Posts tagged ‘Pró-Vida’

19 dezembro, 2017

“Não seguiremos os pastores que se encontram no erro.” Manifesto de resistência dos pró-vida ao papa Bergoglio.

Por Emmanuele Barbieri[1], Corrispondenza romana, 13 de dezembro de 2017. Tradução: André Sampaio | FratresInUnum.com[2] – Nos mesmos dias em que o papa Francisco atribui valor magisterial[3] à declaração dos bispos argentinos em favor dos divorciados recasados[4], 37 movimentos pró-vida e pró-família de treze diferentes nações vêm a campo com uma histórica declaração de separação dos erros do papa Bergoglio.

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“Se existe conflito entre as palavras e os atos de qualquer membro da hierarquia, até mesmo do papa, e a doutrina que a Igreja sempre ensinou, permanecemos fiéis ao ensino perene da Igreja. Se abandonássemos a fé católica, nós nos separaríamos de Jesus Cristo, a quem queremos estar unidos por toda a eternidade.” É este o ponto básico da Promessa de fidelidade ao ensinamento autêntico da Igreja, difundida no site http://www.fidelitypledge.com[5], sob o título “Fiéis à verdadeira doutrina, e não aos pastores que se encontram no erro”, para expressar a resistência dos líderes dos principais movimentos internacionais pró-vida e pró-família frente às palavras e aos atos de muitos pastores, inclusive do próprio papa Francisco, que contradizem o ensino da Igreja. Um dos signatários mais conhecidos, John-Henry Westen, cofundador e diretor do LifeSiteNews[6], o maior portal internacional de defesa da vida e da família, declarou: “Hoje, mesmo em algumas fiéis fortalezas católicas, preocupações acerca do aquecimento global têm tido precedência sobre o holocausto de crianças no útero materno; o desemprego juvenil tem tido primazia sobre a ameaça que pende sobre a alma dos nossos filhos pelo desvio sexual; e a imigração tem sido sobreposta à evangelização. A confusão deve terminar, e é chegado realmente o momento de traçar uma linha fronteiriça sobre a areia”.

Outro notável signatário, John Smeaton, diretor da Society for the Protection of the Unborn Children (SPUC), que é a mais antiga organização pró-vida do mundo, declarou, por sua vez: “A fé católica foi, para muitos dos nossos apoiadores, a fonte de sua clareza acerca do valor de cada vida humana e do consequente dever de proteger todas as crianças não nascidas, sem exceção. A propagação da negação dos absolutos morais em toda a Igreja tem o potencial de destruir tudo aquilo que o movimento pela vida fez nos últimos 50 anos: o front deslocou-se, dos campos de batalha políticos nacionais e de instituições internacionais como a ONU, para o coração da Igreja Católica. Nos últimos dois anos, o papa Francisco e as autoridades vaticanas cederam à “cultura de morte”, apoiando os objetivos de desenvolvimento sustentável pró-aborto das Nações Unidas[7] e promovendo a agenda do lobby internacional pró-educação sexual através da Amoris laetitia[8] e do programa pornográfico de educação sexual elaborado pelo Pontifício Conselho para a Família[9]. Tudo isso tem um efeito direto sobre crianças reais e famílias reais”. “Devemos incessantemente pedir aos nossos sacerdotes e bispos que ensinem a inteireza da doutrina da Igreja e não colaborem, nem por um momento, para a propagação dos erros que tragicamente vêm sendo difundidos por Sua Santidade, o papa Francisco, e por muitos outros membros anciãos da hierarquia. Se não sairmos para assumir esse posicionamento, falharemos no nosso dever para com as crianças frágeis e vulneráveis por cuja proteção estamos empenhados.”

