Posts tagged ‘Paulo VI’

4 setembro, 2010

Missa Nova: Mais Variedade para os Católicos.

Revista Time – edição de 26 janeiro de 1970

Tradução de Roberto F. Santana

Por quase quatro séculos  — de 1570 até o Segundo Concílio do Vaticano, em 1963 — a Missa Católica Romana era tão imutável e inalterável como o movimento da Terra. De Manila até Minneapolis, a linguagem na maior parte da Missa era o latim murmurado baixinho, pontuado por um ocasional “Dominus Vobiscum”. As mãos do sacerdote, de costas para a congregação, postas precisamente no ângulo prescrito em cada momento crítico da liturgia. Somente em pequenos enclaves de inovação litúrgica, em torno de mosteiros, colégios e nos territórios de missões, outras formas foram introduzidas delicadamente.*

Então, como se o eixo polar houvesse mudado, veio a libertação do Concílio Vaticano II. A missa foi invadida por tambores, violões, conjuntos de mariachi; liturgias experimentais foram celebradas no vernáculo. Houve comunhão sob “duas espécies”, o pão e o vinho, um privilégio que os leigos de rito latino não tinham a séculos. (Protestantes costumam receber tanto o pão e o vinho, mas os católicos acreditam que o pão, o corpo vivo de Cristo inclui o “sangue” também.) Agora, o Vaticano e as muitas conferências nacionais de bispos estão em processo de adoção de uma missa nova oficial que combina a tradição de longa data e alguns dos melhores novos experimentos.

27 junho, 2010

O Leão de Campos (VI): O bispo de Campos e o Magistério de Paulo VI.

Carta de Dom Antonio de Castro Mayer, bispo diocesano de Campos, ao Papa Paulo VI.

Campos, 25 de janeiro de 1974.

Beatíssimo Padre,

Prostrado respeitosamente aos pés de Vossa Santidade, peço vênia para submeter-lhe à consideração os estudos que seguem com a presente carta.

O envio destes estudos é feito em obediência à ordem de Vossa Santidade transmitida por carta do Eminentíssimo Cardeal D. Sebastião Baggio ao Eminentíssimo Cardeal D. Vicente Scherer, da qual este último me deu ciência oralmente em encontro que com ele tive no Rio de Janeiro a 24 de setembro próximo passado.

Em 15 de outubro último, tive a honra de escrever a Vossa Santidade, afirmando meu filial acatamento a tais ordens.

Entre estas, estava a de que, dada a eventualidade de “em consciência não estar eu de acordo” com “atos do atual Magistério Ordinário da Igreja”, “manifestasse livremente à Santa Sé” meu parecer. É o que faço com toda a reverência devida ao Augusto Vigário de Jesus Cristo, ao entregar a Vossa Santidade os três estudos anexos.

Com isto – digne-se Vossa Santidade notá-lo – não pratico outra coisa senão um ato de obediência à Sua veneranda determinação. As apreciações que neles externo, eu as formei ao longo de anos de reflexão e de oração. Não é minha intenção entregá-los ao público, certo de que minha reserva agradará a Vossa Santidade.

Eis que, Santo Padre, a obediência me obriga agora a comunicar a Vossa Santidade pensamentos que talvez lhe tragam pesar. Faço-o, no entanto, com paz de alma, pois estou na via da sinceridade e da obediência, na qual conto permanecer com a graça de Deus.

Mas, se está tranqüila minha consciência, ao mesmo tempo está triste meu coração.

Com efeito, toda a minha vida de Sacerdote e de Bispo vem sendo marcada pelo empenho de – no meu limitado ambiente de ação – ser, por meu devotamento irrestrito, e por minha obediência inteira, motivo de alegria para os vários Papas sob cuja autoridade tenho sucessivamente servido.

Ora, na presente conjuntura, o devotamento e a obediência me levam a contristar a Vossa Santidade.

