21 abril, 2018

Coluna do Padre Élcio: “Agora estais tristes, mas outra vez vos verei; então alegrar-se-á o vosso coração; e ninguém vos há de tirar a vossa alegria”.

Comentário ao Evangelho do 3º Domingo depois da Páscoa – Preparação para a Ascensão – S. João XVI, 16-22

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 21 de abril de 2018

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Ainda um pouco, e já não me vereis; mais um pouco de tempo e me tornareis a ver, porque vou ao Pai’. Disserem, então, alguns dos seus discípulos entre si: ‘Que é isto, que Ele nos diz?: Ainda um pouco de tempo e não me vereis; mais um pouco de tempo e me tornareis a ver, porque vou para o Pai?’ Diziam, pois: ‘Que quer dizer com isso: ‘Um pouco de tempo’? Não sabemos o que Ele quer dizer’. Conheceu, porém, Jesus que eles O queriam interrogar, e disse-lhes: ‘Sobre isso discutis entre vós, porque eu disse: Ainda um pouco de tempo e não me vereis; mais um pouco de tempo e me tornareis a ver. Em verdade, em verdade eu vos digo: Haveis de chorar e vos lamentar, enquanto o mundo há de alegrar; vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em gozo. Uma mulher, quando dá à luz, tem tristeza, porque veio a sua hora, mas logo que a criança nasce, já não se lembra da aflição, pela alegria por haver nascido ao mundo um homem. Assim vós outros, agora estais tristes, mas outra vez vos verei; então alegrar-se-á o vosso coração; e ninguém vos há de tirar a vossa alegria’.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Com o Santo Evangelho de hoje a Santa Madre Igreja já vai nos preparando para a festa da Ascensão de Jesus ao Céu. Este Evangelho é tirado do sermão que Jesus fez aos Apóstolos na tarde de última Ceia, com o fim de os preparar para a Sua volta para o Céu, tendo que passar antes pela Sua Paixão, Morte e Sepultura, Ressurreição e depois então de ainda  40 dias aqui na terra, realizar Sua Ascensão aos Céus.

ascensão do senhorAssim, no sentido literal, “aquele pouco de tempo” significava que Jesus no outro dia iria morrer, e seria sepultado, e assim seus discípulos ficariam três dias incompletos sem poder vê-Lo. Depois deste pouco de tempo novamente o veriam ressuscitado e se alegrariam. Ainda ficaria com eles mais um pouco de tempo, isto é, 40 dias e não o veriam mais porque subiria para o Céu, voltando para o Seu Pai.

Ainda no sentido literal podemos dizer que “aquele pouco de tempo” também significava o tempo do resto da vida deles, e morrendo iriam também para o Céu, onde voltariam a ver a Jesus, e agora, não mais o deixariam de ver, e ninguém poderia tirar-lhes este gozo. É a felicidade eterna.

Estiveram tristes e acabrunhados na Paixão, Morte e Sepultura do Divino Mestre, mas se alegraram grandemente em vê-lo ressuscitado. Ficaram novamente tristes em ver Jesus se separando deles e subindo para o Céu. O mundo os perseguiu. E eles tudo sofreram por amor a Jesus. E estes mesmos sofrimentos, estas mesmas tristezas se transformaram em merecimentos que lhes proporcionaram um maior gozo no céu na beatífica Visão de Deus. Agora ninguém lhes poderá tirar esta alegria perfeita, pois é eterna.

Num sentido moral,  o Santo Evangelho se aplica também a nós. Na verdade, a nossa vida, por mais longa que seja é “um pouquinho de tempo” em comparação da eternidade para a qual caminhamos. Se agora fizermos penitência, renunciarmos a nós mesmos, morrermos para à nossas paixões desregradas, todas as virtudes, enfim tudo isto de que o mundo zomba, se converterá em alegria, em maiores merecimentos que nos proporcionarão também uma glória maior no Céu, por toda a eternidade. Ninguém no-la poderá tirar. Por um pouquinho de sofrimento, um peso imenso de glória por toda a eternidade.

Ó Jesus, ajudai-nos a trabalhar e a sofrer de bom coração agora por amor a Vós, e, depois das fatigas e lágrimas deste exílio, depois deste pouquinho de tempo que vai do berço ao túmulo, concedei-nos o repouso e a alegria dos santos no Céu. Assim seja!

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19 abril, 2018

Encurralados! Bispos do Brasil não têm pra onde correr

Por FratresInUnum.com, 19 de abril de 2018A esquerda pira! Quem diria que a mãe do PT abandonaria sua cria à morte e, ao mesmo tempo, confirmaria a expectativa de milhões de católicos brasileiros, não respondendo a nenhuma das acusações apresentadas nos últimos meses, antes, fazendo-se de vítima?…

56 assembleia geralSolenemente posta em cima do muro, a CNBB, na verdade, está completamente encurralada: se, de um lado, não pode negar o seu passado de compromisso com as esquerdas, de outro, atualmente, não tem fôlego para enfrentar a opinião pública, que execra o lulopetismo com absoluta veemência.

