Posts tagged ‘O Papa’

18 janeiro, 2018

Um Papa para não ser levado a sério.

Por FratresInUnum.com

Segundo um relato de hoje do Pe. Antônio Spadaro:

“O Papa Francisco acaba de fazer, no avião, o casamento deste casal de assistentes de vôo! Uma felicidade! O casal falava com o Papa. Disseram que não tinham casado na Igreja. O Papa perguntou se queriam se casar imediatamente. Disseram que sim. A ata foi assinada num papel normal tamanho A4”.

Em Amoris Laetitia, Papa Francisco insiste na necessidade de um “catecumenato matrimonial”, em que o casal seja acompanhado profundamente pela comunidade num caminho de discernimento, para celebrar o matrimônio em total consonância com a sua própria comunidade eclesial (cf. nn. 205-2016).

Em outras palavras, num único ato, ele desmentiu seu próprio magistério e desautorizou todos os bispos e padres do mundo inteiro que requerem dos noivos uma preparação matrimonial mais aprofundada! De agora em diante, com que autoridade párocos e bispos exigirão preparação de noivos, processos matrimoniais, proclamas, celebrações exclusivamente em Igrejas e não em chácaras ou salões de festas?… Em um instante, sem acompanhar ou discernir nada de ninguém, Francisco assistiu a um matrimônio…

De fato, este não é um papa que se leve a sério! Isto não é pontificado, mas, sim, uma confusão, uma bagunça despropositada.

Sigamos o exemplo de Bergoglio e desprezemos o seu próprio “magistério”.

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18 janeiro, 2018

Hagan lío.

 

Apesar do recesso…

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5 janeiro, 2018

A calmaria antes da tempestade. O que Bergoglio está preparando para os três Bispos da “Correção Oficial”.  

Por Fra Cristoforo, Anonimi della Croce | Tradução: FratresInUnum.com – Já era de se imaginar. Todo esse silêncio por parte da mídia do Vaticano (e aqueles intimamente ligados a eles) sobre o tema da Correção Oficial, não prometia nada de bom. Na verdade, Bergoglio prepara seu contra-ataque.

Minha fonte no Vaticano me revelou que na noite passada Bergoglio permaneceu em Santa Marta com vários “assessores de imprensa” do Vaticano e vários “conselheiros” para uma reunião sobre como lidar com essa nova e “inesperada” correção por parte dos bispos de Astana. A fonte me disse que o Pontífice estava furioso. Ele teria surtado porque não tolera qualquer oposição. Eles o ouviram gritar: “Eles vão se arrepender! Eles vão se arrepender amargamente! “. Obviamente que ele se referia aos valentes Bispos que “ousaram” contrariar o neo-evangelho da nova Igreja: Amoris Laetitia.

Minha fonte conseguiu pegar uma notícia interessante, que torno pública para que os três bispos e os demais que se juntem a eles possam preparar sua defesa. Também faremos de modo que este “rascunho” possa ser divulgado às todas as partes interessadas como fizemos com nosso link de suporte.

Em suma, Bergoglio e seus acólitos estão preparando um “programa de contra-ataque”. Traduzido significa: Bergoglio não enfrentará frontalmente os Bispos “Correccionistas”, mas já deu carta-branca aos seus “oficiais de imprensa” oficiais e não-oficiais para iniciar uma “campanha mediática” visando denigrir os oponentes. Como sabemos, a comunicação do Vaticano está agora nas mãos dos Jesuítas. Operação clássica de regime ditatorial sul-americano. Para Bergoglio, portanto, é muito simples agora simplesmente liberar jornalistas.

Esta “campanha denegritória” servirá (na opinião deles) para “desacreditar” aqueles Bispos, publicando talvez algo do seu passado (verdadeiro ou não verdadeiro) ou construindo uma “notícia” fabricada, para fazê-los perder sua credibilidade.

Em suma, um pouco “como foi feito e é feito em regimes comunistas quando você quer “eliminar”um dissidente.

Nos próximos dias, certamente esses “assessores de imprensa” começarão a publicar algo. Talvez até Bergoglio certamente não deixará de emitir uma ou outra piadinha.

Temos o dever de defender e proteger esses bispos heróicos.

Um regime reina no Vaticano. Sabemos que as ações de controle de Bergoglio tornaram-se quase “obsessivas”. Correio, telefones celulares sob controle, pequenos espiões espalhados pelos dicastérios … no Vaticano agora são a ordem do dia.

Considere que agora a Santa Sé estabeleceu um aplicativo que todos os sacerdotes do mundo podem baixar, onde todas as semanas já existe um sermão pronto para o domingo. Sermão preparado pelos delegados de Bergoglio. Com os temas de Bergoglio. Com as palavras de Bergoglio. Hoje, o download deste aplicativo é opcional. Em alguns meses, será calorosamente sugerido. Em um ano “será imposto”. Porque todos os sacerdotes serão obrigados a repetir, todos os domingos, apenas e exclusivamente as palavras do Líder Máximo.

2 janeiro, 2018

Importante: Dom Athanasius Schneider e bispos do Cazaquistão lançam ‘Profissão sobre verdades imutáveis a respeito do sacramento do Matrimônio”.

[Atualização – 02/01/2018 às 19:19] Corrispondenza Romana acaba de anunciar que dois bispos italianos, Dom Luigi Negri e Dom Carlo Maria Viganò aderiram à iniciativa dos bispos do Cazaquistão.

