Esclarecimento de Dom Bernard Fellay sobre declaração relatada pelo Cardeal Antonio Cañizares Llovera.

Por FSSPX-EUA | Tradução: Fratres in Unum.com

O que Dom Fellay realmente disse ao Cardeal Cañizares sobre a Missa Nova.

O Cardeal Antonio Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, afirmou à imprensa, no dia 15 de janeiro, o seguinte:

Certa vez, Dom (Bernard) Fellay, líder da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, veio me ver e disse: “Acabamos de chegar de uma abadia próxima de Florença. Se o Arcebispo (Marcel) Lefebvre tivesse visto como eles celebraram lá, ele não teria dado o passo que deu”… O missal usado naquela celebração foi o Missal de Paulo VI em sua forma mais estrita.[1]

Dom Fellay gentilmente prestou este esclarecimento à sspx.org do que ele efetivamente disse, e o contexto de suas palavras, relativamente à Novus Ordo Missae.

 * * *

Dom Fellay esclarece…

Como muito frequentemente ocorre em tais circunstâncias, uma frase foi mal interpretada: Eu estava descrevendo ao Cardeal Cañizares (e isso ocorreu cinco ou seis anos atrás) que os abusos na liturgia causaram uma grande reação entre nós. E isso ainda ocorre hoje em dia, no sentido de que os abusos e sacrilégios na sagrada liturgia têm ajudado os fiéis e até mesmo os padres a entenderem mais rápida e plenamente os defeitos profundos e o perigo do Novus Ordo – porque existe um elo entre a Missa Nova e os abusos. Os abusos têm ajudado a provar que a nossa posição é a correta: ou seja, a Missa Nova não é boa em si mesma.

Porém, tendo dito isso, desde o início e antes que os abusos ocorressem, o Arcebispo Lefebvre já tinha se recusado a celebrar o Novus Ordo Missae. Porque as graves omissões e toda a reforma [conciliar], feitas em um espírito ecumênico, lhe conferem um sabor protestante. A Missa Nova coloca em risco a Fé Católica e os inúmeros exemplos de fiéis e padres que perderam a Fé em relação direta com a celebração do Novus Ordo são bastante óbvios. Não obstante, por algum tempo – e até que esses novos efeitos nocivos fossem reconhecidos claramente – o Arcebispo Lefebvre não proibiu estritamente a frequência à Missa Nova. Só depois de alguns anos foi que ele proibiu os seminaristas de frequentarem a Missa Nova enquanto estivessem de férias.

[1] Conforme relatado pelo Rome Reports em 16 de janeiro de 2013 em um artigo intitulado “Cardinal Canizares: The most urgent reform is liturgical formation”. [Cardeal Canizares: A reforma urgentíssima é a formação litúrgica]

O Prefeito da Congregação para a liturgia convida a ver o Papa como modelo para celebrar a Missa.

A “criatividade selvagem” pós-conciliar provocou a ruptura com os lefebvristas, assegura o Cardeal.

Por I.Media | Tradução: Fratres in Unum.com – Após o Concílio Vaticano II (1962-1965), a “criatividade selvagem” de certas experiências litúrgicas “irritou” uma parte da Igreja e levou à “ruptura” entre Roma e os os fiéis de Dom Marcel Lefebvre, considera o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Assim se exprimiu o Cardeal Antonio Maria Cañizares em uma conferência sobre a reforma litúrgica pós-conciliar, em Roma, na noite de 15 de janeiro de 2013.

Enquanto a constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, sobre a reforma litúrgica, era aprovada em dezembro de 1963, alguns realizavam “experiências de uma criatividade selvagem” pouco respeitando o “Espírito do Concílio”, explicou o Cardeal Cañizares no final de um ciclo de encontros sobre o Concílio Vaticano II, proposto pela Embaixada de Espanha junto à Santa Sé. O alto prelado lamentou, então, que tais excessos tenham levado à “ruptura” com uma parte da Igreja. De fato, aos olhos do prelado espanhol, essa “má interpretação” do texto conciliar “irritou” alguns, provocando a separação realizada por Dom Lefebvre em 1988, com a sagração de quatro bispos sem mandato pontifício.

De acordo com o Prefeito, na época do Concílio Vaticano II, “mudança” foi uma “palavra mágica”, embora a “renovação litúrgica deva ser inscrita na continuidade”, sem o que corremos o risco de fazer da reforma de uma “caricatura”.