A mesma CNBB que protagonizou a “lei da ficha limpa” terá de ver Lula inelegível justamente por ser “ficha suja”; assim como a mesma CNBB que sempre militou pela judicialização da política, agora vê os seus políticos julgados e condenados, e não pode defendê-los, pois se condenaria.

Ao contrário do que dizem, não temos um país divido, nem tampouco os católicos estão divididos. O país está unido, rechaça com força a impostura socialista, e os católicos desejam de seus pastores uma posição clara e inequívoca, mas, ao contrário, estes lhes oferecem águas turvas.

Quem está dividindo a Igreja e o país não são as opiniões divergentes, é a dialética socialista do “nós contra eles”; quem dividiu a Igreja católica no Brasil não foram os leigos que gritam por transparência, foi a dialética da teologia da libertação. De tanto pregar o antagonismo entre a hierarquia e o povo, os teo-ideológos da libertação beberam de seu próprio veneno: uma vez na hierarquia, o povo se voltou contra eles, enquanto estes se fazem de desentendidos.

Se os bispos tivessem humildade e coragem, reconheceriam que erraram e se afastariam definitivamente desta bandidagem esquerdista, agradeceriam os denunciantes por lhes mostrarem que eles também estão sendo enganados por uma corja de manipuladores e tomariam as rédeas da Conferência Episcopal, seriam coerentes com o discurso anti-corrupção e apoiariam a justiça que prendeu um ex-presidente corrupto, corrigiriam os abusos litúrgicos, as aberrações doutrinais (como a “concelebração” das pastoras protestantes na “Romaria da Terra”) e dariam aos católicos mostras de levarem a sério a sua religião. Mas, não… preferem a neutralidade.

No Evangelho das Missa do próximo domingo, IV da Páscoa, a Igreja ouvirá dos lábios de Cristo que “o mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. Pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas” (Jo 10,12). A CNBB escolheu não ter cheiro de ovelhas, mas cheiro de mercenário.

Aos católicos do nosso Brasil não cabe apenas a orfandade. Como leigos, resistiremos à fúria dos lobos e à culpada covardia dos pastores. Não voltaremos atrás. Continuaremos a clamar, a mostrar o erro, a protestar, a documentar, pois o silêncio cúmplice de nada serve, senão para fazer o inimigo avançar.

Aos nossos Bispos, Sucessores dos Apóstolos, não negamos o nosso respeito. Apenas queremos que se comportem como bispos e não como traidores. Peçam-nos eles o que quiserem. Só não nos peçam que fiquemos inertes diante dos bandidos que querem usurpar a nossa religião como instrumento de perpetuação no poder. A isso a nossa consciência se opõe!

Que Deus abençoe a nossa nação! Virgem Mãe Aparecida, rogai a Deus pelo Brasil!

19 abril, 2018

Mensagem da CNBB: “A Conferência Episcopal, como instituição colegiada, não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da Igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos”.

Por CNBB

MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE DEUS

O que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo (1Jo 1,3)

Em comunhão com o Papa Francisco, nós, Bispos membros da CNBB, reunidos na 56ª Assembleia Geral, em Aparecida – SP, agradecemos a Deus pelos 65 anos da CNBB, dom de Deus para a Igreja e para a sociedade brasileira. Convidamos os membros de nossas comunidades e todas as pessoas de boa vontade a se associarem à reflexão que fazemos sobre nossa missão e assumirem conosco o compromisso de percorrer este caminho de comunhão e serviço.

Vivemos um tempo de politização e polarizações que geram polêmicas pelas redes sociais e atingem a CNBB. Queremos promover o diálogo respeitoso, que estimule e faça crescer a nossa comunhão na fé, pois, só permanecendo unidos em Cristo podemos experimentar a alegria de ser discípulos missionários.

A Igreja fundada por Cristo é mistério de comunhão: “povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (São Cipriano). Como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (cf. Ef 5,25), assim devemos amá-la e por ela nos doar. Por isso, não é possível compreender a Igreja simplesmente a partir de categorias sociológicas, políticas e ideológicas, pois ela é, na história, o povo de Deus, o corpo de Cristo, e o templo do Espírito Santo.

Nós, Bispos da Igreja Católica, sucessores dos Apóstolos, estamos unidos entre nós por uma fraternidade sacramental e em comunhão com o sucessor de Pedro; isso nos constitui um colégio a serviço da Igreja (cf. Christus Dominus, 3). O nosso afeto colegial se concretiza também nas Conferências Episcopais, expressão da catolicidade e unidade da Igreja. O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, 23, atribui o surgimento das Conferências à Divina Providência e, no decreto Christus Dominus, 37, determina que sejam estabelecidas em todos os países em que está presente a Igreja.

