Foto da semana.

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FratresInUnum.com, 8 de maio de 2022 – Com informações de La Voie Romaine: Praça de São Pedro, Vaticano, 4 de maio de 2022:

“Somos mães de sacerdotes. Caminhamos de Paris a Roma até vós por oito semanas. Trazemo-vos as cartas de milhares de católicos que expressam seu sofrimento após o Motu Proprio Traditionis Custodes. Santo Padre, pedimo-vos que dê a nossos filhos sacerdotes a liberdade de celebrar a Missa tradicional, pela unidade e amor à Igreja. Acolha-nos como acolheria a vossa própria mãe”.

Assim, dirigiram-se ao Santo Padre as mães dos sacerdotes que caminharam 1500 quilômetros a pé para pedir a Francisco que reconsidere seu Motu Proprio.

Uma delas (Diane, na foto), pôde cumprimentar o Papa ao término de sua audiência da última quarta-feira. Ela lhe entregou uma mochila com 2500 cartas de fieis, além de dois envelopes especiais: um, contendo a carta de um padre que teve sua paróquia fechada algumas semanas após Traditionis Custodes; e, outro, com uma seleção de oito cartas traduzidas ao espanhol.

“Hagan lío”.

FratresInUnum.com, 19 de abril de 2022 – Com informações de InfoCatólica: No último domingo, um grupo de fieis ocupou o campanário de uma igreja em Grenoble, sudeste da França, por 40 horas.

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O motivo: a expulsão, pelo administrador diocesano, de dois padres da Fraternidade São Pedro, então encarregados pela presença do rito romano tradicional na região, substituídos por um padre diocesano que passará a atender aos fieis em tempo parcial. A associação de fieis explica em comunicado:

“Não deixaremos que isso ocorra. É injusto e carece totalmente de senso comum. Estamos assistindo a uma verdadeira perseguição. Seguimos a mensagem do Papa Francisco aos jovens: “hagan lío” [façam confusão]… Uma confusão que nos dê um coração livre, que nos dê solidariedade, esperança. Queremos jovens com esperança e força.

Texto modificado em Prædicate Evangelium, relativamente à “forma extraordinária” do Rito Romano.

Por FratresInUnum.com, 23 de março de 2022 – A Constituição Prædicate Evangelium mencionava, em seu artigo 93, a “forma extraordinária” do Rito Romano:

“O Dicastério [Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos] se ocupa da regulamentação e da disciplina da sagrada liturgia naquilo que diz respeito à forma extraordinária do Rito romano”,

Ignorando quanto estabelecido pelo próprio legislador, o Papa Francisco, determinava no infeliz Motu Proprio Traditionis Custodes:

“Os livros litúrgicos promulgados pelos santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única expressão da lex orandi do Rito Romano”.

Pois bem, apesar de terem afirmado que a Constituição Prædicate Evangelium foi minuciosamente estudada, como num “trabalho de monges cartuxos”, na mesma Coletiva de Imprensa (2h16min), Mons. Marco Mellino afirmou que esta menção teria sido um “erro”.

“Na edição típica, que trará o texto original e o de base, encontrareis a formulação assim como está. Também porque há toda a questão da Comunidade São Pedro [sic – aqui ele se refere à Fraternidade São Pedro, que recebeu confirmação pessoal de Francisco para manter o uso do rito tradicional] … Devemos encontrar a melhor formulação, de modo que tudo esteja bem previsto”.

Agora, no texto atualmente disponível no site da Santa Sé, o n. 93 da Constituição Prædicate Evangelium aparece modificado:

“O Dicastério se ocupa da regulamentação e da disciplina da sagrada liturgia quanto ao uso – concedido segundo as normas estabelecidas – dos livros litúrgicos anteriores à reforma do Concílio Vaticano II”.

Isto nos faz pensar: temos duas versões do mesmo documento (o mesmo título e a mesma data). Isso não seria uma falsificação? Vê-se que, para a atual gestão da Santa Sé, uma lei é redigida simplesmente de acordo com a conveniência e é modificada sem nenhuma formalidade, exatamente como nas ditaduras e nos governos mais absolutistas.

Como ficam os defensores do atual Magistério Vivo?

O Sacerdócio crucificado.

Por Padre Jerônimo Brow – FratresInUnum.com, 13 de março de 2022: Lá vem o pároco, descendo as escadas da casa paroquial revestido com sua surrada batina. Adentra na sacristia e se ajoelha um tempo diante do Crucifixo, rezando as orações de preparação para a Santa Missa. Em seguida, levanta-se, veste cada um dos paramentos rezando as devidas orações. Faz piedosamente a fórmula de intenção e dirige-se para onde já estão os coroinhas.

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Ali, encontra os coroinhas já formados em procissão tendo à frente a Cruz Processional ladeada por dois castiçais. Outros dois acólitos se aproximam do padre, um com a naveta, outro com o turíbulo. O padre por três vezes deita o incenso sobre o turíbulo fumegante e abençoa o incenso queimando.

O turiferário posiciona-se em frente à Cruz.

E nesse momento, começa:

“Bom dia, gente! Pode ser melhor, bom dia! Sejam todos e todas bem-vindos e bem-vindas para a Eucaristia! Nosso tema de hoje…”

É o comentarista da Missa, uma espécie de Galvão Bueno litúrgico.

Ele conclui sua primeira de muitas intervenções dizendo: “E agora, fiquemos de pé e acolhamos o presidente da celebração e sua equipe com o nosso canto de entrada.”

O padre sente mais uma vez um calafrio, particularmente com a expressão “presidente”, mas ele sabe que o pior ainda está por vir…

Escuta por três vezes os paus da bateria batendo um no outro, e começa a música: “Hoje é dia de celebração, Aleluia… Hoje é dia de festa…” Guitarra, piano, bateria, panderola… E um dos cantores: “Nas palmas!”

O padre entra, de cabeça baixa, olhando para o chão para não parecer que é o Silvio Santos que está entrando. Incensa o altar mais rápido do que gostaria, na esperança de que essa primeira estação de sua via sacra particular diária acabe.

Faz o Sinal da Cruz com a saudação litúrgica. Quando dá uma breve pausa para respirar, volta o comentarista: “Ato Penitencial. Momento de pedir perdão pelas faltas da semana etc”. Após o “comentário”, o padre lê no missal alguma fórmula introdutória que prevê silêncio em seguida. E nesse tempo de silêncio começa a banda com alguma música onde talvez até se diga “Kyrie, eleison!”, mas num tal ritmo, com tal letra, com tais instrumentos que simplesmente não combinam com essa milenar expressão da Igreja, um dos últimos resquícios do tempo em que o grego era a língua litúrgica, e que foi mantido para que na Santa Missa, renovação do Calvário, estivessem presentes as três línguas que lá estavam: hebraico, grego e latim…

Após o Ato Penitencial, mais uma estação para o Padre. A bateria até estava mais calma no ato penitencial, mas alguém ensinou que agora é “pra botar pra quebrar”, começa a banda:

“Glória a Deus nas alturas”, com uma espécie de rubricas braçais: nesse momento se levanta os braços estilo “olê, olá”, depois se bate palma a cada segundo, após, uma palma a cada três segundos e, no final, duas palmas por segundo…

Oremos, diz o padre, pensando que finalmente terá um momento de silêncio. E o comentarista entra: “Momento de silêncio, de reflexão para que cada um ponha a sua intenção para essa Eucaristia.”

E assim continuará a luta, por mais ou menos uma hora.

O padre já não participa mais das reuniões da “pastoral da liturgia”. Sim, ele está magoado, porque ao explicar que não precisava de tantas coisas e dissolver a equipe, eles foram à Comissão Litúrgica do Vicariato que denunciou o padre ao Bispo e o Bispo ordenou que a equipe voltasse, porque estamos numa “igreja ministerial”. E o pároco teve que voltar atrás, de modo que para a pastoral litúrgica cada comentário, cada procissão de bíblia, de ofertas e de legumes, ainda tem um sabor de vitória.

O padre não questionou a ordem do Bispo e nem usou da sua autoridade de pároco, porque considerou um milagre estar na única paróquia – afastada do centro da diocese – onde não havia diácono permanente de bigode, acólito, coroinha fêmea… E conseguiu – segundo e maior milagre – convencer os “ministros da eucaristia” a deixá-lo distribuir a comunhão sozinho para o povo, dizendo que, se houvesse muita gente, os chamaria.

O padre sabe que há um problema, mas talvez tenha medo de pensar profundamente sobre ele. O problema, resumindo ao máximo, é que ele quer rezar o Santo Sacrifício e o povo (ou pelo menos “as lideranças paroquiais”) querem a Eucaristia.

Sim, eu sei que teoricamente são sinônimos. Mas na prática não é necessário ser um gênio para perceber que os dois termos significam não apenas coisas diferentes, mas opostas. Talvez o padre tenha feito com que de vez em quando se fale em sacrifício em algum comentário, ou em alguma música, mas, na realidade, todo o resto diz que não há sacrifício. É só ceia, banquete, memorial.

Não se nega que a Missa possua esses elementos, mas na sua essência ela é Sacrifício. E todo o resto decorre desse aspecto essencial que não pode apenas ser uma ideia, mas precisa ser identificável na própria celebração em todos os seus aspectos.

O problema é que a Missa de acordo com o Missal de Paulo VI se não nega, ao menos omite essa realidade sacrifical. Ela, na melhor das hipóteses se torna um dos aspectos da Missa, mas não a sua essência. Por isso, quase todas as coisas que o nosso pobre padre fizer para que a Missa seja um sacrifício e que se perceba a doutrina sobre o sacerdócio católico serão desobediências ou às normas litúrgicas universais, ou nacionais, ou diocesanas, ou ao menos a omissão delas. Ou então ele chegará à conclusão (certamente equivocada) de que se não há uma proibição, portanto, é permitido; e introduzirá tudo o que puder da missa antiga que talvez até conheça bem na missa nova. Ou simplesmente dentre as dezenas de opções que o próprio missal oferece, sempre optará pelo que mais parecer com a liturgia tradicional.

A missa nova em si mesma foi feita para atenuar ou destruir a ideia de sacrifício e do Sacerdócio Católico tal como compreendidos até então. Quanto mais os fiéis da paróquia participarem dos cursos oficiais de teologia, tanto menos conhecerão o que é a Missa e o que é o Sacerdócio Católico. E mais, aprenderão que as concepções tradicionais são velhas, superadas e até mesmo erradas, e isso baseado em documentos da Igreja recentes como a própria Instrução Geral do Missal Romano ou seguindo autores que dariam eles mesmos a correta compreensão dos dogmas católicos, se ainda pudermos falar em dogmas…

Por isso, a ideia de “Missa Nova bem celebrada” geralmente poderia ser traduzida por “Missa de Paulo VI mais parecida com a Missa de S. Pio V”. O problema é que para isso acontecer será necessário que não apenas o padre, mas os cantores, os comentadores (que perceberão sua absoluta contingência) e todos os demais membros da equipe também tenham ao menos uma formação diferente da que é dada nos cursos litúrgicos ministrados oficialmente.

E aqui, percebemos que os fiéis que vão à Missa, na melhor das hipóteses receberão as chamadas “migalhas da tradição”. Mas, até essas migalhas estão ameaçadas. Basta mudar de padre e voltamos à Missa Show: “Padre Chico vem aí, olê, olê, olá!” Ou por decretos diocesanos abusivos ordenando a suspensão da comunhão na boca e de joelhos, ou uso de véu, ou determinando a valorização da “igreja ministerial” etc…

Mesmo as Missas “Traditionis Custodes” não estão absolutamente seguras. Uma vez que estão sempre submetidas ao humor do Bispo Diocesano, “guardião da Tradição” que pode simplesmente expulsar um instituto tradicional ou não designar padre diocesano algum, ou fazer a missa peregrinar de capela para capela. E também o Bispo não ficará eternamente naquela diocese, sendo a tendência atual é substituir um bispo “conservador” por um progressista. De modo geral, o clero não é formado para ter convicções, mas para seguir o Bispo, nem que seja para o abismo.

As missas tradicionais celebradas por instituições reconhecidas pelas autoridades romanas hoje deve apresentar-se como uma questão de preferência, de gosto, de “sensibilidade litúrgica” e tão boa quanto (ou até superada) pela missa nova, fruto do “irrepreensível” Concílio Vaticano II.

Por isso, o simples fiel que compreendeu que a Missa Tradicional não é um problema, ao contrário, é a solução para a crise na Igreja e que compreende que ela não é uma questão de gosto ou preferência, mas de Fé, deve buscar também aprofundar seu entendimento na questão da autoridade e da obediência, para poder compreender que a aparente irregularidade ou desobediência de certos institutos na verdade é absolutamente regular e obediência à Igreja, e que mesmo a resistência a certas autoridades é caridade para com essas mesmas autoridades.

Não é minha intenção nesse artigo discutir validade ou licitude das Missas, uma vez que isso envolverá também o conhecimento e a intenção do sacerdote que só ele e Deus podem saber. Nem tampouco criar um clima de desconfiança, mas simplesmente fazer compreender que muitos fiéis sempre se disseram dispostos a voltar às catacumbas, mas negam-se a entrar nelas quando chega o momento.

Et in medio nostri sit Christus Deus.

Por Padre Jerome Brow,  FratresInUnum.com, 7 de março de 2022: Quando João Paulo II erigiu a Administração Apostólica S. João Maria Vianney, houve duas cerimônias, a primeira na Catedral de Campos, RJ. Nela estava presente o representante do Papa, vários Bispos e padres vindos de diversos lugares do Brasil para presenciar o “momento histórico”.

Peregrinação da Fraternidade São Pio X a Roma para o Jubileu do ano 2000.
Peregrinação da Fraternidade São Pio X a Roma para o Jubileu do ano 2000.

Não era muito difícil conhecer os padres da Administração: batina, sobrepeliz, estola, tonsura…

No momento em que o então Pe. Fernando Guimarães, hoje Arcebispo Militar do Brasil, lia o decreto de criação da Administração, alguns padres se voltaram para os sacerdotes da administração e diziam-lhes: “Bem-vindos à Igreja!”

