Posts tagged ‘Permanência’

14 julho, 2017

A  Reforma Litúrgica de Cranmer, de Michael Davies, agora em português.

Por FratresInUnum.com – Recebemos com alegria a notícia da publicação em português do primeiro livro da trilogia Revolução Litúrgica, de Michael Davies (conhecido de nossos leitores – cf. aqui e aqui), um livro que há tempos fazia falta ao leitor de língua portuguesa.

cranmerA Reforma Litúrgica de Cranmer mostra, ao examinar o Prayer Book (Livro de Oração) de Thomas Cranmer, de 1549, a extensão na qual a fé do povo católico pôde ser alterada simplesmente ao se alterar a liturgia. Nas palavras do autor: “A maneira como rezamos reflete e, em grande parte, decide o que cremos. (…) As crenças que fizeram com que os reformadores ingleses repudiassem o catolicismo e estabelecessem em seu lugar uma nova religião são explicadas em detalhe e, na maioria dos casos, com suas próprias palavras. Isso deixa claro que eles entendiam perfeitamente o que a Igreja Católica ensinava em relação a doutrinas tão fundamentais quanto a Eucaristia, e que rejeitaram aquele ensinamento completamente.”

O livro pode ser adquirido pela internet neste link: www.permanencia.org

Nos próximos meses, de acordo com a editora Permanência, serão publicados os dois outros livros da trilogia: O Concílio de João XXIII e A Missa Nova de Paulo VI.

É, sem dúvida, uma excelente forma de “co-memorarmos” (i.e., lembrarmos juntos) os 500 anos da revolta protestante e melhor compreendermos estes tempos singulares em que a Providência quis que vivêssemos.

21 maio, 2010

Lançamento do livro “O pensamento de Dom Antonio de Castro Mayer”, editora Permanência.

A Editora Permanência acaba de lançar o livro “O pensamento de Dom Antonio de Castro Mayer”, uma “coletânea de artigos do Bispo de Campos, defensor da Tradição Católica durante e depois do Concílio Vaticano II, destacou-se pela clareza doutrinária dos seus escritos e por ter conservado a Santa Missa e toda a disciplina tradicional em toda a diocese, até ser destituido por força da idade. Ilustrado com fotos inéditas. 324 páginas”.

A obra custa R$ 35,00 (mais o custo de entrega). Simplesmente indispensável para qualquer católico nestes tempos turbulentos.

7 dezembro, 2008

Fratres in Unum entrevista Dom Lourenço Fleichman, OSB.

Dom Lourenço, primeiramente muito obrigado por nos atender. Por favor, apresente-se aos nossos leitores, assim como a Permanência e sua relação com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Dom Lourenço e seu pai, Dr. Julio Fleichman.Sou filho de Julio Fleichman (1928-2005), que foi Presidente da Permanência entre 1969 e 2003, e principal colaborador de Gustavo Corção. Em 1980 pedi ingresso no mosteiro beneditino do Barroux, França. Fui ordenado padre, pela graça de Deus, por Mons. Marcel Lefebvre, em 1985 e fui obrigado a deixar o meu mosteiro de origem em 1988, devido aos acordos que Dom Gerard Calvet, prior desse mosterio, fez com as autoridades do Vaticano. Em consciência, eu não podia aceitar a traição que significava esse acordo, tanto no que toca a fé, quanto no que toca às obrigações morais, visto que Dom Gerard acatara a exigência de não ter mais contatos com Mons. Lefebvre. Vim para o Mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo, onde estive até 1991. Neste ano, Dom Tomás de Aquino, prior deste mosteiro, pediu-me que cuidasse da Capela São Miguel, na Permanência. Nessa ocasião, a Revista Permanência já tinha parado de ser publicada, mas eu consegui iniciar um trabalho de edição de livros católicos. Paralelamente, em 1992, iniciamos a celebração da missa tradicional em Niterói, que deu origem à Capela N. Sra da Conceição.

É de amplo conhecimento o apoio de Gustavo Corção à causa de Dom Lefebvre, de quem se tornou o maior defensor no Brasil. Entretanto, não se conhece quase nada sobre o relacionamento de Corção com Dom Antonio de Castro Mayer. Qual era a relação entre ambos?

