20 junho, 2018

Desafio do Legislativo é manter a defesa da vida, para evitar a legalização do aborto via Judiciário.

Íntegra do pronunciamento do Prof. Hermes Rodrigues Nery na audiência pública sobre a ADPF 442, realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília, em 30 de maio de 2018.

Exmo. Sr. Presidente desta mesa, Deputado Prof. Victorio Galli, autor do requerimento dessa audiência pública, expositores que fazem parte desta mesa, Dr. Rodrigo Pedroso, Prof.ª Lilia Nunes dos Santos, Dr. Leslei Lester dos Anjos Magalhães, e demais aqui presentes.

Caríssimos amigos,

Agradeço de modo muito especial o convite para participar desta audiência pública, na Câmara dos Deputados, aonde, mais uma vez, retorno a Brasília, em que por mais de doze anos o nosso Movimento Legislação e Vida se dispõe a atuar na defesa da vida e da família, também no campo legislativo. Parabenizo o deputado Diego Garcia pela iniciativa desta audiência pública, tendo em vista a hora grave em que vivemos, de debilidade das instituições, em que urge fortalecer a soma de esforços por um Brasil desenvolvido, com sã democracia.

hermesHá muitos anos, por conta de todo um trabalho de conscientização é que as pesquisas mostram com evidência que a maioria do povo brasileiro é contra o aborto, não aceita, de modo algum, a matança dos inocentes, do ser humano indefeso, no ventre materno, aonde ele deveria receber a maior acolhida. Daí que o Brasil tem feito diferença, pois que, no planejamento dos organismos e fundações internacionais que promovem o aborto, senhores deputados, eles tinham uma meta de até 2015 o aborto estar totalmente legalizado em nosso País, e eles não conseguiram atingir a meta. Eles achavam o Brasil seria um dos primeiros países a legalizar o aborto, mas até hoje eles se surpreendem com a reação da população, que diz um não retumbante a essa agenda da cultura da morte. E principalmente no campo legislativo, no Congresso Nacional, todas as proposituras apresentadas para matar o ser humano inocente e indefeso no ventre materno, foram rechaçadas com veemência. Em suma, os promotores do aborto sabem que no campo legislativo o aborto não passa. E então? O que é que está acontecendo agora? Os organismos internacionais (que fazem a pressão de fora, e usam as OnGs que atuam aqui no País) resolveram judicializar a questão do aborto. Por isso, desde 2005, estão atuando para viabilizar a legalização do aborto, via judiciária, a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos, em 1973, com a questão Roe x Wade.

Aqui no Brasil, levaram esta batalha para o Supremo Tribunal Federal, na estratégia do gradualismo, isto é, por etapas, para fazer a legalização do aborto via judiciária, não respeitando de modo algum o que o legislativo brasileiro, em todas as instâncias (municipal, estadual e federal) vem decidindo em favor da vida do nascituro. E então, na pior prática de ativismo judicial, quando um dos poderes (que é poder constituído e não constituinte), exorbita de suas funções, praticando assim uma violência institucional, pois o ativismo judicial tem sido utilizado (com uma forma de manipulação) para tirar as legítimas e democráticas prerrogativas do Legislativo.

Hoje, a judicialização da questão do aborto, sres. deputados, faz parte de toda uma estratégia desses organismos internacionais para solapar a soberania nacional, na medida em que enfraquece a ação do Legislativo (em todas as instâncias), para tornar o Supremo Tribunal Federal “o órgão mais poderoso da República”1, como reconhecem os especialistas tanto da direita, quanto da esquerda. Agora nesses dias, uma entrevista com o cientista político Christian Lynch, reconhece isso2. Utilizando-se de uma sofisticada hermenêutica jurídica, o Supremo Tribunal Federal vai tomando as pautas do Legislativo e impondo arbitrariamente decisões que violam as prerrogativas do Legislativo, como na questão do aborto também. Aqui na Câmara dos Deputados, há dez anos exatos, tivemos a histórica votação no dia 7 de maio de 2008, quando o PL 1135-91 foi derrotado na Comissão de Seguridade Social e Família, de modo esplêndido, por 33×03. Todos os deputados lá presentes, naquele dia, unanimemente, um a um, fizeram questão de dizer, alto e em bom tom: o seu sim à vida, contra o aborto.  E então, o STF passou a intervir, com as chamadas ADPFs, como agora está para ser votada pelos ministros, a ADPF 442, que quer estender o chamado “direito ao aborto” até a 12ª semana. O STF deverá fazer por esses dias uma outra audiência pública, mas as cartas estão marcadas, sres deputados. Já há até um congresso da FIGO para ensinar técnicas e práticas abortivas aos profissionais da saúde, porque eles contam que o STF vai aprovar o aborto até a 12ª semana.

Se formos considerar os votos dos ministros nesta e em outras questões, muito dificilmente será possível reverter esse processo. Pois o aborto estará sendo legalizado em nosso País, não pelo legislativo, mas pelo judiciário. Porta esta aberta sorrateiramente, há dez anos, desde a aprovação da ADIN 3510 (que autorizou o uso de células-tronco-embrionárias para fins de pesquisa científica), passando pela ADPF 54 (descriminalizando o aborto nos casos de anencefalia), e mais recentemente pelo HC 124.306, da 1ª turma do STF, visando estender a descriminalização do aborto até o terceiro mês de gestação. No caso da HC 124.306, houve explícita extrapolação de competências, quando o ministro Luís Roberto Barroso, “em franca violação à tripartição dos poderes”4, passou a agir como “ carrasco da Constituição, ao invés de seu protetor”5, fazendo “imperar a ideologia em lugar da consideração da realidade dos fatos”6, “abortando a tripartição dos poderes”7, tripartição esta já esboçada por Aristóteles e consagrada por Montesquieu, que advertira: “tampouco existe liberdade se o poder de julgar não for separado do poder legislativo e do executivo. Se estivesse unido ao poder legislativo, o poder sobre a vida e a liberdade dos cidadãos seria arbitrário, pois o juiz seria legislador. Se estivesse unido ao poder executivo, o juiz poderia ter a força  de um opressor”8. Mas com o HC 124.306, houve uma “desconstrução de toda tradição”9 do Direito constitucional, uma “descarada invasão de atribuições do legislativo”10 e “uma declaração escancarada dessa legalidade e do acatamento de um viés ideológico específico sobre o tema do aborto”11. Por isso é imprescindível essa audiência pública, que “seja amplo com a manifestação da sociedade e de um poder com legitimação popular, que é o legislativo”12, que não só denuncie esse perverso ativismo judicial, que é um crime de lesa-pátria, cometido por aqueles que deveriam ser o máximos guardiães da Constituição, pois “não cabe ao STF e nem a juiz algum, simplesmente desconsiderar a legislação à qual está atrelado e que constitui um freio ao exercício arbitrário e caprichoso da função judicial”13.

