Posts tagged ‘O Papa’

18 setembro, 2017

O Cardeal Müller acusa o Papa Francisco de não basear sua autoridade magisterial numa teologia “competente”.

Incomoda ao cardeal que o papa pense que “a religião e a política são uma coisa só”. O Cardeal denuncia que o Papa se preocupa mais por “questões de diplomacia e poder do que pelas questões da fé”. A fé cristã deveria estar no centro e o Papa deveria ser simplesmente um “servo da salvação”

Por Cameron Doody, Religión Digital, 14 de setembro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com“Vós não tendes nem ideia do que estais dizendo!” O Cardeal Gerhard Müller fez eco das palavras com as quais São Roberto Belarmino uma vez lançou em rosto do Papa Clemente VIII sua falta de competência teológica, para uma vez mais apontar o Papa Francisco, acusando-o de não basear sua “autoridade magisterial” numa teologia sólida.

Segundo relatam tanto o Tagespost como o Mannheimer Morgen, o ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé participou na semana passada num colóquio em Mannheim para apresentar seu novo livro Der Papst. Sendgung und Auftrag (“O Papa. Missão e Mandato”).

muller

No colóquio em que Müller proferiu críticas a Francisco, participava também o Arcebispo Dom Georg Ganswein, Prefeito da Casa Pontifícia e secretário pessoal de Bento XVI.

Müller aproveitou suas intervenções para queixar-se uma vez mais das diferenças que manteve com o Papa, o que desencadeou sua destituição como cabeça do Santo Ofício, no final do mês de junho.

A essência das novas críticas do purpurado alemão é que Francisco, nos quatro anos de Pontificado, desvalorizou o papel da Doutrina da Fé na vida da Igreja, até o ponto — dolorosíssimo para Müller – de que seu Prefeito já não goza mais de nenhum prestígio.

Ao invés da Congregação [para a Doutrina da Fé], é a Secretaria de Estado do Vaticano a instituição que agora é considerada a mais importante na Igreja”, criticou Müller sobre a política do Papa Bergoglio.

“Questões de diplomacia e de poder agora têm prioridade”, afirmou, lamentando-se de que esta é uma mudança “radical”, mas “equivocada… e que deve ser corrigida. ” “A fé cristã é que deveria estar no centro, em seu lugar, e o Papa deveria ser simplesmente um “servo da salvação”.

Para jogar sal na ferida, Müller lançou-se contra a recente viagem que o Cardeal Pietro Parolin, atual Secretário de Estado, fez à Rússia. Ainda que o Papa, segundo Parolin, tenha se mostrado “contente” com os “resultados positivos” que a viagem deu em si, Müller quis distanciar-se dos dois, criticando a “ótica desafortunada” com a qual muitos interpretaram a visita, “porque aqui não se pode cair na armadilha de pensar que a religião e a política são uma coisa só.”

Segundo Müller, a associação da religião e da política “nunca prosperou quando a missão da Igreja se centralizava (e se concentra) no poder”.

E além disso, o ex-prefeito da Doutrina da Fé quis lançar mais um aviso ao atual Bispo de Roma, recordando-lhe que “o centro do Papado não é o Papa em si mesmo, mas a fé cristã”, com o qual Francisco deve levar em conta a necessidade — sentida pelos “cardeais dos Dubia” sobre o conteúdo de Amoris Laetitia — de “uma preparação teológica mais clara dos documentos [oficiais].

Anúncios
4 setembro, 2017

Papa Francisco: excertos do livro onde ele diz tudo.

Por Jean-Marie Guénois, Le Figaro, Paris, 31/08/2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comO Figaro Magazine publica longos excertos de uma próxima obra do Papa Francisco. Um livro de diálogos abertos, cheios de surpresas.

Engajamento pelos migrantes – “O próprio Jesus foi um refugiado, um imigrante.”

Dominique Wolton: O senhor disse em Lesbos, em janeiro de 2016, uma coisa bela e inusual: “Somos todos migrantes, e somos todos refugiados.” No momento em que as potências europeias e ocidentais estão se fechando, o que dizer além desta magnífica frase? O que fazer?

Papa Francisco: Há uma frase que eu disse, e que as crianças migrantes portavam em suas camisetas: “Eu não sou um perigo, estou em perigo.” Nossa teologia é uma teologia de migrantes. Porque nós todos o somos desde o chamado de Abraão, com todas as migrações do povo de Israel, inclusive o próprio Jesus era um refugiado, um imigrante. E depois, existencialmente, pela fé, nós somos migrantes. A dignidade humana implica necessariamente ‘estar a caminho’. Quando um homem ou uma mulher não está a caminho, é uma múmia. É uma peça de museu. A pessoa não está viva.

(…) Dominique Wolton: Um ano e meio após o senhor pronunciar essa frase em Lesbos, a situação piorou. Muitas pessoas admiraram o que o senhor disse, mas depois, nada. O que o senhor diria hoje?

Papa Francisco: O problema começa nos países de onde vêm os migrantes. Por que eles deixam suas terras? Por falta de trabalho, ou por causa da guerra. Estas são as duas principais razões. A falta de trabalho, porque eles foram explorados – penso nos africanos. A Europa explorou a África… Não sei se podemos dizê-lo! Mas algumas colônias europeias… sim, elas a exploraram. Li que um Chefe de Estado africano eleito recentemente teve como seu primeiro ato de governo submeter ao Parlamento uma lei de reflorestamento de seu país – a qual, aliás, foi promulgada. As potências econômicas do mundo tinham cortado todas as árvores. Reflorestar. A terra está seca por ter sido muito explorada, e não há mais trabalho. A primeira coisa que deve ser feita, como eu disse perante as Nações Unidas, no Conselho da Europa, em toda parte, é encontrar fontes de criação de emprego e investir nelas. É verdade que a Europa também deve investir internamente. Porque também aqui há um problema de desemprego. A outra razão das migrações são as guerras. Podemos investir, as pessoas terão uma fonte de trabalho e não precisarão sair, mas se houver guerra, elas precisarão fugir. Agora, quem faz a guerra? Quem dá armas? Nós.

“A Europa, neste momento, tem medo. Ela se fecha, fecha, fecha…”

Papa Francisco: Creio que a Europa se tornou uma “vovó”. Quando eu gostaria de ver uma Europa-mãe. Em termos de nascimentos, a França está no topo dos países desenvolvidos, com, acredito, mais de 2%. Mas a Itália, em torno de 0,5%, é muito menor. O mesmo vale para a Espanha. A Europa pode perder o senso de sua cultura, de sua tradição. Pensemos que é o único continente que nos deu uma riqueza cultural tão grande, e isso eu enfatizo. A Europa deve se reencontrar retornando às suas raízes. E não ter medo. Não ter medo de se tornar uma Europa-mãe. (…)

Dominique Wolton: Qual é a sua principal preocupação e principal esperança em relação à Europa?

