9 dezembro, 2019

O celibato no Antigo Testamento.

Por Jeffrey Tranzillo, Crisis Magazine, 24 de julho de 2019 | Tradução: FratresInUnum.comDeus ordenou a Moisés que consagrasse os israelitas “hoje e amanhã” e os instruísse a lavarem suas vestes, a fim de estarem preparados para ver o Senhor descer no Monte Sinai ao terceiro dia. Moisés consagrou e instruiu o povo como Deus havia ordenado e também disse que eles deveriam se abster de relações sexuais (cf. Ex 19, 10-15).

Por que Deus estabeleceu como condição a abstinência sexual? É evidente que a Bíblia não afirma que haja algo intrinsecamente impuro no ato sexual realizado segundo o plano criador de Deus. Quanto a isso, basta lembrar as passagens mais relevantes dos dois relatos da Criação (cf. Gn 1, 27-28; 2, 21-25), às quais a exaltação bíblica da boa esposa (cf. Pr 31, 10-31) e da fecundidade procriadora (cf. Sl 128, 3-4) serve de comentário. Portanto, a relação sexual legítima entre marido e mulher não os tornaria indignos de estar na presença de Deus, depois de se terem purificado.

Por outro lado, o pedido que Moisés faz ao povo de abster-se de relações sexuais antes do encontro com o Senhor pode ser uma alusão à “vergonha” associada à sexualidade humana desde a Queda (cf. Gn 2, 25 e 3, 7-10). A forte inclinação aos pecados sexuais é, decerto, o principal “calcanhar de Aquiles” do homem caído. Por isso, Moisés exigiu que os israelitas exercitassem a continência sexual como um sacrifício de purificação e consagração, preparando-se assim para o acontecimento profundamente sagrado que seria a manifestação de Deus no Sinai: assim como Deus é santo, também eles devem sê-lo.

Assim, de maneira simbólica, Moisés procurou reconduzir o povo a um apropriado estado de inocência “virginal”, isto é, o que existia antes de os olhos humanos se abrirem à rebelião contra Deus (cf. Gn 3, 7). Além de coerente estima pela fecundidade conjugal, o Antigo Testamento parece sugerir aqui que os israelitas viam na virgindade certa pureza condizente com o sagrado (cf. Lv 21, 13-15; Is 62, 4-5).

Por mais que nos pareça estranho, Israel também tratava suas batalhas militares como acontecimentos religiosos. Afinal de contas, foi sob o comando de Deus que Israel marchou para tomar posse da terra prometida a Abraão e seus descendentes. E era a Deus que Israel devia suas vitórias militares. De fato, no início da conquista [da terra prometida], os sacerdotes levíticos às vezes levavam a Arca da Aliança — o local da presença tangível de Deus entre os israelitas — para o próprio campo de batalha (cf. Js 6).

Mesmo assim, a vitória dependia da fidelidade do povo ao Senhor (cf. 1Sm 4, 1-11). Portanto, Israel precisava de uma pureza virginal em sua relação com Deus para cumprir sua missão e receber o que Ele havia prometido. Por essa razão, os empreendimentos militares de Israel eram precedidos por um rito de purificação: os soldados tinham de se consagrar ao Senhor e aos seus desígnios.

Temos provas disso, por exemplo, em um dos episódios em que Davi foge de Saul. Davi foi sozinho ao sacerdote Aimeleque, em Nobe (perto de Jerusalém), alegando ter sido enviado em segredo pelo rei, quando estava, na verdade, à procura de algo que comer. Como Aimeleque só tivesse pão sagrado, ofereceu-o a Davi, mas sob a condição de que o seu séquito — que Davi alegou estar à sua espera — evitasse contato com mulheres. Davi respondeu que, em campanha, a ele e à sua comitiva era proibido ter contato com mulheres. Após constatar que estavam aptos para comer, o sacerdote deu o pão a Davi (cf. 1Sm 21, 1-6).

A mesma purificação consecratória aparece novamente no relato do adultério de Davi com Betsabé, esposa de Urias, o hitita. Num esforço para ocultar a gravidez, fruto do seu pecado, Davi mandou Urias retirar-se de batalha e tentou por duas vezes induzi-lo a ir para casa e dormir com a esposa. Mas Urias, embora fosse um mercenário, era um soldado leal, que insistia em observar a obrigação religiosa da continência durante a campanha militar de que estava participando. Por isso, Davi elaborou um plano a fim de provocar a morte de Urias no campo de batalha. Depois disso, tomaria Betsabé para si, desfazendo qualquer suspeita quanto à gravidez (cf. 2Sm 11).

Levando em conta o que vimos acima, podemos concluir fundadamente que, para os homens que participavam de uma guerra santa, a observância da continência sexual simbolizava, de um modo físico, o desejo que cada soldado tinha de se entregar plenamente a Deus e aos seus desígnios. Além disso, dadas as inclinações sexuais do homem caído, os soldados com certeza entendiam que a continência sexual realmente os ajudava de algum modo nessa consagração especial — mesmo que isso apenas os estimulasse a focar exclusivamente em sua missão designada por Deus e lhes conferisse uma determinação singular para cumprir, em nome do povo, os desígnios de Deus para Israel. Suas vitórias militares ajudavam a reforçar seu próprio senso de identidade — e o do povo — como escolhidos de Deus, ao mesmo tempo que cultivavam a fé no Senhor de sua história. A observância da continência sexual também cultivava entre os próprios soldados um senso de fraternidade e propósito comuns. Urias, o hitita, é um grande exemplo bíblico de solidariedade auto-sacrificial para com seus companheiros de luta (cf. 2Sm 11, 11).

