Posts tagged ‘O Papa’

12 novembro, 2020

Papa Francisco telefona para Joe Biden.

FratresInUnum.com, 12 de novembro de 2020 – Segundo notícia do site oficial de Joe Biden, esta manhã, o Papa Francisco telefonou ao candidato democrata, ainda não confirmado como presidente eleito dos EUA, para parabenizá-lo, abençoá-lo e se oferecer como parceiro político.

“O presidente eleito Joe Biden falou esta manhã com Sua Santidade, o Papa Francisco. O presidente eleito agradeceu Sua Santidade por estender bênçãos e parabéns e notou seu apreço pela liderança de Sua Santidade na promoção da paz, reconciliação e os laços comuns da humanidade em todo o mundo. O presidente eleito expressou seu desejo de trabalhar juntos com base em uma crença compartilhada na dignidade e igualdade de toda a humanidade em questões como cuidar dos marginalizados e dos pobres, enfrentar a crise das mudanças climáticas e acolher e integrar os imigrantes e refugiados em nossas comunidades”.

Francisco, realmente, não tem limites quando o assunto é promover a agenda esquerdista. Ele é um papa com partido! Um escândalo para os fieis católicos de todo o mundo. 

Resta-nos saber se, no final do pleito, a ser decidido nos tribunais, se Trump for reeleito, Sua Santidade irá também fazer um gentil telefonema ao Presidente dos Estados Unidos.

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10 novembro, 2020

As eleições americanas. Uma análise parcial.

Por FratresInUnum.com, 10 de novembro de 2020 – Deus quer a salvação das almas. Esta é a moldura através da qual nós lemos todos os acontecimentos humanos, desde os mais corriqueiros até a geopolítica mundial. Sem este pressuposto, nossas análises podem ser politicamente acertadas, mas sempre padecerão a ausência do elemento essencial, que define todos os demais e que não pode ser jamais ignorado pelos cristãos. Dito isso, passemos à observação dos fatos.

Biden, dito “católico”, chega para assistir à missa em Wilmington, Delaware, neste domingo. JONATHAN ERNST / REUTERS

Uma visão serena sobre a eleição americana

Apesar de toda a histérica celebração da mídia, da mesma mídia que fez uma acirrada campanha pela vitória de Joe Biden, a disputa eleitoral nos Estados Unidos ainda não foi concluída. Comemorar antes do tempo, mais do que sinal de vitória, pode ser uma mais eloquente manifestação de insegurança e derrota: eles precisam criar uma narrativa antes de serem obrigados a simplesmente reconhecer uma eventual perda.

Em todo caso, mesmo que o resultado final da eleição seja a vitória de Biden, existem alguns fatos que não podem ser contestados. Em primeiro lugar, a fraude relatada na votação não foi apenas gigante, mas foi amplamente documentada, coisa absolutamente escandalosa em se tratando da eleição de um presidente americano.

Aliás, é preciso notar que a própria mídia foi obrigada a retroceder em sua euforia: num primeiro momento, davam Biden como elected president, agora o dão como projected winer. Seria uma recordação da eleição entre Bush e o queridinho da midia, Al Gore, em 2000? Este último foi celebrado amplamente pela grande imprensa para, um mês depois, ser derrotado nos tribunais. 

Em outras palavras, o presidente Trump deixou a mídia internacional comemorar, tranquilamente, judicializou o pleito, dadas as incontestes manipulações dos votos, e, enquanto isso, foi serenamente jogar golf

Depois de uma campanha tão desequilibrada, em que toda a elite americana e até global se empenhou em eleger desesperadamente Biden, a única coisa que eles conseguiram obter, recorrendo à fraude, foi a metade do eleitorado. Isso não foi efetivamente uma vitória, mas uma derrota glamourosa

É preciso esperar o resultado da eleição após apreciação dos recursos judiciais e da recontagem. A questão eleitoral pode, inclusive, ficar em segundo plano diante da demanda criminal da fraude absurda. Não adianta contar com uma vitória antecipada. Contudo, mesmo que Biden seja o presidente, qual será o impacto real na política americana?

Quadro político resultante da eleição

Os conservadores não apenas saíram moralmente reforçados do pleito – de fato, as fraudes “milagrosamente” beneficiaram apenas Biden –, mas obtiveram até agora maioria no Senado e, portanto, garantem a presidência da casa. É bastante improvável uma virada dos democratas no placar. Dada a idade de Joe Biden e o seu estado senil, é provável que não suporte a presidência e seja sucedido pela sua vice, a escandalosa Kamala Harris, que terá como “vice-presidente” o presidente do Senado.

O regime americano é profundamente federalista (isso se observa bem pelas eleições: o candidato ganha todos os votos do colégio eleitoral quando vence no Estado), o que dá ao Senado uma importância muito maior do que a a da Câmara dos Representantes (equivalente à nossa Câmara dos Deputados), aliás, exatamente o oposto do que no Brasil. 

