Posts tagged ‘O Papa’

29 novembro, 2016

Sua Santidade se recusa a responder.

Por , The New York Times, 26 de novembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: “Isso não é normal” – assim dizem os críticos de Donald Trump, enquanto ele se prepara para assumir a presidência. Mas, a República Americana é apenas a segunda mais antiga instituição que está enfrentando uma situação distinta e incomum no momento. O lugar de honra vai para a Igreja Católica Romana, que, com menos alarde (talvez porque o papado não tem um arsenal nuclear) também entrou em terra incógnita.

Há duas semanas, quatro cardeais publicaram o chamado dubia – um conjunto de perguntas, endereçadas ao Papa Francisco, pedindo que ele esclareça pontos de sua exortação apostólica sobre a família “Amoris Laetitia”.  Em particular, eles pediram-lhe para esclarecer se a proibição da Igreja em relação à comunhão para católicos divorciados em novos (e, aos olhos da igreja, adúlteros) casamentos civis continua, ou se a tradicional oposição da Igreja à situação ética se “desenvolveu” a ponto de cair no obsoleto.

O dubia começa como uma carta privada, como é habitual em tais pedidos de clareza doutrinal. Francisco não ofereceu nenhuma resposta. Mas, tornou-se pública pouco antes do consistório da semana passada em Roma, quando o Papa se reúne com o colégio cardinalício e apresenta os membros recém-elevados ao cardinalato. O Papa continuou a ignorá-la, mas tomou o passo incomum de cancelar a reunião geral com os cardeais (não poucos deles são silenciosos partidários dos quatro cardeais).

Francisco cancelou porque o dubia tinha deixado-o “fervendo de raiva”, como foi alegado. “Isso não era verdade”, escreveu no twitter seu colaborador próximo, o padre jesuíta Antonio Spadaro, pouco depois de responder aos críticos, comparando-os com o personagem de J.R.R. Tolkien, Grima Wormtongue, num tweet que ele logo em seguida apagou rosnando sua recusa de “trocar palavras distorcidas com um verme estúpido”.

Enquanto isso, um daqueles quatro autores do dubia, o combativo e tradicionalista Cardeal Raymond Burke, deu uma entrevista sugerindo que o silêncio papal pode exigir um “ato formal de correção” por parte dos cardeais – algo sem óbvios precedentes na história Católica (Papas já foram condenados por flertar com heresia, mas só depois de suas mortes). Essa foi uma linguagem forte; mas ainda mais forte foi a resposta do cabeça dos bispos católicos da Grécia, que acusou os autores do dubia de “heresia” e, possivelmente, “apostasia” por terem questionado o papa.

Enquanto isso, ele próprio continua em silêncio. Ou melhor, continuou sua prática de dar entrevistas e sermões lamentando a rigidez, farisaísmo e possíveis problemas psicológicos entre os seus críticos – mas continua se recusando a tomar uma atitude direta de responder às perguntas.

Não que haja qualquer dúvida real sobre onde o pontífice se situa. Durante um período de debate vigoroso entre 2014 e 2015, ele advogou persistentemente uma abertura à comunhão sacramental para pelo menos alguns católicos recasados sem a concessão da nulidade. Mas a resistência conservadora correu forte o suficiente para que o papa parecesse se sentir constrangido. Assim, ele produziu um documento, que ainda carece de esclarecimentos, a “Amoris Laetitia”, onde essencialmente tentou passar por cima da controvérsia, deixando implícitos os vários modos em  que a comunhão pode ser dada caso a caso, mas nunca dizendo isso diretamente.

Esta falta de objetividade é importante, porque dentro do Catolicismo as palavras formais do Papa, suas encíclicas e exortações, têm um peso que sinaliza e implicações que são carentes nas cartas pessoais. Elas são o que se supõe para exigir obediência, o que se supõe ser sobrenaturalmente preservado do erro.

Dessa forma, evitar clareza parece ter a intenção de se evitar um comprometimento. Os liberais então tem permissão pra deslizar para as experimentações, enquanto os conservadores preservam a letra da lei e os bispos do mundo ficam com a tarefa de escolher essencialmente seu próprio ensino sobre o casamento, o adultério e os sacramentos – que na verdade, foi o que muitos fizeram no ano passado, os de inclinação conservadora na Filadélfia e na Polônia, os liberais em Chicago, na Alemanha ou na Argentina, com inevitáveis atritos entre prelados que seguem diferentes interpretações da “Amoris Laetitia”.

Mas o estranho espetáculo em torno do dubia é um lembrete de que isso não pode ser uma solução permanente. A lógica do “Roma falou, o caso está encerrado” está profundamente enraizada nas estruturas do Catolicismo para permitir qualquer outra coisa, senão uma descentralização doutrinária temporária. Enquanto o Papa continuar a ser o Papa, qualquer grande controvérsia inevitavelmente vai subir de volta para o Vaticano.

