26 julho, 2016

Nice: prossegue a guerra de religião.

Artigo ainda mais atual, após o martírio de hoje do Padre Jacques Hamel.

Por Roberto de Mattei, Il Tempo, 16-07-2016 | Tradução: FratresInUnum.comO Papa Francisco tinha razão quando há mais de um ano afirmou que a Terceira Guerra Mundial já havia começado e que está sendo travada “em fragmentos”. Mas é preciso acrescentar que se trata de uma guerra de religião, pois os motivos dos que a declararam são religiosos e até os homicídios perpetrados em seu nome são de índole ritual.

Francisco qualificou o massacre de Nice de ato de violência cega. Ora, a fúria homicida que induziu o condutor do caminhão a semear a morte na orla marítima não foi um ato irracional de loucura, mas fruto de uma religião que incita ao ódio e instiga à violência. Os mesmos motivos religiosos desencadearam as carnificinas do Bataclan de Paris, dos aeroportos de Bruxelas e Istambul e do restaurante de Dacca. Por mais bárbaros que tenham sido esses atentados, nenhum deles foi cego, mas foi parte de um plano lucidamente exposto pelo Estado Islâmico em seus documentos.

O porta-voz do EI, Abu al-Adnani, em uma gravação difundida pelo Twitter em fins de maio, lançou um apelo ao assassinato na Europa em nome de Alá, com estas palavras: “Quebra-lhe a cabeça com uma pedra, assassina-o a facadas,  atropela-o, atira-o de um lugar  elevado, estrangula-o ou envenena-o.” E o Corão não se expressa de modo diverso ao falar dos infiéis. O que sim constitui sintoma de loucura cega é continuar fechando os olhos para esta realidade.  

É uma ilusão crer que a guerra ora travada não foi declarada pelo Islã ao Ocidente, mas que é uma guerra intestina do mundo muçulmano, e que a única forma de se salvar é ajudando o Islã moderado a derrotar o fundamentalista. Mas falar de Islã moderado é cair em contradição, porque os maometanos que se secularizam e se integram na sociedade ocidental deixam de ser muçulmanos, ou se tornam muçulmanos não observantes ou maus muçulmanos. Um verdadeiro muçulmano pode renunciar à violência por oportunismo, mas sempre considerará legítimo fazer uso dela contra os infiéis, porque assim ensina Maomé.

A guerra atualmente em curso é uma guerra contra o Ocidente, mas também contra o Cristianismo, porque o Islã quer substituir a Religião de Cristo pela de Maomé.  Por isso, o objetivo final de sua conquista não é Paris nem Nova York, mas Roma, centro da única religião que o Islã se propõe aniquilar desde a sua origem.  A guerra contra Roma remonta ao nascimento do próprio Islã, no século VIII. Roma era o objetivo dos árabes que em 830 e 846 ocuparam, saquearam e depois se viram obrigados a abandonar a Cidade Eterna. Roma era o ponto de mira dos muçulmanos que em 1480 decapitaram os 800 cristãos de Otranto e degolaram os nossos compatriotas em Dacca em 2016.

Trata-se de uma guerra religiosa, declarada pelo EI à irreligiosidade ocidental e à sua religião, que é o Cristianismo. E à medida que este se seculariza, vai abrindo caminho para seu adversário, que só pode ser derrotado por uma sociedade com uma identidade religiosa e cultural forte. Como observa o historiador inglês Christopher Dawson, o fator de coesão de uma sociedade e de uma cultura é o impulso religioso: “As grandes civilizações não dão à luz as grandes religiões como uma espécie de subproduto cultural; as grandes religiões são a base sobre as quais se sustentam as grandes civilizações. Uma sociedade que perdeu a sua religião está fadada a perder cedo ou tarde sua cultura.”