Três bispos declaram leitura de Amoris Laetitia feita pelo Papa como “estranha” à Fé Católica.

LifeSiteNews, Roma, 2 de janeiro de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com — Três bispos se pronunciaram contra a interpretação feita pelo Papa Francisco de Amoris Laetitia que permite o acesso de alguns divorciados recasados à Sagrada Comunhão, afirmando que tal leitura está causando “confusão desenfreada”, é “estranha” à Fé Católica, e disseminará uma “epidemia do divórcio” na Igreja.

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Dom Tomash Peta, Dom Jan Pawel Lenga e Dom Athanasius Schneider.

Dom Athanasius Schneider, bispo-auxiliar de Astana, Cazaquistão, Dom Tomash Peta, arcebispo metropolita de Astana, e Dom Jan Pawel Lenga de Karaganda, Cazaquistão, divulgaram uma Profissão de verdades imutáveis sobre o sacramento matrinonial em 31 de dezembro, como “um serviço de caridade na verdade” à Igreja de hoje e ao Papa.

Os bispos tomaram a decisão de realizar uma “pública e inequívoca profissão da verdade” a respeito do ensinamento da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio, pois afirmam “não poderem permanecer em silêncio”.

Como bispos Católicos incumbidos de defender e promover a Fé Católica e a disciplina comum, afirmam ter uma “grave responsabilidade” e “dever perante os fiéis” que esperam deles “uma pública e inequívoca profissão da verdade e da imutável disciplina da Igreja acerca da indissolubilidade do matrimônio”.

Eles observam que após a publicação do documento do Papa Francisco sobre a família, Amoris Laetitia, diversos bispos e conferências episcopais divulgaram normas permitindo a alguns divorciados recasados civilmente, que não vivem em continência sexual, receber os sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão. Eles enfatizam que essas várias autoridades hierárquicas (Alemanha, Malta e Buenos Aires, embora eles não as nominem) também receberam aprovação “até mesmo da suprema autoridade da Igreja”.

No mês passado, o Papa Francisco decidiu formalmente declarar a interpretação de Amoris Laetitia feita pelos bispos de Buenos Aires como “magistério autêntico”.

A disseminação dessas normas pastorais aprovadas eclesialmente “causaram uma considerável e sempre crescente confusão entre os fiéis e o clero” e são “meios de difusão da ‘epidemia do divórcio’ na Igreja”, escreveram os bispos do Cazaquistão.

“Nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo solenemente reafirmou a vontade de Deus sobre a absoluta proibição do divórcio”, recordaram, e a Igreja sempre preservou e fielmente transmitiu tanto em sua doutrina como em sua disciplina sacramental “o ensinamento cristalino de Cristo” acerca da indissolubilidade do matrimônio”.

“Por conta da vital importância que a doutrina e a disciplina do matrimônio e da Eucaristia, a Igreja é obrigada a falar com a mesma voz. As normas pastorais a respeito da indissolubilidade do matrimônio não podem, portanto, ser contraditórias entre uma diocese e outra, entre um país e outro”.

“Desde os tempos dos Apóstolos”, explicam os bispos, “a Igreja observou este princípio, como testemunha Santo Irineu de Lion”:

“A Igreja, embora espalhada pelo mundo até os confins da terra, tendo recebido a Fé dos Apostólos e seus discípulos, preserva esta pregação e esta Fé com cuidado e, como Ela habita uma única casa, crê da mesma e idêntica maneira, como tendo uma só alma e um só coração, e prega a verdade da Fé, ensina-a e transmite-a em uma voz uníssona, como se tivesse uma só boca” (Adversus haereses, I, 10, 2).

Após, eles recordam a advertência do Papa João Paulo II de que a confusão semeada nas consciências dos fiéis por diferentes “opiniões e ensinamentos” enfraqueceria o “verdadeiro sentido de pecado, quase a ponto de eliminá-lo”.

O Papa João Paulo II erigiu a diocese de Santa Maria em Astana, Cazaquistão, em 1999, e a elevou à arquidiocese em 17 de maio de 2003, nomeando o bispo polonês Tomash Peta como seu arcebispo. No Sínodo Ordinário sobre a Família em 2015, Dom Peta, que participou como delegado do Cazaquistão, iniciou sua breve intervenção com as palavras do Beato Paulo VI pronunciadas em 1972: “Por alguma fresta, a fumaça de Satanás penetrou no templo de Deus”.

Ele, então, afirmou aos Padres Sinodais que estavam reunidos: “Estou convencido de que estas foram palavras proféticas de um santo Papa, o autor de Humanae Vitae, Durante o Sínodo do ano passado [2014], a ‘fumaça de Satanás’ estava tentando adentrar na aula Paulo VI [local em que ocorriam as sessões do Sínodo]”. O arcebispo acrescentou: “Infelizmente, pode-se ainda sentir o cheiro desta ‘fumaça infernal’ em alguns pontos do Instrumentum Laboris e também em algumas intervenções de certos padres sinodais neste ano”. [Leia a intervenção aqui.]

