25 março, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: A Igreja e o mundo.

“Não ameis o mundo nem as coisas do mundo” (1 João, II, 15).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Escrevi este artigo quando ainda seminarista, ou mais precisamente, há 45 anos. Mostrei-o à S. Ex.cia Rev.ma D. Antônio de Castro Mayer, de santa memória, que, então,  bondosamente o leu e deu a sua aprovação.

Hoje, vemos como os modernistas, mais do que nunca, dominando na Igreja, fazem uma mistura das coisas sagradas com as mundanas, como foi o fato sacrílego acontecido no carnaval deste ano em São Paulo, quando o Cardeal Odilo Pedro Scherer permitiu que o bloco carnavalesco União de Vila Maria, sob pretexto de homenagear os 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, misturasse samba com cânticos religiosos, e colocasse a imagem de Nossa Senhora Aparecida, inclusive com o manto e coroa bentos por um padre do Santuário de Aparecida, colocasse, digo, num ambiente o mais mundano e pecaminoso possível, que é o carnaval, máxime o do Brasil. Assim sendo, achei por bem publicar este artigo. Oxalá as almas possam ver onde está a verdadeira doutrina de Nosso Senhor, e, outrossim, vejam como os modernistas são realmente os maiores inimigos da Igreja.

Feita que foi esta introdução, vamos iniciar as nossas reflexões sobre este texto das Sagradas Escrituras, acima enunciado. Demos, em primeiro lugar, a noção correta de MUNDO, sentido este expresso no texto em apreço e nos muitos outros que aqui citaremos. Tomamos aqui o termo MUNDO  não enquanto significa as obras da criação ou o conjunto das pessoas que vivem na terra (bons e maus), mas enquanto significa o complexo daqueles que são escravos da tríplice concupiscência e cujas máximas são contrárias às de Jesus Cristo.

Mundo neste último sentido é explicado pelo Apóstolo São João na sua Primeira Epístola: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não há nele o amor do Pai, porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo. Ora o mundo passa, e a sua concupiscência com ele, mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João, II, 15-17). Baseados sempre nas Sagradas Escrituras e na Tradição, vamos explicar esta definição do mundo dada por S. João Evangelista.

1. CONCUPISCÊNCIA DA CARNE: Sobre ela eis o que diz São Paulo: Caminhemos como de dia, honestamente; não caindo em glutonarias e na embriaguês, não em desonestidades e dissoluções; não em contendas e emulações, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não vos ocupeis da carne em suas concupiscências” (Rom. XIII, 13 e 14). “Caminhemos como de dia, honestamente”. As obras dos filhos das trevas são feitas comumente à noite. São todas as desonestidades provenientes da concupiscência da carne. É o amor desordenado dos prazeres dos sentidos. Em primeiro lugar o amor sensual ou luxúria, espalhado por todo o corpo: ver, ouvir, falar, fazer tudo aquilo que acende e alimenta as chamas do amor impuro. Também os excessos no comer e beber e a moleza da vida.

Em outras passagens, o Apóstolo mostra como devem agir os “filhos da luz”: Aqueles que são de Jesus Cristo, crucificaram sua carne com seus vícios e concupiscências” (Gálatas, V, 24). Caríssimos, vede que S. Paulo não diz: “crucificaram seus vícios e concupiscências”, mas “sua carne com seus vícios e concupiscências”. O bom médico vai à raiz do
mal. A carne, depois do pecado original, é a raiz dos males.

Ouçamos ainda S. Pedro, o primeiro Papa: “O Senhor sabe livrar os justos da tentação e reservar os maus para o dia do juízo a fim de serem atormentados, principalmente aqueles que vão atrás da carne na imunda concupiscência” (1 Pedro, II, 9 e 10).

2. CONCUPISCÊNCIA DOS OLHOS: Compreende duas coisas:

a) a curiosidade doentia ou seja o desejo imoderado de ver, ouvir e conhecer o que se passa no mundo, alimentando e excitando assim a sensualidade. Neste sentido eis o que diz o Espírito Santo nas Sagradas Escrituras: “Ooliba [figura da corrupção de Jerusalém] foi aumentando sempre a fornicação porque tendo visto alguns homens pintados na parede, umas imagens dos caldeus delineadas com cores… pela concupiscência dos seus olhos concebeu por eles uma paixão louca”  (Ezequiel, XXIII, 14 e 16). “Os olhos não se fartam de ver…” (Eclesiastes I, 8). “Eu(Jesus), porém, digo-vos que todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a já cometeu adultério com ela no seu coração” ( S. Mateus V, 28). Como a concupiscência vem do mundo, este promove tudo aquilo que provoca e fomenta a concupiscência dos olhos, e através desta, a concupiscência da carne, como por exemplo: revistas pornográficas, filmes, novelas e espetáculos imorais, bailes, imodéstia no vestir, sobretudo em certos ambientes como praias, piscinas, e festas mundanas, sobressaindo entre elas o Carnaval (máxime aqui no Brasil), namoros indecentes mesmo em público, (assim eu escrevia há 45 anos, e hoje? nem preciso dizer o que são!). Entra ainda o papel da televisão, do cinema, da maioria dos jornais e hoje máxime da Internet usada para o mal, como veículos de propagação destas imoralidades.

b) A concupiscência dos olhos pode ser interpretada também como o amor desordenado do dinheiro, ou avareza. Com efeito, o dinheiro, ou apegando o homem a terra e afastando seu pensamento de Deus ou provocando o luxo e o comodismo, oferece maior facilidade para tudo aquilo que fomenta a concupiscência dos olhos e promove a concupiscência da carne. Aliás é por aí que o demônio começa como ensina S. Paulo: “Os que querem enriquecer caem na tentação e no laço do demônio e em muitos desejos inúteis e perniciosos que submergem os homens na morte e na perdição. Com efeito a raiz de todos os males é o amor do dinheiro” (1 Timóteo, VI, 9 e 10). Jesus disse: “Não procureis (com cuidados excessivos) o que haveis de comer e beber e não andeis com espírito preocupado. Porque são os homens do mundo que buscam todas estas coisas” (S. Lucas, XII, 29). E explicando a parábola do semeador diz ainda: “A semente que caiu entre espinhos, representa aqueles que ouviram a palavra, porém, vão e ficam sufocados pelos cuidados do mundo, pelas riquezas e prazeres desta vida e não dão fruto” (S. Lucas, VIII, 14).
Eis como a Sagrada Escritura fala da concupiscência dos olhos tomada no sentido de AVAREZA: “O olho do avaro não se sacia com uma porção injusta; não se fartará, enquanto não tiver consumido e secado a sua vida. O olho mau tende para o mal, e não se saciará de pão, mas estará faminto e melancólico à mesa” (Eclesiástico, XIV, 9 e 10).

