Posts tagged ‘Fátima’

27 agosto, 2017

Foto da semana.

Fátima, 20 de agosto de 2017: Cerca de 10 mil peregrinos de todo o mundo se reúnem em torno dos 3 bispos e cerca de 300 padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, juntamente com centenas de religiosos para uma peregrinação por ocasião do centenário das aparições de Nossa Senhora.

Na oportunidade, os bispos da Fraternidade realizaram um ato de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria (tradução de FratresInUnum.com):

“Prostrados aos pés de vosso trono de graça, ó Rainha do Santíssimo Rosário, desejamos atender, na medida de nossas forças, aos pedidos que fizestes quando, há cem anos, viestes a esta terra para se mostrar a nós.

Os abomináveis pecados do mundo, as perseguições contra a Igreja de Jesus Cristo, e, o que é pior, a apostasia das nações e das almas cristãs, e o esquecimento por tantos de vossa maternidade de graça dilacera o vosso Coração Doloroso e Imaculado, tão unido em sua compaixão com os sofrimentos do Sagrado Coração de Vosso Divino Filho.

A fim de reparar tantos crimes, pedistes que se estabelecesse no mundo a devoção reparadora ao vosso Imaculado Coração; e para deter os açoites de Deus, convertestes-vos na mensageira do Altíssimo para pedir ao Vigário de Jesus Cristo, juntamente com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao vosso Imaculado Coração. Desgraçadamente, continuam sem atender a vosso pedido.

E por isso que, antecipando-nos ao feliz dia em que o Sumo Pontífice finalmente ouça aos pedidos de vosso Divino Filho, e sem nos atribuirmos uma autoridade que não nos corresponde, mas com uma humilde súplica a vosso Imaculado Coração, como bispos católicos cheios de preocupação pelo destino da Igreja universal, e em união com todos os bispos, sacerdotes e leigos fiéis, decidimos responder, da melhor maneira que podemos, aos pedidos do céu.

Dignai-vos, portanto, ó Mãe de Deus, aceitar o ato solene de reparação que apresentamos ao vosso Coração Imaculado por todas as ofensas com que, juntamente com o Sagrado Coração de Jesus, é afligido pelos pecadores e homens ímpios.

Em segundo lugar, na medida de nossas possibilidades, damos, entregamos e consagramos a Rússia ao vosso Coração Imaculado: rogamo-vos, em vossa misericórdia maternal, que tomeis a esta nação sob a vossa poderão proteção, e que façais dela vosso domínio onde reinareis como Soberana. Fazei desta terra de perseguição uma terra predileta e bendita.

Suplicamo-vos que submetais esta nação tão inteiramente a vós, que se converta em um novo reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, em um novo legado para o seu doce cetro. E que, convertida de seu antigo cisma, regresse à unidade do único rebanho do Pastor Eterno, e assim se submeta ao Vigário de vosso Divino Filho, para que se converta em apóstolo ardente do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre todas as nações da terra.

Também suplicamo-vos, ó Mãe de Misericórdia, que por este prodigioso milagre de vossa onipotência suplicante, que manifesteis ao mundo a verdade de vossa mediação universal da graça.

E, por fim, dignai-vos, ó Rainha da Paz, dar ao mundo a paz que ele não pode dar, paz de armas e de almas, a paz de Cristo no Reino de Cristo e o Reino de Cristo através do reino de vosso Coração Imaculado, ó Maria. Amém.

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19 agosto, 2017

FSSPX peregrina neste fim de semana a Fátima: “Pedir aos Corações de Jesus e Maria socorro para a Igreja Católica em nosso tempo”.

Matéria do jornal português Diário de Notícias.FSSPX Fátima

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11 agosto, 2017

O Concílio Vaticano II e a Mensagem de Fátima.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 2-8-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comRorate Coeli, Corrispondenza Romana e outras publicações católicas reproduziram uma valiosa intervenção de Dom Athanasius Schneider sobre a “interpretação do Concílio Vaticano II e a sua relação com a atual crise da Igreja”. De acordo com o Bispo Auxiliar de Astana, o Vaticano II foi um Concílio pastoral e seus textos devem ser lidos e julgados à luz do ensinamento perene da Igreja.

De fato, “do ponto de vista objetivo, os pronunciamentos do Magistério (Papas e concílios) de carácter definitivo têm mais valor e mais peso frente aos pronunciamentos de carácter pastoral, os quais são, por natureza, mutáveis e temporários, dependentes de circunstâncias históricas ou respondendo às situações pastorais de um determinado tempo, como é o caso com a maior parte dos pronunciamentos do Vaticano II”.

Ao artigo de Dom Schneider seguiu-se, em 31 de julho, um equilibrado comentário do padre Angelo Citati, FSSPX,  segundo o qual a posição do bispo alemão se assemelha àquela reafirmada constantemente por Dom Marcel Lefebvre: “Dizer que avaliamos os documentos do Concílio ‘à luz da Tradição’ significa, evidentemente, três coisas inseparáveis: que aceitamos aqueles que estão de acordo com a Tradição; que interpretamos segundo a Tradição aqueles que são ambíguos; que rejeitamos aqueles que são contrários à tradição” (Mons. M. Lefebvre, Vi trasmetto quello che ho ricevuto. Tradizione perenne e futuro della Chiesa, editado por Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, Sugarco Edizioni, Milão 2010, p. 91).

Tendo sido publicado no site oficial do Distrito italiano, o artigo do padre Citati também nos ajuda a compreender qual poderia ser a base para um acordo visando regularizar a situação canônica da Fraternidade São Pio X. Devemos acrescentar que, no plano teológico, todas as distinções podem e devem ser feitas para interpretar os textos do Concílio Vaticano II, que foi um Concílio legítimo: o vigésimo primeiro da Igreja Católica. Dependendo do respectivo teor, esses textos poderão então ser classificados como pastorais ou dogmáticos, provisórios ou definitivos, conformes ou contrários à Tradição.

Em suas obras mais recentes, Mons. Brunero Gherardini nos dá um exemplo de como um juízo teológico, para ser preciso, deve ser articulado (Il Concilio Vaticano II un discorso da fare, Casa Mariana, Frigento 2009 e Id., Un Concilio mancato, Lindau, Turim 2011). Para o teólogo, cada texto tem uma qualidade diferente e um grau diverso de autoridade e cogência. Portanto, o debate está aberto.

Do ponto de vista histórico, contudo, o Vaticano II é um bloco inseparável: tem sua unidade, sua essência, sua natureza. Considerado em suas raízes, no seu desenvolvimento e em suas consequências, ele pode ser definido como uma Revolução na mentalidade e na linguagem que mudou profundamente a vida da Igreja, iniciando uma crise religiosa e moral sem precedentes.

Se o juízo teológico pode ser matizado e indulgente, o juízo histórico é implacável e inapelável. O Concílio Vaticano II não foi apenas um Concílio malogrado ou falido: foi uma catástrofe para a Igreja.

Uma vez que este ano marca o centenário das aparições de Fátima, convém debruçar sobre a seguinte questão: quando, em outubro de 1962, inaugurou-se o Concílio Vaticano II, os católicos de todo o mundo esperavam a revelação do Terceiro Segredo e a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. O Exército Azul de John Haffert (1915-2001) liderou durante anos uma maciça campanha nesse sentido.

Haveria melhor ocasião para João XXIII (falecido em 3 de Junho de 1963), Paulo VI e os cerca de 3000 bispos reunidos em torno deles, no coração da Cristandade, corresponderem em uníssono e solenemente aos desejos de Nossa Senhora? Em 3 de fevereiro de 1964, Dom Geraldo de Proença Sigaud entregou pessoalmente a Paulo VI uma petição assinada por 510 bispos de 78 países, na qual se implorava que o Pontífice, em união com todos os bispos, consagrasse o mundo, e de maneira explícita a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria. O Papa e a maioria dos Padres Conciliares ignoraram o apelo. Se a consagração pedida tivesse sido feita, uma chuva de graças teria caído sobre a humanidade. E um movimento de volta à lei natural e cristã teria iniciado.

