Posts tagged ‘Sínodo Pan-Amazônico’

10 setembro, 2019

Eles não se cansam de passar vergonha.

Por FratresInUnum.com, 10 de setembro de 2019 – Não bastasse a cafonice do discurso semi-hippie paz e amor, considerando-se o suprassumo da modernidade enquanto estão presos eternamente nos anos 70, os nossos bispos não se cansam de passar vergonha.

A CNBB lançou uma série de vídeos para mobilizar os fiéis e mostrar a força de seu neo papismo — eles, que até há poucos anos eram a vanguarda da resistência ao centralismo romano. Todavia, para o que deveria causar embaraço geral, a campanha de apoio artificial foi destruída por uma reação espontânea, sem nenhuma articulação central, que reflete o bom senso que, apesar dos pastores, ainda resta entre os fiéis católicos.

As mais de mil negativações ao vídeo de Dom Jaime Spengler deveria ser uma boa dose de “semancol” na empedernida CNBB. Entretanto, a idolatria bergogliana não lhes permite ver um palmo sequer diante da face.

Do alto de seu clericalismo, acham que os fiéis são completos idiotas a ponto de darem um apoio prévio, como que assinando um cheque em branco, a uma hierarquia que quer utilizar-se de um sínodo para impor suas preferências ideológicas alheias à Fé.

Acordem pra vida, senhores!

9 setembro, 2019

Saia justa.

Por FratresInUnum.com, 9 de setembro de 2019 – Foi transmitido na noite de sábado passado, 7 de setembro, o programa “Globo News Painel”, com a participação de Dom Claudio Hummes, relator do Sínodo da Amazônia, Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega, diplomata representante do Brasil nas negociações acerca do Sínodo, e Alberto Pfeifer Filho, especialista em assuntos internacionais.

Com “cara de vinagre”, para utilizar uma dessas expressões tão profundas e delicadas do magistério bergogliano, Dom Cláudio não conseguiu disfarçar o seu constrangimento, muito diferentemente da tranquilidade que desfruta em encontros de esquerdistas ou junto de seu amigo desde os tempos do ABC Paulista, o ex-presidente e atual presidiário Lula.

Kenneth Nóbrega, com aquela délicatesse diplomatique, começou cutucando, ao mencionar o estimadíssimo, mas completamente ineficaz,  Acordo Brasil-Santa Sé como elemento importante de mediação. Explicou que esteve três vezes no Vaticano e, cara-a-cara, confrontou os representantes pontifícios acerca de quatro imprecisões dos Lineamenta do Sínodo: o papel transnacional da Guiana, que poderia dar pé ao estabelecimento de um território internacional na Amazônia; a omissão da menção aos instrumentos internacionais de que participa o Brasil, como limite das requisições do Sínodo; a ausência do reconhecimento do papel social das forças armadas na Amazônia, lembrando que a FAB transporta até alimentos em parceria com a Igreja; e a desarticulação entre o conceito de ecologia integral e de desenvolvimento sustentável, que impede o enclausuramento numa política meramente preservacionista, fechada ao progresso.

Na sequência, o representante do governo disse que, sim, os serviços de inteligência brasileiros estão monitorando a atividade pré-sinodal, como qualquer outra atividade que diga respeito à segurança do território nacional, dentro dos limites da lei e segundo a sua prerrogativa constitucional.

Em seguida, quando perguntado o porquê da preocupação do governo com a unidade territorial na questão Amazônica, Kenneth Nóbrega salientou que a menção à Guiana como localização transnacional nos Lineamenta, juntamente com a histórica cobiça internacional do espaço amazônico e as últimas declarações do presidente francês em fórum internacional são motivos mais do que suficientes para justificar a preocupação.

Dom Cláudio obviamente, permanecia o tempo todo com atitude apreensiva, olhos arregalados, aspecto ameaçado, sério, como alguém que está sendo emparedado e “quanto menos falar, melhor”.

Na sequência, Alfredo Pfeifer, perguntado sobre as declarações de que os bispos dispõem de dados distorcidos para o Sínodo, explicou dizendo que a Amazônia é um território imenso e os dados são sempre parciais e, mesmo quando verídicos, podem ser apresentados com metodologias diferentes, as quais podem favorecer o interesse deste ou daquele grupo. Justificou, ainda, dizendo que a má gestão amazônica tem impactos globais e que o Brasil e as Forças Armadas a têm feito com competência técnica e científica, responsabilidade social e ambiental.

Dom Cláudio concordou com o fato de que o Exército está muito presente na Amazônia e que há uma verdadeira colaboração com a Igreja. Também reconheceu que a Igreja não tem todos os dados, como tampouco o Exército. Ele disse que o documento preparatório do Sínodo só não falou do Estado brasileiro e do Exército porque a Igreja estava apenas falando de si mesma. Disse que os bispos ficaram perplexos com a reação do Brasil e estão preocupados com “até onde isso vai”.

Kenneth Nóbrega mostrou como a divulgação de dados errados nas últimas semanas erodiu o relacionamento de confiança, que é absolutamente imprescindível para qualquer diálogo bilateral. Ele mostrou como, de um lado, a eventual não preocupação em que se respeitem as questões de direito internacional no documento final do Sínodo pode oferecer sustentação aos ambientalistas que defendem o protecionismo agrícola europeu, que destrói a imagem do nosso agronegócio, sem discernir se é sustentável ou não, se favorece a agricultura familiar com selo orgânico ou não.

Alfredo Pfeifer disse que as duas instituições que garantem a presença brasileira na Amazônia são a Igreja e as Forças Armadas, sendo que o Exército está preocupado com a ocupação nacional e a defesa das fronteiras, mas a Igreja tem uma vocação missionária e está preocupada com a Evangelização. Ele disse que é nesta diferença que pode se dar um descompasso de interesse e de agenda, mas se espera que o Sínodo seja uma ocasião para se resolver este descompasso, ao invés de aumentá-lo.

Sobre a questão indígena, Dom Cláudio disse que, em Porto Maldonado, os índios disseram ao Papa Francisco que nunca se sentiram tão ameaçados como agora, que suas terras estão sendo invadidas por companhias de mineração, pelo desmatamento. Dom Cláudio disse que os índios são um patrimônio humano de todos nós, porque eles têm uma cultura própria, uma espiritualidade própria, milenar, uma riqueza muito grande que a humanidade não se pode dar o luxo de perder. Segundo Dom Cláudio, a Igreja pensa que isto é uma questão de direitos humanos e que na história da colonização houve um massacre dos índios, mas com a proteção que receberam nas últimas décadas, a população indígena está crescendo e há aproximadamente um milhão de índios. — Neste trecho, Dom Cláudio falou demasiadamente, monopolizando a palavra, inclusive não deixando tempo para que os interlocutores continuassem com a pauta.

