Posts tagged ‘O Papa’

29 setembro, 2016

Papa Francisco fracassou?

Por Matthew Schmitz, The New York Times, 28 de setembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Quando o papa Francisco subiu à cátedra de São Pedro, em março de 2013, o mundo olhou com admiração. Aqui, finalmente, estava um papa alinhado com os tempos, um homem que preferia gestos espontâneos ao invés da formalidade dos rituais. Francisco pagava sua própria conta do hotel e se livrou dos sapatos vermelhos. Ao invés de se mudar para os grandiosos apartamentos papais, instalou-se na aconchegante pousada para os visitantes do Vaticano. Além disso, ele estabeleceu um novo tom não dogmático com declarações, como “Quem sou eu para julgar?”.

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Observadores previram que o calor, a humildade e o carisma do novo papa daria impulso ao chamado “efeito Francisco” – trazendo de volta Católicos descontentes com uma Igreja que já não parece tão fria e cheia de proibições. Após três anos de seu papado, as previsões continuam. No inverno passado, Austen Ivereigh, o autor de uma excelente biografia do Papa Francisco, escreveu que essa postura mais suave do papa sobre a comunhão aos divorciados recasados “poderia desencadear um retorno às paróquias em grande escala.” Em seus primeiros tempos, a ordem Jesuíta de Francisco trabalhou para trazer os protestantes de volta ao rebanho da Igreja. Poderia Francisco fazer o mesmo com os Católicos cansados de manchetes sobre abuso infantil e guerras culturais?

Em certo sentido, as coisas mudaram. Percepções sobre o papado, ou pelo menos sobre o papa, melhoraram. Francisco é bem mais popular do que seu predecessor, o Papa Bento XVI. Sessenta e três por cento dos Católicos norte-americanos aprovam Francisco, enquanto apenas 43 por cento aprovavam Bento no auge de sua popularidade, de acordo com uma pesquisa de opinião do New York Times em 2015 e da CBS News. Francisco também colocou uma grande ênfase em buscar os Católicos descontentes.

Mas os Católicos estão realmente voltando? Pelo menos nos Estados Unidos, isso não aconteceu. Novas pesquisas do Centro Georgetown de Pesquisa Aplicada em Apostolado sugerem que não houve nenhum efeito Francisco – pelo menos, nenhum positivo. Em 2008, 23 por cento dos Católicos norte-americanos assistiam missa todas as semanas. Oito anos mais tarde, a participação semanal na missa manteve-se estável ou diminuiu ligeiramente, em 22 por cento.

É claro, os Estados Unidos são apenas uma parte de uma Igreja global. Mas os pesquisadores da Georgetown descobriram que certos tipos de prática religiosa entre os jovens Católicos americanos estão mais fracas agora do que sob Bento XVI. Em 2008, 50% da geração deste milênio relatou o recebimento de cinzas na Quarta Feira de Cinzas, e 46% disseram que fizeram algum sacrifício, além da abstenção de carne às sextas-feiras. Este ano, apenas 41%  relatou o recebimento de cinzas e apenas 36% disseram que fizeram um sacrifício extra, de acordo com o Centro Georgetown de Pesquisa Aplicada em Apostolado. Apesar da popularidade pessoal de Francisco, os jovens parecem estar se afastando da fé.

Por que a popularidade do papa não revigorou a igreja? Talvez seja muito cedo para julgar. Nós provavelmente não teremos uma medida completa de qualquer efeito Francisco até que a Igreja seja dirigida por bispos nomeados por ele e padres que adotam sua abordagem pastoral. Isso vai levar anos ou décadas.

No entanto, existe algo mais fundamental que atravanca o caminho do efeito Francisco. Francisco é um Jesuíta, e como muitos membros de ordens religiosas Católicas, ele tende a ver a Igreja institucional, com as suas paróquias, dioceses e formas assentadas, como um obstáculo à reforma. Ele descreve os párocos como “monstrinhos” que “atiram pedras” no pobres pecadores. Ele deu aos funcionários da Cúria um diagnóstico de “doença espiritual de Alzheimer”. Ele repreende ativistas pró-vida por sua “obsessão” contra o aborto. Ele chama os Católicos que colocam ênfase em ir à missa, frequentar confissão e fazer orações tradicionais de “Pelagianos” – ou seja, pessoas que acreditam hereticamente que podem ser salvos por suas próprias obras.

Tais denúncias desmoralizam os Católicos fiéis, sem dar aos descontentes qualquer motivo para voltar. Afinal, por que participar de uma igreja cujos sacerdotes são pequenos monstros e cujos membros gostam de atirar pedras? Quando o próprio Papa põe mais ênfase em estados espirituais internos do que na observância do ritual, há pouca razão para entrar na fila da confissão ou acordar para ir à missa.

Mesmo os fãs mais ardorosos de Francisco preocupam-se e acham que sua agenda está atrasada. Quando foi eleito, Francisco prometeu fazer uma faxina nas finanças corruptas do Vaticano. Três anos depois, ele começou a recuar em face da oposição, abrindo mão de uma auditoria externa e tirando poderes de seu homem escolhido a dedo. Francisco também se esquivou de grandes mudanças em questões doutrinárias. Em vez de endossar explicitamente a comunhão para os casais divorciados e recasados, ele calmamente incentivou-os com uma piscadela de olho e um aceno de cabeça.

Francisco construiu sua popularidade às custas da Igreja que ele lidera. Aqueles que desejam ver uma Igreja mais forte terão que esperar por um tipo diferente de papa. Em vez de tentar suavizar a doutrina da Igreja, tal homem teria que falar de um modo que a sólida disciplina possa conduzir à liberdade. Confrontar uma era hostil com as estranhas afirmações de Fé Católica pode não ser popular, mas, com o tempo, pode provar ser eficaz. Até mesmo Cristo foi recebido com as vaias pela multidão.

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27 setembro, 2016

Declaração internacional de fidelidade à Doutrina Imutável e Disciplina ininterrupta da Igreja sobre o Matrimônio – assine!

80 personalidades católicas reafirmam sua lealdade ao Magistério da Igreja sobre a família e moral católicas. 

Por Rorate Caeli | Tradução: FratresInUnum.com:  Uma declaração de fidelidade ao ensinamento imutável da Igreja sobre o Matrimônio e sua ininterrupta disciplina foi divulgada hoje por um grupo de 78 personalidades católicas, incluindo cardeais, bispos, padres e eminentes intelectuais, líderes de organizações pro-família e pro-vida e influentes figuras da sociedade civil.

A declaração foi publicada pela associação Supplica Filiale (Súplica Filial), a mesma organização que coletou, entre os dois sínodos sobre a família, aproximadamente 900 mil assinaturas de fiéis católicos (incluindo 211 prelados) em apoio ao pedido feito ao Papa por uma palavra de esclarecimento que dissipasse a confusão disseminada na Igreja sobre assuntos essenciais da moralidade natural e Cristã desde o consistório de fevereiro de 2014.

Observando que a confusão somente cresceu entre os fiéis após os dois sínodos sobre a família e a subsequente publicação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia (com suas interpretações adjacentes mais ou menos oficiais), os signatários da Declaração de Fidelidade sentem o urgente dever moral de reafirmar o imemorial ensinamento do magistério Católico sobre o matrimônio e a família e a disciplina pastoral praticada por séculos acerca dessas instituições básicas da civilização Cristã. Este grave dever, segundo os signatários, torna-se ainda mais urgente em vista do crescente ataque que forças seculares estão desencadeando contra o matrimônio e a família; ataque que parece não mais encontrar a costumeira barreira da doutrina e prática Católicas, ao menos do modo com que são hoje geralmente apresentadas à opinião pública.

Firmemente amparada por ensinamentos cristalinos e indisputáveis, confirmados pela Igreja em anos recentes, a Declaração está concatenada em cerca de 27 afirmações sustentando tais verdades explícita ou implicitamente negadas ou apresentadas ambiguamente na presente linguagem eclesial. De acordo com os signatários, o que está em jogo são as doutrinas imutáveis e as práticas relacionadas, por exemplo, à fé na Presença Real de Cristo na Eucaristia, o devido respeito por este Sacramento, a impossibilidade de receber a Comunhão em estado de pecado mortal, as condições para o verdadeiro arrependimento que permite o recebimento de absolvição sacramental, a observância do Sexto Mandamento da Lei de Deus, a seríssima obrigação de não causar escândalo público e de não levar o povo de Deus a pecar ou a relativizar o bem e o mal; os limites objetivos da consciência ao tomar decisões pessoais, etc.