Esta guerra religiosa já é uma guerra civil europeia, porque se combate no interior das nações e das cidades de um continente invadido por milhões de imigrantes. Ouve-se com frequência que, face à invasão, devemos construir pontes em vez de levantar muros; mas só se defende uma fortaleza sitiada subindo a ponte levadiça, e não baixando. Alguns começam a dar-se conta.

As autoridades francesas previram a irrupção de uma guerra civil destinada a ser travada antes de tudo no interior dos grandes centros urbanos, onde a multiculturalidade impôs a impossível convivência de grupos étnicos e religiosos diversos. Em 1º de junho passado, um comunicado do Estado-Maior francês anunciou oficialmente a criação de uma força convencional do Exército, o Comando terrestre para o território nacional (COM TN), destinado a combater a jihad em território francês. Batizado de Au contact, o novo modelo estratégico se compõe de duas divisões sob um comando único, com um total de aproximadamente 77 mil homens dispostos a enfrentar o perigo de uma insurreição islâmica.

Ante esse perigo, além das armas materiais, utilizadas em todo conflito para exterminar o inimigo, são também e sobretudo necessárias as  armas culturais e morais, consistentes na consciência de que somos herdeiros de uma grande civilização que definiu sua identidade ao longo dos  séculos precisamente combatendo  o  Islã. Instamos respeitosamente o Papa Francisco, Vigário de Cristo, a ser o porta-voz de nossa história e de nossa tradição cristã face ao perigo que nos ameaça. 

26 julho, 2016

Papa: “dor e horror por ataque à igreja na França.

A Rádio Vaticano, fonte da matéria abaixo, diz que “não se conhecem os motivos do ataque”. O demissionário pe. Lombardi, porta-voz da Sala de Imprensa da Santa Sé, está tentando “entender o que aconteceu”. 

Rouen (RV) – Mais um episódio de violência imprevista e desconcertante esta manhã, na França: dois homens armados com facas entraram na igreja de Saint-Etienne de Rouvray, perto de Rouen, e tomaram como reféns o pároco, duas religiosas e dois fiéis durante a missa, por volta das 10h.

Um dos fiéis, segundo relatos, teria fugido e alertado a polícia, que circundou e fechou imediatamente a área. As informações são ainda fragmentárias, mas foi confirmado que um dos reféns, o pároco, foi degolado, e outro estaria entre a vida e a morte. Os dois criminosos foram mortos pela polícia.

Ambulâncias e outros meios de socorro ainda estão no local.

O presidente francês, François Hollande, e o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, estão a caminho da cidade.

O arcebispo de Rouen, Dom Dominique Lebrun, encontra-se na Polônia, com padres e grupos de jovens participantes da JMJ de Cracóvia. Segundo fontes locais, ele foi informado e deve retornar com urgência à sua diocese.

Por enquanto não se conhecem os motivos do ataque. O inquérito ao caso foi já entregue à procuradoria antiterrorismo, SDAT, e à direção geral de segurança interior (DGSI).

“É uma notícia terrível, que se soma a uma série de violências que nestes dias já abalaram todos nós, gerando imensa dor e preocupação. Acompanhamos a situação e aguardamos novas informações para tentarmos entender o que aconteceu”: é a declaração do porta-voz da Santa Sé, Padre Federico Lombardi.

“O Papa está informado e participa da dor e do horror por esta violência absurda, condenando radicalmente toda forma de ódio”, afirmou Pe. Lombardi aos jornalistas agora há pouco.

Segundo a Santa Sé, “o episódio abala ainda mais por ter ocorrido em uma igreja, local sagrado em que se anuncia o amor de Deus, onde foi barbaramente morto um sacerdote e envolvidos alguns fiéis”.

Ainda na declaração, Padre Lombardi manifesta a proximidade da Santa Sé à Igreja na França, à Arquidiocese de Rouen, à comunidade atingida e ao povo francês.

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25 julho, 2016

Outra Ave Maria pela nossa valorosa Gercione Lima.

Que hoje começou sua quimioterapia. Ave Maria.