Essa cena me chocou.

Os conhecidos “padres de Campos” não eram católicos? “Bem-vindos”?

Se os “padres de Campos” não estavam na Igreja, onde estavam? Na carta dirigida ao Papa, os “padres de Campos” diziam que estavam “à margem” por não terem jurisdição, que foi o que a Administração concedeu-lhes, mas, jamais um “padre de Campos” (ao menos naquela época) diria que não tinha Fé, ou que não era Católico, o que seria a mesma coisa.

Os “padres de Campos” podiam não ter provisões, jurisdições, licenças, mas tinham a Fé Católica. E os fiéis também. Em um primeiro momento, para a recém-criada Administração nada tinha mudado.

Em seguida, o Rito Tradicional foi se tornando mais conhecido, menos estigmatizado. Muitos sacerdotes novos o aprendiam, os fiéis ligados de algum modo à Administração, nas regiões em que ela atuava, necessitavam de padres e alguns padres diocesanos receberam o “indulto” para dar assistência a esses fiéis até que veio o Motu Proprio Summorum Pontificum, de Bento XVI, que, ainda que de um modo imperfeito, afirmou claramente que o Rito de S. Pio V jamais tinha sido proibido ou ab-rogado.

Vários padres no mundo trouxeram a Missa tradicional para as suas paróquias, administravam os sacramentos no mesmo rito e faziam com que a Missa de Paulo VI se tornasse mais próxima o possível do que é a de S. Pio V. O que trouxe um grande fervor na vida espiritual de muitos fiéis, fervor que se manifestou na busca por conhecer mais não apenas a Santa Missa Tradicional, mas a própria Fé da Santa Igreja no sentido do que foi acreditado em todos os tempos, todos os lugares, por todos os fiéis.

Isso até Traditionis Custodes.

A iniquidade própria de Traditionis Custodes não está limitada às páginas do documento, nem nas imediatas e funestas aplicações cuja única justificação é que “são ordens”. Mas, há algo ainda pior que é o esfacelamento do mundo tradicional promovido desde dentro.

Traditionis Custodes fez com que o que era, ao menos em tese, comum à toda a Igreja, tornasse-se repentinamente uma permissão especialíssima para grupos muito precisos. Os sacerdotes dos Institutos Tradicionais, por exemplo, podem manter a Missa Tradicional, e o uso do Ritual e Pontifical.

Mas… e os sacerdotes diocesanos ou religiosos que não pertencem a esses institutos e que da noite para o dia perderam a Missa que alimentava a sua própria vida espiritual e a de muitos fiéis que não eram grupos oficiais de institutos oficiais? Na imensa maioria das dioceses, apenas um padre pode celebrar a Missa Tridentina, em um local distante e para um grupo de fiéis destinado a não crescer.

Mas, e os outros?

E os outros padres e fiéis?

Obedeçam.

Voltem penitentes ao Rito moderno! Caso contrário, exporão suas almas ao risco de uma eterna condenação (aquela que os modernistas não crêem, salvo para os tradicionalistas) ao assistir a Missa de qualquer padre que não tenha a permissão especialíssima do Bispo para celebrar o que, até 15 de julho do ano passado, era livre.

Mas, será que é isso mesmo?

Será que as Missas celebradas sem licença do Bispo, como requer o Motu Proprio são ilícitas? Será que cometem pecado mortal os fiéis que buscam os sacramentos por padres “não autorizados”?

Antes de tudo, é necessário voltarmos no tempo, à Bula Quo primum tempore do Papa S. Pio V, que afirma que jamais um sacerdote pode ser proibido de celebrar a Missa que o mesmo Papa canonizou como ato solene de seu magistério pontifício. Nesse sentido, Francisco vai diretamente contra o que S. Pio V ordenou solenemente.

Assim, os padres e fiéis ou ignoram a Quo primum tempore ou ignoram Traditionis Custodes.

E como poderia agora conduzir ao inferno (sendo a assistência dela um pecado mortal, para alguns que justificam os mais abomináveis pecados) a missa que conduziu ao céu tantos santos?

O problema é que neste momento os fiéis se encontram confusos, e colaboram nessa confusão muitos padres que celebram a missa tradicional de acordo com Traditionis Custodes anatematizando, sem ter autoridade, os padres e os fiéis que resistem, seja na Fraternidade S. Pio X (aquela que recebeu de Francisco faculdades que padre legalizados, sob Traditionis Custodes, não possuem) ou comunidades amigas, ou instituições semelhantes, seja por iniciativa pessoal, que certamente acabarão se unindo ao que já existe para garantir a continuidade que Traditionis Custodes quer destruir.

O que se esperaria de almas verdadeiramente sacerdotais é que compreendessem o que disse Nosso Senhor: “Quem não está contra nós, está a nosso favor!” E não que se apresentassem como, numa expressão bem simples, o último biscoito do pacote.

Em um filme sobre a vida de Padre Pio, em uma cena, o ator que o interpreta diz a seguinte frase: “É satanás que põe irmão contra irmão”.

Que Nossa Senhora una num só coração os padres, que cessem as rixas e divisões e que no meio deles esteja Cristo Deus.

Por uma interpretação de Traditionis Custodes à luz da misericórdia de Francisco.

Consternados com a rigidez com que nossos pastores, com seu clericalismo fechado à diversidade, têm aplicado as disposições misericordiosas do Papa Francisco acerca do rito tradicional, apresentamos a tradução deste artigo esclarecedor. Hagan lío!

De Traditionis Custodes a Responsa ad Dubia

Notas sobre a hermenêutica da legislação do Santo Padre Francisco

Por Padre Federico, Infocatólica, 21 de dezembro de 2021 | Tradução: FratresInUnum.com

Introdução

Sua Santidade Francisco publicou Motu Proprio Traditionis Custodes (TC) e, em 18/12/21, aprovou a Responsa ad dubia (RAD) sobre o referido documento.

Alguns consideram que os Responsa são como uma resposta ao Rito Romano, mas nestas linhas mostraremos que não é, esclarecendo desde o início que submetemos a nossa interpretação ao julgamento da Autoridade Hierárquica e assinalando ab initio que a nossa a escrita pretende apenas servir de subsídio destinado a fornecer elementos de aprofundamento dos critérios hermenêuticos que devem servir para ler as diversas normas promulgadas pelo Santo Padre Francisco segundo as orientações que se dignou dar à Igreja. Nem é preciso dizer que agradeceremos qualquer contribuição que nos ajude a melhorar ou corrigir qualquer ponto defeituoso que nosso estudo possa ter.

Embora muitos possam ser tentados a ler estes textos (TC e RAD) de forma fundamentalista, é essencial, se quisermos ser coerentes com as declarações do Santo Padre Francisco, evitar interpretar e / ou aplicar rigidamente Traditionis Custodes e os Responsa Ad Dubia .

Com efeito, esses documentos devem ser entendidos levando-se em conta a maneira específica como Francisco nos pede que interpretemos e vivamos a lei. Francisco é o legislador que emitiu os ditos documentos, logo devemos fazer uma exegese da forma como o próprio Papa nos pediu que o fizéssemos, isto é, com liberdade, com discernimento, priorizando a caridade e sobretudo, sem rigidez, pois, segundo para ele, “a rigidez não é um dom de Deus” [1] .

Na verdade, o Santo Padre ressalta que é necessário:

cuidado especial para compreender, consolar, integrar, evitando impor [às almas necessitadas] uma série de normas [sejam litúrgicas , canônicas ou disciplinares] como se fossem uma rocha, alcançando assim o efeito de fazê-las sentir-se julgadas e abandonadas justamente por aquela Mãe que é chamada a levar-lhes a misericórdia de Deus [2] .

De fato, hoje muitas almas (leigos e sacerdotes) se sentem abandonadas pela Igreja ante a publicação de  Traditionis Custodes e da Resposta.

1) A chave exegético-aplicativa: o discernimento

Agora, a chave principal para interpretar e aplicar TC e RAD é o discernimento, que no final não pode ser feito da frieza de uma escrivaninha clerical (romana, episcopal ou paroquial) – já que “o clericalismo é uma perversão” [3] – mas sim pesa sobre o povo de Deus em interação com o pastor que está entre as suas ovelhas, pronto a dar a vida por elas (cf. Jo. X 11).

Na verdade, conforme solicitado por Amoris Laetitia nº305,

o direito natural [e muito mais o direito disciplinar, canônico ou litúrgico] não deve ser apresentado como um conjunto já constituído de regras que se impõem a priori ao sujeito moral, mas sim como uma fonte de inspiração objetiva para seu processo, eminentemente pessoal, tomando uma decisão,

o que implica que Traditionis Custodes e os Responsa não passam de uma mera fonte de inspiração para um “processo de tomada de decisão eminentemente pessoal” [4] . Além disso, será necessário ter em mente que, como diz o Papa Francisco, “a atitude de tentar resolver tudo aplicando regulamentos gerais” [5] é errada e que “também não é útil tentar impor regras pela força de autoridade ” [6] .

Com efeito, segundo o Papa Francisco, os pastores «com cheiro a ovelha» [7] não podem ser frios aplicadores de regras, mas devem fazer um constante [8] «discernimento evangélico [que é] é o olhar do discípulo missionário, que é “alimentado pela luz e com a força do Espírito Santo”[9], logo a chave essencial para a aplicação da TC, RAD e outras normas emanadas do Papa Francisco é o discernimento que o pastor faz junto com suas ovelhas, cujo “cheiro” carrega consigo.

Contra esta atitude de permanente discernimento evangélico – que exige uma conversão permanente, está, segundo o Papa Francisco, a tentação do rigorismo, que, segundo os padres sinodais, vem do Diabo e procura substituir o discernimento dos espíritos [10] .

No caso da TC e da RAD, a atitude rigorosa (e, portanto, diabólica) seria aplicar essas normas “de cima” sem deixar ao pastor e às suas ovelhas a possibilidade de fazer um discernimento comunitário, caso a caso, de forma análoga ao que o Papa Francisco pede o discernimento de certos casos de moral matrimonial, para os quais dá “um novo impulso a um discernimento pessoal e pastoral responsável dos casos particulares” [11] , sabendo que “as consequências ou efeitos de uma norma não devem ser necessariamente sempre o mesmo” [12].

Com efeito, afirma o Santo Padre em Amoris Laetitia nº300 que «se se levar em conta a inumerável variedade de situações específicas, (…) é compreensível que não se deva esperar (…) nas novas regras gerais do tipo canônico aplicável a todos os casos”, nem se pode esperar que TC ou RAD possam ser aplicáveis ​​a todos os casos.

Portanto, assim como “um pastor não pode se contentar apenas em aplicar as leis morais a quem vive em situações “irregulares”, como se fossem “pedras atiradas na vida das pessoas” [13], também os bispos não podem se sentir satisfeitos apenas aplicando as leis morais aos padres e leigos que vivem em situações litúrgicas ou rituais “irregulares”, como se desde então fossem pedras atiradas sobre a vida das pessoas , seguindo de forma análoga Amoris Laetitia nº305, já que o lançamento de normas – como se fossem pedras – (sejam as de TC, as da RAD, as do Código Canônico…) sobre as comunidades tradicionais «é o caso dos corações fechados, que tendem a esconder-se mesmo por trás dos ensinamentos da Igreja “para sentar-se na cadeira de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, casos difíceis e famílias feridas” [14] .

De fato, após TC e RAD muitas famílias se magoam, pois, por exemplo, se sentem discriminadas ao escolher o tipo de rito que desejam para que seus filhos sejam batizados, se confessem ou sejam  confirmados, podendo resultar em casos difíceis como cinco irmãos que são confirmados com o rito tradicional mais solene e o sexto que, além de sempre ter que usar as roupas usadas que seus irmãos mais velhos lhe deram, agora deve ser confirmado em um rito diverso que parece menos bonito.

Pretender, portanto, aplicar as normas gerais de TC e da RAD sem considerar caso a casoé o caso de corações fechados, que tendem a se esconder até atrás dos ensinamentos da Igreja para sentar na cadeira de Moisés e julgar, para às vezes com superioridade e superficialidade, casos difíceis e famílias feridas” [15] .

De fato, diz o Papa, “significa parar apenas para considerar se as ações de uma pessoa atendem ou não a uma lei ou norma geral ” [16] . Afirma ainda que “embora haja necessidade de princípios gerais, quanto mais se enfrentam as coisas particulares, mais indeterminação há” [17] ; que “as normas gerais (…) não podem abranger absolutamente todas as situações particulares” [18] ; “Aquilo que faz parte de um discernimento prático em uma situação particular não pode ser elevado à categoria de norma” [19], pois “isso não só daria lugar a uma casuística insuportável, mas colocaria em risco os valores que são preciso conservar com cuidado especial » [20]; que «o discernimento deve ajudar a encontrar os caminhos possíveis para responder a Deus e crescer no meio dos limites » [21] ; que “por acreditar que tudo é preto ou branco, às vezes bloqueamos o caminho da graça e do crescimento, e desencorajamos os caminhos da santificação que dão glória a Deus” [22] ; que “um pequeno passo, no meio de grandes limites humanos, pode agradar a Deus mais do que a vida exteriormente correta de quem passa os dias sem grandes dificuldades” [23] e que “a caridade fraterna é a primeira lei dos cristãos (cf. Jo 15.12; Ga 5.14) » [24] .

Se o discernimento deve ser cada vez mais descentralizado, como quer o Papa Francisco – que afirma que “percebe a necessidade de avançar em uma saudável“ descentralização” [25] -, se acreditarmos que – como pede o Papa – “cada cristão e cada comunidade discernirá o caminho que o Senhor lhes pede” [26] , se levarmos a sério a exortação papal de nos dirigirmos “a cada Igreja particular para entrar em decidido processo de discernimento” [27] , se aspiramos a realizar “com os irmãos (…) um discernimento pastoral sábio e realista” [28] , neste discernimento o papel dos leigos é fundamental, pois o Papa Francisco afirma que “Deus dota todos os fiéis com um instinto de fé – o sensus fidei – que os ajuda a discernir o que realmente vem de Deus ” [29] , o que implica que os leigos interessados ​​em participar da missa tradicional devem ser envolvidos no discernimento de como interpretar e aplicar TC e RAD.

