Posts tagged ‘Monsenhor Carlo Maria Viganò’

13 outubro, 2020

Exclusivo: Dom Viganò escreve a Frei Tiago de São José.

Armatura fortis pugnantium furunt bella,  

tende praesidium scapularis.  

5 de Agosto de 2020 Dedicação de Nossa Senhora das Neves  

Caro e reverendo Padre Tiago, 

Recebi a Sua Carta, na qual me inteirei dos acontecimentos a respeito da Sua comunidade e da  perseguição que Ela e Seus confrades foram objeto. 

Embora desconcertado ao tomar conhecimento da atitude de tantos Bispos, me consola saber que, ao menos alguns lhes ajudaram no limite da própria possibilidade. Creio que tudo o que a vossa comunidade passou seja o “enésimo caso” de uma longa série, que começou há setenta anos e hoje chegou ao ápice. A fidelidade à Igreja e à Regra carmelitana são motivos suficientes para  desencadear a fúria do inferno e de quantos, sobre esta terra, servem o Inimigo. 

Devo recordar-lhes, se não fosse supérfluo, que essas provações são um sinal da benção de Deus e  do fato que estais no bom caminho: se tivésseis encontrado a aprovação e o encorajamento dos  Prelados heréticos ou viciosos, deveríeis colocar em questionamento a vossa vocação, ou mesmo a vossa conduta moral: virtus in infirmitate perficitur (“a virtude se aperfeiçoa na dificuldade”). As  dificuldades que afligem a vossa comunidade religiosa confirmam a inevitável oposição entre os  filhos da luz e os filhos das trevas, assim como implacável é a luta entre Deus e Satanás. Mesmo se algumas batalhas são perdidas, a vitória da guerra já está assegurada, porque o nosso Rei é  invencível, e a Comandante que nos guia é terribilis ut castrorum acies ordinata (“terrível como um  exército em ordem de batalha”). 

Lamento não ter a possibilidade de fazer-me vosso Protetor, já que não possuo a jurisdição canônica que me permitiria. Creio, no entanto, que, neste momento de gravíssima crise da Igreja, seja  oportuno conformar-se ao que recomenda São Vicente de Lérins: Magnopere curandum est ut id teneatur quod ubique, quod semper, quod ab omnibus creditum est (“A coisa mais importante é guardar a  Fé que sempre e em toda parte, por todos foi acreditada”). Portanto, permaneçam firmes na Fé e não  busquem um reconhecimento canônico que, em tal contexto, é praticamente impossível de obter-se, senão cedendo ao compromisso, seja sobre a doutrina, seja sobre a moral ou sobre a liturgia. 

Colocai-vos com total confiança sob o manto da Regina Decor Carmeli, (“Rainha e formosura do  Carmelo”) e invocai os vossos Santos Fundadores pedindo a paciência na prova, a fortaleza no  testemunho da Fé, o espírito de reparação para implorar ao Céu a conversão dos vossos  perseguidores. Eu Vos asseguro também a minha oração, a lembrança na Santa Missa, confiando, 

da minha parte, em vossas orações. 

A Vós e à vossa comunidade, assim como aos vossos benfeitores, transmito de coração a minha mais larga Benção, desejando-vos as graças e os favores do Céu. 

+ Carlo Maria Viganò, Arcebispo

 

4 outubro, 2020

Dom Viganò sobre nova encíclica “Fratelli tutti”: Dimensão sobrenatural totalmente ausente. Embaraçante a falsificação de São Francisco. Desconcertante o nivelamento com o pensamento único mundialista.

Por Dom Carlo Maria Viganò, 4 de outubro de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com – Uma leitura rápida do texto da encíclica Fratelli tutti nos induziria a crer que ela teria sido escrita por um maçom, não pelo Vigário de Cristo. Tudo que se contém ali é inspirado por um vago deísmo e por um filantropismo que não tem nada de católico: Nonne et ethnici hoc faciunt? “Não fazem também assim os pagãos?” (Mt 5,47).

Macroscópia e decididamente embaraçante a falsificação histórica do encontro de São Francisco com o Sultão: segundo o compilador da Encíclica, o Poverello “não fazia guerra dialética, impondo doutrinas”; na realidade, as palavras de São Francisco que os cronistas reportam são bem diferentes: “Se me queres prometer, em teu nome e do teu povo, que passareis à religião de Cristo se eu sair ileso do fogo, entrarei no fogo sozinho. Se for queimado, que isto venha imputado aos meus pecados; se, ao contrário, o poder divino me fizer sair são e salvo, reconheceres Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus, como verdadeiro Deus e Senhor, Salvador de todos”. 

Dom Viganò

A dimensão sobrenatural é totalmente ausente, assim como é ausente a referência à necessidade de pertença ao Corpo Místico de Cristo, que é a Santa Igreja, para poder conseguir a salvação eterna. Há aí, antes, um gravíssimo enviezamento do conceito de “fraternidade”: para o Católico, ela é possível apenas em Cristo, se houver Deus como Pai mediante o Batismo (Jo 1,12), enquanto que, para Bergoglio, realizar-se-ia apenas pelo fato de pertencer à humanidade.

O conceito católico de “liberdade da Religião” é substituído pelo conceito de “liberdade religiosa” teorizado pelo Concílio Vaticano II, chegando a trocar o direito divino da Igreja à liberdade de culto, de pregação e de governo pelo reconhecimento do direito de propagar-se o erro não apenas em geral, mas até mesmo nas nações cristãs. Os direitos da verdade não podem ser trocados pela concessão de direitos ao erro. A Igreja tem o direito natural à liberdade, enquanto não o têm as falsas religiões.

Desconcerta o nivelamento da Encíclica sobre a narrativa do Covid, confirmando a serventia ao pensamento único e à elite globalista; é assustadora a insistência obsessiva no tema da unidade e da fraternidade universal, bem como a condenação do legítimo direito do Estado de tutelar a própria identidade não apenas de cultura, mas também e sobretudo de Fé. Esta Encíclica constitui o manifestato ideológico de Bergoglio – a sua Professio fidei massonicæ – e a sua candidatura à presidência da Religião Universal, serva da Nova Ordem Mundial. Tanta atestação de subalternidade ao pensamento maisntream poderá valer-se talvez do aplauso dos inimigos de Deus, mas confirma o inexorável abandono da missão evangelizadora da Igreja. Por outro lado, já o temos escutado: O proselitismo “é uma solene estupidez”. 

Bergoglio é um falsificador da realidade. Mente com uma desfaçatez que não tem similares. Por outro lado, o principal especialista em adulterar a verdade é propriamente aquela ditadura chinesa que afirma que a pecadora foi apedrejada por Nosso Senhor (O regime comunista distribuiu nas escolas um livro com alguns episódios tirados de várias religiões, entre os quais o episódio da adúltera apedrejada por Cristo. Uma adulteração completa do texto). Evidentemente, a contiguidade do regime comunista com a igreja bergogliana não se limita ao Acordo, mas inclui também o mesmo modus operandi.

+ Carlo Maria Viganò

21 agosto, 2020

«A persona Papae está em cisma com o Papado» – Mons. Viganò a Weinandy.

Fonte: Dies Irae

Publica-se, a pedido do Arcebispo Carlo Maria Viganò, uma carta que Sua Excelência Reverendíssima enviou, ontem, ao P. Thomas Weinandy, franciscano capuchinho norte-americano, por ocasião do debate iniciado sobre o Concílio Vaticano II.

10 de Agosto de 2020
São Lourenço, mártir

Reverendo Padre Thomas,

Li com atenção o seu ensaio Vatican II and the Work of the Spirit, publicado, a 27 de Julho de 2020, em Inside the Vatican (aqui). Parece-me que o seu pensamento pode ser resumido nestas duas frases:

«Partilho muitas das preocupações expressas e reconheço a validade de algumas problemáticas teológicas e questões doutrinárias enumeradas. Sinto-me, todavia, incomodado em concluir que o Vaticano II seja, de alguma forma, a fonte e a causa directa do actual estado desanimador da Igreja».

Permita-me, Rev. Padre, usar como auctoritas ao responder-lhe a um seu interessante escrito, Pope Francis and Schism, publicado, no passado 8 de Outubro de 2019, em The Catholic Thing (aqui). As suas observações permitem-me evidenciar uma analogia que espero que possa ajudar a esclarecer o meu pensamento e a demonstrar aos nossos leitores que algumas aparentes divergências possam ser resolvidas graças a uma profícua disputatio que tenha como objectivo principal a glória de Deus, a honra da Igreja e a salvação das almas.

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7 julho, 2020

Por que a crítica de Viganò ao Concílio deve ser levada a sério.

Por Peter Kwasniewski, 29 de junho de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com* – O recente “ataque” ao Vaticano II é um “momento de crise” para os tradicionalistas? Estamos indo contra um Concílio legítimo e louvável em vez de direcionar corretamente nossa ira à liderança inepta que o seguiu e o traiu?

Essa tem sido a linha dos conservadores há muito tempo: uma “hermenêutica da continuidade” combinada com fortes críticas às brigadas episcopais e clericais. A implausibilidade dessa abordagem é demonstrada por, entre outros sinais, o sucesso infinitesimal que os conservadores tiveram em reverter as “reformas” desastrosas, tendências, hábitos e instituições estabelecidas na esteira e em nome do último concílio, com aprovação ou tolerância papal. Um paralelo secular vem à lembrança: o terreno árido do “conservadorismo” político americano, no qual qualquer conformidade remanescente das leis humanas e das decisões judiciais com a lei natural está evaporando diante de nossos olhos.

O que o arcebispo Viganò tem dito recentemente com uma franqueza incomum nos sacerdotes de hoje (veja aquiaqui e aqui) é apenas uma nova parte de uma crítica de longa data oferecida pelos católicos tradicionais, do “O concílio de João XXIII” de Michael Davies  e “Iota Unum” de Romano Amerio a “O Concílio Vaticano II: uma história não escrita” de Roberto de Mattei  e o “Phoenix from the Ashes” de Henry Sire. Observamos bispos, conferências episcopais, cardeais e papas construindo um “novo paradigma”, peça por peça, por mais de meio século – uma “nova” fé católica que, na melhor das hipóteses, apenas se sobrepõe parcialmente e, na pior das hipóteses, contradiz a tradicional fé católica como a encontramos expressa nos Padres e Doutores da Igreja, nos concílios anteriores e nas centenas de catecismos tradicionais, sem mencionar os antigos ritos litúrgicos latinos que foram suprimidos e substituídos por ritos radicalmente diferentes.

Tão enorme abismo separa o velho e o novo que não podemos deixar de perguntar sobre o papel desempenhado pelo Concílio Ecuménico Vaticano II no desenrolar de uma história modernista que tem o seu início no final dos anos do século XIX e seu desfecho no presente. A linha de Loisy, Tyrrell e Hügel a Küng, Teilhard e Ratzinger (jovem) a Kasper, Bergoglio e Tagle é bastante reta quando se começa a conectar os pontos. Isso não quer dizer que não haja diferenças interessantes e importantes entre esses homens, mas apenas que eles compartilham princípios que seriam tidos como duvidosos, perigosos ou heréticos por qualquer um dos grandes confessores e teólogos, de Agostinho e Crisóstomo a Tomás de Aquino e Roberto Belarmino.

Temos que abandonar de uma vez por todas a ingenuidade de pensar que a única coisa que importa no Vaticano II são seus textos promulgados. Não. Nesse caso, os progressistas e os tradicionalistas concordam, com razão, que o evento é tão importante quanto os textos (neste ponto, veja o livro incomparável de Roberto de Mattei). A imprecisão dos propósitos para os quais o Concílio foi convocado; a maneira manipuladora como foi conduzido; a maneira consistentemente liberal em que foi implementado, quase sem reclamações do episcopado mundial – nada disso é irrelevante para interpretar o significado e significância dos textos do Concílio, que exibem gêneros novos e ambiguidades perigosas, sem mencionar passagens que têm todos os traços de erro claros, como os ensinamentos sobre os muçulmanos e os cristãos adorarem o mesmo Deus, dos quais o bispo Athanasius Schneider fez uma crítica devastadora em Christus Vincit [i] .

