Importante: Cardeais autores de “dubia” pedem audiência ao Papa.

“A nossa consciência força-nos”
Beatíssimo Padre,

é com uma certa trepidação que me dirijo a Vossa Santidade nestes dias do tempo pascal. Faço-o em nome dos Em.mos Senhores Cardeais Walter Brandmüller, Raymond L. Burke, Joachim Meisner, e em meu próprio nome.

Desejamos antes de mais renovar a nossa absoluta dedicação e o nosso amor incondicionado à Cátedra de Pedro e à Vossa augusta pessoa, na qual reconhecemos o Sucessor de Pedro e o Vicário de Jesus: o “doce Cristo na terra”, como gostava de dizer Sta. Catarina de Sena. Não é a nossa em absoluto aquela posição de quantos consideram vacante a Sede de Pedro, nem a de quem pretende atribuir também a outros a responsabilidade indivisível do “munus” petrino. Move-nos tão-só a consciência da responsabilidade grave que provém do “munus” cardinalício: ser conselheiros do Sucessor de Pedro no seu ministério soberano; e do Sacramento do Episcopado, que “nos constituiu como bispos para apascentar a Igreja, por Ele adquirida com o seu próprio sangue” (Act 20, 28).

A 19 de Setembro de 2016, entregámos a Vossa Santidade e à Congregação para a Doutrina da Fé cinco “dubia”, rogando-Lhe que dirimisse incertezas e fizesse clareza sobre alguns pontos da Exortação Apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia”.

Não tendo recebido qualquer resposta da parte de Vossa Santidade, chegámos a decisão de, respeitosa e humildemente, pedir-Lhe Audiência, conjunta, se assim Lhe aprouver. Juntamos, como é praxe, uma Folha de Audiência em que expomos os dois pontos que desejaríamos poder tratar com Vossa Santidade.

Beatíssimo Padre,

passou já um ano desde a publicação de “Amoris Laetitia”. Neste período foram dadas em público interpretações de alguns passos objectivamente ambíguos da Exortação pós-sinodal, não divergentes do, mas contrárias ao permanente Magistério da Igreja. Conquanto o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tenha declarado mais de uma vez que a doutrina da Igreja não mudou, apareceram numerosas declarações de bispos, cardeais e até mesmo de conferências episcopais, que aprovam o que o Magistério da Igreja jamais aprovou. Não apenas o acesso à Santa Eucaristia daqueles que objectiva e publicamente vivem numa situação de pecado grave, e pretendem nela continuar, mas também uma concepção da consciência moral contrária à Tradição da Igreja. Sucede assim – oh, e quão doloroso é vê-lo! – que o que é pecado na Polónia é bom na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese de Filadélfia é lícito em Malta, e assim por diante. Vem-nos à mente a amarga constatação de B. Pascal: “Justiça do lado de cá dos Pirenéus, injustiça do lado de lá; justiça na margem esquerda do rio, injustiça na margem direita”.

Numerosos leigos competentes, que amam profundamente a Igreja e são solidamente leais à Sé Apostólica, dirigiram-se aos seus Pastores e a Vossa Santidade, para serem confirmados na Santa Doutrina no que respeita aos três sacramentos do Matrimónio, da Confissão e da Eucaristia. Aliás, nestes últimos dias, em Roma, seis leigos provenientes de todos os Continentes propuseram um Seminário de estudo que contou com grande assistência, e que deu pelo título significativo de: “Fazer clareza”.

Diante de tão grave situação, em que muitas comunidades cristãs se estão a dividir, sentimos o peso da nossa responsabilidade, e a nossa consciência força-nos a pedir humilde e respeitosamente Audiência.

Apraza a Vossa Santidade recordar-se de nós nas Vossas orações, como nós Vos asseguramos que o faremos nas nossas; e pedimos o dom da Vossa Bênção Apostólica.

Carlo Card. Caffarra

Roma, 25 de Abril de 2017
Festa de São Marcos Evangelista

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FOLHA DE AUDIÊNCIA

1. Pedido de clarificação dos cinco pontos indicados nos “dubia”; razões para tal pedido.

2. Situação de confusão e desorientação, sobretudo entre os pastores de almas, “in primis” os párocos

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20 Comentários to “Importante: Cardeais autores de “dubia” pedem audiência ao Papa.”