Papa Francisco: Eu não vejo outros Schumann, eu não vejo outros Adenauer…

Dominique Wolton: (risos) No entanto, há o senhor. E outros…

Papa Francisco: A Europa, no momento, tem medo. Ela se fecha, fecha, fecha… (…) Além do mais, a Europa é uma história de integração cultural, multicultural muito forte, como você diz. Desde sempre. Os lombardos, nossos lombardos de hoje, são bárbaros que chegaram há muito tempo… E então tudo se misturou e nós temos nossa cultura. Mas qual é a cultura europeia? Como eu definiria hoje a cultura europeia? Sim, ela tem importantes raízes cristãs, é verdade. Mas isso não é suficiente para defini-la. Existem todas as nossas aptidões. Essas aptidões para integrar, para receber os outros. Há também a linguagem na cultura. Em nossa língua espanhola, 40% das palavras são árabes. Por quê? Porque eles estiveram lá durante sete séculos. E deixaram a sua marca. (…)

“A identidade argentina é miscigenada, sempre me senti um pouco assim”

Dominique Wolton: No que o senhor se sente argentino? No que consiste a seu ver a identidade argentina?

Pape Francisco: Na Argentina existem nativos. Temos povos indígenas. A identidade argentina é mista. A maioria dos argentinos é o resultado da miscigenação. Porque as ondas de imigração foram misturadas, misturadas e misturadas… Penso que a mesma coisa aconteceu nos Estados Unidos, onde ondas de imigração misturaram as pessoas. Os dois países são bastante semelhantes. E eu, eu sempre me senti um pouco assim. Para nós era absolutamente normal ter na escola várias religiões juntas. (…) Alguns países conseguiram integrar os imigrantes em suas vidas. Mas outros, por duas ou três gerações, transformaram-nos em “objetos”, nos guetos. Sem integração.

A Igreja e a sociedade

“As religiões não são subculturas”

Papa Francisco: O Estado laico é uma coisa saudável. Há uma laicidade saudável. Jesus disse que é preciso dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Nós somos todos iguais perante Deus. Mas acredito que em alguns países como a França, essa laicidade tem uma coloração muito forte herdada do Iluminismo, que constrói um imaginário coletivo no qual as religiões são vistas como uma subcultura. Eu creio que a França – é a minha opinião pessoal, não a oficial da Igreja – deveria “elevar” um pouco o nível de sua laicidade, no sentido de que deveria dizer que as religiões também fazem parte da cultura . Como expressar isso respeitando a laicidade? Através da abertura à transcendência. Todos podem encontrar sua forma específica de abertura. Na herança francesa, o Iluminismo pesa demais. Compreendo esse legado da história, mas é uma tarefa pendente ampliá-lo. Há governos, cristãos ou não, que não admitem a laicidade. O que significa um estado laico “aberto à transcendência”? Que as religiões são parte da cultura, que não são subculturas. Quando se diz que não se devem usar cruzes visíveis ao redor do pescoço ou que as mulheres não precisam usar isso ou aquilo, é uma estupidez. Porque ambas as atitudes representam uma cultura. Aquele leva a cruz, o outro leva outra coisa, o rabino leva a kipá, e o papa leva o solidéu! (risos) … Eis a laicidade saudável! O Concílio Vaticano II fala muito bem disto, com muita clareza. Eu acredito que há exageros sobre esses assuntos, especialmente quando a laicidade é colocada acima das religiões. As religiões não seriam parte da cultura? Seriam subculturas?

“Escolher o caminho da castidade”

Papa Francisco: Renunciar à sexualidade e escolher o caminho da castidade ou da virgindade constitui uma vida inteira consagrada. E qual é a condição sem a qual esse caminho morre? É que esse caminho conduz à paternidade ou à maternidade espiritual. Um dos males da Igreja são os sacerdotes “solteirões” e as irmãs “solteironas”. Porque eles estão cheios de amargura. Por outro lado, aqueles que chegaram a essa paternidade espiritual, seja através da paróquia, da escola ou do hospital, estão indo bem… E é a mesma coisa para as irmãs, porque elas são “mães” (…) É uma renúncia voluntária. A virgindade, masculina ou feminina, é uma tradição monástica que precede o catolicismo. É uma procura humana: renunciar [ao casamento] para buscar Deus na origem, para a contemplação. Mas uma renúncia deve ser uma renúncia fecunda, que conserva uma espécie de fecundidade diferente da fecundidade carnal, da fecundidade sexual. Mesmo na Igreja existem sacerdotes casados. Todos os sacerdotes orientais são casados, isso existe. Mas a renúncia ao casamento para o reino de Deus é um valor em si. Significa renunciar para estar ao serviço, para melhor contemplar.

“Se um padre é abusador, é alguém doente”

Papa Francisco: Antes se transferia o padre, mas o problema se transferia com ele. A política atual é a que Bento XVI e eu criamos através da Comissão para a Proteção de Menores, fundada há dois anos aqui no Vaticano. Proteção de todos os menores. É para fazer tomar consciência do que é esse problema. A Igreja mãe ensina como prevenir, como fazer uma criança falar, de modo que ele diga a verdade aos pais, conte o que está acontecendo, etc. É um caminho construtivo. A Igreja não deve tomar uma posição defensiva. Se um padre é um abusador, é alguém doente. De quatro abusadores, dois foram abusados quando eram crianças. Estas são estatísticas dos psiquiatras.

“O casamento é entre um homem e uma mulher”

Papa Francisco: O que pensar do casamento entre pessoas do mesmo sexo? O “casamento” é uma palavra histórica. Sempre na humanidade, e não apenas na Igreja, é um homem e uma mulher. Não se pode mudar isso assim, ao bel-prazer… (…) Não se pode mudar isso. Essa é a natureza das coisas. Elas são assim. Chamemos, pois, isso de “uniões civis”. Não brinquemos com as verdades. É verdade que por trás disso existe a ideologia de gênero. Nos livros também, as crianças aprendem que se pode escolher o sexo. Porque o gênero, ser uma mulher ou um homem, seria uma escolha e não um fato da natureza? Isso favorece este erro. Mas digamos as coisas como elas são: o casamento é entre um homem e uma mulher. Esse é o termo preciso. Chamemos a união do mesmo sexo de “união civil”.

“A ideologia tradicionalista”

Papa Francisco: Como cresce a tradição? Cresce como cresce uma pessoa: através do diálogo, que é como a amamentação para a criança. Diálogo com o mundo que nos rodeia. O diálogo faz crescer. Se não dialogarmos, não podemos crescer, permanecemos fechados, pequenos, um anão. Não posso contentar-me em caminhar com viseiras de cavalo, tenho que olhar e dialogar. O diálogo faz crescer, e faz crescer a tradição. Dialogando e ouvindo outra opinião, eu posso, como no caso da pena de morte, da tortura e da escravidão, mudar o meu ponto de vista. Sem mudar a doutrina. A doutrina cresceu junto com a compreensão. Esta é a base da tradição.

(…)

Pelo contrário, a ideologia tradicionalista tem uma fé assim (faz o gesto de alguém com viseiras), a bênção deve ser dada assim, os dedos durante a missa devem ser assim, com as luvas, como era antes… O que o Vaticano II fez da liturgia foi realmente uma coisa muito boa. Porque abriu o culto de Deus ao povo. Agora, o povo participa.