Alberto Pfeifer disse que a defesa dos índios demanda o combate aos ilícitos (como a garimpagem, por exemplo), requer a presença do Estado, e que não adianta apenas alegar o direito dos índios, pois eles são desprovidos de instrumentos para se defender, mas o Brasil está utilizando as ferramentas adequadas e cumprindo o seu papel.

Kenneth Nóbrega afirmou que o Brasil tem uma legislação ambiental evoluída, mas que o Estado tem uma dupla responsabilidade: a primária, com a sua sociedade; a secundária, internacional. No que diz respeito ao debate internacional, há de haver um verdadeiro debate, onde todos falem de suas responsabilidades em campo ambiental, ou seja, não pode ser um debate em que todos apontem para o Brasil como aquele que não está cumprindo com as suas responsabilidades. Este desequilíbrio no debate criou, por parte do governo, uma percepção de injustiça.

Dom Cláudio concluiu dizendo que a Igreja está em defesa do protagonismo dos índios em seu próprio progresso, embora haja ainda um espírito colonialista, que pretende impôr a eles um tipo de progresso.

Enfim, Hummes e toda a corte bergogliana têm toda ciência de que seu tempo é curto, que não possuem apoio popular nem sucessores e que, por isso, é necessário acelerar e intensificar as “reformas”. O temor por “retrocessos” é claramente demonstrado na nova leva de cardeais criados por Francisco. Esquecem-se esses senhores, infiéis e incrédulos que são, que a Igreja é do Senhor. “Exsurge Domine”.

4 setembro, 2019

Cai a máscara do isentismo: Dom Cláudio Hummes em evento contra o governo Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 4 de setembro de 2019 — Com Informações do Estadão — O teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA) hospedou, anteontem, o evento “Direito já”, protagonizado por partidos de esquerda e centro-esquerda, em oposição aos “retrocessos do governo Bolsonaro”.

Ao lado de dezenas de políticos esquerdistas, pousa ninguém menos que o arcebispo emérito de São Paulo, o cardeal Dom Cláudio Hummes, relator do Sínodo Pan-amazônico, a ser realizado dentro de um mês, em Roma.

Numa entrevista anterior ao próprio Estadão, Dom Cláudio, falando sobre as polêmicas entre o Sínodo da Amazônia e o governo, disse que: “Foi na campanha eleitoral que começou tudo isso. O governo, que se diz de direita, considera a Igreja de esquerda. Mas a Igreja não é partido político. Não é de esquerda. Não aceita essa qualificação, essa etiqueta. A Igreja é para todos”. E, mais adiante: “Esse governo apresentou uma questão sobretudo de soberania nacional. Mas todos sabemos que o Sínodo é da Igreja e para a Igreja. Não é para políticos, militares e outros”.

Ainda ontem, sempre o próprio Estadão, publicou a notícia de que o Vaticano vetou a participação de políticos com mandato entre os participantes do Sínodo, negando o pedido do governo brasileiro, principal interessado nas discussões, uma vez que a maior parte do território amazônico pertence ao Brasil.

Dias atrás, Dom Cláudio afirmou que quem critica o Sínodo da Amazônia “têm interesses muito fortes que se sentem um tanto ameaçados”.

A presença de Dom Cláudio num evento político de aberta oposição ao governo Bolsonaro compromete não apenas a suposta neutralidade política do Sínodo pan-amazônico, mas desmente as suas próprias declarações anteriores. Um verdadeiro escândalo para os católicos do Brasil.

A notícia de que Dom Cláudio pode ser convocado pelo Senado para esclarecer os propósitos do Sínodo fez tremer. O desespero paira sobre a cúria bergogliana.

2 setembro, 2019

Uma resistência inesperada.

Por FratresInUnum.com, 2 de setembro de 2019 – Não é sem razão que alguns têm chamado o iminente Sínodo da Amazônia de Concílio Vaticano III. E não apenas porque ele, como afirmava o bispo de Essen, quer introduzir uma ruptura definitiva, mudanças irreversíveis na estrutura da Igreja, mas sobretudo porque visa alcançar objetivos que ultrapassam de longe os escopos de um sínodo: reinterpretar radicalmente toda a revelação cristã, fazendo apelo às “revelações primordiais dos povos da floresta” como fonte de reinterpretação do Evangelho e da doutrina católica.

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Dezembro de 2015 – O “espetáculo” Fiat Lux toma a Basílica de São Pedro.

Contudo, como afirmamos em nosso último editorial, o desespero do Vaticano é nitidamente indisfarçável. O Sínodo não está “pegando” entre os católicos. A perplexidade só aumenta e, inclusive, mesmo as manobras para criar o alarmismo que conferiria ares de relevância ao Sínodo acabaram por “sair pela culatra”.

Para percebê-lo, porém, precisamos ir mais fundo em relação à superfície dos noticiários. Infelizmente, muitos de nós sucumbimos àquele oficialismo que induz à falsificação de que somente aquilo que aparece na mídia e nos órgãos oficiais de comunicação é realmente verdadeiro. As eleições brasileiras de 2018 mostraram muito claramente o quanto subestimar a percepção do povo pode sair caro para as elites.

Pois bem, algo de muito similar está acontecendo com a Igreja de nossos dias, especialmente em relação ao Sínodo pan-amazônico. Muitos fiéis, sacerdotes e leigos, inclusive bispos e cardeais, têm levantado a sua voz, em tons diferentes, com intensidades diferentes, mas de maneira contundente e inequívoca: a pauta sinodal está na contramão do sensus fidei, e é, portanto, uma violência contra a Igreja e o seu povo. Para além dos teólogos de corte e os bajuladores – que los hay, los hay! –, quase ninguém tem aberto a boca, a não ser uns corajosos fiéis que não cessam de opor sua explícita resistência.

Este fenômeno não aconteceu no Vaticano II. Trata-se de uma realidade totalmente nova, sinal claro de que todo o “avanço” despudorado levado a cabo pelo pontificado vigente está produzindo um efeito colateral extraordinário: o fortalecimento da resistência católica, cada dia mais aguerrida e militante, cada dia mais discordante do establishment que usurpou os lugares de decisão na Igreja. O próprio povo levanta a sua voz com firmeza para declarar sem medo a completa ilegitimidade dos atos de todos estes falsos pastores que, ao invés de procurar o bem da religião, querem vendê-la à completa submissão à agenda globalista.