Em sua missão evangelizadora, a CNBB vem servindo à sociedade brasileira, pautando sua atuação pelo Evangelho e pelo Magistério, particularmente pela Doutrina Social da Igreja. “A fé age pela caridade” (Gl 5,6); por isso, a Igreja, a partir de Jesus Cristo, que revela o mistério do homem, promove o humanismo integral e solidário em defesa da vida, desde a concepção até o fim natural. Igualmente, a opção preferencial pelos pobres é uma marca distintiva da história desta Conferência. O Papa Bento XVI afirmou que “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com a sua pobreza”. É a partir de Jesus Cristo que a Igreja se dedica aos pobres e marginalizados, pois neles ela toca a própria carne sofredora de Cristo, como exorta o Papa Francisco.

A CNBB não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político. As ideologias levam a dois erros nocivos: por um lado, transformar o cristianismo numa espécie de ONG, sem levar em conta a graça e a união interior com Cristo; por outro, viver entregue ao intimismo, suspeitando do compromisso social dos outros e considerando-o superficial e mundano (cf. Gaudete et Exsultate, n. 100-101).

Ao assumir posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, a CNBB o faz por exigência do Evangelho. A Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Isso nos compromete profeticamente. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada. Se, por este motivo, formos perseguidos, nos configuraremos a Jesus Cristo, vivendo a bem-aventurança da perseguição (Mt 5,11).

A Conferência Episcopal, como instituição colegiada, não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da Igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos.

Neste Ano Nacional do Laicato, conclamamos todos os fiéis a viverem a integralidade da fé, na comunhão eclesial, construindo uma sociedade impregnada dos valores do Reino de Deus. Para isso, a liberdade de expressão e o diálogo responsável são indispensáveis. Devem, porém, ser pautados pela verdade, fortaleza, prudência, reverência e amor “para com aqueles que, em razão do seu cargo, representam a pessoa de Cristo” (LG 37). “Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor” (Papa Francisco, Mensagem para o 52º dia Mundial das Comunicações de 2018).

Deste Santuário de Nossa Senhora Aparecida, invocamos, por sua materna intercessão, abundantes bênçãos divinas sobre todos.

Aparecida-SP, 19 de abril de 2018.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília – DF
Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

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19 abril, 2018

‘Cometi erros graves’, diz o Papa. ‘Peço perdão’.

A frase “Amar é nunca ter que pedir perdão” marcou mais do que o filme “Love Story“, no qual apareceu duas vezes. À primeira vista, as palavras pareciam belas, mas refletindo melhor não faziam nenhum sentido, principalmente para os cristãos.

IHU – O comentário é de Thomas Reese, jornalista e jesuíta, publicado por Religion News Service, 17-04-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O próprio pedido de perdão é uma expressão de amor. Pode expressar compaixão com alguém que sofre ou arrependimento por ter magoado alguém.

O que pode ser mais carinhoso?

Muitas vezes os advogados instruem seus clientes a nunca pedirem perdão para que isso não seja considerado um reconhecimento da culpa e da responsabilidade. Durante a crise de abuso sexual, bispos católicos que seguiram este conselho jurídico tiveram grandes problemas.

Figuras de autoridade muitas vezes têm medo de admitir seus erros para não prejudicar sua credibilidade. É por isso que muitos na Cúria Romana achavam que o Papa João Paulo II estava louco quando, na celebração de dois milênios do cristianismo, ele decidiu não apenas celebrar as realizações dos 2.000 anos de cristianismo, mas também pedir perdão pelos pecados da Igreja nesse período. Admitir isso, pensaram eles, enfraqueceria a autoridade da Igreja. Afinal, se a Igreja errou no passado, poderia errar também no futuro. Então por que as pessoas iriam segui-la?

Obviamente, aconteceu o contrário. João Paulo ganhou credibilidade e respeito por sua honestidade.

Em sua recente carta aos bispos chilenos, o Papa Francisco admitiu que cometeu “erros graves” em sua avaliação, ao lidar com a crise de abusos sexuais no país. Ele já havia defendido o bispo Juan Barros, que foi acusado de ter conhecimento do abuso do Rev. Fernando Karadima mas não fazer nada a respeito. Francisco disse que não havia provas. Ele mesmo acusou os acusadores do bispo de “calúnia”.

No final, Francisco tomou uma decisão acertada e enviou o arcebispo Maltês Charles Scicluna para investigar o caso. Scicluna é conhecido por ser um investigador obstinado, que persegue as evidências. Foi ele que encontrou evidências incriminatórias sobre o Rev. Marcial Maciel, um predador sexual e fundador dos Legionários de Cristo.

Scicluna é um dos poucos religiosos em quem as vítimas de abuso sexual confiam. Seu relatório de 2.300 páginas baseado em 64 entrevistas forçou o Papa a reconhecer, com “dor e vergonha”, as “muitas vidas crucificadas” dos que sofreram abuso.

Papa admitiu que estava errado e se desculpou. Não foi um “pedido de desculpas da boca para fora”, pois o Papa admitiu plenamente que tinha se equivocado.