A Declaração de Fidelidade já está disponível em inglês e italiano e, em breve, estará disponível também em francês, alemão, espanhol e português. Quem quiser aderir a seu conteúdo pode fazê-lo, assinando-a em  http://www.filialappeal.org

(* Para mais informações, contate: supplicafiliale@gmail.com)
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23 setembro, 2016

Poucos presbíteros celibatários? Então, abramos as portas para os homens casados.

Escrevíamos em abril deste ano: “FratresInUnum.com recebe confirmação segura de que Francisco pretende mesmo tratar do tema do celibato sacerdotal no próximo Sínodo dos Bispos. Estamos em condições de afirmar que o assunto foi pauta de reunião privativa dos bispos na Assembléia da CNBB de 2015, sendo capitaneado por Dom Cláudio Hummes. Então, o arcebispo emérito pediu que os bispos do Brasil fizessem uma “proposta concreta” a Francisco sobre o tema. A recém-eleita presidência da CNBB não demonstrou nenhum empenho especial pela causa, por conta divisão do episcopado brasileiro a respeito”. 

* * *

IHU – É o remédio no qual pensam o cardeal Hummes e o Papa Francisco devido à falta de clero, começando pela Amazônia. Mas também na China do século XVII os missionários eram poucos e a Igreja florescia. Sobre isso escreve a revista La Civiltà Cattolica.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada por Chiesa.it, 21-09-2016. A tradução é de André Langer.

Há alguns dias, o Papa Francisco recebeu em audiência o cardeal brasileiro Cláudio Hummes, acompanhado pelo arcebispo de Natal, Jaime Vieira Rocha.

Hummes, de 82 anos, anteriormente arcebispo de São Paulo e prefeito daCongregação vaticana para o Clero, é atualmente o presidente tanto da Comissão para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), como da Rede Pan-Amazônica, que reúne 25 cardeais e bispos dos países vizinhos, além de representantes indígenas das diversas etnias locais.

E é assim que se sustenta, entre outras coisas, a proposta de solucionar a falta de sacerdotes celibatários em áreas imensas como a Amazônia conferindo a ordem sagrada também a “viri probati” – ou seja, a homens de provada virtude, casados.

Por conseguinte, a notícia da audiência fez pensar que o Papa Francisco discutiu comHummes sobre esta questão e, em particular, sobre um sínodo “ad hoc” das 38 dioceses da Amazônia, que efetivamente está em fase avançada de preparação.

E há mais. Ganhou nova força a voz segundo a qual Jorge Mario Bergoglio quer confiar ao próximo sínodo mundial dos bispos, programado para 2018, precisamente a questão dos ministérios ordenados, bispos, sacerdotes, diáconos, inclusive a ordenação de homens casados.

A hipótese foi lançada logo depois do encerramento do duplo Sínodo sobre a Família.

E avançou rapidamente.

E agora parece ganhar terreno. Curiosamente, pouco antes que o Papa recebesseHummes, Andrea Grillo – um teólogo ultrabergogliano, professor no Pontifício Ateneu Santo Anselmo de Roma, cujas intervenções são sistematicamente reproduzidas e enfatizadas pelo sítio Il Sismografo, próximo ao Vaticano – chegou inclusive a antecipar um detalhe do próximo sínodo sobre o “ministério ordenado na Igreja”, que divide em três subtemas:

– o exercício colegial do episcopado e a restituição ao bispo da plena autoridade sobre a liturgia diocesana;

– a formação dos presbíteros, reconsiderando a forma tridentina no seminário, e a possibilidade de ordenar homens casados;

– a teologia do diaconato e a possibilidade de um diaconato feminino.

A autoridade a que fazem referência tanto Grillo como o resto dos reformistas clérigos e leigos quando formulam esta ou outras propostas é o falecido cardeal Carlo Maria Martini, com a intervenção que lançou no Sínodo de 1999.

O então arcebispo de Milão, jesuíta e líder indiscutível da ala “progressista” da hierarquia, disse que “teve um sonho”: o de “uma experiência de confronto universal entre bispos que servisse para desfazer alguns dos nós disciplinares e doutrinais que aparecem de tempos em tempos como pontos candentes no caminho das Igrejas europeias, mas não exclusivamente”.

Estes são os “nós” por ele enumerados:

“Penso em geral no aprofundamento e no desenvolvimento da eclesiologia de comunhão do Vaticano II. Penso na falta, às vezes dramática, em alguns lugares, de ministros ordenados e na crescente dificuldade que alguns bispos têm para dispor do número suficiente de ministros do Evangelho e da eucaristia para prover o cuidado das almas em seu território. Penso em alguns temas que dizem respeito à posição da mulher na sociedade e na Igreja, na participação dos leigos em algumas responsabilidades ministeriais, na sexualidade, na disciplina do matrimônio, na prática penitencial, nas relações com as Igrejas irmãs da Ortodoxia e, mais em geral, na necessidade de reacender a esperança ecumênica; penso na relação entre democracia e valores e entre leis civis e lei moral”.

Da agenda martiniana, os dois sínodos convocados até agora pelo papa discutiram, de fato, sobre a “disciplina do matrimônio” e “a visão católica da sexualidade”.

O novo sínodo poderia resolver “a falta de ministros ordenados” abrindo as portas para a ordenação de homens casados e de diáconos mulheres; este último já foi posto em marcha pelo Papa Francisco com a nomeação, em 02 de agosto passado, de umacomissão de estudo.

* * *

O principal argumento em apoio à ordenação de homens casados é o mesmo já expresso pelo cardeal Martini: “a crescente dificuldade que alguns bispos têm para dispor do número suficiente de ministros do Evangelho e da eucaristia para prover o cuidado das almas em seu território”.

A Amazônia seria, então, um destes “territórios” imensos em que os poucos sacerdotes ali presentes são capazes de chegar a núcleos remotos de fiéis não mais de duas a três vezes ao ano. Portanto, com grande prejuízo – sustenta-se – para “o cuidado das almas”.

Deve-se dizer, no entanto, que uma situação deste tipo não é exclusiva dos tempos atuais. De fato, caracterizou a vida da Igreja ao longo dos séculos e nas mais diversas regiões.

Mas, tem mais. A falta de presbíteros nem sempre foi um prejuízo para o “cuidado das almas”. Pelo contrário, em alguns casos coincidiu inclusive com o florescer da vida cristã. Sem que a ninguém ocorresse de ordenar homens casados.

Foi o que aconteceu, por exemplo, na China no século XVII. A isso faz referência um amplo artigo escrito pelo sinólogo jesuíta Nicolas Standaert, que leciona naUniversidade Católica de Louvaina, e que foi publicado na revista La Civiltà Cattolica, em seu número de 10 de setembro último. Trata-se, portanto, de uma fonte livre de qualquer suspeita vista sob o vínculo estreitíssimo e estatutário que a revista tem com os Papas e, em particular, com o atual, que acompanha pessoalmente a sua publicação, em acordo com o diretor da mesma, o jesuíta Antonio Spadaro.

No século XVII, na China, havia poucos cristãos e estavam dispersos. Escreve Standaert: “Quando Matteo Ricci morreu em Pequim, em 1610, depois de 30 anos de missão, havia aproximadamente 2.500 cristãos chineses. Em 1665, os cristãos chineses eram, provavelmente, cerca de 80 mil e em 1700 aproximadamente 200 mil; quer dizer, eram ainda poucos comparados com toda a população, entre 150 milhões e 200 milhões de habitantes”.

E os presbíteros eram muito poucos: “Quando Matteo Ricci morreu, em toda a Chinahavia apenas 16 jesuítas: oito irmãos chineses e oito padres europeus. Com a chegada dos franciscanos e dos dominicanos, em cerca de 1630, e com um pequeno aumento dos jesuítas no mesmo período, o número de missionários estrangeiros passou dos 30 e permaneceu constante nos seguintes 30 ou 40 anos. Na sequência, houve um aumento, atingindo o pico de quase 140 missionários entre 1701 e 1705. Mas depois, por causa da controvérsia sobre os ritos, o número de missionários diminuiu para quase a metade”.

