21 outubro, 2020

Uniões homossexuais: o “sim” do Papa Francisco às uniões civis e a sua ruptura com o Magistério da Igreja.

Por FratresInUnum.com, 21 de outubro de 2020 – Mal publicamos o nosso editorial dizendo que Francisco se tornou indefensável e que ele mesmo não dá sequer tempo para a defesa e se adianta em dar um novo escândalo: explode em todos os jornais do mundo a notícia de que Francisco se posicionou a favor das uniões civis entre homossexuais.

Promotional poster, "Francesco."

A afirmação foi feita ao longo de um documentário sobre o pontífice argentino, apresentado pela primeira vez ontem, em Roma, durante um festival de cinema. Apesar de ainda não termos o vídeo, o unânime noticiamento coloca o fato fora de questão.

As declarações de Francisco foram contundentes: “Pessoas homossexuais têm o direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direitos a uma família. Ninguém deveria ser descartado ou transformado em miserável por conta disso. (…) O que nós temos de criar é uma lei de união civil. Dessa forma, eles ficam legalmente protegidos. Eu me posiciono por isso”.

Ora, a posição de Francisco contrasta abertamente com a doutrina das Sagradas Escrituras e o Magistério multimilenar da Igreja, inclusive dos seus últimos e recentíssimos predecessores.

A Congregação para a Doutrina da Fé publicou um documento em 2003 no qual afirma de modo inequívoco:

“A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade” (n. 11).

E, um pouco mais acima, diz enfaticamente:

“Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência” (n. 5).

Não há o que desculpar nem o que aliviar na fala de Francisco. Ele realmente rompeu com o Magistério anterior.

Contudo, os passadores de pano não tardam em chegar com a anetesia e já começam o seu trabalho de desinformação, visando desarticular e confundir a resistência católica.

É absolutamente previsível a tríplice tática que seguirão.

Os mais conservadores tentarão tirar peso da fala papal, dizendo que não pertence a nenhuma categoria de magistério pontifício: é uma fala solta, improvisada, a braccio, despretensiosa, que precisa ser interpretada em função de todo o ensino anterior da Igreja. “Tratar-se-ia”, dirão, “de uma opinião privada; lamentável, na verdade, mas nem por isso abertamente heterodoxa, já que o Santo Padre jamais atropelou algum dogma católico, visto que esses ensinos não são dogmáticos, mas de moral social”.

Os mais moderados dirão que Francisco em nenhum momento equiparou a união civil de homossexuais com o matrimônio e passarão a desviar o assunto para a defesa intransigente do matrimônio entre um homem e uma mulher, dizendo que esta a única forma prevista pela lei natural e pela lei eclesiástica, e que, portanto, quem atribuir ao Papa uma eventual apologia do matrimônio homossexual não passa de um caluniador desgraçado, que precisaria ser degredado para o exílio. Dirão ainda que a Igreja nunca aprovou o divórcio, mas aceita que haja leis civis que o normatizem, para o bem das partes; e que, agora, trata-se de uma situação análoga: o Papa Francisco condena a homossexualidade em si, segundo a doutrina católica, mas seria tolerante quanto a regulamentações meramente civis.

Os progressistas, porém, irão surfar na onda, tirando benefício da anestesia dos primeiros e acelerando ainda mais a sua própria agenda gayzista, dizendo que os ensinos anteriores ficam invalidados pelo supremo magistério do Sucessor de São Pedro, quem sabe até com a esperança de poderem logo mais oficializar um simulacro de casamento com o parceiro com quem vivem escondidos há décadas.

Entretanto, fato é que a Igreja sempre defendeu o seu direito de magistério em relação à lei natural, visto que o seu cumprimento é necessário para a salvação eterna, única finalidade de toda a sua atuação pastoral.

O aspecto positivo da notícia é que, pelo menos, começa a definhar logo esta hipocrisia de que Francisco e seus antecessores, a começar por Bento XVI, estão em plena continuidade, e de que o pontificado atual é legitimamente perpetuador da tradição da Igreja. Por fim, o povo, chocado, vai agravar ainda mais as suas críticas contra Francisco e contra quem o defender.

Se o que o papa argentino quer, antes de terminar o seu pontificado, colocar a Igreja em divisão e pé de guerra, “parabéns!”, pois já está conseguindo isso e cumprindo a sentença que ele deu acerca de si mesmo:

“Não é impossível que eu passe para a história como aquele que dividiu a Igreja Católica” (palavras de Francisco, segundo o correspondente de Der Spiegel, Walter Mayr).

* * * 

[Atualização – 21 de outubro de 2020, às 19:00] O vídeo foi disponilizado pelo jornal La Repubblica aqui.

 

21 outubro, 2020

Francisco, o indefensável.

Por FratresInUnum.com, 21 de outubro de 2020 – Os franceses dizem, com razão, “qui s’excuse s’accuse” – “quem se desculpa, se acusa” – e é nesta flagrante contradição em que caem os defensores de “Fratelli tutti”, os cleaners de Francisco, esses desinformantes que se valem da oficialidade para desorientar o povo católico em sua reação de perplexidade diante de um documento mundano.