“Cometi erros graves de avaliação e percepção da situação”, escreveu. Ele afirmou que foi por “falta de informação verdadeira e equilibrada”, mas que ainda assim o erro foi dele.

“Peço perdão a todos aqueles a quem eu ofendi”, declarou, “e espero ser capaz de fazê-lo pessoalmente, nas próximas semanas, nas reuniões que terei com os representantes das pessoas que foram entrevistadas”.

Papa convidou os bispos chilenos a irem a Roma para ajudá-lo “a discernir as medidas que devem ser adotadas a curto, médio e longo prazo para restabelecer a comunhão eclesiástica no Chile, no intuito de reparar o escândalo o máximo possível e restabelecer a justiça.”

Um papa não deve cometer erros. E se cometer, a Igreja tende a levar décadas — se não séculos — para admitir. Mas desde o início de seu papado Francisco admitiu que é pecador assim como todos os outros cristãos. Ele cometeu um erro, corrigiu, pediu perdão. Isso é ser cristão.

Os católicos devem lembrar que os sacerdotes e suas congregações começam cada Eucaristia com uma confissão de pecados: “Eu confesso a Deus Todo-poderoso e a vocês, meus irmãos e irmãs, que pequei muito em meus pensamentos e em minhas palavras, no que fiz e no que não fiz”.

Na Igreja Católica, amor significa sempre ter que pedir perdão.

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19 abril, 2018

“O que queremos é a coerência entre Palavra e Vida”.

Íntegra do pronunciamento feito pelo Prof. Hermes Rodrigues Nery a uma comissão de bispos, com a presença do Presidente da CNBB, Cardeal Dom Sérgio da Rocha, durante a 56ª Assembleia Geral dos Bispos:

Senhores Bispos e Cardeais,

Nós, CATÓLICOS, religiosos e leigos, pertencentes ao Movimento LEGISLAÇÃO E VIDA, vimos a presença de Vossas Excelências Reverendíssimas para solicitar que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), neste “Ano do Laicato”, dê atenção especial às graves denúncias que vêm sendo feitas sobre a instrumentalização política da Igreja para fins contrários à sã doutrina, e que exigem providências de esclarecimentos, o quanto antes. Estamos aqui representando muitos grupos de leigos católicos, também das redes sociais que nos procuraram, para vir pessoalmente expressar as inquietudes e apreensões de muitos católicos, e de diversas partes do País, que diante de tantos fatos expostos, de abusos cometidos, esperam dos bispos respostas claras sobre questões que precisam ser esclarecidas, para haver a coerência necessária entre Palavra e Vida, que todos nós, desejamos, enquanto fiéis católicos.

Dom Sérgio da Rocha e Hermes Rodrigues Nery.jpg

A cada dia cresce a indignação, a insatisfação, o mal-estar até, de muitos leigos, cada vez mais confusos com discursos ambíguos, atitudes incoerentes de muitos clérigos e agentes pastorais que ocupam postos de decisão na Igreja, especialmente pela falta de sintonia de tais discursos e atitudes com o Magistério da Igreja, e de modo mais preocupante, a instrumentalização política de pastorais e organismos eclesiais, para fins contrários aos princípios e valores da sã doutrina católica. Tudo isso vem se acumulando há décadas, mas chegando a um ponto de “perigo iminente” de fraturas no corpo da Igreja, com consequências danosas, já antes sinalizadas com a evasão dos fiéis. Os que ficaram resistem, com dificuldades crescentes, abandonados muitas vezes pelos pastores, que preferem o “politicamente correto”, ou os eufemismos de linguagem para disfarçar condutas que chocam cada vez mais os fiéis, especialmente os mais conscientes da verdadeira “missão profética da Igreja”. E aqui, recorrendo a Bento XVI: “Às vezes, abusa-se dessa expressão. Mas é verdade que a Igreja nunca deve, simplesmente, pactuar com o espírito do tempo. Tem de denunciar os vícios e os perigos de uma época; tem de interpelar a consciência dos poderosos, mas também dos intelectuais e daqueles que vivem, de coração estreito e confortavelmente, ignorando as necessidades da época etc. Todo bispo deve sentir-se “obrigado a cumprir essa missão”, pois são “flagrantes os déficits”: “desânimo da fé, diminuição das vocações, queda do nível moral, sobretudo entre as pessoas da Igreja, tendência crescente da violência e muitas outras questões”1. E ainda: “Lembro-me sempre das palavras da Bíblia e dos Padres da Igreja, que condenam, com grande severidade, os pastores que são como cães mudos e que, para evitar conflitos, deixam que o veneno se espalhe. A tranquilidade não é a primeira obrigação de um cidadão, e um bispo que estivesse interessado em não ter aborrecimentos e em camuflar, se possível, todos os conflitos, é para mim, uma ideia horrível”2.

