Posts tagged ‘O Papa’

14 maio, 2017

Foto da semana.

Papa Francisco Fatima

Neste fim de semana, o Papa Francisco visitou Fátima, Portugal, por ocasião do 100º aniversário das Aparições da Santíssima Virgem, oportunidade em que canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco.

Chamou a atenção a referência feita a Francisco como “bispo vestido de branco”, na oração contida na página 9 no livreto oficial das celebrações litúrgicas:

Salve Mãe de Misericórdia,
Senhora da veste branca!
Neste lugar onde há cem anos
a todos mostraste
os desígnios da misericórdia do nosso Deus,
olho a tua veste de luz e,
como bispo vestido de branco,
lembro todos os que,
vestidos da alvura batismal,
querem viver em Deus
e rezam os mistérios de Cristo
para alcançar a paz.

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11 maio, 2017

O Papa político. Livro nos Estados Unidos analisa criticamente o Pontificado de Bergoglio.

Por Marco Tosatti, 7 de maio de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Nos parece interessante relançar alguns trechos da entrevista que Maike Hickson, do OnePeterFive, fez com George Neumayr, autor do livro “O Papa político”, e cujo subtítulo é “Como o Papa Francisco está encantando a esquerda liberal e abandonando os conservadores”. O livro de Neumayr, lançado no dia 2 de maio passado, nos Estados Unidos, é uma análise crítica dos primeiros quatro anos do reinado do papa Bergoglio. Não sabemos se e quando sairá na Itália; mas, certamente, divulgar uma voz como a de Neumayr é uma contribuição para o diálogo sobre a situação da Igreja.

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“Quanto mais [o Papa] fala, pior fica. […] A Igreja está se tornando irreconhecível” – Um oficial do Vaticano.

Citamos algumas frases da longa entrevista, recomendando-a para quem quiser ler o original em inglês. Entre outras coisas, no site do OnePeterFive, Neumayr deu permissão para tornar público o primeiro capítulo de sua obra.

* * *

“Desde o primeiro momento em que eu o vi, eu sabia que ele seria uma bola de demolição modernista, ele me chamou atenção desde o início como o típico ‘jesuíta progressista’. Eu percebi que seria um pontificado historicamente angustiante… mas, na medida em que ia se desenvolvendo, tornava-se cada vez mais claro que alguém tinha que fazer um registro desse pontificado caótico”.

Neumayr estudou numa universidade jesuíta. “O programa de Francisco foi tão obviamente criado para promover o liberalismo político e, ao mesmo tempo, minimizar a doutrina. Aquela era a mesma fórmula do catolicismo vazio e de moda que eu vi em exposição na Universidade dos Jesuítas em San Francisco”.

Neumayr leu todos os livros biográficos existentes sobre Jorge Bergoglio, falou com sacerdotes, com os jesuítas, com ativistas católicos, especialistas em Direito Canônico e professores católicos. A maioria deles preferiu falar sob condição de anonimato. Ele tratou do Bergoglio de antes e depois de sua eleição à Cátedra de Pedro. A conclusão?

“A conclusão inegável é que a Igreja Católica está sofrendo sob um mau papa e que os cardeais têm que enfrentar esta crise.”

Segundo Neumayr, o Papa “é o produto de um esquerdismo político e de um modernismo teológico. Sua mente foi formada por todas as heresias pós-iluministas e ideologias de Marx a Freud e Darwin. Ele é a realização da visão do Cardeal Martini de uma igreja modernista que está em conformidade com as heresias do Iluminismo. Em quase todas as frentes, Francisco é um seguidor da escola modernista.” Isto, diz Neumayr, se pode ver pela interpretação de certas passagens do Evangelho, “Como por exemplo, quando ele descreve o milagre dos pães e peixes como uma metáfora e não como um milagre.”

“Esse pontificado é um exemplo flagrante de um clericalismo fora de controle. Papa Francisco usa o púlpito do papado não para apresentar os ensinamentos da Igreja, mas, em vez disso, para promover a sua própria agenda política”.

“Muitas de suas declarações não estão alinhadas aos ensinamentos da Igreja, como documentado no livro.”

Neumayr cita, entre os mestres do pensamento do Pontífice, Esther Ballestrino de Careaga, uma comunista fervorosa, e também Paulo Freire, autor do livro “Pedagogia do Oprimido”. Segundo Neumayr, Bergoglio ainda reabilitou os teólogos da libertação.

“Ele presta homenagem ao relativismo moral e ao socialismo, que são o centro da esquerda global. Não é por acaso que suas frases-chavão são ‘Quem sou eu para julgar’ e a “desigualdade é a raiz de todos os males”. É um queridinho da esquerda globala porque promove muitos dos temas de sua agenda como o ativismo para a mudança climática, a abertura das fronteiras e a abolição da pena de morte”.

“O Papa favorece o voluntarismo inerente aos liberais, que se caracteriza por um relativismo moral que, por sua vez, é o modo como o socialismo tenta se mostrar virtuoso… em outras palavras, os liberais gostam de se aparentar bons sem o ser na verdade. E um pontificado que junta o liberalismo político com o relativismo doutrinal e moral é compatível com a sua política de auto indulgência. Eles também adoram, em sua política, aquele toque do espiritualismo não ameaçador que um jesuíta amador da América Latina sabe bem como fornecer”;

Sobre a “Amoris Laetitia”,  Neumayr é bem crítico: “é um dos documentos mais escandalosos na história da Igreja. Papa Francisco dá uma óbvia piscadela e um aceno de aprovação aos adúlteros na nota 329 do documento. No meu livro, falo da ambigüidade proposital desse documento, típico de um jesuíta”.

Neumayr também critica a fraca resposta da parte dos prelados. E afirma ser necessário tomar uma iniciativa. “Minha posição é que os cardeais deveriam confrontar diretamente o Papa sobre esta questão e deixar claro que a posição heterodoxa à qual ele adere é absolutamente inaceitável. E se ainda ele falhar em responder aos dubia, eles devem encaminhar uma uma correção formal”.

Neumayr nasceu em 1972. O que ele diz de si mesmo é que pertence àquela geração de católicos que “pediram pão e receberam pedras”. Ele espera que seu livro “possa contribuir para um retorno à ortodoxia e à santidade na Igreja, e creio que é dever dos jornalistas dizer a verdade sem medo ou favoritismos”.

