Posts tagged ‘O Papa’

30 agosto, 2016

Os fiéis pedem ao Papa clareza contra os ataques do mal.

Por Roberto de Mattei, Il Tempo, Roma,  14-08-16 | Tradução: FratresInUnum.comNo mês de agosto, a Casa Santa Marta, no Vaticano, esvazia-se de seus hóspedes, mas o Papa Francisco,  como nos três anos precedentes,  passará  todo o mês no Vaticano. Ele anunciou que renunciará até mesmo a um tradicional compromisso pontifício – o Congresso Eucarístico Nacional,  que se realizará este ano em Gênova de 15 a 18 de agosto –, mas que no dia 19 viajará a Assis para celebrar o trigésimo aniversário do encontro entre as religiões, organizado pela Comunidade Santo Egídio.

A comunicação não partiu da Sala de Imprensa do Vaticano, mas do imã de Perúgia, Abdel Qader Moh’d, em entrevista à TV 2000. O Papa Bergoglio se encontrará depois, de 30 setembro a 2 de outubro, com ortodoxos e muçulmanos na Geórgia e no Azerbaijão, e no dia 31 de outubro em Lund, na Suécia, com luteranos para comemorar o quinto centenário da Reforma protestante. Iniciativas ecumênicas constituem a bússola do seu pontificado, que parece propor-se o objetivo de construir uma plataforma comum entre as religiões, com o risco, advertido por muitos, de esvaziar o catolicismo e incentivar a criação de uma “superreligião” sincretista.

O almoço de 11 de agosto com 21 refugiados sírios chegados à Itália após a visita papal à ilha de Lesbos, dos quais apenas dois eram cristãos, se insere nessa perspectiva da “opção preferencial” pelos não-católicos. Esta estratégia exige a negação da existência de guerras de religião. No entanto, a Igreja sofre perseguições em todo o mundo. Dom Dominique Lebrun, Arcebispo de Rouen, manifestou a intenção de iniciar um processo de beatificação que leve ao reconhecimento do martírio do Padre Jacques Hamel, morto “por ódio à fé”, como muitos cristãos do nosso tempo.

Virá de Roma uma palavra de aprovação? Virá um aceno de apoio aos três bispos espanhóis processados criminalmente por criticarem a lei que promove a transexualidade, aprovada há pouco em Madrid? O Observatório espanhol contra a LGBTfobia denunciou ao Ministério Público o Bispo de Getafe, Dom Joaquín María López de Andújar,  seu auxiliar, Dom José Rico Pavés, e o titular da Diocese de Alcalà, Dom  Antonio Reig Plá, por “incitamento ao ódio e discriminação contra a comunidade homossexual”.

Mas o mal não tem limite. Autorizado pelas autoridades locais, um grupo satanista americano organizou uma missa negra pública, no Centro Cívico de Oklahoma City, em 15 de agosto. O arcebispo da cidade, Dom Paul Coakley, exortou os fiéis a pedir a intercessão de São Miguel Arcanjo, da Virgem Maria e de todos os anjos e santos, “para que o Senhor cuide de nossa comunidade e nos proteja do mal e de suas muitas manifestações destrutivas e violentas”.

Hoje, no entanto, não é apenas uma diocese americana que sofre os ataques do mal, mas toda a Igreja. Os fiéis se voltam desorientados para o Vigário de Cristo, rogando-Lhe demonstrar sua paternidade não apenas em relação aos distantes, mas também aos próximos, necessitados mais do que nunca de clareza e encorajamento neste momento histórico tempestuoso.

24 agosto, 2016

As 30 moedas dos Judas hodiernos.

Vazamento de e-mails mostram  que George Soros pagou US$650.000 para influenciar bispos durante a visita do Papa aos Estados Unidos. 

Por John-Henry Westen, Life Site News, 23 de agosto de 2016 | Tradução: FratresInUnum.comE-mails que vazaram através da rede WikiLeaks revelam que o bilionário globalista George Soros — um dos maiores doadores da campanha de Hilary Clinton — pagou US$650.000 para influenciar a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, em setembro de 2015, em favor “de uma mudança nos paradigmas e prioridades nacionais às vésperas da campanha presidencial de 2016”. Os fundos foram doados em abril de 2015 e o relatório sobre a sua eficácia sugere que entre as operações bem sucedidas estavam incluídas “a compra individual de bispos para que se expressem publicamente dando maior suporte a mensagens de justiça econômica e racial, a fim de criar uma massa crítica de bispos alinhados ao Papa”.

As verbas foram concedidas a duas entidades norte-americanas que estão envolvidas em um projeto a longo prazo, de acordo com o relatório, visando uma mudança de paradigma nas “prioridades da Igreja Católica dos Estados Unidos”. Os beneficiários foram PICO, um grupo de organização comunitária de cunho religioso, e Faith in Public Life (FPL), um outro grupo progressista que opera na mídia promovendo causas de “justiça social” de cunho esquerdista. Soros tem financiado causas esquerdistas em todo o mundo e tem concentrado esforços e fundos na tentativa de barrar leis pró-vida no mundo inteiro.