O comunismo teria caído com muitos anos de antecedência, de maneira não fictícia, mas autêntica e real. A Rússia se teria convertido e o mundo teria conhecido uma era de paz e de ordem, como Nossa Senhora prometera. A consagração omitida concorreu para que a Rússia continuasse a espalhar seus erros pelo mundo, e para que esses erros conquistassem as cúpulas da Igreja Católica, atraindo um castigo terrível para toda a humanidade. Paulo VI e a maioria dos Padres Conciliares assumiram uma responsabilidade histórica, cujas consequências bem podemos hoje medir.

24 maio, 2017

Histórico e exclusivo: Dom Pestana e Fátima (parte 2).

Publicamos a segunda parte da entrevista concedida por Dom Manoel Pestana Filho, bispo de Anápolis, Goiás, de 1978 a 2004, seis meses antes de seu falecimento, a Anthony Tannus Wright, de FratresInUnum.com.

Ver também: 

Histórico e exclusivo: Dom Pestana e Fátima (parte 1).

Dom Pestana: + 8 de janeiro de 2011. RIP. A última entrevista: “Enquanto a luz do sacrário estiver acesa, sabemos que Alguém nos espera”.

22 maio, 2017

Cardeal Burke pede por consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Por John-Henry Westen, LifeSiteNews – Roma, 19 de Maio de 2017 | Tradução: João Melo – FratresInUnum.com – O Cardeal Raymond Burke lançou uma convocação esta manhã aos fiéis católicos para que “trabalhem pela consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O Cardeal Burke, que é um dos quatro cardeais que pediram esclarecimentos ao Papa Francisco sobre a [exortação] Amoris Laetitia, fez seu apelo no Fórum da Vida de Roma [Rome Life Forum] no mês do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

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Burke é o ex-Prefeito da do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e atual patrono da Ordem Militar e Soberana de Malta.

Em um longo discurso sobre “O Segredo de Fátima e a Nova Evangelização”, o Cardeal Burke, na presença do companheiro de dúbia Cardeal Carlo Caffarra, discursou para o bispo do Casaquistão Dom Athanasius Schneider e para mais de cem líderes pró-vida e pró-família de vinte países, dizendo que o triunfo do Imaculado Coração significaria muito mais do que o fim das guerras mundiais e dos desastres naturais que Nossa Senhora de Fátima previu.

“Terríveis que sejam os castigos físicos associados à rebelião de desobediência dos homens contra Deus, infinitamente mais terríveis são os castigos espirituais, pois são relacionados ao fruto do pecado grave: a morte eterna”, ele afirmou.

Ele demonstrou estar de acordo com um dos maiores especialistas em Fátima, Frère Michel de la Sainte Trinité, que afirmou que o triunfo prometido do Imaculado Coração de Maria sem dúvida se refere, primeiramente, à “vitória da Fé, a qual porá fim ao tempo da apostasia e à escassez de pastores da Igreja”.

Referindo-se à situação atual da Igreja à luz das revelações de Nossa Senhora de Fátima, Burke disse:

“O ensinamento integral e corajosamente da Fé é o coração do ministério dos pastores da Igreja: o Romano Pontífice, os bispos em comunhão com a Sé de Pedro e seus principais cooperadores, os padres. Por esta razão, o Terceiro Segredo é dirigido, com particular força, àqueles que exercem os cargos pastorais na Igreja. O fracasso deles em ensinar a fé de forma fiel aos ensinamentos e práticas constantes da Igreja, mesmo que com uma abordagem superficial, confusa ou mesmo mundana, e seu silêncio, colocam em risco mortal, no sentido espiritual mais profundo, precisamente aquelas almas às quais eles foram consagrados para cuidar espiritualmente. Os frutos envenenados do fracasso dos pastores da Igreja são percebidos na maneira de se adorar, de se ensinar e na conduta moral em desacordo com a Lei Divina”.

O chamado à consagração da Rússia é para alguns controverso, mas o Cardeal Burke tratou das razões para seu apelo de maneira simples e direta. “A consagração solicitada é ao mesmo tempo um reconhecimento da importância que a Rússia ainda possui nos planos de Deus para a paz e um sinal de profundo amor por nossos irmãos e irmãs russos”, ele disse.

“Certamente, São João Paulo II consagrou o mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria em 25 de março de 1984”, o Cardeal Burke disse. “Mas, hoje, mais uma vez, nós ouvimos o chamado de Nossa Senhora de Fátima à consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração, de acordo com suas explícitas instruções”.

Uma menção explícita da Rússia na consagração, como requisitada por Nossa Senhora, era desejada pelo Papa São João Paulo II, mas não foi cumprida devido à pressão de conselheiros. Este fato foi confirmado recentemente pelo representante oficial do Papa Francisco no aniversário da celebração de Fátima na última semana em Karaganda, Casaquistão.

Referindo-se ao dia 13 de maio, o Cardeal Paul Josef Cordes, ex-presidente do Pontifício Conselho Cor Unum, relembrou de uma conversa que teve com o Papa São João Paulo II após a consagração 1984, ou “ato de entrega”, ocorrida no dia 25 de março, quando a imagem de Nossa Senhora de Fátima estava em Roma.

“Obviamente, por um longo período, [o Papa] lidou com aquela importante missão que a Mãe de Deus (ali) havia dado às crianças videntes”, Cordes disse. “Contudo, ele absteve-se de mencionar a Rússia de modo explícito porque os diplomatas do Vaticano insistentemente lhe pediram para não mencionar esse país, já que conflitos políticos poderiam talvez surgir”.

Àqueles que ainda objetam ao chamado pela consagração da Rússia, o Cardeal Burke relembrou as palavras do Papa São Paulo II, que em 1984, durante a consagração do mundo ao Imaculado Coração comentou: “O pedido de Maria não é algo para ser feito uma única vez. Seu apelo deve ser atendido geração após geração, em concordância com os sempre novos ‘sinais dos tempos’. (Seu apelo) deve ser retomado incessantemente. Ele deve para sempre ser tido como novo”.

Instruindo os fiéis, o Cardeal Burke ensinou que Nossa Senhora de Fátima “provê para nós os meios de sermos fiéis ao seu Filho Divino e a buscarmos Nele a sabedoria e a força para trazermos a Sua graça salvadora a um mundo profundamente perturbado”.

O Cardeal Burke destacou seis meios que Nossa Senhora deu aos fiéis em Fátima para que participem da restauração da paz no mundo e na Igreja:

  1. Rezar o Terço todos os dias;
  2. Vestir seu escapulário;
  3. Realizar sacrifícios pela salvação dos pecadores;
  4. Realizar reparações pelas ofensas ao seu Imaculado Coração por meio da devoção do primeiro sábado (do mês); e
  5. Configurar nossas próprias vidas sempre mais à de Cristo;
  6. Por último, ela pede ao Romano Pontífice, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração.

“Por estes meios, ela prometeu que seu Coração Imaculado triunfará, trazendo almas a Cristo, seu Filho”, o Cardeal Burke acrescentou. “Voltando-se a Cristo, eles farão reparações pelos seus pecados. Cristo, pela intercessão de Sua Virgem Mãe, os salvará do inferno e trará paz a todo o mundo”.

17 maio, 2017

13 de Maio em Fátima.

