20 setembro, 2019

Rezemos pela Igreja!

5 de Outubro de 2019, Roma

Largo Giovanni XXIII, 14h30m

Por Preguiamo per la Chiesa – Corria a Sexta-feira Santa de 2005 quando o Cardeal Joseph Ratzinger, que dentro de pouquíssimo tempo se tornaria Papa, pronunciou estas palavras inequívocas: “Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ela!”.

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Já como Papa ele viajou a Fátima, onde em 11 de maio de 2010, respondendo aos jornalistas que lhe pediam algumas luzes acerca da mensagem da Santíssima Virgem em Fátima, declarou: “Os sofrimentos da Igreja vêm justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja. Também isso sempre foi sabido, mas hoje o vemos de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja…”.

Em suma, quer como cardeal quer como Papa, Bento XVI quis recordar-nos que há na Igreja homens que não são “da Igreja”, que na realidade não lhe pertencem, e, aliás, mais do que ninguém trabalham para a sua destruição; “os maus e os hipócritas que se encontram na Igreja”, acrescentava Santo Agostinho no De Civitate Dei, um dia serão a maioria, de acordo com a profecia de São Paulo na segunda carta aos Tessalonicenses.

Nós, um grupo de amigos católicos, leigos e consagrados, queremos por isso rezar – juntamente com quantos queiram unir-se a nós – aqui, o mais perto possível do túmulo de São Pedro, onde os Papas, com poucas exceções, sempre quiseram ter a sua residência, pedindo a Deus a graça de:

1) que cessem os escândalos sexuais e econômicos que deturpam a face da Igreja, e que os eclesiásticos envolvidos em tais escândalos não sejam promovidos a posições de chefia, mas, pelo contrário, sejam removidos e instados ao arrependimento;

2) que não seja adulterado o depositum fidei, o qual, no seio da Igreja de Cristo, não está sujeito a ninguém, nem mesmo ao Sumo Pontífice, como se fosse o seu senhor;

3) que as famílias religiosas, os bispos, os sacerdotes fiéis a Cristo e à Igreja não sejam mais objeto de comissionamentos, perseguições ou destituições sem acusações concretas e comprovadas, pelo simples e único motivo de mostrarem apego à “fé de sempre”;

4) que a hierarquia eclesiástica cesse de procurar os aplausos dos mundo, seja corajosa e audaz na pregação do Evangelho, por mais incômodo que isso possa ser, e proponha para exemplo dos fiéis os santos da Igreja, e não os que A dividiram e laceraram (como no passado o monge Martinho Lutero) ou os que combatem a Vida todos os dias, defendendo o aborto, a liberação da droga, a eutanásia… (como é o caso de Ema Bonino);

5) que a prioridade de quem guia a Igreja seja a de anunciar a fé em Jesus Cristo Salvador, “dando a César o que é de César” e evitando de improvisar ao jeito de sociólogos, politólogos, climatólogos… “tudólogos”;

6) que os homens da Igreja não cessem de proclamar os “princípios não negociáveis”, em particular a defesa da vida e da família, sem pactuar – quando não nas palavras, pelo menos nos fatos – com a cultura da morte e a ideologia de gênero;

7) que não mais se confunda o amor pela Criação com o ecologismo pagão e panteísta, nem a “misericórdia” de Deus com o relativismo moral e o indiferentismo religioso;

8) que se deem ouvidos ao grito oriundo da Igreja na África (Card. John O. Onaiyekan,  Card. Robert Sarah, Card. Francis Arinze…: “Que o Ocidente não iluda os nossos jovens com falsos mitos!”) e das igrejas da Europa do Leste, que, com João Paulo II, em Memória e identidade, vêm repetindo que “também a pátria é para cada um, de um modo muito verdadeiro, uma mãe”, e que a “defesa da própria identidade” nada tem que ver com nacionalismos ou certas aberrações;

9) que os católicos chineses, como tantas vezes já foi denunciado pelo Cardeal Zen Ze-kiun, não sejam sacrificados ao regime comunista em nome de acordos impossíveis e iníquos;

10) que os cristãos perseguidos em todo o mundo, que têm de enfrentar a tortura e a morte em nome de Cristo, não sejam obrigados a ouvir de seus pastores que Alá e Jesus Cristo são o “mesmo Deus”.

Para info: https://www.facebook.com/Preghiamo-per-la-Chiesa-Lets-pray-for-the-Church-Oremos-por-la-Iglesia-105070657527129/?modal=admin_todo_tour

19 setembro, 2019

Padre Sosa: ataques contra o Papa Francisco buscam influenciar o próximo conclave.

