Posts tagged ‘O Papa’

23 março, 2017

Revolução da ternura.

“Não tenham vergonha da ternura. Hoje se necessita de uma revolução da ternura neste mundo que sofre de cardioesclerose”.

Francisco, 7 de dezembro de 2016

Sobre cartazes, dos Papas, risadas e insultos (pontifícios). Para descontrair.

Por Marco Tosatti, 10 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – Agora que o meu colega Guido Mocellin, do jornal Avvenire revelou os mistérios relacionados aos posteres que apareceram espalhados em Roma e direcionados não ao Pontífice reinante, mas a outro rei de Roma, Francesco Totti, e que por uma confusão banal dessa região do Lácio acabaram colados sobre os muros da Capital.

papa-che-ride-300x169Depois que o arcebispo Becciu, o número 2 da Secretaria de Estado e o delegado espiritual do Papa junto à Ordem de Malta, nos assegurou que o Pontífice até riu do episódio e apreciou o dialeto Romanesco;

Dado que os pogroms e incêndios foram afastados, com exceção de alguns pequenos foguinhos acesos aqui e acolá por algum colega mais entusiasmado, e já que ainda estamos em tempos de carnaval e ainda podemos nos permitir um sorriso…

Eis que feitas todas essas ressalvas, hoje aconteceu de me deparar com um site durante meu giro pela internet. Trata-se de uma página Opportune Importune que faz um compêndio de todos os insultos lançados pelo Papa contra sacerdotes, cardeais,bispos e leigos que diante de seus olhos carecem de qualquer parâmetro de respeito.

É uma página datada de 14 de dezembro de 2015, mas que tinha me escapado na época, como também me passou despercebido um livreto em inglês da qual tal página se originou. The Pope Francis Little Book of Insults [O pequeno livro de insultos do Papa Francisco]., dezembro 2015. Desde então, a lista certamente cresceu e não foi pouco.

Aqui estão alguns termos usados (para a lista completa, consulte o website):

Velhas comadres

Instigadores da coprofagia

Especialistas em Logos

Debulhadores de rosários

Funcionários

Pessoa absorvida em si mesma

Neo pelagianos

Prometeico

Restauracionista

Cristãos ideológicos

Pelagianos

Sr. e Sra. choramingões

Triunfalistas

Cristãos inflexíveis

Gnósticos modernos

Cristãos líquidos

Cristãos superficiais

Múmias de museu

Príncipe renascentista

Bispo de Aeroporto

Cortesão leproso

Ideólogo

Cara comprida

Autoritários

Elitistas

Pessimistas e desiludidos

Cristãos com cara de vinagre

Infantis, com medo de dançar, gritar, com medo de tudo

Cristãos que buscam certeza em tudo

Cristãos fechados, tristes, aprisionados, que não são livres

Cristãos pagãos

Monstrinhos

Cristãos derrotados

Papagaios do Credo

Batedores da Inquisição

Seminaristas que cerram os dentes à espera de terminar os estudos, que seguem as regras e sorriem revelando a hipocrisia do clericalismo, um dos piores males.

Ideólogos do abstrato

Fundamentalistas

Sacerdotes grudentos e idólatras

Adoradores do deus Narciso

Sacerdotes vaidosos e fanfarrões

Sacerdotes vendedores de pneus

Padres magnatas

Religiosos que têm o coração amargo como vinagre

Fechados na fria formalidade de uma oração gelada, avarentos.

Estéreis no seu formalismo

Gente velha e saudosista de estruturas e usos que não dão mais vida ao mundo de hoje

Jóvens maníacos pela moda

Cristãos de pastelaria

Cristãos anestesiados

Fracos até a podridão

Cristãos de coração negro

Cristãos inimigos da cruz de Cristo

Falso moralistas

Contemplativos distantes.

Devo confessar que vê-los todos assim alinhados em uma coluna me deu pena. Porque, como sempre, o costume anestesia a sensibilidade. Talvez quem hoje lê que o Papa está atacando os cristãos anestesiados, não se recorda que há três dias foi a vez dos estéreis no seu formalismo. E que amanhã talvez será a vez daqueles do coração negro.

Em suma, mas como há gente ruim entre esses Cristãos, pelo menos de acordo com o Pontífice. E isso também não deixa de ser uma novidade. Eu não me recordo que seus predecessores tenham jamais expressado opiniões tão repetidas, tão cortantes e impiedosas contra as ovelhas do rebanho. E realmente, se os fiéis da Igreja Católica são essa massa de iniqüidades, é de se perguntar se os cartazes não eram realmente autênticos ou se limitavam a ser simples cartazes. Afinal de gente tão ruim assim há que se esperar de tudo! Talvez até soltem um sorriso após o próximo insulto e ainda digam: “você sabe, é o Papa… ele sempre age assim”.

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13 março, 2017

‘Viri probati’. O Celibato na mira.

Por FratresInUnum.com – 13 de março de 2017: Em Roma, fortalece-se o rumor de que a Santa Sé deveria permitir, até o fim deste ano, a ordenação de homens casados — os chamados viri probati — para a região da Amazônia. Vale buscar os arquivos de FratresInUnum.com, que tratou pela primeira vez da questão em abril de 2014, antes de qualquer outro meio de comunicação, quando o pontificado de Francisco apenas acabara de completar um ano.

Mais tarde, em abril de 2016, escrevíamos: “Estamos em condições de afirmar que o assunto [celibato] foi pauta de reunião privativa dos bispos na Assembléia da CNBB de 2015, sendo capitaneado por Dom Cláudio Hummes. Então, o arcebispo emérito pediu que os bispos do Brasil fizessem uma ‘proposta concreta’ a Francisco sobre o tema. A recém-eleita presidência da CNBB não demonstrou nenhum empenho especial pela causa, por conta divisão do episcopado brasileiro a respeito”.

Em entrevista concedida ao jornal alemão Die Zeit, publicada na semana passada, o pontífice não disse que estudaria a proposta de extinguir o celibato, mas que estudaria a possibilidade de que alguns homens casados pudessem exercer algumas funções sacerdotais, os chamados viri probati.