Por Roberto de Mattei, Il Tempo, Roma,  14-05-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Quinhentas mil pessoas esperavam o Papa Francisco  na esplanada do santuário de Fátima para a canonização dos dois pastorinhos Francisco  e Jacinta, com idades de 9 e 11 anos, que juntamente com a prima Lúcia dos Santos viram e ouviram as palavras de Nosssa Senhora entre 13 de maio e 13 de outubro 1917. A canonização ocorreu, e a Igreja inscreveu no rol dos santos as crianças mais jovens não mártires de sua história. Sobre a prima Lúcia, falecida em 2010, está em curso o processo de beatificação.

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No entanto, o que os devotos de Fátima de todo o mundo estavam esperando não era apenas a canonização dos videntes, mas também o cumprimento da parte do Papa de alguns dos pedidos de Nossa Senhora,  até agora não atendidos.

Dois centenários opostos se comemoram de fato  neste ano: as aparições de Fátima e a Revolução bolchevique de Lênin e Trotsky, ocorrida na Rússia no mesmo mês em que em Portugal terminou o ciclo mariano. Em Fátima, Nossa Senhora anunciou que a Rússia espalharia seus erros pelo mundo e que desses erros nasceriam guerras, revoluções e perseguições à Igreja. Para evitar esses infortúnios Nossa Senhora pediu sobretudo um sincero arrependimento da humanidade e um retorno aos princípios da ordem moral cristã. A essa necessária emenda dos cristãos, a Santíssima Virgem juntou dois pedidos específicos: a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, feita pelo Papa em união com todos os bispos do mundo, e a propagação da prática dos primeiros sábados do mês, consistente em unir-se a Ela, confessar-se e comungar durante cinco sábados consecutivos, meditando quinze minutos e rezando o terço.

A difusão da prática dos primeiros sábados do mês nunca foi promovida pelas autoridades eclesiásticas e os atos pontifícios de entrega e consagração à Virgem Maria foram parciais e incompletos. Mas, acima de tudo, desde cinquenta anos atrás, os clérigos não pregam mais o espírito de sacrifício e de penitência, tão intimamente ligado à espiritualidade dos dois pastorinhos canonizados. Quando em 1919 Lúcia visitou Jacinta no hospital, na véspera de sua morte, a conversa foi toda ela centrada no sofrimento oferecido pelos dois primos a fim de evitar para os pecadores as terríveis penas do Inferno, mostrado por Nossa Senhora aos videntes.

O Papa Francisco, que nunca tinha ido a Fátima, nem como sacerdote, não tocou em nenhum desses temas. Em 12 de maio, na Capela das Aparições, apresentando-se como “bispo vestido de branco”, ele disse: “Venho como um profeta e mensageiro para lavar os pés de todos na mesma mesa que nos une”.  Depois, convidou para seguir o exemplo de Francisco e Jacinta. “Percorreremos, assim, todas as rotas, seremos peregrinos de todos os caminhos, derrubaremos todos os muros e venceremos todas as fronteiras, saindo em direcção a todas as periferias, aí revelando a justiça e a paz de Deus”.  Em sua homilia de 13 de maio na esplanada do santuário, Francisco lembrou “todos os meus irmãos no batismo e em humanidade”, em particular “os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados”, convidando-os a “descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”.

A dimensão trágica da Mensagem de Fátima, que gira em torno dos conceitos de pecado e de castigo, foi posta de lado. Nossa Senhora havia dito à pequena Jacinta que as guerras não são outra coisa senão a punição pelos pecados do mundo, e que os pecados que mais levam almas para o inferno são aqueles contra a pureza. Se hoje vivemos uma “terceira guerra mundial em pedaços”, como muitas vezes disse o Papa Francisco, como não  relacioná-la com a terrível explosão de imoralidade contemporânea, chegada ao ponto de legalizar a inversão das leis morais? Nossa Senhora disse ainda a Jacinta que, se não houvesse arrependimento e penitência, a humanidade seria punida, mas que por fim o seu Imaculado Coração triunfaria e o mundo inteiro se converteria. Hoje não só a palavra castigo é abominada, porque a misericórdia de Deus supostamente apaga todo pecado, mas a própria idéia de conversão é indesejável, uma vez que segundo o Papa Francisco “o proselitismo é o veneno mais forte contra o caminho ecumênico”.

É  preciso admitir que a Mensagem de Fátima, reinterpretada de acordo com as categorias sociológicas do papa Bergoglio, tem pouco a ver com o profético anúncio do triunfo do Coração Imaculado de Maria, feito por Nossa Senhora ao mundo há cem anos.

 

12 maio, 2017

Pecado, pena e sanção na Mensagem de Fátima.

Agradecemos a honra que nos dá o Dr. Ricardo Dip por fornecer, para publicação exclusiva em FratresInUnum.com, a conferência por ele pronunciada no Domus Pacis, em Fátima, no último dia 19 de abril, em evento do Consejo de Estudos Hispánicos Felipe II, de Madri.

* * *

Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz” (Visão do inferno -aparição da Virgem em 13-7-1917, na Cova da Iria).

Por Ricardo Dip

1 . A escassez de tempo que circunstancia a perpetração desta pequena palestra −calcada na tríade “pecado, pena e sanção” nas mensagens fatimenses− já inibe muitíssimo a excursão por inúmeros caminhos periféricos que são sugeridos pela riquíssima história das aparições da Virgem Santíssima e do Anjo de Portugal, no Cabeço, na Cova da Iria, no Valinhos e na cidade espanhola de Tuy, a três pastorinhos lusitanos −Lúcia dos Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto.

Dezenas de milhares de pessoas acompanham missa em homenagem à Nossa Senhora de Fátima no Santuário de Fátima, em Portugal. Nos últimos dias, uma multidão de peregrinos se dirigiu ao local para celebrar o aniversário da primeira aparição da santa, em 13 de maio de 1917, segundo a crença católica. Nesta sexta-feira (13), são esperadas 250 mil pessoas no Santuário Francisco Leong/AFP Photo

Mas não parece bem queixar-se só (e talvez sequer principalmente) do tempo concedido para proferir-se esta comunicação. É que os documentos e estudos sobre o conjunto das “Mensagens de Fátima” são tamanhamente vultosos que não se poderia mesmo, de toda a sorte, esperar razoavelmente desta palestra mais do que uma pequena recolha seletiva de alguns capítulos desta maravilhosa história −melhor dizendo: do mais significativo episódio histórico− de nosso século XX.

2. Embora as expressões “Mensagem de Fátima” ou “Segredo de Fátima” possam compreender-se em um sentido estrito, referente apenas às manifestações dirigidas, no período de maio a outubro de 1917, por Nossa Senhora aos três pastorinhos portugueses, não se pode excluir a concorrência de um significado mais largo nessas expressões, para nelas abranger as três aparições do Anjo da Paz, em 1916, no monte do Cabeço, e também −de maneira particularmente relevante− a mensagem de Tuy, recebida pela Irmã Lúcia, aos 13 de junho de 1929, mensagem esta que prescreve o modo de um ato consagratório decisivo para definir a sorte da humanidade.

3. Em qualquer dessas manifestações, há uma constância referencial às ideias de pecado −blasfêmias, ofensas−, de pena −a guerra, a doença, a fome, o inferno, as perseguições, o martírio dos bons, o aniquilamento de nações− e de sanção premial: a cura, o fim da guerra. O reatus pœnæ não se superará enquanto não se suplantar o reatus culpæ, porque a pena é o pretium da culpa, ou seja, nas lúcidas lições do Santo Padre Pio XII, a recomposição metafísica da ordem violada (o precio do desprecio).

Com efeito, já na primeira aparição do Anjo da Paz −o Anjo de Portugal−, num dia indeterminado dos fins da primavera de 1916, lecionou-se aos pastorinhos esta oração reparadora:

Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-vos! Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e vos não amam!”,

e a isto sucedeu, em uma segunda aparição desse Anjo, a referência a “orações e sacrifícios”, recomendando-lhes ele:

De tudo que puderdes, oferecei a Deus sacrifício, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.

