19 maio, 2019

Foto da semana.

Limeira, São Paulo – O contínuo protesto dos fiéis foi ouvido e o Papa Francisco aceitou a renúncia de Dom Vilson Dias de Oliveira, então bispo diocesano, do governo da diocese do interior paulista. Dom Vilson era conhecido por suas posições progressistas e por sua perseguição à Missa Tradicional.

18 maio, 2019

Coluna do Padre Élcio: Sobre Problemas do Apostolado Moderno – a terra e a propriedade individual.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 18 de maio de 2019

Caríssimos, transmitirei, se Deus quiser, em algumas postagens,  as 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos.

200px-dom_mayer_em_cerimc3b4nia_de_coroac3a7c3a3o_da_virgem_mariaA proposição falsa ou ao menos errônea será escrita em itálico;  a proposição certa, em negrito.As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/ 953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. “Defunctus adhuc loquitur”. Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre.

Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:

[Errado]: O único título de propriedade no sentido estrito é o trabalho, de maneira que o homem só é proprietário do que pessoalmente produz. As riquezas naturais que possui não lhe pertencem de modo absoluto; delas é apenas o administrador, e as possui na medida em que as administra.

[Certo]: Ensina Leão XIII que o título originário da propriedade não é o trabalho, mas a ocupação (=tomar posse de bens de raiz legitimamente adquiridos). De maneira que o homem é proprietário não só do fruto de seu trabalho, mas também das riquezas naturais, isto é, não só do fruto da terra, como também da própria terra. Esta última poderá ele explorá-la por si ou por outros.

EXPLANAÇÃO

A sentença impugnada confunde-se com o chamado “socialismo agrário”, que nega a propriedade sobre a terra, condenado pelos sociólogos católicos, estribados na argumentação com que Leão XIII, na “Rerum Novarum”, justifica a propriedade privada. E de fato, nessa Encíclica, mostra o Papa que o homem tem direito também aos bens de raiz, legitimamente adquiridos. Veja-se a doutrina da “Quadragesimo Anno”, que reproduzimos em explanação à proposição 71. Na mesma Encíclica, Pio XI diretamente rejeita a opinião daqueles que vêem no trabalho o único título de propriedade.

75· [Errado]: De si a terra é insuscetível de apropriação individual, pois pertence à coletividade. Assim, as pessoas que vivem da terra devem pagar à coletividade as vantagens que tiram da utilização exclusiva dela. Este pagamento, o Estado pode percebê-lo por meio de um sistema tributário que faça recair sobre a terra todos os impostos. E como a terra é a fonte natural de todos os bens, tal tributação deve bastar para atender a todas as necessidades do Estado. 

[Certo]: A terra, como quaisquer outros bens móveis ou imóveis, é susceptível de apropriação individual. Assim, o proprietário da terra não deve ao Estado qualquer pagamento pela utilização exclusiva dela. Os impostos devem recair sobre os proprietários tanto quanto sobre quaisquer outras pessoas, de acordo com a justiça distributiva. A terra não é a única fonte dos bens econômicos. Uma tributação que recaísse exclusivamente sobre a terra subverteria a economia privada e seria insuficiente para atender aos gastos normais do Estado.

EXPLANAÇÃO

A sentença impugnada é uma das teses clássicas da socialismo agrário de Henri George. A Igreja está longe de se associar a esta fobia da propriedade fundiária. Nesta propriedade vê, muito pelo contrário, um apoio precioso para a estabilidade das famílias, das classes sociais, das associações pias e de caridade, como também dos institutos eclesiásticos.

76. [Errado]: Os grandes latifúndios são intrinsecamente maus, porque contrários à doutrina cristã que só justifica a pequena propriedade, mais conforme com a igualdade que deve reinar entre os homens.

