Posts tagged ‘Summorum Pontificum’

19 setembro, 2017

Cardeal Sarah: “Vocês não são tradicionalistas: vocês são Católicos”.

A resposta do Cardeal Sarah a quem considera o uso da missa tridentina como algo do passado ou saudosista: “A quem nutre algumas dúvidas em relação a isso, eu diria: visitem estas comunidades e procurem conhecê-las, especialmente os jovens que fazem parte delas. Abram seus corações a mentes a estes nossos jovens irmãos e irmãs, e vejam o bem que eles fazem. Não são saudosistas nem amargurados, nem oprimidos pelas lutas eclesiásticas das décadas atuais; eles são cheios da alegria de viver a vida de Cristo em meio aos desafios do mundo moderno”

Por Andrea Zambrano, La Nuova Bussola Quotidiana, 15 de setembro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com

Sarah aos grupos estáveis de fiéis ligados à Missa Tradicional: “Não sejam tradicionalistas, sejam católicos. Saiam do gueto”.

“Não sejam tradicionalistas, sejam católicos, tanto quanto eu e o Papa” As palavras do cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, chegam pontuadas quase ao término da conferência dada pelo purpurado no Congresso de dez anos do [motu proprio] Summorum Pontificum de Bento XVI. E parecem pôr fim a uma longa travessia no deserto realizada por grupos estáveis e por tantos monges e religiosos (lá no Angelicum de Roma, estavam ontem sobretudo franceses e italianos) que nestes anos experimentaram os benefícios da forma extraordinária do rito romano.

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Peregrinação Summorum Pontificum 2017 – Cardeais Burke, Muller e Sarah na primeira fila.

É a assim chamada missa em latim ou missa tridentina. Um clichê linguístico usado para controlar e enquadrar um fenômeno nascido na surdina, mas que hoje cresceu a tal ponto que o termo tradicionalista parece muito estreito e em certas situações é já insuficiente, visto que a maior parte dos fiéis que têm esta sensibilidade são jovens e não são saudosistas de nada. Para dar plena cidadania à forma extraordinária do rito romano vem também o atual Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que aproveitou a ocasião de sua lectio magistralis de ontem para esclarecer também algumas de suas expressões, que haviam desencadeado as suspeitas de alguns guardiões da revolução: a Missa ad orientem, em primeiro lugar, e a Reforma da Reforma, secundariamente.

Não antes de recordar que o motu proprio foi um “sinal de reconciliação na Igreja e que trouxe muito fruto e, neste sentido, foi realizado também pelo Papa Francisco”. Partindo de Ratzinger, o cardeal recordou que o “esquecimento de Deus é o perigo mais urgente do nosso tempo”. “Se a Igreja de hoje é menos zelosa e eficaz em levar as pessoas a Cristo — disse ele à plateia do Angelicum –, uma das causas pode ser a nossa falta de participação na Sagrada Liturgia de um modo autêntico e eficaz. E isto talvez seja devido, por sua vez, à falta de uma adequada formação litúrgica — com a qual talvez esteja preocupado também o nosso Santo Padre, o Papa Francisco, quando diz que “uma liturgia que estivesse desligada do culto espiritual arriscaria de esvaziar-se”.

Para Sarah “isto pode ser também devido ao fato de que, muito frequentemente, a liturgia, tal como vem sendo celebrada, não é fiel e não corresponde plenamente a como é entendida pela Igreja, mas depaupera-se ou priva-se daquele encontro com Cristo na Igreja, que é um direito de todos os batizados”. Tanto que “muitas liturgias não são realmente nada mais que ‘antropocêntricas’, um teatro, um divertimento mundano, com muito barulho, danças e movimentos corporais, que se assemelham às nossas manifestações folclóricas”. Ao contrário, a liturgia é o momento de um encontro pessoal e íntimo com Deus e, aqui, o cardeal exortou a África, a Ásia e a América Latina a refletir “sobre as suas ambições humanas de inculturar a liturgia, de modo a evitar a superficialidade, o folclore e a auto-celebração cultural”.