O Concílio não ofereceu tanto “mudanças”, mas antes uma “visão” da liturgia “em continuidade com toda a tradição da Igreja e da reflexão teológica” realizada sobre este tema, continuou o Cardeal Cañizares. Igualmente, segundo ele, “as mudanças são o resultado desta reflexão teológica dentro da tradição” e nas pegadas do “movimento litúrgico” iniciado na França, no século XIX, por Dom Prosper Guéranger (1805-1875), que tinha a peito aprofundar a liturgia para extrair a sua substância, a fim de fazê-la conhecida e amada.

Renovar o senso litúrgico

“Mesmo aqueles que seguem a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, quando participam de uma missa celebrada corretamente, afirmou ainda o alto prelado, eles dizem que não haveria a necessidade desta separação com a Igreja Católica se ela [a missa] fosse assim em todos os lugares”. O Cardeal Cañizares, em seguida, esclareceu que, segundo o testemunho de Dom Bernard Fellay, atual superior da Fraternidade, Dom Lefebvre obviamente não desejaria a ruptura se a missa fosse celebrada por todos segundo “a forma mais estrita” do novo Missal de Paulo VI (1963-1978).

Enquanto a nova evangelização é uma prioridade para os católicos, o chefe de dicastério considerou que não haverá “futuro para a Igreja, e mesmo para a humanidade, sem a renovação do senso litúrgico”. “A reforma mais urgente é a formação litúrgica, enormemente carente, e isso é visível”, enfatizou novamente. E acrescentou: “Onde os pastores e os fiéis têm uma boa formação litúrgica, a vitalidade das comunidades é mais forte”.

O padre não deve ser o “protagonista” de uma “liturgia espetáculo”, disse ainda o Cardeal Cañizares, mas a sua missa deve mais “compreensível, consciente e ativa”.

Questionado por jornalistas sobre a sensibilidade litúrgica de Bento XVI e, em especial, o recente retorno do fanon papal, um ornamento tradicional, o Cardeal Cañizares considerou que é necessário “ver as celebrações do Papa como um modelo a ser seguido”. “O Papa ensina não só por suas palavras, mas também por suas ações, e sua forma de celebrar é um exemplo para toda a cristandade”, concluiu.

Suíça: o bispo de Chur recorda as normas litúrgicas.

Dom Vitus Huonder, bispo de Chur, Suíça, celebra a Missa Tradicional
Dom Vitus Huonder, bispo de Chur, Suíça, celebra a Missa Tradicional

Por DICI | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com:  Para o início do Ano da Fé, Dom Vitus Huonder, bispo de Chur e administrador apostólico dos cantões de Obwald, Nidwald, Glaris, Zurique e uma parte de Uri, publicou uma carta pastoral intitulada A Sagrada Eucaristia – Um Sinal de Unidade, para ser lida em todas as igrejas da diocese no domingo, 11 de novembro.

Chefe dos departamentos de Liturgia, Ministério e Serviços da Conferência de Bispos da Suíça (CES), o bispo recorda firmemente aos sacerdotes e fiéis as regras para as celebrações litúrgicas. Dom Huonder enfatiza que o direito de organizar a liturgia pertence à autoridade exclusiva da Igreja; um padre não pode decidir por sua própria conta acrescentar, retirar ou modificar qualquer rubrica, e ele nunca poderá usá-la como um “meio legítimo para promover a participação dos leigos na liturgia.” “Na liturgia, Deus é o verdadeiro autor, idealizador e ator, e a Igreja tem o dever de preservar o sagrado ao longo dos séculos,” explica a carta da diocese de Chur. A Igreja paroquial é um lugar sagrado, reservado ao culto divino, domus Dei, e qualquer outro evento deve ser realizado em outros locais paroquiais.

A carta especifica que a pregação cabe exclusivamente aos ministros ordenados – bispos, sacerdotes e diáconos –, que o uso do dialeto suíço-alemão está autorizado somente para as celebrações com crianças ou jovens, e que os fiéis não devem ser induzidos a erro, perturbados ou magoados por declarações contra o ensinamento da Igreja e sua hierarquia. Dom Huonder insiste também no direito dos fiéis a uma liturgia livre de abusos, que seja livre de ações arbitrárias inventadas no impulso do momento. Ele refere-se à carta pastoral publicada em 2004 — Instrução Redemptionis Sacramentum da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que concede a todo católico o direito de chamar a atenção do bispo diocesano ou da Santa Sé para os abusos litúrgicos.

