Posts tagged ‘O Papa’

10 julho, 2018

Cardeal Sarah é o preferido por jovens Norte-americanos.

Por Hermes Rodrigues Nery, 10 de julho de 2018, FratresInUnum.com – Tendo passado dez dias nos Estados Unidos (de 1º a 10 de junho), pude conversar com várias lideranças de movimentos conservadores católicos, religiosos e leigos, e o sentimento geral é de insatisfação com as controvérsias do pontificado de Francisco. Todos expressaram que ninguém ousa falar algo, pois retaliações internas seriam imediatas e fulminantes para carreiras eclesiásticas. Em particular, nos disseram como as vozes conservadoras têm sido desestimuladas e não são poucos os casos de perseguição aos que ousam fazer questionamentos em público. “Que revolução quer Francisco?” é uma pergunta que até agora não se sabe muito bem a resposta.

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Cardeal Robert Sarah.

A revolução avança com muito mais força, porque tem apoio de bispos e cardeais em posições chaves. As insatisfações são manifestadas em conversas privadas. O ambiente nos seminários não tem sido tão confortável, pois jovens seminaristas e padres aprendem a ouvir, evitam bater boca, mas, depois, entre si, alguns comentam (com o realismo cristão) que a base do catolicismo está no Catecismo, na Tradição da Igreja, no ensinamento dos doutores da Igreja, na vida dos santos, nas encíclicas papais e no testemunho vivo da história bimilenar da Igreja, e não no proselitismo liberal que querem impor, como se seminaristas e padres não tivessem acesso a informações, especialmente ao rico passado da Igreja. “Não pensávamos que o passado seria tão importante para nós, vivendo no começo do século 21. A novidade de hoje é a Tradição da Igreja, o seu rico patrimônio no testemunho dos santos”. Em uma das bibliotecas, encontro um jovem padre dedicado ao estudo do grego, da Sagrada Escritura, dos clássicos da literatura católica, dos grandes santos. É esse alimento que buscam para não se deixarem iludir pelo nevoeiro que tomou conta em muitos ambientes. Um deles lembra com que alegria aguardava uma encíclica papal, quando podia ter balizas seguras do ensinamento da Igreja sobre temas atuais, mas isso não ocorreu, por exemplo, com a Laudato Si, nem com a Exortação Apostólica Amoris Laetitia. “Tudo o que não poderia acontecer para um católico era justamente isso: ler um documento do papa e não estar convencido 100% em tudo o que está lá, ter brechas que foram questionadas inclusive por Cardeais, como no caso dos Dubia, cujas indagações não foram respondidas até agora pelo papa”.

É preciso prudência, é o que pedem todos. “Rezemos por Francisco, ele mesmo nos pede orações desde o primeiro instante em que apareceu no balcão da Basílica de São Pedro”. Mas há também problemas práticos, de dia-a-dia, de tensões e apreensões que até então não se esperava, onde não deveria haver receios. Alcoolismo e homossexualismo assombram. Nem todos têm força para suportar provações. Um deles me conta o horror que foi ter lido as memórias do Arcebispo Rembert Weakland, de Milwaukee, que se declarou gay e questionou publicamente o ensinamento da Igreja sobre a homossexualidade. “Nunca pude entender como um sacerdote, elevado a Arcebispo, fizera o que fizera.” E mais: “Em tempos de internet, quando tudo está disponível, agravam-se ainda mais todas as tentações nesse campo”. E ainda: “O fato é que os bispos e cardeais deveriam ser menos ambíguos na exposição do ensinamento da Igreja, e a tibieza de muitos favorece a fraqueza de tantos, com os efeitos terríveis disso”. E lembrou a resposta do papa Francisco, em 2013, “quem sou eu para julgar?”, que trouxe ainda mais dificuldade para muitos no discernimento que se faz necessário, no contexto do relativismo, mesmo agindo às vezes com a tática do morde-assopra, sendo ambíguo aqui, categórico ali.

Tudo isso tem tornado mais difícil para muitos defenderem a moral católica, duramente atacada por todos os lados. Outro ainda me perguntou sobre o Sínodo Pan-Amazônico,  em 2019: “Parece que querem mesmo acabar com o celibato. Será mesmo que isso vai acontecer?”. E outro considera a possibilidade de Bergoglio renunciar. “E então, se Bento XVI ainda estiver vivo, teremos três papas? Espero sinceramente que isso não ocorra”. O fato é que Francisco é uma incógnita, uma interrogação, e não há quem deixe de reconhecer que o seu pontificado é problemático muito mais para os católicos do que para os não crentes. E o mais surpreendente nas conversas com os jovens norte-americanos é que torcem para que o Cardeal Robert Sarah seja eleito o próximo papa.

6 julho, 2018

Fraternidade São Pio X, há 30 anos da ruptura com Roma. Entrevista com Bernard Fellay.

IHU – No dia 29 de junho, completaram-se 30 anos desde que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada em 1970 pelo arcebispo Marcel Lefebvre, separou-se de Roma.

A reportagem é de Regina Einig, publicada em Tagespost e republicada em Settimana News, 01-07-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

0760d-mgr_fellay_itv_1_bisDe acordo com os dados fornecidos pela própria fraternidade (em 1º de janeiro de 2018), hoje ela está assim constituída:

– 1 casa generalícia;
– 6 seminários;
– 6 casas de formação;
– 14 distritos;
– 4 casas autônomas;
– 167 priorados;
– 772 igrejas, capelas e centros de missa;
– 2 institutos universitários;
– mais de 100 escolas;
– 7 casas de repouso;
– 4 (-1) bispos;
– 637 sacerdotes;
– 204 seminaristas;
– 56 pré-seminaristas;
– 123 frades;
– 195 freiras;
– 79 oblatos;
– 4 carmelitas;
– 19 irmãs missionárias no Quênia.

Fraternidade está presente em 37 países e atende a 35 outros, desempenhando seu apostolado, no total, em 72 países ao redor do mundo. Inúmeras ordens de rito latino e de rito oriental estão conectadas a ela.

Desde 1994, quem está à frente da Fraternidade é Dom Bernard Fellay, que espera poder chegar a uma reconciliação com Roma. Mas com quais condições?

Sobre essa questão e sobre os fatos dos 30 anos de separação, o jornal semanal católico alemão Tagespost, na quinta-feira passada, 28 de junho, publicou a seguinte entrevista.

Eis a entrevista.

Excelência Dom Fellay, como o senhor entendeu, há 30 anos, a consagração episcopal? Para o senhor, foi uma separação definitiva por parte da Fraternidade São Pio X em relação a Roma, ou uma etapa intermediária do conflito em vista de uma reconciliação?

Se tivesse se tratado de uma separação de Roma, eu não estaria aqui hoje. O arcebispo (Lefebvre) não teria me consagrado por essa razão, e eu também a teria rejeitado. De fato, não se tratava de uma separação da Igreja, mas sim de um afastamento do espírito moderno, dos frutos do Concílio. Agora, também há outros que admitem que se tratou de algo que se desenvolveu de maneira equivocada. Muitas considerações e muitos aspectos que combatemos no passado e que combatemos hoje também são confirmados por outros atualmente. Nunca dissemos que o Concílio afirmou diretamente heresias. Mas sim que foi removido o muro de defesa contra o erro, e, desse modo, permitiu-se que ele entrasse. Os fiéis precisam de proteção. Nisso consiste a luta constante da Igreja para defender a fé.

Mas nem todos aqueles que criticam o “Concílio das mídias”, incluindo o Papa Emérito Bento XVI, pensam em um conflito até a excomunhão. Por que vocês não fortaleceram as fileiras daqueles que são fiéis à tradição na Igreja e combatem pela verdade em união com Roma?