[Certo]: É desejável que a propriedade se difunda o mais possível entre os homens, como apanágio natural da personalidade. A prosperidade social, não obstante, comporta e por vezes exige que ao lado da pequena propriedade existam as médias e as grandes. A igualdade entre os homens deve entender-se não no sentido nivelador, mas no sentido proporcional: os direitos e as responsabilidades são correspondentes à situação que a pessoa tem na sociedade.

EXPLANAÇÃO

Como a propriedade tem também uma função social, há limites necessários para a grande propriedade: quando ela favorece a improdutividade das riquezas em detrimento do bem comum; quando ela concentra tanto as riquezas nas mãos de poucos, que reduza os outros à miséria, indigência, ou servidão, ou impossibilite notável parte dos homens de se tornarem proprietários (cf. explanação à proposição 71).

Sobre a legitimidade dos grandes latifúndios, pronunciou-s o Santo Padre (Pio XII) na alocução de 2 de julho de 1951, feita aos participantes do Congresso reunido em Roma para o melhoramento da condição de vida do operário agrícola (A.A.S. 43, p. 554). Disse o
Papa, depois de falar sobre a conveniência da pequena propriedade rural: “Disso não resulta que se negue a utilidade, muitas vezes a necessidade, de empresas agrárias mais vastas”.

 

15 maio, 2019

Homossexuais no seminário. Uma pesquisa clamorosa no Brasil.

Por Sandro Magister, 13 de maio de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – A pesquisa não é muito recente, seus resultados foram publicados na primavera de 2017 em português, na “Revista Eclesiástica Brasileira”. Mas,“Il Regno – Documenti” publicou nestes dias a tradução integral para o italiano, fazendo-a, assim, conhecida a um público mais vasto, em uma questão que é ardente atualidade.

OmoA questão é a da homossexualidade nos seminários.

Desde há alguns meses, a homossexualidade é tabú na cúpula da Igreja. Proibiu-se de falar dela também no encontro sobre os abusos sexuais, realizado de 21 a 24 de fevereiro. Mas a sua presença difusa no clero e nos seminários é uma realidade conhecida há tempos, a ponto de, em 2005, a Congregação para a Educação Católica ter difundido uma instrução, precisamente sobre como enfrentá-la.

Essa instrução confirmou não só que os atos homossexuais são “pecado grave”, mas também as “tendências homossexuais profundamente arraigadas” são “objetivamente desordenadas”. Por isso, aquele que pratica esses atos, manifesta essas tendências ou de alguma forma apoia a “cultura gay”, de forma alguma deveria ser admitido às ordens sagradas.

Estas são as diretrizes pastorais de então. Mas, na verdade, quando elas foram aplicadas? A pesquisa mencionada teve como objetivo verificar o que ocorre hoje em dois seminários do Brasil, tomados como amostra.

Os autores da pesquisa, Elismar Alves dos Santos e Pedrinho Arcides Guareschi, ambos religiosos da Congregação do Santíssimo Redentor e especialistas em psicologia social, com prestigiosos títulos acadêmicos, questionaram a fundo 50 estudantes de teologia desses seminários, chegando a resultados absolutamente alarmantes.

Antes de tudo, dizem os entrevistados, a homossexualidade em seus seminários “é algo comum, uma realidade cada vez mais presente”. Tão normal que “chega inclusive a ser banalizada”. É uma convicção difundida entre eles “que, na realidade, 90% dos seminaristas hoje é homossexual”.

Alguns homossexuais — dizem — “buscam o seminário como meio de fuga para não assumir diante da família e da sociedade as responsabilidades vinculadas a seu comportamento”. Outros “se descobrem homossexuais quando já estão no seminário”, encontrando ali um ambiente favorável. E quase todos, fala-se de 80%, “vão em busca de parceiros sexuais”.

Com efeito, a homossexualidade — declaração — “é uma realidade presente nos seminários não só na ordem do ser, mas também na ordem do agir”. Muitos a praticam “como se fosse algo normal”. Escrevem os autores da pesquisa: “Na visão dos que participaram da investigação, no contexto atual dos seminários uma boa parte dos seminaristas é favorável à homossexualidade. E ainda mais, sustentam que se há amor na relação homossexual, não há nada de mal. Dizem: ‘Se há amor, o que tem de mal’?