Aos mesmos pastorinhos, em 13 de maio de 1917, a Virgem falou de “sacrifícios”, “sofrimentos”, “reparação dos pecados”, “conversão dos pecadores”, “blasfêmias”, “ofensas”, e ensinou-lhes que a oração diária do Rosário levaria a obter “a paz para o mundo”, ensinamento que reiterou na aparição de 13 de julho seguinte: “Rezai o Rosário todos os dias com a intenção de obter o fim da guerra” −ou seja, da Primeira Guerra Mundial. “Rezai muito, fazei sacrifícios pelos pecadores…” (19-8-1917), “continuai rezando o Rosário para obter o fim da guerra” (13-9-1917), “é necessário que os homens se corrijam, que peçam perdão por seus pecados”, “que não ofendam mais a Nosso Senhor, que está já demasiado ofendido” (13-10-1917).

E é assim que o liame entre o prêmio da paz, a oração e a conversão é afirmado com todas as letras, pois que −assim consta expressamente da mensagem da terceira aparição fatimense da Virgem (13-7-1917): “só Nossa Senhora pode alcançar esta graça aos homens”, e a oração e metanoia, neste quadro, ocupam a função penitenciária substituinte da pena estatuída na mensagem.

4. Há, no entanto, uma passagem que parece caiba entender mais fundamental na consideração deste vínculo pecado-pena-sanção meritória no conjunto do segredo de Fátima. Essa passagem é a que corresponde às palavras da Virgem logo após a “visão do inferno”, que se deu na terceira das aparições:

Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. 

Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração, e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá, e terão paz. Se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados. O Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á à Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé, etc.…”.

5. As penas cominadas nesta mensagem são a da guerra, a da fome e a das perseguições à Igreja e ao Santo Padre, e para evitá-las duas coisas pediu a Senhora de Fátima: a comunhão reparadora nos primeiros sábados e a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Adotados que fossem estes pleitos da Virgem, a Rússia converter-se-ia e haveria paz −“Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá, e terão paz”. De não se adotarem, porém, o remédio seria o castigo −com a Rússia espalhando seus erros pelo mundo, com “guerras”, com “perseguições à Igreja”, com “aniquilação de nações”, com o “sofrimento do Santo Padre”, até que, a final, ainda que tardio o indicado ato de consagração, venha o triunfo do Imaculado Coração de Maria.

6. Vamos deter-nos aqui no exame de apenas um dos meios evasivos das penas estatuídas na mensagem: a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria −“O Santo Padre consagrar-me-á à Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”. Na terceira aparição, a Virgem anunciara que ainda viria pedir a consagração da Rússia a Seu Imaculado Coração, pedido que se consumaria no ano de 1929, com a mensagem de Tuy.

Ainda os mais rigorosos observantes das sentenças triunfalistas que afirmam a realização do versado ato consecratório da Rússia ao Coração de Nossa Senhora não podem, eles próprios, negar os fatos perseverantes e atualíssimos das guerras, da fome, da persecução à Igreja e da perseguição ao Papado.

De 1939 −data que marca o início da II Guerra Mundial, ao tempo do Pontificado de Pio XI− até nossos dias, não somente a guerra foi um status extensa e constante em nosso mundo, mas, o que muito agudiza o tema, a guerra se tornou qualitativamente pior, não apenas em razão do maior poder destrutivo das forças, senão que também por frequentemente não se excluírem as metas civis. Passamos, com efeito, de guerras mundiais −fenômeno que não se conhecia antes do século XX− à guerra total, em que todos, todos, militares e civis, adultos, mulheres e crianças, são parte do objetivo da guerra, e em que toda a cultura, toda ela, é alvo da destruição.  Põe-se, assim, à mostra o infrutífero das tentativas profanas de consecução da paz, a falência das inúmeras consagrações seculares dos povos, de Yalta e Potsdam ao tratado de Roma e ao protocolo de Kioto.  Se a isto adicionarmos o mapa da fome em larguíssima parte do mundo contemporâneo, as perseguições à Igreja −a ponto mesmo de ser já corrente a expressão “cristianofobia” − e também a persecução ao Papado, muito difícil será sustentar, com plausibilidade, que já estejam cumpridas as condições para a paz fatimense e o triunfo do Imaculado Coração. A queda do muro de Berlim, em novembro de 1989, e a dissolvência da União Soviética, em dezembro de 1991, propiciaram alguma animação transitória sobre a efetividade da consagração da Rússia ao Coração de Maria, mas os fatos sucessivos conspiraram contra o precoce entusiasmo de opiniões pouco fundadas na realidade das coisas.

Ao largo do século XX, por ao menos sete vezes procedeu-se a alguma sorte de consagração pontifical à Virgem Maria: no dia 31 de outubro de 1942, o Papa Pio XII consagrou todo o mundo ao Coração mariano, ato que renovou em dezembro seguinte, e que, cerca de dez anos mais tarde, aos 7 de julho de 1952, por meio da carta apostólica Sacro Vergente Anno, viria a completar, consagrando, agora explicitamente, os povos da Rússia ao Coração mariano. Calha, entretanto, que o Santo Papa Pio XII não observou uma das condições impostas na mensagem de Tuy, a participação dos bispos do mundo inteiro no ato consagratório:

É chegado o momento (assim se enuncia na mensagem de 1929) em que Deus pede ao Santo Padre que faça, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração…”.

Doze anos depois, em 21 de novembro de 1964, promoveu-se uma renovação desse ato consecratório: fê-lo Paulo VI, junto aos Padres do Concílio pastoral Vaticano II, mas sem observar, ainda uma vez, a condição de que que o ato se fizesse “em união com todos os bispos do mundo”.

Nos anos de 1982 e 1983, João Paulo II convidou a que, com ele, os bispos de todo o orbe consagrassem o mundo à Virgem Santíssima, o que se fez nos termos seguintes:

Ó Mãe dos homens e dos povos, Tu conheces todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Tu sentes maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas que agitam o mundo −acolhe o nosso grito dirigido no Espírito Santo, diretamente ao Teu coração e abraça com o amor da Mãe e da Serva do Senhor os povos que mais esperam este abraço, e ao mesmo tempo os povos cuja consagração Tu também esperas de modo particular. Toma debaixo da tua proteção maternal a família humana inteira que, com afetuoso transporte, a Ti, ó Mãe, nós confiamos. Aproxime-se para todos o tempo da paz e da liberdade, o tempo da verdade, da justiça e da esperança.”

Tal se vê, o texto não fez a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria em união com os bispos de todo o mundo, senão que pediu se tomasse a “família humana inteira” sob a proteção maternal da “Mãe dos homens e dos povos”.

Daí que, novamente, em 25 de Março de 1984, João Paulo II, afiançando-se “unido com todos os pastores da Igreja numa ligação especial sob a qual constituem um corpo e um colégio“, tornou a consagrar o “mundo inteiro” ao Coração de Nossa Senhora, sem, especificamente, contudo, mencionar o nome da Rússia.

7. Abdicando, neste nosso pequeno texto, de discutir o tema de uma possível quarta parte do segredo de Fátima −ou, em outras palavras, a de que não se tenha divulgado, por inteiro, sua terceira parte−, interessa, no entanto, para aferir o atual status do problema das penas e dos prêmios fatimenses, enunciar as diferentes interpretações dadas ao texto central do que se divulgou dessa parte do segredo, que assim se redigira pela Irmã Lúcia em 3 de janeiro de 1944:

Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n’uma luz imensa que é Deus: ‘algo semelhante a como se vêem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante’ um Bispo vestido de Branco ‘tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre’. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’êles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus”.