Mas o que isso tem a ver com a Missa tridentina? Tem a ver porque no assim chamado usus antiquor estes riscos são notavelmente despotencializados. Como o de perder uma orientação litúrgica que, longe de ser uma questão meramente formal, representa, ao contrário, um detalhe fundamental para falar com Deus. Detalhe. Sarah repete-o, recordando já o ter mencionado e como, nos últimos anos, o retorno ao “voltar-se ad Deum ou ad orientem durante a liturgia eucarística seja uma gestualidade quase universalmente assumida nas celebrações do usus antiquor“.

Mas também a prática do orientamento “é perfeitamente apropriada — e eu o insisto — e pastoralmente vantajosa, na forma mais moderna do rito romano”. O cardeal é consciente de que isto lhe poderia ser motivo de acusação por ser atento aos detalhes: “Sim — prosseguiu –, porque como todo marido e mulher sabem, em cada relação de amor, os mais pequenos detalhes são importantes, porque é nestes e através destes que o amor se exprime e se vive dia-a-dia. As ‘pequenas coisas’, na vida matrimonial, exprimem e protegem as realidades maiores, tanto que o matrimônio inicia a romper-se quando estes detalhes são descuidados. Assim, também na liturgia: quando os seus pequenos rituais se tornam routine e não são mais atos de culto que exprimem as realidades do meu coração e da minha alma, quando não cuido mais dos detalhes, então aí está um grande perigo de que o meu amor ao Deus Onipotente se esfrie”.

O mesmo argumento para o silêncio, que é o único que “pode edificar aquilo que sustentará a sagrada celebração, porque o barulho assassina a liturgia, mata a oração, nos destrói e nos exila distantes de Deus”. Chega-se, assim, no coração da solene celebração da Santa Missa no usus antiquor que “é um ótimo paradigma disso, porque, com os seus níveis de rico conteúdo e de diversos pontos de coligação com a ação de Cristo, permite-nos alcançar tal silêncio. Tudo isso é certamente um tesouro com o qual possam ser enriquecidas algumas celebrações do usus recentior, às vezes horizontais demais e barulhentas”.

As reflexões de Sarah, porém, têm como protagonista a missa em geral e não apenas a da forma extraordinária. De fato, o cardeal convidou “a não rezar o breviário com o próprio telefone ou o iPad” porque “não é digno, dessacraliza a oração. Este aparelho não é um instrumento consagrado e reservado a Deus”. Mas também tirar fotografias durante a Santa Missa por parte de presbíteros não é digno.

Sobre os grupos estáveis de fiéis ligados à Missa Tradicional, Sarah expressou toda a sua gratidão, testemunhando “a sinceridade e a devoção destes jovens, homens e mulheres, sacerdotes e leigos, e das boas vocações ao sacerdócio e à vida religiosa que nasceram nas comunidades que celebram o usus antiquor. É a melhor resposta a quem considera o uso da missa tridentina como algo do passado ou saudosista: “A quem nutre algumas dúvidas em relação a isso, eu diria: visitem estas comunidades e procurem conhecê-las, especialmente os jovens que fazem parte delas. Abram seus corações a mentes a estes nossos jovens irmãos e irmãs, e vejam o bem que eles fazem. Não são saudosistas nem amargurados, nem oprimidos pelas lutas eclesiásticas das décadas atuais; eles são cheios da alegria de viver a vida de Cristo em meio aos desafios do mundo moderno“. Um apelo estendido também “aos meus irmãos bispos: estes fiéis, estas comunidades têm uma grande necessidade de cuidado paterno. Não devemos deixar que as nossas preferências pessoais ou as incompreensões do passado mantenham distantes os fiéis que aderem à forma extraordinária do rito romano“.