Com efeito, assim como «não é conveniente ao Papa substituir os episcopados locais no discernimento de todos os problemas que surgem nos seus territórios» [30] , também não é conveniente que os bispos substituam os padres – que estão entre as ovelhas – no discernimento de todos os problemas que surgem em seus territórios, especialmente quando trabalham para curar feridas nas periferias – geográficas ou existenciais.

Esta descentralização do discernimento deve ser aguçada tanto quanto possível neste período do Sínodo sobre a Sinodalidade, uma vez que o Sínodo dos Bispos, convocado pelo Papa, exige que “coloquemos em prática processos de escuta, diálogo e discernimento comunitário, em que todos e cada um pode participar e contribuir » [31] ; diz-nos que «[o Povo de Deus] também participa na função profética de Cristo» (LG, n. 12)« [32] ; diz-nos que «no estilo sinodal, as decisões são tomadas por discernimento, com base num consenso nascido da obediência comum ao Espírito» [33] .

A chave, então, é o discernimento e o que mais se opõe ao discernimento é a rigidez, que se manifesta na vontade de aplicar à risca as normas gerais de TC e da RAD .

Esta rigidez é absolutamente condenada pelo Papa Francisco, que afirmou: “A rigidez do hipócrita não tem nada a ver com a lei do Senhor, mas com algo escondido, uma vida dupla “que nos faz escravos e faz esquecermos que estar ao lado de Deus significa viver “liberdade, mansidão, bondade, perdão” [34] ; « A palavra ‘hipócrita’, Jesus repete muitas vezes aos rígidos, aos que têm uma atitude de rigidez no cumprimento da lei, que não têm a liberdade dos filhos: sentem que a lei deve ser feita assim e são escravos da lei ” [35] ; “A lei não foi feita para nos tornar escravos, mas para nos tornar livres, para nos tornar filhos”[36] ; “[Hipócrita] é uma palavra que Jesus costuma repetir para as pessoas rígidas, porque por trás da rigidez há outra coisa, sempre” [37] ; Embora “pareçam bons, porque obedecem à lei , atrás há algo que não os torna bons: ou são maus, hipócritas ou doentes ” [38] ; o filho mais velho “era rígido, andava rigidamente na lei” [39] ; “Não é fácil andar na lei do Senhor sem cair na rigidez” [40] ; «[Rezemos] pelos nossos irmãos e irmãs que acreditam que andar na lei do Senhor é tornar-se um povo rígido [41] ; «Outra coisa que impede o progresso no conhecimento de Jesus, na pertença a Jesus, é a rigidez : rigidez do coração. Também a rigidez na interpretação da Lei. Jesus censura os fariseus, doutores da Lei, por esta rigidez (cf. Mt 23,1-36) que não é fidelidade: a fidelidade é sempre um dom a Deus; a rigidez é uma segurança para mim » [42] ; Rigidez. Isso nos afasta da sabedoria de Jesus, da sabedoria de Jesus; tira sua liberdade. E muitos pastores fazem essa rigidez crescer no coração dos fiéis; e esta rigidez não nos faz entrar pela porta de Jesus (cf. Jn 10,7): é mais importante observar a lei tal como está escrita, ou como a interpreto, do que a liberdade de seguir em frente a Jesus » [43]; «O apóstolo Paulo mostra aos primeiros cristãos da Galácia o perigo de abandonar o caminho que começaram a percorrer acolhendo o Evangelho. Na verdade, o risco é cair no formalismo, que é uma das tentações que nos leva à hipocrisia (…) Em suma, a tentativa de Paulo é colocar os cristãos em um beco sem saída para que percebam o que está em jogo e não sejam encantado com a voz das sereias que querem levá-lo a uma religiosidade baseada unicamente na observância escrupulosa de preceitos(…) O amor de Cristo crucificado e ressuscitado permanece no centro de nossa vida cotidiana como fonte de salvação, ou nos contentamos com alguma formalidade religiosa para ter a consciência limpa? (…) Também hoje alguns chegam a insistir continuamente: “Não, a santidade está nestes preceitos, nestas coisas, tens que fazer isto e isto, e propõem-nos uma religiosidade rígida, a rigidez que exige afasta de nós aquela liberdade no Espírito que nos dá a redenção de Cristo. Fique atento diante da rigidez que eles propõem: fique atento. Porque por trás de toda rigidez existe algo de feio, não existe o Espírito Santo. E, por isso, esta Carta nos ajudará a não dar ouvidos a essas propostas ligeiramente fundamentalistas que nos fazem retroceder na vida espiritual e nos ajudará a avançar na vocação pascal de Jesus” [44] ; «Antes da pregação do Evangelho que nos torna livres, nos faz felizes, estão os rígidos. Sempre com rigidez: tem que fazer isso, tem que fazer aquilo… A rigidez é típica dessa gente. Seguir o ensinamento do apóstolo Paulo na Carta aos Gálatas nos fará bem para compreender que caminho seguir. Aquele indicada pelo Apóstolo é o caminho libertador e sempre novo de Jesus » [45]; «O apóstolo explicita dizendo que quando se está “sob a lei”, se está “vigiado” ou “fechado”, em uma espécie de prisão preventiva. (…) como ensina a experiência comum, o preceito acaba estimulando a transgressão […] E o que fazemos com os Mandamentos? Devemos cumpri-los, mas como uma ajuda ao encontro com Jesus Cristo » [46] .

2 – Critérios de discernimento

Deixamos claro que o discernimento é a pedra de toque para a exegese e aplicação de TC e RAD, mas quais são os critérios a usar neste discernimento? São muitos, mas os principais, por serem algo esquemáticos, podem ser classificados em três grupos: a) critérios de caridade; b) critério de sinodalidade; c) critério de realidade.

2.1- Critérios de caridade

2.1.1 – Do caráter absoluto da caridade, da relatividade normativa e da cultura do encontro.

2.1.1.1 – Primado da caridade sobre outras normas

A principal chave para as regras é a caridade. A caridade é o único absoluto quando se trata de interpretar ou aplicar as normas eclesiásticas, como se depreende de Evangelii Gaudium nº179:

O que estes textos expressam é a prioridade absoluta do «sair de si ao irmão» como um dos dois mandamentos principais que fundam todas as normas morais e como o sinal mais claro para discernir sobre o caminho do crescimento espiritual em resposta ao dom absolutamente livre de Deus.

O Santo Padre repete este conceito com outras palavras em sua conversa com seu amigo Eugenio Scalfari: “Ágape, o amor de cada um de nós para com todos os outros, do mais próximo ao mais distante, é justamente o único caminho que Jesus indicou-nos a encontrar o caminho da salvação e das Bem-aventuranças » [47] .

Com efeito, todos nós somos chamados a “buscar a felicidade dos outros como o seu bom Pai a busca” [48] , portanto, se a celebração do antigo rito faz feliz algum próximo, o pastor não poderia privá-lo, mantendo-se rigidamente este ou aquele padrão .

Ao lado da caridade (em suas diferentes facetas ou aspectos, por exemplo, ternura, caridade pastoral, misericórdia, …), todas as outras normas são relativas e tanto que o Santo Padre nos pede para fazer a « revolução da ternura » [49] ; nos ensina que « guardar [por exemplo, a tradição] exige a bondade, pede para ser vivida com ternura ” [50] e recorda-nos que” não devemos ter medo do bem, da ternura ” [51] .

Ao lado da “revolução da ternura”, todas as normas são relativas e secundárias e negar isso seria um ato de rigidez, que é uma doença [52] .

Este primado absoluto da caridade para interpretar e aplicar as normas gerais torna-se ainda mais agudo quando o pároco deve fazer o discernimento no contexto da Igreja em Saída, o cuidado dos necessitados, o acompanhamento dos grupos marginalizados ou periféricos, o que, em particular, implica que o pároco não poderá ignorar o clamor dos grupos atingidos pela missa tradicional se se sentirem marginalizados ou necessitados, especialmente quando esses grupos vivem nas periferias – sejam geográficas ou existenciais – visto que « o critério-chave de autenticidade que indicaram [os demais apóstolos a São Paulo] é de que não deveria esquecer os pobres (cf. Ga 2,10) » [53] – o que inclui os«novas formas de pobreza » [54], como a solidão ou o abandono [55] , inclusive das pessoas que se sentem abandonadas ou sozinhas porque não podem rezar como são chamadas a rezar.

2.1.2.- Relatividade das normas

Mas, para o Papa Francisco, essa relatividade das normas é ainda mais radical. Com efeito, afirmou que o próprio Decálogo – isto é, os Dez Mandamentos – é, no fundo, relativo, como expressou numa audiência geral: «Eu desprezo os Mandamentos? Não. Eu os cumpro, mas não como absolutos » [56] .

Que fique claro, então, qual é a vontade do Papa Francisco quando se trata de legislar ou dar indicações: se nem mesmo os Dez Mandamentos são absolutos, as normas humanas da Igreja serão ainda menos absolutas e muito menos o que ele diz será absoluto, um Motu Proprio e menos ainda o que os Responsa dizem a alguns Dubia respondidos por um [ainda não] Cardeal Prefeito.

Na mesma linha, o Papa aponta que os preceitos humanos devem ser moderadamente exigidos:

Santo Tomás de Aquino sublinhou que os preceitos dados por Cristo e pelos Apóstolos ao Povo de Deus «são muito poucos» (I-II, q. 107, art. 4.). Citando Santo Agostinho, advertiu que os preceitos acrescentados pela Igreja posteriormente deveriam ser exigidos com moderação “para não tornar a vida dos fiéis pesada” e converter a nossa religião em escravidão , quando “a misericórdia de Deus quis que fôssemos livres” (Ibidem.). Este aviso, feito há vários séculos, é extremamente atual. Deve ser um dos critérios a ter em conta quando se pensa uma reforma da Igreja e da sua pregação que realmente permita chegar a todos [57] .

O que foi dito nos pede que a aplicação de TC e da RAD não seja tão exigente a ponto de tornar pesada a vida dos fiéis . Em outras palavras: se a aplicação deste ou daquele preceito de TC ou da RAD em um caso particular torna pesada a vida deste ou daquele fiel, estas regras gerais não devem ser aplicadas .

2.1.3.- Da cultura do encontro e da construção de pontes

Para o Santo Padre, a cultura do encontro é a única forma de conseguir o progresso social: “a única forma de progredir na vida dos povos é a cultura do encontro ”, o que implica que “o outro sempre tem algo a me dar quando sabemos abordá-lo com uma atitude aberta e disponível, sem preconceitos ” [58] , o que então implica que os bispos devem abordar seus próximos que celebram (ou participam) no rito tradicional com uma atitude aberta e disponível , sem preconceito  e «opiniões prévias gratuitas» [59] , o que, segundo o Papa, é fundamental porque, diz-nos, «hoje, ou estamos empenhados no diálogo, ou estamos empenhados na cultura do encontro, ou todos nós perdemos , todos nós perdemos. É aqui que vai o caminho fecundo »[60] . Portanto, a exclusão das comunidades tradicionais é um sério ataque à fertilidade que nos fará perder e impedir o progresso social .

Se o Papa promove a cultura do encontro entre os membros de todas as religiões -como de fato o faz- , com tanto mais razão é necessário promover a cultura do encontro entre os membros devotos do Rito Moderno e os que amam o Rito Tradicional, sem excluir ou limitar uns ou outros, apostando mais “na cultura do encontro ” [61] .

Portanto, o paradigma da cultura do encontro é outro fator que os pastores e os leigos devem ter ao discernir a aplicação de TC e da RAD: se estes documentos não favorecem a cultura do encontro , privando alguns do Rito que eles preferem ou se as afeições pelo Novo Rito cultivam preconceitos contra os outros, então seria necessário parar de aplicar TC e RAD em certos casos. Será preciso ver caso a caso.

Na mesma linha da cultura do encontro, o Santo Padre insiste na importância de construir pontes, em vez de muros, como lemos nesta passagem:

Lembro-me de quando era criança que se ouvia nas famílias católicas, na minha família: “Não, não podemos ir para a casa deles, porque não são casados ​​pela Igreja, são socialistas, são ateus, hein!” Foi como uma exclusão. Agora – graças a Deus – não, isso não é mais dito, é? Não se diz! Isso existia como defesa da fé, mas com paredes. O Senhor, por sua vez, fez pontes [62] .

Este conceito de pontes deve ser aplicado ao discernir a aplicação de TC e RAD, ou seja, bispos e padres devem evitar expressões como “não, não podemos permitir essa forma ritual, porque não estão relacionadas ao Vaticano II, à nova missa . Ah! Isso seria uma exclusão. É como uma defesa do novo rito e do concílio, mas com paredes, mas “o Senhor, por sua vez, fez pontes ” [63] .

Falando da cultura do encontro , o Papa destacou o seguinte:

Sei que entre vocês existem pessoas de diferentes religiões, ofícios, ideias, culturas, países, continentes. Hoje estão praticando aqui a cultura do encontro, tão diferente da xenofobia, da discriminação e da intolerância que tantas vezes vemos. Entre os excluídos se dá esse encontro de culturas onde o conjunto não cancela a particularidade, o conjunto não cancela a particularidade. É por isso que gosto da imagem do poliedro, uma figura geométrica com muitas faces diferentes . O poliedro reflete a confluência de todas as parcialidades que nele preservam sua originalidade. Nada se dissolve, nada se destrói, nada se domina, tudo se integra , tudo se integra [64] .

Podemos parafrasear isso ao discernir a aplicação de TC e RAD:

Sei que entre vocês existem pessoas de diferentes ritos e pontos de vista sobre o Vaticano II e a Reforma Litúrgica. Hoje estão praticando aqui a cultura do encontro, tão diferente da discriminação e da intolerância que tantas vezes vemos. Entre os excluídos se dá esse encontro de ritos em que o conjunto não cancela a particularidade, o conjunto não cancela a particularidade. É por isso que gosto da imagem do poliedro, uma figura geométrica com muitas faces diferentes. O poliedro reflete a confluência de todas as parcialidades que nele preservam sua originalidade. Nada se dissolve, nada se destrói, nada se domina, tudo se integra, tudo se integra.