Isso se deveu em parte à história da França. A partir da Revolução Francesa, uma boa parte dos católicos franceses combate contra o erro do liberalismo. Por isso, aqui, os acontecimentos, durante e após o Concílio, foram percebidos de maneira muito mais sensível e atenta do que na Alemanha. Não se tratava de erros evidentes, mas sim de tendências, de abertura de portas e janelas. As reformas que se seguiram demonstraram isso mais claramente do que o próprio Concílio. O problema se condensou sobre a nova missa. Em Roma, disse-se ao arcebispo Lefebvre aut aut: “Se o senhor celebrar a nova missa, está tudo bem”. Os nossos argumentos contra a nova missa não importavam nada. Enquanto isso, o missal de Paulo VI foi composto com a colaboração de teólogos protestantes. Se somos forçados a celebrar essa missa, então realmente surge um problema. E nós fomos levados a fazer isso.

A recusa de vocês em relação à nova missa reforçou no senhor e também no arcebispo Lefebvre a convicção de que a separação de Roma é vontade de Deus?

Insisto em dizer: nós nunca nos separamos da Igreja.

Mas o fato da excomunhão fala por si só. Por que o Papa Bento XVI teria que removê-la?

No direito católico de 1917, a consagração episcopal sem mandato do papa não é considerada um cisma, mas apenas um abuso de poder e sem excomunhão. Toda a história da Igreja tem outra visão do problema da consagração episcopal sem mandato do papa. Isso é muito importante.

Por que é tão importante? Em 1988, já estava em vigor o novo código da Igreja – e o Código de Direito Canônico de 1917 também obriga o bispo à fidelidade à Santa Sé.

Estávamos em um estado de necessidade, porque Roma havia nomeado um bispo para nós. No encontro entre o cardeal Ratzinger e o arcebispo Lefebvre, em 5 de maio de 1988, havia-se falado da data da consagração. O arcebispo Lefebvre e o cardeal Ratzinger não conseguiram chegar a um acordo. O arcebispo Lefebvre tinha uma proposta. Tenho certeza de que se, na época, o cardeal Ratzinger tivesse confirmado o dia 15 de agosto como data, sem mudar o candidato, o arcebispo teria aceitado. Mas a data permaneceu em aberto. Quando o arcebispo perguntou ao cardeal: “Por que não no fim do ano?”, ele recebeu esta resposta: “Não sei, não posso dizer”. O arcebispo pensou que estavam brincando com ele. Certamente, foi um ponto de desconfiança. E a desconfiança permaneceu até hoje como uma palavra-chave da nossa história. Nós trabalhamos para superá-la, e então sempre surge algo – é realmente cansativo.

(Nota da redação do Tagespost: o papa emérito informou a redação do Tagespost que não se lembra mais dos detalhes, mas que tem certeza de que os problemas pessoais desempenharam apenas um papel secundário. João Paulo IItinha consentido claramente com uma consagração episcopal. Mas, acrescentou o então cardeal Ratzinger, definir uma data não era tarefa sua. Ao término do colóquio, o arcebispo Lefebvre tinha assinado o protocolo que – se tivesse permanecido no “sim” – teria significado o acordo. Um colaborador da Congregação para a Doutrina da Fé, no dia seguinte, como combinado, tinha ido ao encontro de Lefebvre em Albano para retirar o documento. Para o pânico de todos, Lefebvredeclarou que não havia dormido toda a noite e que tinha chegado à conclusão de que queriam se usar do acordo para destruir a sua obra.)

Por que o cardeal Ratzinger, grande especialista e defensor da Tradição católica e amigo da missa tradicional, não conseguiu tranquilizar a desconfiança do arcebispo?

Ele não entendeu como eram profundas as razões do arcebispo e a desorientação dos fiéis e dos padres. Muitos não aguentavam mais escândalos e desconfortos pós-conciliares, e também o modo em que a nova missa era celebrada. Se o cardeal Ratzinger tivesse nos compreendido, ele não teria agido isso. E acho que ele se arrependeu. Por isso, como papa, tentou reparar os danos com o motu proprio e remover a excomunhão. Somos-lhe realmente gratos pelas suas tentativas de reconciliação.

Mas o cardeal Ratzinger, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, também teve que ter em mente as reações dos outros fiéis. Por exemplo, irritava que os membros da Fraternidade São Pio X contradissessem pontos tão importantes quanto o problema da validade da missa. Muitos de seus membros pensam que, ao participar da nova missa, considerada por eles como “herética”, não cumprem a obrigação dominical.

Eu nego isso decisivamente. Nós já falamos da invalidez de muitas missas. Mas dizer que todas as missas são inválidas não corresponde à linha da Fraternidade. É algo que nunca dissemos. Na discussão com Roma, sempre enfatizamos que reconhecemos a validade da nova missa, se for celebrada de acordo com os livros e a intenção de fazer aquilo que a Igreja tem o mandato de cumprir. A esse respeito, é preciso distinguir entre válido e bom.

Onde está a diferença na sua opinião?

nova missa tem lacunas e esconde perigos. Naturalmente, nem toda nova missaconstitui diretamente um escândalo, mas a celebração repetida da nova missa leva a uma fé fraca e até à sua perda. Vemos como todos os dias são cada vez menos os padres que ainda acreditam na presença real. Na velha missa, a liturgia alimenta a fé. Vamos à rocha, somos fortalecidos nessa fé. Algumas ações nos levam ainda mais à fé, por exemplo, a fé na presença real, no sacrifício – somente ajoelhando-nos, através do silêncio, a atitude do padre. Na nova missa, a pessoa precisa levar a fé consigo, ela não a recebe diretamente do rito. O rito é insípido.

Mas, mesmo antes da reforma litúrgica, havia padres com uma fé fraca, modernistas e heréticos. Aqueles a quem o senhor chama de Padres conciliares liberais cresceram todos com a velha missa e foram consagrados de acordo com o velho rito. O senhor acha que as conversões que ocorrem hoje, mesmo através da nova missa – pense nos Nightfevers –, são um autoengano?

Não, não digo isso. Digo apenas isto: se você recebe o presidente de um Estado, na escolha entre um trompete de prata e um de latão, pega o de latão? Seria uma ofensa: uma coisa que não se faz. E as melhores novas missas também são como um trompete de latão em comparação com a velha liturgia. Pelo bom Deus, é preciso escolher o melhor.

Recentemente, o senhor disse em um sermão: “Como vocês podem ousar celebrar uma missa tão pobre, tão vazia e insípida? Não se honra a Deus desse modo”. Mas a nova missa para os católicos é ainda hoje o tesouro mais precioso das suas vidas, e ainda hoje a Igreja gera mártires e santos. Por que o senhor não ressalta isso na pregação?

Concordo que, na discussão teológica, é preciso distinguir. Mas, em um sermão, não se pode apresentar tudo de forma tão teológica. Também é preciso um pouco de retórica para sacudir um pouco os ânimos e para abrir os olhos das pessoas.

O Papa Francisco quer estender a mão à Fraternidade Sacerdotal para uma reconciliação. O senhor ainda pensa em um acordo ou este kairós é uma oportunidade perdida?