  1. Quem já viu a série de TV The Young Pope pode ver que é um ataque claro e manifesto contra a figura do Cardeal Raymond Burke: o “jovem Papa” é retratado como um “conservador” de pensamento confuso, cheio de contradições e traumas de infância mal resolvidos; uma figura manipuladora, obcecada por normas e ao mesmo tempo debochada contra seus inimigos. A nacionalidade americana não deixa dúvida de se tratar de um ataque claro contra Cardeal Burke.
    Bendito seja Deus! Se os conservadores estão sendo alvo de tão raivosos ataques é porque estão incomodando muito.
    Rezo por nossos bravos e zelosos cardeais. Eles estão no caminho certo!

  2. Pediram audiência em abril e até hoje Francisco não os atendeu? Esse é o pastor que corre atrás de suas ovelhas?

  3. Desejo que esses quatro corajosos e exemplares cardeais NOTIFIQUEM o Papa de que ele está em erro grave de Fé e Moral e precisa se adequar à Doutrina da Igreja. E que também lancem, de sua parte, censura à referida Exortação Apostólica, que não tem como se compatibilizar com a Doutrina.
    Após este procedimento, deveriam informar ao orbe universal que NOTIFICARAM o Papa.

    • Perfeito: notificação.
      Heresia formal, manifesta de Francisco? Se sim, como se (e quem) classificará tais condutas jurídica e formalmente? O Supremo Tribunal da Signatura Apostólica? O Cardeal Burke foi removido. Estrategicamente? Prudentemente?
      Noutras palavras: em sendo juridicamente possível um Papa incidir em heresia formal, quem teria competência para julgá-lo, já que a pena canônica para heresia formal (manifesta) é a excomunhão? Como excomungar um Papa? Quem ou o que está acima do Vigário de Cristo na terra? Mas e a estrutura atual da Cúria, do próprio Vaticano? O quê esperar? Humanamente impossível? Creio que sim.
      São Paulo repreendeu São Pedro publicamente? Sim.
      Para enfrentar um problema dessa magnitude somente um gênio comparável ao de um Santo Tomás de Aquino, ou, ao de um São Roberto Belarmino.
      Deus terá que intervir, seja por meio de causas primeiras ou segundas. Tudo está agora sob a tutela da Providência.
      Será que teremos a tão esperada audiência?

  4. Os quatro cardeais discordantes de certos posicionamentos explicitados nos termos de pedido de audiencia referentes a esclarecimentos às “dubia” embasam-se em suas interpelações, além de apoiados por mais varios cardeais e bispos avessos com a percepção de tanta confusão que se instala de forma ascendente na Igreja, a ponto de um desses, como D Thomas J Tobin chegar a dizer que as dúvidas e ambiguidades da A laetitia teriam sido propositais de parte do papa Francisco.
    À verdade, os problemas na Igreja vêm-se avolumando desde o Vaticano II, pois ao falecer, o papa João XXIII teria dito ao Cardeal Amleto Cicognani e a Mons. Angelo Dell`Acqua: “Agora mais do que nunca, e certamente mais do que no século passado, estamos de acordo em servir o homem enquanto tal, e não somente aos católicos; a defender antes de tudo, e em qualquer lugar, os direitos da pessoa humana e não somente os direitos da Igreja Católica” (Peter Hebblethwaite, Giovanni XXIII- Il Papa Del Concilio, Rusconi, Milano, 1989, p.701).
    Tolerância, diálogo, respeito à pluralidade de opiniões e às religiões, compreensão em determinados casos mesmo em detrimento à fé por uma incerta pastoral, liberdade de expressão são princípios decorrentes do relativismo, e que negam a existência da Verdade objetiva e imutável, que a Igreja recebeu de Cristo e se obriga a ensinar, condenado os erros opostos à verdade revelada, inspirando como a Marx, cujas ideias têm sido fartamente adotadas, como: nada há de “verdade, definitivo e sagrado”, modelos esses que os 4 cardeais e agregados confrontam, embora tão bem aceitas na caótica modernidade.
    As proprias Campanhas da “Fraternidade” da CNBB + ecohumanismo, substituindo o Tempo da Quaresma de conversão pessoal se espelhariam no “Fraternalismo Universal” de cunho maçônico.
    Aguardemos se o papa Francisco se disporá a responder a eles dessa vez, de forma direta, sem outros recursos.
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  5. Depois desse pedido, o que falta aos cardeais fazerem? Implorarem de joelhos que o Papa aja como Papa? Que confirme, se não for pedir muito, os seus irmãos na fé?

