e a seqüência cronológica dos acontecimentos. Eles estão guardados nos arquivos apropriados; e não é necessário nenhuma investigação extraordinária para recuperá-los.

Nas acusações feitas contra mim publicamente, notei duas omissões, dois silêncios dramáticos. O primeiro silêncio é sobre as vítimas. A segunda é a causa básica de tantas vítimas, a saber, o papel da homossexualidade na corrupção do sacerdócio e da hierarquia. No tocante ao primeiro silêncio, é chocante que, em meio a tantos escândalos e indignação, haja tão pouca consideração por aqueles que foram vítimas de predadores sexuais por parte de quem foi ordenado como ministro do Evangelho. Não se trata de acertar contas ou questões de carreiras eclesiásticas. Não é uma questão de política. Não é uma questão de como os historiadores da igreja possam avaliar este ou aquele papado. Trata-se de almas! Muitas almas foram colocadas em perigo e ainda estão em perigo por sua salvação eterna.

Em relação ao segundo silêncio, essa grave crise não pode ser adequadamente afrontada e resolvida, enquanto não chamarmos as coisas por seu devido nome. Esta é uma crise devido à praga da homossexualidade naqueles que a praticam, em seus movimentos e em sua resistência a serem corrigidos. Não é exagero dizer que a homossexualidade se tornou uma praga no clero e que só pode ser erradicada com armas espirituais. É uma enorme hipocrisia fingir reprovar o abuso, dizer chorar pelas vítimas e recusar a denunciar a principal causa de tantos abusos sexuais: a homossexualidade. É uma hipocrisia recusar admitir que esse flagelo se deve a uma grave crise na vida espiritual do clero e não recorrer aos meios para remediá-lo.

Existe sem dúvidas no clero, violações sexuais também com mulheres, e estas também causam sérios danos às almas daqueles que as praticam, à Igreja e às almas daqueles que são corrompidos. Mas essas infidelidades ao celibato sacerdotal são geralmente limitadas aos indivíduos imediatamente envolvidos; eles não tendem, por si mesmos, a promover, ou disseminar comportamentos semelhantes, para cobrir tais malfeitos. Ao passo que esmagadoras são as provas de como a homossexualidade é endêmica e se dissemina por contágio, com raízes profundas difíceis de se erradicar.

É certo que os predadores homossexuais desfrutam de seus privilégios clericais a seu favor. Mas reivindicar a crise em si como clericalismo é puro sofisma. É fingir que um meio, um instrumento, é na realidade sua causa principal.

A denúncia da corrupção homossexual e da vileza moral que as permite crescer não encontra consenso e nem solidariedade em nossos dias, infelizmente, nem nas mais altas esferas da Igreja. Não é de se surpreender que ao chamar a atenção para essas feridas, eu seja acusado de deslealdade ao Santo Padre e de fomentar uma rebelião aberta e escandalosa, mas a rebelião implicaria em incitar os outros a derrubar o papado. E eu não estou exortando a nada desse tipo. Eu rezo todos os dias pelo Papa Francisco mais do que já fiz pelos outros papas. Peço, na verdade, imploro que o Santo Padre enfrente os compromissos que assumiu. Ao aceitar ser o sucessor de Pedro, ele assumiu a missão de confirmar seus irmãos e a responsabilidade de guiar todas as almas no seguimento de Cristo, no combate espiritual, pelo caminho da cruz. Que ele admita seus erros, arrependa-se, e demonstre querer seguir o mandado dado a Pedro e que, uma vez convertido, confirme seus irmãos (Lucas 22:32).

Concluindo, gostaria de repetir o meu apelo aos meus irmãos bispos e sacerdotes que sabem que as minhas afirmações são verdadeiras e que estão em condição de poder testemunhar, ou que têm acesso aos documentos que possam resolver esta situação para além de qualquer dúvida. Vocês também estão diante de uma escolha. Vocês podem escolher se retirar da batalha, continuar na conspiração do silêncio e desviar o olhar do avanço da corrupção. Vocês podem inventar desculpas, compromissos e justificativas que irão protelando até o dia do ajuste de contas. Vocês podem se consolar com a duplicidade e a ilusão de que será mais fácil dizer a verdade amanhã e depois novamente no dia seguinte.

Ou vocês podem escolher falar. Confie Naquele que nos disse: “a verdade vos libertará”. Não digo que será fácil decidir entre o silêncio e o falar. Exorto-vos a considerar em seu leito de morte qual a escolha diante do justo Juiz que você não se arrependerá de ter tomado.

+ Carlo Maria Viganò, 19 de outubro de 2018

Arcebispo Titular de Ulpiana –  Memória dos Mártires da América do Norte

Núncio Apostólico

28 setembro, 2018

Exclusivo – A segunda carta de Mons. Viganò: “Será que Cristo se tornou invisível para o seu vigário?”.

Apresentamos nossa tradução exclusiva para português da segunda carta de Mons. Carlo Viganò.

Scio Cui credidi

(2 Tm 1,12)

Antes de iniciar meu escrito, gostaria em primeiro lugar de dar graças e glória a Deus Pai por cada situação e provação que Ele tem preparado e preparará para mim durante minha vida. Como padre e bispo da santa Igreja, esposa de Cristo, sou chamado como toda pessoa batizada a dar testemunho da verdade. Pelo dom do Espírito que me sustenta com alegria no caminho que sou chamado a trilhar, pretendo fazer isso até o fim de meus dias. Nosso único Senhor dirigiu também a mim o convite, “Segue-me!”, e pretendo segui-lo com o auxílio da graça até o fim de meus dias.

“Enquanto viver, cantarei à glória do Senhor,

Salmodiarei ao meu Deus enquanto existir.

Possam minhas palavras lhe ser agradáveis!

Minha única alegria se encontra no Senhor.”

(Salmo 103,33-34)

*****

Faz um mês desde que ofereci meu testemunho, somente para o bem da Igreja, sobre o que ocorreu na audiência com o Papa Francisco em 23 de junho de 2013 e sobre certas questões que chegaram a meu conhecimento nas atribuições que me foram confiadas na Secretaria de Estado e em Washington, em relação àqueles que têm responsabilidade pelo encobrimento dos crimes cometidos pelo ex-arcebispo daquela capital.

Minha decisão de revelar aqueles graves fatos foi para mim a mais dolorosa e séria que já tomei em minha vida. Eu a tomei após longa reflexão e oração, durante meses de profundo sofrimento e angústia, durante o aparecimento contínuo de notícias sobre eventos terríveis, com vidas de milhares de vítimas inocentes destruídas e vocações e vidas de jovens padres e religiosos perturbadas. O silêncio dos pastores que poderiam ter providenciado um remédio e evitado novas vítimas tornou-se cada vez mais indefensável, um crime devastador para a Igreja. Completamente ciente das enormes conseqüências que meu testemunho poderia ter, porque o que eu estava para revelar envolvia o próprio sucessor de Pedro, mesmo assim resolvi falar para proteger a Igreja, e declaro com consciência limpa diante de Deus que meu testemunho é verdadeiro. Cristo morreu pela Igreja, e Pedro, Servus servorum Dei, é o primeiro a ser chamado a servir a esposa de Cristo.

Certamente, alguns fatos que eu estava para revelar estavam protegidos pelo segredo pontifício, que eu tinha prometido observar e que tinha observado fielmente desde o início de meu serviço à Santa Sé. Mas o propósito de qualquer segredo, incluindo o segredo pontifício, é proteger a Igreja contra seus inimigos, não encobrir crimes cometidos por alguns de seus membros, tornando-me, assim, cúmplice. Fui testemunha, não por escolha minha, de fatos chocantes e, como o Catecismo da Igreja Católica (nº 2491) afirma, o selo do segredo não é vinculante quando um mal muito grave só pode ser evitado com a divulgação da verdade. Apenas o selo da confissão justificaria meu silêncio.

