Posts tagged ‘Pe. Marcial Maciel’

17 dezembro, 2010

Sepultado Maciel, os últimos fogos de seus centuriões.

(IHU) Os chefes que esconderam as travessuras do “falso profeta” continuam em seus postos de comando. Mas, seu final está marcado. Entre os Legionários de Cristo cresce a revolta. O passo lento, mas inexorável do delegado papal.

A reportagem é de Sandro Magister e está publicada no sítio Chiesa, 16-12-2010. A tradução é do Cepat.

A ordem foi taxativa. As fotos de Marcial Maciel Degollado, o homem da vida “aventureira, desperdiçada, disparatada”, que Bento XVI definiu em seu recente livro-entrevista como “um falso profeta”, deverão desaparecer de todas as casas dos Legionários de Cristo.

E não apenas isso. Já não deverão chamá-lo mais de “Nosso Pai”. Não mais deverão festejar suas datas comemorativas, apenas rezar por ele no aniversário de sua morte. Não deverão ver ou vender seus escritos. Em Cotija de la Paz, no México, onde está sepultado, sua tumba não mais deverá ter um sinal distintivo. Seus restos deverão ser colocados junto à casa de retiros espirituais que existe ali, “um lugar dedicado à reparação e à expiação”.

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22 novembro, 2010

Papa: Maciel falso profeta.

(Giacomo Galeazzi – La Stampa) O Padre Maciel foi um “falso profeta, que levava uma vida imoral e deformada” e “infelizmente, o  seu caso foi tratado de forma muito lenta e tardia”, mesmo que ao final as acusações contra ele tenham se demonstrado fundadas e a congregação, sob controle do Vaticano, deva enfrentar um período de mudança e reforma. Este é o duro juízo que o Papa faz do Padre Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, em seu livro “Luz do Mundo”, escrito com o jornalista alemão Peter Seewald, e lançado em todo o mundo a partir de amanhã. O episódio é aquela nota do Padre Maciel, acusado de abuso sexual, violência e pai reconhecido de vários filhos. Sobre sua figura recaem também outras acusações relativas à imensa fortuna que acumulou e ao poder pessoal exercido dentro da congregação – uma das mais ricas e poderosas do mundo – até o culto de personalidade. Não por acaso o Papa e o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, interviram iniciando uma Visitação Apostólica em todas as várias realidades da congregação espalhada pelo mundo. A visitação foi concluída nos últimos meses e agora os Legionários de Cristo foram colocados sob o controle do novo Cardeal Velasio de Paolis, presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé; ele e um grupo de seus colaboradores terão a tarefa de transformar congregação em uma estrutura religiosa renovada e ativa, longe da imagem e dos métodos de Maciel. Entre outras coisas no livro, o Papa enfatiza como a figura do religioso de origem mexicana era “misteriosa”, pois se trata de uma personalidade que viveu de modo imoral, mas construiu um movimento religioso com grande dinamismo. O resultado é um “efeito positivo”, embora se trata de um “falso profeta”. Mas para isso é necessária uma grande renovação que não destrua, no entanto, o entusiasmo de tantos Legionários não envolvidos com as atividades do fundador.

30 julho, 2010

Adeus, velha Legião. Todos os poderes do novo general.

Como Delegado do Papa, o Arcebispo De Paolis tem plena autoridade sobre tudo e todos. Está selado o fim para Corcuera, Garza e outros chefes da congregação fundada por Marcial Maciel, todavia eles ainda resistem.

por Sandro Magister

ROMA, 30 de julho de 2010 – Os superiores dos Leginários de Cristo deram boas-vindas à chegada do Delegado Pontifício que se ocupará de reconstruir a sua Congregação desde o alicerce.

Mas eles sabem que perderam toda autoridade própria. O decreto vaticano que fixa os poderes do Delegado prevê, de fato, que eles poderão ser removidos de um momento para outro, “ad nutum Sanctæ Sedis”. Em todo caso, daqui em diante, todas as suas decisões serão válidas apenas se forem aprovadas pelo Delegado, a quem devem submeter-se em tudo.

O Delegado é o Arcebispo Velasio De Paolis, de 75 anos de idade. Bento XVI lhe confiou a tarefa em 16 de junho, mas a nomeação foi publicada em 9 de julho, porque até essa data o mesmo De Paolis esteve trabalhando no balanço contábil do Vaticano do ano de 2009, em sua qualidade de presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé.