Por isso, nós leigos, estamos aqui para dizer que as coisas não estão bem. Há muitos simulacros hoje dentro da Igreja. E a água está chegando à beira do balde. Temos o dever de fazer o alerta, e de exortar os bispos a não deixarem de dar a devida atenção àqueles que realmente tem compromisso e amor à Igreja. Por isso estamos aqui, para requerer dos bispos que aceitem tratar das questões espinhosas, para que tais espinhos não façam ferir ainda mais (e mais gravemente) o corpo da Igreja. Pois é certo, e os fatos comprovam com evidência, que nesse campo, a teologia da libertação (ou as “teologias da libertação”, pois há muitas faces dessa distorção) é hoje com mais força, um desses venenos, um câncer, um pus, dentro da Igreja, e se os bispos não tiverem a coragem de extirpar esse pus, os padecimentos serão ainda maiores. Os leigos sabem reconhecer o joio do trigo, senhores Bispos, e sabem que grassa mais joio do que trigo, e que não dá mais para dissimular o joio, e que as redes sociais não se calarão diante das incoerências e até das vilezas dos que se utilizam da Igreja para fins nada cristãos.

Durante muito tempo questionamos os motivos pelos quais tantos padres e bispos se silenciam diante do aparelhamento ideológico, deixando que paróquias e movimentos (Pastorais sociais, da juventude, etc.) fossem utilizados como espaços de propagação da teologia da libertação, que não havia sido minada, pelo contrário, era disseminada por outros meios (inculturação, ecumenismo, ecologismo e tudo mais), com padres e até bispos agindo como intelectuais orgânicos, gramscianos para difundir uma “outra Igreja” que não a católica. E o que vimos, ao longo de décadas, foram paróquias e movimentos se descaracterizarem, perderem a sua identidade católica, para servir a um projeto de poder que visa destruir a verdadeira fé. Os fatos mostram com evidência que a Igreja da América latina se comporta como braço social de partidos socialistas, há décadas. E o socialismo é condenado pela Igreja, desde o papa Pio IX. E mais: muitos clérigos abandonam os fiéis quando o socialismo irremediavelmente falha, com nos casos da Venezuela e de Cuba. Com o relativismo, o discurso de muitos foi ficando cada vez mais ambíguo, justificando assim uma subversão inimaginável.

Por isso, solicitamos aos bispos, que seja formado um Grupo de Trabalho ou uma Comissão de leigos e bispos, para o mapeamento dessa situação, o levantamento dessas questões que afligem os leigos e que levou, e que há anos o nosso Movimento vem denunciando e outros, por exemplo, o jovem Marco Rossi a denunciar, e outros que vem se manifestando para expressar a indignação de muitos, quanto aos abusos cometidos, como recentemente o youtuber Bernardo Kuster, em vários vídeos, expôs fatos graves, cuja realização do 14º intereclesial motivou tais denúncias e cujas respostas são aguardadas, com clareza.

“As perguntas do tipo [diz Kuster]: por que aqueles temas, aquela abordagem sobre gênero nas cartilhas da Via Sacra, que a CNBB fez, por exemplo, aquele apelo excessivo ao desarmamento que a CNBB fez nas cartilhas também da Via Sacra, que vai contra o Catecismo da Igreja Católica? Por que por exemplo, aquela nota que a ABONG emitiu e a CNBB não respondeu. A ABONG disse, no dia 26 de fevereiro, que ela mesmo administra os recursos da Campanha da Fraternidade, que ela recebe, e não a Plataforma, como disse a CNBB. A isso a CNBB também não respondeu, precisa dar explicações. Porque mandou dar dinheiro para uma organização favorável ao aborto, ao casamento homossexual, à liberação sexual, a reforma agrária, não do jeito correto, mas do jeito socialista? Ela precisa dar uma explicação sobre os repasses ao grupo Esquel, que é administrado pela ABONG, pelo MST, pela Cáritas, e a CNBB tem que responde também perguntas sobre a Cáritas. Por que a Cáritas tem como parceiro e apoiadores, empresas e organizações internacionais como a Fundação Ford, que notadamente trabalha contra a Igreja? Eles receberam milhares de dólares, nos últimos anos, e isso precisa sim de uma explicação. A CNBB precisa responder por exemplo, os repasses de 2013, que eu levantei em meus vídeos, que a CNBB passou dinheiro para sindicatos de trabalhadores. Por que isso CNBB? Isso não está respondido.” E ainda: “Os abusos litúrgicos cometidos no 14º Intereclesial, a excessiva e patente politização no 14º intereclesial, a isso a CNBB não respondeu. A completa omissão da CNBB, em relação à corrupção dos partidos como o PT, o PP, o PMDB, e os políticos que se dizem católicos envolvidos nisso, a CNBB também não se manifestou, o próprio documento da CONIC, da “Hospitalidade Eucarística”, que certamente coloca em dúvida a fé dos fiéis, causando confusão a respeito de sacrifício, a respeito da transubstanciação, a respeito da co-celebração, do ecumenismo, e ainda relacionado ao CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs), aqueles dois milhões que não foram prestadas as contas, cujo tesoureiro da CONIC, é da CNBB. A CNBB precisa explicar aquela afronta ao sacerdócio católico, naquele evento da quadragésima romaria da terra, no Rio Grande do Sul, em que duas pastoras celebraram uma missa, com vários bispos, como já foi denunciado no Brasil inteiro. A isso a CNBB tem que responder.”