Nem o papa nem qualquer dos cardeais em Roma negaram os fatos que afirmei em meu testemunho. “Qui tacet consentit” certamente se aplica aqui, porque se quisessem negar meu testemunho, bastaria que assim o fizessem e fornecessem a documentação para fundamentar a negação. Como é possível evitar que se conclua que a razão para não fornecerem a documentação é que eles sabem que esta confirma o testemunho?

O núcleo de meu testemunho foi que, desde pelo menos 23 de junho de 2013, o papa sabia por meu intermédio o quão perverso e mau era McCarrick em suas intenções e ações, e em vez de tomar as medidas que todo bom pastor teria tomado, o papa fez de McCarrick um de seus principais agentes no governo da Igreja, no que diz respeito aos Estados Unidos, à Cúria e mesmo à China, a qual acompanhamos nesses dias com grande preocupação e ansiedade por aquela Igreja mártir.

Ora, a resposta do papa ao meu testemunho foi: “Não direi uma só palavra!” Mas então, contradizendo a si mesmo, comparou seu silêncio ao de Jesus em Nazaré e diante de Pilatos, comparando-me ao grande acusador, Satanás, que semeia escândalo e divisão na Igreja — apesar de nunca pronunciar meu nome. Se ele tivesse dito: “Viganò mentiu,” teria desafiado minha credibilidade tentando afirmar a sua. Ao fazer isso, teria intensificado a demanda do povo de Deus e do mundo pela documentação necessária para determinar quem teria falado a verdade. Em vez disso, lançou uma sútil calúnia contra mim — sendo a calúnia uma ofensa que ele freqüentemente compara com a gravidade de um assassinato. De fato, assim o fez repetidamente, no contexto da celebração do Santíssimo Sacramento, a Eucaristia, onde ele não corre o risco de ser questionado por jornalistas. Quando falou com jornalistas, pediu que exercessem sua maturidade profissional e tirassem suas próprias conclusões. Mas como os jornalistas podem descobrir e conhecer a verdade se aqueles diretamente envolvidos com a questão recusam-se a responder quaisquer perguntas ou a fornecer quaisquer documentos? A falta de vontade do papa de responder a minhas acusações e sua surdez aos apelos dos fiéis que exigem uma prestação de contas são difíceis de conciliar com seus pedidos por transparência e construção de pontes.

Mais ainda, o acobertamento de McCarrick por parte do papa claramente não foi um erro isolado. Muitas outras instâncias foram documentadas recentemente na imprensa, mostrando que o Papa Francisco defendeu clérigos homossexuais que cometeram sérios abusos sexuais contra menores ou adultos. Isso inclui seu papel no caso do Pe. Julio Grassi em Buenos Aires, sua reintegração do Pe. Mauro Inzoli após o Papa Bento XVI o ter removido do ministério (até o momento em que o padre foi preso, quando então o Papa Francisco o laicizou), e sua paralisação da investigação das alegações de abuso sexual contra o Cardeal Cormac Murphy O’Connor.

Enquanto isso, uma delegação da USCCB, liderada por seu presidente, o Cardeal DiNardo, foi a Roma pedindo uma investigação sobre McCarrick. O Cardeal DiNardo e os outros prelados deveriam dizer à Igreja na América e no mundo: teria o papa se recusado a conduzir uma investigação no Vaticano sobre os crimes de McCarrick e daqueles responsáveis por encobri-los? Os fiéis merecem saber.

Gostaria de fazer um apelo especial ao Cardeal Ouellet porque, como núncio, sempre trabalhei em grande harmonia com ele e o tenho em alta estima e afeição. Ele lembrará quando, no fim de minha missão em Washington, recebeu-me em seu apartamento em Roma numa tarde para uma longa conversa. No começo do pontificado do Papa Francisco, o cardeal manteve sua dignidade, como mostrou com coragem quando era Arcebispo de Québec. Depois, entretanto, quando seu trabalho como prefeito da Congregação dos Bispos foi minado porque recomendações para indicações episcopais estavam sendo passadas diretamente para o Papa Francisco por dois “amigos” homossexuais de seu discatério, passando por cima do cardeal, ele desistiu. Seu longo artigo em L’Osservatore Romano, no qual se mostra favorável aos aspectos mais controversos de Amoris Laetitia, representa sua rendição. Eminência, antes de eu sair de Washington, foi o senhor que me contou sobre as sanções do Papa Bento XVI contra McCarrick. O senhor tem à sua completa disposição documentos chaves que incriminam McCarrick e muitos na cúria por seus encobrimentos. Eminência, eu insisto que o senhor seja testemnha da verdade.

*****

Finalmente, desejaria encorajá-los, queridos fiéis, meus irmãos e irmãs em Cristo: jamais desanimem! Tomem posse do ato de fé e de completa confiança em Cristo Jesus, nosso Salvador, feito por São Paulo em sua segunda Carta a Timóteo, Scio cui credidi (sei em quem tenho crido), que escolhi como meu lema episcopal. É um tempo de arrependimento, de conversão, de orações, de graça, para preparar a Igreja, a esposa do Cordeiro, para lutar e vencer com Maria a batalha contra o antigo dragão.

Scio Cui credidi” (2 Tim 1,12)

Em vós, Jesus, meu único Senhor, ponho toda a minha confiança.

“Diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum” (Rom 8,28).

Para comemorar minha ordenação episcopal em 26 de abril de 1992, a mim conferida por São João Paulo II, escolhi essa imagem retirada de um mosaico da Basílica de São Marcos em Veneza. Ela representa o milagre da tempestade acalmada. Fiquei impressionado pelo fato de que na barca de Pedro, jogada pelas águas, a figura de Jesus é representada duas vezes. Jesus dorme profundamente na proa, enquanto Pedro tenta acordá-lo: “Mestre, não te importas que morramos?” e os Apóstolos, aterrorizados, olham cada um para uma direção diferente e não se dão conta de que Jesus está de pé atrás deles, abençoando-os e comandando seguramente a barca: “Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: ‘Aquiete-se! Acalme-se,’… Então perguntou aos seus discípulos: ‘Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?’” (Mc 4,38-40).

A cena é muito propícia para representar a tremenda tempestade pela qual a Igreja está passando neste momento, mas com uma diferença substancial: o sucessor de Pedro não apenas falha em ver que o Senhor está no pleno controle barca; parece que ele não tem sequer a intenção de acordar Jesus adormecido na proa.

Será que Cristo se tornou invisível para o seu vigário? Será que ele está sendo tentado a agir como substituto do nosso único Mestre e Senhor?

O Senhor tem o pleno controle da barca!

Possa Cristo, a Verdade, ser sempre a luz de nosso caminho!

+ Carlo Maria Viganò

Arcebispo Titular de Ulpiana

Núncio Apostólico

29 de setembro de 2018

Festa de São Miguel Arcanjo

20 setembro, 2018

Igreja e homens de Igreja.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 12 de setembro de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com:  A corajosa denúncia dos escândalos eclesiásticos feita pelo arcebispo Carlo Maria Viganò suscitou a aprovação de muitos, mas também a desaprovação de alguns, convencidos de que se deve cobrir de silêncio tudo aquilo que desacredite os representantes da Igreja.

Esse desejo de proteger a Igreja é compreensível quando o escândalo é uma exceção. Pois em tal caso há o risco de generalizar, atribuindo a todos o comportamento de alguns. Diferente é quando a imoralidade constitui a regra, ou pelo menos um modo de vida generalizado e aceito como normal.

Neste caso, a denúncia pública é o primeiro passo para a necessária reforma dos costumes. Quebrar o silêncio faz parte dos deveres do pastor, como adverte São Gregório Magno: “O que representa, com efeito, para um pastor o ter medo de dizer a verdade senão virar as costas ao inimigo com o seu silêncio? Se em vez disso ele luta pela defesa do rebanho, ele constrói um baluarte contra os inimigos para a casa de Israel. É por isso que o Senhor adverte pelos lábios de Isaías: ‘Clama em alta voz, sem constrangimento; faze soar a tua voz como o trompete’ (Is 58, 1).”