O número de sacerdotes na diocese é suficiente para garantir a celebração da Missa Dominical, e “domingos de padres”, que sejam considerados como dias de férias, não correspondem à espiritualidade sacerdotal, insiste o Bispo de Chur. Igualmente, a regra comum da Igreja pede que os ministros ordenados distribuam a Santa Comunhão e a levem aos doentes. Quanto à confissão, o sacramento exige que apenas o padre receba a acusação do penitente e lhe conceda a absolvição. A “confissão” a um leigo e sem absolvição sacerdotal não é um sacramento. Essas “maneiras de reconciliação” são corretas apenas se levarem a uma absolvição sacramental, ele recorda.

Finalmente, os fiéis devem ser encorajados a se aproximarem do sacramento da Eucaristia com grande respeito. Ou seja, o bispo Huonder exorta que todos devem estar atentos às condições necessárias para receber a comunhão: o Batismo, confissão da fé católica, o estado de graça e o jejum eucarístico por, pelo menos, uma hora de antecedência.

Em 9 de novembro, o dia seguinte à publicação da carta pastoral de Dom Huonder, Dom Josef Annen, Vigário Geral de Zurique e Glaris, e os anciãos de  Zurique, juntamente com Dom Martin Kopp, Vigário Geral da Suíça central e os anciãos da Suíça central publicaram uma carta explicando as nuances importantes para a carta pastoral do bispo.

Sem dúvida, eles explicam, se Dom Vitus Huonder fala de graves abusos no domínio da liturgia, há certamente casos especiais onde a liturgia é arbitrariamente alterada ou onde melhorias são necessárias. Nesses casos, eles especificam que a melhor solução é um encontro pessoal. Porém, esses casos isolados não devem nos fazer questionar as práticas litúrgicas atuais, que foram adquiridas pela Igreja universal desde Vaticano II e que são aprovadas pelos bispos (além de Dom Huonder, ed.). A colaboração dos leigos durante as celebrações – em comunhão com o padre – “não deve ser descontinuada, e lhes somos gratos,” afirma a carta em termos firmes.

Cardeal Brandmüller: a Missa de Paulo VI não é a Missa do Concilio. A Sacrosanctum Concilium nunca foi realmente implementada.

De uma entrevista concedida pelo Cardeal Walter Brandmüller ao Vatican Insider e publicada hoje. A última resposta, sobre a revolução litúrgica que nunca deveria ter acontecido e que destruiu o desenvolvimento orgânico do culto sagrado, é particularmente relevante.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

O Concílio Vaticano Segundo foi um Concílio Pastoral que também ofereceu explicações dogmáticas. Já houve algo semelhante anteriormente na história da Igreja?

Cardeal Walter Brandmüller.
Cardeal Walter Brandmüller.

[Brandmüller:] Parece, de fato, que o Vaticano II marcou o início de um novo tipo de Concílio. A linguagem utilizada no seu transcorrer e a totalidade dos textos mostram que os padres conciliares não estavam tão motivados pela necessidade de passar um julgamento sobre novas questões eclesiásticas e teológicas polêmicas, mas sim pelo desejo de voltar a atenção à opinião pública dentro da Igreja e todo o mundo, no espírito do anúncio.

O Concílio não deveria ser declarado um fracasso, já que após cinquenta anos os fiéis não o acolheram calorosamente? Bento XVI alertou contra uma interpretação errônea do Concílio, particularmente em termos de hermenêutica da [ruptura]…

[B:] Essa é uma daquelas questões clichês que remontam a um novo sentimento existencial; aquele sentimento de confusão, que é típico de nossos tempos. Porém, o que significa cinquenta anos, afinal de contas?! Retroceda o seu pensamento ao Concílio de Nicéia, em 325. As disputas ao redor do dogma deste Concílio – sobre a natureza do Filho, ou seja, se Ele é da mesma substância do Pai ou não – continuaram por mais de cem anos. Santo Ambrósio foi ordenado Bispo de Milão por ocasião do cinquentenário do Concílio de Nicéia e teve que lutar duro contra os arianos que se recusavam a aceitar as disposições nicenas. Pouco tempo mais tarde veio um novo Concílio: o Primeiro Concílio de Constantinopla de 381, que foi considerado necessário a fim de concluir a profissão de fé de Nicéia. Durante este Concílio, Santo Agostinho recebeu a tarefa de tratar de solicitações e refutar hereges até a sua morte, em 430. Francamente, mesmo o Concílio de Trento não foi muito frutuoso até o Jubileu de Ouro de 1596. Foi necessária uma nova geração de Bispos e prelados para amadurecer no “espírito do Concílio” antes que seu efeito pudesse efetivamente ser sentido. Precisamos nos conceder um pouco mais de espaço para respirarmos.