Afirmou o Papa:

“A vocação dos padres representa um problema enorme e a Igreja deverá resolvê-lo. No entanto, o celibato opcional, ou seja, facultativo, não é a solução, nem mesmo abrir as portas dos seminários a pessoas que não apresentam uma autêntica vocação. Já a questão dos viri probati é uma possibilidade, todavia, se deve precisar quais as tarefas que essas pessoas poderiam assumir nas comunidades “isoladas”. O Senhor disse: rezem. É isso que falta, a oração. E falta o trabalho com os jovens que procuram orientação”.

Frenesi generalizado em sites católicos pró-establishment [exemplos aqui e aqui], que se desdobram apressadamente: não é o celibato que está em jogo, mas, apenas uma exceção para casos extremos! Como se na Igreja pós-conciliar todas as excepcionalíssimas exceções — vide comunhão na mão, mulheres acólitas, etc — não se tornassem, em pouco tempo, regra absoluta inquebrantável.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e intervenha.

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9 março, 2017

Esse desastroso pontificado.

Phil Lawler é jornalista católico há mais de 30 anos. Editor de várias revistas católicas, escreveu oito livros. Fundador da Catholic World News, ele é o diretor de notícias e analista principal da CatholicCulture.org.

Por Phil Lawler, 1º de março de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Algo aconteceu na última sexta-feira, quando o Papa Francisco usou novamente a leitura do Evangelho do dia como mais uma oportunidade para promover sua visão pessoal sobre o divórcio e o segundo  casamento. Condenando a hipocrisia e a “lógica da casuística”, o Pontífice disse que Jesus rejeita a abordagem dos legalistas.

É verdade. Mas, em sua repreensão aos Fariseus, o que Jesus diz mesmo sobre o casamento?

“Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, não o separe o homem”.

…e…

“Quem se divorcia de sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra ela; e se ela se divorcia de seu marido e se casa com outro, também comete adultério.”

Dia após dia, em suas homilias na missa matinal na Casa Santa Marta, o Papa Francisco denuncia os “doutores da lei” e a aplicação “rígida” da doutrina moral Católica. Às vezes, sua interpretação das leituras da Bíblia do dia é forçada. Frequentemente, a sua caracterização dos Católicos tradicionais é insultante. Mas, neste caso, o Papa virou a leitura do Evangelho completamente de cabeça para baixo. Lendo o relato dessa assombrosa homilia feito pela Rádio Vaticano, não pude mais fingir que o Papa Francisco está apenas oferecendo uma nova interpretação da doutrina Católica. Não; é mais do que isso. Ele está empenhado em um esforço deliberado para mudar tudo o que a Igreja ensina.

Por mais de 20 anos, escrevendo diariamente sobre notícias do Vaticano, tentei ser honesto em minha avaliação das declarações e gestos papais. Às vezes, eu criticava São João Paulo II e o Papa Bento XVI, quando achava que suas ações eram imprudentes. Mas, nunca me passou pela cabeça que algum desses papas pudesse representar um perigo para a integridade da fé católica. Olhando para trás, para muito além, em toda a história da Igreja, eu percebo que existiram Papas ruins, homens cujas ações pessoais foram motivadas pela ganância, inveja, sede de poder ou simplesmente luxúria. Mas, nunca houve um Romano Pontífice que demonstrasse tanto desdém pelo que a Igreja sempre ensinou, acreditou e praticou – no que diz respeito a questões como a natureza do casamento e da Eucaristia.

O Papa Francisco gerou controvérsia desde o dia em que foi eleito como sucessor de São Pedro. Mas, nos últimos meses, a controvérsia tornou-se tão intensa, a confusão entre os fiéis tão difusa, a administração no Vaticano tão arbitrária – e as diatribes do Papa contra seus inimigos (reais ou imaginários) tão cheias de velhacaria – que hoje a Igreja universal está se jogando em direção a uma crise.

Numa grande família, como um filho deve se comportar quando percebe que o comportamento patológico de seu pai ameaça o bem estar de toda a família? Ele certamente deve continuar a demonstrar respeito por seu pai, mas ele não pode indefinidamente negar o perigo. Eventualmente, até uma família disfuncional precisa de uma intervenção.

Na família mundial que é a Igreja Católica, o melhor meio de intervenção é sempre a oração. A oração intensa pelo Santo Padre seria um projeto particularmente ideal para a época da Quaresma. Porém, a intervenção também requer honestidade: um reconhecimento sincero de que temos um problema sério.

Reconhecer o problema também pode proporcionar uma espécie de alívio, um relaxamento no acúmulo de tensões. Quando digo aos amigos que considero esse papado um desastre, percebo que, na maioria das vezes, eles se sentem estranhamente mais reconfortados. Eles podem até relaxar um pouco, sabendo que suas desconfianças não são assim tão irracionais, que outros compartilham de seus receios sobre o futuro da fé e que não precisam continuar numa busca infrutífera tentando conciliar o irreconciliável. Além disso, ao dar ao problema um nome próprio, eles podem reconhecer que esta crise não é o Catolicismo. O Papa Francisco não é um antipapa, muito menos o Anticristo. A Sé de Pedro não está vacante, e Bento XVI não é o “verdadeiro” Pontífice.

Para o bem ou para o mal, Francisco é o nosso papa. E se é para pior – como infelizmente sou levado a concluir, só posso dizer que a Igreja sobreviveu a maus papas no passado. Nós, Católicos, ficamos acostumados por décadas a desfrutar de uma sucessão de líderes de destaque no Vaticano: pontífices que eram mestres talentosos e homens santos. Nós crescemos acostumados a olhar em direção a Roma para orientação. Agora já não podemos mais.

(Eu não quero dizer com isso que o Papa Francisco perdeu o carisma da infalibilidade. Se ele decidir emitir uma declaração ex cathedra, em união com os bispos do mundo, podemos estar certos de que ele estará cumprindo seu dever de transmitir o que o Senhor confiou a São Pedro: o depósito da fé. Mas este Papa escolheu não falar com autoridade, pelo contrário, recusou-se teimosamente a esclarecer o seu mais provocador documento de Magistério.)

Mas, se não podemos contar com direções claras de Roma, para onde poderemos nos dirigir? Primeiramente, os Católicos podem confiar no constante Magistério da Igreja, nas doutrinas que agora estão sendo questionadas. Se o Papa é confuso, o Catecismo da Igreja Católica não é. Em segundo lugar, podemos e devemos pedir aos nossos próprios bispos diocesanos para dar um passo à frente e assumir as suas próprias responsabilidades. Os bispos, esses também passaram anos transferindo o ônus das questões difíceis para Roma, e agora por necessidade, eles devem providenciar suas próprias afirmações claras e decisivas da doutrina Católica.