Outras históricas associações aderem à Promessa de fidelidade. Entre elas, estão: SOS Tout-Petits, cujo fundador, o médico Xavier Dor, foi preso onze vezes por se ter manifestado contra o aborto; a Alianza Latinoamericana para la Familia, de Christine de Marcellus Vollmer; e a Family of the Americas, de Mercedes Arzú Wilson. Tanto Christine Vollmer quanto Mercedes Wilson serviram por anos na delegação da Santa Sé junto à ONU e foram chamadas por João Paulo II a fazer parte da Pontifícia Academia para a Vida, da qual foram “licenciadas” em 2016 juntamente com outros ilustres membros[10], tais como Philippe Schepens, fundador da World Federation of Doctors Who Respect Human Life, e Thomas Ward, presidente da National Association of Catholic Families, os quais também assinaram a declaração em nome de suas associações. Vai depois citada a importante presença de Judie Brownpresidente da American Life League, a mais antiga organização pró-vida dos Estados Unidos, e, entre os muitos signatários daquele país, o produtor do filme pró-vida Bella[11], Jason  Jones, fundador do I Am Whole Life. Outras duas destemidas combatentes na defesa da vida e da família que assinaram o documento são: da Nova Zelândia, Coleen Bayer (Family Life International), e, da Romênia, a Dr.ª Anca Maria Cernea, representante da conferência episcopal de seu país durante o Sínodo sobre a Família de 2015 (Ioan Barbus Foundation). Na Alemanha, adere Mathias von Gersdorf, da popular Aktion Kinder in Gefahr, e, na França, Guillaume de Thieulloy, diretor do muito difundido blog Salon BeigeBernard Antony (Chrétienté-Solidarité), François Legrier (Mouvement Catholique des Familles), Jean-Pierre Maugendre (Renaissance Catholique), Yves Tillard (Action Familiale et Scolaire). Na Itália, além da associação Famiglia Domani, fundada há 30 anos pelo marquês Luigi Coda Nunziante, há a Fondazione Lepanto (Roberto de Mattei), Federvita Piemonte (Marisa Orecchia), Il Cammino dei Tre Sentieri (Corrado Gnerre), Ora et Labora in difesa della Vita (Giorgio Celsi), Famiglie Numerose Cattoliche (Vittorio Lodolo d’Oria), Voglio Vivere (Samuele Maniscalco), SOS Ragazzi (Diego Zoia).

A Promessa de fidelidade enumera uma série de declarações e ações de pastores da Igreja sobre temas como contracepção, homossexualidade, divórcio e ideologia de gênero que “causaram danos imensuráveis à família e aos seus membros mais vulneráveis”, e afirma: “Nos últimos cinquenta anos – se lê –, o movimento pró-vida e pró-família cresceu em dimensão e escopo para fazer frente a esses graves males, que ameaçam tanto o bem temporal quanto o bem eterno da humanidade. O nosso movimento reúne homens e mulheres de boa vontade provenientes de uma grande variedade de âmbitos religiosos. Estamos todos unidos na defesa da vida e dos nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis, por meio da obediência à lei natural, impressa em todos os nossos corações (cf. Rm 2, 15). Por outro lado, nesta última metade de século, o movimento pró-vida e pró-família se confiou de modo particular ao ensinamento imutável da Igreja Católica, que afirma a lei moral com a máxima clareza. É, então, com profunda dor que nos últimos anos temos constatado que a clareza doutrinal e moral relativa a questões ligadas à tutela da vida humana e da família tem sido, cada vez mais, substituída por doutrinas ambíguas e até mesmo diretamente contrárias ao ensinamento de Cristo e aos preceitos da lei natural”.

“Como líderes católicos pró-vida e pró-família – continua o documento – declaramos a nossa completa obediência à hierarquia da Igreja Católica no legítimo exercício de sua autoridade. Todavia, nada poderá, jamais, convencer-nos ou obrigar-nos a abandonar ou contradizer qualquer artigo da fé e da moral católica. Se existe conflito entre as palavras e os atos de qualquer membro da hierarquia, até mesmo do papa, e a doutrina que a Igreja sempre ensinou, permanecemos fiéis ao ensino perene da Igreja. Se abandonássemos a fé católica, nós nos separaríamos de Jesus Cristo, a quem queremos estar unidos por toda a eternidade. Nós, subscritos, prometemos que continuaremos a ensinar e propagar os princípios morais supracitados e todos os outros ensinamentos autênticos da Igreja e que nunca, por razão nenhuma, nos afastaremos disso.”

A Promessa de fidelidade, que se situa na linha da Filial súplica[12] de setembro de 2015 e da Correctio filialis[13] de setembro de 2017, se destaca pelo número e pela posição dos signatários, aos quais se reportam centenas de milhares de militantes pró-vida e pró-família em todo o mundo. Ignorar-lhes a mensagem seria um grave erro da parte da Santa Sé.