O Sínodo pan-amazônico nada tem de pan-amazônico, a não ser a alegação. Na verdade, são os mesmos protagonistas germânicos que bagunçaram todo o catolicismo na década de 60 e seguintes que, agora, saem de seus sarcófagos, para transformarem toda a estrutura eclesiástica em um inferno. Os alemães entram com o dinheiro, os jesuítas com a militância e a Amazônia com a desculpa.

Trata-se da revanche germano-jesuítica à Cœlibatus sacerdotalis e à Humanæ vitæ, de Paulo VI, a todo o pontificado de João Paulo II e Bento XVI, à Revista Communio e a toda a hermenêutica da reforma na continuidade. Querem levar à cabo a revolução que ficou engasgada desde então.

No entanto, os anticorpos católicos reagem com decisão a esta infecção herética, obrigando os progressistas à agressividade ostensiva: em plenos templos de Francisco, nos quais os hereges de outrora ganharam total anistia, um simples padre do interior do Rio Grande do Sul, o Pe. Dr. Renato Dornelles, foi “excomungado” por rebeldia contra o romano pontífice, como se todos os teólogos que sustentam a heterodoxia atual não tivessem sido encarnecidos rebeldes aos pontificados anteriores. Isso não é apenas hipocrisia, é sobretudo a revelação da verdadeira natureza da “misericórdia bergogliana”: a promoção de todos os delinquentes com a simultânea eliminação de todos os seus opositores.

Neste ínterim, todas as manobras progressistas vão se diluindo na completa ausência de respaldo. O ataque da semana passada, capitaneado pelo presidente Macron e por Francisco, apenas fortaleceu ainda mais o patriotismo brasileiro diante dos inimigos externos, reforçou o patrocínio conservador à soberania nacional quanto à questão amazônica e retirou qualquer possibilidade de respaldo popular ao Sínodo, obrigando Francisco, inclusive, a parar com a desculpa de que o tema é a evangelização para como que confessar que a preocupação é com a internacionalização da questão ecológica.

Nas últimas semanas, apareceram vídeos importantes documentando a resistência popular ao Sínodo, inclusive com depoimento de indígenas que estão se sentindo usados e a adesão de centenas de pessoas nos comentários, desafogando a sua indignação contra a ofensiva que pretende subordinar a Igreja à revolução tribalista.

Esta resistência, de fato, é inédita e possivelmente suscitada pela própria Providência Divina. Não podemos recuar. A luta pela defesa do catolicismo honra muito a Nosso Senhor e a Nossa Senhora, os quais certamente não deixarão de derramar graças em favor de todos os que se sacrificam pela fé e pela religião, e tudo isso reverterá em benefício de nossas almas e de toda a Igreja.

28 agosto, 2019

Desespero de causa.

Por FratresInUnum.com, 28 de agosto de 2019 – Uma das maiores fake news da história! E, “coincidentemente”, às vésperas do Sínodo pan-amazônico, acerca do qual não há nenhuma empolgação popular.

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Maio de 2019 – Papa Francisco recebe o líder indígena esquerdista Raoni.

O povo não fala em índios ou ecologia, muito menos em ordenar homens casados ou caciques. O clero, excetuando-se alguns bergoglianos fanáticos, tampouco tem reagido às provocações sinodais. O Instrumentum Laboris, há pouco divulgado, causou agudas críticas: é a paganização da Igreja, a sua completa rendição à revolução tribalista.

Mas, mesmo assim, nem o escândalo conseguiu tirar os fiéis da mais absoluta indiferença. De fato, a psicologia do povo católico funciona às avessas da mentalidade revolucionária: ao invés de protestos, o povo se manifesta mediante o desprezo.

Sem nem sequer tomar conhecimento do assunto, o católico normal segue a sua vida como se nada estivesse acontecendo, rezando para que o vexame logo passe, sem deixar maiores estragos. E prossegue o seu caminho.

Do outro lado, os eternos adolescentes de maio de 1968 continuam com suas fixações idealistas, com seus discursos ultrapassados, com sua psicose apocalíptico-eco-teológica e, desesperados pelo fato de ser já indisfarçável que se isolaram num monólogo de grupo, criaram a ficção de uma crise que sequer resistiu a uma semana de alarde.

O presidente da França, um progressista totalmente rendido à ideologia internacionalista, em completa crise de credibilidade em seu próprio país, disparou o ataque contra o Brasil, contra as alegadas queimadas que estavam destruindo a floresta, e ameaçou sanções na reunião do G7, mas tudo se desfez como bolha de sabão. Um vexame! Enquanto isso, celebridades reagiam em coro, doidas por desfrutarem de quinze minutos de aplausos e, depois, assistirem tudo no telejornal da noite. Outra vergonha!

Mas, nem com isto conseguiram angariar nenhuma reação popular. O Sínodo está às portas, Bergoglio fez menção ao assunto no Angelus de domingo, a CNBB já havia divulgado nota e vídeo de endosso aos protestos, os serviços de informação ligados ao Vaticano solidarizarem-se com uns e outros e, mesmo assim, puderam apenas contar com o desprezo solene dos católicos.

Realmente, os padres sinodais terão de se contentar com seus próprios aplausos mútuos, com a velha sensação de autoproteção grupal, pois as pautas do Sínodo não vão _pegar_, não estão pegando, não vão conseguir decolar e o povo está se negando a colaborar com mais este teatro patético.

O esforço conjunto de Bergoglio, dos políticos progressistas e da mídia apenas flagrou de modo indissimulável que eles não estão conseguindo e que a sua manobra comunicativa não excede aos limites de uma confissão de fracasso, do reconhecimento de que estão sozinhos, enfim, uma atitude tomada pelo pânico e pelo completo desespero de causa.

28 agosto, 2019

A Amazônia brasileira não é mais católica, prelado critica Instrumentum Laboris do Sínodo.

REDAÇÃO CENTRAL, 20 Ago. 19 / 12:54 pm (ACI).- Dom José Luis Azcona, Bispo Emérito da Prelazia do Marajó, na região amazônica, publicou algumas considerações em relação ao Instrumentum Laboris do Sínodo para a Amazônia, que acontecerá em outubro, no Vaticano.

Em sua análise, oferecida ao Grupo ACI, Dom Azcona questionou pontos centrais do documento de trabalho, como uma “visão distorcida” em relação ao chamado “rosto amazônico”, a “interculturalidade” e a ordenação de homens casados.

Sínodo: Rosto amazônico?

Segundo Prelado, “a Amazônia, ao menos a brasileira, não é mais católica” e “este ponto de partida é crucial para a celebração do Sínodo. Se a Amazônia tem uma maioria pentecostal, é necessário tratar este fenômeno a fundo. Qualquer saudosismo de uma Amazônia que não existe mais é fatal para a evangelização integral da mesma. Até em algumas regiões da Amazônia a maioria pentecostal chega a 80%”.