Realmente, a competência administrativa é necessária para quem deverá tomar conta dos Legionários de Cristo. Além disso, De Paolis agrega outras competências não menos importantes para a tarefa que lhe foi confiada: em Direito Canônico e Civil, em Teologia Dogmática e Moral, matérias em que foi professor nas universidades pontifícias Gregoriana e Urbaniana. Não é só. De Paolis é também um religioso da Congregação dos Missionários de São Carlos Borromeo, chamada de “Scalabrinianos”, em referência ao nome do fundador, e foi Procurador Geral da mesma. Tem, então, também experência direta do que é uma Ordem Religiosa e de como governá-la.

Na carta de nomeação de 16 de junho, Bento XVI confiou ao Arcebispo De Paolis o governo em seu nome da Legião “pelo tempo que for necessário”, para reconstrui-la em sua totalidade, com uma nova Constituição e com um Capítulo Geral Extraordinário que assinale um novo começo.

Mas é no decreto posterior, emitido em 9 de julho pela Secretaria de Estado vaticana, que são fixados com mais precisão os poderes do Delegado.

Tais poderes são muito amplos, praticamente ilimitados. O Delegado tem autoridade direta sobre todos os superiores da Legião em seus níveis diversos — geral, provincial e local — e sobre todas as comunidades e indivíduos que as compõem.

Pode exercer sua autoridade também por iniciativa própria e derrogar as atuais Constituições da Ordem.

São esperadas algumas decisões em alguns âmbitos. Ao Delegado compete a admissão ao noviciado, à profissão religiosa e ao sacerdócio, a assunção, a transferência e o licenciamento dos dependentes, dos corpos diretivos das universidades, dos seminários e das escolas.

É o Delegado que decide em matéria de administração extraordinária ou de alienação dos bens.

Em síntese: o Delegado “tem o poder de intervenção onde quer que considere oportuno, inclusive no próprio governo interno do Instituto, em todos os níveis”.

É evidente que, com um Delegado dotado de tais poderes, não tem mais futuro o “sistema” que concentrava o controle da Legião nas mãos dos principais herdeiros do fundador Marcial Maciel, os padres Álvaro Corcuera e Luis Garza Medina, o segundo mais ainda que o primeiro.

O fim desse “sistema” implica também o fim desse corpo separado, patrimonial e administrativamente, em total e exclusiva dependência do Padre Garza, que é o Grupo Integer.

O Delegado se valerá de quatro assistentes pessoais externos — cuja nomeação se espera — a quem confiará tarefas específicas. Um deles se ocupará dos bens e da administração.

Ademais, o Delegado coordenará uma Visitação Apostólica suplementar ao movimento Regnum Christi, o ramo leigo da Congregação.

Uma passagem chave do decreto da Secretaria de Estado é a que estabelece que “todos têm livre acesso ao Delegado e todos podem tratar pessoalmente com ele”. Desde o momento em que o Arcebispo De Paolis assumiu o cargo, é realmente isso o que está começando a acontecer.

Mas ao mesmo tempo, a permanência dos antigos superiores em seus postos atua como freio. Muitos sacerdotes e religiosos da Legião seguem padecendo seu controle paralisante. E não saem à luz, mas se calam também diante do Delegado.

Por sua vez, este tem justamente a necessidade urgente de individualizar, dentro da Congregação, os homems e grupos mais idôneos, sobre os quais se basear para levar a cabo a renovação.

Nos primeiros dias de setembro, quando o Delegado entra efetivamente em ação, serão importantes seus primeiros movimentos.

Se rapidamente são levados a cabo atos concretos de ruptura do bloco de poder que governou até agora a Legião, é provável que a renovação se produza mais rapidamente, contando — como escreveu o Papa —  com o “zelo sincero e a fervorosa vida religiosa” de tantos membros da Legião.

18 maio, 2010

João Paulo II e Marcial Maciel. A ação de Bento XVI.

Sob circunstâncias normais, o domínio do Papa Bento XVI da literatura alemã pode não parecer uma forma óbvia de preparação para o papado. Neste momento, porém, parece ser assim, porque Bento XVI e seus admiradores enfrentam uma escolha tirada diretamente do Fausto de Goethe: a fim de salvar a reputação de Bento XVI na crise dos abusos sexuais, eles são obrigados a rever a atuação de João Paulo II.