Muçulmanos: “Eles não aceitam a reciprocidade”

Dominique Wolton: E sobre o diálogo com o Islã, não seria necessário pedir um pouco de reciprocidade? Não há liberdade real para os cristãos na Arábia Saudita e em alguns países muçulmanos. É difícil para os cristãos. E os fundamentalistas islâmicos assassinam em nome de Deus…

Papa Francisco: Eles não aceitam o princípio da reciprocidade. Alguns países do Golfo também estão abertos e nos ajudam a construir igrejas. Por que eles estão abertos? Porque têm trabalhadores filipinos, católicos, indianos… O problema na Arábia Saudita é realmente uma questão de mentalidade. Com o Islã, no entanto, o diálogo está progredindo bem, porque, eu não sei se você sabe, mas o Imam de Al-Azhar veio nos visitar. E haverá uma reunião lá: irei. Eu penso que lhes faria bem fazer um estudo crítico do Alcorão, como fizemos com nossas Escrituras. O método histórico e crítico de interpretação fá-los-á evoluir.

Os desafios da Igreja

“A Igreja é o povo, não os bispos, o papa, os padres”

Papa Francisco: Há os pecados dos líderes da Igreja, que não têm inteligência ou se deixam manipular. Mas a Igreja não é os bispos, os papas e os sacerdotes. A Igreja é o povo. E o Vaticano II disse: “O povo de Deus, em seu conjunto, não erra”. Se você quer conhecer a Igreja, vá a uma aldeia onde se vive a vida da Igreja. Vá a um hospital, onde há tantos cristãos que vêm ajudar, leigos, irmãs… Vá à África, onde encontramos tantos missionários. Eles queimam suas vidas lá. E fazem verdadeiras revoluções. Não para converter, é em outra época que se falava de conversão, mas para servir.

“O que mais me atrai na Igreja: sua santidade fecunda, ordinária”

Papa Francisco: Há tanta santidade. É uma palavra que eu quero usar hoje na Igreja, mas no sentido da santidade diária, nas famílias… E esta é uma experiência pessoal. Quando falo dessa santidade comum, que eu chamei da outra vez de “classe média” da santidade… você sabe o que isso me evoca? O Angelus de Millet. É o que me vem à mente. A simplicidade desses dois camponeses que rezam. Um povo que reza, um povo que peca e depois se arrepende de seus pecados. Há uma forma de santidade oculta na Igreja. Há heróis que partem em missão. Vocês, franceses, fizeram muito, alguns sacrificaram suas vidas. Isto é o que mais me atrai na Igreja: sua santidade fecunda, ordinária. Essa capacidade de se tornar santo sem ser notado.

“Há um grande perigo de se condenar apenas a moral abaixo do cinto”

Papa Francisco: Mas nós, católicos, como ensinamos a moralidade? Não se pode ensiná-la com preceitos como: “Tu não podes fazer isso, tu deves fazer isso, tu deves, tu não deves, tu podes, tu não podes.” A moral é uma consequência do encontro com Jesus Cristo. É uma consequência da fé, para nós católicos. E para os outros, a moral é uma consequência do encontro com um ideal, ou com Deus, ou consigo mesmo, mas com a melhor parte de si mesmo. A moral é sempre uma consequência.

Dominique Wolton: A mensagem mais radical da Igreja desde sempre, a partir do Evangelho, é de condenar a loucura do dinheiro. Por que essa mensagem não está sendo ouvida?

Papa Francisco: Nunca acontece? Mas porque alguns preferem falar de moral nas homilias ou nas cátedras de teologia. Há um grande perigo para os pregadores, que é o de cair na mediocridade. De não condenar senão [as violações] à moral – peço desculpas – “abaixo do cinto”. Mas dos outros pecados, que são os mais graves, o ódio, a inveja, o orgulho, a vaidade, matar o outro, tirar a vida… não se fala tanto assim.

“Pode-se dar a comunhão aos divorciados?”

Papa Francisco: (…) há o que eu fiz depois dos dois sínodos, Amoris laetitia… É algo claro e positivo, que alguns com tendências muito tradicionalistas combatem dizendo que não é a verdadeira doutrina. A respeito das famílias feridas, digo no oitavo capítulo que existem quatro critérios: acolher, acompanhar, discernir as situações e integrar. E essa não é uma norma fixa. Isso abre uma via, um caminho de comunicação. Perguntaram-me imediatamente: “Mas pode-se dar a comunhão aos divorciados?”. Eu respondo: “Fale, então, com o divorciado, converse com a divorciada, acolham, acompanhem, integrem, discirnam!” Infelizmente, nós sacerdotes, estamos acostumados com normas fixas. Com padrões fixos. E é difícil para nós “acompanhar no caminho, integrar, discernir, elogiar”. Mas a minha proposta é essa. (…) O que realmente acontece é que se ouve as pessoas dizerem: “Eles não podem comungar”, “Eles não podem fazer isso e aquilo”: a tentação da Igreja está aí. Mas não, não e não! Esse tipo de proibições é o que se encontra no drama de Jesus com os fariseus. O mesmo! Os grandes da Igreja são aqueles que têm uma visão que vai além, aqueles que compreendem: os missionários.

“Cada padre pode doravante absolver um aborto”

Papa Francisco: Durante o Jubileu da Misericórdia houve o fato de estender o poder de absolver o pecado do aborto a todos os sacerdotes. Atenção, isso não significa banalizar o aborto. O aborto é grave, é um pecado grave. É o assassinato de um inocente. Mas se há pecado, devemos facilitar o perdão. Então, no final, decidi que essa medida seria permanente. Cada sacerdote agora pode absolver esse pecado.

Dominique Wolton: Sua posição aberta e humanista suscita oposições na Igreja Católica.

Papa Francisco: Uma mulher [que abortou e] que tem uma memória física da criança, porque é frequente o caso, e que chora, que chora há muitos anos sem ter a coragem de ir ver o padre… quando ouviu isso que eu disse… você percebe quantas pessoas respiram finalmente?

“Tenho medo de rigidez”

Papa Francisco: Atrás de cada rigidez há uma incapacidade de se comunicar. E eu sempre encontrei… Tome esses sacerdotes rígidos que temem a comunicação, tomem os políticos rígidos… É uma forma de fundamentalismo. Quando encontro uma pessoa rígida, e especialmente um jovem, eu digo a mim mesmo que ele está doente. O perigo é que eles buscam segurança. Eu lhe conto a este respeito uma anedota. Quando eu era mestre de noviços, em 1972, acompanhava-se durante um ou dois anos os candidatos que queriam entrar na Companhia. (…)

Lembro-me de um deles, que se via um pouco rígido, mas que tinha grandes qualidades intelectuais e que eu achava de muito bom nível. Havia outros, muito menos brilhantes, a cujo respeito eu me perguntava se passariam. Eu pensava que eles seriam recusados, porque tinham dificuldades, mas eventualmente foram admitidos porque tinham essa capacidade de crescer, de ter sucesso. E quando o exame do primeiro aluno chegou, [os examinadores] disseram imediatamente não.

“Mas por quê? Ele é tão inteligente, ele é cheio de qualidades.

“— Ele tem um problema – explicaram-me –, ele é um pouco empolado, um pouco artificial sobre certas coisas, um pouco rígido.

“— E por que ele é assim?