Papa Francisco fala sobre 'crucifixo comunista' que recebeu de Evo Morales

De um lado, chega a ser majestoso o modo como a opinião pública deliberadamente ignora os pronunciamentos do papa, especialmente este último, que não conseguiu sequer atrair a atenção da mídia. De outro, é igualmente inegável que a taxa de rejeição de um pontífice nunca esteve tão acentuada quanto agora, e de maneira gritante, indissimulável.

Até mesmo os defensores de Francisco andam por aí roendo os cotovelos e rasgando os andrajos porque – reclamam! – “nem durante a Reforma protestante houve tantos protestos contra um papa”… E apresentam em sua “gloriosa” defesa não argumentos verdadeiros, mas tirinhas de desprezo em relação aos outros – a velha inteligência nanica se fingindo de superior enquanto mal maneja o vernáculo – e o antiquadíssimo apelum ad auctoritatem: “mas é o paaaaapa”!

A tática de responsabilizar o ouvido alheio pelas barbaridades que um leviano diz é a mesma de que se servem esses que atribuem ao povo o escândalo causado pelo seu verdadeiro autor. O Papa Francisco sabe muito bem a dissensão que ele causa com um magistério tão dissonante da voz tradicional da Igreja, sabe que está forçando um tipo de discurso rançosos e suas atitudes são muito coerentes com a de quem quer chocar. Ele poderia, tranquilamente, valer-se daquele lema do Chacrinha: “eu não vim para explicar, eu vim foi pra confundir”!

Obviamente, os fieis têm um bom espírito. Percebem que há algo de errado no ar, ficam desconfiados, escutam isso e aquilo, querem pensar bem do pontífice, mas… nem dá tempo de raciocinar, logo vem ele e dá outro escândalo: terminadas as eleições na Bolívia, segundo o jornal El Sol, o Papa Francisco fez uma chamada telefônica (sim, daquelas que ele gosta muito de fazer) para felicitar o ex-presidente Evo Morales pela vitória do seu partido nas eleições presidenciais! É isso mesmo! O Papa telefonou para parabenizar a vitória dos socialistas!

Ah, mas se o povo católico se escandaliza, a culpa é do povo e não do escandalizador, daquele que efetivamente está fazendo discursos humanistas alla maçonaria, que propõe uma fraternidade universal à margem do senhorio de Nosso Senhor Jesus Cristo, que dilui a mensagem do Evangelho num vago deísmo filantropista e greenpeace. – O Cardeal Müller, bastante “sem graça”, tentou “limpar a barra” de “Fratelli tutti”, bem como o bispo espanhol Munilla, mas ambos sem apresentar argumentos consistentes.

De fato, o maior problema do Papa Francisco é ele mesmo, não o povo. E todos os seus defensores, pelo próprio fato de o defenderem, mostram que isso é verdade, ou seja, ele não se sustenta por si mesmo, precisa de advogados que desmintam o que os nossos ouvidos estão escutando, que nos façam “desver” o que os nossos olhos estão contemplando, que nos proponham “gentilmente” a renúncia da razão e da fé, e tudo em nome de uma mera oficialidade que se não pode alegar de maneira impositiva, ao menos desde que Francisco se omitiu em responder aos dubia, resposta que poderia afastar dele o fantasma da heresia, o qual, aliás, ao menos desde então, acompanha-o como uma sombra.

É uma miséria a situação a que chegaram os progressistas! Da “Igreja, carisma e poder”, de Leonardo Boff, nada mais resta de carisma, restou-lhes apenas o “poder” (o poder, sem a autoridade). Esses senhores, depois de décadas lutando contra o papado, agora se tornaram papólatras de argumento único e diabolicamente circular: “o que o papa diz é verdade porque ele é papa”.

Resta-lhes apenas repetir ad nauseam a mesma apelação autoritária, cruzar os dedinhos para dar certo e torcer freneticamente para que os desavizados acreditem que tudo não passa de fake news, que Francisco é um avatar repaginado de Bento XVI e que, na verdade, são os mal-intencionados tradicionalistas que distorcem tudo e que precisam ser expurgados a todo custo, como os leprosos do Antigo Testamento.

É impossível, porém, negar a realidade. Quando até a defesa de Francisco se torna um subjacente ataque, uma demonstração de que ele já é um corpo estranho na estrutura da Igreja, não lhes resta muita alternativa senão ter de conviver com uma resistência ativa, forte e determinada, que não lhes dará tréguas e também não irá rachar a unidade da Igreja. Assim como São Paulo resistiu a São Pedro – “resisti a Pedro em face, porque era censurável” (Gl 2,11) –, os fieis católicos continuarão com a sua resistência firme e pacífica até que termine esta triste tribulação. Com ânimo sereno e certos da vitória, não desistiremos, e, inclusive, divertir-nos-emos às custas de tantas tentativas frustradas de defesa do indefensável.

16 outubro, 2020

Francisco e as eleições americanas.

