23 abril, 2019

Eleições CNBB 2019. Jayme Spengler: a carta na manga?

Por FratresInUnum.com, 23 de abril de 2019 | Não, nós não nos esquecemos dele. Acontece que precisamos proceder por partes (ver artigo anterior) e, agora, nos toca falarmos do exímio candidato daquela que os próprios bispos da CNBB chamam jocosamente de “A máfia franciscana”.

Sim, é ele mesmo: Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada.

Dom Jaime Spengler

Muito chegado à Nunciatura Apostólica no Brasil, o temido Dom Jaime foi o inquisidor nomeado para investigar a conduta dos Arautos do Evangelho (dizem que militou nas fileiras da TFP durante sua juventude), trabalho que executou com muita dedicação, com vistas a agradar bastante o Papa Francisco e – quem sabe? – receber dele um barrete cardinalício.

De fato, não é de hoje que correm boatos de que ele sucederia Dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador e, portanto, arcebispo primaz do Brasil, mas a quem a misericórdia do papa argentino resolveu não outorgar o cardinalato. Spengler, ao contrário, foi bem mais “franciscano” e já garantiu as graças do pontífice reinante antes mesmo de ser “promovido”… Afinal de contas, “é dando que se recebe”, não é mesmo?

Rumo ao pódio cardinalício, Spengler pretenderia, antes, conquistar a presidência da CNBB? Embora Dom Leonardo Steiner, também franciscano, possa ter pretensões de perpetuar-se no poder sobre os bispos – tudo em nome do famoso “Reino”, entenda-se! –, é possível que tanto ele quanto Dom Walmor sejam apenas usados para a se destruírem e deixarem o lugar para Spengler. A propaganda eleitoral já começou.

Da ala de “centro-direita”, espera-se alguma articulação envolvendo Dom Orani Tempesta e seu bispo auxiliar, Dom Joel Portela, que, sussurram nos corredores, seria o candidato de consenso para Secretário Geral. Não surpreenderia se, no caos, surgisse o nome de Dom Odilo Scherer para apaziguar os ânimos de um episcopado cada vez mais dividido e em completo descrédito.

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20 abril, 2019

Coluna do Padre Élcio: Surrexit, alleluia! Ressuscitou, aleluia!

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Uma Feliz e Santa Páscoa a todos!

Pelas três horas da tarde, na sexta-feira Santa, estando tudo consumado, inclinando a cabeça Jesus rendeu o espírito. Suspenso entre o céu e a terra Jesus estava realmente morto. A obra ímpia dos filhos das trevas estava consumada. O Salvador do mundo tinha exalado o último suspiro. Seu corpo, descido da cruz, tinha sido colocado num sepulcro. Os fariseus triunfavam. Viram a seus pés o cadáver ensanguentado e inânime de Jesus a quem tanto odiavam. Nos arraiais dos escribas e fariseus a alegria era geral, embora mesclada de um certo temor. Pois Jesus tinha ressuscitado o jovem de Naim, a filha de Jairo e Lázaro. E isso agora pouco importaria se Jesus não tivesse também predito sua própria ressurreição: “Ao terceiro dia o Filho do Homem ressurgirá”. Sua desconfiança, portanto, não era de todo infundada. Impunha-se máxima cautela.

Antes prevenir que remediar. Cuidadosos, fariseus e escribas puseram guardas em redor do túmulo. Selaram a tampa com o selo da nação. Deixaram ordens severas ao pelotão dos soldados. Retiraram-se satisfeitos.

Vede homens cegos e insensatos, quereis ligar o Verbo Eterno. Credes selar para todo sempre nas entranhas da terra a Religião de Cristo!?

Três dias depois, era de madrugada. As estrelas iam desmaiando uma após outra na cúpula celeste. Meigos clarões de uma linda aurora purpurizavam as nuvens. Os passarinhos começavam a pipilar nos arbustos. O sol não tardaria a dourar os píncaros do Calvário.