“— Porque não tem segurança de si mesmo.”

Sente-se que esses homens pressentem de modo inconsciente que são “doentes psicologicamente”. Eles não sabem, eles o sentem. E vão, portanto, procurar estruturas fortes que os defendam na vida. Eles se tornam policiais, se alistam no exército ou na Igreja. Instituições fortes, para se defenderem. Eles fazem bem o seu trabalho, mas uma vez que se sentem seguros, inconscientemente a doença se manifesta. E sobrevêm então os problemas. E eu perguntei: “Mas, doutora, como se explica isso? Eu não compreendo bem.” E ela me deu esta resposta: “O senhor nunca se perguntou por que há policiais torturadores? Esses rapazes, quando chegaram, eram rapazes valentes, bons, mas doentes. Então eles ficaram confiantes de si mesmos e a doença começou.” Eu tenho medo da rigidez… Prefiro um jovem desordenado, com problemas normais, que se irrita… porque todas essas contradições o ajudarão a crescer.

Confidências pessoais

“Minha mãe… e as pequenas noivas”

Dominique Wolton: (…) Qual é o papel das mulheres em sua vida?

Papa Francisco: Pessoalmente, agradeço a Deus por ter conhecido verdadeiras mulheres na minha vida. Minhas duas avós eram muito diferentes, mas ambas eram mulheres verdadeiras. Eram mães, trabalhavam, eram corajosas, passavam o tempo com seus netos… Mas sempre com essa dimensão da mulher… (…) Também havia minha mãe. Minha mãe… Vi minha mãe sofrer, após o último parto – houve cinco – quando contraiu uma infecção que a deixou sem poder andar por um ano. Eu a vi sofrer. E vi como ela conseguiu evitar desperdiçar qualquer coisa. Meu pai tinha um bom trabalho, era um contador, mas seu salário apenas nos permitia chegar ao fim do mês. E eu vi essa mãe, a maneira como ela enfrentava os problemas um após o outro… (…) Era uma mulher, uma mãe. E também as irmãs… É importante para um homem ter irmãs, muito importante. Depois, havia as namoradas da adolescência, as “pequenas noivas”… Estar sempre em contato com as mulheres enriqueceu-me. Eu aprendi, mesmo na idade adulta, que as mulheres veem as coisas de maneira diferente dos homens. Porque em face de uma decisão a tomar, em face de um problema, é importante ouvir ambos.

“Uma mulher me ensinou a pensar sobre a realidade política. Ela era comunista.”

Dominique Wolton: O senhor conheceu mulheres, depois da infância e da adolescência, que o marcaram?

Papa Francisco: Sim. Há uma que me ensinou a pensar sobre a realidade política. Ela era comunista.

(…) Dominique Wolton: Qual era o seu primeiro nome?

Pape Francisco: Esther Ballestrino de Careaga.

Dominique Wolton: Ela ainda está viva?

Papa Francisco: Não… Durante a ditadura, ela foi “pfftt…”, morta. Ela foi capturada no mesmo grupo que duas irmãs francesas, estavam juntas. Ela era química, chefe do departamento onde eu trabalhava, no laboratório bromatológico. Era uma comunista do Paraguai, do partido que lá se chama Febrerista. Lembro-me que ela me fez ler a condenação à morte dos Rosenberg! Ela me fez descobrir o que havia por trás dessa condenação. Ela me deu livros, todos comunistas, mas ensinou-me a pensar sobre a política. Eu devo tanto a essa mulher. (…) Foi-me dito uma vez: “Mas você é comunista!” Não. Os comunistas são os cristãos. São os outros que roubaram a nossa bandeira!

A mim, nada me causa medo”

Dominique Wolton: Suas origens latino-americanas e sua formação jesuíta lhe dão os meios para viver as coisas de maneira diferente?

Papa Francisco: Um exemplo que me vem à mente, mas não sei como expressá-lo: sou livre. Sinto-me livre. Isso não significa que eu faça o que eu quero, não. Mas eu não me sinto preso em uma gaiola. Em uma gaiola aqui, no Vaticano, sim, mas não espiritualmente. Eu não sei se é isso… Para mim, nada me causa medo. Pode ser inconsciência ou imaturidade!

Dominique Wolton: Ambas!

Papa Francisco: Mas sim, as coisas se passam assim, faz-se o que se pode, toma-se as coisas como elas vêm, evita-se fazer certas coisas, algumas caminham, outras não… Isso pode ser superficialidade, eu não sei. Não sei como chamá-lo. Eu me sinto como um peixe na água.

Eu consultei uma psicanalista judia”

Papa Francisco: (…) Em certo momento da minha vida tive necessidade de consultar. Eu consultei uma psicanalista judia. Durante seis meses, fui à casa dela uma vez por semana para esclarecer certas coisas. Ela era muito boa. Muito profissional como médica e psicanalista, mas sempre permaneceu em seu lugar. E então, um dia, quando ela estava prestes a morrer, ela me chamou. Não para os sacramentos, uma vez que era judia, mas para um diálogo espiritual. Uma pessoa muito boa. Durante seis meses, ela me ajudou muito, eu já tinha na época 42 anos.

Tags:
24 agosto, 2017

Papa: superar leituras infundadas e superficiais da reforma litúrgica, que é irreversível.

Cidade do Vaticano (RV) –  “Não basta reformar os livros litúrgicos para renovar a mentalidade (…), a educação litúrgica de Pastores e fiéis é um desafio a ser enfrentado sempre de novo”.” Depois deste magistério e  depois deste longo caminho, podemos afirmar com segurança e com autoridade magisterial que a reforma litúrgica é irreversível”.

Ao encontrar na manhã desta quinta-feira na Sala Paulo VI os participantes da Semana Litúrgica Nacional italiana, o Papa Francisco falou sobre a irreversibilidade da reforma litúrgica, recordando – ao começar seu pronunciamento – os acontecimentos “substanciais e não superficiais” ocorridos no arco dos últimos 70 anos na história Igreja e em particular, “na história da liturgia”.

read more »

11 agosto, 2017

Papa intima religiosos belgas a deixar de oferecer eutanásia a doentes mentais.

Cidade do Vaticano (RV) – A Sala de Imprensa da Santa Sé confirma que o Papa Francisco ordenou ao ramo belga do Instituto religioso dos Irmãos da Caridade para por fim até este mês de agosto à prática de oferecer a eutanásia aos pacientes psiquiátricos internados nas estruturas que administra.

A ordem foi transmitida pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica ao Superior Geral do Instituto, Frei René Stockman. Caso não for atendida, será ocasião para severos procedimentos canônicos, que podem incorrer em excomunhão.

O próprio Stockman havia afirmado à Agência dos bispos estadunidenses CNS que o Papa havia aprovado pessoalmente a intimação para que os métodos em uso fossem interrompidos até agosto pela instituição, que administra 15 centros para pacientes com problemas psiquiátricos.