Francisco deve estar ciente disso. Por enquanto, ele parece estar escolhendo a menor crise, que são bispos rivais e ensinos confusos sobre a maior crise que ainda está por vir (embora quem pode dizer com certeza?) se ele decidir presentear os conservadores da Igreja com suas próprias respostas pessoais para o dubia e simplesmente exigir que eles se submetam. Submissão ou cisma acontecerão eventualmente, é o que ele pode pensar – mas não até que o tempo e a operação do Espírito Santo tenha enfraquecido a posição dos seus críticos na Igreja.

Mas nesse meio tempo, seu silêncio está tendo o efeito de confirmar os conservadores em sua resistência, porque para eles parece que sua recusa em dar respostas definitivas poderia ser por si só obra da Providência. Ou seja, ele pode até achar que está sendo maquiavélico e estratégico, mas na verdade é o Espírito Santo impedindo-o de ensinar o erro.

Esta é uma hipótese teológica rara que pode ser facilmente refutada. O Papa precisa apenas exercer a sua autoridade, responder a seus críticos, e dizer aos fiéis explicitamente o que ele quer que eles acreditem.

Mas até que ele resolva falar, a hipótese está aberta.

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23 novembro, 2016

Uma guerra civil está em curso na Igreja.

Por Marco Politi, Il Fatto Quotidiano, 21 de novembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Papa Francisco fechou a Porta Santa, mas a sua mensagem é acompanhada pelo ruído de uma crise subterrânea. Uma guerra civil está em curso na Igreja. Um confronto que toca a autoridade do pontífice e seu programa de reformas. Estão em jogo visões opostas sobre o papel da Igreja, o “pecado”, a salvação das almas. E como em todas as guerras civis, o conflito não contempla concessões.

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Quatro cardeais escolheram estes dias para colocar diretamente sob acusação  a teologia de Francisco e seu documento pós-sinodal Amoris Laetitia (que abre o caminho para a comunhão de divorciados novamente casados). Os cardeais atribuem a Bergoglio ter semeado entre os fiéis “a incerteza, confusão e perplexidade” e pedem para que ele “lance luz” sobre o documento. Na carta, no estilo de disputas teológicas, são anexadas os chamados Dubia: “Perguntas sobre questões controversas”.

Com um gesto que tem o sabor de um desafio, a carta foi enviada “para informação” também ao responsável oficial da ortodoxia, o cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Trata-se de um acontecimento absolutamente sem precedentes na história moderna do papado. E a primeira coisa que chama a atenção é o silêncio constrangedor da hierarquia eclesiástica. Nem um cardeal se contrapôs publicamente à sua tese, nem um presidente de Conferência Episcopal, ou um dirigente de uma grande Associação Católica [ndt: posteriormente à divulgação deste artigo, o presidente da Conferência Episcopal da Grécia atacou duramente os cardeais]. E de pensar que, encarando o papel da consciência do qual fala Francisco, os quatro cardeais afirmam que em tal caso, arrisca-se a chegar ao ponto em que se tornam concebíveis “casos de adultério virtuosos, homicídio legal e perjúrio obrigatório”.

Dois dos cardeais são membros da Cúria: o alemão Walter Brandmüller, ex-presidente do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, e o norte-americano Raymond Burke, ex-presidente do Tribunal da Assinatura Apostólica. E dois são arcebispos eméritos de dioceses importantes: Carlo Caffara, um dos prediletos de  João Paulo II e Bento XVI, e até 2015 pastor de Bolonha, e Joachim Meisner, um íntimo do Papa Ratzinger, que até 2014 dirigiu a diocese de Colônia.

Liquidar a carta – a qual Francisco respondeu indiretamente em uma entrevista ao Avvenire, denunciando um “certo legalismo que pode ser ideológico – como sendo o lamento de quatro ultra-conservadores é não compreender o confronto subterrâneo que tem se desenvolvido na Igreja Católica nos últimos dois anos. Os quatro são apenas a ponta do iceberg, que está se alargando e se espalhando. Eles também falam por muitos que não se expõem.

Durante anos, os meios de comunicação não entenderam a profundidade do movimento anti-Obama, que provocou em 8 de novembro passado a derrota de sua política. Agora, arriscam repetir o mesmo erro com Francisco. Deslumbrados com o seu carisma e o consenso planetário que goza até mesmo entre os agnósticos e não-crentes, muitos ignoram a escalada sistemática daqueles entre o clero, os bispos, o colégio de cardeais que contestam a teologia da misericórdia do pontífice.