25 julho, 2016

Drag queen distribui a Sagrada Comunhão em paróquia de Itaquera ao som de “Paula e Bebeto”.

E a barbárie de Itaquera continua, sob o olhar complacente do bispo diocesano Dom Manuel Parrado Carral.

Posts anteriores sobre a mesma paróquia:

DENÚNCIA: Paróquia de Itaquera a serviço da destruição da Igreja.

Folheto escandaloso atribuído a paróquia da diocese de São Miguel Paulista causa perplexidade em redes sociais.

A beata Chaui, da Diocese de São Miguel Paulista, SP.

Estadão repercute polêmico folheto de Paróquia da Diocese de São Miguel Paulista: ‹‹ Blog católico qualificou o texto como ‘escandaloso’ ››. Bispo permanece em completo silêncio.

Uma pergunta a Dom Odilo Scherer.

Isto é.

Hereges de Itaquera, seguros da impunidade. Será?

* * *

Por Ancoradouro – Albert Roggenbuck, criador da Drag Queen Dindry Buck, muito atuante em Itaquera, São Paulo, foi convidado pelos padres Paulo Sérgio Bezerra e Eduardo Brasileiro [Nota do Fratres: ao que nos consta, este último não é padre] para ministrar a homilia em uma das missas do novenário de Nossa Senhora do Carmo.

O presidente da Celebração Eucarística ainda concedeu ao drag queen o cálice com o sangue de Cristo para ser erguido durante a missa, função exclusiva do diácono ou concelebrante, e o chamou para distribuir a comunhão aos fieis, serviço designado também a um  sacerdote ou a ministros extraordinários que passam uma séries de formações para cumprir a função.

Ao blog Mural da Folha de São Paulo padre  Paulo Sérgio Bezerra explicou que falta ousadia no trato da homossexualidade na liturgia.  “há pouquíssimas iniciativas mais ousadas aqui e ali, no sentido da homossexualidade. É um tabu e tratar disso num contexto litúrgico, uma aberração e ‘heresia’ para certo tipo de catolicismo acostumado a sublimar isso como coisa impura, e abraçar o sacrifício como legítima vontade de Deus é a melhor forma de prestar-lhe louvor”.

Alberto destaca o momento mias emocionante da celebração: “Fui convidado para distribuir a comunhão e minha mãe recebeu o ‘Corpo de Cristo’ de minhas mãos, enquanto uma menina linda e talentosa cantava  ‘Paula e Bebeto’ de Milton Nascimento com o lindo refrão ‘Qualquer maneira de amor vale a pena’“, relembrou.

25 julho, 2016

Falando com as paredes.

Enquanto um cardeal profere toda uma conferência para fundamentar seu pedido de retorno à posição “ad orientem” como um regresso à centralidade de Deus, outro purpurado limita-se, em sua tacanhez cnbbística,  a dizer que, nessa posição, o sacerdote celebra “voltado para a parede”…

Reforma da Liturgia. De novo?

Dias atrás, falou-se na imprensa e em alguns ambientes eclesiais de uma eventual nova reforma da Liturgia na Igreja. Propagou-se que os sacerdotes deveriam celebrar novamente a Missa voltados “ad Orientem” (para o Oriente), que significa que deveriam celebrar voltados para a parede, em vez de voltados para o povo, como se fazia antes da reforma do Concílio Vaticano II. Além disso, a santa Comunhão deveria ser recebida ajoelhados e diretamente sobre a língua.

A questão surgiu depois de uma recomendação, aos sacerdotes, do cardeal Roberto Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplinados Sacramentos, na abertura de um encontro sobre Liturgia, em Londres. Não se tratou de um ato oficial da Santa Sé, mas de um desejo do Cardeal,preocupado com o significado da liturgia do Advento; por ser ele o encarregado do Papa para a Liturgia em toda a Igreja, sua palavra foi tomada poralguns como se já fosse uma decisão da Santa Sé, com o aval do Papa.

Missa de Dom Odilo na Catedral da Sé em São Paulo.