Dom Antônio defendia a Tradição de um modo bem diferente de Mons. Lefebvre. Aquele era bispo diocesano e o silêncio e discrição lhe serviam muito diante da malícia das autoridades; quanto menos agitação fizesse, mais firme seguiria seu combate. Mons. Lefebvre foi levado à mídia internacional devido à exposição do seu seminário Internacional e às perseguições que sofreu a partir de 1974. Não havia porque um jornalista do Rio de Janeiro falar de Dom Antônio se não havia notícias sobre ele na mídia e que este preferia que assim continuasse. Corção conhecia alguma coisa da obra de Dom Antônio, mas não havia um contato freqüente.

O senhor testemunhou de Dom Antonio de Castro Mayer a seguinte frase: “O novo código de direito canônico faz parte das heresias de Vaticano II“. O mesmo bispo disse que “quem adere ao Vaticano II, sem restrição, só por esse fato, desliga-se da verdadeira Igreja de Cristo“. Afinal, o Vaticano II é propriamente herético ou apenas abre brechas aos erros por suas insuficiências e contradições ao Magistério precedente?

Um Concílio Ecumênico não é apenas um pic-nic de bispos, ou uma reunião de estudos. É um ato muito particular do Magistério da Igreja, do Magistério Extraordinário. Visto assim, só pode existir um tipo de Concílio: o Concílio Santo. Qualquer concílio católico, pelo simples fato de ser católico, é santo. A infalibilidade de um Concílio supõe sua catolicidade, ou seja, sua santidade. Ora, as opções que são colocadas na questão já mostram que algo de muito estranho existe nesse Concílio: Herético ou apenas “abre brechas aos erros” e “contraditório”. Qualquer que seja a resposta já nos coloca diante de um concílio que não é santo. Logo, não é verdadeiramente um ato do Magistério Católico. Hoje, mesmo as autoridades da Igreja, já admitem, pelo menos, ambigüidades e contradições com o Magistério anterior. O que falta para eles tirarem as conclusões que eu tiro aqui? Se minha conclusão é verdadeira, porque eles não concluem isso também? Tem-se a impressão que um fator sentimental atua nas cabeças que fizeram Vaticano II não permitindo que eles pensem como teólogos católicos.

Esta questão é relevante especialmente pela disseminação do sedevacantismo pela internet, e, especialmente, pelo Orkut. Duas questões: o que pensar do sedevacantismo e quais são os resultados da campanha da Permanência “Apague o seu Orkut”?

Creio ter escrito dois textos em que falo sobre o sede-vacantismo: um que tem por titulo Sedevacantistas e o segundo que é A Igreja Católica e a Outra. Como as explicações são meio longas, parece-me melhor que os leitores busquem ali o que penso sobre este tema. Quanto ao Orkut, que só se liga ao tema anterior enquanto ferramenta de divulgação, eu recebi cerca de 150 e-mails de pessoas dizendo que apagaram o seu Orkut. Imagino que muitos outros o tenham feito sem nos comunicar. Até hoje aparece alguém entrando na lista. No que toca a relação entre os dois temas, é preciso talvez assinalar que a internet de um modo geral, e em particular o Orkut, causou uma multiplicação de grandes “doutores”, que escrevem sobre tudo e sobre todos, cada qual mais “teólogo” do que o outro, na maioria das vezes sem orientação, sem formação verdadeiramente teológica. Espíritos arrogantes que se colocam como juízes de todos, isentos de erro, escrevendo sem limites, sem critérios, sem sabedoria. O cuidado do Concílio de Trento e de S. Pio X para que a doutrina católica não fosse martelada por falsos valores foi por água abaixo.

Sobre o que esperar para o futuro, Dom Fellay afirmou: “Não esperamos que o Vaticano efetue um grande mea culpa, dizendo coisas do tipo: ‘Promulgamos uma falsa missa’. Não queremos que a autoridade da Igreja seja mais diminuída ainda. Já foi o bastante: agora chega…” (Entrevista à 30Giorni, setembro de 2000). Em sua análise, uma correção às dificuldades apresentadas pelo Concílio e suas reformas é o suficiente ou o senhor advoga uma condenação completa do mesmo?