Um episódio da História da França no século passado me acode ao espírito neste passo. Narra-o Chateaubriand nas “Mémoires d’Outre Tombe”. Certa vez o Rei Luís XVIII lhe solicitou a opinião sobre uma medida que o monarca acabava de tornar pública. A sinceridade impedia o escritor de elogiar tal medida. Mas o receio de contristar o Rei movia-o a calar-se. Esquivou-se, pois, de externar seu pensamento. Vendo isto, Luís XVIII mandou formalmente ao escritor que falasse com inteira franqueza. Este, atendendo ao nobre mandato, e antes de abrir-se a seu Rei, lhe dirigiu este pedido: “Sire, pardonnez ma fidélité”. É o que peço a Vossa Santidade: perdoe-me a fidelidade com que cumpro Suas ordens.

Suplico a Vossa Santidade compaixão para a obediência deste Bispo já septuagenário, que vive neste momento o episódio mais dramático de sua existência. E peço a Vossa Santidade que me dispense pelo menos uma parcela dessa compreensão e desse benevolência que tem tantas vezes manifestado não só em torno de si, como também com pessoas estranhas, e até inimigas do único redil do único Pastor.

Ao longo dos anos foi tomando corpo em meu espírito a convicção de que atos oficiais de Vossa Santidade não têm, com os dos Pontífices que o antecederam, aquela consonância que com toda a alma eu neles desejava ver.

Não se trata, é claro, de atos garantidos pelo carisma da infalibilidade. Assim, aquela minha convicção em nada abala a minha crença irrestrita e enlevada nas definições do Concílio Vaticano I.

Receando abusar do valioso tempo do Vigário de Cristo, dispenso-me de mais amplas considerações e limito-me a submeter à atenção de Vossa Santidade três estudos:

1.        Sobre a “Octogésima Adveniens”.

2.        Sobre a Liberdade Religiosa.

3.        Sobre o novo “Ordo Missae”.

(Esse último de autoria do advogado Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, a cujo conteúdo me associo).

Supérfluo será acrescentar, que neste passo, como já em outros de minha vida, darei cumprimento, em toda a medida preceituada pelas leis da Igreja, ao Sagrado dever da obediência. E neste espírito, com o coração de filho ardoroso e devotíssimo do Papa e da Santa Igreja, acolherei qualquer palavra de Vossa Santidade sobre este material.

De modo especial suplico a Vossa Santidade queira declarar-me:

a.        Se encontra algum erro na doutrina exposta nos três estudos anexos;

b.       Se vê na atitude assumida nos ditos estudos face aos documentos do Supremo Magistério, algo que destoe do acatamento que a estes devo como bispo.

Suplicando queira Vossa Santidade conceder-me, como à minha Diocese, o precioso benefício da Bênção Apostólica, sou de

Vossa Santidade

Filho humilde e obediente.

Antônio de Castro Mayer

Bispo de Campos

[Dom Antônio não obteve resposta a esta carta]

Fonte: FSSPX – Brasil

Outros posts da série “O Leão de Campos”:


20 dezembro, 2009

Mons. Klaus Gamber: “a nova teologia (liberal) foi a maior força por detrás da reforma litúrgica”.

…quando Lutero e seus seguidores primeiramente descartaram o Cânon da Missa, tal mudança não era comumente notada pelo povo pois, como sabemos, o padre dizia o cânon em voz baixa, como uma oração privada. Mas Lutero propositalmente não dispensava a elevação da Hóstia e do Cálice, ao menos não inicialmente, porque o povo notaria a mudança. Ademais, nas maiores igrejas luteranas, o latim continuou a ser usado, assim como o canto gregoriano. Hinos alemães existiam antes da Reforma e às vezes eram cantados durante a liturgia, logo não era uma grande mudança. Mais radical do que qualquer mudança litúrgica introduzida por Lutero, ao menos no que concerne o rito, foi a reorganização de nossa própria liturgia – acima de tudo, as mudanças fundamentais que foram feitas na liturgia da Missa. Isso também demonstra muito menos compreensão dos laços emocionais que os fiéis tinham com o rito litúrgico tradicional.