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4 maio, 2017

Um papa “de baixa intensidade”, como ditam os tempos.

Por Sandro Magister, 30 de abril de 2017. Tradução: André Sampaio | FratresInUnum.com — Os diagnósticos mais atualizados do fenômeno religioso no Ocidente convergem ao defini-lo como sendo “de baixa intensidade”. Líquido, sem dogmas, sem autoridades vinculantes. Muito visível, porém irrelevante no cenário público.

CudaTambém o catolicismo está seguindo esse modelo. E o pontificado de Francisco se adapta espetacularmente a essa nova fenomenologia, tanto em seus êxitos quanto em seus limites.

Como bom jesuíta, Jorge Mario Bergoglio instintivamente favorece os sinais dos tempos. Nem sequer tenta deter a crescente diversificação dentro da Igreja. Antes, a encoraja.

Não responde aos cardeais que lhe submetem os dubia e lhe pedem clareza.

Deixa que se difundam as opiniões mais temerárias, como as do novo superior-geral dos jesuítas, o venezuelano Arturo Sosa Abascal segundo o qual não se pode saber o que disse exatamente Jesus, “porque não havia gravadores”.

E ele mesmo as diz, sem temor de assolar os artigos fundamentais do Credo.

No último 17 de março, em uma audiência no Palácio Apostólico, para explicar o que entende por “unidade na diferença”, ele disse que “também dentro da Santíssima Trindade estão todos disputando a portas fechadas, enquanto fora a imagem é de unidade”.

Em 19 de abril, em uma audiência geral na Praça São Pedro, disse que a morte de Jesus é um fato histórico, mas que sua ressurreição não o é; é somente um ato de fé.

Em 4 de abril, em uma homilia em Santa Marta, disse que Jesus, na cruz, “se fez diabo, serpente”.

E essas são apenas as últimas de uma série, não pequena, de frases ousadas que, todavia, escapam como a água sobre o mármore, sem efeito sobre a opinião pública, católica e não, para a qual este papa continua a ser popular também porque diz de tudo, e com toda a tranquilidade.

Luca Diotallevi, um dos mais atentos sociólogos da religião, especificou diversas similitudes entre o pontificado de Francisco e o fenômeno Donald Trump, entre as quais o comum ressentimento contra o establishment.

Quem sofre as consequências é a Cúria Romana, sobretudo a Congregação para a Doutrina da Fé, que atualmente é a sombra do que era, quando vigiava sobre a mínima palavra que saía da pena ou dos lábios de um papa. Francisco a ignora totalmente.

Também deixaram de estar visíveis os episcopados nacionais, a começar pela Conferencia Episcopal Italiana, antes poderosa e agora aniquilada.

A metamorfose deste catolicismo “de baixa intensidade” é clamorosamente evidente no cenário político. Os Estados Unidos e a Itália são dois exemplos disso.

Em ambos os países, os católicos têm uma maior presença numérica, também nos vértices nacionais, em relação ao passado. Nos Estados Unidos é católico o chefe de estratégia política de Trump, Steve Bannon. São católicos cinco dos nove juízes da Suprema Corte, como também 38% dos governadores. São católicos 31,4% dos membros do Congresso, dez pontos a mais que entre os cidadãos adultos de todo o país.

No entanto, apesar dessa forte presença dos católicos na política, os princípios inegociáveis da Igreja em matéria de divórcio, aborto, eutanásia e homossexualidade não incidem com igual força sobre as leis. Pelo contrário, cada vez se distanciam mais.

Na Itália se passa o mesmo. Os últimos primeiros-ministros, de Mario Monti a Enrico Letta, Matteo Renzi ou Paolo Gentiloni, são todos católicos praticantes, como o é também o atual presidente da República, Sergio Mattarella. E é católico um grande número dos membros do governo e dos deputados de todos os partidos.

Porém a influência da Igreja na esfera política atualmente é quase nula, como demonstram as leis sobre as uniões homossexuais e sobre o final da vida.

Faz muito tempo que não há um “catolicismo político” do nível de um Sturzo [n.d.t.: Luigi Sturzo, 1871-1959, sacerdote e, com o aval de Pio XII, senador vitalício na Itália; ferrenho opositor do fascismo e do comunismo-marxismo] ou de um De Gasperi [n.d.t.: Alcide De Gasperi, 1881-1954, leigo católico italiano declarado Servo de Deus, político, fundador do partido da Democracia Cristã]. Mas também há um papa cuja vontade deliberada é a de evitar que ele ou a Igreja se impliquem em compromissos de alta intensidade sobre questões políticas que dividem as consciências. E também por isso ele é tão popular.

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Na foto acima, a primeira pessoa à direita é a teóloga argentina Emilce Cuda, docente na Pontifícia Universidade Católica de Buenos Aires, muito próxima do arcebispo Víctor Manuel Fernández, reitor da mesma universidade e escutado conselheiro e escritor-fantasma do papa Francisco.

Foi ela quem referiu as palavras do papa acerca da Santíssima Trindade, dentro da qual “estão todos disputando a portas fechadas, enquanto fora a imagem é de unidade”, pronunciadas em 17 de março último durante uma audiência para o Catholic Theological Ethics in The World Church, entidade da qual ela faz parte. Essas palavras foram tornadas públicas pelo vaticanista inglês Austen Ivereigh, biógrafo de confiança de Jorge Mario Bergoglio.

Para a categoria de low-intensity religion, “religião de baixa intensidade”, aplicada às novas formas do fenômeno religioso, leia-se o ensaio de Bryan S. Turner, Religion and Modern Society [n.d.t.: Religião e Sociedade Moderna, em tradução livre], Cambridge University Press, 2011, e o de Luca Diotallevi, Finecorsa. La crisi del cristianesimo come religione confessionale [n.d.t.: Fim da linha. A crise do cristianismo como religião confessional, em tradução livre], Edizioni Dehoniane, Bolonha, 2017; este último inclui um capítulo sobre “Il cattolicesimo italiano al tempo di Francesco” [n.d.t.: “O catolicismo italiano no tempo de Francisco”].