IHU – “Os ataques contra o Papa Francisco na Igreja hoje” são “uma luta entre os que querem a Igreja sonhada pelo Concílio Vaticano II e os que não querem”, afirmou Arturo Sosa, superior geral dos jesuítas, à agência de notícias Foreign Press Association em Roma no dia 16 de setembro.

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 16-09-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em entrevista em italiano, ele falou: “Sem dúvida, existe uma luta política acontecendo na Igreja hoje”. Mas, acrescentou, “estou convencido de que não é só um ataque contra esse papa. Francisco está convencido do que vem fazendo, desde que foi eleito papa. Ele não vai mudar”. E os seus críticos “sabem que ele não vai mudar”, disse o Pe. Sosa, concluindo: “Na realidade, estes ataques são uma maneira de influenciar a eleição do próximo papa”.

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18 setembro, 2019

Prof. Hermes Nery em entrevista a jornal italiano – Para católicos brasileiros, Vaticano não deve fazer ingerência que favoreça a internacionalização da Amazônia.

Íntegra da entrevista com Hermes Rodrigues Nery, Coordenador do Movimento Legislação e Vida, concedida ao jornalista Lorenzo Bertocchi, do jornal La Veritá, de Milão, 6 de setembro de 2019.

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Gostaria de mais informações sobre a Fundação Gaia: qual ideologia a suporta?

A ideologia da The Gaia Foudation está nas premissas filosóficas e objetivos políticos engendrados na ECO-92, de onde saiu a “Carta da Terra” e a Agenda 21, hoje ampliados nos objetivos da Agenda 2030. O viés malthusiano contido no conceito de “desenvolvimento sustentável” já vem desde o relatório “Os limites do crescimento”, de 1972, do Clube de Roma. Para entender bem tal ideologia, recomendo a leitura do artigo “The hoax behind the 1992 Earth Summit”, publicado pela Executive Intelligence Review (Volume 18, Number 37, September 27, 1991), link do documento: (https://larouchepub.com/eiw/public/1991/eirv18n37-19910927/eirv18n37-19910927_028-the_hoax_behind_the_1992_earth_s.pdf].

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17 setembro, 2019

Francisco, Amoris Laetitia e o Vaticano II.

Amoris lætitia representa, na história da Igreja dos últimos, o que Hiroshima ou Nagasaki foram para a história moderna do Japão: humanamente falando, o dano é irreparável […] Amoris laetitia constitui um dos resultados que, cedo ou tarde, dar-se-ia das premissas estabelecidas pelo Concílio [Vaticano II]. O Cardeal Walter Kasper já havia enfatizando que a uma nova eclesiologia — a do Concílio — corresponde uma nova concepção de família cristã.

De fato, o Concílio é principalmente eclesiológico, isto é, propõe em seus documentos uma nova concepção da Igreja. De maneira simples, a Igreja fundada por Nosso Senhor já não equivaleria à Igreja Católica, mas se trataria de algo mais amplo, que incluiria as demais confissões cristãs. Como resultado, as comunidades ortodoxas ou protestantes teriam a “eclesialidade” em virtude do batismo. Em outras palavras, a grande novidade eclesiológica do Concílio é a possibilidade de pertencer à Igreja fundada por Nosso Senhor em diferentes formas e graus. Daí a noção moderna de comunhão total ou parcial, “com geometria variável”, poderíamos dizer. A Igreja se tornou estruturalmente aberta e flexível. A nova modalidade de pertença à Igreja, extremamente elástica e variável, segundo à qual todos os cristãos estão unidos na mesma Igreja de Cristo, constitui a origem do caos ecumênico.

[…]

Concretamente, do mesmo modo que a Igreja de Cristo “pan-cristã” teria elementos bons e positivos fora da unidade católica, haveria igualmente elementos bons e positivos para os fiéis fora do matrimônio sacramental, por exemplo, em um matrimônio civil, e também em qualquer outro tipo de união. Assim como já não há mais distinção entre uma Igreja “verdadeira” e igrejas “falsas”, dado que as igrejas não católicas são boas, embora imperfeitas, igualmente todas as uniões se tornam boas, porque sempre há algo bom nelas, mesmo que somente o amor. […] Deste modo, o ensinamento objetivamente desconcertante do Papa Francisco não supõe uma consequência estranha, mas uma consequência lógica dos princípios estabelecidos pelo Concílio. O Papa extrai dela algumas conclusões últimas… por ora.