Entre os dois Sínodos houve uma mudança de acento fundamental. Enquanto nas últimas décadas, entre o confronto entre reformistas e conservadores, o pontífice permanecia como “árbitro” para a maioria da hierarquia da Igreja, hoje, ao invés, o Papa tornou-se a parte em causa. Basta ler a última entrevista do Cardeal Burke. A Amoris Laetitia diz ele, “não é o Magistério, pois contém graves ambiguidades que confundem os fiéis e pode induzi-los ao erro e pecado grave. Um documento que apresenta esses defeitos não pode ser ensinamento perene da Igreja“.

Em dois anos, tem havido um crescimento de ações dissidentes. Antes do Sínodo de 2014, cinco cardeais escreveram um livro em defesa da doutrina tradicional sobre o matrimônio. Em seguida, intervieram com outro livro 11 cardeais de todo o mundo, incluindo personalidades importantes, reconhecidas entre o clero e episcopado. Enquanto isso, cerca de 800 mil católicos, incluindo 100 bispos, assinaram uma petição ao Papa pedindo um bloqueio das inovações. No Sínodo de 2015, 13 cardeais escreveram a Bergoglio questionando a direção que estava tomando a assembleia.

Um movimento sistemático de contestação em que o reformador fez frente apenas timidamente. E, de fato – embora muitos desejam esquecer – na votação no Sínodo de 2015 sobre a Família, foram rejeitadas as teses de uma via penitencial que reconhecesse abertamente a possibilidade de comunhão para divorciados novamente casados. A maioria tradicional deste parlamento mundial de bispos disse “não”. Nesse meio tempo surgiu uma rede de cardeais, bispos, sacerdotes, teólogos e leigos empenhados, signatários de uma “declaração de fidelidade ao ensinamento perene da Igreja sobre o casamento.” Posteriormente, 45 teólogos escreveram (anonimamente) ao Colégio dos Cardeais, sugerindo que certas interpretações da Amoris Laetitia poderiam ser “heréticas”.

O movimento anti-Bergoglio trabalha sobre o tempo. Nos Estados Unidos, a escalada silenciosa subestimada contra Obama levou à derrota dos democratas. Na Igreja Católica, o que está em jogo é o futuro conclave. Hoje, o historiador da Igreja Alberto Melloni  fala de “isolamento” do pontífice. E Andrea Riccardi, outro historiador, diz que nunca no século XX um pontífice encontrou tanta oposição entre os bispos e o clero.

Na guerra civil em curso na Igreja, o objetivo é o pós-Francisco: não deverá subir ao trono papal um homem que leve a cabo o desenvolvimento das reformas iniciadas.
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19 novembro, 2016

A sós.

Por FratresInUnum.com: Em uma decisão incomum, Francisco cancelou o encontro que costuma ocorrer entre o Pontífice e todos os cardeais presentes em Roma antes dos consistórios. Hoje, Francisco criará 17 novos cardeais para a Igreja Romana.

O encontro prévio aos consistórios é uma tradicional oportunidade para que o bispo de Roma ouça os anseios e consulte a opinião de seus Cardeais, que, dentre as principais funções, estão a de aconselhar o Papa e eleger o seu sucessor.

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Nos dois consistórios anteriores realizados por Francisco, a reunião ocorreu ao longo de dois dias inteiros. Na primeira delas, Bergoglio, então recém eleito bispo de Roma, designou ao Cardeal Walter Kasper a função de apresentar as idéias que moldariam sua controversa Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

De acordo com o experiente vaticanista Marco Tosatti, a apresentação de cinco dubia por parte de quatro eminentes Cardeais teria sido fundamental para a decisão tomada pelo Papa.

Tosatti afirma que o questionamento seria reapresentado pelos Cardeais durante a reunião pré-consistorial, e “não só pelos signatários do pedido de esclarecimento, mas também, talvez, por outros cardeais, ávidos por uma palavra final do Papa”.

O Vaticano não deu nenhuma razão oficial para o cancelamento.

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18 novembro, 2016

Francisco responde.

A uma jornalista, não aos Cardeais. Para estes, só há indiretas.

“Seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não; porque o que passa disto vem do maligno” (Math. V,37)

Como é seu costume, Papa Francisco dispara mais uma indireta, e com tom bastante violento, aos eminentíssimos cardeais que lhe dirigiram as cinco “dubia”. Decerto, seria mais fácil responder cinco vezes “sim” ou “não”, mas ele prefere continuar com seus discursos sinuosos, serpenteando.

