27 fevereiro, 2017

De saída.

Por Catarina Maria B. de Almeida | FratresInUnum.com  Dr. Ricardo Dip, desembargador presidente da seção de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, formalizou seu pedido de desligamento da UJUCASP – União dos Juristas Católicos de São Paulo, associação presidida pelo dr. Ives Gandra da Silva Martins que reúne advogados, magistrados e operadores do direito em geral. 

Razão: a promoção, pela Arquidiocese de São Paulo e seu arcebispo, Dom Odilo Pedro Scherer, do desfile de carnaval com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. O cardeal arcebispo ocupa a posição de poder moderador na União dos Juristas. 

Outros membros da UJUCASP manifestaram perplexidade com a “homenagem” carnavalesca à Santíssima Mãe de Deus, dentre eles, o dr.  Edson Luiz Sampel, que escreveu a respeito neste mesmíssimo fórum

Espera-se, com isso, que a UJUCASP sofra outras baixas, quiçá não tão impactantes como a de Dip — tanto pelo elevado posto que ocupa, como por sua privilegiada inteligência — mas, ainda assim, significativas para a entidade, vez ou outra confrontada com uma alegada subserviência à Arquidiocese de São Paulo. 

26 fevereiro, 2017

Bispo emérito de Uruaçu, Goiás, sobre Nossa Senhora no Carnaval: Profanação, sacrilégio, pecado. 

Dom José da Silva Chaves, Santuário Sagrada Família, 25 de fevereiro de 2017.

26 fevereiro, 2017

Foto da Semana

No ultimo dia 19 de Fevereiro, o Cardeal Nichols, juntamente com membros da igreja galesa e inglesa, renovaram a consagração da Inglaterra e do País de Gales, à Nossa Senhora de Fátima. O ato acontece anualmente desde 1948 quando o Cardeal Griffin, realizou pela primeira vez a consagração dos dois países à Nossa Senhora. Rezemos pela Inglaterra, e para que o Brasil siga esse exemplo de amor, ao invés das injúrias cometidas nesse carnaval.

Mais informações no Religion en Libertad (em espanhol), a quem também creditamos as imagens.

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25 fevereiro, 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: A Bondade e a Malícia dos atos humanos provêm do fim

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Santo Tomás de Aquino – Suma Teológica – Segunda Parte da Segunda Parte

QUESTÃO XVIII  –  Da Bondade e Da Malícia dos Atos Humanos em geral

ARTIGO IV.  –  Se a bondade e a malícia dos atos humanos provêm do fim.

O quarto artigo discute-se assim: Parece que a bondade e a malícia dos atos humanos não provêm do fim.

1ª OBJEÇÃO: Pois, como diz Dionísio, “nenhum ato visa o mal como fim do agir” ( IV cap. de div. nom. lect. XIV, XXII). Logo, se pelo fim é que os atos sã bons ou maus, nenhum será mau, o que é evidentemente
falso.

2ª OBJEÇÃO: Demais, a bondade de um ato lhe é algo de intrínseco. Ora, o fim é causa extrínseca. Logo, não é em virtude do fim que uma ação se torna boa ou má.

3ª OBJEÇÃO: Demais, um ato bom pode se ordenar a um fim mau, como quando alguém dá esmola por vanglória; e inversamente, um ato mau pode se ordenar a um fim bom, como quando alguém furta para dar aos pobres. Logo, não é o fim que confere a bondade ou a malícia aos atos.

SED CONTRA: Mas, PELO CONTRÁRIO, diz Boécio em Topic., lib. II: “quem visa um fim bom é bom, quem visa um mau, é mau”.

RESPONDO: Respondo fazendo as explanações e  distinções necessárias: – As coisas se dispõem para a bondade como para o ser. Ora, há certas coisas que têm o ser independente, e em relação a essas basta lhes consideremos o ser, absolutamente. Há outras porém que são dependentes, e devemos então considerar-lhes a causa de que dependem.

Ora, assim como o ser de uma coisa depende do agente e da forma, assim a bondade depende do fim. Por isso, a bondade das Pessoas divinas, independente de tudo, não a julgamos relativamente a nenhum fim. As
ações humanas porém e quaisquer outras, cuja bondade é dependente, tiram a bondade do fim de que dependem, abstraindo-se da bondade absoluta que lhes é intrínseca.