Neste ponto, não é inteiramente claro a extensão com que estas mudanças, de fato, influenciaram as considerações dogmáticas – como foi no caso de Lutero…

O aspecto realmente trágico deste desenvolvimento é que muitos dos envolvidos na elaboração dos novos textos litúrgicos, dentre os quais especialmente bispos e padres que vieram do Movimento da Juventude Católica [Jugendbewegung], estavam atuando de boa Fé, e simplesmente falharam em reconhecer os elementos negativos que eram parte da nova liturgia, ou não os  reconheceram corretamente. Para eles, a nova liturgia expressava o cumprimento de todas as suas esperanças e aspirações passadas pelas quais eles esperaram por muito tempo.

Uma coisa é certa: a nova teologia (liberal) foi a maior força por detrás da reforma litúrgica. Todavia, afirmar, como às vezes é feito, que o Novus Ordo Missae é “inválido”, seria ir muito além deste argumento. O que nós podemos dizer é que desde que a reforma litúrgica foi introduzida o número de missas inválidas certamente cresceu.

Nem as persistentes súplicas de distintos cardeais, nem sérios pontos dogmáticos salientados pela nova liturgia, nem apelos urgentes por todo o mundo para que não se fizesse obrigatório o novo missal, puderam parar o Papa Paulo VI – uma clara indicação de seu próprio e forte endosso pessoal. Mesmo a ameaça de um novo cisma – o caso Lefebvre – não pôde movê-lo a ter o Rito Romano tradicional como, no mínimo, coexistente com o novo rito – um simples gesto de pluralismo e de inclusão que em nossos dias e tempos teria sido, certamente, a coisa prudente a ser feita.

Monsenhor Klaus Gamber, Die Reform der römischen Liturgie.

1 dezembro, 2009

O Apelo da Missa em Latim.

Por Kenneth J. Wolfe

AO ENTRAR na igreja 40 anos atrás neste primeiro domingo do Advento, muitos católicos romanos talvez tenham se indagado onde estavam. O sacerdote não somente falava em inglês ao invés de latim, mas também estava voltado para os fiéis e não para o sacrário; os leigos assumiam os deveres anteriormente reservados aos sacerdotes; a música popular enchia o ar. As grandes mudanças do Vaticano II haviam chegado em casa.

Tudo isso foi uma ruptura radical da Missa Tradicional em Latim, codificada no 16° século do Concílio de Trento. Durante séculos a Missa servia como um sacrifício estruturado com diretrizes, chamadas “rubricas” que não eram opcionais. É assim que a coisa é feita, dizia o livro. Tão recentemente quanto 1947, o Papa Pio XII havia emitido uma encíclica sobre liturgia que zombava da modernização; Ele dizia que a idéia de mudanças à Missa Tradicional em Latim lhe “afligia dolorosamente”.

Paradoxalmente, entretanto, foi o próprio Pio [XII] o grande responsável pelas mudanças significativas de 1969. Foi ele que nomeou o arquiteto chefe da Missa nova, Aníbal Bugnini, para a comissão de liturgia do Vaticano, em 1948.

Bugnini nasceu em 1912 e foi ordenado sacerdote vicentino em 1936. Embora Bugnini mal tivesse uma década de trabalho em paróquia, Pio XII o constituiu secretário para a Comissão da Reforma Litúrgica. Nos anos 1950, Bugnini conduziu uma grande revisão das liturgias da Semana Santa. Consequentemente, na Sexta-Feira Santa de 1955, pela primeira vez as assembléias se uniram ao sacerdote na recitação do Pai Nosso, e o sacerdote se voltou para a assembléia durante alguma parte da liturgia.

O papa seguinte, João XXIII, nomeou Bugnini secretário para a Comissão Preparatória para a Liturgia do Vaticano II, cargo no qual ele trabalhou com clérigos católicos e, surpreendentemente, alguns ministros protestantes nas reformas litúrgicas. Em 1962 ele escreveu qual viria a ser a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, o documento que deu a forma da Missa nova.