E eis que a terra treme, a pedra sepulcral é retirada, os guardas caem por terra como mortos. Jesus Cristo sai glorioso do túmulo. Surrexit! Ressuscitou! Sua alma pelo poder da divindade unira-se de novo ao  corpo, o qual se levanta majestoso, saindo triunfante do sepulcro. Surrexit! Alleluia! Ressuscitou! Aleluia! Que palavra!!! meus irmãos!!! Vinte séculos são passados que ela se fez ouvir pela primeira vez sobre um túmulo vazio. Um anjo a disse a algumas mulheres, estas a alguns discípulos e estes a toda Jerusalém. De Jerusalém ela passou pelas nações e percorreu rapidamente a terra inteira. E sob a ação desta palavra tudo se muda: o velho mundo desmorona-se, os velhos costumes caem-se, um mundo novo se eleva, novos costumes florescem. A humanidade regenerada sente um sangue novo circular em suas veias.

 Surrexit! Ressuscitou! E depois, cada ano, num dia marcado a Igreja repete esta palavra. Ela a canta em seus cânticos. Ela a diz em suas orações. Ela a proclama em seus ensinamentos. Ela a lança com entusiasmo nas abóbodas de seus templos. E os ecos sagrados, a voz dos fiéis e os instrumentos religiosos a repetem: Surrexit! Ressuscitou! Alleluia, Alleluia! A esta palavra o gozo renasce em todos os corações, a felicidade se pinta em todos os olhares, o luto da Santa Quaresma desaparece. Os altares se cobrem de flores, os sacerdotes entoam novamente seus cânticos de alegria. Alleluia! Repicam os sinos nos céus de primavera em cada ângulo do mundo, sob todas as latitudes!!!

Mas, caríssimos e amados irmãos, por que este gozo universal? É porque a Ressurreição de Jesus Cristo é a pedra angular do Cristianismo. Jesus ressuscitou! Tudo está aí contido: Dogma, Culto, Moral. Se Jesus Cristo ressuscitou, nossa fé é certa, nossa esperança é segura, nossa Religião é divina.

Mas não é este o único motivo de nossa alegria e extraordinário júbilo neste santo dia: A Ressurreição de Jesus Cristo é também o penhor e ao mesmo tempo o modelo de nossa ressurreição futura. E este pensamento leva ao auge a nossa felicidade. Jesus Cristo ressuscitou, logo nós ressuscitaremos também e nas mesmas condições e com a mesma glória, é claro, segundo nossa medida limitada de  puras criaturas. Assim, que a nossa carne se desfaça no pó do qual veio, nós não nos inquietaremos. Um dia ela se elevará deste mesmo pó cheia de vida e gloriosa. O próprio Jesus garantiu que os justos brilharão como o sol.

Jesus Cristo pôde ressuscitar a Si mesmo, Ele poderá ressuscitar também a nós. Nenhuma voz mortal, nenhuma voz divina, nenhum profeta, anjo algum Lhe disse: Levantai-Vos. Nenhuma mão estranha desligou as faixas que prendiam seu sudário. Só, no silêncio da noite rompeu as portas da morte, sozinho a abateu e venceu. Ora, o que Ele pôde para Si, não poderá para nós? Nossa carne não é porventura da mesma natureza que a Sua? Nosso corpo não é semelhante ao seu Corpo? Não disse Ele: “Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim e Eu nele; e Eu o ressuscitarei no último dia?

Depois, Jesus mesmo prometeu: ” Eu sou a Ressurreição e a Vida. O que crê em mim, ainda mesmo que tenha morrido, viverá e todo homem que vive e crê em mim não morrerá para sempre”.

São Paulo exclama: “Si compatimur ut et conglorificemur”. Se sofremos com Cristo para que com Ele sejamos igualmente glorificados”. Jesus Cristo é a nossa Cabeça e nós somos seus membros. Nossas mãos como as de Jesus devem distribuir benefícios sobre os homens; nossos pés, a exemplo dos Seus, devem correr a procura de nossos irmãos que se extraviaram. Nosso corpo todo inteiro como nossa alma deve se entregar às obras de piedade e de misericórdia. Pois bem, este corpo assim oferecido em vítima para a glória de Deus e ao bem das almas, estas mãos que tantas vezes depositaram o bálsamo nas chagas dos feridos, estes pés que levaram a consolação e a esperança nos tugúrios dos pobres e dos infelizes; estes pés tão belos que levaram o Evangelho às nações bárbaras; estes pés e estas mãos, este corpo, serão então para sempre cinza e pó e, depois de ter participado dos trabalhos do Corpo Mistico de Jesus Cristo, eles também não participarão da Sua glória?

