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13 outubro, 2017

Um testemunho do Milagre do Sol: “Se não fosse católico, nesse momento ter-me-ia convertido”.

Bernardo Motta reuniu em livro cerca de centena e meia de testemunhos do Milagre do Sol. O livro sai no último dia das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima. Leia aqui um dos depoimentos.

Por Observador, 12 de outubro de 2017 –

Há 100 anos, a 13 de outubro de 1917, dezenas de milhares de pessoas assistiram, à hora prevista, ao chamado “Milagre do Sol” — um sinal pedido a Nossa Senhora por irmã Lúcia, três meses antes, para que todos acreditassem nas aparições de Fátima. Bernardo Motta recolheu cerca de centena e meia de depoimentos de testemunhas oculares, que transcreveu e reuniu num livro. O Milagre do Sol segundo testemunhas oculares chega às livrarias esta sexta-feira — o dia em que se encerram as celebrações do Centenário das Aparições de Fátima.

O Observador pré-publica um desses depoimentos: o de Luís António Vieira de Magalhães e Vasconcelos.

«Depoimento que faz pela sua honra e pela sua fé de cristão, Luís António Vieira de Magalhães e Vasconcelos, solteiro, advogado e oficial do registo civil no concelho de Vila Nova de Ourém, sobre os factos ocorridos nas proximidades do lugar da Fátima, deste concelho, no ano de 1917. Já há meses corriam variadas versões de que a Virgem Nossa Senhora aparecia nas proximidades do lugar da Fátima a umas pequenas pastoras. Eu tinha conhecimento dessas versões e sabia que era grande a afluência de gente de várias categorias sociais ao local indicado pelas referidas pastoras, principalmente nos dias 13 de cada mês, pois eram os dias em que estas diziam que se davam as aparições. Tais boatos começaram a interessar-me e por esse motivo pretendi então informar-me do que se passava. Falando com algumas pessoas que lá tinham estado no dia treze de setembro, umas declararam-me que nada tinham visto, outras que tinham visto uma estrela, outras faziam descrições fantásticas. Tão pouca uniformidade havia nos seus depoimentos que me convenci de que se tratava de uma “blague” sem o menor fundamento. Esta minha convicção mais se avigorou, quando dias depois falei com um venerando sacerdote deste concelho, que me disse ter sabido casualmente que as pequenas pastoras tinham em casa um livro onde se descreviam os milagres de Nossa Senhora de Lourdes e da Virgem de La Salette. Este venerando Sacerdote mostrava-se pouco inclinado a acreditar na sinceridade das revelações feitas pelas pequenas.

Escrupulosamente, conservava-se na espectativa, alheio a tudo, como alheio a tudo se tem conservado e conserva o clero deste concelho. Pela minha parte pensei então que a imaginação das crianças podia deixar antever toda a possibilidade de uma visão irreal, meramente subjetiva. Podia também tratar-se de uma mistificação de intuitos espetaculosos ou lucrativos e por isso entendi que era dever não me fazer eco desses boatos que visavam um assunto tão grave e tão melindroso. Com o insucesso só a Nossa Religião poderia perder.

Por isso, quando se falava no caso, de aí em diante, mostrei sempre mais descrença do que espectativa. Foi nestas disposições de espírito que eu, no dia 13 de Outubro, próximo passado, pela primeira vez me dirigi para o local das aparições. Era curioso; não era um romeiro. Na véspera e antevéspera desse dia, e mesmo durante a noite, eu vi uma enorme multidão atravessar esta vila em direcção à Fátima. De longes terras vinham ranchos de camponeses, na sua maior parte descalços, que cheios de fé e devoção atravessavam esta terra, entoando cânticos religiosos como o “Bendito” e o “Queremos Deus”. Alguns com quem falei já vinham de catorze léguas de distância, mortos de fome e de fadiga, mas mostravam-se esperançados e contentes. Estes eram por certo os romeiros. Veículos de toda a espécie, desde a carroça desconjuntada até à “limusine” perfumada, atravessavam também a terra numa fila interminável. Estes últimos eram talvez na sua maior parte os curiosos, os “mirones”. Tive informações de que nas estradas de Torres Novas e de Leiria a concorrência foi igual. Como atrás deixei dito, no dia 13 parti para o local das aparições, logo de manhã, às oito horas, aproximadamente. Acompanhavam-me meus irmãos António e Fernando. Logo à saída daqui, a chuva começou caindo copiosamente, tornando as estradas num contínuo lamaçal. O vento soprava rijo, principalmente nas alturas da serra da Fátima. Pelas estradas continuava ainda enorme concorrência. Passámos ao lugar da Fátima e seguimos pela estrada que liga este lugar com a vila da Batalha. A chuva continuava caindo torrencialmente. À distância de um quilómetro, aproximadamente, vimos uma multidão de muitos milhares de pessoas que de preferência se aglomerava nos outeiros. Seriam trinta mil pessoas, seriam cinquenta mil? Ninguém o poderia dizer ao certo. Parámos. Centenas de carros e automóveis, pejavam por completo a estrada enlameada. No fundo do vale, por entre a multidão, consegui divisar uns toscos postes de madeira clara que se assemelhavam a um trapézio, os quais eram encimados por uma pequena cruz, segundo depois observei de mais perto. A chuva era agora menos intensa.

O sol continuava escondido entre grossas nuvens pardacentas. Em volta do trapézio a que me referi, aglomerava-se um numeroso grupo. Era o local indicado pelas pastoras, no qual se concentravam todas as atenções. A paisagem naquele ponto é agreste e nada tem de interessante. Montes na maior parte cobertos de pedra e urze. Alguns carvalhos e azinheiras de pequeno porte alternam com um pinhal escasso que fica para os lados do nascente. Aqui e além, baixas paredes de pedra solta, quase desmoronadas, afirmam alguma estrema. Encontrei nessa ocasião, bastantes pessoas das minhas relações tanto de Lisboa como de vários pontos afastados daqui. Quase todas perguntavam a minha opinião, talvez com particular interesse, por saberem que vivia nesta região. A todas respondi, sorrindo incredulamente, que tudo era uma “blague”. “Que como católico, me não repugnava acreditar na possibilidade de um milagre mas que por isso mesmo que era católico, é que não acreditava, enquanto esse milagre se não operasse por uma forma evidente, inconfundível. Que o próprio clero do concelho duvidava também, segundo me constava”. Entre outras pessoas, lembro-me que disse isso à esposa do Snr. Emílio Infante da Câmara, de Vale de Figueira e a seus filhos Emílio e José, ao Dr. Gualdim de Queirós, de Cernache de Bonjardim, ao Snr. José Rino de Alcobaça e a sua esposa, a Senhora Dona Capitolina Guimarães Rino. Tentei aproximar-se do ponto onde estavam as pastoras que era junto do trapézio a que me referi anteriormente, a uns duzentos metros da estrada, mas não o consegui, tão compacto era o círculo de gente que se formava em volta delas. Assim não as consegui ver nem ouvir nessa ocasião; percebi apenas que oravam.

Voltei para cima, para a estrada, e aproximei-me do Snr. José Rino e de sua esposa que estavam junto da sua “limusine” conversando com várias pessoas. Foi então que estes meus bons amigos que desde criança me conhecem pediram a minha opinião que lhes manifestei pela forma que anteriormente expus.

Mostraram-se quase indignados e disseram-me “que para eles não restava a menor dúvida de que se tratava de um milagre, pois que eles já anteriormente, no dia 13 de Setembro último, ali tinham estado e tinham presenciado no sol extraordinários fenómenos luminosos, precisamente à hora indicada pelas pastorinhas; que o clero não estava bem informado e que, se eu duvidava, que esperasse”. Como insistir seria inconveniência, calei-me, mas fiquei absolutamente convencido de que nada veria. Recordei então, como já por várias vezes tinha recordado aquele princípio de Gustave Le Bon que se resume à corrente hipnótica que a domina. Era preciso precaver-me, não me deixar influenciar. Esse meu amigo, tirando o relógio disse-me: faltam cinco minutos, à uma hora olhe para o sol, foi a hora anunciada pelas pastorinhas, depois me dirá. Isto surpreendeu-me pois que para onde eu tencionava olhar e para onde eu julgava que todos olhariam era para o local onde se encontravam as pastoras. Constava-me que elas tinham afirmado que nesse dia se daria uma coisa que depois disso ninguém poderia duvidar. O céu nesse momento estava duma cor plúmbea. A chuva tinha parado. O sol não se via, encoberto pelas nuvens, e ninguém diria que ele tornaria mais a aparecer nesse dia tão chuvoso e tão desabrido. À uma hora em ponto, ouço um grande clamor. Esses meus amigos gritam-me: olhe, olhe, mas eu a princípio apenas via nuvens correndo ligeiras deixarem o sol a descoberto. De repente vejo uma orla intensamente cor-de-rosa, circundar o sol que se assemelhava a um disco de prata fosca, como já alguém disse, ao mesmo tempo que me dava a impressão de que este se deslocava da sua primitiva posição. Nuvens diáfanas, vaporosas, um tanto roxas, um tanto alaranjadas, perpassavam. Em vários pontos da linha do horizonte, contrastando com a cor plúmbea do céu, eu vi também manchas cor-de-rosa e amarelas. O clamor cada vez era maior. Isto não durou segundos: durou talvez minutos. Ao observar estas manifestações, que não duvidei um momento fossem devidas à Infinita Omnipotência de Deus, uma indiscritível impressão se apoderou de mim.