Agora falemos sobre os frutos que o Vaticano II produziu. O senhor pode comentar sobre isso?

[B:] Primeiramente, é claro, o “Catecismo da Igreja Católica” em comparação ao Catecismo Tridentino: após o Concílio de Trento, o Catecismo Romano foi lançado a fim de oferecer aos párocos, pregadores e etc. diretrizes sobre como pregar e anunciar o Evangelho ou evangelizar.

Mesmo o Código de Direito Canônico de 1983 pode ser considerado uma consequência do Concílio. Preciso enfatizar que a forma da liturgia pós-conciliar com todas as suas distorções não é atribuível ao Concílio ou à Constituição sobre a Liturgia estabelecida durante o Vaticano II, que, a propósito, não foi efetivamente implementada mesmo hoje em dia. A retirada indiscriminada do Latim e do Canto Gregoriano das celebrações litúrgicas e a construção de inúmeros altares não foram absolutamente atos prescritos pelo Concílio.

Com o benefício de retrospectiva, voltemos nosso pensamento particularmente à falta de sensibilidade demonstrada em termos de cuidado pelos fiéis e na falta de cuidado pastoral demonstrado na forma litúrgica. Basta pensar dos excessos da Igreja, reminiscente da [crise iconoclasta] que ocorreu no século XVIII. Excessos que impulsionaram inúmeros fiéis ao caos total, deixando muitos andando no escuro.

Quase tudo foi dito sobre esse assunto. Nesse meio tempo, a liturgia chegou a ser vista como uma imagem em espelho da vida da Igreja, sujeita a uma evolução histórica orgânica que não pode – como sem dúvida ocorreu – ser repentinamente alterada pelo decreto par ordre de mufti. E ainda estamos pagando o preço hoje em dia. [Fonte, adaptado]

Comissão Ecclesia Dei responde sobre sentido de Universae Ecclesiae nº 19.

Apresentamos nossa tradução de um excerto do artigo publicado no último dia 23 em The Wanderer [imagem fac-símile de Secretum Meum Mihi], que reproduz o questionamento enviado por um bispo à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei acerca da exigência de reconhecimento da “legitimidade” do Ordo Missae de Paulo VI na Instrução Universae Ecclesiae.

* * *
Clique para ampliar.
Clique para ampliar.

Duas Dubia dirigidas à Comissão Pontifícia

No artigo 19 da Instrução de 30 de abril de 2011 da Comissão — Universae Ecclesiae (UE) — , é estabelecido que aqueles Católicos que desejam celebrações da Eucaristia na forma extraordinária do Rito Romano (usando o missal de 1962) não podem apoiar ou ser membros de nenhum dos grupos que “se manifestem contrários à validez ou legitimidade (validitatem vel legitimitatem impugnent) da forma ordinária.

Enquanto pouquíssimos ainda questionam a validez da Missa celebrada com o Missal Romano reformado, certos proeminentes grupos “tradicionalistas”, indivíduos e publicações questionam de forma aberta e provocadora a sua legitimidade.

Contudo, frequentemente parece haver confusão e suposições conflitantes nesses círculos sobre como, precisamente, a última palavra deve ser compreendida. Como resultado, nem sempre é claro para aqueles padres que desejam servir aos Católicos ligados à liturgia tradicional se algumas dessas pessoas estão, de fato, em conformidade com essa exigência da Sé Apostólica enunciada na UE, nº 19.

Portanto, a fim de esclarecer essa questão e facilitar uma aplicação pastoral consistente do artigo 19, a Comissão poderia gentilmente apreciar e responder às duas dubia seguintes?