É surpreendente que, nesta fase tardia, ainda houvesse defensores dos documentos do Concílio, quando é claro que eles se prestavam primorosamente ao objetivo de uma total modernização e secularização da Igreja. Mesmo que seu conteúdo fosse inquestionável, sua verbosidade, complexidade e mistura de verdades óbvias com ideias duvidosas forneciam o pretexto perfeito para a revolução. Essa revolução agora está derretida nesses textos, fundida a eles como peças de metal passadas por um forno superaquecido.

Assim, o próprio ato de citar o Vaticano II tornou-se um sinal de que a pessoa deseja se alinhar com tudo o que foi feito pelos papas – sim, pelos papas! – em seu nome. Na vanguarda está a destruição litúrgica, mas exemplos podem ser multiplicados ad nauseam: considere momentos sombrios como as reuniões interreligiosas de Assis, cuja lógica João Paulo II defendeu exclusivamente nos termos de uma série de citações do Vaticano II. O pontificado de Francisco apenas pisou no acelerador.

Sempre é o Vaticano II que é usado para explicar ou justificar todos os desvios e afastamentos da histórica fé dogmática. Tudo isso é pura coincidência – uma série de notáveis interpretações infelizes  e julgamentos desobedientes que uma leitura honesta dos textos poderia dissipar, como o sol brilhando através das nuvens cinzentas?

Não existem coisas boas nos documentos?

Estudei e ensinei os documentos do Concílio, alguns deles inúmeras vezes. Eu os conheço muito bem. Como sou um devoto dos “Grandes Livros” e sempre lecionei para as escolas de Grandes Livros, meus cursos de teologia normalmente começavam com as Escrituras e os Pais da Igreja, depois entramos nos escolásticos (especialmente Santo Tomás) e terminavam com textos magisteriais: encíclicas papais e documentos conciliares.

Muitas vezes senti um aperto no coração quando o curso chegou a um documento do Vaticano II, como Lumen GentiumSacrosanctum ConciliumDignitatis HumanaeUnitatis RedintegratioNostra Aetate ou Gaudium et Spes.

É claro, é claro! – eles têm muito de belo e ortodoxo. Eles nunca teriam conseguido o número necessário de votos se fossem flagrantemente contra o ensino católico.

No entanto, eles também são produtos de comissões extensas, pesadas e inconsistentes, que desnecessariamente complicam muitos assuntos e carecem da clareza cristalina que um concílio deveria alcançar pelo trabalho duro. Tudo o que você precisa fazer é examinar os documentos de Trento ou os sete primeiros concílios ecumênicos para ver exemplos brilhantes desse estilo rigidamente construído, que interrompe a heresia em todos os pontos possíveis, na medida em que os pais do concílio eram capazes naquela conjuntura [ii]. E então há as sentenças no Vaticano II – e não poucas – em que se para e se diz: “Sério? Estou realmente vendo essas palavras na página na minha frente? Que coisa [bagunçada; problemática; próxima ao erro; errônea] a se dizer” [iii].

Eu costumava dizer, com os conservadores, que deveríamos “pegar o que há de bom no Concílio e deixar para trás o resto”. O problema dessa abordagem é capturado pelo Papa Leão XIII em sua Encíclica Satis Cognitum:

Os arianos, os montanistas, os novacianos, os quartodecimanos, os eutiquianos, certamente não rejeitaram toda a doutrina católica: eles abandonaram apenas uma parte dela. Ainda quem não sabe que eles foram declarados hereges e banidos do seio da Igreja? Da mesma forma, foram condenados todos os autores de princípios heréticos que os seguiram nos tempos subsequentes. “Não pode haver nada mais perigoso do que aqueles hereges que admitem quase toda a doutrina e, no entanto, por uma palavra, como com uma gota de veneno, infectam a fé real e simples ensinada por nosso Senhor e transmitida pela tradição apostólica” (Anon., Tratado da Fé Ortodoxa contra os Arianos).

Em outras palavras: é a mistura, a confusão, de grande, bom, indiferente, ruim, genérico, ambíguo, problemático, errôneo, tudo isso em enorme quantidade, que faz com que o Vaticano II seja merecedor de repúdio [iv].

Sempre houve problemas depois dos concílios da Igreja?

Sim, sem dúvida: os concílios da Igreja foram seguidos por um grau maior ou menor de controvérsia. Mas essas dificuldades eram geralmente apesar, não por causa da natureza e do conteúdo dos documentos. Santo Atanásio podia apelar repetidamente a Nicéia, como a uma bandeira de batalha, porque seu ensino era sucinto e sólido. Os papas após o Concílio de Trento podiam apelar repetidamente a seus cânones e decretos, porque o ensino era sucinto e sólido. Embora Trento tenha produzido um grande número de documentos ao longo dos anos em que as sessões ocorreram (1545 a 1563), cada documento é uma maravilha de clareza, sem uma palavra desperdiçada.

No mínimo, os documentos do Vaticano II falharam miseravelmente no propósito do Concílio, conforme explicado pelo Papa João XXIII. Ele disse em 1962 que queria uma apresentação mais acessível da Fé para o Homem Moderno. ”Em 1965, tornou-se dolorosamente óbvio que os dezesseis documentos nunca seriam algo que você apenas reuniria em um livro e entregaria a todos os leigos ou questionadores. Pode-se dizer que o Concílio caiu entre dois suportes: não produziu um ponto de entrada acessível para o mundo moderno nem um “plano de compromisso” sucinto para os pastores e teólogos confiarem. O que ele conseguiu? Uma enorme quantidade de papelada, muita prosa ventosa e uma cutucada: “Adapte-se ao mundo moderno, meninos!” (Ou, se você não se adaptar, tenha problemas – para emprestar uma frase de Hobbes – “com o poder irresistível do deus mortal” em Roma, como o arcebispo Lefebvre descobriu rapidamente.)

É por isso que o último concílio é absolutamente irrecuperável. Se o projeto de modernização resultou em uma perda maciça de identidade católica, mesmo de competência doutrinária básica e moral, o caminho a seguir é prestar os últimos respeitos ao grande símbolo desse projeto e vê-lo enterrado. Como Martin Mosebach diz, a verdadeira “reforma” sempre significa um retorno à forma – isto é, um retorno a uma disciplina mais rígida, doutrina mais clara, adoração mais completa. Não significa nem pode significar o contrário.

Existe algo da substância da Fé, ou algum benefício indiscutível, que perderíamos se nos despedirmos do último concílio e nunca mais ouvíssemos seu nome mencionado de novo? A Tradição Católica já possui em si imensos recursos (e, especialmente hoje, em grande parte inexplorados) para lidar com todas as questões irritantes que enfrentamos no mundo de hoje. Agora, quase um quarto do caminho para um século diferente, estamos em um lugar muito diferente, e as ferramentas de que precisamos não são as da década de 1960.

O que, então, pode ser feito no futuro?

Desde a carta do arcebispo Viganò em 9 de junho e seus subsequentes escritos sobre o assunto, as pessoas discutem o que pode significar “anular” o Concílio Vaticano II.

Eu vejo três possibilidades teóricas para um futuro papa.

  1. Ele poderia publicar um novo Sílabo de erros (como o bispo Schneider propôs em 2010) que identifica e condena os erros comuns associados ao Vaticano II, sem atribuí-los explicitamente ao Vaticano II: “Se alguém disser XYZ, seja anátema.” Isso deixaria em aberto o grau em que os documentos do Concílio realmente contêm os erros; no entanto, fecharia a porta para muitas “leituras” populares do Concílio.
  2. Ele poderia declarar que, olhando para o meio século passado, podemos ver que os documentos do Concílio, por causa de suas ambiguidades e dificuldades, causaram mais mal do que bem na vida da Igreja e deveriam, no futuro, não ser mais referenciados como autoritários na discussão teológica. O Concílio deve ser tratado como um evento histórico cuja relevância já passou. Novamente, essa postura não precisaria afirmar que os documentos estão errados; seria um reconhecimento de que o Concílio mostrou que “não vale o problema”.
  3. Ele poderia especificamente “negar” ou anular certos documentos ou partes de documentos, como partes do Concílio de Constança que nunca foram reconhecidas ou foram repudiadas.

A segunda e terceira possibilidades decorrem do reconhecimento de que o Concílio assumiu a forma, única entre todos os concílios ecumênicos da história da Igreja, de ser “pastoral” em propósito e natureza, de acordo com João XXIII e Paulo VI; isso tornaria deixá-lo de lado relativamente fácil. À objeção de que, ainda, forçosamente, ele diz respeito a questões de fé e moral, eu responderia que os bispos nunca definiram nada e nunca anatematizaram nada. Até as “constituições dogmáticas” não estabelecem dogmas. É um concílio curiosamente expositivo e catequético, que não resolve quase nada e incomoda bastante.

Como quer que seja que um futuro papa ou concílio lide com essa bagunça completamente arraigada, nossa tarefa como católicos permanece como sempre foi: manter a fé de nossos pais em suas expressões normativas e confiáveis, a saber, o lex orandi dos ritos litúrgicos tradicionais do Oriente e do Ocidente, o lex credendi dos Credos aprovados e o testemunho consistente do Magistério ordinário universal, e o lex vivendi mostrado a nós pelos santos canonizados ao longo dos séculos, antes da confusão se estabelecer. Isso é suficiente, e mais que suficiente.

[i]  Veja sinopse aqui.

[ii]  É digno de nota que João XXIII nomeou comissões preparatórias que produziram documentos curtos, justos e claros para o próximo Concílio trabalhar – e depois permitiram que a facção liberal ou “Reno” dos pais do Concílio descartassem esses projetos e os substituíssem por novos. A única exceção foi o Sacrosanctum Concilium, projeto de Bugnini, que navegou sem grandes problemas.

[iii]  Não se trata apenas de traduções ruins; as primeiras traduções eram geralmente boas e então depois as traduções pioravam os textos mais.

[iv] Como o cardeal Walter Kasper admitiu em um artigo publicado no L’Osservatore Romano em 12 de abril de 2013: “Em muitos lugares, [os Padres do Concílio ] tiveram que encontrar fórmulas de compromisso, nas quais, frequentemente, as posições da maioria são localizado imediatamente ao lado da minoria, projetado para delimitá-los. Assim, os próprios textos conciliares têm um enorme potencial de conflito, abrindo a porta para uma recepção seletiva em qualquer direção. ”

* Nosso agradecimento a um gentil leitor pela tradução fornecida.

13 junho, 2020

Dom Viganò: “Do Vaticano II em diante foi constituída uma igreja paralela, sobreposta e contraposta à verdadeira Igreja de Cristo”.

9 de Junho de 2020
Santo Efrém

 

Li com muito interesse o ensaio de S.E. Athanasius Schneider publicado, no LifeSiteNews, a 1 de Junho, e posteriormente traduzido por Chiesa e post Concilio, intitulado Não há vontade divina positiva nem direito natural para a diversidade de religiões. O estudo de Sua Excelência compendia, com a clareza que distingue as palavras daqueles que falam segundo Cristo, as objecções à suposta legitimidade ao exercício da liberdade religiosa que o Concílio Vaticano II teorizou, contradizendo o testemunho da Sagrada Escritura, a voz da Tradição e o Magistério Católico, que de ambos é guardião.