Esta promoção de encontros, pontes e poliedros que o Santo Padre nos pede deve levar-nos a integrar plenamente as várias visões sobre o Vaticano II e os Ritos na vida da Igreja, sem discriminação nem intolerância .

2.2.- Primazia de consciência

2.2.1.- Liberdade de consciência

Caso pareça (segundo Francisco, não se pode ter certeza absoluta) que a caridade e a ternura movem a aplicação das normas da TC e da RAD, então a consciência do sacerdote e dos fiéis será afetada pela aplicação daquelas regras. Vamos ver qual é o papel da consciência seguindo os textos do Papa Francisco.

Em primeiro lugar, “a consciência é livre ” [65] .

Em segundo lugar, a Igreja não pode apoderar-se das consciências do povo, pois esta é uma atitude farisaica que a torna estéril, como se lê na homilia papal de 12-20-14: “quando a Igreja (…) assumir o controle das consciências dos o povo”, quando vai” pelo caminho dos fariseus, dos saduceus, pelo caminho da hipocrisia, a Igreja é estéril ” [66] .

Terceiro, para o Papa, a bondade ou maldade de uma pessoa é exercida não pela obediência às normas clericais gerais, mas pela obediência à sua consciência. Ele diz:

Há pecado, também para quem não tem fé, quando vai contra a consciência. Ouvir e obedecer significa, na verdade, decidir o que é percebido como bom ou mau. E nesta decisão a bondade ou a maldade de nossas ações são colocadas em jogo [67] .

Portanto, se um sacerdote vê em consciência que não deve seguir este ou aquele ponto do TC ou da RAD, não deve segui-los e ninguém pode julgá-lo, pois se o Santo Padre, sendo o próprio Vigário de Cristo, não se considera com autoridade para julgar um homossexual – apesar de São Paulo dizer que eles serão condenados se consentirem na sodomia (cf. 1 Cor 6,9) – [68] , que são os outros bispos para julgar um sacerdote que interpreta e aplica TC e RAD deste ou daquele modo particular?

2.2.2.- Condenação de condenações

Esta atitude sacerdotal contribui para um mundo melhor, como fica claro neste texto papal: “cada um tem a sua ideia do Bem e do Mal e deve escolher seguir o Bem e combater o Mal como os concebe. Isso bastaria para melhorar o mundo » [69] .

O Santo Padre vai tão longe nesta linha que chega a dizer que Jesus ” nunca condena ” [70] e “a sociedade deve imitá-lo”, portanto, nenhum bispo pode condenar um sacerdote que continua a celebrar o Rito Antigo ou tem opiniões críticas sobre o Vaticano II, visto que, de acordo com o Papa Francisco, Jesus nunca condena .

2.2.3.- Liberdade religiosa e liberdade ritual

Na verdade, para o Papa Francisco, a liberdade religiosa de todos deve ser respeitada, como emerge deste texto:

Esta experiência deve nos levar a promover a liberdade religiosa para todos, para todos! Todo homem e toda mulher deve ser livre em sua própria confissão religiosa, seja ela qual for . Por quê? Porque aquele homem e aquela mulher são filhos de Deus [71] .

Agora, se é necessário promover a liberdade religiosa e permitir que todos confessem a religião de sua preferência, então, ainda mais, devemos permitir que cada católico interprete o Vaticano II como achar adequado e dê sua palavra sobre a Nova Missa. E a Antiga. O que nos permite fazer esta paráfrase do texto papal citado:

Essa experiência deve nos levar a promover a liberdade ritual para todos , todos! Mesmo para aqueles que celebram o antigo rito. Cada homem e cada mulher deve ser livre em seu próprio rito, seja ele qual for. Por quê? Porque aquele homem e aquela mulher são filhos de Deus.

Além disso, o Santo Padre exige que a liberdade religiosa seja respeitada, que inclui a liberdade “de manifestar publicamente a própria fé” [72] e, a seguir, promove “um pluralismo saudável que respeite verdadeiramente os diferentes e os valorize como tais”, que implica a condenação da “pretensão de reduzi-los [a certas manifestações religiosas, v.gr. este ou aquele rito] ao silêncio e às trevas da consciência de cada um, ou à marginalidade “já que isto” trataria em última instância de uma nova forma de discriminação e autoritarismo “.

Portanto, qualquer tentativa de condenar o Rito Antigo à marginalidade é uma forma de discriminação e autoritarismo condenada pelo Papa Francisco .

2.2.4.- Liberdade ritual e autoridade dos pais

Por outro lado , Amoris Laetitia nº 84 defende “o papel indelegável dos pais, que têm o direito de poder escolher livremente o tipo de educação – acessível e de qualidade – que querem dar aos seus filhos segundo as suas convicções“, o que implica que deveriam ser autorizados a escolher uma educação com a liturgia tradicional e contrária ao Vaticano II.

2.3.- Relatividade gnoseológica

Em todo caso, por mais que se acredite que as normas TC e RAD devam ser aplicadas neste ou naquele sentido num caso concreto, segundo Francisco, não existe uma forma única de compreender as coisas, mas sim as percepções da realidade e, portanto, as normas são relativas segundo qual é a maneira de ver as coisas de cada um.

Na verdade, o Santo Padre admitiu que ele

Não falaria, nem mesmo por quem acredita, de verdade “absoluta” (…) Portanto, a verdade é uma relação! Na verdade, todos nós apreendemos a verdade e a exprimimos por nós mesmos: da nossa história e cultura, da situação em que vivemos, etc. [73] .

Portanto, se assumirmos a gnoseologia do Papa Francisco, o que dizem TC e RAD? Ninguém pode dizer com certeza absoluta, mas as afirmações feitas a esse respeito devem levar em conta “nossa história e cultura, a partir da situação em que vivemos, etc”.

Além disso, se «cada um lê [Deus] à sua maneira» [74] – como diz o Santo Padre-, então , ainda mais, cada sacerdote lerá TC e RAD à sua maneira, visto que os dogmas sobre Deus são mais importantes e autorizados do que uma Resposta a onze questões disciplinares. Portanto, cada sacerdote deve saber que TC e RAD são documentos que cada um pode ler à sua maneira.

3.- Critério de sinodalidade

O segundo critério que deve ser usado para interpretar e aplicar TC e RAD é o da sinodalidade, que implica que os padres devem envolver as ovelhas no discernimento da aplicação das diretrizes de TC e RAD.

Sinodalidade é antes de tudo ouvir e seguir o Espírito Santo e isso implica “abandonar o confortável critério pastoral de “sempre se fez assim” [75] e, portanto, implica o dever de aceitar o pedido papal de “ser ousado e criativo nesta tarefa de repensar os objetivos evangelizadores, estruturas, estilos e métodos das próprias comunidades “e viver a “exortação a todos para que apliquem com generosidade e coragem as orientações deste documento, sem proibições nem temores” [76] . Portanto, o espírito sinodal implicará abandonar o confortável critério pastoral que, por exemplo, diz que “décadas atrás, a liturgia sempre foi feita assim” e repensar os métodos sem proibições ou temores de seguir o Espírito Santo que poderiam eventualmente nos inspirar a usar este ou aquele rito .

Talvez alguns batizados, seguindo o corpus de pronunciamentos do Papa Francisco e os interpretando com certa liberdade, possam acreditar que ao interpretar e aplicar TC-RAD estas outras linhas devam ser levadas em conta: a) o propósito deliberado de fazer confusão; b) o caráter “revolucionário” da fé; c) a condenação do proselitismo; d) a condenação do clericalismo. Vejamos essas linhas, da mão do Santo Padre.

3.1.- O propósito deliberado de fazer confusão

O Santo Padre exorta os jovens a “fazerem confusão” [hagan lío], mas este pedido papal de alguma forma se estende a todos os batizados, pois ele agradeceu a certas pessoas que o ajudaram a continuar fazendo bagunça. Portanto, Sua Santidade Francisco convida todos os cristãos a criarem problemas. Vamos ler suas exortações.

– «Gostaria de dizer uma coisa: o que espero com a Jornada da Juventude? Espero confusão. Que vai haver uma bagunça aqui, vai haver. Que aqui no Rio vai ter problema, vai ter. Mas quero problemas nas dioceses » [77] .

– ” Ajude-me a continuar criando confusão ” [78] .

Especifiquemos que ” bagunça “, segundo o dicionário da Real Academia Espanhola, é uma palavra coloquial que significa confusão, confusão, tumulto, briga – isto é, barulho, tumulto, briga – e desordem . Há até um último significado da palavra que mostra o caráter mais perturbador da relação e é a coabitação, ou seja, o concubinato.

3.2.- O caráter “revolucionário” da fé

O Santo Padre não só nos convoca à sinodalidade, mas também a ser revolucionários, pois considera que a fé católica é em si mesma “revolucionária”. Vamos ver.

– «Queridos amigos, a fé é revolucionária e hoje vos pergunto: estais dispostos, estais dispostos a entrar nesta vaga da revolução da fé? Só entrando na sua jovem vida ela terá sentido e, portanto, será fecunda” [79] .

– ” Um cristão, se não é revolucionário, neste momento, não é cristão!” [80] .

– « Não gosto de jovem que não protesta (…). Um jovem está essencialmente insatisfeito e isso é muito bom ” [81] .

– “Nós, cristãos, temos algo muito bom, um guia de ação, um programa, poderíamos dizer, revolucionário” [82] .

– “Nossa fé é revolucionária” [83] .

– «A nossa fé é sempre revolucionária – este é o nosso grito mais profundo e constante » [84] .

Portanto, acatar essas advertências papais poderia levar muitos católicos a operar uma espécie de “revolução” contra Traditionis Custodes e Responsa Ad Dubia , sem , em suas consciências, isso implicar uma falta de obediência ao Papa, mas, ao invés, eles verão isso como um ato de profunda fidelidade ao Papa e de grande seguimento da doutrina por ele ensinada, ou seja, de que a fé é revolucionária .

Se alguém considera revolucionário que essas pessoas se proponham a criar uma espécie de revolução contra os ditos documentos pontifícios, tal impressão seria apenas uma confirmação da máxima papal, que nos lembra um refrão juvenil: “Estaremos criando problemas / Continuaremos criando problemas. “

De fato, o Padre Barthe já pediu resistência a Traditionis Custodes, como pode ser visto em uma de suas entrevistas [85] . Ele poderia ser visto como alguém que vive o caráter revolucionário da fé? Seria preciso discerni-lo, mas o certo é que ele está bagunçando e é o que o Sumo Pontífice nos pede .

Alguns podem dizer que a fé não é revolucionária, mas que hoje, nestes tempos de apostasia, é contra-revolucionária, mas não acreditamos que o Santo Padre se oponha à opinião daqueles que acrescentam o prefixo “contra” visto que somos em tempos de sinodalidade.

Seja o que for, S.S. Francisco referiu que não gosta de jovens que não protestam [86] e que é muito bom que os jovens estejam insatisfeitos e que o estejam essencialmente [87] . Ora, visto que seria uma contradição hipócrita isentar de sua declaração aqueles jovens que protestam contra ele ou excluir os jovens que são padres, então deve-se concluir que Sua Santidade gostaria de ver jovens padres que protestassem contra Traditionis Custodes e as Responsa Ad Dubia .

O fato de estarem se formando grupos de protesto que pedem tratamento igual entre os seguidores do Vaticano II e seus oponentes e entre os seguidores da Nova Missa e os da Antiga não ameaça a paz, pois, como diz o Papa Francisco,

A paz social não pode ser entendida como irenismo ou como mera ausência de violência conquistada pela imposição de um setor sobre os outros. Seria também uma falsa paz que serve de pretexto para justificar uma organização (…), para que quem goze dos maiores benefícios [i.e., o direito de ter o rito de sua escolha] pode sustentar seu estilo de vida [litúrgico] sem problemas, enquanto outros [que fizeram outras escolhas rituais] sobrevivem da melhor maneira que podem. As exigências [litúrgicas] (…) não podem ser sufocadas sob o pretexto de construir um consenso de mesa ou uma paz fugaz para uma minoria feliz. A dignidade da pessoa humana e o bem comum estão acima da tranquilidade de alguns que não querem renunciar aos seus privilégios. Quando esses valores são afetados, uma voz profética é necessária [88] .

Em suma, o Santo Padre convoca aqueles que se sentem discriminados (seja no campo social, litúrgico ou qualquer outro) a ter uma voz profética que lute contra os titulares de privilégios, como o privilégio de que gozam os adeptos da Nova Missa que podem desfrutar em qualquer lugar sem qualquer restrição, enquanto outros estão sujeitos a terríveis restrições a ponto de proibi-los de receber o Espírito Santo -em confirmação- com o rito de seus avós.

3.3.- A condenação do proselitismo

Uma das condenações mais repetidas do Santo Padre é a do proselitismo, que inclui o proselitismo litúrgico, para o qual todas as tentativas de convencer ou forçar os partidários do rito tradicional a aderir à Reforma Litúrgica ou a aceitar plenamente o Concílio Vaticano II.

O Santo Padre afirma que «o proselitismo é sempre violento por natureza, mesmo quando oculto ou realizado com luvas» [89] , que «o proselitismo é uma tolice solene, não faz sentido» [90] , que «não é cristão fazer fazer proselitismo ” [91] e que“ a Igreja não cresce pelo proselitismo, mas pela atração ” [92] .

O Papa Francisco até disse o seguinte: “Vou convencer outra pessoa a se tornar católica? Não não não! Você vai encontrá-lo, ele é seu irmão! É o bastante! E tu vais ajudá-lo, Jesus faz o resto, o Espírito Santo faz ” [93] .