Eu sou otimista. Mas não posso antecipar a hora de Deus. Se o Espírito Santo é capaz de influenciar o atual pontífice, então ele também fará o mesmo com o próximo. Foi o que efetivamente aconteceu. Também com o Papa Francisco. Quando ele foi eleito, pensei: agora chegará a excomunhão. Em vez disso, um caso contrário foi o cardeal Müller, que queria que a excomunhão chegasse, mas o Papa Francisco recusou. Ele me disse pessoalmente: “Não quero condená-lo”. A reconciliação chegará. A nossa Mãe Igreja está atualmente dilacerada de maneira incrível. Os conservadores nos querem e também disseram isso à Congregação para a Doutrina da Fé. Os bispos alemães, ao contrário, não nos querem de modo algum. Roma deve levar em conta todos esses elementos – podemos entender isso. Se nós fôssemos assim, simplesmente, haveria uma guerra na Igreja. Existe o medo de que possamos triunfar. O Papa Francisco disse aos jornalistas: “Cuidarei para que não haja nenhum triunfo”.

Mas as tensões e os medos também existem entre os membros da Fraternidade São Pio X. Na França, muitos padres e leigos se separaram da Fraternidade, porque as negociações com o Vaticano já suscitaram desconfiança. Como os irmãos de São Pio X poderiam aceitar uma reconciliação com Roma?

Isso dependerá do que Roma quiser de nós. Sigamos em frente assim e demo-nos garantias – então ninguém irá embora. A desconfiança está no medo de ter que acolher o novo. Se nos pedirem para percorrer estradas novas, então ninguém vai nos seguir.

O que lhe dá tanta certeza de que todos poderão lhes seguir? Bastou o anúncio dos diálogos para despertar uma forte inquietação e para provocar saídas significativas. Que conclusão poderia tranquilizar os seus membros? Mesmo depois de um acordo, a desconfiança não desapareceria.

É verdade. Existe uma atitude amigável, existe benevolência. Há anos, trabalhamos com Roma para restabelecer a confiança. E fizemos grandes progressos, apesar de todas as reações. Se chegarmos a um acordo razoável com condições normais, serão muito poucos os que irão embora. Eu não temo uma nova cisão na tradição, se for encontrada a solução justa com Roma. Nós devemos questionar certos pontos do Concílio. Os nossos interlocutores em Roma nos disseram: os pontos principais – liberdade de consciênciaecumenismonova missa – são problemas em aberto. Trata-se de um progresso incrível. Até agora se dizia: vocês devem obedecer. Agora, os colaboradores da Cúria dizem: vocês deveriam abrir um seminário em Roma, uma universidade para a defesa da tradição. Não é mais tudo preto e branco.

Como deveria ser uma solução razoável?

Uma prelazia pessoal.

Se a forma jurídica já foi encontrada e os diálogos com Roma correram bem, por que razão faltou o passo decisivo até agora?

No ano passado, o arcebispo Pozzo nos disse que a Congregação para a Doutrina da Fé havia aprovado o texto que deveríamos assinar. Devíamos estar de acordo com uma prelazia pessoal. Um mês e meio depois, o cardeal Müller decidiu rever o texto e pedir uma aceitação mais clara do Concílio e da legitimidade da santa missa. Primeiro, tinham aberto canais de discussão para nós. Depois, foram fechados. O que realmente se quer de nós? Aqui o diabo está no meio. É uma luta espiritual.

Pessoalmente, o senhor tem confiança no Papa Francisco?

Temos uma relação muito boa. Quando lhe informamos que nos encontramos em Roma, a sua porta está aberta. Ele sempre nos ajuda através de pequenos passos. Por exemplo, ele nos disse: “Tenho problemas quando faço algo de bom para vocês. Eu ajudo protestantes e anglicanos – por que não posso ajudar católicos?”. Existem vários que querem impedir o acordo. Nós somos um fator de perturbação na Igreja. E o papa se encontra no meio disso.

1 julho, 2018

Foto da semana.

Papa cardeais

Papa Francisco e novos cardeais visitam Bento XVI

Papa Francisco e os novos cardeais no Mosteiro “Mater Ecclesiae” com o Papa emérito Bento XVI.

VaticanNews – A Sala de Imprensa da Santa Sé refere numa nota que após o Consistório Ordinário Público, desta quinta-feira (28/06), na Basílica Vaticana, o Papa Francisco e os novos cardeais, a bordo de duas vans, foram ao Mosteiro “Mater Ecclesiae” para encontrar o Papa emérito Bento XVI.

Na capela, todos juntos rezaram a Ave-Maria. Depois de uma breve saudação e a bênção de Bento XVI, os catorze novos cardeais voltaram à Sala Paulo VI e à Residência Apostólica para a visita de cortesia.

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25 junho, 2018

Cinco anos de Francisco. Uma alternativa: Resistência!

Por FratresInUnum.com – 25 de junho de 2018: O problema deixou de ser intra-eclesial há muito tempo! Invasão de terras, multiculturalismo, ecologismo psicótico, globalismo, favorecimento do islã, abertura irresponsável às imigrações, apoio total às esquerdas, omissão em reprovar o aborto, feminismo dogmático, apoio tácito à revolução homossexual, desculpabilização do adultério…

Lançamento do livro do Sr. Ureta em Roma.

Há dez anos, se alguém cogitasse a ideia de que haveria um papa que apoiasse essas bandeiras, seria taxado como louco. No entanto, o “impossível” realizou-se: há cinco anos, os católicos fieis precisam suportar o martírio de um papa que promove tudo que a doutrina da Igreja sempre reprovou.

Não se trata de querelas internas do clero católico ou de bizantinismos absurdos. Estes conceitos são o instrumento com que o Papa Francisco está bagunçando todo o ocidente e, para dizê-lo de modo direto, com que ele está afetando a tua vida, caro leitor.

Diante disso, o que fazer?

No último sábado, em Roma, foi lançado um volume escrito pelo Sr. José Antônio Ureta, membro da TFP francesa, intitulado: “A ‘mudança de paradigma’ do Papa Francisco. Continuidade ou ruptura na missão da Igreja?. Balanço quinquenal do seu pontificado” [a edição eletrônica do livro pode ser gratuitamente baixada neste link], em que ele pacientemente analisa esta problemática.

Recolhendo uma vasta documentação, partindo das próprias palavras do Papa Francisco, o autor demonstra como ele está efetivamente realizando uma “mudança de paradigma”, uma “revolução cultural” mediante as “inovações” que está implementando na própria Igreja e, através dela, na sociedade.

Diante desse panorama desolador, o autor recorda a legitimidade do direito que assiste os fieis católicos de resistir! Assim como São Paulo declara ter resistido a São Pedro, o primeiro Papa, porque ele se tornara censurável (cf. Gal. II,11), é-nos consentido de resistir contra-revolucionariamente, pacífica e respeitosamente, sem cindir a unidade da Igreja, permanecendo em nossa posição de católicos e tomando as prudentes distâncias de quem quer que esteja a demolir o edifício da nossa fé.

No próprio sábado, dia 23 de junho, o Instituto Plínio Correia de Oliveira, em adesão e fidelidade aos ensinamentos do líder católico brasileiro cujo nome ostenta e como um eco daquele ato de resistência ante à política de distensão vaticana para com os governos socialistas que ele publicou em 1974, veio à público com uma declaração de apoio à publicação do Sr. Ureta e cerrando fileiras em torno desta mesma posição de decidida resistência [a declaração do IPCO pode ser lida neste link].

Diante da perplexidade que marca este período doloroso da história da Igreja, diante da pergunta que muitos nos fazem: “o que fazer?”, diante do sentimento de impotência que há no coração de tantos católicos inconformados, desejosos de não se omitir, de fazer algo pelo Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, de manifestar-se dalguma maneira, cremos que a iniciativa vem em boa hora, quase como uma resposta à ingente necessidade de reagir diante da ameaça que nos aflige.