A análise é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 12-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não está claro se a crítica crescente do histórico de João Paulo II será suficiente para retardar sua beatificação, mas pode muito bem dar novas cores ao legado do Papa diante dos olhos da história.

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15 maio, 2010

Pedem a cabeça de Sodano: “Todos dentro da Igreja devem saber que há consequências por erros escandalosos”.

Sodano deve ser removido e deve lhe ser dito que sirva a Igreja com a oração. Todos dentro da Igreja devem saber que há consequências por erros escandalosos”. É claríssimo e definitivo o distanciamento do decano do Colégio Cardinalício, o cardeal Angelo Sodano, assumido por Joseph Bottum, diretor da First Things, a revista de referência da área teológica conservadora norte-americana, fundada pelo ex-luterano, depois sacerdote católico, Richard John Neuhaus.

Depois da bofetada em Sodano dada pelo arcebispo de Viena, Christoph Schönborn – porque, em sua opinião, há 15 anos, ele acobertou o “caso Hans Hermann Groër” – é a revista em torno à qual gira um do grupos de intelectuais mais influentes dos Estados Unidos que abre fogo contra um príncipe da Igreja que, durante anos, na era Wojtyla, detinha as rédeas do governo da Cúria Romana.

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1 maio, 2010

Comunicado da Santa Sé sobre a Visita Apostólica aos Legionários de Cristo.

Rádio Vaticano – (1/5/2010) Os gravíssimos e objectivamente imorais comportamentos do Padre Marcial Maciel Degollado, fundador dos Legionários de Cristo, confirmados por testemunhos indiscutíveis, configuram-se às vezes em autênticos delitos e manifestam uma vida sem escrúpulos e autêntico sentido religioso. Afirma o comunicado da Santa Sé difundido no final das reuniões no Vaticano com os cincos bispos encarregados da visita apostólica aos Legionários de Cristo.

De tal vida, prossegue o comunicado da Santa Sé, estava às escuras grande parte dos Legionários, sobretudo por causa do sistema de relações construído pelo padre Maciel que habilmente soubera criar para si álibis, obter confiança, confidências e silêncio de quem o rodeava e reforçar o próprio papel de fundador carismático.

Este documento da Santa Sé foi divulgado neste sábado no final dos colóquios no Vaticano sobre os resultados da visita apostólica que nos meses passados indagou sobre a Congregação abalada pelos escândalos do seu fundador Marcial Maciel Degollado (1920-2008) culpado de abusos sexuais sobre menores e de uma vida dupla, com pelos menos duas mulheres e três filhos.

Não poucas vezes – lê-se ainda no comunicado – um lamentável descrédito e afastamento de todos aqueles que duvidavam do seu recto comportamento, bem como a errada convicção de não querer prejudicar o bem que a Legião estava a realizar, tinham criado à sua volta um mecanismo de defesa que o tornou durante muito tempo inatacável, tornando por conseguinte bastante difícil o conhecimento da sua verdadeira vida.

O zelo sincero da maioria dos Legionários, que emergiu também nas visita às casas da Congregação e a muitas das suas obras, bastante apreciadas por muitos, levou a que muitas pessoas no passado pensassem que as acusações, que pouco a pouco se tornaram cada vez mais insistentes e lançadas aqui e ali…. não pudessem ser senão calúnias e foi por isso que a descoberta e o conhecimento da verdade acerca do fundador causou nos membros da Legião surpresa, desconcerto e profunda dor, distintamente evidenciados pelos Visitadores ( os bispos encarregados de investigar).

10 abril, 2010

Maciel subornou vários cardeais da Cúria durante anos.

(IHU) O fundador dos Legionários de Cristo, padre Marcial Maciel Degollado, “subornou” durante anos funcionários e cardeais da Cúria Romana com o fim de “comprar o apoio para sua congregação e para a defesa de si mesmo em caso de sua reprovável conduta ser descoberta”.

A mais recente e grave revelação sobre a inquietante figura desse sacerdote mexicano (falecido em 2008 aos 88 anos) é feita desta vez pelo jornal norte-americano National Catholic Reporter.