[1] https://www.corrispondenzaromana.it/non-seguiremo-pastori-sbagliano-manifesto-resistenza-dei-pro-life-papa-bergoglio/

[2] https://fratresinunum.com/

[3] https://rorate-caeli.blogspot.com/2017/12/pope-francis-promulgates-buenos-aires.html

[4] https://fratresinunum.com/2016/09/12/surge-carta-do-papa-dando-a-impressao-de-apoiar-a-comunhao-para-divorciados-recasados/

[5] https://www.fidelitypledge.com/

[6] https://www.lifesitenews.com/

[7] http://voiceofthefamily.com/in-depth-analysis-papal-support-for-un-2030-agenda-poses-immediate-threat-to-lives-of-children/

[8] http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html

[9] https://www.lifesitenews.com/opinion/exclusive-the-new-threat-to-catholic-youth-the-meeting-point

[10] http://magister.blogautore.espresso.repubblica.it/2017/06/13/nome-per-nome-la-metamorfosi-della-pontificia-accademia-per-la-vita/

[11] http://www.bellamoviesite.com/

[12] http://filialsuplica.org/

[13] http://www.correctiofilialis.org/pt-pt/

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9 agosto, 2016

Câmara dos Deputados promove encontro com Associação Nacional Pró-vida e Pró-família.

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A Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados, realiza, com a Associação Nacional Pró -Vida e Pró-Família quarta-feira, 10 de agosto, o Seminário em Defesa da Vida e da Família ( com o tema “Afirmar a cultura da Vida e o valor da família”), com apoio do Deputado Diego Garcia (PHS-PR), que foi o relator do Estatuto da Família, aprovado pela Câmara, no ano passado.

O evento contará com a participação de especialistas na área de vida e família, que há anos acompanham as proposituras no Congresso Nacional, subsidiando parlamentares com informações atualizadas que favoreçam políticas públicas de valorização e promoção da família.

Para o Prof. Hermes Rodrigues Nery, Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e especialista em Bioética, a batalha pela defesa da vida e da família se tornou mais intensa, tendo em vista a ação de forças políticas, econômicas e culturais que, há décadas se voltam contra a família, forças estas representadas por fundações internacionais, que buscam disseminar uma cultura contrária à lei natural, explicitada, por exemplo, pela agenda de gênero, tema esse que será abordado pelo especialista argentino Dr. Jorge Scala.

Recentemente a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família divulgou uma petição pública pela Citizen Go requerendo a destituição da Profa. Flávia Pievisan, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, fato esse que será tema da abordagem do Prof. Hermes Nery: “O Direito à Vida, primeiro e principal de todos os direitos humanos”.

Um dos focos de atuação da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família é evitar a legalização do aborto no Brasil. A Dra. Elizabeth Kippman, que também é especialista em Bioética, falará da questão do aborto no contexto internacional.

Participarão também do encontro, parlamentares da Frente em Defesa da Vida e da Família, o bispo-auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto, Dr. Paulo Fernando Melo Costa, Dra. Lenise Garcia, Tiba Camargo (da Comunidade Canção Nova), Mariângela Consoli de Oliveira (Presidente da Associação Guadalupe), Dr. Ubatan Loureiro, Liliane Vieira, o casal Marco e Susy Gomes (especialistas em planejamento familiar natural, da Arquidiocese de Brasília, Adrian Paz, de Belo Horizonte, dentre outros.
O evento é gratuito e ocorrerá no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, dia 10 de agosto,  das 9h às 18h.

Mais informações aqui.

26 setembro, 2015

Saudade e gratidão.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

A melhor homenagem que podemos fazer ao querido amigo Prof. Humberto Leal Vieira é manter a sua obra viva, e o seu maior desejo de ver todos os grupos pró-vida e pró-família unidos no espírito do Evangelho da Vida.

Prof. Hermes Nery homenageia Prof. Humberto Vieira no congresso internacional em defesa da vida, em Aparecida (SP), em 2008.

Prof. Hermes Nery homenageia Prof. Humberto Vieira no congresso internacional em defesa da vida, em Aparecida (SP), em 2008.

Os amigos são como estrelas que fulguram em nossa vida, suporte imprescindível para o cumprimento da vocação e missão de todos nós, que é estarmos com Deus. A amizade comprova essa proximidade com o Criador da vida, que nos fez todos irmãos. Em todos esses anos de militância na defesa da vida e da família, podíamos recorrer ao Prof. Humberto Leal Vieira, não apenas por saber tanto, conhecer a fundo tantas coisas [seu lema era “informar, informar, informar”], mas porque aliava o conhecimento à caridade, ao gesto concreto da bonomia, de amor ao próximo, de paternidade. Um gentleman, de nobreza de alma, que o tornava um católico exemplar. Muitas vezes visitamos juntos os gabinetes dos parlamentares, no Congresso Nacional, e ele sempre abordava as pessoas com verdade e caridade. Mas um gentleman que não transigia com o erro, nem com a dissimulação, porque quando dizia, era fala direta, o seu sim era sim, o não era não, e convencia pelo ardor com que defendeu a verdade.

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22 setembro, 2015

Faleceu o Prof. Humberto Leal Vieira.

“Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé.” (II Tim 4, 7)

Humberto e sua esposa em audiência com o papa João Paulo II, que o nomeou Membro vitalício da Pontifícia Academia para a Vida, em 1993.

Humberto e sua esposa em audiência com o papa João Paulo II, que o nomeou Membro vitalício da Pontifícia Academia para a Vida, em 1993.

Recebemos com pesar a notícia de falecimento, ontem (21), do Prof. Humberto Leal Vieira, fundador da  Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família (a maior organização católica pró-vida do Brasil), membro vitalício da Pontifícia Academia pela vida e representante da organização pró-vida americana Human Life International.

Casado, pai de 8 filhos, avô e bisavô, durante mais de 20 anos, Humberto dedicou-se à defesa da vida humana e da família, e o fez com grade amor e bravura. Além da publicação e distribuição de livros, folhetos e outros materiais pró-vida de cunho científico e religioso, Humberto trabalhou incansavelmente para aproximar pró-vidas brasileiros e estrangeiros. Seu desejo era o de união entre todas as pessoas que acreditassem na inviolabilidade da vida humana para fazer frente aos projetos de lei que cada vez mais ameaçam a vida humana e a família. Igualmente incansáveis foram seus esforços para arregimentar sacerdotes, bispos e até cardeais para se engajarem na causa pró-vida e criarem comissões em defesa da vida em suas próprias dioceses. Sob sua direção, a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família organizou vários congressos nacionais e internacionais para treinamento e aprofundamento nas questões relacionadas à vida e à família, sempre à luz da doutrina católica.

bebeUm dos muitos materiais distribuídos pela Associação Nacional Pró-vida e Pró-Família é o “bebezinho nascituro”. Esse bonequinho, feito em plástico ou resina, mostra, em proporções reais, como é um bebê nascituro com 12 semanas de gestação. Muitas pessoas ao receberem esse bonequinho com o folheto explicativo sobre o desenvolvimento fetal mudam de ideia ao perceberem que um bebê nascituro não é exatamente um “amontoado de células”, como os defensores do aborto habitualmente descrevem. Na Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, milhares de bebezinhos nascituros foram colocados nas mochilas dos participantes.

Uma homenagem de 2011 ao Prof. Humberto Leal Vieira prestada por pró-vidas de longa data pode ser vista aqui.

Requiescat in pace.

23 fevereiro, 2009

Conferência Pró-Vida sobre os Critérios de “Morte Cerebral” terá dificuldades para desintrincheirar a Posição do Vaticano.

Prezados leitores,

Devido à crescente onda de incentivo à doação de órgãos vitais, achamos por oportuno publicar o texto abaixo sobre uma importante conferência que teve início na segunda-feira passada em Roma. Certamente, o desejo de doar órgãos em geral surge do desejo de praticar a caridade. No entanto, preocupa-nos o silêncio dos meios de comunicação e até por parte de algumas entidades vinculadas à Igreja Católica quanto aos aspectos morais que envolvem a doação de órgãos vitais de doadores que tiveram sua morte cerebral declarada. Como se sabe, alguns órgãos vitais só podem ser retirados e utilizados em transplantes se ainda houver sinais cardio-respiratórios de seus doadores. Preocupa-nos, sobretudo, que a aceitação desse conceito, hoje em dia rejeitado por um número significativo de cientistas especializados no assunto e nunca oficialmente confirmado pela Igreja Católica, gere uma pressão cada vez maior para que pessoas bem-intencionadas autorizem a retirada de órgãos vitais de seus parentes assim que os mesmos forem declarados como cerebralmente mortos.

 

Para maiores informações, recomendamos nossa publicação anterior sobre o assunto.

 

 

Conferência Pró-Vida sobre os Critérios de “Morte Cerebral” terá dificuldades para desintrincheirar a Posição do Vaticano

 

Por Hilary White

 

Link para o original.ROMA, 16 de fevereiro de 2009 (LifeSiteNews.com) – Uma conferência marcada para ocorrer em Roma esta semana sobre “morte cerebral” busca esclarecer a posição da Igreja Católica quanto à remoção de órgãos vitais de pacientes.