Sei apenas que gritei, creio, creio, creio, e que as lágrimas caíam dos meus olhos, maravilhado, extasiado, perante essa demonstração do Poder Divino. Sei também que não senti a menor sombra de receio ou terror. Se não fosse católico, nesse momento ter-me-ia convertido. Lembro-me também que não ajoelhei mas a maior parte das pessoas caíram de joelhos sem se importarem com o enorme lamaçal. Então estes fenómenos escapam à previsão da ciência e não escapam à previsão de umas pequenas pastorinhas da serra, que os anunciam com uma precisão verdadeiramente matemática?!… Demais, sendo eles tão deslumbrantes, tão maravilhosos?!

Fui procurar meus irmãos que me disseram ter presenciado o mesmo, assim como as restantes pessoas que encontrei, variando um tanto as descrições do que observaram no sol. Às pessoas a quem tinha classificado o caso de “blague” disse-lhes o que vira e que estava agora absolutamente convencido de que estávamos em face de um milagre. O astro-rei brilhava agora intensamente e não mais deixou de brilhar nesse dia, assim como não tornou a chover. Quase no momento da partida encontrei o meu amigo Emílio Infante da Câmara que me disse ter ido ver as pastoras e que estas tinham dito: que a guerra acabaria brevemente, ou que acabaria de ali a oito dias (não posso precisar). Disse-me também que elas estavam vestidas com “toiletes” de primeira Comunhão. Começava a debandada. Regressámos a casa.

Algumas semanas depois voltei ao local das aparições para entrevistar as pastoras. Desejava conhecer essas crianças. Acompanharam-me minha mãe, a Baronesa de Alvaiázere, minha irmã, Maria Celeste, e o meu particular amigo Conde do Juncal, e sua Ex.ma Mulher, que então eram nossos hóspedes. Junto da Igreja da Fátima parámos e pedimos que nos dissessem onde se encontravam as pastorinhas. Disseram-nos que deviam estar no local das aparições e que o pastorinho que as acompanhava e a quem a Virgem também aparecia que estava ali próximo e que o iam chamar. Pouco depois apareceu este.

Era uma criança de dez a doze anos, trajando à moda do campo, bastante alegre e despreocupado, ao que parecia. Convidámos o pequeno a acompanhar-nos ao que ele se prontificou logo, saltando sorridente para o automóvel que nos conduzia. Fizemos-lhe várias perguntas mas ele sorria mais do que falava, mostrando-se muito deslumbrado com as várias peças do automóvel. Junto do local, em frente de uma mesa de madeira bastante velha, onde estava colocado um Crucifixo, várias pessoas oravam. Lá estava o tronco da azinheira cortada e os tais postes de madeira dos quais pendiam duas lanternas de lata. Ajoelhámos e rezámos também. A pequena Lúcia, aquela a quem a Virgem aparecia, conversava a certa distância com alguns forasteiros. Esperámos que estes a deixassem e aproximámo-nos dela. Esta era uma criança dos seus doze anos, de feições grosseiras e de cor muito macilenta. Estava vestida pobremente, à moda do campo, tendo ao peito uma pequena flor de papel vermelho e nas mãos um pequeno cofre, onde tilintavam algumas moedas. Tinham um ar tristonho e sombrio. Narrou-nos a aparição da Virgem da forma que já é de todos conhecida. Que a Virgem lhe dissera “que nós tínhamos ofendido muito a Deus e que nos emendássemos”. “Que fizéssemos ali uma capelinha e que lhe pusessem o nome da Senhora do Rosário”. “Que a guerra acabaria em breve”. Perguntando-lhe minha irmã o que vira ela no sol na ocasião do milagre, respondeu “que vira S. José”. Perguntei-lhe também se ela não tinha receado que se não desse o milagre pois que o povo a poderia matar julgando que ela estivesse enganando todos, disse-me com certa energia “que sabia que o milagre se daria e que por isso nem em tal perigo tinha pensado”. Disse-nos também que já tinha anteriormente ouvido contar os milagres da Senhora de Lourdes. Uma mulher que dizia ser tia dela auxiliava-a algumas vezes nas respostas e fazia várias considerações sobre um segredo que elas tinham e que a ninguém o revelavam embora já lhes tivessem feito vários prometimentos sedutores e até as tivessem ameaçado de que as deitariam a um poço ou de que as queimariam se elas o não revelassem.

Disseram-nos ainda que as esmolas que recebiam eram para a construção de uma capela e que dessas esmolas era depositária outra mulher que ali se encontrava. Informaram-nos também ali que a pequena se encontrava fatigadíssima com a constante série de perguntas que toda a gente lhe fazia. A referida pequena, umas vezes me parecia concentrada, outras vezes me parecia distraída. Devo declarar que a impressão que me deixou não foi boa, ou foi pelo menos muito diferente da que eu esperava. Uma criança cheia de lógica, de coerência e de perspicácia seria também de recear. Se apesar dessas aparências estava ali uma criatura escolhida por Deus para uma tão assombrosa revelação, não posso eu dizê-lo. No regresso, parámos novamente junto da Igreja da Fátima; ali conseguimos falar à outra pequena, cujo nome não me recorda. Subiu ao estribo do automóvel que nos conduzia mas não conseguimos arrancar-lhe uma palavra por mais diligências que empregámos para esse fim. Tinha esta aspeto muito jovial e uns olhos expressivos. Devia ter sete ou oito anos de idade. Do que venho expondo concluo duas coisas que pelos menos aparentemente brigam uma com a outra. A primeira: se Deus não quisesse mostrar a todos os que foram ao local das aparições, que eram exatas as revelações feitas pelas referidas pastoras, teria a Sua Infinita Omnipotência impedindo que se dessem essas deslumbrantes manifestações tão extraordinárias no Sol e no Céu, as quais toda a gente que estava nesse local, observou no dia 13 de Outubro, próximo passado, e que foram anunciadas pelas mesmas pastoras, e só por estas, com grande antecedência e com uma precisão da hora e local absolutamente matemáticas. A segunda: tendo as mesmas pastoras declarado que a Virgem Nossa Senhora lhes dissera que a guerra acabaria brevemente e sendo certo que esta ainda não acabou, teremos de concluir que as pastoras faltam à verdade, pois a Virgem é que por certo se não enganava, nem tal é admissível. Que se referiam à guerra europeia, não há dúvida pois que, segundo ouvi dizer, as referidas pastoras ainda acrescentaram que os nossos soldados em breve regressariam à pátria, mas não poderá o advérbio brevemente ser tomado numa acepção mais lata e não poderá assim referir-se a um período de tempo maior dos que os três meses que aproximadamente já decorreram? Não podia haver qualquer equívoco por parte das mesmas crianças na interpretação das Expressões Divinas? Que o digam aqueles que têm de proferir o seu “veredictum” sobre este assunto gravíssimo, porque se assim fôr, por completo desapareceram todas as contradições para só ficar de pé em todo o seu esplendor a minha primeira conclusão, isto é, a de que as pastorinhas falam verdade e se estas falam verdade não pode haver dúvidas de que foi um milagre o que se deu no dia 13 de Outubro próximo passado, nas proximidades do lugar da Fátima. Não cabem nos moldes deste depoimento quaisquer considerações científicas ou filosóficas e por isso me limitei a narrar circunstanciadamente o que vi e observei, com toda a exactidão e com toda a imparcialidade, desapaixonadamente, o que mais uma vez juro pela minha fé de cristão e afirmo pela minha honra.

Vila Nova de Ourém aos trinta de Dezembro de mil novecentos e dezassete.

Luís António Vieira de Magalhães e Vasconcelos

 

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27 agosto, 2017

Foto da semana.

Fátima, 20 de agosto de 2017: Cerca de 10 mil peregrinos de todo o mundo se reúnem em torno dos 3 bispos e cerca de 300 padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, juntamente com centenas de religiosos para uma peregrinação por ocasião do centenário das aparições de Nossa Senhora.