Talvez o Papa Francisco resolva provar que eu estou errado, e quem sabe ainda pode emergir daí um grande mestre Católico. Eu espero e rezo pra que assim seja. Talvez todo o meu argumento se prove equivocado. Eu já cometi erros antes, e sem dúvida, poderia estar errado novamente; mas uma minha visão equivocada não tem grandes conseqüências. Mas, se eu estiver certo, e a atual liderança do Papa se tornar um perigo para a fé, então outros católicos, e especialmente os ministros ordenados da Igreja, devem decidir como responder. E se eu estiver certo – como claramente estou – em relação ao fato de que a confusão sobre os ensinamentos fundamentais da Igreja se tornou generalizada, então os bispos, como primeiros mestres da fé, não podem negligenciar seu dever de intervir.

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2 março, 2017

Explosivo – Antonio Socci: Cardeais da Cúria que elegeram Francisco querem convencê-lo a renunciar.

Estamos à beira do abismo. E há quem pense (depois de o terem eleito) em substituir o Papa demolidor. Eis aqui com qual cardeal!

Por Antonio Socci, Libero28 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.comDias atrás, o Der Spiegel reportava as palavras do Papa Bergoglio a alguns de seus fidelíssimos assessores: “É possível que eu entre para a história como aquele que dividiu a Igreja Católica“. E é por isso que seu amigo Eugenio Scalfari o considera como o maior “revolucionário”.

20150918cover1800-x-2400Há algum tempo, uma capa da revista Newsweek se perguntava se o Papa é católico ( “É o papa católico?”). E uma outra do Spectator o representava sentado em uma bola de demolição sob o título “Papa vs. Igreja” (o Papa contra a Igreja). Ambas retratavam um sentimento generalizado.

Com efeito, há exatos quatro anos desde a “renúncia” de Bento XVI e da erupção de Bergoglio, a situação da Igreja Católica havia se tornado explosiva, talvez estivesse mesmo no limite de um cisma mais catastrófico do que aquele da época de Lutero (que hoje está reabilitado na igreja bergogliana).

Picaretadas

A confusão é enorme porque ocorrem picaretadas até da parte de seus assessores mais próximos.

Nos últimos dias, até o novo Superior Geral dos Jesuítas (escolhido a dedo pelo próprio Bergoglio) causou incômodo pelo que disse sobre o Evangelho e sobre Jesus. Assim como o novo presidente da Academia Pontifícia para a Vida, nomeado pelo mesmo Bergoglio, que fez uma exaltação incondicional de Marco Pannella chegando a dizer: “Espero que o espírito de Marco nos ajude a viver na mesma direção”.

Na Igreja, está acontecendo de tudo. Os expoentes máximos da ideologia laicista sobre a vida estão sendo convidados com todas as honras para um simpósio no Vaticano, os cardeais que estão pedindo ao Papa para esclarecer ou corrigir os pontos errôneos da Amoris Laetitia são mal tratados. Além disso, estão para instituir as “mulheres diaconisas”, podendo mesmo chegar ao ponto de meterem a mão na liturgia para cunharem uma “missa ecumênica” com os protestantes, o que viria a marcar um ponto de não retorno.

Dias atrás, uma “bispa” protestante do Norte da Europa – com a intenção de fazer-lhe um elogio – declarou que Bergoglio se parece cada vez mais com um criptoprotestante (“verklappter protestant”).

Muitos fiéis Católicos temem que seja verdade. Por causa disso, grande parte dos cardeais que votaram nele estão profundamente preocupados e o partido curial que organizou a sua eleição e que o apoiou até agora, sem jamais dissociar-se, está cultivando a ideia (na minha opinião irrealista) de uma “persuasão moral” para convencê-lo a se aposentar. Eles já teriam inclusive o nome do homem que deverá substituí-lo para “consertar” a Igreja fragmentada.

Mas, para entender melhor o que está acontecendo, é preciso fazer uma reconstrução de como a Igreja veio parar nessa situação, talvez a mais grave dos seus 2000 anos de história.

Império Americano

É necessário partirmos do contexto geopolítico dos anos noventa, quando os Estados Unidos, considerando-se como a única potência mundial importante ainda remanescente, começou a conceber o projeto de um mundo unipolar “para um Novo Século Americano”. Fukujama anunciou o “fim da história”, isto é, como um planeta totalmente americanizado. Uma loucura, mas a última utopia ideológica do século XX.

A suposição era que – varrida do bloco soviético – a Rússia democrática, prostrada e humilhada pela americanização selvagem sob o regime de Yeltsin, não poderia jamais se recuperar, restando apenas como uma província atrasada do antigo império soviético.

Então, veio a grande crise de 2007-2008, enquanto na Rússia um novo líder, Vladimir Putin, levava o maior país do mundo a recuperar sua identidade espiritual, uma verdadeira independência nacional (econômica) e um papel internacional.

Assim, entre 2010-2016, a administração Obama/Clinton (com seu sistema anexo de poder global) desenvolveu uma estratégia global pesada destinada a isolar a nova Rússia de Putin e neutralizá-la.

Os dois pilares geopolíticos do império Obama/Clinton eram – na Europa – os fiéis vassalos alemãos liderados por Merkel e, no Oriente Médio, a Arábia Saudita.

Os parafusos

Tendo em mente  eliminar primeiramente a presença russa no Mediterrâneo e no Oriente Médio, os EUA lançaram um plano para a eliminação dos dois regimes desta área que eram antigos aliados da Rússia, ou seja, a Líbia e a Síria lideradas por Kadafi e Assad.

A ideia americana era deixar a região sob a hegemonia da Arábia Saudita, embora pareça estranho o fato de Obama ter subestimado o risco representado pelos protagonistas da chamada Irmandade Muçulmana na dita “Primavera Árabe”.

Até mesmo na Europa fomos testemunhas de outros transtornos. Em 2011, o governo italiano liderado por Berlusconi foi isolado da União Européia franco-alemã de Merkel e Sarkozy, para cair em seguida sob ataque e se ver forçado a renunciar. (Lembrem-se que Berlusconi era naquele tempo o único chefe europeu de governo com o qual Putin tinha um relacionamento cordial).