Por FratresInUnum.com, 16 de outubro de 2020 – Faltam algumas semanas para as eleições americanas, programadas para ocorrer em 3 de novembro. O quadro é objetivamente incerto: embora John Biden apareça como favorito nas intenções de voto (segundo pesquisas que sempre erram), o sistema eleitoral americano é tão complexo que não se pode prever com exatidão o seu resultado. O que realmente é seguro neste cenário é que a mídia mente compulsivamente, os americanos não gostam de revelar seu voto (o “trumpismo”, aliás, é um fenômeno quase invisível), Biden é um senil e sua vice é uma comunista descontrolada. Contudo, cabe-nos perguntar se existe algum cenário realmente favorável para o pontificado de Francisco…

trump

Uma eventual vitória de Donald Trump, com absoluta certeza, significaria o completo sepultamento, no cenário internacional, do definhante pontificado de Francisco, o qual é um fenômeno para além de anacrônico, fruto ainda dos tempos progressistas da presidência de Barack Obama. Um papa greenpeace, ecofeminista, que silencia os conteúdos da fé e da moral católicas para anistiar todo o pensamento de esquerda, estaria totalmente isolado com uma reeleição conservadora na América.

Entretanto, o cenário de vitória de Biden também não é tão favorável quanto possa parecer à primeira vista.

De fato, o problema de Francisco não é somente geopolítico. Obviamente, este contexto pode favorecer os interesses que o movem, a sua ideologia, o lado para o qual ele trabalha, mas não significa que tal cenário irá favorecê-lo ou reforçá-lo enquanto pontífice da Igreja Católica.

O problema de Francisco é eclesial, e o é em sentido profundo. O seu esquerdismo é tão escandaloso que provocou o descolamento do corpo dos fieis, que se afastaram dele como ovelhas que correm de um lobo… No pós-concílio, as distâncias em relação a um papa eram prerrogativas exclusivas de grupos tradicionalistas minoritários; hoje, Francisco conseguiu provocar uma rejeição massiva, que nenhum dos papas anteriores obteve, rejeição que ultrapassa em muito àquela que sofreu Paulo VI. A resistência a Francisco tornou-se um fenômeno popular, é socialmente compartilhada.

Francisco é um papa que não governa a partir da Igreja (ex Ecclesia), mas a partir dos poderes vigentes no mundo (ex mundo) e, portanto, o estranhamento é inevitável. Os fieis não se reconhecem nele, mas reconhecem nele a voz dos marxistas, dos ecologistas, das feministas, dos multiculturalistas, dos esquerdistas em geral.

O fenômeno da rejeição a Francisco, inclusive, não se sabe até que ponto não seja propositalmente provocado, visto que a finalidade última dos revolucionários sempre foi destruir a Igreja e, para isso, o papado. De um lado, os católicos não se sentem identificados com Francisco e perderam o pudor de manifestar sua oposição; coisa que obviamente será utilizada pelos próprios progressistas caso venha um pontificado conservador proximamente. De outro lado, o perigo de exacerbações neste campo é enorme e, lamentavelmente, já se levantam vozes que, ao invés de perceberem a cisão existente entre Francisco e o papado, voltam os seus ataques contra o papado em si, contra aquilo que os progressistas sempre combateram: o ultramontanismo.

Como estas questões se resolverão, apenas a história poderá responder. No entanto, o fato é que este pontificado já perdeu completamente a benevolência dos verdadeiros fieis e, portanto, daqui para frente sofrerá um desprestígio irreversível, ainda mais reforçado por todos os escândalos recentes e dos que serão deles decorrentes nos próximos meses e até anos, escândalos protagonizados por homens de confiança de Francisco.

Ora, neste quadro de crise interna, uma eleição de esquerda nos Estados Unidos assanharia tremendamente a esquerda católica, que excitaria ainda mais Francisco para a esquerda, provocando, assim, um descolamento ainda mais grave em relação aos fieis, que se manifestariam ainda mais descontentes do que já se manifestaram até agora. Se, por um lado, isso seria péssimo, por outro, teria sua vantagem, pois agravaria ainda mais a crise de representatividade na esquerda eclesiástica, que ficaria transfigurada diante dos poderes do mundo, enquanto é desmascarada diante da opinião pública dos fieis, esvaziando-se mesmo até das aparências de catolicidade, aparências que usurparam, usurpando a oficialidade da hierarquia.

A solução mais inteligente para todo esse dilema, do ponto de vista dos revolucionários, seria mesmo a renúncia de Francisco e a eleição de um papa menos progressista, que ao menos conservasse nos fieis a suspeita de catolicidade que o papa atual jogou pela janela. Mas, ao mesmo tempo, maquiaria, e muito, a situação real, que é catastrófica, crônica e humanamente incontornável.

Como o que Deus almeja é a salvação das almas e não a incolumidade de uma estrutura corrompida e corruptora, qualquer dos cenários não deve inquietar o fiel católico. Não temos esperanças em homens, nem em eclesiásticos nem muito menos em políticos. A crise da Igreja só pode ser resolvida por uma intervenção direta de Deus, mediante o triunfo do Coração de Imaculado de Maria. A nossa parte consiste em, como Ela, permanecer em pé, junto à Cruz, resistindo e sofrendo esta dolorosa Paixão da Igreja, à espera do triunfo que, certamente, virá.

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13 outubro, 2020

Exclusivo: Dom Viganò escreve a Frei Tiago de São José.