Sugerimos aos nossos leitores a leitura e difusão do presente material. Não podemos cruzar os braços! Deus, Nosso Senhor, espera de nós uma atitude. Nossa Senhora de Fátima quer servir-se de nossa fidelidade como instrumento para o triunfo do seu Coração Imaculado!

Ut adveniat Regnum Iesu, adveniat Regnum Mariae!

21 junho, 2018

Papa na entrevista a Reuters: Chile, imigração e diálogo com a China.

Imigração, futuro da Igreja, reformas no Vaticano, mas também o problema de abuso sexual no Chile e o acordo com a China sobre a nomeação de novos bispos. São os temas abordados pelo Papa na ampla entrevista concedida, no último domingo (17/06), à agência de notícias Reuters.

Cidade do Vaticano – Vatican News

O Papa Francisco concedeu uma entrevista ao jornalista Philip Pullella da agência de notícias Reuters.

Na entrevista, o Pontífice aborda várias questões e explica que o populismo não é a resposta aos problemas da imigração.

Em que ponto estão as relações de reaproximação com a China?

Papa: “Estamos em um bom ponto, mas as relações com a China seguem por três caminhos diferentes. Antes de tudo o caminho oficial, a delegação chinesa vem a Roma, fazemos reuniões e depois a delegação vaticana vai à China. Há boas relações e conseguimos fazer muitas coisas positivas. Este é o diálogo oficial.

Depois há o segundo diálogo, de todos e com todos. “Sou o primo do ministro fulano que mandou dizer que…” e sempre há uma resposta. “Sim, está bem, vamos em frente”. Existem estes canais abertos periféricos que são, digamos assim, humanos e não queremos interrompê-los. Pode-se ver a boa vontade tanto por parte da Santa Sé quanto por parte do governo chinês.

O terceiro, que para mim é o mais importante no diálogo de reaproximação com a China, é cultural. Há sacerdotes que trabalham nas universidades chinesas. E também consideramos muito a cultura como a mostra que fizemos no Vaticano e na China, é o caminho tradicional, como o dos grandes, como Matteo Ricci.

Agrada-me pensar nas relações com a China assim, multifacetado, não se limitar apenas ao oficial diplomático, porque os outros dois caminhos enriquecem muito. Acredito que vai bem. Na sua pergunta, o senhor falou de dois passos para frente e um para trás, mas eu digo que os chineses merecem o prêmio Nobel da paciência, porque são bons, sabem esperar, o tempo é deles e têm séculos de cultura… é um povo sábio, muito sábio. Eu respeito muito a China.”

Como o senhor responde às preocupações como as do cardeal Zen?

Papa: “O cardeal Zen lecionava Teologia nos seminários patrióticos. Creio que esteja meio assustado. A idade também influencia um pouco. É uma boa pessoa. Veio falar comigo, o recebi, mas está um pouco assustado. O diálogo é um risco, mas prefiro o risco do que a derrota certa de não dialogar. No que se refere ao tempo, alguns dizem que são os tempos chineses. Eu digo que são os tempos de Deus, avante, tranquilos.”

Falemos das mulheres. O senhor disse que as mulheres são essenciais para o futuro da Igreja. As mulheres pedem mais cargos de responsabilidade na Cúria?

Papa: “Concordo que devem ser mais. Para colocar uma mulher como vice-diretora da Sala de Imprensa, tive que lutar. Entre os candidatos que estou entrevistando para o cargo de Prefeito da Secretaria para a Comunicação, havia também uma mulher, mas ela não podia por ter outros compromissos. São poucas, é preciso colocar mais mulheres. Agora nomeei duas mulheres para o cargo de subsecretárias do Dicastério para os Leigos, Família e Vida. Neste sentido é preciso ir adiante segundo a qualidade. Não tenho nenhum problema em nomear chefe de um dicastério uma mulher, se o Dicastério não há jurisdição. Por exemplo, o do Clero tem jurisdição, deve ser um bispo, mas os dicastérios sem jurisdição são muitos. Até o da Economia eu não teria problema em nomear uma mulher competente. Estamos atrasados, concordo, mas temos que ir adiante.”

Leiga ou religiosa? Ou todas as duas?

Papa: “É o mesmo, não importa. Mulheres. Também nos Conselhos deve haver mulheres. Tenho a experiência de Buenos Aires. Antes fazia uma reunião com os conselheiros padres sobre um tema que era preciso resolver, mas depois debatia o mesmo tema com um grupo misto e o resultado era muito melhor. As mulheres têm uma capacidade de entender as coisas, é outra visão. Há também a experiência que tive aqui nos cárceres. Visitei muitos cárceres e os cárceres que estão sob a direção de uma mulher parecem melhores. Lembro-me que uma vez fui a uma prisão, uma daquelas prisões não muito grandes, mas bem protegida, e a diretora era uma mulher, de sessenta anos, mais ou menos. Depois da missa, houve um refresco. Ela dizia: “você faz isso, e a música, a tarantella…”. Era uma mãe. Quem estava triste ali dentro ia até ela. As mulheres sabem como administrar bem os conflitos. Nestas coisas as mulheres são melhores. Acredito que seria assim também na Cúria, se houvesse mais mulheres, mesmo que alguém tenha dito que haveria mais fofoca. Mas eu não acredito porque os homens também são fofoqueiros.”

Como responde a uma mulher que realmente sente forte o desejo de se tornar sacerdote?

Papa: “Existe a tentação de “funcionalizar” a reflexão sobre as mulheres na Igreja, que devem fazer isso,  que devem se tornar aquilo. Não, a dimensão da mulher vai além da função. É uma coisa maior. Voltemos a Hans Urs Von Balthasar, que concebe a Igreja com dois princípios: o princípio petrino que é masculino, e o princípio mariano que é feminino e não há Igreja sem mulheres. A Igreja é mulher, esposa de Cristo, é  mulher dogmaticamente e sobre isso devemos aprofundar e trabalhar e não ficarmos tranquilos porque funcionalizamos as mulheres. Sim, devemos dar uma função, mas isso é pouco, devemos ir além. Com a ordem sagrada não é possível, porque dogmaticamente não funciona e João Paulo II foi claro e fechou a porta e eu não retorno sobre isso. Era uma coisa séria, não um capricho. Mas não devemos reduzir a presença da mulher na Igreja com funcionalidade. Não, é algo que o homem não pode fazer. O homem não pode ser a esposa de Cristo. É a mulher, a Igreja, a esposa de Cristo. No Cenáculo, Maria parece ser mais importante que os Apóstolos. Devemos trabalhar sobre isso e não cair, digo com respeito, numa atitude feminista. No final seria um machismo com a saia. Não devemos cair nisso. Na Igreja existem diferentes funções, e também as mulheres podem ser chefes de um Dicastério. Isto há uma função, mas deve ser mais que a função. É outra dimensão de unidade, de acolhimento e de esposa. A Igreja é esposa.”

 Falemos sobre a situação de abuso sexual na Igreja, que recentemente veio à tona com o escândalo no Chile.

Papa: “Eu não queria falar sobre isso agora, mas tenho que dizer. Procurem as estatísticas. A grande maioria dos abusos ocorre no âmbito familiar e nos bairros, com os vizinhos, as famílias, depois nas academias, nas piscinas, nas escolas e também na Igreja, mas alguém pode dizer (os padres) são poucos, mas mesmo se fosse somente um (padre) seria trágico porque aquele sacerdote tem o dever de levar aquela pessoa a Deus e destruiu o caminho para chegar a Deus. Nisto, não me importam as estatísticas, é um drama geral para o qual a sociedade deve olhar mais ainda e também ver a maneira como lida com esse problema.