Com relação à condução mesma da guerra, parece difícil conciliar a consagração a Deus em período de guerra, a retidão de intenção e a liderança de Deus na batalha com a aparente inclemência de Deus ao lançar sobre os espólios de guerra — povos, animais e coisas — um “interdito”, isto é, uma “maldição de destruição”. Isso diz respeito à injunção divina que exigia de Israel dar a Deus algumas ou todas as pessoas e coisas capturadas numa batalha, fosse por meio de sua destruição, fosse por meio de seu depósito no santuário (e.g., ouro e prata). A violação do interdito por uma única pessoa era uma ofensa tão grave, que faria a maldição se alastrar em todo o Israel, que seria considerado culpado de desobedecer a Deus. Assim, Israel infiel seria incapaz de resistir aos seus inimigos. Para remover a maldição imposta ao povo, o responsável pela violação do interdito tinha de ser desmascarado e morto, e os ganhos ilícitos destruídos junto com a família do culpado (cf. Js 6, 17-19; 7, 1-26).

Temos de compreender a brutalidade do interdito em termos daquilo que Israel perderia em troca dos espólios de guerra. Se cobiçasse e retivesse os ídolos de prata e ouro dos povos conquistados, em vez de os queimar e destruir, Israel sucumbiria à ganância e à idolatria. Por isso Moisés o alertou: “Não introduzirás em tua casa coisa alguma abominável, porque serias, como ela, votado ao interdito” (Dt 20, 16-18). O risco que mulheres estrangeiras ofereciam à fé de Israel (cf., e.g., Nm 25) — daí sua inclusão no interdito — talvez estivesse relacionado à (e enfatizado pela) disciplina da continência sexual durante campanhas militares.

A probabilidade de Israel ceder à cobiça, à luxúria, à idolatria, à hipocrisia e à complacência era tão grande, que estava em jogo nada menos que sua relação de aliança exclusiva com o único Deus verdadeiro. Havia sempre o risco de que Israel perdesse sua herança na Terra Prometida e perecesse como as outras nações ímpias, a menos que Deus, em sua misericórdia, quisesse redimi-lo (cf., e.g., Dt 4, 23-31; 8, 11-20). O interdito servia para impedir essas ameaças. Foi precisamente por Saul ter desobedecido aos termos do interdito em sua guerra contra os amalequitas, pondo em perigo assim a todo o povo, que Deus tirou dele a realeza e a deu a Davi (cf. 1Sm 15).

Celibato sacerdotal e batalha espiritual

Como se relaciona o que foi dito acima com a questão do ministério e do celibato sacerdotal sob a Nova Aliança em Cristo? Como nos diz São Paulo, “não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar (…), mas contra as forças espirituais do mal” (Ef 6, 12). Em outras palavras, cada um de nós está envolvido numa guerra de tudo ou nada contra inimigos inconcebivelmente cruéis e implacáveis — i.e., as legiões invisíveis, os anjos caídos, que estão sob o comando de Satanás. Eles querem a todo o custo provocar nossa condenação eterna (incitando-nos a pecar), a fim de que percamos nossa herança na terra prometida do Reino de Deus.

Guerras humanas, como as que estão registradas no Antigo Testamento, não são apenas símbolos dessa guerra invisível e espiritual: são manifestações visíveis dela. Nossa submissão ao pecado por causa do estímulo realizado pelos espíritos malignos sempre causa algum tipo de divisão, e finalmente a guerra, tão logo nossos pecados tenham atingido um nível crítico, pois pouquíssimos de nós estamos dispostos a nos arrepender, a fazer penitência e a emendar de vida com o auxílio da graça de Deus. Isso significa que a guerra é um sinal claro da revolta generalizada contra Deus.

Portanto, seguindo o exemplo da radical maldição de destruição veterotestamentária, temos de nos dedicar à guerra espiritual “pondo um interdito” em todos e em tudo o que poderia resultar em nossa separação eterna de Deus e de suas promessas. Se não o fizermos, nós mesmos sofreremos a maldição do interdito por meio do pecado. Esse é precisamente o sentido do ensinamento de Cristo segundo o qual deveríamos arrancar nosso olho ou cortar nossa mão e jogá-la fora, se um deles nos levasse a pecar. Antes isso do que ser lançado no inferno para sempre (cf. Mc 9, 43-48). Jesus está nos exortando, de forma hiperbólica, a nos afastar radicalmente do pecado e de tudo o que poderia nos levar a pecar, pois o que está em jogo é nossa salvação eterna. Ao contrário do interdito antigo, no entanto, nós não entregamos a Ele ninguém para que seja destruído, mas apenas na esperança de que seja salvo.

Todas as batalhas físicas descritas no Antigo Testamento foram efêmeras, pois Israel tentava obter controle sobre sua herança terrena. Aos soldados que lutavam para garantir as promessas de Deus (e, nesse sentido, eram mediadores dessas promessas) cabia simbolizar apenas temporariamente, enquanto durasse a batalha, sua consagração a Deus por meio da observância da continência sexual. A autodisciplina desses homens lhes permitia voltar sua atenção e energia exclusivamente para o propósito de obter a vitória em nome do Senhor.

Permanecem sempre ativos, porém, os mesmos seres espirituais e malévolos que se escondiam nas batalhas de Israel. Atualmente, são muitas as manifestações visíveis de sua atividade rebelde — todas elas focadas na degradação e na destruição da própria vida humana. Para nos dedicarmos à batalha espiritual enquanto tal — isto é, para pegar em armas e lutar contra nossos inimigos poderosos e invisíveis —, precisamos de soldados que estejam espiritualmente equipados para liderar o restante de nós nesta batalha violenta e implacável e, portanto, que desejem se consagrar a Deus de modo permanente, com esse único propósito. A natureza permanente dessa guerra de soma zero requer bispos e sacerdotes fiéis ao celibato, cuja missão indispensável é agir como mediadores da verdade do Evangelho e da salvação, dons sacramentais da graça que Deus Pai nos oferece em e por meio de Jesus Cristo, seu Filho eterno. Quando agem in persona Christi capitis, eles intermedeiam para nós nada menos do que a promessa de vida eterna em Cristo.