Na Profissão, Dom Athanasius Schneider, juntamente com os arcebispos Peta e Lenga, reiteram aos fiéis sete verdades imutáveis sobre o sacramento do matrinônio, e, “no espírito de São João Batista, São João Fisher, São Tomás Morus, da Beata Laura Vicuña e de numerosos confessores e mártires, conhecidos ou não, da indissolubilidade do matrimônio”, afirmam:

Não é licito (non licet) justificar, aprovar, legitimar, direta ou indiretamente, o divórcio e a relação sexual estável não conjugal, através da disciplina sacramental da admissão dos assim chamados ‘divorciados e recasados’ à Sagrada Comunhão, neste caso, uma disciplina estranha à toda a Tradição da Fé Católica e Apostólica.

Leia a íntegra da Profissão de verdades imutáveis sobre o matrimônio sacramental aqui.

28 dezembro, 2017

As ameaças de um Papa à Cúria – um histórico inédito –, o escândalo Maradiaga e o endurecimento do controle no Vaticano. Bom Natal.

Por Marco Tosatti[1], Stilum Curiae, 21 de dezembro de 2017. Tradução: André Sampaio | FratresInUnum.com[2] A usual série de censuras que o pontífice reinante endereça à Cúria Romana [por ocasião da apresentação dos votos natalinos, n.d.t.] foi, este ano[3] [21 de dezembro], marcada por uma escolha de tempo – eventual, ou pretendida, não sabemos – particularmente infeliz. De fato, exatamente enquanto o soberano vaticano falava da “reforma em curso” e dizia “A propósito da reforma, vem-me à mente a frase simpática e significativa de Dom Frédéric-François-Xavier de Mérode: ‘Fazer reformas em Roma é como limpar a Esfinge do Egito com uma escova de dentes’”, Emiliano Fittipaldi revelava [no jornal L’Espresso] que um dos homens mais próximos do pontífice, o cardeal Oscar Maradiaga[4], combatente da Igreja pobre para os pobres, está envolvido em casos financeiros muito controversos de milhões de euros.

Francisco à Cúria Romana, na apresentação dos augúrios natalinos de 2017

No momento, Oscar Maradiaga é um dos principais conselheiros do papa; seu resoluto defensor; e é coordenador do famoso grupo de nove cardeais (o C9) que por anos vem trabalhando na reforma da Cúria, a qual, até agora, deu à luz o minúsculo bebê da unificação de alguns conselhos pontifícios em organismos maiores, e uma reforma dos meios de comunicação à qual definir como clara – ao menos nesta fase – representaria exagero.

Mas o pontífice se lançava, em seu discurso, contra outros: “Permitam-me aqui proferir duas palavras sobre outro perigo, que é o dos traidores da confiança ou dos que se aproveitam da maternidade da Igreja; ou seja, o perigo das pessoas que são selecionadas cuidadosamente para dar maior vigor ao corpo e à reforma, mas – não compreendendo a alçada da sua responsabilidade – se deixam corromper pela ambição ou pela vanglória e, quando são delicadamente afastadas, se autodeclaram falsamente mártires do sistema, do “papa desinformado”, da “velha guarda”, em vez de recitar o mea-culpa. A par dessas pessoas, há depois outras que ainda trabalham na Cúria, às quais se concede todo o tempo para retomarem o caminho certo, na esperança de que encontrem na paciência da Igreja uma oportunidade para se converterem, e não para se aproveitarem. Isso certamente sem esquecer a esmagadora maioria de pessoas fiéis que nela trabalham com louvável empenho, fidelidade, competência, dedicação e também grande santidade”.

“Delicadamente” é o advérbio que o papa Bergoglio usou sem hesitação; para definir as demissões sem motivo, as pressões mais ou menos claras exercidas sobre pessoas PARA fazê-las ir embora; se não… para definir as demissões que foram extorquidas com o “estímulo” da obediência e com prevaricações. Delicadamente!

Tudo isso enquanto o controle sobre e-mails, sobre telefones fixos, e – dizem-me – agora também sobre alguns tipos de celular, está atingindo um nível de fazer inveja a qualquer Coreia do Norte. Dizer que as palavras do pontífice parecem ameaçadoras (“às quais se concede todo o tempo para retomarem o caminho certo…”) é dizer pouco; não seriam diferentes se pronunciadas nos anos 70 por um secretário do Partido Comunista Chinês. Elas são também, por outro lado, um sinal evidente de que o grau de desconforto na Cúria cresce – à parte, obviamente, estão os vértices dos dicastérios, já quase completamente nomeados pelo papa Bergoglio ou homologados segundo o seu regime –; e, para responder a isso, se deve recorrer a ameaças explícitas, certamente jamais ouvidas da boca de um Vigário de Cristo. Bom Natal.

[1] http://www.marcotosatti.com/2017/12/21/le-minacce-di-un-papa-alla-curia-un-inedito-storico-lo-scandalo-maradiaga-e-linasprirsi-dei-controlli-in-vaticano-buon-natale/

[2] https://fratresinunum.com/

[3] http://w2.vatican.va/content/francesco/it/events/event.dir.html/content/vaticanevents/it/2017/12/21/curia-romana.html

[4] https://fratresinunum.com/2017/12/21/explode-um-novo-escandalo-no-vaticano-o-braco-direito-pontificio-de-35-mil-euros-por-mes/

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27 dezembro, 2017

“A homilia de Francisco parece estar inspirada mais em George Soros que em Jesus Cristo”.

O ataque do filósofo Diego Fusaro ao Papa Francisco: “A sua homilia pelo Jus soli foi inspirada por Soros”.