Vamos a duas perguntas e respostas (original em Avvenire, tradução de FratresInUnum.com):

AVVENIRE: Então, o Jubileu foi também o Jubileu do Concílio, “hic nunc” (ndt, aqui e agora), onde o tempo da sua recepção e o tempo do perdão coincidem…

FRANCISCO: Fazer a experiência vivida do perdão que abraça toda a família humana é a graça que o ministério apostólico anuncia. A Igreja existe apenas como instrumento para comunicar aos homens o desígnio misericordioso de Deus. A Igreja sentiu no Concílio a responsabilidade de ser no mundo como que o sinal vivo do amor do Pai. Com a Lument Gentium retornou às fontes da sua natureza, ao Evangelho. Isso mudou o eixo da concepção cristã de um certo legalismo, que pode ser ideológico, à Pessoa de Deus, que se fez misericórdia na encarnação do Filho. Alguns — pensa a certas réplicas a Amoris Lætitia — continuam a não compreender — ou branco ou preto — que também é no fluxo da vida que se deve discernir. O Concílio nos disse isso. Os historiadores, porém, dizem que um Concílio, para ser absorvido bem pelo corpo da Igreja, precisa de um século… Estamos na metade.

 [….]

AVVENIRE: Há quem pense que nestes encontros ecumênicos se queira vender a preço baixo a doutrina católica. Alguém já disse que se quer “protestantizar” a Igreja.

FRANCISCO: Não me tira o sono. Eu continuo na estrada de quem me precedeu, continuo o Concílio. Quanto às opiniões, é preciso sempre distinguir o espírito com o qual são ditas. Quando não tem um espírito ruim, ajudam a caminhar. Outras vezes se vê de cara que as críticas se fazem aqui e ali para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com espírito ruim, para fomentar a divisão. A gente vê logo que certos rigorismos nascem de uma falta, nascem da vontade de esconder dentro uma armadura, a própria e triste insatisfação. Vejam o filme “A festa de Babete”, ali há este comportamento rígido.

 


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18 novembro, 2016

Editorial – Em defesa dos quatro cardeais.

Salomão teve um fim semelhante ao de seus pais. Deixou depois de si um filho que foi a loucura da nação, um homem desprovido de juízo, chamado Roboão, que transviou o povo por seu conselho. E Jeroboão, filho de Nabat, que fez Israel pecar, e abriu para Efraim o caminho da iniquidade. Houve entre eles uma profusão de pecados, que os expulsaram para longe de sua terra. Procuraram todos os meios de fazer o mal, até que veio a vingança, que pôs um termo às suas iniquidades”.
(Eclo. XLVII,26-31)

Por FratresInUnum.com

Há quanto tempo nossa alma jazia em angústia, esperando que alguma autoridade na Igreja se levantasse para remover o nosso opróbrio!

Nos últimos dias, quão grande júbilo nos dominou ao sabermos que o Eminentíssimo Cardeal Raymond Burke e outros três purpurados tomaram a resolução de publicamente solicitarem de Francisco um esclarecimento acerca da doutrina, desatando “alguns nós por resolver em Amoris Laetitia“.

Não era mais possível suportar a funesta desorientação! E tudo com o silêncio complacente do clero dito católico ou com a clamorosa efervescência dos cúmplices do erro, os sucessores de Judas, bispos que não esmorecem quando o assunto é demolir o patrimônio católico.

Cardeal Burke reza diante do Santíssimo Sacramento.

Cardeal Burke reza diante do Santíssimo Sacramento.

Graças a Deus, quatro cardeais honram sua púrpura, e não podemos deixar de apoiá-los! Sim, é nosso dever de cristãos, é nosso dever de católicos! Temos de cerrar fileiras em torno desses valentes prelados, e manifestar-lhes nossa mais decidida concordância.

Em sua entrevista ao National Catholic Register, o Cardeal Burke mostrou quais serão os próximos passos: caso não responda aos dubia, farão uma correção formal ao Romano Pontífice.

Este fato não é novo na tradição. Com efeito, o Papa João XXII caiu em heresia, e quis que sua doutrina de que os justos ressuscitam na hora da morte fosse ensinada na Universidade de Paris. Felipe IV, rei de França, proibiu-o e ameaçou-o com a fogueira. Relatos autorizados dizem que esses ensinos heterodoxos conturbaram todo o orbe cristão. Por fim, o Papa foi forçado a se retratar, sendo corrigido por seu sucessor.

Conforme a tradição da Igreja, os fieis devem tolerar todos os vícios de seus pastores, mas jamais devem tolerar que prevariquem contra a verdade da fé.

“Se o reitor exorbitar da fé, deverá ser repreendido pelos súditos, mas pelos costumes réprobos mais deverá ser tolerado pela plebe do que desprezado” (Hugo de São Vitor, Sermão 57).

E, como ensina o próprio Santo Tomás de Aquino, “devemos, porém, saber que, correndo iminente perigo a fé, os súditos devem advertir os prelados, mesmo publicamente. Por isso, São Paulo, súdito de São Pedro, repreendeu-o em público, por causa de perigo iminente de escândalo para a fé. E, assim, diz a Glosa de Santo Agostinho: ‘O próprio Pedro deu aos maiores o exemplo de se porventura desviarem do caminho reto, não se dedignem ser repreendidos mesmo pelos inferiores’” (Suma Teológica, II-II,  q. 33, ad 2).