Nesse sentido, o nosso Movimento Legislação e Vida (bem como a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e outros), sempre acreditou e defendeu que deve partir daqui, sres deputados, daqui do parlamento brasileiro, a firme decisão da defesa integral da vida humana desde a concepção (por isso defendemos a PEC pela Vida), daqui do parlamento os sres deputados tem o dever de colocar um dique a esta volúpia do STF por transgredir as prerrogativas constituintes desta casa de Leis, ao qual o STF deve se submeter à obediência da lei, e não – como tem feito – em meio às retóricas – subjugar a lei ao arbítrio de convicções ideológicas inumanas. Por isso, sres. deputados, há aqui tramitando nesta Casa de Leis, o PL  4754/2016,que justamente é o instrumento adequadíssimo para deter esse abuso, e evitar que os togados continuem cometendo o crime de lesa pátria. Mas esse crime que está sendo cometido precisa ser explicitado na Lei 107914, como o 6º crime de responsabilidade, aos já previstos no art. 39.  Por isso o PL 4754, acrescenta aos 5 crimes de responsabilidade, que podem ser cometidos pelos Ministros do STF, uma sexta possibilidade: o de “usurpar competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo”15. Isso é de uma tão grande importância, sres deputados, que precisa ser prioridade nos trabalhos desta Casa de Leis, os deputados propositores deveriam trabalhar prioritariamente para a aprovação desta relevantíssima propositura. E aí, sres deputados, é preciso agora agregar todos os esforços, nesse sentido, ainda nesta legislatura, para que haja a garnatia da tripartição dos poderes, a garantia do direito a vida desde a concepção, e da democracia brasileira.

Muito obrigado.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislacão e Vida e Presidente da Associação Nacional Pro-Vida e Pro-Família.

Notas:

  1. Sanches, Mariana, “‘O Supremo tornou-se hoje o órgão mais poderoso da República’, diz cientista política”, entrevista com Christian Linch. [ http://www.bbc.com/portuguese/brasil-44013517]
  2. Ibidem.
  3. “Foi uma vitória e tanto…” [ http://juliosevero.blogspot.com.br/2008/05/foi-uma-vitria-e-tanto-nunca-vi-isso.html
  4. Cabette, Eduardo Luiz Santos, “Aborto até o terceiro mês de gestação: crítica ao posicionamento do STF”, Capítulo 9, “Precisamos falar sobre o aborto, mitos e verdades”, Estudos Nacionais, 2018.
  5. Ib. p. 289.
  6. Ib. p. 290.
  7. Ibidem.
  8. Ib. p. 291.
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. Ib. pp. 292-293.
  12. Ib. p. 294.
  13. Ib. p. 294.
  14. Lei 1079: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L1079.htm
  15. PL 4754/2016: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1443910HYPERLINK “http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1443910&filename=PL+4754/2016″&HYPERLINK “http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1443910&filename=PL+4754/2016″filename=PL+4754/2016
19 junho, 2018

Os jovens que não gostam do papa Francisco.

Cresce entre seminaristas e padre novatos uma resistência ao discurso de tolerância do pontífice, que defende aceitação a divorciados e homossexuais.

Por GaúchaZH: – Não conheço um único seminarista que goste dele.

A frase escapou baixinho, em tom deprimido, da boca de um influente bispo católico. Conversávamos sobre a aceitação do papa Francisco entre os padres mais jovens. Esse bispo, que é profundo conhecedor da realidade clerical da Igreja, disse que a aceitação é ridícula. Nula, praticamente.

Eu, na minha ignorância, achava justamente o contrário: que os jovens seriam mais abertos ao discurso de tolerância e renovação de Francisco. Telefonei, então, para outras duas autoridades da Igreja no Estado. Por receio de provocar mal-estar, não toparam se identificar, mas confirmaram essa resistência ao Papa e foram além.

Disseram que a rejeição não se limita a seminaristas e padres novatos: ela cresce também nos movimentos jovens, com leigos indignados com a recepção de Francisco aos divorciados e homossexuais.

– Ele é muito respeitado em setores mais laicos da sociedade. Dentro da Igreja, a popularidade é maior entre os mais velhos – disse um dos sacerdotes, e eu quase tive um ataque cardíaco.

Os jovens, incrivelmente, não lideram mais vanguarda alguma. Pelo contrário, lideram a retaguarda, o atraso, o anacronismo. O frei Luiz Carlos Susin, teólogo de 68 anos e admirador do papa Francisco, costuma dizer que a geração dele transgrediu tanto que, para muitos jovens de hoje, a forma mais genuína de transgredir é retrocedendo. Faz sentido.

Na cultura, a geração do frei Susin é a de Maio de 68. Na Igreja, é a do Concílio Vaticano II. Ao contrário dos concílios anteriores – preocupados mais em elencar pecados e definir dogmas sobre moral e fé –, a assembleia que se estendeu de 1962 a 1965 foi resumida assim pelo papa João XXIII:

“A Igreja sempre se opôs a erros, muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor as necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações”.