Havia no Rio de Janeiro um padre espanhol chamado Pe. Emilio Silva. Grande doutor em Direito e em Direito Canônico, catedrático de diversas universidades, autor de vários livros. Num desses livros, chamado Liberdade Religiosa e Estado Católico, esse padre de missa nova, oficial, diocesano, declara que Dignitatis Humanae não é Magistério da Igreja e deve ser condenado por seus erros perniciosos. Bastou um doutor sério analisar a coisa sem sentimentalismos ou má-fé para concluir pela condenação de uma das colunas de Vaticano II. Não creio ser possivel apenas corrigir um concílio que pretendeu instaurar um novo espírito dentro da Igreja. Seu principal erro está aí, no espírito anti-católico que o anima e na práxis que segue esse espírito, independentemente do que está escrito nos seus textos.

Alguns, nestes tempos de crise, costumam-se guiar pela diplomacia. Dom Gérard teria sido o precursor do caminho trilhado hoje por Dom Fernando Rifan?

Quando a Fé está em jogo, não se pode fazer diplomacia. Não sou eu que disputarei para saber a quem dar a coroa de pioneiro. O fato é que todos eles, que fizeram o tal acordo, entraram direitinho nos trilhos que o Vaticano queria para eles. Aceitaram a missa nova na teoria e na prática, defendem com unhas e dentes tudo, absolutamente tudo que o papa e os bispos atuais fazem ou dizem, inclusive a continuação do ecumenismo de João Paulo II. Além disso, todos também voltam suas farpas e dardos contra Mons. Lefebvre e a Fraternidade S. Pio X. Ou seja, existe um espírito que os move, e este espírito não é coisa boa.

E como o senhor vê a atual situação da Administração Apostólica São João Maria Vianney?

Considero uma grande tristeza ver aqueles padres que eu considerava como companheiros de combate aplaudindo Dignitatis Humanae, celebrando a missa nova ou fazendo da missa tradicional uma “feira” bem ao gosto da nova liturgia. Trata-se de uma doença espiritual que leva a alma a abandonar o combate pela fé.

A seu ver, quais aspectos precisam ser resolvidos antes de uma possível regularização canônica da FSSPX?

Se existe uma irregularidade canônica, esta se deve exclusivamente à crise da Igreja, ou seja, na hora em que Roma voltar a ensinar a fé integral com suas conseqüências morais, litúrgicas e canônicas, não haverá mais o que ser regularizado. Tudo entrará nos seus devidos lugares. Eu não tenho porque pensar de modo diferente de Dom Fellay, até mesmo porque não sou membro da Fraternidade S. Pio X e não me cabe dizer para onde o Superior Geral deve caminhar. Este pediu ao papa, como sinal de boa vontade e como condição para uma discussão doutrinária, a liberação da missa para todos os padres do mundo e o levantar das excomunhões inválidas de 1988. Uma vez isso feito, não significa que a regularização canônica se fará, mas sim que a Fraternidade poderá discutir com Roma as diferenças doutrinárias que nos separam. Mas as autoridades não estão muito inclinadas a esse tipo de discussão.

Em nossa realidade há uma desconfiança com relação à autoridade eclesiástica em razão de sofrimentos que suportamos no passado e ainda hoje. E para superar essa desconfiança, a revogação da chamada excomunhão seria uma solução muito oportuna…” (Dom Bernard Fellay em entrevista à Revista 30giorni, Setembro de 2005). A FSSPX pretende entregar ao Santo Padre um novo buquê de um milhão de terços pela retirada do decreto de excomunhão lançado contra seus bispos. Qual a importância desta medida?

Dom Lourenço Fleichman conta, em estilo acessivel e com base em documentação farta, os detalhes das negociações entre o Vaticano e Mons. Marcel Lefebvre...Me parece importante ter em mente os dois lados da questão: como ficou provado pela tese de doutorado do Pe. Gerald Murray, de Nova York, a excomunhão de 1988 é nula, ou seja, juridicamente sem efeito. Por outro lado, a campanha de difamação mundial que repete sem cessar que os fiéis e padres da Fraternidade seriam cismáticos e excomungados causa um prejuízo grave à verdade e à justiça. Daí a importância dessa revogação para o bem da Igreja.

Por outro lado, quando o papa levantar as excomunhões, a Fraternidade estará mais disposta a pedir uma discussão doutrinária. É importante mostrar às autoridades a fé que nos anima. Fé católica, sobrenatural, marcada pela piedade e pela humildade. É importante rezar nesta intenção para que o Papa aceite uma conversa de alto nível teológico, onde a Tradição poderá defender o Tesouro da Igreja mostrando as contradições de um concílio que, até aqui, só serviu para dividir, favorecer os inimigos da Igreja e diminuir a fé nos corações.