É chegada a hora da clareza. Apoiemos esses confessores da fé! Resistamos a essa apostasia que, de discreta, não tem mais nada.

Não há mais retorno! Agora, resta-nos apoiar a iniciativa desses heróis e irmos com eles até o fim.

Deus fortaleça a sua Igreja!

* * *

O site Life Site News divulgou uma petição online de apoio aos Cardeais. Não deixe de assinar.

11 novembro, 2016

Uma carta de um missionário ao Papa Francisco.

Missionário no Tibet ao Papa. Proselitismo? Enviaste-me aqui para converter pagãos, hereges e cismáticos. 

Por Marco Tosatti, 31 de outubro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: O site Adelante la Fe publicou uma carta que um missionário no Oriente teria enviado ao Papa, da sua missão no Himalaia, em 5 de Outubro de 2016. É uma carta muito longa, que aconselhamos a todos que leiam o original em espanhol, mas, que achamos por bem reportar alguns trechos porque tocam em temas quentes, mesmo hoje, o dia da visita à Suécia: conversão, missão e “proselitismo”, temas que parecem cativar neste momento, a atenção do Pontífice reinante.

“Estando em uma missão, pela graça de Deus, na cordilheira do Himalaia e a ponto de comemorar os quatro anos da minha ordenação sacerdotal, decidi escrever-lhe esta carta, tornando-a pública porque o seu conteúdo é da mesma natureza”, escreve o padre Federico Juan, S.E.

Tendo sido enviado há algum tempo como um missionário para o Extremo Oriente,  escreve o religioso (“uma enorme graça celestial para mim com a minha alma pecadora”), no entanto, “meu espírito sofre uma extrema desolação ao ler as repetidas investidas de Sua Santidade contra aquilo que de um modo pejorativo e sem distinção chama de proselitismo. E, particularmente, a dor que me causou ter lido que o Vigário de Cristo, sem esclarecer o sentido, disse que o ‘proselitismo é um absurdo solene e que não faz sentido’. Poderíamos até dizer que esta frase é o resultado de uma transcrição infiel por parte de um jornalista ateu, mas a sua publicação na página oficial da Santa Sé torna essa defesa improvável”.

Continua, assim, a carta do missionário. “E cresceu ainda mais a minha angústia quando Sua Santidade perguntou retoricamente: ‘Eu vou convencer alguém para que se torne Católico?’, e em seguida vem a resposta: ‘Não, não, não’. (Mensagem de vídeo para a Festa de São Caetano). Essa tripla negação do papa atual trouxe-me à mente aquela do primeiro”.

Padre Fernando recorda que a Santa Madre Igreja, por meio dos superiores religiosos, e “também por meio de Sua Santidade – que, pessoalmente, ordenou-me para ser um missionário no Extremo Oriente”, enviou-o para terras distantes para evangelizá-los.

“Eu não recebi nenhum mandato como assistente social, como socorrista em emergências, alfabetizador, distribuidor de polenta ou dialogante em série; mas fui enviado pelo Pai celeste e pela Santa Igreja como o arauto da Santa Fé Católica, para tentar ganhar para Cristo o maior número de almas, pregando oportuna e inoportunamente”.

O missionário disse que está feliz de “empenhar-se até a morte para ganhar para a Igreja Católica tantas almas quanto seja possível”,  certo de que assim alcançarão o Paraíso e convencido de que este trabalho de “difundir a Igreja de Deus em terras pagãs, terras de heresia e de idolatria é uma obra sagrada de misericórdia”, superiora a todos bens corporais ou benefícios temporais. O exemplo que o inspira é São Francisco Xavier, Jesuíta assim como o Pontífice.

“Em espanhol, podemos bem dizer que é Deus encarnado que, em pessoa, nos mandou ‘proselitar’ a todas as nações … e se alguém simplesmente pensa que o proselitismo é um absurdo, solenemente responderemos que a sabedoria de Deus é loucura para o mundo”.

O missionário se sente impulsionado a “manifestar o profundo mal-estar que invade a alma ao constatar as repetidas condenações daquelas obras que Sua Santidade define com o termo socialmente pejorativo de proselitismo”. O termo em espanhol é extremamente ambíguo e pode ser usado para definir manobras covardes e ao mesmo tempo o sacrifício apostólico dos missionários “que se consomem e morrem para converter pagãos, hereges e cismáticos à única e verdadeira Igreja”. O religioso recorda alguns textos famosos das missões, em que o termo é usado em um sentido positivo. Mas sofre quando vê que o Pontífice “omite em citar ” o sentido bom do termo: “esta omissão é muito dolorosa para o meu espírito, porque se não é esclarecido o outro valor, é quase obrigatório interpretar essas condenações papais como uma repreensão fulminante contra o trabalho de cada missionário, inclusive o subscrito, que ousou fazer aquilo pelo qual foi enviado pela própria Igreja, ou seja, a conversão dos infiéis”.