Não é genial? E não é justamente o que o papa Francisco aplica? A clemência em vez do castigo, o acolhimento em vez da repulsaFrancisco, aliás, irrita seus detratores ao criticar publicamente o clericalismo – corrente que insiste em botar o clero, os padres, o sacerdócio (que representa menos de 0,00000000001% dos católicos) à frente dos leigos, dos fiéis, do rebanho inteiro (que representa mais de 99,99999999999% dos católicos).

– O Papa entende, como o Concílio Vaticano II entendeu, que as pessoas precisam discernir e decidir muita coisa por conta própria. Não pode o padre decidir tudo por elas, ter sempre a última palavra. Isso é clericalismo. O oposto disso é acreditar na autonomia das consciências – disse o frei Susin quando liguei para ele na quinta-feira (14).

As instituições existem para ajudar o homem, não para subjugá-lo. Se a instituição não ajuda, não é o homem que deve mudar; é ela.

Isso me fez lembrar a história – real, acredite – de um neonazista americano que tatuou no braço um versículo do Antigo Testamento que condena a homossexualidade: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é” (Levítico 18:22). Esqueceu-se, claro, que, no capítulo seguinte, o mesmo livro condena a tatuagem: “Não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós” (Levítico 19:28).

Quer dizer, se você leva ao pé da letra o que foi escrito há milhares de anos, daqui a pouco vai estar defendendo a escravidão, a execução de mulheres adúlteras e o açoite como pena ideal para bandido. Jesus Cristo, aliás, vem para quebrar essa lógica do Deus violento: sua tendência é incluir todos, perdoar todos, acreditar em todos.

No Evangelho de Mateus, uma passagem espetacular é quando Jesus cura um doente num sábado. Os fariseus, sempre tentando sabotá-lo, perguntam se ele acha mesmo correto fazer aquilo – já que o sábado, em nome de Deus, deve servir somente ao descanso. Jesus responde com uma pergunta: o homem foi criado para o sábado, ou o sábado foi criado para o homem?

Ou seja: a lei deve existir para servir ao homem, não para subjugá-lo. As instituições existem para nos fazerem crescer, para nos fazerem felizes, livres, autônomos. Se a instituição não ajuda, bem, não é o homem que deve mudar; é ela. Por isso, o papa Francisco vem mudando a Igreja, porque é um profundo conhecedor do que Jesus pregava.

Esses jovens que insistem em resistir às mudanças talvez um dia percebam que se aproximam mais dos fariseus do que dos apóstolos. Ainda assim, claro, serão perdoados.

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17 junho, 2018

Foto da semana.

Assustadora enchente em Lourdes nos ensina que perto de Nossa Senhora não há nada a temer

Por Luis Dufaur – Lourdes e Suas Aparições, 13 de junho de 2018

 

A Gruta de Lourdes amanheceu hoje, 13 de junho 2018, invadida por até um metro de água.

O rio de Pau – conhecido como ‘Gave’ – desbordou superando o muro canalizador e alagou toda a Gruta e a área diante dela.

A correnteza foi muito forte e até assustadora. A cidade e localidades vizinhas também sofrem os danos.

Um esquema de segurança concebido em função de inundações de anos anteriores, como a de junho de 2013, começou a ser instalado na calada da noite, pois a invasão das águas já se vinha vir.

A ocorrência não é nova. Até está previsto acontecer com certa regularidade. E a atual começou a tomar dimensão na segunda-feira quando o nível do Gave começou a subir brutalmente segundo registrou o site Franceinfo.tv. 

A própria Gruta teria sido escavada no morro precisamente por fenômenos como este acontecidos ao longo dos séculos especialmente na época das fortes chuvas de primavera nos Pirineus.

Nesses momentos, o rio Gave engrossa perigosamente.

A atual invasão das águas, entretanto, é bem menor que a de 2013. Nesse ano a imagem de Nossa Senhora que fica no alto da gruta de Massabielle chegou a ter a água quase nos pés.

De momento a Gruta está inacessível para os peregrinos. Tampouco podem funcionar as piscinas e as fontes de água de Lourdes.

Neste dia 13 pelo meio-dia o nível atingia 2 metros 60 cm de altura e poderia chegar até 2,80m.

Por volta das 3 horas da madrugada de hoje foram instaladas defesas protetoras previstas para a eventualidade.

Elas protegem a gruta e a fonte de troncos e outros objetos que podem chegar boiando arrastados pela violência das águas e poderiam produzir algum estrago e da acumulação de lama.

Segundo a Prefeitura, “foi registrada em 24 horas uma acumulação de chuvas equivalentes a um mês inteiro”.

Em Lourdes, “a enchente está circunscrita à área da Gruta” informou o Santuário em comunicado reproduzido pelo grande jornal regional “Ouest France”. 

A área alagada inclui as torneiras de água, piscinas e capelas próximas. O acesso foi vedado. Os atos de piedade nessa parte do santuário foram suspensos. Mas não nas basílicas superiores.

O crucifixo da Gruta foi transferido transitoriamente para a basílica de Nossa-Senhora do Rosário por segurança, informou o jornal regional “La Dépêche du Midi”. 

Aguardava-se um aumento do nível da correnteza, antes de diminuir o volume d’água.

Outras medidas de segurança em torno de casas, hotéis, estacionamentos e instalações para romeiros em Lourdes e cidades vizinhas foram adotadas pelas autoridades e tudo parece sob controle.

Nossa Senhora permite esses desastres naturais para mostrar que Ela está muito por cima das forças que preocupam aos homens.

Para a Rainha do Céu e da Terra, todos os elementos revoltados não são nada.
Foto do alagamento de 2013

Afinal, para quem faz milagres para milhares – senão, milhões – o que é que é um rio furioso? Não é nada para Ela que é a Onipotência Suplicante.

Aliás, Ela foi escolher como local da aparição um local em alguma medida perigoso. Bastava escolher um ponto um pouquinho mais elevado no morro onde está a Gruta para fugir de toda preocupação.