A reportagem é do sítio Religión Digital, 08-04-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E isso não é tudo: a publicação aponta o dedo contra três figuras chaves da Santa Sé, definindo-os de alguma forma como “protetores” de Maciel. Trata-se do cardeal espanhol Eduardo Martínez Somalo, nessa época prefeito da Congregação para os Religiosos, o então secretário de Estado e atual decano do Colégio Cardinalício, Angelo Sodano – que no domingo e nesta terça-feira defendeu Bento XVI com força dos ataques midiáticos sobre os padres pedófilos –, e o cardeal Stanislao Dziwisz, então bispo e secretário pessoal de João Paulo II.

Com relação ao pontífice polonês, o National Catholic Reporter destaca que ele estava “às escuras” (porque lhe escondiam) com relação às acusações de abusos sexuais contra o padre Maciel que chegavam continuamente à Congregação para a Doutrina da Fé, presidida então pelo atual chefe da Igreja Católica, Bento XVI.

A publicação norte-americana entrevistou alguns legionários anônimos, que indicaram além disso que Maciel Degollado fazia com que “doações” chegassem a diversos expoentes do Vaticano.

“Na época do Natal – escreve – dirigentes e cardeais ‘influentes’ recebiam de parte dos Legionários de Cristo (por ordem de seu fundador) cestos com vinhos e licores preciosos, presunto espanhol etc., por um valor mínimo de mil euros cada um”.

Também se afirma que uma “rica família mexicana” teria pago 50 mil dólares para ter a oportunidade de assistir as missas privadas que João Paulo II costumava celebrar no Vaticano.

O National Catholic Reporter indicou ainda que houve “um cardeal que rejeitou um presente financeiro da Legião: Joseph Ratzinger”. Com relação a esse fato, o jornal lembra que, em 1997, no final de uma lição de teologia aos Legionários, um dos alunos quis lhe dar um envelope fechado dizendo que se tratava de uma “doação para uso caritativo”, e que “Ratzinger disse ‘não, obrigado'”.

Segundo a revista norte-americana, “depois que alguns ex-legionários haviam sido vítimas de violências sexuais apresentaram uma denúncia canônica contra Maciel à Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Angelo Sodano, em sua qualidade de secretário de Estado, havia exercido pressões sobre o prefeito Ratzinger para que detivesse o processo contra o fundador dos Legionários”.

Cabe lembrar que, uma vez eleito Papa, Joseph Ratzinger deu total luz verde à investigação sobre o padre Maciel, até que no dia 19 de maio de 2006 (pouco mais de um ano após sua eleição), sancionou-o, convidando-o a uma vida reservada de oração e penitência, obrigando-o a renunciar a rezar missa publicamente. Foi-lhe evitado o processo canônico (que o reduziria ao estado laical) por causa de sua idade avançada e seu delicado estado de saúde.

Até agora, o Vaticano não se pronunciou sobre essas “revelações”.

28 março, 2010

Legionários de Cristo oficialmente renegam Marcial Maciel.

(IUH) Os Legionários de Cristo se separam do seu fundador, Marcial Maciel, cujos “atos contrários aos deveres de cristão, religioso e sacerdote (…) não correspondem ao que nos esforçamos em viver na Legião de Cristo e no Movimento Regnun Christi”, afirma um comunicado assinado pelo diretor geral da Legião, Álvaro Corcuera, e todos os diretores territoriais da congregação no mundo. Uma carta que, apesar de tudo, é visto como insuficiente para evitar uma intervenção da Santa Sé na congregação.

A notícia é do sítio Religión Digital, 26-03-2010.

O comunicado inicia de forma contundente, dirigindo-se “a todos aqueles que foram afetados, feridos ou escandalizados pelas ações reprováveis do nosso fundador, o Padre Marcial Maciel Degollado, L.C.”.

Levamos tempo para assimilar estes fatos da sua vida. Para muitos – sobretudo para as vítimas – este tempo foi demasiadamente longo e doloroso”, prossegue o texto, que reconhece “que não temos podido ou sabido ir ao encontro de todos como teria sido necessário”.

Os legionários reconhecem que Maciel abusou sexualmente de seminaristas menores e que teve vários filhos. “Profundamente consternados, devemos dizer que estes fatos aconteceram”, diz a nota.