Uma missa de Dom Odilo na Catedral da Sé em São Paulo. “A reforma promovida pelo Concílio não autoriza nem avaliza cometer abusos na liturgia”.

Sem demora, acaloradas discussões sobre uma suposta “reforma da reforma litúrgica” tomaram conta de alguns setores eclesiais; para alguns, seria necessário rever a reforma litúrgica promovida pelo Concílio, nas diretrizes da Constituição Sacrosanctum Concilium (1963). Isso significaria, na prática, voltar à maneira de celebrar a Liturgia antes do Concílio Vaticano II; motivos para tal revisão seriam a “intocabilidade” das normas litúrgicas anteriores ao Concílio, os abusos e a “dessacralização” das celebrações litúrgicas, supostamente causados pelas reformas conciliares.

Depressa, porém, a questão foi esclarecida durante uma audiência do cardeal Sarah com o Papa Francisco; e, no dia 11 de julho, o Padre Lombardi, porta-voz da Santa Sé, emitiu um Comunicado oficial, com “alguns esclarecimentos sobre a celebração da Missa”. Com suas palavras, o cardeal Sarah não estava anunciando orientações diversas daquelas atualmente vigentes nas normas litúrgicas e nas palavras do próprio Papa sobre a celebração “de frente para o povo” e sobre o rito ordinário da Missa.

O Comunicado recorda as normas da Instrução Geral do Missal Romano, relativas à celebração eucarística: “O altar-mor seja erigido separado da parede, para ser facilmente circundável e para que nele se possa celebrar de frente para o povo, como convém fazer em toda parte onde isso for possível. O altar ocupe um lugar que seja, de fato, o centro para onde se volte espontaneamente a atenção de toda a assembleia dos fiéis. Normalmente, seja fixo e dedicado” (nº 299).

No Comunicado, ficou claro que não está em andamento nenhuma “reforma da reforma da Liturgia”. E até se recomendou que seja evitado o emprego da expressão “reforma da reforma litúrgica”, que pode induzir a equívocos sobre a validade da disciplina litúrgica vigente na Igreja.

Resolvida a questão, vale lembrar, no entanto, que a reforma promovida pelo Concílio não autoriza nem avaliza cometer abusos na Liturgia. A disciplina litúrgica é regulada pelo Magistério da Igreja; e, sem prejuízo da criatividade, das liberdades e alternativas previstas nos ritos, ninguémestá autorizado, por iniciativa própria, a mudar a forma das celebrações e as normas litúrgicas prescritas. Mas a reforma do Concílio também supõe e requer uma contínua e adequada formação litúrgica do povo de Deus.

O critério fundamental da reforma litúrgica do Concílio é que “todos os fiéis sejam levados àquela plena, cônscia e ativa participação das celebrações litúrgicas, que a própria natureza da Liturgia exige e à qual, por força do Batismo, o povo cristão (…) tem direito e obrigação” (SC 14). A atenção e fidelidade criteriosa às normas litúrgicas deve sempre ter em vista essa “participação plena, consciente e ativa” dos fiéis nas celebrações da Liturgia, para que possam receber os abundantes frutos dos sagrados Mistérios celebrados.

Quanto à maneira de comungar, os fiéis têm a liberdade de receber a sagrada Comunhão na mão ou, diretamente, na boca; também podem recebê-la de joelhos, ou em pé. O que importa, mais que tudo, é que a recebam com fé, a fé da Igreja no Sacramento da Eucaristia, e com aquela dignidade interior e devoção exterior que convém à Eucaristia.

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo metropolitano de São Paulo

Publicado no Jornal O SÃO PAULO  edição 3111 – De 20 a 27 de julho de 2016.

24 julho, 2016

Foto da semana.

Oratório de Londres, 6 de julho de 2016 – Dando o exemplo: o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina do Sacramento, celebra a Missa de Paulo VI “versus Deum”, por ocasião da conferência Sacra Liturgia, na qual apelou aos bispos e sacerdotes para que retomassem esta posição em suas celebrações.