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25 abril, 2017

Papa está planejando se aposentar, dizem aliados — mas, somente quando tiver indicado um número suficiente de cardeais liberais.

Por Damian Thompson, The Spectator, 21 de abril de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – Aliados do Papa Francisco estão dizendo que ele planeja seguir o exemplo de Bento XVI e se aposentar. Todavia, ele só o fará uma vez que tiver designado um número suficiente de cardeais liberais para garantir que o próximo conclave não eleja um conservador que interpretará a doutrina católica de maneira mais estrita do que ele.

cover_11032017_landscapeIsso, ao menos, é o que os aliados do Papa vêm contando a colegas — alegando terem ouvido do próprio pontífice (Francisco mesmo é um notório tagarela e igualmente o são alguns dos cardeais que lhe são próximos).

O Papa, agora com 80 anos, aparentemente quer realizar mais três consistórios nos quais concederá o chapéu vermelho a bispos que compartilham de sua visão de reforma (o que quer que isso seja: os detalhes ainda são incompletos, já há quatro anos),

Ele poderia partir em dois ou três anos, levantando a possibilidade surreal de que teremos três papas e ex-papas vivos (Bento XVI parecia bastante saudável quando comemorou seus 90 anos no último final de semana).

 

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3 abril, 2017

O homem que deveria ter sido eleito papa.

IHU – Missão cumprida. Após quatro anos de pontificado, este é o balanço dos cardeais que levaram Jorge Mario Bergoglio à eleição para Papa.

A operação que produziu o fenômeno Francisco vem de longe, tão longe quanto 2002, quando “L’Espresso” foi a primeira revista a descobrir e publicar que o então semi-desconhecido arcebispo de Buenos Aires estava entre os favoritos ao papado, dentre os verdadeiros, não os de fachada.

Examinou-se o terreno no conclave de 2005, quando todos os votos dos que não queriam Joseph Ratzinger como papa confluíram para Bergoglio.

O comentário é de Sandro Magister, jornalista, publicado por Settimo Cielo, 02-04-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

A operação ocorreu no conclave de 2013, em grande parte porque muitos dos eleitores do cardeal argentino ainda não sabiam muito sobre ele e certamente também não sabiam que ele havia desferido um “golpe no estômago” da Igreja, comentado dias antes pelo seu adversário, derrotado na Capela Sistina, o Arcebispo de Milão Angelo Scola.

Entre Bergoglio e seus eleitores não havia – e ainda não há – total conformidade. É um Papa de anúncios mais do que de realizações, de alusões mais do que de definições.

Há, no entanto, um fator-chave que atende às expectativas de uma virada histórica da Igreja, capaz de abranger seu atraso emblemático de “duzentos anos” a respeito do mundo moderno denunciado por Carlo Maria Martini, o cardeal que gostava de ser chamado de “antipapa”, ou seja, o antecipador daquele que teria de vir. E é o fator “tempo”, que para Bergoglio é sinônimo de “iniciar processos”. Ele pouco se importa com o objetivo, porque o que conta é o caminho.

E, efetivamente, assim é. Com Francisco a Igreja tornou-se uma obra em andamento. Tudo é movimento. Tudo é fluido. Não há dogma que resista. Tudo é discutível e age-se de acordo com isso.

Martini era o cabeça do clube de Sankt Gallen, Suíça que planejou a ascensão de Bergoglio ao papado. O clube adotou o nome da cidade suíça onde se reuniam, contando com os cardeais Walter Kasper, Karl Lehmann, Achille Silvestrini, Basil Hume, Cormac Murphy-O’Connor e Godfried Danneels. Destes, apenas dois, Kasper e Danneels, continuam comprometidos, recompensados e tratados com a máxima consideração pelo Papa Francisco, apesar de representarem duas Igrejas nacionais em ruínas – a alemã e a belga – e apesar de que Daneels tenha caído em desgraça por tentar encobrir, em 2010, os abusos sexuais de um bispo que era seu pupilo e do qual a vítima era seu jovem sobrinho.

Bergoglio nunca pôs os pés em Sankt Gallen. Mas os candidatos do clube o adotaram como seu candidato ideal e ele adaptou-se perfeitamente ao plano.

Na Argentina, todos lembram muito bem de como ele revelou-se depois, como papa. Taciturno, distante, sério, reservado também com as massas. Nunca se ouviu uma palavra ou um gesto de desacordo com os pontífices reinantes, João Paulo II ou Bento XVI. Muito pelo contrário, ele elogiou por escrito a encíclica “Veritatis splendor”, bastante severa contra a frouxidão moral “da situação” historicamente atribuída aos jesuítas. Ele não escondeu a sua convicção de que Lutero e Calvino tenham sido os piores inimigos da Igreja e do homem. E atribuiu ao diabo o engano da lei a favor de casamentos homossexuais.

Mas depois fez com que os católicos, que estavam reunidos em frente ao Parlamento para uma vigília de oração contra a iminente aprovação da lei, voltassem para suas casas “para evitar polêmicas”. Ajoelhou-se e pediu para um pastor protestante abençoá-lo em público. Ele estreitou laços de amizade com alguns deles e também com um rabino judeu.

E, acima de tudo, encorajou seus sacerdotes a não negar a comunhão a ninguém, sejam casados, pessoas que moram juntas ou divorciados que voltaram a se casar. Silencioso e sem tornar pública sua decisão, o arcebispo de Buenos Aires já fazia o que os papas da época proibiam e que ele logo, como Papa, permitiria.

Em Sankt Gallen as pessoas sabiam e tomavam nota. E quando Bergoglio foi eleito, o mundo conheceu-o desde o início pelo que ele era de verdade. Sem véus.

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28 março, 2017

Inédito: as verdadeira relações entre os dois Papas. Andreas Englisch: “Não se falam”.

Nossa tradução foi tomada da publicação francesa Benoit et moi, do dia 22 de março. Um outro parecer da situação por parte de uma fonte confiável é apoiado por links para textos disponíveis sobre os acontecimentos citados.