Porque — é o sentido das palavras de Sarah — o usus antiquor deveria ser considerado como uma parte normal da vida da Igreja do século XXI. “Estatísticamente, isso pode representar uma bem pequena parte da vida da Igreja, como previa o Papa Bento XVI, mas não por isso é uma via inferior de ‘segunda classe’. Não deveria haver concorrência entre a forma ordinária e a extraordinária do único Rito Romano: a celebração de todas as duas formas deveria ser um elemento natural da vida da Igreja nos nossos dias”.

Enfim, uma palavra “paterna” a todos aqueles que estão associados à forma mais antiga do Rito Romano. “Alguns chamam vocês de ‘tradicionalistas’ e, às vezes, até vocês mesmos se chamam assim. Por favor, não façam mais isso. Vocês não estão fechados em uma caixa num compartimento de uma livraria ou num museu de curiosidades. Vocês não são tradicionalistas: vocês são católicos do Rito Romano, tanto quanto eu e como o Santo Padre. Vocês não são de segunda classe ou membros particulares da Igreja Católica por causa do seu culto ou de suas práticas espirituais, que foram as de inumeráveis santos. Vocês são chamados por Deus, como todos os batizados, a tomar o seu lugar na vida e na missão da Igreja no mundo de hoje, ao qual também vocês são enviados”.

E ainda: “Se vocês não deixaram ainda os limites do ‘gueto tradicionalista’, por favor, façam isso hoje. O Deus Onipotente chama vocês a isso. Ninguém lhes roubará o usus antiquor, mas muitos serão beneficiados, nesta vida e na vida futura, pelo seu fiel testemunho cristão que terá tanto a oferecer, considerando a profunda formação na fé que os antigos ritos e o ambiente espiritual e doutrinal relacionados a eles deram a vocês, porque ‘não se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre uma lanterna para que ilumine a todos aqueles que estão na casa’. Esta é a sua verdadeira vocação, a missão para a qual lhes chama a Providência divina, quando suscitou no tempo oportuno o Motu Proprio Summorum Pontificum“.

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17 setembro, 2017

Foto da semana.

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Basílica de São Pedro, 16 de setembro de 2017: O Arcebispo Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, celebra Missa Pontifical por ocasião da 10ª peregrinação Summorum Pontificum — Missa que estava programada para ser celebrada pelo Cardeal Carlo Caffarra, falecido no último dia 6.

Nas exéquias do Cardeal Caffarra, na catedral de Bolonha, seu sucessor naquela sede, Dom Matteo Zuppi, declarou*:

“Ele [Caffarra] queria que a Igreja indicasse e pregasse a Verdade de Cristo sem acomodações e oportunismos ‘não procurando agradar os homens, mas a Deus que prova corações’, e o fazia com tal clareza que granjeou, inclusive, o respeito de quantos tinham sensibilidade e convicções diferentes da sua. Recentemente, muitos que, no passado, tiveram posições diferentes das dele, enfatizavam justamente a sua integridade e clareza, bem como a importância de ter um interlocutor como ele” (…) Em tempos de narcisismo protagonista e de exibição de si, é uma riqueza que ajuda a ultrapassar as aparências e procurar a profundidade interior em cada encontro e no sensibilíssimo relacionamento das pessoas”.

* Créditos da tradução ao leitor PW. Imagens: Messa in Latino.

20 janeiro, 2017

Uma demissão, uma demolição: eis a nova Cúria Romana.

IHU – A reforma da Cúria vaticana que o Papa Francisco está implementando é realizada em parte sob a luz do sol e em parte na sombra. Entre os procedimentos tomados recentemente na sombra, há dois emblemáticos.

A nota é de Sandro Magister, publicada no seu blog Settimo Cielo, 11-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Sobre o primeiro, quem levantou o véu foi o vaticanista Marco Tosatti, no dia 26 de dezembro, quando deu a notícia da ordem dada pelo papa a um chefe de dicastério de demitir imediatamente três dos seus oficiais, ordem dada sem explicações e sem aceitar objeções.