Falemos da Igreja. Isso eclodiu, claramente, nos tempos de Boston, digamos assim. Sabemos que as pessoas eram transferidas daqui para lá, porque não havia consciência da gravidade disso. Mas a Igreja se despertou e a lição que aprendi não é original. Tinha aprendido São João Paulo II com os cardeais dos Estados Unidos no caso de Boston. Aprendeu Bento XVI com os bispos da Irlanda. Eu tive que tomar uma decisão. Como foi no caso do Chile? Eu estudei as coisas, as denúncias com as informações que estavam aqui. Fiz examinar, me ajudaram e eu procedi de acordo com aquilo.

O problema do pe. Karadima é muito complexo porque ali se mistura a elite chilena com situações sociopolíticas. As famílias entregavam os filhos a Karadima porque acreditavam que a doutrina era segura e ninguém sabia o que estava acontecia ali dentro. Karadima é um doente grave. É um homem cujo caso vocês estudaram. Há 4 Bispos que saíram dos 40 que ele preparou no seminário e quando eu transferi Barros, de ordinário militar a Bispo de Osorno, tudo estourou. Fiz com que fosse estudado o caso Barros e não aparecia nada de consistente nas informações que tinham no Vaticano.

Voltei da viagem ao Chile inquieto, “isso não se explica”, pensei. Aqui há algo que vai além da propaganda ou alguma tomada de posição anticlerical. Pensando e pensando, pedi conselho e decidi enviar uma visita canônica, mons. Scicluna, que voltou com um relatório de 2.300 páginas de declarações de 64 pessoas. Estourou uma coisa que não se entendia, e quando vi isso, decidi convocar os bispos. Era a única coisa a ser feita. Com boa vontade escrevi uma carta de 12-13 páginas somente a eles. Na reunião eu expliquei a eles durante meia-hora e depois os convidei a rezar durante um dia e depois no outro dia começou reunião. No final eles disseram “queremos que o Senhor se sinta livre, apresentamos as renúncias”. Eu fiquei quieto e eles fizeram assim. Foi um gesto generoso, muito, porque perceberam que as coisas escritas na nota que lhes dei eram sérias. Era uma carta privada, mas que depois saiu no Chile. Eles me pediram para escrever uma carta ao povo chileno e eu fiz. Depois comecei a investigar, caso por caso, e aceitei três renúncias, incluindo duas com limite de idade, mas com problemas muito sérios nas dioceses. Eu me perguntei o que aconteceu no Chile que de mais de 70% da população que apoiava a Igreja caiu para menos de 40%. É um fenômeno difícil de entender. Acredita-se que ali exista algo de um elitismo oculto, mas é uma opinião. Certamente, é o trabalho do espírito do mal.”

O senhor pretende aceitar outras renúncias dos bispos no Chile?

Papa: “Talvez alguma. Tenho ainda de aceitar as renúncias de dois que superaram os limites de idade. Mas talvez há outro do qual aceitarei a renúncia. Em um caso, pedi que as acusações fossem dadas a ele para que pudesse se defender das acusações e depois veremos.”

Como julga o trabalho do presidente Trump, em particular, suas decisões de retirar os Estados Unidos do acordo de Paris sobre mudança climática e recuar nas relações com Cuba?

Papa: “Em relação a Cuba me entristeci porque foi um bom passo avante, mas não quero julgar porque para tomar uma decisão desse gênero deve ter tido algum motivo.

Sim, a decisão do presidente Trump sobre Paris também me entristeceu porque o futuro da humanidade está em jogo. Mas ele às vezes nos faz entender que repensará e eu espero que repense bem nos acordos de Paris.

Em relação à minha posição sobre outras coisas, uno-me ao episcopado e vou atrás dele. Não para lavar as mãos, mas porque não conheço bem as coisas. O episcopado sabe e eu vou atrás das declarações do episcopado.”

O que pensa da situação atual em que nos últimos meses cerca de 2.000 menores foram divididos das famílias, dos pais, na fronteira com o México?

Papa: “Eu apoio o episcopado. Que fique claro que nestas coisas eu respeito o episcopado.”

O senhor sempre se preocupou com a imigração e a separação das famílias.

Papa: “Sim. É por isso que apoio o episcopado que trabalhou muito. Mas nos tempos de Obama, celebrei a missa em Ciudad Juárez, na fronteira, e do outro lado concelebraram 50 bispos, e havia muitas pessoas no estádio. Ali, já havia o problema, não é apenas de Trump, mas também dos governos precedentes.”

A reforma da Cúria é suficiente?

Papa: “Acredito que podemos agrupar todos sob a reforma da Cúria, porque é algo amplo. Mas houve também outras coisas, como por exemplo a reforma do direito matrimonial e os dois Motu Proprio. Isso foi uma coisa histórica, porque havia coisas antigas. Também historicamente feitas para um conflito, como a sentença dupla.”

Ainda existem algumas doenças na Cúria?

Papa: “As doenças existem e existirão, porque são doenças podemos dizer, normais nestes casos. Devemos lutar. Quando eu fiz o elenco de todas e depois fiz também o elenco dos remédios, era para dizer para ficar atentos a fim de não cair, mas são tentações normais. Isso sempre continuará. Acredito que a sabedoria seja conhecê-las para não cair.”

Mas há também santos na Cúria, como o senhor disse.

Papa: “Muitos, muitos, muitos. Muitos, até mesmo alguns que estão aposentados e continuam trabalhando. Esses fiéis curiais, antigos e também jovens.”

O navio Aquarius chegou à Espanha. Todo este episódio faz pensar que a Europa esteja desmoronando na questão da imigração. O ministro do Interior italiano criticou o senhor no passado dizendo-lhe para colocar os migrantes no Vaticano. Qual é a solução para o problema da migração?

Papa: “Não é fácil, mas os populismos não são a solução. Vejamos a história. A Europa foi formada pela imigração. Vejamos a atualidade. Na Europa há um grande inverno demográfico. Ficará vazia. A história atual é que há pessoas que chegam em busca de ajuda. Acredito que não devemos rejeitar as pessoas que chegam, devemos receber, ajudar e organizar, acompanhar e, em seguida, ver onde colocá-las, mas em toda a Europa. A Itália e a Grécia foram corajosas e generosas ao acolher essas pessoas. No Oriente Médio, a Turquia também foi corajosa, o Líbano, a Jordânia. A um certo ponto, façamos todos, não? As pessoas fogem da guerra ou da fome. Voltamos à fome. Na África, por que há fome? Porque no nosso inconsciente coletivo existe um lema que diz que a África deve ser explorada. Muitas vezes que se vai à África é explorá-la. Falei sobre isso com a Merkel e ela concorda que temos que investir na África, mas investir de maneira organizada, dando fontes de trabalho, não ir para explorá-la. Quando um país dá a independência a um país africano dá do solo para cima, mas o subsolo não é independente. Depois reclama porque os africanos famintos vêm para cá, há injustiças lá! A Europa deve fazer um trabalho de educação e investimento na África para evitar a imigração na raiz. Alguns governos estão pensando bem. Depois é preciso acomodá-los conforme o possível,  mas criar psicose não é um remédio. E também há um problema. Nós mandamos de volta as pessoas que vêm. Essas pessoas terminam nas prisões dos traficantes.”

Então o populismo não resolve.

Papa: “O populismo não resolve, mas o que resolve é o acolhimento, estudo, acomodação, prudência, porque a prudência é uma virtude do governo e o governo deve chegar a um acordo. Eu posso receber um certo número e acomodá-los. Existe o tráfico de escravos ali, os governos devem entender isso. Não é fácil o acolhimento, educação, integração na medida do possível, e não se pode procurar uma solução única. A primeira solução é investir no lugar quando não há guerra.”