Muitas das reformas de Bugnini objetivaram agradar os não católicos, e foram feitas alterações imitando cultos protestantes, incluindo a colocação de altares virados para o povo, em vez de um sacrifício em direção ao oriente litúrgico. Como ele afirmou, “precisamos tirar de nossa… liturgia católica tudo que possa constituir a sombra de uma pedra de tropeço para os nossos irmãos separados, ou seja, para os protestantes.” (Paradoxalmente, os anglicanos que se unirão à Igreja Católica em razão da mão estendida do papa atual usarão a liturgia que sempre apresenta o sacerdote voltado na mesma direção da assembléia).

Como foi que Bugnini foi capaz de fazer mudanças tão avassaladoras? Em parte porque nenhum dos papas a quem ele serviu eram liturgistas. Bugnini modificou tantas coisas que o sucessor de João, Paulo VI, algumas vezes, não sabia das últimas diretrizes. Certa vez o papa questionou as vestes que sua equipe lhe havia designado, dizendo que elas eram da cor errada, somente para ouvir que ele havia eliminado a celebração de Pentecostes com duração de uma semana e que não podia vestir os respectivos trajes vermelhos para a Missa. O mestre de cerimônias do papa à época assistiu Paulo VI se debulhar em lágrimas.

Bugnini caiu da graça nos anos 70. Rumores se espalharam na imprensa italiana de que ele era maçom, que, caso seja verdade,  teria merecido a excomunhão. O Vaticano nunca negou as queixas, e em 1976 Bugnini, que naquela época era um arcebispo, foi exilado para um cargo formal no Irã. Ele faleceu no esquecimento, em 1982.

Mas seu legado sobreviveu. O Papa João Paulo II continuou as liberalizações da Missa, permitindo que mulheres atuassem no lugar de acólitos e permitiu que homens e mulheres não ordenados distribuíssem a comunhão nas mãos de fiéis de pé. Mesmo organizações conservadores como o Opus Dei adotaram as reformas de liturgia liberal.

Porém, Bugnini poderá ter finalmente encontrado seu antagonista à altura em Bento XVI, ele mesmo um renomado liturgista que não é fã dos últimos 40 anos de alterações. Cantar em latim, vestir trajes antigos e distribuir a comunhão somente nas línguas (em vez das mãos) de católicos ajoelhados, lentamente Bento reverteu as inovações de seus predecessores. E a Missa em Latim está de volta, pelo menos, de maneira limitada, em locais como Arlington, Va., onde uma em cada cinco paróquias oferecem a liturgia antiga.

Bento compreende que seus jovens padres e seminaristas – a maioria nascida depois do Vaticano II – estão ajudando a conduzir uma contra-revolução. Eles apreciam a beleza da Missa solene e seu respectivo canto, incenso e cerimônia.  Sacerdotes de batina e freiras de hábito podem ser vistas novamente; sociedades tradicionalistas como o Instituto Cristo Rei estão se expandindo.

No início desta década, Bento (então Cardeal Joseph Ratzinger) escreveu: “O fato do sacerdote se voltar para as pessoas fez com que a comunidade se transformasse num círculo fechado. Em sua forma externa, ela não mais se abre para o que está acima, mas está fechada em si mesma.” Ele estava certo: 40 anos de Missa nova trouxeram o caos e a banalidade no sinal mais visível e externo da igreja. Bento XVI quer um retorno à ordem e ao sentido. Assim, ao que parece, a próxima geração de católicos faz a mesma coisa.

Kenneth J. Wolfe escreve com freqüência para publicações católicas romanas tradicionalistas.

15 outubro, 2009

Padre Bouyer e Paulo VI, o diálogo.