3. A SOBERBA DA VIDA: É o orgulho. É primeiramente a vaidade mais vulgar que gosta da ostentação e do luxo. O dinheiro ajuda a soberba. Esquecido de Deus e entregue a si mesmo, o homem considera-se o seu próprio deus. Daí vêm: avareza, espírito de independência, egoísmo, vã complacência, vanglória, jactância, ostentação, hipocrisia etc.. O homem orgulhoso confia em si mesmo; por isso se expõe aos perigos, aos ambientes mundanos, não aceita uma norma de vida, um moral fora e acima dele. Ele mesmo é o árbitro de suas ações, ele é que determina a sua moral, o seu modo de agir. Em uma palavra: ele faz a sua religião. Compreende-se assim facilmente com o orgulhoso, que, na verdade, é rejeitado por Deus, tem o caminho aberto para toda concupiscência, entregando-se aos pecados e baixezas da carne, o que aliás constitui um castigo de seu próprio orgulho. Vejamos apenas alguns textos da Sagrada Escritura sobre a soberba da vida: “Mas vós, pelo contrário, elevai-vos na vossa soberba” (S. Tiago, IV, 16). “O princípio da soberba do homem é afastar-se de Deus” (Eclesiástico, X, 14). “Não há coisa mais detestável do que o avarento. Por que se ensoberbece a terra e a cinza? “Tua arrogância enganou-te, assim como a soberba do teu coração” (Jeremias, CLIX, 16). O mundo, que tem como príncipe o demônio (Cf. S. João, XII,31; XIV, 30; XVI, 11).  ) e por estandarte a tríplice concupiscência, como age?

Caríssimos, depois da queda original a natureza humana é inclinada para a concupiscência que atrai e alicia, e esta é alimentada pelo mundo que por sua vez é governado pelo demônio. Estes são os três inimigos das nossas almas: o mundo, a carne, e o demônio. Eis a explicação dada pelo próprio Espírito Santo através de S. Tiago: “Cada um é tentado pela sua própria concupiscência que atrai e alicia. Depois a concupiscência quando concebeu dá à luz o pecado” (S. Tiago,I, 14). S. João diz por sua vez: “Aquele que comete o pecado é filho do demônio, porque o demônio peca desde o princípio” (1 S. João, III, 8). E no capítulo V, 19 diz: “Sabemos que somos de Deus, mas o mundo está sob o maligno”. Nosso Senhor Jesus Cristo na parábola do joio explicou que é o demônio o homem inimigo que suscita os maus sobre a terra (Cf. S. Mateus, XIII, 39).

O mundo então através da tríplice concupiscência e excitado pelo demônio persegue os bons de duas maneiras:

1 – Seduzindo-os através de suas vaidades e prazeres; promove, como vimos acima, tudo aquilo que favorece os olhares lascivos e enlaces sensuais, mas apresenta tudo isso como coisas necessárias para fomentar o amor; como úteis para a saúde, recreações, higiene, etc.. E assim, procura enganar as consciências. Depois o mundo elogia os que sabem gozar a vida. Prega o amor desordenado do prazer: “Coroemo-nos de rosas antes que elas murchem” (Sab. II, 8). É um dever sagrado, dizem os mundanos, aproveitar a mocidade, gozar a vida. O mundo seduz ainda pelos seus maus exemplos. Com mostra a trilhar o caminho largo, apresenta como argumento supremo a maioria. Todos os mandamentos se resumem neste: todo mundo faz assim; é a moda, etc..

2 – Quando não pode seduzir os bons, o mundo trata de os aterrar movendo-lhes perseguições: Assim, desviam-se da prática da religião os tímidos, metendo a riso os devotos, os que fazem penitência, os “ingênuos” que acreditam em dogmas imutáveis, motejam das mães que têm muitos filhos, e que vestem modestamente suas filhas, zombam daqueles que fogem dos ambientes perigosos: como bailes, praias, piscinas, carnaval, etc… Já disse a Sagrada Escritura: “Aqueles que querem viver piedosamente sofrerão perseguição” (2 Timóteo, III, 11).

Diante da opressão que o mundo lhes faz, consolem-se com o diz a Sagrada Escritura: Em realidade se Deus não perdoou ao mundo antigo; mas somente salvou com outros sete a Noé, pregador da justiça, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo dos ímpios, e se condenou a uma total ruína as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as as cinzas para servir de exemplo aqueles que venham a viver impiamente, se, enfim, livrou o justo Lot oprimido pelas injúrias e pelo viver luxurioso destes infames (esse justo que habitava entre eles sentia diariamente a sua alma atormentada, vendo e ouvindo as suas obras iníquas), é porque o Senhor sabe livrar os justos da tentação e reservar os maus para o dia do juízo, a fim de serem atormentados, principalmente aqueles que vão atrás da carne na imunda concupiscência e desprezam a soberania (de Cristo)”.

Caríssimos, desculpem-me por eu ter me estendido demais. Mas, na verdade, o artigo ainda continua. No próximo sábado, se Deus quiser, continuarei tratando da mesma matéria: Veremos, se Deus quiser, o modo de agir dos modernistas e o da Tradição em relação ao mundo. Faremos um terceiro artigo sobre A MODÉSTIA NO VESTIR. Sempre me baseando nas Sagradas Escrituras.

24 março, 2017

Divulgação: Dr. Edson Sampel lança livro com principais documentos pontifícios sobre Nossa Senhora.

586747A Academia Marial de Aparecida (AMA), em parceria com a Libreria Editrice Vaticana e Fons Sapientiae (Distribuidora Loyola) está lançando o livro “Principais documentos dos papas sobre nossa Senhora: do beato Pio IX a Francisco” (capa dura, formato de luxo).