1. Se legitimitas na UE, artigo 19, deve ser compreendida com o significado de:

(a) devidamente promulgada pelos procedimentos apropriados da lei eclesiástica (ius ecclesiasticum); ou
(b) de acordo tanto com a lei eclesiástica e a lei divina (ius dividum), isto é, nem doutrinalmente heterodoxa nem desagradável a Deus;

2. Caso (b) acima represente a mente da Comissão a respeito do significado de legitimitas, se UE nº 19 deve, então, ser compreendido como permitindo acesso à Missa na forma extraordinária:

(a) apenas àqueles Católicos que não questionam a legitimidade de qualquer texto específico ou qualquer prática devidamente aprovada, seja pela lei eclesiástica universal ou local, para uso na celebração da forma ordinária; ou
(b) àqueles fiéis mencionados em (a) e também àqueles que reconhecem em princípio a legitimidade das Missas celebradas segundo o Missal Romano reformado e sua Instrução Geral, mas não a legitimidade de certas práticas específicas que, embora não ordenadas nestes, são permitidas como opções pela lei litúrgica universal ou local.

A segunda dubium tem em mente aqueles Católicos de orientação tradicional que aceitam a legitimidade (no sentido 1 [b] acima) das Missas na forma ordinária nas quais são usadas opções mais tradicionais, mas que vêem como errôneas e desagradáveis a Deus certas práticas que foram por muitos séculos desaprovadas e proibidas universalmente pela Igreja, mas que agora são permitidas pela lei litúrgica local de muitas ou da maior parte das dioceses ou conferências episcopais (e.g., Comunhão na mão, servidoras do altar e o uso de ministros da Comunhão leigos).

A resposta de Roma

Pontificia Comissio Ecclesia Dei
Prot. 156/2009
Cidade do Vaticano, 23 de maio de 2012.

Excelência,

Esta Comissão Pontifícia recebeu, através de vossa gentil ajuda, uma cópia de uma correspondência de [nome omitido] colocando diante da Comissão duas dubia sobre como interpretar o artigo 19 da Instrução Universae Ecclesiae desta Comissão.

A primeira [dubium] questionava se legitimitas em UE, artigo 19, deve ser compreendida com o significado de:

(a) devidamente promulgada pelos procedimentos apropriados da lei eclesiástica (ius ecclesiasticum); ou
(b) de acordo tanto com a lei eclesiástica e a lei divina (ius dividum), isto é, nem doutrinalmente heterodoxa nem desagradável a Deus;

Esta Pontifícia Comissão se limitaria a afirmar que legitimitas deve ser compreendida no sentido de 1 (a). A segunda [dubium] é sanada por esta resposta.

Com a esperança de que Vossa Excelência comunicará o conteúdo desta carta aos indivíduos interessados, esta Pontifícia Comissão aproveita esta oportunidade para renovar seus sentimentos de estima.

Sinceramente vosso em Cristo,

Mons. Guido Pozzo
Secretário

“A ‘missa’ deles é quase igual à nossa”.

[Dom Boaventura Kloppenburg] Empenhou-se em preparar o II Encontro da Comissão Mista de Estudos para o Diálogo Bilateral Internacional entre a Igreja Católica e os Luteranos, de 8 a 12 de janeiro de 1974, em Roma. Havia dez representantes de cada lado. De São Leopoldo compareceu o pastor luterano Bertoldo Weber.

Foi interessante quando o grupo luterano celebrou a Santa Ceia, presidida pelo bispo luterano alemão Hermann Dietzfelbinger. O grupo  católico “assistiu”. A gente sente, em momentos assim, o absurdo da separação – observou [Dom Kloppenburg] em 10 de janeiro no Diário 11. – Ontem eles “assistiram” à nossa Eucaristia, sem poderem comungar. Hoje nós “assistimos”, sem podermos comungar. No entanto, a “missa” deles é quase igual à nossa. Só no fim fiquei chocado com a diferença: sobre o altar restaram hóstias e no cálice havia ainda muito vinho. Levei reverentemente as  hóstias e o cálice à sacristia e o celebrante luterano (Dietzfelbinger) ajuntou as hóstias às outras e recolocou o vinho na garrafa, para outra celebração…

Frei Boaventura Kloppenburg, OFM – 90 anos por Cristo em sua Igreja, p. 62, 2ª Edição, 2008, Edições Eletrônicas Veritatis Splendor.

“Para Fellay, o novo preâmbulo doutrinal é inaceitável”.