Opinam alguns que se trate de um quadro pessoal, seja (i) relativo a João Paulo II, diante do atentado que sofreu em 13 de maio de 1981, seja (ii) referível a acontecimentos pessoais ainda por vir. Diferentemente, há quem julgue tratar-se de uma execução virtual do Papado, ou (iii) já ocorrida (o que desata na vacância da Sé romana) ou (iv) ainda a ocorrer. O contraste entre estas interpretações radica mais ao fundo na pugna entre, de um lado, a adoção de uma rígida e onímoda observância da docência eclesial de turno, e, de outro, a dúvida ou mesmo a certeza de que padecemos já da apostasia predita para os tempos apocalípticos do “falso profeta”.

O fato é que −deixando à margem o proferimento (de que se tem já notícia) da consagração da Rússia por leigos substitutivos da ação do Papa− o claro-escuro das interpretações possíveis desta terceira parte do segredo parece, ao menos, sugerir, no contraste com o imenso e intenso fenômeno persistente e atual das guerras, da fome no mundo e das perseguições à Igreja, que é muito provável, muitíssimo −para não dizer que seguríssimo− estarmos ainda sob o reato das penas profetizadas na mensagem de Fátima.

Penitência, Penitência, Penitência!  −bradou o Anjo com voz forte−,  e enquanto Deus segue a punir o mundo de seus crimes, “por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre”, espera-se, com a confiança melancólica destas palavras de Jean Madiran: Demain, le Pape, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, a consagração da Rússia pelo Santo Padre em união com todos os bispos do mundo, condição divina, condição essencial, condição inarredável −porque Deus não muda−, condição a que os povos aspiram ver cumprida para, então, assistirem ao certíssimo Triunfo final do Coração Imaculado da Virgem Santíssima.

                        Demain, le Pape…

         

Bibliografia básica:

BARTHAS, Casimir. La Virgen de Fátima. Tradução castelhana. 2.ed. Madrid: Rialp, 1986.

DANIELE, Araí, em colaboração com GIBSON, Hutton, TELLO CORRALIZA, Tomás, FONTAN, Alberto e Outros. Segredo de Fátima ou perfídia em Roma? Fátima: Promissio, 2010.

DANIELE, Araí. Entre Fátima e o abismo. São Paulo: Excelsior, 1988.

DANIELE, Araí. Nella profezia di Fatima… il mistero dell’altra Roma. Regio Emilia: Radio Spada, 2015.

DE JAEGHERE, Michel. Enquête sur la christianophobie. Issy-les-Moulineaux: Renaissance Catholique, 2006.

GUITTON, René. Cristianofobia -La nuova persecuzione (versão italiana de Ces chrétiens qu’on assassine). Turim: Lindau, 2010.

MARCHI, João de. Era uma Senhora mais brilhante que o sol. 24.ed. Fátima: Missões Consolata, 2015.

MARTINS, Pe. Antônio Maria. O segredo de Fátima nas memórias e cartas da Irmã Lúcia. São Paulo: Loyola, 1985.

MAURO, Mario, VENEZIA, Vittoria e FORTE, Matteo. Guerra ai cristiani. Turim: Lindau, 2010.

WALSH, William Thomas. Nuestra Señora de Fátima. Tradução castelhana. 4.ed. Madri: Espasa-Calpe, 1960.

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20 setembro, 2016

Secretário de Estado do Vaticano lembra mensagem de Fátima na missa dos representantes pontifícios.

Santuário de Fátima – O Secretário de Estado do Vaticano expressou esta quinta feira o desejo de ver o Papa Francisco nas celebrações do Centenário das Aparições em Fátima no próximo ano, sublinhando a importância e atualidade da Mensagem deixada por Nossa Senhora aos pastorinhos no contexto do mundo e da igreja atuais.

Na homilia que proferiu na Missa da Solenidade de Nossa Senhora das Dores, celebrada na Capela do Coro, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, diante dos representantes diplomáticos do Papa nos cinco continentes, que se encontram em Roma para a celebração do seu jubileu, e publicada na edição impressa do jornal L´Osservatore Romano desta sexta feira, em que lembrou a importância da Cruz como ponto de partida para qualquer cristão,  D. Pietro Parolin destacou as “dores que o mundo atravessa” e que o transformaram “numa grande colina de Cruzes”, elogiando a importância da mensagem deixada por Nossa Senhora aos Pastorinhos para superar as dificuldades.

É um  “vínculo especial entre esta memória Mariana e o Papa, porque a devoção às dores de Maria, que é amplamente difundida entre o povo cristão, foi introduzida na Liturgia pelo Papa Pio VII” lembrou o responsável pela diplomacia do Vaticano.

“Mesmo nas aparições da Virgem Maria aos três pastorinhos em Fátima, cujo centenário será celebrado em 2017 – no qual esperamos vivamente que possamos contar com a presença do Papa  Francisco- há este vínculo estreito entre Maria, o Papa e o sofrimento. “

Dirigindo-se aos presentes, o cardeal disse: “certamente recordareis a imagem do bispo vestido de “branco”, que sobe a montanha rezando por todos os que sofrem, e que encontra”.

Essa imagem, explicou, “condensa e resume a disponibilidade para o martírio, que deve caracterizar a Igreja de todos os tempos, ontem, hoje e amanhã, começando a partir do primeiro martírio cristão do bispo de Roma”.

A oração, o sacrificio em reparação dos pecados e a conversão são aspetos centrais da Mensagem de Fátima, que o chefe da diplomacia da Santa Sé recordou estabelecendo um paralelo com os desafios que o mundo cristão enfrenta.

O secretário de Estado do Vaticano será o presidente da Peregrinação Internacional de outubro no Santuário de Fátima, que se realiza nos próximos dias 12 e 13 de outubro. Será a primeira vez que o cardeal virá à Cova da Iria.

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24 junho, 2016

Estará o Santuário de Fátima a cair nas mãos de servidores de Satanás?

O leitor português Miguel Viana faz um relato estarrecedor a FratresInUnum.com sobre os atuais rumos imposto ao Santuário de Fátima por seus dirigentes.

* * *

Por Miguel Viana

Porto, Portugal

O Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Portugal, não é apenas o lugar sagrado mais especial para os portugueses. É provavelmente o lugar sagrado mais amado para muitos católicos, depois da Terra Santa e de Roma. Por isso, é conhecido como “altar do mundo”. Foi construído na Cova da Iria, um campo que pertencia à aldeia de Fátima, no qual, de Maio a Outubro de 1917, a Santíssima Virgem apareceu a três meninos sobre um pequeno arbusto: Lúcia, Jacinta e Francisco.

Dezenas de milhares de pessoas acompanham missa em homenagem à Nossa Senhora de Fátima no Santuário de Fátima, em Portugal. Nos últimos dias, uma multidão de peregrinos se dirigiu ao local para celebrar o aniversário da primeira aparição da santa, em 13 de maio de 1917, segundo a crença católica. Nesta sexta-feira (13), são esperadas 250 mil pessoas no Santuário Francisco Leong/AFP Photo

Pediu-lhes oração – insistiu sempre na oração do rosário – e penitência. Deus estava muito ofendido e pedia reparação. Mostrou-lhes o Seu Imaculado Coração, cercado de espinhos, ofendido pelos pecadores (13 de Junho), pedindo reparação (13 de Julho). Deu-lhes também um segredo (13 de Julho), cujas primeiras duas partes foram reveladas por Lúcia algumas décadas depois: na primeira parte, mostrou-lhes o Inferno, para onde iam muitas almas, por causa dos seus pecados; e, na segunda, anunciou que pediria a consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração, de modo a que esta nação se convertesse e não espalhasse os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Santa Igreja. Quanto à terceira parte, tem havido acesa polémica, que não venho abordar. O assunto não está encerrado. Certo é que que Lúcia escreveu que a Santíssima Virgem lhes disse: “Em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé, etc.”