Da entrevista do Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Padre Davide Pagliarani, publicada hoje

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16 setembro, 2019

Cardeal Burke e Dom Athanasius propõem uma cruzada de oração e jejum pelo Sínodo na Amazônia.

Por Templário de Maria – Nesta quinta-feira, o Cardeal Burke e Mons. Athanasius Schneider publicaram um documento exortando todos os católicos a participarem de uma Cruzada de Oração e Jejum pelo Sínodo da Amazônia durante quarenta dias, de 17 de setembro a 26 de outubro, às vésperas do encerramento do Sínodo: todos os dias dedicar pelo menos pelo menos uma dezena do rosário e fazer jejum uma vez por semana, de acordo com a tradição da Igreja, nestas intenções:

  1. Que durante a assembléia sinodal, os erros teológicos e heresias incluídos no Instrumentum Laboris NÃO SEJAM APROVADOS;
  2. Que, em particular, o Papa Francisco, no exercício do ministério petrino, CONFIRME seus irmãos na fé, com uma CLARA RECUSA DOS ERROS do Instrumentum Laboris e NÃO CONSINTA com a ABOLIÇÃO DO CELIBATO sacerdotal na Igreja Latina, com a introdução da prática de ordenação de homens casados, os chamados “viri probati”.

QUALQUER UM que souber da cruzada APÓS a data inicial, PODE OBVIAMENTE PARTICIPAR A QUALQUER MOMENTO.

O DOCUMENTO publicado destaca SEIS ERROS GRAVES e HERESIAS CONTIDOS NO Instrumentum Laboris, em suma:

  1. PANTEÍSMO IMPLÍCITO: o documento promove uma socialização PAGÃ da “Mãe Terra”, baseada na cosmologia das tribos amazônicas;
  2. SUPERSTIÇÕES PAGÃS como FONTES da Revelação Divina e “caminhos alternativos” para a salvação;
  3. DIÁLOGO INTERCULTURAL EM VEZ DE EVANGELIZAÇÃO;
  4. Uma CONCEPÇÃO ERRÔNEA da ORDENAÇÃO SACRAMENTAL, que POSTULA os ministros do culto de AMBOS OS SEXOS, para até mesmo realizar rituais xamânicos;
  5. Uma “ECOLOGIA INTEGRAL” que REBAIXA A DIGNIDADE HUMANA;
  6. Um COLETIVISMO TRIBAL que mina o caráter único da pessoa e sua liberdade.

Concluem: “Os ERROS TEOLÓGICOS e HERESIAS IMPLÍCITOS e EXPLÍCITOS contidos no Instrumentum Laboris da próxima Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, são uma MANIFESTAÇÃO ALARMANTE DA CONFUSÃO, DO ERRO e DA DIVISÃO que AFLIGEM A IGREJA HOJE.

Ninguém pode justificar-se dizendo que NÃO FOI INFORMADO sobre a GRAVIDADE DA SITUAÇÃO e se eximiu do dever de tomar as ações apropriadas, por amor a Cristo e Sua vida conosco na Igreja.

Em particular, TODOS os membros do Corpo Místico de Cristo, diante de tal AMEAÇA À SUA INTEGRIDADE, DEVEM ORAR E JEJUAR PELO BEM ETERNO DE SEUS MEMBROS, que, por causa deste texto, correm o RISCO DE SEREM ESCANDALIZADOS, o que leva à CONFUSÃO, ERRO E DIVISÃO.

Além disso, TODO CATÓLICO, como verdadeiro SOLDADO DE CRISTO, É CHAMADO A SALVAGUARDAR e PROMOVER AS VERDADES DA FÉ e a DISCIPLINA com que essas verdades são HONRADAS NA PRÁTICA, para que a assembléia solene dos Bispos não traía a missão do Sínodo, que é “ajudar o pontífice romano com seus conselhos, para salvaguardar e aumentar a fé e a moral, observando e consolidando a disciplina eclesiástica” (can. 342) […].

Que Deus, através da intercessão de muitos missionários verdadeiramente católicos que evangelizaram os povos indígenas da América – incluindo São Toríbio de Mogrovejo e São José de Anchieta -, dos santos que os nativos americanos deram à Igreja – incluindo São Juan Diego e Santa Kateri Tekakwitha – e em particular pela intercessão da Virgem Maria, RAINHA DO SANTO ROSÁRIO, que DERROTA TODAS AS HERESIAS, para que os membros da próxima Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos, para a Região Pan-Amazônica e o Santo Padre, estejam protegidos do perigo de aprovar erros e ambiguidades doutrinárias e de minar o domínio apostólico do celibato sacerdotal.