Padre BouyerPadre Louis Bouyer (foto): Escrevi ao Santo Padre, o Papa Paulo VI, para oferecer minha renúncia como membro da Comissão encarregada pela Reforma Litúrgica. O Santo Padre mandou me buscar imediatamente (e a seguinte conversa ocorreu):

Paulo VI: Padre, o senhor é uma autoridade inquestionável e inquestionada por seu profundo conhecimento da liturgia e da Tradição da Igreja e um especialista neste assunto. Eu não compreendo por que o senhor me enviou sua demissão, quando sua presença é mais que preciosa, é indispensável!

Padre Bouyer: Beatíssimo Padre, se eu sou um especialista neste assunto, digo de maneira muito simples que renuncio porque não concordo com as reformas que o senhor está impondo! Por que o senhor não dá atenção às observações que enviamos ao senhor e por que o senhor faz o oposto?

Paulo VI: Mas eu não compreendo: não estou impondo nada. Eu nunca impus nada neste campo. Tenho completa confiança em sua competência e em suas propostas. É o senhor que está me mandando as propostas. Quando o Pe. Bugnini vem me ver, ele diz: “Aqui está o que os experts estão pedindo”. E como o senhor é um expert nesta matéria, eu aceito seu julgamento.

Padre Bouyer: E enquanto isso, quando nós estudamos uma questão e escolhemos o que em consciência podermos propor ao senhor, o Padre Bugnini toma nosso texto e nos diz que, tendo consultado o senhor: “O Santo Padre quer que os senhores introduzam estas mudanças na liturgia”.  E já que não concordo com suas propostas, porque elas rompem com a Tradição da Igreja, então apresento minha demissão.

Paulo VI: De maneira alguma, Padre, creia-me, o Padre Bugnini me diz exatamente o contrário: eu nunca recusei sequer uma proposta sua. Padre Bugnini veio me encontrar e disse: “Os experts da Comissão encarregada pela Reforma Litúrgica pediram isso e aquilo”. E como eu não sou um especialista em liturgia, digo novamente, eu sempre aceitei seus julgamentos. Nunca disse aquilo a Monsenhor Bugnini. Eu fui enganado. Padre Bugnini enganou a mim e enganou o senhor.

Padre Bouyer: É assim, caros amigos, como a reforma litúrgica foi feita!

Fonte: Inside the Vatican

9 junho, 2009

Curtas da semana.

Dom Fellay na Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Bernard Fellay(ReL) Na última sexta-feira voltou a circular em Roma os rumores sobre um possível acordo entre o Vaticano e a Fraternidade de São Pio X, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991). Tudo surgiu ao se saber da presença do superior da congregação, monsenhor Bernard Fellay, na Cidade Eterna, que na sexta-feira teria uma audiência na Congregação para a Doutrina da Fé.

Súplica ao Santo Padre: caminhar para além das afirmações retóricas.