Hoje, sabe-se que o dicastério em questão não é de segunda categoria, é a Congregação para a Doutrina da Fé. E os três demitidos gozavam da plena apreciação do seu prefeito, o cardeal Gerhard L. Müller, por sua vez objeto de repetidos atos de humilhação, em público, por parte do papa.

Mas quem é, dos três depostos, o oficial que Francisco em pessoa – como relatado por Tosatti – repreendeu duramente por telefone por ter expressado críticas contra ele, que chegaram aos ouvidos do papa por obra de um delator?

É o sacerdote Christophe J. Kruijen, 46 anos, holandês, em serviço na Congregação para a Doutrina da Fé desde 2009, teólogo de reconhecido valor, premiado em 2010 pela Embaixada de França junto à Santa Sé com o prestigiado Prix Henri De Lubac, conferido a ele por unanimidade por um júri que incluía os cardeais Georges Cottier, Albert Vanhoye e Paul Poupard, pela sua tese teológica intitulada “Salvação universal ou duplo êxito do juízo: esperar por todos? Contribuição ao estudo crítico de uma opinião teológica contemporânea relativa à realização da condenação”, defendida na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, sob a orientação do teólogo dominicano Charles Morerod, depois reitor da mesma universidade e hoje bispo de Lausanne, Genebra e Friburgo.

Os “novíssimos”, isto é, a morte, o juízo, o inferno, o paraíso, são o assunto preferido dos estudos de Kruijen. Mas dele também se aprecia um excelente ensaio sobre a filósofa judia e, depois, monja carmelita Edith Stein, morta em Auschwitz em 1942 e proclamada santa em 1998: “Bénie par la Croix. L’expiation dans l’oeuvre et la vie d’Edith Stein”.

Nos escritos e nos discursos públicos do Mons. Kruijen não há uma única palavra de crítica a Francisco. Mas bastou uma delação arrancada de uma conversa privada dele para fazê-lo cair em desgraça com o papa, que fez o machado cair.

Também disso é feita a reforma da Cúria, sob as ordens e com o estilo de Jorge Mario Bergoglio.

O segundo procedimento implementado na sombra diz respeito à Congregação para o Culto Divino, da qual é prefeito o cardeal Robert Sarah, ele também objeto de repetidas humilhações públicas por parte do papa e já condenado a presidir os escritórios e os homens que remam contra ele.

Dirigida pelo secretário da congregação, o arcebispo inglês Arthur Roche, foi instituída, por vontade de Francisco, dentro do dicastério, uma comissão cujo objetivo não é a correção das degenerações da reforma litúrgica pós-conciliar – ou seja, aquela “reforma da reforma” que é o sonho do cardeal Sarah –, mas precisamente o contrário: a demolição de um dos muros de resistência aos excessos dos liturgistas pós-conciliares, a instrução Liturgiam authenticam, emitida em 2001, que fixa os critérios para a tradução dos textos litúrgicos do latim às línguas modernas.

Com Bento XVI, esses critérios foram ainda mais reforçados, em particular pela vontade daquele papa de manter firme o “pro multis” do Evangelho e do missal latino nas palavras da consagração do sangue de Cristo, contra o “por todos” de muitas traduções correntes.

Mas Francisco deixou logo claro que isso o deixava indiferente. E agora, com a instituição dessa comissão, ele vai ao encontro das ideias de modernização da linguagem litúrgica, defendidas, por exemplo, pelo liturgista Andrea Grillo, professor do Pontifício Ateneu Sant’Anselmo e muito apreciado na Casa Santa Marta:

Há quem tema que, depois da demolição da Liturgiam authenticam, o próximo objetivo dessa ou de outra comissão seja a correção do Summorum pontificum, o documento com que Bento XVI liberou a celebração da missa no rito antigo.

11 setembro, 2016

Foto da semana.

Imagens e textos removidos, a pedido do sacerdote envolvido.

13 novembro, 2015

Summorum Pontificum em Portugal: Santa Missa em Lisboa.