Mas, a Imaculada Conceição que está sempre esmagando a cabeça da serpente, e a pior serpente que há que é o demônio, não teme os elementos e os inimigos naturais ou preternaturais.

Ela é a Rainha do Céu e da Terra e os elementos lhe obedecem.

O aspecto assustador das águas correndo a grande velocidade pela Gruta e a placidez da imagem de Nossa Senhora de Lourdes no alto dela, nos ajuda a compreender o poder incomensurável da Mãe de Deus.

E reforça nossa certeza de que junto a Ela nada devemos temer.

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16 junho, 2018

Coluna do Padre Élcio: O Trabalho Frutuoso e Não Frutuoso.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 16 de junho de 2018

EVANGELHO DO 4º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

S. Lucas V, 1-14

Os Apóstolos tinham passado a noite em esforços inúteis. Trabalharam ininterruptamente a noite toda e, não obstante, não apanharam um peixe sequer.

Caríssimos, donde vinha esta esterilidade estranha em homens hábeis na pesca e para ela possuidores de todos os recursos? Ah! é que eles tinham confiado só em si mesmos, em seu número, em suas forças, em sua arte e na sua experiência. Só pensaram nas circunstâncias favoráveis: a noite, as trevas, o silêncio. E Deus tinha querido dar-lhes uma lição e lhes ensinar que o homem, sem Deus, não pode nada, sobretudo nas coisas espirituais, das quais esta pesca material era a imagem. Jesus não estava com os Apóstolos e assim seus esforços tinham sido vãos. Mas Jesus vem a eles e tudo muda imediatamente de feição. Manda que se dirijam para o alto mar e que lancem as redes. Nesta altura, as circunstâncias são menos favoráveis: já é pleno dia; uma multidão cobre as margens e, naturalmente, faz grande alarido. Não importa: a pesca é tão abundante que as redes se rompem pela quantidade de peixes; as duas barcas ficam super repletas de peixes, o que as faz quase afundar. É que agora os Apóstolos não estavam sós, mas Jesus estava com eles. A verdade é que, sem Jesus nada podemos de bom.

Esta pesca miraculosa era a imagem de uma pesca mais miraculosa ainda que deveriam fazer os apóstolos numa ordem de coisas mais elevada: “Ide ao alto mar e lançai as vossas redes para a pesca”. Obedientes a esta ordem, os apóstolos, tornados pescadores de homens, lançarão suas redes, não mais sobre as margens solitárias e ignotas, mas nos altos mares do mundo, nas cidades as mais brilhantes, as mais civilizadas, as mais populosas: Atenas, Antioquia, Éfeso, Alexandria, Roma. Como prometera, Jesus estará sempre com eles: “Eis que estou convosco”. E assim os povos virão em multidão se lançar nas redes da palavra de Deus e submeter-se-ão à Verdade que eles ensinam. Em sua primeira pregação, S. Pedro converterá três mil almas e, na segunda, cinco mil. Em breve, a Igreja não terá mais espaço para conter os neo-convertidos; ela deverá expandir suas tendas. A multidão de seus filhos constituirá uma super carga e até um perigo; suas redes se romperão, e sua barca estará prestes a soçobrar. As heresias, os cismas serão a consequência funesta, mas necessária, de alguma maneira, de sua fecundidade maravilhosa, que se tornará para ela uma fonte de dor, como profetizou Isaías: “Multiplicaste a gente e não aumentaste a alegria” (Isaías IX, 3). Mas acrescenta logo após o profeta: “Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado e foi posto o principado sobre o seu ombro… o seu império se estenderá cada vez mais e a paz não terá fim; sentar-se-á sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o firmar e fortalecer pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre” (Is. IX, 6 e 7). O mesmo Jesus compara a
Sua Igreja à uma rede que colhe toda espécie de peixes, bons e maus, mas depois recolhe só os bons e lança fora os ruins.

Caríssimos, se quisermos, também os leigos, que nossas ações e trabalhos sejam úteis para a vida eterna, é mister que trabalhemos com Jesus Cristo; com a luz de sua graça e não na noite tenebrosa do pecado.

O meio mais acessível de santificação é tudo fazermos à luz de Deus, com Jesus, por Jesus e em Jesus, porque, unidos a Ele, todas as nossas ações serão frutuosas, meritórias.

O que é trabalhar sem Jesus?

•       É trabalhar sem a graça, sem a verdadeira luz, em cegueira espiritual, em estado de pecado mortal, sob o império de determinadas paixões. Ai! quantos cristãos trabalham assim infrutuosamente, consumindo a vida no pecado.
•       É trabalhar para o mundo, pela terra. São aqueles que se extenuam e sofrem mil cuidados para adquirir riquezas ou honras. E tudo isto é vaidade e aflição de espírito. “Que adianta ao homem, disse Jesus, ganhar o mundo todo, se vier a perder a sua alma?” E contudo é esta a vida da maioria dos homens, mesmo de cristãos!
•       É trabalhar sem pureza de intenção, conforme a nossa própria vontade, sem procurar, nem a glória, nem a vontade divinas. O que assim se faz é sem mérito e sem fruto. Ai! e são muitos os que assim trabalham com prejuízo total, mesmo entre as pessoas religiosas, porque se age por leviandade, por rotina e com negligência.

Como se trabalha com Jesus?

•       Conservando sempre o estado de graça, vivendo na amizade de Jesus, para que ainda as menores das nossas ações sejam santas: “Aquele que me segue, disse Jesus, não anda nas trevas”.
•       Nada fazendo senão conforme a vontade de Deus, na ordem por Ele estabelecida: “A pessoa obediente cantará vitória” (Prov. XXI, 28).
•       Não perdendo jamais de vista, em todas as nossas ações, a santa presença de Deus. Disse Deus a Abraão: “Anda na minha presença e serás perfeito” (Gen. XVI, 1).
•       Executando todas as coisas só por amor de Deus e para Sua glória e referindo-Lhe tudo: “Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Cor. X, 31).
•       Conservando-se sempre, e em tudo, em união com Nosso Senhor. Sem Nosso Senhor Jesus Cristo não podemos fazer nada de bom: “Sem mim, disse Jesus, nada podeis fazer”. Com Ele, porém, tudo é abençoado!