  6. Acho muito difícil o Papa recebê-los, diria, quase impossível…
    Ele sabe que está na contra mão da Doutrina da Igreja, ele tem mostrado com seus atos, não estar nem aí pra Doutrina…Ele está disposto a acolher a FSSPX e ao mesmo tempo os zumbis putrefatos e abjetos da “teologia” da maldição na mesma Igreja…
    Ademais, sejamos sinceros, Francisco tem capacidade intelectual para discutir os dúbias com os cardeais num debate sério e honesto?
    Em nome da mal fadada pastoral ele está disposto a sacrificar, desgraçadamente, a Doutrina da Igreja e até a própria Palavra de Deus…
    Para os desonestos cardeais, bispos, padres e teólogos de plantão, desde de 2013, totalmente livres para exporem e propagarem suas patifarias e heresias, a Doutrina da Igreja agora é as homilias diárias de Francisco no palacete S. Marta que, diga-se de passagem, não passam de reflexões de um Pároco de interior…
    “Move-nos tão-só a consciência da responsabilidade grave que provém do “munus” cardinalício: ser conselheiros do Sucessor de Pedro no seu ministério soberano; e do Sacramento do Episcopado, que “nos constituiu como bispos para apascentar a Igreja, por Ele adquirida com o seu próprio sangue” (Act 20, 28).
    Que outros hierarcas se juntem,claramente e sem medo a esses cardeais, deixem de ser do grupo daqueles cães mudos que veem o lobo chegar e nada fazem, ou pior ainda, soltem uma pérola como a que um cardeal brasileiro soltou: “eles são 4 contra 200” ou ainda “Lula é católico ao jeito dele” …VERGONHA!!!!!!!!!!!!!!! VALA-ME DEUS!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    É o ano de Fátima…Essa MÃE bendita e santíssima esmagará a cabeça da serpente…IPSA CONTERET…

