Posts tagged ‘Montfort’

12 agosto, 2018

Foto da semana.

IBP padres

Neste momento de dor – em que a Montfort-Zucchi e padres do IBP-Zucchi se viram obrigados a romper com a viúva Ivone Fedeli por ela ter alegadamente traído os ideais tradicionalistas de seu marido –, esta foto adquire significado especial. Trata-se dos excelentes sacerdotes Pe. Renato Coelho e Tomás Parra, que são atualmente os padres do IBP em São Paulo, rezando no cemitério da Quarta Parada, em São Paulo (agradecimento ao padre Tomás Parra pela correção). Rezemos pelos pais falecidos. Fidelium aninum per misericordiam Dei resquiescant in pace.

17 julho, 2018

Novo capítulo da divisão entre a viúva Ivone e a Montfort-Zucchi: o site “Flos Carmeli” e o surgimento de uma nova hermenêutica do Legado de Orlando Fedeli.

Por Manoel Gonzaga Castro | FratresInUnum.com, 17 de julho de 2018

manoelgonzagacastro@gmail.com

Há cerca de duas semanas, foi noticiado com exclusividade em FratresInUnum.com, por meio da coluna de minha colega Catarina, que o Sr. Alberto Zucchi, 58 anos, rompera com a viúva Ivone Fedeli, 60, sob a narrativa de que Ivone teria traído os ideais do Professor Orlando Fedeli (1933-2010), seu marido por mais de duas décadas, ao ter permitido, como atual superiora do ramo feminino da Fraternidade São Mauro (FSM), a participação de suas “freiras” na celebração da “Liturgia da Palavra”, na abertura do Sínodo da Arquidiocese de São Paulo, presidida por seu Arcebispo, Dom Odilo Pedro Cardeal Scherer.

Segundo o vídeo publicado, para Zucchi, essa autorização de Ivone teria corroborado com o projeto modernista de destruição da Missa Tridentina, representado em iniciativa ainda mais radical que sua substituição pela Missa Nova, pois o Novus Ordo, embora corrupto, ainda seria Missa, ao passo que a Liturgia da Palavra não passaria de idolatria. Assim, nos 35 anos de Montfort, nunca teria ocorrido uma traição tão grande, pois Ivone estaria conduzindo seus seguidores a um pecado mais grave que o cometido por quem vai à Missa Nova, de acordo com o ensinamento do Prof. Orlando Fedeli. Para ele, a frequência à forma ordinária por aqueles que “sabem” de seus males implicaria cometimento de pecado.

Segundo a interpretação de Zucchi, o Professor jamais aprovaria esse ato de sua esposa. Ainda no vídeo, Zucchi enfatiza energicamente que a ação de Ivone foi feita à total revelia da direção da Montfort, ou seja, dele, que tem dirigido a associação de forma centralizadora desde 2010, quando o fundador faleceu.

Nesse sentido, com seu “non serviam” a Zucchi, Ivone operou, no microcosmos do grupo, uma verdadeira revolução metafísica e moral. Com efeito, ela jurara fidelidade a Zucchi, publica e reiteradamente, alegando que “a autoridade é a forma de um grupo e que o Alberto, apesar de seus inúmeros defeitos bem conhecidos e de não ter a virtude do Lando, era a forma da Montfort após sua morte”, e que “não seguir a autoridade era uma das maiores manifestações de orgulho, que foi o pecado de Lúcifer”.

Como de costume, essa ruptura foi declarada em aula na sede da associação, com argumentação alegadamente definitiva, embasada em diversos autores estrangeiros que, conforme é sabido nos ambientes da Tradição em São Paulo, o montfortiano médio desconhece. A argumentação dessa aula, tirando a parte da “briga-baixaria-disputa” a que imediatamente servia, foi publicada em texto de cariz acadêmico em seu site (cf. “A Teologia do Novus Ordo Missae é a mesma da Celebração da Palavra de Deus?” )

Assim, em 90 minutos, Ivone passou de viúva piedosa e frágil a “prócer” do projeto modernista de implantação de um culto novo no seio da Igreja Católica, porque quis demonstrar unidade com o Cardeal Dom Odilo e obter favores para a incipiente Fraternidade São Mauro. Pessoas ligadas a Montfort-Zucchi ironizam que “a madre”, como é chamada, durou até que muito, pois outros traidores tiveram sua reputação interna assassinada em discursos, apoiados pela própria Ivone, de apenas 20 minutos.

Recapitulados os últimos fatos, tem relevância hoje a informação de que, passados oito anos da morte de seu marido, a viúva finalmente chamou para si a responsabilidade de interpretar o legado do falecido, lançando o site “Flos Carmeli”, com seção especialmente dedicada a essa tarefa: http://floscarmeliestudos.com.br/professor-orlando-fedeli/.