Terminemos ouvindo Santa Teresinha do Menino Jesus: “Senhor, Vós o vedes, caio em tantas fraquezas, mas não me admiro… Entro dentro de mim e digo: estou ainda no mesmo ponto que antes! Mas digo isto com uma grande paz e sem tristeza, porque sei que conheceis perfeitamente a fragilidade da nossa natureza e estais sempre pronto a socorrer-nos. Portanto, de que poderei ter medo? Apenas me vedes convencida do meu nada, ó Senhor, logo me estendeis a mão; mas se eu quisesse fazer alguma coisa de grande, mesmo sob o pretexto de zelo, imediatamente me deixaríeis só. Basta, pois, que me humilhe e suporte de boa vontade as minhas imperfeições; é nisto que consiste para mim a verdadeira santidade”. Amém!

13 junho, 2018

FratresInUnum.com, 10 anos.

O Fratres hoje completa 10 anos de existência. Uma década de muitas lutas, grandes vitórias, muitas tristezas, mas sempre esperando que “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”.

 

No que o blog lhe foi útil nesses dez anos? Qual post foi mais marcante? E no que podemos melhorar ou nos corrigir?

Contamos com a oração de todos para que possamos prosseguir com nosso trabalho, apenas enquanto for útil à Santa Igreja.

Santo Antônio, martelo dos hereges, rogai por nós!

São João Fisher, mártir do  sacramento do matrimônio e padroeiro do Fratres, rogai por nós!

 

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11 junho, 2018

“Uma Igreja pobre, para os pobres”?… O Vaticano de Bergoglio à serviço da elite globalista

Papa beijando a mão

Em sua viagem a Israel em 2014, Papa Francisco beijou as mãos de sobreviventes da II Guerra Mundial[

FratresInUnum – 11 de junho de 2018 – Governo das sombras, o clube Bilderberg reúne a elite dos mais ricos entre os ricos, aquela elite que, através da economia, pretende determinar os destinos de todas as nações do mundo.

A reunião é secreta. Não podem comparecer senão os estritamente convidados, que não podem aceder ao local com transporte próprio, nem com escolta, nem portar celulares ou outros instrumentos de comunicação. Aceitar o convite implica no compromisso de não comentar as deliberações e participar de todas as seções de discussão.

Entre os convidados, o Cardeal Parolin, secretário de Estado de Bergoglio, que decerto não terá comparecido ao evento a despeito de seu superior, antes, o fez seguramente em seu nome e como seu representante.

Não se trata de um lapso. Este pontificado rendeu-se completamente à agenda globalista, cujos escopos éticos são muito bem atingidos pela omissão deliberada da Santa Sé em combater decididamente o aborto e o casamento gay, e, sobretudo, na fixação obsessiva do papa argentino em temas como “a ecologia” e “os imigrantes”, que já lhe renderam inclusive um déficit de popularidade na Itália e em toda a Europa.

Blindado pela mídia mundial, paparicado pelos anti-papistas de todos os tempos, Bergoglio goza do favor da elite globalista. E com razão! Este é o papa que eles sempre quiseram e, talvez, o papa que eles mesmos ajudaram a construir. É bastante razoável, aliás, que já se esteja acertando a sucessão, visto que Parolin figura para o próximo conclave numa avantajada pole position.

Quem imaginaria que chegaríamos a tamanho absurdo? Nunca a Igreja prostrou-se de modo tão subserviente ante a elite capitalista como agora, em que se apresenta como a Igreja dos pobres. Bergoglio não é Francisco, mesmo! E o seu pauperismo é apenas uma farsa, pura propaganda, assim como a sua misericórdia, que serve apenas para difundir a agenda liberal e a imoralidade por todos os lados, enquanto persegue impiedosamente todos aqueles que não lhe são subservientes.

Um detalhe, porém, é bastante intrigante em todo este episódio: por que, justamente agora, o Vaticano resolveu publicamente assumir relações com o clube Bilderberg? A situação, de fato, é pouco confortável para a Santa Sé, pois, em outras palavras, a máscara caiu!

Tecer conjecturas a respeito pode ser bastante temerário. O que não é temerário, no entanto, é reconhecer que este pontificado é o sonho dourado da Nova Ordem Mundial.

O sonho dos ricos, porém, é o pesadelo dos pobres. Sim, porque a agenda bergogliana não está emplacando a não ser naquelas partes da Igreja que já estavam morrendo há muito tempo. Do lado de cá, ao contrário, os católicos continuam sendo devotos e piedosos, a juventude continua se convertendo e procurando mandamentos e sacramentos, e ninguém nem toma conhecimento das “deliberações” do Papa argentino.

Querem transformar a Igreja num clube, mas logo terão de cair das nuvens. Podem ter como acólitos o papa e o secretário de Estado, mas estes se descolaram de vez do povo católico, representam apenas a si mesmos e aos seus próprios interesses e ideologias.

No final das contas, entre um drink e outro, o Cardeal Parolin não vai sequer tomar para si o “cheiro de ovelha” perfumadíssima que se odora nos corredores daquele hotel em Turim. Vai cheirar Whisky, mesmo… Mas dos caros. Daqueles que não figuram na geladeira de nenhum pobre, mas talvez apenas nalgum frigobar da Casa Santa Marta.

Errata — Agradecemos a alguns leitores que nos alertaram de que, na foto que ilustra o editorial, Francisco não estava beijando as mãos de Rockefeller e congêneres, mas de vítimas da II Guerra Mundial.

10 junho, 2018

Foto da semana.

guatemala

Sic transit gloria mundi – Dezenas de pessoas foram mortas pela erupção do Vulcão del Fuego, informaram autoridades da Guatemala no último dia 4 de junho. No fim da última segunda-feira, o número de mortos era 65, devendo ainda crescer. Poucos corpos puderam ser identificados por conta do intenso calor que os deixou irreconhecíveis. Foto de @johanordonez@afpphoto/@gettyimages

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10 junho, 2018

Coluna do Padre Élcio: Haverá mais júbilo no céu por um pecador que fizer penitência.