Em consequência, o cristão comum via o presbítero não mais de “uma ou duas vezes ao ano”. E nos poucos dias que durava a visita, o sacerdote “conversava com os chefes e os fiéis, recebia informações sobre a comunidade, interessava-se pelos doentes e os catecúmenos. Confessava, celebrava a eucaristia, pregava e batizava”.

Depois, o sacerdote desaparecia durante meses. Mas, as comunidades se mantinham. Além disso, conclui Standaert: “transformaram-se em pequenos, mas sólidos centros de transmissão da fé e da prática cristã”.

Seguem, na sequência, os detalhes dessa fascinante aventura, assim como relatada pela revista La Civiltà Cattolica.

Sem elucubrações sobre a necessidade de ordenar homens casados.

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“O missionário aparecia uma ou duas vezes ao ano”, por Nicolas Standaert, SJ, da La Civiltà Cattolica n. 3989, de 10 de setembro de 2016

No século XVII, os cristãos chineses não estavam organizados em paróquias, ou seja, em unidades geográficas em torno do edifício de uma igreja, mas em “associações”, as quais eram dirigidas por leigos. Algumas destas eram uma mistura de associação chinesa e de congregação mariana, de inspiração europeia.

Parece que estas associações estavam mais difundidas. Por exemplo, por volta de 1665 havia cerca de 40 congregações em Xangai, ao passo que havia mais de 400 congregações de cristãos em toda a China, tanto nas grandes cidades como nas aldeias.

O estabelecimento do cristianismo a este nível local se fez na forma de “comunidades de rituais eficazes”, grupos de cristãos cuja vida se organizava em torno de determinados rituais (missa, festividades, confissões, etc.). Essas eram “eficazes”, porque construíam um grupo e porque eram consideradas pelos membros do grupo como capazes de proporcionar sentido e salvação.

Os rituais eficazes estavam estruturados em base ao calendário litúrgico cristão, que incluía não apenas as principais festas litúrgicas (Natal, Páscoa, Pentecostes, etc.), mas também as celebrações dos santos. A introdução do domingo e das festas cristãs fez com que as pessoas vivessem segundo um ritmo diferente do calendário litúrgico utilizado nas comunidades budistas ou taoístas. Os rituais mais evidentes eram os sacramentos, sobretudo a celebração da eucaristia e da confissão. Mas a oração comunitária – sobretudo a oração do terço e das ladainhas – e o jejum em determinados dias constituíam os momentos rituais mais importantes.

Essas comunidades cristãs revelam também algumas características essenciais da religiosidade chinesa: eram comunidades muito orientadas para a laicidade com dirigentes leigos; as mulheres tinham um papel importante como transmissoras de rituais e de tradições dentro da família; uma concepção do sacerdócio orientado para o serviço (presbíteros itinerantes, presentes apenas por ocasião das festas e de celebrações importantes); uma doutrina expressada de maneira simples (orações recitadas, princípios morais claros e simples); fé no poder transformador dos rituais.

Pouco a pouco, as comunidades chegaram a funcionar de maneira autônoma. Um presbítero itinerante (inicialmente eram estrangeiros, mas já no século XVIII eram, majoritariamente, sacerdotes chineses) costumava visitá-las uma ou duas vezes ao ano. Normalmente, os dirigentes das comunidades reuniam os diversos membros uma vez por semana e presidiam as orações, que a maior parte dos membros da comunidade conhecia de cor. Os dirigentes liam também os textos sagrados e organizavam a instrução religiosa. Muitas vezes havia reuniões exclusivas para mulheres. Além disso, havia catequistas itinerantes que instruíam as crianças, os catecúmenos e os neófitos. Na ausência de um presbítero, os dirigentes locais administravam o batismo.

Durante a visita anual, que durava alguns dias, o missionário conversava com os dirigentes e os fiéis, recebia informações sobre a comunidade, interessava-se pelos doentes e os catecúmenos, etc. Confessava, celebrava a eucaristia, pregava, batizava e rezava com a comunidade. Quando partia, a comunidade retomava a sua prática habitual de rezar o terço e as ladainhas.

Por conseguinte, o cristão comum via o missionário uma ou duas vezes por ano. O verdadeiro centro da vida cristã não era o missionário, mas a própria comunidade, com seus dirigentes e catequistas como vínculo principal.

Principalmente no século XVIII e começo de século XIX, estas comunidades se transformaram em pequenos, mas sólidos, centros de transmissão da fé e de prática cristã. Por causa da falta de missionários e de presbíteros, os membros da comunidade – por exemplo, os catequistas, as virgens e outros guias leigos – assumiam o controle de tudo, desde a administração financeira às práticas rituais, passando pela direção das orações cantadas e pela administração dos batismos.

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21 setembro, 2016

Quando Bergoglio filo-islâmico atacava Ratzinger.

Por Fausto Carioti, Libero Quotidiano, 22 de agosto de 2014 | Tradução: FratresInUnum.com: Uma história de oito anos atrás, ocorrida em Buenos Aires, que ajuda a compreender a posição assumida pelo Papa Francisco sobre o Isis, o “Estado islâmico”, que iniciou uma caçada implacável aos cristãos. Evitando como sempre nomear o Islã e os fanáticos islâmicos, Jorge Mario Bergoglio pediu para “parar o agressor injusto”, mas não “com bombardeios” ou “fazendo a guerra”. Uma escolha que não parece deixar salvação para as vítimas e que é julgada como estéril por muitos: os crentes (incluindo, nestas colunas, Antonio Socci) e os não crentes (como no caso de Massimo Cacciari).

Na verdade, esta intervenção está perfeitamente em linha com as ideias que Bergoglio expressou por muitos anos: sempre pronto para o apaziguamento, para a acomodação aos que, já como papa, recentemente, chamou de “nossos irmãos muçulmanos”. O incidente mais clamoroso remonta precisamente a 2006, imediatamente após o discurso proferido por Joseph Ratzinger, no auditório da Universidade de Regensburg, em 12 de setembro. Naquela ocasião, o papa alemão havia citado uma frase do imperador bizantino Manuel II: “Mostre-me apenas o que Maomé trouxe de novo, e você encontrará somente coisas más e desumanas, como sua ordem de difundir pela espada a fé que ele pregava”. Palavras que, como então Ratzinger explicou, serviam para “evidenciar a relação essencial entre fé e razão”, e que não implicavam em uma idêntica condenação do Islã pelo papa. Mas essa sutileza acadêmica e teológica não foi bem acolhida pelo mundo islâmico, que se jogou em peso contra Ratzinger, o qual também foi ameaçado de morte.

Mas no ataque contra o pontífice estavam, sobretudo, as acusações que lhes lançaram alguns expoentes da Igreja. Entre estes, o então arcebispo de Buenos Aires. O futuro papa evitou falar em primeira pessoa. Quem interveio foi Padre Guillermo Marcó, porta-voz de Bergoglio. Em declarações à edição argentina da revista Newsweek, ele usou de tons duríssimos: ele disse que a declaração de Ratzinger tinha sido muito “infeliz”. E ainda: “As palavras do Papa não me representam, eu nunca teria feito essa citação”. Concluindo: “Se o Papa não reconhece os valores do Islã e tudo permanece assim, em vinte segundos teremos destruído tudo o que foi construído em vinte anos”.

Marcó era quem falava, mas todos sabiam que essas palavras representavam o pensamento do seu superior. Assim, enquanto o papa Bento XVI defendia seu caso perante o mundo islâmico, uma das vozes mais influentes da Igreja latino-americana, de fato, se posicionava do lado dos muçulmanos. Palavras “inéditas”, aquelas do porta-voz de Bergoglio, tanto que dentro dos muros leoninos “por um longo tempo não se falava de outra coisa”, disse um monsenhor ao Clarín, um dos principais jornais argentinos. Ao se ver diante do escândalo, o padre Marcó afirmou ter dito aquelas coisas não como secretário de imprensa de Bergoglio, mas como presidente do Instituto para o Diálogo Interreligoso, outra posição que ocupava. Uma justificativa nada convincente, tanto que partiu de Roma a pressão sobre o arcebispo para que ele o desmentisse. “Como é possível que seu porta-voz faça declarações semelhantes e Bergoglio não se sinta obrigado a negá-lo e removê-lo imediatamente?”, perguntou ao Clarín uma fonte do Vaticano. O padre, no entanto, permaneceu em seus postos. Foi substituído alguns meses mais tarde, quando quem pediu sua cabeça e por outras razões, foi o ministro do Interior da Argentina, obviamente considerado mais importante do que Bento XVI.