Tanto no pensamento do grande Apóstolo como no pensamento de todos os cristãos, o dogma de nossa ressurreição futura está estreitamente ligado ao dogma da Ressurreição de Jesus Cristo. Um é a consequência rigorosa, necessária do outro.

Mas a Ressurreição de Jesus Cristo não é somente o penhor de nossa ressurreição. Ela é também o modelo da nossa.

Jesus sai do túmulo, inteiramente outro. Sai com seu corpo revestido com todos os dotes de um corpo glorioso. Não mais sujeito à dor, à enfermidade, à morte. Seu corpo ressuscitado é ligeiro como o espírito, penetrável, entrará no Cenáculo estando as portas fechadas. Todo ele revestido de glória e resplendente de luz, deslumbrará seus discípulos por aparições inesperadas. Ora, caríssimos irmãos, todas estas qualidades constituirão os dotes dos nossos corpos ressuscitados. Não haverá mais lugar para a morte. Esta foi tragada na vitória de Cristo. Nossos corpos terão por abrigo as abóbodas celestes, por vestes a luz deslumbrante do paraíso; por alimento, a eterna vista e eterna posse de Deus.

Alleluia! Alleluia! Regozija-te, portanto, ó minha carne no dia da Ressurreição de Jesus! Este dia é o anúncio de tua regeneração e de teu triunfo. Este dia é verdadeiramente o dia que fez o Senhor. Nossa alma está na alegria, nosso corpo cheio de esperança!

Não! Não! a separação de minha alma e de meu corpo não será eterna. Estes dois seres, tão longo tempo e tão estreitamente unidos se reunirão um dia. Quando a alma se separar com tanta pena do corpo que ela anima, o adeus que ela lhe diz não é um adeus sem esperança. Eles se tornarão a ver, se reencontrarão um dia. Ao som de trombeta angélica a alma acorrerá sobre este túmulo onde repousa seu mortal invólucro. Ela chamará seu companheiro bem amado; e a esta voz conhecida, o corpo se levantará do pó e se unirá em fraternais amplexos a alma, sua cara companheira.

Eis, caríssimos irmãos, o que a solenidade deste dia nos anuncia. Jesus Cristo saindo radioso do túmulo nos diz: Vede-Me. O que Eu sou, vós sereis um dia. Aleluia! Aleluia!

Uma mãe, a quem havia pouco, tinham morrido dois filhos, ouviu falar do juízo final e da ressurreição da carne.  – “Portanto – dizia ela extasiada – meus dois filhos eu os verei ainda, ainda poderei acariciá-los. Ver-lhes-ei os seus rostos, beijá-los-ei ainda; porém, não mais chorando, como os beijei, frios, frios, antes de os recompor no caixão. Mas quando será? “Quando as trombetas dos anjos soarem a hora do juízo final!”

E quase impaciente por tornar a ver seus filhos, aquela mãe disse: “E por que não é amanhã este dia?”

Caríssimos irmãos! Quem é que não chora algum parente defunto! Talvez sua mãe, talvez um irmão, talvez o esposo? Quantas vezes não vos assaltou um desejo veemente de lhes rever as feições, de olhar nos olhos tristes, de tornar a ouvir-lhes a voz qual a ouvíamos em horas felizes?

Pois bem! O mistério da Páscoa dá-nos um grande consolo. Revê-lo-emos, tornaremos a ver não só os seus espíritos mas também os seus corpos gloriosos; revê-lo-emos como os havemos conhecido e amado na terra.

Os santos sorriam na hora da morte. E tinham razão. Para o cristão que procura imitar a Cristo, a morte não passa de uma breve separação entre a alma e o corpo. É a alma que saúda seu corpo: Até breve irmão, combatemos juntos, estás cansado, deixo-te repousar. Depois de teu breve sono, ao soar da trombeta angélica, voltarei para te retomar, mas para gozares sempre, sem mais te cansares.

Ressurgiremos! Este é o grito de Jó: “Sei que o meu Redentor vive. Mas também sei que no último dia eu também ressurgirei para O ver com estes meus olhos!”

Preparemo-nos, caríssimos irmãos, para a gloriosa ressurreição dos corpos, ressurgindo do pecado e da tibieza.

Se caímos em algum pecado, comecemos tudo de novo. Confessemo-lo arrependidos.