Atas da reunião de Maio de 2015, da Fundação Open Society de George Soros em Nova York revelam que, ainda nos estágios de planejamento da visita papal, o grupo planejava trabalhar diretamente através de um dos principais assessores do papa, o cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, que foi nomeado especificamente no relatório. A fim de aproveitar a oportunidade da visita do Papa aos EUA, diz o relatório, “vamos apoiar as atividades de organização da PICO para engajar o papa em questões de justiça econômica e racial, inclusive usando da influência do Cardeal Rodriguez, que é o consultor sênior do Papa e vamos enviar uma delegação para visitar o Vaticano, na primavera ou no verão, para permitir que ele escute diretamente dos Católicos de baixa renda na América”.

Em 2013, o Cardeal Rodriguez Maradiaga endossou o trabalho da PICO em um vídeo, durante uma visita dos representantes da entidade à diocese do cardeal. “Quero apoiar todos os esforços que eles estão empreendendo para promover comunidades de fé”, disse. “Por favor, continuem ajudando a PICO”.

O relatório pós operacional sobre o financiamento para influenciar a visita papal está em outro documento intitulado 2016, Revisão de 2015 Fundos de Oportunidade EUA. O grupo de Soros ficou satisfeito com o resultado de sua campanha ao ver várias declarações anti-Trump proferidas por vários bispos como resultado dos seus esforços. “O impacto desta operação e as relações que têm suscitado podem ser vistos pela ampla gama de líderes religiosos intencionalmente apontando o dedo contra candidatos presidenciais, acusando-os de fomentar uma  ‘retórica do medo'”, diz o relatório.

Além disso, o resumo do relatório também diz que o financiamento foi útil para combater a “retórica anti-gay” nos meios de comunicação. A “eficácia da campanha na mídia pode ser vista pela capacidade da equipe em reagir e combater a retórica anti-gay  que se seguiu após a história de Kim Davis (a funcionária do condado de Kentucky que foi presa por desafiar uma ordem judicial federal para emitir licenças de casamento para casais homossexuais e a quem depois o Papa visitou)”, afirma o relatório.

O financiamento especificamente teve como alvo a agenda “pró-família”, redirecionando-a do seu foco, que é a defesa da família, para uma preocupação com a igualdade de renda. “Mídia FPL, enquadramento e atividades de opinião pública, incluindo a realização de pesquisa de opinião para demonstrar que os eleitores católicos estão de acordo com a agenda do Papa em assuntos como a desigualdade de renda, bem como ganhar cobertura da mídia para impulsionar a mensagem de que para ser ‘pró-família’ é necessário resolver antes a crescente desigualdade social”, diz o relatório de maio.

A Procuradora Elizabeth Yore, que atuou na delegação do Heartland Institute que viajou ao Vaticano, em abril de 2015, para instar o Papa Francisco a re-examinar sua confiança nos promotores de controle de população da ONU, os quais promovem a agenda do Aquecimento Global, falou com LifeSiteNews sobre a iniciativa de Soros:  “Os Católicos representam um imenso e influente bloco na eleição dos EUA”, disse ela. Soros está  “usando o cabeça da Igreja Católica para influenciar esse bloco-chave de votação”, com o “púlpito forte do papado” para garantir a eleição de Hilary Clinton.

Yore sublinhou que “esta não é a primeira vez que a aliança profana entre Soros e o Vaticano colaboram com sucesso em um projeto político.” Em 2015, ela recordou, “os agentes de Soros, inflitrados no Vaticano, dirigiram a Agenda Ambiental do Papa Francisco, e conseguiram para Soros e para as Nações Unidas uma Exortação Apostólica sobre mudanças climáticas [ndt: na verdade, trata-se da encíclica Laudato Si], um premiado endosso papal dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas bem como a benção apostólica do Papa para o Tratado do Clima de Paris”.

Em termos dos objetivos de Soros de mudar as prioridades da Igreja Católica para bem longe dos absolutos morais, dois bispos dos Estados Unidos se destacam como campeões do movimento. O Bispo de San Diego Robert McElroy,  que tem repetidamente enfatizado a mudança de prioridades da Igreja e que tem todo o apoio do “filho predileto” do Papa Francisco, o Arcebispo de Chicago Dom Blase Cupich [ndt: nomeado recentemente por Francisco como membro da Congregação para os Bispos, o que tornará o arcebispo de Chicago pessoa chave na nomeação de todos os bispos dos Estados Unidos]. McElroy criou furor na reunião da Conferência Episcopal Americana em novembro passado por sua tentativa de alterar um documento instruindo os católicos sobre como votar.

McElroy argumentou que o documento estava fora de sintonia com as prioridades Papa Francisco – especificamente, por colocar muita ênfase no aborto e a eutanásia, e não o suficientemente sobre a pobreza e o meio ambiente. Cupich depois louvou a intervenção de McElroy como um “momento realmente elevado” para a Conferência e apoiou o movimento para colocar a degradação do meio ambiente e a pobreza global no mesmo nível do aborto e da eutanásia.

Concluindo seu relatório final e refletindo sobre o sucesso do financiamento para influenciar a visita papal, o grupo de Soros se mostrou muito satisfeito com os resultados. Olhando para o futuro, eles estão muito animados de que o objetivo de a longo prazo mudar as prioridades dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já “está em andamento.”

23 agosto, 2016

Papa escreve a Dilma Rousseff.