Armatura fortis pugnantium furunt bella,  

tende praesidium scapularis.  

5 de Agosto de 2020 Dedicação de Nossa Senhora das Neves  

Caro e reverendo Padre Tiago, 

Recebi a Sua Carta, na qual me inteirei dos acontecimentos a respeito da Sua comunidade e da  perseguição que Ela e Seus confrades foram objeto. 

Embora desconcertado ao tomar conhecimento da atitude de tantos Bispos, me consola saber que, ao menos alguns lhes ajudaram no limite da própria possibilidade. Creio que tudo o que a vossa comunidade passou seja o “enésimo caso” de uma longa série, que começou há setenta anos e hoje chegou ao ápice. A fidelidade à Igreja e à Regra carmelitana são motivos suficientes para  desencadear a fúria do inferno e de quantos, sobre esta terra, servem o Inimigo. 

Devo recordar-lhes, se não fosse supérfluo, que essas provações são um sinal da benção de Deus e  do fato que estais no bom caminho: se tivésseis encontrado a aprovação e o encorajamento dos  Prelados heréticos ou viciosos, deveríeis colocar em questionamento a vossa vocação, ou mesmo a vossa conduta moral: virtus in infirmitate perficitur (“a virtude se aperfeiçoa na dificuldade”). As  dificuldades que afligem a vossa comunidade religiosa confirmam a inevitável oposição entre os  filhos da luz e os filhos das trevas, assim como implacável é a luta entre Deus e Satanás. Mesmo se algumas batalhas são perdidas, a vitória da guerra já está assegurada, porque o nosso Rei é  invencível, e a Comandante que nos guia é terribilis ut castrorum acies ordinata (“terrível como um  exército em ordem de batalha”). 

Lamento não ter a possibilidade de fazer-me vosso Protetor, já que não possuo a jurisdição canônica que me permitiria. Creio, no entanto, que, neste momento de gravíssima crise da Igreja, seja  oportuno conformar-se ao que recomenda São Vicente de Lérins: Magnopere curandum est ut id teneatur quod ubique, quod semper, quod ab omnibus creditum est (“A coisa mais importante é guardar a  Fé que sempre e em toda parte, por todos foi acreditada”). Portanto, permaneçam firmes na Fé e não  busquem um reconhecimento canônico que, em tal contexto, é praticamente impossível de obter-se, senão cedendo ao compromisso, seja sobre a doutrina, seja sobre a moral ou sobre a liturgia. 

Colocai-vos com total confiança sob o manto da Regina Decor Carmeli, (“Rainha e formosura do  Carmelo”) e invocai os vossos Santos Fundadores pedindo a paciência na prova, a fortaleza no  testemunho da Fé, o espírito de reparação para implorar ao Céu a conversão dos vossos  perseguidores. Eu Vos asseguro também a minha oração, a lembrança na Santa Missa, confiando, 

da minha parte, em vossas orações. 

A Vós e à vossa comunidade, assim como aos vossos benfeitores, transmito de coração a minha mais larga Benção, desejando-vos as graças e os favores do Céu. 

+ Carlo Maria Viganò, Arcebispo

 

12 outubro, 2020

Consagração a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil.

Ó Maria Imaculada, Senhora da Conceição Aparecida, aqui tendes, prostrado diante de vossa milagrosa imagem, o Brasil, que vem de novo consagrar-se à vossa maternal proteção. Escolhemo-vos por especial Padroeira e Advogada da nossa Pátria; queremos que ela seja inteiramente vossa: vossa é a sua natureza sem par; vossas são as suas riquezas; vossos, são os campos e as montanhas, os vales e os rios; vossa é a sociedade; vossos são os lares e seus habitantes, com seus corações e tudo o que eles têm e possuem; vosso é, enfim, todo o Brasil.

Sim, ó Senhora Aparecida, o Brasil é vosso!

Por vossa intercessão temos recebido todos os bens das mãos de Deus, e todos os bens esperamos receber, ainda e sempre, por vossa intercessão.

Abençoai, pois, o Brasil que Vos ama; abençoai o Brasil que Vos agradece; abençoai, defendei, salvai o vosso Brasil!

Protegei a Santa Igreja; preservai a nossa Fé, defendei o Santo Padre; assisti os nossos Bispos; santificai o nosso Clero; socorrei as nossas famílias; amparai o nosso povo; esclarecei o nosso governo; guiai a nossa gente no caminho do Céu e da felicidade! Ó Senhora da Conceição Aparecida, lembrai-Vos de que nós somos e queremos ser vossos vassalos e súditos fiéis. Mas lembrai-vos também de que nós somos e queremos ser vossos filhos. Mostrai, pois, ante o Céu e a Terra, que sois a padroeira poderosa do Brasil e a Mãe querida de todo o povo brasileiro!

Sim, ó Rainha do Brasil, ó Mãe de todos os brasileiros, venha sempre mais a nós o vosso reino de amor e, por vossa mediação, venha a nossa Pátria o reino de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor Nosso. Amém.

A NOSSA SENHORA APARECIDA

Ó Senhora Aparecida, Mãe querida, tenho tanta confiança em Vós, que espero a vossa proteção e vosso amparo em todos os passos de minha vida e na hora da morte. Amém.