O rei Felipe II de Espanha velou uma noite inteira para escrever ao Papa uma carta de suma importância. Quando acabou, distraído pela fadiga e pelo sono, em vez de derramar nela a areia para enxugar; derramou a tinta. Felipe II empalideceu, mas depois recolhendo a sua coragem disse: “Comecemos de novo”.

Oh! Se na nossa vida tem havido momentos de sono e distração em que havemos derramado a tinta dos pecados na nossa alma, hoje que é Páscoa, é justamente o momento oportuno de dizermos: Comecemos de novo! Amém! Assim seja!

Publicado originalmente na Páscoa de 2018.

18 abril, 2019

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18 abril, 2019

Hora Santa: Quinta-Feira Santa e a prisão do Sacrário.

Accipite, et manducate ex hoc omnes...

Temos a honra de publicar esta belíssima Hora Santa composta especialmente para o dia de hoje pelo Padre Mateo Crawley-Boevey, membro da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. Tendo sido curado milagrosamente no Santuário das aparições do Sagrado Coração a Santa Margarida Maria em Paray-le-Monial, França, Pe. Mateo decidiu então conquistar os lares, sociedades e nações para o Sagrado Coração. Com ordens de São Pio X, iniciou sua cruzada pela Entronização do Sagrado Coração nos lares. Por quarenta anos percorreu o mundo promovendo suas famosas Horas Santas, implorando às famílias cujos lares já eram consagrados ao Sagrado Coração que não deixassem Nosso Senhor solitário, especialmente nas quintas-feiras que antecediam a primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração. Até sua morte em 1960, Padre Mateo, o grande Apóstolo do Sagrado Coração, lançava em suas publicações apelos pela Comunhão reparadora, freqüente e diária, a devoção ao Santo Rosário e até mesmo o reconhecimento pela ONU dos direitos de Cristo Rei.

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15 abril, 2019

A Igreja arde.

FratresInUnum.com, 15 de abril de 2018 – Pelo que se noticia, o fogo foi controlado e a estrutura de Notre Dame, pelo visto, está a salvo. Conseguiram retirar o Santíssimo Sacramento a tempo, bem como as relíquias sacras (inclusive a da Coroa de Espinhos). Por enquanto, dizem que o fogo foi originado nos locais onde se estava fazendo restauração. Pelo visto, pode ser um acidente… ou um maometano.

Parece um sinal a nos dizer que o mínimo essencialmente necessário está a salvo: o Senhor e as relíquias — enquanto o exterior da Igreja ruiu. A Igreja Católica arde em chamas, mas o Senhor não nos deixou. Apesar dos modernistas, dos hereges de todas as estirpes. Exsurge Domine!

 

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14 abril, 2019

Bento XVI e o Outro.

Uma carta que abalou um pontificado.

FratresInUnum.com, Domingo de Ramos, 14 de abril de 2019 Representantes de todas as Conferências Episcopais reunidos sob a presidência de Francisco, vítimas de abusos sexuais em depoimentos emocionantes, cerimônias sentimentais calculadas para provocar comoção mundial, jornalistas de todo o mundo mobilizados, coletivas de imprensa diárias, artigos e mais artigos, fotografias cuidadosamente selecionadas… E um simples ensaio de Bento XVI consegue causar um estrondo muito maior, em apenas 18 páginas.

Na última semana, ganhou projeção internacional o breve escrito do Papa Bento XVI sobre “A Igreja e o escândalo do abuso sexual”. Em três breves pontos, o lucidíssimo texto simplesmente reduziu a zero todas as iniciativas de fachada promovidas por Francisco, o qual evitou cuidadosamente tratar do núcleo da questão levantada por Bento: a revolução sexual e o relativismo moral que penetraram na formação dos candidatos ao sacerdócio, sob o ativismo de grupos homossexuais no clero. Francisco preferiu reputar a responsabilidade dos abusos ao clericalismo, aos jogos de poder, diluindo toda a questão em generalidades abstratas.

O resultado da Cúpula convocada por Bergoglio foi simplesmente nenhum: uma reunião inconcludente, que apenas serviu como tentativa para anestesiar os ânimos.

O entourage de Francisco recebeu o golpe e já começou a agir. Em reação à imediata acolhida positiva e aliviada por grande parte dos fieis, como acontece em todas as ditaduras, o partido bergogliano já começou a mobilizar-se para, nada mais, nada menos que censurar o pontífice alemão. É isso, mesmo! Querem calar Bento XVI, o Papa que durante anos foi o defensor da fé!