Depois vimos a desestabilização direta da área russa com o fogo de guerra na Ucrânia, fornecendo o pretexto ideal para a OTAN trazer toda a Europa do Leste, até as fronteiras da Rússia, sob o seu protetorado. Chegando mesmo ao ponto de fazer manobras militares perigosas na fronteira, criando um clima de guerra fria.

Por outro lado, é já de algum tempo que grande parte da mídia ocidental está fortemente concentrada no ataque contra Putin, uma criminalização curiosa, se considerarmos o que os americanos – com as suas “guerras humanitárias” – estavam fazendo.

Colonização ideológica

Enquanto isso, Obama – no seu segundo discurso de posse – lançava também uma ofensiva ideológica que visa impor ao mundo uma nova antropologia liberal e relativista (casamento gay, ideologia de gênero…etc).

É um projeto global que tenta desconstruir (além da identidade sexual) a identidade nacional, cultural e religiosa através do fenômeno da imigração de massa.

O próprio Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, exalta a imigração como uma nova fronteira do progresso contra a qual ninguém deve se opor. O fenômeno então explode: entre 2010-2016 há um vertiginoso aumento nas massas de migrantes que se dirigem para a Europa, primeiramente atravessando a Itália e a Grécia. Nesse meio tempo, o que acontece na Igreja? Desde 2010 nós assistimos uma pressão muito pesada, tanto interna como externamente, contra o pontificado de Bento XVI que, em fevereiro de 2013, “renuncia”.

Nesses últimos dias, alguns intelectuais católicos americanos pediram publicamente a Trump para abrir uma investigação para apurar – considerando alguns documentos divulgados pelo Wikileaks – se houve, entre 2012 e 2013, interferência americana para uma “mudança de regime”  também no Vaticano.

Mas vamos nos ater aos fatos públicos.

Caso Bergoglio

Em 2013, foi eleito papa Bergoglio que joga para escanteio o magistério dos papas anteriores, inconvenientes demais para a ideologia dominante (não mais princípios inegociáveis, nem raízes cristãs da Europa, nem o confronto viril com o Islã como no discurso de Regensburg). Bergoglio adere então à agenda Obama: viva a imigração em massa, abraça o Islã e o ambientalismo catastrófico. Mas, adere igualmente à agenda alemã, que vai no sentido de uma protestantização da Igreja Católica.

Com efeito, são dois os partidos que o elegeram: o partido progressista liderado pelos cardeais alemães (que estavam alinhados ao cardeal Martini e ao grupo de St. Gallen.) e o “partido da Cúria” que mal tolerava Bento XVI e queriam retomar o controle da Igreja.

E é esse último, que apoiou todo o pontificado de Bergoglio, que hoje pretende levar ao papado o atual secretário de Estado Pietro Parolin.

A motivação adotada é aquela de “recosturar” a Igreja para evitar um racha trágico. Há certamente uma preocupação séria por causa da confusão e da dissolução de hoje. Mas, muitos acreditam que a bússola deste partido foi sempre o poder eclesiástico, que hoje se encontra limitado pela “cúria paralela” criada na Casa Santa Marta.

Eles confiam no fato de que o próprio Bergoglio já havia falado no passado sobre uma sua possível renúncia e que em 2015 disse: “para todos os serviços na Igreja é conveniente que haja um prazo de expiração, não existem líderes vitalícios na vida da Igreja. Isso só acontece em alguns países onde existe ditadura“.

Portanto, estaria Bergoglio pronto a renunciar? Provavelmente eles estão enganando a si mesmos.

Antonio Socci

Do “Libero”, 28 de fevereiro de 2017

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17 fevereiro, 2017

Papa Francisco marca o ‘Dia pela Vida’ com eufemismo para a palavra aborto.

“Interrupção da gravidez”. Eufemismo já condenado por São João Paulo II.

Por Voice of the Family | Tradução: FratresInUnum.com –  O papa Francisco marcou o “Dia pela Vida”, na Itália, adotando o eufemismo do lobby pró-aborto “interrupção da gravidez”, ao invés da linguagem que descreve com precisão o assassinato de crianças no ventre de suas mães.

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Dia pela Vida de 2017 com Francisco, fracasso de público.

Em sua mensagem, o Santo Padre diz algumas palavras promissoras, encorajando uma “ação educativa corajosa a favor da vida humana” e lembrando à multidão reunida que “toda vida é sagrada”. Infelizmente, ao invés de se referir ao aborto, ele adota a terminologia utilizada pela indústria do aborto. Na verdade, a forma das palavras usadas pelo Papa Francisco foi especificamente condenada pelo Papa João Paulo II, em sua encíclica Evangelium Vitae:

Precisamente no caso do aborto, verifica-se a difusão de uma terminologia ambígua, como « interrupção da gravidez », que tende a esconder a verdadeira natureza dele e a atenuar a sua gravidade na opinião pública. Talvez este fenómeno linguístico seja já, em si mesmo, sintoma de um mal-estar das consciências. Mas nenhuma palavra basta para alterar a realidade das coisas: o aborto provocado é a morte deliberada e direta, independentemente da forma como venha realizada, de um ser humano na fase inicial da sua existência, que vai da concepção ao nascimento. (Evangelium Vitae, No. 58)

Expressões como “interrupção da gravidez” e “terminação da gravidez” são usadas pelo lobby pró-aborto – pessoas que promovem ou realizam a matança de crianças – para camuflar a realidade do aborto. O termo “interrupção da gravidez” é particularmente ofensivo, como se a vida do nascituro não fosse  “interrompida” pelo aborto. Com  efeito, é permanentemente encerrada – nunca mais poderá ser retomada. O uso de tal linguagem pelo Papa Francisco reflete uma crescente convergência de linguagem, políticas e idéias entre as autoridades do Vaticano e o movimento internacional pelo controle populacional.

Papa Francisco declarou-se “satisfeito” com as metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030 que exigem “o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva”. Esses termos são usados por agências das Nações Unidas, organizações internacionais e muitos governos nacionais para promover o acesso universal ao aborto e à contracepção.