23 julho, 2016

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Amor confiante (VI).

“O Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido” (Mt 18, 11).
“Sou Eu, não temais” (Lc 24, 36).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Continuação e término da Conferência do P. Mateo Crawley-Boevey

“Digo-vos mais: confiai, porque esse Jesus, que vos convida ao abandono, à Sua intimidade, vê mais claro que vós mesmos. Se vedes cem defeitos, Ele encontra mil e, não obstante, vos ama e vos chama. Seu amor não é, nem pode ser, como o de um amigo ou o de um noivo, um amor-ilusão, e sim fundamentado na verdade. Ele não vos quer porque imagine coisas diferentes da realidade, pois para Ele, na ordem moral, não há camuflagens. Ama-vos tais como sois. Daí a frase, tão feliz quanto ousada, de Santa Teresinha: “Que mau gosto tiveste, Jesus, querendo-me feia como sou… Não modifiques em nada esse mau gosto, para que não me exponha a ser substituída por um anjo”.

sagrado coração de jesusNa amizade terrena, o excesso de familiaridade revela misérias anteriormente desconhecidas. Por isso, desmoronam-se tantos carinhos, fundados em ilusões… Mas com Nosso Senhor a coisa é outra. “Jesus vos ama como ninguém e vos perdoa como ninguém – diz o famoso convertido inglês Pe. Faber – justamente porque vos conhece como ninguém”.

A Ele, jamais se surpreende, porque mesmo no santo, que faz milagres, pode-se ver o abismo de fragilidade que traz, no interior, o taumaturgo. Por isso mesmo também vos disse, há pouco, que se contenta,  Ele, que tudo vê, com grandes e santos desejos, pois melhor do que nós sabe que muitos deles, por sinceros que sejam, não são realizáveis. Mas vosso desejo já é a Seus olhos um ato de amor, quando sois sinceros e não vaidosos. Quanto são de fato desejos, e não caprichos ou devaneios.

“Paz, portanto, aos de boa vontade” (Lc  2, 30). Paz àqueles que compreenderam e saborearam quão bondoso é o Senhor! Paz aos que sabem, por experiência, que seu jugo é suave e leve a sua carga (Mt 11, 30). Muito mais que a preocupação exagerada, ainda que legítima de curar vossos males, tende a santa preocupação da Sua glória. “Preocupa-te de Mim, só de Mim, dizia Jesus a Santa Margarida Maria – e Eu me preocuparei de ti e de tudo que é teu”.

Há apóstolos que não compreendem ainda este grande espírito e gastam suspiros e tempo em pedir isto ou aquilo. Depois, quando já estão cansados, ajuntam: “Venha a nós o Vosso Reino”.

Não façais assim. Começai o trabalho da vossa santificação e do apostolado com este grito, vindo da alma: “Venha a nós o Vosso Reino, o reino do Vosso Coração, do vosso Amor”, e Ele dirá: “E Eu me encarrego de todos os teus outros interesses”. Por aí vedes quanto é ampla, segura, sólida e bela a doutrina do Coração de Jesus! Como se vive bem, luta-se, trabalha-se nesse santuário em que tudo é verdade, paz e força e gozo no Espírito Santo! Bebei à saciedade desse Coração “Fonte inesgotável de vida” e de amor misericordioso. Nele quero ter minha morada, minha escola, meu céu. Esse Coração me basta. Sou pobre, paupérrimo, mas nesse Coração não temo. São muitos aqueles que julgam ser árduo e dificílimo salvar-se. Eu, ao contrário, creio, raciocinando junto desta cátedra divina, luminosa, que não é tão fácil perder-se, pois que para isso é preciso romper as amarras que são os braços do Senhor, forçar a cidadela redentora que é Seu Coração.