A obra, organizada pelo dr. Edson Sampel, membro do conselho diretor da academia, constitui um dos gestos concretos da AMA por ocasião do tricentenário do encontro da imagem da virgem Maria no Rio Paraíba, no estado de São Paulo (1717-2017). Trata-se de trabalho inédito em língua portuguesa, pois reúne, em um único volume, as encíclicas marianas. Prefacia o livro sua eminência, dom Raymundo Damasceno; apresenta-o pe. Valdivino Guimarães, CSsR, diretor da academia mariana. Para mais informações, clique aqui.

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Atenção: Toda divulgação comercial em FratresInUnum.com é sempre e absolutamente gratuita, contanto que útil à Igreja, e deve ser enviada para fratresinunum[arroba]gmail.com

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23 março, 2017

Revolução da ternura.

“Não tenham vergonha da ternura. Hoje se necessita de uma revolução da ternura neste mundo que sofre de cardioesclerose”.

Francisco, 7 de dezembro de 2016

Sobre cartazes, dos Papas, risadas e insultos (pontifícios). Para descontrair.

Por Marco Tosatti, 10 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – Agora que o meu colega Guido Mocellin, do jornal Avvenire revelou os mistérios relacionados aos posteres que apareceram espalhados em Roma e direcionados não ao Pontífice reinante, mas a outro rei de Roma, Francesco Totti, e que por uma confusão banal dessa região do Lácio acabaram colados sobre os muros da Capital.

papa-che-ride-300x169Depois que o arcebispo Becciu, o número 2 da Secretaria de Estado e o delegado espiritual do Papa junto à Ordem de Malta, nos assegurou que o Pontífice até riu do episódio e apreciou o dialeto Romanesco;

Dado que os pogroms e incêndios foram afastados, com exceção de alguns pequenos foguinhos acesos aqui e acolá por algum colega mais entusiasmado, e já que ainda estamos em tempos de carnaval e ainda podemos nos permitir um sorriso…

Eis que feitas todas essas ressalvas, hoje aconteceu de me deparar com um site durante meu giro pela internet. Trata-se de uma página Opportune Importune que faz um compêndio de todos os insultos lançados pelo Papa contra sacerdotes, cardeais,bispos e leigos que diante de seus olhos carecem de qualquer parâmetro de respeito.

É uma página datada de 14 de dezembro de 2015, mas que tinha me escapado na época, como também me passou despercebido um livreto em inglês da qual tal página se originou. The Pope Francis Little Book of Insults [O pequeno livro de insultos do Papa Francisco]., dezembro 2015. Desde então, a lista certamente cresceu e não foi pouco.

Aqui estão alguns termos usados (para a lista completa, consulte o website):

Velhas comadres

Instigadores da coprofagia

Especialistas em Logos

Debulhadores de rosários

Funcionários

Pessoa absorvida em si mesma

Neo pelagianos

Prometeico

Restauracionista

Cristãos ideológicos

Pelagianos

Sr. e Sra. choramingões

Triunfalistas

Cristãos inflexíveis

Gnósticos modernos

Cristãos líquidos

Cristãos superficiais

Múmias de museu

Príncipe renascentista

Bispo de Aeroporto

Cortesão leproso

Ideólogo

Cara comprida

Autoritários

Elitistas

Pessimistas e desiludidos

Cristãos com cara de vinagre

Infantis, com medo de dançar, gritar, com medo de tudo

Cristãos que buscam certeza em tudo

Cristãos fechados, tristes, aprisionados, que não são livres

Cristãos pagãos

Monstrinhos

Cristãos derrotados

Papagaios do Credo

Batedores da Inquisição

Seminaristas que cerram os dentes à espera de terminar os estudos, que seguem as regras e sorriem revelando a hipocrisia do clericalismo, um dos piores males.

Ideólogos do abstrato

Fundamentalistas

Sacerdotes grudentos e idólatras

Adoradores do deus Narciso

Sacerdotes vaidosos e fanfarrões

Sacerdotes vendedores de pneus

Padres magnatas

Religiosos que têm o coração amargo como vinagre

Fechados na fria formalidade de uma oração gelada, avarentos.

Estéreis no seu formalismo

Gente velha e saudosista de estruturas e usos que não dão mais vida ao mundo de hoje

Jóvens maníacos pela moda

Cristãos de pastelaria

Cristãos anestesiados

Fracos até a podridão

Cristãos de coração negro

Cristãos inimigos da cruz de Cristo

Falso moralistas

Contemplativos distantes.

Devo confessar que vê-los todos assim alinhados em uma coluna me deu pena. Porque, como sempre, o costume anestesia a sensibilidade. Talvez quem hoje lê que o Papa está atacando os cristãos anestesiados, não se recorda que há três dias foi a vez dos estéreis no seu formalismo. E que amanhã talvez será a vez daqueles do coração negro.

Em suma, mas como há gente ruim entre esses Cristãos, pelo menos de acordo com o Pontífice. E isso também não deixa de ser uma novidade. Eu não me recordo que seus predecessores tenham jamais expressado opiniões tão repetidas, tão cortantes e impiedosas contra as ovelhas do rebanho. E realmente, se os fiéis da Igreja Católica são essa massa de iniqüidades, é de se perguntar se os cartazes não eram realmente autênticos ou se limitavam a ser simples cartazes. Afinal de gente tão ruim assim há que se esperar de tudo! Talvez até soltem um sorriso após o próximo insulto e ainda digam: “você sabe, é o Papa… ele sempre age assim”.

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21 março, 2017

Cardeal Raymond Burke: “Quando o pastor se torna lobo, o primeiro dever do rebanho é se defender”.

Cardeal Burke exalta santo que condenou bispo herético. 

Por George Goss, 17 de fevereiro de 2017 – National Catholic Reporter | Tradução: FratresInUnum.com:  Como parte de sua visita à região metropolitana de Kansas City, o cardeal Raymond Burke celebrou, no dia 9 de fevereiro, uma missa pontifical no rito tradicional para uma congregação de cerca de 400 pessoas, incluindo famílias numerosas, frades Agostinianos, 15 sacerdotes – inclusive um protopresbítero Copta –  e membros da tradicionalista Fraternidade São Pio X.