Fonte: Khristianós

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12 outubro, 2020

Reflexões da Sagrada Escritura: Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil.

“Mariae, de qua natus est Jesus, qui vocatur Christus”.
“Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo” (S. Mateus, I, 16).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Em 1954, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, Cardeal e Arcebispo Metropolitano de São Paulo, escreveu uma Carta Pastoral, verdadeira exaltação a Maria Santíssima. Dela daremos aqui aos caríssimos leitores apenas alguns trechos:

Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil, rogai por nós!

Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil, rogai por nós!

“Os filhos bem-nascidos e espiritualmente bem formados exultam sempre em conhecer a vida da criatura abençoada que lhes deu o ser e o materno leite e amor de mãe. Se assim é na ordem natural, mormente na ordem sobrenatural ou na ordem da vida da graça.

“Aquela que é Mater Divinae Gratiae tem todo o direito ao mais sublime amor e ao mais acendrado culto por parte de todos os verdadeiros cristãos, regenerados pelo divino sangue do Salvador dos homens. Pois este sangue redentor, Cristo o recebeu do seio  Imaculado e sempre virgem de Maria: Mariae, de qua natus est Jesus, qui vocatur Christus. A salvação moral e espiritual da cristandade descansará perenemente na proteção superna de Nossa Mãe do Céu, tal qual em seus braços maternais descansava o próprio Salvador, Jesus, o Cristo Filho de Deus Vivo.

A devoção a Nossa Senhora é a salvaguarda da fidelidade religiosa do nosso povo; e, para cada um de nós, o penhor da conquista do Paraíso. Para sermos verdadeiros e bons brasileiros, havemos de ser fiéis devotos da Mãe de Deus e Nossa. Em seus braços veio Jesus para nós; em seus braços iremos nós para Jesus.

“Foi no meado do Mês do Rosário, outubro de 1717, que, no Vale Mariano do Rio Paraíba, nas águas do porto de Itaguaçu, da paróquia de Guaratinguetá, deu-se o evento milagroso da Imagem Aparecida de Nossa Senhora da Conceição.

“O então vigário de Guaratinguetá, Padre José Alves de Vilela, deixou registrado no Livro de Tombo dessa sua privilegiada paróquia, um interessantíssimo relato de como a Imagem fora colhida pelas redes abençoadas do feliz pescador João Alves, que tinha por companheiros Domingos Martins Garcia e Filipe Pedroso. É de justiça ressaltar a benemerência desse sacerdote virtuoso e culto que, durante os primeiros trinta anos, cuidou zelosamente da devoção a Nossa Senhora Aparecida.

“Por iniciativa sua, com outros devotos, erigiu primitiva ermida, por ele mesmo, posteriormente transplantada e transformada em capela digna deste nome, cito no próprio local em que, cem anos mais tarde, construir-se-ia a majestosa igreja que é agora Basílica Nacional. (a antiga).

“Era em Itaguaçu que em todos os sábados, reunia-se a gente da vizinhança a cantar o terço, o ofício litúrgico popular e outros louvores a Nossa Senhora. Oxalá que tão belo exemplo de piedade de nossos antepassados não seja nunca jamais esquecido na tradição das famílias católicas de nossa Pátria!

Falando do PRIMEIRO CONGRESSO DA PADROEIRA diz Dom Mota:

“É o Brasil católico ajoelhado aos pés da Imaculada Conceição, é a alma brasileira que, em protestos de fé, cimenta e consolida os sentimentos que trouxemos do berço da nossa Pátria. Quer em romarias, mais ou menos organizadas, quer em grupos de famílias ou em visitas isoladas, sempre características do filial amor que devotamos à Mãe Santíssima, quantos saem daqui levando para a vida novas energias; quantos se regeneram no batismo da penitência; quantos abençoam a feliz inspiração que os trouxe um dia aos pés de Maria Santíssima!

“Aparecida é no Brasil a terra predileta de Nossa Senhora. É o Santuário em que ela se compraz de derramar as suas bênçãos, consolando e acariciando, a uns fortalecendo-lhes a fé e a coragem cristã, a outros inspirando nobres e salutares resoluções, quantas vezes restituindo-lhes a saúde do corpo, sempre a saúde da alma aos bem intencionados e sinceramente arrependidos”.

“Ainda as almas simples, as desse povo religioso e bom, que não sabe falar, mas sabe rezar, sentiam, como por instinto, que a Senhora Aparecida quer e deve reinar nos corações, nos lares, na família e na sociedade, em todos os recantos da Pátria estremecida, como Senhora absoluta de tudo quanto somos e de tudo quanto é nosso.

“Este Santuário é água que satisfaz ao paladar do humilde e pequenino, e ao dos sábios; tanto atrai a devoção do caboclo do sertão, como a do gênio de Tomás de Aquino. Aqui na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, reza-se pela paz do Brasil grandioso e unido.

“Que Nossa Senhora Aparecida, doravante, e para sempre, Rainha incontestada, e Soberana do Brasil, conserve-nos a todos a unidade da fé na unidade inquebrantável da Pátria!”