Compenetrai-vos, zelosos apóstolos, desta grande doutrina, visto que não há novidades depois do Evangelho, mas que, por vontade explícita do céu, é todo um sistema doutrinário, toda uma espiritualidade, que envolve hoje a terra sob o título de “Reinado do Coração de Jesus”.

Vivei deste pão do amor e da confiança ilimitada, para depois dar essa mesma substância, verdadeiro maná, a muitas almas que têm um conceito mesquinho, desfigurado de Cristo Nosso Senhor.

Ardei na chamas do Coração Divino para, em seguida, queimar a outros. Confiai, vivei no abandono, para infiltrar em outros a confiança, alicerçada no Evangelho, na lei de Cristo, no espírito da Igreja.

Aos débeis, aos maus e pecadores, falai no mesmo tom de Jesus, como Jesus, como o Coração de Jesus. Ouvi como sentencia a pecadora que jaz aos Seus pés divinos: Mulher, “nem eu te condenarei. Vai e não peques mais” (Jo 8, 11).

Discípulos, aprendei as ideias, a linguagem, o estilo do Mestre!

Para terminar, um dos parágrafos mais admiráveis, em doutrina e eloquência, de Santa Teresinha: “Não vou a Deus pelo caminho da confiança e do amor por me julgar preservada do pecado mortal. Ah! Sinto-o perfeitamente, ainda que tivesse por sobre a consciência todos os crimes possíveis, não perderia nada da minha confiança; iria, com o coração destroçado pelo arrependimento, refugiar-me nos braços do meu Salvador. Bem sei quanto ama ao filho pródigo e já ouvi as Suas palavras a Santa Madalena, à mulher adúltera e à Samaritana. Não, ninguém poderá jamais amedrontar-me, porque sei a que ater-me, acerca do seu amor e sua misericórdia. Sei que toda essa multidão de ofensas desapareceriam num abrir e fechar de olhos, como uma gota d’água lançada sobre brasas ardentes” (História de uma alma).

Término.

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22 julho, 2016

Grupo de intelectuais católicos apelam ao Papa para repudiar ‘erros’ em Amoris Laetitia.

Por Edward Pentin – National Catholic Register, 11 de julho de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Um grupo de estudiosos católicos, prelados e clérigos enviou um apelo ao Colégio dos Cardeais pedindo que eles solicitem do Papa Francisco um “repúdio” ao que eles vêem como “proposições errôneas” contidas na Amoris Laetitia.

Em um comunicado divulgado hoje, os 45 signatários do apelo dizem que Amoris Laetitia – o documento pós-sinodal do Papa (documento de síntese) sobre o recente Sínodo sobre a Família, que foi publicado em abril – contém “uma série de declarações que podem ser entendidas num sentido contrário à fé católica e à moral”.

O documento de 13 páginas, traduzido em seis idiomas e enviado ao cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio dos Cardeais, bem como 218 cardeais e patriarcas individuais, cita 19 passagens na exortação que “parecem entrar em conflito com doutrinas católicas”.

Os signatários – descritos como prelados católicos, estudiosos, professores, autores e clérigos de várias universidades pontifícias, seminários, faculdades, institutos teológicos, ordens religiosas e dioceses de todo o mundo – então prosseguem com uma lista de “censuras teológicas aplicáveis especificando a natureza e grau dos erros” contidos na Amoris Laetitia.

Uma censura teológica é um juízo sobre uma proposição concernente à fé católica ou a moral como contrária à fé ou no mínimo duvidosa.

A declaração diz que aqueles que assinaram o apelo fizeram a solicitação ao Colégio dos Cardeais, na sua qualidade de conselheiros oficiais do Papa,  para que “se aproximem do Santo Padre com um pedido: que ele repudie os erros listados no documento de forma definitiva e final, e afirme com autoridade que Amoris Laetitia não requer que se creia em qualquer um desses itens, ou que sejam considerados como possivelmente verdadeiros”.