Expressamos, mais uma vez, nossa dor e pesar a todas e cada uma das pessoas que foram feridas pelas ações do nosso fundador. Participamos do sofrimento que este escândalo causou à Igreja e que nos aflige profundamente”, acrescenta o comunicado, pelo qual os legionários “pedem perdão a todas as pessoas que o acusaram no passado e que nós não demos crédito ou não soubemos escutar, pois naqueles momentos não podíamos imaginar estes comportamentos”.

“Ante a gravidade de suas faltas (de Maciel), não podemos olhar a sua pessoa como modelo de vida cristã e sacerdotal”, afirma o texto, numa clara desautorização de seu fundador.

Quanto ao futuro, a carta da cúpula dos Legionários de Cristo se mostra decidida a:

– seguir buscando a reconciliação e o encontro com os que sofreram,
– buscar a verdade sobre a nossa história,
– continuar oferecendo segurança, sobretudo para os menores de idade, em nossas instituições e atividades, tanto nos ambientes como nos procedimentos,
– crescer no espírito de serviço desinteressado à Igreja e às pessoas,
– colaborar melhor com os pastores e com outras instituições dentro da Igreja,
– melhorar a nossa comunicação,
– seguir velando pela aplicação dos controles e procedimentos administrativos em todos os níveis e seguir atuando uma adequada prestação de contas,
– redobrar o nosso empenho na missão de oferecer o Evangelho de Jesus Cristo ao maior número possível de homens,
– e, buscar a santidade de vida com renovado esforço.

A carta é assinada pelos seguintes responsáveis:

P. Álvaro Corcuera, L.C., diretor geral
P. Luis Garza, L.C., vigário geral
P. Francisco Mateos, L.C., conselheiro geral
P. Michael Ryan, L.C., conselheiro geral
P. Joseph Burtka, L.C., conselheiro geral
P. Evaristo Sada, L.C., secretário geral
P. José Cárdenas, L.C., diretor territorial do Chile e Argentina
P. José Manuel Otaolaurruchi, L.C., diretor territorial da Venezuela e Colombia
P. Manuel Aromir, L.C., diretor territorial do Brasil
P. Rodolfo Mayagoitia, L.C., diretor territorial do México e Centroamérica
P. Leonardo Núñez, L.C., diretor territorial de Monterrey
P. Scott Reilly, L.C., diretor territorial de Atlanta
P. Julio Martí, L.C., director territorial de Nueva York
P. Jesús María Delgado, L.C., director territorial de España
P. Jacobo Muñoz, L.C., director territorial de Francia e Irlanda
P. Sylvester Heereman, director territorial de Alemania y centro Europa

Segundo informa o sítio Religión  Digital, 26-03-2010, e o jornal Folha de S. Paulo, 27-03-2010, Raúl González Lara, um dos supostos filhos, disse que a nota da ordem é “ridícula” e pediu reparação.

16 março, 2010

A Legião espera um novo superior geral. E treme.

Um comissário apontado pelo Vaticano tomará o comando dos Legionários de Cristo, órfãos de seu fundador Marcial Maciel, envolto em escândalos. É o desfecho previsível de oito meses de averiguações. Muitas coisas deverão mudar, inclusive os atuais chefes.

por Sandro Magister – www.chiesa

ROMA, 16 de março de 2010 – Em plena tempestade que sacode a Igreja Católica por conta dos abusos sexuais contra menores perpetrados por sacerdotes, encerrou-se a visitação apostólica ordenada pela Santa Sé aos Legionários de Cristo, a congregação fundada por Marcial Maciel.

O caso Maciel é extremo em tudo. Leva a limites exasperantes o contraste entre a imagem e a realidade; entre a imagem beatífica do sacerdote fundador de uma congregação religiosa ultra-ortodoxa, ascética, devota, florescente de vocações também exemplares, e a realidade de uma segunda vida dissoluta, composta de incessantes violações não apenas dos votos, mas dos mandamentos, de contínuas aventuras pecaminosas com mulheres, homens e meninos de toda idade e condição, com filhos e cônjuges espalhados por todo o mundo, em número até agora impreciso.

Uma segunda vida que também no momento de sua morte apareceu em brilho sulfúreo. Relatos mórbidos vazaram sobre os últimos dias de Maciel em Houston, no fim de janeiro do ano de 2008, antes de seu sepultamento em Cotija, sua cidade natal, no México.