Por Chiesa e post concilio | Tradução: FratresInUnum.com

O prefácio publicado por Benoit e moi 

As poucas notícias sobre o Papa Emérito que saem naquela que é considerada por alguns como a “mídia oficial do regime”, regularmente fazem referência às boas relações de amizade e cumplicidade entre o Papa emérito e o Papa reinante. E cada nova celebração constitui uma oportunidade para Bento XVI por em destaque Francisco, como se o primeiro só pudesse existir através do segundo, ou com referência a ele. “Contrastar” os dois Papas é um exercício política e religiosamente incorreto, ou pelo menos reservado aos malvados “nostálgicos” e a outros seguidores de teorias de conspiração.

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[…] Segue-se a tradução de um artigo de Giuseppe Nardi descrevendo as observações de um vaticanista alemão muito favorável a Francisco, Andreas Englisch [ndt: autor de ‘O homem que não queria ser papa’]. Apesar de não fornecer provas formais (os turiferários bergoglianos, por seu lado, também não providenciam nenhuma), mas apenas o seu parecer pessoal. O que ele diz confirma as suspeitas que foram levantadas em alguns relatos e pela atenta observação de algumas imagens, que, em qualquer caso, são confiáveis.

(…) poucas coisas ligam Francisco a Bento XVI, o qual é relegado a um papel de mera aparência nas ocasiões de suas aparições públicas. Mas, o Papa reinante aproveita as oportunidades para fazer uma fachada e faz Bento XVI entrar em cena em caso de necessidade. Neste contexto, a ausência de Bento XVI no último consistório de 19 de novembro de 2016 adquire uma nova dimensão.

Andreas Englisch: Os Papas Bento e Francisco tiveram realmente um litígio.  

Por Giuseppe Nardi – www.Katholisches.info

(Roma) O Papa Francisco e seu predecessor Bento XVI estariam em desacordo: “Não se falam.” Esta é uma das novidades sensacionais relatadas pelo vaticanista Andreas Englisch, no dia 16 de março último, durante uma conferência realizada em Limburg (Alemanha).

Englisch, por muitos anos, foi o correspondente de imprensa do grupo Axel-Springer para a Itália e o Vaticano. Com seus trinta anos de experiência em Roma, é considerado um excelente especialista em Vaticano.

A conferência do jornalista foi realizada na sala Josef Kohlmaier com o tema: “Francisco – um combatente no Vaticano”, com base em  “Os segredos revelados” do jornal Nassauische Neue Post, segundo o que foi relatado, em sua edição de 18 de Março. Mas o cenário que foi aberto ao público por Andreas Englisch, sobre o que acontece nos bastidores do Vaticano, é muito mais sensacional do que o que foi relatado pelo artigo do jornal regional.

Francisco e Bento não se falam

O jornalista não faz segredo de sua simpatia pelo papa Francisco, uma simpatia que é bem conhecida por todos. Andreas Englisch sabe como cativar sua audiência! Sim, tem o caso de Monsenhor Tebartz-van Elst (bispo emérito de Limburg, obrigado a renunciar em 2014, acusado de levar uma uma vida luxuosa, NDT) [o caso do bispo de Limburg, link aqui], e que recebeu uma nova missão no Vaticano, onde foi relegado a um “posto de ofício” (de certa forma encostado). Sob o Pontificado de Papa Francisco, diz ele, não há mais lugar para aqueles que “se colocam acima dos ensinamentos de Jesus Cristo e que do alto de seus pedestais olham para baixo os simples fiéis”. Palavras fortes proferidas por Andreas Englisch com relação ao Papa, e do próprio Papa sobre um irmão no episcopado. Mas o que Andreas Englisch falhou em dizer é que para Francisco, aqueles que só prestam para “postos de ofício” não o são causa de suas “banheiras douradas”, reais ou imaginárias, mas por causa de sua visão de Igreja. A dimensão social, com seu mito de  maior “compromisso com os pobres”, é bem acolhida por uma plateia de auditório, mas na realidade, significa bem pouco e serve apenas como uma cobertura.

Muito mais explosivo do que no caso de Limburg – por causa do escopo muito mais amplo – é o que Englisch revelou sobre a relação entre Francisco e Bento XVI. Segundo o jornalista, o papa reinante e o emérito teriam realmente brigado e não estariam mais se falando. E não é de ontem! E o que mais? Por sua própria admissão, Bento XVI não faz mais aparições públicas, exceto em resposta a um desejo expresso do Papa Francisco. Aquilo que é mostrado nestas raras ocasiões não seria, se levarmos em conta as afirmações de Andreas Englisch, outra coisa senão uma troca de gentilezas, em que os protagonistas fingem ser amigos. A razão para a divergência deveria ser pesquisada, de acordo com o jornalista, no caso de Limburg, no qual Bento teria saído em defesa do bispo Tebarzt-van Elst. No mínimo apenas mais um aspecto da história. Mas Limburg certamente não é a causa raiz de um racha tão profundo nas relações entre os dois papas.

Francisco “sabe o que quer” e faz “aquilo que ele quer”

O correspondente em Roma apresenta Francisco como tendo uma personalidade forte. “Ele sabe o que quer”, e dá a conhecer o que quer. Em vez disso, Bento seria “um bom teólogo”, mas já teria demonstrado uma “fraca capacidade de comando”. Durante décadas, a mídia alemã, quando falava do “inflexível Pantzerkardinal”, usava uma linguagem muito diferente. Desde sempre, buscando favorecer uma determinada direção, todos os meios pareciam benévolos, em maior ou menor grau. De qualquer modo, Bento XVI, de acordo com Englisch, deixou que muitas outras pessoas tomassem as decisões, enquanto Francisco faz “o que ele quer.”

Se analisarmos até as últimas consequências as declarações de Englisch, chegaremos à conclusão que Francisco e Bento XVI têm muito pouco em comum. Em suas aparições públicas, tudo se resumiria a um papel de mera aparência que o papa reinante usa como fachada e faz o emérito entrar em cena, quando necessário. Neste contexto, a ausência de Bento durante o último Consistório de 19 de novembro de 2016 adquire uma nova dimensão.

As promoções cardinalícias fazem parte dessas poucas ocasiões em que o papa reinante convidou seu predecessor para uma cerimônia pública. Após a criação de novos cardeais em 2014 e 2015, Bento XVI fez uma aparição pública na Basílica de São Pedro [mais]. Mas, durante o último consistório ele estava ausente; e Francisco reuniu os neo-cardeais com Bento, sem muitas formalidades, no mosteiro Mater Ecclesiae. Evidentemente, também truncando já desde o início, de acordo com Englisch, possíveis inferências. Obviamente Francisco suspeitava que a ausência de Bento poderia ser um gesto demonstrativo [ver e aqui].