Por LiberoQuotidiano.it, 26 de dezembro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: A homilia de Papa Francisco na Noite de Natal desencadeou ferventes polêmicas entre os intelectuais e comentaristas. Ao ataque de Antonio Socci, que apontou o dedo no Facebook contra a “obsessão política” de Bergoglio, juntou-se também o filósofo Diego Fusaro, que acusa o Papa de continuar fazendo propaganda pelo Jus soli, que já foi derrotado no parlamento [ver aqui].

Segundo Fusaro, Bergoglio já começa mal, por causa de sua discordância em relação ao seu predecessor: “O Papa Ratzinger tinha coragem de criticar a mundanização e o desenraizamento capitalista. Papa Francisco, lamento recordar, está sempre se colocando ao serviço disso”.

A propósito da comparação feita por Papa Francisco de “Maria e José” com os imigrantes, Fusaro esclarece, ao seu modo: “Lei do coração (Hegel) e batee coração pela humanidade (ainda Hegel) não servem para nada, sem considerar os objetivos e relações de força: os quais nos dizem que dar a cidadania a todos é o primeiro passo para aniquilar o conceito de cidadania e tornar-nos todos escravos sem estado e migrantes”.

Em suma, a suspeita do filósofo é que o pontífice, a este ponto, não se inspire mais nos textos sagrados e na teologia da Igreja Católica, mas em outros e obscuros pontos de referência, tão atuais quanto inquietantes: “Em suma, a homilia de Francisco, desta vez, parece estar inspirada mais em George Soros que em Jesus Cristo”.

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19 dezembro, 2017

“Não seguiremos os pastores que se encontram no erro.” Manifesto de resistência dos pró-vida ao papa Bergoglio.

Por Emmanuele Barbieri[1], Corrispondenza romana, 13 de dezembro de 2017. Tradução: André Sampaio | FratresInUnum.com[2] – Nos mesmos dias em que o papa Francisco atribui valor magisterial[3] à declaração dos bispos argentinos em favor dos divorciados recasados[4], 37 movimentos pró-vida e pró-família de treze diferentes nações vêm a campo com uma histórica declaração de separação dos erros do papa Bergoglio.

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“Se existe conflito entre as palavras e os atos de qualquer membro da hierarquia, até mesmo do papa, e a doutrina que a Igreja sempre ensinou, permanecemos fiéis ao ensino perene da Igreja. Se abandonássemos a fé católica, nós nos separaríamos de Jesus Cristo, a quem queremos estar unidos por toda a eternidade.” É este o ponto básico da Promessa de fidelidade ao ensinamento autêntico da Igreja, difundida no site http://www.fidelitypledge.com[5], sob o título “Fiéis à verdadeira doutrina, e não aos pastores que se encontram no erro”, para expressar a resistência dos líderes dos principais movimentos internacionais pró-vida e pró-família frente às palavras e aos atos de muitos pastores, inclusive do próprio papa Francisco, que contradizem o ensino da Igreja. Um dos signatários mais conhecidos, John-Henry Westen, cofundador e diretor do LifeSiteNews[6], o maior portal internacional de defesa da vida e da família, declarou: “Hoje, mesmo em algumas fiéis fortalezas católicas, preocupações acerca do aquecimento global têm tido precedência sobre o holocausto de crianças no útero materno; o desemprego juvenil tem tido primazia sobre a ameaça que pende sobre a alma dos nossos filhos pelo desvio sexual; e a imigração tem sido sobreposta à evangelização. A confusão deve terminar, e é chegado realmente o momento de traçar uma linha fronteiriça sobre a areia”.

Outro notável signatário, John Smeaton, diretor da Society for the Protection of the Unborn Children (SPUC), que é a mais antiga organização pró-vida do mundo, declarou, por sua vez: “A fé católica foi, para muitos dos nossos apoiadores, a fonte de sua clareza acerca do valor de cada vida humana e do consequente dever de proteger todas as crianças não nascidas, sem exceção. A propagação da negação dos absolutos morais em toda a Igreja tem o potencial de destruir tudo aquilo que o movimento pela vida fez nos últimos 50 anos: o front deslocou-se, dos campos de batalha políticos nacionais e de instituições internacionais como a ONU, para o coração da Igreja Católica. Nos últimos dois anos, o papa Francisco e as autoridades vaticanas cederam à “cultura de morte”, apoiando os objetivos de desenvolvimento sustentável pró-aborto das Nações Unidas[7] e promovendo a agenda do lobby internacional pró-educação sexual através da Amoris laetitia[8] e do programa pornográfico de educação sexual elaborado pelo Pontifício Conselho para a Família[9]. Tudo isso tem um efeito direto sobre crianças reais e famílias reais”. “Devemos incessantemente pedir aos nossos sacerdotes e bispos que ensinem a inteireza da doutrina da Igreja e não colaborem, nem por um momento, para a propagação dos erros que tragicamente vêm sendo difundidos por Sua Santidade, o papa Francisco, e por muitos outros membros anciãos da hierarquia. Se não sairmos para assumir esse posicionamento, falharemos no nosso dever para com as crianças frágeis e vulneráveis por cuja proteção estamos empenhados.”