Senhores bispos!

Estas questões, na verdade, são apenas pontas de um iceberg, de uma problemática muito mais vasta e mais profunda, que as informações que estão disponíveis hoje (e que cada vez mais um número crescente de pessoas tem acesso) levam os fiéis católicos às angústias e aflições, pois as evidências são cada vez mais claras do quanto a Igreja, aparelhada ideologicamente, vem sendo instrumentalizada para fins políticos contrários à sã doutrina católica.

Isso tudo precisa de um basta.

O que queremos é a coerência entre Palavra e Vida, fidelidade ao Evangelho, ao Magistério, ao Catecismo. A evasão de fiéis e as baixas nas contribuições se acentuarão se novas e mais denúncias vierem à tona.

Por isso, requeremos que seja feita uma Comissão de leigos e bispos para o aprofundamento dessa situação, e que deem respostas concretas aos questionamentos feitos, e ainda, quanto aos recursos financeiros, para que haja inteira transparência da destinação de tais recursos, propomos inicialmente que haja um Portal da Transparência, para que os fiéis católicos tenham informações precisas da destinação e origem dos recursos financeiros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, evitando assim o financiamento de OnGs e entidades que defendem princípios e valores contrários à fé católica.

Esperamos dos bispos respostas claras sobre as questões aqui colocadas, atendendo o nosso apelo pelo bem da Igreja que amamos, enquanto batizados, desejamos ser fiéis ao Evangelho, para o nosso bem e salvação.

Prof. Hermes Rodrigues Nery

Coordenador do Movimento Legislação e Vida

Notas:

1. Ratzinger, Joseph, O Sal da Terra, p. 67, Imago Editora, 1997, Rio de Janeiro.

2. Ibidem.

3. Kuster, Bernardo, Considerações sobre as Notas relacionadas à CNBB:https://www.youtube.com/watch?v=pezZ0WkxZIw

 

18 abril, 2018

Igreja em saída (da cadeia).

Bispo e padres acusados de desviar dízimo deixam a cadeia e são recebidos com festa em Formosa. Parentes e amigos esperavam saída dos religiosos na porta do presídio. Eles tinham sido presos em ação do MP que apura desvios de até R$ 2 milhões.

G1 – O bispo Dom José Ronaldo, acusado de liderar um esquema de desvio de dízimo na Diocese de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, deixou a cadeia após concessão de habeas corpus pela Justiça. Além dele, outros quatro clérigos e dois empresários foram soltos. Sorridentes, eles foram recebidos com festa por parentes e amigos, que entoavam cânticos religiosos na porta do presídio e deram uma salva de palmas quando houve a soltura (veja vídeo).

O alvará de soltura chegou à penitenciária por volta das 19h de terça-feira (17). Logo em seguida, eles foram liberados. Na saída, Dom José Ronaldo fez uma benção aos presentes, recebeu abraços de algumas pessoas e em seguida entrou em um carro de luxo e foi embora. Antes, ele foi abordado por diversos jornalistas, mas optou por não comentar as acusações.

Além do bispo, foram soltos o monsenhor Epitácio Cardozo Pereira, que era vigário-geral da Diocese de Formosa, os padres Moacyr Santana, Mário Vieira de Brito, Waldson José de Melo, e os empresários Antônio Rubens Ferreira e Pedro Henrique Costa Augusto, apontados como laranjas do esquema.

Apenas o juiz eclesiástico Tiago Wenceslau, também acusado de integrar o esquema, segue detido. O advogado dele, Thiago Pádua, disse que o caso não foi analisado devido à falta de algumas informações pertinentes ao processo. A apreciação deve ocorrer nesta quarta-feira (18).

A liberação dos acusados ocorreu após análise do habeas corpus pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO). A decisão dos desembargadores foi unânime. Eles tiveram os passaportes retidos e terão que comparecer em juízo uma vez por mês.

Prisões

Os acusados estavam detidos em uma ala isolada do recém-inaugurado presídio da Formosa. Eles foram presos no dia 19 de março, durante a Operação Caifás, deflagrada pelo Ministério Público. Além do dízimo, a apuração apontou que o grupo se apropriava de dinheiro oriundo de doações, arrecadações de festas realizadas por fiéis e taxas de eventos como batismos e casamentos.

 

As investigações sobre o desvio de dízimo começaram no ano passado, após denúncias de fiéis. Eles afirmaram que as despesas da casa episcopal subiram de R$ 5 mil para R$ 35 mil desde a chegada do bispo Dom José Ronaldo, em 2015. Na ocasião, o clérigo negou haver irregularidades nas contas da Diocese de Formosa.

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça foram usadas na apuração. O grupo teria comprado uma fazenda de gado, carros de luxo e uma lotérica com os recursos.