Os senadores realmente conseguem limitar a ação do presidente da República e tornar o seu governo bastante controlado internamente. Porém, até mesmo na Câmara dos Representantes o partido republicano cresceu, embora não tenha obtido maioria. O que mostra não apenas uma incongruência eleitoral – como é que os americanos votaram em legisladores conservadores e num presidente liberal? –, mas sobretudo que o governo de um eventual presidente Biden não será nada fácil. 

Os próprios progressistas já reconheceram que uma eventual derrota de Trump não equivale ao fim do trumpismo.

Diferença entre Trump e a onda conservadora

A mídia atual confunde o conservadorismo americano com a pessoa de Donald Trump e, portanto, atribui imediatamente a eventual derrota de Trump a um enfraquecimento da direita americana. Isso não passa de uma completa inversão da realidade.

Na verdade, o fenômeno Trump é apenas o resultado da reação popular ao progressismo de Obama aglutinado no Tea Party, em que a América profunda, o povo americano, cristão e conservador, cerrou fileiras em torno de seus valores e contra o socialismo que, então, avançava.

A onda conservadora, como demonstramos acima, não diminuiu nem um pouco. Antes, aumentou. Se a fraude das eleições foi necessária é justamente porque o sucesso de Trump, decorrente da própria natureza conservadora do povo (e não o contrário), é um fato por si mesmo inconteste.

O vergonhoso mito do “católico” Joe Biden

Mal a imprensa anunciou a projetada vitória de Biden, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos se apressou em manifestar a sua nota de apoio: “Parabenizamos o senhor Biden e reconhecemos que se une a John F. Kennedy como segundo presidente dos Estados Unidos a professar a fé católica”.

Ora, a agenda política de Biden sustenta a ampliação do direito ao aborto, a redefinição do casamento natural e o favorecimento da homossexualidade. Ele chega ao ponto de defender a descriminalização da transgenerização de crianças e a candidatura de Kamala Harris foi apoiada pela Planned Parenthood!

Diante disso tudo, como é que os bispos podem dizer que ele “professa a fé católica”? A resposta é bastante óbvia, nos parece: é que os bispos já não professam mais a fé católica, mas a ideologia bergogliana, reinante no Vaticano desde 2013.

Os planos triunfalistas da esquerda católica intra muros vaticanos

Vaticanistas há que comemoram antecipadamente a eventual eleição de Biden justamente porque ela liberararia o pontificado de Francisco das movimentações do arcebispo Carlo Maria Viganò e dos conservadores, facilitando a agenda reformista (diga-se, herética) do pontífice argentino. Contudo, uma coisa são os planos da esquerda católica, agora em poder no Vaticano, outra coisa é a sua realização.

Como foi bem notado, embora Francisco tenha chegado ao ponto de lançar um filme em sua própria auto-glorificação nas vésperas das eleições americanas (aquele documentário em que eles propositalmente lançaram a frase do papa de apoio à união civil dos homossexuais), a única coisa que ele conseguiu com isso foi manter a divisão exata entre os católicos, metade dos quais votou ainda em Donald Trump.

A Igreja é um Corpo imenso e a cabeça humana não consegue acelerar demasiadamente em sua violência revolucionária, justamente porque precisa sustentar o peso do corpo. E os fieis estão fazendo um heroico e gigantesco corpo mole, por todos os lados.

O problema de Francisco não é com o presidente da República dos EUA, mas com os seus fieis, que já não se reconhecem nele. A Igreja está paralisada por todos os lugares e ele simplesmente não consegue atrair a atenção do povo. Aliás, alguém aí notou algum entusiasmo por Fratelli tutti? As próprias Edições CNBB tiveram que colocar os livros do Papa Francisco em promoção – por que será?

Em todo caso, não deixa de ser impressionante como Francisco tem medo de Viganò, a ponto de não ter sequer respondido às suas denúncias, num silêncio sepulcral que demonstra receio até diante  do compartilhamento de Trump da carta que o arcebispo lhe escrevera. Francisco, igualmente, tem medo das acusações de herege que frequentemente se lhe fazem, pois sabe que isso lhe pode custar o pontificado, a tal ponto que a Secretaria de Estado do Vaticano enviou uma carta circular a todas as Nunciaturas Apostólicas do mundo, esclarecendo (muito mal, porém) as palavras ambíguas do pontífice. 

O Vaticano está aos pedaços, com uma crise administrativa, moral e doutrinal sem precedentes, a tal ponto que Francisco precisou, em carta, explicar aos cardeais as alterações nas funções financeiras dentro da Cúria Romana, de tal modo que a própria Secretaria de Estado passará a depender financeiramente da APSA, o que decerto lhe trará ainda muita dor de cabeça.

Se Biden vencer, como fica o Brasil?

A agenda amazônica é certamente o ponto de convergência entre Biden e o globalismo desenfreado do eco-socialismo de Papa Francisco. No início do mês, Biden disse que “o presidente Bolsonaro deve saber que se o Brasil deixar de ser um guardião responsável da Floresta Amazônica, minha administração reunirá o mundo para garantir que o meio ambiente seja protegido”. 