Para a realização do evento foi necessário a remoção temporária do altar-mesa da paróquia de St. Mary-St Anthony, a fim de que os participantes pudessem ter uma visão do altar-mor sem nenhum obstáculo.

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Fiel beija o anel do Cardeal Raymond Burke, enquanto ele distribuía cumprimentos fora da Paróquia de St. Mary-St. Anthony em Kansas City, após a missa de 9 de fevereiro (NCR photo/George Goss)

A celebração marcou a festa de São Cirilo de Alexandria, o santo do dia segundo o calendário litúrgico pré-Vaticano II, e Burke aproveitou a oportunidade para exaltar a virtude heróica do santo na defesa da fé contra o conselho de “muitos dos seus colegas bispos que o instaram a permanecer em silêncio, de modo a manter uma fachada de unidade na Igreja“.

Burke disse que, diante da falsidade – mesmo daqueles em elevada posição eclesial – a resposta necessária de “São Cirilo e de todos os fiéis em cada tempo e lugar” é resistir.

Burke na maior parte do tempo leu um sermão de várias páginas, baseado fortemente em citações de uma fonte do século XIX: Dom Prosper Guéranger, um beneditino francês e purista litúrgico que restabeleceu a Regra Beneditina depois de ela ter sido praticamente aniquilada em sua terra natal após a Revolução Francesa.

Quando o pastor se torna um lobo, o primeiro dever do rebanho é se defender“, disse Burke, citando Dom Gueranger. “A traição como a de Nestório é rara na Igreja, mas pode acontecer que alguns pastores resolvam manter silêncio por uma razão ou outra em circunstâncias em que a própria religião está em jogo“.

Nestório, arcebispo de Constantinopla, recusou-se a usar o termo “Mãe de Deus” ao se referir à Virgem Maria. No ano 431, São Cirilo levou o Primeiro Concílio de Éfeso a condenar Nestório como um herege e removê-lo à força de sua sede.

São Cirilo teve que ter a honestidade e a coragem para combater uma falsidade, ainda que ela fosse propagada por um colega bispo apoiado por outros bispos e ainda tolerada em silêncio por outros“, disse Burke.

Graças a Deus pela sua honestidade e coragem, que foram os instrumentos pelos quais nos foi transmitida a fé verdadeira e salvífica“.

Na conclusão de sua homilia, Burke seguiu com várias orações, incluindo esta: “Rezemos hoje pelos nossos pastores, pelo Santo Padre e pelos bispos, para que tenham a sabedoria e a coragem de defender a fé em todos os tempos, para que o rebanho possa permanecer um com Cristo e assim obter a salvação eterna“.

Além da oração, Burke não fez referência direta a nenhum bispo atual ou qualquer controvérsia atual na igreja, mas isso não impediu alguns na congregação de fazê-lo.

Louis Tofari, da São Vicente de Paulo, uma igreja da Fraternidade São Pio X, disse que percebeu uma semelhança entre a incomum posição de São Cirilo ao confrontar  Nestório e a situação em que se encontra o próprio Burke diante do Papa Francisco e a Santa Sé.

Fiquei muito impressionado com a semelhança, à luz do que o Cardeal Burke está tendo que suportar nas mãos do Santo Padre e ter que defender um princípio muito básico da moralidade católica e do sacramento do matrimônio com toda esta questão do dubia“, disse Tofari. (Dubia são as questões formais que Burke e outros três cardeais submeteram a Francisco, pedindo-lhe que esclarecesse seus ensinamentos na exortação apostólica Amoris Laetitia) “Como São Cirilo, ele está tentando defender a fé, mas foi excluído de qualquer posição influente em Roma“.

Além de São Cirilo, Burke também mencionou Santo Atanásio como defensor da fé contra a heresia do arianismo, que negava que Jesus era consubstancial a Deus Pai.

São Atanásio é altamente reverenciado pela Fraternidade São Pio X, e um outro paroquiano de São Vicente de Paulo constatou um paralelo aí também:

Burke poderia muito bem ser o próximo Santo Atanásio“, disse Becky Gilligan. “Eu certamente espero que ele seja uma ponte para todos nós“.

20 março, 2017

Continua a zona em Itaquera.

Imagem do folheto do “Memorial do Senhor” celebrado ontem na paróquia Nossa Senhora do Carmo, onde Padre Paulo Sérgio Bezerra continua firme e forte como pároco, sob o olhar complacente do bispo diocesano, Dom Manuel Parrado Carral.

Já que as autoridades se omitem vergonhosamente, e a informação do contato é pública, envie seu repúdio diretamente à paróquia e ao padre Paulo Bezerra:

Whatsapp: 11 – 987352207 e 11 – 947162931

20 março, 2017

Obras Raras do Catolicismo: nova campanha de digitalização.

Nosso amigo Paulo Frade escreve:

Caríssimos amigos do Fratres,

Salve Maria!
Iniciamos a 8ª Campanha de Digitalização do site ObrasCatolicas.com. Todas as 70 obras da 7ª Campanha, já estão disponíveis no site.  Nesta nova campanha, pretendemos digitalizar mais 47 novas obras. Para atingir nosso objetivo, precisamos atingir a nossa meta: R$ 1.500,00, que serão destinadas para cobrir as despesas com a digitalização e manutenção dos livros.
orbasraras
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19 março, 2017

Foto da semana.

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Por: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Um grande grupo de fiéis (cerca de oitenta), liderado pela Milizia dell’Immacolata e acompanhado por alguns sacerdotes do Priorado de Albano Laziale (Lazio-Italia), se reuniram na Praça de São Pedro na segunda-feira à tarde para um ato de profissão pública de fé.

Pouco antes havia sido realizada, de fato, a cerimônia do “Vésperas” anglicanas na basílica central do cristianismo, com a aprovação da hierarquia vaticana. Este ato, certamente não é o primeiro de molde ecumênico nesses últimos cinquenta anos, mas que teve o triste privilégio de tido lugar na Basílica do Príncipe dos Apóstolos, despertou a justa indignação de muitos fiéis que procuraram expressar seu desacordo com uma oração de reparação: o encontro foi, portanto, marcado para as 16h na capela da via Urbana, em Roma, para a missa “Ad Tollendum Schisma” e em seguida, partiram para a Via della Conciliazione para a recitação pública do Rosário.