Nas origens de um silêncio culposo há muitas vezes uma falha em distinguir entre a Igreja e os homens da Igreja, sejam estes simples fiéis, bispos, cardeais ou papas. Uma das razões para essa confusão é precisamente a eminência das autoridades envolvidas nos escândalos.

Quanto maior a sua dignidade, mais se tende a identificá-los com a Igreja, atribuindo o bem e o mal indiferentemente a eles e a Ela. Na realidade, o bem pertence somente à Igreja, enquanto todo o mal se deve apenas aos homens que a representam.

É por isso que a Igreja não pode ser chamada de pecadora.  “Ela – escreve o padre Roger T. Calmel O.P. (1920-1998) – pede perdão ao Senhor não por pecados que Ela teria cometido, mas pelos pecados que cometemos seus filhos, na medida em que não a ouvimos como Mãe” (Breve apologia da Igreja de sempre, Editora Ichtys, Albano Laziale 2007, p. 91).

Todos os membros da Igreja, tanto os da esfera docente como os da discente, são homens cuja natureza foi ferida pelo pecado original. Nem o batismo torna os fiéis impecáveis, nem a Ordem sagrada torna tais os membros da Hierarquia. Até mesmo o Sumo Pontífice pode pecar e errar, exceto quando faz uso do carisma da infalibilidade.

Devemos também lembrar que não foram os fiéis que constituíram a Igreja, como acontece nas sociedades humanas, criadas pelos membros que as compõem, e que se dissolvem quando esses se separam.

Dizer “Nós somos Igreja” [n.d.t.: nome de um movimento internacional que visa democratizar a Igreja] é falso, porque a pertencença dos batizados à Igreja não deriva de sua vontade: é o próprio Cristo que convida a fazer parte do seu rebanho, repetindo a todos: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi” (Jo 15, 16). A Igreja fundada por Jesus Cristo tem uma constituição humano-divina: humana, porque possui um componente natural e receptivo, composto por todos os fiéis, sejam eles membros do clero ou do laicato; e outro sobrenatural e divino, por sua alma.

Jesus Cristo, sua Cabeça, é o seu fundamento, enquanto o Espírito Santo é o seu propulsor sobrenatural. Assim, a Igreja não é santa por causa da santidade de seus membros, mas seus membros é que são santificados por Jesus Cristo, que A dirige, e pelo Espírito Santo, que lhe dá vida. Portanto, atribuir alguma culpa à Igreja é o mesmo que atribuí-la a Jesus Cristo e ao Espírito Santo. Deles procede todo o bem, ou seja, “tudo que é verdadeiro, tudo que é nobre, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, tudo que é virtuoso e louvável” (Fil.4, 8), e dos homens da Igreja procede todo o mal: desordens, escândalos, abusos, violência, torpezas, sacrilégios.

 “Portanto – escreve o teólogo passionista Enrico Zoffoli (1915-1996), que dedicou algumas belas páginas a este tema –, não temos nenhum interesse em encobrir as faltas dos maus cristãos, padres indignos, pastores covardes, ineptos, desonestos e arrogantes. Ingênua e inútil seria a intenção de defender sua causa, atenuar sua responsabilidade, reduzir as consequências de seus erros, recorrer a contextos históricos e situações singulares para depois tudo explicar e tudo absolver” (Igreja e homens de Igreja, Edições Segno, Udine 1994, p.41).

Existe hoje uma grande sujeira na Igreja, como disse o então cardeal Ratzinger na Via Crucis da Sexta-feira Santa de 2005, que precedeu a sua ascensão ao pontificado. “Quão pouca fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele! (Jesus)”

O testemunho de Mons. Carlo Maria Viganò é meritório porque, trazendo à luz essa sujeira, torna mais urgente o trabalho de purificação da Igreja. Deve ficar claro que a conduta de bispos ou padres indignos não se inspira nos dogmas ou na moral da Igreja, antes ela trai uns e outra, porque representa uma negação da lei do Evangelho.

O mundo que atribui à Igreja as culpas desses clérigos acusa-a de transgredir a ordem moral. Mas em nome de que lei e de que doutrina pretende o mundo colocar a Igreja no banco dos réus? A filosofia de vida professada pelo mundo moderno é o relativismo, que não reconhece verdades absolutas e sustenta que a única lei do homem é ser isento de leis. A consequência prática é o hedonismo, segundo o qual a única forma possível de felicidade é a fruição do próprio prazer e a satisfação dos instintos. Como pode um mundo desprovido assim de princípios, pretender julgar e condenar a Igreja? A Igreja é que tem o direito e o dever de julgar o mundo, porque possui uma doutrina absoluta e imutável.

O mundo moderno, filho dos princípios da Revolução Francesa, desenvolve com coerência as ideias do famoso libertino, o Marquês de Sade (1740-1814): amor livre, blasfêmia livre, liberdade para negar e destruir qualquer bastião da fé e da moral como nos dias da Revolução Francesa foi destruída a Bastilha onde Sade tinha estado preso. O resultado de tudo isso foi a dissolução da moral, que destruiu os fundamentos da convivência civil e tornou os últimos dois séculos a época mais sombria da História.

A vida da Igreja é também a história de traições, de deserções, de apostasias, de falta de correspondência à graça divina. Mas esta trágica fraqueza vai sempre acompanhada de uma extraordinária fidelidade: as quedas, mesmo as mais assustadoras, de muitos membros da Igreja, estão entrelaçadas com o heroísmo da virtude de muitos outros de seus filhos.

Um rio de santidade flui do lado de Cristo e corre luxuriante ao longo dos séculos: são os mártires que enfrentam as feras do Coliseu; são os eremitas que deixam o mundo para levar uma vida de penitência; são os missionários que vão até os confins da terra; são os intrépidos confessores da fé que combatem cismas e heresias; são os religiosos contemplativos que sustentam com sua oração os defensores da Igreja e da Civilização Cristã; são todos aqueles que, de diferentes maneiras, conformaram as suas vidas à vida divina. Santa Teresa do Menino Jesus queria reunir todas essas vocações em um único e supremo ato de amor a Deus.

Os santos são diferentes uns dos outros, mas o que há de comum em todos eles é a união com Deus: e essa união, que nunca diminui no Corpo Místico de Cristo, faz com que a Igreja, antes mesmo de ser una, católica e apostólica, seja acima de tudo perfeitamente santa. A santidade da Igreja não depende da santidade de seus filhos: é ontológica, porque está ligada à sua própria natureza. Para que a Igreja possa ser chamada de santa, não é necessário que todos os seus filhos vivam santamente: basta que, graças ao fluxo vital do Espírito Santo, uma parte deles, ainda que pequena, permaneça heroicamente fiel à lei do Evangelho em tempos de provação.

14 setembro, 2018

Porque eu acuso o Papa.

Por Padre Kevin M. Cusick*,  3 de setembro de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com

Por muitos anos e até hoje, tornou-se bastante comum os padres serem tratados como se não tivessem consciência. Muitos foram levados a corromper os sacramentos sem o seu consentimento e agora estão sendo levados a agir assim exatamente por quem se encontra no topo da Igreja.

Há algum tempo, quando eu servia como capelão da Marinha Americana na Flórida, uma mulher veio até a capela com uma criança para solicitar o batismo. Sua visita causou uma das maiores crises na minha carreira naval e talvez até do meu sacerdócio. É aquela velha história: um adulto quer o batismo de uma criança, mas o adulto não frequenta a missa, o adulto está em pecado mortal, escandalizando a criança ou os filhos, assim como também não consegue criá-los na fé. O adulto precisa retornar primeiro à missa dominical regular e em seguida à confissão.

Estabelecer uma razoável esperança de que uma criança será educada na fé,  algo que a Igreja exige para o batismo infantil, sempre foi entendido por mim como significando que, no mínimo, a criança deveria ser educada na fé e capacitada a praticar sua fé, pelo menos participando da missa dominical, dependendo, é claro, da ajuda de um adulto para ir à missa até que ela tenha idade ou capacidade suficiente para ir sozinha.