Mons. Gherardini Brunero‹‹ Para o bem da Igreja – e mais especificamente para a atuação da “salus animarum” que é a primeira e “suprema lex” – depois de décadas de livre criatividade exegética, teológica, litúrgica, historiográfica e “pastoral” em nome do Concílio Ecumênico Vaticano II, parece-me urgente que se faça um pouco de clareza, respondendo oficialmente à pergunta sobre a continuidade do mesmo – não declamada, mas demonstrada – com os outros Concílios e sua fidelidade à Tradição desde sempre em vigor na Igreja. […] Parece, de fato, difícil, se não impossível, colocar as mãos na esperada hermenêutica da continuidade, a menos que se proceda a uma análise cuidadosa e científica de cada um dos documentos, deles conjutamente e de todos os seus argumentos, suas fontes imediatas e remotas, e se continua em vez de falar apenas repetindo o conteúdo ou apresentando-o como uma novidade absoluta. Esse pensamento há tempos nasceu em minha mente – que ouso ora apresentar à Sua Santidade – de uma grande e Livro de Mons. Gherardini possivelmente definitiva purificação sobre o último Concílio em todos os seus aspectos e conteúdo. Parece, de fato, lógico e adequado que todos os aspectos e conteúdos sejam estudados em si e em conjunto com todos os outros, com os olhos fixos em todas as fontes, e sob o ângulo específico do Magistério eclesiástico precedente, solene e ordinário. A partir desse amplo e irrepreensível trabalho científico, comparado com os resultados seguros da atenção crítica ao secular Magistério da Igreja, será então possível elaborar um argumento para uma avaliação segura e objetiva do Concílio Vaticano II […] Mas se a conclusão científica do exame levar à hermenêutica da continuidade como a única devida e possível, será portanto necessário provar – para além de toda afirmação retórica – que a continuidade é real, e tal se manifesta apenas na identidade dogmática de fundo. […] [Se] não resultar cientificamente provado, seria necessário dizê-lo com serenidade e franqueza, em resposta à exigência de clareza sentida e esperada por quase meio século. ›› Do recém lançado livro de Monsenhor Brunero Gherardini, Concilio Ecumenico Vaticano II. Un discorso da fare, editado pela Casa Mariana Editrice di Frigento, fundada e dirigida pelos Franciscanos da Imaculada, com prefácio de Dom Mario Oliveri, bispo de Albenga e Imperia, e apresentação de Dom Albert Malcom Ranjith, secretário da Congregação para o Culto Divino.

Acordo secreto.

(Rorate-Caeli) Giacomo Galeazzi faz a resenha da nova biografia de Paulo VI escrita por Andrea Tornielli para o La Stampa e menciona que aquilo que muitos consideravam uma teoria da conspiração era verdade: sem dúvida, houve um acordo secreto, conduzido pelo Cardinal Tisserand, entre a União Soviética e a Santa Sé (sob João XXIII) em 1962 – um acordo que Paulo VI também respeitou, conforme Galeazzi diz:  ‹‹ Em uma nota de 15 de novembro de 1965, Montini, de fato, menciona explicitamente que dentre “os compromissos do Concílio” existe também aquele “de não mencionar o comunismo (1962)”.  A indicação da data do final da frase escrita por Paulo VI refere-se ao acordo secreto, relacionado por Tisserand, entre Roma e Moscou ›› .  E isso explicaria porque o Concílio Vaticano Segundo, que discutiu todo tipo de questões, relevantes e irrelevantes da mesma forma, ignorou a ameaça mais desafiadora de seu tempo: o comunismo.

Desempregado.

Padre Fioraso(Messa in Latino) ‹‹ Uma visitação canônica enviada pela Santa Sé decidiu pela substituição do abade de Santa Croce in Gerusalemme, Padre Simon Fioraso. O vigário de Roma, o Cardeal Agostino Vallini, nomeará em breve um padre da diocese como pároco enquanto a comunidade dos cistercienses não tiver na capital forças suficientes para garantir a cura da paróquia anexa ao Mosteiro. Assim confirmou à Agi Monsenhor Marco Fibbi, diretor do departamento de comunicações Sociais da diocese de Roma ›› .  Conforme o blog Messa in Latino, os motivos para o afastamento do pároco são os abusos na liturgia e na condução da paróquia.

Uma a cada cinco é extraordinária.

(Kreuz.net) No ano de 1966 ocorreram aproximadamente 900 ingressos nos seminários franceses. Em 2007 foram menos de 150, conforme informou a organização francesa ‘Paix Liturgique’ em um comunicado de imprensa de 28 de maio. Atualmente, 756 seminaristas estudam na França. Ao final do Concílio Vaticano II eram mais de 4.500. ‘Paix Liturgique’ ressalta também que hoje em dia na França surge uma nova categoria de seminaristas – aquela dos seminários tradicionalistas. Atualmente, existem no país 160 seminaristas tradicionalistas. Assim, eles já perfazem um quinto da soma total dos candidatos ao sacerdócio. A essa altura, deve-se levar em consideração – diz a ‘Paix Liturgique’ – que a Missa será celebrada regularmente no Rito Antigo em pouco menos de uma a cada cem paróquias francesas* : “Assim, temos que reconhecer a influência “extraordinária” que o Rito Antigo exerce sobre as vocações”. Nesse ínterim, o bispo de Toulon, Mons. Dominique Marie Jean Rey (56), decretou que todos os seus seminaristas devem aprender a celebração do Rito Antigo. Mons. Rey é membro da comunidade carismática ‘Emmanuel’ fundada na França.  * Nota de Tradução: Segundo o Serviço de Informações do Vaticano (Departamento Central de Estatísticas), na França existem 16.553 paróquias para uma população de 61.350.000, dos quais 46.427.000 (75,5 por cento) são católicos.