EVANGELHO DO 3º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES
S. Lucas XV, 1-10
Haverá mais júbilo no céu por um pecador que fizer penitência
Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
“Aproximaram-se de Jesus os publicanos e os pecadores paro o ouvir. Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe os pecadores e come com eles. Jesus, propôs-lhes, então esta parábola”: a parábola da ovelha tresmalhada, a parábola da dracma perdida (como narra o evangelho seg. S. Luc. XXV, 1-10); em seguida Jesus propõe-lhes ainda a parábola do filho pródigo. Três parábolas para mostrar a misericórdia divina e como ela se exerce. Delas consta todo o capítulo XV de S. Lucas.
Representação primitiva de Cristo como Bom Pastor do terceiro século.

Representação primitiva de Cristo como Bom Pastor do terceiro século.

Caríssimos, era mui natural que os publicanos e os pecadores se aproximassem de Jesus para O ouvir. Pois, anunciava uma tão bela doutrina! Jesus pregava uma tão santa moral! Por ser pecadores, estes homens não deixavam de ser também sensíveis ao verdadeiro, ao justo e ao belo. Na verdade, esta doutrina era elevada e sublime; esta moral era grave e austera. Mas a doçura de Jesus, sua bondade, sua afabilidade temperavam tão bem o que sua doutrina e sua moral pudessem oferecer de severo! Os pecadores sabiam que Jesus era um médico que veio para curar nossas doenças, e eles não se iludiam sobre o lamentável estado de suas almas e sentiam que eram doentes; e justamente por isso vinham a Jesus do qual esperavam a sua cura. “E assim, diz Santo Ambrósio, toda alma deve aproximar-se de Jesus Cristo, porque Ele é tudo para nós. Tendes uma ferida a cicatrizar? Ele é remédio. Estais presos ao fogo da febre? Ele é uma fonte refrescante. Estais curvados sob o peso da iniquidade? Ele é a justiça. Tendes necessidade de socorro? Ele é a força. Temeis a morte? Ele é a Vida. Desejais o céu? Ele é o caminho que para lá conduz. Fugis das trevas? Ele é a Luz. Procurais alimento? Ele é um alimento” (Lib., III, de Virginibus).

Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores e Ele espera-os com paciência, procura-os com solicitude e recebe-os com alegria quando arrependidos se voltam para Ele. É justamente para justificar esta Sua conduta que Nosso Senhor Jesus Cristo propõe aos orgulhosos fariseus e
escribas as três parábolas da misericórdia. Com a graça de Deus, meditemos um pouco sobre a primeira.
“Qual de vós, tendo cem ovelhas, se perde uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai procurar a que se tinha perdido, até que a encontre? E, tendo-a encontrado, a põe sobre os ombros todo
contente; e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo;lhes: Congratulai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha, que se tinha perdido”. A ovelha é um animal simples e tímido, que, procurando sua pastagem, afasta-se facilmente do caminho que ela deve seguir e do rebanho ao qual ela deve permanecer unida; e quando se perde é incapaz de reencontrar o seu caminho. É preciso, portanto, que o pastor a ajude e procure-a com cuidado. É bem a nossa imagem.
“Todos nós andamos desgarrados como ovelhas errantes; cada um se extraviou por seu caminho” (Isaías LIII, 6). Correndo após o pecado, e levados
pelo atrativo da concupiscência, nós caímos nos abismos do mal, e não pensamos mais nem em Deus, nem na salvação, nem no céu. Eis porque
Jesus Cristo desceu do Céu. Deixou lá no alto as noventa e nove ovelhas fiéis, isto é, os anjos, para vir aqui em baixo, e correr em socorro da humanidade representada pela ovelha infiel.
“E quando a encontra, coloca-a sobre seus ombros todo contente”. Fatigado o bom Pastor, por suas caminhadas à procura da ovelha errante; tinge as estradas com seu sangue; deixa pedaços de sua carne nos espinheiros da estrada. Ele é que teria necessidade de ser levado depois dos trabalhos penosos que Lhe custaram a procura de sua ovelha.
Mas não, Ele não se importa consigo, só pensa na sua ovelha que a põe aos ombros, embora ela se tenha transviado por culpa própria. Ela merecia ser punida, e o pastor indignado teria todo direito de a
castigar com seu bastão, fazendo-a caminhar à sua frente. Mas, ao contrário, o bom Pastor além de não a repreender, toma-a amorosamente em seus braços e coloca-a aos ombros, sobre seu pescoço, e leva-a até ao redil, isto é, da terra ao céu. Esta imagem da bondade de Jesus tocou de tal modo os cristãos dos primeiros séculos, que eles não
deixaram de O representar sob este tocante símbolo, um pastor levando sua ovelha; encontra-se este símbolo entre as pinturas que ornam ainda as paredes das catacumbas de Roma.
“E Indo para casa , chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Congratulai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha, que se tinha
perdido”. Caríssimos, observai bem esta linguagem: congratulai-vos COMIGO, e não: congratulai-vos com a OVELHA. Explica são Gregório: “A nossa vida, faz Sua alegria. Esta alegria é tão grande que não a pode conter dentro de si. É mister que ela se manifeste para fora, é preciso que ela se expanda, é necessário que dela tome parte os seus amigos, os anjos, que gozam continuamente com sua vista e são mais vizinhos d’Ele que todas as outras criaturas”.
“Digo-vos que do mesmo modo, haverá mais júbilo no céu por um pecador que fizer penitência, que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência”. Portanto, lá no alto do céu, os anjos se
interessam por nós. Eles se alegram com a conversão dos pecadores. E Deus se compraz em lhes notificá-la como um bem que lhes toca de
perto. Na verdade, os anjos são amigos dos homens. Eles vêem em nós, amigos, criaturas de Deus como eles, espíritos inteligentes como eles,
embora mesclados aos corpos; eles sabem que nós somos chamados a participar um dia de sua glória, a ocupar os tronos que a deserção dos
anjos rebeldes deixou vacantes. É normal que eles fiquem felizes com o nosso retorno ao bem, com a nossa conversão. De um lado, amam a Deus
e desejam vivamente sua glória e congratulam-se com tudo aquilo que a pode procurar. E a conversão de um pecador é uma vitória alcançada por Deus sobre o mal, é uma alma arrancada às garras do demônio, é um cativo preso ao carro de Jesus  que o conduz ao céu.
A conversão dum pecador, é portanto o objeto duma grande alegria por parte dos anjos, alegria esta muito maior do que aquela sentida por eles por causa da perseverança de noventa e nove justos; não obviamente porque a perseverança de noventa e nove justos não seja em si mesma um bem muito maior do que a conversão de um só pecador; mas o retorno de um pecador é um bem novo, e por conseguinte mais sensível, mais  comovente que aquele que se tem o costume de gozar por muito tempo, e cuja doçura é por isto mesmo um pouco enfraquecida. A conversão de um pecador é de alguma maneira um novo elemento acrescido à felicidade já tão grande dos anjos.
Como esta meditação deve alentar os pecadores a se converterem e os pastores a se dedicarem inteiramente, bondosamente, incansavelmente à
conversão dos pecadores e hereges. Jesus termina a parábola da dracma perdida com o mesmo ensinamento moral com que terminou a da ovelha tresmalhada. Esta repetição e esta insistência indicam bem a verdade, a sinceridade, a vivacidade da alegria causada aos anjos e a Deus mesmo pela conversão dos pecadores.
Eis alguns lições destas reflexões que acabamos de fazer:
1- Deus não rejeita “a priori” os pecadores, mas os chama a Ele, os instrui, Ele se esforça para os tocar com a sua graça e os reconduzir à virtude, ao bem: “Não vim chamar os justos, mas os pecadores à penitência”.
2- Se estas parábolas nos ensinam a misericórdia de Deus, outrossim nos faz ver claramente como e quando ela é exercida. “HAVERÁ MAIS JÚBILO NO
CÉU POR UM PECADOR QUE FAZ PENITÊNCIA”.  Os Fariseus no tempo de Jesus e os Jansenistas em nossos tempos, não pensam em misericórdia para os pecadores. Só pensam em JUSTIÇA. Por outro lado, os progressistas em nossos dias, só pensam em misericórdia e esta de tal modo deturpada que vem a ser antes impunidade e parece que para eles não há Justiça. Querem acolher e abraçar os pecadores e hereges sem conversão, sem mudança de vida, ou seja, sem penitência. A “misericórdia dos progressistas” não visa tirar o pecado mas tranquilizar o pecador no mesmo. Devemos fazer como o Divino Mestre, procurar a conversão dos pecadores com um zelo cheio de bondade e mansidão; mas acolher com alegria, e admitir à mesa eucarística apenas os que realmente se convertem e fazem penitência. A parábola do filho pródigo que Jesus contou logo em seguida a estas duas, mostra bem isto. Amém!
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7 junho, 2018