Por compaixão em tais situações, a maioria dos sacerdotes provavelmente, como eu fiz, começa com uma explicação sutil que leve à conclusão de que o Batismo tem o propósito de nos levar para o Céu, vamos para o Céu cooperando com a graça do batismo e amando a Deus. Nós amamos a Deus, guardando os Mandamentos, incluindo aí a santificação do Dia do Senhor através da Missa, e não podemos razoavelmente presumir que estamos indo para o Céu, se optamos por não fazê-lo de livre e espontânea vontade. Eu geralmente também ofereço a informação de que um motivo grave o desculparia da obrigação grave de cumprir o Terceiro Mandamento e ainda pergunto ao adulto se ele ou ela realmente omitiu comparecer à Missa por tal razão.

Bem, ela saiu do meu escritório e apresentou uma queixa contra mim. A conversa que correu em seguida é que o arcebispo militar iria retirar-me do meu posto. O motivo teria sido que ele foi levado a acreditar que eu disse à mulher que “ela estava indo para o Inferno, na frente de sua filha de seis anos”. Não importava que fosse mentira. Se um capelão militar perde o aval do Arcebispo, ele está fora de serviço em 24 horas: sem aposentadoria, todos os seus anos de serviço ativo perdidos. Desastre total.

O chefe dos capelães da Marinha na época convenceu então ao arcebispo a investigar o assunto com a ajuda de um outro capelão que se reunia comigo e discutia a acusação. Assim foi feito, e eu disse a ele que nunca havia dito essas palavras para a mulher e, de fato, nunca as dissera a ninguém. Como é que eu vou saber para onde alguém vai depois que eles morrem? Impossível para qualquer um, incluindo um padre! É simplesmente irracional.

Mas também, como escreveria mais tarde numa carta ao arcebispo, considero tal comportamento um abuso pastoral. Se eu tivesse realmente feito tal coisa, deveria ser tratado com a maior severidade.

O arcebispo também disse que aquele episódio tinha sido  “a gota d’água”,  porque houve outras reclamações contra mim anteriormente. Em minha defesa, dei a entender que ninguém da arquidiocese jamais havia me informado que esse era o caso. A história terminou comigo dando um fim ao meu período de serviço ativo, depois de me afiliar à Reserva e me aposentar no ano passado. Incólume.

É verdade que eu me tornei conhecido por pregar sobre a Humanae Vitae e outros “tópicos tabus” e, por outro lado, por perturbar o “carrinho de maçãs” cuidadosamente equilibrado no mundo do capelão católico na época, e depois teria adquirido fama em outros lugares como sendo um “tanque” para clérigos errantes. O capelão sênior intercedendo a meu favor ofereceu então uma solução dizendo: “batize todos eles”. Mas isso não é o que a Igreja diz. E é aí que entra a consciência do padre. A Igreja diz que o sacerdote deve estabelecer uma esperança razoável de que a criança será criada na fé. O padre deve averiguar os fatos e, se tal não for o caso, trabalhar nessa intenção. Mas ele não pode fazer isso sem a cooperação dos pais. Ele deve seguir sua consciência e negar o Batismo se os pais rejeitarem a fé por recusar a praticá-la.

A corrupção dos sacramentos é a maior ameaça para os fiéis que estão sentados nos bancos da Igreja. Sim, eles lutarão com unhas e dentes para tentar obter a graça sob falsas circunstâncias, mas os sacerdotes e fiéis católicos devem se esforçar com todas as forças para dar-lhes a salvação com base no amor verdadeiro. Os sacerdotes muitas vezes se tornam máquinas irracionais de dispensar sacramentos de qualquer jeito,  como se fossem máquinas de dispensar doces que se encontra em todo canto.

A carta do arcebispo Viganò, que atualmente está causando um furor no mundo católico, é simplesmente a gota d’água que fez o copo entornar para o lado do papa Francisco. Temos sido constantemente submetidos a mais e mais abusos dos sacramentos, enquanto os fiéis permanecem como sapos dentro da água que começa a ferver.

Logicamente, existe uma distância curta entre a corrupção da Comunhão, como por exemplo, dando o Senhor sacramentalmente a fornicadores ou adúlteros, como sugere a Amoris Laetitia, e a permissão para que um cardeal predador homossexual volte à circulação depois que o papa anterior tentou proteger os fiéis censurando-o. Isto é o que parece ter sido feito por Francisco no caso do ex-cardeal Theodore McCarrick, com pleno conhecimento de seus crimes. Independentemente disso, Francisco é o Papa e, como tal, é seu trabalho saber. Eu escolho acreditar no Arcebispo Viganò quando ele escreve que deu ao papa todas as oportunidades para tomar conhecimento dos crimes de McCarrick antes de colocá-lo de novo na ativa.

Estes são abusos pastorais: o silêncio quando falar dissiparia a confusão. Propagar o erro em vez da doutrina católica. Restaurar o clero reprovado e censurado de volta à boa reputação e a nomeação de bispos e cardeais pró-homossexualistas para os grandes eventos.

Todos os sacerdotes têm consciência, assim como todo fiel católico, e também têm o direito e o dever de falar. A todos os nossos sacerdotes, eu suplico: você deve ao seu rebanho a coragem e liderança clara.  Não permaneça mais em silêncio. Forme e siga suas consciências. Recuse-se a corromper os sacramentos e a trair as almas, pois nós, que somos sacerdotes, estaremos traindo nossa própria salvação se assim o fizermos.

Precisamos parar de mentir para nós mesmos: o testemunho Viganò é apenas a gota d’água. A evidência existe e é abundante. Culpado como acusado. Qualquer pessoa sensata esperaria que um padre ou bispo que abusasse tanto de seu rebanho fosse deposto.

O Papa Francisco continua seu curso de destruição através de nomeações episcopais desastrosas para Newark, Chicago e San Diego, feitas com prelados à sua imagem e que zombam de nossa inteligência com sua tagarelice sem sentido e ideologia pró-homossexualista. Se não deixamos falar nossas consciências, estaremos comprometendo nossa própria salvação, assim como também a daqueles que traímos com o nosso silêncio.

* Padre Kevin M. Cusick é Capelão militar, exerce seu ministério atualmente em Washington, EUA, palco da crise atual envolvendo as denúncias de Mons. Viganò contra o Cardeal Arcebispo Wuerl e o Papa Francisco.

Obrigado por ler e louvado seja Jesus Cristo, agora e para sempre.

13 setembro, 2018

Até os “franciscólatras” reconhecem.

Papa Francisco precisa dar uma resposta melhor às duvidosas acusações de Viganò

IHU – É difícil saber o que pensar sobre a bomba lançada pelo arcebispo Carlo Maria Viganò, a carta de domingo (26 de agosto) pedindo que o papa Francisco renunciasseViganò, ex-núncio do Vaticano nos Estados Unidos, afirma na carta que o papa Francisco sabia que o cardeal Theodore McCarrick havia abusado seminaristas quando este último era bispo em Nova Jersey, mas não puniu o cardeal.

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11 setembro, 2018

O Arcebispo Viganò será punido por ter dito a verdade?

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 05 de setembro 2018 | Tradução: FratresInUnum.com – O arcebispo Carlo Maria Viganò, que revelou a existência de uma rede de corrupção no Vaticano, pondo em dúvida os responsáveis, a começar pelas autoridades eclesiásticas supremas, será punido por dizer a verdade? O Papa Francisco está examinando tal possibilidade – a ser verdade, conforme confirmaram várias fontes –, tendo consultado o cardeal Francesco Coccopalmerio e alguns outros canonistas, para estudar as possíveis sanções canônicas a serem infligidas contra o arcebispo, começando por sua suspensão a divinis.

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Cardeal Coccopalmerio

Se a notícia for confirmada, seria de extrema gravidade e até um pouco surreal, porquanto o “expert” convocado para sancionar Mons. Viganò seria o cardeal Coccopalmerio, acusado pelo ex-núncio nos Estados Unidos de fazer parte do “lobby homossexual” que domina o Vaticano.

Não podemos nos esquecer, além disso, que o secretário do referido cardeal, Mons. Luigi Capozzi, está envolvido em um caso de orgias homossexuais, no qual a posição de seu superior ainda precisa ser esclarecida. Mas o problema de fundo naturalmente é outro. A Igreja Católica, como uma sociedade visível, tem um Direito penal, que é o direito que Ela possui para punir os fiéis que violarem a sua lei.

A este respeito, cumpre distinguir entre pecado e crime. O pecado diz respeito a uma violação da ordem moral, enquanto o crime é uma transgressão da lei canônica da Igreja, que é naturalmente diferente da lei civil dos Estados.

Todos os crimes são habitualmente pecados, mas nem todos os pecados são crimes. Há crimes comuns à legislação civil e canônica, como o crime de pedofilia, mas outros crimes são atinentes apenas ao Direito canônico, e não ao Direito penal dos Estados.

A homossexualidade e o concubinato, por exemplo, não são considerados crimes pela maioria dos Estados contemporâneos, mas permanecem crimes graves para os membros do clero que neles incorrem, os quais são, como tais, sancionados pelo Direito canônico. De fato, o crime não é toda ação externa que viola uma lei, mas apenas aquelas violações da lei para as quais é prevista uma sanção, segundo o princípio da nullum crimen, nulla pena sine lege.

O Código de Direito Canônico – como recordou recentemente o padre Giovanni Scalese em seu blog Antiquo Robore – considera crime não somente o abuso contra os menores, mas também outros pecados contra o sexto mandamento, como o concubinato e situações escandalosas, que incluem a homossexualidade (Cânone 395 do Novo Código).

Essas distinções não parecem claras ao Papa Francisco, que proclama “tolerância zero” para os crimes da legislação civil, como a pedofilia, mas invoca o “perdão” e a misericórdia para os “pecados da juventude”, como a prática homossexual, esquecendo que este crime está incluído na legislação penal da Igreja. Além de, logo após, ele cair em contradição: as leis da Igreja são invocadas não para punir o clero imoral, mas quem denuncia a imoralidade do clero, como corre o risco de contecer no caso de Mons. Carlo Maria Viganò, que em seu testemunho nada fez senão agir na linha dos reformadores da Igreja, de São Pedro Damião a São Bernardino de Sena, grandes fustigadores da sodomia.

Qual é a razão da punição canônica que se desejaria aplicar ao corajoso arcebispo? Como na fábula de Fedro, o Papa Francisco poderia responder: “Não preciso dar razões; eu o castigo quia nominor leo, porque sou o mais forte.”

Mas quando a autoridade não é exercida para servir à verdade, ela se torna abuso de poder, e a vítima desse abuso ganha um poder moral que ninguém lhe pode arrebatar: o poder da Verdade. Neste momento trágico da vida da Igreja, a primeira coisa que não apenas os católicos, mas a opinião pública de todo o mundo pedem aos clérigos, é de “viver sem mentiras”, para usar o famoso dito de Soljenítsin. O tempo das ditaduras socialistas acabou e a verdade está destinada a prevalecer.

1 setembro, 2018

Viganò foragido diz: “Eu não sou o corvo”. Eu quero apenas a verdade.

Nota do editor de 1Peter5: A entrevista a seguir é entre o arcebispo Carlo Maria Viganò, agora mundialmente famoso por seu testemunho explosivo, e Aldo Maria Valli, o repórter com quem Viganò originalmente planejou a publicação de suas alegações contra o Papa Francisco e vários cardeais do Vaticano. Para os detalhes da aventura de como o relatório do arcebispo Viganò veio a se concretizar, clique aqui. [No FratresInUnum.com, aqui

Por OnePeterFive | Tradução: Paulo Frade – FratresInUnum.com

Monsenhor, como está o senhor?

Graças a Deus, eu estou indo muito bem, com grande serenidade e paz em minha consciência – esta é a recompensa da verdade. A luz sempre conquista a escuridão. Não pode ser suprimida, especialmente para quem tem fé. Portanto, tenho muita fé e esperança pela Igreja.

Como o senhor julga as várias reações à publicação do seu testemunho?

Como você sabe, as reações são contraditórias. Há aqueles que não conseguem parar de procurar lugares para extrair veneno para destruir minha credibilidade. Alguém até escreveu que eu fui hospitalizado duas vezes com tratamento compulsório (TSO) por uso de drogas. Existem aqueles que acreditam em conspirações, enredos políticos, tramas de todo tipo, etc., mas há também muitos artigos de apreciação, e eu tive a chance de ver mensagens de padres e pessoas fiéis que estão me agradecendo, porque meu testemunho tem sido para eles, um vislumbre de nova esperança para a Igreja.

Qual é a sua resposta àqueles que nessas horas estão objetando que você deve ter motivos de rancor pessoal contra o papa, e que é por essa razão que o senhor decidiu escrever e circular seu testemunho? 

Talvez porque eu seja ingênuo e acostumado a sempre pensar bem das pessoas – mas acima de tudo eu reconheço que este é de fato um presente que o Senhor me deu – eu nunca tive sentimentos de vingança ou rancor em todos esses anos quando fui colocado à prova por tantas calúnias e falsidades faladas contra mim. Como escrevi no início do meu testemunho, sempre acreditei que a hierarquia da Igreja deveria ter encontrado em si os recursos necessários para sanar toda a corrupção. Também escrevi isso em minha carta aos três cardeais designados pelo papa Bento XVI para investigar o caso do Vatileaks, uma carta que acompanhava o relatório que os dei. “Muitos de vocês” – escrevi – “sabiam, mas vocês permaneceram em silêncio. Ao menos agora que vocês receberam essa designação de Bento XVI, tenham a coragem de relatar com exatidão o que foi revelado a vocês sobre tantas situações de corrupção ”.

Por que o senhor decidiu publicar e divulgar seu testemunho? 

Falei porque agora, mais do que nunca, a corrupção se espalhou para os níveis mais altos da hierarquia da Igreja. Pergunto aos jornalistas: por que eles não estão perguntando o que aconteceu com o acervo de documentos que, como vimos, foram entregues em Castel Gandolfo ao papa Francisco do Papa Bento XVI? Isso foi tudo inútil? Teria sido suficiente ler o meu relatório e a transcrição que foi feita do meu depoimento perante os três cardeais encarregados da investigação do caso Vatileaks (Julian Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi), a fim de começar a fazer uma limpeza na Cúria. Mas você sabe o que o Cardeal Herranz me disse quando o chamei de Washington, preocupado que tanto tempo havia passado desde que a comissão de investigação foi nomeada pelo papa Bento XVI e ainda ninguém havia me contatado? Nós estávamos conversando juntos, e eu disse a ele: “Você não acha que talvez eu também tenha algo a dizer sobre minhas cartas, que foram publicadas sem o meu conhecimento?” Ele respondeu para mim: “Ah, se você realmente quer.”

Como o senhor responderia àqueles que estão dizendo que você é um “corvo” ou um dos “corvos” na origem do caso do Vatileaks?

Eu sou um corvo? Como você viu com meu testemunho, costumo fazer coisas à luz do dia! Na época, eu estava em Washington e definitivamente tinha outras coisas para me ocupar. Por outro lado, sempre foi meu hábito mergulhar completamente em minha nova missão. Foi o que fiz quando fui enviado para a Nigéria: não lia mais as notícias italianas – tanto é que, depois de seis anos, quando fui chamado para trabalhar na Secretaria de Estado por São João Paulo II, levei vários meses para me reorientar, apesar de já ter trabalhado na Secretaria de Estado por onze anos, de 1978 a 1989.

Como responderia àqueles que afirmam que o senhor foi expulso da Governadoria e que, por causa disso, você teria sentimentos de rancor e vingança?

Como já disse, o rancor e a vingança não são sentimentos que eu tenho. Minha oposição em deixar meu posto na Governadoria foi motivada por um profundo sentimento de injustiça de uma decisão que eu sabia não corresponder à vontade do Papa Bento XVI, da qual ele próprio me havia dito. Para me expulsar, o cardeal Bertone havia cometido uma série de graves abusos de sua autoridade: dissolvera a primeira comissão de três cardeais nomeada pelo papa Bento XVI para investigar as graves acusações feitas por mim como secretário-geral e pelo vice-secretário-geral, monsenhor Giorgio Corbellini, sobre os abusos cometidos pelo monsenhor Paolo Nicolini; em lugar desta comissão de cardeais, ele criou uma comissão disciplinar, alterando em sua constituição a comissão institucional da Governadoria; Ainda antes de criar essa comissão, ele havia me chamado para me dizer que o Santo Padre havia me nomeado núncio de Washington. Não obstante o fato de a comissão disciplinar ter decidido, em 16 de julho de 2011, demitir o monsenhor Paolo Nicolini, ele anulou de maneira abusiva essa decisão e impediu que ela fosse publicada. Ao fazer isso, ele me impediu de continuar o trabalho de sanar a corrupção presente na administração da Governadoria.

Como responderia àqueles que falam de sua “fixação” em se tornar um cardeal e que afirmam que você está atacando o papa porque não recebeu essa honra?

Posso afirmar com toda a sinceridade perante Deus que rejeitei a oportunidade de me tornar cardeal. Depois da minha primeira carta ao Cardeal Bertone, que enviei ao Papa Bento XVI para que ele pudesse fazer o que bem entendesse, o Papa Bento XVI me convocou e me recebeu em uma audiência em 4 de abril de 2011 e imediatamente me disse estas palavras: “Acredito que a tarefa em que você pode servir melhor a Santa Sé é como presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos, em lugar do cardeal Velasio De Paolis. Agradeci ao papa pela confiança que ele me mostrara, e acrescentei: Santo Padre, por que você não espera seis meses ou um ano? Porque, se você me promover agora, a equipe que teve fé em mim e trabalhou para remediar a situação na Governadoria será imediatamente dispersa e perseguida (como de fato aconteceu). Eu também adicionei outro argumento. Dado que o cardeal De Paolis havia sido nomeado apenas recentemente para lidar com a situação delicada dos Legionários de Cristo (o cardeal De Paolis havia me consultado antes de aceitar essa designação), eu disse ao papa que seria melhor se ele continuasse a ter uma posição institucional que lhe daria maior autoridade como pessoa como também com o seu trabalho com os Legionários. No final da audiência, o Papa Bento XVI disse-me mais uma vez: “No entanto, continuo achando que a posição em que melhor pode servir a Santa Sé é como presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos”. O Cardeal Re pode confirmar esta história. Assim, renunciei a ser cardeal para o bem da Igreja.

E àqueles que envolvem sua família nesse assunto falando da “saga” sob a bandeira de ter grandes interesses econômicos?

Em 20 de março de 2013, meus irmãos haviam preparado uma declaração para a imprensa, cuja publicação eu me opunha para evitar envolver toda a família. Como a acusação do meu irmão Lorenzo agora está sendo repetida – isto é, que menti ao Papa Bento XVI escrevendo-lhe pedindo licença para cuidar do meu irmão doente – decidi tornar público este comunicado. Ao lê-lo, fica evidente que senti uma séria responsabilidade moral de cuidar e proteger meu irmão. (Quem estiver interessado em se aprofundar neste último ponto pode ler aqui o texto do comunicado, que foi redigido em março de 2013 por vários dos irmãos de Viganò em sua defesa.) Esta entrevista foi traduzida por Giuseppe Pellegrino. O italiano original pode ser encontrado no site do Aldo Maria Valli.

26 agosto, 2018

Bombástico! Antigo núncio nos EUA: “Papa Francisco sabia de tudo. Ele deve renunciar”.

Por Rorate Caeli, 26 de agosto de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com


“Il papa si deve dimittere.” — O Papa deve se demitir,

São essas as palavras explosivas do antigo núncio apostólico (embaixador papal) nos Estados Unidos, de 2011 a 2016, o Arcebispo Carlo Maria Viganò.

Sua entrevista segue a publicação de seu explosivo testemunho escrito (leia íntegra aqui – tradução para o português sendo providenciada, se leitores puderem nos ajudar, enviem a tradução para fratresinunum@gmail.com) sobre como a máfia homossexual governa o Vaticano e ocupa os postos mais importantes nos EUA. Ela também trata de como Bento XVI tentou punir o ex-Cardeal McCarrick — e como o Papa Francisco, e o Cardeal Wuerl, embora cientes das sanções e razões, promoveram-no e honraram-no.

A passagem mais grave é a seguinte:

“Minha consciência exige que também revele fatos que experimentei pessoalmente, a respeito do Papa Francisco, que possuem dramático significado, que, como bispo, compartilhando a responsabilidade colegial por todos os bispos na Igreja universal, não me permitem ficar em silêncio, e eu declaro aqui, pronto a reafirmar tudo sob juramento, tomando a Deus como minha testemunha.

 

Nos últimos meses de seu pontificado, Bento XVI convocou um encontro de todos os núncios apostólicos em Roma, como Paulo VI e S. João Paulo II fizeram em diversas ocasiões. A data definida para a audiência com o Papa era sexta-feira, 21 de junho de 2013. O Papa Francisco manteve este compromisso marcado por seu predecessor. Claro, eu também vim a Roma, de Washington. Era meu primeiro encontro com o novo papa, eleito há apenas três meses, após a renúncia do Papa Bento.

Na manhã de quinta-feira, 20 de junho de 2013, fui à Casa Santa Marta para me juntar a meus colegas que estavam se hospedando lá. Tão logo adentrei o saguão, encontrei o Cardeal McCarrick, que vestia sua batina púrpura. Cumprimentei-o respeitosamente, como sempre fiz. Ele imediatamente me disse, em um tom tanto ambíguo como triunfante: “O Papa me recebeu ontem, amanhã irei para a China”.

À época, eu nada sabia acerca da sua longa amizade com o Cardeal Bergoglio e do papel importante que ele teve em sua recente eleição, como McCarrick mesmo revelaria em uma conferência na Villanova University e em uma entrevista ao National Catholic Reporter. Sequer havia pensado no fato de ele ter participado nos encontros preliminares ao conclave, e no papel que ele pôde desempenhar enquanto cardeal eleitor em 2005. Portanto, eu não compreendi imediatamente o significado da mensagem criptografada que McCarrick me comunicou, mas isso se tornaria claro para mim nos dias seguintes.

No dia posterior, ocorreu a audiência com o Papa Francisco. Após o seu discurso, que foi parcialmente lido e parcialmente improvisado, o Papa desejou cumprimentar todos os núncios, um a um. Em uma fila única, lembrei-me que estava entre os últimos. Quando chegou minha vez, somente tive tempo de dizer-lhe: “Sou o núncio nos Estados Unidos”. Ele imediatamente me atacou em um tom de reprovação, usando estas palavras: “Os bispos nos Estados Unidos não devem ser ideologizados! Devem ser pastores!”. Evidentemente, eu não estava em condições de pedir explicações sobre o significado de suas palavras e a maneira agressiva com que ele me repreendeu. Eu tinha em mão um livro em português que o Cardeal O’Malley enviou por mim ao Papa alguns dias antes, dizendo-me “então, ele poderá estudar seu português antes de ir ao Rio para a Jornada Mundial da Juventude”. Entreguei-lhe imediatamente e então me livrei daquela situação extremamente desconcertante e embaraçosa.

Ao fim da audiência, o Papa anunciou: “Àqueles que ainda estiverem em Roma no próximo domingo, convido-os a concelebrar comigo na Casa Santa Marta”. Eu, naturalmente, pensei em ficar para esclarecer, o quanto antes, tudo o que o Papa quis me dizer.

No domingo, 23 de junho, antes da concelebração com o Papa, perguntei a Mons. Ricca, que, como pessoa a cargo da casa, ajudava-nos a nos paramentar, se ele poderia pedir ao Papa para me receber por algum tempo durante a semana seguinte. Como poderia eu retornar a Washington sem esclarecer o que o Papa queria de mim? Ao fim da missa, enquanto o Papa cumprimentava alguns poucos leigos presentes, Mons. Fabian Pedacchio, seu secretário argentino, veio a mim e disse: “O Papa me pediu para perguntar se o senhor está livre agora!”. Naturalmente, respondi que estava à disposição do Papa e que o agradecia por me receber imediatamente. O Papa me levou ao primeiro andar em seu apartamento e disse: “Temos 40 minutos antes do Angelus”.

Iniciei a conversa, perguntando ao Papa o que ele quis me dizer com as palavras que me dirigiu quando o cumprimentei na última sexta-feira. E o Papa, de forma muito diferente, amigavelmente, em um tom quase afetuoso, disse-me: “Sim, os bispos nos Estados Unidos não devem ser ideologizados, não devem ser direitistas como o Arcebispo da Filadélfia (o Papa não me disse o nome do Arcebispo), devem ser pastores; e não devem ser esquerdistas — e ele acrescentou, levantando os dois braços — e, quando digo esquerdista, quero dizer homossexual”. Claro, a lógica da correlação entre ser esquerdista e ser homossexual me escapou, mas não acrescentei nada.

Imediatamente depois, o Papa me perguntou, de forma capciosa: “Como é a vida do Cardeal McCarrick?” Respondi-lhe com total franqueza e, se preferir, com grande ingenuidade:  “Santo Padre, não sei se o senhor conhece o Cardeal McCarrick, mas, se perguntar à Congregação para os Bispos, há um dossiê dessa grossura a respeito dele. Ele corrompeu gerações de seminaristas e padres e o Papa Bento ordenou-lhe que se retirasse para uma vida de oração e penitência”. O Papa não fez o menor comentário sobre essas palavras gravíssimas e não demonstrou nenhuma expressão de surpresa em sua face, como se já soubesse do assunto por algum tempo, e imediatamente mudou de Dtema. Mas, então, qual era o propósito do Papa em me perguntar: “Como é a vida do Cardeal McCarrick?” Ele claramente queria saber se eu era um aliado de McCarrick ou não.

De volta a Washington, tudo ficou muito claro para mim, graças também a um novo fato ocorrido pouco após o meu encontro com o Papa Francisco. Quando o novo bispo Mark Seitz tomou posse na diocese de El Paso, em 9 de julho de 2013, enviei o primeiro conselheiro [da nunciatura], Mons. Jean-François Lantheaume, enquanto fui a Dallas, no mesmo dia, para um encontro internacional sobre bioética. Quando voltei, Mons. Lantheaume disse-me que em El Paso ele encontrara o Cardeal McCarrick que, tomando-lhe de lado, disse-lhe quase as mesmas palavras que o Papa me dissera em Roma: “os bispos nos Estados Unidos não devem ser ideologizados, não devem ser de direita, devem ser pastores…”. Eu estava atônito! Era claro, portanto, que as palavras de repreensão que o Papa Francisco me dirigiu naquele 21 de junho de 2013 foram colocadas em sua boca no dia anterior pelo Cardeal McCarrick. Também a menção do Papa “a não serem como o Arcebispo de Filadélfia” poderia ser traçada a McCarrick, pois houve um duro desentendimento entre os dois a respeito da admissão à Comunhão de políticos pró-aborto. Em sua comunicação com os bispos, McCarrick manipulou a carta do então Cardeal Ratzinger, que proibia administrar-lhes a Comunhão. De fato, eu também sabia como certos Cardeais, como Mahony, Levada e Wuerl, eram muito próxims de McCarrick; eles se opuseram às mais recentes nomeações feitas pelo Papa Bento, para importantes postos como Filadélfia, Baltimore, Denver e São Francisco.

Não satisfeito com a cilada que me armara no dia 23 de junho de 2013, quando me perguntou sobre McCarrick, apenas poucos meses depois, na audiência que me concedeu em 10 de outubro de 2013, o Papa Francisco armou uma outra para mim, dessa vez sobre um outro protegido seu, Cardeal Donald Wuerl. Ele me perguntou: “Como é o Cardeal Wuerl, ele é bom ou ruim?” Respondi: “Santo Padre, não lhe direi se ele é bom ou ruim, mas lhe contarei dois casos”. São os que citei acima, que diz respeito à falta de cuidad pastoral de Wuerl a respeito dos aberrantes desvios da Georgetown University e o convite da Arquidiocese de Washington a jovens aspirantes aos sacerdócio para se encontrarem com o Cardeal McCarrick! Novamente, o Papa não demonstrou nenhuma reação.

Era também claro para mim, desde a eleição do Papa Francisco, que McCarrick, agora livre de todos as restrições, sentiu-se à vontade para viajar continuamente, dar conferências e entrevistas. Em um esforço conjunto com o Cardeal Rodriguez Maradiaga, ele se tornou o “fazedor de reis” para as nomeações na Cúria e nos Estados Unidos, e o conselheiro mais ouvido no Vaticano para as relações com a administração Obama. É isso que explica a substituição do Papa, na Congregação para os Bispos, de Burke por Wuerl, e a nomeação imediata de Cupich após este ser feito cardeal. Com essas nomeações, a Nunciatura em Washington estava era fora de cena no que diz respeito à nomeação de bispos. Além disso, ele nomeou o brasileiro Ilson de Jesus Montanari — um grande amigo de seu secretário pessoal, o argentino Fabian Pedaccio — como Secretário da mesma Congregação para os Bispos e Secretário do Colégio de Cardeais, promovendo-lhe em uma única canetada de simples oficial de departamento a Arcebispo Secretário. Algo sem precedentes para uma posição tão importante! As nomeações de Blase Cupich para Chicago e Joseph W. Tobin para Newark foram orquestradas por McCarrick, Maradiaga e Wuerl, reunidos por um iníquo pacto de abusos pelo primeiro, e ao menos por acobertamentos pelos outros dois. Os nomes dos designados não estavam entre os apresentados pela Nunciatura para Chicago e Newark.

A respeito de Cupich, não se pode deixar de notar sua ostensiva arrogância e a insolência com que ele nega a evidência que agora é óbvia a todos: que 80% dos abusos reconhecidos foram cometidos contra jovens por homossexuais que possuíam relação de autoridade com as vítimas. Durante a conferência que ele deu quando tomou posse da Sé de Chicago, na qual eu estava presente como representante do Papa, Cupich fez um gracejo dizendo que ninguém, certamente, esperasse que o novo arcebispo andasse sobre as águas. Talvez seria suficiente para ele poder manter seus pés no chão e não tentar virar a realidade de cabeça para baixo, cego por sua ideologia pro-gay, como ele afirmou recentemente em uma entrevista para a revista America. Louvando sua própria experiência no assunto, tendo sido Presidente do Comitê para Proteção de Crianças e Jovens da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, ele afirmou que o principal problema da crise de abusos sexuais pelo clero não era a homossexualidade, e que afirmá-lo é só uma forma de desviar a atenção para o problema real, que é o clericalismo. Para confirmar sua tese, Cupich “estranhamente” fez referência aos resultados de uma pesquisa realizada no ápice da crise de abuso de menores, no início dos anos 2000, enquanto ele “candidamente” ignorava que os resultados daquela investigação foram totalmente negados pelas pesquisas independentes feitas pelo John Jay College of Criminal Justice em 2004 e 2011, que concluíram que, nos casos de abuso sexual, 81% das vítimas eram homens. De fato, o Padre Hans Zollner, S.J., Vice-Reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana, Presidente do Centro para a Proteção da Criança e membro da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores, recentemente afirmou ao jornal La Stampa que “na maior parte dos casos trata-se de uma questão de abuso homossexual”. A nomeação de McElroy em San Diego foi orquestrada desde cima, com uma ordem criptografada peremptória para mim, enquanto núncio, feita pelo Cardeal Parolin: “Reserve a Sé de San Diego para McElroy”. McElroy também estava ciente dos abusos de McCarrick, como pode ser visto pela carta enviada a ele por Richard Sipe, em 28 de julho de 2016.

Esses personagens estão proximamente associados com indivíduos pertencentes, em particular, à ala desviada da Sociedade de Jesus, infelizmente, hoje, a maioria, que já havia sido uma causa de séria preocupação a Paulo VI e seus sucessores. Devemos apenas considerar o Padre Robert Drinan, SJ, eleito quatro vezes para a Câmara dos Representantes [parte do Congresso americano], um grande apoiador do aborto; ou Padre Vincent O’Keefe, SJ, um dos principais promotores da The Land O’Lakes Statement de 1967, que seriamente comprometeu a identidade católica das universidades e colégios nos Estados Unidos. Deve-se notar que McCarrick, então presidente da Universidade Católica de Puerto Rico, também participou naquela nefasta iniciativa que foi tão danosa à formação das consciências da juventude americana, muito próximo, como era, da ala desviada dos jesuítas. Padre James Martin, S.J., aclamado pelas pessoas citadas acima, em particular por Cupich, Tobin, Farrell e McElroy, nomeado consultor do Secretariado para as Comunicações, conhecido ativista que promove a agenda LGBT, escolhido para corromper os jovens que em breve estarão se reunindo em Dublin para o Encontro Mundial das Famílias, não é nada mais que um triste e recente exemplo daquela desviada ala da Sociedade de Jesus.

O Papa Francisco repetidamente pediu por total transparência na Igreja e, aos bispos e fiéis, que agissem com parrhesia. Os fiéis por todo o mundo também pedem isso a ele, de maneira exemplar. Ele deve honestamente afirmar quando ele tomou conhecimento dos crimes cometidos por McCarrick, que abusou de sua autoridade sobre seminaristas e padres.

Em todo caso, o Papa soube disso por mim, em 23 de junho de 2013, e continuou a acobertá-lo. Ele não levou em consideração as sanções que o Papa Bento impôs a McCarrick e lhe fez um conselheiro de confiança, juntamente com Maradiaga.

Este último é tão confiante da proteção do Papa que ele pode descartar como “fofoca” o doloroso apelo de diversos de seus seminaristas que tiveram coragem para escrever-lhe, após vários terem tentando suicídio por conta do abuso homossexual no seminário.

Agora, os fiéis compreenderam a estratégia de Maradiaga: insulte as vítimas para se salvar a si mesmo, minta para o amargo fim de acobertar um abismo de abuso de poder, de má gestão na administração dos bens da Igreja, e desastres financeiros mesmo contra amigos próximos, como no caso do Embaixador de Honduras, Alejandro Valladares, ex decano do Corpo Diplomático da Santa Sé.

No caso do ex bispo auxiliar Juan José Pineda, após um artigo publicado no semanário italiano L’Espresso no último mês de fevereiro, Maradiaga afirmou ao jornal Avvenire: “Foi meu bispo auxiliar Pineda que pediu por uma visitação, a fim de ‘limpar’ seu nome após ter sido submetido a tanta calúnia”. Agora, acerca de Pinada, o único fato que foi feito público foi de que sua renúncia foi aceita, fazendo, assim, toda responsabilidade dele e de Maradiaga desaparecer. Em nome da transparência tão louvada pelo Papa, o relatório do Visitador, o bispo argentino Alcides Casaretto, entregue mais de um ano atrás diretamente ao Papa, deveria ser publicado. Finalmente, a recente nomeação como Substituto [da Secretaria de Estado] do Arcebispo Edgar Peña Parra também tem relação com Honduras, isto é, com Maradiaga. De 2003 a 2007, Peña Parra trabalhou como Conselheiro na nunciatura de Tegucigalpa. Como delegado das Representações Pontifícias, eu recebi preocupantes informações a respeito dele.

Em Honduras, um escândalo tão grande como o ocorrido no Chile está para se repetir. O Papa defende o seu homem, o Cardeal Rodriguez Maradiaga, até o fim, como fez com o bispo chileno Juan de la Cruz Barros, que ele mesmo nomeou bispo de Osorno contra o conselho dos bispos chilenos. Primeiro, ele insultou as vítimas de abuso. Depois, somente quando foi forçado pela mídia, e por uma revolta das vítimas e dos fiéis chilenos, ele reconheceu seus erros e pediu desculpas, enquanto afirmava ter sido mal informado, causando uma situação desastrosa para a Igreja no Chila, mas continuando a proteger os dois cardeais chilenos, Errazuriz and Ezzati.

Mesmo no trágico caso de McCarrick, o comportamento do Papa não foi diferente. Ele sabia pelo menos desde 23 de junho de 2013 que McCarrick era um predador em série. Embora soubesse que era um homem corrupto, ele o acobertou até o fim; de fato, ele fez dos conselheiros de McCarrick seus, que, certamente, não foi inspirado por intenções sadias e pelo amor à Igreja. Apenas quando foi forçado pelas denúncias de abusos de menores, novamente por conta da atenção da mídia, ele agiu acerca de McCarrick para salvar sua própria imagem na imprensa.

Agora, nos Estados Unidos, um coro de vozes está se levantando, especialmente dos leigos, e recentemente unidas a de diversos bispos e padres, pedindo que todos aqueles que, por silêncio, acobertaram o comportamento criminoso de McCarrick, ou que se usaram dele para promover suas carreiras e intenções, ambições e poderes na Igreja, renunciem

Mas isso não será suficiente para curar uma situação de comportamento imoral extremamente grave pelo clero: bispos e padres. Um tempo de conversão e penitência deve ser proclamado. A virtude da castidade deve ser redescoberta no clero e nos seminários. A corrupção no mau uso dos recursos da Igreja e das ofertas dos fiéis deve ser combatida. A gravidade do comportamento homossexual deve ser denunciada. As redes homossexuais presentes na Igreja devem ser erradicadas, como Janet Smith, Professor de Teologia Moral no Seminário Maior do Sagrado Coração em Detroit, recentemente escreveu: “O problema do abuso do clero não pode ser simplesmente resolvido pela renúncia de alguns bispos, e menos ainda com diretrizes burocráticas. O problema mais profundo está nas redes homossexuais dentro do clero que devem ser erradicadas”. Essas redes homossexuais, agora difundidas em muitas dioceses, seminários, ordens religiosas, etc, agem sob a ocultação de segredos e mentiras com o poder de tentáculos de um polvo, e estrangulam vítimas inocentes e vocações sacerdotais, e estão estrangulando a Igreja inteira. Eu imploro a todos, especialmente aos bispos, que levantem suas vozes a fim de abater essa conspiração de silêncio que está tão disseminada, e a relatar os casos de abuso que souberem à mídia e às autoridades civis.

* * *

Francisco não deveriam estar se exibindo agora em Dublin: deveria estar assinando sua carta de renúncia. Ele se demonstrou absolutamente comprometido com a máfia pecaminosa que, liderada por conhecidos promotores do homossexualismo, tais como Dannels e posteriormente aderida por Bertone, elegeram-no. A presença de Bergoglio no topo da Igreja é uma indelével marca de vergonha e desonra.

Indelével, mas não inconsertável: Fora agora!
7 fevereiro, 2012

Ocaso sem glória para o Cardeal Bertone.

O vazamento de cartas acusatórias. A malsucedida operação do San Raffaele. O Secretário de Estado está cada vez mais solitário, na cúria que não governa e com um Papa a quem não ajuda.

por Sandro Magister, L’Espresso nº 6 de 2012 | Tradução: Fratres in Unum.com

Roma, 2 de fevereiro de 2012 – No Vaticano não marcham os “indignados”, mas se combate a golpes de documentos. No sábado, 28 de janeiro, o conselho de ministros da cúria romana, na presença do Papa, dedicou uma parte de sua reunião a estudar como colocar uma barreira ao vazamento de documentos. Haviam passado somente três dias desde a última e clamorosa fuga: um maço de cartas confidenciais escritas a Bento XVI e ao Cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, pelo então secretário do Governatorato da Cidade do Vaticano, hoje núncio em Washington, o arcebispo Carlo Maria Viganò.

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