As pressões sobre a renúncia de Bento XVI

A cronologia dos acontecimentos, de todo modo, não nos leva a pensar em uma simples visita de cortesia – como o Vaticano apresentou o evento -, mas contém algo de explosivo. Cinco dias antes do consistório, quatro cardeais, Brandmüller, Burke, Caffara e Meisner, haviam publicado seu dubia sobre a controversa exortação pós-sinodal Amoris Lætitia, já que depois de dois meses o Papa Francisco ainda não havia lhes dado nenhuma resposta. Com o dubia, eles se opuseram frontalmente a Francisco, que desde então está procurando deixar morrer o assunto, forçando seus colaboradores e apoiantes mais próximos a uma esgotante ginástica verbal. Francisco pode até prolongar o seu silêncio, mas não conseguirá deixar de sair enfraquecido pelo conflito, aparecendo como um papa que se recusa a responder perguntas sobre as principais questões de fé e moral. A mancha em sua imagem aparecerá como uma sombra sobre o seu pontificado.

O Nassauische post se calou sobre outra questão levantada por Englisch: várias forças dentro da Igreja teriam exercido pressão sobre Bento XVI para que ele renunciasse. Esta declaração é dinamite! As circunstâncias que cercam a renúncia do Papa – fato único desse gênero na história da Igreja – não cessam, desde então, de alimentar dúvidas. Onde ficaria exatamente a linha entre uma forte pressão e um constrangimento? O próprio Bento assegurou que ele renunciou por vontade própria. Até que se prove o contrário, deve-se levar com boa intenção suas palavras. No entanto, muito além do aspecto legal, permanece uma sensação de algo indefinível. E ainda mais se considerarmos a forte pressão exercida em Junho de 2012 pelo cardeal Carlo Maria Martini para que Bento XVI renunciasse e o papel desempenhado pelo clube de St. Gallen (fundado por Martini) na eleição de Jorge Mario Bergoglio [ver e aqui].

O fato é que Bento XVI deixou o campo livre, um campo que a equipe de Bergoglio (produzida pelo secreto clube St. Gallen) tem ocupado como um verdadeiro Estado Maior, sem pensar, de fato, em uma possível evacuação.

Giuseppe Nardi

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23 março, 2017

Revolução da ternura.

“Não tenham vergonha da ternura. Hoje se necessita de uma revolução da ternura neste mundo que sofre de cardioesclerose”.

Francisco, 7 de dezembro de 2016

Sobre cartazes, dos Papas, risadas e insultos (pontifícios). Para descontrair.

Por Marco Tosatti, 10 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – Agora que o meu colega Guido Mocellin, do jornal Avvenire revelou os mistérios relacionados aos posteres que apareceram espalhados em Roma e direcionados não ao Pontífice reinante, mas a outro rei de Roma, Francesco Totti, e que por uma confusão banal dessa região do Lácio acabaram colados sobre os muros da Capital.

papa-che-ride-300x169Depois que o arcebispo Becciu, o número 2 da Secretaria de Estado e o delegado espiritual do Papa junto à Ordem de Malta, nos assegurou que o Pontífice até riu do episódio e apreciou o dialeto Romanesco;

Dado que os pogroms e incêndios foram afastados, com exceção de alguns pequenos foguinhos acesos aqui e acolá por algum colega mais entusiasmado, e já que ainda estamos em tempos de carnaval e ainda podemos nos permitir um sorriso…

Eis que feitas todas essas ressalvas, hoje aconteceu de me deparar com um site durante meu giro pela internet. Trata-se de uma página Opportune Importune que faz um compêndio de todos os insultos lançados pelo Papa contra sacerdotes, cardeais,bispos e leigos que diante de seus olhos carecem de qualquer parâmetro de respeito.

É uma página datada de 14 de dezembro de 2015, mas que tinha me escapado na época, como também me passou despercebido um livreto em inglês da qual tal página se originou. The Pope Francis Little Book of Insults [O pequeno livro de insultos do Papa Francisco]., dezembro 2015. Desde então, a lista certamente cresceu e não foi pouco.

Aqui estão alguns termos usados (para a lista completa, consulte o website):

Velhas comadres

Instigadores da coprofagia

Especialistas em Logos

Debulhadores de rosários

Funcionários

Pessoa absorvida em si mesma

Neo pelagianos

Prometeico

Restauracionista

Cristãos ideológicos

Pelagianos

Sr. e Sra. choramingões

Triunfalistas

Cristãos inflexíveis

Gnósticos modernos

Cristãos líquidos

Cristãos superficiais

Múmias de museu

Príncipe renascentista

Bispo de Aeroporto

Cortesão leproso

Ideólogo

Cara comprida

Autoritários

Elitistas

Pessimistas e desiludidos

Cristãos com cara de vinagre

Infantis, com medo de dançar, gritar, com medo de tudo

Cristãos que buscam certeza em tudo

Cristãos fechados, tristes, aprisionados, que não são livres

Cristãos pagãos

Monstrinhos

Cristãos derrotados

Papagaios do Credo

Batedores da Inquisição

Seminaristas que cerram os dentes à espera de terminar os estudos, que seguem as regras e sorriem revelando a hipocrisia do clericalismo, um dos piores males.

Ideólogos do abstrato

Fundamentalistas

Sacerdotes grudentos e idólatras

Adoradores do deus Narciso

Sacerdotes vaidosos e fanfarrões

Sacerdotes vendedores de pneus

Padres magnatas

Religiosos que têm o coração amargo como vinagre

Fechados na fria formalidade de uma oração gelada, avarentos.

Estéreis no seu formalismo

Gente velha e saudosista de estruturas e usos que não dão mais vida ao mundo de hoje

Jóvens maníacos pela moda

Cristãos de pastelaria

Cristãos anestesiados

Fracos até a podridão

Cristãos de coração negro

Cristãos inimigos da cruz de Cristo

Falso moralistas

Contemplativos distantes.