O Vaticano já recebeu várias personalidades entre as mais influentes no movimento de controle da natalidade, como Professor Jeffrey Sachs, que participou de pelo menos dez eventos no Vaticano durante o pontificado atual. Paul Ehrlich, que advoga pelo aborto compulsório e esterilização em massa, e que será um palestrante convidado em um evento organizado conjuntamente pela Pontifícia Academia das Ciências e a Academia Pontifícia das Ciências Sociais no final deste mês.

O Conselho Pontifício para a Família (PCF) produziu um programa de educação sexual que contém imagens obscenas. Dr. Rick Fitzgibbons, psiquiatra e Professor Adjunto do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, na Universidade Católica da América, e que vem trabalhando com crianças que foram vítimas de abuso sexual por parte do clero e com sacerdotes envolvidos em tais abusos, depois de rever o programa do PCF, disse:

“Na minha opinião profissional, a ameaça mais perigosa para a juventude católica que eu já vi ao longo dos últimos 40 anos é esse novo programa do Vaticano para educação sexual, intitulado “Ponto de Encontro – Curso de Afetividade e Educação Sexual para Jovens“.

Ele continuou:

Eu fiquei particularmente chocado com as imagens contidas neste novo programa de educação sexual, algumas das quais são claramente pornográficas. Minha reação profissional imediata foi que essa abordagem obscena ou pornográfica é um abuso tanto psicológico como espiritual contra a juventude.”

As estimativas mais conservadoras indicam que mais de um bilhão de vidas humanas em fase de gestação foram perdidas desde a legalização do aborto em quase todo o mundo durante o século XX. Essas mortes excedem o número de pessoas mortas em todas as guerras ao longo da história humana registrada, onde as estimativas de mortes variam entre 150 milhões a 1 bilhão.

No entanto, o papa Francisco, enquanto faz algumas breves referências ao aborto em homilias e discursos, não faz nada de concreto para mitigar este assassinato em massa. Os documentos dos dois sínodos sobre a família, que foram todos aprovados pelo Papa antes da sua publicação, ou não mencionam de forma alguma a questão, ou só fazem uma breve referência de passagem sobre a questão do aborto – o qual no mundo inteiro colocou como alvo de destruição em massa o membro mais vulnerável da família, a criança no ventre materno, e que causou danos incalculáveis aos membros sobreviventes das famílias envolvidas.

A Exortação Apostólica Amoris Laetitia, supostamente elaborada para ajudar as famílias no mundo moderno, mas que na verdade só serviu pra minar a doutrina católica sobre a natureza da lei moral, contém apenas duas referências passageiras ao aborto (nos pontos 42 e 179), e em nenhum dos dois há uma condenação da prática como um mal em si mesmo. Dar tão pouco espaço, em um documento sobre a família, a um crime que tem como alvo os membros mais vulneráveis da família no santuário que é o ventre de suas mães, reflete um descaso chocante com relação ao destino dos nascituros. A confortável co-existência do Papa Francisco com a “cultura da morte” foi exibida claramente quando ele se referiu à abortista Emma Bonino, que tem sido uma das principais advogadas do aborto na Itália durante décadas, como uma “grande esquecida”. Isso também pode ser visto em sua entrevista, de setembro de 2013, a Antonio Spadaro na qual ele afirmou que “não podemos insistir apenas em questões relacionadas ao aborto, casamento gay e o uso de métodos contraceptivos.”

O problema é que, longe de falar muito sobre o aborto, a hierarquia Católica tem sido, com algumas honrosas exceções, em grande parte silenciosa ao longo dos últimos cinquenta anos diante do maior assassinato em massa de seres humanos na história.

Hoje, Voz da Família gostaria de lembrar respeitosamente ao Santo Padre e à Igreja como um todo da realidade sobre os métodos envolvidos no aborto. Nos seguintes vídeos, produzidos pela Live Action, o ex-abortista Anthony Levantino explica o que realmente acontece durante os procedimentos de aborto.

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9 fevereiro, 2017

Cartazes contra o Papa Francisco: um ataque preciso, brutal e bem planejado que não deve ser minimizado.

O ataque foi preciso, violento, bem planejado. Equivocam-se os defensores de Francisco que querem minimizar. E também se equivoca o Vaticano ao difundir a ordem tácita: “Não se preocupem com eles, olhem e passem adiante”.

A nota é de Marco Politi, publicada no seu blog no sítio do jornal Il Fatto Quotidiano, 05-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Papa: a Roma manifesti di contestazione contro FrancescoIHU – Porque os cartazes contra o Papa Bergoglio afixados no sábado em muitas partes do centro de Roma tocam os pontos vitais do imaginário deste pontificado. Em primeiro lugar, a relação direta com a massa dos fiéis e também com o povo que não acredita, mas escuta com atenção as palavras de Francisco: relação ridicularizada e deformada pela foto, que, nos cartazes, mostra um pontífice carrancudo.

Ainda mais insidiosa é a segunda mensagem veiculada pelos cartazes: o ataque brutal contra o coração da sua boa notícia, a misericórdia. Como se dissesse: “Você é um ditador sorrateiro que fala de misericórdia, mas persegue aqueles que não concordam com você: da Ordem de Malta aos Franciscanos da Imaculada, aos sacerdotes incômodos para você… e você não tem sequer a coragem de responder àqueles cardeais que o colocam em discussão”.

Verdadeiro e falso em uma mensagem de luta política sem fronteiras não importam (a campanha eleitoral de Trump ensina isso). E o ataque dos cartazes é “político”, em seu pleno sentido, contra o pontificado bergogliano.

Refinado na sua perfídia também é o uso do dialeto romano. “A France’…”. Uma careta que visa a esvaziar, na sua vulgaridade, toda preeminência moral da personalidade colocada no alvo. Equivocam-se aqueles que minimizam, considerando o caso como um mero desdobramento de um clima da comunicação contemporânea, que se tornou cada vez mais explícito, polarizado e agressivo. O que é verdade. Mas, no caso de Francisco, a onda dos cartazes zombeteiros é algo mais: é mais um passo de uma escalada que tem como objetivo a difamação sistemática do seu reformismo e, em última análise, a mobilização de forças em vista do futuro conclave, do qual (de acordo com os conservadores) absolutamente não deve sair um Francisco II.

Ridicularizar o papa em Roma, com métodos que lembram os tuítes de Trump contra os seus adversários ou os insultos de estádio contra jogadores e árbitros, significa justamente arrastar para baixo a figura de Francisco, para colocá-lo no mesmo nível do insultos de boteco.