O mérito deste ensaio reside, antes de tudo, em ter sido capaz de alcançar a relação causal entre os princípios enunciados ou implicados pelo Vaticano II e o seu consequente e lógico efeito nos desvios doutrinários, morais, litúrgicos e disciplinares que surgiram e se desenvolveram progressivamente até hoje. O monstrum gerado nos círculos dos modernistas poderia, a princípio, ser enganoso, mas, crescendo e fortalecendo-se, hoje mostra-se como realmente é na sua natureza subversiva e rebelde. A criatura, então concebida, é sempre a mesma e seria ingénuo pensar que a sua natureza perversa poderia mudar. As tentativas de corrigir os excessos conciliares – invocando a hermenêutica da continuidade – revelaram-se falhadas: Naturam espellas furca, tamen usque recurret (Horácio Epist. I, 10:24). A Declaração de Abu Dhabi e, como Mons. Schneider justamente observa, os seus prenúncios do pantheon de Assis, «foi concebida no espírito do Concílio Vaticano II», como confirma orgulhosamente Bergoglio.

Este “espírito do Concílio” é a licença de legitimidade que os modernistas opõem aos críticos, sem perceberem que é precisamente confessando aquele legado que se confirma não apenas a erroneidade das declarações actuais, mas também a matriz herética que deveria justificá-las. A bem dizer, nunca na vida da Igreja houve um Concílio que representasse um tal evento histórico a ponto de torná-lo diferente dos outros: nunca foi dado um “espírito do Concílio de Nicéia”, nem o “espírito do Concílio de Ferrara-Florença” e muito menos o “espírito do Concílio de Trento”, assim como nunca tivemos um “pós-concílio” depois do IV de Latrão ou do Vaticano I.

O motivo é evidente: aqueles Concílios eram todos, indistintamente, a expressão da voz uníssona da Santa Madre Igreja e, por essa mesma razão, de Nosso Senhor Jesus Cristo. Significativamente, aqueles que apoiam a novidade do Vaticano II também aderem à doutrina herética que vê contraposto o Deus do Antigo Testamento ao Deus do Novo, como se se pudesse dar uma contradição entre as Divinas Pessoas da Santíssima Trindade. Evidentemente, essa contraposição, quase gnóstica ou cabalística, é funcional para a legitimação de um novo sujeito deliberadamente diferente e oposto em relação à Igreja Católica. Os erros doutrinários quase sempre traem também uma heresia trinitária e é, portanto, retornando à proclamação do dogma trinitário que se poderão dispersar as doutrinas que a ele se opõem: ut in confessione veræ sempiternæque deitatis, et in Personis proprietas, et in essentia unitas, et em majestate adoretur æqualitas. Ao professar a verdadeira e eterna divindade, adoramos a propriedade das divinas Pessoas, a unidade na sua essência, a igualdade na sua majestade.

Mons. Schneider cita alguns cânones dos Concílios Ecuménicos que propõem, no seu dizer, doutrinas dificilmente aceitáveis hoje, como a obrigação de reconhecer os Judeus através do vestuário ou a proibição de os cristãos serem empregados de patrões maometanos ou hebreus. Entre estes exemplos, há também a necessidade da traditio instrumentorum, declarada pelo Concílio de Florença, posteriormente corrigida pela Constituição Apostólica Sacramentum Ordinis de Pio XII. O Bispo Athanasius comenta: «Pode-se legitimamente esperar e acreditar que um futuro papa ou concílio ecuménico corrigirá as afirmações erróneas pronunciadas» pelo Vaticano II. Parece-me um argumento que, mesmo com a melhor das intenções, mina as fundações do edifício católico. Se, de facto, admitirmos que possam haver actos magisteriais que, por uma alterada sensibilidade, sejam, com o passar do tempo, susceptíveis de revogação, de modificação ou de diferente interpretação, caímos inexoravelmente sob a condenação do Decreto Lamentabili e acabamos por dar razão a quem, recentemente, precisamente com base naquela tese errónea, declarou “não conforme ao Evangelho” a pena capital, chegando a alterar o Catecismo da Igreja Católica. E, de certa maneira, poderíamos, pelo mesmo princípio, acreditar que as palavras do Beato Pio IX, na Quanta cura, foram, de alguma forma, corrigidas precisamente no Vaticano II, tal como Sua Excelência espera que possa acontecer com a Dignitatis humanæ. Dos exemplos que usou, nenhum é, por si só, gravemente erróneo ou herético: ter declarado necessária a traditio instrumentorum para a validade da Ordem não comprometeu, de forma algum, o ministério sacerdotal na Igreja, levando-a a conferir invalidamente as Ordens. Também não me parece que se possa afirmar que este aspecto, por mais importante que seja, tenha insinuado doutrinas erróneas nos fiéis, algo que apenas aconteceu com o último Concílio. E quando, no curso da História, as heresias se espalharam, a Igreja sempre interveio prontamente para condená-las, como aconteceu no tempo do Sínodo de Pistoia, de 1786, que foi, de alguma forma, precursor do Vaticano II, especialmente onde aboliu a Comunhão fora da Missa, introduziu a língua vernácula e aboliu as orações em voz baixa do Cânone; mas ainda mais quando teorizou as bases da colegialidade episcopal, limitando o primado do Papa a mera função ministerial. Reler os actos desse Sínodo deixa-nos estupefactos com a formulação servil dos erros que, posteriormente, encontraremos, ainda maiores, no Concílio presidido por João XXIII e Paulo VI. Por outro lado, como a Verdade bebe de Deus, o erro nutre-se e alimenta-se no Adversário, que odeia a Igreja de Cristo e o seu coração, a Santa Missa e a Santíssima Eucaristia.

Chega um momento na nossa vida em que, por disposição da Providência, somos confrontados com uma escolha decisiva para o futuro da Igreja e para a nossa salvação eterna. Falo da escolha entre compreender o erro em que praticamente todos nós caímos, e quase sempre sem más intenções, e o querer continuar a procurar noutro lugar ou justificar-nos a nós mesmos.

Entre outros erros, também cometemos aquele de considerar os nossos interlocutores pessoas que, apesar da diversidade das ideias e da fé, animadas por boas intenções e que, quando se abrissem à nossa fé, estariam dispostas a corrigir os seus erros. Juntamente com numerosos Padres conciliares, pensámos no ecumenismo como um processo, um convite que chama os dissidentes à única Igreja de Cristo; os idólatras e os pagãos ao único Deus verdadeiro; o povo judeu ao Messias prometido. Mas, a partir do momento em que foi teorizado nas Comissões conciliares, passou a estar em oposição directa à doutrina até então expressa no Magistério.

Pensávamos que certos excessos fossem apenas um exagero daqueles que se deixaram levar pelo entusiasmo da novidade; acreditamos sinceramente que ver João Paulo II rodeado por homens santarrões, bonzinhos, imãs, rabinos, pastores protestantes e outros hereges fosse prova da capacidade da Igreja de convocar as pessoas para invocar a paz de Deus, enquanto que o exemplo autorizado daquele gesto deu início a uma sequência desviante de pantheon mais ou menos oficiais, chegando-se até a ver ser transportado aos ombros de alguns Bispos o ídolo imundo da pachamama, sacrilegamente dissimulado sob a presumida aparência de uma sagrada maternidade. Mas se o simulacro de uma divindade infernal foi capaz de entrar em São Pedro, tal faz parte de um crescendo previsto desde o início. Numerosos Católicos praticantes, e talvez até grande parte dos próprios clérigos, estão hoje convencidos de que a Fé Católica já não é necessária para a salvação eterna; acredita-se que o Deus Uno e Trino, revelado aos nossos pais, seja o mesmo deus de Maomé. Ouvia-se repeti-lo dos púlpitos e das cátedras episcopais já há vinte anos, mas recentemente ouve-se afirmar com ênfase até do mais alto Trono.

Sabemos bem que, suportados pelo dito evangélico Littera enim occidit, spiritus autem vivificat, os progressistas e os modernistas souberam ocultar astuciosamente, nos textos conciliares, aquelas expressões ambíguas que, à época, pareciam inofensivas para a maioria, mas que hoje se manifestam na sua valência subversiva. É o método do subsistit in: dizer uma meia verdade não tanto para não ofender o interlocutor (assumindo que seja lícito silenciar a verdade de Deus por respeito a uma Sua criatura), mas com o objectivo de poder usar o meio erro que a verdade inteira dissiparia instantaneamente. Assim, “Ecclesia Christi subsistit na Ecclesia Catholica” não especifica a identidade das duas, mas a existência de uma na outra e, por consistência, também noutras igrejas: eis a passagem aberta às celebrações interconfessionais, às orações ecuménicas, ao fim implacável da necessidade da Igreja em ordem à salvação, da sua singularidade, da sua missionariedade.

Alguns talvez se recordarão que os primeiros encontros ecuménicos eram realizados com os cismáticos do Oriente e, muito prudentemente, com algumas seitas protestantes. Com excepção da Alemanha, da Holanda e da Suíça, os países de tradição católica não acolheram, desde o princípio, as celebrações mistas, com pastores e párocos juntos. Lembro-me que, na época, se falava em remover a penúltima doxologia do Veni Creator para não ferir os Ortodoxos, que não aceitam o Filioque. Hoje, ouvimos recitar as suras do Alcorão dos púlpitos das nossas igrejas, vemos um ídolo de madeira ser adorado por freiras e frades, ouvimos Bispos desdizer o que, até ontem, nos pareciam as desculpas mais plausíveis de tantos extremismos. O que o mundo quer, por instigação da Maçonaria e dos seus tentáculos infernais, é criar uma religião universal, humanitária e ecuménica em que seja banido aquele Deus ciumento que nós adoramos. E se é isto que o mundo quer, qualquer passo na mesma direcção por parte da Igreja é uma escolha infeliz que se voltará contra aqueles que acreditam que podem brincar com Deus. As esperanças da Torre de Babel não podem ser trazidas de volta à vida por um plano globalista que tem como objectivo a eliminação da Igreja Católica para substituí-la por uma confederação de idólatras e hereges unidos pelo ambientalismo e pela fraternidade humana. Não pode haver nenhuma fraternidade senão em Cristo, e só em Cristo: qui non est mecum, contra me est.

É desconcertante que, desta corrida rumo ao abismo, estejam cientes tão poucos e que poucos tenham consciência de qual é a responsabilidade dos líderes da Igreja em apoiar estas ideologias anticristãs, como se quisessem garantir um espaço e um papel na carruagem do pensamento único. E surpreende que ainda persistam em não querer investigar as causas primeiras da crise presente, limitando-se a deplorar os excessos de hoje como se não fossem a consequência lógica e inevitável de um plano orquestrado há décadas atrás. Se a pachamama pôde ter sido adorada numa igreja, devemo-lo à Dignitatis humanae. Se temos uma liturgia protestante e, às vezes, até paganizada, devemo-lo às acções revolucionárias de Mons. Annibale Bugnini e às reformas pós-conciliares. Se se assinou o Documento de Abu Dhabi, deve-se à Nostra Aetate. Se chegamos a delegar as decisões nas Conferências Episcopais – mesmo em gravíssima violação da Concordata, como aconteceu em Itália –, devemo-lo à colegialidade e à sua versão actualizada da sinodalidade. Graças à qual nos encontramos, com a Amoris Laetitia, a dever procurar uma maneira de impedir que aparecesse o que era evidente a todos, ou seja, que aquele documento, preparado por uma impressionante máquina organizacional, deveria legitimar a Comunhão aos divorciados e concubinários, assim como a Querida Amazónia será usada como legitimação de mulheres sacerdotes (o caso de uma “vigária episcopal”, em Friburgo, é muito recente) e a abolição do Sagrado Celibato. Os Prelados que enviaram os Dubia a Francisco, na minha opinião, demonstraram a mesma piedosa ingenuidade: pensar que, quando confrontado com a contestação argumentada do erro, Bergoglio teria compreendido, corrigido os pontos heterodoxos e pedido perdão.