Anestesistas de Francisco.

Por FratresInUnum.com – 7 de junho de 2018

“Não é pecado criticar o papa”, afirmou o Francisco na Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana. Um alívio? De modo algum, pois, na prática, essa frase retórica mascara aquela velha tática de “dar linha à pipa”: quer saber quem são seus críticos para persegui-los com mais eficiência; trabalha como um gato que estimula o rato a sair da toca.

BOLIVIA-POPE-MORALES

Contudo, a frase tem o seu valor. Papa Francisco reconhece explicitamente que é criticável, quer porque comete ações condenáveis, quer porque ele mesmo é passível de crítica, como ensina a boa doutrina católica. Não, o Papa não é um semideus, que esteja acima do bem e do mal. Infalível quando se pronuncia ex cathedra, não o é fora desses estreitíssimos limites e, quando erra, não há problema algum em perceber aquilo que os olhos vêem.

Há uma parte da direita católica, porém, extremamente apavorada por este papa ditador. E não se limita a não criticá-lo, quer silenciar cada crítica e, por isso, assumiu um modus operandi de anestesistas.

Anestesistas. Mascaram fatos, silenciam testemunhas, destroem provas, assassinam moralmente vítimas… Agem como se Bergoglio fosse um santo imaculado, citam-no como nunca citaram os papas anteriores, a despeito de se apresentarem como conservadores ou até mesmo como, pasmem!, tradicionalistas.

Recentemente, circulava pela internet o vídeo de um padre italiano censurando os críticos de Francisco como se estivesse dando uma aula de direito canônico ou de doutrina moral, desconsiderando completamente a realidade que temos diante da face. Em resumo, qualquer católico concorda com o direito canônico ou com o catecismo em relação ao respeito que se deve ao Vigário de Cristo. Mas a pergunta não é esta. Será que este Vigário de Cristo está cumprindo o seu ofício papal ou se está servindo dele para destruir a Igreja que ele deveria defender?

O método preferido dos anestesistas, no entanto, é aquele de citar frases isoladamente católicas de Francisco para chocarem os críticos, na tentativa de paralisá-los. A técnica, em si, pouco tem de ingênua. Trata-se da velha estimulação contraditória, a qual produz um choque psicológico que paralisa a vítima. Qualquer um pode fazer a experiência: basta ir narrando uma desgraça e, no fim, supreendentemente, concluí-la com uma notícia maravilhosa – o ouvinte fica tão impressionado que nem consegue dissimular a perplexidade.

Acontece, porém, que a técnica só funciona quando os fatos são realmente desconhecidos. E, aqui, o caso é outro!

Os anestesistas gostam muito de empregar, por exemplo, aquela metáfora dos filhos de Noé que cobriram as vergonhas do pai embriagado (Gn IX,23) para inferirem a obrigação moral que temos de cobrir as vergonhas do Papa.