Progressistas e neo-conservadores, está tudo em casa.

(Kreuz.net). O Professor de Teologia Dogmática de Regensburgo, Wolfgang Beinert (76), emérito em 1998, publicou um livro contra a Fraternidade São Pio X chamado “Der Vatikan und die Pius-Brüder: Anatomie einer Krise“ [O Vaticano e a Fraternidade São Pio X: Anatomia de uma crise]. A obra inclui contribuições de notórios neo-conservadores e liberais inimigos da Tradição católica, dentre eles o Professor de Teologia Dogmática de Tubinga já aposentado, Pe. Peter Hünermann, o Bispo Kurt Koch de Basel, Bispo Gerhard Ludwig Müller de Regensburgo ou o Diretor da “Agência Católica de Notícias” da Alemanha, Ludwig Ring-Eifel.

Fundo do poço.

(Kath) Na Suécia os nascituros podem ser abortados quando a mãe não concorda com o sexo da criança, conforme decisão do Serviço Nacional de Saúde em Estocolmo. Uma mãe com duas filhas de Eskilstuna (ao sul da Suécia) fez dois abortos porque não queria uma terceira filha. Ao ficar grávida novamente ela pediu aos médicos que lhe informassem o sexo da criança. Estes pediram conselho ao Serviço Público. Resposta: os abortos motivados por insatisfação com o sexo não deveriam ser negados. Caso contrário se violaria a legislação em vigor, que permite o aborto até a 18ª semana. Segundo informe do jornal sueco, no momento, existe um turismo de aborto entre a Noruega e a Suécia: o fato de que na Noruega o aborto somente é permitido até a décima segunda semana, assim que ficam sabendo o sexo da criança, as gestantes viajam cada vez mais para o país vizinho. Entre elas estariam especialmente mulheres de outras culturas. “Quando uma mulher já tem três ou quatro meninas e vem da Turquia a pressão é grande para ter um menino” cita um abortista no jornal.

Arquidiocese de Olinda pode levar Dom Fisichella ao Tribunal Eclesiástico.

(Oblatvs) A Arquidiocese de Olinda e Recife distribuiu entre oficiais da Cúria Romana um memorando detalhando as medidas tomadas pela mesma na defesa da menina de 9 anos vítima de estupro. O objetivo do memorando é chegar a uma solução “cristã e amigável” para o impasse criado pelo artigo do Presidente da Pontifícia Academia para a Vida publicado no L’Osservatore Romano. Segundo Monsenhor Ignácio Barreiro, é a coisa certa a ser feita antes de buscar a solução no tribunal. […] O memorando de seis páginas é assinado pelo advogado da arquidiocese pernambucana e foi distribuído para centenas de oficiais da cúria. Ele desmonta a versão apresentada pelo artigo de Dom Fisichella e que repercutiu no mundo inteiro, em razão do autor e do jornal.[…] Dom Cardoso Sobrinho disse recentemente que o L’Osservatore se recusa a publicar sua versão dos fatos. O jornal já havia cometido uma injustiça contra Dom José e agora comete a segunda. Diante dos poderosos bispos americanos a atitude do corajoso editor do jornal foi bem outra.

17 setembro, 2008

Summorum Pontificum, um presente surpresa

Todos os créditos para Orbis Catholicus: