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8 janeiro, 2013

Pontifícia e Católica?

Por Francisco Panmolle

Nota do Arcebispo de Curitiba e do Reitor da PUC-PR.

Algumas obras nascem com boas finalidades. Outras, ao longo do caminho, vão decidindo para qual lado pendem. Da mesma forma, existem aquelas que nascem com más intenções. A Pontifícia Universidade Católica do Paraná enquadra-se na primeira definição. Acreditamos na boa intenção de Dom Manoel da Silveira D’Elboux, em 1959, ao criar uma instituição que, promovendo o diálogo entre ciência e fé, não deixasse obliterado o caráter católico do ensino ofertado à sociedade. Com certeza, no coração do falecido bispo, havia a alegria de procurar a verdade e, descobrindo-a, comunicá-la a todos os campos do conhecimento, como pensava Santo Agostinho.

Também acreditamos nas intenções dos sucessivos arcebispos que, cientes do fato de que a Universidade Católica nasceu do coração da Igreja, zelaram para que a PUC-PR desse verdadeiro testemunho de sua identidade, não apenas através de sinais teóricos, mas sobretudo pelas ações concretas, pelo verdadeiro “Sentire cum Ecclesia”. A Universidade cresceu, se expandiu, e junto de todos os progressos feitos para os olhos do mundo, permitiu que também nela, como foi dito por Paulo VI, a fumaça de Satanás adentrasse por uma fresta.

Muitíssimos são os males que se abatem sobre a Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Não precisamos ficar aqui dissertando sobre todos eles, pois trariam maiores escândalos ao simples povo de Deus, que ainda acredita nas boas intenções desta universidade (será?). As lágrimas de Cristo, derramadas diante de Jerusalém, também banham hoje a PUC-PR, pois é triste ver que nesta instituição, atualmente, tudo é permitido e tudo acontece, até mesmo ofender o Filho de Deus e o cristianismo. Somente a Verdade é deixada de lado, barrada nos portões verdes desta distinta casa do saber.

Um fato que exteriorizou a crise vivente na PUC-PR foi quando um seu professor de filosofia declarou, explicitamente, em sala de aula: “A Eucaristia é uma droga lícita, um baseado, que o padre passa de mão em mão”. A impunidade da PUC-PR, com relação a esse episódio, foi uma forma de autorização velada para qualquer outra manifestação contrária ou ofensiva à fé por parte de seu corpo docente. Afinal, se é permitido a alguém declinar blasfêmias em sala de aula e, mesmo assim, não ser sequer repreendido pela instituição, qualquer outro professor poderá dizer o que quiser, mesmo que suas palavras e ideias atinjam o núcleo central da doutrina cristã.

A omissão do Arcebispo e do Reitor, que nada fizeram além de publicar uma nota ambígua e inerte (clique na acima ao lado para ampliá-la), atacando quem denunciou os fatos, mas não quem os perpetrou, é realmente decepcionante. A Igreja confia aos bispos e aos reitores das universidades católicas a guarda da doutrina católica e a defesa da fé no ambiente acadêmico. Todavia, a PUC-PR insiste em caminhar na contra-mão.

Repercussão internacional – GloriaTV News aborda caso da PUCPR.

A permissão para publicar livros, pela editora da Universidade, com declaradas afirmações em defesa do niilismo e do ateísmo, como aqui já foi denunciado, é outro exemplo da omissão e da conivência desta universidade com uma posição que desobedece e desconsidera o que ensina a Igreja.

A nomeção de dirigentes de entidades espíritas para cargos da reitoria é também uma forma explícita de negligenciar o que a Igreja pede às universidades católicas em termos de compromisso com uma “presença cristã no ambiente universitário”, como afirma a constituição apostólica Ex Corde Ecclesiae.

Diante de tais fatos, pode-se concluir que os livros que o reitor assina, tratando de temas religiosos e espirituais, não passam de maquiagem para uma estrutura e uma posição administrativa covarde e inócua. Melhor que nada escrevesse, pelo menos não daria mal testemunho e nem seria acusado de hipocrisia.

A reação violenta da direção do curso de filosofia da PUC-PR, ameaçando os alunos, chamando de terroristas e nazistas aos autores de tais denúncias, assim como colocando-se em defesa do professor blasfemo, mostra precisamente como a entidade pouco se importa com a retidão de doutrina daqueles que nomeia para os cargos de direção. A justificativa para tudo isso, da parte da PUC-PR, é a liberdade de expressão e de cátedra que concede, de olhos fechados, a seus professores. Grave confusão entre liberdade de expressão e desrespeito à tradição e à mensagem cristã.