Enquanto isso, o Vaticano havia tirado um dos homens de Bergoglio, o jesuíta Joaquín Piña, do cargo de arcebispo de Puerto Iguazú: Piña tinha divulgado na imprensa opiniões semelhantes às de Marco. O jornal britânico The Telegraph, reconstruindo a história, diz que de Roma alertaram a Bergoglio que ele também seria removido se continuasse a deslegitimar Ratzinger. E Bergoglio reagiu cancelando a viagem que o levaria ao sínodo convocado pelo Papa. O assunto não terminou aí. No dia 22 de fevereiro de 2011, o Núncio Apostólico na Argentina, Dom Adriano Bernardini, lá mesmo em Buenos Aires, fez um sermão de fogo contra os inimigos de Ratzinger. O Santo Padre, disse ele, é vítima de  uma “perseguição”, foi “abandonado por aqueles que se opõem à verdade, mas acima de tudo por alguns sacerdotes e religiosos, não só pelos bispos”. Muitos dos que ele se referia estavam lá, na igreja, bem na frente dele. Bernardini, agora é núncio na Itália e não está listado entre as simpatias do Papa Bergoglio.

19 setembro, 2016

Francisce, quo vadis?

Por Padre Romano | FratresInUnum.com: Há em Roma, no início da Via Ápia, bem próxima às Catacumbas de São Calixto, uma pequena igreja intitulada “Domine, quo vadis?”, ou seja, “Senhor, para onde vais?”. Segundo uma antiqüíssima tradição, neste local, o Apóstolo Pedro, bispo de Roma, Papa e Pastor de toda a Igreja, teve uma visão de Nosso Senhor.

quo-vadisDiz-se que o Príncipe dos Apóstolos, num momento de cruel perseguição aos cristãos por parte do Imperador Nero, foi convencido por seus fiéis a deixar a Cidade Eterna e a procurar refúgio noutro lugar. Porém, ao sair da cidade, depara-se com Cristo que, carregando a Cruz, dirige-se a Roma, fazendo o caminho contrário ao de Pedro. Este, então, interroga o Mestre: – Senhor, para onde vais?, e lhe responde o Salvador: – Vou a Roma, para ser novamente crucificado.

Aquelas palavras fizeram entender a Pedro que ele deveria estar com os seus fiéis, sendo o primeiro a dar testemunho da fé em Cristo, Deus e Homem verdadeiro, Salvador da Humanidade. De fato, pouco tempo depois, Pedro é condenado à morte e crucificado no Teatro de Nero, na Colina do Vaticano, onde se erguia o obelisco egípcio que hoje se acha ao centro da Praça de São Pedro, como testemunha do martírio do primeiro Papa que, por humildade, quis ser crucificado de cabeça para baixo, por não se achar digno de morrer como o seu Senhor.

Vivemos momentos de grande confusão na Igreja: temos a nítida sensação que a barca de Pedro está desgovernada, sem timoneiro. Perguntamo-nos para onde estamos indo e, sobretudo, para onde o Romano Pontífice, fundamento visível da unidade e da verdade da fé, está levando a Igreja. Sentimos, como nunca, a falta de um guia que nos conduza, como novo Moisés, rumo à Terra Prometida, atravessando o deserto deste mundo que jaz sem Deus, na sombra do pecado e da morte, advertindo-nos dos perigos que teremos que enfrentar, e preparando-nos para a provação e a luta.

Francisce, quo vadis?

Será que não percebes que nem sempre a voz dos fiéis, mesmo daqueles que, como os cristãos de Roma, pensavam estar acertando em suas propostas, vem de Deus? Será que não te dás conta que estás caminhando sobre areia movediça, e que o rebanho corre o risco de perecer no caminho? Será que não vês que a indiferença aumenta assustadoramente entre os católicos que, não mais seguros de sua fé, começam a aceitar mentiras, em relação à família, à administração dos sacramentos a pessoas impedidas, por direito divino, de recebê-los? Não enxergas que estás favorecendo o adultério e inúmeros sacrilégios que são a porta larga que conduz ao inferno? Não percebes que a tua misericórdia é incompatível com a misericórdia de Deus, que é infinita, mas anda de mãos dadas com a justiça, e exige a mudança de vida do pecador? Não te dás conta que as obras de misericórdia que tanto apregoas, se dissociadas da graça, não tem valor, como ensinou o Apóstolo Paulo, e que muitos acham que só o que salva é a caridade, que pode ser praticada por qualquer pessoa, inclusive um ateu, sem que lucre nada para a salvação?

Francisce, quo vadis?

Com teus encontros ecumênicos, com comemoração de aniversários de cismas e heresias, causadas por inimigos da fé católica e do papado, com encontros inter-religiosos, que humilham a Santa Igreja e a fazem dividir o altar de Cristo com os altares dos demônios, “Quoniam omnes dii gentium daemonia” (Ps 95, 5 Vulgatae) – porque todos os deuses dos pagãos são demônios, como diz o real profeta -, permites que muitos creiam que todas as religiões são boas, e o importante é vivermos em paz, respeitando as diferenças, quando o mandado do Senhor é de anunciar o Evangelho, para que os homens se salvem. Não estás vendo que muito do que ensinas, do ponto de vista da política, da economia e da ecologia, corresponde aos projetos da nova ordem mundial, que quer destruir a religião cristã, e introduzir um paganismo sincretista e satânico?

Francisce, quo vadis?

Não sou nada e nem ninguém, mas como sacerdote católico, te peço, te imploro! Retorna a Roma! Retorna a sua Tradição! Sê Pastor, Pai e Doutor desta Igreja Santa, que é coluna e fundamento da verdade. Não sigas o canto das múltiplas sereias que, dentro e fora da Igreja, querem te arrastar, e contigo, a muitos, para a ruína.

Retorna a Roma! Não deixes só o rebanho que Cristo te confiou!

Lembra-te do que disseste: o Pastor, às vezes, tem que sentir para onde as ovelhas estão andando. Não aconteça – que Deus nos preserve! – que para seguir a Cristo que retorna a Roma para ser crucificado, tenhamos que ir pelo caminho oposto ao do doce Cristo na Terra.

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14 setembro, 2016

Bento XVI, último Papa? “Tudo é possível”, diz ele. O que não contaram sobre o livro de Ratzinger.

Por Antonio Socci, 10 de setembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Mas quem agora é o Papa e precisamente quantos são eles? A confusão reina soberana e a nova publicação de Bento XVI – o livro-entrevista “Últimas Conversações” – em vez disissipar as dúvidas, multiplica-as.

Eu começo a partir do detalhe mais curioso.

Bento XVI, ainda Pontífice reinante, em Castel Gandolfo.

Bento XVI, ainda Pontífice reinante, em Castel Gandolfo.

Pergunta Peter Seewald a Bento XVI: “O senhor conhece a profecia de Malaquias, que na Idade Média, compilou uma lista de futuros pontífices, prevendo também o fim do mundo ou pelo menos o fim da Igreja. De acordo com esta lista, o papado terminaria com o seu pontificado. E se o senhor fosse, efetivamente, o último a representar a figura do Papa como conhecemos até agora”?

A resposta de Ratzinger é surpreendente: “Tudo é possível”.

E então ele chega mesmo a acrescentar: “Provavelmente esta profecia nasceu nos círculos em torno de São Filipe Neri” (isto é, ele a chama “profecia” e a reconduz a um grande santo e místico da Igreja). Ele conclui então com uma piada para descontrair, mas aquela foi a sua resposta.

Então, Bento XVI sustenta que ele foi o último papa (pelo menos até o fim do mundo ou o fim da Igreja)? Provavelmente não. Então, considera – pelo menos de acordo com a versão do entrevistador – que ele foi o último a ter exercido o papado como o conhecemos há dois mil anos? Talvez sim.