Os participantes da pesquisa pedem, antes de tudo, que “deve haver um diálogo entre os homossexuais e a Igreja”. Mas justamente um diálogo para fazer que a “homossexualidade no interior dos seminários seja bem acompanhada e orientada”.

Em outras palavras, os entrevistados lamentam que os superiores não façam nada em matéria de homossexualidade, mas esperam ser aceitos e admitidos à Ordem Sagrada enquanto tais, com “uma acolhida que aceite humanamente a pessoa como é”.

“É claro — concluem os autores — que existe uma discrepância entre o que a Igreja propõe sobre como orientar a homossexualidade nos seminários e o modo em que os seminários ou casa de formação percebem e afrontam este fenômeno”.

Mas que discrepância” Entre a instrução de 2005 e os comportamentos revelados na pesquisa há um abismo.

Mas se adverte também que a instrução de 2005 é como se já não tivesse nenhum valor, a julgar por como se move hoje a cúpula da Igreja acerca deste assunto crucial.

Para romper o silêncio sobre a homossexualidade nos seminários e entre o clero, teve que se mover o Papa emérito Bento XVI, nos “Apontamentos” sobre o escândalo dos abusos, publicados por ele em 11 de abril passado, depois de durante dois meses o seu sucessor Francisco tê-los guardado na gaveta do escritório. “Vox clamantis in deserto” [Voz que clama no deserto].

14 maio, 2019

Papa Francisco: «o Senhor não quis um ministério sacramental para as mulheres».

Durante um encontro com a União Internacional das Superioras Gerais (UISG), o papa Francisco ratificou a negativa para admitir mulheres ao sacramento da ordem no grau do diaconato.

Por InfoCatólica | Tradução: Marcos Fleurer, FratresInUnum.com –  Depois de pronunciar  um discurso aos participantes da XXI Assembleia Geral da UISG, o papa teve um diálogo com os presentes.

Papa Francisco: «el Señor no quiso un ministerio sacramental para las mujeres»

Respondendo a uma pergunta, o pontífice indicou que «sobre o caso do diaconato, necessitamos recordar o começo da Revelação, se não existiu tal fato, se o Senhor não quis um ministério sacramental para as mulheres, não vai [ser possível]».

E acrescentou:

«Caminhamos por um caminho firme e sólido, o caminho da Revelação, não podemos caminhar por um caminho diferente … que se altere a revelação e as expressões dogmáticas…. compreendido isso? Somos católicos, mas se alguém de vocês quer fundar outra igreja, tem a liberdade de ir»

12 maio, 2019

Foto da semana.

CNBB 2019

Aparecida, 10 de maio de 2019 – Passagem de comando: a antiga presidência da CNBB passa o comando à nova, eleita na Assembleia Geral dos Bispos que se encerrou na última sexta-feira, em Aparecida, SP. Leia a nossa análise da eleição.

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11 maio, 2019

Coluna do Padre Élcio: Sobre Problemas do Apostolado Moderno – o empregado, seu salário e a propriedade.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 11 de maio de 2019

Caríssimos, transmitirei, se Deus quiser, em algumas postagens,  as 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos.

Dom Antonio de Castro Mayer

Dom Antonio de Castro Mayer

As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/ 953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. “Defunctus adhuc loquitur”. Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre.

A proposição falsa ou ao menos errônea será escrita em itálico;  a proposição certa, em negrito.

Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:

72 – [Errado]:  O regime do salariado é contrário à dignidade do homem, e intrinsecamente injusto. A condição de trabalhador traz naturalmente consigo um direito à participação na propriedade da empresa, na sua direção e nos seus lucros.