Como os bispos e os sacerdotes têm a obrigação de lutar pela salvação das almas, sua dedicação a Deus — e o cumprimento da missão dada por Ele — deve ser exclusiva. Pois o único objetivo de nossos inimigos invisíveis é frustrar essa missão. Pelo exposto, exige-se do clero católico desapego extraordinário em relação às preocupações terrenas e, portanto, um foco decidido, ao qual se presta a continência sexual permanente do celibato (cf. 1Cor 7, 28.32-33) e para cuja observância Deus jamais deixa de conceder graças.

O Matrimônio e a família requerem um tipo de morte absoluta para si. O ministério sacerdotal requer outro. O mesmo homem não pode morrer simultaneamente das duas formas. Para o sacerdote, é crucial que recaia um “interdito” sobre o Matrimônio. Ele deve se desapegar de tudo e de todos, exceto de Jesus Cristo, para que não seja tentado a transigir com o inimigo implacável em detrimento das almas. Ao mesmo tempo, sua fidelidade à vida celibatária serve como um sinal indispensável da vida ressuscitada em Cristo e do poder da graça de Deus.

E a escassez de sacerdotes? Não deveríamos fortalecer as fileiras com homens casados? Concluamos com dois pontos a respeito desta questão.

 

Sobre o número de vocações

Em primeiro lugar, Deus não precisa de números por si mesmos. Dentre trinta e dois mil homens, Deus fez Gideão escolher apenas trezentos — os mais destemidos e atentos do grupo — para derrotar um exército enorme e muito superior. Isso mostrava com clareza que a vitória era de Deus (cf. Jz 7, 1-23).

Do mesmo modo, Jesus Cristo é a cabeça da Igreja militante. Se necessário, ele pode liderar a Igreja na vitória contra o pecado, a morte e o demônio com um pequeno número de sacerdotes dedicados e consagrados exclusivamente a Ele e à missão que lhes foi confiada. Essa exclusividade implica o celibato.

Quando aceito com alegria, por meio da graça, ainda hoje o celibato sacerdotal significa — e produz verdadeiramente — uma pureza sagrada que conforma e une de modo mais perfeito o sacerdote a Cristo, a quem e em cujo serviço ele é livre para se doar incondicionalmente. Sacerdotes desse tipo formam um poderoso grupo de irmãos. Sempre alertas às artimanhas do demônio, eles as combatem sem medo e com eficácia, usando os meios espirituais que Deus lhes deu para defenderem a si mesmos e ao seu povo. Desta forma, pastor e rebanho triunfam juntos sobre os ataques violentos do inimigo infernal.

Em segundo lugar, não faltaria homens respondendo ao chamado de Deus para se tornarem sacerdotes celibatários dedicados, se a Igreja resgatasse, enfatizasse e treinasse os homens de acordo com a analogia militar esboçada acima (cf. também Ef 6, 13-20). Isso atrairia os homens viris, que são naturalmente inclinados e dispostos, pela graça de Deus, a se sacrificar de modo supremo para defender a Esposa de Cristo. Nossos melhores sacerdotes vivem segundo essa perspectiva, que é ao mesmo tempo marcial e marital.

Em contrapartida, os “modelos” eclesiais afeminados aos quais somos apresentados atualmente — e.g., a Igreja politicamente correta, a Igreja calada que só escuta, a Igreja que aceita e abençoa o pecado mortal, a Igreja “sinodal” ou feita sob medida — podem facilmente dissuadir muitos homens fiéis e moralmente íntegros de seguir o chamado ao sacerdócio. Embora eles tenham a vocação sacerdotal e estejam dispostos, voluntariamente, a canalizar seu natural instinto de proteção (ou de paternidade) para combater o bom combate da fé (cf. 1Tm 6, 12), em vez de canalizá-lo para a formação de uma família, é legítima a preocupação que eles manifestam com a possibilidade de serem removidos da batalha e “desarmados” por bispos e sacerdotes infiéis que não têm interesse algum em entrar no combate. O intuito destes, muito ao contrário, é introduzir na Igreja aquilo que Deus interditou irrevogavelmente. Eles conspiram para eviscerar os mandamentos de Deus e a lei natural; para admitir à Sagrada Comunhão católicos divorciados e “recasados”, pecadores impenitentes e não católicos; para reconhecer e abençoar “uniões” sodomitas; para ordenar mulheres; e assim por diante, ad nauseam.

O demônio prospera por meio desses inimigos da cruz: “para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno” (Fl 3, 19). Embora preservem a aparência da religião, eles negam seu poder (cf. 2Tm 3, 5). Parece que o “que domina até este momento é o orgulho, o ódio, a desordem e a cólera” (1Mb 2, 40).

Em vez de se sentirem desencorajados, os homens que se sentem chamados ao sacerdócio — e também todos os soldados cristãos, independentemente do estado de vida — podem se inspirar na derradeira exortação de Matatias, pai da revolta dos Macabeus: “Sede, pois, agora, meus filhos, os defensores da Lei e dai a vossa vida pela Aliança de nossos pais (…). Todos os que esperam em Deus não desfalecem” (1Mb 2, 50.61).

* Nosso agradecimento a um caro amigo pela tradução gentilmente fornecida.