A operação culminou com apreensões em Formosa, Posse e Planaltina. Durante as apreensões, foi encontrado dinheiro escondido em fundo falso de armário.

Bloqueio de bens

O juiz Fernando Oliveira Samuel, da 2ª Vara Criminal de Formosa, determinou em 27 de março o bloqueio de bens dos seis clérigos, dois empresários e do secretário da Cúria. O limite é de até R$ 1 milhão por cada. Também foi autorizada a quebra do sigilo bancário e fiscal dos acusados.

Gestor temporário da Diocese de Formosa nomeado pelo Papa Francisco e arcebispo de Uberaba (MG), Dom Paulo Mendes Peixoto criticou o bispo preso e disse que recebeu “caixa vazio e com dívida”. A nomeação dele foi feita pelo Papa Francisco. Ele auxiliará nas atividades da paróquia da região até que seja nomeado um novo bispo.

A polícias apura outras acusações que surgiram contra o bispo fora do processo. Entre elas, está o uso de cartões da Igreja para compra de bebidas alcoólicas. De acordo com boletim de ocorrência, houve gasto de R$ 4 mil indevidamente.

Além disso, fiéis afirmam que Dom José Ronaldo aumentou em até 400% taxas de casamento quando assumiu a administração, em 2014. As mesmas informações chegaram ao MP-GO) por meio do depoimento de um dos padres que denunciou o esquema, mas, segundo o promotor, ainda não compõem uma apuração específica.

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17 abril, 2018

CNBB está empolgada.

“Um levantamento organizado pela Assessoria de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) demonstra um crescimento de acesso aos conteúdos, durante a primeira semana, produzidos na 56ª Assembleia Geral da entidade, realizada em Aparecida (SP), de 11 a 20 de abril, por meio de sua atuação nas principais redes sociais”, diz matéria no site da CNBB.

É a mais pura verdade! As imagens acima, de alguns comentários a uma matéria publicada pela página da Conferência no Facebook, mostram o ardente desejo do povo  fiel de que a CNBB deixe as ideologias de lado e pregue a sã doutrina Católica.

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15 abril, 2018

Foto da semana.

Milwaukee, EUA, 18 de fevereiro de 2018 – Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Santa Maria em Astana, Cazaquistão, pregou retiro quaresmal e celebrou Missa Pontifical para os fiéis do oratório de Saint Stanislau, do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote. À esquerda na foto (lado direito do bispo), vemos o padre brasileiro Heitor Matheus, ordenado em julho de 2016 pelo Cardeal Raymond Leo Burke.

14 abril, 2018

Coluna do Padre Élcio: O Bom Pastor.

Comentário ao Evangelho do 2º Domingo depois da Páscoa – Domingo do Bom Pastor – S. João X, 11-16

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 14 de abril de 2018

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Eu sou o bom Pastor.

Quem assim fala é Jesus – pastor por excelência, pastor que possui todas as qualidades, todas as perfeições para tornar feliz o seu rebanho, procurando-lhe todas as vantagens: : conhece suas ovelhas, guia-as, caminha à sua frente, defende-as, nutre-as e dá sua vida pelas suas ovelhas. Só Deus é bom em todo sentido da palavra.

Bom PastorAssim, propriamente falando, somente Jesus Cristo, Deus-Homem, é o Bom Pastor. Jesus é o Bom Pastor por antonomásia! Todos os outros pastores eclesiásticos, ou seja, bispos e padres, na expressão do Apóstolo (Hebr. V, 1), “estão cercados de fraquezas”. Mas, é claro, eles devem se esforçar por imitar o seu Mestre.

E como Jesus Cristo se mostra o bom Pastor? Dando sua vida por suas ovelhas; também os pastores eclesiásticos devem dar tudo o que têm e tudo o que são em prol das almas. Assim fazia S. Paulo e todos padres e bispos santos: “Empenhar-se e super se empenhar pela salvação das almas”. Um bom pastor, deve considerar que sua vida não lhe pertence, mas sim à ovelhas que lhe foram confiadas. Ele deve estar disposto a sacrificá-la nas perseguições, nas epidemias e no atendimento de pessoas com doenças contagiosas. É bem verdade que estas ocasiões não são lá tão comuns; não é mártir quem quer, mas há uma maneira de se imolar pelo seu rebanho, mais ordinariamente e no entanto, não menos heroicamente, isto é, não morrendo, mas vivendo pelas suas ovelhas. Deve consagrar suas orações (como os clérigos deveriam amar o seu Breviário!). São delegados por Deus a exercer este Ofício Divino! O bom pastor deve consagrar, outrossim, suas exortações, suas fatigas, os combates aos quais deve sustentar em defesa da fé e dos mandamentos de Deus. De bom ânimo deve estar preparado paras sofrer contradições.