Se quisermos ser coerentes com estas declarações papais, no que diz respeito ao TC e à RAD, será necessário aplicar o seguinte: «Vou convencer outra pessoa a tornar-se Vaticano Secundista ou Novus-Ordista? Não não não! Você vai encontrá-lo, ele é seu irmão! É o bastante! E você vai ajudá-lo, Jesus faz o resto, o Espírito Santo faz .

Portanto, nenhum bispo pode fazer proselitismo de seus padres tentando convencê-los a abraçar o Vaticano II ou a Nova Missa, já que o Papa Francisco condena o proselitismo . Se o Papa Francisco nos proíbe de tentar converter um herege à religião católica, ainda mais é proibido a um bispo tentar converter um padre refratário ao Vaticano II. Você não será capaz de fazer proselitismo.

É verdade que muitos católicos praticantes estão cansados ​​do Vaticano II e da Nova Missa e acreditam que ambos os projetos falharam. Pode-se ser a favor ou contra esses irmãos, mas o Papa Francisco não quer que esses confrades sejam proselitizados, mas que se sintam atraídos por eles.

Pensamos que uma boa maneira de atraí-los será mostrá-los, se isso for possível (do contrário, não), com atos, sem palavras, os transbordantes frutos visíveis do Vaticano II e da Nova Missa e compará-los com os frutos da Igreja Pré-conciliar. Caso isso ainda não seja possível, então é melhor esperar cem ou duzentos anos (porque às vezes em alguns lugares os frutos dos Concílios precisam talvez de séculos para serem vistos) e então eles podem tentar atrair (não fazer proselitismo) para aquelas pessoas que não acreditam que o Vaticano II e a Nova Missa são tão bons quanto os outros pensam.

O Papa Francisco é muito claro ao proibir toda “interferência espiritual na vida pessoal”:

A religião tem o direito de expressar suas próprias opiniões a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos libertou: a interferência espiritual na vida pessoal não é possível . (…) Você sempre tem que levar a pessoa em consideração. E aqui entramos no mistério do ser humano. Nesta vida Deus acompanha as pessoas e é nosso dever acompanhá-las de acordo com a sua condição. Devemos acompanhar com misericórdia [94] .

Portanto, embora os Papas tenham o direito de expressar suas próprias opiniões a serviço do povo – por meio dos atos do Vaticano II ou de documentos como Traditionis Custodes , “Deus na criação nos tornou livres: não é possível interferir espiritual no pessoal vida ” [95] , portanto,” devemos acompanhar com misericórdia ” [96] todos aqueles que não compartilham dessas opiniões ou gostos papais, o que implica que a opinião que fulano ou beltrano tem sobre o Vaticano II não pode ser uma razão válida para construirmos paredes que o excluam, como faria, por exemplo, quem pune o padre por celebrar uma confirmação em sua forma antiga apenas porque ele o faz não tem a mesma opinião que este ou aquele Papa sobre este ou aquele conselho ou rito. Recordemos o princípio do Papa Francisco: “A ingerência espiritual na vida pessoal não é possível” [97]

Francisco afirma que «acolhendo cada um, como ele é, com gentileza e sem proselitismo, as vossas comunidades mostram que querem ser uma Igreja de portas abertas, sempre« à saída » [98] , o que nos deve mover no momento certo para aplicar TC e RAD:

Acolhendo cada um dos irmãos que não suportam o Vaticano II e a Missa Nova, como é, com gentileza e sem proselitismo, suas comunidades mostram que querem ser uma Igreja de portas abertas – mesmo no Rito Tradicional , sempre “no saída. ”Para todas as periferias, mesmo as periferias das almas que não concordam com o Vaticano II ou a Missa Reformada.

3.4.- A condenação do clericalismo

3.4.1.- O clericalismo como perversão

O Santo Padre condenou reiteradamente o clericalismo, como se vê, por exemplo, no discurso que proferiu ao Colégio Mexicano: “Não nos clericalizar. Não se esqueça que o clericalismo é uma perversão ” [99] .

Ora, se tivermos em conta que o clericalismo, segundo a RAE, é o “marcante afeto e submissão ao clero e as suas diretrizes” e a “excessiva intervenção do clero na vida da Igreja, o que impede o exercício dos direitos de outros membros dela “, então o discernimento evangélico, em certos casos, levará o pastor a omitir a aplicação literal do TC e da RAD quando os leigos pedirem para participar do Rito Tradicional, caso contrário correriam o risco de cair naquele “perversão” chamada clericalismo que se configura por sujeitar fortemente a Congregação às normas gerais estabelecidas pelo alto clero, o que nos lembra outra declaração do Santo Padre e que um não deve “controlar o outro, seguir seus passos com cuidado, para impedi-los de fugir de nossas vidas. armas ” [100] , como seria o caso do bispo que está controlando cada passo de seu clero para que cumpram com tudo isso ou aquele ponto dos decretos disciplinares.

2.4.2.- Princípio da igualdade litúrgica

Além disso, segundo o Papa Francisco, “somos todos iguais”, o que implica que ele não é mais importante do que o último dos leigos, como lemos nesta sua declaração:

Ninguém é mais importante na Igreja; somos todos iguais aos olhos de Deus. Alguns de vocês podem dizer: “Ei, Sr. Papa, você não é igual a nós.” Sim: sou como um de vocês, somos todos iguais, somos irmãos! [101] .

O que foi dito tem consequências, uma das quais poderia ser a de que bastaria a qualquer leigo pedir a Missa tradicional para que ninguém a pudesse recusar, uma vez que “somos todos iguais ”; o Papa não é mais que os outros e, portanto, um documento vaticano (seja TC ou RAD) não tem mais autoridade do que pensa um leigo sobre o assunto. Se negarmos isso, então, devemos concluir que não somos todos iguais e que o Papa tem mais autoridade, mas não é isso que o Papa disse e enfatizou, ou seja, “somos todos iguais”.

Sua Santidade ratificou esta ideia ao falar com uma criança:

[Criança da Fábrica da Paz] Papa, na sua opinião, seremos todos iguais um dia?

[Francisco] Esta pergunta pode ser respondida de duas formas: somos todos iguais – todos nós! – mas não nos reconhecem esta verdade, não nos reconhecem esta igualdade, e por isso alguns são mais – digamos a palavra, mas entre aspas – “Feliz” do que outros. Mas isso não é um direito! Todos nós temos os mesmos direitos! Quando você não vê isso, essa sociedade é injusta. Ele não vive de acordo com a justiça [102] .

Vamos parafrasear isto:

Somos todos iguais – todos nós! -, mas não nos reconhecem esta verdade, não nos reconhecem esta igualdade, e por isso uns são mais “felizes” do que outros porque podem celebrar o rito que preferem. Mas isso não é um direito! Todos nós temos os mesmos direitos! Quando isso não é visto, a Igreja é injusta . Ele não vive de acordo com a justiça.

2.4.3.- Viva e deixe viver

Além disso, o primeiro conselho que o Papa Francisco deu para ser feliz é “viva e deixe viver”:

Vivi e deixei viver: “aqui os romanos têm um ditado e poderíamos tomar como um fio para puxar a fórmula que diz:“ Vá em frente e deixe o povo ir ”. Viva e deixe viver, é o primeiro passo para a paz e a felicidade [103] .

Este ditado papal aplicado a Traditionis Custodes seria assim:

Viva o rito que preferir e deixe que os outros vivam o rito que quiserem. Prossiga com seu rito e sua opinião sobre o Vaticano II e deixe que o povo prossiga com o seu rito e sua opinião sobre este ou aquele concílio.

4.- Critério de realidade

4.1.- Primazia da realidade sobre a ideia

O Santo Padre afirma que existe um primado da realidade sobre a ideia:

Também existe uma tensão bipolar entre ideia e realidade . A realidade é simplesmente que a ideia foi elaborada. Deve-se estabelecer um diálogo constante entre os dois, evitando que a ideia acabe se separando da realidade. É perigoso viver no reino da palavra única, da imagem, do sofisma. Portanto, um terceiro princípio deve ser postulado: a realidade é superior à ideia . Isso significa evitar várias formas de ocultar a realidade: purismos angélicos, totalitarismos do relativo, nominalismos declaracionistas, projetos mais formais do que reais, fundamentalismos a-históricos, eticismos sem bondade, intelectualismos sem sabedoria [104] .

O trecho citado implica que ao aplicar TC-RAD pode haver casos em que se configura uma tensão entre a ideia (inclusive as palavras) de TC-RAD e a realidade a tal ponto que a ideia fica completamente separada da realidade. Em tais casos, a aplicação literal dos princípios gerais de TC e RAD poderia levar a um purismo litúrgico-normativo angelical, ao totalitarismo do relativo (isto é, ao totalitarismo de normas rituais meramente humanas), a nominalismos declarativos em projetos litúrgico-disciplinares mais formais do que reais, fundamentalismos disciplinares e / ou rituais a-históricos, ética sem bondade ou preconceitos litúrgicos sem sabedoria.

3.2.- Preferência de acidentes em relação ao fechamento

Na mesma linha, o Santo Padre nos alerta contra a rigidez, como se vê na Evangelii Gaudium nº45:

Ele nunca se fecha, nunca se refugia em suas seguranças, nunca opta pela rigidez autodefensiva. Ele sabe que deve crescer na compreensão do Evangelho e no discernimento dos caminhos do Espírito , e então não renuncia ao bem possível, mesmo correndo o risco de se sujar com a lama do caminho [105] .

Esta passagem é muito importante ao interpretar e aplicar TC e RADs. Com efeito, os pastores não devem se prender ou se retirar para as salvaguardas que uma aplicação geral de TC e RAD lhes dá, visto que isso seria uma rigidez autodefensiva .

Devem saber que em certos casos é desumano ou pouco terno fingir uma aplicação literal destes documentos e que , neste caso, então, devem contentar-se com o bem possível e correr o risco de se sujarem de lama, isto é , de ser sancionado por algum burocrata por não ter cumprido este ou aquele ponto daqueles documentos, mas sabendo que esta eventual sanção seria inválida ipso facto visto que viria de uma rigidez autodefensiva, que, segundo o Santo Padre , é uma coisa ruim.

De fato, o Papa Francisco exorta-nos a preferir os acidentes ao fechamento: «Digo-vos: prefiro mil vezes uma Igreja danificada, que sofreu um acidente, do que uma Igreja enferma por estar fechada». Isto é importante para o discernimento na aplicação de TC e RAD: deve-se preferir mil vezes um “acidente” causado pela celebração da Missa com o Rito Antigo (seria um “acidente” no que diz respeito ao cumprimento deste ou daquele ritual disciplinar normativo) que uma Igreja adoece fechando-se neste ou naquilo, por exemplo, no Rito Novo ou no culto do Vaticano II [106] .

Com efeito, não só devemos preferir os mil acidentes à paralisia, mas o Papa Francisco condenou a vontade de tudo controlar e exige que nos deixemos guiar pelo Espírito Santo [107] .

4.3.- Uma inconsciência saudável

Sua Santidade admitiu que ele próprio está meio inconsciente , como confessou ao Movimento Católico Internacional de Schoenstatt: «um pouco por personalidade, diria que estou meio inconsciente, certo? Então, a inconsciência às vezes leva à imprudência » [108] .

Ele também disse em uma entrevista jornalística: “[Deus] me dá uma boa dose de inconsciência” [109] .

Chegou mesmo a se considerar alguém que às vezes age de forma imprudente e alguém falível que não quer muito corrigir seus erros, pois “prefere [e] andar como [é]” [110] .

Ao interpretar TC e RAD, então devemos saber que se trata de regras feitas por alguém “meio inconsciente” que não quer muito corrigir seus erros e que às vezes age de forma imprudente. São orientações que devemos ter em mente, pois nos incentivam a buscar uma dose saudável de inconsciência e imprudência.

3.4.- A pastoral da Casa Aberta do Pai

Se seguirmos o Papa Francisco, o critério de realidade implica considerar que a Igreja é a casa aberta do Pai e, portanto, deve estar com as portas abertas para acolher a todos, sem se opor a tal preferência litúrgica ou opinião sobre este ou aquele concílio. Vamos ver o que diz o Papa:

A Igreja é chamada a ser sempre casa aberta do Pai. (…) Se alguém quiser seguir um movimento do Espírito e se aproximar em busca de Deus, não encontrará a frieza das portas fechadas (…) Muitas vezes nos comportamos como controladores da graça e não como facilitadores . Mas a Igreja não é uma alfândega, é a casa do pai onde há lugar para cada um com a vida às costas [111] .

Vamos fazer uma paráfrase:

A Igreja é chamada a ser sempre casa aberta do Pai. Se alguém quiser seguir um movimento do Espírito para participar da missa que seus avós rezaram e se aproximar em busca de Deus, e encontrar a frieza das portas fechadas que dizem “não, esse rito é proibido”, essa pessoa ficará escandalizada. Freqüentemente, nos comportamos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a Igreja não é uma alfândega, é a casa do pai onde há um lugar para cada um com a sua vida, os seus ritos e as suas opiniões a reboque.

4- Objeção e resposta: linhas vermelhas para exegese

Alguém poderia talvez nos opor que a indicação dos critérios acima mencionados para a aplicação do TC e da RAD é uma forma sutil de promover a desobediência, ao que respondemos que não é o caso e que o Santo Padre nos pede que renunciemos à casuística e à segurança. [112] .

No entanto, acreditamos que existem algumas linhas vermelhas que não podem ser superadas ao interpretar e aplicar TC e RAD. Vamos ver.

– A situação dos padres tradicionalistas que querem construir seitas “católicas” nunca pode ser favorecida jogando tijolos em todos aqueles que não são como eles.

– Não deve ser permitida a proliferação de grupos tradicionalistas que consideram inválida a nova Missa celebrada de acordo com as rubricas.

– O nascimento de grupos tradicionalistas que não têm como motivo a glória de Deus, mas fins humanos disfarçados como o esplendor de um rito brilhante, não deve ser patrocinado.