“Beijando os seus digníssimos pés”,  padre Federico pede ao Pontífice uma bênção, e que esta carta o impulsione a “esclarecer o significado das suas declarações, e, portanto, reivindicar a importância e a urgência de trabalhar incansavelmente para a conversão à fé Católica de todos os pagãos, hereges e cismáticos “.

9 novembro, 2016

Vitória de Trump, derrota de Francisco.

Vitoria de Trump, derrota de Hillary…, e não só: derrota de Francisco.

Por FratresInUnum.com: Ele está perdendo todas. Perdeu no plebiscito que excluiu da política colombiana os criminosos das FARC. Perdeu na Hungria, que continuou com a política restritiva aos imigrantes islâmicos, protegidos dele; perdeu na Argentina, que derrotou Kirchner, beijada e paparicada por ele; perdeu no Brasil, com o impeachment da Dilma, momento triste para ele, que causou o tristíssimo cancelamento da viagem para cá dele.

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Agora, perdeu nos EUA!

Lembremos as declarações de Francisco sobre Trump na entrevista do vôo de regresso da América:

“Uma pessoa que pensa em construir muros, quem quer que seja, não é cristão. Este não é o Evangelho”, disse Francisco aludindo às declarações do candidato à presidência dos EUA que planeja construir 2500 km de cerca ao longo da fronteira entre EUA e México e deportar 10 milhões de imigrantes ilegais. Católicos americanos devem votar nele? “Eu não me meto, apenas digo que este homem não é cristão, se ele diz essas coisas. É preciso ver se ele disse isso ou não. Sobre isso dou-lhe o benefício da dúvida.”

Por sua vez, Trump não o deixou sem resposta:

“O Papa é uma figura muito política. Para um líder religioso, pôr em dúvida a fé de uma pessoa é vergonhoso. Eu sou orgulhoso de ser cristão e como presidente não vou permitir que a Cristandade continue sendo constantemente atacada e enfraquecida, assim como está acontecendo agora, com o atual presidente norte-americano”.

E na sua página do Facebook, Donald Trump também respondeu ao Papa:

“Se e quando o Vaticano for atacado pelo ISIS, que, como todos sabem, é o troféu mais cobiçado pelo ISIS, eu posso assegurar-lhes que o Papa teria desejado e rezado para que Donald Trump fosse o Presidente, porque comigo isso não teria acontecido. O ISIS já teria sido erradicado, ao contrário do que está acontecendo agora com nossos políticos que são tudo conversa e nada de ação”.

Pois bem, vê-se que a influência de Francisco sobre o mundo é mínima, ao contrário do que celebram os progressistas, cuja insistência em propagandeá-la apenas flagra a sua real irrelevância: um Papa que tem autoridade moral fala por si mesmo, inclusive a despeito de todos os seus inimigos intra e extra-eclesiais, e não precisa dessa corte de bajuladores histéricos que apenas atestam a sua ineficiência. A simpatia que o povo tem por Francisco é apenas por sua figura, pelo personagem difundido como humilde e simpático. No entanto, assim como no Brasil, por todo o mundo se faz o contrário do que ele espera.

Francisco está na contra-mão do povo, na contra-mão da realidade. Que os bispos acordem. Se eles continuarem na mesma estrada, acabarão deixando a Igreja como apêndice da história, e eles mesmos se tornarão cada dia mais inócuos, distantes dos fiéis e emudecidos pela vida.

É, hoje deve ser um dia difícil em Roma. Deus salve a América!

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7 novembro, 2016

A injustificada remoção do bispo de Albenga.

Por Emmanuel Babieri, Corrispondenza Romana, 7 de setembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com:  No dia 1º de Setembro de 2016, a Sala de Imprensa do Vaticano anunciou que “o Santo Padre aceitou a renúncia ao governo pastoral da diocese de Albenga-Imperia (Itália), apresentado por S.E. Mons. Mario Oliveri. Ele será sucedido por S.E. Mons. Guglielmo Borghetti, até agora coadjutor da mesma diocese”.

mons-mario-oliveri-327x278O jornal Corriere della Sera do mesmo dia, ao anunciar sua renúncia, escreveu que Mons. Guglielmo Borghetti, “homem de confiança do Pontífice, em maio passado já havia “esvaziado” o seminário da Ligúria, onde eram acolhidos os candidatos ao sacerdócio descartados de outras dioceses: as regras estabelecidas por Ratzinger, de fato, deixam claro que não pode ser ordenado um sacerdote que tem tendências homossexuais”. Infelizmente, é evidente que não há um só seminário italiano que não tenha algum sacerdote com tendência homossexual em seus quadros, mesmo porque a ordem do dia nos círculos eclesiásticos é que a homossexualidade, ao contrário de pedofilia, não é uma culpa grave. Assim, a situação da diocese de Albenga certamente não é pior do que a das demais dioceses também muito importantes. Por que então selecionar apenas esse bispo?