  7. A COISA MAIS DIFÍCIL DO MUNDO É POLEMIZAR DE JOELHOS!
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    Quatro cardeais mais uma vez levantam suas vozes diante do trono pontifício e diante do mundo. Um italiano, dois alemães, um norte-americano. Falam em nome próprio. Representam incontáveis católicos perplexos e aflitos. Empregam linguagem respeitosa, reverente, filial. Move-os o dever de consciência de não calarem quando a honra cardinalícia lhes impõem o direito e o grave dever de aconselhar e advertir. Por isso mesmo, seu tom é firme, claro, categórico. Pois o ensino sobre a indissolubilidade do matrimônio e a teologia moral é definitivo e perene. A sucessão dos fatos humanos e a evolução dos acontecimentos históricos podem girar e variar como a biruta que sinaliza o vento nos aeroportos. Mas, “Stat Crux dum volvitur orbis”. A Cruz e o magistério da Igreja devem permanecer invariáveis, enquanto o mundo gira.
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    Há um ano cinco “Dubia” foram apresentadas, rogando ao Pontífice que “dirimisse incertezas e fizesse clareza” sobre alguns pontos do documento “Amoris Laetitita”. O Caos, nota mais marcante dos acontecimentos de nossa época, oprime o rebanho católico, e cabe ao Papa Francisco acender luzes que afastem a escuridão, assentar verdades sólidas que façam cessar as vacilações, repetir o ensino da Tradição para interromper a sucessão de abalos e tremores no edifício bimilenar da Santa Igreja. Mas esse documento espalhou caos e confusão em matéria doutrinal e pastoral.
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    Mesmo em se tratando de Cardeais, é de joelhos que polemizam! Além de questões doutrinais, poderiam levantar incontáveis atitudes do Pontífice, como o recebimento do crucifixo foice e martelo, a colocação da estátua de Lutero na Sala de Audiências no Vaticano, a recente celebração de horas litúrgicas no altar de São Pedro feita por anglicanos etc. etc. Entretanto, limitam-se a questionar o estritamente indispensável.
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    Qual será o desfecho? Quando? Não se sabe, é extremamente difícil arriscar previsões num cenário caótico. Enquanto os Cardeais de joelhos polemizam, os fiéis que observam o ensino tradicional católico resistem: “Impavidum ferient ruinae” (Horácio, Odes III). Pois o varão justo e firme em seus princípios não se deixa abalar, e ainda que o mundo desmorone e as suas ruínas o firam, ele permanece impávido, afrontando o susto e o pavor.
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    Para Plinio Corrêa de Oliveira, “a coisa mais difícil do mundo é polemizar de joelhos!”. Um dos documentos mais difíceis que teve de redigir foi uma tomada de posição da TFP ante a autoridade eclesiástica. Com efeito, em julho de 1966, no auge da investida divorcista no Brasil, foi preciso publicamente interpelar a CNBB, que favorecia a mudança da legislação civil para impor o divórcio. Anos depois, em 18 de agosto de 1973, Dr. Plinio comentou sobre o referido manifesto:
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    “A Igreja é nossa Mãe, e nós não podemos, não devemos e não queremos dizer aos representantes dela a não ser o estritamente indispensável, e usando a linguagem respeitosa e digna com que um filho fala à sua mãe, mesmo quando se está profundamente decepcionado, triste e portanto arredio em relação a seus representantes, por se sentir não querido e exilado do afeto deles” (Minha Vida Pública – Compilação de relatos autobiográficos de Plinio Corrêa de Oliveira, Artpress Ltda., São Paulo, 2015, p. 528.).

    • Parece, mas certamente não é “filial”. É o protocolo. Quem está investido de autoridade, NÃO pode faltar ao protocolo. Além disso, qualquer coisa mais áspera seria logo manipulado pelos defensores da impostura e dos impostores. Por dentro, e intra muros, estou certo de que esses Cardeais estão fervendo. Apenas os castrados não fervem numa situação dessas.

  8. Renée Flemming expõe a doutrina de Francis Co.
    “Pope Francis says he´s okay-o
    With people who are gay-o”

  9. Essa é a história dos quatro “chapeuzinhos vermelhos” tentando pedir explicações ao lobo:
    • Porque esses olhos tão grandes? E o lobo disfarçado responde:
    — Ó meus queridos, são para vos enxergar melhor.
    • Porque essas orelhas tão grandes?
    — São para vos ouvir melhor.
    • E porque essa boca tão grande?
    — É para vos devorar!!!
    A moral da história, fica ao critério de cada um.

  10. Querida Dona Gercione, apraz-me notá-la revigorada. Vi como ficou com pena daqueles “chapeuzinhos vermelhos” que se atrevem a discordar do “lobo mau” e até tornam públicas suas discordâncias.
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    Aliás, no momento, está no Brasil um deles. Mas não me parece que por aqui o considerem ingênuo. Pelo contrário, seus atos são tidos como condizentes com a cor rubra, símbolo do martírio, estampadas nas vestes cardinalícias que o recobrem e que lhe emprestam venerável aparência. Se não laboro em equívoco, parece que o número de seus admiradores não cessou de crescer, desde que se juntou a outros três confrades, para fazerem a coisa mais difícil do mundo para os católicos, que é o polemizar de joelhos.
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    Aproveito o ensejo, Dona Gercione, para pedir sua opinião sobre questão análoga. Como se sabe, há um Bispo, junto com outros dois, que também têm procurado o “lobo mau”. Não para polemizarem de joelhos, mas para negociarem a reconciliação sentados à mesa. O que devo pensar disso? Será que as rodadas de negociação realizaram o prodígio de edulcorar o predador? Ou devo sentir pena pela ingenuidade deles face ao lobo sagaz? Convém temer que as maçãs do amor com que são mimoseados pelo astuto lobo estejam envenenadas? Posso também colocar esses três Bispos junto com os quatro Cardeais no mesmo Panteão dos Mártires?
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    Agradeço antecipadamente sua resposta esclarecedora. Conte com minhas pobres orações pela sua plena recuperação.