E mesmo esta segunda possibilidade nos deixa sobressaltados, porque é sabido que o papado – é uma instituição divina – para a Igreja não pode ser alterada por vontade humana.

Além disso, qual é a mudança? Há uma ruptura na tradição ininterrupta  da Igreja?

Um outro “flash” do livro nos leva nessa direção: “o senhor se vê como o último papa do velho mundo”?  pergunta Seewald, “ou como o primeiro do novo?”. Resposta: “Eu diria que ambos”.

Mas o que ele quer dizer com isso? O “velho” e “novo”, especialmente para alguém como Bento XVI, que sempre combateu a interpretação do Concílio como uma “ruptura” com a tradição e sempre afirmou a necessária continuidade, sem intervalos, na história da Igreja?

Na página 31, Seewald afirma (e o texto foi revisto e aprovado pelo próprio Bento XVI) que Ratzinger cumpriu um “ato revolucionário”, que “mudou o papado como nenhum outro Papa dos tempos modernos”.

Esta tese – que faz alusão evidente à instituição do “papa emérito” – teria alguma ligação com as coisas que diz Ratzinger neste livro? Sim, na página 39.

O MISTÉRIO

Antes de resumir o que o Papa Bento XVI disse aqui, devo recordar, no entanto, que a figura do “papa emérito” jamais existiu na história da Igreja e os canonistas sempre afirmaram que ela não pode existir, uma vez que o “papado” não é um sacramento, mas sim uma ordenação episcopal. Na verdade, em dois mil anos, todos aqueles que renunciaram ao papado retornaram ao seu estado precedente, enquanto os bispos permanecem bispos, mesmo quando eles já não têm a jurisdição sobre uma diocese.

No entanto, Bento XVI, nos últimos dias de seu pontificado, indo contra tudo o que canonistas sempre sustentaram, anunciou que ele se tornaria então “papa emérito”.

Ele não explicou o seu perfil teológico, porém em seu último discurso, ele afirmou: “a minha decisão de desistir do exercício ativo do ministério, não o revoga todavia”

Bento acompanhava tais palavras com a decisão de permanecer no Vaticano, de continuar a se vestir com a batina e o solidéu branco, de conservar o brasão papal de armas com as chaves de Pedro e o título de “Sua Santidade Bento XVI”.

Tudo isso era o bastante para se perguntar o que estava acontecendo e se ele estava realmente renunciando ao papado. E foi o que eu fiz nestas colunas, porque nesse meio tempo, o canonista Stefano Violi havia estudado a “Declaração Final” de renúncia e tinha chegado a estas conclusões: “(Bento XVI) renuncia ao Ministerium. Não ao Papado, de acordo com o texto da regra de Bonifácio VIII;  não ao munus de acordo com os ditames do cânon 332 § 2, mas ao ministerium, ou, como ele veio especificar em sua última audiência, ao exercício ativo do ministério“.

Logo em seguida aos meus artigos, o vaticanista Andrea Tornielli, que é muito próximo ao Papa Francisco, em fevereiro de 2014, correu para perguntar a Bento XVI porque ele havia permanecido como papa emérito e a resposta dada foi a seguinte: “a manutenção do hábito branco e do nome de Bento é simplesmente uma coisa prática. No momento da renúncia não haviam outras roupas disponíveis”.

O vaticanista em questão saiu alardeando aos quatro ventos a resposta, que qualquer um que fizer uma observação séria, verá que se trata de uma piada elegante e bem humorada (pois será que não haviam batinas pretas sobrando no Vaticano?) para escapar de uma questão da qual Bento XVI, obviamente, naquele tempo não podia falar.

E, na verdade, ele fala hoje, depois de três anos, explicando as razões daquela escolha que, obviamente, não têm nada a ver com questões de alfaiataria.

SEMPRE PADRE, SEMPRE PAPA

Assim, o livro recentemente publicado pelo Papa Ratzinger parte da reflexão sobre os bispos. Quando se tratou de decidir sobre a demissão deles aos 75 anos de idade, instituiu-se a figura do “bispo emérito” porque – disseram – “Eu sou padre e como tal por toda a eternidade”.

Bento XVI observa que, mesmo quando “um pai deixa de atuar como um pai”, porque os filhos já estão grandes, ele não deixa de ser pai, mas deixa as responsabilidades concretas. “Continua a ser um pai em um sentido mais profundo, mais íntimo”.

Por analogia Papa Ratzinger faz o mesmo raciocínio sobre o Papa: “se ele renuncia, conserva a responsabilidade que assumiu em um sentido interior, mas não na função”.

Este raciocínio poético, no entanto, é explosivo no plano teológico, porque isso significa que ele é Papa.

Para entender o quadro teológico por trás da página revolucionária de Ratzinger é preciso reler o texto surpreendente da conferência que o seu secretário, Mons. Georg Gaenswein, realizou no dia 21 de maio passado na Pontifícia Universidade Gregoriana.

SURPREENDENTE

Naquele discurso – “censurado” pela mídia, mas que caiu na Cúria como uma bomba atômica – Dom Georg disse que “a partir de 11 de fevereiro de 2013, o ministério papal não é mais o mesmo de antes. Ele é e continua a ser o fundamento da Igreja Católica; mas, todavia, é um fundamento que Bento XVI aprofundou e o transformou de forma duradoura em seu pontificado de exceção”.

O seu passo foi um “o passo bem ponderado de porte histórico milenar “, “um passo que até agora jamais havia sido dado”. Porque Bento XVI “não abandonou o Ofício Petrino, mas, ao invés, o renovou”.

De fato, “ele integrou o ofício pessoal com uma dimensão colegial e sinodal, quase um ministério em comum” e “entende a sua função como a participação em tal ministério petrino… não há, portanto, dois papas, mas de fato um ministério expandido –  com um membro ativo e um membro contemplativo”.

Até aquele discurso do dia 21 de maio, Bergoglio – que deve ter escutado essas coisas de Bento XVI (mas sem entendê-las bem) – explicava o papado emérito na mesma linha: ele dizia que o que Bento tinha feito era um “ato de governo”, que ele só havia renunciado ao exercício ativo e fazia analogia com os bispos eméritos.

Mas após o discurso de maio do secretário Gaenswein, a corte bergogliana percebeu imediatamente a dimensão do problema e o alarme foi disparado. Assim, em junho, ao retornar da  Armênia, Bergoglio tratou logo de negar a  idéia de um ministério papal “compartilhado”.

TORPEDO CONTRA BENTO

Depois disso, em meados de agosto, no “Vatican Insider” (que é o termômetro da Cúria), saiu uma entrevista de Tornielli com um canonista importante, que também é eclesiástico da Cúria, onde ele deslegitima por completo a figura do “papa emérito”, porque “a unicidade da sucessão petrina não admite no seu interior nenhuma posterior distinção ou duplicação de ofícios ou uma denominação de natureza meramente ‘honorária’ ou ‘nominalista’. Além disso não existe qualquer sub-distinção entre o múnus e seu exercício”.

Mas Bento XVI, na plenitude de seus poderes, decidiu permanecer como papa, renunciando somente ao exercício ativo do ministério. Se essa sua decisão é inadmissível e nada significa, será que nada significa também a sua renúncia?

Antonio Socci

“Libero”, 10 de setembro de 2016

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12 setembro, 2016

Surge carta do Papa dando a impressão de apoiar a Comunhão para divorciados recasados.

Por Steve Skojec, OnePeterFive, 9 de setembro de 2016 |  Tradução: FratresInUnum.comO site católico de língua espanhola InfoCatólica – que está sediado na Espanha, mas que também cobre assuntos da América Latina – publicou um documento dos bispos argentinos em resposta a Amoris Laetitia. Eles também publicaram uma carta correspondente atribuída ao Papa Francisco, na qual ele elogia o trabalho deles, dizendo (de acordo com a tradução levemente corrigida com a qual estamos trabalhando) que “a carta é muito boa e expressa plenamente o sentido do Capítulo VIII de Amoris Laetitia. Não há outras interpretações”.