Na oportunidade, os bispos da Fraternidade realizaram um ato de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria (tradução de FratresInUnum.com):

“Prostrados aos pés de vosso trono de graça, ó Rainha do Santíssimo Rosário, desejamos atender, na medida de nossas forças, aos pedidos que fizestes quando, há cem anos, viestes a esta terra para se mostrar a nós.

Os abomináveis pecados do mundo, as perseguições contra a Igreja de Jesus Cristo, e, o que é pior, a apostasia das nações e das almas cristãs, e o esquecimento por tantos de vossa maternidade de graça dilacera o vosso Coração Doloroso e Imaculado, tão unido em sua compaixão com os sofrimentos do Sagrado Coração de Vosso Divino Filho.

A fim de reparar tantos crimes, pedistes que se estabelecesse no mundo a devoção reparadora ao vosso Imaculado Coração; e para deter os açoites de Deus, convertestes-vos na mensageira do Altíssimo para pedir ao Vigário de Jesus Cristo, juntamente com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao vosso Imaculado Coração. Desgraçadamente, continuam sem atender a vosso pedido.

E por isso que, antecipando-nos ao feliz dia em que o Sumo Pontífice finalmente ouça aos pedidos de vosso Divino Filho, e sem nos atribuirmos uma autoridade que não nos corresponde, mas com uma humilde súplica a vosso Imaculado Coração, como bispos católicos cheios de preocupação pelo destino da Igreja universal, e em união com todos os bispos, sacerdotes e leigos fiéis, decidimos responder, da melhor maneira que podemos, aos pedidos do céu.

Dignai-vos, portanto, ó Mãe de Deus, aceitar o ato solene de reparação que apresentamos ao vosso Coração Imaculado por todas as ofensas com que, juntamente com o Sagrado Coração de Jesus, é afligido pelos pecadores e homens ímpios.

Em segundo lugar, na medida de nossas possibilidades, damos, entregamos e consagramos a Rússia ao vosso Coração Imaculado: rogamo-vos, em vossa misericórdia maternal, que tomeis a esta nação sob a vossa poderão proteção, e que façais dela vosso domínio onde reinareis como Soberana. Fazei desta terra de perseguição uma terra predileta e bendita.

Suplicamo-vos que submetais esta nação tão inteiramente a vós, que se converta em um novo reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, em um novo legado para o seu doce cetro. E que, convertida de seu antigo cisma, regresse à unidade do único rebanho do Pastor Eterno, e assim se submeta ao Vigário de vosso Divino Filho, para que se converta em apóstolo ardente do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre todas as nações da terra.

Também suplicamo-vos, ó Mãe de Misericórdia, que por este prodigioso milagre de vossa onipotência suplicante, que manifesteis ao mundo a verdade de vossa mediação universal da graça.

E, por fim, dignai-vos, ó Rainha da Paz, dar ao mundo a paz que ele não pode dar, paz de armas e de almas, a paz de Cristo no Reino de Cristo e o Reino de Cristo através do reino de vosso Coração Imaculado, ó Maria. Amém.

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19 agosto, 2017

FSSPX peregrina neste fim de semana a Fátima: “Pedir aos Corações de Jesus e Maria socorro para a Igreja Católica em nosso tempo”.

Matéria do jornal português Diário de Notícias.FSSPX Fátima

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11 agosto, 2017

O Concílio Vaticano II e a Mensagem de Fátima.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 2-8-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comRorate Coeli, Corrispondenza Romana e outras publicações católicas reproduziram uma valiosa intervenção de Dom Athanasius Schneider sobre a “interpretação do Concílio Vaticano II e a sua relação com a atual crise da Igreja”. De acordo com o Bispo Auxiliar de Astana, o Vaticano II foi um Concílio pastoral e seus textos devem ser lidos e julgados à luz do ensinamento perene da Igreja.

De fato, “do ponto de vista objetivo, os pronunciamentos do Magistério (Papas e concílios) de carácter definitivo têm mais valor e mais peso frente aos pronunciamentos de carácter pastoral, os quais são, por natureza, mutáveis e temporários, dependentes de circunstâncias históricas ou respondendo às situações pastorais de um determinado tempo, como é o caso com a maior parte dos pronunciamentos do Vaticano II”.

Ao artigo de Dom Schneider seguiu-se, em 31 de julho, um equilibrado comentário do padre Angelo Citati, FSSPX,  segundo o qual a posição do bispo alemão se assemelha àquela reafirmada constantemente por Dom Marcel Lefebvre: “Dizer que avaliamos os documentos do Concílio ‘à luz da Tradição’ significa, evidentemente, três coisas inseparáveis: que aceitamos aqueles que estão de acordo com a Tradição; que interpretamos segundo a Tradição aqueles que são ambíguos; que rejeitamos aqueles que são contrários à tradição” (Mons. M. Lefebvre, Vi trasmetto quello che ho ricevuto. Tradizione perenne e futuro della Chiesa, editado por Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, Sugarco Edizioni, Milão 2010, p. 91).

Tendo sido publicado no site oficial do Distrito italiano, o artigo do padre Citati também nos ajuda a compreender qual poderia ser a base para um acordo visando regularizar a situação canônica da Fraternidade São Pio X. Devemos acrescentar que, no plano teológico, todas as distinções podem e devem ser feitas para interpretar os textos do Concílio Vaticano II, que foi um Concílio legítimo: o vigésimo primeiro da Igreja Católica. Dependendo do respectivo teor, esses textos poderão então ser classificados como pastorais ou dogmáticos, provisórios ou definitivos, conformes ou contrários à Tradição.

Em suas obras mais recentes, Mons. Brunero Gherardini nos dá um exemplo de como um juízo teológico, para ser preciso, deve ser articulado (Il Concilio Vaticano II un discorso da fare, Casa Mariana, Frigento 2009 e Id., Un Concilio mancato, Lindau, Turim 2011). Para o teólogo, cada texto tem uma qualidade diferente e um grau diverso de autoridade e cogência. Portanto, o debate está aberto.

Do ponto de vista histórico, contudo, o Vaticano II é um bloco inseparável: tem sua unidade, sua essência, sua natureza. Considerado em suas raízes, no seu desenvolvimento e em suas consequências, ele pode ser definido como uma Revolução na mentalidade e na linguagem que mudou profundamente a vida da Igreja, iniciando uma crise religiosa e moral sem precedentes.

Se o juízo teológico pode ser matizado e indulgente, o juízo histórico é implacável e inapelável. O Concílio Vaticano II não foi apenas um Concílio malogrado ou falido: foi uma catástrofe para a Igreja.

Uma vez que este ano marca o centenário das aparições de Fátima, convém debruçar sobre a seguinte questão: quando, em outubro de 1962, inaugurou-se o Concílio Vaticano II, os católicos de todo o mundo esperavam a revelação do Terceiro Segredo e a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. O Exército Azul de John Haffert (1915-2001) liderou durante anos uma maciça campanha nesse sentido.

Haveria melhor ocasião para João XXIII (falecido em 3 de Junho de 1963), Paulo VI e os cerca de 3000 bispos reunidos em torno deles, no coração da Cristandade, corresponderem em uníssono e solenemente aos desejos de Nossa Senhora? Em 3 de fevereiro de 1964, Dom Geraldo de Proença Sigaud entregou pessoalmente a Paulo VI uma petição assinada por 510 bispos de 78 países, na qual se implorava que o Pontífice, em união com todos os bispos, consagrasse o mundo, e de maneira explícita a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria. O Papa e a maioria dos Padres Conciliares ignoraram o apelo. Se a consagração pedida tivesse sido feita, uma chuva de graças teria caído sobre a humanidade. E um movimento de volta à lei natural e cristã teria iniciado.

O comunismo teria caído com muitos anos de antecedência, de maneira não fictícia, mas autêntica e real. A Rússia se teria convertido e o mundo teria conhecido uma era de paz e de ordem, como Nossa Senhora prometera. A consagração omitida concorreu para que a Rússia continuasse a espalhar seus erros pelo mundo, e para que esses erros conquistassem as cúpulas da Igreja Católica, atraindo um castigo terrível para toda a humanidade. Paulo VI e a maioria dos Padres Conciliares assumiram uma responsabilidade histórica, cujas consequências bem podemos hoje medir.

24 maio, 2017

Histórico e exclusivo: Dom Pestana e Fátima (parte 2).

Publicamos a segunda parte da entrevista concedida por Dom Manoel Pestana Filho, bispo de Anápolis, Goiás, de 1978 a 2004, seis meses antes de seu falecimento, a Anthony Tannus Wright, de FratresInUnum.com.