Da matéria de Francesco Peloso, de 20 de agosto de 2016, para o La Stampa – Tradução de FratresInUnum.com:  O Papa Francisco escreveu uma carta privada para a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, submetida a processo de impeachment. Assim confirmou ela mesma, recentemente, especificando: “O Papa Francisco me escreveu uma carta, porém, não divulgarei o conteúdo. Só posso dizer que não era uma carta oficial”. Não se trata, portanto, de uma mensagem da Santa Sé dirigida a Rousseff. Ela quis manter uma atitude reservada, fundada e correta: uma intervenção “pública” por parte do Papa poderia ser interpretada — sobretudo em uma fase de viva polêmica política — como uma espécie de interferência vaticana em assuntos internos do Brasil, em um momento delicado da vida institucional do grande país latino-americano.

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A notícia de uma missiva de Bergoglio a Dilma se difundiu no início de agosto graças também a um tweet de Leonardo Boff, ex-frei franciscano pertencente à Teologia da Libertação. Em geral, os meios internacionais e brasileiros interpretaram o fato como um sinal de solidariedade ou proximidade do Papa para com a presidente do Brasil – suspensa de suas funções desde o último mês de maio – cujo processo de impeachment poderia concluir com sua destituição.

* * *

Assim a esquerda enxerga o gesto de Francisco: “Apesar do texto da correspondência se manter reservado, qualquer um compreende que se trata de um apoio. […] Bendita por Francisco. O golpe que se gesta contra Dilma Rousseff não caiu nas graças do Papa, uma desconformidade que, nos últimos meses, ele vem insinuando através de uma série de gestos discretos, pontifícios. Possivelmente, o mais eloquente tenha sido a correspondência que enviou à presidenta que está a ponto de ser destituída”.

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5 agosto, 2016

Um papa como nunca se viu antes . Um pouco “protestante”.

O romance entre Francisco e os seguidores de Lutero. O alarme de cardeais e bispos contra a “protestantização” da Igreja Católica. Mas também a desconfiança dos teólogos luteranos influentes.

ROMA, 22 de julho de 2016 – Na carta preocupada que treze cardeais dos cinco continentes prepararam para entregar ao Papa Francisco no início do último Sínodo, eles o alertavam para o perigo de levar a Igreja Católica ao mesmo “colapso das igrejas protestantes liberais” da era moderna, acelerado pelo seu abandono dos elementos fundamentais da fé e prática cristã, em nome adaptação pastoral”.
 
 
Depois, “in extremis”, os treze eliminaram estas duas linhas da carta, que foi efetivamente colocada nas mãos do papa. Mas, hoje, rescreveriam-na literalmente, peça por peça, diante do idílio cada vez mais acentuado que está se desenvolvendo entre Francisco e os seguidores de Lutero.
 
No dia 31 de outubro, Jorge Mario Bergoglio vai voar para a Suécia, em Lund, onde será acolhido pela “bispa” local e juntos celebrarão, com a Federação Luterana Mundial, os quinhentos anos da Reforma Protestante. E, quanto mais se aproxima a data, mais o Papa expressa sua simpatia pelo grande herege.
 
Na última de suas palestras no avião, ao retornar da Armênia, voltou a tecer elogios a Lutero. Ele disse que Lutero estava animado pela melhor das intenções e que sua reforma foi “um medicamento para a Igreja”, passando por cima das diferenças dogmáticas essenciais que durante cinco séculos opõem protestantes e católicos, porque – essas são sempre suas palavras, desta vez ditas no templo luterano em Roma – “a vida é maior do que as explicações e interpretações”:
 
 
O ecumenismo de Francisco é feito assim. O primado é dado aos gestos, abraços, e qualquer ação de caridade feita em conjunto. Os contrastes de doutrina, ainda que sejam abismais, deixa-se para as discussões dos teólogos, que voluntariamente confinaria em uma “ilha deserta”, como ele gosta de dizer, nem mesmo usando tom de brincadeira.
 
A evidência até agora insuperável desta sua abordagem foi dada, em 15 de novembro passado, durante uma visita à igreja luterana de Roma: a resposta que ele deu para uma protestante que lhe perguntou se ela poderia receber a comunhão na missa, juntamente com o marido Católico.
 
A resposta de Francisco foi um redemoinho fantasmagórico de sim, não, eu não sei, você que sabe. Mas não porque o papa não sabia o que dizer. A “liquidez” de expressão foi desejada. Era a sua maneira de colocar tudo em discussão, tornando tudo uma questão de opinião e, portanto, praticável:
 
 
Com certeza, até “La Civiltà Cattolica”, a revista dos jesuítas de Roma, que agora é a porta-voz da Casa Santa Marta, chegou a confirmar que sim. Francisco queria dar a entender precisamente isto: que até mesmo os protestantes podem receber a comunhão na missa católica :
 
 
Há uma frase do Cardeal Gerhard L. Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, segundo a qual “nós católicos não temos motivo algum para comemorar 31 de outubro de 1517, ou seja, o início da Reforma que levou ao fracasso do cristianismo ocidental”.
 
Mas Papa Francisco nem lhe dá ouvidos e faz a festa, sem se importar que Müller – que era apenas um dos treze cardeais da carta memorável – a veja como um outro passo rumo à “protestantização” da Igreja Católica:
 
 
Um papa como Bergoglio, de fato, não desagradaria a um Lutero moderno. Nada mais de indulgências, nem purgatório, que há cinco séculos foram a faísca da ruptura. Ao invés, a exaltação superlativa da misericórdia divina, que lava gratuitamente os pecados de todos.
 