Por outra parte, assinalou, “a penetração pentecostal em várias etnias indígenas passando por cima das culturas, identidades étnicas, povos indígenas, em nome do Evangelho, é um fenômeno grave da Amazônia atual, que com suas conotações fundamentalistas e proselitistas incide profundamente nos povos indígenas. Não existe sobre este ponto uma palavra no IL (Instrumento de trabalho). Este é hoje o rosto amazônico. Não só”.

Dom Azcona indicou ainda que “a longa experiência de anos confirma que em muitas Dioceses amazônicas não se vive a fé nem na sociedade e nem na história. O abismo entre confissão de fé, celebração da mesma em belíssimas liturgias e a realidade social, ambiental, cultural e política, até agora não foi preenchido”.

Além disso, observou que, “lamentavelmente, o IL não sabe, ou sabendo não compreende, a transcendência para o presente e para o futuro da Amazônia, o rosto angustiado, revitimizado, denegrido das crianças pelos próprios pais e parentes, submetidas a uma escravidão que forma parte essencial do rosto abandonado e destruído de Jesus na Amazônia”.

“Todo este documento é palha se não compreende e se compromete com o espírito e a letra do evangelho: ‘Aquele que acolhe a uma criança como esta, a Mim acolhe e quem me acolhe a Mim, acolhe ao meu Pai que me enviou’ (Mc 9,37)”.

Nesse sentido, “somente no Pará em um ano foram 25.000 denúncias de crimes deste tipo (Ndr.: de pedofilia). Segundo especialistas dessa área, por cada caso de pedofilia existem por trás mais outros quatro. Se aproximadamente durante um ano houve 100.000 crianças abusadas no Pará, não constitui este rosto das crianças destruídas, uma parte essencial do rosto amazônico?”.

“Onde está a sensibilidade pastoral por parte dos responsáveis pelo IL tão evidente e tão firmemente expressa pelo Santo Padre o Papa Francisco?”, questionou e acrescentou: “Onde está a defesa da Amazônia, das suas crianças no IL e, portanto, no Sínodo? Vamos sair das falsas projeções sobre a Amazônia e vamos possibilitar de uma vez por todas os novos caminhos para ela”.

“Qual é o rosto amazônico? Pode-se construir um Sínodo desta envergadura no próximo outubro com uma apresentação tão fora do real, da identidade, do respeito ao diferente, quando esquemas pré-estabelecidos de interpretação da realidade deformam o real?”.

Sínodo: Culturas, interculturalidade?

Outro ponto abordado pelo Bispo Emérito do Marajó foram “as temáticas em torno da inculturação do Evangelho na Amazônia e afins”, os quais, segundo ele, “ são apresentadas num contexto de imanência, neo-pelagianismo, nivelando o Evangelho com as culturas amazônicas (indígenas), eclesiologicamente desprovidas de fundamentação teológica e pastoral, com a anulação do Evangelho da salvação”.

Assim, cita o Decreto Ad Gentes, o qual afirma que “as palavras do Evangelho proclamado pela Igreja decidem o destino das pessoas, dos povos, culturas e nações (Cfr. AG 8)”. “Em parte nenhuma do IL afirma-se algo semelhante de modo explícito. Pelo contrário, a tendência niveladora entre culturas (indígenas) e Evangelho é esmagadora. Este é um ponto de partida do qual não se pode prescindir num Sínodo”.

Desse modo, recordou que isso “é o que com vigor proclama o Papa Francisco” no título da mensagem para o próximo Dia Mundial das Missões datado de 9 de junho de 2019: “A missão supera os confins das pertenças étnicas e religiosas”.

“O esquecimento deste princípio fundamental inutiliza o Sínodo, ao anular o poder de Deus específico e único do Evangelho e, assim como todo dinamismo missionário na Amazônia e desde a Amazônia”, disse.

Além disso, Dom Azcona assinalou que, “em parte nenhuma do IL se fala da presença dos demônios ou da influência deles, das suas malícias nas pessoas, nos povos e nas culturas, assim como da vitória de Cristo, sua libertação e a destruição do poder do Maligno. O IL esquece as luminosas e orientadoras páginas que falam do Maligno e da sua presença na história, que dedica o Papa Francisco na Exortação apostólica do ano passado sobre a santidade, Gaudete et exultate, números 158 – 164”.

Assim, sublinhou, “o pelagianismo difuso do IL, que leva a atribuir ao homem amazônico, às suas etnias e culturas mais do que lhe pertence por serem realidades criadas e marcadas pelo pecado, se supera com a robusta doutrina conciliar sobre Evangelho e missão da Igreja no poder do Ressuscitado como aparece de novo na Lumen Gentium 16”.

“Por último, a utopia de dar vida às religiões pré-colombianas, separando-as de Cristo e da Igreja universal, não seria um progresso, mas uma regressão”, declarou, citando o discurso inaugural do Papa Bento XVI na Conferência de Aparecida, em 2007, quando afirmou que, “na realidade seria uma involução para um momento histórico ancorado no passado”.

Sínodo: Conversão ecológica.

Ao abordar a questão da conversão ecológica, o Bispo Emérito do Marajó defendeu que a “necessidade de arrependimento para o perdão dos pecados é o desafio fundamental que a Igreja tem que enfrentar na Amazônia. Sem esta prioridade absoluta do ser e fazer da Igreja, não existe futuro para a Amazônia porque assim esquecemos a presença do Reino de Deus (Mc 1,15) no mundo (Lc 24,44-48)”.

“Ao faltar o arrependimento que ‘faz existir o que não existe’ pela geração do homem novo amazônico (Cfr. At 2,38), o IL não experimenta a fome, a sede pelo Espírito Santo”.

De acordo com o Prelado, “o IL ao esquecer o Novo Pentecostes preconizado já pelo Papa S. João XXIII na oração preparatória do Concílio, deixa de lado o núcleo da missão na Amazônia. Trata-se da missão na Amazônia como terra e águas de missão? Ou trata-se da dimensão missionária que, como Igreja na Amazônia, é chamada e enviada ao mundo? Deixemo-nos levar pelo magistério inspirado do Papa Francisco na EG” (Evangelii Gaudium).

“Por que no IL não se grita esta verdade, a única que pode salvar a Amazônia?”, questionou acrescentando que “o que aqui propõe o Santo Padre é evangelização e, portanto, uma Amazônia muito diferente de um conjunto de tarefas vividas, de projetos, de planos de pastoral, de inculturação, de ecologia”.

Assim, frisou que “de nada vai servir a ordenação dos ‘Viri probati’”, pois “é colocar um retalho de pano novo num tecido velho. O rasgão é maior! Exatamente!”.