Em Outubro, como tinha anunciado, Nossa Senhora fez um milagre diante de cerca de 70.000 pessoas, que ali se tinham juntado: o sol rodopiou pelo céu, espargindo muitas cores. Os videntes viram sucessivamente, junto do sol, a Santíssima Virgem com São José e O Menino Jesus. A Santíssima Virgem estava vestida de branco, com manto azul. Depois, viram Nosso Senhor (adulto) e a Santíssima Virgem ao Seu lado, vestida como Nossa Senhora das Dores. Finalmente, viram-na com o escapulário, parecendo ser Nossa Senhora do Carmo. Nas restantes aparições, usara sempre um vestido branco, com um longo véu branco, sem que se visse o cabelo. Trazia um cordão de ouro ao pescoço, do qual pendia um pequeno globo, também de ouro.

Nada do que a Santíssima Virgem disse ou fez foi por acaso. Tudo quanto disse e fez teve um propósito, pelo que devemos meditar sobre as Suas palavras e os Seus gestos. Não foi, pois, por mero acaso que Se vestiu assim. Nem o traje, nem as cores eleitas foram aleatórias ou devidas a uma qualquer moda. A Santíssima Virgem escolheu as cores que melhor podiam iluminar a nossa compreensão da mensagem que vinha trazer ao mundo. Assim, usou algumas cores litúrgicas, presentes na própria iconografia mariana. Podemos pensar que veio de branco porque essa é a cor do Natal e da Páscoa, mas também a cor da virgindade. Podemos pensar que veio de branco e azul por serem estas as cores de Nossa Senhora da Conceição, a Quem Portugal foi consagrado no século XVII. Podemos pensar que veio de roxo porque essa é a cor do Advento e da Quaresma, mas também a de Nossa Senhora das Dores, invocação mariana bem conhecida em Portugal, na qual a Santíssima Virgem é venerada no Seu sofrimento, junto à cruz. Podemos pensar que, ao vir com o escapulário, veio vestida de castanho e branco, porque assim é representada na invocação de Nossa Senhora do Carmo, desde que, em 1251, entregou a São Simão Stock o escapulário como sinal de salvação, depois de os carmelitas terem sido expulsos do Monte Carmelo, pelos muçulmanos. Podemos pensar que, em Fátima, trazia aquele pequeno globo de ouro ao peito porque queria com essa jóia significar o próprio mundo. As cores que no Milagre do Sol banharam a multidão estupefacta levam-nos a pensar que eram as cores do arco-íris. Segundo nos diz a Sagrada Escritura, o arco-íris é sinal da aliança de Deus com o Seu povo (Gen 9, 13-16). Também Nosso Senhor e São José, no Milagre do Sol, traziam uma cor significativa: o vermelho. É a cor do Pentecostes, do Preciosíssimo Sangue, dos mártires.

Quando eu era pequeno, a minha família ia ao Santuário de Fátima, pelo menos em Maio e em Outubro. A minha mãe e outros parentes iam a pé, percorrendo mais de cem quilómetros, rezando o rosário. Feriam os pés, mas entravam no Santuário chorando de alegria. Iam de imediato à pequena Capela das Aparições, onde apresentavam a Nossa Senhora as suas dores, alegrias, aspirações e dificuldades. Depois, assistiam à procissão e à Santa Missa com muita devoção. Não eram diferentes dos outros peregrinos de então, que percorriam os caminhos, sob o sol e sob a chuva, para ali chegar. Fátima era realmente um lugar sagrado. Eu ficava com o meu pai em casa, até ao dia 12, data em que partíamos, de carro, ao encontro da minha mãe, a tempo de assistir à procissão. Quando chegávamos ao Santuário, o meu pai apontava para um painel que havia numa das entradas, informando que aquele era um lugar sagrado, motivo pelo qual não se podia usar calções, saias curtas, camisolas de alças, nem se podia fumar, falar alto, levar animais, etc. Eu nasci depois do Concílio Vaticano II, motivo pelo qual já era preciso haver estes avisos. Se tivesse nascido antes, certamente que todos saberiam como comportar-se, não sendo necessário aquele painel. Olho para as fotografias do casamento dos meus pais, que ali foi celebrado há cinquenta anos, e percebo porquê: todos estavam decentemente vestidos, e as senhoras, imitando a Santíssima Virgem, tinham véus na cabeça, mesmo fora da velha Basílica de Nossa Senhora do Rosário. Enfim, nasci numa época em que o Santuário começava a deixar de ser respeitado como lugar sagrado. Mas muito havia de acontecer, porque a fúria destruidora do Concílio continuaria a fustigar-nos até ao Presente, embora a maioria não queira admitir a verdade.

Hoje, os peregrinos continuam cheios de fervor, mas cada vez mais ignorantes e mais grosseiros. Vestem roupas escandalosas, em especial as mulheres; falam e riem alto, fumam e bebem cerveja, levam cães para o recinto. Estes sacrilégios já seriam suficientes para ofender a Deus e o Imaculado Coração. Mas não ficam por aqui. Os peregrinos, na sua maioria, acercam-se da Sagrada Comunhão com atitudes verdadeiramente não-católicas. Muitos estendem uma mão para que os sacerdotes coloquem nela a Sagrada Hóstia (e muitos deles colocam, de facto!), os homens nem sequer tiram o chapéu para receber Nosso Senhor, as mulheres aproxima-se meio-despidas. Raríssimos são os que se ajoelham. Alguns deixam mesmo cair Nosso Senhor no chão. Recentemente, vi Nosso Senhor cair da mão de um sacerdote para uma poça de água, como um floco de neve. Foi depois pisado pelos peregrinos.

É preciso que se diga: Fátima converte-se, cada vez mais, num lugar de ultraje, de sacrilégio e de indiferença, três ofensas contra Nosso Senhor, denunciadas pelo Anjo de Portugal na sua aparição na Loca do Cabeço, perto da Cova da Iria, um ano antes, em 1916. O Anjo (que se supõe ser São Miguel) deu-lhes então a Sagrada Comunhão. Os videntes estavam de joelhos e de mãos postas, Lúcia e Jacinta de véu na cabeça, Francisco de cabeça descoberta. Quem visita este lugar, pode ver ali um belíssimo grupo escultórico, da autoria de Maria Amélia Carvalheira, que assim os representou, em mármore branco, depois de consultar Lúcia pessoalmente, quando esta já esta estava no convento. Estas esculturas, tão brancas, falam-nos ao coração e deviam fazer-nos pensar no modo como nos comportamos diante da Santíssima Eucaristia.

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Hoje os peregrinos comportam-se mal porque não são ensinados a comportar-se de outra maneira. Praticam ultrajes, sacrilégios e indiferenças em Fátima, e noutros lugares, por causa da sua ignorância. Por isso, não serão inteiramente culpados. A culpa será, sobretudo, dos seus bispos e nos seus párocos, que sabem (ou deviam saber) o que está errado e o que está certo, mas são negligentes e não lhes ensinam o que está certo. No Santuário, esta negligência é muito evidente. Se as pessoas fossem ensinadas a tomar atitudes piedosas, estou certo de que entrariam no recinto com aquele seu fervor tão genuíno, mas confirmado por comportamentos agradáveis a Deus.