O Concílio foi usado para legitimar, no silêncio da Autoridade, os desvios doutrinais mais aberrantes, as inovações litúrgicas mais ousadas e os abusos mais inescrupulosos. Este Concílio foi tão exaltado a ponto de ser indicado como a única referência legítima para os Católicos, clérigos e bispos, obscurecendo e conotando com um senso de desprezo a doutrina que a Igreja sempre ensinara com autoridade e proibindo a perene liturgia que, por milénios, havia alimentado a fé de uma ininterrupta geração de fiéis, mártires e santos. Entre outras coisas, este Concílio provou ser o único que põe tantos problemas interpretativos e tantas contradições em relação ao Magistério precedente, enquanto não há um – do Concílio de Jerusalém ao Vaticano – que se não harmonize perfeitamente com todo o Magistério e que precise de alguma interpretação.

Confesso-o com serenidade e sem controvérsia: fui um dos muitos que, apesar de muitas perplexidades e medos, que hoje se mostram absolutamente legítimos, confiaram na autoridade da Hierarquia com uma obediência incondicional. Na realidade, penso que muitos, e eu entre eles, não considerámos inicialmente a possibilidade de um conflito entre a obediência a uma ordem da Hierarquia e a fidelidade à própria Igreja. Para tornar tangível a separação inatural, ou melhor, diria perversa, entre Hierarquia e Igreja, entre obediência e fidelidade, foi certamente este último Pontificado.

Na sala das lágrimas, adjacente à Capela Sistina, enquanto Mons. Guido Marini preparava o roquete, a mozeta e a estola para a primeira aparição do “neo-eleito” Papa, Bergoglio exclamou: “O carnaval acabou!”, recusando, com desdém, as insígnias que todos os Papas até então humildemente aceitaram como distintivas do Vigário de Cristo. Mas naquelas palavras havia algo de verdadeiro, mesmo que dito involuntariamente: a 13 de Março de 2013 caía a máscara dos conspiradores, finalmente livres da desconfortável presença de Bento XVI e descaradamente orgulhosos de terem finalmente conseguido promover um Cardeal que encarnava os seus ideais, o seu modo de revolucionar a Igreja, de tornar preterível a doutrina, adaptável a moral, adulterável a liturgia, revogável a disciplina. E tudo isto foi considerado, pelos próprios protagonistas da conspiração, a consequência lógica e a aplicação óbvia do Vaticano II, segundo eles enfraquecido precisamente pelas críticas expressas pelo próprio Bento XVI. A maior afronta daquele Pontificado foi a liberalização da veneranda Liturgia Tridentina, à qual era finalmente reconhecida legitimidade, interrompendo cinquenta anos de ilegítimo ostracismo. Não é por acaso que os apoiantes de Bergoglio são os mesmos que vêem no Concílio o primeiro evento de uma nova igreja, antes da qual havia uma velha religião com uma velha liturgia. Não é precisamente por acaso: aquilo que afirmam impunemente, provocando o escândalo dos moderados, é o que crêem também os Católicos, a saber: que, apesar de todas as tentativas de hermenêutica da continuidade miseravelmente naufragadas no primeiro confronto com a realidade da crise presente, é inegável que, do Vaticano II em diante, foi constituída uma igreja paralela, sobreposta e contraposta à verdadeira Igreja de Cristo. Essa obscureceu progressivamente a divina instituição fundada por Nosso Senhor para substituí-la por uma entidade bastarda, correspondente à desejada religião universal que foi inicialmente teorizada pela Maçonaria. Expressões como novo humanismofraternidade universaldignidade do homem são palavras de ordem do humanitarismo filantrópico que nega o verdadeiro Deus, da solidariedade horizontal de errante inspiração espiritualista e do irenismo ecuménico que a Igreja condena sem apelo. «Nam et loquela tua manifestum te facit» (Mt 26, 73): este recurso frequente, quase obsessivo, ao mesmo vocabulário do inimigo revela a adesão à ideologia em que esse se inspira; por outro lado, a renúncia sistemática à linguagem clara, inequívoca e cristalina própria da Igreja confirma a vontade de se destacar não apenas da forma católica, mas também da sua substância.

Aquilo que, desde há anos, ouvimos enunciado, vagamente e sem claras conotações, do mais alto Trono, encontramo-lo elaborado num verdadeiro e próprio manifesto dos apoiantes do actual Pontificado: a democratização da Igreja não mais pela colegialidade inventada pelo Vaticano II, mas o synodal path inaugurado no Sínodo sobre a Família; a demolição do sacerdócio ministerial através do seu enfraquecimento, com as derrogações do Celibato eclesiástico e a introdução de figuras femininas com funções quase sacerdotais; a passagem silenciosa do ecumenismo dirigido aos irmãos separados a uma forma de pan-ecumenismo que abaixa a Verdade do único Deus Uno e Trino ao nível das idolatrias e das superstições mais infernais; a aceitação de um diálogo inter-religioso que pressupõe o relativismo religioso e exclui o anúncio missionário; a desmistificação do Papado, perseguida pelo próprio Bergoglio como cifra do Pontificado; a progressiva legitimação do politically correct: ideologia de género, sodomia, casamentos homossexuais, doutrinas malthusianas, ecologismo, imigracionismo… Não reconhecer as raízes destes desvios nos princípios estabelecidos pelo Concílio impossibilita qualquer cura: se o diagnóstico persistir contra as evidências para excluir a patologia inicial, não pode formular uma terapia adequada.

Esta operação de honestidade intelectual requer uma grande humildade, antes de tudo no reconhecer ter sido enganados durante décadas, em boa fé, por pessoas que, constituídas em autoridade, não foram capazes de vigiar e guardar o rebanho de Cristo: aqueles que vivem em silêncio, alguns por muitos compromissos, outros por conveniência, outros por má-fé ou até mesmo por dolo. Estes últimos, que traíram a Igreja, devem ser identificados, censurados, convidados a emendar-se e, se não se arrependerem, expulsos do recinto sagrado. Assim age um verdadeiro Pastor, que se preocupa com a saúde das ovelhas e que dá a vida por elas; tivemos e ainda temos muitos mercenários para quem a anuência dos inimigos de Cristo é mais importante que a fidelidade à Sua Esposa.

Eis como, com honestidade e serenidade, obedeci, há sessenta anos, a ordens questionáveis, acreditando que representassem a voz amorosa da Igreja, e hoje, com igual serenidade e honestidade, reconheço que me deixei enganar. Ser coerente hoje em dia, perseverando no erro, representaria uma escolha infeliz e tornar-me-ia cúmplice desta fraude. Reivindicar uma lucidez de julgamento desde o início não seria honesto: sabíamos todos que o Concílio representaria, mais ou menos, uma revolução, mas não podíamos imaginar que tal se revelaria tão devastadora, mesmo para o trabalho daqueles que deveriam tê-lo evitado. E se até Bento XVI ainda poderíamos imaginar que o golpe de estado do Vaticano II (que o cardeal Suenens definiu o 1789 da Igreja) conheceria uma desaceleração, nos últimos anos, mesmo os mais ingénuos dentre nós compreenderam que o silêncio, por medo de suscitar um cisma, a tentativa de ajustar os documentos papais no sentido católico para remediar a ambiguidade pretendida, os apelos e os dubia a Francisco, deixados eloquentemente sem resposta, são uma confirmação da situação de gravíssima apostasia à qual estão expostos os líderes da Hierarquia, enquanto o povo cristão e o clero se sentem irremediavelmente afastados e considerados quase com aborrecimento por parte do Episcopado.

A Declaração de Abu Dhabi é o manifesto ideológico de uma ideia de paz e de cooperação entre as religiões que pode ter alguma possibilidade de tolerância se vier de pagãos, privados da luz da Fé e do fogo da Caridade. Mas quem tem a graça de ser filho de Deus, em virtude do Santo Baptismo, deveria ficar horrorizado só com a ideia de poder construir uma blasfema Torre de Babel numa versão moderna, tentando reunir a única verdadeira Igreja de Cristo, herdeira das promessas do Povo eleito, com aqueles que negam o Messias e com aqueles que consideram blasfema só a ideia de um Deus Trino. O amor de Deus não conhece medidas e não tolera compromissos, caso contrário simplesmente não é Caridade, sem a qual não é possível permanecer n’Ele: qui manet in caritate, in Deo manet, et Deus in eo. Pouco importa se é uma declaração ou um documento magisterial: sabemos muito bem que a mens subversiva dos modernistas aposta precisamente nestes cavalos para difundir o erro. E sabemos muito bem que o objectivo destas iniciativas ecuménicas e inter-religiosas não é converter a Cristo quantos estão distantes da única Igreja, mas desviar e corromper aqueles que ainda conservam a Fé católica, levando-os a acreditar ser desejável uma grande religião universal que une “numa única casa” as três grandes religiões abraâmicas: este é o triunfo do plano maçónico em preparação para o reino do Anticristo! Que isto se concretize com uma Bula dogmática, com uma declaração ou com uma entrevista de Scalfari no Repubblica, pouco importa, porque as palavras de Bergoglio são esperadas pelos seus apoiantes como um sinal, ao qual responder com uma série de iniciativas já preparadas e organizadas anteriormente. E se Bergoglio não segue as indicações recebidas, multidões de teólogos e clérigos já estão prontos a lamentar-se da “solidão do Papa Francisco”, qual premissa para a sua demissão (por exemplo, penso em Massimo Faggioli num dos seus recentes escritos). Por outro lado, não seria a primeira vez que estes usam o Papa quando favorece os seus planos e se livram dele ou atacam-no assim que se afasta.

A Igreja celebrou, no passado domingo, a Santíssima Trindade e propõe-nos, no Breviário, a recitação do Symbolum Athanasianum, agora proscrito pela liturgia conciliar e já confinado a apenas duas ocasiões na reforma de 1962. Daquele Símbolo, agora desaparecido, permanecem gravadas em letras de ouro as primeiras palavras: «Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est ut teneat Catholicam fidem; quam nisi quisque integram invioletamque servaverit, absque dubio in aeternum peribit».

 Carlo Maria Viganò

Fonte: Dies Irae

10 junho, 2020

Carta aberta do Arcebispo Carlo Maria Viganò ao Presidente Trump.

7 de junho de 2020

Domingo da Santíssima Trindade

Senhor Presidente,

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

Nos meses recentes temos testemunhado a formação de dois lados opostos que eu chamaria bíblicos: os filhos da luz e os filhos das trevas. Os filhos da luz constituem a parte mais evidente da humanidade, enquanto que os filhos das trevas representam uma absoluta minoria. E, no entanto, os primeiros são objeto de uma espécie de discriminação que os coloca numa situação de inferioridade moral relativamente a seus adversários, que frequentemente mantêm posições estratégicas no governo, na política, na economia e na mídia. De um modo aparentemente inexplicável, os bons são feitos reféns pelos maus e por aqueles que os ajudam, seja por interesse, seja por medo.

Estes dois lados, que têm uma natureza bíblica, seguem a nítida separação entre os filhos da Mulher e os filhos da Serpente. De um lado estão aqueles que, embora tenham mil defeitos e fraquezas, são motivados pelo de desejo de fazer o bem, de ser honestos, de formar família, de se dedicar ao trabalho, e dar prosperidade à sua pátria, de ajudar os necessitados e, obedecendo a Lei de Deus, merecer o Reino dos Céus. Do outro lado estão aqueles que servem a si próprios, que não detêm quaisquer princípios  morais, que querem demolir a família e a nação, explorar os trabalhadores para tornarem-se indevidamente ricos, fomentar divisões internas e guerras e acumular poder e dinheiro: para eles a ilusão falaciosa do bem estar temporal levará um dia – se eles não se arrependerem  – ao terrível destino que os espera, longe de Deus, na danação eterna.

Na sociedade, Senhor Presidente, estas duas realidades opostas coexistem como inimigos eternos, assim como Deus e Satanás são inimigos eternos. E parece que os filhos das trevas – que podemos facilmente identificar com o deep state a que V. Exa sabiamente se opõe e que está, nestes dias, em guerra feroz contra o senhor – decidiram mostrar suas cartas, por assim dizer, revelando agora seus planos. Eles parecem estar tão certos de já ter tudo sob controle que deixaram de lado a circunspecção que até agora tinha escondido, ao menos parcialmente, as verdadeiras intenções deles. As investigações em curso revelarão a verdadeira responsabilidade daqueles que manipularam a emergência do Covid não apenas na área da assistência médica, mas também na política, na economia e na mídia. Descobriremos provavelmente que nesta colossal operação de engenharia social existem pessoas que decidiram o destino da humanidade, arrogando-se o direito de agir contra a vontade dos cidadãos e de seus representantes nos governos das nações.

Descobriremos também que os tumultos destes dias foram provocados por aqueles que, vendo que o vírus está inevitavelmente desaparecendo e que o alarme social da pandemia está minguando, tiveram necessariamente que provocar distúrbios sociais, para que fossem seguidos de repressão que, embora legítima, pudesse ser condenada como agressão injustificada contra a população. O mesmo está acontecendo na Europa, em perfeito sincronismo. Está absolutamente claro que o uso de protestos de rua é instrumento para os propósitos daqueles que, nas próximas eleições presidenciais, gostariam de ver eleito alguém que incorpore os objetivos do deep state e que expresse fielmente e convincentemente esses objetivos. Não será surpresa se, dentro de poucos meses, soubermos que, escondidos novamente por detrás desses atos de vandalismo e violência, estão aqueles que esperam lucrar com a dissolução da ordem social para construir um mundo sem liberdade: Solve et Coagula, como ensina o provérbio maçônico.

Embora possa parecer desconcertante, os alinhamentos opostos que descrevi também existem nos círculos religiosos. Existem Pastores fiéis que cuidam do rebanho de Cristo, nas há também mercenários infiéis que procuram dispersar o rebanho e entregá-lo para que seja devorado pelos lobos vorazes. Não é surpreendente que estes mercenários sejam aliados dos filhos das travas e odeiem os filhos da luz: assim como existe um deep state, existe também uma deep church que trai seus deveres e renega seus compromissos perante Deus. Assim, o Inimigo Invisível, que os bons governantes combatem nos negócios públicos, é também combatido pelos bons pastores na esfera eclesiástica. Trata-se de uma batalha espiritual, da qual eu falei em meu recente Apelo publicado no dia 8 de maio.

Pela primeira vez, os Estados Unidos tem em sua pessoa um presidente que corajosamente defende o direito à vida, que não tem vergonha de denunciar a perseguição aos cristãos ao redor do mundo, que fala de Jesus Cristo e do direito dos cidadãos à liberdade de culto. Sua participação na Marcha pela Vida, e mais recentemente sua proclamação do mês de abril como Mês Nacional da Prevenção do Abuso Infantil, são ações que confirmam de que lado V. Exa deseja lutar. E quero crer que nós dois estejamos do mesmo lado nesta batalha, embora com armas diferentes.

Por essa razão, acredito que o ataque que V. Exa sofreu após sua visita ao Santuário Nacional de São João Paulo II é parte da narrativa orquestrada pela mídia que não busca lutar contra o racismo e promover ordem social, mas agravar os ânimos; não busca a justiça, mas legitimar a violência e o crime; não deseja servir à verdade, mas favorecer uma facção política. E é desconcertante que haja bispos – como os que eu denunciei recentemente – que, por suas palavras, provam que estão alinhados com o lado oposto. Eles são subservientes ao deep state, ao globalismo, ao “pensamento alinhado”, à Nova Ordem Mundial que eles invocam com frequência cada vez maior chamando-a de fraternidade universal que nada tem de cristã, mas que evoca os ideais maçônicos daqueles que querem dominar o mundo expulsando Deus dos tribunais, das escolas, das famílias e, talvez, até mesmo das igrejas.

O povo americano é maduro e entendeu agora o quanto a mídia tradicional não deseja disseminar a verdade, mas quer silenciá-la e distorcê-la, propagando a mentira que útil para os objetivos de seus senhores. No entanto, é importante que os bons – que são a maioria – despertem de seu marasmo e não aceitem serem enganados por uma minoria de pessoas desonestas com propósitos inconfessáveis. É necessário que os bons, os filhos da luz, se unam e façam ouvir suas vozes. E que maneira mais eficiente existe de se fazer isso, Senhor Presidente, do que pela oração, pedindo ao Senhor para proteger V. Exa, os Estados Unidos e toda a humanidade deste enorme ataque do Inimigo? Diante do poder da oração, as enganações dos filhos das trevas cairão, suas conspirações serão reveladas, suas traições serão desvendadas, seu poder assustador acabará em nada, será revelado e mostrado ser o que é: uma fraude infernal.

Senhor Presidente, minhas orações estão continuamente voltadas à amada nação americana, para onde tive o privilégio e a honra de ser enviado pelo Papa Bento XVI como Núncio Apostólico. Nesta hora dramática e decisiva para toda a humanidade, oro por V. Exa e por todos aqueles que estão ao seu lado no governo dos Estados Unidos. Tenho certeza de que o povo americano se une a mim e a V. Exa em oração a Deus Todo Poderoso.

Unido contra o Inimigo Invisível de toda a humanidade, eu abençoo V. Exa e a Primeira Dama, a amada nação americana, e todos os homens e mulheres de boa vontade.

+ Carlo Maria Viganò

Arcebispo Titular de Ulpiana

Ex Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América

Obs.: São denominadas deep state [governo profundo] organizações  (militares, policiais, judiciárias, grupos políticos etc.) que trabalham secretamente para proteger interesses particulares e governar um país sem terem sido eleitas.

Fonte: Life Site News

6 maio, 2020

Entrevista com Dom Viganò. A autoridade dos Bispos sobre os ditames de especialistas independentes.

O discurso claro e distinto de Mons. Carlo Maria Viganò sobre as questões mais significativas deste difícil momento, desde a jurisdição dos Bispos até a violação — pelos golpes do Decreto do Presidente do Conselho de Ministros (DPCM) da Itália — de direitos superiores e vigentes garantidos pela Constituição. A entrevista foi concedida a Marco Tosatti, e a tradução para FratresInUnum.com elaborada por Hélio Dias Viana.

Excelência, o mais recente decreto presidencial de Giuseppe Conte desconsiderou as esperanças da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e continuou o bloqueio das missas em toda a Itália. Alguns canonistas e especialistas em direito concordatário expressaram muitas reservas sobre o comportamento do governo. Qual é o seu pensamento sobre isso?

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10 abril, 2020

Dom Carlo Maria Viganò convida Bispos e Sacerdotes para recitar o Exorcismo no Sábado Santo.

No dia 13 de outubro de 1884, o Papa Leão XIII teve uma visão terrível do ataque dos poderes infernais contra a Santa Igreja, e por isso ordenou que se recitasse a oração a São Miguel Arcanjo no final da Missa. Ele também compôs um exorcismo que inseriu no Ritual Romano, no qual fez menção expressa ao que havia visto: “A Igreja, Esposa do Cordeiro Imaculado, está saturada de amargura e inebriada pelo veneno de inimigos astutos, que impõem suas mãos sacrílegas sobre todas as coisas mais sagradas. Onde residem a Sé do bem-aventurado Pedro e a Cátedra da Verdade, constituídas para iluminar os povos, ali eles estabelecem o trono da abominação e da sua impiedade, a fim de que golpeado o Pastor, o rebanho seja também disperso.”

Nestes dias de grave tribulação, em que a pandemia priva os católicos da Santa Missa e dos sacramentos, o demônio se desencadeia, multiplicando seus ataques para induzir as almas ao pecado. Os dias abençoados da Semana Santa, outrora dedicados à Confissão preparatória para a Comunhão da Páscoa, veem todos nós constrangidos ao confinamento forçado, mas não impedidos de orar ao Senhor.

Sendo um dia de silêncio, na espera do anúncio da Ressurreição, este Sábado Santo pode ser uma ocasião preciosa para todos os Ministros Sagrados. Não é preciso sair de casa, nem violar qualquer proibição da autoridade civil.

Convido-os para que às 15 horas (horário de Roma: 11 horas em Brasília) do sábado, 11 de abril de 2020, todos rezemos juntos, na forma estabelecida por Leão XIII para toda a Igreja, o exorcismo contra Satanás e os anjos rebeldes (Exorcismus in Satanam et angelos apostaticos, Rituale Romanum, Tit. XII, Caput III), participando assim de uma batalha espiritual contra o Inimigo comum da humanidade.

O Sábado Santo é o dia em que se celebra a descida de Nosso Senhor Jesus Cristo aos infernos para libertar as almas dos justos do Antigo Testamento das correntes de Satanás. No grande silêncio após a Paixão e Morte do Senhor, a Santíssima Virgem velou e creu, esperando com confiança a Ressurreição de seu amado Filho. Era um momento em que o mundo parecia ter vencido, mas quando tudo estava sendo preparado para a glória da Páscoa.

Peço a todos os meus confrades do episcopado e aos sacerdotes que se unam na recitação do exorcismo, cientes de que este poderoso Sacramental – especialmente se recitado em comunhão com todos os outros Pastores – ajudará a Igreja e o mundo na luta contra Satanás. Recomendo também usar a estola, símbolo do poder sacerdotal, e água benta.

Que a Santíssima Virgem, terrível como um exército em ordem de batalha, e São Miguel Arcanjo, padroeiro da Santa Igreja e Príncipe das Milícias Celestiais, protejam a todos nós.

+ Carlo Maria Viganò, arcebispo titular de Ulpiana

Quinta-feira Santa 2020

Tradução: Hélio Dias Viana

* * *

Sancte Michael Archangele, defende nos in praelio, contra nequitias et insidias diaboli esto praesidium: Imperet illi Deus, supplices deprecamur, tuque, Princeps militiae caelestis, satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute in infernum detrude. Amen.

Leão XIII escreveu ele mesmo esta oração. A frase [os demônios] “que vagam pelo mundo para perdição das almas” tem uma explicação histórica, que nos foi referida várias vezes por seu secretário particular, Mons. Rinaldo Angelo. Leão XIII experimentou verdadeiramente a visão dos espíritos infernais que se concentravam sobre a Cidade Eterna (Roma); desta experiência surgiu a oração que quis fazer rezar em toda a Igreja. Ele a rezava com voz vibrante e potente: o ouvimos muitas vezes na Basílica Vaticana. Não somente isso: escreveu de seu próprio punho e letra um exorcismo especial contido no Ritual Romano (edição de 1954, tít. XII, c. III, pp. 863 y ss.). Ele recomendava aos bispos e sacerdotes que rezassem freqüentemente esse exorcismo em suas dioceses e paróquias. De sua parte, ele o rezava com muita freqüência ao longo do dia.

Cardenal Nasalli Rocca, Carta Pastoral para a Quaresma, Bologna, 1946, apud Boletim Sacrificium, ano I, volume I, número 28. Publicado originalmente na festa de S. Miguel de 2008.

21 dezembro, 2019

A íntegra da declaração de Dom Viganò: Maria Imaculada Virgem Mãe – Acies Ordinata, ora pro nobis.

S.E. Dom Carlo Maria Viganò, ex-Núncio Apostólico nos Estados Unidos, publicou um documento que constitui um forte ato de acusação ao Papa Francisco e, ao mesmo tempo, de ardente amor à Igreja. Publicamos a seguir a tradução de Hélio Dias Viana para o português, com exclusividade para FratresInUnum.com, do original italiano.