Nesse caso – quem quer que sejam os gatos pingados que, um dia, poderão ser identificados como autores materiais do fato – não existe um único marioneteiro. Existe, em vez disso, desde os primeiros meses do pontificado e em aceleração com o primeiro Sínodo sobre a família, a coagulação constante e crescente de múltiplos grupos, padres, bispos e cardeais apoiados por uma galáxia de sites, cujo lema é: “Este papa não nos agrada. É um demagogo, um populista, um comunista, um feminista, um herege… Que protestantiza a Igreja Católica, diminui o primado papal, tira sacralidade da cátedra de Pedro, afasta-se da Tradição, semeia confusão entre os fiéis…”.

Pegue-se um mapa e apontem-se com um alfinete os locais de onde provêm os cardeais e os bispos que assinaram livros contra a reviravolta pastoral de Francisco em tema de ética familiar, que assinaram abaixo-assinados, que lhe enviaram uma carta acusando-o praticamente de manipulação da ordem dos trabalhos do Sínodo de 2015, que, por fim (com a carta dos quatro cardeais do ano passado), substancialmente o acusaram de trair a palavra de Deus inscrita no Evangelho, e se terá um mapa da rede mundial – na Cúria e nos cinco continentes – daqueles que alimentar mau humor contra a linha do pontífice. Padres, teólogos, bispos e cardeais que se opõem a ele abertamente e que, nos bastidores, são apoiados por aqueles que compartilham as suas ideias, mas não querem se expor e, enquanto isso, fazem resistência passiva.

Os cartazes de Roma, que atacam Bergoglio publicamente na Roma da qual ele é bispo e na qual desempenha (como afirma a definição católica tradicional) a sua “missão de pastor universal”, são o sinal alarmante de um movimento contrário a ele, que não dá trégua e encarna a própria agressividade extenuante que teve, nos Estados Unidos, o Tea Party Movement.

A semelhança chama a atenção. Esse movimento, que incessantemente, ano após ano, desagregou a imagem de Obama, obviamente não era capaz de removê-lo como presidente, mas, no fim do seu mandato, pesou enormemente na eleição presidencial.

Há um “movimento do sagrado incenso” bastante numeroso como demonstraram os votos no Sínodo sobre a família e variadamente agressivo, que visa a corroer a partir de dentro dos ambientes eclesiásticos a autoridade de Bergoglio. O amplo consenso de que ele goza nas pesquisas é apenas uma parte da questão. A outra dimensão refere-se à Igreja como instituição. E, nessa dimensão, a guerra subterrânea é violenta.

Bergoglio, mostrando tranquilidade, até agora ordenou discretamente aos seus defensores na hierarquia que não deem importância aos ataques dirigidos a ele. Mas a história ensina que, em uma guerra civil, quem não combate eficazmente os ataques, acaba se desgastando. E aqui quem se desgasta não é tanto a personalidade histórica de Francisco, mas sim a vitalidade da frente reformadora.

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5 fevereiro, 2017

Foto da semana.

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Vox populi – no fim desta semana, um cartaz foi afixado em ruas de Roma com um recado ao Papa Francisco: “você comissariou Congregações, removeu sacerdotes, decapitou a Ordem de Malta e os Franciscanos da Imaculada, ignorou Cardeais… mas cadê a tua misericórdia?”

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3 fevereiro, 2017

Frades Franciscanos da Imaculada. A clausura para Padre Manelli se tornou ainda mais severa. Um decreto do Papa.

Por Marco Tosatti, 2 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Há alguns dias, nós escrevemos sobre o novo decreto de comissariamento para o ramo feminino dos Franciscanos da Imaculada. Um decreto emitido com uma assinatura não apelável do Pontífice, justamente para evitar que um recurso junto ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica pudesse ter, como parece possível e provável, um desfecho feliz.
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Pe. Stefano Manelli. 

A Congregação para os Religiosos, presidida pelo cardeal brasileiro Braz de Aviz e pelo secretário franciscano Carballo, quer encerrar o capítulo do comissariamento dentro de um ano, convocando um capítulo logo após o verão. Mas há dificuldades.

Há forte resistência por parte de muitos religiosos contra o comissariamento que tem sido visto como uma forma de violência. Até hoje, da parte da Congregação não foram reveladas as razões e motivos para que a Ordem – uma das mais fecundas em termos de vocações – tenha sido decapitada e seu fundador, o padre Stefano Manelli, de 83 anos, obrigado a viver em uma espécie de clausura imposta.
Assim, quase quatro anos após o início dessa saga verdadeiramente extraordinária (não houve tal severidade nem contra os Legionários de Cristo, cujo fundador tinha aprontado de tudo e mais um pouco) e em antecipação a um possível capítulo, os fautores do novo curso temem que os fiéis de Padre Manelli possam acabar elegendo um governo da sua mesma linha.
Assim, há alguns dias, Padre Manelli recebeu um documento acordado numa audiência dos chefes da Congregação para os Religiosos com o Papa, e que, com o seu consentimento, estabelece:

“O Padre Stefano Manelli está obrigado a emitir um comunicado no qual declara aceitar e cumprir todas as disposições da Santa Sé e exortar os frades Franciscanos e as irmãs Franciscanas da Imaculada a manterem o mesmo comportamento.

Padre Manelli não poderá fazer nenhuma outra declaração aos meios de comunicação e nem aparecer em público.

Ele não poderá participar em qualquer iniciativa ou encontro, pessoalmente ou através dos meios de comunicação social.

O Padre Manelli está obrigado a enviar dentro do limite de 15 dias do presente decreto, todo o patrimônio econômico administrado pelas associações civis e qualquer outra quantia à sua disposição em plena disponibilidade de cada um de seus institutos.

Fica proibido ao Padre Manelli e Padre G. Pellettieri ter quaisquer relações com os Frades Franciscanos da Imaculada, exceto com aquelas comunidades onde habitarão com a permissão deste Dicastério. Evitar também qualquer contato com as Irmãs Franciscanas da Imaculada”.