Qual é a sua visão para o futuro da Igreja?

Papa: “A Igreja vai adiante. Os povos estão abertos, mas são pecadores, somos todos pecadores; mas quando vemos os sinais da presença de Deus, pensamos nas obras de misericórdia. As pessoas se abrem porque buscam a salvação, buscam a imortalidade, buscam o encontro com Deus. O futuro da Igreja está ali. O futuro da Igreja está a caminho, a caminho. É verdade, está também na adoração, na oração, nos templos, mas sair, sair. O Apocalipse diz que o Senhor está à  porta e chama. Sim, chama para que nós o abramos. Mas hoje acredito que o Senhor muitas vezes bate à porta para que nós o abramos para deixá-lo sair. Porque nós temos muitas vezes um Cristo fechado. Uma Igreja que sai, sim, poderia sofrer acidentes, mas uma Igreja fechada fica doente. Sair, sair com a mensagem: este é o futuro.”

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19 junho, 2018

Os jovens que não gostam do papa Francisco.

Cresce entre seminaristas e padre novatos uma resistência ao discurso de tolerância do pontífice, que defende aceitação a divorciados e homossexuais.

Por GaúchaZH: – Não conheço um único seminarista que goste dele.

A frase escapou baixinho, em tom deprimido, da boca de um influente bispo católico. Conversávamos sobre a aceitação do papa Francisco entre os padres mais jovens. Esse bispo, que é profundo conhecedor da realidade clerical da Igreja, disse que a aceitação é ridícula. Nula, praticamente.

Eu, na minha ignorância, achava justamente o contrário: que os jovens seriam mais abertos ao discurso de tolerância e renovação de Francisco. Telefonei, então, para outras duas autoridades da Igreja no Estado. Por receio de provocar mal-estar, não toparam se identificar, mas confirmaram essa resistência ao Papa e foram além.

Disseram que a rejeição não se limita a seminaristas e padres novatos: ela cresce também nos movimentos jovens, com leigos indignados com a recepção de Francisco aos divorciados e homossexuais.

– Ele é muito respeitado em setores mais laicos da sociedade. Dentro da Igreja, a popularidade é maior entre os mais velhos – disse um dos sacerdotes, e eu quase tive um ataque cardíaco.

Os jovens, incrivelmente, não lideram mais vanguarda alguma. Pelo contrário, lideram a retaguarda, o atraso, o anacronismo. O frei Luiz Carlos Susin, teólogo de 68 anos e admirador do papa Francisco, costuma dizer que a geração dele transgrediu tanto que, para muitos jovens de hoje, a forma mais genuína de transgredir é retrocedendo. Faz sentido.

Na cultura, a geração do frei Susin é a de Maio de 68. Na Igreja, é a do Concílio Vaticano II. Ao contrário dos concílios anteriores – preocupados mais em elencar pecados e definir dogmas sobre moral e fé –, a assembleia que se estendeu de 1962 a 1965 foi resumida assim pelo papa João XXIII:

“A Igreja sempre se opôs a erros, muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor as necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações”.

Não é genial? E não é justamente o que o papa Francisco aplica? A clemência em vez do castigo, o acolhimento em vez da repulsaFrancisco, aliás, irrita seus detratores ao criticar publicamente o clericalismo – corrente que insiste em botar o clero, os padres, o sacerdócio (que representa menos de 0,00000000001% dos católicos) à frente dos leigos, dos fiéis, do rebanho inteiro (que representa mais de 99,99999999999% dos católicos).

– O Papa entende, como o Concílio Vaticano II entendeu, que as pessoas precisam discernir e decidir muita coisa por conta própria. Não pode o padre decidir tudo por elas, ter sempre a última palavra. Isso é clericalismo. O oposto disso é acreditar na autonomia das consciências – disse o frei Susin quando liguei para ele na quinta-feira (14).

As instituições existem para ajudar o homem, não para subjugá-lo. Se a instituição não ajuda, não é o homem que deve mudar; é ela.

Isso me fez lembrar a história – real, acredite – de um neonazista americano que tatuou no braço um versículo do Antigo Testamento que condena a homossexualidade: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é” (Levítico 18:22). Esqueceu-se, claro, que, no capítulo seguinte, o mesmo livro condena a tatuagem: “Não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós” (Levítico 19:28).

Quer dizer, se você leva ao pé da letra o que foi escrito há milhares de anos, daqui a pouco vai estar defendendo a escravidão, a execução de mulheres adúlteras e o açoite como pena ideal para bandido. Jesus Cristo, aliás, vem para quebrar essa lógica do Deus violento: sua tendência é incluir todos, perdoar todos, acreditar em todos.

No Evangelho de Mateus, uma passagem espetacular é quando Jesus cura um doente num sábado. Os fariseus, sempre tentando sabotá-lo, perguntam se ele acha mesmo correto fazer aquilo – já que o sábado, em nome de Deus, deve servir somente ao descanso. Jesus responde com uma pergunta: o homem foi criado para o sábado, ou o sábado foi criado para o homem?

Ou seja: a lei deve existir para servir ao homem, não para subjugá-lo. As instituições existem para nos fazerem crescer, para nos fazerem felizes, livres, autônomos. Se a instituição não ajuda, bem, não é o homem que deve mudar; é ela. Por isso, o papa Francisco vem mudando a Igreja, porque é um profundo conhecedor do que Jesus pregava.

Esses jovens que insistem em resistir às mudanças talvez um dia percebam que se aproximam mais dos fariseus do que dos apóstolos. Ainda assim, claro, serão perdoados.

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7 junho, 2018

Anestesistas de Francisco.

Por FratresInUnum.com – 7 de junho de 2018

“Não é pecado criticar o papa”, afirmou o Francisco na Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana. Um alívio? De modo algum, pois, na prática, essa frase retórica mascara aquela velha tática de “dar linha à pipa”: quer saber quem são seus críticos para persegui-los com mais eficiência; trabalha como um gato que estimula o rato a sair da toca.

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Contudo, a frase tem o seu valor. Papa Francisco reconhece explicitamente que é criticável, quer porque comete ações condenáveis, quer porque ele mesmo é passível de crítica, como ensina a boa doutrina católica. Não, o Papa não é um semideus, que esteja acima do bem e do mal. Infalível quando se pronuncia ex cathedra, não o é fora desses estreitíssimos limites e, quando erra, não há problema algum em perceber aquilo que os olhos vêem.

Há uma parte da direita católica, porém, extremamente apavorada por este papa ditador. E não se limita a não criticá-lo, quer silenciar cada crítica e, por isso, assumiu um modus operandi de anestesistas.

Anestesistas. Mascaram fatos, silenciam testemunhas, destroem provas, assassinam moralmente vítimas… Agem como se Bergoglio fosse um santo imaculado, citam-no como nunca citaram os papas anteriores, a despeito de se apresentarem como conservadores ou até mesmo como, pasmem!, tradicionalistas.

Recentemente, circulava pela internet o vídeo de um padre italiano censurando os críticos de Francisco como se estivesse dando uma aula de direito canônico ou de doutrina moral, desconsiderando completamente a realidade que temos diante da face. Em resumo, qualquer católico concorda com o direito canônico ou com o catecismo em relação ao respeito que se deve ao Vigário de Cristo. Mas a pergunta não é esta. Será que este Vigário de Cristo está cumprindo o seu ofício papal ou se está servindo dele para destruir a Igreja que ele deveria defender?