Ver também: 

Histórico e exclusivo: Dom Pestana e Fátima (parte 1).

Dom Pestana: + 8 de janeiro de 2011. RIP. A última entrevista: “Enquanto a luz do sacrário estiver acesa, sabemos que Alguém nos espera”.

22 maio, 2017

Cardeal Burke pede por consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Por John-Henry Westen, LifeSiteNews – Roma, 19 de Maio de 2017 | Tradução: João Melo – FratresInUnum.com – O Cardeal Raymond Burke lançou uma convocação esta manhã aos fiéis católicos para que “trabalhem pela consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O Cardeal Burke, que é um dos quatro cardeais que pediram esclarecimentos ao Papa Francisco sobre a [exortação] Amoris Laetitia, fez seu apelo no Fórum da Vida de Roma [Rome Life Forum] no mês do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

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Burke é o ex-Prefeito da do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e atual patrono da Ordem Militar e Soberana de Malta.

Em um longo discurso sobre “O Segredo de Fátima e a Nova Evangelização”, o Cardeal Burke, na presença do companheiro de dúbia Cardeal Carlo Caffarra, discursou para o bispo do Casaquistão Dom Athanasius Schneider e para mais de cem líderes pró-vida e pró-família de vinte países, dizendo que o triunfo do Imaculado Coração significaria muito mais do que o fim das guerras mundiais e dos desastres naturais que Nossa Senhora de Fátima previu.

“Terríveis que sejam os castigos físicos associados à rebelião de desobediência dos homens contra Deus, infinitamente mais terríveis são os castigos espirituais, pois são relacionados ao fruto do pecado grave: a morte eterna”, ele afirmou.

Ele demonstrou estar de acordo com um dos maiores especialistas em Fátima, Frère Michel de la Sainte Trinité, que afirmou que o triunfo prometido do Imaculado Coração de Maria sem dúvida se refere, primeiramente, à “vitória da Fé, a qual porá fim ao tempo da apostasia e à escassez de pastores da Igreja”.

Referindo-se à situação atual da Igreja à luz das revelações de Nossa Senhora de Fátima, Burke disse:

“O ensinamento integral e corajosamente da Fé é o coração do ministério dos pastores da Igreja: o Romano Pontífice, os bispos em comunhão com a Sé de Pedro e seus principais cooperadores, os padres. Por esta razão, o Terceiro Segredo é dirigido, com particular força, àqueles que exercem os cargos pastorais na Igreja. O fracasso deles em ensinar a fé de forma fiel aos ensinamentos e práticas constantes da Igreja, mesmo que com uma abordagem superficial, confusa ou mesmo mundana, e seu silêncio, colocam em risco mortal, no sentido espiritual mais profundo, precisamente aquelas almas às quais eles foram consagrados para cuidar espiritualmente. Os frutos envenenados do fracasso dos pastores da Igreja são percebidos na maneira de se adorar, de se ensinar e na conduta moral em desacordo com a Lei Divina”.

O chamado à consagração da Rússia é para alguns controverso, mas o Cardeal Burke tratou das razões para seu apelo de maneira simples e direta. “A consagração solicitada é ao mesmo tempo um reconhecimento da importância que a Rússia ainda possui nos planos de Deus para a paz e um sinal de profundo amor por nossos irmãos e irmãs russos”, ele disse.

“Certamente, São João Paulo II consagrou o mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria em 25 de março de 1984”, o Cardeal Burke disse. “Mas, hoje, mais uma vez, nós ouvimos o chamado de Nossa Senhora de Fátima à consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração, de acordo com suas explícitas instruções”.

Uma menção explícita da Rússia na consagração, como requisitada por Nossa Senhora, era desejada pelo Papa São João Paulo II, mas não foi cumprida devido à pressão de conselheiros. Este fato foi confirmado recentemente pelo representante oficial do Papa Francisco no aniversário da celebração de Fátima na última semana em Karaganda, Casaquistão.

Referindo-se ao dia 13 de maio, o Cardeal Paul Josef Cordes, ex-presidente do Pontifício Conselho Cor Unum, relembrou de uma conversa que teve com o Papa São João Paulo II após a consagração 1984, ou “ato de entrega”, ocorrida no dia 25 de março, quando a imagem de Nossa Senhora de Fátima estava em Roma.

“Obviamente, por um longo período, [o Papa] lidou com aquela importante missão que a Mãe de Deus (ali) havia dado às crianças videntes”, Cordes disse. “Contudo, ele absteve-se de mencionar a Rússia de modo explícito porque os diplomatas do Vaticano insistentemente lhe pediram para não mencionar esse país, já que conflitos políticos poderiam talvez surgir”.

Àqueles que ainda objetam ao chamado pela consagração da Rússia, o Cardeal Burke relembrou as palavras do Papa São Paulo II, que em 1984, durante a consagração do mundo ao Imaculado Coração comentou: “O pedido de Maria não é algo para ser feito uma única vez. Seu apelo deve ser atendido geração após geração, em concordância com os sempre novos ‘sinais dos tempos’. (Seu apelo) deve ser retomado incessantemente. Ele deve para sempre ser tido como novo”.

Instruindo os fiéis, o Cardeal Burke ensinou que Nossa Senhora de Fátima “provê para nós os meios de sermos fiéis ao seu Filho Divino e a buscarmos Nele a sabedoria e a força para trazermos a Sua graça salvadora a um mundo profundamente perturbado”.

O Cardeal Burke destacou seis meios que Nossa Senhora deu aos fiéis em Fátima para que participem da restauração da paz no mundo e na Igreja:

  1. Rezar o Terço todos os dias;
  2. Vestir seu escapulário;
  3. Realizar sacrifícios pela salvação dos pecadores;
  4. Realizar reparações pelas ofensas ao seu Imaculado Coração por meio da devoção do primeiro sábado (do mês); e
  5. Configurar nossas próprias vidas sempre mais à de Cristo;
  6. Por último, ela pede ao Romano Pontífice, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração.

“Por estes meios, ela prometeu que seu Coração Imaculado triunfará, trazendo almas a Cristo, seu Filho”, o Cardeal Burke acrescentou. “Voltando-se a Cristo, eles farão reparações pelos seus pecados. Cristo, pela intercessão de Sua Virgem Mãe, os salvará do inferno e trará paz a todo o mundo”.

17 maio, 2017

13 de Maio em Fátima.

Por Roberto de Mattei, Il Tempo, Roma,  14-05-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Quinhentas mil pessoas esperavam o Papa Francisco  na esplanada do santuário de Fátima para a canonização dos dois pastorinhos Francisco  e Jacinta, com idades de 9 e 11 anos, que juntamente com a prima Lúcia dos Santos viram e ouviram as palavras de Nosssa Senhora entre 13 de maio e 13 de outubro 1917. A canonização ocorreu, e a Igreja inscreveu no rol dos santos as crianças mais jovens não mártires de sua história. Sobre a prima Lúcia, falecida em 2010, está em curso o processo de beatificação.

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No entanto, o que os devotos de Fátima de todo o mundo estavam esperando não era apenas a canonização dos videntes, mas também o cumprimento da parte do Papa de alguns dos pedidos de Nossa Senhora,  até agora não atendidos.

Dois centenários opostos se comemoram de fato  neste ano: as aparições de Fátima e a Revolução bolchevique de Lênin e Trotsky, ocorrida na Rússia no mesmo mês em que em Portugal terminou o ciclo mariano. Em Fátima, Nossa Senhora anunciou que a Rússia espalharia seus erros pelo mundo e que desses erros nasceriam guerras, revoluções e perseguições à Igreja. Para evitar esses infortúnios Nossa Senhora pediu sobretudo um sincero arrependimento da humanidade e um retorno aos princípios da ordem moral cristã. A essa necessária emenda dos cristãos, a Santíssima Virgem juntou dois pedidos específicos: a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, feita pelo Papa em união com todos os bispos do mundo, e a propagação da prática dos primeiros sábados do mês, consistente em unir-se a Ela, confessar-se e comungar durante cinco sábados consecutivos, meditando quinze minutos e rezando o terço.

A difusão da prática dos primeiros sábados do mês nunca foi promovida pelas autoridades eclesiásticas e os atos pontifícios de entrega e consagração à Virgem Maria foram parciais e incompletos. Mas, acima de tudo, desde cinquenta anos atrás, os clérigos não pregam mais o espírito de sacrifício e de penitência, tão intimamente ligado à espiritualidade dos dois pastorinhos canonizados. Quando em 1919 Lúcia visitou Jacinta no hospital, na véspera de sua morte, a conversa foi toda ela centrada no sofrimento oferecido pelos dois primos a fim de evitar para os pecadores as terríveis penas do Inferno, mostrado por Nossa Senhora aos videntes.