Devo confessar que vê-los todos assim alinhados em uma coluna me deu pena. Porque, como sempre, o costume anestesia a sensibilidade. Talvez quem hoje lê que o Papa está atacando os cristãos anestesiados, não se recorda que há três dias foi a vez dos estéreis no seu formalismo. E que amanhã talvez será a vez daqueles do coração negro.

Em suma, mas como há gente ruim entre esses Cristãos, pelo menos de acordo com o Pontífice. E isso também não deixa de ser uma novidade. Eu não me recordo que seus predecessores tenham jamais expressado opiniões tão repetidas, tão cortantes e impiedosas contra as ovelhas do rebanho. E realmente, se os fiéis da Igreja Católica são essa massa de iniqüidades, é de se perguntar se os cartazes não eram realmente autênticos ou se limitavam a ser simples cartazes. Afinal de gente tão ruim assim há que se esperar de tudo! Talvez até soltem um sorriso após o próximo insulto e ainda digam: “você sabe, é o Papa… ele sempre age assim”.

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13 março, 2017

‘Viri probati’. O Celibato na mira.

Por FratresInUnum.com – 13 de março de 2017: Em Roma, fortalece-se o rumor de que a Santa Sé deveria permitir, até o fim deste ano, a ordenação de homens casados — os chamados viri probati — para a região da Amazônia. Vale buscar os arquivos de FratresInUnum.com, que tratou pela primeira vez da questão em abril de 2014, antes de qualquer outro meio de comunicação, quando o pontificado de Francisco apenas acabara de completar um ano.

Mais tarde, em abril de 2016, escrevíamos: “Estamos em condições de afirmar que o assunto [celibato] foi pauta de reunião privativa dos bispos na Assembléia da CNBB de 2015, sendo capitaneado por Dom Cláudio Hummes. Então, o arcebispo emérito pediu que os bispos do Brasil fizessem uma ‘proposta concreta’ a Francisco sobre o tema. A recém-eleita presidência da CNBB não demonstrou nenhum empenho especial pela causa, por conta divisão do episcopado brasileiro a respeito”.

Em entrevista concedida ao jornal alemão Die Zeit, publicada na semana passada, o pontífice não disse que estudaria a proposta de extinguir o celibato, mas que estudaria a possibilidade de que alguns homens casados pudessem exercer algumas funções sacerdotais, os chamados viri probati.

Afirmou o Papa:

“A vocação dos padres representa um problema enorme e a Igreja deverá resolvê-lo. No entanto, o celibato opcional, ou seja, facultativo, não é a solução, nem mesmo abrir as portas dos seminários a pessoas que não apresentam uma autêntica vocação. Já a questão dos viri probati é uma possibilidade, todavia, se deve precisar quais as tarefas que essas pessoas poderiam assumir nas comunidades “isoladas”. O Senhor disse: rezem. É isso que falta, a oração. E falta o trabalho com os jovens que procuram orientação”.

Frenesi generalizado em sites católicos pró-establishment [exemplos aqui e aqui], que se desdobram apressadamente: não é o celibato que está em jogo, mas, apenas uma exceção para casos extremos! Como se na Igreja pós-conciliar todas as excepcionalíssimas exceções — vide comunhão na mão, mulheres acólitas, etc — não se tornassem, em pouco tempo, regra absoluta inquebrantável.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e intervenha.

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9 março, 2017

Esse desastroso pontificado.

Phil Lawler é jornalista católico há mais de 30 anos. Editor de várias revistas católicas, escreveu oito livros. Fundador da Catholic World News, ele é o diretor de notícias e analista principal da CatholicCulture.org.

Por Phil Lawler, 1º de março de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Algo aconteceu na última sexta-feira, quando o Papa Francisco usou novamente a leitura do Evangelho do dia como mais uma oportunidade para promover sua visão pessoal sobre o divórcio e o segundo  casamento. Condenando a hipocrisia e a “lógica da casuística”, o Pontífice disse que Jesus rejeita a abordagem dos legalistas.

É verdade. Mas, em sua repreensão aos Fariseus, o que Jesus diz mesmo sobre o casamento?

“Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, não o separe o homem”.

…e…

“Quem se divorcia de sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra ela; e se ela se divorcia de seu marido e se casa com outro, também comete adultério.”

Dia após dia, em suas homilias na missa matinal na Casa Santa Marta, o Papa Francisco denuncia os “doutores da lei” e a aplicação “rígida” da doutrina moral Católica. Às vezes, sua interpretação das leituras da Bíblia do dia é forçada. Frequentemente, a sua caracterização dos Católicos tradicionais é insultante. Mas, neste caso, o Papa virou a leitura do Evangelho completamente de cabeça para baixo. Lendo o relato dessa assombrosa homilia feito pela Rádio Vaticano, não pude mais fingir que o Papa Francisco está apenas oferecendo uma nova interpretação da doutrina Católica. Não; é mais do que isso. Ele está empenhado em um esforço deliberado para mudar tudo o que a Igreja ensina.

Por mais de 20 anos, escrevendo diariamente sobre notícias do Vaticano, tentei ser honesto em minha avaliação das declarações e gestos papais. Às vezes, eu criticava São João Paulo II e o Papa Bento XVI, quando achava que suas ações eram imprudentes. Mas, nunca me passou pela cabeça que algum desses papas pudesse representar um perigo para a integridade da fé católica. Olhando para trás, para muito além, em toda a história da Igreja, eu percebo que existiram Papas ruins, homens cujas ações pessoais foram motivadas pela ganância, inveja, sede de poder ou simplesmente luxúria. Mas, nunca houve um Romano Pontífice que demonstrasse tanto desdém pelo que a Igreja sempre ensinou, acreditou e praticou – no que diz respeito a questões como a natureza do casamento e da Eucaristia.

O Papa Francisco gerou controvérsia desde o dia em que foi eleito como sucessor de São Pedro. Mas, nos últimos meses, a controvérsia tornou-se tão intensa, a confusão entre os fiéis tão difusa, a administração no Vaticano tão arbitrária – e as diatribes do Papa contra seus inimigos (reais ou imaginários) tão cheias de velhacaria – que hoje a Igreja universal está se jogando em direção a uma crise.