Outras históricas associações aderem à Promessa de fidelidade. Entre elas, estão: SOS Tout-Petits, cujo fundador, o médico Xavier Dor, foi preso onze vezes por se ter manifestado contra o aborto; a Alianza Latinoamericana para la Familia, de Christine de Marcellus Vollmer; e a Family of the Americas, de Mercedes Arzú Wilson. Tanto Christine Vollmer quanto Mercedes Wilson serviram por anos na delegação da Santa Sé junto à ONU e foram chamadas por João Paulo II a fazer parte da Pontifícia Academia para a Vida, da qual foram “licenciadas” em 2016 juntamente com outros ilustres membros[10], tais como Philippe Schepens, fundador da World Federation of Doctors Who Respect Human Life, e Thomas Ward, presidente da National Association of Catholic Families, os quais também assinaram a declaração em nome de suas associações. Vai depois citada a importante presença de Judie Brownpresidente da American Life League, a mais antiga organização pró-vida dos Estados Unidos, e, entre os muitos signatários daquele país, o produtor do filme pró-vida Bella[11], Jason  Jones, fundador do I Am Whole Life. Outras duas destemidas combatentes na defesa da vida e da família que assinaram o documento são: da Nova Zelândia, Coleen Bayer (Family Life International), e, da Romênia, a Dr.ª Anca Maria Cernea, representante da conferência episcopal de seu país durante o Sínodo sobre a Família de 2015 (Ioan Barbus Foundation). Na Alemanha, adere Mathias von Gersdorf, da popular Aktion Kinder in Gefahr, e, na França, Guillaume de Thieulloy, diretor do muito difundido blog Salon BeigeBernard Antony (Chrétienté-Solidarité), François Legrier (Mouvement Catholique des Familles), Jean-Pierre Maugendre (Renaissance Catholique), Yves Tillard (Action Familiale et Scolaire). Na Itália, além da associação Famiglia Domani, fundada há 30 anos pelo marquês Luigi Coda Nunziante, há a Fondazione Lepanto (Roberto de Mattei), Federvita Piemonte (Marisa Orecchia), Il Cammino dei Tre Sentieri (Corrado Gnerre), Ora et Labora in difesa della Vita (Giorgio Celsi), Famiglie Numerose Cattoliche (Vittorio Lodolo d’Oria), Voglio Vivere (Samuele Maniscalco), SOS Ragazzi (Diego Zoia).

A Promessa de fidelidade enumera uma série de declarações e ações de pastores da Igreja sobre temas como contracepção, homossexualidade, divórcio e ideologia de gênero que “causaram danos imensuráveis à família e aos seus membros mais vulneráveis”, e afirma: “Nos últimos cinquenta anos – se lê –, o movimento pró-vida e pró-família cresceu em dimensão e escopo para fazer frente a esses graves males, que ameaçam tanto o bem temporal quanto o bem eterno da humanidade. O nosso movimento reúne homens e mulheres de boa vontade provenientes de uma grande variedade de âmbitos religiosos. Estamos todos unidos na defesa da vida e dos nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis, por meio da obediência à lei natural, impressa em todos os nossos corações (cf. Rm 2, 15). Por outro lado, nesta última metade de século, o movimento pró-vida e pró-família se confiou de modo particular ao ensinamento imutável da Igreja Católica, que afirma a lei moral com a máxima clareza. É, então, com profunda dor que nos últimos anos temos constatado que a clareza doutrinal e moral relativa a questões ligadas à tutela da vida humana e da família tem sido, cada vez mais, substituída por doutrinas ambíguas e até mesmo diretamente contrárias ao ensinamento de Cristo e aos preceitos da lei natural”.

“Como líderes católicos pró-vida e pró-família – continua o documento – declaramos a nossa completa obediência à hierarquia da Igreja Católica no legítimo exercício de sua autoridade. Todavia, nada poderá, jamais, convencer-nos ou obrigar-nos a abandonar ou contradizer qualquer artigo da fé e da moral católica. Se existe conflito entre as palavras e os atos de qualquer membro da hierarquia, até mesmo do papa, e a doutrina que a Igreja sempre ensinou, permanecemos fiéis ao ensino perene da Igreja. Se abandonássemos a fé católica, nós nos separaríamos de Jesus Cristo, a quem queremos estar unidos por toda a eternidade. Nós, subscritos, prometemos que continuaremos a ensinar e propagar os princípios morais supracitados e todos os outros ensinamentos autênticos da Igreja e que nunca, por razão nenhuma, nos afastaremos disso.”

A Promessa de fidelidade, que se situa na linha da Filial súplica[12] de setembro de 2015 e da Correctio filialis[13] de setembro de 2017, se destaca pelo número e pela posição dos signatários, aos quais se reportam centenas de milhares de militantes pró-vida e pró-família em todo o mundo. Ignorar-lhes a mensagem seria um grave erro da parte da Santa Sé.