O Papa Francisco, que nunca tinha ido a Fátima, nem como sacerdote, não tocou em nenhum desses temas. Em 12 de maio, na Capela das Aparições, apresentando-se como “bispo vestido de branco”, ele disse: “Venho como um profeta e mensageiro para lavar os pés de todos na mesma mesa que nos une”.  Depois, convidou para seguir o exemplo de Francisco e Jacinta. “Percorreremos, assim, todas as rotas, seremos peregrinos de todos os caminhos, derrubaremos todos os muros e venceremos todas as fronteiras, saindo em direcção a todas as periferias, aí revelando a justiça e a paz de Deus”.  Em sua homilia de 13 de maio na esplanada do santuário, Francisco lembrou “todos os meus irmãos no batismo e em humanidade”, em particular “os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados”, convidando-os a “descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”.

A dimensão trágica da Mensagem de Fátima, que gira em torno dos conceitos de pecado e de castigo, foi posta de lado. Nossa Senhora havia dito à pequena Jacinta que as guerras não são outra coisa senão a punição pelos pecados do mundo, e que os pecados que mais levam almas para o inferno são aqueles contra a pureza. Se hoje vivemos uma “terceira guerra mundial em pedaços”, como muitas vezes disse o Papa Francisco, como não  relacioná-la com a terrível explosão de imoralidade contemporânea, chegada ao ponto de legalizar a inversão das leis morais? Nossa Senhora disse ainda a Jacinta que, se não houvesse arrependimento e penitência, a humanidade seria punida, mas que por fim o seu Imaculado Coração triunfaria e o mundo inteiro se converteria. Hoje não só a palavra castigo é abominada, porque a misericórdia de Deus supostamente apaga todo pecado, mas a própria idéia de conversão é indesejável, uma vez que segundo o Papa Francisco “o proselitismo é o veneno mais forte contra o caminho ecumênico”.

É  preciso admitir que a Mensagem de Fátima, reinterpretada de acordo com as categorias sociológicas do papa Bergoglio, tem pouco a ver com o profético anúncio do triunfo do Coração Imaculado de Maria, feito por Nossa Senhora ao mundo há cem anos.

 

12 maio, 2017

Pecado, pena e sanção na Mensagem de Fátima.

Agradecemos a honra que nos dá o Dr. Ricardo Dip por fornecer, para publicação exclusiva em FratresInUnum.com, a conferência por ele pronunciada no Domus Pacis, em Fátima, no último dia 19 de abril, em evento do Consejo de Estudos Hispánicos Felipe II, de Madri.

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Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz” (Visão do inferno -aparição da Virgem em 13-7-1917, na Cova da Iria).

Por Ricardo Dip

1 . A escassez de tempo que circunstancia a perpetração desta pequena palestra −calcada na tríade “pecado, pena e sanção” nas mensagens fatimenses− já inibe muitíssimo a excursão por inúmeros caminhos periféricos que são sugeridos pela riquíssima história das aparições da Virgem Santíssima e do Anjo de Portugal, no Cabeço, na Cova da Iria, no Valinhos e na cidade espanhola de Tuy, a três pastorinhos lusitanos −Lúcia dos Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto.

Dezenas de milhares de pessoas acompanham missa em homenagem à Nossa Senhora de Fátima no Santuário de Fátima, em Portugal. Nos últimos dias, uma multidão de peregrinos se dirigiu ao local para celebrar o aniversário da primeira aparição da santa, em 13 de maio de 1917, segundo a crença católica. Nesta sexta-feira (13), são esperadas 250 mil pessoas no Santuário Francisco Leong/AFP Photo

Mas não parece bem queixar-se só (e talvez sequer principalmente) do tempo concedido para proferir-se esta comunicação. É que os documentos e estudos sobre o conjunto das “Mensagens de Fátima” são tamanhamente vultosos que não se poderia mesmo, de toda a sorte, esperar razoavelmente desta palestra mais do que uma pequena recolha seletiva de alguns capítulos desta maravilhosa história −melhor dizendo: do mais significativo episódio histórico− de nosso século XX.

2. Embora as expressões “Mensagem de Fátima” ou “Segredo de Fátima” possam compreender-se em um sentido estrito, referente apenas às manifestações dirigidas, no período de maio a outubro de 1917, por Nossa Senhora aos três pastorinhos portugueses, não se pode excluir a concorrência de um significado mais largo nessas expressões, para nelas abranger as três aparições do Anjo da Paz, em 1916, no monte do Cabeço, e também −de maneira particularmente relevante− a mensagem de Tuy, recebida pela Irmã Lúcia, aos 13 de junho de 1929, mensagem esta que prescreve o modo de um ato consagratório decisivo para definir a sorte da humanidade.

3. Em qualquer dessas manifestações, há uma constância referencial às ideias de pecado −blasfêmias, ofensas−, de pena −a guerra, a doença, a fome, o inferno, as perseguições, o martírio dos bons, o aniquilamento de nações− e de sanção premial: a cura, o fim da guerra. O reatus pœnæ não se superará enquanto não se suplantar o reatus culpæ, porque a pena é o pretium da culpa, ou seja, nas lúcidas lições do Santo Padre Pio XII, a recomposição metafísica da ordem violada (o precio do desprecio).

Com efeito, já na primeira aparição do Anjo da Paz −o Anjo de Portugal−, num dia indeterminado dos fins da primavera de 1916, lecionou-se aos pastorinhos esta oração reparadora:

Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-vos! Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e vos não amam!”,

e a isto sucedeu, em uma segunda aparição desse Anjo, a referência a “orações e sacrifícios”, recomendando-lhes ele:

De tudo que puderdes, oferecei a Deus sacrifício, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.

Aos mesmos pastorinhos, em 13 de maio de 1917, a Virgem falou de “sacrifícios”, “sofrimentos”, “reparação dos pecados”, “conversão dos pecadores”, “blasfêmias”, “ofensas”, e ensinou-lhes que a oração diária do Rosário levaria a obter “a paz para o mundo”, ensinamento que reiterou na aparição de 13 de julho seguinte: “Rezai o Rosário todos os dias com a intenção de obter o fim da guerra” −ou seja, da Primeira Guerra Mundial. “Rezai muito, fazei sacrifícios pelos pecadores…” (19-8-1917), “continuai rezando o Rosário para obter o fim da guerra” (13-9-1917), “é necessário que os homens se corrijam, que peçam perdão por seus pecados”, “que não ofendam mais a Nosso Senhor, que está já demasiado ofendido” (13-10-1917).

E é assim que o liame entre o prêmio da paz, a oração e a conversão é afirmado com todas as letras, pois que −assim consta expressamente da mensagem da terceira aparição fatimense da Virgem (13-7-1917): “só Nossa Senhora pode alcançar esta graça aos homens”, e a oração e metanoia, neste quadro, ocupam a função penitenciária substituinte da pena estatuída na mensagem.

4. Há, no entanto, uma passagem que parece caiba entender mais fundamental na consideração deste vínculo pecado-pena-sanção meritória no conjunto do segredo de Fátima. Essa passagem é a que corresponde às palavras da Virgem logo após a “visão do inferno”, que se deu na terceira das aparições:

Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. 

Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração, e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá, e terão paz. Se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados. O Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á à Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé, etc.…”.

5. As penas cominadas nesta mensagem são a da guerra, a da fome e a das perseguições à Igreja e ao Santo Padre, e para evitá-las duas coisas pediu a Senhora de Fátima: a comunhão reparadora nos primeiros sábados e a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Adotados que fossem estes pleitos da Virgem, a Rússia converter-se-ia e haveria paz −“Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá, e terão paz”. De não se adotarem, porém, o remédio seria o castigo −com a Rússia espalhando seus erros pelo mundo, com “guerras”, com “perseguições à Igreja”, com “aniquilação de nações”, com o “sofrimento do Santo Padre”, até que, a final, ainda que tardio o indicado ato de consagração, venha o triunfo do Imaculado Coração de Maria.

6. Vamos deter-nos aqui no exame de apenas um dos meios evasivos das penas estatuídas na mensagem: a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria −“O Santo Padre consagrar-me-á à Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”. Na terceira aparição, a Virgem anunciara que ainda viria pedir a consagração da Rússia a Seu Imaculado Coração, pedido que se consumaria no ano de 1929, com a mensagem de Tuy.

Ainda os mais rigorosos observantes das sentenças triunfalistas que afirmam a realização do versado ato consecratório da Rússia ao Coração de Nossa Senhora não podem, eles próprios, negar os fatos perseverantes e atualíssimos das guerras, da fome, da persecução à Igreja e da perseguição ao Papado.