Confiram o vídeo de lançamento do site:

Ora, chama a atenção a quantidade de material disponibilizado no “Flos Carmeli”, com cerca de 120 vídeo-aulas, que começaram a ser gravadas já em 2016. O que reforça tanto a informação de que Ivone sempre visualizou um futuro sem Zucchi (dado seu desejo íntimo de fundar uma comunidade religiosa, ao passo que Zucchi depositava suas esperanças eclesiásticas exclusivamente no Instituto do Bom Pastor), quanto a crença de que o ataque de Alberto foi essencialmente uma tentativa de desmoralizar a viúva e de impedir que membros da já diminuta Montfort-Zucchi adiram à Fraternidade São Mauro.

Muito haveria que informar sobre todo esse processo de ruptura, permeado de intrigas e de conspirações, às quais a redação de FratresInUnum.com sempre esteve atenta e que não publicou antes, pois o desenlace ainda estava nebuloso e somos fiéis a nosso objetivo de prestar informações de qualidade a nossos leitores a respeito do movimento tradicionalista brasileiro.

Porém, estando clara a ruptura, sendo por isso que a noticiamos, surge agora a tarefa de compreender qual vai ser exatamente o enfoque interpretativo da obra de Fedeli a ser adotado pela viúva em sua disputa com Zucchi e também no embasamento teórico de sua congregação. Com efeito, a Fraternidade São Mauro se apresenta agora como a legítima detentora do “tesouro espiritual deixado pelo Lando”, conforme as palavras da viúva e as mensagens em sonho que Pe. Edivaldo Oliveira declara em palestras ter recebido a respeito da Fraternidade nos últimos anos (interessante notar que também Mons. João Clá Dias tem o hábito de fundamentar seus discursos em sonhos que costuma ter).

Ora, até 2010, havia um Orlando Fedeli atacando ferozmente o Concílio Vaticano II e a Missa Nova e sendo marginalizado pelas autoridades eclesiásticas por conta disso. Ele defendia suas ideias e pagava o preço.

Após a morte do fundador, Zucchi, por sua vez, desenvolveu um pensamento tradicionalista esquizofrênico baseado na esperança de Fedeli de que Bento XVI seria o Papa de Fátima. Assim, Zucchi declarou não fazer mais que seguir os comandos desse papa quanto à liturgia e o concílio.  Crendo estranhamente que isso era ser contra a Reforma Litúrgica e o Vaticano II, ele conseguia dialogar nessa chave de “sigo Bento XVI” com o Cardeal Dom Odilo e, assim, obter espaço, por exemplo, na Paróquia São Paulo Apóstolo ou no Mosteiro de São Bento, para seus congressos.

Congresso

Congresso Montfort 2016, com a presença de Dom Odilo e do Abade Dom Mathias, ladeados por Alberto Zucchi e Ivone Fedeli. 

E Ivone? Qual será sua interpretação de Fedeli? O que fará ela, considerando que seu trato com o Cardeal é mais intenso que o de Zucchi, uma vez que ela está em vias de formalizar uma comunidade religiosa já operacional? Como seguir Fedeli, guardar e promover seu assim chamado tesouro espiritual, que inclui o combate à Missa Nova e ao Vaticano II, e obter a aprovação eclesiástica? Como seguir Fedeli e impedir que a licença de estudos do Padre Edivaldo Oliveira em São Paulo, que é o sacerdote que atende suas “freiras”, não seja cassada?

Afinal, nessa confusão toda, se há um ponto pacífico, é o de que ela, de fato, autorizou a ida de suas “freiras” à Liturgia da Palavra, o que se insere em um contexto de manifestar integração na vida da arquidiocese, fato do qual Zucchi se aproveitou.

Outro fato de que se aproveitam, para desmoralizá-la, também pacífico, é o de ela ter flexibilizado sua posição e de ter avalizado teologicamente a ordenação do Pe. Edivaldo em Ciudad del Este, numa Missa Tridentina “versus populum”, o que não deixou de ser encarado pelos “puristas” como uma invenção litúrgica “sui generis”.

O Professor, absolutamente apolítico que era, segundo alguns, jamais aceitaria tais fatos, visto que “foi d’abbord, pas la politique”, visto que a “fé vem antes de tudo, e não a política”.

Fiéis e sacerdotes piedosos e instruídos, que conhecem bem esses meandros tradicionalistas, opinam que tanto Zucchi, quanto Ivone não parecem em posição adequada para interpretar o “Legado de Orlando Fedeli”, pois ambos são parte dele e o fazem em meio a interesses práticos imediatos e brigas, o que lhes tira isenção. Nessa disputa, ambos precisam de Fedeli, para continuar seus movimentos, porém de um Fedeli a sua maneira.

Assim, sobre Ivone, se é possível um palpite, arriscam que ela vai deixar o Fedeli polemista em segundo plano, e ressaltar o “Lando pensador”, mais amistoso e contemplativo da beleza de Deus nas criaturas, na arte e na liturgia, o qual ainda não foi compreendido (por Zucchi e por todos os demais, leia-se). Ou seja, um Fedeli inédito, que ainda há de ser construído hermeneuticamente pela Fraternidade São Mauro, liderada pela madre Ivone.

Tudo isso, entretanto, fica para acontecimentos futuros, que, para o bem das almas, esperamos poder noticiar, cumprindo nosso objetivo de informação. Afinal, é importante estar ciente dessas vicissitudes humanas, para não corrermos o risco da frustração e do desespero, quando nos valemos desses movimentos como instrumentos para buscar a Deus.