E, ainda , os nºs 5 e 6 do documento dos bispos faz uma afirmação sobre a possibilidade de confissão e comunhão para os divorciados novamente casados que não estão vivendo em continência,  que é muito mais concreta do que o que é encontrado na própria exortação apostólica. Confira as seções em negrito (ênfase minha) abaixo:

1) Em primeiro lugar, recordamos que não convém falar em “permissão” para aceder aos sacramentos, mas sim um processo de discernimento acompanhado por um pastor. É um discernimento “pessoal e pastoral” (300).

2) Neste caminho, o pastor deveria enfatizar o anúncio fundamental, o kerygma, que estimule ou renove o encontro pessoal com Jesus Cristo vivo (cf. 58).

3) O acompanhamento pastoral é um exercício da “via caritatis”. É um convite a seguir “o caminho de Jesus, da misericórdia e de integração” (296). Este itinerário apela para a caridade pastoral do sacerdote que acolhe o penitente, ouve-o com atenção e mostra o rosto materno da Igreja, uma vez que aceita a sua boa intenção e seu bom propósito de colocar a vida inteira à luz do Evangelho e de praticar a caridade (cf. 306).

4) Este caminho, não termina necessariamente nos sacramentos, mas pode orientar-se para outros modos de se integrar mais na vida da Igreja: uma maior presença na comunidade, a participação em grupos de oração ou reflexão, o compromisso em diversos serviços eclesiais , etc. (Cf. 299).

5) Quando as circunstâncias específicas de um casal tornam isso possível, especialmente quando ambos são cristãos com uma jornada de fé, se pode propor o compromisso de viver em continência. Amoris Laetitia não ignora as dificuldades desta opção (ver nota 329) e deixa em aberto a possibilidade de acesso ao Sacramento da Reconciliação quando eles falharem nesse propósito (ver nota 364, de acordo com o ensinamento de João Paulo 11 ao Cardeal W . Baum, de 22/03/1996).
6) Em outras circunstâncias mais complexas, e quando eles não puderem obter uma declaração de nulidade, a opção acima mencionada pode não ser viável de fato. No entanto, é também possível um caminho de discernimento. Se vier a reconhecer que, num caso particular, há limitações que diminuem a responsabilidade e culpa (cf. 301-302), particularmente quando uma pessoa considerar que cairia em uma falta subsequente prejudicial aos filhos da nova união, Amoris Laetitia abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (cf. notas 336 e 351). Estes, por sua vez, dispoem a pessoa a continuar a amadurecer e crescer com o poder da graça.

O texto completo [tradução de nossa valorosa Gercione Lima] do original em espanhol pode ser visto abaixo:

Critérios de base para a aplicação do capítulo VIII da Amoris Laetitia
Região Pastoral Buenos Aires 

Estimados sacerdotes:

Recebemos com alegria a exortação Amoris Laetitia, que nos chama acima de tudo a fazer crescer o amor dos esposos e a motivar os jovens a optar pelo casamento e a família. Esses são os grandes temas que nunca deveriam ser esquecidos ou ofuscados por outras questões. Francisco abriu várias portas na pastoral familiar e nós somos chamados a aproveitar este tempo de misericórdia, para assumir como Igreja.

Agora vamos nos deter somente no capítulo VIII, uma vez que se refere a “orientação do Bispo” (300), a fim de discernir sobre o possível acesso aos sacramentos por alguns “divorciados numa nova união”. Acreditamos ser conveniente, como bispos de uma mesma região pastoral, concordarmos em alguns critérios mínimos. Assim oferecemos, sem prejuízo para a autoridade que cada Bispo tem sobre sua própria diocese para esclarecê-los, complementá-los ou limitá-los.

1) Em primeiro lugar recordamos que não convém falar em “permissão” para aceder aos sacramentos, mas sim um processo de discernimento acompanhado por um pastor. É um discernimento “pessoal e pastoral” (300).

2) Neste caminho, o pastor deveria enfatizar o anúncio fundamental, o kerygma, que estimule ou renove o encontro pessoal com Jesus Cristo vivo (cf. 58).

3) O acompanhamento pastoral é um exercício da ‘via caritatis “. É um convite a seguir “o caminho de Jesus , o da misericórdia e de integração” (296). Este itinerário apela para a caridade pastoral do sacerdote que acolhe o penitente, o ouve com atenção e mostra o rosto materno da Igreja, uma vez que aceita a sua boa intenção e seu bom propósito de colocar a vida inteira à luz do Evangelho e de praticar a caridade (cf. 306).

4) Este caminho, não termina necessariamente nos sacramentos, mas pode orientar-se para outros modos de se integrar mais na vida da Igreja: uma maior presença na comunidade, a participação em grupos de oração ou reflexão, o compromisso em diversos serviços eclesiais , etc. (Cf. 299).

5) Quando as circunstâncias específicas de um casal tornam isso possível, especialmente quando ambos são cristãos com uma jornada de fé, se pode propor o compromisso de viver em continência. Amoris Laetitia não ignora as dificuldades desta opção (ver nota 329) e deixa em aberto a possibilidade de acesso ao Sacramento da Reconciliação quando eles falharem nesse propósito (ver nota 364, de acordo com o ensinamento de João Paulo 11 ao Cardeal W . Baum, de 22/03/1996).

6) Em outras circunstâncias mais complexas, e quando eles não puderem obter uma declaração de nulidade, a opção acima mencionada pode não ser viável de fato. No entanto, é também possível um caminho de discernimento. Se vier a reconhecer que, num caso particular, há limitações que diminuem a responsabilidade e culpa (cf. 301-302), particularmente quando uma pessoa considerar que cairia em uma falta subsequente prejudicial aos filhos da nova união, Amoris Laetitia abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (cf. notas 336 e 351). Estes, por sua vez, dispoem a pessoa a continuar a amadurecer e crescer com o poder da graça.

7) Todavia há que se evitar entender esta possibilidade, como sendo um acesso irrestrito aos sacramentos, ou como se qualquer situação pudesse ser justificada. O que se propõe é um discernimento que distinga adequadamente cada caso. Por exemplo, um cuidado especial exige-se para  “uma nova união que vem de um recente divórcio” ou “a situação de alguém que tenha falhado repetidamente em seus compromissos familiares” (298). Além disso, quando há uma espécie de apologia ou ostentação da própria situação”, como se ela fosse parte do ideal cristão” (297). Nestes casos mais difíceis, os pastores devem acompanhar pacientemente à procura de um caminho de integração (cf. 297, 299).

8) É sempre importante orientar as pessoas a colocar a sua consciência diante de Deus, e para isso é útil o “exame de consciência”, proposto em Amoris Laetitia 300, especialmente no que diz respeito a “como eles têm se comportado com seus filhos” ou com relação ao cônjuge abandonado. Quando houver injustiças não resolvidas, o acesso aos sacramentos é particularmente escandaloso.

9) Pode ser conveniente que um eventual acesso aos sacramentos se realize de forma reservada, especialmente quando situações de conflito estão previstas. Mas ao mesmo tempo não há que deixar de acompanhar a comunidade para que cresça num espírito de compreensão e acolhida, sem que isso implique em criar confusão no ensinamento da Igreja sobre o matrimónio indissolúvel. A comunidade é um instrumento da misericórdia que é “imerecida, incondicional e gratuita” (297).

10) O discernimento não se fecha, porque “é dinâmico e deve permanecer sempre aberto a novas etapas de crescimento e novas decisões que permitam realizar o ideal de maneira mais plena ” (303), segundo a “lei da gradualidade” (295) e contando com a ajuda da graça.

Somos antes de tudo pastores. Por isso, queremos acolher estas palavras do Papa: “Convido os pastores a escutar com carinho e serenidade, com o sincero desejo de entrar no coração do drama das pessoas e compreender seu ponto de vista, para ajudá-los a viver melhor e reconhecer o seu próprio lugar na Igreja “(312).

Com afeto em Cristo.