 
Não é dito, no entanto, que o idílio é correspondido por todos os protestantes. Na Itália, a sua linhagem histórica consiste na pequena, mas animada Igreja Valdense. E os dois teólogos mais destacados, Giorgio Tourn e Paolo Ricca – ambos da mesma geração de Bergoglio e ambos formados na escola do maior teólogo protestante do século XX, Karl Barth – são muito críticos sobre a deriva secularizante, tanto da sua igreja como da Igreja de Papa Francisco.
 
“A doença – disse Ricca em um recente debate sobre a Reforma – é que todos nós estamos voltados para o social como algo sacrossanto, mas no social esgotamos o discurso cristão e fora dali nos tornamos mudos.”
 
E Tourn: “A política do Papa Bergoglio é fazer caridade. Mas, é claro que só o testemunho do amor fraterno não conduz automaticamente a conhecer a Cristo. Não existe hoje um silêncio de Deus, mas o silêncio sobre o nosso Deus.”.
 
 
Francisco, no entanto, segue avante inabalável e pouco dias atrás chegou a nomear um teólogo protestante amigo seu, Marcelo Figueroa, como diretor da nova edição argentina do “L’Osservatore Romano”:
 
 
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Esta nota está em “L’Espresso” nº 30 de 2016, à venda a partir de 22 de julho, na página de opinião intitulado “Settimo cielo” confiada a Sandro Magister.
 
Aqui está o índice de todas as notas anteriores:
 
 
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Abaixo, as referências a três comentários recentes particularmente agudos em identificar as características essenciais do protestantismo luterano e seus efeitos na história.
 
A primeira é por Antonio Livi, professor emérito de filosofia do conhecimento na Pontifícia Universidade Lateranense, estudioso de renome internacional:
 
 
A segunda é de Ermanno Pavesi, secretário-geral da Federação Internacional dos Médicos Católicos:
 
 
O terceiro é do Professor Rocco Pezzimenti, diretor do departamento de economia, políticas e línguas modernas na Universidade Livre de Maria Santissima Assunta em Roma:
 
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3 agosto, 2016

Papa: ‘É horrível que as crianças aprendam que podem escolher seu gênero’.

O Globo | VATICANO – O Papa Francisco criticou escolas que ensinam liberdade de gênero em uma reunião a portas fechadas com bispos na Polônia durante sua recente viagem ao país. Uma transcrição da reunião foi divulgada hoje pelo Vaticano.

“Hoje, as escolas ensinam para as crianças – para as crianças! – que qualquer um pode escolher seu gênero”, disse o líder da igreja.

Sem especificar, o Papa culpou livros didáticos fornecidos por “pessoas e instituições que doam dinheiro”. Francisco culpa o ensino da liberdade de gênero, que chamou de “colonização ideológica” apoiada por “países muito influentes”, sem entretanto dizer quais.

“Um dos casos dessa colonização é – digo claramente com todas as letras – o gênero”, disse o papa aos bispos poloneses.

O líder da Igreja afirmou também que discutiu o assunto com o Papa Bento XVI, que renunciou ao cargo em 2013.

“Conversando com o Papa Bento, que está bem e com a mente clara, ele me disse: ‘Santidade, isso é a época do pecado contra Deus, O Criador, ele é inteligente! Deus fez o homem e a mulher, Deus fez o mundo deste jeito, deste jeito, deste jeito e nós estamos fazendo o contrário”.

A reunião ocorreu na visita de semana passada do Pontíficie ao país europeu, que recebeu a Jornada Mundial da Juventude. O evento serve para aproximar jovens católicos de todo o mundo e a Igreja.

Nesta terça-feira, visando ampliar a participação das mulheres na Igreja Católica, o Papa Francisco criou uma comissão para estudar o diaconato de mulheres, informou o boletim diário do Vaticano. O arcebispo Luis Francisco Ladaria Ferrer foi indicado para presidir o grupo, que será composto por outros seis homens e seis mulheres de instituições acadêmicas.

2 agosto, 2016

Diaconato feminino. Continua a Revolução de Francisco.

Por FratresInUnum.com“Depois de intensa oração e madura reflexão”, Papa Bergoglio decidiu hoje instituir a Comissão para o estudo de Diaconato feminino, e isso apenas após três meses de que o tinha prometido à Plenária da União Internacional das Superiores Gerais (três meses!).

Após a imensa repercussão de sua então “promessa”, Francisco recou. Em viagem de retorno da Armênia, afirmou:

Santo Padre, há algumas semanas, o senhor falou de uma Comissão para refletir sobre o tema das mulheres diaconisas. Gostaria de saber se esta Comissão já existe e quais serão as questões sobre as quais refletirá? Enfim, por vezes, uma Comissão serve para se esquecer dos problemas: eu gostaria de saber se este é o caso? 

“Houve um presidente argentino que dizia e aconselhava aos presidentes de outros países: quando quiseres que uma coisa não se resolva, cria uma comissão! O primeiro a ficar surpreendido com esta notícia fui eu, porque, no diálogo com as religiosas – que foi gravado e depois publicado no jornal ‘L’Osservatore Romano’ –, tratava-se doutra coisa, mais ou menos nesta linha: ‘Ouvimos dizer que, nos primeiros séculos, havia diaconisas. Pode-se estudar isto? Criar uma Comissão?’ Nada mais… Fizeram uma pergunta; foram educadas, e não só educadas mas também amantes da Igreja, mulheres consagradas. (…) No dia seguinte [nos jornais]: ‘A Igreja abre a porta às diaconisas’. Verdadeiramente zanguei-me um pouco com os mass-media, porque isto é não dizer a verdade das coisas às pessoas”.