Por outro lado, observou, “o clero da Amazônia precisa, como a Igreja toda, de arrependimento, da conversão, da fé que salva em sentido estrito. A experiência oferece essa evidência. O sentido do ministério sacerdotal, e especificamente na Amazônia, se tem perdido, ou é inoperante na vida, ou na conversão pastoral autêntica de presbíteros. Para que ordenar os ‘Viri probati’ dentro de presbitérios em crise?”.

“A perfeita e perpétua continência pelo Reino dos Céus continuará sendo ao mesmo tempo e também na Amazônia sinal e estímulo da caridade pastoral e fonte original de fecundidade espiritual no mundo e também na Amazônia”.

Por isso, “podemos perguntar: Existe esta atitude de oração pelo dom do celibato nos presbíteros da Amazônia? A Igreja toda reza para que este sublime dom seja derramado em todo o Corpo de Cristo? Os fatos respondem: ‘Não’!”.

“Por outra parte, e principalmente, decidir sobre esta questão é algo completamente inoportuno num contexto em que tendências atuais de grandes grupos de católicos, assim chamados conservadores, questionam o Magistério da Igreja, em concreto do próprio Sumo Pontífice. Alguns o declaram herético publicamente, exigindo demissão imediata. Outros exigem sua renúncia por falta de coerência na questão de pedofilia na Igreja! Não entramos na discussão da legitimidade destes questionamentos. O que é certo é que uma resposta afirmativa abriria para um risco mortal de uma divisão, de um verdadeiro cisma na Igreja”.

Dessa forma, destacou que “não se trata da vitória dos assim chamados ‘conservadores’ ou ‘progressistas’. Trata-se do máximo na Igreja: da caridade. Diante da caridade, deve empalidecer qualquer conceito ou denominação de tipo sociológico”.

Sínodo: Ordenação sacerdotal de pessoas idosas

Por fim, Dom José Luis Azcona falou especificamente sobre a ordenação sacerdotal de pessoas idosas. O Prelado afirmou que, “reconhecendo que a venerável instituição do celibato sacerdotal pertence à área disciplinar da Igreja e, portanto, sujeita a mudanças, considero inconveniente, até perigoso neste momento para a unidade eclesial, abrir a possibilidade que pede o IL”.

“Não se trata de uma problemática exclusivamente de pastoral indígena. É uma situação de penúria generalizada de presbíteros na Igreja. As mesmas razões que podem ser invocadas para este reconhecimento pedido pelo IL são as mesmas que podem ser aplicadas a toda a Igreja, ou a grande parte da mesma”.

Segundo o Bispo, “o problema não é só a falta de sacerdotes suficientes, senão o exame, discernimento desta carência grave para uma solução realista. A raiz fundamental desta penúria de vocações na Igreja e também na Amazônia, incluindo os povos indígenas evangelizados, é de uma alarmante falta de fé ou da ausência de fé que opera na prática por meio do amor, também e necessariamente na história e na sociedade”.

Assim, explicou, “apesar de ser uma questão disciplinar, esta se converte em imperativo ético a partir do indicativo absoluto: Cristo morreu pelo irmão não esclarecido; tua liberdade não é algo absoluto; é contra Cristo que vocês pecam ferindo a consciência do irmão; o único absoluto é o amor; esse amor é o de Deus derramado nos corações pelo Espírito Santo (Rom 5,5)”.

Então, perguntou: “É esse o amor da Igreja na Amazônia? É esse o amor de Deus que impregna suficientemente os critérios de pastoral, os eclesiais, a práxis como a realidade suprema ou é a gnosis ou o Pelágio que comanda a barca da Igreja na Amazônia? (Cfr. Gaudete Exsultate, Francisco 2018)”.

“Esse perigo de cisma não é imaginário! Tampouco na Amazônia!”, concluiu Dom Azcona.

24 agosto, 2019

Coalizão de movimentos requerem no Senado convocação de Dom Cláudio Hummes.

Por Hermes Rodrigues Nery, 24 de agosto de 2019 – Uma coalizão de movimentos da sociedade civil, agregados no “Convergências”, dentre eles, o Movimento Legislação e Vida, protocolaram na Presidência do Senado Federal o pedido de convocação de Dom Cláudio Hummes para prestar esclarecimentos se o o Vaticano está ou não apoiando a proposta do Corredor Triplo A, apresentada por Martín von Hildebrand ao chanceler argentino D. Marcelo Sanchez Sorondo. A convocação já conta com o apoio da senadora Selma Arruda (PSL-MT), que também protocolou ao Presidente do Senado, David Alcolumbre, o mesmo pedido. Veja aqui o requerimento.

 

19 agosto, 2019

O próximo sínodo será “amazônico” ou “maçônico”?

O papel secreto da máfia do “anel de tucum” na preparação do encontro de outubro.

Por José Antonio Ureta, Instituto Plinio Correa de Oliveira – Stilum Curae, 6 de agosto de 2019 | Tradução: FratresInunum.comDepois que, na biografia sobre seu compatriota cardeal Godfried Daneels, os jornalistas belgas Jürgen Mettepenningen e Karim Schelkens revelaram a existência de uma “máfia de S. Gallen”, que teria contribuído de modo determinante na eleição do Papa Bergoglio, o católico médio tomou consciência da força dos grupos de pressão dentro da Igreja.

Mas historiadores e especialistas conhecem há muito tempo o peso que os lobbies tiveram sobre a vida eclesial. Imediatamente após o encerramento do Concílio Vaticano II, por exemplo, soube-se do papel desempenhado pela rede midiática IDO-C (Centro Internacional de Informação e Documentação sobre a Igreja Conciliar) para criar o “conselho de jornalistas”, o “conselho dos meios de comunicação”, que era praticamente um concílio à parte”, como disse Bento XVI em seu último discurso na véspera do dia em que sua se daria sua  renúncia.

Não muito tempo atrás, tornou-se conhecido o papel desempenhado por um grupo de padres conciliares, reunidos sob a denominação de “Igreja dos Pobres”, que firmou um secreto “Pacto das Catacumbas”, que parece estar atingindo sua plena realização em âmbito universal com o pontificado do Papa Bergoglio.

O antigo núncio em Washington, EUA, Dom Carlo Maria Viganò, causou comoção denunciando a existência de uma rede homossexual, cujos membros se ajudam mutuamente e que garantem o progresso na carreira eclesiástica (e a cobertura em caso de envolvimento em escândalos).

Para serem eficazes, esses grupos de pressão com interesses pessoais ou ideológicos devem agir de maneira coordenada, mas sempre nas sombras, imitando o trabalho da Maçonaria, com seus misteriosos sinais de reconhecimento mútuo entre irmãos que não pertencem à mesma loja.