O método preferido dos anestesistas, no entanto, é aquele de citar frases isoladamente católicas de Francisco para chocarem os críticos, na tentativa de paralisá-los. A técnica, em si, pouco tem de ingênua. Trata-se da velha estimulação contraditória, a qual produz um choque psicológico que paralisa a vítima. Qualquer um pode fazer a experiência: basta ir narrando uma desgraça e, no fim, supreendentemente, concluí-la com uma notícia maravilhosa – o ouvinte fica tão impressionado que nem consegue dissimular a perplexidade.

Acontece, porém, que a técnica só funciona quando os fatos são realmente desconhecidos. E, aqui, o caso é outro!

Os anestesistas gostam muito de empregar, por exemplo, aquela metáfora dos filhos de Noé que cobriram as vergonhas do pai embriagado (Gn IX,23) para inferirem a obrigação moral que temos de cobrir as vergonhas do Papa.

Contudo, os fatos já não cabem na metáfora. Hoje, Noé não está bêbado, mas muito consciente dos seus atos, quer voluntariamente ficar nu e rasga sistematicamente todas as cobertas que se lhe impõem.

Basta um exemplo para ilustrar o fracasso da anestesia: quando Francisco visitou Evo Morales e recebeu um blasfemo simulacro de crucifixo sobre a foice e o martelo, símbolos do comunismo, imediatamente, os anestesistas asseguraram que o Papa havia reagido com escândalo e disse: “no está bien eso”, “isso não está certo”. Em seguida, veio a confirmação do fato: o Papa disse, na verdade, “eso no lo sabía”. Nenhuma reação de escândalo. Antes, uma atitude simpática de aprovação.

Francisco não quer anestesia. Parece estar disposto a ir até o fim, autorizando a comunhão para os recasados, a ordenação sacerdotal de homens casados para a Amazônia, a intercomunhão para os luteranos [que ele bloqueou, porém, com o argumento de que, por ora, “o documento não está pronto” para ser oficializado], a ordenação de mulheres para o diaconato e tudo o mais que faz parte do pacote modernizador da Igreja.

Papa Francisco assumiu conscientemente a missão de ser o Chacrinha da Igreja Católica, o qual, na década de 80, lançou a famosa frase: “eu estou aqui para confundir, eu não estou aqui para explicar”.

Podem vir cleaners, anestesistas, sicários, “a voz que adormece e a mão que apaga”… Todos serão desmentidos por ele, mesmo. E, ainda que não o fossem, a natureza da verdade é aparecer!

É por isso que a nossa posição neste site foi sempre: 1) não maquiar os fatos, antes, documentá-los todos, para que ninguém se engane; 2) favorecendo a verdade, não favorecer a revolta revolucionária, antes, pelo contrário, estimulando uma resistência respeitosa, mas firme e impassível; 3) informar os nossos leitores para que estes conversem com todas as pessoas dos seus círculos para esclarecem que a Igreja está passando por um momento gravíssimo, uma crise sem precedentes, e nós não podemos dividi-la, pelo contrário, devemos guardar a fé com a mesma fortaleza que uma virgem guarda as suas honras.

Os nossos métodos são opostos aos métodos inúteis dos anestesistas. É por isso que estes não nos suportam, mas, como precisam saber a dose de sedativo a ser aplicada, acabam por ler nossos artigos e notícias. Pois bem, saibam que o efeito da anestesia não consegue mais aplacar a dor ou adiar a morte.

No horizonte, surge uma falange intrépida de católicos, em sua maior parte leigos, que estão por todos os lados, bem junto de suas catedrais e paróquias, com celulares e gravadores… Tudo está sendo documentado e será posto a público. Não há mais saída. O fracasso do progressismo é certo e fatal! Este é o seu diagnóstico final. Serão todos sepultados com este pontificado, que enterrará atrás de si a parte da Igreja que já estava morta: a decadente Europa liberal e os velhos teólogos da libertação.

Mais adiante, ressurgirá a Igreja Católica! Não, não são prognósticos restauracionistas. É a promessa de Fátima que se cumprirá. Os oportunistas de hoje serão a execração de amanhã. Os execrados de hoje serão a glória do que há de vir, pois “quem se eleva, será humilhado, e quem se humilha será elevado”, e as dores de hoje terão valido à pena.

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6 junho, 2018

A humilhação de Héctor Aguer, predecessor de ‘Tucho’ Fernández em La Plata.

Nota do Fratres: Dom Héctor Aguer era o maior antagonista do então Cardeal Jorge Mario Bergoglio no episcopado argentino. Conservador, foi inclusive cogitado para assumir a Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano, durante o pontificado de Bento XVI.

* * *

Víctor Manuel ‘Tucho’ Fernández, amigo e confidente do papa, já tem o seu bispado. Porém, a humilhação a que foi submetido seu predecessor, Héctor Aguer, tem poucos precedentes próximos. 

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Dom Héctor Aguer.

 | Victor Manuel ‘Tucho’ Fernández — ou, como o apelidaram na Cúria, ‘Il Coccolato’ — logo teria a púrpura era algo já dado como certo; dizem que dele é a mão que escreveu o ‘programa’ de Francisco, Evangelii Gaudium. Que a diocese com mais probabilidade de corresponder a Tucho seria La Plata, também.

Matando, ademais, dois pássaros com um só tiro, porque o titular até agora da diocese argentina, Héctor Aguer, não era muito da linha de Sua Santidade. Assim, tão logo Aguer completou 75 anos, em 24 de maio passado, apresentou sua renúncia conforme está previsto, e o Vaticano correu para aceitá-la, o que não é muito comum.

Menos comum, e bastante triste, é o que se seguiu. O encarregado de negócios da Nunciatura Apostólica na Argentina, enquanto anunciava que a renúncia de Aguer havia sido aceita, transmitiu outras instruções bastante duras: a missa de Corpus Christi, em que pronunciou sua homilia de despedida, seria a sua última liturgia pública; não ocuparia funções na diocese até a chegada da Fernàndez, mas que se nomeava como administrador apostólico a Mons. Bochatey; deveria deixar a arquidiocese imediatamente após a celebração, não poderia residir nela como arcebispo emérito, uma ‘deportação’ de toda forma, nem tampouco se ocupará da passagem da sede ao seu sucessor.

Em um pontificado que se pretende centralizado na misericórdia, é forçoso advertir que se trata de uma compaixão bastante seletiva. Aguer, literalmente, não tem para onde ir. Seus planos era, como não incomum aos bispos eméritos, permanecer na que foi, por todos esses anos, a sua diocese, residindo no ex-seminário menor de La Plata.

No futuro pessoal de Aguer, em seus 75 anos, apresentava-se, por fim, tão incerto, que ao término de sua última missa de Corpus Christi, o bispo ortodoxo da cidade, presente à celebração, tomou o microfone e ofereceu sua própria casa para receber Aguer.

5 junho, 2018

Papa Francisco impede proposta de intercomunhão de bispos alemães.

Por LifeSiteNews, 4 de junho de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com – Apenas um mês após ter indicado aos bispos alemães que encontrassem uma decisão “unânime” acerca da possibilidade de um cônjuge protestado caso com um Católico receber a Sagrada Eucaristia, o Papa Francisco mudou de rumo e bloqueou a proposta de intercomunhão dos bispos alemães.

Em uma carta enviada ao cardeal alemão Reinhard Marx, “com expressa aprovação do Papa”, através do Arcebispo Luis Ladaria, S.J., prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Santo Padre interrompeu a publicação do documento dos bispos alemães sobre a intercomunhão que iniciou a controvérsia.

O experiente vaticanista italiano Sandro Magister publicou a íntegra do carta em italiano nesta manhã, após a agência católica austríaca Kath.net divulgar a história.