Numa grande família, como um filho deve se comportar quando percebe que o comportamento patológico de seu pai ameaça o bem estar de toda a família? Ele certamente deve continuar a demonstrar respeito por seu pai, mas ele não pode indefinidamente negar o perigo. Eventualmente, até uma família disfuncional precisa de uma intervenção.

Na família mundial que é a Igreja Católica, o melhor meio de intervenção é sempre a oração. A oração intensa pelo Santo Padre seria um projeto particularmente ideal para a época da Quaresma. Porém, a intervenção também requer honestidade: um reconhecimento sincero de que temos um problema sério.

Reconhecer o problema também pode proporcionar uma espécie de alívio, um relaxamento no acúmulo de tensões. Quando digo aos amigos que considero esse papado um desastre, percebo que, na maioria das vezes, eles se sentem estranhamente mais reconfortados. Eles podem até relaxar um pouco, sabendo que suas desconfianças não são assim tão irracionais, que outros compartilham de seus receios sobre o futuro da fé e que não precisam continuar numa busca infrutífera tentando conciliar o irreconciliável. Além disso, ao dar ao problema um nome próprio, eles podem reconhecer que esta crise não é o Catolicismo. O Papa Francisco não é um antipapa, muito menos o Anticristo. A Sé de Pedro não está vacante, e Bento XVI não é o “verdadeiro” Pontífice.

Para o bem ou para o mal, Francisco é o nosso papa. E se é para pior – como infelizmente sou levado a concluir, só posso dizer que a Igreja sobreviveu a maus papas no passado. Nós, Católicos, ficamos acostumados por décadas a desfrutar de uma sucessão de líderes de destaque no Vaticano: pontífices que eram mestres talentosos e homens santos. Nós crescemos acostumados a olhar em direção a Roma para orientação. Agora já não podemos mais.

(Eu não quero dizer com isso que o Papa Francisco perdeu o carisma da infalibilidade. Se ele decidir emitir uma declaração ex cathedra, em união com os bispos do mundo, podemos estar certos de que ele estará cumprindo seu dever de transmitir o que o Senhor confiou a São Pedro: o depósito da fé. Mas este Papa escolheu não falar com autoridade, pelo contrário, recusou-se teimosamente a esclarecer o seu mais provocador documento de Magistério.)

Mas, se não podemos contar com direções claras de Roma, para onde poderemos nos dirigir? Primeiramente, os Católicos podem confiar no constante Magistério da Igreja, nas doutrinas que agora estão sendo questionadas. Se o Papa é confuso, o Catecismo da Igreja Católica não é. Em segundo lugar, podemos e devemos pedir aos nossos próprios bispos diocesanos para dar um passo à frente e assumir as suas próprias responsabilidades. Os bispos, esses também passaram anos transferindo o ônus das questões difíceis para Roma, e agora por necessidade, eles devem providenciar suas próprias afirmações claras e decisivas da doutrina Católica.

Talvez o Papa Francisco resolva provar que eu estou errado, e quem sabe ainda pode emergir daí um grande mestre Católico. Eu espero e rezo pra que assim seja. Talvez todo o meu argumento se prove equivocado. Eu já cometi erros antes, e sem dúvida, poderia estar errado novamente; mas uma minha visão equivocada não tem grandes conseqüências. Mas, se eu estiver certo, e a atual liderança do Papa se tornar um perigo para a fé, então outros católicos, e especialmente os ministros ordenados da Igreja, devem decidir como responder. E se eu estiver certo – como claramente estou – em relação ao fato de que a confusão sobre os ensinamentos fundamentais da Igreja se tornou generalizada, então os bispos, como primeiros mestres da fé, não podem negligenciar seu dever de intervir.

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2 março, 2017

Explosivo – Antonio Socci: Cardeais da Cúria que elegeram Francisco querem convencê-lo a renunciar.

Estamos à beira do abismo. E há quem pense (depois de o terem eleito) em substituir o Papa demolidor. Eis aqui com qual cardeal!

Por Antonio Socci, Libero28 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.comDias atrás, o Der Spiegel reportava as palavras do Papa Bergoglio a alguns de seus fidelíssimos assessores: “É possível que eu entre para a história como aquele que dividiu a Igreja Católica“. E é por isso que seu amigo Eugenio Scalfari o considera como o maior “revolucionário”.

20150918cover1800-x-2400Há algum tempo, uma capa da revista Newsweek se perguntava se o Papa é católico ( “É o papa católico?”). E uma outra do Spectator o representava sentado em uma bola de demolição sob o título “Papa vs. Igreja” (o Papa contra a Igreja). Ambas retratavam um sentimento generalizado.

Com efeito, há exatos quatro anos desde a “renúncia” de Bento XVI e da erupção de Bergoglio, a situação da Igreja Católica havia se tornado explosiva, talvez estivesse mesmo no limite de um cisma mais catastrófico do que aquele da época de Lutero (que hoje está reabilitado na igreja bergogliana).

Picaretadas

A confusão é enorme porque ocorrem picaretadas até da parte de seus assessores mais próximos.

Nos últimos dias, até o novo Superior Geral dos Jesuítas (escolhido a dedo pelo próprio Bergoglio) causou incômodo pelo que disse sobre o Evangelho e sobre Jesus. Assim como o novo presidente da Academia Pontifícia para a Vida, nomeado pelo mesmo Bergoglio, que fez uma exaltação incondicional de Marco Pannella chegando a dizer: “Espero que o espírito de Marco nos ajude a viver na mesma direção”.

Na Igreja, está acontecendo de tudo. Os expoentes máximos da ideologia laicista sobre a vida estão sendo convidados com todas as honras para um simpósio no Vaticano, os cardeais que estão pedindo ao Papa para esclarecer ou corrigir os pontos errôneos da Amoris Laetitia são mal tratados. Além disso, estão para instituir as “mulheres diaconisas”, podendo mesmo chegar ao ponto de meterem a mão na liturgia para cunharem uma “missa ecumênica” com os protestantes, o que viria a marcar um ponto de não retorno.

Dias atrás, uma “bispa” protestante do Norte da Europa – com a intenção de fazer-lhe um elogio – declarou que Bergoglio se parece cada vez mais com um criptoprotestante (“verklappter protestant”).