É famosa a passagem em que Marcel Proust traça um paralelo entre a ação dos “irmãos” e a dos homossexuais de seu tempo, da qual ele falou por conhecimento direto: “[Eles] formam [um] uma maçonaria muito mais extensa e eficaz, e menos suspeita do que a das lojas, uma vez que responde a uma identidade de gostos, necessidades, hábitos, riscos, aprendizado, conhecimento, tráfego, glossário, e em que os membros que desejam não ser reconhecidos imediatamente o fazem através de sinais naturais ou convencionais”.

Seguramente, no futuro, conheceremos o impacto na próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Panamazônica do grupo de bispos e missionários engajados na Teologia Indígena, versão mais atualizada da Teologia da Libertação, que já adotou o chamado “anel de tucum” como sinal convencional de reconhecimento.

Tucumã é o nome de uma árvore amazônica de cuja madeira se origina um anel preto, supostamente usado pelos escravos na época do Império, na falta de recursos para portar o anel de ouro dos senhores. Teria servido como um símbolo de matrimônio, amizade ou resistência. “Era um símbolo clandestino cujo significado só os escravos conheciam”, afirma o blogue da Pastoral da Juventude da Diocese de Piracicaba.

Nos anos 70, dois órgãos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) adotaram o anel de tucum como símbolo de compromisso na luta de classes e nas chamadas “lutas sociais”.

Parece ter sido Dom Pedro Casaldáliga – religioso claretiano catalão nomeado bispo de São Félix do Araguaia pelo papa Paulo VI e promotor do CIMI e do CPT – a popularizar o símbolo. Assim relata outro representante da Teologia da Libertação, Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás Velho e por muitos anos presidente do CIMI:

“Pedro foi consagrado bispo em 1971, na cidade de São Félix, cercado pelos pobres daquela região. Ele recebeu símbolos litúrgicos adaptados às culturas dos povos indígenas e camponeses. A mitra era um chapéu de palha, o cajado um remo de tapirapé e o anel de tucum, que em seus dedos e nos de muitos agentes pastorais tornou-se um sinal do compromisso da caminhada rumo à libertação”.

Dom Pedro Casaldáliga

Com inegáveis dotes poéticos, o prelado resumiu assim o significado desta “caminhada” no seguinte poema: “Com um calo por anel, / monsenhor corta o arroz / Monsenhor” foice e martelo “? / Eles vão me chamar de subversivo. / E eu direi a eles: Eu sou / Pelo meu povo em luta, eu vivo. / Com o meu pessoal em movimento, eu vou. Eu tenho fé de guerrilheiro / e amor à revolução”.

O anel de Tucum identificou tanto a personalidade e a agenda revolucionária do bispo de São Félix do Araguaia, e uma das teses escritas sobre ele, defendida por Agnaldo Divino Gonzaga no Departamento de Teologia da Universidade Católica de Goiás, intitula-se, precisamente, “Anel de tucum: a missão evangelizadora de Pedro Casaldáliga”.

Prova ainda mais eloqüente da importância que a Teologia Indígena confere ao anel de tucum é a história que o jornal Alvorada, órgão de conscientização da Prelazia de São Félix, fez sobre a cerimônia em que Dom Pedro Casaldáliga transmitiu o governo diocesano ao seu sucessor, Dom Leonardo Steiner:

“Pedro, ao entregar o anel de tucum a Leonardo, lembrou que as causas que defendemos definem quem somos e que as causas desta Igreja são conhecidas de todos: opção pelos pobres, defesa dos povos indígenas, compromisso com os trabalhadores e sem terra, formação de comunidades inculturadas e participativas, experiência efetiva de solidariedade”.

Em uma página do Facebook das Comunidades de Base do Brasil, lemos este verso de um poema em homenagem ao anel de tucum: “Dos povos excluídos / sois sinal da nova aliança”.

Em 1994 foi lançado o filme “O anel do tucum”, uma novela em que um grupo de fazendeiros infiltra um jornalista nas Comunidades Eclesiais de Base em uma tentativa de provar seu caráter comunista e subversivo, mas acaba se convertendo à causa da CEB. Na cena culminante, na qual ocorre a conversão, o jornalista-pesquisador tem este diálogo com Dom Casaldáliga (que interpreta a parte de si mesmo no filme):

“- Uma curiosidade, dom Pedro: O que o anel preto significa?

– É o anel de tucum, uma palmeira do Amazonas, com espinhos um tanto duros. Sinal da aliança com a causa dos indígenas, com as causas populares. Quem quer que use normalmente quer expressar que faz suas essas causas e suas conseqüências. Você pode trazer o anel? Você pode fazer isso?

– Eu posso fazer isso.

– Olha, é exigente, hein? Queima. Muitos, muitos por essa causa, por esse compromisso, chegaram ao ponto da morte. Nós mesmos aqui, na igreja de São Félix do Araguaia, temos os santuários dos mártires do caminho”.

A mesma pergunta sobre o significado desse anel foi formulada em 2012 pelo jornalista Edoardo Salles de Lima ao já citado Dom Tomás Balduino, na véspera do seu nonagésimo aniversário. Ele respondeu:

“Representa o casamento com a causa indígena. Este objeto foi feito pelos índios Tapirapé e se pode facilmente ver como é bonito, até brilha. Adotamos como um elo com a causa indígena, mas não só com ela, mas com toda causa de mudança, de transformação, na busca pelo Brasil que queremos”.

A função “identificadora” do anel foi destacada ao público, mas sobretudo para aqueles que se comprometeram com a Teologia da Libertação, do missionário comboniano italiano Padre Giampietro Baresi, já falecido, na revista Brasil de Fato:

“- O que esse anel em sua mão significa? – É a opção pelos pobres. (…) É lealdade por essa opção. Por que eu uso isso? Para tornar conhecido o que eles são. O anel de tucum é a solidariedade para com os pobres. (…) Quando vejo o anel em alguém, reconheço uma visão similar, um compromisso similar”.

A nocividade do uso do anel de tucum pelos militantes da Teologia da Libertação foi denunciada há muitos anos por Dom. Amaury Castanho, bispo emérito de Jundiaí, nas páginas do jornal Testemunho da Fé, órgão oficial da arquidiocese do Rio de Janeiro.

Em seu artigo, o prelado começou enfatizando que “sempre houve e sempre haverá tensões mais ou menos graves dentro da Igreja”. Depois do Concílio Vaticano II, “uma terrível tempestade atingiu a barca de Pedro”, e a “Teologia da Libertação, de estilo marxista, radicalizou suas posições extremistas e contestatórias, ideológicas e partidárias”.