Depois de alguma discussão com a polícia, que parecia não querer permitir a realização das orações muito perto da basílica, o grupo se manteve firme em seu lugar, no topo da Via della Conciliazione, e, guiado por sacerdotes, de joelhos na calçada e voltados para a basílica vaticana, recitaram o santo Rosário e a ladainha de Nossa Senhora.

O grupo, em seguida, moveu-se, conforme os pedidos da polícia, para o Castel Sant’Angelo para entoarem algumas canções marianas e distribuir panfletos à população, a fim de explicar o alcance desse gesto ecumênico e o significado da oração de reparação.

Após este belo testemunho de fé, tudo terminou de forma organizada por volta das 19h. Que o Senhor dê cada vez mais força aos católicos para resistir às tendências ecumênicas e coragem de expressar abertamente sua fé!

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18 março, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: O sacerdócio comum dos fiéis.

 “Chegai-vos para Ele, como para a pedra viva  que  os homens tinham rejeitado, mas que Deus escolheu e honrou; também sobre ela vós mesmos, como pedras vivas, sede edificados em casa espiritual, em SACERDÓCIO SANTO, para oferecer SACRIFÍCIOS ESPIRITUAIS, que sejam aceitos a Deus por Jesus Cristo… Vós sois a GERAÇÃO ESCOLHIDA, O SACERDÓCIO REAL, A GENTE SANTA, UM POVO QUE DEUS CONQUISTOU, para que publiqueis as grandezas d’Aquele que das trevas vos chamou à sua maravilhosa luz”. (1São Pedro, II, 4 e 5-9).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

O Apóstolo São Pedro, ao exortar os primeiros cristãos a unirem-se a Cristo para progredir na santidade, lembra-lhes os seus títulos de nobreza.

São Pedro fala aí de um sacerdócio, mas não no sentido próprio, em toda a extensão da palavra. Fala no sentido lato. Sacerdote no sentido próprio é aquele que é conferido pelo sacramento da Ordem. Este sacerdócio secundário vem do  batismo  que nos enxerta em Cristo. E com Cristo formamos então um só organismo sobrenatural.

Resumindo: O Sacerdócio existe de maneira real mas diversa: 1º em Cristo; 2º no padre; 3º no leigo. Em Cristo o Sacerdócio se realiza em sua plenitude; no padre, se realiza de maneira própria pelo sacramento da Ordem mas como uma participação do sacerdócio de Cristo; e no leigo o sacerdócio vem pelo batismo, mas de uma maneira muito mais apagada e limitada. É deste último que estamos tratando. Devemos explicar bem este ponto porque os protestantes que pregam que Jesus é o ÚNICO sacerdote, curiosamente, baseados neste texto de São Pedro, dizem que todos os fiéis são sacerdotes (!) E os progressistas também abusam desta passagem para dizer que os fiéis concelebram com o padre, o que também não é verdade como veremos depois.

Mas, antes de continuarmos, vejamos bem o sentido verdadeiro do texto de São Pedro, na sua 1ª Epistola, XI, 9. Uma coisa logo atrapalha aquele que só tem em mãos o texto em português, é que S. Pedro diz: ” Vós sois … UM SACERDÓCIO REAL. Mas, acontece que a palavra REAL tem dois sentidos em português: REAL no sentido = que existe de fato, que é verdadeiro. E REAL no sentido = relativo ao rei, digno de rei, régio. E São Pedro emprega a palavra neste segundo sentido. Ele escreveu esta sua 1ª epístola em grego, e a palavra que ele empregou é: BASÍLEION  que só tem este segundo sentido ( = régio). Por isso São Jerônimo traduziu para o latim empregando a palavra REGALE. Se fosse no 1º sentido teria empregado a palavra REALE.  Mas que vem a ser um SACERDÓCIO RÉGIO? Equivale a UM CORPO RÉGIO DE SACERDOTES; equivale a REINO SACERDOTAL.  São Pedro, neste versículo 9º de sua 1ª epístola, faz apenas reproduzir, aplicando aos cristãos, aquilo que já havia sido dito aos judeus no livro do Êxodo XIX, 5 e 6: “Se, portanto, ouvirdes a minha voz e observardes o pacto que eu fiz convosco, sereis para mim a PORÇÃO ESCOLHIDA dentre todos os povos, porque minha é toda terra; e vós sereis o meu REINO SACERDOTAL e uma NAÇÃO SANTA”.

Deus chamou aos judeus uma REINO SACERDOTAL. Que se segue daí? Que entre os judeus todos eram sacerdotes? Não. Porque este sacerdócio efetivo da lei judaica era privativo dos descendentes de Arão.

Confira: Ex. XXVIII, 1; Números, XVI, 39 e 40 e muitos outros textos. Uma NAÇÃO SACERDOTAL, portanto, não quer dizer uma nação em que todos são sacerdotes, no sentido rigoroso da palavra, mas uma nação que é toda consagrada a Deus, assim como os sacerdotes são a Ele consagrados e é neste sentido que São Pedro chama um REAL SACERDÓCIO o povo cristão.

Depois, basta a gente ver como Jesus separou do meio do povo os seus Apóstolos, educou-os carinhosamente, revelando só a eles os mistérios do reino de Deus (Mat.XIII, 11) dando-lhes só a eles na intimidade da última Ceia o poder de realizar o mistério eucarístico (S. Luc. XII, 19), dando a eles numa casa de portas fechadas, o poder de perdoar pecados (S. João, XX, 23), enviando-os só a eles a ENSINAR e a batizar ( S. Mat. XXVIII, 19) , fazendo deles uns ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus (1 Cor. IV, 1). Depois o próprio São Pedro nesta mesma epístola fala de rebanhos e pastores.

Portanto não tem o mínimo cabimento para interpretar esta passagem de São Pedro no sentido de dizer que todos os fiéis são sacerdotes.