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8 dezembro, 2019

Foto da semana.

Viena, Áustria, 30 de novembro de 2019 – O Cardeal Christoph Schonborn cede, pela terceira vez, a histórica Catedral de Santo Estevão para um concerto blasfemo pro-LGBT, a fim de angariar fundos para portadores da AIDS. A atração principal deste ano foi o cantor transgênero barbudo Conchita Wurst.

7 dezembro, 2019

“De Maria numquam satis”.

“De Maria numquam satis”, dizem os Santos. Não se deve dizer basta nos louvores a Maria Santíssima. Não temamos cultuá-la excessivamente. Estamos sempre muito aquém do que Ela merece. Não é pelo excesso que nossa devoção a Maria falha. E sim, quando é sentimental e egoísta. Há devotos de Maria que se comovem até às lágrimas, e, no entanto, se ajustam, sem escrúpulos, à imodéstia e à sensualidade dominantes na sociedade de hoje. Sem imitação não há verdadeira devoção marial.

Consagremos, realmente, a Maria Santíssima nossa inteligência e nossa vontade, com a mortificação de nossa sensibilidade e de nossos gostos, e Ela cuidará de nossa ortodoxia. “Qui elucidam me vitam aeternam habebunt” (Eclo 24,31) – [Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna] -, diz a Igreja de Maria. Os que se ocupam de fazê-la conhecida e honrada terão a vida eterna.

Dom Antônio de Castro Mayer.

Quando eu era jovem teólogo, antes e até mesmo durante as sessões do Concílio, como aconteceu e como acontecerá a muitos, eu alimentava uma certa reserva sobre algumas fórmulas antigas como, por exemplo, a famosa De Maria nunquam satis – “Sobre Maria jamais se dirá o bastante”. Esta me parecia exagerada.

Encontrava dificuldade, igualmente, em compreender o verdadeiro sentido de uma outra expressão bastante famosa e difundida repetida na Igreja desde os primeiros séculos, quando, após um debate memorável, o Concílio de Éfeso, do ano 431, proclamara Nossa Senhora como Maria Theotokos, que quer dizer Maria, Mãe de Deus, expressão esta que enfatiza que Maria é “vitoriosa contra todas as heresias”.

Somente agora – neste período de confusão em que multiplicados desvios heréticos parecem vir bater à porta da fé autêntica –, passei a entender que não se tratava de um exagero cantado pelos devotos de Maria, mas de verdades mais do que válidas.

Cardeal Joseph Ratzinger – Entretiens sur la Foi, Vittorio Messori – Fayard 1985.

(Publicado originalmente na festa da Imaculada Conceição de 2008)

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4 dezembro, 2019

A Carta de São Judas: uma resposta à atual crise da Igreja.

A clamorosa atualidade da Carta de São Judas. O que faremos diante da crise atual da Igreja? São Judas nos responde. 

Por Eric Sammons, OnePeterFive.com, 19 de novembro de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com* Nos dias atuais, muitos católicos estão desesperados para ouvir palavras de encorajamento e orientação por parte dos bispos, sucessores dos Apóstolos. Mas, e se eu lhe disser que essas palavras já nos foram dirigidas por um dos doze Apóstolos?

A Carta de São Judas é escrita pelo mais desconhecido dos autores do Novo Testamento. A carta em si também é pouco conhecida, escondida no Novo Testamento entre as três cartas do apóstolo João e seu livro do Apocalipse. Ela nunca é incluída nas leituras de domingo nos calendários da Forma Ordinária ou da Extraordinária, e é incluída apenas uma vez a cada dois anos nas leituras dos dias da semana na Forma Ordinária (mais precisamente, no sábado da 8.a Semana do Tempo Comum, no ano par). Portanto, você está perdoado se não estiver familiarizado com essa epístola.

Apesar disso, a breve Carta de São Judas parece ter sido escrita hoje por um bispo preocupado, abordando a crise atual da Igreja. E, em certo sentido, podemos dizer que é sim, pois toda a Escritura é atemporal, e o Espírito Santo a inspira de tal maneira que é sempre aplicável aos nossos tempos. Podemos ver que esse mistério é abundantemente claro no caso da Carta de São Judas.

Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos eleitos bem-amados em Deus Pai e reservados para Jesus Cristo. Que a misericórdia, a paz e o amor se realizem em vós copiosamente. Caríssimos, estando eu muito preocupado em vos escrever a res­peito da nossa comum salvação, senti a necessidade de dirigir-vos esta carta para exortar-vos a lutar pela fé, confiada de uma vez para sempre aos santos. Pois certos homens ímpios se introduziram furtivamente entre nós, os quais desde muito tempo estão destinados para este julgamento; eles transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Mestre e Senhor (1, 1-4).

Nessa breve carta, São Judas não perde tempo, vai logo ao que interessa. Parece que ele originalmente queria escrever uma carta mais teológica, porém, em vez disso, as circunstâncias exigiam que ele exortasse seu público a “lutar pela fé” contra os “homens ímpios”. Essa fé não é fruto de uma invenção; antes, foi “confiada” à Igreja. Em outras palavras, não podemos mudar ou moldar a fé à nossa própria imagem, mas devemos lutar para proteger o depósito revelado da fé.

Essa também é a luta de hoje. Certas forças estão oprimindo a Igreja, exigindo a rejeição dos ensinamentos que nos foram revelados, e somos chamados a lutar pela fé contra elas.