Poderíamos acrescentar muitos outros itens, mas não o faremos para não cair na casuística condenada pelo Santo Padre, embora devamos reconhecer que é problemático colocar linhas vermelhas e o Papa nos pede para aplicar a eclesiologia do poliedro , que ele explica nestes termos:

O Espírito Santo não constrói uniformidade. Que forma podemos encontrar? Vamos pensar no poliedro: o poliedro é uma unidade, mas com todas as partes diferentes; cada um tem sua peculiaridade, seu carisma. Isso é unidade na diversidade [113] .

Vamos aplicar isso à interpretação e aplicação de TC e RAD:

O Espírito Santo não constrói uniformidade litúrgica. Que forma podemos encontrar? Vamos pensar no poliedro: o poliedro é uma unidade, mas com todas as partes diferentes; cada um tem sua peculiaridade (…). Esta é a unidade na diversidade litúrgica.

Conclusão: lealdade filial

Concluamos destacando que TC e RAD não podem ser aplicados de forma rígida, mas sim que será necessário um discernimento constante, sem temer a possibilidade de errar, já que o Santo Padre disse isso a alguns religiosos protestantes:

Eles vão errar, vão bagunçar, isso acontece! Talvez você até receba uma carta da Congregação para a Doutrina da Fé dizendo que falaram isso ou aquilo … Mas não se preocupe. Explique o que você tem que explicar, mas continue … Abra portas, faça algo onde a vida clama. Prefiro uma Igreja que comete um erro ao fazer algo do que uma que adoece por estar presa [114] .

Vamos parafrasear esta diretriz papal:

Eles vão errar, vão bagunçar, isso acontece! Talvez você até receba uma carta da Congregação para o Culto Divino dizendo que você rezou isso ou aquilo … Mas não se preocupe. Explique o que você tem que explicar, mas continue … Abra portas, faça algo onde a vida clama. Prefiro uma Igreja que comete um erro ao fazer algo do que uma que adoece por estar presa .

Em suma, se queremos ser coerentes com os textos de S.S. Francisco e evitar a rigidez autodefensiva – que é claramente condenada pelo Santo Padre, Traditionis Custodes e Responsa Ad Dubia devem ser interpretados e aplicados segundo um criterioso discernimento, que deve ter como principais critérios a caridade (na chave da ternura e da misericórdia); respeito escrupuloso pela consciência de cada sacerdote e de cada leigo; a sinodalidade e a permissão -e promoção- da bagunça a ponto de manifestar o desacordo público com certas normas humanas que vão contra a própria consciência subjetiva; a rejeição do clericalismo e o critério da realidade, o que nos leva a considerar cada caso como um todo único e irrepetível, não necessariamente classificado dentro dos limites de uma norma geral humana e abstrata.

Concluamos estas notas implorando à Santíssima Virgem que nos conceda a graça da maior docilidade aos movimentos do Espírito Santo – preferindo a Sua Vontade a qualquer segurança normativa humana – e a perfeita fidelidade a Pedro para viver sempre ” cum Petrus et sub Petrus “, sabendo que” só o Espírito Santo é capaz de (…) tornar o coração (…) dócil à liberdade do amor ” [115] .

Cada um descubra que o Espírito Santo «age em cada evangelizador que se deixa possuir e guiar» [116] , quaisquer que sejam as normas gerais deste ou daquele documento clerical.

Só assim construiremos uma Igreja sinodal , expansiva , aberta a todos e adaptada ao mundo de hoje.

Fontes

Sínodo dos Bispos, Sínodo 2021-2023. Por uma Igreja Sinodal. Comunhão-Participação-Missão. Documento preparatório.

Francisco SS, Amoris Laetitia.

SS Francisco, Audiencia, 26-6-13.

SS Francisco, Audiencia, 23-6-21.

SS Francisco, Audiencia, 18-8-21.

SS Francisco, Audiencia, 1-9-21.

SS Francisco, Audiência com o Movimento Católico Internacional de Schoenstatt ,.

Francisco SS, Carta a Eugenio Scalfari, 4-9-13.

SS Francisco, Coletiva de imprensa durante o vôo de volta do Rio de Janeiro a Roma, 28 de julho de 2013.

SS Francisco, Diálogo com a diretoria da CLAR, 6 de junho de 2013.

SS Francisco, Discurso à comunidade do Pontifício Colégio Mexicano, 3-29-21.

SS Francisco, Discurso aos capitulares da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, 21-9-19.

SS Francisco, Discurso aos funcionários do Dicastério para a Comunicação, 23 de setembro de 2019.

Sua Santidade Francisco, Discurso aos bispos da Conferência Episcopal Regional do Norte da África – CERNA, 2 de março de 2015.

Sua Santidade Francisco, Discurso aos participantes da Assembleia Diocesana de Roma, 17 de junho de 2013.

SS Francisco, Discurso aos reclusos e funcionários do Centro Penitenciário e suas famílias em Cassano All’Ionio, 6-21-14.

SS Francisco, Discurso no Encontro Mundial de Movimentos Populares, 28 de outubro de 2014.

Sua Santidade Francisco, Discurso no Primeiro Encontro Mundial dos Movimentos Populares, Roma, 28 de outubro de 2014

SS Francisco, Discurso no II Encontro Mundial de Movimentos Populares, Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, 9 de julho de 2015

Sua Santidade Francisco, Discurso na vigília de Pentecostes com os movimentos eclesiais, 18 de maio de 2013.

SS Francis, Discurso na visita privada ao pastor evangélico Giovanni Traettino em Caserta, 28 de julho de 2014.

Francisco SS, Encontro com jovens argentinos no Rio de Janeiro, 25/07-13.

SS Francisco, Encontro com a classe dominante do Brasil, 27 de julho de 2013.

Francisco SS, Encontro com as filhas do seu primeiro patrão, o Zenit, 11-7-15.

SS Francisco, Encontro com crianças e jovens de escolas italianas participantes na manifestação organizada pela Fábrica da Paz, 11 de maio de 2015.

SS Francisco, Entrevista com La Nación, 7 de dezembro de 2014.

SS Francisco, Entrevista com O Globo, 29 de julho de 2013

SS Francisco, Entrevista com o jornalista Pablo Calvo, 27 de julho de 2014.

SS Francisco, Entrevista com Antonio Spadaro, 19 de agosto de 2013

SS Francisco, Entrevista com Eugenio Scalfari, 1 de outubro de 2013.

SS Francisco, Entrevista com Eugenio Scalfari, 29 de dezembro de 2013.

SS Francisco, Entrevista com Eugenio Scalfari, 13-7-14.

SS Francisco, Evangelii Gaudium.

SS Francisco, livro-entrevista por Gianni Valente (https://www.vaticannews.va/es/papa/news/2019-11/papa-mision-sin-jesus-no-podemos-hacer-nada-libro-gianni- valente.html).

HH Francis, Homilia da Missa Crismal, 2-4-15.

SS Francis, Homilia da Missa pela Imposição do Pálio e entrega do anel do pescador no início solene do ministério petrino do Bispo de Roma, 3-19-13.

SS Francisco, Homilia no Parque do Bicentenário, Quito, 7 de julho de 2015.

SS Francisco, Homilia no Passeio Marítimo de Copacabana, Rio de Janeiro, 25 de julho de 2013

SS Francisco, Homilia, 8 de maio de 2013.

SS Francisco, Homilia, Santa Marta, 12-20-14.

SS Francisco, Homilia em Santa Marta, 9 de janeiro de 2015

SS Francisco, Homilia, 24/10/2016.

SS Francisco, Homilia 5-5-20.

HH Francis, Vigília de Pentecostes com movimentos eclesiais, 18 de maio de 2013.

https://rorate-caeli.blogspot.com/2021/12/father-claude-barthe-we-must-resist.html


[1] SS Francisco, “Nunca escravos da lei”, Homilia, 24-11-16.

[2] SS Francisco, Amoris Laetitia , 49.

[3] SS Francisco, Discurso à comunidade do Pontifício Colégio Mexicano, 3-29-21.

[4] SS Francisco, Amoris Laetitia , 305.

[5] SS Francisco, Amoris Laetitia , 2

[6] SS Francisco, Amoris Laetitia , 35.

[7] SS Francisco, Homilia da Missa Crismal, 2-4-15.

[8] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 43.

[9] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 50.

[10] Cf. Sínodo dos Bispos, Sínodo 2021-2023. Por uma Igreja Sinodal. Comunhão-Participação-Missão. Documento preparatório , 21: «Além disso, há um outro ator“ que se acrescenta ”, o antagonista, que introduz em cena a separação diabólica dos outros três. Diante da perspectiva desconcertante da cruz, há discípulos que se afastam e pessoas que mudam de humor. A insidiosidade que divide – e portanto contrasta um caminho comum – manifesta-se indiferentemente nas formas do rigor religioso, da insinuação moral que se apresenta mais exigente do que a de Jesus, e da sedução de uma sabedoria política mundana que afirma ser mais eficaz do que o discernimento de espíritos. Para evitar os enganos do ‘quarto ator’, uma conversão contínua é necessária. ‘

[11] SS Francisco, Amoris Laetitia , 300.

[12] SS Francisco, Amoris Laetitia , 300.

[13] SS Francisco, Amoris Laetitia , 305.

[14] SS Francisco, Amoris Laetitia , 305.

[15] SS Francisco, Amoris Laetitia , 305.

[16] SS Francisco, Amoris Laetitia , 304.

[17] SS Francisco, Amoris Laetitia, 304.

[18] SS Francisco, Amoris Laetitia, 304.

[19] SS Francisco, Amoris Laetitia, 304.

[20] SS Francisco, Amoris Laetitia, 304.

[21] SS Francisco, Amoris Laetitia, 304.

[22] SS Francisco, Amoris Laetitia, 304.

[23] SS Francisco, Amoris Laetitia, 304.

[24] SS Francisco, Amoris Laetitia, 304.

[25] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 16.

[26] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 20.

[27] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 30.

[28] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 33.

[29] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 119.

[30] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 116.

[31] Sínodo dos Bispos, Sínodo 2021-2023. Por uma Igreja Sinodal. Comunhão-Participação-Missão. Documento preparatório , 9.

[32] Sínodo dos Bispos, Sínodo 2021-2023. Por uma Igreja Sinodal. Comunhão-Participação-Missão. Documento preparatório , 14.

[33] Sínodo dos Bispos, Sínodo 2021-2023. Por uma Igreja Sinodal. Comunhão-Participação-Missão. Documento preparatório , 30.IX.

[34] SS Francisco, Homilia, 10-24-16.

[35] SS Francisco, Homilia, 10-24-16.

[36] SS Francisco, Homilia, 10-24-16.

[37] SS Francisco, Homilia, 10-24-16.

[38] SS Francisco, Homilia, 10-24-16.

[39] SS Francisco, Homilia, 10-24-16.

[40] SS Francisco, Homilia, 10-24-16.

[41] SS Francisco, Homilia, 10-24-16.

[42] SS Francisco, Homilia 5-5-20.

[43] SS Francisco, Homilia 5-5-20. Todos os destaques são nossos.

[44] SS Francisco, Audiencia, 1-9-21.

[45] SS Francisco, Audiencia, 23-6-21.

[46] SS Francisco, Audiencia, 18-8-21.

[47] SS Francisco, Entrevista com Eugenio Scalfari, 1 de outubro de 2013.

[48] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 92.

[49] «Hoje é necessária uma revolução de ternura» (SS Francisco, Discurso aos capitulares da ordem dos irmãos da bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, 21/09/19).

[50] SS Francisco, Homilia, Imposição do pálio e entrega do anel do pescador no início solene do ministério petrino do Bispo de Roma, 3-19-13.

[51] [51] SS Francisco, Homilia, Imposição do pálio e entrega do anel do pescador no início solene do ministério petrino do Bispo de Roma, 3-19-13.

[52] O Santo Padre denuncia o que denomina “a doença da rigidez” (SS Francisco, “Jamais escravos da lei”, Homilia, 24-10-16): “não deve parecer bom mascarar” a doença “De rigidez” “.

[53] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 195.

[54] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 210.

[55] Cf. SS Francisco, Evangelii Gaudium , 210.

[56] SS Francisco, Audiência Geral, 18-8-21.

[57] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 43.

[58] SS Francisco, Reunião com a classe dominante do Brasil, 27 de julho de 2013.

[59] Francisco SS, Reunião com a classe dominante do Brasil, 27 de julho de 2013.

[60] SS Francisco, Reunião com a classe dominante do Brasil, 27 de julho de 2013.

[61] Francisco SS, Reunião com a classe dominante do Brasil, 27 de julho de 2013.

[62] SS Francisco, Homilia, 8 de maio de 2013.

[63] SS Francisco, Homilia, 8 de maio de 2013.

[64] SS Francisco, Discurso no Encontro Mundial de Movimentos Populares, 28 de outubro de 2014.

[65] SS Francisco, Entrevista com Eugenio Scalfari, 7-13-14.

[66] SS Francisco, Homilia , Santa Marthae, 12-20-14.

[67] SS Francisco, Carta a Eugenio Scalfari, 4-9-13.

[68] “Quem sou eu para julgar um homem gay ?” (SS Francisco, coletiva de imprensa durante o vôo de volta do Rio de Janeiro a Roma, 28 de julho de 2013).

[69] SS Francisco, Entrevista com Eugenio Scalfari, 1-10-13.

[70] SS Francisco, Discurso aos reclusos e funcionários do Centro Penitenciário e suas famílias em Cassano All’Ionio, 6-21-14.

[71] SS Francisco, Discurso na vigília de Pentecostes com os movimentos eclesiais, 18 de maio de 2013.

[72] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 255.

[73] Francisco SS, Carta a Scalfari, 4-9-13.

[74] SS Francisco, Entrevista com Eugenio Scalfari, 29 de dezembro de 2013.

[75] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 33.

[76] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 33.

[77] SS Francisco, Encontro com jovens argentinos no Rio de Janeiro, 7-25-13.

[78] SS Francisco, Encontro com as filhas do seu primeiro patrão, Zenit, 7-11-15.

[79] SS Francisco, Homilia no Passeio Marítimo de Copacabana, Rio de Janeiro, 25 de julho de 2013

[80] SS Francis, Discurso aos participantes da Assembleia Diocesana de Roma, 17 de junho de 2013.