“Nós não estamos acusando o Papa de heresia”, disse Joseph Shaw, um dos signatários do apelo e que também está atuando como porta-voz para os demais autores, “mas consideramos que numerosas proposições da Amoris Laetitia podem ser interpretadas como heréticas se fazemos uma leitura natural do texto. Declarações adicionais cairiam no campo de outras censuras teológicas estabelecidas, como escandalosas, errôneas em matéria de fé e ambíguas, entre outras”.

Tal é o clima em grande parte da Igreja de hoje, que um dos principais organizadores do apelo disse ao Register que a maioria dos signatários prefere permanecer anônimos porque “temem represálias, ou estão preocupados com repercussões em sua comunidade religiosa, ou têm uma carreira acadêmica e uma família e temem que possam perder os seus empregos”.

Entre os problemas citados na exortação, os signatários acreditam que Amoris Laetitia “mina” o ensinamento da Igreja sobre a admissão dos católicos divorciados e recasados civilmente aos sacramentos. Eles também acreditam que ela contradiz o ensinamento da Igreja de que todos os mandamentos podem ser obedecidos, com a graça de Deus, e que certos atos são sempre errados.

Shaw, um acadêmico da Universidade de Oxford, disse que os signatários esperam que, “ao buscar do nosso Santo Padre um repúdio definitivo desses erros, nós podemos ajudar a dissipar a confusão já provocada pela Amoris Laetitia entre os pastores e os fiéis leigos”.

Essa confusão, ele acrescentou, “pode ser dissipada eficazmente apenas por uma afirmação inequívoca do autêntico ensinamento católico pelo Sucessor de Pedro”.

Várias interpretações e críticas a Amoris Laetitia se seguiram à sua publicação. Em particular, cardeais têm debatido se o documento é magistério ou não.

O Cardeal Christoph Schönborn, que apresentou o documento em abril, acredita firmemente que é, ao dizer à Civilta Cattolica na semana passada que “não faltam passagens na Exortação que afirmam fortemente o seu valor doutrinário e de forma decisiva.”

O Cardeal Raymond Burke, no entanto, acredita que o documento contém passagens que não estão em conformidade com os ensinamentos da Igreja e é, portanto, não magisterial, algo que o Papa Francisco “deixa claro” no texto.

Na semana passada, o arcebispo Charles Chaput, da Filadélfia emitiu orientações pastorais para a implementação da Amoris Laetitia em que ele esclareceu passagens na exortação que parecem ambíguas no cuidado pelas almas dos católicos que vivem em situações difíceis ou objetivamente pecaminosas. Dom Chaput fez parte da delegação americana de padres sinodais no Sínodo sobre a Família em outubro passado.

21 julho, 2016

Schönborn, novo prefeito para a Doutrina da Fé?

Aumentam os rumores sobre mudanças na Cúria Romana após o verão europeu. Rodríguez Maradiaga poderia dirigir o novo dicastério para os Leigos, Família e Vida.

Por Cameron Doody, 18 de julho de 2016 – Periodista Digital | Tradução: FratresInUnum.com:  Neste mês setembro, depois da JMJ em Cracóvia e das férias gerais de verão em Roma, poderiam ocorrer novas e importantes mudanças de pessoal no Vaticano. Entre elas seria a possível nomeação do cardeal Christoph Schönborn – a quem em vez do cardeal Gerhard Muller, o Papa Francisco confiou a apresentação da exortação apostólica Amoris laetitia – como novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

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Schönborn com Amoris Laetitia

O primeiro passo será a substituição do cardeal Stanislaw Dziwisz, atual arcebispo de Cracóvia, por motivos de idade.  Espera-se que seu posto à frente da arquidiocese polonesa seja ocupado pelo cardeal Stanislaw Rylko – outro filho espiritual de São João Paulo II – porém, permaneceria a incógnita de quem substituiria Rylko na presidência do Conselho Pontifício para os Leigos, organismo que está a ponto de incorporar-se aos Conselhos para a Família e à Pastoral da Saúde.