É importante ressaltar que o perigo contra o qual São Judas está advertindo não vem de fora da Igreja, mas de seu interior. São os membros da Igreja que obtiveram a admissão “furtivamente” (mas que estão “destinados para… julgamento”) que representam o evidente perigo dos dias atuais. Como eles se tornaram perigosos? Transformando “a graça de nosso Deus em libertinagem”. Em outras palavras, eles ostentam a misericórdia de Deus a fim de justificar todas as formas de imoralidade (isso lhe soa familiar?). Ao fazer isso, eles “negam Jesus Cristo, nosso único Mestre e Senhor”.

Quisera trazer-vos à memória, embora saibais todas estas coisas: o Senhor, depois de ter salvo o povo da terra do Egito, fez em seguida perecer os incrédulos. Os anjos que não tinham guardado a digni­dade de sua classe, mas abandonado os seus tronos, Ele os guardou com laços eternos nas trevas para o julgamento do Grande Dia. Da mesma forma, Sodoma, Gomor­ra e as cidades circunvizinhas, que praticaram as mesmas impurezas e se entregaram a vícios contra a natureza, jazem lá como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno (Jd 1, 5-7).

Como nos diz o Eclesiastes, “não há nada de novo sob o sol” (Ecl 1, 9). Ao longo da história da salvação, até que o Senhor volte, haverá aqueles que o negam e procuram enfraquecer o seu povo. No entanto, o que São Judas quer deixar claro aos seus leitores é que Deus irá intervir. E a intervenção divina será contundente: aqueles que se opõem a Ele enfrentarão a “pena do fogo eterno”.

Embora, em nossos dias, muitas pessoas recuem diante dessa linguagem, deve ser um conforto, para aqueles que são fiéis a Deus, saber que a justiça chegará, no devido tempo, àqueles que o rejeitaram.

Assim também estes homens, em seu louco desvario, contaminam igualmente a carne, rejeitam a autoridade divina e maldizem os que estão na glória (Jd 1, 8).

Os homens ímpios que se infiltraram na Igreja “contaminam a carne”. Essa é uma referência clara à imoralidade sexual, que está sempre em voga, embora haja momentos — como o de São Judas e o nosso — em que ela está difundida na cultura. Hoje, tal imoralidade se manifesta na homossexualidade generalizada entre o clero, incluindo crimes horríveis de abuso cometidos por muitos padres e até bispos.

Da mesma forma, os ímpios “rejeitam a autoridade”. Outra tradução pode ser “escarnecer” ou “desprezar” a autoridade. Ou seja, eles não respeitam a autoridade de Deus ou de seus ministros. E nos casos em que são os próprios ministros, eles desprezam a autoridade que lhes foi confiada por Deus e abusam de seus desígnios — assim como também abusam da autoridade divina. Os bispos atuais que falham em seu dever de defender e promover a fé estão rejeitando a própria autoridade, e serão cobrados por isso.

Esses homens ímpios também “maldizem os que estão na glória”. Não se contentam apenas em apoiar a imoralidade; mas também zombam e insultam aqueles que são fiéis a Deus. Talvez eles os chamem de “rígidos” por aderir aos mandamentos de Deus?

Ora, quando o arcanjo Miguel discutia com o demônio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: “Que o próprio Senhor te repreenda” (Jd 1, 9).

Como podemos resistir a esses ímpios? Voltando-se para o Senhor. São Miguel Arcanjo, que lutou contra o diabo, não confiou em seu próprio poder — por mais considerável que fosse — para derrotar Satanás, mas primeiro pediu ao Senhor que o repreendesse. Da mesma forma, ao enfrentar os homens ímpios na Igreja, nosso primeiro passo não deve ser recorrer às redes sociais para discutir com eles, mas apelar à oração e à mortificação, pedindo o auxílio do Senhor. Porém, lembre-se de que, no final, São Miguel lutou contra Satanás; então, a oração e a mortificação não são o último passo, mas o primeiro, na luta contra nossos inimigos.

Estes, porém, falam mal do que ignoram. Encontram eles a sua perdição naquilo que não conhecem, senão de um modo natural, à maneira dos animais destituídos de razão. Ai deles, porque andaram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro caíram no erro de Balaão e pereceram na revolta de Coré (Jd 1, 10-11).

Os ímpios “falam mal do que ignoram”. Eles desconhecem a beleza de mortificar a carne; e não entendem a liberdade que resulta da submissão à autoridade espiritual legítima; por isso, criticam. Hoje, vemos isso nos constantes insultos e condenações contra práticas e devoções mantidas pelos católicos há séculos, como se essas coisas que antes eram enaltecidas pela Igreja agora pudessem ser rejeitadas por eles.

Qual é o erro de Balaão referido por São Judas? No Apocalipse, São João nos diz que Balaão instigou os filhos de Israel a “comer alimentos sacrificados a ídolos e praticar a imoralidade” (Ap 2, 14). Tais ações continuam a ser feitas hoje, com a tolerância e, talvez, até com a participação de membros da alta hierarquia da Igreja, como, por exemplo, na idolatria pagã realizada no Sínodo da Amazônia e na imoralidade sexual desenfreada entre os clérigos. Tais erros não se limitaram a Balaão. São Judas diz ainda que os ímpios serão como Coré, que se rebelou contra Moisés e foi consumido pelo fogo divino (Cf. Nm 16, 1–40).

Esses fazem escândalos nos vossos ágapes. Banqueteiam-se convosco despudorada­mente e se saciam a si mesmos. São nuvens sem água, que os ventos levam! Árvores de fim de outono, sem fruto, duas vezes mortas, desarrai­gadas! (Jd 1, 12-13).