[1] https://www.corrispondenzaromana.it/non-seguiremo-pastori-sbagliano-manifesto-resistenza-dei-pro-life-papa-bergoglio/

[2] https://fratresinunum.com/

[3] https://rorate-caeli.blogspot.com/2017/12/pope-francis-promulgates-buenos-aires.html

[4] https://fratresinunum.com/2016/09/12/surge-carta-do-papa-dando-a-impressao-de-apoiar-a-comunhao-para-divorciados-recasados/

[5] https://www.fidelitypledge.com/

[6] https://www.lifesitenews.com/

[7] http://voiceofthefamily.com/in-depth-analysis-papal-support-for-un-2030-agenda-poses-immediate-threat-to-lives-of-children/

[8] http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html

[9] https://www.lifesitenews.com/opinion/exclusive-the-new-threat-to-catholic-youth-the-meeting-point

[10] http://magister.blogautore.espresso.repubblica.it/2017/06/13/nome-per-nome-la-metamorfosi-della-pontificia-accademia-per-la-vita/

[11] http://www.bellamoviesite.com/

[12] http://filialsuplica.org/

[13] http://www.correctiofilialis.org/pt-pt/

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18 dezembro, 2017

O Perón eclesiástico.

Uma outra escritora que lança luz sobre o assunto é a Professora Lucrecia Rego de Planas, que conheceu o cardeal Bergoglio pessoalmente por anos; em 23 de setembro de 2013, ela publicou uma “Carta ao Papa Francisco”. Ela descrevia com perplexidade o hábito de Bergoglio parecer estar ao lado de todos sucessivamente. “… Um dia, conversando vivamente com Mons. Duarte e Mons. Aguer [conhecidos conservadores] sobre a defesa da vida e da liturgia e, no mesmo dia, no jantar, conversando tão animadamente com Mons. Ysern e Mons. Rosa Cháves sobre as comunidades de base [os grupos de tipo soviético promovidos pelo movimento da “teologia da libertação” e as terríveis barreiras representadas pelos “ensinamentos dogmáticos” da Igreja. Um dia, um amigo do Cardeal Cipirani Thorne [arcebispo de Lima, do Opus Dei] e do Cardeal Rodrígues Maradiaga [de Honduras], falando sobre ética de negócios e contra as ideologias da nova era, e pouco depois amigo de Casaldáliga e Boff [as celebridades da teologia da libertação], falando sobre luta de classes”.

A razão pela qual a Professora Rego de Planas estava perplexa é porque ela é mexicana. Se fosse argentina, teria considerado a técnica perfeitamente familiar: tem a característica do peronismo clássico. Uma história é contada sobre Perón, que, em seus dias de glória, propôs, certa vez, introduzir seu sobrinho nos mistérios da política. Ele primeiro trouxe o jovem rapaz consigo quando recebeu uma comitiva de comunistas; após ouvi-los, respondeu: “Vocês têm toda razão”. No dia seguinte, recebeu uma comitiva de fascistas e respondeu a seus argumentos: “Vocês têm toda razão”. Então, perguntou a seu sobrinho o que ele achou e o jovem respondeu: “O senhor falou com dois grupos com posições diametralmente opostas e disse-lhes que concorda com ambos. Isto é absolutamente inaceitável”. Perón respondeu: “Você tem toda razão, também”.

Uma anedota como essa é uma ilustração do porquê ninguém pode pretender compreender o Papa Francisco sem ao menos compreender a tradição dos políticos argentinos, um fenômeno alheio à experiência do restante do mundo; a Igreja foi tomada de surpresa por Francisco porque não possuía a chave para ele: ele é o Juan Perón em tradução eclesiástica. Quem procura interpretá-lo de outra forma está perdendo o único critério relevante.

Do livro “Il Papa Dittatore”, de Marcantonio Colonna | Tradução: FratresInUnum.com

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13 dezembro, 2017

Bergoglio, o indisciplinado.

Ninguém o observou, durante e depois da viagem de Francisco a Mianmar e Bangladesh, desproporcionalmente centrado no caso dos rohingya. Mas em 01 de dezembro, em Daca, o patriarca dos budistas de BangladeshSanghanayaka Suddhananda Mahathero, dirigiu sua homenagem ao Papa recordando com admiração este gesto concreto do pontífice:

“Jamais poderei esquecer a imagem de Sua Santidade enquanto lavava os pés de jovens refugiados africanos. Você, Santo Padre, atingiu a estatura do grande e é um magnífico exemplo para mim”.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada por Settimo Cielo, 09-12-2017. A tradução é de André Langer.

Se precisássemos de uma enésima confirmação do enorme poder comunicativo planetário do Papa Francisco, aqui está.

Na verdade, o lava-pés ele que faz toda Quinta-Feira Santa na missa ‘in Coena Domini’ com a participação de prisioneiros, imigrantes, homens, mulheres e transexuais de todas as etnias e religiões é um gesto de extraordinário impacto midiático.

Jorge Mario Bergoglio está tão consciente disso que para aumentar o impacto ele não hesita em ir além das regras que ele mesmo criou para esse rito, segundo as quais deveria ser realizado apenas com membros da Igreja católica.

Por outro lado, ninguém mais presta atenção na missa ‘in Coena Domini’, dentro da qual faz o lava-pés, tanto que foi ofuscada por este único ato de lavar os pés de Francisco. É o contrário do que acontecia com os Papas anteriores e, sobretudo, com Bento XVI, que nesta missa da Quinta-Feira Santa pronunciava homilias “mistagógicas”, de orientação para o mistério, de uma grande intensidade, absolutamente memoráveis.

Mas Francisco tem outra escala de prioridades, em que o gesto de misericórdia está sempre em primeiro lugar, adaptando-se para dar a maior eficiência comunicativa possível, mesmo com o risco de se contradizer.