[81] SS Francisco, Entrevista com O Globo, 29 de julho de 2013

[82] SS Francisco, Discurso no Primeiro Encontro Mundial de Movimentos Populares, Roma, 28 de outubro de 2014

[83] SS Francisco, Discurso no II Encontro Mundial de Movimentos Populares, Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, 9 de julho de 2015

[84] SS Francisco, Homilia no Parque do Bicentenário, Quito, 7 de julho de 2015.

[85] https://rorate-caeli.blogspot.com/2021/12/father-claude-barthe-we-must-resist.html

[86] SS Francisco, Entrevista com O Globo, 29 de julho de 2013.

[87] SS Francisco, Entrevista com O Globo, 29 de julho de 2013.

[88] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 218.

[89] SS Francisco, livro-entrevista por Gianni Valente (https://www.vaticannews.va/es/papa/news/2019-11/papa-mision-sin-jesus-no-podemos-hacer-nada-libro -gianni-valente.html).

[90] SS Francisco, Entrevista com Eugenio Scalfari, 1 de outubro de 2013) (https://www.revistaecclesia.com/la-entrevista-al-papa-francisco-en-la-reppublica-realizada-por-eugenio- scalfari -em-15-frases /).

[91] SS Francisco, Discurso aos funcionários do Dicastério para a Comunicação, 23 de setembro de 2019.

[92] SS Francisco, Discurso aos funcionários do Dicastério para a Comunicação, 23 de setembro de 2019.

[93] https://www.rionegro.com.ar/el-video-del-mensaje-del-papa-francisco-a-los-fieles-EORN_1225313/

[94] SS Francisco, Entrevista com Antonio Spadaro, 19 de agosto de 2013

[95] SS Francisco, Entrevista com Antonio Spadaro, 19 de agosto de 2013

[96] SS Francisco, Entrevista com Antonio Spadaro, 19 de agosto de 2013

[97] SS Francisco, Entrevista com Antonio Spadaro, 19 de agosto de 2013

[98] SS Francis, Discurso aos bispos da Conferência Episcopal Regional do Norte da África – CERNA, 2 de março de 2015.

[99] SS Francisco, Discurso à comunidade do Pontifício Colégio Mexicano, 3-29-21.

[100] SS Francisco, Amoris Laetitia , 115.

[101] SS Francisco, Audiência Geral, 26 de junho de 2013.

[102] SS Francisco, Encontro com crianças e jovens das escolas italianas que participam na manifestação organizada pela Fábrica da Paz, 11 de maio de 2015.

[103] SS Francisco, Entrevista com o jornalista Pablo Calvo, 27 de julho de 2014.

[104] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 231.

[105] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 45.

[106] SS Francis, Vigília de Pentecostes com movimentos eclesiais, 18 de maio de 2013.

[107] Cf. SS Francisco, Evangelii Gaudium , 280: não há maior liberdade do que deixar-se levar pelo Espírito, deixar de calcular e controlar tudo, e permitir que Ele nos ilumine, guie, guie , e nos leve aonde Ele quiser. Ele sabe bem o que é necessário em cada época e em cada momento. Isso se chama ser misteriosamente fecundo!

[108] SS Francisco, Audiência com o Movimento Católico Internacional de Schoenstatt, 25/10/14.

[109] SS Francisco, Entrevista com La Nación, 7 de dezembro de 2014.

[110] «Sempre guardei o que fiz em Buenos Aires. Com os erros, lá fora, isso pode supor. Mas prefiro andar como sou »(SS Francisco, Entrevista ao La Nación, 7 de dezembro de 2014).

[111] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 47.

[112] Cf. SS Francisco, Evangelii Gaudium , 45.

[113] SS Francis, Discurso na visita privada ao pastor evangélico Giovanni Traettino em Caserta, 28 de julho de 2014.

[114] SS Francisco, Diálogo com a liderança da CLAR, 6 de junho de 2013.

[115] SS Francisco, Homilia em Santa Marta, 9 de janeiro de 2015

[116] SS Francisco, Evangelii Gaudium , 152.

A misericórdia golpeia o IBP em Curitiba.

Por FratresInUnum.com, 27 de dezembro de 2021: A implementação a jato do motu proprio Traditionis Custodes pelo episcopado brasileiro surpreende. Repentinamente, nossos bispos, que boicotaram tanto quanto puderam a aplicação de Summorum Pontificum, tornaram-se bravos papistas ultramontanos, ardorosos defensores da honra do bispo de Roma.

O Instituto do Bom Pastor recebeu sua sentença de morte em Curitiba, Paraná. Os fieis se mobilizam e pedem apoio por meio deste abaixo-assinado. Assine!

Dom Peruzzo, o arcebispo, acaba de lançar uma nota — pessimamente escrita, como é praxe no nosso episcopado paulofreiriano — que não deixa alternativas ao apostolado do IBP. Aos fiéis católicos, nos dias de hoje, é impossível usar o adágio “vá reclamar com bispo”. Imagine, então, cogitar recorrer ao Papa!

Portanto, ao menos façamos chegar aos ouvidos empedernidos o brado de santa indignação. E que cessem as contribuições financeiras, único apelo ao qual a impiedade dos hierarcas se dobra.

Veneno e antídoto.

Por Padre Antônio Mariano – FratresInUnum.com, 23 de dezembro de 2021: Contam uma historinha de um homem que tinha um grande laranjal e que constantemente garotos pulavam os muros e comiam muitas laranjas. Achando-se esperto, o homem teve uma ideia. Pôs veneno numa laranja e afixou uma placa na entrada do laranjal com os dizeres: Cuidado! Uma laranja está envenenada. Os garotos, porém, com raiva, fizeram o mesmo que o homem e rasuraram a placa que ele tinha posto, trocando “uma” por “duas”.

SWITZERLAND-RELIGION-CATHOLICS-VATICAN-FUNDAMENTALISM

Tradidi quod et accepi.

O que aconteceu? Todas as laranjas se perderam, porque se os garotos não podiam comer, por não saberem qual a envenenada, também o dono perde tudo por não saber qual os garotos tinham envenenado.

E nenhuma pessoa ajuizada aceitaria uma laranja, nem de graça, pois, ainda que fossem mil, quem poderia garantir que não era aquela a envenenada?

Assim, diante de um risco desnecessário, uma pessoa prudente escolhe outra opção, sem riscos, segura, certa.

Isso que todos concordariam, não foi o que aconteceu com a Igreja desde a década de 60 do século passado.

Mesmo os defensores mais ardentes do Concílio Vaticano II concordam que certas partes do Concílio são no mínimo dúbias, sendo sempre (ou quase sempre) possível, porém, uma interpretação correta à luz da Tradição da Igreja. E que o Concílio tem coisas boas, trouxe avanços… algumas pessoas de má fé (por acaso, alguns dos que escreveram muitos dos documentos conciliares) é que interpretaram mal os textos do Concílio. Oh, malvados.

Desde o início, o Concílio Vaticano II foi considerado pastoral (expressão semelhante ao “café com leite” das brincadeiras de infância do meu tempo), porém, quando a Igreja foi mais pastoral: quando separou verdade e erro, expôs isso aos fiéis e zelava para que nenhum erro fosse publicado, ensinado etc; ou quando permite que verdade e erro convivam juntas devendo o próprio fiel perceber por si mesmo o que é bom e o que é mau?

É pastoral o pastor que leva as ovelhas para um campo onde estejam presentes, ainda que em pequenas quantidades, ervas venenosas que as ovelhas deverão ter o discernimento de não ingerir? É maternal a mãe que deixa junto aos brinquedos de seu filho um escorpião, porque a criança deverá ter maturidade de não se deixar picar por ele? Não devem o pastor e a mãe proteger não apenas dos males, mas do risco dos males?

O mesmo se aplica à Missa.

Quando se compara a Missa de Paulo VI com a chamada Missa de Pio V não se percebe que elas são no mínimo diferentes? E que a Missa de S. Pio V expressa de forma claríssima verdades que na Missa de Paulo VI não são (tão) expressas? Que a Missa de S. Pio V conduz à uma piedade e devoção que é, ainda que remotamente possível, difícil haurir na Missa de Paulo VI?

Então, uma pergunta simples é: que nome costumamos dar a quem, tendo à disposição o mais fácil, sempre opta pelo mais difícil?

Deixo que você mesmo responda.

Toda essa introdução, caros amigos, é para que percebamos com mais facilidade que o grande erro (deixando o conhecimento das intenções unicamente para Deus) de boa parte da hierarquia católica durante e após o Vaticano II foi de considerar que a solução dos males que se abateram sobre a Igreja era algo tão mau quanto os próprios males e que deveria ser tão ou mais combatido que os males.

A ideia de que se deveria buscar um ponto de equilíbrio entre a observância da Tradição Católica e os “exageros e má interpretação do Concílio” fez o efeito que todos conhecemos: a criminalização da Tradição.

Vale aqui a história daquela pessoa que viu-se sobre um muro. Nosso Senhor, Nossa Senhora, os Santos pediam para a pessoa pular para o lado deles. Os demônios simplesmente observavam. A pessoa então pergunta aos demônios por que não insistiam para que pulasse para o lado do inferno; ao que os demônios respondem que o muro já tinha sido feito por eles.

O eventual equilíbrio da Igreja seria rejeitar a Tradição, mas seguir algumas coisas dela, não permitindo os avanços do modernismo e suas consequências, mas adaptando-se ao mundo moderno e à mentalidade sempre mutável das pessoas.

Sim. Isso é essencialmente contraditório e impraticável. Mas foi isso que pediu-se dos católicos desde o Concílio Vaticano II.

Não sendo possível servir a dois senhores, acabou-se por servir ao mundo. E nessa subserviência ao mundo, a hierarquia da Igreja fez com que a Igreja eterna se tornasse absurdamente mutável, em sua liturgia, em sua moral, em sua fé.

Não poucas vezes os Papas tentaram corrigir certos “avanços imoderados”, mas que nada mais eram que a adequação da Igreja ao mundo que eles mesmos incentivavam.

Se tudo na Igreja deve estar adaptado ao homem contemporâneo, se o que ele encontra na liturgia, por exemplo, é praticamente igual ao que ele encontra no mundo (a língua, os cantos, as vestes…), como frear a consequência lógica de que a moral da Igreja também não deve adaptar-se ao homem moderno? Se a Liturgia, que é o mais importante da Igreja, já se adequa às modas, por que não a moral?

Aqueles padres que eram na década de 70 favoráveis à pílula, na de 90 à camisinha e nos tempos atuais à ideologia de gênero, eram chamados em certos círculos ditos conservadores de heterodoxos, ou até de hereges, mas, lamentavelmente eram apenas coerentes até o fio de cabelo com o aggiornamento proposto pela hierarquia.

A mentalidade de que a Igreja é um carro em que o Papa e os Bispos num momento aceleram e no outro freiam não é possível sem fazer da Igreja um carro desgovernado.

Como dizer a um jovem que frequenta uma liturgia mundanizada que ele não deve ser mundano? As chamadas “aberturas” da Igreja só serviram para que a fumaça de Satanás nela entrasse.

Mas, qual era a solução desses males?

Buscar os pontos positivos do Concílio?

Fazer o malabarismo mental de interpretar o Concílio à “luz da Tradição”, mas sem se render à essa Tradição, fazendo dela um uso seletivo?

Fazer com que a Missa de Paulo VI seja mais próxima da Missa de S. Pio V, mas desprezar a Missa de S. Pio V como algo de um tempo da Igreja?

São essas posturas de encarar o remédio como veneno que nos conduziram exatamente onde estamos. É por isso que até hoje os dubia sobre Amoris Laetitia não foram respondidos, mas os de Traditionis Custodes já.

É absolutamente consequente a ideia que subjaz em Traditionis Custodes e na última Responsa sobre ele de que não apenas a Missa de S. Pio V deve deixar de existir, mas de que ela é como uma praga contagiosa que deve ser afastada para longe das Igrejas Paroquiais e que macula tanto um sacerdote que a celebre que ele pode celebrar no mesmo dia 4 missas de Paulo VI, mas só uma de S. Pio V.

Esse documento tem sua origem na pertinaz negação de reconhecer que só há um remédio para os desvios que se abateram sobre a Igreja: a Tradição. A Tradição autêntica. A Tradição pura. E não a Tradição como um “modo interpretativo”, ou como um pedal de freio.

Traditionis Custodes abre a temporada de caça à Tradição. Essa caça já acontecia, mas num campo menos evidente. Agora essa guilhotina cai sobre qualquer coisa que remeta à Tradição, porque a Tradição da Igreja diz aos fiéis as mesmas palavras de Nosso Senhor: “quem não está comigo está contra mim; quem não recolhe comigo, dispersa”. A Tradição recorda ao fiel que ou se é Católico ou não se é.

E o modo mais próximo dos fiéis se aproximarem da Igreja é a Liturgia, particularmente a Missa. É necessário que um golpe seja desferido sobre a Missa de Sempre para favorecer o golpe contra a Igreja de Sempre.

E as palavras “comunhão” e “unidade” serão (indevidamente) usadas para justificar a destruição da comunhão e da unidade. Essas palavras serão uma espécie de passaporte sanitário na Igreja que provavelmente servindo-se da concelebração na Missa Crismal, mostrará os “vacinados” e “não vacinados”. A questão é, obrigando a concelebrar a Missa de Paulo VI, legitimar plenamente o Concílio e a missa subsequente, de modo que o uso da Missa de Pio V seja uma mera questão de gosto. E, se é um gosto, por que não sacrificar “heroicamente” sobre o altar da unidade e comunhão?

Mas a questão avança não apenas sobre o que é Tradicional, mas também sobre o que parecer tradicional.