Mas parece que as raivas de Francisco passam bem depressa, e ele, que é um homem de palavra, cumpre a promessa que parecia desfeita – a de constituir uma comissão de estudos sobre a possibilidade de um diaconato feminino.

francis

Papa Francisco recebe comitiva anglicana no Vaticano. É isso que ele quer para a Igreja Católica?

Na Comissão, grita a escandalosa ausência do Cardeal Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé… E causa espanto o elenco imenso de progressistas e teólogos e, sobretudo, teólogas liberais.

Salta aos olhos a presença de Piero Coda, focolarino e conhecidamente feminista.

Assim como o Sínodo dos Bispos foi apenas um simulacro: as decisões já estavam tomadas!, agora, a Revolução continua.

“Exurge! Quare obdormis, Domine?” (Ps XLIII,23).
“Levantai-Vos, oh Senhor! Por que dormis?” (Sl 43,23).

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1 agosto, 2016

Papa no avião: não identificar o Islã com a violência.

Cidade do Vaticano (RV) – Juventude, terrorismo, Turquia, Venezuela: estes foram alguns dos temas da coletiva de imprensa que o Papa tradicionalmente concede ao final de suas viagens. De Cracóvia ao Vaticano, Francisco respondeu às perguntas dos jornalistas, recordando logo no início a morte de uma colega, italiana Anna Maria Bianchini Jacobini, que morreu em Cracóvia enquanto fazia a cobertura da viagem.

Polônia

A primeira questão foi justamente como Francisco viveu esses dias na Polônia, “invadida” desta vez pelos jovens. “O povo polonês é muito entusiasta. Esta noite, com a chuva, pelas ruas havia não somente jovens, mas também velhinhas. É uma bondade, uma nobreza. Eu tive uma experiência com poloneses quando era criança: onde trabalhava meu pai, muitos poloneses vieram depois da guerra. Eram pessoas boas e isso ficou no coração. Reencontrei esta bondade. Uma beleza…obrigado!

Jovens

Eu gosto de falar com os jovens. E gosto de ouvi-los. Sempre me colocam em dificuldade, porque dizem coisas às quais eu não pensei ou que pensei pela metade. Os jovens inquietos, os jovens criativos… Eu gosto e dali adquiro a linguagem. Muitas vezes me pergunto: “Mas o que significa isto?”. E eles me explicam. O nosso futuro é com eles, e devemos dialogar. É importante este diálogo entre passado e futuro. É por isso que destaco tanto a relação entre os jovens e os avós, e quando digo “avós” entendo os mais velhos e os nem tanto, mas eu sim… Para dar também a nossa experiência, para que sintam o passado, a história e a retomem e a levem avante com a coragem do presente, como disse esta noite. É importante. Importante! Eu não gosto quando ouço: “Mas esses jovens dizem besteiras!”. Mas também nós dizemos muitas, eh! Os jovens dizem besteiras e dizem coisas boas: como nós, como todos. Mas ouvi-los, porque devemos aprender deles e eles devem aprender conosco. É assim. E assim se faz a história e assim se cresce sem fechamentos, sem censuras.

Crise turca e silêncio do Papa

Quando tive que dizer algo de que a Turquia não gostava, mas da qual eu estava certo, eu disse, com as consequências que vocês conhecem. Não falei porque ainda não estou certo, com as informações que recebi, do que está acontecendo ali. Ouço as informações que chegam à Secretaria de Estado, e também aquelas de algum analista político importante. Estou estudando a situação com os assessores da Secretaria de Estado e a coisa ainda não está clara.

Novas denúncias contra o Cardeal Pell

As primeiras notícias que chegaram eram confusas. Eram notícias de 40 anos atrás e nem mesmo a polícia deu atenção num primeiro momento. Uma coisa confusa. Depois, todas as denúncias foram apresentadas à Justiça e neste momento estão nas mãos da Justiça. Não se deve julgar antes que a Justiça julgue. Se eu desse um juízo a favor ou contra o Cardeal Pell, não seria bom, porque julgaria antes. É verdade, existe a dúvida. E há aquele princípio claro do Direito: in dubio pro reo. Devemos aguardar a Justiça e não fazer antes um juízo midiático, porque isso não ajuda. O juízo das fofocas, e depois? Não se sabe como acabará. Estar atentos àquilo que a Justiça decidirá. Uma vez que a Justiça falar, falarei eu.

Queda

Eu estava olhando para Nossa Senhora e esqueci do degrau… Estava com o turíbulo na mão… Quando percebi que estava caindo, me deixei cair e isso me salvou. Porque se tivesse resistido, teria tido consequências. Nada. “Esto fenomeno!” [Estou beníssimo!]