De 1939 −data que marca o início da II Guerra Mundial, ao tempo do Pontificado de Pio XI− até nossos dias, não somente a guerra foi um status extensa e constante em nosso mundo, mas, o que muito agudiza o tema, a guerra se tornou qualitativamente pior, não apenas em razão do maior poder destrutivo das forças, senão que também por frequentemente não se excluírem as metas civis. Passamos, com efeito, de guerras mundiais −fenômeno que não se conhecia antes do século XX− à guerra total, em que todos, todos, militares e civis, adultos, mulheres e crianças, são parte do objetivo da guerra, e em que toda a cultura, toda ela, é alvo da destruição.  Põe-se, assim, à mostra o infrutífero das tentativas profanas de consecução da paz, a falência das inúmeras consagrações seculares dos povos, de Yalta e Potsdam ao tratado de Roma e ao protocolo de Kioto.  Se a isto adicionarmos o mapa da fome em larguíssima parte do mundo contemporâneo, as perseguições à Igreja −a ponto mesmo de ser já corrente a expressão “cristianofobia” − e também a persecução ao Papado, muito difícil será sustentar, com plausibilidade, que já estejam cumpridas as condições para a paz fatimense e o triunfo do Imaculado Coração. A queda do muro de Berlim, em novembro de 1989, e a dissolvência da União Soviética, em dezembro de 1991, propiciaram alguma animação transitória sobre a efetividade da consagração da Rússia ao Coração de Maria, mas os fatos sucessivos conspiraram contra o precoce entusiasmo de opiniões pouco fundadas na realidade das coisas.

Ao largo do século XX, por ao menos sete vezes procedeu-se a alguma sorte de consagração pontifical à Virgem Maria: no dia 31 de outubro de 1942, o Papa Pio XII consagrou todo o mundo ao Coração mariano, ato que renovou em dezembro seguinte, e que, cerca de dez anos mais tarde, aos 7 de julho de 1952, por meio da carta apostólica Sacro Vergente Anno, viria a completar, consagrando, agora explicitamente, os povos da Rússia ao Coração mariano. Calha, entretanto, que o Santo Papa Pio XII não observou uma das condições impostas na mensagem de Tuy, a participação dos bispos do mundo inteiro no ato consagratório:

É chegado o momento (assim se enuncia na mensagem de 1929) em que Deus pede ao Santo Padre que faça, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração…”.

Doze anos depois, em 21 de novembro de 1964, promoveu-se uma renovação desse ato consecratório: fê-lo Paulo VI, junto aos Padres do Concílio pastoral Vaticano II, mas sem observar, ainda uma vez, a condição de que que o ato se fizesse “em união com todos os bispos do mundo”.

Nos anos de 1982 e 1983, João Paulo II convidou a que, com ele, os bispos de todo o orbe consagrassem o mundo à Virgem Santíssima, o que se fez nos termos seguintes:

Ó Mãe dos homens e dos povos, Tu conheces todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Tu sentes maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas que agitam o mundo −acolhe o nosso grito dirigido no Espírito Santo, diretamente ao Teu coração e abraça com o amor da Mãe e da Serva do Senhor os povos que mais esperam este abraço, e ao mesmo tempo os povos cuja consagração Tu também esperas de modo particular. Toma debaixo da tua proteção maternal a família humana inteira que, com afetuoso transporte, a Ti, ó Mãe, nós confiamos. Aproxime-se para todos o tempo da paz e da liberdade, o tempo da verdade, da justiça e da esperança.”

Tal se vê, o texto não fez a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria em união com os bispos de todo o mundo, senão que pediu se tomasse a “família humana inteira” sob a proteção maternal da “Mãe dos homens e dos povos”.

Daí que, novamente, em 25 de Março de 1984, João Paulo II, afiançando-se “unido com todos os pastores da Igreja numa ligação especial sob a qual constituem um corpo e um colégio“, tornou a consagrar o “mundo inteiro” ao Coração de Nossa Senhora, sem, especificamente, contudo, mencionar o nome da Rússia.

7. Abdicando, neste nosso pequeno texto, de discutir o tema de uma possível quarta parte do segredo de Fátima −ou, em outras palavras, a de que não se tenha divulgado, por inteiro, sua terceira parte−, interessa, no entanto, para aferir o atual status do problema das penas e dos prêmios fatimenses, enunciar as diferentes interpretações dadas ao texto central do que se divulgou dessa parte do segredo, que assim se redigira pela Irmã Lúcia em 3 de janeiro de 1944:

Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n’uma luz imensa que é Deus: ‘algo semelhante a como se vêem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante’ um Bispo vestido de Branco ‘tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre’. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’êles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus”.

Opinam alguns que se trate de um quadro pessoal, seja (i) relativo a João Paulo II, diante do atentado que sofreu em 13 de maio de 1981, seja (ii) referível a acontecimentos pessoais ainda por vir. Diferentemente, há quem julgue tratar-se de uma execução virtual do Papado, ou (iii) já ocorrida (o que desata na vacância da Sé romana) ou (iv) ainda a ocorrer. O contraste entre estas interpretações radica mais ao fundo na pugna entre, de um lado, a adoção de uma rígida e onímoda observância da docência eclesial de turno, e, de outro, a dúvida ou mesmo a certeza de que padecemos já da apostasia predita para os tempos apocalípticos do “falso profeta”.

O fato é que −deixando à margem o proferimento (de que se tem já notícia) da consagração da Rússia por leigos substitutivos da ação do Papa− o claro-escuro das interpretações possíveis desta terceira parte do segredo parece, ao menos, sugerir, no contraste com o imenso e intenso fenômeno persistente e atual das guerras, da fome no mundo e das perseguições à Igreja, que é muito provável, muitíssimo −para não dizer que seguríssimo− estarmos ainda sob o reato das penas profetizadas na mensagem de Fátima.

Penitência, Penitência, Penitência!  −bradou o Anjo com voz forte−,  e enquanto Deus segue a punir o mundo de seus crimes, “por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre”, espera-se, com a confiança melancólica destas palavras de Jean Madiran: Demain, le Pape, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, a consagração da Rússia pelo Santo Padre em união com todos os bispos do mundo, condição divina, condição essencial, condição inarredável −porque Deus não muda−, condição a que os povos aspiram ver cumprida para, então, assistirem ao certíssimo Triunfo final do Coração Imaculado da Virgem Santíssima.

                        Demain, le Pape…

         

Bibliografia básica:

BARTHAS, Casimir. La Virgen de Fátima. Tradução castelhana. 2.ed. Madrid: Rialp, 1986.

DANIELE, Araí, em colaboração com GIBSON, Hutton, TELLO CORRALIZA, Tomás, FONTAN, Alberto e Outros. Segredo de Fátima ou perfídia em Roma? Fátima: Promissio, 2010.

DANIELE, Araí. Entre Fátima e o abismo. São Paulo: Excelsior, 1988.

DANIELE, Araí. Nella profezia di Fatima… il mistero dell’altra Roma. Regio Emilia: Radio Spada, 2015.

DE JAEGHERE, Michel. Enquête sur la christianophobie. Issy-les-Moulineaux: Renaissance Catholique, 2006.

GUITTON, René. Cristianofobia -La nuova persecuzione (versão italiana de Ces chrétiens qu’on assassine). Turim: Lindau, 2010.

MARCHI, João de. Era uma Senhora mais brilhante que o sol. 24.ed. Fátima: Missões Consolata, 2015.

MARTINS, Pe. Antônio Maria. O segredo de Fátima nas memórias e cartas da Irmã Lúcia. São Paulo: Loyola, 1985.

MAURO, Mario, VENEZIA, Vittoria e FORTE, Matteo. Guerra ai cristiani. Turim: Lindau, 2010.

WALSH, William Thomas. Nuestra Señora de Fátima. Tradução castelhana. 4.ed. Madri: Espasa-Calpe, 1960.

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20 setembro, 2016

Secretário de Estado do Vaticano lembra mensagem de Fátima na missa dos representantes pontifícios.

Santuário de Fátima – O Secretário de Estado do Vaticano expressou esta quinta feira o desejo de ver o Papa Francisco nas celebrações do Centenário das Aparições em Fátima no próximo ano, sublinhando a importância e atualidade da Mensagem deixada por Nossa Senhora aos pastorinhos no contexto do mundo e da igreja atuais.

