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29 março, 2010

Resposta do Revmo. Pe. Renato Leite ao artigo “Santa Pedofilia”, de Hélio Schwartsman, publicado na Folha de São Paulo.

Lendo seu artigo sobre a pedofilia nas fileiras da Igreja Católica me perguntei o porque de um judeu, que se assume como anticlerical, que adota a matriz do pensamento maçônico como instrumento de análise da realidade e que reconhece publicamente que a Igreja  classifica como pecado grave  a pedofilia, se mostrou tão crítico ao analisar o problema quando esse se dá na Igreja Católica e tão indulgente quando ele ocorre entre os membros da sinagoga?

E para se sustentar  pretensiosamente em “fatos” e eximir os que estão mais próximos de responsabilidades em casos similares, afirmou sem base que:

“A forma de organização da Igreja Católica, entretanto, parece favorecer a ocorrência dos abusos que, ao menos aparentemente, não acontecem na mesma escala em colégios e seminários protestantes, islâmicos ou judeus”.

De onde lhe veio a idéia de que os abusos não ocorrem “aparentemente na mesma escala” em instituições similares inclusive nas judaicas? A ocorrência da pedofilia entre os membros da sinagoga, consegue ser ainda mais “escabrosa” do que  quando acontece na Igreja Católica. Será?

É o que conseguiu constatar o  “The New York Times” numa reportagem esclarecedora e que nos dá uma amostra da dimensão do problema entre os judeus e a praxe das autoridades religiosas judaicas no tratamento da questão e que afirma, entre outras coisas: “Já não é mais tabu processar criminalmente por pedofilia, em Nova York, judeus ultra ortodoxos” segundo o artigo assinado por Paul Vitello.

Eles não sofriam processos por pedofilia, mas isso mudou com o Promotor-Geral Charles J. Hynes. Oito pessoas já estão presas e 18 esperam julgamento.

Havia proibição religiosa de acusação fora do grupo, inclusive sob ameaça de morte. Como era necessária a aprovação do rabino, mas este nunca dava a permissão, e nos tribunais religiosos (a sinagoga) os acusados eram sempre absolvidos, as famílias decidiram recorrer à justiça comum.

Quarenta menores concordaram em testemunhar no tribunal. Alguns blogs, como FailedMessiah e The Unortodox Jew, têm encorajado as vítimas.

Os líderes religiosos estão começando a aceitar a situação, e Hynes tem feito reuniões com grupos ultraconservadores para encorajar as vítimas a se manifestarem. Há 180 mil judeus ultraconservadores em Nova York.

Para David Zwiebel, da Agudath Israel of America: “Há consenso nos últimos anos que muitos desses casos não podem ser decididos dentro da comunidade”. Mas ele acha que devem ser encontradas alternativas para prisão, de forma a não tirar de uma família o que lhe provê o pão, e para encontrar famílias boas que fiquem com as crianças retiradas de suas famílias.

Em 2000, o rabino Baruch Lanner, principal líder carismático da juventude yeshiva e que por mais de 20 anos foi acusado de abusos, foi objeto de uma reportagem reveladora na The Jewish Week que resultou numa pena de sete anos de prisão.

Há programas de rádio que incentivam as vítimas a fazerem acusações, como o de Dov Hikind, da rádio WMCA. Centenas de jovens fizeram acusações.

O pai de um menino de 6 anos que havia sido abusado pelo rabino Kolko foi a Jerusalém pedir permissão a um rabino de alto prestígio para ir à polícia.

A resposta foi: “Vá, porque você não estará cometendo nenhum pecado.”

O artigo completo pode ser encontrado no link abaixo: http://www.nytimes.com/2009/10/14/nyregion/14abuse.html?pagewanted=1&em

Pergunto eu: deveria se creditar os casos de pedofilia entre rabinos à forma de organização da sinagoga? Como avaliar racionalmente um problema crescente entre as autoridades religiosas judaicas se estas não são celibatárias e, ao contrário, obrigadas ao casamento e à procriação diferentemente dos membros do clero católico?

Seria criminoso também o acobertamento dos casos entre judeus e rabinos por parte da sinagoga ou deveria se respeitar uma suposta “autonomia” do judaísmo, não obrigando a denuncia às autoridades civis e  ainda considerar  legítimo o uso de ameaça de morte para evitar escândalos como o praticado pelas autoridades religiosas dos Hasidin em New York?

O problema é de todos e em alguns casos, como demonstrado  pelo artigo do “New York Times”, mais grave ainda do que quando ocorre nos meios católicos, com direito à acobertamento e ameaças, entretanto, dedos acusadores como o seu, só apontam para a Igreja Católica.

Como se pode constatar, sua análise da questão é simplista e tendenciosa e, na verdade, o seu artigo não tem outra intenção a não ser fazer prevalecer sua opinião, diga-se de passagem,  bem anticlerical dos fatos, sobre os fatos propriamente ditos.

Fica desqualificado seu artigo como avaliação referencial  do problema da pedofilia que, como você mesmo reconheceu, é na verdade o problema das relações homossexuais com menores e  no caso do judaísmo, não parece ser menor, ao contrário é tão grande ou maior, proporcionalmente falando quanto ao que ocorre na Igreja Católica envolvendo também centenas de jovens.