Raymond Leo Cardeal Burke
Bispo Athanasius Schneider

12 de setembro de 2019
Festa do Santíssimo Nome de Maria”

15 setembro, 2019

Foto da semana.

Fortaleza,  10 de setembro de 2019 – Frei Roberto, OFM Cap., rezando a Missa Tridentina na Igreja de São Bernardo, no centro de Fortaleza, no dia em que completou 99 anos. Créditos das imagens.

13 setembro, 2019

Heresia e cisma: Papa Francisco e as palavras inquietas.

IHU – A imagem do cisma na Igreja emergiu repentinamente nas palavras do Papa Francisco por ocasião do encontro com jornalistas na viagem de ida e volta à África (Moçambique, Madagascar, Ilhas Maurício; 4-7 de setembro de 2019). Tudo nasceu a partir de um livro que o autor, Nicolas Senèze, correspondente do Vaticano do La Croix, Como os EUA querem mudar o Papa ofereceu como presente ao Papa na viagem de ida.

O comentário é de Gabriele Passerini, publicado por Settimana News, 11-09-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

O papa comentou: “Para mim, é uma honra que os estadunidenses me ataquem“, aludindo a algumas franjas da direita católica norte-americana que o livro evoca: dos Cavaleiros de Colombo a Steve Bannon, da rede de televisão da EWTN a Timothy Busch, do grupo de empresários Legatus ao centro “Ethics and Public Policy” de George Weigel. No retorno, a uma pergunta específica de Jason Drew Horowitz (The New York Times), expressou em termos mais suaves a sua posição sobre um possível perigo de cisão.

Migrações dos significados

Embora seja um episódio limitado dentro de uma viagem que teve bem outros focos e objetivos (nas Ilhas MaurícioMoçambique e Madagascar), é útil ressaltar as tendências que sinaliza:

do silêncio à palavra. Até o momento, o Papa falou das críticas dirigidas a ele como episódios que não tiram seu sono, a serem discernidos com atenção, que devem ser entendidos em suas intenções. É a primeira vez que ele responde diretamente a uma das vertentes críticas mais organizadas e cautelosas;

da heresia ao cisma. A acusação de heresia contra o Papa é de várias formas reevocada nas cartas críticas que ilustres eclesiásticos e “professores” vários dirigiram a ele. Com maior precisão, o Papa Francisco fala de um perigo não sobre a doutrina, mas sobre a disciplina na Igreja, precisamente o cisma;

dos eclesiásticos aos laicos. O descontentamento com seu ministério e magistério (da migração à denúncia do sistema econômico, das indicações pastorais sobre a família à defesa dos pobres) era principalmente liderado por eclesiásticos: de Burke a Brandmüller, de Viganò a Ejik. Agora, surgem alguns laicos estadunidenses, fortemente expostos no apoio a Trump;

das aquisições aos processos. Se o efeito esperado pela oposição tradicionalista norte-americana era de romper o consenso eclesial ao papa, o perigo real poderia ser de impor uma desaceleração nas reformas em vista dos próximos eventos, como o Sínodo sobre a Amazônia. O Papa está lucidamente ciente disso;

de Viganò ao novo conclave. As variadas acusações de Mons. Carlo Maria Viganò faziam pensar a uma pretensão de provocar as demissões do Papa. Hoje, a intenção parece mais a de condicionar o novo conclave que elegerá o sucessor, quando isso acontecer.

Crítica, dissenso e cisma

Aqui estão as palavras da resposta do papa ao medo de um cisma (do Sismografo-blog): “Antes de tudo, as críticas sempre ajudam, sempre. Quando alguém recebe uma crítica, imediatamente deve fazer uma autocrítica e dizer: isso é verdade ou não? Até que ponto? E eu sempre tiro vantagem das críticas. Às vezes eles te deixam com raiva … Mas as vantagens existem. Na viagem de ida para Maputo, um de vocês me deu esse livro em francês sobre como os americanos querem mudar o papa. Eu tinha conhecimento sobre esse livro, mas não o tinha lido. As críticas não são apenas dos norte-americanos, estão por toda parte, mesmo na cúria. Pelo menos aqueles que as dizem têm a vantagem da honestidade de dizê-las.