Santa Missa no Rito Tradicional – Missal Romano de 1962

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Igreja de São Nicolau – Lisboa

Sábados, às 10h

Rua Vitória, Igreja
1100-618 Lisboa

Tlf: 21 887 95 49 / 91 221 33 01

Fax: 21 886 57 66

Email: paroquias.baixa@gmail.com  |  geral@paroquiasaonicolau.pt

Site: www.paroquiasaonicolau.pt

1 novembro, 2015

Foto da semana.

foto da semana

Basílica de São Pedro, sábado, 24 de outubro de 2015: Dom Juan Rodolfo Laise, OFM, bispo emérito de San Luis, Argentina, celebra Missa Pontifical no Altar da Cátedra de São Pedro, por ocasião da 4ª peregrinação Summorum Pontificum.

O idoso bispo, no alto de seus 89 anos, é talvez o mais antigo combatente público da Comunhão na Mão no episcopado, depois da introdução da prática por autorização do Papa Paulo VI em 1969; a este respeito, Sua Excelência publicou um livro na década de 90 (lançado em italiano, com prefácio de Dom Athanasius Schneider, por ocasião da peregrinação) e, enquanto bispo ativo, proibiu a prática em sua diocese.

Créditos da imagem a Emanuele Capoferri.

22 agosto, 2015

Lex orandi, lex credendi.

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A “lex orandi” está sempre ligada à “lex credendi”. Dependendo do modo em que os homens rezem, bem ou mal, assim também acreditarão, bem ou mal, e se comportarão, bem ou mal. A santa liturgia é, em absoluto, o primeiro acto da nova evangelização. Se não adorarmos a Deus em espírito e verdade, se não celebrarmos a liturgia com a maior fé possível, especialmente nessa acção divina que se desenrola ao longo da missa, então não poderemos ter a inspiração e a graça necessárias para participar na evangelização. Em suma, na santa liturgia está contida a forma da evangelização, na medida em que aquela é um encontro directo com o mistério da fé que nos cabe levar às almas que Deus traz ao nosso encontro.

Ela consegue, por ela mesma, conduzir ao conhecimento dos mistérios da fé. Se a santa liturgia for celebrada de uma maneira antropocêntrica, se ela mais não for do que uma simples actividade social, não terá qualquer impacto duradouro na vida espiritual. Uma das maneiras de conduzir os homens na direcção da fé consiste em restaurar a dignidade da liturgia. Celebrar uma missa com veneração é algo que sempre atraiu os homens para o mistério da redenção. É por isso que me parece que a celebração da missa na forma extraordinária pode ter um papel muito importante no âmbito da nova evangelização, porque ela acentua a transcendência da santa liturgia. Ela sublinha a realidade da união entre o Céu e a terra que a santa liturgia quer exprimir. A acção de Cristo por meio dos sinais do sacramento, por meio dos sacerdotes, instrumentos do próprio Cristo, torna-se muito evidente na forma extraordinária. Além do mais, ela ajuda‑nos a sermos mais respeitadores no modo de celebrar a forma ordinária.

Todos vemos a necessidade dessa evangelização no mundo de hoje, que vive como se Deus não existisse. É importante que se ligue esta nova evangelização à celebração o mais cuidada possível da liturgia. Em muitas pessoas ateias ou não cristãs com quem me encontrei, pude ver que, ao travarem conhecimento com a missa na forma extraordinária, tinham a experiência de estarem realmente na presença da acção de Deus. E em seguida, esta mesma experiência veio a permitir-lhes acolherem os ensinamentos da religião. Os homens devem conseguir compreender que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Devem poder compreender que é o próprio Cristo que desce sobre o altar para renovar o sacrifício da Cruz. Devem poder compreender que têm de unir os seus corações àquele Seu Coração que foi trespassado para os purificar do pecado, e para fazer crescer neles o amor de Deus e o amor pelo próximo. Devemos pois catequizar os homens com as realidades profundas da missa, em particular por meio da forma extraordinária do rito romano.