Assim pois a bondade de uma ação humana pode ser considerada em quatro pontos de vista. Uma é genérica, que convém à ação como tal; pois, é boa na medida em que é ação, com já se disse no artigo primeiro. Outra
é específica, e lhe resulta do objeto conveniente. A terceira, dependente das circunstâncias, é como que acidental. E a quarta, dependente do fim, é constituída pela relação com a causa mesma da bondade.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO: – O bem que visamos, quando agimos nem sempre o é verdadeiramente, mas às vezes é bem apenas aparente. E por isso, do fim resulta uma ação má.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO: Embora o fim seja causa extrínseca, contudo a proporção devida e a relação com ele são inerentes à ação.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO: Nada impede que uma ação deixe de ter todas as quatro bondades referidas. E então pode se dar que a ação boa na sua espécie e relativamente às circunstâncias se ordene a um fim mau, e inversamente. De modo que é absolutamente boa só a ação na qual concorrem todas as bondades; pois, “ao passo que qualquer defeito, por pequeno que seja, causa o mal, o bem procede só de uma causa íntegra”, como diz Dionísio IV cap. De div. nom, lect. XXII.

24 fevereiro, 2017

Arquidiocese da Mãe Joana. 

É Nossa Senhora no Carnaval e Haddad na PUC. Dom Odilo deveria aproveitar a soltura do ex-goleiro Bruno e nomeá-lo como coordenador da pastoral carcerária…

24 fevereiro, 2017

Clero paulista peca gravemente em anuir com a exposição da imagem de Nossa Senhora Aparecida no sambódromo

Por Hermes Rodrigues Nery

Pela primeira vez, em toda a história da Igreja Católica Apostólica Romana, em nosso País, a Virgem Maria Santíssima, Nossa Senhora Padroeira do Brasil será tema de um samba-enredo do Carnaval, sob o pretexto de homenagem aos 300 anos da aparição da imagem nas águas do rio Paraíba. E mais: a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida entrará no Sambódromo paulista, nas primeiras horas do sábado, dia 25 de fevereiro, sob as bênçãos do clero.

O fato tem escandalizado os fiéis, chocados não apenas com a omissão, mas com o próprio endossamento de tal profanação. O Cardeal-Arcebispo Dom Odilo Pedro Scherer, em entrevista na Rádio Vaticano, buscou justificar a iniciativa, dizendo que “o samba-enredo respeitará Nossa Senhora Aparecida”.[http://br.radiovaticana.va/news/2017/02/10/cardeal_scherer_samba-enredo_respeitar%C3%A1_ns_aparecida/1291647 ] Disse ainda que a controvérsia parte de grupos conservadores minoritários, e, de modo algum reconhece o sacrilégio e a profanação do ingresso da imagem de Nossa Senhora no sambódromo, palco da maior festa pagã do País.

O fato em si contraria a distinção feita por Nosso Senhor Jesus Cristo: “dai a César o que é de César, a Deus o que é de Deus”. A Virgem Maria Santíssima, por ser Imaculada, em toda a sua inteireza, não poderia jamais ser profanada, isto é, estar inserida num evento profano, diferente, por exemplo, quando os fiéis católicos levam a imagem de Nossa Senhora, sob um andor, em procissão religiosa pelas ruas, como expressão pública de devoção e fé. A anuência do clero de tal sacrilégio é gravíssima, percebida pelas pessoas mais simples, mesmo os que não são católicos. Os que aprovam tal iniciativa desconhecem o sentido do sagrado, “não sabem o que fazem”, como muitos daqueles que Jesus fez menção quando estava na cruz. Mas o clero deveria saber o que faz, sim. Pois são ordenados a zelar pelo sagrado, a dedicar as suas vidas, nesse sentido.

Num momento em que o Brasil mais precisa de orações, penitências e jejuns dos fiéis, para superar a grave crise em que vive (econômica, política, cultural e profundamente moral), o clero paulista deveria exortar o povo á oração, às práticas de piedade e devoção, especialmente em atos inclusive públicos que honrassem Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Mas o que vemos, no entanto, é o clero paulista anuir com o pecado, pois pecam gravemente ao expor a imagem de Nossa Senhora numa festa pagã, profanando-a. E levam os fiéis católicos (cada vez mais confusos com a extensão do relativismo) a pecar. Por isso, é preciso, enquanto leigos católicos, expressarmos publicamente tal equívoco, reforçando nossas orações pela conversão daqueles que assumiram o compromisso de defender a fé e salvaguardar a sã doutrina.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida.

 

24 fevereiro, 2017

Orações por John Vennari.

Por Gercione Lima – FratresInUnum.com: Venho pedir-lhes orações pelo meu amigo John Vennari, editor do jornal Catholic Family News. Ele está em estágio terminal de câncer de cólon e segundo os médicos pouco tempo lhe resta.