Pois bem, estes sacrifícios de todos os dias, quase diríamos, de todos os momentos, este sacrifício de si mesmo, de todas as suas faculdades, de todas suas forças, é, na verdade, menos brilhante e talvez menos glorioso, e, no entanto, mais completo, mais penoso que o sacrifício rápido de sua vida, executado com um só golpe. Este dura só um instante, não exige mais que um esforço de coragem, enquanto que o outro dura anos inteiros, e exige uma sucessão ininterrupta de esforços e trabalhos.

“O mercenário, porém, e o que não é pastor, de quem não são próprias as ovelhas, vê vir o lobo, deixa as ovelhas, foge e o lobo arrebata e faz desgarrar as ovelhas, porque é mercenário, e porque não se importa com as ovelhas”. Ao lado do bom pastor, há, infelizmente, o pastor mercenário, que não leva em conta nas suas funções e na guarda de seu rebanho, senão  a recompensa e não  a salvaguarda das ovelhas que lhe são confiadas. Como antes de tudo a recompensa lhe é menos cara que a vida, ao primeiro perigo, ele abandona suas ovelhas, mesmo com o risco de perder o fruto de seus cuidados. Mas o bom pastor, aquele que olha não o salário de seus trabalhos, mas suas ovelhas, diante de algum perigo não abandona seu posto, e vindo o lobo ele se arma de seu cajado, se coloca à porta do aprisco, grita, bate, e se não é mais forte, sucumbe, mas mesmo sucumbindo, pelo grito que dá, pelos golpes de desfere, ele salva seu rebanho. Eis, caríssimos, a característica do bom pastor. Eis o que fez Jesus Cristo e o que fazem e devem fazer todos os pastores aos quais o Bom Pastor confiou o cuidado e a guarda de suas ovelhas. Não vos admireis que o bom pastor, tão doce com suas ovelhas, grite contra os lobos que se aproximam do rebanho, não vos admireis se ele resista, combata, faça guerra; porque ele deve fazê-lo e, de fato o faz mesmo às expensas de sua saúde, e até mesmo de sua vida. Ele segue o exemplo do Bom Pastor: “O Bom Pastor dá sua vida pelas suas ovelhas”.

O bom pastor quando vê vindo os lobos, isto é, os escândalos, as más doutrinas, os maus exemplos, os usos perniciosos, o comunismo, a Teologia da Libertação e seus corifeus; não guarda silêncio, não abre as portas ao mal, mas resiste ao escândalo e não dá lugar ao lobo rapace e não foge nunca da luta em defesa da verdade e da moral. Não é mercenário, não olha seus próprios interesses, não visa alcançar honrarias agradando à maioria. Só almeja salvar almas, nada mais. Caríssimos, como devemos lamentar a míngua de bons pastores!!! “Eu sou o Bom Pastor, eu conheço minhas ovelhas e minhas ovelhas me conhecem”. Eis o dever de um pastor de almas: de conhecer suas ovelhas, de
estender seus cuidados a todas, de as ver, de lhes falar, de as procurar, de as atrair pela sua doçura, pela sua caridade. Mas é também dever de as ovelhas conhecer o pastor, isto é, vir até ele, de escutar sua palavra, de obedecer às suas ordens, de seguir seus conselhos, de caminhar em seu seguimento, e é assim também que se estabelecem os bons relacionamentos entre o pastor e suas ovelhas, é assim que os laços que os devem unir se estreitam e que a paz, a piedade, a caridade reinem numa paróquia, e aí espalhem uma doce felicidade, antegozo daquela que nos aguarda no Paraíso. Por outro lado como é triste e lamentável ver como ovelhas desrespeitam e até perseguem seus pastores, pastores zelosos e fiéis à sua missão de salvar as almas!!! Onde isto acontece com frequência, este lugar ou fica amaldiçoado ou porque já o foi: “Seja anátema aquele que tocar nos meus ungidos e maltratar os meus profetas [aqueles que pregam a palavra de Deus] (Salmo 104, 15).

“Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; importa que eu as traga. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. Estas outras ovelhas eram as nações pagãs que deveriam entrar na Igreja e formar com os judeus o rebanho único de Jesus Cristo. Temos a felicidade de ser deste rebanho e isto deve ser para nós um motivo de grande reconhecimento. Quantos que estão fora do redil, que nunca aí entraram, ou que dele saíram pelo cisma ou pela heresia!

Caríssimos, permaneçamos portanto no rebanho onde Deus nos colocou, sob o cajado do bom Pastor, do Pastor supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ó Jesus, todo meu amor, dai-me, o Vosso ardentíssimo amor para que por ele, com a Vossa graça, Vos ame, Vos agrade, Vos sirva, cumpra os Vossos preceitos, não seja separado de Vós, nem no tempo presente nem no futuro, mas convosco permaneça unido no amor pelos séculos eternos. Amém!

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14 abril, 2018

“Ninguém na Igreja é dono da liturgia”.

Dom Armando Bucciol é bispo de Livramento – BA e presidente da Comissão de Liturgia da CNBB. Intervenção durante coletiva de imprensa na Assembleia Geral dos Bispos do Brasil 2018.

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