Não gosto quando as críticas ficam por baixo dos panos: te fazem um sorriso mostrando os dentes e depois dão uma punhalada pelas costas. Isso não é leal, não é humano. A crítica é um elemento de construção e, se a tua crítica não for justa, fique preparado para receber a resposta, dialogar e chegar ao ponto justo. Essa é a dinâmica da crítica verdadeira. Em vez disso, a crítica das pílulas de arsênico, de que falamos a respeito nesse artigo que dei ao padre Rueda, é parecido como jogar a pedra e esconder a mão … Isso não serve, não ajuda. Ajude aos pequenos grupinhos fechados, que não querem ouvir a resposta às críticas. Em vez disso, uma crítica leal – eu penso isso, isso e isso – está aberta à resposta, isso constrói, ajuda.

Diante do caso do papa: não gosto disso do papa, eu o crítico, falo, escrevo um artigo e peço que ele responda, isso é leal. Fazer uma crítica sem querer ouvir a resposta e sem fazer o diálogo não é gostar da Igreja, é perseguir uma ideia fixa, mudar o papa ou fazer um cisma. Isso é claro: sempre uma crítica leal é bem recebida, pelo menos por mim.

Segundo, o problema do cisma: na Igreja aconteceram muitos cismas. Após o Vaticano I, por exemplo, a última votação, aquela da infalibilidade, um bom grupo saiu e fundou os vétero-católicos para serem justamente “honestos” com a tradição da Igreja. Depois eles encontraram um desenvolvimento diferente e agora fazem as ordenações das mulheres. Mas naquele momento eles eram rígidos, iam atrás de uma ortodoxia e pensavam que o concílio tivesse cometido um erro. Outro grupo saiu em silêncio, mas não quiseram votar … O Vaticano II teve entre as consequências essas coisas.

Talvez o afastamento pós-conciliar mais conhecido seja o de Lefebvre. Sempre há a opção cismática na Igreja, sempre. Mas é uma das opções que o Senhor deixa para a liberdade humana. Não tenho medo dos cismas, rezo para que não ocorram, porque está em jogo a saúde espiritual de tantas pessoas. Que exista diálogo, que haja a correção se houver algum erro, mas o caminho do cisma não é cristão. Vamos pensar no início da Igreja, como começou com tantos cismas, um após o outro: arianos, gnósticos, monofisitas …

Povo de Deus e Intellectus Fidei

Eu gostaria de contar uma anedota: foi o povo de Deus que salvou dos cismas. Os cismáticos sempre têm uma coisa em comum: eles se separam do povo, da fé do povo de Deus. E quando no Concílio de Éfeso houve uma discussão sobre a divina maternidade de Maria, o povo – isso é histórico – ficava na entrada da catedral quando os bispos entravam para fazer o concílio. Estavam lá armados com paus. Eles os mostravam aos bispos e gritavam “Mãe de Deus! Mãe de Deus!”, como se dissessem: se vocês não fizerem isso, esperem por … O povo de Deus sempre conserta e ajuda. Um cisma é sempre um afastamento elitista causado por uma ideologia separada da doutrina.

É uma ideologia, talvez justa, mas que entre na doutrina e a separa… Por isso, rezo para que não ocorram cismas, mas não tenho medo. Isso é um resultado do Vaticano II, não deste ou daquele outro Papa. Por exemplo, as coisas sociais que eu falo são as mesmas que João Paulo II disse, as mesmas! Eu o copio. Mas dizem: o papa é comunista … As ideologias entram na doutrina e quando a doutrina desliza para as ideologias, ali existe a possibilidade de um cisma. Existe a ideologia da primazia de uma moral asséptica sobre a moral do povo de Deus. Os pastores devem conduzir o rebanho entre a graça e o pecado, porque essa é a moral evangélica.

Em vez disso, uma moral de uma ideologia tão pelagiana leva a rigidez, e hoje temos tantas escolas de rigidez dentro da Igreja, que não são cismas, mas formas cristãs pseudo-sismáticas, que terminarão mal. Quando vocês veem cristãos, bispos, sacerdotes rígidos, por trás existem problemas, não existe a santidade do Evangelho. Por isso, devemos ser suaves com as pessoas que são tentadas por esses ataques, elas estão passando por um problema, devemos acompanhá-las com mansidão”.

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10 setembro, 2019

Eles não se cansam de passar vergonha.

Por FratresInUnum.com, 10 de setembro de 2019 – Não bastasse a cafonice do discurso semi-hippie paz e amor, considerando-se o suprassumo da modernidade enquanto estão presos eternamente nos anos 70, os nossos bispos não se cansam de passar vergonha.