Na carta de 25 de maio, Dom Ladaria informa ao Cardeal Marx, presidente da Conferência Episcopal, que resumiu ao Papa Francisco o encontro, de 3 de maio, entre partes opostas dos bispos alemães e oficiais do alto escalão do Vaticano sobre a controversa proposta.

O encontro foi convocado após sete bispos alemães enviarem uma carta ao Vaticano expressando sua oposição à votação de 20 de fevereiro, ocorrida na conferência dos bispos alemães, permitindo a um cônjuge protestante receber a Eucaristia se, após fazer um “sério exame” de consciência com um padre ou outra pessoa com responsabilidades pastorais, ele ou ela “afirmar a fé católica”, desejar pôr fim a um “sério sofrimento espiritual”, e “tem anseio por satisfazer a fome de Eucaristia”.

Então, o Cardeal Reinhard Marx, presidente da conferência de bispos alemães, esclareceu que a proposta não exigia que o cônjuge protestante se convertesse ao catolicismo.

Em uma carta de 22 de março ao Vaticano, sete bispos afirmaram não considerar a votação “correta”, pois o assunto da intercomunhão não é “pastoral”, mas “uma questão de fé e unidade da Igreja, não sujeita a voto”.

Em sua carta de 25 de maio, Ladaria, então, informa a Marx que o texto proposto pelos bispos alemães “levanta uma série de assuntos significantes”. Ele adiciona que o “Santo Padre, portanto, chegou à conclusão de que o documento não está pronto para ser publicado”.

O chefe doutrinal do Vaticano dá a Marx três razões para a decisão:

  1. A questão de admitir cristãos evangélicos em casamentos de mistos (diferentes credos) à Comunhão é um assunto que diz respeito à fé da Igreja e tem relevante para a Igreja universal.
  2. O assunto afeta as relações ecumênicas com outras Igrejas (e.g. os ortodoxos) e comunidades eclesiais que não devem ser subestimadas.
  3. A decisão afeta a a interpretação da lei da Igreja, especialmente o cânon 844, que permite a comunhão a protestantes apenas em caso de “grave necessidade” [morte iminente].

Ladaria, posteriormente, informa a Marx que os “dicastérios competentes” da Santa Sé foram encarregados de “produzir oportunamente um esclarecimento a essas questões a nível de Igreja universal”. Isso indica que a questão da intercomunhão não é mais deixada à conferência episcopal alemã, como o Papa Francisco originalmente determinou — uma decisão que o Cardeal Willem Jacobus Eijk, da Holanda, chamou de “completamente incompreensível”.

Foram copiados na carta de Dom Ladaria cinco bispos alemães, incluindo o Cardeal Rainer Woelki, de Colônia, e Dom Rudolf Voderholzer, de Regensburg, vice-presidente da comissão doutrinal da conferência de bispos alemães e único alemão membro da Congregação para a Doutrina da Fé. Os dois bispos estão entre os signatários da carta ao Vaticano contrária à proposta e ao subsídio pastoral aprovando a intercomunhão.

Também foram endereçados em cópia três defensores da proposta: Dom Karl-Heinz Wiesemann, de Speyer; Dom Gerhard Feige, de Magdeburg, presidente comissão de ecumenismo da conferência episcopal; e Dom Felix Genn, de Munique.

30 maio, 2018

Aprovação do aborto na Irlanda, consequência direta do pontificado de Francisco.

Por FratresInUnum.com, 30 de maio de 2018 – No último final de semana, a Igreja sofreu um dos golpes mais terríveis das últimas décadas: com uma maioria de quase 70% dos votos, através de um referendo, os irlandeses derrubaram o art. 8o. da sua Constituição, que fora aprovado em 1983 como consequência da visita de do Papa João Paulo II ao seu país e que defendia a vida humana desde a concepção, abrindo, assim, as portas para uma futura descriminalização e legalização do aborto. O fato não foi apenas a expansão daquilo que o pontífice polonês chamava com propriedade de cultura da morte, mas foi o sepultamento de um dos últimos bastiões fortes do catolicismo no velho continente europeu (além de Malta e da Polônia).

irlanda

Irlandeses comemoraram resultado da votação que abriu as portas do país ao aborto.

Tal como o “grito silencioso” de uma criança abortada, o golpe não foi protestado e, isso, graças ao anestesiamento voluntário, pelo qual a Igreja Católica Irlandesa deliberadamente sucumbiu.

A Association of Catholic Priests of Ireland, a maior associação de sacerdotes do país, manifestou-se “contra usar o púlpito para a campanha pró-vida”, pois isto seria “inapropriado e insensível”, além de um “abuso da Eucaristia”. Embora teoricamente endossando a posição da Igreja, a associação afirmou que “a vida humana é complexa, abundando situações que são mais variações de cinza que propriamente branco-e-preto, e que exigem de nós uma abordagem pastoral delicada e sem preconceitos”.

Ademais, o grupo afirmou que, como “homens solteiros e sem filhos próprios, não estamos em condições adequadas para sermos tão dogmáticos nesta questão” e, portanto, “não queremos indicar a ninguém como se deve votar”, pois, “um voto expresso de acordo com a consciência de cada pessoa, seja qual for o resultado, merece o respeito de todos”.

Como notou uma reportagem da TV chilena Tele13, “a Irlanda era um dos países mais restritivos contra o aborto na Europa, não permitindo o procedimento nem sequer em caso de inviabilidade do feto, estupros ou incesto”. De fato, “era um dos últimos bastiões da tradição católica e o resultado é fruto da pouca participação da Igreja em manifestações contra o aborto… Com esta última mudança na Constituição, a Irlanda termina de desfazer-se da influência da Igreja”.

Pois bem, esta atitude flagrantemente entreguista, abstencionista, não é senão a reprodução do desprezo que o Papa Francisco reserva aos temas relacionados com a defesa da vida. Na famosa entrevista ao seu confrade jesuíta, o Pe. Antonio Spadaro, em agosto de 2013, Francisco afirmou:

“Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e uso dos métodos contraceptivos. Isto não é possível. Eu não falei muito destas coisas e censuraram-me por isso. Mas quando se fala disto, é necessário falar num contexto. De resto, o parecer da Igreja é conhecido e eu sou filho da Igreja, mas não é necessário falar disso continuamente. Os ensinamentos, tanto dogmáticos como morais, não são todos equivalentes. Uma pastoral missionária não está obcecada pela transmissão desarticulada de uma multiplicidade de doutrinas a impor insistentemente”.

O resultado está aí: quando a Igreja se recusa a ser militante, é derrotada. E a consequência será o extermínio de milhões de bebês.

A percepção de João Paulo II era fundamentalmente outra, marcada por uma consciência nítida do problema, como deixou claramente registrado na Encíclica Evangelium Vitae, n. 28: “Este horizonte de luzes e sombras deve tornar-nos, a todos, plenamente conscientes de que nos encontramos perante um combate gigantesco e dramático entre o mal e o bem, a morte e a vida, a ‘cultura da morte’ e a ‘cultura da vida’. Encontramo-nos não só ‘diante’, mas necessariamente ‘no meio’ de tal conflito: todos estamos implicados e tomamos parte nele, com a responsabilidade iniludível de decidir incondicionalmente a favor da vida”.

Justamente a atitude cinzenta é a que favorece a “cultura da morte” e é esta passividade que permite aos inimigos avançarem e vencerem. É preciso entender que não há como abortar crianças sem abortar o Evangelho e a Igreja juntamente com elas, de tal modo que precisamos gritar para sermos ouvidos. Basta com este “grito silencioso”!

No Brasil, graças a Deus, o povo é beligerante e decididamente contra o aborto, a despeito da atitude morna do clero. Por isso, temos vencido e, queira Deus, continuaremos vencendo.

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