Uso da eutanásia

O grupo dos Irmãos da Caridade havia anunciado em maio que permitiria que os médicos realizassem a eutanásia em seus 15 hospitais psiquiátricos na Bélgica – país que junto com a Holanda autoriza o uso da eutanásia em pacientes com problemas de saúde mental. A instituição de caridade disse em uma declaração que a eutanásia só seria realizada caso não houvesse “nenhuma alternativa de tratamento razoável”. A eutanásia vai contra os princípios da Igreja Católica e a Santa Sé começou a investigar a decisão do conselho de administração do grupo em permitir a prática da eutanásia. Magistério da Igreja.

Os religiosos que fazem parte do conselho do Grupo Irmãos da Caridade deverão assinar uma carta a ser enviada ao Superior Geral declarando que “apoiam plenamente a visão do Magistério da Igreja Católica, que sempre confirmou que a vida humana deve ser respeitada e protegida em termos absolutos, desde o momento da concepção até seu fim natural”.

Os irmãos que se recusarem a assinar tal declaração sofrerão sanções com base no Direito Canônico, enquanto o grupo poderá sofrer ações legais, o que contempla até mesmo a expulsão da Igreja caso não houver mudança nos métodos usados. “O grupo – acrescentou Stockman – não deve mais considerar a eutanásia, em nenhuma circunstância, como solução para os sofrimentos humanos”. (JE/AP)

Tags:
20 julho, 2017

Entrevista fundamental para compreender o Papa Francisco: Marcello Pera, político italiano e amigo próximo de Ratzinger.

Por Rorate Caeli, 20 de julho de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Marcello Pera é um influente intelectual na Itália. Foi presidente do Senado e é um bom amigo de Bento XVI, inclusive escreveu, conjuntamente com ele, um livro de discursos sobre a decadência do ocidente (Sin Raíces: Europa, Relativismo, Cristianismo, Islam)

Em uma entrevista concedida ao jornal de Nápoles, Il Mattino, publicada em 9 de julho de 2017, Marcello Pera apresentou o que poderia se chamar uma visão geral do Papa Francisco desde o grande espectro moderado de italianos e europeus de todas as classes.

* * *

 

“Para Bergoglio só interessa fazer política, não lhe interessa, absolutamente, o Evangelho”

Pera: “A entrada indiscriminada [de imigrantes] desperta tensões explosivas”. 

Il Mattino, Nápoles, 9 de julho de 2017
Entrevista por Corrado Ocone

Em uma nova e exclusiva entrevista concedida a Eugenio Scalfari, do jornal “Repubblica”, o Papa Francisco intervém sobre o debate político com opiniões fortes e explosivas que, ao mesmo tempo, poderiam ser consideradas “de esquerda”. Desta vez, o pontífice falou dos poderosos da terra reunidos em Hamburgo para o G20, opondo-se por questão de princípios à toda política que tente controlar e limitar a migração massiva desde nações pobres para a Europa. Para entender melhor as idéias e, sobretudo, as ações políticas e midiáticas do Papa em comparação com as de seu predecessor, fizemos algumas perguntas ao ex-presidente do Senado, Marcello Pera. Sabe-se que ele, um [típico] católico liberal, compartilhou muitas idéias com o Papa emérito Bento XVI (incusive escrevendo a quatro mãos um livro: Sin Raíces: Europa, Relativismo, Cristianismo, Islam, Mondadori, 2004).

img1024_700_dettaglio2_marcello_pera_benedetto_xvi_infophoto_800_800

Marcello Pera e Bento XVI.

Sr. Presidente, a que opinião chegou a respeito dos constantes chamados do Papa Bergoglio ao recebimento de imigrantes? Um recebimento indiscriminado, incondicional, total?

“Francamente, não entendo este Papa, tudo o que ele diz está muito além da compreensão racional. É evidente para todos que um recebimento indiscriminado não é possível: há um ponto crítico que não se pode alcançar. Se o Papa não faz referência a este ponto crítico, insiste-se em um recebimento massivo e total, pergunto-me a mim mesmo: por que o diz? Qual é o fim último de suas palavras? Por que lhe falta um mínimo de realismo, o mesmo que pede a qualquer um? A resposta que dou a mim mesmo é só uma: o Papa o faz porque odeia o ocidente, aspira destruí-lo, e faz todo o possível para chegar a esse fim. Ele aspira destruir a tradição cristã, o cristianismo tal como se desenvolveu históricamente”.

“Se tomamos em consideração o limite crítico sobre o qual as nossas sociedades já não podem receber a mais ninguém, nem assegurar a dignidade que corresponde a cada ser humano, veremos de imediato uma verdadeira invasão que nos submergirá a todos e que colocará em risco nossos costumes, nossa liberdade, e o próprio cristianismo. Haverá uma reação e uma gerra. Como o Papa não compreende isso? De que lado estará quando se desencadear essa guerra civil?”

Não crê que o Evangelho está relacionado com isso, a pregação de Cristo? A ética do Papa não seria talvez uma convicção absoluta, abstrata, que nã leva em consideração as consequências?” 

“Não, absolutamente. Assim como não há motivos racionais para isso, tampouco há motivos evangélicos para explicar o que o Papa diz. Ao fim, trata-se de um Papa que desde o dia de sua eleição só faz política. Ele busca o aplauso fácil, fazendo algumas vezes o papel de Secretário Geral da ONU, outras de Chefe de Governo, outras de líder sindical intervindo em acordos contratuais de uma corporação como Mediaset. E sua visão é a do Justicialismo peronista sul-americano, que não tem nada a ver com a tradição europeia de liberdade política de origem cristã. O cristianismo do Papa é de natureza diferente. E é um cristianismo político, inteiramente”.

No entanto, isso não parece provocar uma reação dos secularistas, que estavam permanente e efetivamente atentos durante os pontificados anteriores.

“Na Itália, o conformismo é total. Trata-se de um Papa apreciado pela opinião pública informada, responde a certas urgências básicas que eles têm, e estão prontos para aplaudi-lo, inclusive quando diz bobeiras”.

Em um trecho da entrevista a Scalfari, depois de ter feito um chamado à Europa, o Papa diz temer “alianças muito perigosas” contra os imigrantes por parte dos “poderes que têm uma visão distorcida do mundo: Estados Unidos e Rússia, China e Coréia do Norte”. Não é ao menos estranho juntar a uma antiga democracia como a dos Estados Unidos países fortemente autoritários e inclusive diretamente totalitários? 

“Sim, mas não me surpreende, à luz do que disse antes. O Papa reflete todos os preconceitos da América do Sul em relação à América do Norte, aos mercados, à liberdade e ao capitalismo. Ele o teria feito inclusive se Obama continuasse sendo presidente americano, porém, não há dúvida de que essas idéias do Papa estão fortemente associadas, em uma combinação perigosa, com o sentimento anti-Trump estendido por toda a Europa”.

Sr. Presidente, insistirei um pouco sobre esse “fazer política” do Papa. É, de fato, uma novidade em relação ao passado? 