A visitação apostólica começou em 15 de julho de 2009. Os cinco bispos visitantes concluíram seu mandato em meados deste mês de março, com a entrega de seu relatório às autoridades vaticanas. Foram Ricardo Watti Urquidi, bispo de Tepic, no México; Charles J. Chaput, arcebispo de Denver; Giuseppe Versaldi, bispo de Alejandría; Ricardo Ezzati Andrello, arcebispo de Concepción, no Chile; e Ricardo Blázquez Pérez, bispo de Bilbao.

Serão as autoridades vaticanas que decidirão o que fazer. Os três cardeais encarregados do caso são Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, William J. Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e Franc Rode, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada.

Mas a última palavra será pronunciada de toda maneira por Bento XVI, o mais clarividente de todos. Já antes de ser elevado ao papado e quando Maciel ainda tinha protetores fortíssimos no Vaticano, Joseph Ratzinger fez investigar a fundo as acusações contra o fundador dos Legionários. E como Papa, em 19 de maio de 2006, o condenou “a uma vida reservada de oração e de penitência”.

Depois desta condenação, a congregação dos Legionários se submeteu à ordem papal. Mas seguiu prestando veneração ao próprio “pai” fundador, como “vítima inocente” de falsas acusações.

Só após a morte e ao aflorar de outros escândalos a admissão de algumas culpas do fundador encontrou espaço entre os dirigentes da Congregação, mas não de modo a induzi-los a desmentir a bondade de sua obra.

Ainda hoje, depois de oito meses da visitação apostólica, o sucessor de Maciel como superior geral da congregação, Dom Álvaro Corcuera, e o vigário geral Luis Garza Medina – que durante décadas foram também, especialmente o segundo, colaboradores muito próximos do fundador – não manifestam nenhuma intenção de deixar o comando. E assim outros dirigentes médio-altos, centrais e periféricos.

Sua linha de defesa é que sempre lhes fora ocultado a segunda vida de Maciel e que sua fidelidade à Igreja e ao Papa, mais que sua experiência de guia, assegurariam da melhor maneira a continuidade da congregação.

Em 5 de fevereiro passado, no “L’Osservatore Romano”, o padre Luiz Garza Medina publicou inabalável um artigo para descrever como deveria ser a “vida virtuosa” do sacerdote ideal. Ele, que viveu ao lado de Maciel mais que ninguém, conhecendo todos os segredos e administrando o dinheiro, e que o exaltou sempre como modelo.

Mas é totalmente inverossímil que os atuais líderes dos Legionários sejam deixados na direção da Congregação pelas autoridades vaticanas. A decisão mais provável é que a Santa Sé nomeie um comissário próprio, dotado de plenos poderes, e fixe as linhas-guias para uma refundação completa, incluída a substituição dos atuais dirigentes.

Mas será uma empresa árdua refundar desde a cabeça uma Congregação na qual o estigma do indigno fundador é, até agora, fortíssimo.

Sacerdotes e seminaristas que até ontem foram embebidos nos escritos atribuídos a Maciel terão dificuldade para encontrar novas fontes inspiradoras, não genéricas, mas específicas para sua ordem. Tampouco ajudam os atuais líderes da Congregação. Ainda mais, um ex-secretário pessoal de Maciel, o padre Felipe Castro, junto de outros sacerdotes da Legião, trabalhou durante estes meses selecionando entre as numerosissímas cartas do fundador um grupo delas para “salvá-las” para o futuro, e assim ter viva uma imagem positiva de Maciel.

A dependência dos Legionários para com Maciel era – e para muitos ainda é – total. Não havia rincão da vida cotidiana que escapasse às regras ditadas por ele. Regras minuciosas até o inverossímil, que ordenavam, por exemplo, como sentar-se à mesa, como usar o guardanapo, como ingerir alimentos, como comer o frango sem usar as mãos, como tirar as espinhas de um peixe.

Mas isso não era nada diante do controle exercido sobre as consciências. O manual para o exame de consciência ao fim de um dia era de 332 páginas, com milhares de exigências.

E depois estavam – e estão – os estatutos próprios e autênticos. Muito mais amplos e detalhados que os entregues aos bispos das dioceses nas quais os Legionários têm suas casas. Os cinco visitadores tiveram que se esforçar muito para obter os estatutos completos.