“Eis o que diz o Senhor Deus que criou os céus e os desdobrou,
que firmou a terra e toda a sua vegetação,

que dá respiração a seus habitantes,
e o sopro vital àqueles que pisam o solo: […]
‘Eu sou o Senhor, esse é meu nome,
a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra. […]

“Tal como um herói, o Senhor avança;
como um guerreiro, ele desperta seu ardor;
lança seu grito de guerra,
como um herói que afronta seus inimigos.
Muito tempo guardei o silêncio,
permaneci mudo e me contive.
Mas agora grito, como mulher nas dores do parto;
minha respiração se precipita.
Vou devastar montanhas e colinas,
secar toda a vegetação,
transformar os cursos de água em terras áridas,
e fazer secar os tanques. […]
“Retrocederão, cheios de vergonha, aqueles que se fiam nos ídolos, e que dizem às estátuas fundidas: ‘Sois nosso Deus’ […]

“Quem então entregou Jacó aos saqueadores,
Israel aos depredadores?
Não é o Senhor contra quem pecamos,
cujas vias não quiseram seguir,
nem respeitar suas ordens.
“Então, despejou sobre eles sua cólera,
e as violências da guerra;
esta os envolveu de chamas
sem que se apercebessem,
e os consumiu sem que dessem atenção”  (Is 42, 5-25).

*     *

“Existe no coração da Virgem Maria algo além do Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo? Também nós queremos ter em nossos corações apenas um nome: o de Jesus, como a Santíssima Virgem.”

A trágica parábola deste pontificado avança com uma sucessão ininterrupta de melodramas. Não há dia que passe sem que do mais alto trono o Sumo Pontífice proceda ao desmantelamento da Sé de Pedro, usando e abusando da autoridade suprema não para confessar, mas para negar; não para confirmar, mas para enganar; não para unir, mas para dividir; não para construir, mas para demolir.

Heresias materiais, heresias formais, idolatria, superficialidades de todos os tipos: o Sumo Pontífice Bergoglio não deixa de humilhar teimosamente a mais alta autoridade da Igreja, “desmitificando” o papado – como talvez dissesse seu ilustre camarada Karl Rahner. Sua ação visa violar o Depósito Sagrado [da fé] e mutilar a Face Católica da Esposa de Cristo, dizendo e fazendo, com dissimulações e mentiras, com aqueles gestos flagrantes, de espontaneidade ostensiva, mas meticulosamente pensados e planejados, por meio dos quais ele se exalta, em uma contínua autocelebração narcísica, enquanto é humilhada a figura do Romano Pontífice, obscurecida a do Doce Cristo na Terra.

Sua ação se serve da improvisação magisterial, daquele magistério “sem notas”, líquido, traiçoeiro como areia movediça, não somente nas grandes altitudes [das entrevistas de imprensa aéreas], à mercê de jornalistas de todo o mundo, naqueles espaços etéreos que podem patentear um delírio patológico de onipotência ilusória, mas até mesmo no contexto das funções [litúrgicas] mais solenes que devem inspirar tremor sagrado e respeito reverente.

Por ocasião da comemoração de Nossa Senhora de Guadalupe, o Papa Bergoglio deu vazão mais uma vez à sua evidente aversão mariana, a qual evoca aquela da Serpente na história da Queda e o Protoevangelho que profetiza a inimizade radical posta por Deus entre a Mulher e a Serpente, e a hostilidade declarada desta última, que tentará até o fim dos tempos fazer ciladas ao Calcanhar da Mulher e triunfar sobre Ela e sua posteridade. A do Pontífice foi uma agressão manifesta às sublimes prerrogativas e atributos que fazem da Imaculada Mãe de Deus o complemento feminino do mistério do Verbo Encarnado, intimamente associada a Ele na economia da Redenção.

Depois de tê-la rebaixado a “vizinha da casa ao lado”, ou a migrante em fuga, ou a simples leiga com os defeitos e as crises de qualquer mulher marcada pelo pecado, ou ainda a mera discípula, que obviamente não tem nada a nos ensinar; depois de tê-la banalizado e dessacralizado como as feministas que estão ganhando espaço na Alemanha com seu movimento “Maria 2.0”, com o objetivo de modernizar a Madonna para torná-la um simulacro, à imagem e semelhança delas, o Papa Bergoglio assanhou-se ainda mais contra a Augusta Rainha e Imaculada Mãe de Deus, que “se mestiçou com a humanidade […] e mestiçou o próprio Deus”. Com um par de gracejos, ele feriu o coração do dogma mariano e do dogma cristológico associado a esse.

Os dogmas marianos são o selo afixado às verdades católicas de nossa fé, definidas nos Concílios de Nicéia, Éfeso e Calcedônia; eles são o baluarte inquebrável contra as heresias cristológicas e contra o desencadear furioso das Portas do Inferno. Quem os “hibridiza” e profana mostra que está do lado do Inimigo. Atacar Maria é atacar o próprio Cristo; atacar a Mãe é levantar-se contra o Filho e rebelar-se contra o próprio mistério da Santíssima Trindade. A Imaculada Theotokos [Mãe de Deus], “terrível como exércitos e bandeiras em ordem de batalha” – acies ordinata – lutará para salvar a Igreja e destruirá o exército do Inimigo solto das correntes que Lhe declarou guerra, e todas as pachamamas demoníacas retornarão com ele definitivamente ao inferno.

O Papa Bergoglio parece não conter mais sua aversão à Imaculada, nem pode ocultá-la sob essa aparatosa e ostensiva devoção quando está sob os holofotes das câmeras, enquanto na realidade está sumindo da celebração solene da Assunção e da recitação do Rosário com os fiéis, que enchiam o Pátio de San Damaso e a galeria superior da Basílica de São Pedro no tempo de S. João Paulo II e do Papa Bento XVI.

O Papa Bergoglio usa a pachamama para derrotar o Guadalupana. A entronização desse ídolo da Amazônia no Altar da Confissão em São Pedro não passou de uma declaração de guerra contra a Imperatriz e Padroeira de todas as Américas, que com sua aparição a Juan Diego destruiu ídolos demoníacos e conquistou para Cristo e para a adoração ao “Verdadeiro e Único Deus” os índios, graças à sua mediação materna. E isso não é uma lenda [como escreveu recentemente o Vatican News]!

Poucas semanas após o encerramento do evento sinodal que patenteou a investidura da pachamama no coração do catolicismo, descobrimos que o desastre conciliar do Novus Ordo Missae passa por uma modernização adicional, incluindo a introdução do “orvalho” [na nova tradução italiana] do cânon eucarístico, em vez da menção explícita ao Espírito Santo, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Este é mais um passo rumo à regressão a uma versão naturalista e imanentista do culto católico, a um Novissimus Ordo panteísta e idólatra. O “Orvalho” – uma entidade presente no “lugar teológico” dos trópicos amazônicos, como nós aprendemos com os Padres sinodais –, figura como o novo princípio imanente de fertilização da Terra, que a “transubstancia” em um Todo panteisticamente interconectado ao qual devem os homens assimilar-se e submeter-se para maior glória da pachamama. E eis-nos de volta às trevas de um novo paganismo, globalista e ecotribal, com seus demônios e suas perversões. Com esta enésima adulteração litúrgica, a Revelação divina decai da plenitude [da explicitação] para o arcaísmo; da identidade hipostática do Espírito Santo desliza-se para a evanescência simbólica e metafórica do orvalho, que a gnose maçônica adotou já faz tempo.

Voltemos, porém, por um momento às estatuetas idólatras de rara feiura, e à declaração do Papa Bergoglio no dia seguinte à retirada delas da igreja da Traspontina e de seu afogamento no Tibre. Também desta vez, as palavras do Papa têm o mau odor de uma mentira colossal: ele nos fez acreditar que as figuras foram prontamente exumadas das águas imundas graças à intervenção dos carabinieri. Fica-se atônito que uma trupe do Vatican News coordenada por Tornielli e [pelo Pe.] Spadaro da Civiltà Cattolica, com repórteres e cinegrafistas da imprensa cortesã, não tenham filmado a façanha dos mergulhadores e capturado o resgate das pachamamas. O fato de uma operação tão espetacular não ter sequer chamado a atenção de um transeunte, equipado com um telefone celular para filmar e depois relançar o scoop nas redes sociais, também é bastante inverossímil. Ficamos tentados a dirigir essa pergunta à pessoa que fez a declaração. Certamente, ainda desta vez, ele nos responderia com seu eloquente silêncio.

Há mais de seis anos que vamos sendo envenenados por um falso magistério, uma espécie de síntese extrema de todas as formulações conciliares ambíguas e dos erros pós-conciliares que se espalharam sem interrupção e sem que a maioria de nós se desse conta. Sim, porque o Vaticano II abriu não apenas a Caixa de Pandora, mas também a Janela de Overton [das posições “politicamente corretas” aceitas pela maioria], e o fez de maneira tão gradual que não percebemos a adulteração introduzida, a verdadeira natureza das reformas, suas dramáticas consequências, e sem que sequer nos viesse a suspeita de quem é que estava realmente dirigindo aquela gigantesca operação subversiva que o cardeal modernista Suenens chamou de “1789 [ou seja, a Revolução Francesa] da Igreja Católica”.

Assim, no decurso das últimas décadas, o Corpo Místico vem sendo lentamente drenado de seu sangue vital através de uma hemorragia irrefreável: o sagrado Depósito da Fé gradualmente dilapidado; os Dogmas desnaturados; o Culto secularizado e gradualmente profanado; a Moral sabotada; o Sacerdócio envilecido; o Sacrifício eucarístico protestantizado e transformado em um banquete de confraternização…

Agora a Igreja está esmorecida, coberta por metástases, devastada. O povo de Deus, analfabeto e privado de sua fé, tateia nas trevas do caos e da divisão. Nas últimas décadas, os inimigos de Deus transformaram progressivamente em terra devastada dois mil anos de Tradição. Com uma aceleração sem precedentes – graças à carga subversiva deste pontificado, apoiada pelo poderoso aparelhamento jesuíta –, um golpe de graça mortal está sendo assestado contra a Igreja.

Com o Papa Bergoglio – como com todos os modernistas – é impossível buscar clareza, pois a marca distintiva da heresia modernista é precisamente a dissimulação. Mestres do erro e especialistas na arte do engano, “trabalham para fazer universalmente aceitar o que é ambíguo, apresentando-o de seu lado inofensivo, que servirá como passaporte para introduzir o lado tóxico, que no início era mantido oculto” (P. Matteo Liberatore, SI). Assim, a mentira repetida obstinadamente e obsessivamente acaba se tornando “verdade” e aceita pela maioria.

Tipicamente modernista também é a tática de afirmar o que se quer destruir, usando termos vagos e imprecisos, promovendo o erro sem nunca formulá-lo claramente. É exatamente isso que o Papa Bergoglio faz, com seu amorfismo dissolvente dos Mistérios da Fé, com a imprecisão doutrinária que lhe é própria, através da qual ele “mestiça” e destrói os dogmas mais sagrados, como fez com os dogmas marianos da Mãe Sempre Virgem de Deus.

O resultado dessa arbitrariedade é o que temos agora sob os nossos olhos: uma Igreja Católica que não é mais católica; um recipiente esvaziado do seu conteúdo autêntico e cheio de produtos reciclados.

O advento do Anticristo é inevitável, faz parte do epílogo da História da Salvação. Mas sabemos que é o prelúdio do triunfo universal de Cristo e de sua gloriosa Esposa. Aqueles dentre nós que não se deixaram enganar por esses inimigos da Igreja enfeudados no corpo eclesial devem unir-se e formar uma frente comum contra o Maligno, que apesar de há muito derrotado ainda é capaz de prejudicar e provocar a eterna perdição de multidões, mas cuja cabeça a Virgem, nossa Capitã, esmagará definitivamente.