  11. Prezado Frederico Silva,
    Realmente a questão é, no meu entendimento, muito difícil mesmo. Mas não acho que seja necessário classificar o Papa de herege nem dizer que cometeu heresia, até mesmo porque o conceito de heresia exige a pertinácia que, envolve juízo subjetivo, principalmente em se tratando de um Papa. Até onde vai a pertinácia dele? A resposta é subjetiva.
    E mesmo que seja de fato heresia, como me parece ser, a própria Igreja já lançou a latae sententiae. Neste caso, ele seria herege independentemente da declaração formal de heresia expedida por qualquer dicastério ou autoridade episcopal. Da latae sententiae, nem o Papa escapa quando comete heresia ou apostasia.
    Partilho do entendimento de Dom Lefebvre sobre evitar classificar o Papa de herege:
    “Questionar-se em que medida as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo de assistir ao Papa deixam a este a possibilidade de realizar certos atos ou dizer certas coisas que, por sua própria lógica, fazem perder a fé aos fiéis. Em que medida são compatíveis as promessas e a destruição da fé por negligência, omissão, atos equívocos, etc.”
    “Se alguém ataca nossa fé, dizemos: não! Mas daqui a dizer em seguida que, porque alguém ataca nossa fé, é herético, logo não é mais autoridade, logo seus atos não têm nenhum valor… Não nos metamos em um círculo infernal do qual não saberemos como sair. Nesta atitude existe um verdadeiro perigo de cisma”
    No meu entender, o fato de um Papa ser herege não o faz deixar de ser Papa. E nem tudo que vá contra a Fé e a Moral é necessariamente heresia.
    Embora o respeitável posicionamento de Dom Lefebvre, isto não é genialidade, é sensus fidei.
    Os cardeais não precisam classificar as coisas como heresia, mesmo que a sejam. Basta dizerem que estão contrárias à Doutrina. Também não precisam chamar o Papa de herege. Basta dizerem que precisa se adequar à Doutrina.
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    Minha preocupação maior é com a Exortação Apostólica
    Como pode existir uma Exortação Apostólica (Magistério da Igreja) herética, negando abertamente a Doutrina? Pois, se é Magistério da Igreja, não pode ser heresia, pois seria a Igreja ensinando heresia – o que pra mim é impossível!
    Prefiro opinar que alguma coisa aconteceu ou acontece que impede as heresias da Amoris Laetitia serem Magistério da Igreja.
    Portanto, Amoris Laetitia não é Magistério em sua integralidade, mas apenas em partes livres de heresia.
    Na melhor das hipóteses, se as heresias da Amoris Laetitia não forem de fato heresias, então seriam Erros Perigosos à Fé ou à Moral, e aí sim, seriam Magistério Não Infalível da Igreja.
    Sobre a intervenção, realmente alguma intervenção e revogação tem que ter. Não pode um documento desse continuar do jeito que está. Sendo proposto como Pastoral Católica. Ela simplesmente aprova o adultério e autoriza comunhão a adúlteros – o que é claramente contrário ao Dogma.
    Att,