[Certo]:  O regime do salariado é inteiramente consentâneo com a dignidade do homem e do cristão. O contrato de trabalho não traz como consequência necessária a participação do trabalhador na propriedade, na direção ou nos lucros da empresa.

EXPLANAÇÃO

Leão XIII, o Beato [São] Pio X, Pio XI (cf. “Quadragesimo anno”, A.S.S. 23, p. 199) e Pio XII ensinam que o regime do salariado em si é justo, e conforme à dignidade humana. A economia malsã do século XIX e do século XX tirou ao regime da salariado o seu verdadeiro caráter. Segundo a doutrina da Igreja, as relações entre patrões e operários revestem-se de um caráter familiar. Os empregados eram, outrora, considerados membros integrantes da sociedade doméstica, que se compunha das sociedades conjugal, familiar e heril. A palavra “patrão”, proveniente de “pater”, pai, e a palavra “criado”, derivada da noção de que os fâmulos eram formados e educados na própria casa, lembram bem este caráter. É o bastante para mostrar que nada há de deprimente na condição de empregado assalariado. Mesmo na atmosfera industrial e comercial, o caráter familiar dessas relações deve persistir. A Igreja quer que os patrões e operários sejam entre si, na medida do possível, como membros de uma mesma família, pais e filhos que colaboram para o bem-estar comum.

Do ponto de vista da justiça, o salário é um sistema de remuneração satisfatória, desde que realize as condições estabelecidas por Pio XI: suficiente para manter honesta e dignamente o operário e sua família. Na honesta e condigna manutenção inclui-se a folga necessária para que o operário previdente possa formar pecúlio, e melhorar a situação própria e da família, de maneira que também participe do aumento de bem-estar que o progresso da técnica e da produção traz à sociedade (cf. “Quadragesimo anno”): “As riquezas que se ampliam com desenvolvimento econômico-social, devem ser distribuídas entre as pessoas e as classes de maneira que se salve o que Leão XIII chamava de utilidade comum a todos, ou, em outras palavras, de maneira que permaneça incólume o bem comum de toda a sociedade” (A.A.S. 23, p. 196).

A participação do operário nos lucros da empresa é apresentada por Pio XI e Pio XII como recomendável, nunca, porém, como obrigatória (cf. Alocução ao Katholikentag, acima citada). Em certos casos, pode produzir bons frutos. Mas não é uma panaceia a ser aplicada sempre. E sobretudo não pode ser imposta por lei a todo um país. O mesmo se deve dizer da participação do operário na propriedade da empresa, ou na direção desta. Quanto a este último ponto, o sentido em que a doutrina católica admite esta participação é tal, que retém nas mãos do proprietário de empresa o poder de decisão e a responsabilidade de todo o andamento da fábrica ou estabelecimento de comércio (cf. Pio XII, Alocução ao 9º Congresso da União Internacional das Associações Patronais Católicas, A.A.S. 41, p. 285).

A sentença impugnada, levada a suas últimas consequências normais, representaria abolição da desigualdade de classes, termo último sonhado por todos os revolucionários.

73 – [Errado]: Segundo Santo Agostinho, o único proprietário das riquezas é Deus. O homem não passa de gerente. As riquezas pertencem, pois, à coletividade e o proprietário não possa de mero administrador delas para o bem comum.

[Certo]:  Segundo Santo Agostinho, o supremo proprietário das riquezas é Deus. Daí decorre que o proprietário deve fazer uso de seus bens segundo a vontade soberana de Deus. Deus, porém, não se identifica com a coletividade. Se o domínio de Deus sobre todas as riquezas é absoluto, o domínio da coletividade não o é. Transferir os direitos de Deus para a coletividade equivale a divinizar o Estado e imolar o indivíduo.

EXPLANAÇÃO

A sentença impugnada é estatólatra. E por isso chega a conclusões que só numa concepção estatólatra seriam admissíveis. De fato, o regime de propriedade individual procede da ideia de que o Estado não é um deus, nem um fim em si, mas apenas um meio. Pelo que a posição de proprietário consiste no exercício de um direito pessoal e próprio, e não no exercício de um direito delegado pelo Estado. E por isso é que dizemos que o proprietário de nenhum modo pode ser confundido com um mero gerente.