Agora é a nossa vez. Sem mal-entendidos, sem nos deixarmos expulsar desta Igreja da qual somos filhos legítimos e na qual temos o sacrossanto direito de nos sentirmos em casa, sem que a horda odiosa dos inimigos de Cristo nos faça sentirmos marginalizados, cismáticos e excomungados.

É a nossa vez! O triunfo do Imaculado Coração de Maria – Corredentora e Medianeira de todas as graças – passa por seus “pequenos” – certamente frágeis e, além do mais, pecadores, mas de sinal absolutamente contrário ao dos membros do exército do Inimigo. “Pequenos” consagrados sem limites à Virgem Imaculada como seu calcanhar, a parte mais humilhada e desprezada, mais odiada pelo inferno, mas que junto com Ela esmagará a cabeça do Monstro infernal.

São Luís Maria Grignion de Montfort se perguntou: “Mas quando ocorrerá esse triunfo? Somente Deus o sabe.” Nossa tarefa consiste em vigiar e orar, como recomendado ardentemente por Santa Catarina de Siena: “Ai! Eu morro e não posso morrer. Não adormeceis mais com negligência; valei-vos do que é possível no tempo presente. Confortai-vos no doce Jesus Cristo. Mergulhai-vos no Sangue de Cristo crucificado, colocai-vos na cruz com o Cristo crucificado, escondei-vos nas feridas de Cristo crucificado, banhai-vos no sangue de Cristo crucificado” (Carta 16).

A Igreja está envolta nas trevas do modernismo, mas a vitória pertence a Nosso Senhor e a sua Esposa. Queremos continuar a professar a fé perene da Igreja diante dos rugidos do mal que a assedia. Queremos velar com Ela e com Jesus neste novo Getsêmani do fim dos tempos; rezar e fazer penitência em reparação pelas muitas ofensas que lhes são infligidas.

+ Carlo Maria Viganò

Arcebispo. tit. de Ulpiana

Núncio Apostólico

19 de dezembro de 2019

12 novembro, 2019

Mons. Viganò: “A abominação de ritos idolátricos penetrou no santuário de Deus”.

Por LifeSiteNews, Roma, 6 de novembro de 2019 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com –  O arcebispo Carlo Maria Viganò pede a reconsagração da Basílica de São Pedro, à luz do que ele chama de “horríveis profanações idolátricas” que foram cometidas em seus muros pela veneração de estátuas da Pachamama.

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Em uma nova entrevista com o LifeSiteNews sobre o Sínodo da Amazônia, o arcebispo Viganò disse: “A abominação de ritos idolátricos entrou no santuário de Deus e deu origem a uma nova forma de apostasia cujas sementes, ativas há muito tempo, estão crescendo com renovado vigor e eficácia.”

Ele prossegue: “O processo de mutação interna da fé, que ocorre na Igreja Católica há várias décadas, viu neste Sínodo uma dramática aceleração em direção à fundação de um novo credo, resumido em um novo tipo de adoração [cultus]. Em nome da inculturação, elementos pagãos estão infestando o culto divino, a fim de transformá-lo em um culto idolátrico.”

Clérigos e leigos “não podem permanecer indiferentes aos atos idolátricos que testemunhamos”, insiste o arcebispo. “É urgente redescobrir o significado de oração, reparação e penitência, do jejum, dos pequenos sacrifícios, dos buquês espirituais e, acima de tudo, da adoração silenciosa e prolongada diante do Santíssimo Sacramento.”

Nesta exaustiva entrevista (veja o texto completo abaixo), abordamos com o arcebispo Viganò o que a “saga da Pachamama” revela sobre o estado da Igreja e como é a consequência lógica de outras declarações “aberrantes” feitas no atual pontificado. Também falamos sobre o documento final do Sínodo, que ele chama de “ataque frontal contra o edifício divino” da Igreja; o que o Sínodo da Amazônia revela sobre “sinodalidade”; e o que seus organizadores conseguiram.

Segundo o arcebispo Viganò, o “paradigma da Amazônia”, que visa fundamentalmente “transformar” a Igreja Católica, está alinhado com uma agenda “globalista” e “serve como uma passarela para baldear o que resta do edifício católico rumo a uma religião universal indefinida”.

“Para todos nós católicos, a paisagem da Santa Igreja está se tornando mais escura a cada dia”, diz ele. “Se esse plano satânico for bem-sucedido, os católicos que aderem a ele mudarão de fato de religião, e o imenso rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo será reduzido a uma minoria”.

“Essa minoria provavelmente terá muito que sofrer […] mas com Ele vencerá”, diz, concluindo suas observações com as palavras provocativas, proféticas e oportunas da mística e santa do século XIV, Brígida da Suécia.

A seguir, a nossa entrevista sobre o Sínodo da Amazônia com o Arcebispo Carlo Maria Viganò.

LifeSiteNews: Excelência, como o senhor caracterizaria o conjunto da narrativa do Sínodo? Existe uma imagem que o resuma adequadamente?

Arcebispo Viganò: A barca da Igreja está sacudida por uma tempestade furiosa. Para acalmar a tempestade, aqueles sucessores dos Apóstolos que tentaram deixar Jesus na praia e que não mais percebem Sua presença, começaram a invocar a Pachamama!

 “Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação […] então a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será” (Mt 24, 15 e 21).

A abominação dos ritos idolátricos entrou no santuário de Deus e deu origem a uma nova forma de apostasia, cujas sementes – que estão em atividade há muito tempo – estão crescendo com renovado vigor e eficácia. O processo de mutação interna da fé, que ocorre na Igreja Católica há várias décadas, viu neste Sínodo uma aceleração dramática em direção à fundação de um novo credo, resumido em um novo tipo de culto [cultus]. Em nome da inculturação, elementos pagãos estão infestando o culto divino, a fim de transformá-la em um culto idolátrico.

LSN: Qual parte do Documento Final do Sínodo Amazônico o senhor considera mais preocupante ou problemática?

AV: A estratégia de toda a operação do Sínodo da Amazônia é o engano, a arma preferida do diabo: dizer meias-verdades para alcançar um fim perverso. Falta de padres: para destruir o celibato, primeiro na Amazônia e depois em toda a Igreja, eles dizem que é necessário abrir-se aos padres casados e ao diaconato das mulheres. Em que continente a primeira evangelização da Igreja Católica foi realizada por padres casados? As missões na África, Ásia e América Latina foram feitas principalmente pela Igreja latina, e apenas em pequena escala pelas Igrejas orientais que têm clérigos casados.

O documento final desta assembleia vergonhosamente manipulada, cuja agenda e resultados foram planejados há muito tempo, é um ataque frontal contra o edifício divino da Igreja, atacando a santidade do sacerdócio católico e pressionando pela abolição do celibato eclesiástico e por um diaconato feminino.

LSN: O que a saga da Pachamama revelou? E o que deve ser feito em resposta?

AV: Em Abu Dhabi, o Papa Francisco declarou por escrito que Deus “deseja” todas as religiões. Apesar da correção fraterna apresentada a ele pessoalmente e por escrito pelo Bispo Athanasius Schneider, o Papa Francisco ordenou que sua declaração herética fosse ensinada nas universidades pontifícias e que se criasse uma comissão especial para espalhar este grave erro doutrinário.

Consistente com essa doutrina aberrante, não surpreende que o paganismo e a idolatria também sejam incluídos entre as religiões desejadas por Deus. O Papa no-lo mostrou e levou-o a cabo pessoalmente, profanando os jardins do Vaticano e a Igreja de Santa Maria em Traspontina, e dessacralizando a Basílica de São Pedro e a missa de encerramento do Sínodo, colocando no altar da Confissão aquela “planta” idolátrica que está intimamente ligada à Pachamama.

De acordo com a tradição da Igreja, a Igreja de Santa Maria em Traspontina e a Basílica de São Pedro devem ser novamente consagradas, à luz das terríveis profanações idolátricas nelas cometidas.

A saga da Pachamama revelou uma violação flagrante e muito séria do Primeiro Mandamento, bem como a tendência à idolatria em uma “Igreja com rosto amazônico”. Esse rito, que ocorreu no coração do cristianismo e do qual Bergoglio participou, assume o valor de um rito iniciático da nova religião. A veneração da Pachamama é o fruto venenoso da “inculturação” a qualquer preço e uma expressão fanática da “Teologia Índia”. O Sínodo ofereceu uma plataforma de lançamento para esta nova igreja sincretista neopagã, dedicada ao culto da Mãe Terra, ao mito naturalista do “bom selvagem” e à rejeição do modelo e do estilo de vida ocidentais das sociedades avançadas.

A idolatria chancela a apostasia. É o fruto da negação da verdadeira fé. Nasce da desconfiança em Deus e degenera em protesto e rebelião. O Pe. Serafino Lanzetta disse recentemente:

“Adorar um ídolo é adorar a si mesmo no lugar de Deus […] é adorar o anti-Deus que nos seduz e nos separa de Deus, ou seja, o diabo, como pode ser claramente visto nas palavras de Jesus ao tentador no deserto (cf. Mt 4, 8-10). O homem não pode deixar de adorar, mas deve escolher quem adorará. Ao tolerar a presença de ídolos – a Pachamama em nosso contexto atual – ao lado da fé, se diz que a religião é basicamente o que satisfaz os desejos do homem. Os ídolos são sempre atraentes porque se adora o que se quer e, acima de tudo, não é preciso suportar muitas dores de cabeça com a moral. Pelo contrário, os ídolos são na maior parte a sublimação de todos os instintos humanos. A verdadeira dor de cabeça, no entanto, ocorre quando a corrupção moral se espalha e infesta a Igreja. Um ‘abandono de Deus’ por impureza, prostituir-se com outros deuses, trocando a verdade de Deus por mentiras e adorando e servindo criaturas em vez do Criador (cf. Rom 1, 24-25). Parece que São Paulo está falando conosco hoje. A raiz dessa triste e trágica história é o colapso dogmático e moral”.

Não podemos permanecer indiferentes aos atos idolátricos que testemunhamos e nos deixaram perplexos. Esses ataques contra a santidade de nossa Igreja Mãe exigem de nós uma reparação justa e generosa. É urgente redescobrir o significado da oração, reparação e penitência, do jejum, dos “pequenos sacrifícios, dos buquês espirituais” e, sobretudo, da adoração silenciosa e prolongada diante do Santíssimo Sacramento.

Imploremos ao Senhor que volte e fale ao coração de sua Amada Noiva, atraindo-a de volta para Si na graça de seu primeiro e irrevogável amor, depois de cometer o erro de se entregar ao mundo e à sua prostituição.

LSN: O que o Sínodo da Amazônia nos mostrou sobre a natureza da “sinodalidade”?

AV: A Igreja não é uma democracia. O Sínodo dos Bispos, desde que Paulo VI o estabeleceu através do Motu Proprio Apostolica Sollicitudo em 15 de setembro de 1965, sempre lidou com problemas relacionados com a Igreja universal e concedeu aos bispos que representam todas as conferências episcopais no mundo inteiro o direito de participar. O Sínodo da Amazônia não respeitou esse critério.

A Igreja na Amazônia certamente tem seus próprios problemas, os quais precisam, portanto, ser abordados em nível local. Para resolvê-los, seria suficiente que os bispos latino-americanos seguissem as recomendações que o Papa Bento XVI lhes fez por ocasião de sua visita a Aparecida em 2007. Eles não o fizeram. De fato, há décadas muitos deles têm permitido, senão encorajado, que adeptos da teologia da libertação e de ideologias de origem assaz germânica, com os jesuítas na linha de frente, continuem se recusando a proclamar Cristo como o único Salvador.

“Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores” (Mt 7, 15). A situação em um setor da Igreja na Amazônia tem sido um fracasso, em parte por causa dos núncios apostólicos no Brasil, como o atual Secretário Geral do Sínodo dos Bispos, que propôs candidatos ao episcopado como os que vimos no Sínodo da Amazônia. Promovendo um Sínodo em Roma, em vez de promover um sínodo local, e convidando bispos selecionados entre os mais cegos para guiar outros cegos, houve uma tentativa de exportar e espalhar a doença para a Igreja universal?

O Papa Francisco usa a “sinodalidade” de uma maneira extremamente contraditória e minimamente sinodal! “Sinodalidade” é um dos “mantras” do atual pontificado, a solução mágica para todos os problemas que afetam a vida da Igreja. A tão aclamada “conversão sinodal” substituiu a conversão a Cristo. É exatamente por isso que a “sinodalidade” não é a solução, mas o problema.

Além disso, o Papa Francisco parece conceber a sinodalidade como uma via de mão única: os atores, o conteúdo e os resultados são planejados e dirigidos de maneira direcionada e inequívoca. Como resultado, a instituição sinodal é seriamente deslegitimada e a adesão dos fiéis a ela fica prejudicada.

Também se tem a impressão de que a sinodalidade está sendo apreendida e usada como um instrumento para se libertar da Tradição e daquilo que a Igreja sempre ensinou. Como pode existir verdadeira sinodalidade onde a fidelidade absoluta à doutrina está ausente?

Falando no Angelus sobre a assembleia recém-concluída, Francisco disse: “Caminhamos fitando-nos nos olhos e ouvindo-vos com sinceridade, sem esconder dificuldades.” Essas palavras falam de uma sinodalidade exercida a partir de baixo, não de Cristo, o Senhor, nem de ouvir sua verdade eterna. Elas refletem uma sinodalidade sociológica e mundana que serve a um projeto ideológico meramente humano.

LSN: O senhor tem alguma ideia de como o aparelho de mídia do Vaticano lidou com o Sínodo? Os críticos dizem que perdeu toda a credibilidade.

AV: Durante o Sínodo, assistimos a um gerenciamento de comunicação no estilo soviético, com a imposição de uma “versão oficial” que quase nunca coincidia com a realidade. Quando a evidência de mentiras ou ambiguidade foi trazida à luz por tantos jornalistas corajosos, eles o negaram ou denunciaram uma conspiração.

As vestes foram rasgadas, a ponto de se registrar uma queixa-crime sobre as deusas-mães Pachamama jogadas no rio Tibre! Depois vieram os epítetos habituais – católicos conservadores e fanáticos; retrógrados que não acreditam no diálogo; pessoas que ignoram a história da Igreja –, segundo um editorial publicado no Vatican News favorável às estátuas, completado com uma citação do cardeal S. John-Henry Newman. No entanto, a citação de Newman, segundo a qual os elementos de origem pagã são santificados por sua adoção na Igreja, não apenas testemunha a má-fé da pessoa que a usou, mas também se volta contra ela.

A citação de Newman, de fato, ressalta a diferença substancial existente entre a prática sábia da Igreja de Cristo e os métodos da apostasia modernista. De fato, a Igreja Romana, que destruiu a tirania dos ídolos demoníacos (pense na demolição dos templos de Apolo por São Bento ou no carvalho sagrado por São Bonifácio) e estabeleceu o reino de Cristo, adota formas da antiga religião pagã e as batiza. Os novos modernistas, pelo contrário, que acreditam que Deus deseja positivamente a diversidade das religiões, se entregam alegremente ao sincretismo e à idolatria.

LSN: O que especificamente sobre a Igreja e sua fé foi posto em risco ou ameaçado pelo Sínodo da Amazônia?

AV: O Sínodo Amazônico faz parte de um processo que visa nada menos que mudar a Igreja. O pontificado do Papa Francisco está repleto de atos sensacionais que visam minar doutrinas, práticas e estruturas que até agora eram consideradas consubstanciais à Igreja Católica. Ele próprio definiu esse processo como uma “mudança de paradigma”, isto é, uma clara ruptura com a Igreja que o precedeu.

Com o Sínodo da Amazônia surgiu a utopia de uma nova igreja tribalista e ecologista. É o antigo projeto deste progressismo latino-americano – já enfrentado por João Paulo II e pelo então cardeal Ratzinger, mas nunca realmente erradicado –, que agora está sendo promovido pelo topo da hierarquia católica. O objetivo deste Sínodo é avançar para a consagração definitiva da teologia da libertação em sua versão “verde” e “tribal”.

Com esse Sínodo, como em outras ocasiões, a Igreja Católica parece estar alinhada com as estratégias que dominam a cena globalista, as quais são apoiadas por forças e finanças poderosas. Essas estratégias são radicalmente anti-humanas e intrinsecamente anticristãs. A agenda inclui até a promoção do aborto, da ideologia de gênero e do homossexualismo, e dogmatiza a teoria do aquecimento global antropogênico.

Para todos nós católicos, a paisagem da Santa Igreja está se tornando mais escura a cada dia. A ofensiva progressista em curso anuncia uma revolução real, não apenas na maneira como a Igreja é entendida, mas também nas imagens apocalípticas que ela dá para toda a ordem mundial. Com profunda tristeza, vemos o presente pontificado marcado por fatos incomuns, comportamentos desconcertantes e declarações que contradizem a doutrina tradicional e semeiam uma dúvida geral nas almas sobre o que é a Igreja Católica e quais são seus verdadeiros e imutáveis ​​princípios. Parece que estamos nas garras de um caos religioso de proporção gigantesca. Se esse plano satânico for bem-sucedido, os católicos que aderem a ele de fato mudarão de religião, e o imenso rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo será reduzido a uma minoria. Essa minoria provavelmente terá muito que sofrer. Mas será sustentada pela promessa de Nosso Senhor de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja, e com Ele vencerá no Triunfo do Imaculado Coração de Maria prometido por Nossa Senhora em Fátima.

LSN: O que o senhor acha que os organizadores do sínodo obtiveram do ponto de vista deles? Que avanços eles fizeram em sua agenda?

AV: Os organizadores e protagonistas do Sínodo certamente alcançaram um de seus objetivos: tornar a Igreja mais amazônica e a Amazônia menos católica. O paradigma amazônico não é, portanto, a etapa final do processo de transformação visado pela “revolução pastoral” promovida pelo atual magistério papal. Serve como uma passarela para baldear o que resta do edifício católico rumo a uma religião universal indefinida.

O paradigma amazônico, com sua veneração panteísta da Mãe Terra e a interconexão utópica entre todos os elementos da natureza, deve permitir (de acordo com as especulações teológicas desenvolvidas na área germânica) a superação da religião católica tradicional através de um panteão mundial e apátrida. O recente Sínodo obteve sucesso no sentido de criar uma igreja amazônica constituída por um conjunto de crenças, adoração, práticas pagão-sacramentais, liturgias inculturadas em comunhão com a Natureza e muitos clérigos indígenas casados, com vistas à ordenação de mulheres. É um passo aberrante e verdadeiramente significativo na agenda de uma “igreja em saída”, ocupada no processo da Grande Substituição do Catolicismo por Outra Religião, que glorifica o Homem no lugar de Deus.

LSN: O senhor foi Núncio Apostólico nos Estados Unidos. O que acha da ideia de os leigos inundarem as Nunciaturas Apostólicas do Vaticano com cartas?

“O Rei­no dos Céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11, 12). Como o professor Roberto De Mattei nos convida: “Precisamos militarizar nossos corações e transformá-los em uma Acies Ordinata. A Igreja não tem medo de seus inimigos e sempre vence quando os cristãos lutam. Nossos adversários estão unidos pelo ódio ao bem; devemos nos unir no amor ao bem e à verdade. Esta não é uma batalha comum, mas uma guerra! É urgente que diante do processo contínuo de autodemolição da Igreja, a resistência católica seja fortemente unida e visível, e também supere ‘os muitos mal-entendidos que frequentemente dividem o campo do bem e busque entre essas forças uma unidade de propósitos e ação, mantendo suas diferentes identidades legítimas’” (De Mattei).

Nesta hora das mais graves, os leigos são certamente a ponta de lança da resistência. Por sua coragem, eles devem apelar a nós pastores, e nos encorajar a avançar com mais coragem e determinação para defender a Noiva de Cristo. A advertência de Santa Catarina de Siena é dirigida aos pastores: “Abram os olhos e observem a perversidade da morte que veio ao mundo, e especialmente ao Corpo da Santa Igreja. Ai de mim! Que seus corações e almas explodam ao ver tantas ofensas contra Deus! Ai de mim! Chega de silêncio! Gritem com cem mil línguas. Vejo que, através do silêncio, o mundo está morto, a Noiva de Cristo está pálida.”

LSN: O senhor gostaria de adicionar algo?

AV: Vamos dar a última palavra a Santa Brígida da Suécia, co-padroeira da Europa:

“O Pai falou, enquanto todo o exército do céu estava ouvindo, e Ele disse:

‘Diante de vós declaro minha queixa, entreguei minha filha a um homem que a atormenta terrivelmente e amarra seus pés a uma estaca de madeira, de tal modo que a medula saiu de seus pés.’

“O Filho respondeu: ‘Pai, eu a redimi com meu sangue e a tomei como noiva, mas agora ela foi raptada à força.’

“O Pai exclamou: ‘Meu Filho, compartilho o vosso lamento, vossa palavra é minha, vossas obras são minhas. Vós estais em Mim e eu em Vós. Que vossa vontade seja feita.’

“Então a Mãe falou, dizendo: ‘Vós sois meu Deus e meu Senhor. Meu seio portou os membros do vosso Filho abençoado, que é vosso verdadeiro Filho e meu verdadeiro Filho. Não recusei nada a Ele na terra. Por causa de minhas orações, tende piedade de sua filha, a Igreja!’

“O Pai respondeu: ‘Visto que nada me recusastes na Terra, não quero Vos recusar nada no Céu. Que seja feita a vossa vontade.’

“Depois disso, os anjos falaram, dizendo: ‘Vós sois nosso Senhor, em Vós possuímos tudo de bom e não precisamos de nada além de Vós. Quando Vós escolhestes esta Noiva, todos nos alegramos; a essa altura, temos motivos para ficar triste, porque ela foi entregue nas mãos dos piores homens, que a ofendem com todo tipo de insultos e abusos. Portanto, tende piedade dela, segundo vossa grande misericórdia, e não há ninguém para consolá-la e libertá-la senão Vós, Senhor, Deus Todo-Poderoso.’

“Então Ele disse aos anjos: ‘Vós sois meus amigos e a chama do vosso amor queima em meu coração. Terei piedade de minha filha, minha Igreja, pelo amor de vossas orações’ ”(Revelações, livro I, capítulo 24).

Mais uma vez, permitamos que Santa Brígida fale:

“Saiba que, se algum Papa conceder aos padres a permissão para contrair matrimônio carnal, ele será espiritualmente condenado por Deus […]. Deus privaria completamente o mesmo Papa da visão e audição espirituais, bem como das palavras e ações espirituais. Toda a sua sabedoria espiritual ficaria completamente congelada. Então, após sua morte, sua alma seria lançada no inferno para ser atormentada para sempre, para se tornar alimento de demônios eternamente e sem fim. Sim, mesmo que o próprio Papa São Gregório tivesse decretado isso, ele nunca obteria o perdão de Deus a partir dessa sentença, a menos que a revogasse humildemente antes da morte” (Apocalipse, livro VII, 10).

Senhor, tende piedade da vossa Igreja, pelo amor de nossas orações e aflições!