Contudo, os fatos já não cabem na metáfora. Hoje, Noé não está bêbado, mas muito consciente dos seus atos, quer voluntariamente ficar nu e rasga sistematicamente todas as cobertas que se lhe impõem.

Basta um exemplo para ilustrar o fracasso da anestesia: quando Francisco visitou Evo Morales e recebeu um blasfemo simulacro de crucifixo sobre a foice e o martelo, símbolos do comunismo, imediatamente, os anestesistas asseguraram que o Papa havia reagido com escândalo e disse: “no está bien eso”, “isso não está certo”. Em seguida, veio a confirmação do fato: o Papa disse, na verdade, “eso no lo sabía”. Nenhuma reação de escândalo. Antes, uma atitude simpática de aprovação.

Francisco não quer anestesia. Parece estar disposto a ir até o fim, autorizando a comunhão para os recasados, a ordenação sacerdotal de homens casados para a Amazônia, a intercomunhão para os luteranos [que ele bloqueou, porém, com o argumento de que, por ora, “o documento não está pronto” para ser oficializado], a ordenação de mulheres para o diaconato e tudo o mais que faz parte do pacote modernizador da Igreja.

Papa Francisco assumiu conscientemente a missão de ser o Chacrinha da Igreja Católica, o qual, na década de 80, lançou a famosa frase: “eu estou aqui para confundir, eu não estou aqui para explicar”.

Podem vir cleaners, anestesistas, sicários, “a voz que adormece e a mão que apaga”… Todos serão desmentidos por ele, mesmo. E, ainda que não o fossem, a natureza da verdade é aparecer!

É por isso que a nossa posição neste site foi sempre: 1) não maquiar os fatos, antes, documentá-los todos, para que ninguém se engane; 2) favorecendo a verdade, não favorecer a revolta revolucionária, antes, pelo contrário, estimulando uma resistência respeitosa, mas firme e impassível; 3) informar os nossos leitores para que estes conversem com todas as pessoas dos seus círculos para esclarecem que a Igreja está passando por um momento gravíssimo, uma crise sem precedentes, e nós não podemos dividi-la, pelo contrário, devemos guardar a fé com a mesma fortaleza que uma virgem guarda as suas honras.

Os nossos métodos são opostos aos métodos inúteis dos anestesistas. É por isso que estes não nos suportam, mas, como precisam saber a dose de sedativo a ser aplicada, acabam por ler nossos artigos e notícias. Pois bem, saibam que o efeito da anestesia não consegue mais aplacar a dor ou adiar a morte.

No horizonte, surge uma falange intrépida de católicos, em sua maior parte leigos, que estão por todos os lados, bem junto de suas catedrais e paróquias, com celulares e gravadores… Tudo está sendo documentado e será posto a público. Não há mais saída. O fracasso do progressismo é certo e fatal! Este é o seu diagnóstico final. Serão todos sepultados com este pontificado, que enterrará atrás de si a parte da Igreja que já estava morta: a decadente Europa liberal e os velhos teólogos da libertação.

Mais adiante, ressurgirá a Igreja Católica! Não, não são prognósticos restauracionistas. É a promessa de Fátima que se cumprirá. Os oportunistas de hoje serão a execração de amanhã. Os execrados de hoje serão a glória do que há de vir, pois “quem se eleva, será humilhado, e quem se humilha será elevado”, e as dores de hoje terão valido à pena.

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6 junho, 2018

A humilhação de Héctor Aguer, predecessor de ‘Tucho’ Fernández em La Plata.

Nota do Fratres: Dom Héctor Aguer era o maior antagonista do então Cardeal Jorge Mario Bergoglio no episcopado argentino. Conservador, foi inclusive cogitado para assumir a Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano, durante o pontificado de Bento XVI.

* * *

Víctor Manuel ‘Tucho’ Fernández, amigo e confidente do papa, já tem o seu bispado. Porém, a humilhação a que foi submetido seu predecessor, Héctor Aguer, tem poucos precedentes próximos. 

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Dom Héctor Aguer.

 | Victor Manuel ‘Tucho’ Fernández — ou, como o apelidaram na Cúria, ‘Il Coccolato’ — logo teria a púrpura era algo já dado como certo; dizem que dele é a mão que escreveu o ‘programa’ de Francisco, Evangelii Gaudium. Que a diocese com mais probabilidade de corresponder a Tucho seria La Plata, também.

Matando, ademais, dois pássaros com um só tiro, porque o titular até agora da diocese argentina, Héctor Aguer, não era muito da linha de Sua Santidade. Assim, tão logo Aguer completou 75 anos, em 24 de maio passado, apresentou sua renúncia conforme está previsto, e o Vaticano correu para aceitá-la, o que não é muito comum.

Menos comum, e bastante triste, é o que se seguiu. O encarregado de negócios da Nunciatura Apostólica na Argentina, enquanto anunciava que a renúncia de Aguer havia sido aceita, transmitiu outras instruções bastante duras: a missa de Corpus Christi, em que pronunciou sua homilia de despedida, seria a sua última liturgia pública; não ocuparia funções na diocese até a chegada da Fernàndez, mas que se nomeava como administrador apostólico a Mons. Bochatey; deveria deixar a arquidiocese imediatamente após a celebração, não poderia residir nela como arcebispo emérito, uma ‘deportação’ de toda forma, nem tampouco se ocupará da passagem da sede ao seu sucessor.

Em um pontificado que se pretende centralizado na misericórdia, é forçoso advertir que se trata de uma compaixão bastante seletiva. Aguer, literalmente, não tem para onde ir. Seus planos era, como não incomum aos bispos eméritos, permanecer na que foi, por todos esses anos, a sua diocese, residindo no ex-seminário menor de La Plata.

No futuro pessoal de Aguer, em seus 75 anos, apresentava-se, por fim, tão incerto, que ao término de sua última missa de Corpus Christi, o bispo ortodoxo da cidade, presente à celebração, tomou o microfone e ofereceu sua própria casa para receber Aguer.