  12. Os verdadeiros católicos ficam aliviados e felizes em ver que os quatro cardeais das “DUBIA” não se acomodaram. Tudo indica que, por motivo de consciência diante de Deus, devem conduzir o impasse até sua solução final. Sendo a Igreja divina, é certo que isto deverá acontecer, visto se tratar de algo em que está em jogo a salvação de almas remidas com o Sangue do Cordeiro Imaculado. Nosso Senhor Jesus Cristo fez sua Igreja para ser o Sal da terra e a Luz do mundo. O Sumo Pontífice é o Vigário de Jesus Cristo e não o Messias em substituição a Jesus. Sua missão é levar o mundo a ter gosto pela doutrina de Jesus e assim preservar as almas da corrupção do pecado; sua missão é iluminar o mundo com a doutrina do Divino Mestre, e assim preservar o mundo das trevas do erro.
    Faltando mesmo que seja uma só daquelas quatro condições de infalibilidade como foi definido no Concilio Vaticano I, o Papa, embora normalmente não erre, mas pode errar. Desde o Concílio Vaticano II, que as ambigüidades e imprecisões tem sido usadas pelos modernistas para conseguir passar suas “mercadorias de contrabando”. isto é, novidades que agradam o mundo, e portanto, contrárias aos ensinamentos da Tradição que vem do Divino Mestre através dos Apóstolos e dos Santos Padres e transmitida durante 2000 mil anos pelo Magistério Autêntico e Perene da Igreja.
    Que o Papa Francisco tenha usado na Alocução “Amoris Laetitia” as ambigüidades e estas tão graves que até cardeais pedem esclarecimentos, isto é fora de dúvida. Não se pode julgar as suas intenções, mas, uma vez instado a que dê explicações a fim de se evitarem más interpretações, e ele se recuse fazê-lo, aí já não estamos julgando: ele mesmo com sua recusa deixa claro qual é sua intenção. É a dos modernistas. E então? Em se tratando de questões de fé e moral, o fato de o Papa Francisco se recusar a dar explicações e se obstinar em continuar a aprovar as interpretações contrárias ao dogma, deve ser julgado como herege formal (como pessoa particular, segundo expliquei à baixo).
    Em caso de um Papa cair em heresia formal (pertinazmente não voltar atrás), Santo Afonso Maria de Ligório diz que: “Em dois casos os Cardeais e os Bispos podem convocar um Concílio: primeiro é quando o Papa é duvidoso, como aconteceu no tempo do Cisma do Ocidente; e segundo, é quando um Papa cai de uma maneira pertinaz e notória, em heresia(Segundo o Teólogo Berthier, trata-se sem dúvida de uma hipótese quimérica). No primeiro caso, cada um dos papas duvidosos, deve obedecer os decretos do Concílio, porque a Sé romana é tida como vacante (Oevres Dogmatiques, Saint Ligori, Edition Casterman, T. II, pág. 165). No segundo caso, o Papa seria destituído, “ipso facto” do Pontificado, porque ele estaria fora da Igreja e não poderia conseguintemente ser seu Chefe senão aquele que o Concílio declarasse” (Oevres Dogmatiques, Saint Ligori, Edition Casterman, T. IX, pág. 232); (Cf. Abrégé de THEOLOGIE DOGMATIQUE ET MORALE, par le R. P. J. Berhtier, M. S. nº 150, p. 49).
    Se tal calamidade horrível cair sobre a Santa Madre Igreja, dominada que está hoje pelos modernistas, será muito difícil os bispos e cardeais conservadores levarem a cabo tão ingente e responsável tarefa. Mas para Deus nada é impossível. Humanamente falando, parece inevitável um cisma, o que constituiria uma catástrofe sem precedentes para os católicos. É preciso rezar e fazer penitência, como os ninivitas e mais ainda.
    A pergunta inevitável é: Mas o Papa não é infalível? Sim, dentro daquelas 4 condições definidas pelo Concílio Vaticano I. Mas o Papa Francisco não está ensinando abertamente a heresia e nem muito menos impondo as interpretações heréticas da “Amoris Laetitia” a todo orbe católico como sendo necessárias para a salvação, e excomungando quem as rejeita. Está, através de ambiguidades e omissões, deixando a critério de cada um dar sua interpretação. Mas, confesso que se trata de uma coisa complicada. Agora tenho certeza que, mais tarde, um outro Papa há de condenar tal atitude do Papa Francisco, caso ele não se retrate. Afinal, parece que o Papa Honório I, não tenha caído assim tão gravemente, e no entanto, foi anatematizado por São Leão II, embora Honório I já tivesse morrido há décadas.
    O que nós, de coração, esperamos é que o Papa Francisco corrija as ambiguidades da AL. Amém!
    PS. Em se tratando de algo tão importante não posso e nem quero passar na frente das autoridades competentes. São apenas opiniões minhas, e por isso mesmo, não são lá de muito peso. São de peso e de grandíssimo, isto sim, o que disse Santo Afonso Maria de Ligório. E, se por ventura, escrevi algo que não condiz com o dogma, peço que meus superiores me corrijam e me esclareçam. E desde já agradeço.