“Aquiescendo paternalmente à patriótica e piedosa súplica do colendo Episcopado Nacional, houve por bem Sua Santidade, o Papa Pio XI, por MOTU PROPRIO de 16 de julho de 1930, oficialmente proclamar a Beatíssima e Imaculada Virgem Maria, sob o título de APARECIDA – PRECÍPUA PADROEIRA DE TODO O BRASIL, junto de Deus.

“Eis as formais palavras da referida proclamação: (traduzindo do latim):

“Por “motu próprio” e por conhecimento certo e madura reflexão Nossa, na plenitude de Nosso poder apostólico, pelo teor das presentes letras, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de APARECIDA PADROEIRA PRINCIPAL DE TODO O BRASIL diante de Deus. Concedemos isto para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus”.

…”E então, de suas dadivosas mãos, a Virgem Imaculada – onipotência suplicante como é – fará jorrar sobre nós caudais de bênçãos; bênçãos que sejam luz para o nosso espírito em trevas de sobressaltos, que sejam força para a nossa vontade trepidante e quase a capitular, que sejam tranqüilidade para a nossa consciência em desassossego, e que sejam vibrações de sadio entusiasmo para o nosso coração abafado e desiludido.

“Sensibilizados e ternissimamente agradecidos, podemos e devemos afirmar que, assim como a França foi o histórico cenário escolhido pela Virgem Imaculada para sua aparição a Catarina Labouré, a 27 de novembro de 1830, exigindo a cunhagem da Medalha, por antonomásia a MEDALHA MILAGROSA, assim como foi a Itália o palco majestoso da visão de Afonso Ratisbonne, a 20 de janeiro de 1842, na igreja de Santo André delle Fratte, em Roma, triunfando a Virgem da Medalha sobre o seu espírito de judeu acérrimo; assim também, e muito antes, fora o Brasil, em águas do Paraíba, o recesso tranqüilo e humilde, eleito por Nossa Senhora da Conceição, para o miraculoso aparecimento de sua Imagem a 17 de outubro de 1717. Imagem tão pequena em sua dimensão, quão grande, na veneração e no amor dos brasileiros.

…”Porque Maria Santíssima havia de ser Mãe de Deus por isso foi Imaculada em sua Conceição. E, depois, porque era a Mãe de Deus e Imaculada, por isso foi ressuscitada e assunta ao Céu, na integridade de sua pessoa. Em Maria, o Sol da graça infinita e da infinita justiça, refulgiu no seu zênite no mistério augusto e inefável da Maternidade Divina. Mas, na Imaculada Conceição, na gloriosa Ressurreição e na excelsa Assunção, rebrilhou o mesmo Solstício. Maria obteve vitória total sobre o pecado, pela plenitude da graça de Imaculada e Mãe de Deus: bem como obteve vitória total sobre a morte, pela plenitude da vida ressurreta e imortalizada na Glória do Paraíso.

“Pois essa Criatura super-privilegiada, OBRA PRIMA  do Criador onipotente, onisciente e onibondoso, é a PRINCIPAL E CELESTIAL  PADROEIRA DE TODO BRASIL, JUNTO DE DEUS. É a nossa Mãe do Céu! Que Nossa Senhora Aparecida console os que choram, conforte os que sofrem, encaminhe os transviados, reconcilie os inimigos, consolide as famílias, harmonize as sociedades, salve o Brasil! E assim como foi sua milagrosa Imagem recolhida nas redes dos pescadores, assim também se digne a querida Mãe e Padroeira recolher-nos a todos nas redes de sua bondade  e de seu poder, levando-nos para o Céu, levando-nos para

Jesus: AD JESUM PER MARIAM!”

9 outubro, 2020

“Fratelli tutti” e o solipsismo progressista retrô.

Por FratresInUnum.com, 9 de outubro de 2020 – Foi em 1971 que John Lennon compôs Imagine, o seu single mais vendido, em que auspiciava um mundo de paz – aquela paz hippie e mundana: sem nenhum tipo de barreiras ou divisões religiosas nem nacionais, em que a humanidade procurasse viver naquele velho estilo despojado, anti-civilizacional, tribalista, sob o lema “peace and love”.

Em “Fratelli tutti”, mais uma vez, Francisco tenta emprestar para si a imagem do grande Santo de Assis. Ele o fez, na verdade, desde o dia de sua eleição, escolhendo o seu nome; depois, na famosa foto com o homem que tinha o rosto deformado; em seguida, pela encíclica “Laudato si”, em que toma o início do “Cântico das criaturas” como tema do seu texto; e, agora, usando não apenas as palavras do santo como título de seu documento, mas também servindo-se de sua própria tumba para assiná-lo. O uso, porém, não para por aí.

Na encíclica, a história do encontro de São Francisco com o Sultão é deturpada – o santo teria ido apenas dialogar com o muçulmano – para ser usada como desculpa para favorecer a tal fraternidade universal sob o preço do indiferentismo religioso. Execrável! O encontro teve como único objetivo converter o maometano à fé católica!