No site Vatican Insider, Domenico Agasso escreveu um artigo no qual chega a afirmar que “o Vaticano ficou pequeno demais para dois papas” e Massimo Faggioli se atreve a dizer que o ensaio escrito pelo Papa Bento XVI cria uma “questão constitucional” na Santa Sé, chegando a declarar que “o Papa emérito é novo para a Igreja como instituição e pode funcionar bem, sem particulares regulamentações ou estatutos jurídicos, apenas se ficar invisível”. Querem assassinar juridicamente Bento XVI, mediante a censura institucional mais covarde que já se viu. Por que?

A receptividade dos fieis ao texto de Bento XVI revela a falta de legitimidade e o desprestígio em que este pontificado voluntariamente se jogou. É verdade que, lamentavelmente, Bento XVI renunciou ao pontificado, mas o fez de modo papal e, mesmo retirado num mosteiro dentro do Vaticano, é reconhecido como papa, goza de autoridade intelectual e moral sobre os fieis; enquanto o pontífice argentino, ao sentar-se à Cátedra de Pedro, atua de modo totalmente irresponsável, falando e agindo não como pastor da Igreja Católica, mas como acólito de toda a esquerda internacional, personificada pela mídia, à qual não cessa de bajular.

O sucesso de Bento desmistifica o coro entusiástico que hosana incessantemente o atual bispo de Roma. Notem que Francisco acaba de publicar a Exortação apostólica pós-sinodal Christus vivit, da qual ninguém simplesmente fala, sobre a qual ninguém comenta… O breve texto de Ratzinger submergiu completamente o inócuo documento do pontífice reinante, reduziu-o ao rídico e, com porte de uma encíclica, cheio de fé e de teologia, de realismo e de sensibilidade, confortou a alma das ovelhas de Cristo em todo mundo e, de modo especial, as vítimas dos abusos sexuais e suas famílias.

Ademais, Bento XVI pôs em evidência o nexo necessário entre a fé e a moral na doutrina da Igreja, defendendo de modo aberto o magistério da encíclica Veritatis Splendor, com uma clareza fulgurante. Isso, evidentemente, coloca em dificuldade a ação demolidora do magistério de Francisco, que se beneficia da ambiguidade justamente nestas matérias para levar adiante a destruição completa dos fundamentos da doutrina católica. Deste modo, Bento XVI respondeu discretamente aos dubia, levantados por quatro cardeais há três anos, aos quais Francisco ostensivamente ignorou, descumprindo também de modo explícito o seu dever como papa.

Em seu mencionado artigo, Agasso afirma que “o papa emérito intervém com um texto que pode representar ‘uma linha pastoral e teológica paralela à do papa”. Ora, com uma mentalidade de cortesão e de adulador, ele simplesmente parte do pressuposto de que o Papa é a Igreja, desconsiderando toda a realidade, bem como o corpo dos fieis católicos de toda a história e de todo o mundo.

É absolutamente incontestável que os fieis reconhecem na voz de Bento XVI a continuidade da fé dos papas e dos católicos de todos os tempos, enquanto sentem em relação à Francisco uma perplexidade que os faz simplesmente não se inteirarem de suas palavras e atos. O partido bergogliano é consciente da falta de respaldo da Igreja discente e procura suprir tal ausência de diferentes modos: chegaram a fraudar uma carta de Bento XVI, na tentativa desesperada de obter apoio para uma coletânea de livros acerca do “pensamento” do Papa Francisco; agora, tentam escorar-se na linha ratzingeriana, inventando a história de que o cardeal Scola teria pedido votos a Bergoglio no último conclave. Todas, tentativas patéticas de justificar o injustificável.

Enquanto Bergoglio faz sucesso nos jornais, Bento XVI é um ícone muito eloquente da Igreja Católica dos nossos dias: os católicos estão recolhidos no tabernáculo do silêncio, rezando e sofrendo, esperando a hora de Deus, que certamente chegará. O descolamento é grande demais, o povo está completamente à deriva, a rachadura não pode mais ser dissimulada: a hierarquia prevaricou e os poucos padres e bispos fieis estão sob dura censura.