  13. O Rev. Pe. Elcio Murucci tratou acima de delicadíssima questão. Os quatro Cardeais levarão o questionamento que fizeram ao Papa Francisco até seus últimos desdobramentos? Pode ser que não deem os últimos passos. Mas como é possível que o façam, movidos por premente questão de consciência, convém desde já – e na medida do possível – ter ampla compreensão sobre a gravíssima situação em que logo mais poderá estar mergulhada a Santa Igreja Católica.
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    É certo que não se aplicam – no caso do documento “Amoris Laetitia” – as garantias da ortodoxia provenientes da infalibilidade pontifícia. Trata-se de graves ambiguidades e imprecisões que recaem sobre questões doutrinais, como também, sobre orientações pastorais. Com efeito, atos, declarações ou orientações ambíguas podem levantar a suspeita de heresia. Não é temerário considerar suspeito de heresia quem deu fundamento para isso. A apresentação das Dubia ao Pontífice visa exatamente obter um pronunciamento papal esclarecedor.
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    Os hereges incorrem “ipso facto” em excomunhão. A Igreja não julga suas intenções. Depois de ter sido advertido duas vezes pela autoridade ou juiz eclesiástico, conforme o conselho de S. Paulo (Tit. 3, 10), e decorrido conforme o caso certo tempo para a retratação, fica caracterizado o herege. Considera o Pe. Murucci que a recusa do Papa Francisco em dar explicações às Dubia e a obstinação dele em continuar a aprovar interpretações contrárias ao dogma, seriam suficientes para sua caracterização, enquanto pessoa particular, como herege formal. Nisso haveria a notoriedade e pertinácia da heresia, pois, “Para que haja pertinácia não é necessário que a pessoa seja admoestada várias vezes e persevere por muito tempo na sua obstinação, mas basta que ciente e voluntariamente [sciens et volens] negue o assentimento a uma verdade proposta de modo suficiente, quer o faça por soberba, quer pelo gosto de contradizer, quer por outra causa” (TANQUEREY, “Syn. Th. Mor. et Past.”, p. 473).
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    Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, afirmou que quando um Papa cai de maneira pertinaz e notória em heresia, perde “ipso facto” o Pontificado, devendo os Cardeais e Bispos convocar um Concílio que eleja seu substituto. A matéria é muito complexa, e seriam necessárias páginas e páginas para tratar de tema tão controverso. Se o entendimento de Santo Afonso fosse aplicado à atual realidade da Igreja, haveria provavelmente um cisma ou cisão: muitos bispos e cardeais – senão a maioria deles – não aceitaria que o Papa Francisco perdesse o Pontificado. A tremenda tragédia da crise da Igreja chegaria assim a um clímax.
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    O Pe. Elcio espera, de coração, que o Papa Francisco corrija as ambiguidades da Amoris Laetitia e não se caracterize como herege formal. Penso que tal ato corretivo – se feito de maneira inequívoca e com inteira clareza, e seguido de atitudes análogas em todas as matérias necessárias da fé e da moral, inclusive em matérias temporais como a relação com os governos comunistas, o socialismo etc. – teria extraordinária repercussão na vida da Igreja. À semelhança do célebre episódio de São Paulo que caiu do cavalo quando se dirigia a Damasco, surgiria um novo Francisco, que colocaria o ponto final na Revolução imensa que assola a Igreja, no processo de autodemolição que a solapa há décadas. Pode-se ponderar que algo desse porte somente será possível se sobrevier um milagre sobrenatural. Não se sabe qual será o milagre que virá. Mas, estou convicto de que a Igreja só sairá de sua tenebrosa Paixão para retornar às claridades e esplendores que lhe são próprios, quando tiver início uma era de estupendos milagres que realizem o triunfo do Imaculado Coração de Maria. Tempus faciendi, Domina!