Palavras do Cardeal Raymond Leo Burke em entrevista a Paix Liturgique

23 fevereiro, 2015

Francisco diz que a “Reforma da Reforma” está “equivocada”. Seminaristas “tradicionalistas” criticados, Papa diz que o “desequilíbrio” deles se manifesta na celebração da liturgia.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Grande parte da atenção da mídia ao encontro anual do Papa Francisco com o clero de Roma (realizado ontem, 19 de fevereiro) se concentrou em suas observações sobre os padres casados. De igual e possivelmente mais importância imediata foram suas observações sobre a liturgia, que acabam de ser publicadas pela agência de notícias ZENIT.

O Papa não poderia ter sido mais claro em sua visão da “Reforma da Reforma”. Ele fala da necessidade de uma ars celebrandi mais respeitosa, mas qualquer um que tenha realmente acompanhado os debates litúrgicos dos últimos 20 anos saberá que isso não é a mesma coisa que a “Reforma da Reforma”. Esperamos, sinceramente, que os “costumeiramente suspeitos” na blogosfera e nas redes sociais não ignorem essa conversa completamente nem tentem minimizar esse assunto criando explicações complexas de como o Papa “realmente queria dizer” algo diferente, ou que tudo isso não passa de boataria, uma invenção, ou seja lá o que for. Qualquer coisa que lhes permita manter as cabeças na areia!

O Papa critica a “Reforma da Reforma” de maneira notável e abertamente, mas ele não diz nada negativo a respeito do próprio Summorum Pontificum em si, muito pelo contrário. Todavia, a sua aparente condenação e palavras desdenhosas sobre os seminaristas diocesanos “tradicionalistas” não podem e não devem ser minimizadas como simplesmente fazendo referência ao comportamento imoral de alguns deles – comportamento que também pode ser encontrado, empiricamente com muito mais frequência, entre seminaristas não tradicionalistas. Ao designar especificamente as “liturgias” (Reforma da Reforma”?) celebradas pelos seminaristas “tradicionalistas”, uma vez ordenados, como a manifestação de seus “desequilíbrios” “morais e psicológicos”, fica claro que o alvo do Papa são os pontos de vista semelhantes aos tradicionais a respeito da sagrada liturgia de muitos jovens padres e seminaristas. Ao mencionar que a Congregação dos Bispos está conduzindo intervenções a este respeito, a mensagem enviada é clara e em bom tom: bispos, aceitem seminaristas com tendências “tradicionalistas” por sua conta e risco. Ao declarar abertamente que os problemas morais e psicológicos “acontecem com frequência” em “ambientes” tradicionalistas, aparentemente desprovido de misericórdia, doravante uma grande tarja poderá ser utilizada para denegrir esses jovens.

Reproduzimos abaixo a passagem relevante do relatório da Zenit, com os nossos destaques:

No entanto, alguns trechos do discurso do Papa foram liberados graças em parte a vários padres que falaram com a imprensa após a reunião. Alguns até mesmo conseguiram gravar as palavras do Papa. Além de várias frases relatadas por algumas agências de notícias italianas nesta manhã, o Pontífice de 78 anos abordou o tema, por exemplo, do “rito tradicional” com o qual Bento XVI concedeu a celebração da Missa. Através do Motu Propio Summorum Pontificum, publicado em 2007, o atual Papa Emérito permitiu a possibilidade de celebrar a Missa segundo os livros litúrgicos editados por João XXIII, em 1962, não obstante a forma “ordinária” de celebração na Igreja Católica continuar sempre aquela estabelecida por Paulo VI em 1970.