Os dois papas representam duas Igrejas, uma real, outra parasita. Foi Gustavo Corção que se exprimiu nos famosos termos: “A Igreja Católica e a outra”, referindo-se à natimorta Igreja pós-conciliar. Atualmente, o fenômeno agravou-se: o parasita espalhou-se de tal modo que já ocupou toda a oficialidade, confinando o doente à resignada posição de clandestino. É assim que vive a quase totalidade dos fieis católicos: silenciados, impotentes, amarrados – exatamente como Bento XVI.

É assim que chegamos a esta triste realidade. São duas eclesiologias que se condensaram em dois papas! Contudo, Bento não está paralelo à Igreja, ao contrário, seu modus pensandi a representa; o paralelismo real é ocupado por Francisco, que ocupa, porém, apenas a oficialidade do seu cargo.

Andrea Grillo, outro teólogo progressista, escreveu nesses dias que a carta de Ratzinger é apenas “uma leitura traumatizada e traumática da virada conciliar e do 1968, como causa de todos os males da Igreja, incluindo os abusos”. Exercendo plenamente o jus sperniandi, Grillo simplesmente finge que Bento XVI não apela aos fatos, mas fica como ele, refugiado num mundo de abstrações, naquilo que poderíamos chamar de teologia da desculpa.

Mas as desculpas não convencem, elas jamais subjugarão os fatos. E é a humildade de ater-se a eles que distingue a autenticidade da cenografia. Para o povo, já está claro quem é real e quem é de plástico, quem é católico e quem não o é, e a diferença colossal entre um papa e o outro

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14 abril, 2019

Foto da semana.

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O Papa Francisco, num gesto comovente, ajoelha-se e beija os pés pés de líderes do Sudão do Sul que viviam em guerra pelo controle do país.

A grande notícia é que o problema nos joelhos que impediam Sua Santidade de se prostrar diante do Santíssimo Sacramento parece ter sido superado. Igualmente, parece coisa do passado a preocupação do Papa em relação à proliferação de germes, demonstrada ao retirar a mão do alcance dos fiéis que desejavam oscular o Anel de Pedro.

 

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13 abril, 2019

Lembre-se: não dê um tostão sequer na coleta de sua paróquia neste domingo.

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13 abril, 2019

Coluna do Padre Élcio: Causas do alastramento do comunismo.

CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória (continuação).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 13 de abril de 2019.

Uma objeção capaz de embaraçar

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Poderia, diletos filhos, embaraçar-vos uma dificuldade. Sendo o marxismo intrinsecamente mau, e a natureza humana feita para o bem, como explicar a rápida e prodigiosa expansão dele? Já em 1937 registrava Pio XI “as falácias do comunismo espalhadas em todos os países, grandes e pequenos, cultos ou menos desenvolvidos, a ponto de que nenhum canto da terra estivesse delas imune” (Enc. “Divini Redemptoris”, ibid., p. 74). Hoje, só um cego não vê as enormes conquistas da seita marxista, que alcançou o domínio político em várias nações da Europa bem como em grande parte da Ásia, e vai alimentando agitações crescentes nos demais países tanto do Velho como do Novo Continente. Como explicar tão rápida difusão de um movimento aceleradíssimo (cf. Enc. cit. ibid., p. 75)?

Promessas alucinantes

A Encíclica “Divini Redemptoris” aponta várias causas para o fato, que hoje ainda são atuantes. Declara o providencial documento que “muito poucos conseguiram perceber o que intentam os comunistas” (ibid., p. 72), ao passo que a grande maioria  –  menos afeita ao estudo apurado das questões  –  “cede à tentação, habilmente preparada, sob forma de
alucinantes promessas” (ibid.). E realmente, o comunismo, que no começo se mostrou qual era, desde que percebeu que assim afastaria de si os povos, “mudou de tática e procura ardilosamente seduzir as multidões com uma linguagem dúbia e alguns objetivos imediatos atraentes” (ibid., p. 95). Apresenta-se desde então como desejoso de “melhorar a sorte das classes trabalhadoras, de eliminar os abusos causados pelos assim chamados liberais, e de obter mais equitativa distribuição dos bens terrenos” (ibid., pp. 72-73).

Crises econômicos sociais

Além disso, a eclosão de crises econômico-sociais cada vez mais sérias propicia ao marxismo ocasião para ampliar sua influência. Assim é que ele penetrou em classes por princípio avessas a qualquer materialismo ou terrorismo (cf. Enc. cit., ibid., p. 73).