Além disso, no anúncio feito pelo Boletim da Santa Sé se lê o fatídico cânon 401 § 2 acerca da renúncia de um bispo diocesano, quando ele entrega a sua demissão antes da idade de setenta e cinco anos, caso que diz respeito a Monsenhor Oliveri. Na mensagem de despedida que o bispo apresentou à sua diocese, Monsenhor Oliveri diz demitir-se para atender a um pedido feito pelo Papa e cita uma passagem de uma carta dirigida a ele pelo Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos, onde ele é convidado – porque agora já bispo emérito – “a  contribuir com suas palavras e com os seus gestos, evidentemente inspirados por Deus, pela caridade cristã e pela sabedoria pastoral, a acalmar os ânimos, para a manutenção da paz nos corações dos sacerdotes e fiéis desta comunidade diocesana”.

Os motivos graves que obrigaram o Papa a forçar a saída de  Dom Oliveri da liderança de sua diocese não são enunciados pela Santa Sé (não é mencionado sequer o cânon do C.I.C. sobre matéria grave, como acontece com todos os casos em questão). Um bispo, cujos gestos são inspirados pela “sabedoria pastoral” certamente não é convidado a demitir-se por conduta imprópria.

O motivo para a demissão de Dom Oliveri deve ser procurado em outro lugar. Sua verdadeira culpa não é a que o Corriere della Sera lhe atribui: a falta de severidade com a conduta moral do seu clero, mas sim o que o mesmo jornal, em outra passagem, sugere: ser “fiéil a Bento XVI na possibilidade de celebrar a Missa no rito antigo (algo que ele gostava de fazer, pessoalmente, ao contrário do Papa Emérito)”.

A razão de fundo para a remoção de Dom Oliveri pode ser identificada no fato de que o bispo de Albenga sempre inspirou seu ministério e seu trabalho numa visão de plena continuidade com o ensinamento perene da Igreja. Por ocasião de seu 25º aniversário de Episcopado, apareceu o primeiro livro contendo suas obras, Fides et pax (Cantagalli, Siena 2016), onde se pode encontrar um resumo de seu ensino, de modo dissonante do que agora é o corrente.

A voz de um bispo segundo a qual “a nossa missão é de natureza sobrenatural e tende essencialmente ao Reino do Céu, à vida com Deus, bem consciente, iluminada pela Palavra de Cristo que o seu reino ‘não é deste mundo’, ‘não é daqui'”(Homilia de ingresso na Diocese em 25 de novembro de 1990), soava bem diferente da de muitos prelados, hoje só comprometidos em abrir as igrejas aos imigrantes, ignorando completamente o seu bem espiritual. Dom Oliveri destacou-se também pela generosa hospitalidade para com um outro tipo de imigrante: os seminaristas e sacerdotes perseguidos pelos seus bispos pelo o amor que tinham pela Tradição da Igreja. Muitos deles agora se sentem órfãos. E ainda mais uma vez, órfãos de uma autêntica figura episcopal que Papa Francisco fez calar a voz.

4 novembro, 2016

500 anos depois, de joelhos diante de Lutero.

Por Roberto de Mattei, “Il Tempo”,  Roma,  02-11-2016 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comDizemo-lo com profunda dor. Parece uma nova religião aquela que aflorou em Lund no dia 31 de outubro, durante o encontro ecumênico entre o Papa Francisco e os representantes da Federação Luterana Mundial. Uma religião em que são claros os pontos de partida, mas obscura e inquietante a linha de chegada.

O slogan que mais ressoou na catedral de Lund foi o da necessidade de um “caminho comum” que leve católicos e luteranos “do conflito à comunhão”. Tanto o Papa Francisco quanto o pastor Martin Junge, secretário da Federação Luterana, se referiram em seus sermões à parábola evangélica da videira e dos ramos. Católicos e luteranos seriam “ramos secos” de uma única árvore que não dá frutos por causa da separação de 1517. Mas ninguém sabe quais seriam esses “frutos”. O que católicos e luteranos parecem ter agora em comum é apenas uma situação de profunda crise, ainda que por motivos diferentes.

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O luteranismo foi um dos principais fatores da secularização da sociedade ocidental e hoje está agonizando pela coerência com que desenvolveu os germes de dissolução que portava dentro de si desde a sua irrupção. Na vanguarda da secularização estiveram os países escandinavos, apresentados por longo tempo como modelo do nosso futuro. Mas a Suécia, depois de ter-se transformado na pátria do multiculturalismo e dos direitos homossexuais, é hoje um país onde apenas 2% dos luteranos são praticantes, enquanto quase 10% da população segue a religião islâmica.