Não se pode concluir outra coisa, a partir da  análise dos fatos, a não ser a existência oportunista de uma campanha difamatória contra a Igreja Católica que tem nos profissionais de mídia, com baixo teor de honestidade intelectual, como é o seu caso, seus instrumentos mais eficazes.

Padre Renato Leite, São Paulo

14 agosto, 2008

Ego sum Pastor Bonus III: o testemunho do Pe. Renato Leite

Pe. Renato Leite

Pe. Renato Leite

Caros amigos:

Falo aqui como testemunha:

Temos que reconhecer o mérito de muitos amigos do professor Orlando que por inspiração dele fizeram o quanto puderam para apoiar e estimular o trabalho do IBP no Brasil. A generosidade de alguns foi realmente admirável mas, o discurso de que o apoio dado ao IBP foi em razão de seu combate em favor da Missa Tridentina e da crítica ao Concílio Vaticano II é no mínimo “incompleto” para não dizer “suspeito”.

A casa do IBP situada no bairro do Ipiranga da qual estive à frente por oito meses, foi instituída com uma finalidade específica: “Preparar os alunos do Professor Orlando para ingressarem no seminário do IBP em Courtalain, França”. E obviamente, essa preparação estaria prioritariamente a cargo do professor Orlando que com os amigos, “pagavam todas as contas da casa”, imaginando ter uma espécie de “direito adquirido” para assim proceder no que dizia respeito à formação dos rapazes.

Um fato importante a ser recordado é que a casa do IBP aqui estabelecida não foi uma iniciativa do Instituto mas uma “oferta” do professor Orlando conforme um acordo prévio com o Padre Navas do Chile, então superior do Instituto na América Latina e antigo amigo do professor para que a mesma funcionasse como o descrito acima.

A casa seria um instrumento para o professor Orlando atingir um dos seus mais ousados objetivos: O ter padres sob o seu comando direto. E, para atingí-lo, seria enviado para Courtalain um número cada vez maior de alunos do professor que, ordenados padres, garantiriam a influência e o controle do Instituto do Bom Pastor pelo professor e seus amigos, recordando que o IBP já nasceu Pontifício ou seja “grande” canonicamente falando, com aprovação direta do Papa e portanto “tentador”.

Logo após sua primeira e última visita à casa e em seguida a de dois de seus colaboradores diretos na França, o superior geral do IBP, Padre Laguerie não gostou da ingerência do professor e exigiu que o Padre Navas tomasse as devidas providências estabelecendo como estratégia de ação quanto ao professor, “o homem das idéias estranhas que queria controlar o IBP”, o que segue:

”O vosso dinheiro sim, as vossas idéias não”.

O professor Orlando imediatamente reagiu acusando o Padre Navas de ser o único responsável pela tentativa de afastá-lo da casa rompendo assim com ele. Não muito tempo depois o professor viaja para a Europa e encontra-se com o Padre Laguerie que não querendo perder o “dividendo político eclesiástico” de ter uma casa do Instituto em São Paulo , “”autoriza”” o professor a dar aulas… Aqui inicia-se o “êxodo” de padres e seminaristas que lá moravam, entre eles eu, que enfim nos demos conta da encrenca na qual havíamos nos metido.

Após o “acordo”, é enviado para assumir a direção da casa o Padre Perrel que tinha a missão de concluir o trabalho não terminado pelo Padre Navas, apesar da suposta autorização dada para as aulas pretendidas pelo professor.

Mantidas as coisas conforme as ordens do Padre Laguerie, inicia-se uma “guerra fria” entre o Padre Perrel e o professor Orlando assim definida:

“Já que o professor não pode dar aulas na casa do IBP para o Padre e para os seminaristas, o Padre Perrel não pode dar aulas e formação para os amigos do professor”.

Isso explica a linha de pensamento do Padre no sermão da última missa quando afirmou que:

“Durante esses seis meses no Brasil, tive o sentimento de que para
muitos o sacerdote é somente um distribuidor de sacramentos.

E também:

“É neste ponto que a atitude de alguns está errada pois limitaram o Padre à capela, impedindo-o de ir mais além na sua paternidade espiritual.”

Numa referência clara à crise envolvendo o grupo de amigos do professor em São José dos Campos, ele e o próprio professor poucos dias antes da última missa.

Gostaria de terminar esses esclarecimentos recordando a todos que toda essa confusão deve ser “creditada” nas contas das vaidades de duas pessoas:

Primeiramente na conta do professor Orlando que vive esquecido de que, não importa o que diga ou faça, continua sempre um leigo não tendo autoridade docente na Igreja para submeter sacerdotes e formar seminaristas como pretendia nessa malfadada empreitada junto ao IBP. Tal tarefa está reservada exclusivamente aos bispos membros da Hierarquia da qual ele não faz parte.

Em segundo lugar na conta do Padre Laguerie Superior Geral do IBP que tem autoridade direta sobre os padres e sobre a formação dos seminaristas e que discordando das idéias do professor “desde sempre”, tinha a obrigação moral de deixar isso claro sem “simular” uma autorização que depois se verificou inexistente e que gerou inúmeros transtornos permitindo que o “oportunismo” prevalecesse sobre a franqueza e a sinceridade.

Lamento tudo isso e rogo a Deus Sua Misericórdia de modo particular para aqueles que defendendo a “Bandeira da Fé Católica” acabam por ter na prática, as mesmas atitudes daqueles que dizem combater.

Nos Sagrados Corações de Jesus e Maria SS.

Padre Renato Leite