Hoje não parece haver esta preocupação por parte do Santuário. Quem o governa parece estar empenhado, pelo contrário, em desfigurar a sacralidade daquele lugar. Comemoramos este ano as aparições do Anjo. No próximo ano, será celebrado o centenário das aparições de Nossa Senhora. Para além de vermos os peregrinos cada vez mais ignorantes e grosseiros (apesar de fervorosos), temos visto coisas muito estranhas no Santuário. Depois de, há já várias décadas, terem sido modernizados alguns edifícios do recinto e de ter sido colocada uma nova cobertura da capela das aparições – obras de mau gosto –, foi com estranheza que vimos erguer-se na Cova da Iria a nova Igreja da Santíssima Trindade, obra modernista, redonda e fria, cujo interior choca violentamente contra qualquer sensibilidade católica. Veja-se que a nave principal, apesar de ter tantos lugares para os fiéis se sentarem, não tem sacrário. Para que serve uma nave sem um lugar para Nosso Senhor? Há, sim, um crucifixo gigante, com uma imagem monstruosa, de olhos assustadores. Consta que Sua Santidade o Papa Bento XVI, quando a viu, disse que não gostava. De facto, é horrível. Há várias capelas na nova igreja, minimalistas, onde os sacrários estão a um canto, enquanto o “retábulo” principal é uma espécie de janela, totalmente vazia. Uma delas é a Capela do Santíssimo Sacramento, onde está Nosso Senhor exposto. Aqui, a custódia é um grande quadrado prateado, sem resplendor, suspenso do tecto, como um pêndulo de relógio. É horrível, verdadeiramente indigna. E não há ali uma única cruz. Nem sequer na Sagrada Hóstia.

Também nessa época, foi substituída a grande cruz que estava erguida na parte superior do recinto pela cruz actual, na qual está uma imagem de Cristo tão estilizada que parece um gafanhoto. É também horrível. E, no mês passado, foi inaugurado o novo presbitério, na escadaria da velha Basílica. Ali, o crucifixo é ainda mais estranho, porque não representa Nosso Senhor na cruz, mas ao lado da cruz, ou a fugir dela. Parece um extra-terrestre. É igualmente horrível.

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A velha Basílica foi restaurada há pouco tempo. Construída originalmente em pedra branca, ficou resplandecente depois da intervenção. Porém, no seu interior ficou o maior dos horrores que temos visto erguer-se no Santuário. O grande altar de mármore da capela-mor, posto ali depois da reforma litúrgica, foi substituído por um pequeno altar quadrado, de pedra castanha. De um lado tem dois tocheiros e do outro lado apenas um. O conjunto, para além de chocar com a alvura da nave, tem chamado a atenção de muitos fiéis, por ser extremamente semelhante aos altares das lojas maçónicas. Muitos perguntam-se se haverá um braço da Maçonaria a influenciar ou mesmo a governar o Santuário de Fátima, uma força oculta que, por fim, já nem disfarça o que está a fazer àquele lugar sagrado, tocado pelos pés da Santíssima Virgem.

As capelas sepulcrais dos videntes também não foram poupadas. O chão destas capelas, outrora composto por belos desenhos, feitos com pedras polícromas, foi agora coberto com um pavimento negro, pintalgado com pequenos ladrilhos amarelos. Destruíram também os dois altares que ali estavam, desfigurando o conjunto harmonioso dos quinze mistérios do Santo Rosário (um por capela), que circunda toda a nave. Naqueles altares tinha estado Nosso Senhor muitas vezes, porque ali fora rezada a Santa Missa antiga por muitos sacerdotes. Foi num desses altares que os meus pais se casaram. Cinquenta anos depois, entraram na Basílica restaurada para dar graças a Deus, no lugar ondem tinham celebrado o seu matrimónio. Ficaram horrorizados.

A destruição que essas pessoas promovem não ficou por aqui, nem ficará, se alguém não travar depressa aquilo que parece ser um plano obscuro contra Deus e contra a Santíssima Virgem. No passado dia 10 de Junho de 2016, celebrou-se a solenidade do Anjo de Portugal. Em Fátima, como é habitual, estiveram milhares de crianças peregrinas. O Santuário decidiu decorar a sua colunata com as cores do arco-íris. O lema escolhido foi “Deus está contente”, frase incompleta de Nossa Senhora, que, a 13 de Setembro de 1917, disse aos videntes: “Deus está contente com os vossos sacrifícios”. É verdade que o arco-íris é referido na Sagrada Escritura, como referi. É verdade que muitas cores foram manifestadas no Milagre do Sol, em Fátima. Mas também é verdade que o arco-íris é hoje um dos símbolos mais contrários à fé católica: é o símbolo LGBTI. Certamente saberiam disto as pessoas que fizeram essa ultrajante decoração. O que quereriam dizer às crianças, com esse lema mutilado e com essas cores, quando, por todo o mundo, a ideologia de género avança, totalitária, contra a criação de Deus?

Por mais que sejamos misericordiosos com as pessoas ditas LGBTI, sabemos que as suas causas são contra Deus. Foi contra o pecado que Nossa Senhora falou em Fátima. As cores que ali manifestou eram as da glória Deus. De modo algum as manifestou para promover a confusão. Mostrou-as a três meninos e à multidão, para que em tudo correspondessem ao que o Céu lhes pedia. E eles, os videntes, de facto, sacrificaram-se, com orações e jejuns, por toda a sua vida. Por isso, Deus estava contente com eles.

Deus estará agora contente com o que se passa no Santuário de Fátima?

A Santíssima Virgem estará contente?

Em 1917, Nossa Senhora nunca sorriu aos videntes, falando com o rosto triste sobre as ofensas a Deus e ao Seu Imaculado Coração. Imaginemos como estará agora – em lágrimas!

O Santuário de Fátima deve voltar a ser respeitado como lugar sagrado, em todo o seu esplendor. É preciso que cada católico esteja atento ao que está a acontecer. Estará o Santuário a cair nas mãos de servidores de Satanás? Estamos, de facto, num tempo de combate. Abramos os olhos. A Santa Igreja é fustigada por todos os lados, a confusão aumenta.

“Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”, assim anunciou Nossa Senhora, no segredo. Peçamos-Lhe que seja depressa.

 

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10 junho, 2016

Vaticano: ‘Publicação do Terceiro Segredo de Fátima é Completa’ (mas estaria completamente publicado?)

Por  – The Remnant | Tradução: Fabiano Rollim – FratresInUnum.comPara uma aparição da Virgem Maria que ocorreu há cem anos, e em relação a qual nos foi garantido que se tratava exclusivamente de uma lição de história do século XX, até que ela tem chamado bastante atenção ultimamente.

Para se inteirar – primeiro, tivemos as lembranças de Alice Von Hildebrand no blog OnePeterFive sobre o Terceiro Segredo de Fátima tendo a ver com uma apostasia que começaria no topo da Igreja.

6c8bb439f78d2818cf0a18b679522b8a_lUma semana depois, tivemos a confirmação de uma afirmação, feita há uma década pelo Pe. Ingo Dollinger – amigo pessoal do Cardeal Ratzinger/Papa Bento XVI –, de que, após a descrição que este último fizera do Terceiro Segredo como tendo a ver com uma crise de fé, um concílio mau e uma Missa má (e a apresentação bastante diferente disso feita pelo Vaticano no ano 2000), o então Cardeal Ratzinger teria afirmado que havia realmente mais sobre o segredo do que o publicado.

E de novo, por mais interessante que seja esse desenvolvimento, foi simplesmente uma reconfirmação de uma afirmação de uma década atrás feita pelo Pe. Dollinger, e que já tinha sido previamente publicada pelo Pe. Gruner e por outros.

Mas então aconteceu algo verdadeiramente espantoso: a Sala de Imprensa do Vaticano publicou uma negação com palavras fortes daquilo que havia ignorado por uma década – uma negação supostamente do próprio Bento XVI, aparentemente sua primeira reação pública a alguma coisa desde sua renúncia.

Ora, se a intenção da Sala de Imprensa do Vaticano era abafar toda a controvérsia sobre o Terceiro Segredo de Fátima, eles falharam lastimosamente. Para aqueles que têm acompanhado as denúncias de acobertamento feitas pelos “fatimistas”, essa negação realmente bizarra do Vaticano só serve para pôr mais lenha na fogueira.