Onde está a vigilância da reitoria sobre seus professores? Para um reitor que é religioso, da ordem dos Padres Maristas, é ainda mais estranho que não se manifeste de forma a defender os valores da fé. Onde estão os superiores dos Maristas que não veem tal situação? Onde está o arcebispo de Curitiba que não toma medidas? Onde estão a Nunciatura e a Congregação para a Educação Católica que não se manifestam nem dão respostas claras à comunidade católica diante de lamentáveis fatos? Onde está a CNBB que nem toca no assunto?

Apesar de tudo isso, de toda a perseguição escondida e também explicita, novas surpresas surgem. Recentemente foi demitido da PUC-PR um professor do departamento de filosofia. Talvez um dos poucos, senão o único, que prezava pela retidão da doutrina da fé e que zelava, com amor e veracidade, pela identidade católica da instituição. O professor Paulo Eduardo de Oliveira foi demitido pelo vice-reitor, sem explicação alguma do senhor reitor, com quem trabalhou diretamente por 12 anos. Talvez o referido professor tenha aberto demais a boca, pensando que a busca da verdade não fosse mero discurso. Após tudo isso, percebemos que o tal papo de que a instituição preza os valores éticos, cristãos e maristas não passa de falácias marqueteiras. Professores ateus e que professam que “a Eucaristia é um baseado, droga lícita” continuam fazendo parte da Pontifícia Universidade Católica, abençoados pelo reitor e por Satanás, que se apoderou da instituição. Pontifícia e Católica? Só na fachada. Resta a vergonha.

* * *

Repercussão do artigo “O alarmante estado da PUC-PR” publicado em Fratres in Unum.com em outubro de 2012:

18 outubro, 2012

O alarmante estado da PUCPR.

Por Um Seminarista aluno da PUCPR

Manipulado: cartaz de divulgação de evento (à esquerda) retira as cruzes das ínfulas no brasão da PUCPR. À direita, o original, com as cruzes.

Manipulado: cartaz de divulgação de evento (à esquerda) retira as cruzes das ínfulas no brasão da PUCPR. À direita, o original, com as cruzes.

Não é de hoje que a PUCPR tem chamado a atenção da sociedade com seus desvios doutrinários. Quem não se lembra do Congresso de Teologia promovido pela instituição que contaria com a presença da ilustríssima senhora religiosa, Ivone Gebara, defensora do aborto?

Apesar das supostas repreensões que teria recebido naquela ocasião, a Universidade demonstra que nada aprendeu com aquele episódio, e continua caminhando pelas mesmas veredas tortuosas do vício relativista. Os acontecimentos recentes demonstram, mais do que nunca, o desinteresse da instituição, Pontifícia e Católica, para com a Igreja e sua Doutrina.

Não é possível permanecer calado diante de tudo o que está acontecendo. O Católico que tem consciência de sua missão sente profundamente, e precisa manifestar-se, profeticamente. A situação mais recente é a seguinte:

Há um professor do Curso de Filosofia, Sr. Francisco Verardi Bocca, ateu declarado e militante do ateísmo freudiano. Nas aulas passadas, ocorreu um fato lamentável, que está gerando revolta por parte dos alunos, religiosos e leigos, da PUCPR. Este professor, em sala de aula, na turma do 3° ano, disse:

“A Eucaristía é um baseado, que o padre vai passando de mão em mão… É uma droga lícita…”

Isso é simplesmente blasfêmia! É inadmissível que um professor de uma Universidade Católica e Pontifícia diga isso abertamente em sala de aula e a instituição não faça nada. Tal fato foi denunciado à direção do curso, à reitoria e ao arcebispado, contudo, nenhuma atitude foi tomada.

No ano passado, este mesmo professor levou os alunos a um auditório e passou um filme em que aparecia uma cena de uma mulher nua, como se estivesse dando à luz, numa expressão de gozo (no sentido sexual atribuído por Freud). O dito professor disse aos alunos:

“Este mesmo gozo é o gozo da Pietá, ao ter o filho morto em seus braços”.

Muitas outras são as piadas difamatórias e os comentários blasfemos, seja sobre Jesus Cristo, a Santíssima Virgem, e também o Santo Padre o Papa, quando disse:

“Esse Papa é tão ruim, que nem Deus gosta dele. Até se esqueceu dele, porque foi escolhido para ficar só alguns dias e está aí, há tantos anos…”

Para comprovar a veracidade destas blasfêmias, basta perguntar a qualquer aluno do Curso de Filosofia.

E o que dizer disso? Com razão os alunos ficam indignados. E onde fica a coerência das palavras do Reitor com a realidade em sala de aula? E as orientações da Igreja, para que servem?