Publicam na rede a carta do secretário-geral da Fraternidade São Pio X, na qual indica as dificuldades para aceitar o último texto apresentado pela Santa Sé.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

O caminho para a plena comunhão com os lefebvrianos poderia encontrar novos obstáculos. Assim indica uma carta circular destnada aos superiores dos distritos e dos seminários da Fraternidade São Pio X, com data de 25 de junho e classificada como “confidencial”. Um site que segue com particular atenção as negociações com os tradicionalistas acaba de publicá-la. Trata-se da comunicação interna com a assinatura de Christian Thouvenot, secretário-geral da Fraternidade São Pio X, enviada da casa geral de Menzingen aos responsávels pelas comunidades lefebvrianas.

Thouvenot escreve que “segundo diversas fontes concordantes”, a versão do preâmbulo (corrigido por Fellay) “parecia satisfazer ao Soberano Pontífice”.

Em 13 de junho, indica a nota, Levada “entregou a nosso superior-geral o texto de abril, mas com correções que, em substância, voltavam a apresentar as proposições” contidas no preâmbulo doutrinal entregue a Fellay em setembro de 2011. Desta forma, se voltaria praticamente à primeira declaração doutrinal vaticana, e as mudanças propostas pelo superior da Fraternidade teriam sido rejeitadas.

Thouvenot continua: “Fellay indicou imediatamente que não poderia assinar este novo documento, claramente inaceitável. O próximo capítulo permitirá realizar uma avaliação” sobre o andamento das relações com a Santa Sé.

Na carta se informa que Fellay revogou a faculdade de participar no capítulo do bispo Williamson, “por suas posturas que convidam à rebelião e por sua desobediência” constante. Ao fim, Thouvenot confirma a notícia que circula sobre a decisão do mesmo Fellay de postergar as ordenações de religiosos dominicanos e capuchinhos que pertencem à Fraternidade (previstas para 29 de junho), porque pretende estar seguro da “lealdade destas comunidades” antes de “impor suas mãos sobre os candidatos”. Desta forma, se confirmariam as dificuldades que era possível identificar nas linhas do comunicado da Fraternidade São Pio X, publicado depois do encontro no Vaticano, em 13 de junho.

Dificuldades às quais aludiu também Alain-Marc Nely, segundo assistente geral da Fraternidade São Pio X, durante um encontro com alguns sacerdotes do distrito da França, realizado no último dia 21 de junho. Nely confirmou que as últimas mudanças feitas na declaração doutrinal entregue por Levada a Fellay não satisfazem a Fraternidade sobre pontos essenciais, como o Concílio Vaticano II e o Novus Ordo Missae, isto é, a missa nascida depois da reforma pós-conciliar. A resposta do superior lefebvriano chegará após o capítulo geral. Fellay parece convencido da importância do reestabelecimento da plena comunhão com Roma, objetivo de Bento XVI. Nely enfatizou as palavras que concluem o comunicado da Fraternidade depois do último encontro romano sobre a esperança de que continue o diálogo para chegar a uma “solução para o bem da Igreja e das almas”.

A Prelazia São Pio X: o que Dom Fellay assinou.

Por Summorum Pontificum Observatus | Tradução: Fratres in Unum.com

Apesar do segredo muito bem mantido sobre as negociações entre Roma e a FSSPX e, seja como for, as reviravoltas casuais clássicas “de última hora” em tais casos e que consomem (que são destinadas a consumir?) os nervos, conhecemos agora o essencial da declaração doutrinal assinada em 15 de abril de 2012, que deve constituir a base do reconhecimento canônico da obra de Dom Lefebvre, sob a forma de uma Prelazia Pessoal.

De fato, em sua conferência de terça-feira, 5 de junho de 2012, na escola Saint-Joseph-des-Carmes, o Padre Pflüger, Primeiro-Assistente do Superior-Geral da Fraternidade São Pio X, deu, em substância, os principais elementos desta declaração que, não é mais segredo para ninguém, a Comissão Ecclesia Dei, de imediato, considerou totalmente satisfatória. Os termos suaves de Dom Fellay procuravam ser recebidos por seus interlocutores, enquanto mantendo a linha firme de Dom Marcel Lefebvre. Uma retomada muito inteligente, em suma, da fórmula da adesão de 1988.