“Sem dúvida. Bergoglio está pouco ou nada interessado no cristianismo enquanto doutrina, no aspecto teológico. E isso é uma novidade, sem dúvida. Este Papa tomou as rédeas do cristianismo e o converteu em política. Suas afirmações parecem se basear nas escrituras, porém, na realidade, são fortemente secularistas. A Bergoglio não importa a salvação das almas, mas o bem-estar e a seguridade social. E isso é um fato preliminar. Se depois nos voltamos a ouvir as coisas que diz, não podemos deixar de ver com preocupação que suas afirmações podem desencadear uma crise política e uma crise religiosa incontroláveis. Do primeiro ponto de vista [político], ele sugere que nossos Estados se suicidem, convida a Europa a deixar de ser ela mesma. Do segundo ponto de vista [religioso], não posso deixar de observar que no mundo católico se está desenvolvendo, às ocultas, um cisma, que é buscado por Bergoglio com obstinação e determinação, e por seus aliados, inclusive até com maldade”.

Por que isso está acontecendo? Não é completamente irracional?

“Não, não é. Diria, inclusive, que o Concílio Vaticano II explodiu finalmente em toda a sua radicalidade revolucionária e subversiva. São idéias que conduzem ao suicídio da Igreja Católica, idéias que já estavam respaldadas e justificadas naquele momento e ocasião. Esquecemo-nos que o Concílio precedeu as revoluções estudantil, sexual, de costumes e modos de vida. Antecipou-se a eles e, de certa forma, provocou-as. Naquele momento, o aggiornamento do cristianismo secularizou fortemente a Igreja, deflagrou uma mudança tão profunda que, ameaçando um cisma, foi controlado e mantido sob controle nos anos seguintes. Paulo VI respaldou [o Concílio], mas, ao fim, acabou sendo sua vítima. Os grandes Papas que lhe sucederam [João Paulo II e Bento XVI] estavam plenamente conscientes das consequências que tinham sido deflagradas, porém, tentaram estabelecer uma ponte entre o novo e a tradição. Fizeram-no de maneira sublime. Tinham revertido o curso; mas, agora, as rédeas foram soltas: a sociedade, no lugar da salvação; a cidade terrena de Santo Agostinho, no lugar da divina; elas parecem ser o ponto de referência da hierarquia eclesiástica governante. Os direitos do homem, todos, sem exclusão, tornaram-se o ideal e a bússola da Igreja, enquanto quase não resta lugar para os direitos de Deus e a tradição. Ao menos, aparentemente. Bergoglio se sente e vive completamente emancipado disso”.

Por que “aparentemente”?

“Porque, por trás da tela e dos aplausos, nem tudo que reluz é ouro. O aplauso na Praça de São Pedro não é tudo. Eu, que vivo no campo, dou-me conta que uma parte do clero, especial e surpreendentemente os mais jovens, permanecem estupefatos e confusos diante de certas afirmações do Papa. Sem mencionar a tantas pessoas que hoje já vivem com problemas de segurança que geram os imigrantes nas cercanias e se irritam quando ouvem falar de recebimento incondicional. O clero de idade madura está mais ao lado de Bergoglio: seja por conformismo seja por oportunismo, ou por convicção (tendo crescido também no mesmo ambiente cultural dos anos setenta, que é a origem de certas escolhas). Precisamente, devido a isso, falo de cisma profundo e latente. O qual não parece preocupar o Papa”.

O que pensa, em linhas gerais, sobre o controle das ondas migratórias e a insensibilidade da Europa em relação à Itália?

“Nosso país está sozinho, dramaticamente sozinho. É perigoso. Preocupa-me. Estamos sós porque outros países buscam seus interesses nacionais acima de tudo. Por trás das belas palavras de fachada, não se preocupam muito conosco. E estamos sós porque a Igreja nos convida a abrir de par em par as portas, e parece inclusive desfrutar de nossa debilidade. Temo uma reação brutal. Temo que o protesto do povo azede e alcance um resultado não desejável. Neste caso, não é questão de direita ou esquerda. Ademais, penso que as contradições do Papa serão vistas logo à luz do dia: ele já não está em sintonia com os fiéis. É altamente provável uma aliança entre os católicos conservadores e as forças nacionais, por assim dizer”.

…[*]

Como sair dessa crise? O que o senhor espera? 

“Espero que o Papa tome em suas mãos a cruz do ocidente, de seus valores. Que não sonhe com um ocidente empobrecido. E na Itália, espero uma classe política e uma opinião pública que volte a colocar no centro de seu discurso público os assuntos de identidade, sentimento nacional e tradição. No entanto, sempre sou mais pessimista. E tomo cada vez mais comprimidos para manter a calma”.

_________
* Pergunta não relacionada à Igreja, mas com o Primeiro Ministro Matteo Renzi.

Tags:
19 julho, 2017

O escândalo do silêncio.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 20-06-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Os quatro cardeais autores dos “dubia” sobre a Exortação Amoris laetitia tornaram público, através do blog do vaticanista Sandro Magister, um pedido de audiência apresentado pelo cardeal Carlo Caffarra ao Papa em 25 de abril passado, uma vez que os “dubia” não obtiveram resposta. O silêncio deliberado do Papa Francisco – que, no entanto, recebe personalidades muito menos relevantes em Santa Marta para discutir questões muito menos importantes para a vida da Igreja – é a razão da publicação do documento.

No pedido filial de audiência, os quatro cardeais (Brandmüller, Burke, Caffara e Meisner) fazem saber que gostariam de explicar ao Pontífice as razões dos “dubia” e expor a situação de grave confusão e perplexidade em que se encontra a Igreja, especialmente no que diz respeito a pastores de almas, em particular os párocos.

Na verdade, no ano que transcorreu a partir da publicação da Amoris laetitia, “foram dadas em público interpretações de alguns passos objetivamente ambíguos da Exortação pós-sinodal, não divergentes do, mas contrárias ao permanente Magistério da Igreja. Conquanto o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tenha declarado mais de uma vez que a doutrina da Igreja não mudou, apareceram numerosas declarações de bispos, cardeais e até mesmo de conferências episcopais, que aprovam o que o Magistério da Igreja jamais aprovou. Não apenas o acesso à Santa Eucaristia daqueles que objetiva e publicamente vivem numa situação de pecado grave, e pretendem nela continuar, mas também uma concepção da consciência moral contrária à Tradição da Igreja. Sucede assim – oh, e quão doloroso é vê-lo! – que o que é pecado na Polônia é bom na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese de Filadélfia é lícito em Malta, e assim por diante. Vem-nos à mente a amarga constatação de B. Pascal: ‘Justiça do lado de cá dos Pirenéus, injustiça do lado de lá; justiça na margem esquerda do rio, injustiça na margem direita’ ”.

Não há escândalo nem transgressão no fato de os colaboradores do Papa pedirem uma audiência privada, e que no pedido descrevam, com parrhesia mas objetivamente, a divisão que a cada dia cresce na Igreja. O escândalo é a recusa do Sucessor de Pedro em ouvir aqueles que pedem para ser recebidos. Tanto mais quanto o Papa Francisco quis fazer do “acolhimento” a marca registrada de seu pontificado, afirmando em um de seus primeiros sermões em Santa Marta (25 de maio de 2013) que “os cristãos que pedem nunca devem encontrar portas fechadas”. Por que recusar audiência a quatro cardeais que não fazem senão cumprir o seu dever de conselheiros do Papa?