Esta é uma verdadeira ameaça! Aliás, uma ameaça que deve ter causado profunda euforia na esquerda eco-“católica” liderada pelo cardeal Hummes. 

A internacionalização da Amazônia é uma das metas não confessadas do recente Sínodo, que criou uma espécie de Conferência Episcopal – a tal da “Conferência Eclesial Amazônica” (o termo Episcopal foi evitado justamente por incluírem-se aí índios, mulheres, padres etc), – para transformar todo o território pan-amazônico num “novo sujeito eclesial”, em expressão do Papa Francisco reportada por Cardeal Hummes

Os militares brasileiros sempre se gabaram de serem os melhores em “guerra na selva”. De fato, eles precisam preparar-se, pois talvez a situação se agrave tremendamente. O pior é os católicos brasileiros terem de passar a vergonha de verem os seus bispos como traidores do país, como lacaios do governo mundial e servos da internacionalização do nosso território amazônico. Decerto, as Igrejas protestantes irão explodir nos próximos anos!

A salvação das almas, meta única da Providência Divina

O mundo dos sonhos de satanás é formado por baratas e elefantes, é o mundo ecológico em que o ser humano desapareceu, como vive utopizando o ex-frei Leonardo Boff: “nós podemos desaparecer, a Terra vai continuar girando em volta do sol por milênios”.

Deus, porém, quer a salvação das almas e, por isso, é possível que ele queira justamente que as máscaras de bondade desapareçam e a iniquidade dos homens perversos seja completamente descoberta, dentro e fora da Igreja. Não podemos nos desesperar.

Aconteça o que acontecer, a graça divina está atuando nas almas. Vejam, como exemplo, que o Lula fez 75 anos há uma semana e, na LIVE comemorativa, assistiram cerca de 400 pessoas ao vivo e o vídeo chegou apenas à marca de 8,2 mil visualizações. Uma vergonha!

Precisamos permanecer fortes na resistência católica e alentar os fieis a que não desanimem, apesar de a estrutura eclesial estar quase inteiramente na mão de revolucionários, bem como talvez agora o governo dos EUA. No mais, temos que confiar inteiramente na promessa de Nossa Senhora de Fátima e lutar destemidamente. Nossa vitória virá do céu e nós estamos do lado dos vencedores.

1 novembro, 2020

E-Book grátis: “Como o Vaticano II serve à Nova Ordem Mundial” – A conferência escrita de Mons. Viganò.

FratresInUnum.com, 1 de novembro de 2020 – Nesta solenidade de Todos os Santos, queremos presentear os nossos leitores com a nossa tradução de um texto epocal, a Conferência do arcebispo Carlo Maria Viganò sobre “Como o Vaticano II serve à Nova Ordem Mundial”.

O vídeo da Conferência, amplamente compartilhado esta semana, causou imenso impacto entre os católicos, não apenas porque Mons. Viganò é uma testemunha privilegiada de tudo que ele está dizendo (trabalhou na Cúria Romana, foi membro do corpo diplomático da Santa Sé e foi núncio apostólico de dois papas), mas sobretudo porque tudo que ele diz é flagrantemente verdadeiro e muito bem dito, especialmente nestes tempos sombrios que estamos vivendo.

O texto completo de sua conferência (que não foi integralmente lido por ele no vídeo referido) foi disponibilizado em inglês pelo site The Remnant. O nosso trabalho foi simplesmente o de traduzir (aliás, se algum leitor quiser melhorar a tradução, fique à vontade; não somos tradutores profissionais e fizemos apenas aquilo que podíamos para o quanto antes disponibilizar para o público brasileiro este texto excepcional).

Tivemos também a iniciativa de diagramar o texto num formato que facilite a leitura, bem como colocá-lo sob a forma de e-book — basta clicar aqui ou na imagem acima para baixá-lo –, para ser mais facilmente compartilhável (sempre de maneira gratuita).

Agradecemos a Deus pela coragem de Mons. Viganò e pedimos a intercessão da Santíssima Virgem e de Todos os Santos para que esta obra de restauração da fé católica prospere grandemente, para a maior glória de Deus. A nossa parte consiste em resistir firmemente, em fazer o que é correto, em lutar pelo trinfo do Reinado de Jesus Cristo e do Coração Imaculado de Maria, bem como pela glória da Civilização Cristã!

27 outubro, 2020

A pressa gay e a divisão da Igreja.

Por FratresInUnum.com, 27 de outubro – A divisão já está estabelecida. Não se trata de uma eventualidade futura, mas de um desastre consumado, cujas consequências precisam ser minoradas, pressupondo que isso seja de algum modo possível.

A divulgação do trecho censurado da entrevista de Francisco em que ele faz a desastrosa declaração de que se deve aprovar uma lei de união civil para duplas de homossexuais já produziu confusão entre os fiéis e causou uma ferida de difícil cicatrização: em outras palavras, contrariando o senso comum, a lei moral natural e a doutrina da Igreja, ele simplesmente sustenta que o reconhecimento (união, convivência, ou qualquer outro  nome que quisesse dar) das uniões gays é de direito natural.

Os fiéis responderam de modo enfático em sua rejeição a este ensino flagrantemente oposto a tudo aquilo que a razão e a fé sempre sustentaram em profunda harmonia. O ensino da Igreja é claro: o respeito aos homossexuais não deve jamais pressupor nem uma aprovação às suas condutas ilícitas nem tampouco danificar o bem comum da sociedade, fundada sobre a família natural.

A reação dos fiéis, porém, provocou uma nova reação ainda mais violenta por parte da hierarquia: a culpabilização das críticas feitas contra as declarações polêmicas do Papa Francisco. Mas…, se o que ele quis causar não foi polêmica, o que foi, então?

Ontem, na Rede Vida de Televisão, “O canal da família”, como eles usam se autointitular, o Padre Juarez de Castro, com aquela sua conversinha de comadre, permitiu que se fizesse uma aberta apologia das uniões civis para ajuntamentos homossexuais, chegando a entrevistar um senhor, gay declarado, com o qual o padre manteve um diálogo muito bem entabulado, e que se lamentava de que no Brasil a união civil de homossexuais ainda é só uma resolução judicial, não uma lei do Estado (embora ele mesmo tenha declarado que o número de “enlaces” celebrados por juízes-de-paz tenham chegado a 127 mil). E tudo com grandes elogios e anuências do Padre!

Eles não perdem tempo! Há uma pressa gay instalada e em aceleração. Enquanto o povo fica atônito, perdido, desorientado, sem entender como se pode chegar a tamanho absurdo.

Os papólatras atacam o povo, dizem que Francisco apenas declarou uma obviedade… Óbvio aqui é este fingimento cínico! Como é que um papa se permite dizer o oposto daquilo que sempre ensinou a sua Igreja, censurar a sua própria fala e, depois, divulgar a própria fala censurada num documentário laico? Óbvio aqui é que não é assim que se faz Magistério, óbvio aqui é que o papa não é um pároco rural que pode dizer qualquer coisa, óbvio aqui é que a sua fala tem consequências na vida de milhões de pessoas. O próprio fato de eles terem de dizer que isso “é óbvio” já desmente a alegada obviedade.

Mas também é óbvio que a defesa apaixonada de Bergoglio, este fervor papal que se nota em alguns eclesiásticos, não passa de entusiasmo por uma causa nada desinteressada: o fenômeno da homossexualidade no clero deixou de ser assunto de bastidores há muito tempo. Por isso, os fiéis agora vão ter que suportar mais essa: a defesa desta abominação nos púlpitos de suas Igrejas, dada a impetuosidade, a labareda, a excitação com que a causa gay reverbera no ânimo de alguns de seus pastores!

Enquanto isso, os homossexuais já lançaram aqui no Brasil o primeiro “quadrisal gay”, ou seja, um quarteto de homens que se amalgamam sexualmente. É isso: se dois homens podem se associar numa união análoga ao matrimônio, ainda que não idêntica, a instituição matrimonial em si está dessignificada, pois já não tem mais nenhum fundamento objetivo e natural, não está mais fundamentada na conjunção dos sexos e se esvaziou num mero arranjo, passível de toda e qualquer configuração. Daí é quadrisal, qüinqüísal, cinquentisal ou qualquer outra orgia que a mente humana inventar…

O argumento vale pra tudo! Qualquer união merece o respaldo da lei visto que o fundamento não é mais a realidade, mas aquilo que o próprio Francisco já denunciou como “bonismo”, ou seja, a ideologia do bem.

 

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6 outubro, 2020

Maçons: “‘Fratelli tutti’ demonstra quão distante a atual Igreja está de suas antigas posições”.

Por InfoVaticana, 5 de outubro de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com – Apresentamos a declaração da Grande Loja da Espanha a respeito:

“Há 300 anos se deu o nascimento da Maçonaria moderna. O grande princípio desta escola iniciátiva não mudou em três séculos: a construção de uma fraternidade universal onde os seres humanos se chamem irmãos uns dos outros, para além de seus credos concretos, de suas ideologias, de sua cor de pele, sua classe social, língua, cultura ou nacionalidade. Este sonho fraterno se chocou com o integrismo religioso que, no caso da Igreja Católica, propiciou duríssimos textos de condenação à tolerância da Maçonaria no século XII. A última encíclica do Papa Francisco demonstra quão distante está a atual Igreja Católica de suas antigas posições. Em ‘Fratelli tutti’, o Papa abraça a Fraternidade Universal, o grande princípio da Maçonaria moderna.

” Desejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade”, expressa, advogando por uma “fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita”. Para a construção dessa Fraternidade Universal, o Papa pede que se busque o horizonte da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “não suficientemente universais”.

A carta aborda o papel desintegrador do mundo digital, cujo funcinoamento favorece a circuitos fechados de pessoas que pensam do mesmo modo e facilitam a difusão de notícias falsas que fomentam preconceitos e ódios. “Deve-se reconhecer que os fanatismos, que induzem a destruir os outros, são protagonizados também por pessoas religiosas, sem excluir os cristãos, que podem «fazer parte de redes de violência verbal através da internet e vários fóruns ou espaços de intercâmbio digital. Mesmo nos media católicos, é possível ultrapassar os limites, tolerando-se a difamação e a calúnia e parecendo excluir qualquer ética e respeito pela fama alheia»”, acrescenta.

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21 agosto, 2020

«A persona Papae está em cisma com o Papado» – Mons. Viganò a Weinandy.

Fonte: Dies Irae

Publica-se, a pedido do Arcebispo Carlo Maria Viganò, uma carta que Sua Excelência Reverendíssima enviou, ontem, ao P. Thomas Weinandy, franciscano capuchinho norte-americano, por ocasião do debate iniciado sobre o Concílio Vaticano II.

10 de Agosto de 2020
São Lourenço, mártir

Reverendo Padre Thomas,

Li com atenção o seu ensaio Vatican II and the Work of the Spirit, publicado, a 27 de Julho de 2020, em Inside the Vatican (aqui). Parece-me que o seu pensamento pode ser resumido nestas duas frases:

«Partilho muitas das preocupações expressas e reconheço a validade de algumas problemáticas teológicas e questões doutrinárias enumeradas. Sinto-me, todavia, incomodado em concluir que o Vaticano II seja, de alguma forma, a fonte e a causa directa do actual estado desanimador da Igreja».

Permita-me, Rev. Padre, usar como auctoritas ao responder-lhe a um seu interessante escrito, Pope Francis and Schism, publicado, no passado 8 de Outubro de 2019, em The Catholic Thing (aqui). As suas observações permitem-me evidenciar uma analogia que espero que possa ajudar a esclarecer o meu pensamento e a demonstrar aos nossos leitores que algumas aparentes divergências possam ser resolvidas graças a uma profícua disputatio que tenha como objectivo principal a glória de Deus, a honra da Igreja e a salvação das almas.

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13 julho, 2020

Chateado.

Por FratresInUnum.com, 13 de julho de 2020 – O governo da Turquia anunciou que a Igreja de Santa Sofia será novamente transformada em Mesquita. Dedicada em 537 à Santa Sabedoria, isto é, a Jesus Cristo, sob o governo do imperador cristão Justiniano, a Igreja bizantina foi transformada em Mesquita em 1453, quando os otomanos impuseram a religião maometana em Constantinopla (mudando-lhe o nome para Istambul) e profanaram aquele lugar de culto. Em 1934, a Igreja foi transformada em museu e não foi mais usada como lugar religioso.

2014 - Francisco visita Santa Sofia.

2014 – Francisco visita Santa Sofia.

Na última sexta-feira, o presidente Erdogan anunciou a re-islamização de Santa Sofia, na qual planejam fazer a primeira oração maometana no dia 24 deste mês.

As reações no mundo ortodoxo foram fortes.

O Metropolita Hilarion, presidente do departamento de relações exteriores do patriarcado de Moscou, disse que a transformação da Igreja de Santa Sofia em uma Mesquita “é um duro golpe para a ortodoxia mundial, porque para os cristãos ortodoxos de todo o mundo ela assume o mesmo valor que, para os católicos, tem a basílica de São Pedro, em Roma. Este templo foi construído no VI século e é dedicado a Cristo Salvador e permanece para nós um templo dedicado ao Salvador”.

O patriarca Kiril, de Moscou, afirmou que “com amargura e indignação, o povo russo respondeu no passado e agora responde a qualquer tentativa de degradar ou pisar sobre a herança espiritual milenária da Igreja de Constantinopla”.

O Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, escreveu que “a transformação de Santa Sofia em Mesquita desiludiria milhões de cristãos no mundo” e esconjurou a decisão do presidente.

O arcebispo Chysostomos, de Chipre, disse não querer contatar o patriarca de Constantinopla porque “os turcos estão monitorando os nossos telefones” e ele manifestou preocupação porque “o patriarca ecumênico vive na Turquia e sabemos muito bem que cada pequena respiração que faz aborrece os turcos”.

O patriarca da Geórgia publicou nota em que manifesta preocupação, pois “a humanidade deve enfrentar muitos desafios globais” e, neste momento, “é muito importante manter e reforçar os bons relacionamentos entre cristãos e muçulmanos”.

O patriarca da Romênia enviou a Bartolomeu uma carta em que exprime seu apoio e reafirma “a sua solidariedade a todos aqueles que defendem este símbolo da Igreja universal”.

Até o porta-voz do governo grego declarou que buscará sanções internacionais contra a Turquia.

Enquanto isso, em Roma, esperava-se do Papa Francisco uma vigorosa defesa desta que é a primeira maior Igreja da cristandade, em sintonia com todos os demais patriarcas, mas, ao contrário, seu pronunciamento foi: “Meus pensamentos vão para Istambul. Eu penso em Santa Sofia e estou muito aflito”.

É! Realmente, é tudo só isso, Francisco simplesmente disse que está “chateado” com a situação, e não se atreve a dizer mais nada. Bem… A pergunta que fica é: “se fosse para falar só isso, não seria melhor ficar calado”?

Santa Sofia é a porta em que oriente e ocidente se abraçam e o fato em si tem algo a dizer sobre o nosso mundo: o ocidente está de tal modo vergado diante do islã que já não lhe oferece resistência e isto não se deve a uma tendência sociológica espontânea, coisa, aliás, que não existe.

A Igreja Católica um dia foi a Mãe e a Mestra do Ocidente e soube sê-lo de modo eminente, mas, desde após a Revolução Francesa, as forças secretas que queriam a hegemonia sobre o mundo ocidental entenderam que não adiantava mais matar cristãos e agredir o papado. Eles resolveram infiltrar-se na Igreja para desativá-la por dentro. E assim fizeram.

O Beato Pio IX denunciou, com a publicação do documento da Alta Vendita, exatamente como seria esta infiltração. São Pio X, depois, mostrou como os modernistas se organizaram em uma seita justamente para corroerem a Igreja e sua doutrina desde dentro. Pio XII, embora com menos energia, denunciou, na Encíclica Humani Generis, como estes erros tinham se transformado naquilo que se conheceu como Nouvelle Théologie, algo ainda mais elaborado e mais venenoso que o próprio modernismo.

Contudo, no Concílio Vaticano II, todas essas forças, até então discretas, manifestaram-se à luz do dia: colocaram uma linguagem ambígua nos textos conciliares, cuja interpretação, dada anteriormente de modo secreto por eles, seria posteriormente explicitada em termos tais que lançaram a Igreja na completa confusão doutrinal, no vazio, em que eles despontaram como única força organizada.

O resultado foi tão desastroso (destruição dos sacramentos, abandono em massa dos fiéis, deserção também em massa de religiosos e sacerdotes, perda generalizada de toda a doutrina de sempre, profanação de todos os sacramentos, e muito mais), que Paulo VI chegou a dizer que “a fumaça de satanás entrou na Igreja” e que esta passava por um “misterioso processo de auto-demolição”.

Ratzinger, nos anos 80, tentou igualmente fazer a denúncia da Teologia da Libertação como uma espécie de concretização de todos estes desvios do passado sob o recorte marxista: mais do que uma heresia, ela se apresenta como uma espécie de diluidora de toda a doutrina católica para fazer com que a Igreja se transforme apenas numa espécie de ONG focada nas bandeiras sociais que estão na moda (hoje, a revolução sexual e a revolução ecológica). A tentativa de Ratzinger nem precisamos dizer que fracassou completamente: mesmo depois de papa, a máfia de St. Gallen conseguiu desidratar de tal modo o seu pontificado que ele se viu com a única opção de renunciar.

Ora, Jorge Bergoglio é exatamente a imagem de papa sempre sonhada pelas forças revolucionárias que se infiltraram na Igreja, desde a Alta Vendita, passando pelos modernistas e pela Nouvelle Théologie, até a Teologia da Libertação. Ele é o símbolo arquetípico desta Igreja auto-demolidora, pois não apenas introjetou todas as mordaças doutrinais que nos impedem de reagir, mas assimilou completamente o modus pensandi do progressismo católico, que tem ódio do catolicismo tradicional e se pretende ocupar apenas das questões sociais que estão na moda, como ele faz.

Como Francisco poderia se pronunciar duramente contra a conversão de Santa Sofia em mesquita, quando o Vaticano II, em Nostra Aetate, afirma: “A Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca”?

Ou, como poderia ele fazê-lo, quando a declaração de Abu Dhabi, que ele mesmo assinou, afirma que: “O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos”?

Ora, como ele poderia execrar a profanação maometana de Santa Sofia se ele mesmo é o maior incentivador das migrações em massa de maometanos para a Europa? Como ele poderia falar mal dos muçulmanos sem tirar a mordaça da islamofobia concebida pela esquerda para silenciar qualquer política de resistência no Ocidente? Como ele defenderia a conservação ilícita de Santa Sofia, inclusive como um museu, sem ofender a sensibilidade dos cristãos ortodoxos e, assim, agredir o ecumenismo tão propalado por ele, ecumenismo especialmente querido quando o assunto é o ecologismo do Patriarca Bartolomeu?

O problema não é a descristianização do Ocidente, mas a descatolicização da Igreja Católica, que jogou o Ocidente inteiro nas mãos do secularismo mais atroz, totalmente embebido das bandeiras esquerdistas mais radicais, que foram meticulosamente pensadas para neutralizar a Igreja e deixar o caminho aberto para os seus mais declarados inimigos.

Hoje, Santa Sofia é profanada é transformada em Mesquita. Isto também é um símbolo: símbolo de vitória, símbolo de conquista e hegemonia cultural islâmica! No futuro, quem sabe não se irá cumprir aquele desejo tão profundo dos maometanos antigos: transformar a basílica de São Pedro num estábulo de cavalos. Só nos resta saber se, então, o papa de Roma continuará tão alinhado com os slogans esquerdistas e, obedientemente silencioso, dirá apenas, resignado, que está triste, dolorido, chateado.

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23 junho, 2020

A pequena “viagem apostólica” de Bento XVI.

Por FratresInUnum.com, 23 de junho de 2020 — Chega a ser impressionante como Bento XVI, sem dizer uma única palavra, já cansado, ancião, em cadeira de rodas, consegue ofuscar o seu sucessor! A viagem do pontífice à Alemanha foi um acontecimento retumbante e provou, mais uma vez, que o pontificado de Francisco não passa de um artificial fenômeno de mídia.

Bento resolveu sair de casa e visitar seu irmão de 96 anos. Queria despedir-se e dar-lhe os sacramentos. Em plena crise da pandemia, sem máscara nem luvas, aquele que enfrentou de peito aberto os piores teólogos do século XX, não temeu enfrentar o vírus chinês: foi e pronto!

Embora a razão da viagem tenha sido manifesta desde o início, não faltaram especulações interessantes. O próprio site ultra-bergogliano Vatican Insider chegou a reverberar em manchete uma notícia de um jornal alemão que sustentou a hipótese de que “Ratzinger poderia não voltar para Roma”. Curioso…

O Vatican Insider tem suficientes fontes — seu outrora editor, Andrea Tornielli, hoje chefia o editorial do Dicastério para a Comunicação do Vaticano —  para não precisar dar um tiro no escuro, para não fazer um mero chute jornalístico. Desde o início, aliás, o próprio porta-voz da Santa Sé dizia meio misteriosamente que Bento XVI “ficaria lá o tempo necessário”.

É um fato notório, porém, que a saída de Bento causou impacto e chamou muito a atenção. As pessoas queriam vê-lo, desejavam estar com o Santo Padre, tinham um desejo devoto de saudar o Papa. E talvez o seu discreto aparecimento tenha incomodado mais do que o previsto…

Para um papa como Francisco, que gosta de chamar a atenção, que telefona para jornalistas oferecendo-se para ser entrevistado, que ama jogar frases de efeito para ser reverberado pela imprensa, ser eclipsado por aquele que Meirelles em sua ficção “Os dois papas” apresentou como um papa antipático deve ser realmente uma tortura. Mas, seria uma tamanha vaidade a ponto de fazer um idoso ir e voltar de outro país, em menos de uma semana, em meio a uma pandemia?

No final das contas, sofrer o antagonismo de Ratzinger seria um golpe duro para Francisco e, por isso, parece ser bastante interessante manter um predecessor controlado, silencioso, devidamente trancado em seu mosteirinho, aquela pequenina Baviera vaticana em que ele resolveu sepultar-se vivo. É mais conveniente garantir o silêncio de Bento que permitir-lhe falar, ainda que aos sussurros, que deixar-lhe articular-se, ainda que mansamente.

O estrondo do livro de Bento XVI-Sarah em defesa do celibato foi enorme e adiou a agenda da ordenação dos viri probati. E tudo sob aquela velha diplomacia vaticana, em que olhares e sorrisos têm o peso de um touché. Imaginem o que seria Ratzinger livre…

Francisco disse certa vez que o “Papa emérito” é uma instituição. Isso quer dizer que, no fundo, o “experimento Bento” está sendo muito útil para que vejam o quanto pode ser incômodo conviver com um predecessor resignatário e, pior ainda, o quanto pode ser ruim ser este predecessor.

No fundo, a resposta para a questão que todos temos na cabeça – Bento XVI voltou porque quis ou porque foi forçado, digamos, pelas circunstâncias… – nos será dada pelo próprio Francisco daqui a alguns anos: terá ele coragem de renunciar ao pontificado e enfrentar o ostracismo da emeritude? Beberá ele do cálice que fizeram beber Ratzinger? Quem viver, verá!

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20 junho, 2020

A ideologia não poupa nada.

Papa em Lampedusa - Ambão inculturado

Papa Francisco em Lampedusa.

Nem a Ladainha de Nossa Senhora. O Cardeal Robert Sarah anunciou às conferências episcopais, em carta divulgada hoje, que Papa Francisco decidiu inserir três novas invocações a Nossa Senhora na Ladainha Lauretana:  “Mater misericordiae” (Mãe de Misericórdia), “Mater spei” (Mãe da Esperança) e, finalmente (!), “Solacium migrantium” (Conforto dos Migrantes).

Bem, ao menos não inseriu a Pachamama…

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20 maio, 2020

Com luva de pelica.

Por FratresInUnum.com, 20 de maio de 2020  – A revanche da elegância é simplesmente deliciosa! Bento XVI, como todo monarca realmente investido de personalidade refinada e aristocrática, sabe dar o seu “touché” sem descer ao nível desqualificado dos barraqueiros… A carta que ele escreveu sobre o centenário do nascimento de João Paulo II foi, para todos os efeitos, aquela alfinetada pontiaguda que dói na medula. – Ah, e como dever ter doído!

Bento

Assim como se percebe melhor a feiura em contraste com a beleza, Bento XVI, traçando um retrato de João Paulo II, deixa ver a quem quiser a face de Francisco. Aquilo que ele enfatiza mostra exatamente o que considera virtuoso no pontificado do papa polonês. O delicado tapa consiste, justamente, no fato de que são aspectos totalmente inexistentes no pontificado de Francisco. A carta de Bento sobre João Paulo II conduz, portanto, a um juízo sobre o atual governo do bispo de Roma.

A personalidade de Joseph Ratzinger poderia ser resumida também numa breve alcunha: “a humildade da verdade”. Sem gritar, sem tripudiar, sem se impor, com sua bondade e gentileza inigualáveis, ele é sinal desta Igreja hoje oprimida.

Com toda a discrição, Bento XVI mais uma vez brindou a Igreja com um retrato minuciosamente descrito, em contraste com o qual ficam devidamente denunciadas as deformidades deste pontificado. Foi uma bela provocação, a do bávaro papa demissionário, tão sutil quanto eloquente: um verdadeiro “tapa com luva de pelica”.

Ele começa fazendo um breve resumo da biografia do papa polonês. Oriundo de um cenário épico – guerras, ditaduras nazista e comunista, desgraças familiares –, mesmo assim, ele se dedicou ao estudo e foi um renomado professor universitário. Nada mais diferente de Francisco, que não foi qualificado para estudos superiores e viveu a vida inteira respaldando autoridades, mesmo quando isso trazia prejuízos para os seus colegas jesuítas.

Em seguida, Bento XVI mostra como Wojtyla foi eleito pontífice na mais profunda crise da Igreja pós-conciliar, que estava, segundo suas palavras, “em uma situação desesperada”, com uma fé falsa, em meio à balbúrdia litúrgica e em que tudo, inclusive a própria Igreja, era posto sob escrutínio. Será que existe alguma semelhança entre aquele período de confusão e o deste pontificado?… E que diferença de perspectiva em relação àquela que considera que a “Igreja nunca esteve tão bem”, não é mesmo?

Em outras palavras, embora se mostre vanguardista, Francisco nada mais é que um representante da requentada e ressentida ideologia progressista dos anos 70-80, que tanto dano causou à Igreja Católica e que já estava superada pela interpretação dos pontificados posteriores. Em poucas palavras, Francisco é démodé, retrógrado e, sobretudo, inapto para o cargo.

A diferença, segundo Ratzinger, é que Wojtyla adveio da Polônia, que, diferentemente da Argentina e do Brasil, é um país que recepcionou bem o Concílio, em continuidade com a tradição anterior.

João Paulo II, continua Bento XVI, teria devolvido o entusiasmo à Igreja, cenário realmente oposto ao completo vazio do pontificado atual, que, apesar de se pretender tão populista, encerrou-se no completo autoritarismo, refém de suas próprias ideologias, isolado na frieza, distante do povo, incapaz de se comunicar com o católico comum.

João Paulo II fez mais de cem viagens pastorais e encheu o mundo de alegria, criando uma relação afetuosa com os fiéis. O papa atual, por sua vez, assusta as almas tanto quanto seus gestos de falta de piedade.

Ainda segundo Bento XVI, João Paulo II expôs a moral da Igreja e suscitou oposição no ocidente. Impossível não ver o contraste com Bergoglio, que trata como obsessão e legalismo a defesa dos “valores inegociáveis”, suscitando apoio das esquerdas internacionais.

Para Ratzinger, João Paulo II era humilde e escutava os seus conselheiros, abrindo mão de suas ideias. Como não compará-lo a Francisco, temido e chamado nos corredores de ditador, que não escuta ninguém e avança como um trem, investindo contra a tradição e os fieis católicos?

João Paulo II tinha como centro de seu pontificado a Misericórdia Divina, diz Bento. Que paralelo se pode fazer com Bergoglio e o centro de seu pontificado, a misericórdia humana, conivente com o pecado e cúmplice da iniquidade?

João Paulo II gritou, na abertura do seu pontificado, “não tenhais medo, abri as portas para Cristo”. Hoje, Bergoglio compactua com que se feche as portas das igrejas, minando sozinho, contra a “comunhão”, a atuação conjunta do episcopado italiano que pleiteava a retomada das atividades religiosas junto ao governo italiano.

Bento, então, sustenta que João Paulo II não é um rígido moralista, como continuamente esbraveja Bergoglio contra aqueles que sustentaram a luta doutrinal daquele pontificado — desmantelando sem dó o Instituto que leva o nome do papa polonês e perseguindo os seus mais fiéis seguidores — , mas o verdadeiro papa da misericórdia, contra a tirania de um absolutista socialista.

A carta de Ratzinger termina com uma mensagem de esperança: “neste tempo em que a Igreja sofre a aflição do mal”, contra todo otimismo e paixão pelo mundo da corte bergogliana, o poder e a bondade de Deus prevalecerão e, assim como depois de Paulo VI surgiu um papa que devolveu à Igreja o orgulho de ser católica, não podemos duvidar de que o mesmo poderá suceder no futuro, caso ainda não estejamos nos tempos finais.

Longa vida ao Papa Ratzinger!