Em seguida, ele atacou o sinal do reconhecimento mútuo de seus promotores: “O curioso anel de tucum, feito do centro de uma palmeira do Nordeste, é hoje um sinal de contestação na Igreja. Um dos sinais, talvez o mais sério. Ele é encontrado nas mãos de um bom número de sacerdotes e seminaristas, religiosos e leigos. Se é verdade que alguém, inadvertidamente, usa-o – mesmo na Igreja sempre haverá “inocentes úteis” – é igualmente verdade que a maioria o toma como uma afirmação provocativa de uma clara opção por uma eclesiologia que certamente não é a da Lumem Gentium ‘, do Concílio Vaticano II.

“O anel de tucum traz consigo, implícita e explicitamente, opções heterodoxas em favor de uma Igreja considerada uma Igreja popular, em oposição à Igreja hierárquica, a única estabelecida por Cristo. Exprime uma discutível e já condenada opção ‘excludente e exclusiva’ pelos pobres, marginalizando quem não o é, como se fosse um opressor. A partir dessa análise marxista e parcial da realidade, aqueles que usam o anel de tucum não hesitam em propor soluções revolucionárias, lutas de classes, guerrilhas, violência e terrorismo, que nada têm de evangélico e cristão. (…)

“É a divisão dentro da Igreja de Cristo, que a enfraquece, que distancia as ovelhas dos pastores, que opõem os bispos ao Papa, os bispos entre si, os sacerdotes e os leigos aos bispos (…)

“Enquanto isso, os inimigos da Igreja se divertem, aplaudem, cumprimentam-se. O que eles querem está acontecendo: uma Igreja que não é uma comunidade de amor, que une os fiéis a Cristo entre si e seus pastores”.

Em um artigo seguinte, Dom. Amaury Castanho voltou a atacar com acusações de sectarismo:

“O artigo sobre o anel de tucum, que escrevi há alguns dias, causou comoção. De fato, provocou uma controvérsia. Muitos gostaram e acreditam que chegou a hora de alguém ir ao fundo do problema, revelando o sentido mais exato e total do uso daquele anel. Outros se chatearam, porque o usavam apenas como sinal de opção pelos pobres. Retiraram-lhe de seus dedos! Eles queriam viver em plena comunhão com os pastores da Igreja, que é, por vontade de Cristo, hierárquica. Eles me parabenizaram, culparam-me, interrogaram-me várias vezes no anel de tucum.

“Falando com um certo presbítero que usava o anel de tucum, dei-lhe mais informações para esclarecer suas idéias. Entre outras coisas, eu disse a ele que não é apenas a minha interpretação. Anos atrás, li um livro de um bispo zeloso e inteligente do Maranhão. Em um capítulo inteiro, ele chegou às mesmas conclusões: o anel de tucum é um traço visível de união entre aqueles que, além da “opção pelos pobres”, também defendem a Igreja ‘popular’”.

Pode-se então afirmar que, enquanto trato de união visível de uma corrente revolucionária que desempenha o papel de quinta coluna na Igreja, o anel de tucum tem um valor análogo aos sinais identificadores da Maçonaria.

Cabe a nós observar quantos participantes do próximo Sínodo vão usá-lo… Então saberemos se a assembleia foi amazônica ou maçônica!

14 agosto, 2019

Cardeal Pell: ‘Na Amazônia ou fora da Amazônia, a Igreja não pode permitir confusão.

REDAÇÃO CENTRAL, 09 Ago. 19 / 08:00 pm (ACI).- O cardeal George Pell escreveu uma carta a apoiadores afirmando estar “perturbado” com os preparativos para o próximo sínodo na Amazônia.

O texto da carta manuscrita de duas páginas circulou entre um grupo de fiéis próximos ao Cardeal na Austrália.

Na carta, escrita na Melbourne Assessment Prison, cujas imagens foram partilhadas com Catholic News Agency, a agência em inglês do grupo ACI, com data de 1º de agosto, o purpurado também diz que durante seu encarceramento tem se sentido sustentado pela sua fé e pelas orações dos fiéis, e que está oferecendo seu sofrimento na prisão pelo bem da Igreja.

“O conhecimento de que meu pequeno sofrimento pode ser usado em prol de bons propósitos estando unido a Jesus me proporciona direção e propósito”, escreve o Arcebispo Emérito na carta. “Desafios e problemas na vida da Igreja devem ser confrontados em um espírito similar de fé”, prossegue.

O prelado australiano afirma que os católicos “temos suficientes motivos para nos perturbarmos com o Instrumentum Laboris do Sínodo Amazônico”, que foi publicado em junho, antes da reunião que se desenvolverá entre os dias 06 a 27 de outubro no Vaticano.

Esse documento, que tem sido fonte de discussão e comentários em nível mundial, incluiu a discussão sobre o tema da ordenação de homens casados com o fim de responder à escassez de vocações sacerdotais.

O documento de trabalho, que se chama “Uma Igreja com uma rosto amazônico”, recomenda ainda que o Sínodo identifique “o tipo de ministério oficial que pode ser conferido à mulher, tendo em consideração o papel central que hoje ela desempenha na Igreja amazônica”.

“Este não é o primeiro documento de baixa qualidade que o secretariado do Sínodo produz”, escreve Pell.

O cardeal, aparentemente fez referência ao considerável debate e crítica provocados pela temática do Sínodo – que também incluiu alguns apelos por mudanças na liturgia da Missa – lembrando que “o Cardeal G. Müller, que comandava a Congregação para a Doutrina da Fé”, escreveu uma excelente crítica”.

“Eu não sou especialista na região”, diz Pell, embora tenha assinalado que já viajou a partes da Amazônia, mas adverte que “assim como na Amazônia, muita água ainda precisa correr antes do Sínodo”.

“Um ponto é fundamental, a Tradição Apostólica, o ensinamento de Jesus e dos Apóstolos, extraído do Novo Testamento e ensinado pelos Papas e concílios, pelo Magistério, é o único critério doutrinal para todo ensino sobre doutrina e prática.”

“Na Amazônia ou fora da Amazônia, em todas as terras, a Igreja, não pode permitir confusão alguma que cause um dano à Tradição Apostólica”, afirma.

O cardeal enfatizou a necessidade de unidade no essencial do ensinamento de Cristo, ao mesmo tempo em que pediu caridade em todas as coisas.

“Devemos sempre lembrar que a Igreja é una, não apenas no sentido de que boas famílias se mantêm juntas independentemente das suas diferenças, mas porque a Igreja de Cristo está fundamentada na Igreja Católica, que é o corpo de Cristo”.