Só ficou faltando o instrumento de tortura e a máscara de ferro, para o catálogo ficar completo. Em pleno 2017, na Igreja da Misericórdia. Certamente, Manelli e aqueles leais a ele serão acusados de crimes horrendos, mas então por que não dizê-lo e não submetê-los a julgamento canônico? A falta de clareza nas acusações, se é que existem, dão a impressão de uma perseguição alimentada por outros tipos de interesses. Ideológica, ou talvez ainda mais. E em um país onde os assassinos rondam impunes, a gravidade das restrições desperta uma sensação de irrealidade.

O ponto particularmente interessante é o do dinheiro. E que é muito: alguns falam num patrimônio de trinta milhões de euros. Mas que não estão nas mãos de Padre Manelli, mas sim de várias associações de leigos: Associação “Missão da Imaculada”,  Associação “Missão do Imaculado Coração” e “Associação Casa Editora Mariana”. De fato, em julho de 2015, o Tribunal de Revisão de Avellino cancelou o sequestro dos bens de propriedade das associações de leigos com um valor de cerca de 30 milhões. Os bens haviam sido sequestrados pela Procuradoria de Avellino, que levantara suspeitas de crimes de fraude e falsidade ideológica nas batalhas legais que se seguiram ao Comissariamento.

Então, como julgar as exigências feitas a Padre Manelli, uma vez que a Congregação tem conhecimento da situação jurídica sancionada pela lei italiana? Eu não consigo pensar em qualquer outra coisa, senão que essa é uma forma de violência psicológica e moral contra o frade ancião.

É interessante notar que este passo, tão severo, segue outro movimento sem precedentes acontecido há pouco dias, e certamente único, ou seja, a pressão exercida sobre o Grão-Mestre da Ordem de Malta, Matthew Festing, para renunciar, feita pessoalmente pelo Pontífice. A Ordem de Malta não é pobre, muito pelo contrário. Evidentemente, o frio exalta os ânimos autoritários, para bem além dos muros.

* * *

Leia também: Rejeitadas as acusações contra o fundador dos Franciscanos da Imaculada.

30 janeiro, 2017

O Papa e a Ordem de Malta: uma vitória de Pirro?

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza romana, 25-01-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: A renúncia do Grão-Mestre da Ordem de Malta, Matthew Festing, imposta por Francisco em 23 de janeiro, é susceptível de transformar-se numa vitória de Pirro. O Papa Bergoglio obteve o que queria, mas teve de usar a força, fazendo violência à lei e ao bom senso. O que terá consequências graves não só no interior da Ordem de Malta, mas entre os católicos do mundo inteiro, cada vez mais perplexos e confusos pelo modo como Francisco governa a Igreja.

O Papa sabia que não possuía qualquer direito legal para intervir na vida interna de uma Ordem soberana, e muito menos para exigir a renúncia de seu Grão-Mestre. Também sabia que este não poderia resistir à pressão moral de um pedido de renúncia, ainda que ilegítima.

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Assim agindo, o Papa Bergoglio exerceu um ato de império abertamente contrastante com o espírito de diálogo, que foi o leitmotiv do ano da misericórdia. Mas, o mais grave é que a intervenção foi para “punir” a corrente que na Ordem é mais fiel ao Magistério imutável da Igreja e apoiar a ala laicista, que gostaria de transformar os Cavaleiros de Malta em uma ONG humanitária, distribuidora de preservativos e abortivos, “para fazer o bem”. A próxima vítima parece ser o cardeal-patrono Raymond Leo Burke, que tem a dupla “culpa” de ter defendido a ortodoxia católica dentro da Ordem e de ser um dos quatro cardeais que criticaram os erros teológicos e morais da Exortação bergogliana Amoris laetitia.

Em seu encontro com o Grão-Mestre, o Papa Francisco anunciou-lhe a sua intenção de “reformar” a Ordem, ou seja, a vontade de elidir o seu caráter religioso, embora seja precisamente em nome da autoridade papal que ele quer começar a suspensão das normas religiosas e morais. Trata-se de um projeto de destruição da Ordem, que naturalmente só poderá acontecer através da rendição dos Cavaleiros, os quais infelizmente parecem ter perdido o espírito militante que os distinguia nos campos de batalha das Cruzadas e nas águas de Rhodes, Chipre e Lepanto. Ao fazê-lo, no entanto, o Papa Bergoglio perdeu muito de sua credibilidade, não só aos olhos dos próprios cavaleiros, mas de um número crescente de fiéis que sentem a contradição entre o seu modo de falar, cativante e melífluo, e o de agir, intolerante e ameaçador.

Passemos do centro à periferia, a qual, entretanto, para o Papa Bergoglio, é mais importante do que o centro. Poucos dias antes da demissão do Grão-Mestre da Ordem de Malta, outra notícia na mesma linha abalou o mundo católico. Dom Rigoberto Corredor Bermúdez, Bispo de Pereira, na Colômbia, por decreto de 16 de Janeiro de 2017, suspendeu a divinis o padre Alberto Uribe Medina, porque, segundo o comunicado da diocese, ele teria “expressado pública e privadamente sua rejeição ao magistério doutrinário e pastoral do Santo Padre Francisco, sobretudo no que diz respeito ao casamento e à Eucaristia”. O comunicado da diocese acrescenta que, por causa de sua posição, o sacerdote “se separou publicamente da comunhão com o Papa e com a Igreja”.

Portanto, o padre Uribe foi acusado de ser herege e cismático por recusar aquelas orientações pastorais do Papa Francisco que, aos olhos de tantos cardeais, bispos e teólogos, são suspeitas de heresia precisamente porque parecem afastar-se da fé católica. O que significa que o sacerdote que se recusar a administrar a comunhão a divorciados recasados ou a homossexuais praticantes será suspenso a divinis ou excomungado, enquanto aquele que rejeita o Concílio de Trento e a Familiaris Consortio é promovido a bispo e, talvez, a cardeal, como provavelmente espera Dom Charles Scicluna, Arcebispo de Malta, um dos dois prelados malteses que autorizaram oficialmente a comunhão para divorciados recasados que vivem more uxorio. Desta forma, o nome da pequena ilha do Mediterrâneo parece ter uma ligação misteriosa com o futuro do Papa Francisco, menos tranquilo do que se imagina.

Quem é hoje ortodoxo, e quem é herege e cismático? Este é o grande debate que se delineia no horizonte. Um “cisma de fato”, como o definiu o jornal alemão Die Tagespost, ou seja, uma guerra civil na Igreja, da qual a guerra no interior da Ordem de Malta é apenas um pálido prenúncio.