Na homilia que proferiu na Missa da Solenidade de Nossa Senhora das Dores, celebrada na Capela do Coro, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, diante dos representantes diplomáticos do Papa nos cinco continentes, que se encontram em Roma para a celebração do seu jubileu, e publicada na edição impressa do jornal L´Osservatore Romano desta sexta feira, em que lembrou a importância da Cruz como ponto de partida para qualquer cristão,  D. Pietro Parolin destacou as “dores que o mundo atravessa” e que o transformaram “numa grande colina de Cruzes”, elogiando a importância da mensagem deixada por Nossa Senhora aos Pastorinhos para superar as dificuldades.

É um  “vínculo especial entre esta memória Mariana e o Papa, porque a devoção às dores de Maria, que é amplamente difundida entre o povo cristão, foi introduzida na Liturgia pelo Papa Pio VII” lembrou o responsável pela diplomacia do Vaticano.

“Mesmo nas aparições da Virgem Maria aos três pastorinhos em Fátima, cujo centenário será celebrado em 2017 – no qual esperamos vivamente que possamos contar com a presença do Papa  Francisco- há este vínculo estreito entre Maria, o Papa e o sofrimento. “

Dirigindo-se aos presentes, o cardeal disse: “certamente recordareis a imagem do bispo vestido de “branco”, que sobe a montanha rezando por todos os que sofrem, e que encontra”.

Essa imagem, explicou, “condensa e resume a disponibilidade para o martírio, que deve caracterizar a Igreja de todos os tempos, ontem, hoje e amanhã, começando a partir do primeiro martírio cristão do bispo de Roma”.

A oração, o sacrificio em reparação dos pecados e a conversão são aspetos centrais da Mensagem de Fátima, que o chefe da diplomacia da Santa Sé recordou estabelecendo um paralelo com os desafios que o mundo cristão enfrenta.

O secretário de Estado do Vaticano será o presidente da Peregrinação Internacional de outubro no Santuário de Fátima, que se realiza nos próximos dias 12 e 13 de outubro. Será a primeira vez que o cardeal virá à Cova da Iria.

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24 junho, 2016

Estará o Santuário de Fátima a cair nas mãos de servidores de Satanás?

O leitor português Miguel Viana faz um relato estarrecedor a FratresInUnum.com sobre os atuais rumos imposto ao Santuário de Fátima por seus dirigentes.

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Por Miguel Viana

Porto, Portugal

O Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Portugal, não é apenas o lugar sagrado mais especial para os portugueses. É provavelmente o lugar sagrado mais amado para muitos católicos, depois da Terra Santa e de Roma. Por isso, é conhecido como “altar do mundo”. Foi construído na Cova da Iria, um campo que pertencia à aldeia de Fátima, no qual, de Maio a Outubro de 1917, a Santíssima Virgem apareceu a três meninos sobre um pequeno arbusto: Lúcia, Jacinta e Francisco.

Dezenas de milhares de pessoas acompanham missa em homenagem à Nossa Senhora de Fátima no Santuário de Fátima, em Portugal. Nos últimos dias, uma multidão de peregrinos se dirigiu ao local para celebrar o aniversário da primeira aparição da santa, em 13 de maio de 1917, segundo a crença católica. Nesta sexta-feira (13), são esperadas 250 mil pessoas no Santuário Francisco Leong/AFP Photo

Pediu-lhes oração – insistiu sempre na oração do rosário – e penitência. Deus estava muito ofendido e pedia reparação. Mostrou-lhes o Seu Imaculado Coração, cercado de espinhos, ofendido pelos pecadores (13 de Junho), pedindo reparação (13 de Julho). Deu-lhes também um segredo (13 de Julho), cujas primeiras duas partes foram reveladas por Lúcia algumas décadas depois: na primeira parte, mostrou-lhes o Inferno, para onde iam muitas almas, por causa dos seus pecados; e, na segunda, anunciou que pediria a consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração, de modo a que esta nação se convertesse e não espalhasse os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Santa Igreja. Quanto à terceira parte, tem havido acesa polémica, que não venho abordar. O assunto não está encerrado. Certo é que que Lúcia escreveu que a Santíssima Virgem lhes disse: “Em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé, etc.”

Em Outubro, como tinha anunciado, Nossa Senhora fez um milagre diante de cerca de 70.000 pessoas, que ali se tinham juntado: o sol rodopiou pelo céu, espargindo muitas cores. Os videntes viram sucessivamente, junto do sol, a Santíssima Virgem com São José e O Menino Jesus. A Santíssima Virgem estava vestida de branco, com manto azul. Depois, viram Nosso Senhor (adulto) e a Santíssima Virgem ao Seu lado, vestida como Nossa Senhora das Dores. Finalmente, viram-na com o escapulário, parecendo ser Nossa Senhora do Carmo. Nas restantes aparições, usara sempre um vestido branco, com um longo véu branco, sem que se visse o cabelo. Trazia um cordão de ouro ao pescoço, do qual pendia um pequeno globo, também de ouro.

Nada do que a Santíssima Virgem disse ou fez foi por acaso. Tudo quanto disse e fez teve um propósito, pelo que devemos meditar sobre as Suas palavras e os Seus gestos. Não foi, pois, por mero acaso que Se vestiu assim. Nem o traje, nem as cores eleitas foram aleatórias ou devidas a uma qualquer moda. A Santíssima Virgem escolheu as cores que melhor podiam iluminar a nossa compreensão da mensagem que vinha trazer ao mundo. Assim, usou algumas cores litúrgicas, presentes na própria iconografia mariana. Podemos pensar que veio de branco porque essa é a cor do Natal e da Páscoa, mas também a cor da virgindade. Podemos pensar que veio de branco e azul por serem estas as cores de Nossa Senhora da Conceição, a Quem Portugal foi consagrado no século XVII. Podemos pensar que veio de roxo porque essa é a cor do Advento e da Quaresma, mas também a de Nossa Senhora das Dores, invocação mariana bem conhecida em Portugal, na qual a Santíssima Virgem é venerada no Seu sofrimento, junto à cruz. Podemos pensar que, ao vir com o escapulário, veio vestida de castanho e branco, porque assim é representada na invocação de Nossa Senhora do Carmo, desde que, em 1251, entregou a São Simão Stock o escapulário como sinal de salvação, depois de os carmelitas terem sido expulsos do Monte Carmelo, pelos muçulmanos. Podemos pensar que, em Fátima, trazia aquele pequeno globo de ouro ao peito porque queria com essa jóia significar o próprio mundo. As cores que no Milagre do Sol banharam a multidão estupefacta levam-nos a pensar que eram as cores do arco-íris. Segundo nos diz a Sagrada Escritura, o arco-íris é sinal da aliança de Deus com o Seu povo (Gen 9, 13-16). Também Nosso Senhor e São José, no Milagre do Sol, traziam uma cor significativa: o vermelho. É a cor do Pentecostes, do Preciosíssimo Sangue, dos mártires.

Quando eu era pequeno, a minha família ia ao Santuário de Fátima, pelo menos em Maio e em Outubro. A minha mãe e outros parentes iam a pé, percorrendo mais de cem quilómetros, rezando o rosário. Feriam os pés, mas entravam no Santuário chorando de alegria. Iam de imediato à pequena Capela das Aparições, onde apresentavam a Nossa Senhora as suas dores, alegrias, aspirações e dificuldades. Depois, assistiam à procissão e à Santa Missa com muita devoção. Não eram diferentes dos outros peregrinos de então, que percorriam os caminhos, sob o sol e sob a chuva, para ali chegar. Fátima era realmente um lugar sagrado. Eu ficava com o meu pai em casa, até ao dia 12, data em que partíamos, de carro, ao encontro da minha mãe, a tempo de assistir à procissão. Quando chegávamos ao Santuário, o meu pai apontava para um painel que havia numa das entradas, informando que aquele era um lugar sagrado, motivo pelo qual não se podia usar calções, saias curtas, camisolas de alças, nem se podia fumar, falar alto, levar animais, etc. Eu nasci depois do Concílio Vaticano II, motivo pelo qual já era preciso haver estes avisos. Se tivesse nascido antes, certamente que todos saberiam como comportar-se, não sendo necessário aquele painel. Olho para as fotografias do casamento dos meus pais, que ali foi celebrado há cinquenta anos, e percebo porquê: todos estavam decentemente vestidos, e as senhoras, imitando a Santíssima Virgem, tinham véus na cabeça, mesmo fora da velha Basílica de Nossa Senhora do Rosário. Enfim, nasci numa época em que o Santuário começava a deixar de ser respeitado como lugar sagrado. Mas muito havia de acontecer, porque a fúria destruidora do Concílio continuaria a fustigar-nos até ao Presente, embora a maioria não queira admitir a verdade.