Ademais, não é preciso ser pessimista e ignorar os bons frutos que podem surgir das lamentáveis contendas, ainda quando ocorrem entre “irmãos”, pois, ao fim e ao cabo, como católicos, estamos todos nos esforçando para alcançar a Jerusalém celeste, onde seremos definitivamente “fratres in unum”.

Quanto às origens e ao desenvolvimento da atual ruptura, voltaremos eventualmente a esse tema em próximas publicações.

 

12 junho, 2015

Novidades dos tradicionalistas no Brasil.

Por Manoel Gonzaga Castro* – FratresInUnum.com: O mês de maio foi prenhe de boas notícias para os católicos ligados à liturgia tradicional do sistema Ecclesia Dei/Summorum Pontificum.

Conforme noticiado, 3 de maio foi de fato o último dia da Santa Missa em sua forma extraordinária na Capela do Colégio Monte Calvário em Belo Horizonte, porém Dom Fernando Rifan conseguiu obter do arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo um novo local para essas celebrações na capital mineira. Dessa forma, sem interrupção, já em 10 de maio, domingo, o excelso sacrifício foi oferecido na Capela do Colégio Santa Maria. Mais informações sobre o local e os horários das missas em: http://missatridentinabh.blogspot.com.br/

Essa é, sem dúvida, uma excelente notícia para todos os fiéis frequentadores da forma extraordinária em Belo Horizonte, ainda mais considerando a intensificação das visitas dos padres da Administração Apostólica São João Maria Vianney a essa cidade.

Proibido de atuar na capital mineira por Dom Walmor, também como  noticiado, o IBP tem estudado uma expansão para o Nordeste, em locais não atendidos pela Administração. Como palestrante do 1º Congresso Montfort do Nordeste, o Pe. Luiz Fernando Pasquotto esteve recentemente em Recife, onde pôde travar contato com algumas dezenas de fiéis interessados na liturgia tradicional.

Para o maior bem da Santa Igreja, tomara que o IBP consiga se expandir para o Nordeste, dado seu relativo insucesso no Sudeste, muitas vezes motivado por questões não eclesiais.

Bem articulado em todos os seguimentos de tradicionalistas regulares, finalmente, o Pe. Jefferson Pimenta foi nomeado pároco pela Diocese de Santo André. Sua via crucis foi longa. Em um período de cerca de um ano, Pe. Jefferson – que celebra obedientemente as duas formas do rito romano – foi removido duas vezes de posto. Primeiro, da Paróquia Nossa Senhora da Prosperidade, onde empreendia uma grande reforma arquitetônica, e depois da Paróquia São Francisco de Assis. Isso afetou o apostolado do Pe. Jefferson com a forma extraordinária, porque ele acabou afastado de sua base de fiéis desejosos dessa missa, quando foi finalmente transferido para a Paróquia São Judas Tadeu, que fica em Ribeirão Pires – distante cerca de 30Km.

Apesar das dificuldades, Pe. Jefferson iniciou corajosamente o apostolado da forma extraordinária na Paróquia São Judas e agora,  conforme noticiado por Fratres in Unum, terá um novo bispo que, esperamos e rezamos, apoiará suas iniciativas.

Por fim, surgem rumores fortíssimos de que o Pe. Edivaldo Oliveira, considerado filho do falecido e polêmico Professor Orlando Fedeli, está começando uma nova obra, a Fraternidade São Mauro. Segundo os rumores, a nova fraternidade gozará do privilégio de uso exclusivo do chamado Rito Tridentino e receberá vocações masculinas e femininas. A vida religiosa feminina seria comandada pela viúva Ivone Fedeli, segundo informações ainda não oficialmente confirmadas desta que seria uma grande notícia!

Por ora, não há nenhum comunicado público do Reverendíssimo Pe. Edivaldo Oliveira a respeito de qual bispo autorizaria a existência da Fraternidade São Mauro, quais seriam suas prerrogativas e sobre como ela funcionaria.

O Pe. Edivaldo permanece incardinado na Diocese de Ciudad del Este, onde foi ordenado, em em 17 de agosto de 2013, por Dom Rogelio Livieres, que foi vítima de uma dramática deposição em setembro de 2014. Apesar de diocesano de Ciudad del Este, Pe. Edivaldo tem intensa atuação no Brasil, onde permanece boa parte de seu tempo junto ao Colégio São Mauro, em São Paulo, e em Fortaleza.

No final de maio, Pe. Edivaldo celebrou a Santa Missa na Festa Anual da Montfort em Itapetininga, SP, e, com pompa e circunstância, liderou a peregrinação do Colégio São Mauro a Aparecida:

Padre Edivaldo com o Colégio São Mauro em Peregrinação à Aparecida, maio de 2015

Padre Edivaldo com o Colégio São Mauro em Peregrinação a Aparecida, maio de 2015

Rezemos para que a Santa Missa no rito tradicional, juntamente com uma sólida formação doutrinal e moral, seja sempre e cada dia mais difundida no Brasil!

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com