Ele já recebeu a extrema-unção e aguarda o desfecho final. Oremos por ele e por seus familiares.

23 fevereiro, 2017

O retrato da decadência da Igreja no Brasil. 

Créditos ao amigo Rodolfo Cristiano. 

23 fevereiro, 2017

Uma das figuras de peso no Concílio Vaticano II confessa ter escondido sua vida homossexual.

The Lifesite News | Tradução: FratresInUnum.com

Gregory Baum, de 93 anos, um famoso ex-sacerdote católico canadense, revelou em seu último livro que ele viveu secretamente uma vida homossexual ativa durante décadas.

Baum, que foi um perito no Concílio Vaticano II, compôs o primeiro rascunho do documento conciliar Nostra aetate, a Declaração sobre a Relação da Igreja com as Religiões Não-Cristãs. Baum advogou pelo fim dos esforços da Igreja na tentativa de convencer os judeus a reconhecer Cristo como o Messias e, desde então, tornou-se um ativista por justiça social e pela promoção da teologia da libertação.

O influente clérigo revela abertamente em seu livro intitulado “O óleo não secou. A História de Meu Caminho Teológico” (The Oil Has Not Run Dry): “eu não confessei minha própria homossexualidade em público porque tal ato de honestidade teria reduzido minha influência como um teólogo crítico. Eu ansiava por ser ouvido como um teólogo que confia em Deus como salvador do mundo e comprometido com a justiça social, a teologia da libertação e a solidariedade global”.

Baum também era muito influente na Igreja Católica no Canadá, apesar de suas posições abertamente heréticas sobre a sexualidade e que foram publicadas em vários jornais. Sua dissensão pública da declaração de 1968 da Igreja que mantém a proibição da contracepção – Humanae Vitae – foi crucial para gerar a mesma resistência entre os bispos canadenses contra a encíclica do Papa Paulo VI. Como escreveu o principal especialista sobre a dissidência dos bispos canadenses, Monsenhor Vincent Foy: “Se não fosse pela sombra negra de Baum em Winnipeg, sua influência sobre alguns bispos, o establishment teológico canadense e grupos de pressão, a Declaração de Winnipeg dos Bispos canadenses sobre a Humanae Vitae não teria então se recusado a endossar o ensino da encíclica do modo como foi feito“.

Em seu novo livro, Baum escreve: “Eu tinha 40 anos de idade quando tive meu primeiro encontro sexual com um homem. Conheci-o num restaurante em Londres. Foi excitante e ao mesmo tempo decepcionante, pois eu sabia o que era amor e o que eu realmente queria era compartilhar minha vida com um parceiro“.

Ele diz que até considerou renunciar ao sacerdócio, mas não foi adiante com todo o processo formal, preferindo apenas anunciar sua decisão em um jornal nacional. Mais tarde ele se casou com uma ex-freira divorciada que segundo o que ele mesmo disse: “não se importou, quando nos mudamos para Montreal em 1986 e lá conheci Normand, um ex-padre, por quem me apaixonei”. Normand, ele explica, “é gay e acolheu meu abraço sexual“.

Dr.  Michael Higgins, vice-presidente da Missão e Identidade Católica da Universidade do Sagrado Coração em Fairfield, Connecticut, em uma homenagem a Baum publicada no jornal Commonweal em 2011, citou seu papel fundamental durante o Concílio Vaticano II. “O Concílio foi uma criação de Gregory Baum“, escreveu ele. “Ele serviu em várias funções nas comissões encarregadas de preparar os documentos. (…) começando seu trabalho em novembro de 1960 e concluindo-o no final do Concílio em dezembro de 1965, um aprendizado que culminou com seu rascunho da Constituição Nostra Aetate“.

Outro famoso sacerdote Católico de Toronto, e agora consultor do Vaticano, Pe. Thomas Rosica, patrocinou uma apresentação controversa de Baum no Catholic Newman Center da Universidade de Toronto em 1996 e em 2012 fez dele um convidado especial na sua estação de televisão católica canadense Salt and Light Television.

Padre Rosica, durante a entrevista, cheia de adulação com relação a Baum, admitiu que Baum é um conhecido seu de longa data. “Certamente que sempre admirei muito a sua teologia, os seus escritos, mas também o seu amor pela Igreja, o seu amor a Cristo pois você ajudou a manter vivo não apenas o espírito do Concílio Vaticano II, mas também o ensinamento autêntico do Concílio“. Foi o que disse Padre Rosica a Baum. “Você permanece um fiel, um católico profundamente devoto, que ama Jesus, a Igreja e Eucaristia“, acrescentou.