Para dizer de outra maneira: a aposentadoria de Dziwisz poderia ser a ocasião perfeita para que o Papa Francisco implemente as mudanças de pessoal que durante muito tempo se espera, porém que foram frustradas por resistências na Cúria.

O nome que mais se ouve para o novo dicastério de Leigos, Família e Vida – ente que resultará da fusão dos antigos Conselhos Pontifícios – é o do cardeal Óscar Maradiaga, um dos aliados mais importantes do Papa Francisco e seu colaborador estreito no Conselho de Cardeais.

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Maradiaga

Francisco também terá que encontrar substituição para o cardeal Angelo Amato – atual Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, que já tem 78 anos – e este poderia materializar-se na pessoa do arcebispo Angelo Becciu, agora substituto ou vice Secretário de Estado do Vaticano. Esta reestruturação se completaria com a nomeação do arcebispo Gabriele Caccia, até então núncio no Líbano, como novo vice de Pietro Parolin.

Porém, talvez a nomeação que cause mais impacto no Vaticano seja a do cardeal Christoph Schönborn como novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, uma especulação que vem ganhando credibilidade, ao menos, por dois motivos: em primeiro lugar, a confiança que o Papa Francisco continua lhe depositando e, em segundo lugar, a aposentadoria, já faz algumas semanas, do cardeal Karl Lehmann, arcebispo de Mainz, cidade que poderia ser o novo destino do cardeal Gerhard Müller.

A volta de Muller para casa poderia ser interpretada como uma punição, porém, talvez o purpurado alemão não encare necessariamente dessa forma: o arcebispado de Mainz continua sendo um cargo de prestígio na igreja alemã e, de fato, Müller cursou seu doutorado com Lehmann na universidade da capital do estado de Rhineland-Palatinate.

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Müller

20 julho, 2016

Falece Carmen Hernandez, iniciadora do Caminho Neocatecumenal.

Madri (RV) – Faleceu terça-feira (19/07) aos 85 anos, em Madri, Carmen Hernandez, que iniciou com Kiko Arguello o Caminho Neocatecumenal na Espanha na década de 60.

Esta realidade da Igreja foi concebida como um ‘percurso de formação católica ou fundação de bens espirituais’, uma forma atual da dinâmica das primeiras comunidades cristãs.

Acordar, tomar café, fazer uma caminhada e... dar uma palavrinha com o Papa. Eis o protocolo dos líderes do Caminho Neocatecumenal: Bento XVI recebe, respectivamente, “Kiko” Argüello, Carmen Hernández e Pe. Mario Pezzi, em 13 de novembro passado, para receber informações sobre a próxima Jornada Mundial da Juventude. Fonte: Santa Iglesia Militante.

Carmen Hernández e fundadores do movimento Caminho Neocatecumenal visitam Bento XVI em 2010.

Vocação missionária

Nascida em Ólvega, depois de se formar em Química ingressou no Instituto das Missionárias de Cristo Jesus e obteve um mestrado em teologia. Tornou-se catequista entre trabalhadores imigrantes, na periferia madrilena, ao lado de Argüello, na década de 60.

O relacionamento de amizade entre ambos, ao qual se somou Padre Mario Pezzi, foi o alicerce da nascitura obra do Caminho Neocatecumenal. Da periferia de Madrid, parte para o anúncio nas paróquias; da Espanha passa à Itália e a ação começa a se organizar com um verdadeiro catecumenato pós-batismal.

O Caminho no mundo

Hoje existem 30 mil comunidades neocatecumenais em 120 países do mundo e somam cerca de um milhão de membros.

Em 1º de julho passado, o Papa recebeu Argüello e Pe. Pezzi no Vaticano e juntos, telefonaram para Carmen, em Madri, para encorajá-la, nos seus últimos dias de vida.

Os funerais serão quinta-feira, 21 de julho, às 18h, na Catedral da Almudena, em Madri, presididos pelo arcebispo, Dom Carlos Osoro Sierra.