Um exemplo: provocou notícia, três dias depois da sua eleição como papa, sua recusa em dar a bênção aos jornalistas de todo o mundo que lotaram a sala das audiências, para “respeitar – disse – a consciência de cada um, dado que muitos não pertencem à Igreja católica e outros são não crentes”.

Esta declaração surpresa do papa provocou um estrondoso aplauso, que muitos admiraram por sua delicada prudência.

Mas duas semanas depois, Francisco fez exatamente o contrário. Na primeira Quinta-Feira Santa de seu pontificado, ele não apenas deu a bênção sem escrúpulos aos jovens prisioneiros que visitou, embora entre eles houvesse muitos que não fossem católicos, mas até celebrou a missa em sua presença.

Mas, de fato, a prioridade para ele era outra e na qual teve êxito. O gesto que deu a volta ao mundo foi o lava-pés que o Papa fez para uma dúzia de jovens detentos, alguns dos quais, entre eles havia uma servia, eram muçulmanos. (Nessa época, ainda estava em vigor a proibição litúrgica, depois eliminada por Francisco, de lavar os pés de mulheres, para imitar o gesto que Jesus tinha feito com os apóstolos.)

E essa liberdade que Francisco, para fins comunicativos, toma com a liturgia, também a toma com a Sagrada Escritura.

Settimo Cielo já indicou, por exemplo, como o Papa, em uma homilia matutina na Capela Santa Marta, atribuiu textualmente a São Paulo estas palavras: “Eu me gabo dos meus pecados”, convidando a quem o escutava a causar este “escândalo”, isto é, a gabar-se de seus próprios pecados porque tinham sido perdoados por Jesus.

E isto apesar do fato de que em nenhuma das suas cartas o apóstolo Paulo escreveu esta frase. O que ele deixou escrito duas vezes (2 Coríntios 11, 30 e 12, 5) era algo diferente: “só vou me gabar das minhas fraquezas”, após ter listado todas as vicissitudes da sua vida, os encarceramentos, as fustigações, as perseguições, os ultrajes, os naufrágios.

Mas Francisco gosta mais de “se gabar de seus pecados”. Isso causa mais sensação. E ele falou novamente há dois dias, na quinta-feira, 7 de dezembro, no final da missa pelos 90 anos do cardeal Angelo Sodano, e atribuindo novamente as palavras a São Paulo:

“Também São Paulo se gabava dos pecados, porque somente para Deus é a glória, e nós, todos nós, somos fracos”.

No mesmo sentido, Francisco elogiou o cardeal Angelo Sodano por sua “disciplina eclesiástica”.

Mas o Papa está consciente de que é a indisciplina que provoca mais notícias.

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17 novembro, 2017

Mons. Fernández: o Papa mudou a disciplina sobre a comunhão dos divorciados que voltaram a se casar.

É a única interpretação possível de Amoris Laetitia. Num artigo publicado em CEBITEPAL, Mons. Víctor Manuel Fernández assegura que o Papa mudou a disciplina vigente sobre os divorciados que voltaram a se casar.

Por InfoCatólica, 23 de agosto de 2017 | Tradução: FratresInUnum.comO artigo que se intitula “O capítulo VIII de Amoris Laetitia: o que fica depois da tormenta”, de Mons. Fernández, Reitor da Pontifícia Universidade Católica da Argentina.

O texto começa assim:

Na hora de interpretar o capítulo oitavo de Amoris Laetitia, particularmente no que se refere ao acesso à comunhão eucarística dos divorciados em uma nova união, convém partir da interpretação que o mesmo Francisco fez de seu próprio texto, explícita em sua resposta aos Bispos da região de Buenos Aires.

Francisco propõe um passo adiante, que implica numa mudança na disciplina vigente. Mantendo a distinção entre bem objetivo e culpa subjetiva, e o princípio de que as normas morais absolutas não admitem exceção, distingue entre a norma e sua formulação e sobretudo reclama uma atenção especial aos condicionamentos atenuantes.

Francisco admite que um discernimento pastoral no âmbito do “foro interno”, atento à consciência da pessoa, possa ter consequências práticas no modo de aplicar a disciplina. Esta novidade convida a recordar que a Igreja realmente pode evoluir, como já aconteceu na História, tanto na sua compreensão da doutrina como na aplicação de suas consequências disciplinares.

Mas assumir isto no tema que nos ocupa, exige aceitar uma nova lógica sem esquemas rígidos. Contudo, isto não significa uma ruptura, mas uma evolução harmoniosa e uma continuidade criativa em relação aos ensinamentos dos Papas anteriores.

A realidade é que o que indica Mons. Fernández não é uma novidade nem uma continuidade criativa, mas uma proposição condenada explicitamente pelo Magistério da Igreja. Por exemplo, é contrário ao indicado na “Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a recepção da comunhão eucarística por parte dos fiéis divorciados que voltaram a se casar”, aprovada pelo Papa São João Paulo II e enviada aos Bispos pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (logo depois, Papa Bento XVI), no dia 14 de setembro de 1994:

6. O fiel que convive habitualmente more uxorio com uma pessoa que não é a legítima esposa ou o legítimo marido, não pode receber a comunhão eucarística. Caso aquele o considerasse possível, os pastores e os confessores – dada a gravidade da matéria e as exigências do bem espiritual da pessoa(10) e do bem comum da Igreja – têm o grave dever de adverti-lo que tal juízo de consciência está em evidente contraste com a doutrina da Igreja(11). Devem também recordar esta doutrina no ensinamento a todos os fiéis que lhes estão confiados.