De fato, não se trata de São Francisco, mas de John Lennon. Ele é o verdadeiro protótipo por detrás desta encíclica vazia de sobrenatural e cheia daquele ranço de Imagine, cujos 50 anos são celebrados propriamente no próximo ano que estamos por começar. Os progressistas, definitivamente, assumiram o estilo retrô: estacionaram nos anos 70 e não há quem os tire daquela fossa!

Contudo, não é esta a única ilha em que se confinaram os progressistas. A bolha ideológica em que se enfiaram já não lhes permite ter acesso à realidade como tal. Num círculo de auto-confirmações e adulações mútuas, eles não se permitem mais aquela crítica que os faria deixar de se idolatrarem diante do espelho.

A “encíclica” é um sinal eloquente desse fato. Com efeito, Francisco teve a “modéstia” de citar a si mesmo 180 vezes durante o texto, enquanto citou João Paulo II e Bento XVI em torno de apenas 20 vezes. “Fratelli tutti”, na verdade, é fruto de um confinamento, fruto da consciência de um homem fechado em si mesmo, em suas próprias impressões e ilusões, incapaz de enxergar outra coisa a não ser a sua própria ânsia de ser o capelão da nova religião universal propulsionada pelo movimento globalista.

Antigamente, os ghostwriters dos papas tinham o bom senso de conservar aquele tom de continuidade entre os magistérios anteriores, faziam sempre referências sobrenaturais, mantinham ao menos a aparência de humilde catolicidade. Agora, os lacaios contratados por Bergoglio sujeitaram-se a uma vassalagem psicológica tão vexaminosa que não conseguiram disfarçar sua desesperada ansiedade por demonstrar a idolatria ao chefe, adulação aceita por ele, mas que contrasta fortemente com a humildade franciscana. De fato, não é São Francisco, é John Lennon!

A solenidade com a qual o povo ignora tudo isso chega a ser fascinante! Mesmo a imprensa mal consegue entender o que significa um papa reciclar clichês moralistas entre quem deras e contradições… Afinal de contas, quem assinou nestes dias um acordo com a maior ditadura do mundo, a China, não foi Trump, mas o Vaticano.

“Fratelli tutti” é apenas a extravagância do sonambulismo quimérico de um papa herdeiro daquelas ilusões dos “anos dourados”. Os católicos o percebem, mesmo que não consigam explicar, mesmo que mantenham a abstinência verbal quanto a criticar o pontífice. O que não se nota é entusiasmo, interesse, envolvimento…

Seria “Fratelli tutti” um testamento? Não sabemos. O tom é este, tanto o do texto – pesado e idealista, triste e moralista – quanto o tom do mundo – estão todos cansados dessa cantilena repetitiva: “Imagine there’s no countries… And no religion too”… Em toda a história, nunca houve documento mais maçônico assinado por um papa, e justamente sobre a sepultura do Poverello de Assis, um serafim em forma humana, que sempre quis viver completamente distante dos favorecimentos financeiros e da troca de favores.

O solipsismo de Francisco já não pode mais ser disfarçado. Quem dera o catolicismo possa voltar aos seus verdadeiros “anos dourados”, em que não vivia à mercê de um ditador narcisista e mundano, mas podia simplesmente ser a Igreja de Cristo, fiel à sua doutrina, aos seus sacramentos e aos seus mandamentos.

7 outubro, 2020

“Fratelli Tutti”? Profecia de Ratzinger em 1968

O cardeal Joseph Ratzinger profetizou o deísmo filantropista de “Fratelli tutti” em 1968.

“Frente à mensagem de amor do Novo Testamento, hoje se impõe cada vez mais uma tendência de identificar completamente o culto cristão com o amor fraterno, não se querendo admitir mais nenhum amor direto a Deus, nenhuma veneração de Deus: reconhece-se exclusivamente o horizontal, negando-se o vertical ou seja a relação imediata com Deus. Depois do que se disse, não será difícil perceber por que uma tal concepção – à primeira vista – de aparência tão simpática, falha na questão do Cristianismo, e com ela, no problema do autêntico humanismo. Um amor fraterno auto-suficiente descambaria em egoísmo extremado de autoafirmação. Um tal amor recusa sua abertura última, sua tranqüilidade, seu desprendimento, não aceitando a necessidade da salvação deste amor por intermédio do único que realmente amou bastante. Finalmente, um tal amor, apesar de toda a bem-querença, causa injustiça a si mesmo e ao outro, porque o homem não se realiza apenas na simpatia mútua do co-humanismo, mas somente na reciprocidade daquele amor desinteressado que glorifica o próprio Deus. O desinteresse da simples adoração representa a suprema possibilidade do humanismo e sua verdadeira e definitiva libertação”.

Joseph RATZINGER, Introdução ao Cristianismo, Capítulo II, 2, 1.

6 outubro, 2020

Maçons: “‘Fratelli tutti’ demonstra quão distante a atual Igreja está de suas antigas posições”.