Então o Bispo chama um padre e pede que em nome da obediência e comunhão ele não celebre mais a Missa de Pio V, e o padre obedece. Mas passa a celebrar a Missa de Paulo VI em latim. O Bispo então chama o padre, e em nome da comunhão e da obediência pede que, uma vez que ele é o único que celebra em latim, não o faça mais, e o padre obedece. Mas passa a celebrar a Missa de Paulo VI em português, sem acrescentar nem retirar nada. O Bispo então chama o padre, e em nome da comunhão e da obediência pede que ele acrescente na Missa a Campanha da Fraternidade, porque ele era o único padre que não a acrescentava, e o padre obedece. O Bispo então chama o padre, e em nome da comunhão e da obediência, pede que, já que ele agora fala da Campanha da Fraternidade, pare de usar músicas antigas na Missa e use o hinário da CNBB, e o padre obedece. Depois o Bispo chama o padre e diz que é ele é o único que usa batina na sua região, então em nome da comunhão com os demais padres, ele evite usar a batina, e o padre obedece e passa andar de camisa clerical. O Bispo então chama o padre e diz que devido ao calor, a maioria dos padres não usa camisa clerical, e que por isso em nome da unidade…

E assim se destrói o que ainda tenha restado de católico sobre o mundo.

Desse modo, a questão já não é mais se um bom padre vai ter que declarar em consciência que não pode obedecer a essas normas injustas, mas quando ele vai fazer isso.

É claro que para quem cresceu amando a Igreja e desejando morrer por Ela, ser punido pela “Igreja” é o pior pesadelo jamais sonhado.

Mas será esse, salvo uma intervenção direta do céu, o fim dos padres e fiéis que quiserem morrer católicos.

De volta ao gueto.

“Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda a parte e sempre levamos em nosso corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.

Enquanto vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa existência mortal.” (II Cor 4, 8-11)

Por Padre Antônio Mariano – FratresInUnum.com, 19 de dezembro de 2021: Ontem pela manhã, recebi a triste notícia da odiosa resposta que a Congregação para o Culto Divino emitiu acerca de algumas perguntas feitas sobre o Motu Proprio Traditionis Custodes. [Respostas extremamente rápidas, enquanto os dubia dos cardeais continuam engavetados por Francisco].

igreja destruida

Dizem – não sou especialista… – que os tubarões têm olfato e que, se sentem cheiro de sangue, tornam-se ainda mais agressivos contra as suas vítimas.

Aqueles que se sentiram acolhidos por Summorum Pontificum descobriram que, de uma hora para outra, não existe, literalmente, mais lugar para eles nas paróquias. E que se existir, será apenas pelo tempo que o Bispo considerar oportuno para que eles se acomodem a Traditionis Custodes, ou seja, não queiram mais assistir à Missa no que até pouco tempo antes era chamado de forma extraordinária do Rito Romano, e que agora é uma liturgia sem perspectiva de vida na Igreja, um rito exilado.

Cada vez mais violência, cada vez mais sanha.

Quando foi a primeira mordida?

Hoje, talvez nos seja fácil perceber que a primeira mordida, pelo menos desse ciclo mais recente, foi o próprio Summorum Pontificum. Ali, Bento XVI, embora faça justiça ao afirmar que o Rito de S. Pio V, para usar uma denominação menos inadequada para o que nada mais é que simplesmente a Missa de Sempre, nunca foi proibido ou ab-rogado, coloca-o num nível de sensibilidade e gosto.

Ninguém, exceto aqueles que suportaram injustamente várias sanções, teve a coragem de trazer o “problema” para o campo correto: a Fé.

A Missa Nova é o arauto da nova fé, humanista, maçônica, sionista, ecumênica, revolucionária, de uma nova Igreja Conciliar. Mesmo a Missa de Paulo VI “bem celebrada” é apenas um cozinhar mais lento de um mesmo desfazer da verdadeira Fé Católica.

Aliás, a expressão “Igreja Conciliar” não foi criada por nenhum cismático, mas por um Cardeal da Cúria que acusava Mons. Lefebvre de não aceitar a “Igreja Conciliar”.

Por mais que até pudesse ter boa-vontade, Bento XVI não teve a intrepidez necessária para corrigir, quando lhe foi possível, os desvios doutrinários que tornam mais evidente a existência atual de duas Igrejas que não podem conviver juntas, como não se pode ter trevas onde há a luz.

Neste caso, então, a Igreja Conciliar com sua hierarquia não suporta a Igreja Católica com sua liturgia voltada unicamente para Deus, e para a destruir exige como um mantra a comunhão que são eles mesmos a tornar cada vez menos viável.

Não se pode deixar de recordar a pergunta que certa vez fez Mons. Lefebvre: “Terei que me tornar protestante para continuar católico?” E a resposta a cada dia se torna mais clara: sim.

Cada vez menos será possível ser fiel à Santa Igreja e não ser punido pela hierarquia da Igreja.

Não basta ao Papa e seus colaboradores mais próximos o tormento que muitos padres e fiéis já têm que enfrentar por causa da covid, suas variantes e vacinas. É necessário criar mais tormento: empurrar os fiéis para a irregularidade, com muita misericórdia, é claro.

Não há outra saída.

Para a hierarquia, a Missa de S. Pio V é apenas uma questão de tempo. E os institutos ligados à hierarquia terão que cada vez mais expor que sua questão é apenas uma preferência, um gosto que deverá mudar, começando pela concelebração nas missas crismais e o uso do novo pontifical. E isso sob olhar atento de um Braz de Aviz.

Uma celebração ecumênica, inter-religiosa, um manifesto político, uma campanha de vacinação pode ocorrer numa Igreja Paroquial, sem nenhum constrangimento, mas uma Missa de S. Pio V só se “escrupolosamente” houver a certeza irrevogável de que não há nenhuma outra igreja/capela que possa ter a Missa… e com licença direta da Santa Sé. Realmente deve haver pouca coisa para as congregações romanas se ocuparem…

E mais, tudo o que é naturalmente permitido a um padre em relação à Missa de Paulo VI é agora claramente proibido em relação à Missa de S. Pio V. Como, por exemplo, celebrar mais de uma Missa por dia. Ora, se essencialmente, como dizem, ambas as missas seriam a mesma  coisa, por que o que vale para uma não vale para a outra?

A hierarquia já não teme mais perder a lógica, se, como avisou Nossa Senhora em La Salette, Roma perderia a fé.

Esse documento datado de 04 de dezembro é também um incentivo a que os bispos sejam mais cruéis; é como se estivessem atiçando ainda mais aqueles bispos que querem junto com o Papa destruir tudo que ainda possa restar de católico em suas dioceses. É um respaldo para que com aquela voz pausada e tom manso eles possam com uma carinha de pena dizer que não são eles, é o Vaticano… teeemmm queeee teeeerrrr coooomuuuunnnhãaaaaaooooooo.

Ao ler o documento não nos é difícil sentir em alguma medida com Santo Elias: “Estou ardendo de zelo pelo Senhor, Deus todo-poderoso, porque os filhos de Israel abandonaram tua aliança, destruíram teus altares e mataram à espada teus profetas” (I Rs 19,14).

Francisco inaugura um estilo em que cada documento vem em contradição ao seu nome: Cor orans inaugura a destruição da Vida Contemplativa; Traditionis Custodes retira dos Bispos o direito de regularizarem a vigência do Rito de S. Pio V em suas dioceses, tendo que tudo remeter unicamente às Congregações Romanas; Amoris Laetitia seca as fontes do autêntico matrimônio cristão etc…

Como disse no início, recebi a notícia desse documento ontem de manhã, mas só à noite consegui ler o documento e escrever essas linhas, é porque tinha que celebrar duas missas à tarde, e vou concluir por aqui, porque terei que me recolher para conseguir celebrar dignamente outras três no domingo. E quando falo missa, não poderia me referir a outra que não fosse a mesma que alimentou a Fé verdadeira de multidões de santos que a celebraram ou assistiram e que receberam os sacramentos nessa mesma forma e que não negarão a sua intercessão para que permaneçamos fiéis não a um gosto, mas à uma fé.

E que na nossa morte possamos dizer com Santa Teresa: “Morro filha da Igreja”. Ainda que sejamos como estrangeiros exilados para os filhos de nossa Mãe.

Padre Claude Barthe: devemos resistir a leis ilegítimas sobre o Rito Tradicional.

Resistir a uma lei litúrgica injusta. “Continuo convencido de que, com Traditionis Custodes, os radicais romanos começaram uma guerra que só podem perder”.

Por Michel Java, Le Salon Beige, 18 de dezembro de 2021 | Tradução: FratresInUnum.com:  Nesta manhã, a Congregação para o Culto Divino publicou respostas a certas disposições da Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Traditionis Custodes. Entrevistamos o padre Claude Barthe.

Padre, a ofensiva contra a liturgia tradicional parece estar se intensificando consideravelmente, a julgar pela publicação no dia 18 de dezembro das respostas a perguntas feitas ou supostamente feitas à Congregação para o Culto Divino.

Basílica de São Pedro, novembro de 2012: Pe. Barthe lê a mensagem do Papa Bento XVI aos participantes da peregrinação 'Una cum Papa Nostro'.
Basílica de São Pedro, novembro de 2012: Pe. Barthe lê a mensagem do Papa Bento XVI aos participantes da peregrinação ‘Una cum Papa Nostro’.

Na verdade, os romanos de linha dura são extremamente determinados, como mostra o curso programado de sua ação: o desaparecimento da Comissão Ecclesia Dei; o questionário aos bispos; o motu proprio; uma carta do Cardeal Vigário de Roma; e as respostas de hoje que explicitam Traditionis Custodes. Eles claramente querem criar uma situação irreversível. Essas respostas eram conhecidas essencialmente através da carta do cardeal De Donatis, de 7 de outubro, para a diocese de Roma.

É possível que respostas simples da Congregação ampliem um motu proprio papal?

Do ponto de vista técnico-jurídico, sim: a Igreja é uma monarquia absoluta e os ministros do Papa podem, em seu nome e por mandato, determinar a lei. Neste caso, especificam a intenção do legislador. Dificilmente se pode argumentar que o Papa tenha aprovcado essas respostas de forma genérica (uma aprovação fraca) e não de forma específica (a aprovação máxima). Mas do ponto de vista jurídico-teológico, não: se Summorum Pontificum constatou que a missa antiga não foi revogada e era uma das expressões da lex orandi, estendendo esta constatação por suas disposições aos demais livros litúrgicos (breviário, pontifical, etc.), foi baseado em um julgamento doutrinal substantivo. Qualquer “lei” em contrário não tem força.

Uma constatação de Summorum Pontificum que, no entanto, é anulada por Traditionis Custodes. 

E que as responsa explicitam e enfatizam: Traditionis Custodes postula que os novos livros litúrgicos são a única expressão da lex orandi; no entanto, o uso mais restrito do missal antigo foi tolerado, provisoriamente, a fim de “facilitar a comunhão eclesial”; mas os outros livros litúrgicos tradicionais (ritual, pontifical) não estão incluídos nesta tolerância provisória e, portanto, são proibidos (exceto para o ritual nas paróquias pessoais, e se o bispo o permitir).

Todo o sistema se baseia, portanto, na afirmação de Traditionis Custodes, que reivindica invalidar a de Summorum Pontificum, mas que, de fato, se relativiza, assim como a liberdade religiosa pretendia invalidar o magistério anterior até Pio XII.

Em termos concretos, o que então será proibido?

As consequências mais sensíveis destas medidas, se fossem aceitas pelos interessados, seriam: a proibição, exceto nas paróquias pessoais, dos casamentos tradicionais (mas, de fato, um certo número de párocos, a quem será pedido que os celebrem em suas igrejas, fechará os olhos); a proibição das confirmações tradicionais (mas pode-se pensar que muitos pais de crianças a serem confirmadas recorrerão aos bispos da FSSPX); e, acima de tudo, a proibição das ordenações tradicionais. Este é de longe o mais sério de todos, porque visa a própria especificidade dos seminários tradicionais. Os institutos Ecclesia Dei não aceitarão, assim como não aceitarão a introdução da nova Missa ao lado da Missa tradicional nos seus seminários, que as visitas canônicas organizadas pela Congregação para os Religiosos gostariam de lhes impor. Isso seria suicídio: os candidatos se retirariam e as vocações cessariam.

Portanto, devemos resistir a essa lei injusta?

Sim, com a graça de Deus e a poderosa ajuda da oração. Mesmo que signifique ganhar tempo, tanto nos seminários como no campo do apostolado. Claro, conferir ordenações pressupõe que os bispos estão dispostos a considerar que as disposições proibitivas não têm força de lei.

E que aceitam os riscos que podem estar envolvidos em ir além?

De fato, todos eles, bispos, superiores, seminaristas e padres que adotarem uma atitude de não aceitação de Traditionis Custodes, explicitada pelas respostas, deverão assumir os riscos.

Quais riscos? No mundo secular, para um preparo adequado, são elaborados esquemas preventivos denominados cenários de crise. O pior cenário – o cenário de 1976 para o Arcebispo Lefebvre – deve ser evocado por ordem: antes de uma ordenação planejada, o prelado que vai ordenar seria notificado da proibição do mandato especiali Summi Pontificis, seguido de uma pena de suspensão a divinis (proibição de celebrar os sacramentos). Por outro lado, todos os tipos de medidas são concebíveis contra as comunidades recalcitrantes, sendo o pior (aqui novamente por ordem) sua supressão. Mas também se pode pensar, por que não? Se a diplomacia das partes interessadas mistura habilidade na forma e firmeza na substância, haverá apenas reações de princípio. No entanto, não se deve contar com isso, pois seria subestimar a determinação dos autores desses textos.

Estamos na estrutura clássica de um equilíbrio de poder.

Sim, e felizmente para nós pequeninos, o principal é o de Cristo que sustenta a sua Igreja. Em todo caso, o equilíbrio de forças hoje é muito mais favorável ao mundo tradicional do que parece, especialmente na França, onde não se deixará dominar. Além disso, as dioceses não têm interesse que as comunidades se acomodem em uma semi-independência temporária (como o IBP em Paris, no Centre Saint Paul). Continuo convencido de que, com Traditionis Custodes, os radicais romanos começaram uma guerra que só podem perder. Mas uma guerra que pode causar grandes danos, não devemos escondê-lo. Devemos, portanto, orar intensamente para apoiar aqueles que terão que tomar decisões.