Mediação vaticana na Venezuela

Dois anos atrás, tive um encontro com o presidente Maduro, muito muito positivo. Depois ele pediu uma audiência no ano passado: era um domingo, um dia depois da minha chegada de Sarajevo. Mas depois ele cancelou aquele encontro porque tinha uma otite e não podia vir. Depois disso, deixei passar um pouco de tempo e lhe escrevi uma carta. Houve contatos para um eventual encontro. Sim, com as condições que se fazem nesses casos. E se pensa neste momento – mas não estou certo e não posso garantir isso, é claro? Não estou certo de que no grupo da mediação alguém – e nem sei se o próprio governo – quer um representante da Santa Sé. Não estou certo. No grupo estão Zapatero da Espanha, Torrijos e outra pessoa, e a quarta se falava da Santa Sé. Mas isso não tenho certeza…

Assassinato de Padre Jacques Hamel e “violência islâmica”

Eu não gosto de falar de violência islâmica, porque todos os dias quando leio os jornais vejo violências aqui na Itália: quem mata a namorada, outro que mata a sogra… E estas pessoas são violentos católicos batizados, eh! São católicos violentos… Se eu falasse de violência islâmica, deveria falar também de violência católica. Nem todos os islâmicos são violentos; nem todos os católicos são violentos. É como uma salada de frutas: tem tudo dentro; há violentos dessas religiões. Uma coisa é verdade: creio que em quase todas as religiões exista sempre um pequeno grupo fundamentalista. Fundamentalista. Também nós temos isso. E quando o fundamentalismo chega a matar – mas se pode matar com a língua, e isso o diz o Apóstolo Tiago e não eu, e também com a faca – creio que não seja justo identificar o Islã com a violência. Isto não é justo e não é verdadeiro! Tive um longo diálogo com o Grande Imã da Universidade de al-Azhar e sei o que eles pensam: buscam a paz, o encontro. O Núncio de um país africano me dizia que na capital há sempre uma fila de gente – está sempre cheio! – na Porta Santa para o Jubileu: alguns se detém nos confessionários, outros rezam nos bancos. Mas a maioria vai para frente, avante, para rezar no altar de Nossa Senhora: esses são muçulmanos que querem fazer o Jubileu. São irmãos. Quando estive na Rep. Centro-Africana, estive com eles e o imã também subiu no papamóvel. Pode-se conviver bem. Mas há grupos fundamentalistas. E me pergunto também quantos jovens – quantos jovens! – que nós europeus deixamos vazios de ideais, que não têm trabalho, que usam droga, álcool ou vão lá e se alistam em grupos fundamentalistas. Sim, podemos dizer que o chamado Isis é um Estado Islâmico que se apresenta como violento, porque quando nos mostra a sua carteira de identidade nos mostra como degola os egípcios na costa líbica ou outras coisas. Mas este é um grupo fundamentalista, que se chama Isis. Mas não se pode dizer – creio que não seja verdadeiro e não seja justo – que o Islã seja terrorista.

Iniciativas concretas contra o terrorismo

O terrorismo está em todos os lugares! Pense no terrorismo tribal de alguns países africanos… O  terrorismo – não sei se dizê-lo, porque é um pouco perigoso… – cresce quando não há outra opção, quando no centro da economia mundial há o deus dinheiro e não a pessoa, o homem e a mulher. Este é o primeiro terrorismo. Expulsou as maravilhas da Criação, o homem e a mulher, e colocou ali o dinheiro. Este é terrorismo de base contra toda a humanidade. Pensemos nisso.

Panamá

Um jornalista panamense presentou o Papa com uma camisa com o número 17, sua data de nascimento, e o “sombrero” usado pelos camponeses do país, pedindo uma saudação ao povo e afirmando que os panamenses o aguardam. E o Papa respondeu: “Se eu não estiver, irá Pedro. Aos panamenses, muito obrigado. Faço votos de que se preparem bem, com a mesma força, a mesma espiritualidade e a mesma profundidade com a qual os poloneses e os habitantes de Cracóvia se prepararam.”

Ao final da coletiva, com um bolo, o Pontífice agradeceu a dois colaboradores que encerraram seu trabalho com esta viagem à Polônia: Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa, e o Sr. Mauro, que foi responsável pelas bagagens dos voos papais por 37 anos.

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27 julho, 2016

Vaticano: Papa rejeita cenário de «guerra de religiões».

Francisco comenta assassinato de sacerdote francês e fala num «mundo em guerra»

Lisboa, 27 jul 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje que mundo vive uma “guerra”, mas rejeitou que a mesma seja uma “guerra de religiões”, evocando o sacerdote francês assassinado esta terça-feira durante a celebração da Missa, ataque reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico.

“Alguém poderá pensar que estou a falar de uma guerra de religiões. Não: todas as religiões querem a paz. A guerra querem-na os outros, entendido?”, disse aos jornalistas que o acompanharam desde Roma para a sua viagem à Polónia.

Francisco disse esta tarde no avião, a caminho de Cracóvia, que “o mundo está em guerra”, comentando o assassinato do padre Jacques Hamel, na sequência da tomada de reféns na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, próximo de Rouen, norte de França, que acabou também na morte dos dois terroristas que executaram o ataque, ligados ao Daesh.

O pontífice agradeceu as condolências recebidas neste momento, em particular as do presidente de França, François Hollande.

“Repete-se muito a palavra segurança, mas a verdadeira é guerra. O mundo está em guerra, guerra aos bocados”, alertou Francisco, reforçando a ideia de que se assiste a um terceiro conflito global, despois das Guerras Mundiais do século XX.

Em relação a estes conflitos, o Papa entende que a guerra não é tão “orgânica”, mas é “organizada”.