27 janeiro, 2017

O Papa “comissaria” a Ordem de Malta. Agora se espera a punição para o Cardeal Burke.

Por Riccardo Cascioli, La Nuova Bussola Quotidiana, 26 de janeiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – A dura e extraordinária intervenção do Papa Francisco, que forçou a renúncia do Grão-Mestre Robert Matthew Festing, para logo em seguida, anunciar uma espécie de liquidação da Soberana Ordem Militar de Malta, parece ser apenas o início de um terremoto, quer seja na Igreja, quer seja no campo das relações internacionais.

Em jogo estão muitas questões importantes: a correspondência entre as atividades beneficentes e a doutrina da Igreja, bem como a independência de um Estado soberano, mas, antes de mais nada, o que parece cada vez mais evidente é que pelo tom de toda a celeuma, o objetivo mesmo é a cabeça do Cardeal Raymond L. Burke, que é o Cardeal Patrono da Ordem de Malta, uma figura que atua um pouco como “capelão” e um pouco como diplomata representando o Vaticano junto à Ordem. Burke está entre os cardeais que mais manifesta perplexidade diante de algumas escolhas e decisões do Papa Francisco e é um dos quatro signatários dos Dubia acerca da Amoris Laetitia. Não é de hoje que ele está na mira. Tanto é que sua própria nomeação como patrono da Ordem de Malta em novembro de 2014 já foi um rebaixamento do seu cargo como prefeito do Tribunal da Assinatura Apostólica.

Como é de conhecimento público, a crise teve início quando, em novembro passado, o Grão-Mestre Festing destituiu o chanceler Albrecht Freiherr von Boeselager, acusado de ter incentivado a distribuição de contraceptivos na África e Ásia no âmbito dos programas de desenvolvimento financiados pela Ordem. Boeselager negou as acusações, não aceitou a demissão e pediu a intervenção da Santa Sé, que da sua parte resolveu nomear uma comissão, encabeçada pelo arcebispo Silvano Tomasi, responsável por verificar como os eventos se sucederam. Em nome da Ordem de Malta, Festing declarou seu desejo de não colaborar com a comissão do Vaticano por considerá-la como uma interferência indevida nos assuntos internos de um órgão soberano. A resposta da Secretaria de Estado do Vaticano foi imediata, reivindicando a legitimidade da investigação, que seria apenas com a intenção de se por a par da situação, tomar conhecimento. Mas a queda de braço seguiu adiante (para aprofundar-se sobre detalhes dos eventos clique aqui) até a virada inédita de 24 de Janeiro.

Naquele final de tarde, o Papa Francisco convocou Festing e pediu sua demissão imediata, induzindo-o a escrever diante de sua presença a carta requerida. É claro que não sabemos todo o conteúdo do colóquio, mas a pressão moral deve ter sido fortíssima pra fazer Festing engolir o comunicado de alguns dias atrás onde ele defendia enfaticamente a soberania da Ordem. E também há rumores de que nessa carta de demissão, poderia haver referências ao papel ativo que o Cardeal Burke teria desempenhado na destituição de Boeselager.

Na verdade, desde que o caso explodiu, fontes bem próximas ao Papa Francisco insistem muito sobre uma suposta responsabilidade de Burke, o qual  teria ostentado um apoio inexistente do Papa à decisão de torpedear o Grão-chanceler. A partir deste ponto de vista, é interessante perceber, como exatamente sobre esse ponto têm insistido muito os cabeças do Vatican Insider, cujo trabalho de franco atiradores – como se sabe – é implacável. Em vão, Burke nega o fato e as circunstâncias, alegando que ele como Cardeal Patrono não tem voz nas decisões do Capítulo, que são fruto de procedimentos internos da Ordem. As acusações contra ele estão num contínuo crescimento, embora esteja claro que por trás do confronto na Ordem, há divisões que se arrastam há anos entre os diferentes grupos nacionais e que foram recentemente enriquecidas por uma disputa em torno de um legado de € 120.000.000 depositado em um Fundo na Suíça (clique aqui).

Em todo caso, ontem, 25 de janeiro, a Sala de Imprensa da Santa Sé – com um humorismo não-intencional – anunciou a aceitação da renúncia do Grão-Mestre Festing. Além do mais, divulgou a futura nomeação de um delegado pontifício chamado para governar a Ordem (confiada ao Grande Comendador nesse ínterim). Em outras palavras, a Ordem de Malta é considerada como  um “comissariado” da Santa Sé.

Esta é uma decisão sem precedentes, que causou grande confusão e terá repercussão internacional: a Ordem de Malta é de fato um Estado soberano, um Estado sem território, que também tem um embaixador junto à Santa Sé. Como bem observado pelo semanário britânico The Catholic Herald, a decisão do Papa equivale a uma anexação real, uma clara violação do direito internacional que, em última análise, ameaça até mesmo a independência da Santa Sé. Com um precedente deste tipo, como poderia a Santa Sé se defender legalmente se, por exemplo, um dia “o Governo italiano resolvesse ver a independência da Cidade do Vaticano como uma formalidade anacrônica”?

Enquanto isso, no presente, a decisão arrisca destruir a milenar atividade da Ordem de Malta que está presente em todo o mundo com “obras de misericórdia para os doentes, os necessitados e os sem pátria”, como ditado pela sua Constituição. A presença da Ordem de Malta em mais de cem países é garantida pela representação diplomática, que agora pode ser colocada sob discussão exatamente por causa desta perda de soberania.

Seria um dramático gol contra para a Igreja e seria verdadeiramente incompreensível se, em seguida, vier a ser confirmado que o objetivo de toda essa celeuma é a cabeça do Cardeal Burke. A insistência com a qual ele vem sendo acusado de ter feito do Papa um escudo para torpedear uma persona non grata – ignorando, no entanto, o fato de ele já ter negado isso  – indicaria a disposição para uma punição pesada (para um cardeal está entre as piores acusações). Ainda mais se for confirmada a “confissão” imposta ao Grão-Mestre Festing. Tudo isso nos leva a pensar que querem se aproveitar desta oportunidade para chegar àquela punição exemplar invocada por alguns prelados logo após a publicação dos Dubia que os cardeais haviam assinado: ou seja, a remoção do título de Cardeal.

De qualquer modo, a impressão é de que estamos só no início.