Depois de sua condenação no Tribunal do Condado de Victoria em cinco acusações de abuso sexual infantil em dezembro do ano passado, O Cardeal George Pell foi condenado a seis anos de reclusão, dos quais ele deve cumprir em regime fechado pelo menos três anos e oito meses.

Peritos legais e comentaristas questionaram a condenação de Pell durante o julgamento, observando que o veredicto se baseia unicamente no depoimento das supostas vítimas de Pell.

Foi dada atenção à plausibilidade dos aparentes crimes de Pell, nos quais se supõe que ele abusou sexualmente de dois adolescentes na sacristia da catedral de Melbourne depois da missa, em um momento em que o espaço estaria lotado de pessoas e exposto ao público.

Apesar da imediata apelação da sentença pela equipe de advogados de Pell, o cardeal ainda permanece na prisão.

Nos dias 5 e 6 de junho, juízes da Suprema Corte de Vitória ouviram o recurso de Pell contra a decisão do júri sem pronunciar um veredito definitivo. Fontes próximas ao caso disseram a CNA que uma decisão é esperada nas próximas duas semanas.

Na carta, o Cardeal Pell diz que ele recebeu entre 1500-2000 mensagens de apoio durante seu tempo na prisão, e que ele pretende responder a todas elas.

As orações e cartas dos fiéis, disse ele, “trazem-me imensa consolação, humana e espiritual”.

“Minha fé no Senhor, como a de vocês, é uma fonte de força”, conclui a carta.

7 agosto, 2019

Encaminhado pedido para que Senado Federal exija explicações do Vaticano sobre proposta de Martín Von Hildebrand.

Caberá a D. Cláudio Hummes e a D. Marcelo Sánchez Sorondo dar explicações ao povo brasileiro sobre até que ponto o Vaticano está ou não comprometido em apoiar o projeto de Martín von Hildebrand.

Por Hermes Rodrigues Nery, 7 de agosto de 2019

Em 17 de setembro de 2017, Helena Calle publicou uma reportagem no El Espectador com a foto do globalista Martín von Hildebrand (fundador da OnG Gaia Amazonas e membro da Gaia Foudation, com sede no Reino Unido) apresentando o seu projeto de integração do oceano Atlântico, da Amazônia e dos Andes, o chamado “Corredor Triplo A” ou “Caminho da Anaconda”, ao chanceler da Pontifícia Academia de Ciências, o argentino D. Marcelo Sánchez Sorondo.

Martin von Hildebrand explicando o Corredor AAA ao chanceler da Academia de Ciências do Vaticano, Mons. Marcelo Sánchez Sorondo

E explica: “O corredor teria um terço de um dos territórios mais importantes para o meio ambiente global. Atravessaria oito países sul-americanos e envolveria 385 comunidades indígenas e 30 milhões de pessoas.” E mais: “O Corredor Tríplice A é uma ideia que vem sendo fomentada há menos 30 anos e que somente agora, após o compromisso dos países latino-americanos (exceto Equador e Chile) na Cúpula de Paris para reduzir o desmatamento da Amazônia a zero, tem um compromisso político internacional importante”. Em 16 de fevereiro de 2015, o então presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC), acordo este apoiado pelo papa Francisco, mas rechaçado pela população colombiana em plebiscito, disse que iria propor o corredor ecológico ao Brasil e a Venezuela, entusiasta da proposta de Martín von Hildebrand.

Segundo o professor visitante de Engenharia Hidráulica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rogério Maestri, “se efetuado, o Triplo A seria composto em 62% por território brasileiro, 34% por território colombiano e 4% por território venezuelano. Ou seja, a gestão do ‘corredor’ teria que ser tripartite, o que, de acordo com Maestri, facilitaria a dominação estrangeira da região amazônica, especialmente porque o projeto da Gaia Foundation envolve o conceito de autogestão dos povos indígenas”. Para Maestri, o fato da Gaia Foudation estar envolvida com o corredor AAA sinaliza que há “uma direção em termos de ocupação de espaço por outros países”. E acrescenta: “Se se olha a tradição europeia, vê-se que eles enxergam muito longe… Não é, por exemplo, como o americano, que é um pouco mais intempestivo, que tenta invadir no momento. Os ingleses, europeus, em geral, têm um raciocínio mais em longo prazo. Então eles vão implantando essas pequenas coisas, esse tal corredor ecológico, que pra mim não é um corredor, é uma verdadeira ocupação”. A área coberta pelo corredor Triplo A possui grandes reservas de riquezas naturais (“água, mineiros e biodiversidade”), sendo que “o corredor abarcaria a região acima do Rio Amazonas – partes mais altas que, sendo mais secas, seriam mais aproveitáveis para atividades lucrativas, como a criação do gado”. A proposta do corredor triplo A foi rechaçada pelo Gen. Villas Boas, em twitter, de setembro de 2018, e também pelo presidente Bolsonaro. “Os estados de Amapá, Pará e Roraima seriam dos mais atingidos pelo Corredor”, lembra Luis Dufaur, destacando ainda “a ele pertence 46 % da Amazônia e quase a metade do território a ser absorvido pela futura entidade místico-tribal-ecológica pan-amazônica”. Trata-se do maior corredor ambiental do mundo, que na verdade, significa o primeiro passo para a antiga pretensão de muitos pela internacionalização da Amazônia, unificando as áreas indígenas (as AATIs – Associations of Indigenous Tradicional Authorities), cuja autogestão dos povos indígenas seguiriam as diretrizes da Gaia Foudation, e outros organismos internacionais, dos quais os indígenas seriam reféns de seus interesses políticos.

O fato é que o Corredor Triplo A, defendido com afã por Martín von Hildebrand, é um atentado à soberania nacional e integridade territorial brasileira. Mas D. Marcelo Sánchez Sorondo, assim como D. Cláudio Hummes, abriram as portas do Vaticano para que Hildebrand participasse de eventos dando palestras, em atitudes de acolhida. Estariam com isso endossando tal iniciativa?

Por isso, estamos encaminhando ao Senado Federal um dossiê, com amplas informações sobre como diversos organismos internacionais tem agido para buscar o apoio do Vaticano para tais fins. Nesse sentido, caberá a D. Cláudio Hummes e a D. Marcelo Sánchez Sorondo dar explicações ao povo brasileiro sobre até que ponto o Vaticano está ou não comprometido em apoiar o projeto de Martín von Hildebrand. Se não estiver, que façam uma declaração pública inequívoca, para que não paire dúvidas. Apoiar o Corredor Triplo A é fomentar a instabilidade e conflitos na região, com graves conseqüências, que nada tem a ver com a evangelização.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida. Email: prof.hermesnery@gmail.com