A CNBB lançou uma série de vídeos para mobilizar os fiéis e mostrar a força de seu neo papismo — eles, que até há poucos anos eram a vanguarda da resistência ao centralismo romano. Todavia, para o que deveria causar embaraço geral, a campanha de apoio artificial foi destruída por uma reação espontânea, sem nenhuma articulação central, que reflete o bom senso que, apesar dos pastores, ainda resta entre os fiéis católicos.

As mais de mil negativações ao vídeo de Dom Jaime Spengler deveria ser uma boa dose de “semancol” na empedernida CNBB. Entretanto, a idolatria bergogliana não lhes permite ver um palmo sequer diante da face.

Do alto de seu clericalismo, acham que os fiéis são completos idiotas a ponto de darem um apoio prévio, como que assinando um cheque em branco, a uma hierarquia que quer utilizar-se de um sínodo para impor suas preferências ideológicas alheias à Fé.

Acordem pra vida, senhores!

9 setembro, 2019

Saia justa.

Por FratresInUnum.com, 9 de setembro de 2019 – Foi transmitido na noite de sábado passado, 7 de setembro, o programa “Globo News Painel”, com a participação de Dom Claudio Hummes, relator do Sínodo da Amazônia, Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega, diplomata representante do Brasil nas negociações acerca do Sínodo, e Alberto Pfeifer Filho, especialista em assuntos internacionais.

Com “cara de vinagre”, para utilizar uma dessas expressões tão profundas e delicadas do magistério bergogliano, Dom Cláudio não conseguiu disfarçar o seu constrangimento, muito diferentemente da tranquilidade que desfruta em encontros de esquerdistas ou junto de seu amigo desde os tempos do ABC Paulista, o ex-presidente e atual presidiário Lula.

Kenneth Nóbrega, com aquela délicatesse diplomatique, começou cutucando, ao mencionar o estimadíssimo, mas completamente ineficaz,  Acordo Brasil-Santa Sé como elemento importante de mediação. Explicou que esteve três vezes no Vaticano e, cara-a-cara, confrontou os representantes pontifícios acerca de quatro imprecisões dos Lineamenta do Sínodo: o papel transnacional da Guiana, que poderia dar pé ao estabelecimento de um território internacional na Amazônia; a omissão da menção aos instrumentos internacionais de que participa o Brasil, como limite das requisições do Sínodo; a ausência do reconhecimento do papel social das forças armadas na Amazônia, lembrando que a FAB transporta até alimentos em parceria com a Igreja; e a desarticulação entre o conceito de ecologia integral e de desenvolvimento sustentável, que impede o enclausuramento numa política meramente preservacionista, fechada ao progresso.

Na sequência, o representante do governo disse que, sim, os serviços de inteligência brasileiros estão monitorando a atividade pré-sinodal, como qualquer outra atividade que diga respeito à segurança do território nacional, dentro dos limites da lei e segundo a sua prerrogativa constitucional.

Em seguida, quando perguntado o porquê da preocupação do governo com a unidade territorial na questão Amazônica, Kenneth Nóbrega salientou que a menção à Guiana como localização transnacional nos Lineamenta, juntamente com a histórica cobiça internacional do espaço amazônico e as últimas declarações do presidente francês em fórum internacional são motivos mais do que suficientes para justificar a preocupação.

Dom Cláudio obviamente, permanecia o tempo todo com atitude apreensiva, olhos arregalados, aspecto ameaçado, sério, como alguém que está sendo emparedado e “quanto menos falar, melhor”.

Na sequência, Alfredo Pfeifer, perguntado sobre as declarações de que os bispos dispõem de dados distorcidos para o Sínodo, explicou dizendo que a Amazônia é um território imenso e os dados são sempre parciais e, mesmo quando verídicos, podem ser apresentados com metodologias diferentes, as quais podem favorecer o interesse deste ou daquele grupo. Justificou, ainda, dizendo que a má gestão amazônica tem impactos globais e que o Brasil e as Forças Armadas a têm feito com competência técnica e científica, responsabilidade social e ambiental.

Dom Cláudio concordou com o fato de que o Exército está muito presente na Amazônia e que há uma verdadeira colaboração com a Igreja. Também reconheceu que a Igreja não tem todos os dados, como tampouco o Exército. Ele disse que o documento preparatório do Sínodo só não falou do Estado brasileiro e do Exército porque a Igreja estava apenas falando de si mesma. Disse que os bispos ficaram perplexos com a reação do Brasil e estão preocupados com “até onde isso vai”.