 

Em novembro de 2008, uma conferência de alto nível sobre transplantes de órgãos, realizada em um dos mais proeminentes salões de conferências de Roma, a poucos passos da Basílica de São Pedro e patrocinada pela Academia Pontifícia para a Vida, causou clamor ao deixar de abordar os problemas éticos dos critérios de “morte cerebral”.

 

Centenas de cartas e apelos enviados de pró-vidas do mundo inteiro para a Academia Pontifícia para a Vida ficaram sem resposta e a conferência seguiu em frente sem nenhuma menção a qualquer controvérsia sobre a utilização desses e outros critérios que permitem a retirada de órgãos de pacientes vivos.

 

No entanto, o Papa Bento XVI, em seu discurso para a conferência, advertiu que o transplante de órgãos pode ser uma fonte de abusos da “dignidade humana.”

 

“O principal critério,” disse o Papa, deve ser “respeito à vida do doador, a fim de que a retirada de órgãos seja permitida somente na presença de seu óbito real.”

 

Entretanto, imediatamente após a publicação do discurso do Papa, o sítio do Vaticano na Internet postou artigos defendendo o uso dos critérios de morte cerebral na determinação de morte para fins de transplantes de órgãos.

 

No início de setembro, quando as notícias da conferência sobre doadores de órgãos estavam começando a circular pela comunidade pró-vida, o L’Osservatore Romano saiu na frente e publicou um artigo de Lucetta Scaraffia, um professor de história contemporânea na Universidade de Roma La Sapienza, descrevendo os perigos dos critérios de morte cerebral.

 

Em resposta, o diretor do Escritório de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, esquivou-se da posição tomada no artigo, dizendo que a mesma “não é um ato do magistério da Igreja nem um documento de um órgão pontifício,” e que as reflexões expressas no documento “devem ser atribuídas ao autor do texto e não são vinculantes para a Santa Sé.”

 

A conferência desta semana tem uma grande tarefa pela frente para convencer o Vaticano a mudar o rumo em seu apoio dos critérios de morte cerebral. Em 1985, uma declaração da Academia Pontifícia de Ciências apoiou o uso de “coma irreversível” como critério legítimo para a definição de morte para a retirada de órgãos. Essa posição foi reiterada em 1989 com uma outra declaração da mesma academia, reforçada pelo discurso de João Paulo II para um congresso mundial da Sociedade de Transplantes em 29 de agosto de 2000.

 

O vaticanista Sandro Magister escreveu o seguinte em setembro: “dessa maneira, a Igreja Católica de fato legitimou a retirada de órgãos conforme praticado hoje em dia nas pessoas ao final da vida por causa de doença ou lesão: com o doador dado como morto após a ocorrência de um “coma irreversível”, mesmo se o paciente ainda estiver respirando e seu coração ainda estiver batendo.”

 

Magister citou Francesco D’Agostino, um professor de filosofia do direito e presidente emérito do comitê italiano de bioética, e membro do “campo eclesial” dizendo “a tese de Lucetta Scaraffia está presente na esfera científica, mas ela é distintamente a minoria.”

 

O Dr. Paul Byrne é um dos organizadores da conferência desta semana e forneceu antecipadamente a LifeSiteNews.com uma cópia de sua apresentação. Ele pretende argumentar o caso de que a utilização dos critérios de “morte cerebral” resulta na retirada de órgãos de pacientes vivos e equivale a assassinato. (Para saber mais sobre a sua apresentação veja: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/feb/09021608.html)

 

 

O reconhecimento à dignidade ímpar da pessoa humana tem uma conseqüência adicional subjacente: órgãos vitais únicos somente podem ser removidos após a morte, ou seja, do corpo de alguém que está, sem qualquer dúvida, morto. Essa exigência é auto-explicativa, pois agir de outro modo significaria causar intencionalmente a morte do doador ao dispor de seus órgãos.” […] “Em relação aos parâmetros hoje utilizados para verificação da morte – se os sinais “encefálicos” ou os sinais cardio-respiratórios mais tradicionais – a Igreja não toma decisões técnicas.” – Leia a íntegra do discurso do Papa João Paulo II aos participantes do XVIII Congresso Internacional de Transplantes, em 29 de agosto de 2000, em Roma, aqui.