Bispos da Região

05 de setembro de 2016
* * *

O texto completo da carta original Papa Francisco em espanhol – escrito em resposta a este documento – pode ser visto a seguir:

Carta do Papa Francisco em apoio aos critérios de aplicação do capítulo VIII da “Amoris Laetitia”

CIDADE DO VATICANO, 05 de setembro de 2016
Mons. Sergio Alfredo Fenoy
Delegado da Região Pastoral Buenos Aires
Querido irmão:

Eu recebi a carta da Região Pastoral Buenos Aires “critérios básicos para a aplicação do capítulo VIII da Amoris Laetitia”. Muito obrigado por tê-la me enviado e felicito-os pelo trabalho que executaram: um verdadeiro exemplo de acompanhamento para os sacerdotes … e todos nós sabemos como é necessário essa proximidade do bispo com o clero e do clero com o bispo. O próximo “mais próximo” do bispo é o sacerdote e o mandamento de amar o próximo como a si mesmo começa para nós bispos,  precisamente com os nossos sacerdotes.

A carta é muito boa e expressa plenamente o sentido do Capítulo VIII da Amoris Laetitia. Não há outras interpretações. E eu tenho certeza de que fará muito bem. Que o Senhor os recompense por esse esforço de caridade pastoral.

E é precisamente a caridade pastoral que nos move a sair ao encontro dos alijados e uma vez encontrados, iniciar um caminho de acolhida, acompanhamento, discernimento e integração na comunidade eclesial. Sabemos que isso é trabalhoso, se trata de uma pastoral “corpo a corpo” que não se satisfaz com mediações programadas, organizacionais ou legalistas, mas necessária. Simplesmente acolher, acompanhar, discernir, integrar. Destas quatro atitudes pastorais, a menos cultivada e praticada é o discernimento; e eu considero urgente a formação no discernimento, pessoal e comunitário, em nossos seminários e presbitérios.

Finalmente, gostaria de lembrar que Amoris Laetitia foi o fruto do trabalho e da oração de toda a Igreja, com a mediação de dois Sínodos e do Papa. Portanto, eu lhes recomendo uma catequese completa da Exortação que certamente vai ajudar no crescimento, consolidação e santidade da família.

Mais uma vez agradeço-lhe pelo trabalho realizado e incentivo-os a seguir em frente nas diversas comunidades da diocese, com o estudo e a catequese da Amoris Laetitia.

Por favor, não se esqueçam de rezar e rezar por mim.

Que Jesus os abençoe e a Virgem os cuide.

Fraternalmente

Francisco

O que nós não sabemos com certeza é se o Papa Francisco, de fato, escreveu e assinou esta carta. Ela está sendo atribuída a ele sem uma cópia fotografada do original. É improvável, todavia, que seja falsa, pois tem um estilo que parece ser autêntico, e este será o ponto de discórdia que será levantado por aqueles que preferem não acreditar que um Papa poderia endossar e promover sacrilégio.

Nós também carecemos de uma tradução dos originais em espanhol. [a tradução acima é exclusiva para o português, fornecida pela nossa colaboradora Gercione] (Um comentário francês sobre isso também surgiu, para aqueles que podem lê-lo.) É improvável que quando obtivermos um original isso vá mudar alguma coisa, mas muitas vezes há nuances sutis e expressões idiomáticas que podem de alguma forma alterar o significado. O veredito final terá que esperar até que possamos identificar um tradutor que decifre o texto. (Infelizmente, os nossos recursos são limitados a este respeito.)

No entanto, enquanto aguardamos a confirmação final, isso parece ser exatamente o que se parece: uma confirmação direta e afirmativa do próprio papa de que ele pretende permitir que aqueles que vivem em pecado grave e objetivo possam receber os sacramentos da confissão e comunhão sem o arrependimento necessário e mudança de vida. Isso é um sacrilégio. Tomado como uma contradição dos Evangelhos, tal afirmação poderia sem dúvida ser considerada herética.

Este é um assunto muito a sério e pesado, pois se afasta do terreno da ambiguidade para o endosso, conectando Francisco ainda mais estreitamente com as censuras teológicas contra a Amoris Laetitia, às quais ele tem o dever moral de responder.

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9 setembro, 2016

Editorial: O fracasso de Francisco.

Há um filme de aproximadamente dez anos, “Wag the dog” – expressão idiomática americana que equivaleria a “Desviar a  atenção” –, no Brasil entitulado “Mera coincidência”, cujo enredo era de um candidato à presidência dos EUA que, envolvido num escândalo sexual, para desviar a atenção dos eleitores, contratou um produtor de Hollywood para “criar” midiaticamente uma falsa guerra na Albânia. Não precisamos dizer que, no roteiro, o povo é enganado, embora fique sempre com aquela impressão inexplicável de que há algo no ar…

É este “algo no ar…” que queremos salientar relativamente ao suposto “sucesso” de Papa Bergoglio.

Aclamado pela mídia, ovacionado pela esquerda internacional, incensado por gays e abortistas, Francisco parece não atrair o mesmo entusiasmo por parte dos católicos.

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Na última sexta-feira, 2 de setembro, ele promoveu um “dia de oração pelo criado” (sic!). Não, não se trata do “criado” de alguém, de uma pessoa que presta seus humildes serviços a outrem, mas da “criação”, ou seja, chimpanzés, calangos e similares… Um dia de espiritualidade ecológica; não propriamente daqueles rituais druidas tão apreciados por Leonardo Boff et caterva, como abraçar-se com árvores ou tomar um descarrego com uma vassoura de alecrim, mas politicamente correto o suficiente para tirar suspiros devotos de George Soros… Sim, dele mesmo: o multimilionário americano que vive de trapaças, como destruir bancos para depois comprá-los por preço de… banana! E, nesse caso, a irmã banana que nos perdoe!

Acontece que, no tal dia de “oração pelo criado”, ao fim e ao cabo, apareceram apenas algumas dezenas de pessoas. Foi um fiasco!!!

Assim como fiasco foi a abertura do Ano Santo da Misericórdia e a própria canonização de Madre Teresa de Calcutá, que contou com a discreta presença de, no máximo, cem mil peregrinos.

Não, essa não é uma presença expressiva para a canonização de uma mulher do porte de Madre Teresa. Basta comparar com os 800.000 da canonização de Padre Pio e com os 600.000 da de Escrivá. A propósito, a beatificação – beatificação!!! –  de Mons. Portillo, em Madrid, reuniu mais de 200.000 pessoas (e quem celebrou foi o Card. Amato)…

Francisco é uma decepção de público, um repelente de católicos. Acontece consigo o mesmo que com os revolucionários franceses quando inventaram a sua “Igreja jurada”… Com discurso anticatólico, ao som de tiros para o ar e ao canto da marselhesa, criaram uma religião que os católicos e os próprios revolucionários odiavam… Parece óbvio! Francisco fala para comunistas, gaysistas, feministas e afins… E, por um acaso, essa gente gosta de Igreja?…

Na Europa agonizante, o discurso de Bergoglio consegue até entusiasmar algum grêmio da terceira idade, mas aqui na América Latina ninguém sequer toma conhecimento do que ele diz e pensa. Circulam pela internet textos apócrifos, bem naquele estilo motivacional do Dr. Cury; memes mais ou menos engraçados, com algum incentivo para o moral da galera, e pouco mais que isso.

Até entre os bispos paira um certo constrangimento: com a patrulha que corre pelas sacristias, sentem-se obrigados a falar de Francisco, mas não sabem bem sobre o que devem falar dele: não há matéria! Em tempos de Papa Ratzinger, ao menos Nouvelle Théologie nós tínhamos. Agora, temos “teologia” de chimpanzés e ativismo esquerdista, enquanto as esquerdas vão caindo mundo afora.

De fato, o Papa argentino escolheu um lado: o lado do fracasso!

As pessoas possuem apenas um estereótipo de Francisco, e um estereótipo que as mesmas vacilam em conferir com a realidade. Admitem certa simpatia por ele, mas nada mais profundo que isso! Gosta de Francisco o “católico” da Globo, que também gosta de Chico Xavier e do Faustão.

Enquanto isso, a mocidade católica continua firmemente agarrada à boa e velha tradição, que alegra a nossa juventude. E vamos continuar assim.

O entusiasmo por este papa é todo falso, midiático, artificial. Tudo nele soa fingido. Ele mesmo vive de cenas e frases de efeito – viram o clipezinho que ele gravou em Auschwitz? Poderiam ter colocado a trilha sonora de Madona: “Don’t cry for me, Argentina”. Se estivesse no Brasil, certamente teria como marqueteiro o João Santana.