O que caracteriza o gerente, com efeito, é o exercício de direitos que não lhe são próprios, mas que lhe foram delegados. E este é o motivo porque a distinção entre proprietário e gerente é corrente em todas as legislações de países não comunistas (cf “Quadragesimo Anno”, A.A.S. 23, p. 196).

11 maio, 2019

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa em Florianópolis, SC.

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Missa Tridentina em Florianópolis dia 12 de Maio às 16 horas na Capela do Divino Espírito Santo, Praça Getúlio Vargas, 212, Centro. Confissões a partir das 15 horas, mais informações nos endereços abaixo:

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10 maio, 2019

Uma Conferência empedernida e irremediável.

Por FratresInUnum.com, 10 de maio de 2019 – Popular, sorridente, amigo de todos. Dando bom dia até para as paredes. Assim entrou Dom Jaime Spengler na Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que termina hoje, em Aparecida, SP. Mas, como diz o famoso ditado: “No conclave, quem entra papa, sai cardeal”. E assim se fez! A chamada “máfia franciscana”, capitaneada por Dom Cláudio Hummes e Dom Leonardo Steiner, perdeu a presidência da CNBB. Com a eleição de Dom Joel Portella Amado para o cargo de Secretário Geral  e de Dom Walmor de Oliveira Azevedo para a presidência, eles tiveram de se contentar com a modesta posição de vice.

Eleição na CNBB 2019 – Da esquerda para a direita: Dom Jaime Spengler, eleito vice-presidente. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, eleito presidente. E Dom Mário Antonio Silva, bispo de Roraima, segundo vice-presidente.

A eleição de Dom Walmor, por sua vez, não foi fruto de uma decisão autônoma dos bispos brasileiros. Muito pelo contrário! Se até então eles sempre manifestaram reservas quanto às indicações romanas – a própria presença do núncio apostólico nas assembleias da conferência sempre foi encarada com antipatia –, agora, deram provas da mais absoluta submissão às indicações de Francisco. Como anunciamos meses atrás, a eleição de Walmor veio pronta da Cúria Romana e sua autoria, segundo fontes, é do brasileiro Ilson Montanari, Secretário da Congregação para os Bispos.

Porém, o surto de papismo do episcopado tupiniquim não se limitou ao chancelamento de uma decisão romana quanto à eleição do presidente da CNBB, mas também derramou-se em manifestações de uma devoção papal calorosa e entusiasmada. A autoridade de Francisco foi evocada como argumento inapelável e a sua vontade sondada como se fosse o querer do próprio Deus! Os bispos, tais como adolescentes histéricos diante de um popstar, não economizaram hosanas à autoridade de Bergoglio.

Falsidades à parte, é obvio que o teatro é fruto não de uma convicção teológica, mas do medo, do temor servil, do pânico de serem suspeitos de qualquer crítica ao bispo de Roma. Controlados por fiscais de todos os lados, mais temerosos de uma pena canônica seguida de remoção do episcopado que cobiçosos de uma ascensão na carreira eclesiástica, os bispos brasileiros se reduziram (ou foram reduzidos) abaixo do nível dos coroinhas de qualquer sacristia e, como noviças apavoradas, fazem as graças com um postiço sorriso amarelo.

Enquanto isso, Francisco alegremente celebra o poder, pois prefere ser temido que amado, assim como os ditadores, cuja mera lembrança provoca nos remotos súditos chiliques de uma obediência idolátrica e cega.

O desespero papista fez os bispos se rivalizarem no esquerdismo e, portanto, aclamarem euforicamente qualquer protesto contra o governo como se fosse a proclamação de um dogma. Todos comentam, nos corredores da CNBB, que há muito não se via um ambiente tão libertador quanto nesta assembleia.

Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Embora todos soubéssemos que, tão cedo viesse um governo de direita, o “profetismo” adormecido nos tempos do PT acordaria com violência, todo esse papismo subserviente pouco ou nada combina com a rebeldia corajosa de quem se encoraja apenas quando protegido pelos muros da discrição e pela aprovação de seus pares.

A assembleia termina exatamente como começou: em um clima de medo e insegurança. Os bispos são cientes de que estão mais desprotegidos do que nunca, quer pela ameaça papal que paira sobre as suas cabeças, quer pela vulnerabilidade diante de um clero astuto e articulado, quer pela vigilância dos leigos, não mais passivos e silenciosos como nas décadas anteriores. De fato, “nós estamos no meio deles” e sabemos muito bem quem eles são.

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9 maio, 2019

Projeto de reforma da Cúria é ”profundamente falho”, diz cardeal Müller.

IHU – O esboço para a reforma da Cúria Romana, recentemente distribuído às Conferências Episcopais, carece de um conceito coerente de Igreja, disse o ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em uma entrevista ao jornal alemão Passauer Neue Presse, no dia 6 de maio.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada em The Tablet, 08-05-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“No atual esboço de ‘A Cúria Romana e seu serviço ao mundo de hoje’, não se pode reconhecer um conceito coerente da origem, da natureza e da missão da Igreja”, defendeu o cardeal Gerhard Müller.

Müller disse que a seção sobre a Congregação para a Doutrina da Fé, em particular, mostra uma “flagrante falta de competência teológica”. A linha seguida pelo rascunho oscila entre uma “espiritualização” do ethos que todos os membros da Cúria têm que abraçar e um “conceito mundano de Igreja, que deve ser administrada como uma corporação internacional”. Como resultado, a Cúria estava em uma espécie de limbo, em um estado flutuante, de incerteza, disse.

O esboço é um conglomerado de ideias individuais subjetivas, de desejos piedosos e de apelos morais com citações isoladas de textos do Concílio e dos escritos ou discursos do papa. Acima de tudo, não consegue distinguir claramente entre a instituição mundana do Vaticano como Estado soberano, a Santa Sé como sujeito de direito internacional e os fundamentos puramente eclesiásticos do primado do papa.

“Como bispo de Roma e sucessor do apóstolo Pedro, o papa é o princípio e a base visíveis da unidade de todas as Igrejas locais na fé revelada”, assinalou Müller. As tarefas mundanas da Igreja são secundárias e não vinculadas essencialmente ao papado. Dar prioridade às tarefas mundanas sobre a missão espiritual da Igreja, como acontece hoje, é um erro que deve ser evitado a todo custo, enfatizou.

A seção sobre a Congregação para a Doutrina da Fé mostra uma surpreendente “falta de noção teológica” por parte dos autores. “Conceitos básicos de teologia católica como Revelação, Evangelho, Sagrada Escritura, Tradição Apostólica ou Magistério são usados de forma imprecisa ou errada”, afirmou Müller, e só se pode esperar que toda a seção sobre a Congregação para a Doutrina da Fé seja “reescrita do zero” por um teólogo qualificado e canonista.

Müller detestou o fato de não haver mais uma congregação “suprema”. “O esboço é um plano desorganizado que reúne 16 dicastérios. O serviço de caridade do papa (Esmolaria), por exemplo, precede a Liturgia e os Sacramentos. A evangelização ocupa o primeiro lugar, embora, na verdade, seja uma tarefa para toda a Igreja e não especificamente para o papa”, disse Müller. Infelizmente, nesse esboço, a promulgação da Doutrina da Fé é uma “tarefa arbitrária do papa entre muitas outras tarefas e vem depois de suas outras tarefas”, disse Müller.

7 maio, 2019

Adeus, Steiner.

Não deixará saudade. Dom Joel Portella, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, eleito secretário geral da CNBB.

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