Kenneth Nóbrega mostrou como a divulgação de dados errados nas últimas semanas erodiu o relacionamento de confiança, que é absolutamente imprescindível para qualquer diálogo bilateral. Ele mostrou como, de um lado, a eventual não preocupação em que se respeitem as questões de direito internacional no documento final do Sínodo pode oferecer sustentação aos ambientalistas que defendem o protecionismo agrícola europeu, que destrói a imagem do nosso agronegócio, sem discernir se é sustentável ou não, se favorece a agricultura familiar com selo orgânico ou não.

Alfredo Pfeifer disse que as duas instituições que garantem a presença brasileira na Amazônia são a Igreja e as Forças Armadas, sendo que o Exército está preocupado com a ocupação nacional e a defesa das fronteiras, mas a Igreja tem uma vocação missionária e está preocupada com a Evangelização. Ele disse que é nesta diferença que pode se dar um descompasso de interesse e de agenda, mas se espera que o Sínodo seja uma ocasião para se resolver este descompasso, ao invés de aumentá-lo.

Sobre a questão indígena, Dom Cláudio disse que, em Porto Maldonado, os índios disseram ao Papa Francisco que nunca se sentiram tão ameaçados como agora, que suas terras estão sendo invadidas por companhias de mineração, pelo desmatamento. Dom Cláudio disse que os índios são um patrimônio humano de todos nós, porque eles têm uma cultura própria, uma espiritualidade própria, milenar, uma riqueza muito grande que a humanidade não se pode dar o luxo de perder. Segundo Dom Cláudio, a Igreja pensa que isto é uma questão de direitos humanos e que na história da colonização houve um massacre dos índios, mas com a proteção que receberam nas últimas décadas, a população indígena está crescendo e há aproximadamente um milhão de índios. — Neste trecho, Dom Cláudio falou demasiadamente, monopolizando a palavra, inclusive não deixando tempo para que os interlocutores continuassem com a pauta.

Alberto Pfeifer disse que a defesa dos índios demanda o combate aos ilícitos (como a garimpagem, por exemplo), requer a presença do Estado, e que não adianta apenas alegar o direito dos índios, pois eles são desprovidos de instrumentos para se defender, mas o Brasil está utilizando as ferramentas adequadas e cumprindo o seu papel.

Kenneth Nóbrega afirmou que o Brasil tem uma legislação ambiental evoluída, mas que o Estado tem uma dupla responsabilidade: a primária, com a sua sociedade; a secundária, internacional. No que diz respeito ao debate internacional, há de haver um verdadeiro debate, onde todos falem de suas responsabilidades em campo ambiental, ou seja, não pode ser um debate em que todos apontem para o Brasil como aquele que não está cumprindo com as suas responsabilidades. Este desequilíbrio no debate criou, por parte do governo, uma percepção de injustiça.

Dom Cláudio concluiu dizendo que a Igreja está em defesa do protagonismo dos índios em seu próprio progresso, embora haja ainda um espírito colonialista, que pretende impôr a eles um tipo de progresso.

Enfim, Hummes e toda a corte bergogliana têm toda ciência de que seu tempo é curto, que não possuem apoio popular nem sucessores e que, por isso, é necessário acelerar e intensificar as “reformas”. O temor por “retrocessos” é claramente demonstrado na nova leva de cardeais criados por Francisco. Esquecem-se esses senhores, infiéis e incrédulos que são, que a Igreja é do Senhor. “Exsurge Domine”.

8 setembro, 2019

Foto da semana.

O Pontificado do lobby gay – Novos cardeais Dom Matteo Zuppi, Dom Jean-Claude Hollerich, Michael Czerny e Dom José Tolentino Mendonça (Fotos: Wikipédia, Wikimedia e Jesuits.org)

Bispos simpatizantes a LGBTQs na lista de novos cardeais do Papa Francisco

IHU – Pelo menos dois bispos que já teceram comentários positivos sobre pessoas LGBTQs constam na lista de clérigos que o Papa Francisco irá tornar cardeais no próximo mês.

Na semana passada, o Papa Francisco anunciou um consistório surpresa a acontecer em 5 de outubro. Entre os nomeados estão Dom Matteo Zuppi, de Bolonha, e Dom Jean-Claude Hollerich, de Luxemburgo, religiosos que já fizeram comentários positivos a respeito de pessoas LGBTQs.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 04-09-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Zuppi escreveu o prefácio para a edição italiana do livro do padre jesuíta James Martin, “Building a Bridge” (sem edição no Brasil), que aborda questões LGBTs na Igreja. O arcebispo, por vezes referido como o “Bergoglio italiano”, explicou que o livro era “útil para incentivar o diálogo, bem como um conhecimento e uma compreensão recíprocos”. Ele também reafirmou a decisão de Martin de se referir às pessoas LGBTs com termos que eles próprios empregam quando falam de si (p. ex.: lésbica, gay, bissexual, transgênero), dizendo que este era “um passo necessário para se começar um diálogo respeitoso”.