Hoje, os peregrinos continuam cheios de fervor, mas cada vez mais ignorantes e mais grosseiros. Vestem roupas escandalosas, em especial as mulheres; falam e riem alto, fumam e bebem cerveja, levam cães para o recinto. Estes sacrilégios já seriam suficientes para ofender a Deus e o Imaculado Coração. Mas não ficam por aqui. Os peregrinos, na sua maioria, acercam-se da Sagrada Comunhão com atitudes verdadeiramente não-católicas. Muitos estendem uma mão para que os sacerdotes coloquem nela a Sagrada Hóstia (e muitos deles colocam, de facto!), os homens nem sequer tiram o chapéu para receber Nosso Senhor, as mulheres aproxima-se meio-despidas. Raríssimos são os que se ajoelham. Alguns deixam mesmo cair Nosso Senhor no chão. Recentemente, vi Nosso Senhor cair da mão de um sacerdote para uma poça de água, como um floco de neve. Foi depois pisado pelos peregrinos.

É preciso que se diga: Fátima converte-se, cada vez mais, num lugar de ultraje, de sacrilégio e de indiferença, três ofensas contra Nosso Senhor, denunciadas pelo Anjo de Portugal na sua aparição na Loca do Cabeço, perto da Cova da Iria, um ano antes, em 1916. O Anjo (que se supõe ser São Miguel) deu-lhes então a Sagrada Comunhão. Os videntes estavam de joelhos e de mãos postas, Lúcia e Jacinta de véu na cabeça, Francisco de cabeça descoberta. Quem visita este lugar, pode ver ali um belíssimo grupo escultórico, da autoria de Maria Amélia Carvalheira, que assim os representou, em mármore branco, depois de consultar Lúcia pessoalmente, quando esta já esta estava no convento. Estas esculturas, tão brancas, falam-nos ao coração e deviam fazer-nos pensar no modo como nos comportamos diante da Santíssima Eucaristia.

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Hoje os peregrinos comportam-se mal porque não são ensinados a comportar-se de outra maneira. Praticam ultrajes, sacrilégios e indiferenças em Fátima, e noutros lugares, por causa da sua ignorância. Por isso, não serão inteiramente culpados. A culpa será, sobretudo, dos seus bispos e nos seus párocos, que sabem (ou deviam saber) o que está errado e o que está certo, mas são negligentes e não lhes ensinam o que está certo. No Santuário, esta negligência é muito evidente. Se as pessoas fossem ensinadas a tomar atitudes piedosas, estou certo de que entrariam no recinto com aquele seu fervor tão genuíno, mas confirmado por comportamentos agradáveis a Deus.

Hoje não parece haver esta preocupação por parte do Santuário. Quem o governa parece estar empenhado, pelo contrário, em desfigurar a sacralidade daquele lugar. Comemoramos este ano as aparições do Anjo. No próximo ano, será celebrado o centenário das aparições de Nossa Senhora. Para além de vermos os peregrinos cada vez mais ignorantes e grosseiros (apesar de fervorosos), temos visto coisas muito estranhas no Santuário. Depois de, há já várias décadas, terem sido modernizados alguns edifícios do recinto e de ter sido colocada uma nova cobertura da capela das aparições – obras de mau gosto –, foi com estranheza que vimos erguer-se na Cova da Iria a nova Igreja da Santíssima Trindade, obra modernista, redonda e fria, cujo interior choca violentamente contra qualquer sensibilidade católica. Veja-se que a nave principal, apesar de ter tantos lugares para os fiéis se sentarem, não tem sacrário. Para que serve uma nave sem um lugar para Nosso Senhor? Há, sim, um crucifixo gigante, com uma imagem monstruosa, de olhos assustadores. Consta que Sua Santidade o Papa Bento XVI, quando a viu, disse que não gostava. De facto, é horrível. Há várias capelas na nova igreja, minimalistas, onde os sacrários estão a um canto, enquanto o “retábulo” principal é uma espécie de janela, totalmente vazia. Uma delas é a Capela do Santíssimo Sacramento, onde está Nosso Senhor exposto. Aqui, a custódia é um grande quadrado prateado, sem resplendor, suspenso do tecto, como um pêndulo de relógio. É horrível, verdadeiramente indigna. E não há ali uma única cruz. Nem sequer na Sagrada Hóstia.

Também nessa época, foi substituída a grande cruz que estava erguida na parte superior do recinto pela cruz actual, na qual está uma imagem de Cristo tão estilizada que parece um gafanhoto. É também horrível. E, no mês passado, foi inaugurado o novo presbitério, na escadaria da velha Basílica. Ali, o crucifixo é ainda mais estranho, porque não representa Nosso Senhor na cruz, mas ao lado da cruz, ou a fugir dela. Parece um extra-terrestre. É igualmente horrível.

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A velha Basílica foi restaurada há pouco tempo. Construída originalmente em pedra branca, ficou resplandecente depois da intervenção. Porém, no seu interior ficou o maior dos horrores que temos visto erguer-se no Santuário. O grande altar de mármore da capela-mor, posto ali depois da reforma litúrgica, foi substituído por um pequeno altar quadrado, de pedra castanha. De um lado tem dois tocheiros e do outro lado apenas um. O conjunto, para além de chocar com a alvura da nave, tem chamado a atenção de muitos fiéis, por ser extremamente semelhante aos altares das lojas maçónicas. Muitos perguntam-se se haverá um braço da Maçonaria a influenciar ou mesmo a governar o Santuário de Fátima, uma força oculta que, por fim, já nem disfarça o que está a fazer àquele lugar sagrado, tocado pelos pés da Santíssima Virgem.

As capelas sepulcrais dos videntes também não foram poupadas. O chão destas capelas, outrora composto por belos desenhos, feitos com pedras polícromas, foi agora coberto com um pavimento negro, pintalgado com pequenos ladrilhos amarelos. Destruíram também os dois altares que ali estavam, desfigurando o conjunto harmonioso dos quinze mistérios do Santo Rosário (um por capela), que circunda toda a nave. Naqueles altares tinha estado Nosso Senhor muitas vezes, porque ali fora rezada a Santa Missa antiga por muitos sacerdotes. Foi num desses altares que os meus pais se casaram. Cinquenta anos depois, entraram na Basílica restaurada para dar graças a Deus, no lugar ondem tinham celebrado o seu matrimónio. Ficaram horrorizados.

A destruição que essas pessoas promovem não ficou por aqui, nem ficará, se alguém não travar depressa aquilo que parece ser um plano obscuro contra Deus e contra a Santíssima Virgem. No passado dia 10 de Junho de 2016, celebrou-se a solenidade do Anjo de Portugal. Em Fátima, como é habitual, estiveram milhares de crianças peregrinas. O Santuário decidiu decorar a sua colunata com as cores do arco-íris. O lema escolhido foi “Deus está contente”, frase incompleta de Nossa Senhora, que, a 13 de Setembro de 1917, disse aos videntes: “Deus está contente com os vossos sacrifícios”. É verdade que o arco-íris é referido na Sagrada Escritura, como referi. É verdade que muitas cores foram manifestadas no Milagre do Sol, em Fátima. Mas também é verdade que o arco-íris é hoje um dos símbolos mais contrários à fé católica: é o símbolo LGBTI. Certamente saberiam disto as pessoas que fizeram essa ultrajante decoração. O que quereriam dizer às crianças, com esse lema mutilado e com essas cores, quando, por todo o mundo, a ideologia de género avança, totalitária, contra a criação de Deus?

Por mais que sejamos misericordiosos com as pessoas ditas LGBTI, sabemos que as suas causas são contra Deus. Foi contra o pecado que Nossa Senhora falou em Fátima. As cores que ali manifestou eram as da glória Deus. De modo algum as manifestou para promover a confusão. Mostrou-as a três meninos e à multidão, para que em tudo correspondessem ao que o Céu lhes pedia. E eles, os videntes, de facto, sacrificaram-se, com orações e jejuns, por toda a sua vida. Por isso, Deus estava contente com eles.

Deus estará agora contente com o que se passa no Santuário de Fátima?

A Santíssima Virgem estará contente?

Em 1917, Nossa Senhora nunca sorriu aos videntes, falando com o rosto triste sobre as ofensas a Deus e ao Seu Imaculado Coração. Imaginemos como estará agora – em lágrimas!

O Santuário de Fátima deve voltar a ser respeitado como lugar sagrado, em todo o seu esplendor. É preciso que cada católico esteja atento ao que está a acontecer. Estará o Santuário a cair nas mãos de servidores de Satanás? Estamos, de facto, num tempo de combate. Abramos os olhos. A Santa Igreja é fustigada por todos os lados, a confusão aumenta.

“Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”, assim anunciou Nossa Senhora, no segredo. Peçamos-Lhe que seja depressa.

 

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