“É guerra. Este santo sacerdote (Jacques Hamel) foi morto precisamente no momento em que oferecia a oração pela paz, é um dos muitos cristãos, tantos inocentes, tantas crianças”, advertiu, numa denúncia das perseguições religiosas no mundo.

Francisco deu como exemplo a situação na Nigéria, refutando a ideia de que é preciso desvalorizar situações como esta no continente africano.

“Não podemos ter medo de dizer esta verdade: o mundo está em guerra porque perdeu a paz”, insistiu.

A visita à Polónia acontece por ocasião da 31ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a decorrer até domingo, e o Papa espera que os jovens sejam sinal de “esperança” neste momento.

Após saudar um a um os 70 jornalistas de 15 países, o Papa voltou a pegar no microfone para sublinhar que estava a falar de “uma guerra a sério, não de guerra de religiões”.

“Falo de guerra de interesses, por dinheiro, por causa dos recursos naturais, pelo domínio das populações”, precisou.

Francisco deixou Roma pelas 14h00 locais (menos uma em Lisboa) e dirigiu, como é tradição, uma mensagem ao presidente da Itália, Sergio Mattarella, falando da JMJ como um encontro de “jovens provenientes de todo o mundo para um encontro significativo marcado pela fé e fraternidade”.

À chegada ao aeroporto internacional de Cracóvia, menos de duas horas depois, o Papa foi recebido pelo presidente da Polónia, Andrzej Duda, e pelo arcebispo da diocese, cardeal Stanislaw Dziwisz.

Durante a visita de cinco dias, Francisco vai participar nas cerimónias da JMJ, visitar o santuário mariano de Czestochowa e prestar homenagem às vítimas dos campos de extermínio nazi em Auschwitz-Birkenau.

Esta é a 15ª viagem internacional do atual pontificado e a primeira do Papa à Polónia, em toda a sua vida.

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27 julho, 2016

Vaticano: queimando a língua em três dias.

Matéria do La Stampa de 23 de julho de 2016, apenas 3 dias antes do martírio do Padre Jacques Hamel. 

Declaração do Vaticano acusa políticos poloneses de espalhar medo contra os muçulmanos.

O porta-voz dos bispos salienta, no entanto, que a Igreja na Polônia acolheu refugiados enquanto o país se prepara para receber Francisco para o Dia Mundial da Juventude

Por Christopher Lamb, Cidade do Vaticano, La Stampa – 23 de julho de 2016| Tradução: FratresInUnum.com: Poucos dias antes a visita do papa Francisco à Polônia, uma declaração do Vaticano denunciava um “temor artificialmente criado contra os muçulmanos”, que estaria sendo alimentado por alguns partidos políticos no país.

O comunicado de imprensa, divulgado pela Santa Sé, mas escrito por um porta-voz dos Bispos poloneses, descreve a Polônia como “etnicamente homogênea” e que a imigração é um fenômeno relativamente novo, visto até como estranho para a pessoa média polonesa.

“Por esta razão, mesmo as estatísticas oficiais relativas a cidadãos estrangeiros residentes legalmente na Polônia mostram que eles representam apenas 0,4 por cento da população como um todo, existe um grande medo”,  escreveu Padre Pawel Rytel-Andrianik em um comunicado emitido apenas antes do início da Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, no qual ele ressaltou que era um resumo do debate na mídia da Polônia.

Esses receios, explica Pe Rytel-Andrianik, são devidos à falta de um debate público, procedimentos de imigração complicados e nenhum programa público para ensinar os poloneses sobre a diversidade de religião, raça e cultura.

Mas ele escreve: “Infelizmente, esses temores são alimentados por alguns partidos políticos e declarações inapropriadas feitas por alguns políticos. Existe um medo criado artificialmente contra os muçulmanos, que é compreensível em alguns aspectos (ataques terroristas). A Polônia faz fronteira com a Alemanha, que tem uma grande população muçulmana, e na fronteira eles não fazem controles regulares”.

A declaração segue louvando a generosidade da igreja polonesa em acolher refugiados do Oriente Médio e Norte da África, incluindo o aumento de 1,2 milhões de euros para ajudar e auxiliar 3.000 migrantes por ano. E acrescenta que os bispos poloneses fizeram um apelo para ajudar os refugiados antes que o Papa faça sua convocação do dia 06 de setembro para que cada paróquia e casa religiosa aceite uma família migrante.

O comunicado de imprensa, no entanto, será lido como uma tentativa de abordar as tensões entre a hierarquia polonesa e Francisco: este Papa fez da acolhida a imigrantes uma parte fundamental do seu pontificado e pediu aos líderes europeus para encontrar melhores formas de integrar os recém-chegados no continente .

Os bispos da Polônia são próximos do partido Lei e Justiça, governante do país, um  governo que se recusou a aceitar sua quota de migrantes estabelecida pela União Europeia – tensões sobre a questão são crescentes no país e há vários incidentes em que os requerentes de asilo foram atacados.

Mas, numa tentativa de trazer os bispos poloneses e o Papa para a mesma página sobre os migrantes, a declaração emitida no sábado incluía uma linha do arcebispo de Poznan, Stanislaw Gadecki, interpretando a política do Papa sobre os migrantes.

“Papa Francisco é a favor de uma política de integração, e não do multiculturalismo desejado por elementos de esquerda”. O arcebispo é citado como tendo dito isso em uma homilia pronunciada em 10 de julho.