Quando esta carta foi escrita, o “ágape” era uma refeição comunitária entre os cristãos, que provavelmente ocorria ao final da celebração da Eucaristia. São Judas está justamente condenando aqueles que eram altamente despudorados durante os Mistérios Sagrados. Infelizmente, o despudor é comum na liturgia de hoje, com o sacrifício da Missa tornando-se um momento em que se contam piadas, tratando as rubricas com desinteresse e até hostilidade, ou seja, um desrespeito geral pelos mistérios celebrados.

Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: Eis que veio o Senhor entre milhares de seus santos, para julgar a todos e confundir a todos os ímpios por causa das obras de impiedade que praticaram, e por causa de todas as palavras injuriosas que eles, ímpios, têm proferido contra Deus. Estes são murmuradores descontentes, homens que vivem segundo as suas paixões, cuja boca profere palavras soberbas e que admiram os demais por interesse (Jd 1, 14-16).

Embora possa não parecer, o Senhor irá “julgar” todos os que se opõem a Ele. Nenhum ato de impiedade será esquecido, e todos receberão sua justa recompensa. Quando vemos corrupção e imoralidade em todos os níveis da Igreja, tenhamos presente que Deus não está cego para isso.

A descrição de São Judas sobre os vícios nos quais estão afundados os inimigos de seu tempo parece-nos bastante familiar:

  • “murmuradores descontentes”: aqueles que se queixam dos ensinamentos “difíceis” da Igreja, querendo relativizar os mandamentos divinos a fim de satisfazer os prazeres terrenos.
  • “homens que vivem segundo as suas paixões”: basta olharmos para a homossexualidade predominante no clero.
  • “cuja boca profere palavras soberbas”: embora rejeitem a lei natural e a revelação divina, eles falam em linguagem teológica de forma fluente e sem escrúpulos.
  • “admiram os demais por interesse”: são favoráveis aos poderosos deste mundo, ansiosos para serem aceitos por eles. Em quantos coquetéis um bispo comum atende a políticos pró-aborto sem dizer uma palavra de repreensão?

Mas vós, caríssimos, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: “No fim dos tempos virão impostores, que viverão segundo as suas ímpias paixões (Jd 1, 17-18);

Em tempos de crise, pode parecer que o Senhor esqueceu-se de seu povo. No entanto, Jesus Cristo advertiu que esses tempos de provação chegariam. Quando vemos clérigos e prelados zombando do catolicismo tradicional e abraçando os costumes mundanos, podemos saber que este não é um caso de Deus nos abandonando, mas um tempo de provações e tribulações.

[…] homens que semeiam a discórdia, homens sensuais que não têm o Espírito (Jd 1, 19).

Se há uma coisa verdadeira sobre a situação atual da Igreja, é que ela está dividida. Ao zombar das verdades de fé e práticas tradicionais, os inimigos de Deus estabelecem divisões na “unidade” da Igreja. Eles tratam aqueles que são fiéis ao depósito da fé como marginais, indignos de serem ouvidos, dividindo, pois, profundamente a Igreja.

 

Mas vós, caríssimos, edificai-vos mutua­mente sobre o fundamento da vossa santíssima fé. Orai no Espírito Santo. Conservai-vos no amor de Deus, aguardando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna (Jd 1, 20-21).

 

Novamente, São Judas volta a tratar sobre o que podemos fazer diante da heresia e da corrupção na Igreja: “edificai-vos mutua­mente sobre o fundamento da vossa santíssima fé” através da oração e do amor de Deus. A situação pode parecer desesperadora, porém, com Deus ao nosso lado, sempre há esperança.

Para com uns exercei a vossa misericórdia, repreendendo-os, e salvai-os, arrebatando-os do fogo. Dos demais tende compaixão, repassada de temor, detestando até a túnica manchada pela carne (Jd 1, 22-23).

Embora existam os “homens ímpios” que rejeitam os ensinamentos da Igreja, há também muitas pessoas que são influenciadas por eles e acabam questionando a própria fé. Junto a essas pobres pessoas, precisamos agir para amenizar suas dúvidas a fim de que possam ser salvas. Os católicos comuns não são os “homens ímpios” sobre os quais São Judas está advertindo — mas são aqueles que precisamos salvar da miséria causada pelos ímpios.

 

Àquele que é poderoso para nos preservar de toda queda e nos apresentar diante de sua glória, imaculados e cheios de alegria, ao Deus único, Salvador nosso, por Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam dadas glória, magni­ficência, império e poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre. Amém. (Jd 1, 24-25).

 

Por fim, em todas as coisas — incluindo as provações — devemos dar glória a Deus. Na crise atual da Igreja, Deus permitiu, com sua vontade condescendente, que a corrupção e a heresia ocorressem de forma desenfreada. Mas devemos lembrar-nos de duas coisas: i) essa não é uma situação nova, pois os fiéis sempre estiveram em prontidão contra os lobos que estão dentro do rebanho; ii) mesmo nessa situação, Deus deve ser glorificado, por termos a oportunidade de amadurecer a nossa fé através de provações e tribulações.

 

Nos tempos difíceis de hoje, podemos encontrar, na Carta de São Judas, conselhos que nos guiarão enquanto lutamos pela fé contra os homens ímpios, regozijando-nos porque, através dessas provações e pela graça de Deus, podemos crescer em santidade.

 

São Judas, rogai por nós!

* Nosso agradecimento a um caro amigo pela gentileza de nos fornecer sua tradução.

3 dezembro, 2019

O sentido da política para Joseph Ratzinger.

Por Hermes Rodrigues Nery

Joseph Ratzinger tem um pensamento político muito claro, muito preciso, que ele expressou em vários documentos, em vários escritos, principalmente no tempo em que foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, de 1981 a 2005. Basicamente, destacaria aqui quatro documentos do então Cardeal Ratzinger, que, enquanto católicos, a gente precisa ler, entender, para que possa compreender o que está acontecendo hoje no mundo, no campo político.