Isto não significa que a Igreja não tenha a peito a situação destes fieis que, aliás, de fato não estão excluídas da comunhão eclesial. Preocupa-se por acompanhá-las pastoralmente e convidá-las a participar na vida eclesial na medida em que isso seja compatível com as disposições do direito divino, sobre as quais a Igreja não possui qualquer poder de dispensa(12). Por outro lado, é necessário esclarecer os fiéis interessados para que não considerem a sua participação na vida da Igreja reduzida exclusivamente à questão da recepção da Eucaristia. Os fiéis hão-de ser ajudados a aprofundar a sua compreensão do valor da participação no sacrifício de Cristo na Missa, da comunhão espiritual(13), da oração, da meditação da palavra de Deus, das obras de caridade e de justiça(14).

7. A convicção errada de poder um divorciado novamente casado receber a comunhão eucarística pressupõe normalmente que se atribui à consciência pessoal o poder de decidir, em última instância, com base na própria convicção(15), sobre a existência ou não do matrimónio anterior e do valor da nova união. Mas tal atribuição é inadmissível(16). Efectivamente o matrimónio, enquanto imagem da união esponsal entro Cristo e a sua Igreja, e núcleo de base e factor importante na vida da sociedade civil, constitui essencialmente uma realidade pública.

Também é contrário ao ensinamento do Papa Bento XVI na Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis:

O Sínodo dos Bispos confirmou a práxis da Igreja, fundamentada na Sagrada Escritura (cf. Mc 10, 2-12), de não admitir aos sacramentos os divorciados casados de novo, porque seu estado e sua condição de vida contradizem objetivamente essa união de amor entre Cristo e a Igreja que se significa e se atualiza na Eucaristia.

O arcebispo Fernández pretende que a novidade introduzida pelo Papa Francisco seja irreversível:

Depois de vários meses de intensa atividade dos setores que se opõem às novidades do capítulo oitavo de Amoris Laetitia – minoritários mas hiperativos – ou de fortes tentativas de dissimulá-las, a guerra parece ter chegado a um ponto morto. Agora convêm reconhecer o que é que concretamente nos deixa Francisco como novidade irreversível.

E explica o porquê afirma tal coisa:

Se o que interessa é conhecer como o próprio Papa interpreta o que ele escreveu, a resposta está muito clara em seu comentário às orientações dos Bispos da Região Buenos Aires. Depois de falar da possibilidade de que os divorciados numa nova união vivam em continência, eles dizem que “em outras circunstâncias mais complexas, e quando não se pode obter uma declaração de nulidade, a opção mencionada pode não ser de fato possível”. E a continuação, acrescentam que: “(…) não obstante, igualmente é possível um caminho de discernimento. Se se chega a reconhecer que, num caso concreto, há limitações que atenuam a responsabilidade e a culpabilidade (cf. 301-302), particularmente quando uma pessoa considere que cairia numa nova falta prejudicando aos filhos da nova união, Amoris Laetitia abre a possibilidade do acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (cf. notas 336 e 351).

De fato, já que esta é a postura do Papa – acrescenta – não cabe esperar que responda a outras perguntas sobre sua própria interpretação como seria o caso dos Dubia apresentados por quatro cardeais:

Francisco lhe enviou imediatamente uma carta formal dizendo que “o escrito é muito bom e explicita definitivamente o sentido do capítulo VIII”. Mas é importante advertir que acrescenta: “Não há outras interpretações” (carta de 05/09/2016). Portanto, é desnecessário esperar outra resposta do Papa.

O restante do artigo de Mons. Fernández é uma tentativa de justificar a ruptura de Amoris Laetitia com o Magistério precedente. E vai mais além ao contrariar o ensinamento do Catecismo, que indica no seu parágrafo 2353 que “A fornicação é a união carnal entre um homem e uma mulher fora do matrimônio… É gravemente contrária… Além disso, é um escândalo grave.” No entanto, o Arcebispo considera que nem sempre é pecado:

 “(…) é lícito perguntar-se se os atos de uma convivência more uxório devem cair sempre, em seu sentido íntegro, dentro do preceito negativo que proíbe ‘fornicar’. Digo ‘em seu sentido íntegro’ porque não é possível sustentar que esses atos sejam, em todos os casos, gravemente desonestos em sentido subjetivo.

E também aponta a uma hipotética impossibilidade de cumprir os mandamentos em determinadas circunstâncias.

Francisco considera que, ainda conhecendo a norma, uma pessoa ‘pode estar em condições concretas que não lhe permitem atuar de maneira diferente e tomar outras decisões sem uma nova culpa. Como bem expressaram os Padres Sinodais, pode haver fatores que limitam a capacidade de decisão’. Fala de sujeitos que ‘não estão em condições seja de compreender, de valorizar ou de praticar plenamente as exigências objetivas da lei’. Num outro parágrafo o reafirma: ‘Em determindas circunstâncias, as pessoas encontram grandes dificuldades para agir de modo diverso’.

No entanto,  o Concílio de Trento, em seu cânon XVIII sobre a justificação, decreta:

Se alguém disser que é impossível ao homem ainda justificado e constituído em graça, observar os mandamentos de Deus, seja excomungado.

E diz a Escritura:

“Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela.” 1ª Cor 10,13

 

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