A questão da acolhida aos migrantes é algo que o Papa poderia resolver endereçar durante sua visita à Polônia e durante uma vigília de oração em que ele vai participar em Cracóvia, no sábado, 30 de julho, onde também uma mulher síria está escalada para falar.

Este não é o único problema onde tem havido tensões entre Francisco e a hierarquia polonesa. Os bispos da Polônia se uniram coletivamente em oposição aos desenvolvimentos no ensinamento da Igreja que se seguiram aos dois Sínodos dos Bispos sobre a família.

E com Amoris Laetitia, seu documento divulgado na sequência destes encontros, o Papa abriu a possibilidade para os católicos divorciados e recasados receberem a comunhão. Por outro lado, muitos bispos poloneses permanecem leais a João Paulo II, que foi firme contra tal movimento.

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22 julho, 2016

Grupo de intelectuais católicos apelam ao Papa para repudiar ‘erros’ em Amoris Laetitia.

Por Edward Pentin – National Catholic Register, 11 de julho de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Um grupo de estudiosos católicos, prelados e clérigos enviou um apelo ao Colégio dos Cardeais pedindo que eles solicitem do Papa Francisco um “repúdio” ao que eles vêem como “proposições errôneas” contidas na Amoris Laetitia.

Em um comunicado divulgado hoje, os 45 signatários do apelo dizem que Amoris Laetitia – o documento pós-sinodal do Papa (documento de síntese) sobre o recente Sínodo sobre a Família, que foi publicado em abril – contém “uma série de declarações que podem ser entendidas num sentido contrário à fé católica e à moral”.

O documento de 13 páginas, traduzido em seis idiomas e enviado ao cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio dos Cardeais, bem como 218 cardeais e patriarcas individuais, cita 19 passagens na exortação que “parecem entrar em conflito com doutrinas católicas”.

Os signatários – descritos como prelados católicos, estudiosos, professores, autores e clérigos de várias universidades pontifícias, seminários, faculdades, institutos teológicos, ordens religiosas e dioceses de todo o mundo – então prosseguem com uma lista de “censuras teológicas aplicáveis especificando a natureza e grau dos erros” contidos na Amoris Laetitia.

Uma censura teológica é um juízo sobre uma proposição concernente à fé católica ou a moral como contrária à fé ou no mínimo duvidosa.

A declaração diz que aqueles que assinaram o apelo fizeram a solicitação ao Colégio dos Cardeais, na sua qualidade de conselheiros oficiais do Papa,  para que “se aproximem do Santo Padre com um pedido: que ele repudie os erros listados no documento de forma definitiva e final, e afirme com autoridade que Amoris Laetitia não requer que se creia em qualquer um desses itens, ou que sejam considerados como possivelmente verdadeiros”.

“Nós não estamos acusando o Papa de heresia”, disse Joseph Shaw, um dos signatários do apelo e que também está atuando como porta-voz para os demais autores, “mas consideramos que numerosas proposições da Amoris Laetitia podem ser interpretadas como heréticas se fazemos uma leitura natural do texto. Declarações adicionais cairiam no campo de outras censuras teológicas estabelecidas, como escandalosas, errôneas em matéria de fé e ambíguas, entre outras”.

Tal é o clima em grande parte da Igreja de hoje, que um dos principais organizadores do apelo disse ao Register que a maioria dos signatários prefere permanecer anônimos porque “temem represálias, ou estão preocupados com repercussões em sua comunidade religiosa, ou têm uma carreira acadêmica e uma família e temem que possam perder os seus empregos”.

Entre os problemas citados na exortação, os signatários acreditam que Amoris Laetitia “mina” o ensinamento da Igreja sobre a admissão dos católicos divorciados e recasados civilmente aos sacramentos. Eles também acreditam que ela contradiz o ensinamento da Igreja de que todos os mandamentos podem ser obedecidos, com a graça de Deus, e que certos atos são sempre errados.

Shaw, um acadêmico da Universidade de Oxford, disse que os signatários esperam que, “ao buscar do nosso Santo Padre um repúdio definitivo desses erros, nós podemos ajudar a dissipar a confusão já provocada pela Amoris Laetitia entre os pastores e os fiéis leigos”.

Essa confusão, ele acrescentou, “pode ser dissipada eficazmente apenas por uma afirmação inequívoca do autêntico ensinamento católico pelo Sucessor de Pedro”.

Várias interpretações e críticas a Amoris Laetitia se seguiram à sua publicação. Em particular, cardeais têm debatido se o documento é magistério ou não.

O Cardeal Christoph Schönborn, que apresentou o documento em abril, acredita firmemente que é, ao dizer à Civilta Cattolica na semana passada que “não faltam passagens na Exortação que afirmam fortemente o seu valor doutrinário e de forma decisiva.”

O Cardeal Raymond Burke, no entanto, acredita que o documento contém passagens que não estão em conformidade com os ensinamentos da Igreja e é, portanto, não magisterial, algo que o Papa Francisco “deixa claro” no texto.

Na semana passada, o arcebispo Charles Chaput, da Filadélfia emitiu orientações pastorais para a implementação da Amoris Laetitia em que ele esclareceu passagens na exortação que parecem ambíguas no cuidado pelas almas dos católicos que vivem em situações difíceis ou objetivamente pecaminosas. Dom Chaput fez parte da delegação americana de padres sinodais no Sínodo sobre a Família em outubro passado.