Concluo, então, repetindo o que já disse no início: O sacerdócio existe de maneira REAL porém essencialmente DIVERSA: ou seja, JESUS CRISTO É O SACERDOTE SUPREMO EM TODA SUA PLENITUDE;  O SACERDÓCIO REALIZA-SE DE MANEIRA PRÓPRIA, EMBORA PARTICIPADA NO SACERDÓCIO HIERÁRQUICO, OU SEJA NOS PADRES. O SACERDÓCIO EXISTE TAMBÉM NOS LEIGOS MAS DE UMA MANEIRA LIMITADA, POR VIRTUDE DO SACRAMENTO DO BATISMO.

Portanto, só o Sacramento da Ordem confere o poder e a capacidade para operar a transubstanciação no Sacrifício da Santa Missa. O simples fiel, ou leigo, é pois incapaz de o fazer. Vamos mostrar melhor em que consiste, então ESTE SACERDÓCIO COMUM DOS FIÉIS.  Como vimos, São Pedro (1ª Pedro, II, 9) chama o povo cristão de “regale sacerdotium”, isto é, “sacerdócio régio”. O próprio Apóstolo mostra que se trata do sacerdócio que dá aos fiéis o poder e dever de apresentar a Deus vítimas espirituais, e em primeiro lugar a si mesmos,,transformados em vítimas pela imitação de Jesus Cristo, renúncia do amor próprio, mortificação, prática das virtudes.

Santo Tomás de Aquino declara que o caráter batismal confere ao que se batiza uma assimilação ao sacerdócio de Jesus Cristo. Eis o que ensina o doutor Angélico: “O leigo justo está unido a Cristo pela união espiritual da fé e da caridade, mas não pelo poder sacramental. Por isso tem o sacerdócio espiritual para oferecer hóstias espirituais, das quais diz a Escritura: “Sacrifício para Deus é o espírito atribulado” (Salmo 50, 19); e “Oferecei os vossos corpos como uma hóstia viva” (Rom. XII, 1); e ainda 1 Petr. II, 6: “Em sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais” (Cf. S. Theol. 3ª p. q. 82. a. 1 ad 1). E Santo Tomás explica o porquê: “Todos os sacramentos tornam o homem participante do sacerdócio de Cristo, porque recebe assim um certo efeito dele. Mas nem por todos os sacramentos somos destinados a fazer alguma coisa ou a receber o que pertença ao culto do sacerdócio de Cristo. O que, porém, se exige para isso é que o sacramento imprima caráter” (Cf. S. Theol., 3ª p. q. 63, a. VI ad 1).   Este sacerdócio comum a todos os membros da Igreja, dá-lhes a capacidade de se beneficiarem das graças com que Jesus enriqueceu a sua Igreja, especialmente os sacramentos que os não batizados não podem receber. Neste sentido, são eles passíveis de se beneficiarem dos frutos do Sacrifício Eucarístico, que é o Sacrifício da Igreja. Os leigos batizados, além disso, têm a possibilidade de participar ativamente neste mesmo sacrifício da Santa Missa, enquanto são membros da Igreja, e portanto fazem parte do Corpo Místico de Cristo, em cujo nome Jesus oferece sua oblação sacrifical na Santa Missa. Os fiéis leigos tomam assim parte no Sacrifício do Altar. Diz o Papa Pio XII na “Mediator Dei”: “Pelo sacramento do batismo, os cristãos tornam-se, por título comum, membros do Corpo Místico de Cristo Sacerdote e, em virtude do “caráter” que se lhes imprime na alma, são deputados para o culto divino, participando assim, de modo conveniente ao seu estado, no sacerdócio de Cristo”.

Na Igreja há uma razão especial que justifica a intervenção do sacerdócio hierárquico nos atos do culto divino. É que o centro para o qual converge o culto católico, e a fonte de onde dimana a vitalidade da Igreja, é a Santíssima Eucaristia, Sacrifício que renova a oblação reparadora do Filho de Deus, e o Sacramento que O  contém real e verdadeiramente como está no Céu. Se no Antigo Testamento, a Arca da Aliança, mera figura das realidades futuras, exigia mãos santificadas para nela tocarem, que diremos da Santíssima Eucaristia?

Para os fiéis participarem da Missa segundo “o modo conveniente  ao seu estado” mostraremos o que não podem fazer, por lhes faltar o poder. E o que podem e devem fazer na qualidade de membros do Corpo Místico de Cristo.

O padre na Missa, imola e oferece a vítima; o fiel não imola, só oferece. Falta-lhe, como já dissemos, a capacidade para transubstanciar. O fiel não é ministro do Sacrifício da Missa. Em compensação o fiel oferece o Sacrifício em virtude do seu sacerdócio batismal. E oferece num sentido real, e não simplesmente metafórico. Ele oferece como “membro”, nunca como “instrumento de Cristo”. Só o sacerdote pelo sacramento da Ordem pode ser ministro e instrumento de Cristo.

Diz Pio XII: “Que os fiéis oferecem o Sacrifício pelas mãos do sacerdote, claramente se deduz do fato de que o ministro do Sacrifício do Altar age como representante de Cristo, enquanto Cabeça, que oferece em nome dos membros todos; é por isso que com razão se diz que toda a Igreja, por meio de Cristo, faz a oblação da vítima”. (Mediator Dei).

Para ilustrar a estreita união dos fiéis com o Sumo Sacerdote, no Sacrifício da Missa, recorre São Cipriano ao simbolismo do vinho e da água misturados no cálice, o vinho figurando a Cristo, a água figurando os fiéis.

Santo Tomás faz uma explanação mostrando que na Missa há a consagração que o Sacerdote realiza como representante de Jesus Cristo, e há as preces sacerdotais, especialmente as do cânon, que ele recita sozinho, mas como representante da Igreja, dos fiéis.

De maneira que , na realização do ato sacrifical da Missa, os fiéis não tomam parte, É executado só pelo Sacerdote que, no momento representa a pessoa de Jesus Cristo. E para que se tornasse capaz desse ato, recebeu o Sacerdote a unção sagrada no Sacramento da Ordem. E de fato, a Igreja é, por instituição divina, uma sociedade hierárquica, que não pode ser concebida à maneira das democracias regidas pelo sufrágio universal, onde os governos, eleitos pelo povo, são mandatários da comunidade.