Monsenhor Foy, por outro lado, considera Baum como sendo “a pessoa que mais causou danos à Igreja no Canadá“.

22 fevereiro, 2017

Quando a correção pública é urgente e necessária

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 22-02-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com:

Pode-se corrigir publicamente um Papa por seu comportamento repreenssível? Ou a atitude de um fiel deve ser de uma obediência incondicional ao ponto de justificar qualquer palavra ou gesto do Pontífice, mesmo que abertamente escandaloso? Segundo alguns, como o vaticanista Andrea Tornielli, é possível expressar “face a face” seu desacordo com o Papa, mas sem manifestá-lo publicamente. Pelo menos esta tese contém uma admissão importante: o Papa não é infalível, exceto quando fala ex cathedra. Do contrário não seria lícito dissentir dele, nem sequer em privado, e o caminho a seguir seria somente o do silêncio religioso. Contudo, o Papa, que não é Cristo, mas apenas o seu representante na Terra, pode pecar e errar. Mas – pergunta-se – é verdade que ele só pode ser corrigido de forma privada, e nunca publicamente?

Para responder, é importante lembrar o exemplo histórico por excelência, aquele que nos oferece a regra de ouro do comportamento, o chamado “incidente de Antioquia”. São Paulo no-lo recorda nestes termos na Carta aos Gálatas, escrita provavelmente entre 54 e 57: “Tendo visto que me tinha sido confiado o Evangelho para os não circuncidados, como a Pedro para os circuncidados, (porque quem fez de Pedro o Apóstolo dos circuncidados, também fez de mim o Apostolo dos gentios) e tendo reconhecido a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram considerados as colunas (da Igreja), deram as mãos a mim e a Barnabé, em sinal de comunhão, para que fôssemos aos gentios, e ele aos circuncidados, (recomendando) somente que nos lembrássemos dos pobres (da Judéia); o que eu fui solícito em cumprir. Mas, tendo vindo Cefas a Antioquia, eu lhe resisti na cara, porque merecia repreensão, pois que antes que chegassem alguns de Tiago, ele comia com os gentios, mas, depois que chegaram, retirava-se e separava-se (dos gentios), com receio dos que eram circuncidados. Os outros judeus imitaram-no na sua dissimulação, de sorte que até Barnabé foi induzido por eles àquela simulação. Porém eu, tendo visto que eles não andavam direitamente, segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas, diante de todos: Se tu, sendo judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a judaizar?’”.

Pedro, por temor de ferir a susceptibilidade dos judeus, favorecia com o seu comportamento a posição dos “judaizantes”, que acreditavam que todos os cristãos convertidos deviam cumprir a circuncisão e outras disposições da Lei mosaica. São Paulo disse que São Pedro tinha claramente errado e por isso lhe “resistiu em face”, ou seja, publicamente, para que Pedro não desse escândalo na Igreja, sobre a qual exercia a autoridade suprema. Pedro aceitou a correção de Paulo, reconhecendo o seu erro com humildade.

São Tomás de Aquino trata deste episódio em muitas de suas obras. Em primeiro lugar, ele observa que “o apóstolo se opôs a Pedro no exercício da autoridade e não à sua autoridade de governo” (Super Epistolam ad Galatas lectura, n. 77, tr. It. ESD, Bologna 2006). Paulo reconhecia em Pedro o Chefe da Igreja, mas julgava legítimo lhe resistir, dada a gravidade do problema, que tocava a salvação das almas. “O modo como se deu a repreensão foi conveniente, pois foi público e manifesto” (Super Epistolam para Galatas, n. 84). O incidente, observa ainda o Doutor Angélico, contém lições tanto para os prelados quanto para seus súditos: “Aos prelados (foi dado exemplo) de humildade, para que não se recusem a aceitar repreensões da parte de seus inferiores e súditos; e aos súditos (foi dado) exemplo de zelo e liberdade, para que não receiem corrigir seus prelados, sobretudo quando o crime for público e redundar em perigo para muitos” (Super Epistulam ad Galatas, n. 77).

Em Antioquia, São Pedro demonstrou profunda humildade, e São Paulo, ardente caridade. O Apóstolo dos gentios mostrou-se não apenas justo, mas misericordioso. Entre as obras de misericórdia espirituais existe a admoestação dos pecadores, chamada pelos moralistas de “correção fraterna”. É privada, se privado for o pecado, e pública se o pecado for público. O próprio Jesus especificou a sua modalidade: “Se teu irmão pecar contra ti, vai, corrige-o entre ti e ele só. Se te ouvir, ganhaste o teu irmão. Se, porém, te não ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que pela palavra de duas ou três testemunhas se decida toda a questão. Se os não ouvir, dize-o à Igreja. Se não ouvir a Igreja, considera-o como um gentio e um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu; e tudo o que desatardes sobre a terra, será desatado no céu” (Mt 18, 15-18).