Por InfoVaticana, 5 de outubro de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com – Apresentamos a declaração da Grande Loja da Espanha a respeito:

“Há 300 anos se deu o nascimento da Maçonaria moderna. O grande princípio desta escola iniciátiva não mudou em três séculos: a construção de uma fraternidade universal onde os seres humanos se chamem irmãos uns dos outros, para além de seus credos concretos, de suas ideologias, de sua cor de pele, sua classe social, língua, cultura ou nacionalidade. Este sonho fraterno se chocou com o integrismo religioso que, no caso da Igreja Católica, propiciou duríssimos textos de condenação à tolerância da Maçonaria no século XII. A última encíclica do Papa Francisco demonstra quão distante está a atual Igreja Católica de suas antigas posições. Em ‘Fratelli tutti’, o Papa abraça a Fraternidade Universal, o grande princípio da Maçonaria moderna.

” Desejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade”, expressa, advogando por uma “fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita”. Para a construção dessa Fraternidade Universal, o Papa pede que se busque o horizonte da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “não suficientemente universais”.

A carta aborda o papel desintegrador do mundo digital, cujo funcinoamento favorece a circuitos fechados de pessoas que pensam do mesmo modo e facilitam a difusão de notícias falsas que fomentam preconceitos e ódios. “Deve-se reconhecer que os fanatismos, que induzem a destruir os outros, são protagonizados também por pessoas religiosas, sem excluir os cristãos, que podem «fazer parte de redes de violência verbal através da internet e vários fóruns ou espaços de intercâmbio digital. Mesmo nos media católicos, é possível ultrapassar os limites, tolerando-se a difamação e a calúnia e parecendo excluir qualquer ética e respeito pela fama alheia»”, acrescenta.

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4 outubro, 2020

Dom Viganò sobre nova encíclica “Fratelli tutti”: Dimensão sobrenatural totalmente ausente. Embaraçante a falsificação de São Francisco. Desconcertante o nivelamento com o pensamento único mundialista.

Por Dom Carlo Maria Viganò, 4 de outubro de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com – Uma leitura rápida do texto da encíclica Fratelli tutti nos induziria a crer que ela teria sido escrita por um maçom, não pelo Vigário de Cristo. Tudo que se contém ali é inspirado por um vago deísmo e por um filantropismo que não tem nada de católico: Nonne et ethnici hoc faciunt? “Não fazem também assim os pagãos?” (Mt 5,47).

Macroscópia e decididamente embaraçante a falsificação histórica do encontro de São Francisco com o Sultão: segundo o compilador da Encíclica, o Poverello “não fazia guerra dialética, impondo doutrinas”; na realidade, as palavras de São Francisco que os cronistas reportam são bem diferentes: “Se me queres prometer, em teu nome e do teu povo, que passareis à religião de Cristo se eu sair ileso do fogo, entrarei no fogo sozinho. Se for queimado, que isto venha imputado aos meus pecados; se, ao contrário, o poder divino me fizer sair são e salvo, reconheceres Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus, como verdadeiro Deus e Senhor, Salvador de todos”. 

Dom Viganò

A dimensão sobrenatural é totalmente ausente, assim como é ausente a referência à necessidade de pertença ao Corpo Místico de Cristo, que é a Santa Igreja, para poder conseguir a salvação eterna. Há aí, antes, um gravíssimo enviezamento do conceito de “fraternidade”: para o Católico, ela é possível apenas em Cristo, se houver Deus como Pai mediante o Batismo (Jo 1,12), enquanto que, para Bergoglio, realizar-se-ia apenas pelo fato de pertencer à humanidade.

O conceito católico de “liberdade da Religião” é substituído pelo conceito de “liberdade religiosa” teorizado pelo Concílio Vaticano II, chegando a trocar o direito divino da Igreja à liberdade de culto, de pregação e de governo pelo reconhecimento do direito de propagar-se o erro não apenas em geral, mas até mesmo nas nações cristãs. Os direitos da verdade não podem ser trocados pela concessão de direitos ao erro. A Igreja tem o direito natural à liberdade, enquanto não o têm as falsas religiões.

Desconcerta o nivelamento da Encíclica sobre a narrativa do Covid, confirmando a serventia ao pensamento único e à elite globalista; é assustadora a insistência obsessiva no tema da unidade e da fraternidade universal, bem como a condenação do legítimo direito do Estado de tutelar a própria identidade não apenas de cultura, mas também e sobretudo de Fé. Esta Encíclica constitui o manifestato ideológico de Bergoglio – a sua Professio fidei massonicæ – e a sua candidatura à presidência da Religião Universal, serva da Nova Ordem Mundial. Tanta atestação de subalternidade ao pensamento maisntream poderá valer-se talvez do aplauso dos inimigos de Deus, mas confirma o inexorável abandono da missão evangelizadora da Igreja. Por outro lado, já o temos escutado: O proselitismo “é uma solene estupidez”. 

Bergoglio é um falsificador da realidade. Mente com uma desfaçatez que não tem similares. Por outro lado, o principal especialista em adulterar a verdade é propriamente aquela ditadura chinesa que afirma que a pecadora foi apedrejada por Nosso Senhor (O regime comunista distribuiu nas escolas um livro com alguns episódios tirados de várias religiões, entre os quais o episódio da adúltera apedrejada por Cristo. Uma adulteração completa do texto). Evidentemente, a contiguidade do regime comunista com a igreja bergogliana não se limita ao Acordo, mas inclui também o mesmo modus operandi.

+ Carlo Maria Viganò