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30 abril, 2015

Um duelo. Uma análise.

Fratres in Unum.com: Foi um barraco e tanto! Não é que Dom Odilo Scherer retrucou o Olavo de Carvalho?!

Mas, enfim, Olavo conseguiu aquilo que ninguém tinha conseguido ainda: fazer Dom Odilo sair de cima do muro.

Até então, muitos da “nova direita” simpatizavam com Dom Odilo, por causa de seu layout conservador. Agora, ele sucumbiu aos fatos: mesmo que não seja assumida e explicitamente socialista, coopera convictamente com a “reforma política” favorecedora do PT, que, contrariamente às suas palavras, é, sim, marxista.

Contrariando os milhões de paulistanos que protestaram clamorosamente contra a tal “reforma”, Dom Odilo não temeu opor-se às suas ovelhas. Antes o fazia discretamente; agora, acabou sendo forçado a sair da toca.

Cartaz de divulgação da Missa de 1º de Maio, na Catedral da Sé, tradicionalmente celebrada pelo Arcebispo de São Paulo.

Cartaz de divulgação da Missa de amanhã, 1º de Maio, na Catedral da Sé, tradicionalmente celebrada pelo Arcebispo de São Paulo.

Acontece que, irremediavelmente, ele dará com os burros n’água. Nenhum esquerdista que se preze apoiará alguém que tenha passado, mesmo que aparentemente, nem que seja por um único dia, para o “outro lado”.

Progressista de origem, Dom Odilo adotou modos conservadores quando trabalhara na Cúria Romana e, sobretudo, quando foi promovido a cardeal arcebispo de São Paulo. Com o advento da era Francisco, porém, aquela configuração se lhe tornara um estorvo, e que lhe custou caro: foi “excomungado” da comissão que supervisiona o IOR.

Preterido no conclave, não é à toa que, mesmo sacrificando sua suposta neutralidade, Dom Odilo não foi eleito sequer para a presidência da CNBB, tendo recebido algo como quarenta votos…

A única coisa que lhe restava era a tal simpatia da “direita” que, graças aos assessores esquerdistas que o rodeiam, ele acaba de perder. Mesmo que com aquele arremedo de sorriso, típico dos engravatadinhos da elite paulistana constrangida, se lhe queira assegurar a simpatia, as relações de Odilo com ela nunca mais serão as mesmas.

E o pior! A alegação de que a pena de excomunhão tenha cessado pode até isentá-lo juridicamente, já que é tema disputado aos olhos clínicos dos canonistas, mas não moralmente. De fato, ninguém respondeu à questão de fundo, e não o fez porque não era possível fazê-lo sem entrar numa “sinuca de bico”:

– Se respondesse que não estava excomungado por não ser comunista, excomungaria todos os comunistas com os quais coopera;

– Se dissesse que não estava excomungado porque a pena de comunismo não é mais vigente, se confessaria comunista, comprovando com as palavras o que as suas ações testemunham.

E a pergunta é respondida pelo silêncio confessante!

Baixando a poeira da discussão, porém, resta ainda a certeza de que, com ou sem pena, as doutrinas socialistas são sempre incongruentes com a fé católica, e isso vale para qualquer fiel, leigo ou clérigo, mesmo cardeal ou papa. Nisso, mesmo que se discuta minúcias canônicas, os decretos papais não perderam sua atualidade. O problema jurídico é apenas a positivação do problema de facto, e, sinceramente, é questão deveras secundária.

E, neste aspecto, que nos perdoe o magoado Arcebispo ou todos os demais que meio envergonhadamente o defenderam – aliás, ele foi defendido dos xingamentos, de fato, lamentáveis, nunca dos argumentos! –, mas, o Olavo tem razão.