Onde fica a Ex Corde Ecclesiae? E o Código de Direito Canônico, que no Cân. 810 contundentemente afirma:

“A autoridade, que seja competente segundo os estatutos, tem o dever de providenciar para que nas universidades católicas sejam nomeados docentes que, além da idoneidade científica e pedagógica, se distingam pela integridade da doutrina e pela probidade de vida, de forma que, se faltarem estes requisitos, e observado o processo estabelecido nos estatutos, sejam removidos do cargo“.

É importante salientar que, como o curso de Filosofia é requisito para o sacerdócio, mais de 10 congregações religiosas confiam seus formandos a essa instituição. E sabem quais são os maiores grupos de estudos do Curso, que a Universidade financia? Sobre Nietzsche e Freud!

Prova disso é o Livro Ética: abordagens e perspectivas (Ed. Champagnat [editora oficial da PUCPR], publicado em 2010). E já está na 2ª edição. Este livro tem afirmações que simplesmente estão na contra-mão de todo discurso evangelizador da Universidade Católica. Entre tais afirmações, por exemplo, pode-ser ler logo na introdução (assinada pelo organizador da obra, o professor Cesar Candiotto, do Curso de Filosofia):

“Se nos ativermos aos princípios que orientam nossas ações morais na atualidade, observaremos que eles estão diretamente relacionados à época moderna, quando começou a derrocada do poder político e religioso medieval” (p. 15).

E continua seu texto, numa declarada apologia ao niilismo:

“Daí a importância do niilismo, que designa tanto a desconstrução genealógica daqueles valores historicamente perenizados e naturalizados, como também a abertura de um vazio a partir do qual novos valores possam ser criados” (p. 20).

Pode-se ler, ainda, no capítulo assinado pelo professor Jorge L. Viesenteiner, do Curso de Filosofia:

“O século XIX é marcado pela falência generalizada das principais narrativas teóricas que sustentam a cultura ocidental (…) No caso da ética, esse colapso é percebido principalmente através do esvaziamento de significado das perspectivas e valorações morais que foram cultivadas ao longo dos séculos (…) [que culminou na] gradual supressão de um fundamento religioso que garantia a retidão humana”  (p. 89).

Resta ao homem, afirma o autor, “o esvaziamento da vida num mundo sem significado” (p. 93). Depois de parágrafos de apologia a Nietzsche, o autor continua: “O diagnóstico do colapso dos valores morais, o niilismo, é de tal modo grandioso que a incompreensão dos homens em relação a esse evento” (p. 99) é um dos destaques da filosofia de Nietzsche. Sem receio algum, o autor faz um convite explícito a que todos nós adotemos o niilismo como uma atitude ética:

“É certo que ainda não somos capazes de compreender a real dimensão dessa crise, pois somos demasiado covardes para realizar uma profunda incursão pelo outro de nós mesmos e do mundo. Talvez, após essa incursão pelos rincões mais longínquos da alma humana, possamos experimentar em nós o frio do vazio que é sentido após o reconhecimento de uma vida sem qualquer valor, lançada num mundo sem significado algum” (p. 100).

E ainda afirma: “Nesse paulatino avanço, os valores cultivados pela tradição cristã no Ocidente vão retirando uma conclusão após outra, até culminar no derradeiro juízo sobre si mesma, vale dizer, que seus valores se esvaziaram” (p. 100). Por essa razão, são suas últimas palavras, “precisamos, doravante, de novos valores” (p. 100).

No capítulo redigido pelo atual Diretor do Curso de Filosofia, Jelson Roberto de Oliveira, pode-se ler uma passagem de explícita desvalorização da ética cristã e de crítica à própria mensagem evangélica:

“Assim, os adágios éticos demonstram os limites da ética tradicional e a sua insuficiência para a conjuntura do mundo contemporâneo. Hans Jonas aponta, por exemplo, os limites de imperativos como ‘ama o teu próximo como a ti mesmo’, ‘faze aos outros o que gostarias que eles fizessem a ti” (p. 192).

A crítica aberta à mensagem cristã continua nas páginas daquele livro. O professor Francisco Bocca, já citado, que se declara ateu, assim escreve: “O propósito de que o homem seja feliz não está contido no plano da Criação” (p. 107).

Portanto, esse é o cenário da Pontifícia Universidade Católica do Paraná: fora dos trilhos. Enquanto uns tentam resgatar a identidade católica, e são perseguidos, outros (e com o apoio da Instituição), aumentam cada vez mais seu caráter ateu e niilista.

É preciso fazer algo. Não queremos denegrir a Universidade, mas sim resolver essas questões para o próprio bem da PUC. Queremos que haja mais coerência e fidelidade da instituição à Igreja. Não queremos prejudicá-la, pelo contrário, pois se quiséssemos, deixaríamos as coisas como estão, sem nos expor, pois os acontecimentos em si já estão prejudicando e minando a instituição.