Em uma conversa com a imprensa durante o Sínodo dos Jovens ocorrido ano passado, Bonding 2.0 perguntou a Zuppi sobre se os bispos presentes no evento mostravam-se abertos a um diálogo mais amplo. Ele respondeu que o ministério pastoral para lésbicas e gays é “um tópico importante”. Referindo-se a um grupo católico LGBTQ atuante em sua arquidiocese, Zuppi continuou:

“Há sensibilidades diferentes, e devemos também considerar situações diferentes com base nas regiões geográficas. Essa questão não é vista da mesma forma na América do Norte e na África, por exemplo. Não é novidade. Isso nasce do fato de que o grupo de homossexuais católicos de Bolonha tem mais de 30 anos. A meu ver, é uma questão pessoal, e como tal acredito que deveria ser tratada: quando se torna ideológico, fica mais complexo e é melhor deixar de lado.

Hollerich, arcebispo de Luxemburgo, também serve como presidente da conferência episcopal europeia. Ele abordou o tema de padres gays durante uma reunião do Vaticano sobre o abuso sexual clerical ocorrido em fevereiro deste ano. O The New York Times reproduziu o seu comentário:

“[Hollerich] Disse no domingo que alguns bispos recorriam à homossexualidade como uma causa para os abusos porque ‘algumas pessoas têm alguns modelos na cabeça e vão continuar assim’. Ele disse que ele e outros bispos procuraram mudar essa forma de pensar. ‘Eu falei para estas pessoas que o primeiro-ministro do meu país é homossexual e que era uma pessoa que jamais abusaria de crianças’”.

Além dos arcebispos Zuppi e Hollerich, dois outros nomeados pelo Papa Francisco são, aparentemente, amigos da causa LGBTQ.

Em 2015, o padre jesuíta Michael Czerny juntou-se ao Cardeal Peter Turkson, então presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, hoje não mais existente, num encontro com dois representantes do Fórum Europeu de Grupos Cristãos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros para debater leis de descriminalização. Czerny, atualmente subsecretário para a seção Migrantes e Refugiados, do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, também fundou e coordenou, durante alguns anos, a organização African Jesuit AIDS Network (Rede Africana Jesuíta contra a AIDS). Foi nomeado pelo papa como um dos dois secretários especiais para o Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia deste ano.

Finalmente, Dom José Tolentino Mendonça, arquivista e bibliotecário do Vaticano, falou em termos positivos sobre os ministérios LGBTQs já em 2010. O jornal The Catholic Herald reportou que Mendonça havia sido criticado por seu trabalho pastoral voltado a lésbicas e gays e por escrever o prefácio para um livro de teologia feminista da irmã beneditina Teresa Forcades, defensora declarada das questões LGBTQs.

Os outros clérigos nomeados por Francisco para o consistório de outubro são:

• Dom Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo, de JakartaIndonésia;

• Dom Juan de la Caridad García Rodríguez, de HavanaCuba;

• Dom Fridolin Ambongo Besungu, de KinshasaRepública Democrática do Congo;

• Dom Álvaro Ramazzini Imeri, de HuehuetenamgoGuatemala;

• Dom Cristóbal López Romero, de RibatMarrocos;

• Dom Miguel Ayuso Guixot, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso.

Mas além dos históricos das pessoas, o próximo consistório pode ter um outro – e bem maior – impacto sobre as questões LGBTQs na Igreja. Após o dia 5 de outubro, o Papa Francisco terá nomeado mais da metade dos membros do Colégio Cardinalício aptos ao votar. John Allen, do sítio Crux, assim diz:

“Poderíamos continuar com os exemplos, mas a questão que deve ficar clara é: este é um consistório em que Francisco está aumentando uma corte de religiosos com mentalidades semelhantes, posicionando-os para ajudar no desenvolvimento de sua pauta já, e também para ajudar a garantir que o próximo papa, quem quer que seja, não venha a ser alguém inclinado a atrasar o relógio”.

“Em outras palavras, Francisco sairá deste consistório numa posição mais forte para liderar. Se é uma notícia boa ou não dependerá, naturalmente, de sabermos se o fiel católico vier a gostar da direção que ele está tomando”.

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