O Papa Francisco explicou que esse gesto por parte de seu antecessor, “um homem de comunhão”, foi concebido para oferecer “uma mão corajosa aos lefebvrianos e tradicionalistas”, bem como àqueles que desejavam celebrar a Missa de acordo com os ritos antigos. A chamada Missa “tridentina” – disse o Papa – é uma “forma extraordinária do Rito Romano”, aprovado após o Concílio Vaticano II. Assim, ele não é considerado um rito distinto, mas sim uma “forma diferente do mesmo rito”. (sic)

Entretanto, o Papa observou que há padres e bispos que falam de uma “reforma da reforma.” Alguns deles são “santos” e falam “de boa fé.” Mas isso “é um equívoco”, disse o Santo Padre. Então, ele mencionou o caso de alguns bispos que aceitaram seminaristas “tradicionalistas” que foram expulsos de outras dioceses, sem averiguar informações sobre eles, porque “eles se apresentavam muito bem, eram muito devotos.” Então, eles foram ordenados; porém, mais tarde ficou comprovado que eles tinham “problemas psicológicos e morais”. 

Esse não é o costume, mas “muitas vezes isso acontece” nesses ambientes, destacou o Papa, e ordenar esse tipo de seminaristas é como “hipotecar a Igreja.” O problema subjacente é que alguns bispos às vezes ficam sobrecarregados com “a necessidade de novos sacerdotes na diocese.” Portanto, não é feito um discernimento suficiente entre os candidatos, entre os quais alguns podem esconder certos “desequilíbrios” que então se manifestam nas liturgias. Na verdade, a Congregação dos Bispos – continuou o pontífice – teve que intervir com três bispos em três desses casos, embora eles não tenham ocorrido na Itália.

Durante o inicio de seu discurso, Francisco falou sobre homilética e a ars celebrandi, encorajando os padres a não cair na tentação de querer ser uma “estrela” no púlpito, talvez até mesmo falando de uma “maneira sofisticada” ou “com excesso de gestos.”

Todavia, os padres também não deveriam ser “chatos” ao ponto das pessoas “darem uma saidinha para fumar um cigarro lá fora” durante a homilia.

(Fonte: Pope Holds Two Hour Meeting with Roman Clergy)

8 novembro, 2014

Foto da semana.

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Roma, 1º de novembro de 2014, Peregrinação Summorum Pontificum. Um pequeno coroinha beija o anel de Sua Eminência Reverendíssima Raymond Leo Cardeal Burke.

Obrigado, Eminência, por seu corajoso trabalho em defesa da Fé Católica — assine um manifesto de agradecimento pelo trabalho do Cardeal Burke clicando aqui.

27 outubro, 2014

“Estarei espiritualmente com vocês”.

São as palavras do Papa emérito Bento XVI aos participantes da Peregrinação Summorum Pontificum, concluída ontem, em Roma, festa de Cristo Rei no calendário tradicional. Convidado para estar presente na Santa Missa Pontifical celebrada na Basílica de São Pedro pelo eminentíssimo Cardeal Raymond Leo Burke, Bento XVI respondeu aos organizadores por carta:

Benedictus XVI

Papa emeritus

Città del Vaticano

10-10-2014

Ilustríssimo Delegado-General,

Finalmente encontrei um tempo para agradecer-lhe pela sua carta do último dia 21 de agosto. Estou muito contente que o Usus antiquus agora viva em plena paz dentro da Igreja, também entre os jovens, apoiado e celebrado por grandes cardeais.

Estarei espiritualmente com vocês. Minha condição de “monge enclausurado” não me permite uma presença que também é exterior. Deixo o meu claustro somente em casos particulares, [quando] pessoalmente convidado pelo Papa.

Em comunhão de oração e amizade.

No Senhor,

Bento XVI

Não deixa de ser significativa, como que um aparente ato de reconhecimento em quase desagravo, a menção a “grandes cardeais” que hoje celebram a Missa Tradicional. Desgraçacadamente, eles têm sido as maiores vítimas do pontificado bergogliano. Burke, que nas últimas semanas despontou como a grande liderança da “ala conservadora”, realmente, parece dar adeus a Roma, e recebeu também o apoio do ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal William Levada, que declarou ter ido à Missa em São Pedro “em amizade ao Cardeal Burke”.