Os fiéis, no entanto, devem considerar elemento essencial de suas vidas, participar ativamente no Santo Sacrifício da Missa. A Santa Missa deve ocupar o centro de toda a nossa existência.

Nas palavras de Inocêncio III, temos a norma da participação ativa dos fiéis no Santo Sacrifício do Altar: o que realizam em particular os Sacerdotes, o povo deve realizá-lo universalmente em voto. E no ato mesmo sacrifical, isto é, na consagração, a participação do povo fiel não pode ir além do voto, ou seja, da aprovação interna, da união de sentimentos aos do Sacerdote que celebra, e aos do próprio Jesus Cristo, que é imolado sobre o altar.

Aliás, em toda a Missa, o elemento essencial da participação do fiel consiste em unir os próprios sentimentos da adoração, ação de graças, expiação e impetração ao que teve Jesus Cristo ao morrer por nós, e que devem animar o Sacerdote que oferece o Sacrifício da Missa. Esta união do culto interno, é que torna proveitosa a participação do fiel na Santa Missa. É um grande erro achar que participar da Missa é apenas seguir os gestos e repetir as palavras. Pio XII considera isto: “rito vão e formalismo sem sentido”.

O Papa Pio XII insiste na “Mediator Dei” sobre a importância do culto interno. “É necessário, diz ele, que os fiéis se imolem a si mesmos como vítimas”. Em que consista esta imolação, declara o papa em outro lugar da mesma encíclica: “Considerem os fiéis suma honra participar no Sacrifício Eucarístico de maneira que a “união como o Sumo Sacerdote não possa ser mais íntima, conforme a palavra do Apóstolo: “Tende em vós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo.” (Fil. II, 5), o que “exige de todo cristão que reproduza em si, quanto, está nas possibilidades humanas, o mesmo estado de alma que tinha o Divino Redentor quando realizava o Sacrifício de si mesmo: a humilde submissão do espírito e a adoração, honra, louvor e ação de graças à Suprema Majestade de Deus; mais, reproduza em si mesmo a condição de vítima, a abnegação segundo os preceitos do Evangelho, o voluntário e espontâneo exercício da penitência, a dor e expiação dos próprios pecados; numa palavra: que todos espiritualmente morramos com Cristo na Cruz, de modo a podermos dizer com São Paulo: “Estou pregado na Cruz com Cristo” (Mediator Dei).

Não é despropósito dizer que na patena, ao lado da hóstia, estão as almas do celebrante e dos assistentes. Dignou-se o Senhor, na sua misericórdia, fazer de nós “cooperadores de Deus” (1 Cor. III, 9). Ora bem, a obra de Cristo foi a Redenção; cooperar nela é sofrer, como ele sofreu, para remir as almas. Não por indigência, mas por bondade, Ele aceita que unamos nossos padecimentos aos d’Ele, por nossos irmãos, “Alegro-me nos sofrimentos por vós, e que complete o que falta aos sofrimentos de Cristo, pelo seu Corpo que é a Igreja” (Col, I, 12).

Oh! se os fiéis compreendessem profundamente e perfeitamente praticassem a participação no Santo Sacrifício da Missa. Mais do que assistir à Missa, participar da Missa no seu decurso, mais do que tudo isto é prolongar a Missa na sua vida, é viver a Santa Missa!!!

17 março, 2017

Cerimônia anglicana na Basílica de São Pedro causa perplexidade.

Por FratresInUnum.com: O anúncio feito há poucas semanas, pouquíssimo divulgado, de que um grupo de anglicanos teria o uso do altar da cátedra, na Basílica de São Pedro, não foi levado a sério. Não havia confirmação oficial da Santa Sé, nem divulgação nos meios de comunicação considerados confiáveis.

No entanto, na segunda-feira, 13 março, como noticia o site Magnificat Media, “um grupo de Anglicanos fez uma apresentação da Evensong (o equivalente às Vésperas Católicas), na Basílica de São Pedro. David Moxon, o equivalente a um arcebispo anglicano que dirige o Centro Anglicano de Roma, presidiu o evento sacrílego. Papa Francisco não estava presente”.

Continua, atônito, o site tradicionalista: “Que esta cerimônia blasfema tenha sido realizada na Basílica de São Pedro, a sede do Bispo de Roma, o coração da Cidade Eterna, torna tudo ainda mais ímpio. É de se perguntar a que religião exatamente pertencem os Bispos e Cardeais que participaram dessa liturgia. Certamente não é a mesma religião de São Paulo que na Grécia disputou com não católicos. Certamente não é a religião de Santo Agostinho, que debateu com os Donatistas. E mais definitivamente não é a religião do Concílio de Trento, que anatematizou aqueles que rejeitam o Ofício Petrino”.

anglican

Tweet do Centro Anglicano de Roma anuncia celebração.

A realização da cerimônia deixou perplexos muitos católicos, considerando ainda que, segundo testemunhas, houve participação de membros do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e do Secretário da Congregação para o Culto Divino. “Parece verdade”, reagiu à publicação do Centro Anglicano de Roma, no Twitter, um fiel resignado. O tweet (imagem acima) que dizia “Uma Igreja! Uma fé! Um Senhor! Evensong no coração da Igreja Católica”, assim foi respondido na rede social por nossa colaboradora Gercione Lima: “O que você quer dizer? Tem a intenção de renunciar à heresia anglicana e aderir à Fé Católica?”.

Rezemos para que assim seja!

Também o importante vaticanista Marco Tosatti repercutiu o acontecimento. “Ontem à tarde, pouco depois do momento em que, na Basílica de São Pedro foram celebradas as Vésperas com os expoentes da Igreja Anglicana, algumas dezenas de pessoas recitavam um rosário de reparação pela unidade da Igreja na Praça de São Pedro. Ao mesmo tempo, através de compartilhamento em redes, muito mais gente se unia em oração, cada um de onde se encontrava”.