         As palavras dos cardeais são filiais e respeitosas. Pode-se supor que a intenção deles seja de procurar “discernir” melhor, em uma audiência privada, as intenções e os planos de Papa Francisco, e eventualmente de fazer ao Pontífice uma correção filial in camera caritatis. O silêncio do Papa Francisco em relação a eles é obstinado e descortês, mas expressa em sua teimosia a conduta daqueles que vão adiante em seu caminho com determinação. Dada a impossibilidade de uma correção privada, pela inexplicável recusa de uma audiência, também os cardeais deverão prosseguir com decisão em seu caminho, se quiserem evitar que na Igreja o silêncio seja mais forte que suas palavras.

2 julho, 2017

Foto da semana.

Francisco Bento Cardeais

Ao final do encontro, Bento XVI declarou, conforme as câmeras puderam gravar: “Sigamos com a Cruz, porém, ao fim, é o Senhor quem vence”.

De fato, conforme havíamos noticiado, Francisco novamente não se reuniu com o colégio cardinalício presente em Roma, como era costume antes de consistórios.

* * *

Papa Francisco e 5 novos cardeais visitam Bento XVI

Vaticano, 28 Jun. 17 / 02:30 pm (ACI).- O Papa Francisco e os cinco novos cardeais que criou hoje visitaram o Papa Emérito Bento XVI.

O Pontífice e os novos cardeais se dirigiram ao Mosteiro Mater Ecclesiae nos Jardins Vaticanos, onde o Papa Emérito vive. Tiveram um breve encontro com ele.

Bento XVI abraçou o Papa Francisco e logo depois cumprimentou um a um os novos cardeais e transmitiu seus melhores desejos e orações.

Nas breves palavras que trocou em espanhol com o Arcebispo de Barcelona, Cardeal Juan José Omella, o Purpurado compartilhou com o Papa Emérito que a partir de 9 de julho, celebrará a Missa dominical na Basílica da Sagrada Família.

Bento XVI também expressou sua preocupação por El Salvador ao Cardeal Gregorio Rosa Chávez e falou em francês com o novo Cardeal de Laos.

O encontro foi concluído com a bênção do Papa Bento e do Papa Francisco aos cinco novos cardeais da Igreja Católica.

Os cinco novos purpurados são: Cardeal Jean Zerbo, Arcebispo de Bamako, Mali; Cardeal Juan José Omella Omella, Arcebispo de Barcelona, ??Espanha; Cardeal Anders Arborelius, Bispo de Estocolmo, Suécia; Cardeal Luis-Marie Ling Mangkhanekhoun, Vigário Apostólico de Paksé, Laos; Cardeal Gregório Rosa Chávez, Bispo auxiliar de San Salvador, El Salvador.

Tags:
22 junho, 2017

Procura-se Francisco.

Por FratresInUnum.com | Com informações de Edward Pentin, National Catholic Register, 21 de junho de 2017 – Pela segunda vez consecutiva, parece que o Papa Francisco não se reunirá com os cardeais antes do consistório da próxima quarta-feira para a criação de cinco novos cardeais.

esconderijo[…]

A sala de imprensa da Santa Sé não respondeu às perguntas sobre se o encontro aconteceria, porém, fontes afirmam que o Papa poderia encontrar alguns cardeais individualmente.

No último consistório, em novembro passado, acredita-se que o Papa preferiu evitar um confronto com os quatro cardeais do dubia, que supostamente planejavam reapresentar o dubia no encontro, ou ao menos abordar o assunto.

Ciente de que os cardeais escreveram novamente há alguns meses, pedindo por uma audiência, e não tendo respondido, o Papa pode ter decidido novamente evitar qualquer encontro, embora, assim como ocorreu com Bento XVI em 2012, possa ser devido ao pequeno número de novos cardeais.

* * *

FratresInUnum.com pôde confirmar que a carta datada de 25 de abril de 2017, escrita pelo Cardeal Carlo Caffarra em nome dos 4 cardeais signatários do dubia, foi entregue em mãos ao Papa Francisco no dia 6 de maio de 2017. Não havendo, mais uma vez, qualquer resposta, os cardeais se viram, novamente, obrigados a tornar público o completo desprezo de Francisco por seus questionamentos e pedidos.

Tags:
21 junho, 2017

Bonzinho ou durão? As duas faces do Papa Francisco.

IHU – Para a grande maioria, o Papa Francisco é o rosto da compaixão do catolicismo hoje.

Ele resgatou refugiados, abriu as portas do Vaticano aos sem-teto e disse aos católicos que não há pecado que Deus não perdoe.

Mas há algo mais que tem chamado a atenção para o pontífice argentino nos últimos dias: a disposição de mostrar a que veio e estabelecer as regras.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada por Religion News Service, 19-06-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Debaixo da face de compaixão do Papa, há um lado de aço, que ele lança mão principalmente em relação a sacerdotes, bispos ou cardeais que ele sente que estão prejudicando a missão da Igreja.

Isso ficou evidente no início deste mês, quando o Papa repreendeu duramente os sacerdotes da Diocese de Ahiara na Nigéria. Os sacerdotes se recusaram a aceitar a nomeação de 2012 de um bispo de outro clã.

Ao encontrar-se com o clero de Ahiara, ele ordenou que cada um dos sacerdotes se desculpasse por escrito, prometesse “total obediência” ao papado e aceitasse quem quer que fosse designado para a liderança a diocese.

Para completar, ele disse aos sacerdotes que se eles não enviarem a carta dentro de 30 dias, eles serão automaticamente suspensos. A disciplina papal não tem como ser muito mais rígida que isso.

O Papa ficou furioso porque as diferenças entre clãs estavam sendo colocadas antes da unidade e da missão da Igreja. Se há uma coisa que Francisco realmente não gosta, é que a Igreja seja usada para agendas políticas, sectárias ou tribais.

“Considerar Francisco ‘bonzinho’ é um ledo engano”, disse um dos seus assessores. O Papa, ele explicou, é uma pessoa “radical” que tem uma missão.

Um dia depois, em 9 de junho, Francisco foi duro novamente. O Vaticano anunciou que o Papa havia aceitado a saída do arcebispo Alfredo Zecca de Tucumán, na Argentina, por razões de saúde.

A carta afirmava que, aos 68 anos, ele não se aposentaria antes do previsto simplesmente, mas permaneceria como arcebispo “titular”, o que significa que, tecnicamente, ele ainda tem que servir.

Isso foi alguma punição? Zecca teria chateado o Papa por não ter defendido um de seus padres, Juan Viroche, uma voz forte contra traficantes locais.

Em outubro, Viroche foi encontrado enforcado, mas Zecca resistiu aos pedidos de que fosse colocada uma placa em sua homenagem na paróquia de Viroche. Pelo contrário, ele acreditou na versão oficial de que Viroche havia se suicidado. Muitos moradores locais suspeitam que o suicídio tenha sido encenado.

Em ambas as ocasiões percebe-se que Francisco tem uma verdadeira aversão à hipocrisia. O Papa já criticou os cristãos que levam uma “vida dupla” várias vezes, argumentando que é melhor ser ateu do que ser um “católico hipócrita”, que condena os outros, mas não pratica o que prega.

Ao contrário, o Papa quer uma Igreja inclusiva. Ele quer que os líderes católicos sejam pacifistas em suas sociedades e possam “atacar as feridas” da divisão. Ver um bispo fazendo o contrário ferveu seu sangue.