Liberalismo

A responsabilidade pela difusão dos erros comunistas recai largamente –  se bem que não de modo exclusivo, como querem os progressistas  – sobre o liberalismo laicista. Ele pretendeu construir a cidade sem Deus, e terminou preparando o terreno para os demolidores de qualquer sociedade digna deste nome. Mediante o abandono moral e religioso a que votou os operários, pelas dificuldades que lhes criou para a prática da piedade, pelos obstáculos surdamente levantados contra a ação dos ministros de Deus, os Sacerdotes, pelo fomento das instituições de assistência laicas  –  hoje disseminadas e aprovadas praticamente em todos os países do mundo livre  –   o  liberalismo concorreu poderosamente para contaminar o operariado com as concepções revolucionárias dos comunistas (cf. Enc. cit. ibid., p. 73).

Forças secretas

Cabe ainda considerar a obra das forças secretas, que de há muito procuram destruir a ordem social cristã (cf. Enc. cit., ibid., p. 74-75). Intimamente relacionada com a atividade delas, está a campanha do silêncio com relação às obras anticomunistas, e a “propaganda verdadeiramente diabólica, como talvez o mundo nunca viu” (Enc. cit., ibid., p. 74), de que se beneficia o comunismo. “Propaganda dirigida por um único centro, mas que muito habilmente se adapta às condições dos diversos povos; propaganda de grandes recursos financeiros, de gigantescas organizações, de congressos internacionais, de inúmeras forças bem adestradas; propaganda que se faz por meio de folhas avulsas e revistas, nos cinemas, nos teatros, pelo rádio, nas escolas e até nas universidades, penetrando pouco a pouco em todas as classes sociais, ainda as melhores, sem quase perceberem elas o veneno que sempre mais lhes corrompe a mente e o coração” (Enc. cit. ibid., p. 74).

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12 abril, 2019

A corte servil de Francisco vai à loucura.

Os bajuladores do Papa Bergoglio estão indignados com a manifestação de Bento XVI. Da matéria de LifeSiteNews

Os católicos que vêem Francisco como um campeão das mudanças tratam a carta do Papa Emérito com escarnio:

O historiador da Igreja Massimo Faggioli, professor na Universidade de Villanova, escreveu no twitter que o Papa Emérito um “deslize” e listou outros que alega terem sido cometidos que Bento.

“O deslize de hoje de B16 me lembra outros: o livro de co-autoria com [Marcelo] Pera, o discurso de Regensburg, o batismo de Magdi Allam em São Pedro, afirmou.

O teólogo Brian Flanagan, que ensina na Universidade de Marymount, declarou que a carta de Bento era “embaraçosa”.

“A idéia de que o abuso sexual de crianças na Igreja era resultado da década de 60, de um suposto colapso da teologia moral e da ‘conciliaridade’ é uma explicação embaraçosamente errada do sistêmico abuso de crianças e seu acobertamento”, escreveu Flanagan via Twitter.

O jornalista Robert Mickens, que trabalho tanto na Rádio Vaticano como no jornal inglês de esquerda The Tablet, tweetou: “Em que mundo esse homem vive?” e “Alguém precisa de alguns livros de colorir”.

No entanto, nem todos os membros do “Time Francisco” desdenharam do pontífice aposentado.

Pe. James Martin, SJ, que contribui para revista America, foi respeitoso para com o Papa Emérito, enquanto via problemas com seu foco na heterodoxia.

“Tenho grande respeito pelo Papa Emérito Bento XVI, especialmente como teólogo”, ele afirmou no  Twitter. “No entanto, discordo da maior parte de sua análise sobre a crise de abusos sexuais. Culpar uma pobre teologia e os costumes de 1960 dramaticamente é um erro”.

O biógrafo inglês do Papa Francisco Austen Ivereigh  tomou uma posição mais neutra, tweetando em uma longa série de comentários em, enquanto os pensamentos de Bento eram “em sua maior parte previsíveis”, eles contêm “alguns pontos interessantes” e finalmente apoia a própria “estratégia anti-abuso” de Francisco.

Alguns católicos expressaram dúvida de que Bento tivesse escrito a carta, ou que fosse seu único autor. Todavia, Dom Georg Gänswein, secretário do Papa Emérito, afirmou, segundo  The New York Times, que o ensaio era trabalho do próprio Bento.

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