Relata o vaticanista que um grupo que rezava em reparação na Praça de São Pedro era “bastante heterogêneo”, “composto por pessoas que circulam nos ambientes Ecclesia Dei, na Fraternidade São Pio X, bem como pessoas de inspirações diferentes. A Fraternidade São Pio X oficialmente aderiu ao evento através da organização de uma missa e depois pela recitação do rosário liderada por um de seus sacerdotes. É interessante essa participação, se considerarmos o que tem sido dito sobre um possível acordo entre a Fraternidade e a Santa Sé, o qual seria iminente”.

16 março, 2017

O Papa Francisco quatro anos depois.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza romana, 15-3-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comO quarto aniversário da eleição do Papa Francisco vê a Igreja Católica dilacerada por profundas divisões. “É uma página inédita na história da Igreja – diz-me em tom preocupado um alto prelado vaticano – e ninguém pode dizer qual será o desfecho desta crise sem precedentes”.

papa-francesco-468x278A mídia, que desde o início havia expressado apoio maciço ao Papa Bergoglio, começa a manifestar uma certa perplexidade. “Nunca se viu tanta oposição ao Papa, nem mesmo no tempo de Paulo VI”, admite o historiador Andrea Riccardi, para o qual, no entanto, “a liderança papal é forte” (Corriere della Sera, 13-3-2017). Demasiado forte para muitos que acusam o Papa de autoritarismo e veem a confirmação do clima de medo reinante no Vaticano nas denúncias anônimas expressas em cartazes, epigramas e vídeos exibidos na web. Sarcasmo e anonimato são as características da dissidência sob regimes totalitários, onde ninguém se atreve a sair a descoberto por medo de represálias do poder.

E cresce hoje na Igreja a resistência ao Papa Bergoglio. O site LifeSiteNews publicou uma lista de bispos e cardeais que expressaram publicamente o seu apoio ou a sua oposição às “dubia” apresentadas pelos quatro cardeais ao Papa, em 16 de setembro de 2016. Não são poucos, e a eles deve ser adicionada a voz de quem, como o cardeal Joseph Zen, critica o papado bergogliano por sua política a favor do governo comunista chinês, apelidando-a de “diálogo com Herodes”.

Enquanto os católicos fiéis aos ensinamentos perenes da Igreja denunciam a novidade de um pontificado que desvirtua de facto a moral tradicional, os inovadores estão insatisfeitos com uma “abertura” que ocorre tão-só de maneira implícita, sem materializar-se em gestos de verdadeira ruptura com o passado. O correspondente de Der Spiegel, Walter Mayr, em 23 de dezembro último, citou algumas palavras que o Papa teria confiado a um grupo restrito de colaboradores: “Não é impossível que eu passe para a história como aquele que dividiu a Igreja Católica”.

A sensação é a de estar na véspera de um confronto doutrinário interno na Igreja, que será tanto mais violento quanto mais se procurará evitá-lo ou adiá-lo, sob o pretexto de não rachar a unidade eclesial há tempo desconjuntada. Mas há uma segunda guerra iminente, desta vez não metafórica. O quarto aniversário do pontificado coincidiu com as pesadas ameaças do primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan contra a Holanda, culpando-a de não oferecer suas praças aos propagandistas do sultão de Ankara. O próprio Erdogan, em novembro passado, ameaçou inundar a Europa com milhões de migrantes se Bruxelas interromper as negociações para uma rápida entrada da Turquia na União Europeia. Mas, para o Papa Francisco, essas massas migratórias são uma oportunidade e um desafio.

Proteger os imigrantes é um “imperativo moral”, reiterou nos últimos dias o Papa, que após estabelecer um Dicastério pontifício para o Desenvolvimento Humano Integral, reservou para si a responsabilidade direta pelas questões da imigração. Um brilhante escritor francês, Laurent Dandrieu, publicou um ensaio intitulado Église et immigration. Le grand malaise [Igreja e imigração. O grande mal-estar] (Presses de la Renaissance, Paris 2016), no qual denuncia a atitude política do Papa Bergoglio, dando a um capítulo de seu livro o título: De Lepanto a Lesbos, a Igreja na idolatria do acolhimento? Enquanto a Europa é submersa por uma onda migratória sem precedentes, o Papa Francisco fez do “direito de emigrar” e do “dever de acolher” os pilares da sua política, desconsiderando o direito das nações europeias de defender a sua identidade religiosa e cultural. Eis a “conversão pastoral” que ele exige da Igreja: a renúncia às raízes cristãs da sociedade, sobre as quais João Paulo II e Bento XVI haviam insistido tanto, para dissolver a identidade cristã em um turvo caldeirão multiétnico e multirreligioso.

O teólogo predileto do Papa, Dom Víctor Fernández, Reitor da Pontifícia Universidade Católica Argentina, explica que a “conversão pastoral” deve ser entendida como uma transformação “que conduza toda a Igreja a ‘uma saída de si’, renunciando a centrar-se em si mesma”, ou seja, a uma renúncia da Igreja à própria identidade e à própria tradição, para assumir as múltiplas identidades propostas pelas periferias do mundo.

Mas a invasão migratória produz necessariamente uma reação da opinião pública em defesa de tudo o que hoje está ameaçado: não só a identidade cultural, mas os interesses econômicos, a qualidade de vida, a segurança das famílias e da sociedade. Em face de uma reação que pode manifestar-se de modo às vezes exasperado, a Igreja Católica deveria desempenhar um papel moderador, alertando para os erros opostos, como fez Pio XI em março 1937 com as duas encíclicas Divini Redemptoris e Mit brennender Sorge – das quais transcorre o octogésimo aniversário –, condenando, respectivamente, o comunismo e o nacional-socialismo. Hoje como ontem, com efeito, delineia-se uma falsa alternativa.

De um lado, os seguidores de uma religião forte, antitética ao catolicismo, como o Islã. De outro, os defensores de uma irreligião igualmente forte, o relativismo. Os relativistas procuram assumir a direção dos movimentos identitários, para lhes conferir uma coloração anticristã. A política bergogliana dá pretexto a essas posições xenófobas e neopagãs, permitindo aos relativistas de acusarem a Igreja de conluio com o Islã.

O Papa diz que rejeitar os imigrantes é um ato de guerra. Mas é seu apelo ao acolhimento indiscriminado que alimenta a guerra.