A Igreja Católica, pelo contrário, está em crise de autodemolição porque abandonou sua Tradição para abraçar o processo de secularização do mundo moderno na hora em que este entrava na sua fase final de decomposição. Os luteranos procuram no ecumenismo um sopro de vida, e a Igreja Católica não adverte nesse abraço o mau hálito da morte.

“O que nos une é muito mais do que aquilo que nos divide”, foi ainda dito na cerimônia de Lund. Mas, o que une católicos e luteranos? Nada, nem sequer o significado do batismo, o único dos sete sacramentos que os luteranos reconhecem. Para os católicos, o batismo elimina de fato o pecado original, enquanto para os luteranos ele não pode apagá-lo, porque consideram a natureza humana radicalmente corrupta, e irremovível o pecado. A fórmula de Lutero “peca com força, mas crê com maior força ainda” resume o seu pensamento. O homem é incapaz de praticar o bem e não pode senão pecar e abandonar-se cegamente à misericórdia divina. A vontade corrompida do homem não tendo nenhuma participação nesse ato de fé, no fundo é Deus que decide, de forma arbitrária e inapelável, quem se condena e quem se salva, como deduziu Calvino. Não existe liberdade, mas apenas rigorosa predestinação dos eleitos e dos condenados.

A “Sola Fide” é acompanhada pela “Sola Scriptura”. Para os católicos, a Sagrada Escritura e a Tradição são as duas fontes da Revelação divina. Os luteranos eliminam a Tradição porque afirmam que o homem deve ter uma relação direta com Deus, sem a mediação da Igreja. É o princípio do “livre exame” das Escrituras, a partir do qual fluem o individualismo e o relativismo contemporâneos. Este princípio implica a negação do papel da Igreja e do Papa, que Lutero define como “apóstolo de Satanás” e “anticristo”. Lutero odiava especialmente o Papa e a Missa católica, que ele queria reduzir a mera comemoração, negando-lhe o caráter de sacrifício e impugnando a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. Mas, para os católicos, a renovação incruenta do sacrifício de Cristo existente na Missa é a fonte principal da graça divina. Trata-se de simples incompreensões e mal-entendidos?

O Papa Bergoglio declarou em Lund: “Também nós devemos olhar, com amor e honestidade, para o nosso passado e reconhecer o erro e pedir perdão.” E ainda: “Com a mesma honestidade e amor, temos de reconhecer que a nossa divisão se afastava da intuição originária do povo de Deus, cujo anseio é naturalmente estar unido, e, historicamente, foi perpetuada mais por homens de poder deste mundo do que por vontade do povo fiel.” – Quem são esses homens de poder? Os Papas e os santos, que combateram o luteranismo desde o início? A Igreja, que o condenou durante cinco séculos?

O Concílio de Trento pronunciou um ditame irrevogável sobre a incompatibilidade entre a fé católica e a protestante. Não podemos seguir o Papa Francisco por um caminho diferente.

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3 novembro, 2016

Ecumenismo: Papa reafirma posição da Igreja Católica quanto à ordenação sacerdotal de mulheres.

Francisco sublinha importância da dimensão feminina na vida eclesial

Lisboa, 01 nov 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco reafirmou hoje em conferência de imprensa a posição da Igreja Católica, que rejeita a ordenação sacerdotal de mulheres, após uma viagem ecuménica à Suécia, onde se encontrou com luteranos, na qual se implementou essa prática.

“Sobre a ordenação de mulheres na Igreja Católica, a última palavra clara foi pronunciada por São João Paulo II e ela permanece. Isso permanece”, disse aos jornalistas que o acompanharam no voo entre Malmo e Roma.

Francisco referia-se à carta apostólica ‘Ordinatio Sacerdotalis’, de 1995, de João Paulo II.

“A Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”, escreveu o santo polaco.

O Papa Francisco explicou que a eclesiologia católica tem uma dimensão “petrina, isto é, episcopal”, e a “dimensão mariana”, ligada à missão maternal da Igreja, “no sentido mais profundo”.

“Não existe Igreja sem esta dimensão feminina, porque ela mesma é feminina”, insistiu.

O pontífice argentino sustentou que o diálogo ecuménico deve centrar-se na “compreensão” recíproca e no trabalho em favor dos mais necessitados, com “grande respeito”.

Francisco confirmou a sua intenção de visita a Índia e o Bangladesh em 2017, ano em que vai associar-se também ao 50.º aniversário do Renovamento Carismático Católico, em Roma.

O Papa respondeu a uma pergunta sobre a secularização da Europa, sublinhando que quando esta existe “há algo fraco na evangelização” da Igreja.

“Na secularização, penso que mais tarde ou mais cedo se chega ao pecado contra Deus criador. O homem suficiente. Não é um problema de laicidade, porque é desejável uma sã laicidade”, declarou.

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