No essencial, segundo o testemunho do Primeiro-Assistente, Dom Fellay, sobre os pontos que geram dificuldades no Concílio e na nova liturgia, declarou e assinou que:

“A inteira Tradição da Fé Católica deve ser o critério e o guia de compreensão dos ensinamentos do Concílio Vaticano II, o qual por sua vez esclarece certos aspectos da vida e da doutrina da Igreja, implicitamente presentes nela, não formulados ainda. As afirmações do Concílio Vaticano II e do Magistério Pontifício posterior relativas à relação entre a Igreja Católica e as confissões cristãs não-católicas devem ser entendidas à luz de toda a Tradição”.

Satisfazendo, assim, tanto a Comissão Ecclesia Dei como aqueles que tinham receios dentro da FSSPX.

Bento XVI: “A revisão das formas litúrgicas manteve-se a um nível exterior e a «participação ativa» foi confundida com o agitar-se externamente”.

O Congresso realiza-se também num período em que a Igreja se prepara, em todo o mundo, para celebrar o Ano da Fé, que assinalará o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, um evento que lançou a mais extensa renovação que o Rito Romano já conheceu. Com base numa apreciação cada vez mais profunda das fontes da Liturgia, o Concílio promoveu a participação plena e ativa dos fiéis no Sacrifício Eucarístico. Hoje, olhando os desejos então expressos pelos Padres Conciliares sobre a renovação litúrgica à luz da experiência da Igreja universal no período transcorrido, é claro que uma grande parte foi alcançada; mas vê-se igualmente que houve muitos equívocos e irregularidades. A renovação das formas externas, desejada pelos Padres Conciliares, visava tornar mais fácil a penetração na profundidade íntima do mistério; o seu verdadeiro objetivo era levar as pessoas a um encontro pessoal com o Senhor presente na Eucaristia, e portanto com o Deus vivo, de modo que, através deste contato com o amor de Cristo, o amor mútuo dos seus irmãos e irmãs também pudesse crescer. Todavia, não raro, a revisão das formas litúrgicas manteve-se a um nível exterior e a «participação ativa» foi confundida com o agitar-se externamente. Por isso, ainda há muito a fazer na senda duma real renovação litúrgica. Num mundo em mudança, obcecado cada vez mais com as coisas materiais, precisamos de aprender a reconhecer de novo a presença misteriosa do Senhor Ressuscitado, o único que pode dar respiração e profundidade à nossa vida.

A Eucaristia é o culto da Igreja inteira, mas requer também pleno empenho de cada cristão na missão da Igreja; encerra um apelo a sermos o povo santo de Deus, mas chama também cada um à santidade individual; deve ser celebrada com grande alegria e simplicidade, mas também de forma quanto possível digna e reverente; convida-nos a arrepender dos nossos pecados, mas também a perdoar aos nossos irmãos e irmãs; une-nos a todos no Espírito, mas também nos ordena, no mesmo Espírito, de levar a boa nova da salvação aos outros.

Além disso, a Eucaristia é o memorial do sacrifício de Cristo na Cruz, o seu Corpo e Sangue oferecidos na nova e eterna aliança pela remissão dos pecados e a transformação do mundo. A Irlanda foi plasmada, ao nível mais profundo, por séculos e séculos de celebração da Santa Missa; e, pelo seu poder e graça, gerações de monges, mártires e missionários viveram heroicamente a fé na pátria e espalharam a Boa Nova do amor e perdão de Deus muito para além das suas praias. Vós sois os herdeiros duma Igreja que foi uma poderosa força de bem no mundo, e que transmitiu a muitos e muitos outros um amor profundo e duradouro a Cristo e à sua Mãe Santíssima. Os vossos antepassados na Igreja da Irlanda souberam como lutar pela santidade e a coerência na vida pessoal, como proclamar a alegria que vem do Evangelho, como promover a importância de pertencer à Igreja universal em comunhão com a Sé de Pedro, e como transmitir às gerações seguintes o amor pela fé e as virtudes cristãs. A nossa fé católica, imbuída dum sentido profundo da presença de Deus, maravilhada pela beleza da criação que nos rodeia, e purificada pela penitência pessoal e a certeza do perdão de Deus, é uma herança que seguramente se aperfeiçoa e alimenta quando regularmente é colocada sobre o altar do Senhor no Sacrifício da Missa.

Palavras do Santo Padre, o Papa Bento XVI, em videomensagem transmitida no encerramento do 50º Congresso  Eucarístico Internacional em Dublin, Irlanda.