Dos estatutos surge que, além dos três votos clássicos das ordens religiosas (pobreza, castidade e obediência), os Legionários professavam outros dois votos – mais um terceiro chamado “de fidelidade e caridade” para os membros seletos da Congregação – que proibiam qualquer tipo de crítica e ao mesmo tempo obrigavam ante os superiores os confrades que tivessem sido vistos violando a proibição.

Estes votos acrescidos tinham sido abolidos em 2007 por ordem da Santa Sé. Mas não consta que esta revogação tenha sido notificada ao corpo dos Legionários.

Na Congregação fundada por Maciel, não são sempre perceptíveis os limites entre o espírito de obediência e o espírito de submissão.

Entre os Legionários, a concorrência encorajada pelas regras é entre os que conseguem fazer mais prosélitos.  E o noviço ingressa imediatamente numa maquinaria coletiva que absorve completamente sua individualidade. Tudo está controlado e regulado meticulosamente, dentro de uma selva de limitações: desde o correio pessoal até as leituras, desde as visitas até as viagens.

Nos oito meses que durou a visitação apostólica este controle foi relaxado somente em parte. Alguns sacerdotes denunciaram aos visitadores as coisas que consideravam errôneas. Outros abandonaram a Congregação e se incardinaram no clero diocesano. Por último, outros ainda têm confiança no renascimento sobre novas bases de uma Congregação religiosa que é parte de suas vidas e aquela que continuam amando.

13 agosto, 2009

Caso Marcial Maciel: novos filhos buscam direitos hereditários nos bens da Legião de Cristo.

Padre Marcial Maciel DegolladoLa Jornada – O advogado mexicano José Bonilla Sada deu a conhecer que três filhos de Marcial Maciel nascidos no México disputarão com os Legionários de Cristo para que se reconheça sua existência, assim como seus direitos hereditários sobre os bens do fundador da ordem religiosa.

O litigante, que neste caso tem como assistente Joaquín Aguilar – vítima de abuso sexual cometido pelo ex-sacerdote Nicolas Aguilar – disse que conta com provas suficientes para demonstrar que tanto o falecido Papa João Paulo II como a Legião sabiam da existência dos outros três filhos de Maciel, hoje adultos, legalmente reconhecidos por seu pai, mas cujos nomes serão mantidos sob sigilo.

Há meses, a ordem fundada pelo sacerdote falecido, acusado de abusos sexuais contra menores, admitiu a existência de uma de suas filhas. Seu nome, segundo conta Bonilla em seu blog, é Norma Hilda. Vive em Madri, Espanha, onde junto de sua mãe, de mesmo nome, obteve um visto de residência sem finalidade de trabalho.

É originária de Guerrero, tem aproximadamente 23 anos e mantêm um nível de vida tranqüilo, já que não trabalha, vive num apartamento de luxo e igualmente conta com outro que aluga no mesmo prédio onde vive. Foram adquiridos por Marcial Maciel com dinheiro dos benfeitores da congregação.

Foi justamente através deste blog que os três filhos do sacerdote falecido contataram José Bonilla para representá-los. Já lhe entregaram uma série de documentos que comprovam seu parentesco com Maciel: fotografias onde constam que se reuniram com João Paulo II, cartas de todo tipo e gravações de altos hierarcas da Legião de Cristo falando sobre o assunto.

O litigante sustenta que provas caligráficas são suficientes para demonstrar que as missivas foram escritas pelo punho de Maciel, e que seus filhos podem ser submetidos a provas de DNA para demonstrar seu laço sangüíneo.

No momento, o advogado se encontra estudando e integrando uma demanda de âmbito civil, na qual se determinaria que seus representados têm direito a uma vida hereditária, embora confie que antes de chegar a isto consiga um acordo com a Legião de Cristo.

“Suponho – assinalou Bonilla – que (Maciel) deixou dinheiro. Nossa equipe está trabalhando nisso, e alguns informantes nos disseram que se trata de uma quantidade importante. Há que se recordar que a Legião se fez ao redor e para o fundador; praticamente tudo era dele”.

Indicou que os filhos do religioso falecido buscam que se reconheça sua existência e, eventualmente, estão pensando em dar a conhecer a vida que tiveram ao lado de seu pai, no sentido de como se desenvolvia, o que dizia, o que lhes aconselhava, o que lhes ensinou, e que têm direitos hereditários.