Mas, é inegável, sempre fica o gostinho de “algo no ar…”, o que não deixa de intrigar e de entristecer os verdadeiros fiéis.

Francisco diz que as ovelhas têm o seu próprio instinto, e que os pastores deveriam segui-las, e não o contrário. Pois bem, como disse Nosso Senhor, “minhas ovelhas me conhecem”! Bergoglio não tem cheiro de ovelha, não! Ele tem cheiro é da elite globalista e, para estes, ele vive a “desviar a nossa atenção”.

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8 setembro, 2016

Christopher Ferrara analisa a Constituição Apostólica ‘Vultum Dei Quaerere’.

Francisco Ataca os Conventos de Clausura

Por Christopher A. Ferrara, 25 de Julho de 2016 – Associação de FátimaE agora é a vez das freiras de clausura sentirem o peso do punho ditatorial. Com a sua Constituição Apostólica Vultum Dei Quaerere (VDQ) (“Procurando a Face de Deus”), lançada como uma bomba de grande potência durante o tempo de férias, Francisco ordena mudanças arrasadoras para todos os conventos de clausura em todo o mundo, exigindo novas Constituições e “formas de clausura” a serem aprovadas pelo Vaticano, bem como o controle centralizado de todos os conventos de clausura locais. O jornal liberal La Stampa sumaria de modo aprovador o documento como um todo, do seguinte modo: “Francisco ordena enormes mudanças para as Ordens Religiosas contemplativas, e exige a revisão de todas as Constituições.” A Catholic News Agency elogia as “novas normas que se focalizam na oração, a centralização.”

A VDQ também revoga toda a anterior legislação papal sobre o caráter estrito das “clausuras” femininas, tanto as maiores como as menores, que impunham penas severas contra o sair ou a admissão de pessoas externas à clausura, sem autorização ou motivo grave, — inclusive a Sponsa Christi e a Inter Praeclara 1950) de Pio XII, e a Verbi Sponsa (1999) de João Paulo II. Referindo-se a mais normas a serem promulgadas, a VDQ contempla claramente o trânsito rotineiro das freiras por dentro e fora dos seus claustros por motivos de tais coisas como “cursos específicos de formação fora do seu convento.” Também se recomenda que as freiras de clausura usem a Internet para a sua “formação” e para a “cooperação” com outros conventos — uso apenas limitado pela “devida discrição”, seja o que for que isso signifique.

A VDQ ordena, alem disso, que os mosteiros de claustro sejam abertos ao público para a Adoração Eucarística, que é sendo claramente usada para abrir uma brecha na santidade antiga dos claustros: “Cada mosteiro, ao elaborar o seu plano de comunidade e de vida fraterna, além da preparação cuidadosa das suas celebrações Eucarísticas, deve pôr aparte tempo apropriado para a Adoração Eucarística, também convidando aos fieis da Igreja local a tomarem parte nela.”

Num ataque devastador à autonomia dos mosteiros de clausura, em que a VDG fala com palavras insinceras e cínicas, o documento dá como mandato que imediatamente se inscrevam em “federações” governadas por Presidentas [sic~] e Conselhos. A anterior legislação pontifícia, no reinado de João Paulo II e no de Pio XII, permitia apenas que os mosteiros se federassem, enquanto insistiam que a sua autonomia individual de modo algum poderia ser diminuída pela existência de uma qualquer federação voluntária. As federações existentes (claro que se formarão outras, se necessário) são, na sua maioria, latrinas de corrupção modernista, empreendimentos de “justiça social” em linha com os políticos liberais, ou ambas as coisas. Mas é precisamente esse o ponto: aos poucos conventos tradicionalistas ainda existentes, tais como as Irmãs Franciscanas da Imaculada, que já foram colocadas sob o governo de um comissariado liberalizador do Vaticano, ser-lhes-á exigido que curvem a sua vontade ao “espírito” das federações liberalizadas às que agora são obrigados a juntar-se, e as novas ordens femininas tradicionalistas serão esmagadas no berço.

Por muito incrível que isto pareça, o Papa das Periferias agora proíbe que os conventos admitam candidatas de outros países (de África ou das Filipinas) para assegurarem a sua continuação: “o recrutamento de candidatas de outros países unicamente para ficar assegurada a sobrevivência de um mosteiro deve ser absolutamente evitada.” A palavra “unicamente” terá pouco ou nenhum significado na prática, e por isso o recrutamento transnacional será de facto proibido. -Mas o que terá a origem nacional de uma freira a ver com a sua liberdade de entrar num convento, se tiver vocação? Absolutamente nada. No entanto, é o Papa das Periferias que está constantemente a matraquear na “inclusão” que insiste agora na exclusão em forma de uma discriminação baseada na nacionalidade de origem das candidatas. E fica assim assegurada a morte de muitos Conventos de Clausura. -Que loucura!

Ainda mais incrível é que o Pontífice idoso impõe uma discriminação por idade nos mosteiros, declarando: “A autonomia jurídica tem de ser igualada por uma genuína autonomia de Vida. Isto engloba um certo número de Irmãs, mesmo que seja mínimo, desde que a maioria não seja de idosas…” Mas o que é que a idade das freiras tem a ver com a sua autonomia dentro do convento? Deve afimar-se de novo: -Absolutamente nada! Isto é apenas outra tática para garantir a liberalização de conventos que ainda estão alinhados com a Tradição.

Se as condições para a “autonomia” não forem atingidas — inclusive uma maioria de membros não-idosos! — então “a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica analisará a possibilidade de se estabelecer uma comissão ad hoc constituída pelo Ordinário, pela Presidenta da Federação, um representante da Federação e pela Abadessa ou Superiora do mosteiro. Em cada caso, o propósito desta intervenção é iniciar um processo-guia para a revitalização do mosteiro, ou para efetuar o seu encerramento.”

O sóbrio Catholic Herald descreve esta provisão como sendo “um regulamento que sublinha os critérios necessários para um mosteiro manter a sua autonomia jurídica ou, caso contrário, ser absorvido por outra entidade ou ter de encerrar.”

E assim terminamos com a Igreja das Periferias. Uma vez mais Francisco está a consolidar todo o poder nas suas próprias mãos. Como qualquer ditador, ele prega a liberdade enquanto pratica a tirania, derrubando tudo o que os seus antecessores fizeram que se interponha no seu caminho — e não só neste ponto; também no que diz respeito ao ensinamento dos seus antecessores, especialmente o de João Paulo II em Familiaris consortio, sobre os divorciados e “recasados”.

-Sim, é claro que o Papa tem plenos poderes dentro da Igreja. Mas este Papa não quer respeitar os limites a esse poder enunciados pelo próprio Papa que ele substituiu tão inesperadamente e em circunstâncias tão misteriosas:

O Papa não é um monarca absoluto cujos pensamentos e desejos são a lei. Pelo contrário: o Ministério Petrino é um garante da obediência a Cristo e à Sua Palavra. O Papa não deve proclamar as suas ideias pessoais, antes deve ligar-se constantemente, a si mesmo e à Igreja, à obediência à Palavra de Deus, diante de cada uma das tentativas para a adaptar ou para a diluir, e de toda e qualquer forma de oportunismo.

Em Francisco, que Deus nos ajude, temos um Papa que, por norma, ignora virtualmente cada uma das palavras da admoestação de Bento XVI. -Que Deus Se digne guardar a Sua Santa Igreja!

O Vaticano diz que não estão a ser ponderadas medidas semelhantes para as Ordens Religiosas masculinas. -Mas não o acredito.

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3 setembro, 2016

O Deus das surpresas. 

Basílica de São Pedro, 1 de setembro de 2016 – Solenes Vésperas pelo Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação.

Em sua mensagem para o dia, o bispo de Roma propôs uma “conversão ecológica”:

“Utilizar com critérios o plástico e o papel, não desperdiçar água, comida e eletricidade, diferenciar o lixo, tratar com zelo os outros seres vivos, usar os transportes públicos e partilhar o mesmo veículo com várias pessoas”.

Na imagem, multidão acompanha celebração presidida por Francisco.

Sinais do Deus das surpresas, como costuma repetir o papa argentino…

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