Pode-se imaginar que depois de tentar convencer privadamente São Pedro, Paulo não hesitou em repreendê-lo publicamente, mas – diz São Tomás –  “porque São Pedro tinha pecado na frente de todos, devia ser repreendido na frente de todos” (In 4 Sententiarum, Dist. 19, q. 2, a. 3, tr. ele., ESD, Bolonha, 1999).

 A correção fraterna, como ensinam os moralistas, é um preceito não opcional, mas obrigatório, sobretudo para aqueles que têm cargos de responsabilidade na Igreja, porque deriva da lei natural e da lei divina positiva (Dictionnaire de Théologie Catholique, vol. III, col. 1908). A admonição pode ser dirigida do inferior ao superior, e também dos leigos ao clero. À pergunta de se há obrigação de repreender publicamente o superior, São Tomás respondeu de forma afirmativa no Comentário sobre as Sentenças de Pedro Lombardo, observando, no entanto, que devemos sempre agir com o máximo respeito. Portanto, “os prelados não devem ser corrigidos por seus súditos na frente de todos, mas humildemente, em particular, a menos que haja um perigo para a fé; em tal caso, na verdade, o prelado tornar-se-ia inferior, por ter incorrido na infidelidade, e o súdito tornar-se-ia superior” (In Sententiarum 4, Dist. 19, q. 2, a. 2).

Nos mesmos termos o Doutor Angélico se exprime na Suma Teológica: “Havendo perigo próximo para a fé, os prelados devem ser argüidos, até mesmo publicamente, pelos súditos. Assim, São Paulo, que era súdito de São Pedro, argüiu-o publicamente, em razão de um perigo iminente de escândalo em matéria de Fé. E, como diz a Glosa de Santo Ambrósio, ‘o próprio São Pedro deu o exemplo aos que governam, a fim de que estes afastando-se alguma vez do bom caminho, não recusassem como indigna uma correção vinda mesmo de seu súditos’ (ad Gal. 2, 14)” (Suma Teológica, II-IIae, 33, 4, 2).

Cornélio a Lapide, resumindo o pensamento dos Padres e Doutores da Igreja, escreve: “Que os superiores podem ser repreendidos, com humildade e caridade, pelos inferiores, a fim de que a verdade seja defendida, é o que declaram, com base nesta passagem (Gal. 2, 11), Santo Agostinho (Epist. 19), São Cipriano, São Gregório, Santo Tomás e outros acima citados. Eles claramente ensinam que São Pedro, sendo superior, foi repreendido por São Paulo (…). Com razão, pois, disse São Gregório (Homil. 18 in Ezech); ‘Pedro calou-se a fim de que, sendo o primeiro na hierarquia apostólica, fosse também o primeiro em humildade’. E Santo Agostinho escreveu (Epist. 19 ad Hieronymum): ‘Ensinando que os superiores não recusem deixar-se repreender pelos inferiores, São Pedro deu à posteridade um exemplo mais incomum e mais santo do que deu São Paulo ao ensinar que, na defesa da verdade, e com caridade, aos menores é dado ter a audácia de resistir sem temor aos maiores’” (Ad Gal. 2, II, in Commentaria in Scripturam Sacram, Vives, Paris, 1876, tomo XVII).

A correção fraterna é um ato de caridade. Entre os pecados mais graves contra a caridade, há o cisma, que é a separação da autoridade da Igreja ou de suas leis, usos e costumes. Até mesmo um Papa pode cair em cisma, se ele divide a Igreja, como explica o teólogo Suárez (De schismate in Opera omnia, vol. 12, pp. 733-734 e 736-737), e confirma o cardeal Journet (L’Eglise du Verbe Incarné, Desclée, Bruges 1962, vol. I, p. 596).

Hoje na Igreja reina a confusão. Alguns corajosos cardeais anunciaram uma eventual correção pública ao Papa Bergoglio, cujas iniciativas estão se tornando cada dia mais preocupantes e divisivas. O fato de ele se omitir em responder às  “dubia” dos cardeais sobre o capítulo 8 da Exortação Amoris laetitia, credencia e incentiva interpretações heréticas ou próximas da heresia relativas à comunhão aos divorciados recasados. Assim favorecida, a confusão produz tensões e disputas internas, ou uma situação de conflito religioso que preludia o cisma. O ato de correção pública é urgente e necessário.