São quatro documentos:

1º) “Cristianismo e Democracia Pluralista”, que Ratzinger apresentou em abril de 1984, em um congresso, em Munique; 2º) “Igreja, Ecumenismo e Política” (1987), 3º) “Política e Salvação”; 4º) “Europa, Política e Religião”, documento este apresentando em uma conferência em Berlim, em 2000, publicada na revista Communio, em 2001.

O que eu quero chamar a atenção aqui, desses quatro documentos, que tem muito a ver com o que a gente está vivendo hoje, é a visão que o Ratzinger tem sobre a crise das democracias, principalmente depois das duas grandes guerras mundiais, e as consequências dessa crise no campo político, em todas as instâncias, envolvendo aí política e cultura, comportamento, sociedade e tudo mais.

A questão é: qual é a causa, qual é a raiz da crise das democracias, que vai resultar no que nós estamos vivendo hoje, da debilidade das instituições, dos partidos políticos, em todos os níveis, da fragilização e banalização da vida humana, da crise mesmo do sentido da vida, das nossas relações, da falta da representatividade, de expectativas não correspondidas, dos poderes públicos, etc., etc., etc., que ele tão bem delineou as características do que estava por emergir no começo do século 21, mesmo ainda quando as tecnologias da comunicação não estavam influindo tanto como hoje, para dar no que estamos vendo: a demagogia, da intransigência o sentimentalismo e até mesmo o cerceamento da liberdade que campeia hoje nas redes sociais, aonde não é mais possível você manifestar o que realmente pensa, sem se expor assim ao linchamento virtual, aos sentenciamentos precipitados, onde todos querem ter opinião de tudo e ninguém admite o menor contraditório, agindo com as vísceras e não mais com a razão, e por aí afora. Como fica a questão da representatividade nisso tudo, como agregar as pessoas em torno de ideias, princípios e valores, sem manipular, principalmente as emoções humanas? Como entender esse fenômeno?

Ratzinger vai dizer então, nesses quatro documentos, que o que acontece é o seguinte: o que ocorreu depois das duas grandes guerras mundiais foi uma espécie de dissolução das bases morais do cristianismo, e a falta dessas bases morais acaba criando o ambiente político propício para a barbárie, agravada hoje ainda mais em suas novas expressões, intensificadas pelas tecnologias de comunicação, barbárie esta que tende a ser agravar se as bases morais do cristianismo forem solapadas de vez, que é o que ele estava vendo lá pelos anos 80, e que hoje aí estamos vendo os resultados, e de como tais bases morais estão sendo derruídas, de diversas formas, e com muito mais celeridade, por ação das tecnologias de comunicação. Com isso as pessoas perdem o chão da realidade, e optam por todos os escapismos e evasões.

Ratzinger diz: “onde o húmus cristão desaparece completamente, mais nada permanece em pé”. E quando faltam essas bases morais, quando não há mais vigência na sociedade, o que vai acontecer, concretamente? Uma parte importante, expressiva, significativa da população, principalmente os jovens, vai ficar vulnerável a todos os escapismos, e vão adotar posturas anárquicas, daí o libertarianismo, o anarquismo, e também com simpatias a regimes fechados e totalitários, e a barbárie, em suas diversas e novas formas de expressão.

A Política então – para Ratzinger – só terá sentido e será garantia da liberdade (no conceito cristão de liberdade) se for capaz de deter a barbárie, se for capaz de evitar justamente o solapamento dessas bases morais.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida. Email: prof.hermesnery@gmail.com

1 dezembro, 2019

Foto da semana.

Por Alerta Católico – Testemunho do Diacono Mike Hinger:

No fim de semana passado, na Missa das 10h, acidentalmente derramei um pouco do Precioso Sangue de Jesus no tapete durante a comunhão. Coloquei imediatamente um purificador de roupas sobre o derramamento, para que ninguém pisasse na área até que eu pudesse limpar o derramamento após a Missa.

Depois que a Missa terminou, fui à sacristia buscar água e purificadores de roupas adicionais para limpar o Precioso Sangue. Quando saí para a parte principal da Igreja, havia três freiras dos Filhos de Maria que assistiram a Missa das dez horas da missa ajoelhadas ao redor do Sangue Precioso derramado com o rosto baixo em adoração, esperando que eu voltasse. Eu, juntamente com outras pessoas, fiquei bastante emocionado com o testemunho das irmãs da verdadeira presença de Jesus na Eucaristia. Uma paroquiana ficou tão emocionada que tirou uma foto e a compartilhou comigo.

Pensei depois … Quantos de nós pensariam em se ajoelhar assim em adoração até que O Sangue Precioso fosse limpo? Certamente algo para refletir.

Paz para todos. … Deacon Dad

Diacono pertence a Paróquia São Maximiliano Kolbe, em Liberty Township (Ohio) nos EUA.

30 novembro, 2019

Mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor refletiu a que se expõe?

Perguntar-me-iam: Mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor refletiu a que se expõe? Sim.

Eu me exponho, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de padre. Exponho-me a dar segurança aos fiéis desamparados, tentados de cepticismo ou de desespero. De fato, todo e qualquer padre que conserve o rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-reforma, permitirá aos fiéis participar do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comungar, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies.

Da profética e histórica declaração do padre Calmel, que hoje completa 50 anos.

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28 novembro, 2019

Argentina. Cai o número de católicos.

IHU – Segundo estudo recentemente publicado, o número de católicos na Argentina caiu mais de 13 pontos nos últimos 11 anos, enquanto o número de evangélicos e de “pessoas sem religião” aumentou.

Igreja Católica argentina não experimentou o “efeito Francisco” como alguns esperavam. A eleição do ex-arcebispo de Buenos Aires, em março de 2013, não conseguiu deter o declínio no número de fiéis na Argentina.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina – CONICET, com uma amostra representativa de 2.421 pessoas, a proporção de católicos na população do país caiu de 76,5% em 2008 para 62,9% em 2019.

A reportagem é de Arnaud Bevilacqua, publicada por La Croix International, 26-11-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Como em outros lugares, este declínio explica-se pelo efeito da secularização em um país que passou pela separação entre Igreja e Estado. Ao mesmo tempo, o número de participantes que informaram não ter religião subiu de 11,3% para 18,9%, com os evangélicos aumentando de 9 para 15,3%.

Os participantes do estudo responderam a uma pergunta direta sobre a eleição do papa argentino: 82% disseram que ela não teve impacto algum sobre a sua religiosidade e somente 8% disseram que ela fortaleceu as suas crenças religiosas.

Até mesmo o próprio papa acabou se tornando uma figura divisora no país: 27,4% dos respondentes o consideram um “líder mundial” a denunciar situações de injustiça no mundo, mas um número quase idêntico (27%) acredita que o religioso tem se envolvido demais na política e que isso tem atrapalhado a sua função espiritual.

Fratura geracional

O estudo, publicado em 19 de outubro, é a segunda parte de uma pesquisa nacional sobre crenças e atitudes religiosas na Argentina.

Desde a década de 1960, quando o censo nacional deixou de operar, a presente pesquisa serve como ponto de referência, focando-se na questão da afiliação religiosa. Em sua primeira edição, mais de 90% dos argentinos se declaravam católicos.

O estudo publicado este ano ilustra, sobretudo, uma grande ruptura geracional.

Entre os argentinos com idade de 65 anos ou mais, a proporção de católicos ainda é bastante alta (81,5%), mas é apenas 52,5% entre os jovens de 18 a 29 anos e 57,4% entre os adultos de 30 a 44 anos.

Por outro lado, a parcela dos “sem religião” aumentou quase 25% entre os jovens de 19 a 29 anos, em comparação com os menos de 8% entre os argentinos com 65 anos ou mais.

A distribuição é a mesma para os evangélicos: 20% entre os mais jovens, em comparação com 9,5% entre os mais velhos.

A pesquisa também revelou algumas disparidades regionais. Há uma maior presença dos que se identificam como “sem religião” na região de Buenos Aires, onde a parcela de católicos é uma das mais baixas no país (56,8%), número aproximado ao da Patagônia (51%).

De forma semelhante, as mulheres parecem mais religiosas: 65,3% declararam-se católicas e 16,9% declararam-se evangélicas, em comparação com os 14,5% das que disseram não ter religião.

Por outro lado, quase 1/4 dos homens (23,8%) definem-se como não tendo religião, em comparação com os 60% dos que se identificam como católicos e 13,6% entre os que se consideram evangélicos.

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27 novembro, 2019

Steiner, novo Arcebispo de Manaus.

Divulgada hoje a nomeação de Dom Leonardo Ulrich Steiner como novo Arcebispo de Manaus. Que Deus tenha piedade do povo manauense.

Já antecipávamos em março deste ano:

Há quem diga que o seu “cardinale protettore”, Dom Claudio Hummes, irá providenciar sua transferência para uma arquidiocese “amazônica”– possivelmente Manaus ou Cuiabá – onde poderia alimentar, de forma mais efetiva, a histeria ecológica do Sínodo Pan-Amazônico.

 

 

 

25 novembro, 2019

Imagens de santos enterradas há quase 60 anos são encontradas por pedreiros embaixo de igreja.

As imagens foram enterradas após o Concílio Vaticano II, na década de 1960, quando, segundo o historiador Antônio José, foi acertado que os santos deveriam ser retirados dos altares.

Por G1 Piauí, 22 de novembro de 2019 –  Imagens de Santa Teresa D’Ávila e de Santo Antônio foram encontradas por pedreiros nessa quinta-feira (21) enterradas sob o altar da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó e Conceição, localizada em Valença do Piauí, município distante 216 km ao Sul de Teresina. Em entrevista ao G1, o historiador Antônio José contou que as imagens foram enterradas na década de 1960, após o Concílio Vaticano II, com o objetivo de atualizar a Igreja Católica. 

Santo Antônio — Foto: Sérgio Alves/ Portal V1

“Durante o concílio foi acertado que as imagens deveriam ser retiradas dos altares. Só que não tinham como jogar tudo fora. O padre Marques, que era bastante tradicionalista, teve ideia de colocar sob o altar do Santíssimo Sacramento”, comentou. 

Com o passar do tempo, as imagens foram esquecidas. Porém, ainda existia na cidade boatos de que haveriam imagens enterradas sob a Igreja Matriz. “Na década de 80, lembro que as senhoras contavam que existiam imagens enterradas, mas não sabiam onde estavam exatamente”, contou o historiador. 

“A gente ficava em dúvida se havia ou não. Nós contávamos para os padres, mas eles não davam importância. Até que o padre de agora, que tem uma visão diferenciada, conversou com o padre Marques que confirmou”, acrescentou. 

Por conta da idade do padre, a história foi esquecida. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) foi comunicado, mas, segundo Antônio José, os arqueólogos nunca foram na cidade. 

“Durante a reforma, os pedreiros se depararam com as imagens sob o Santíssimo Sacramento. Será verificado ainda se existem outras imagens”, afirmou o historiador. 

Antônio José informou que o padre não tomará a decisão só e que será formado um conselho para que seja decidido o destino das imagens.