Muitos fiéis Católicos temem que seja verdade. Por causa disso, grande parte dos cardeais que votaram nele estão profundamente preocupados e o partido curial que organizou a sua eleição e que o apoiou até agora, sem jamais dissociar-se, está cultivando a ideia (na minha opinião irrealista) de uma “persuasão moral” para convencê-lo a se aposentar. Eles já teriam inclusive o nome do homem que deverá substituí-lo para “consertar” a Igreja fragmentada.

Mas, para entender melhor o que está acontecendo, é preciso fazer uma reconstrução de como a Igreja veio parar nessa situação, talvez a mais grave dos seus 2000 anos de história.

Império Americano

É necessário partirmos do contexto geopolítico dos anos noventa, quando os Estados Unidos, considerando-se como a única potência mundial importante ainda remanescente, começou a conceber o projeto de um mundo unipolar “para um Novo Século Americano”. Fukujama anunciou o “fim da história”, isto é, como um planeta totalmente americanizado. Uma loucura, mas a última utopia ideológica do século XX.

A suposição era que – varrida do bloco soviético – a Rússia democrática, prostrada e humilhada pela americanização selvagem sob o regime de Yeltsin, não poderia jamais se recuperar, restando apenas como uma província atrasada do antigo império soviético.

Então, veio a grande crise de 2007-2008, enquanto na Rússia um novo líder, Vladimir Putin, levava o maior país do mundo a recuperar sua identidade espiritual, uma verdadeira independência nacional (econômica) e um papel internacional.

Assim, entre 2010-2016, a administração Obama/Clinton (com seu sistema anexo de poder global) desenvolveu uma estratégia global pesada destinada a isolar a nova Rússia de Putin e neutralizá-la.

Os dois pilares geopolíticos do império Obama/Clinton eram – na Europa – os fiéis vassalos alemãos liderados por Merkel e, no Oriente Médio, a Arábia Saudita.

Os parafusos

Tendo em mente  eliminar primeiramente a presença russa no Mediterrâneo e no Oriente Médio, os EUA lançaram um plano para a eliminação dos dois regimes desta área que eram antigos aliados da Rússia, ou seja, a Líbia e a Síria lideradas por Kadafi e Assad.

A ideia americana era deixar a região sob a hegemonia da Arábia Saudita, embora pareça estranho o fato de Obama ter subestimado o risco representado pelos protagonistas da chamada Irmandade Muçulmana na dita “Primavera Árabe”.

Até mesmo na Europa fomos testemunhas de outros transtornos. Em 2011, o governo italiano liderado por Berlusconi foi isolado da União Européia franco-alemã de Merkel e Sarkozy, para cair em seguida sob ataque e se ver forçado a renunciar. (Lembrem-se que Berlusconi era naquele tempo o único chefe europeu de governo com o qual Putin tinha um relacionamento cordial).

Depois vimos a desestabilização direta da área russa com o fogo de guerra na Ucrânia, fornecendo o pretexto ideal para a OTAN trazer toda a Europa do Leste, até as fronteiras da Rússia, sob o seu protetorado. Chegando mesmo ao ponto de fazer manobras militares perigosas na fronteira, criando um clima de guerra fria.

Por outro lado, é já de algum tempo que grande parte da mídia ocidental está fortemente concentrada no ataque contra Putin, uma criminalização curiosa, se considerarmos o que os americanos – com as suas “guerras humanitárias” – estavam fazendo.

Colonização ideológica

Enquanto isso, Obama – no seu segundo discurso de posse – lançava também uma ofensiva ideológica que visa impor ao mundo uma nova antropologia liberal e relativista (casamento gay, ideologia de gênero…etc).

É um projeto global que tenta desconstruir (além da identidade sexual) a identidade nacional, cultural e religiosa através do fenômeno da imigração de massa.

O próprio Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, exalta a imigração como uma nova fronteira do progresso contra a qual ninguém deve se opor. O fenômeno então explode: entre 2010-2016 há um vertiginoso aumento nas massas de migrantes que se dirigem para a Europa, primeiramente atravessando a Itália e a Grécia. Nesse meio tempo, o que acontece na Igreja? Desde 2010 nós assistimos uma pressão muito pesada, tanto interna como externamente, contra o pontificado de Bento XVI que, em fevereiro de 2013, “renuncia”.

Nesses últimos dias, alguns intelectuais católicos americanos pediram publicamente a Trump para abrir uma investigação para apurar – considerando alguns documentos divulgados pelo Wikileaks – se houve, entre 2012 e 2013, interferência americana para uma “mudança de regime”  também no Vaticano.

Mas vamos nos ater aos fatos públicos.

Caso Bergoglio

Em 2013, foi eleito papa Bergoglio que joga para escanteio o magistério dos papas anteriores, inconvenientes demais para a ideologia dominante (não mais princípios inegociáveis, nem raízes cristãs da Europa, nem o confronto viril com o Islã como no discurso de Regensburg). Bergoglio adere então à agenda Obama: viva a imigração em massa, abraça o Islã e o ambientalismo catastrófico. Mas, adere igualmente à agenda alemã, que vai no sentido de uma protestantização da Igreja Católica.

Com efeito, são dois os partidos que o elegeram: o partido progressista liderado pelos cardeais alemães (que estavam alinhados ao cardeal Martini e ao grupo de St. Gallen.) e o “partido da Cúria” que mal tolerava Bento XVI e queriam retomar o controle da Igreja.

E é esse último, que apoiou todo o pontificado de Bergoglio, que hoje pretende levar ao papado o atual secretário de Estado Pietro Parolin.

A motivação adotada é aquela de “recosturar” a Igreja para evitar um racha trágico. Há certamente uma preocupação séria por causa da confusão e da dissolução de hoje. Mas, muitos acreditam que a bússola deste partido foi sempre o poder eclesiástico, que hoje se encontra limitado pela “cúria paralela” criada na Casa Santa Marta.

Eles confiam no fato de que o próprio Bergoglio já havia falado no passado sobre uma sua possível renúncia e que em 2015 disse: “para todos os serviços na Igreja é conveniente que haja um prazo de expiração, não existem líderes vitalícios na vida da Igreja. Isso só acontece em alguns países onde existe ditadura“.

Portanto, estaria Bergoglio pronto a renunciar? Provavelmente eles estão enganando a si mesmos.

Antonio Socci

Do “Libero”, 28 de fevereiro de 2017

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