Mas antes de analisar a negação do Vaticano, vamos ponderar quão bizarro é que o Vaticano responda à história de OnePeterFive agora, após ela já ser conhecida, ter sido publicada e citada repetidamente por fatimistas por quase uma década. Tudo bem, é possível que a matéria no OnePeterFive tenha dado nova força à história, mas Antonio Socci e Chris Ferrara já publicaram e venderam inúmeros livros sobre a intriga envolvendo o Segredo de Fátima – e mesmo assim o Vaticano fingiu não ter nada com isso, sem jamais refutar ou abordar a montanha de evidências sobre a existência de um texto não revelado no Segredo de Fátima. Por alguma razão, isso repentinamente conseguiu uma resposta imediata e pública por parte do Vaticano agora? Por quê? Mais e mais curiosíssimo, como disse certa vez outra Alice. Tenho minhas teorias sobre isso, mas vamos primeiro à resposta do Vaticano.

Para entender corretamente a resposta do Vaticano sob o ponto de vista de um fatimista bem informado, é necessário entender o que a maioria dos fatimistas têm alegado sempre. A mídia católica em geral frequentemente desconsidera os fatimistas insistindo que, para acreditar neles, você tem de estar disposto a chamar vários papas de mentirosos. Isso simplesmente não é verdade. O que a maioria dos fatimistas alega é que o Vaticano está jogando com algum tipo de restrição mental.

Resumindo, os fatimistas afirmam há tempos que existe um texto adicional escrito pela Irmã Lúcia por volta da mesma época em que escreveu a visão com a qual estamos todos familiarizados. Esse texto adicional contém as palavras de Nossa Senhora explicando a visão e provavelmente contendo um alerta sobre enormes ameaças à fé que viriam de dentro da Igreja. Antes do ano 2000, o contexto e o provável conteúdo do Terceiro Segredo foram atestados por tantas pessoas que os conheciam que é impossível simplesmente desconsiderar isso. Os fatimistas alegam que, por alguma razão, seja por causa do conteúdo alarmante ou por causa da acusação feita às mudanças na Igreja durante e após o Concílio Vaticano II, os papas desde João XXIII teriam questionado a validade de certos aspectos desse texto do Segredo. Eles o teriam considerado tão alarmante, tão perigoso, ou tão desconfortável, que teriam questionado se não teria sido contaminado de alguma forma, talvez pela própria Irmã Lúcia. Assim, tendo se recusado a aceitar a autenticidade e veracidade desse texto, eles o teriam excluído mentalmente, considerando-o uma parte ilegítima do Terceiro Segredo.

É importante entender essa distinção, já que esclarece muitas declarações feitas por prelados desde o ano 2000 em relação ao Segredo e a situações sinistras na Igreja; declarações que se tornariam incompatíveis e estranhamente escrupulosas sem essa distinção. Ainda que possam saber que existe um texto adicional escrito pela Irmã Lúcia, usam essa restrição mental para exclui-lo do Terceiro Segredo “legítimo”. Em suas cabeças, não estão mentindo, mas ao mesmo tempo, fazem de tudo para jamais confirmar que há mais sobre o Terceiro Segredo, porque tal confirmação causaria um clamor por sua revelação a que seria difícil ou até impossível resistir.

Com esse entendimento, podemos ver facilmente por que esta estranha negação das palavras do Pe. Dollinger apenas porá mais lenha na fogueira.

Alguns artigos publicados recentemente atribuem ao professor Ingo Dollinger declarações segundo as quais o cardeal Joseph Ratzinger, depois da publicação, em junho de 2000, do Terceiro segredo de Fátima, havia-lhe confiado que tal publicação não era completa.

A esse respeito, o Papa emérito Bento XVI comunica que “não falou nunca com o professor Dollinger acerca de Fátima” e afirma claramente que as frases atribuídas ao professor Dollinger sobre esse tema são “pura invenção, absolutamente não verdadeiras” e reitera decididamente: “A publicação do Terceiro segredo de Fátima é completa”.


De saída, essa negação quer convencer o leitor de uma coisa: é tudo mentira; o então Cardeal Ratzinger nunca nem falou com o Pe. Dollinger sobre Fátima.

Só que não é isso o que a declaração diz realmente. O primeiro parágrafo apresenta um cenário bem preciso; a saber, o do comentário do Cardeal Ratzinger após o ano 2000 de que a publicação não era completa. Mas o parágrafo seguinte começa com uma precisão bem crítica: “A esse respeito.” Essa precisão indica que a declaração não está negando especificamente que o Cardeal Ratzinger tenha falado com o Pe. Dollinger sobre Fátima, mas diz simplesmente que o Papa Bento XVI não disse ao Pe. Dollinger que a “publicação não era completa.”

Isso é interessante porque não nega, de forma alguma, a afirmação do Pe. Dollinger de que, antes do ano 2000, o Cardeal Ratzinger tenha conversado com ele sobre o Terceiro Segredo e o tenha caracterizado de uma maneira muito diferente do que foi revelado no ano 2000. Essa é uma parte crítica do que o Pe. Dollinger alega, e não é de forma alguma negada nessa declaração. A única coisa que é negada é que o Papa Bento XVI tenha dito: “a publicação não é completa.”

Só que esta frase, “a publicação é completa”, é crítica, motivo pelo qual dediquei um tempo para explicar a questão da restrição mental. Se você entende que eles usaram de restrição mental para excluir aquele texto adicional do Terceiro Segredo, não é mentira dizer que a publicação do Terceiro Segredo é completa, já que podem ou não “acreditar” que o texto adicional seja uma parte autêntica do Terceiro Segredo. Mais que isso, já sabemos que “a publicação é completa”. O Vaticano deixou isso claro no ano 2000. De fato, é esse precisamente o problema, de acordo com os fatimistas. A publicação é completa ainda que as palavras da Virgem não apareçam em nenhum lugar. A frase “a publicação é completa” não significa nada se você entende o jogo da restrição mental.

Quanto às palavras atribuídas ao Papa Bento XVI na negação da Sala de Imprensa do Vaticano – de que as afirmações do Pe. Dollinger são “pura invenção, absolutamente não verdadeiras” – temos de admitir que isso pode ser verdade, mesmo se a veemência da reprimenda não se pareça em nada com Ratzinger e pareça estranhamente abrupta ao repreender um velho amigo.

Ainda mais, é difícil não notar que nos deram a conhecer apenas essas citações abruptas extraídas de Bento XVI sem absolutamente qualquer contexto ou entendimento das verdadeiras perguntas feitas ao Papa emérito. Isso lembra as citações fora de contexto atribuídas à Irmã Lúcia pelo Cardeal Bertone em apoio à revelação do Segredo no ano 2000; três linhas extraídas de uma entrevista de 4 horas com uma senhora idosa. Honestamente, sem o contexto adequado, essas citações são de muito pouco valor para determinar a verdade da questão, possuindo valor apenas na percepção do público geral.

Dada a seriedade da questão – algo tão sério, de fato, que fez o Vaticano não apenas responder, mas obter do Papa emérito Bento XVI um comentário pela primeira vez em mais de 3 anos – essa é uma resposta nada séria. Se o Vaticano está realmente interessado em encerrar essa questão, deixe que Chris Ferrara e Antonio Socci façam uma entrevista completa com o Papa Bento XVI e com o Cardeal Bertone, articulando propriamente as perguntas e registrando de uma vez por todas as respostas completas e integrais.

Talvez a história do Pe. Dollinger não seja verdadeira em todos os seus detalhes e o Vaticano tenha se sentido à vontade para responder com aquela negação, para fortalecer a afirmação e a percepção pública de que todo o Terceiro Segredo tenha sido revelado. Entretanto, tenho acompanhado essa história de Fátima muito de perto e, após ler essa última negação vaticana, só posso ficar mais do que nunca convencido de que há mais coisa por trás disso tudo.

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