Há 18 meses, durante uma visita à África, Francisco fez um apelo no Quênia contra o “espírito do mal” que “nos leva à falta de unidade”. Em observações não escritas durante uma reunião com jovens em Nairobi, o Papa pediu que eles dessem as mãos como “sinal contra o mal do tribalismo”.

O Papa também demonstrou seu lado severo ao agir contra os Cavaleiros de Malta, uma antiga ordem cavalheirista católica, depois de seu então líder, Matthew Festing, ser acusado de despedir indevidamente um assistente idoso em um conflito sobre a distribuição de preservativos em projetos de saúde para os pobres.

Quando o Papa anunciou uma investigação sobre o assunto, a disputa fervilhou em um guerra fria entre Francisco e os que se opuseram à direção de seu papado, com o cardeal Raymond Burke – um dos críticos mais ferozes do Papa, que tinha sido considerado a ligação do Vaticano com a ordem -, com um papel fundamental na saga. O Papa venceu.

Em relação a repreensões, vale a pena lembrar que Francisco é um jesuíta, membro de uma ordem religiosa fundada pelo ex-soldado Santo Inácio de Loyola, que incorporou princípios militares em sua governança interna. Uma delas é a obediência.

Relativamente jovem, aos 36 anos, Jorge Bergoglio liderou os jesuítas na Argentina, período em que ele mais tarde confessou ter cometido erros devido a uma “maneira autoritária e rápida de tomar decisões”.

Embora muito tenha mudado desde então, parte dele ainda desempenha o papel de superior religioso.

Esta semana, vazou uma carta que revelava que o Papa quer que os cardeais que moram em Roma o informem quando saírem da cidade e para onde vão.

Escrita pelo cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio dos Cardeais, a carta pede que os prelados reavivem esta “nobre tradição” de informar o papado e o Vaticano sobre sua movimentação, principalmente por longos períodos.

Tal prática seria rotina para qualquer padre ou religioso morando em um mosteiro, convento ou seminário, mas mostra que o Papa quer responsabilidade de seus conselheiros mais próximos. Também é taticamente inteligente, pois garante que o Papa saiba se algum cardeal sair para alguma grande palestra ou fala que possa ser crítica para seu papado.

Durante todo o seu papado, Francisco procurou governar a Igreja colegialmente, criando um corpo consultivo de cardeais que se reuniu em Roma pela vigésima vez dessa semana.

Eles discutiram como delegar mais poder às igrejas locais, e o Vaticano também anunciou que queria ouvir a opinião dos jovens antes da grande reunião da Igreja para os jovens que acontecerá em 2018.

Seus defensores argumentam que o Papa precisa ser duro para implementar as reformas da Igreja, pois ele está enfrentando oposições internas.

A ironia, no entanto, é que para trazer o lado da Igreja mais misericordioso e centrado nas pessoas que ele tanto deseja, Francisco está tendo que exercer uma autoridade firme no processo.

Tags:
19 junho, 2017

Importante: Cardeais autores de “dubia” pedem audiência ao Papa.

“A nossa consciência força-nos”
Beatíssimo Padre,

é com uma certa trepidação que me dirijo a Vossa Santidade nestes dias do tempo pascal. Faço-o em nome dos Em.mos Senhores Cardeais Walter Brandmüller, Raymond L. Burke, Joachim Meisner, e em meu próprio nome.

Desejamos antes de mais renovar a nossa absoluta dedicação e o nosso amor incondicionado à Cátedra de Pedro e à Vossa augusta pessoa, na qual reconhecemos o Sucessor de Pedro e o Vicário de Jesus: o “doce Cristo na terra”, como gostava de dizer Sta. Catarina de Sena. Não é a nossa em absoluto aquela posição de quantos consideram vacante a Sede de Pedro, nem a de quem pretende atribuir também a outros a responsabilidade indivisível do “munus” petrino. Move-nos tão-só a consciência da responsabilidade grave que provém do “munus” cardinalício: ser conselheiros do Sucessor de Pedro no seu ministério soberano; e do Sacramento do Episcopado, que “nos constituiu como bispos para apascentar a Igreja, por Ele adquirida com o seu próprio sangue” (Act 20, 28).

A 19 de Setembro de 2016, entregámos a Vossa Santidade e à Congregação para a Doutrina da Fé cinco “dubia”, rogando-Lhe que dirimisse incertezas e fizesse clareza sobre alguns pontos da Exortação Apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia”.

Não tendo recebido qualquer resposta da parte de Vossa Santidade, chegámos a decisão de, respeitosa e humildemente, pedir-Lhe Audiência, conjunta, se assim Lhe aprouver. Juntamos, como é praxe, uma Folha de Audiência em que expomos os dois pontos que desejaríamos poder tratar com Vossa Santidade.

Beatíssimo Padre,

passou já um ano desde a publicação de “Amoris Laetitia”. Neste período foram dadas em público interpretações de alguns passos objectivamente ambíguos da Exortação pós-sinodal, não divergentes do, mas contrárias ao permanente Magistério da Igreja. Conquanto o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tenha declarado mais de uma vez que a doutrina da Igreja não mudou, apareceram numerosas declarações de bispos, cardeais e até mesmo de conferências episcopais, que aprovam o que o Magistério da Igreja jamais aprovou. Não apenas o acesso à Santa Eucaristia daqueles que objectiva e publicamente vivem numa situação de pecado grave, e pretendem nela continuar, mas também uma concepção da consciência moral contrária à Tradição da Igreja. Sucede assim – oh, e quão doloroso é vê-lo! – que o que é pecado na Polónia é bom na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese de Filadélfia é lícito em Malta, e assim por diante. Vem-nos à mente a amarga constatação de B. Pascal: “Justiça do lado de cá dos Pirenéus, injustiça do lado de lá; justiça na margem esquerda do rio, injustiça na margem direita”.

Numerosos leigos competentes, que amam profundamente a Igreja e são solidamente leais à Sé Apostólica, dirigiram-se aos seus Pastores e a Vossa Santidade, para serem confirmados na Santa Doutrina no que respeita aos três sacramentos do Matrimónio, da Confissão e da Eucaristia. Aliás, nestes últimos dias, em Roma, seis leigos provenientes de todos os Continentes propuseram um Seminário de estudo que contou com grande assistência, e que deu pelo título significativo de: “Fazer clareza”.

Diante de tão grave situação, em que muitas comunidades cristãs se estão a dividir, sentimos o peso da nossa responsabilidade, e a nossa consciência força-nos a pedir humilde e respeitosamente Audiência.

Apraza a Vossa Santidade recordar-se de nós nas Vossas orações, como nós Vos asseguramos que o faremos nas nossas; e pedimos o dom da Vossa Bênção Apostólica.

Carlo Card. Caffarra

Roma, 25 de Abril de 2017
Festa de São Marcos Evangelista

*

FOLHA DE AUDIÊNCIA

1. Pedido de clarificação dos cinco pontos indicados nos “dubia”; razões para tal pedido.

2. Situação de confusão e desorientação, sobretudo entre os pastores de almas, “in primis” os párocos

Tags: