Posts tagged ‘Fátima’

20 setembro, 2016

Secretário de Estado do Vaticano lembra mensagem de Fátima na missa dos representantes pontifícios.

Santuário de Fátima – O Secretário de Estado do Vaticano expressou esta quinta feira o desejo de ver o Papa Francisco nas celebrações do Centenário das Aparições em Fátima no próximo ano, sublinhando a importância e atualidade da Mensagem deixada por Nossa Senhora aos pastorinhos no contexto do mundo e da igreja atuais.

Na homilia que proferiu na Missa da Solenidade de Nossa Senhora das Dores, celebrada na Capela do Coro, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, diante dos representantes diplomáticos do Papa nos cinco continentes, que se encontram em Roma para a celebração do seu jubileu, e publicada na edição impressa do jornal L´Osservatore Romano desta sexta feira, em que lembrou a importância da Cruz como ponto de partida para qualquer cristão,  D. Pietro Parolin destacou as “dores que o mundo atravessa” e que o transformaram “numa grande colina de Cruzes”, elogiando a importância da mensagem deixada por Nossa Senhora aos Pastorinhos para superar as dificuldades.

É um  “vínculo especial entre esta memória Mariana e o Papa, porque a devoção às dores de Maria, que é amplamente difundida entre o povo cristão, foi introduzida na Liturgia pelo Papa Pio VII” lembrou o responsável pela diplomacia do Vaticano.

“Mesmo nas aparições da Virgem Maria aos três pastorinhos em Fátima, cujo centenário será celebrado em 2017 – no qual esperamos vivamente que possamos contar com a presença do Papa  Francisco- há este vínculo estreito entre Maria, o Papa e o sofrimento. “

Dirigindo-se aos presentes, o cardeal disse: “certamente recordareis a imagem do bispo vestido de “branco”, que sobe a montanha rezando por todos os que sofrem, e que encontra”.

Essa imagem, explicou, “condensa e resume a disponibilidade para o martírio, que deve caracterizar a Igreja de todos os tempos, ontem, hoje e amanhã, começando a partir do primeiro martírio cristão do bispo de Roma”.

A oração, o sacrificio em reparação dos pecados e a conversão são aspetos centrais da Mensagem de Fátima, que o chefe da diplomacia da Santa Sé recordou estabelecendo um paralelo com os desafios que o mundo cristão enfrenta.

O secretário de Estado do Vaticano será o presidente da Peregrinação Internacional de outubro no Santuário de Fátima, que se realiza nos próximos dias 12 e 13 de outubro. Será a primeira vez que o cardeal virá à Cova da Iria.

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24 junho, 2016

Estará o Santuário de Fátima a cair nas mãos de servidores de Satanás?

O leitor português Miguel Viana faz um relato estarrecedor a FratresInUnum.com sobre os atuais rumos imposto ao Santuário de Fátima por seus dirigentes.

* * *

Por Miguel Viana

Porto, Portugal

O Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Portugal, não é apenas o lugar sagrado mais especial para os portugueses. É provavelmente o lugar sagrado mais amado para muitos católicos, depois da Terra Santa e de Roma. Por isso, é conhecido como “altar do mundo”. Foi construído na Cova da Iria, um campo que pertencia à aldeia de Fátima, no qual, de Maio a Outubro de 1917, a Santíssima Virgem apareceu a três meninos sobre um pequeno arbusto: Lúcia, Jacinta e Francisco.

Dezenas de milhares de pessoas acompanham missa em homenagem à Nossa Senhora de Fátima no Santuário de Fátima, em Portugal. Nos últimos dias, uma multidão de peregrinos se dirigiu ao local para celebrar o aniversário da primeira aparição da santa, em 13 de maio de 1917, segundo a crença católica. Nesta sexta-feira (13), são esperadas 250 mil pessoas no Santuário Francisco Leong/AFP Photo

Pediu-lhes oração – insistiu sempre na oração do rosário – e penitência. Deus estava muito ofendido e pedia reparação. Mostrou-lhes o Seu Imaculado Coração, cercado de espinhos, ofendido pelos pecadores (13 de Junho), pedindo reparação (13 de Julho). Deu-lhes também um segredo (13 de Julho), cujas primeiras duas partes foram reveladas por Lúcia algumas décadas depois: na primeira parte, mostrou-lhes o Inferno, para onde iam muitas almas, por causa dos seus pecados; e, na segunda, anunciou que pediria a consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração, de modo a que esta nação se convertesse e não espalhasse os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Santa Igreja. Quanto à terceira parte, tem havido acesa polémica, que não venho abordar. O assunto não está encerrado. Certo é que que Lúcia escreveu que a Santíssima Virgem lhes disse: “Em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé, etc.”

Em Outubro, como tinha anunciado, Nossa Senhora fez um milagre diante de cerca de 70.000 pessoas, que ali se tinham juntado: o sol rodopiou pelo céu, espargindo muitas cores. Os videntes viram sucessivamente, junto do sol, a Santíssima Virgem com São José e O Menino Jesus. A Santíssima Virgem estava vestida de branco, com manto azul. Depois, viram Nosso Senhor (adulto) e a Santíssima Virgem ao Seu lado, vestida como Nossa Senhora das Dores. Finalmente, viram-na com o escapulário, parecendo ser Nossa Senhora do Carmo. Nas restantes aparições, usara sempre um vestido branco, com um longo véu branco, sem que se visse o cabelo. Trazia um cordão de ouro ao pescoço, do qual pendia um pequeno globo, também de ouro.

Nada do que a Santíssima Virgem disse ou fez foi por acaso. Tudo quanto disse e fez teve um propósito, pelo que devemos meditar sobre as Suas palavras e os Seus gestos. Não foi, pois, por mero acaso que Se vestiu assim. Nem o traje, nem as cores eleitas foram aleatórias ou devidas a uma qualquer moda. A Santíssima Virgem escolheu as cores que melhor podiam iluminar a nossa compreensão da mensagem que vinha trazer ao mundo. Assim, usou algumas cores litúrgicas, presentes na própria iconografia mariana. Podemos pensar que veio de branco porque essa é a cor do Natal e da Páscoa, mas também a cor da virgindade. Podemos pensar que veio de branco e azul por serem estas as cores de Nossa Senhora da Conceição, a Quem Portugal foi consagrado no século XVII. Podemos pensar que veio de roxo porque essa é a cor do Advento e da Quaresma, mas também a de Nossa Senhora das Dores, invocação mariana bem conhecida em Portugal, na qual a Santíssima Virgem é venerada no Seu sofrimento, junto à cruz. Podemos pensar que, ao vir com o escapulário, veio vestida de castanho e branco, porque assim é representada na invocação de Nossa Senhora do Carmo, desde que, em 1251, entregou a São Simão Stock o escapulário como sinal de salvação, depois de os carmelitas terem sido expulsos do Monte Carmelo, pelos muçulmanos. Podemos pensar que, em Fátima, trazia aquele pequeno globo de ouro ao peito porque queria com essa jóia significar o próprio mundo. As cores que no Milagre do Sol banharam a multidão estupefacta levam-nos a pensar que eram as cores do arco-íris. Segundo nos diz a Sagrada Escritura, o arco-íris é sinal da aliança de Deus com o Seu povo (Gen 9, 13-16). Também Nosso Senhor e São José, no Milagre do Sol, traziam uma cor significativa: o vermelho. É a cor do Pentecostes, do Preciosíssimo Sangue, dos mártires.

Quando eu era pequeno, a minha família ia ao Santuário de Fátima, pelo menos em Maio e em Outubro. A minha mãe e outros parentes iam a pé, percorrendo mais de cem quilómetros, rezando o rosário. Feriam os pés, mas entravam no Santuário chorando de alegria. Iam de imediato à pequena Capela das Aparições, onde apresentavam a Nossa Senhora as suas dores, alegrias, aspirações e dificuldades. Depois, assistiam à procissão e à Santa Missa com muita devoção. Não eram diferentes dos outros peregrinos de então, que percorriam os caminhos, sob o sol e sob a chuva, para ali chegar. Fátima era realmente um lugar sagrado. Eu ficava com o meu pai em casa, até ao dia 12, data em que partíamos, de carro, ao encontro da minha mãe, a tempo de assistir à procissão. Quando chegávamos ao Santuário, o meu pai apontava para um painel que havia numa das entradas, informando que aquele era um lugar sagrado, motivo pelo qual não se podia usar calções, saias curtas, camisolas de alças, nem se podia fumar, falar alto, levar animais, etc. Eu nasci depois do Concílio Vaticano II, motivo pelo qual já era preciso haver estes avisos. Se tivesse nascido antes, certamente que todos saberiam como comportar-se, não sendo necessário aquele painel. Olho para as fotografias do casamento dos meus pais, que ali foi celebrado há cinquenta anos, e percebo porquê: todos estavam decentemente vestidos, e as senhoras, imitando a Santíssima Virgem, tinham véus na cabeça, mesmo fora da velha Basílica de Nossa Senhora do Rosário. Enfim, nasci numa época em que o Santuário começava a deixar de ser respeitado como lugar sagrado. Mas muito havia de acontecer, porque a fúria destruidora do Concílio continuaria a fustigar-nos até ao Presente, embora a maioria não queira admitir a verdade.

Hoje, os peregrinos continuam cheios de fervor, mas cada vez mais ignorantes e mais grosseiros. Vestem roupas escandalosas, em especial as mulheres; falam e riem alto, fumam e bebem cerveja, levam cães para o recinto. Estes sacrilégios já seriam suficientes para ofender a Deus e o Imaculado Coração. Mas não ficam por aqui. Os peregrinos, na sua maioria, acercam-se da Sagrada Comunhão com atitudes verdadeiramente não-católicas. Muitos estendem uma mão para que os sacerdotes coloquem nela a Sagrada Hóstia (e muitos deles colocam, de facto!), os homens nem sequer tiram o chapéu para receber Nosso Senhor, as mulheres aproxima-se meio-despidas. Raríssimos são os que se ajoelham. Alguns deixam mesmo cair Nosso Senhor no chão. Recentemente, vi Nosso Senhor cair da mão de um sacerdote para uma poça de água, como um floco de neve. Foi depois pisado pelos peregrinos.

É preciso que se diga: Fátima converte-se, cada vez mais, num lugar de ultraje, de sacrilégio e de indiferença, três ofensas contra Nosso Senhor, denunciadas pelo Anjo de Portugal na sua aparição na Loca do Cabeço, perto da Cova da Iria, um ano antes, em 1916. O Anjo (que se supõe ser São Miguel) deu-lhes então a Sagrada Comunhão. Os videntes estavam de joelhos e de mãos postas, Lúcia e Jacinta de véu na cabeça, Francisco de cabeça descoberta. Quem visita este lugar, pode ver ali um belíssimo grupo escultórico, da autoria de Maria Amélia Carvalheira, que assim os representou, em mármore branco, depois de consultar Lúcia pessoalmente, quando esta já esta estava no convento. Estas esculturas, tão brancas, falam-nos ao coração e deviam fazer-nos pensar no modo como nos comportamos diante da Santíssima Eucaristia.

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Hoje os peregrinos comportam-se mal porque não são ensinados a comportar-se de outra maneira. Praticam ultrajes, sacrilégios e indiferenças em Fátima, e noutros lugares, por causa da sua ignorância. Por isso, não serão inteiramente culpados. A culpa será, sobretudo, dos seus bispos e nos seus párocos, que sabem (ou deviam saber) o que está errado e o que está certo, mas são negligentes e não lhes ensinam o que está certo. No Santuário, esta negligência é muito evidente. Se as pessoas fossem ensinadas a tomar atitudes piedosas, estou certo de que entrariam no recinto com aquele seu fervor tão genuíno, mas confirmado por comportamentos agradáveis a Deus.

Hoje não parece haver esta preocupação por parte do Santuário. Quem o governa parece estar empenhado, pelo contrário, em desfigurar a sacralidade daquele lugar. Comemoramos este ano as aparições do Anjo. No próximo ano, será celebrado o centenário das aparições de Nossa Senhora. Para além de vermos os peregrinos cada vez mais ignorantes e grosseiros (apesar de fervorosos), temos visto coisas muito estranhas no Santuário. Depois de, há já várias décadas, terem sido modernizados alguns edifícios do recinto e de ter sido colocada uma nova cobertura da capela das aparições – obras de mau gosto –, foi com estranheza que vimos erguer-se na Cova da Iria a nova Igreja da Santíssima Trindade, obra modernista, redonda e fria, cujo interior choca violentamente contra qualquer sensibilidade católica. Veja-se que a nave principal, apesar de ter tantos lugares para os fiéis se sentarem, não tem sacrário. Para que serve uma nave sem um lugar para Nosso Senhor? Há, sim, um crucifixo gigante, com uma imagem monstruosa, de olhos assustadores. Consta que Sua Santidade o Papa Bento XVI, quando a viu, disse que não gostava. De facto, é horrível. Há várias capelas na nova igreja, minimalistas, onde os sacrários estão a um canto, enquanto o “retábulo” principal é uma espécie de janela, totalmente vazia. Uma delas é a Capela do Santíssimo Sacramento, onde está Nosso Senhor exposto. Aqui, a custódia é um grande quadrado prateado, sem resplendor, suspenso do tecto, como um pêndulo de relógio. É horrível, verdadeiramente indigna. E não há ali uma única cruz. Nem sequer na Sagrada Hóstia.

Também nessa época, foi substituída a grande cruz que estava erguida na parte superior do recinto pela cruz actual, na qual está uma imagem de Cristo tão estilizada que parece um gafanhoto. É também horrível. E, no mês passado, foi inaugurado o novo presbitério, na escadaria da velha Basílica. Ali, o crucifixo é ainda mais estranho, porque não representa Nosso Senhor na cruz, mas ao lado da cruz, ou a fugir dela. Parece um extra-terrestre. É igualmente horrível.

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A velha Basílica foi restaurada há pouco tempo. Construída originalmente em pedra branca, ficou resplandecente depois da intervenção. Porém, no seu interior ficou o maior dos horrores que temos visto erguer-se no Santuário. O grande altar de mármore da capela-mor, posto ali depois da reforma litúrgica, foi substituído por um pequeno altar quadrado, de pedra castanha. De um lado tem dois tocheiros e do outro lado apenas um. O conjunto, para além de chocar com a alvura da nave, tem chamado a atenção de muitos fiéis, por ser extremamente semelhante aos altares das lojas maçónicas. Muitos perguntam-se se haverá um braço da Maçonaria a influenciar ou mesmo a governar o Santuário de Fátima, uma força oculta que, por fim, já nem disfarça o que está a fazer àquele lugar sagrado, tocado pelos pés da Santíssima Virgem.

As capelas sepulcrais dos videntes também não foram poupadas. O chão destas capelas, outrora composto por belos desenhos, feitos com pedras polícromas, foi agora coberto com um pavimento negro, pintalgado com pequenos ladrilhos amarelos. Destruíram também os dois altares que ali estavam, desfigurando o conjunto harmonioso dos quinze mistérios do Santo Rosário (um por capela), que circunda toda a nave. Naqueles altares tinha estado Nosso Senhor muitas vezes, porque ali fora rezada a Santa Missa antiga por muitos sacerdotes. Foi num desses altares que os meus pais se casaram. Cinquenta anos depois, entraram na Basílica restaurada para dar graças a Deus, no lugar ondem tinham celebrado o seu matrimónio. Ficaram horrorizados.

A destruição que essas pessoas promovem não ficou por aqui, nem ficará, se alguém não travar depressa aquilo que parece ser um plano obscuro contra Deus e contra a Santíssima Virgem. No passado dia 10 de Junho de 2016, celebrou-se a solenidade do Anjo de Portugal. Em Fátima, como é habitual, estiveram milhares de crianças peregrinas. O Santuário decidiu decorar a sua colunata com as cores do arco-íris. O lema escolhido foi “Deus está contente”, frase incompleta de Nossa Senhora, que, a 13 de Setembro de 1917, disse aos videntes: “Deus está contente com os vossos sacrifícios”. É verdade que o arco-íris é referido na Sagrada Escritura, como referi. É verdade que muitas cores foram manifestadas no Milagre do Sol, em Fátima. Mas também é verdade que o arco-íris é hoje um dos símbolos mais contrários à fé católica: é o símbolo LGBTI. Certamente saberiam disto as pessoas que fizeram essa ultrajante decoração. O que quereriam dizer às crianças, com esse lema mutilado e com essas cores, quando, por todo o mundo, a ideologia de género avança, totalitária, contra a criação de Deus?

Por mais que sejamos misericordiosos com as pessoas ditas LGBTI, sabemos que as suas causas são contra Deus. Foi contra o pecado que Nossa Senhora falou em Fátima. As cores que ali manifestou eram as da glória Deus. De modo algum as manifestou para promover a confusão. Mostrou-as a três meninos e à multidão, para que em tudo correspondessem ao que o Céu lhes pedia. E eles, os videntes, de facto, sacrificaram-se, com orações e jejuns, por toda a sua vida. Por isso, Deus estava contente com eles.

Deus estará agora contente com o que se passa no Santuário de Fátima?

A Santíssima Virgem estará contente?

Em 1917, Nossa Senhora nunca sorriu aos videntes, falando com o rosto triste sobre as ofensas a Deus e ao Seu Imaculado Coração. Imaginemos como estará agora – em lágrimas!

O Santuário de Fátima deve voltar a ser respeitado como lugar sagrado, em todo o seu esplendor. É preciso que cada católico esteja atento ao que está a acontecer. Estará o Santuário a cair nas mãos de servidores de Satanás? Estamos, de facto, num tempo de combate. Abramos os olhos. A Santa Igreja é fustigada por todos os lados, a confusão aumenta.

“Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”, assim anunciou Nossa Senhora, no segredo. Peçamos-Lhe que seja depressa.

 

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10 junho, 2016

Vaticano: ‘Publicação do Terceiro Segredo de Fátima é Completa’ (mas estaria completamente publicado?)

Por  – The Remnant | Tradução: Fabiano Rollim – FratresInUnum.comPara uma aparição da Virgem Maria que ocorreu há cem anos, e em relação a qual nos foi garantido que se tratava exclusivamente de uma lição de história do século XX, até que ela tem chamado bastante atenção ultimamente.

Para se inteirar – primeiro, tivemos as lembranças de Alice Von Hildebrand no blog OnePeterFive sobre o Terceiro Segredo de Fátima tendo a ver com uma apostasia que começaria no topo da Igreja.

6c8bb439f78d2818cf0a18b679522b8a_lUma semana depois, tivemos a confirmação de uma afirmação, feita há uma década pelo Pe. Ingo Dollinger – amigo pessoal do Cardeal Ratzinger/Papa Bento XVI –, de que, após a descrição que este último fizera do Terceiro Segredo como tendo a ver com uma crise de fé, um concílio mau e uma Missa má (e a apresentação bastante diferente disso feita pelo Vaticano no ano 2000), o então Cardeal Ratzinger teria afirmado que havia realmente mais sobre o segredo do que o publicado.

E de novo, por mais interessante que seja esse desenvolvimento, foi simplesmente uma reconfirmação de uma afirmação de uma década atrás feita pelo Pe. Dollinger, e que já tinha sido previamente publicada pelo Pe. Gruner e por outros.

Mas então aconteceu algo verdadeiramente espantoso: a Sala de Imprensa do Vaticano publicou uma negação com palavras fortes daquilo que havia ignorado por uma década – uma negação supostamente do próprio Bento XVI, aparentemente sua primeira reação pública a alguma coisa desde sua renúncia.

Ora, se a intenção da Sala de Imprensa do Vaticano era abafar toda a controvérsia sobre o Terceiro Segredo de Fátima, eles falharam lastimosamente. Para aqueles que têm acompanhado as denúncias de acobertamento feitas pelos “fatimistas”, essa negação realmente bizarra do Vaticano só serve para pôr mais lenha na fogueira.

Mas antes de analisar a negação do Vaticano, vamos ponderar quão bizarro é que o Vaticano responda à história de OnePeterFive agora, após ela já ser conhecida, ter sido publicada e citada repetidamente por fatimistas por quase uma década. Tudo bem, é possível que a matéria no OnePeterFive tenha dado nova força à história, mas Antonio Socci e Chris Ferrara já publicaram e venderam inúmeros livros sobre a intriga envolvendo o Segredo de Fátima – e mesmo assim o Vaticano fingiu não ter nada com isso, sem jamais refutar ou abordar a montanha de evidências sobre a existência de um texto não revelado no Segredo de Fátima. Por alguma razão, isso repentinamente conseguiu uma resposta imediata e pública por parte do Vaticano agora? Por quê? Mais e mais curiosíssimo, como disse certa vez outra Alice. Tenho minhas teorias sobre isso, mas vamos primeiro à resposta do Vaticano.

Para entender corretamente a resposta do Vaticano sob o ponto de vista de um fatimista bem informado, é necessário entender o que a maioria dos fatimistas têm alegado sempre. A mídia católica em geral frequentemente desconsidera os fatimistas insistindo que, para acreditar neles, você tem de estar disposto a chamar vários papas de mentirosos. Isso simplesmente não é verdade. O que a maioria dos fatimistas alega é que o Vaticano está jogando com algum tipo de restrição mental.

Resumindo, os fatimistas afirmam há tempos que existe um texto adicional escrito pela Irmã Lúcia por volta da mesma época em que escreveu a visão com a qual estamos todos familiarizados. Esse texto adicional contém as palavras de Nossa Senhora explicando a visão e provavelmente contendo um alerta sobre enormes ameaças à fé que viriam de dentro da Igreja. Antes do ano 2000, o contexto e o provável conteúdo do Terceiro Segredo foram atestados por tantas pessoas que os conheciam que é impossível simplesmente desconsiderar isso. Os fatimistas alegam que, por alguma razão, seja por causa do conteúdo alarmante ou por causa da acusação feita às mudanças na Igreja durante e após o Concílio Vaticano II, os papas desde João XXIII teriam questionado a validade de certos aspectos desse texto do Segredo. Eles o teriam considerado tão alarmante, tão perigoso, ou tão desconfortável, que teriam questionado se não teria sido contaminado de alguma forma, talvez pela própria Irmã Lúcia. Assim, tendo se recusado a aceitar a autenticidade e veracidade desse texto, eles o teriam excluído mentalmente, considerando-o uma parte ilegítima do Terceiro Segredo.

É importante entender essa distinção, já que esclarece muitas declarações feitas por prelados desde o ano 2000 em relação ao Segredo e a situações sinistras na Igreja; declarações que se tornariam incompatíveis e estranhamente escrupulosas sem essa distinção. Ainda que possam saber que existe um texto adicional escrito pela Irmã Lúcia, usam essa restrição mental para exclui-lo do Terceiro Segredo “legítimo”. Em suas cabeças, não estão mentindo, mas ao mesmo tempo, fazem de tudo para jamais confirmar que há mais sobre o Terceiro Segredo, porque tal confirmação causaria um clamor por sua revelação a que seria difícil ou até impossível resistir.

Com esse entendimento, podemos ver facilmente por que esta estranha negação das palavras do Pe. Dollinger apenas porá mais lenha na fogueira.

Alguns artigos publicados recentemente atribuem ao professor Ingo Dollinger declarações segundo as quais o cardeal Joseph Ratzinger, depois da publicação, em junho de 2000, do Terceiro segredo de Fátima, havia-lhe confiado que tal publicação não era completa.

A esse respeito, o Papa emérito Bento XVI comunica que “não falou nunca com o professor Dollinger acerca de Fátima” e afirma claramente que as frases atribuídas ao professor Dollinger sobre esse tema são “pura invenção, absolutamente não verdadeiras” e reitera decididamente: “A publicação do Terceiro segredo de Fátima é completa”.


De saída, essa negação quer convencer o leitor de uma coisa: é tudo mentira; o então Cardeal Ratzinger nunca nem falou com o Pe. Dollinger sobre Fátima.

Só que não é isso o que a declaração diz realmente. O primeiro parágrafo apresenta um cenário bem preciso; a saber, o do comentário do Cardeal Ratzinger após o ano 2000 de que a publicação não era completa. Mas o parágrafo seguinte começa com uma precisão bem crítica: “A esse respeito.” Essa precisão indica que a declaração não está negando especificamente que o Cardeal Ratzinger tenha falado com o Pe. Dollinger sobre Fátima, mas diz simplesmente que o Papa Bento XVI não disse ao Pe. Dollinger que a “publicação não era completa.”

Isso é interessante porque não nega, de forma alguma, a afirmação do Pe. Dollinger de que, antes do ano 2000, o Cardeal Ratzinger tenha conversado com ele sobre o Terceiro Segredo e o tenha caracterizado de uma maneira muito diferente do que foi revelado no ano 2000. Essa é uma parte crítica do que o Pe. Dollinger alega, e não é de forma alguma negada nessa declaração. A única coisa que é negada é que o Papa Bento XVI tenha dito: “a publicação não é completa.”

Só que esta frase, “a publicação é completa”, é crítica, motivo pelo qual dediquei um tempo para explicar a questão da restrição mental. Se você entende que eles usaram de restrição mental para excluir aquele texto adicional do Terceiro Segredo, não é mentira dizer que a publicação do Terceiro Segredo é completa, já que podem ou não “acreditar” que o texto adicional seja uma parte autêntica do Terceiro Segredo. Mais que isso, já sabemos que “a publicação é completa”. O Vaticano deixou isso claro no ano 2000. De fato, é esse precisamente o problema, de acordo com os fatimistas. A publicação é completa ainda que as palavras da Virgem não apareçam em nenhum lugar. A frase “a publicação é completa” não significa nada se você entende o jogo da restrição mental.

Quanto às palavras atribuídas ao Papa Bento XVI na negação da Sala de Imprensa do Vaticano – de que as afirmações do Pe. Dollinger são “pura invenção, absolutamente não verdadeiras” – temos de admitir que isso pode ser verdade, mesmo se a veemência da reprimenda não se pareça em nada com Ratzinger e pareça estranhamente abrupta ao repreender um velho amigo.

Ainda mais, é difícil não notar que nos deram a conhecer apenas essas citações abruptas extraídas de Bento XVI sem absolutamente qualquer contexto ou entendimento das verdadeiras perguntas feitas ao Papa emérito. Isso lembra as citações fora de contexto atribuídas à Irmã Lúcia pelo Cardeal Bertone em apoio à revelação do Segredo no ano 2000; três linhas extraídas de uma entrevista de 4 horas com uma senhora idosa. Honestamente, sem o contexto adequado, essas citações são de muito pouco valor para determinar a verdade da questão, possuindo valor apenas na percepção do público geral.

Dada a seriedade da questão – algo tão sério, de fato, que fez o Vaticano não apenas responder, mas obter do Papa emérito Bento XVI um comentário pela primeira vez em mais de 3 anos – essa é uma resposta nada séria. Se o Vaticano está realmente interessado em encerrar essa questão, deixe que Chris Ferrara e Antonio Socci façam uma entrevista completa com o Papa Bento XVI e com o Cardeal Bertone, articulando propriamente as perguntas e registrando de uma vez por todas as respostas completas e integrais.

Talvez a história do Pe. Dollinger não seja verdadeira em todos os seus detalhes e o Vaticano tenha se sentido à vontade para responder com aquela negação, para fortalecer a afirmação e a percepção pública de que todo o Terceiro Segredo tenha sido revelado. Entretanto, tenho acompanhado essa história de Fátima muito de perto e, após ler essa última negação vaticana, só posso ficar mais do que nunca convencido de que há mais coisa por trás disso tudo.

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10 junho, 2016

Cardeal Caffarra: Irmã Lúcia escreveu que chegaria o tempo de uma “luta final”. E que o terreno desta luta seria o matrimônio e a família.

Roma – Itália (Terça-feira, 07-06-2016, Gaudium Press) O Cardeal Carlo Caffarra, Arcebispo emérito de Bolonha e fundador do Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família, falou com Marco Ferraresi de ‘La Nuova Bussola Quotidiana’ sobre diversos temas, entre eles os de sua especialidade. Entre outras revelações, o purpurado italiano falou sobre a carta que a Irmã Lúcia, vidente de Fátima, lhe enviou em resposta a uma sua na qual pedia orações pelo Instituto que estava se consolidando. A seguir reproduzimos alguns trechos da entrevista:

Cardeal Caffarra

Cardeal Caffarra

– Eminência, o que é a família?

– É a sociedade que tem origem no matrimônio, pacto indissolúvel entre um homem e uma mulher, que tem a finalidade de unir aos cônjuges e transmitir a vida humana.

– De uma união civil, segundo a lei Cirinnà, nasce uma família? [Ndr. A lei Cirinnà, promulgada recentemente na Itália, reconhece uniões de fato sem distinção de sexo]

– Não. O presidente da República Sergio Mattarella, ao assinar esta lei, apoiou a redefinição de matrimônio. Mas uma medida normativa não muda a realidade das coisas. Temos que dizer claramente: os prefeitos (sobretudo, naturalmente, os católicos) devem fazer objeção de consciência. Ao celebrar uma união civil seriam, de fato, corresponsáveis de um ato ilícito grave no plano moral.

– Por que há esta crise de identidade da família no Ocidente?

– Me pergunto aos poucos, mas não tenho uma resposta exaustiva. No entanto, uma causa é um processo de “desbiologização” segundo o qual já não se considera que o corpo tem uma linguagem -e, por conseguinte, um significado- objetivo. Este significado está, portanto, determinado pela liberdade da pessoa. Na consciência ocidental se fraturou o vínculo entre bios e logos.

– Em uma perspectiva de Fé, não há também causas sobrenaturais?

– Em 1981 estava fundado, pela vontade de João Paulo II, o Instituto para Estudos sobre o Matrimônio e a Família. A fundação estava prevista para o dia 13 de maio, data da primeira aparição da Virgem de Fátima. O Papa, esse dia, foi vítima do atentado do qual saiu milagrosamente vivo pela graça -segundo palavras do próprio Pontífice- da Virgem. Uns anos depois de fundar o Instituto escrevi à Irmã Lúcia, a vidente de Fátima, para pedir-lhe que rezasse pela obra e acrescentando que não esperava uma resposta por sua parte. Mas a resposta chegou.

– O que lhe respondeu?

– Irmã Lúcia escreveu -e quero sublinhar que estamos falando de princípios dos anos 80- que chegaria o tempo de uma “luta final” entre o Senhor e Satanás. E que o terreno desta luta seria o matrimônio e a família. Acrescenta que todos os que estariam envolvidos combatendo a favor do matrimônio e da família seriam perseguidos, mas que não deviam ter medo porque a Virgem já havia esmagado a cabeça da serpente infernal.

– Palavras proféticas: é o que está sucedendo?

– Vivemos uma situação inédita. Nunca havia acontecido que se redefinisse o matrimônio. É Satanás, que desafia a Deus, como dizendo: “Estais vendo? Tu propões tua criação. Mas eu te demonstro que constituo uma criação alternativa. E verás que os homens dirão: estamos melhor assim”. Todo o arco da criação se sustenta, segundo a Escritura, em dois pilares: o matrimônio e o trabalho humano. Este segundo pilar não é agora nosso tema, ainda que está sendo submetido a uma “crise definidora”; no que concerne o matrimônio, em troca, este tem sido institucionalmente destruído.

– A Igreja pode responder a este desafio?

– Tem que responder, por razões que chamaria estruturais. A Igreja se interessa pelo matrimônio porque o Senhor o elevou a sacramento. Cristo mesmo une aos esposos. Cuidado, não é uma metáfora: segundo as palavras de São Paulo, no matrimônio o vínculo entre os esposos se enxerta no vínculo esponsal entre Cristo e a Igreja, e vice-versa. A indissolubilidade não é antes de tudo uma questão moral (“os esposos não devem separar-se”), mas ontológica: o sacramento obra uma transformação nos cônjuges. De modo que, como diz a Escritura, já não são dois, mas um. Isto está expressado claramente na ‘Amoris Laetitia’ (parágrafos 71-75). O sacramento, ainda, infunde nos esposos a caridade conjugal. E disto falam claramente os capítulos IV e V da Exortação. Além disso, o sacramento constitui aos esposos em um Estado de vida pública na Igreja e na sociedade. Como qualquer Estado de vida na Igreja, também o estado conjugal tem uma missão: o dom da vida, que continua na educação dos filhos. Aqui o capítulo VII da ‘Amoris Laetitia’ preenche, na minha opinião, uma lacuna que havia no debate dos Bispos durante o Sínodo.

– Na prática, o que deveria fazer a Igreja?

– Somente uma coisa: comunicar o Evangelho do matrimônio. Tenho dito “comunicar” porque não se trata somente de um acontecimento linguístico. A comunicação do Evangelho significa sanar ao homem e a mulher de sua incapacidade de amar-se, e introduzir-lhes no grande Mistério de Cristo e da Igreja. Esta comunicação tem lugar através do Anúncio e da catequese. E através dos sacramentos. Têm tido pessoas que depois de uma catequese sobre o sacramento do matrimônio se aproximaram para dizer-me: “Por que ninguém me falou destas maravilhosas realidades?”. Os jovens devem ser, principalmente, o centro de nossa preocupação. A questão educativa nesta matéria é “a” questão decisiva. O Papa fala disso extensamente nos parágrafos 205-211. (GPE/EPC)

27 maio, 2016

A crise da Igreja à luz do Segredo de Fátima.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 25-05-2016 | Tradução: FratresInUnum.comO ano do centenário de Fátima (2016-2017) foi aberto no dia de Pentecostes com uma notícia que suscitou clamor. O teólogo alemão Ingo Dollinger referiu ao site “OnePeterFive” que após a publicação do Terceiro Segredo de Fátima, o cardeal Ratzinger lhe teria confiado: “Das ist noch nicht alles!” – “Isto ainda não é tudo”. A Sala de Imprensa do Vaticano interveio com um desmentido imediato, no qual se diz que “o Papa emérito Bento XVI comunica ‘não ter falado com o Prof. Dollinger sobre Fátima’ e afirma claramente que as frases atribuídas ao Prof. Dollinger sobre este tema ‘são puras invenções, absolutamente não verdadeiras’ e reitera decididamente: ‘A publicação do Terceiro Segredo de Fátima é completa’.”

pastorinhos_09O desmentido não convence aqueles que, como Antonio Socci, sempre sustentaram a existência de uma parte não revelada do segredo, que falaria do abandono da fé por parte dos líderes da Igreja. Outros estudiosos, como o Dr. Antonio Augusto Borelli Machado, julgam integral e tragicamente eloquente o segredo divulgado pela Santa Sé. Com base nos dados à nossa disposição, hoje não se pode afirmar com certeza absoluta nem que o texto do Terceiro Segredo seja integral, nem que seja incompleto. No entanto, o que parece absolutamente certo é que a profecia de Fátima ainda não foi cumprida e que sua realização diz respeito a uma crise sem precedentes na Igreja.

A este propósito deve-se recordar um importante princípio hermenêutico. O Senhor, através de revelações privadas e profecias que nada acrescentam ao depósito da fé, oferece às vezes uma “direção espiritual” para nos orientar nos períodos mais negros da História. Mas se é verdade que as palavras divinas projetam luz sobre as épocas tenebrosas, o contrário também é verdade: em seu desenvolvimento dramático,os eventos históricos nos ajudam a compreender o significado das profecias.

Quando, em 13 de Julho de 1917, Nossa Senhora anunciou em Fátima que se a humanidade não se convertesse a Rússia espalharia seus erros pelo mundo, estas palavras pareciam incompreensíveis. Foram os fatos históricos que desvendaram o seu significado. Após a Revolução bolchevique de outubro 1917, ficou claro que a expansão do comunismo era o instrumento do qual Deus queria Se servir para punir o mundo pelos seus pecados. Entre 1989 e 1991, o império do mal soviético aparentemente se desintegrou, mas o desaparecimento do invólucro político permitiu uma maior difusão mundial do comunismo, que tem o seu núcleo ideológico no evolucionismo filosófico e no relativismo moral. A “filosofia da práxis”, que de acordo com Antonio Gramsci resume a revolução cultural marxista, tornou-se o horizonte teológico do novo pontificado, traçado por teólogos como o cardeal alemão Walter Kasper e o arcebispo argentino Dom Víctor Manuel Fernández, inspiradores da Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

Nesse sentido, não é do segredo de Fátima que devemos partir para compreender a existência de uma tragédia na Igreja, mas da crise na Igreja para compreender o significado último do segredo de Fátima. Uma crise que data dos  anos sessenta do século XX, mas que com a abdicação de Bento XVI e o pontificado do Papa Francisco conheceu uma impressionante aceleração.

Enquanto a Sala de Imprensa se apressava para acalmar o caso Dollinger, outra bomba explodia com um fragor bem maior. Durante a apresentação do livro do Prof. Don Roberto Regoli, Oltre la crisi della Chiesa. Il pontificato de Benedetto XVI [Além da crise da Igreja. O pontificado de Bento XVI] (Lindau, Torino 2016), realizada no auditório da Pontifícia Universidade Gregoriana, Mons. Georg Gänswein enfatizou o ato de renúncia do Papa Ratzinger ao pontificado com estas palavras:

“A partir de 11 de fevereiro de 2013 o ministério papal não é mais aquele de antes. Ele continua a ser o fundamento da Igreja Católica; e, entretanto, é um fundamento que Bento XVI transformou profunda e duravelmente no seu pontificado excepcional”. – De acordo com o arcebispo Gänswein, a renúncia do Papa teólogo “marcou época”, porque introduziu na Igreja Católica a nova instituição do “Papa emérito”, transformando o conceito de munus petrinum (“ministério petrino”):

“Antes e depois de sua renúncia, Bento entendeu e ainda entende seu dever como uma participação a tal ‘ministério petrino’. Ele deixou o trono pontifício e, entretanto, com o passo de 11 de fevereiro de 2013, não abandonou absolutamente esse ministério. Em vez disso, integrou o ofício [petrino] pessoal com uma dimensão colegial e sinodal, quase um ministério em comum (…). Desde a eleição de seu sucessor Francisco, em 13 de março de 2013, não há em absoluto dois Papas, mas de fato um ministério expandido – com um membro ativo e um membro contemplativo. É por isso que Bento XVI não renunciou nem ao seu nome, nem à batina branca. Por isso o tratamento correto que se lhe aplica ainda hoje é ‘Santidade’; é também por isso que ele não se retirou para um mosteiro isolado, mas [permaneceu] dentro do Vaticano – como se tivesse dado apenas um passo de lado para abrir espaço ao seu sucessor e a uma nova etapa na história do papado. (…) Com um ato de extraordinária audácia, ele, pelo contrário, renovou esse ofício (mesmo contra a opinião de conselheiros bem-intencionados e sem dúvida competentes), e com um esforço final o tem fortalecido (como espero). Isto, é claro, somente a história poderá demonstrar. Mas na história da Igreja permanecerá que no ano de 2013 o célebre ‘Teólogo no Trono de Pedro’ tornou-se o primeiro ‘Papa emeritus’ da história “.

Este arrazoado tem um caráter perturbador, demonstrando por si só como estamos não “além”, mas mais do que nunca “dentro” da crise da Igreja. O Papado não é um ministério que pode ser “expandido”, porque é um “cargo” concedido pessoalmente por Jesus Cristo a um único Vigário e a um único sucessor de Pedro. O que distingue a Igreja Católica de qualquer outra igreja ou religião é a própria existência de um princípio unitário e indivisível encarnado na pessoa do Sumo Pontífice. O discurso de Mons. Gänswein, que não se entende aonde quer chegar, sugere uma Igreja bicéfala e acrescenta confusão a uma situação já demasiadamente confusa.

Uma frase liga a segunda e a terceira parte do Segredo de Fátima: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé”. Nossa Senhora se dirige aos três pastorinhos portugueses e lhes assegura que seu País não perderá a fé. Mas onde se perderá a fé? Sempre se pensou que Nossa Senhora estivesse se referindo à apostasia de nações inteiras, mas hoje parece cada vez mais claro que a maior perda da fé está ocorrendo entre os homens da Igreja. Um “bispo vestido de branco” e “vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas” estão no centro do Terceiro Segredo, sobre um fundo de ruína e de morte, que é legítimo imaginar não só material, mas também espiritual. Confirma-o a revelação que a Irmã Lúcia teve em Tuy no dia 3 de janeiro de 1944, antes de escrever o Terceiro Segredo, e que está, portanto, indissociavelmente ligada a ele. Após a visão de uma catástrofe cósmica terrível, a Irmã Lúcia diz que sentiu em seu coração “o eco de uma voz suave que dizia: – No tempo, uma só fé, um só batismo, uma só Igreja, Santa, Católica Apostólica. Na eternidade, o Céu!”.

Essas palavras representam a negação radical de todas as formas de relativismo religioso, às quais a voz celestial contrapõe a exaltação da Santa Igreja e da Fé católica. A fumaça de Satanás pode invadir a Igreja na história, mas quem defende a integridade da Fé contra os poderes do inferno verá, no tempo e na eternidade, o triunfo da Igreja e do Coração Imaculado de Maria, a chancela definitiva da trágica, mas entusiasmante profecia de Fátima.

23 maio, 2016

OnePeterFive responde ao desmentido da Sala de Imprensa da Santa Sé. Dollinger confirma diálogo.

O blog que divulgou o diálogo atribuído a Pe. Dollinger e o então Cardeal Ratzinger, comenta o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Por Steve Skojec, OnePeterFive, 21 de maio de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Hoje, 21 de maio de 2016, a  Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou, no seu boletim diário, uma declaração atribuída ao Papa Emérito Bento XVI. A declaração nega categoricamente a afirmação, aqui relatada, do Padre Ingo Dollinger, sobre uma conversa privada na qual o então cardeal Ratzinger falou com Dollinger, seu  amigo pessoal, sobre a existência de mais do que foi publicado pelo Vaticano em junho de 2000 a respeito do Terceiro Segredo de Fátima. Aqui está o texto integral do comunicado do Vaticano.

Como editor do blog OnePeterFive, desejo responder a essa declaração. Não podemos considerar de modo leviano a refutação por alguém da estatura do Papa Emérito Bento XVI. É interessante notar que – segundo nosso conhecimento – esta é a primeira vez desde sua renúncia em 2013 que o Papa Emérito emitiu uma declaração oficial através da Sala de Imprensa do Vaticano. Com tudo o que está atualmente sacudindo a Igreja, com toda a confusão que agora assalta os fiéis, essa é a história que levou Bento a quebrar o seu silêncio. Claramente, este é um assunto de importância incomum aos olhos da Santa Sé.

Essa declaração é recebida por nós com filial respeito e amor pelo Papa Emérito. E, no entanto, apresenta-se como um problema. Ele entra em conflito direto com as declarações que já foram relatadas e nos acusa de “falsa atribuição” e “invenção”.  Por outro lado, contradiz categoricamente a nossa fonte, o Padre Dollinger, nem mesmo oferecendo a possibilidade de que tenha havido um erro de interpretação, mas sim, uma acusação de que os eventos por ele descritos são completamente fabricados.

É, em si, um comunicado estranhamente superficial, e é apresentado de uma forma que levanta questões sobre a sua proveniência e integridade. Não se trata de uma declaração completa e integral do Papa Emérito Bento; nem traz a sua assinatura. Estamos, ao invés, diante de um documento apresentado com citações atribuídas a Bento XVI,  sem o contexto completo em que elas originariamente apareceram. Também não é dado a nós saber quem conduziu essa aparente entrevista com ele, ou como as perguntas foram formuladas.

Somos, em outras palavras, solicitados a tomar como digno de fé o conteúdo dessa declaração, como se fossem os sentimentos autênticos, completos e ratificados pelo Papa Emérito sobre o assunto.

Vale ainda ressaltar que, quando nós publicamos as palavras do Padre Dollinger, conforme relatado pela Dra. Hickson, fomos acusados de divulgar informações que são boatos não verificáveis. Mas agora nos são fornecidas declarações parciais atribuídas a Bento XVI por parte de um membro não identificado da equipe de comunicações do Vaticano – afirmações nas quais estamos diretamente envolvidos, bem como um velho amigo do Papa Bento XVI, o Pe. Dollinger, num engano proposital – e então nos pedem que acreditemos que a matéria está selada e resolvida?

Espero que vocês perdoem o meu ceticismo.

Eu tenho duas perguntas sobre a semântica dessa declaração cuidadosamente construída. Eu acredito que elas merecem consideração.

Em primeiro lugar, gostaria de chamar a atenção para a parte que afirma: as afirmações atribuídas ao professor Dollinger sobre o assunto são “puras invenções, absolutamente falsas”.

Dra. Maike Hickson, que telefonou pessoalmente ao Padre Dollinger, atesta a verdade do que ela contou da conversa. Na medida em que o comunicado do Vaticano a acusa de “atribuir” ao Padre Dollinger declarações que são “invenções”, podemos dizer que isso sim é falsidade. Ela não imaginou ter tido uma conversa com o Padre Dollinger, ela relatou isso, e eu prefiro acreditar em seu testemunho com plena confiança em sua integridade, tanto como jornalista, como uma filha fiel da Igreja.

Além disso, nesta manhã, Dra. Hickson telefonou novamente ao Padre Dollinger com a notícia da declaração do Vaticano, e nessa conversa ele confirmou novamente e enfaticamente as suas observações anteriores. Em outras palavras, ele sustentou a sua história.

Também devemos reiterar que a conversa original da Dra. Hickson com o Pe Dollinger não poderia ter sido vista como uma “invenção”, uma vez que não era algo original em seu conteúdo. Não foi uma tentativa de fazer um furo de reportagem, mas sim de buscar a confirmação direta de uma história que já havia sido atribuída a Padre Dollinger anos atrás, tal como foi referido no artigo original da Dra. Hickson: “Esta informação sensível pertinente ao Terceiro Segredo, que circulou entre certos grupos católicos por alguns anos, agora foi pessoalmente confirmada a mim pelo próprio Padre Dollinger …”

O primeiro relato publicado do testemunho do Padre Dollinger (dos quais estamos cientes) apareceu em uma entrevista com o Padre Paul Kramer no Fátima Crusader, em maio de 2009. Desde então, foi citado em várias publicações católicas e locais. Curiosamente, um dos nossos comentadores sobre a história recordou que como brasileiro, ele mesmo tinha ouvido a mesma história de um padre que foi aluno do Pe. Dollinger em 2003 ou 2004. (Pe. Dollinger foi o reitor da Institutum sapientiae no Brasil, onde ensinou teologia moral.) A única coisa nova sobre o nosso relatório é a confirmação direta feita por Padre Dollinger (em alemão, sua língua nativa) para a Dra. Hickson, que o procurou, numa tentativa de obter mais esclarecimento sobre o assunto.

Em segundo lugar, o comunicado cita o Papa Bento XVI como dizendo que “a publicação do Terceiro Segredo de Fátima está concluída”. Esta é uma linguagem muito cautelosa, no sentido legal. Se o Vaticano já publicou tudo o que  tinha a intenção de publicar sobre o Terceiro Segredo de Fátima – mesmo se há mais que eles não pretendem publicar – o que seria tecnicamente correto era dizer que “a publicação está completa.” Mas de modo algum isso dissiparia a idéia de que um texto escrito pela Irmã Lúcia, a pedido de Nossa Senhora, como um meio de interpretar a importância simbólica do Terceiro Segredo ainda possa existir.

Como afirmei em meu adendo ao nosso artigo original, não é preciso assumir que os papas que omitiram informações potencialmente complementares sobre o Terceiro Segredo tenham mentido para nós; se eles temiam que a informação nele contida poderia causar graves danos à Igreja, de alguma forma, eles poderiam estar usando ampla restrição mental em sua ocultação da parte do texto em questão. Há também a questão, levantada por Marco Tosatti, sobre o questionamento interno dentro do aparelho do Vaticano sobre porções de um texto explicativo adicional, que se existir, pode ser atribuída tanto a Nossa Senhora como à  Irmã Lúcia. Se houvesse dúvida suficiente, poderiam omitir tal texto enquanto permaneceriam tecnicamente corretos ao afirmar que o segredo completo (ou seja, a parte que eles estavam confiantes que vieram de Nossa Senhora) tinha sido revelado. O sentido legalista, portanto, é digno de nota a esse respeito.

Eu acredito que, além das questões levantadas pelo texto do comunicado, há outros fatos conhecidos que simplesmente não se somam nessa declaração como sendo atribuída ao Papa Bento XVI. A linguagem é forte, mesmo dura, e parece muito atípico a esse respeito. Bento XVI tem uma reputação de bondade e gentileza, e a fonte das informações que ele está refutando vem de um amigo de longa data – uma amizade que a sua declaração não nega.

A declaração também parece fechar a porta enfaticamente sobre quaisquer outras questões levantadas sobre a parte não revelada no Terceiro Segredo. E, no entanto a própria posição de Bento XVI sobre essa questão parece ter evoluído tanto, ao longo dos últimos 16 anos, que seria difícil caracterizá-la como uma questão resolvida. Em 26 de Junho de 2000, quando o Vaticano anunciou a publicação do texto do Terceiro Segredo de Fátima, que foi acompanhada por uma explicação teológica pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé disse:

Chegamos assim a uma última pergunta: O que é que significa no seu conjunto (nas suas três partes) o « segredo » de Fátima? O que é nos diz a nós? Em primeiro lugar, devemos supor, como afirma o Cardeal Sodano, que « os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do “segredo” de Fátima parecem pertencer já ao passado ». Os diversos acontecimentos, na medida em que lá são representados, pertencem já ao passado. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ficar desiludido. Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade, como, aliás, a fé cristã em geral que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece — dissemo-lo logo ao início das nossas reflexões sobre o texto do « segredo » — é a exortação à oração como caminho para a « salvação das almas », e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão.

Mas posteriormente, já como o Papa Bento XVI, Ratzinger viajou a Fátima em maio de 2010. E, naquela época, ele ofereceu uma interpretação um pouco diferente. De dentro de seu avião, em 11 de Maio de 2010, ele disse:

Para além desta grande visão do sofrimento do Papa, que podemos referir, em substância, a João Paulo II, estão indicadas realidades futuras da Igreja que estão a desenvolver-se e a revelar-se pouco a pouco. Assim, é verdade que, para além do momento indicado na visão, fala-se, vê-se, a necessidade de uma paixão da Igreja que se reflete naturalmente na pessoa do Papa; mas o Papa está na Igreja, e portanto os sofrimentos da Igreja são o que é anunciado….

Dois dias depois, em uma missa no Santuário de Nossa Senhora de Fátima em 13 de Maio de 2010, o Papa Bento XVI disse:

Que seria um erro pensar que a missão profética de Fátima esteja concluída.

Christopher Ferrara, um especialista e autor sobre o tema de Fátima, recontou o seguinte no início desta semana, relacionado ao livro de Antonio Socci sobre o tema:

[I] Devemos dizer que, na verdade, os próprios Papas não nos disseram que a mensagem foi totalmente revelada. A visão pertinente ao Segredo não foi revelada até 2000, após o qual João Paulo II observou o silêncio conspícuo que diz respeito à controvérsia sobre a integralidade da revelação. E em 2010, como Socci colocou, Bento não só se recusou a dizer que tudo tinha sido revelado, mas também “reabriu o dossier” sobre o Terceiro Segredo aludindo a conteúdos que claramente não aparecem na visão. Além disso, Bento XVI enviou a Socci uma nota agradecendo-lhe pela publicação do livro O Quarto Segredo de Fátima (o qual  eu traduzi em inglês), ainda que ele [Socci] acuse o aparelho do Vaticano de esconder um texto pertinente.

Da sua parte, em um post em seu blog datado de 12 de maio de 2007, Socci relata que ele mantém:

Que a carta que Bento XVI escreveu-me sobre o meu livro, agradecendo-me pelos “sentimentos que ele inspirou em mim” [para os sentimentos que têm sugerido], são Palavras que o confortaram em face dos insultos e acusações …

A inspiração para a Dra. Hickson buscar a confirmação com o Padre Dollinger veio, em parte, de um novo testemunho de Alice von Hildebrand, que recentemente publicou antigas informações privadas a respeito de uma parte adicional do Terceiro Segredo que indicam uma “infiltração na Igreja até o topo “. Essa informação, de acordo com a Dra. Von Hildebrand, foi-lhe revelada por seu falecido marido em 1965, o qual a obteve de Dom Mario Boehm, um ex-editor do jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano.

Então, poderia a Dra. Von Hildebrand também ser acusada de inventar a história dela? E o que dizer do falecido cardeal Ciappi, o teólogo papal dos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II?  Pois é exatamente o Cardeal Ciappi, que é amplamente creditado com a revelação pública das informações que Alice von Hildebrand já confirmou: “No Terceiro Segredo é predito, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará no topo”.

Há muita coisa que não faz sentido. Há muitas perguntas deixadas sem resposta. Oferecemos nossas orações sinceras ao Papa Emérito Bento XVI e nossa gratidão por ele ter quebrado o seu silêncio ao abordar essa questão que continua em aberto.

Ao mesmo tempo, estamos sendo convidados a crer que estamos sendo enganados por nossas fontes. Que estamos sendo enganados por indivíduos já nos últimos anos de suas vidas, indivíduos que aparentemente nada têm a ganhar com isso. Indivíduos que têm estabelecido uma sólida reputação como católicos dignos de fé e ortodoxos, e cuja reputação agora está sendo questionada por apresentarem uma versão alternativa dos eventos.

Isso é pedir demais, e portanto devemos respeitosamente solicitar que nos seja dada uma resposta completa – uma declaração completa, inalterada, com uma declaração testemunhada do próprio Papa Emérito. As palavras filtradas da Sala de Imprensa do Vaticano não são suficientes.

23 maio, 2016

Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé a respeito de alguns artigos sobre o Terceiro Segredo de Fátima.

Por Sala de Imprensa da Santa Sé, 21 de maio de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Alguns artigos publicados recentemente atribuem ao professor Ingo Dollinger declarações segundo as quais o cardeal Joseph Ratzinger, depois da publicação, em junho de 2000, do Terceiro segredo de Fátima, havia-lhe confiado que tal publicação não era completa.

A este respeito, o Papa emérito Bento XVI comunica que “não falou nunca com o professor Dollinger acerca de Fátima” e afirma claramente que as frases atribuídas ao professor Dollinger sobre esse tema são “pura invenção, absolutamente não verdadeiras” e reitera decididamente: “A publicação do Terceiro segredo de Fátima é completa”.

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17 maio, 2016

Cardeal Ratzinger: Nós não publicamos todo o Terceiro Segredo de Fátima.

Nota do Fratres: embora não seja uma nova revelação, vale a pena recordar a informação outrora já divulgada por diversos especialistas na mensagem de Fátima, como Antonio Socci, Padre Gruner e Padre Kramer. A respeito do fato abaixo relatado, declarou Padre Kramer em uma entrevista:

“Assim sendo, depois que isso aconteceu [o diálogo de pe. Dollinger com Ratzinger], o teólogo alemão a que estou me referindo, voltou para um país da América do Sul onde foi Reitor de um seminário [em Anápolis, GO], onde contou, para um jovem padre o que o Cardeal Ratzinger lhe tinha relatado. E precisamente quando ele relatou que Nossa Senhora alertou contra as mudanças na Missa e que haveria um Concílio diabólico na Igreja, os dois viram um afloramento de fumaça vindo do piso. Porém, era um chão de mármore. Isto não poderia ser de modo algum um fenômeno natural. Ambos, o jovem padre e o velho Reitor alemão, ficaram tão impressionados que escreveram um dossiê, e o enviaram para o Cardeal Ratzinger.”

* * *

Cardeal Joseph Ratzinger disse a Pe. Dollinger, durante uma conversa pessoal, que ainda há uma parte do Terceiro Segredo que eles não publicaram! “Há mais do que nós publicamos”, disse Ratzinger

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Maike Hickson – OnePeterFive | Tradução Sensus fidei: Hoje, na festa de Pentecostes, liguei para o Pe. Ingo Dollinger, um padre alemão e antigo professor de teologia no Brasil, que está agora bastante idoso e fisicamente fraco. Ele tem sido um amigo pessoal do Papa Emérito Bento XVI por muitos anos. Pe. Dollinger inesperadamente confirmou por telefone os seguintes fatos:

Não muito tempo depois da publicação do Terceiro Segredo de Fátima, em junho de 2000, pela Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger disse a Pe. Dollinger, durante uma conversa pessoal, que ainda há uma parte do Terceiro Segredo que eles não publicaram! “Há mais do que nós publicamos”, disse Ratzinger. Ele também contou a Dollinger que a parte publicada do Segredo é autêntica e que a parte inédita do Segredo fala sobre “um mau Concílio e uma má Missa” que estavam por vir num futuro próximo.

Pe. Dollinger me deu permissão para publicar estes fatos nesta Festa do Espírito Santo e ele me deu a sua bênção.Pe. Dollinger foi ordenado sacerdote em 1954 e serviu como secretário do muito respeitado bispo de Augsburg, Josef Stimpfle. Pela Providência de Deus eu conheci este bispo uma vez, quando eu ainda não era católica, e fiquei profundamente tocada por sua humildade, calor e acolhimento. Ele me convidou para visitá-lo uma vez em Augsburg. Quando eu estava em meu processo de conversão, eu o procurei, mas, em seguida, para meu desgosto, descobri que Bispo Stimpfle já havia falecido. (Ele faz muita falta.)

O próprio Pe. Dollinger esteve também envolvido com as discussões da Conferência dos Bispos da Alemanha relativas à maçonaria, na década de 1970, no final das quais veio a afirmação de que a Maçonaria não é compatível com a fé católica. Mais tarde, ele ensinou teologia moral no seminário da Ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz, que pertence ao Opus Angelorum. Bispo Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, Cazaquistão, é membro dessa mesma Ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz. Mais importante ainda, o Pe. Dollinger tinha Padre Pio (falecido em 1968) como o seu confessor por muitos anos e tornara-se muito próximo a ele. Dollinger também é conhecido pessoalmente por um dos meus familiares queridos.Esta informação confidencial referente ao Terceiro Segredo, que tem circulado entre certos grupos católicos por alguns anos até hoje, foi agora confirmada pessoalmente a mim pelo próprio Pe. Dollinger, em um momento na história em que a Igreja parece ter caído em um poço de confusão. Ele pode ajudar a explicar, pelo menos em parte, por que estamos onde estamos agora.

Importante, isso mostra a misericórdia amorosa da Mãe de Deus para nos alertar e preparar os seus filhos para esta batalha em que a Igreja agora se encontra. Apesar da decisão das pessoas em lugares responsáveis no seio da Igreja, Ela tem a certeza de que a verdade completa ainda será revelada e se propagará.

Esta informação também pode explicar por que o Papa Bento XVI, logo ao se tornar papa, tentou desfazer algumas das injustiças que estão diretamente relacionadas com esta revelação de Dollinger, a saber: ele liberou a Missa Tradicional de sua supressão; levantou a excomunhão dos bispos da Fraternidade de São Pio X (SSPX); e, por último, declarou publicamente em 2010 em Fátima: “Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída”. Ele também acrescentou estas palavras em uma entrevista durante a sua viagem de avião a Fátima:

A novidade que podemos descobrir hoje, nesta mensagem, reside também no fato que os ataques ao Papa e à Igreja vêm não só de fora, mas que os sofrimentos da Igreja vêm justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja. Também isso sempre foi sabido, mas hoje o vemos de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de reaprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça.

Com esta declaração, Bento XVI efetivamente contraria suas próprias palavras anteriores a junho de 2000, quando ele havia afirmado:

“Em primeiro lugar, devemos supor, como afirma o Cardeal Sodano, que «os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do “segredo” de Fátima parecem pertencer já ao passado». Os diversos acontecimentos, na medida em que lá são representados, pertencem já ao passado. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ficar desiludido.

Todas estas ações do Papa Bento XVI mostram que ele devia saber, em sua consciência, que de alguma forma ele teria que corrigir certas injustiças e ambiguidades confusas do passado recente. Ele defendeu a Missa Tradicional, devolveu a dignidade à FSSPX, e reinseriu a importância da mensagem de Fátima. Além disso, ele também tentou lidar com o mistério do Vaticano II, embora, ao que parece, de maneira demasiado vaga.

Neste contexto, pode valer a pena mencionar que meu marido e eu ouvimos de um sacerdote que se reunira privadamente com o Papa Bento XVI e que o próprio Papa Bento considera o Arcebispo Marcel Lefebvre “como sendo o maior teólogo do século 20”. Meu marido e eu atestamos ter ouvido essas exatas palavras diretamente deste sacerdote – palavras que teriam sido ditas pelo Papa Bento no contexto de sua proposta para reintroduzir o ensino de Marcel Lefebvre mais amplamente na Igreja Católica.

Enquanto contemplamos a gravidade das deficiências cumulativas e atrasos relativos à liberação da totalidade do Terceiro Segredo, e quando o céu nos tinha pedido para fazê-lo – ou seja, o mais tardar até 1960 – somos gratos ao Espírito Santo que aparentemente tornou possível, agora, esta conversa telefônica afirmativa hoje na Festa de Pentecostes. Possa a verdadeira mensagem de Fátima – juntamente com as recentes revelações de Pe. Brian Harrison e Dra. Alice von Hildebrand sobre o que ela também contém – espalhar-se por toda parte e, assim, ajudar a libertar todos os fiéis católicos de qualquer escravidão a meias verdades e lealdades deficientes. Que todos nós possamos, livre e plenamente, aderir à verdade integral da Mensagem da Misericórdia de Maria – que certamente irá, com o amparo da graça, ajudar a nos libertar!

Publicado originalmente: OnePeterFive – Cardinal Ratzinger: We Have Not Published the Whole Third Secret of Fatima

 

24 agosto, 2014

Novidades Apocalípticas de Fátima.

O último mistério: o silêncio das Irmãs. Mas, “quem cala”…

Por Antonio Socci | Tradução: Fratres in Unum.com – Apareceu uma novidade no suspense acerca do “terceiro segredo de Fátima”, uma profecia que atravessa todo o século XX e parece apontar para a sua realização final.

olg-dragonA novidade está numa publicação oficial do Carmelo de Coimbra, onde viveu e morreu (em 2005) a Irmã Lúcia dos Santos, a última vidente. Entitula-se “Um caminho sob o olhar de Maria” e é uma biografia da Ir. Lúcia, escrita por suas co-irmãs, com preciosos documentos inéditos da própria vidente.

Antes de vê-los, precisamos recordar bem a história de Fátima. 

A HISTÓRIA DE UM SÉCULO

No inflamar-se da Grande Guerra, em 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceu, no vilarejo português, a três pastorinhos.

Os jornais laicos zombavam dos “ingênuos”, desafiando a Virgem a dar um sinal público de sua presença. Ela anuncia às três crianças que dará um sinal e, na última aparição, em 13 de outubro, 70 mil pessoas vindas à Cova da Iria assistem aterrorizadas o dançar do sol no céu. Um fenômeno que no dia seguinte seria noticiado pelos jornais (também pelos anticlericais).

Na aparição de 13 de julho, Nossa Senhora tinha confiado às crianças uma mensagem para todo o mundo. Era a grande profecia sobre as décadas vindouras, se a humanidade não voltasse para Deus.

Efetivamente, tudo se cumpriu: a revolução bolchevique na Rússia, a difusão do comunismo no mundo, as sanguinárias perseguições contra a Igreja e, enfim, a segunda trágica guerra mundial.

Além disso, havia uma terceira parte daquele segredo que se deveria revelar – disse Nossa Senhora – em 1960. Chegado àquela data, João XXIII resolveu deixá-la sob segredo, porque o seu conteúdo era terrível.

Provocou, assim, uma série de hipóteses. No ano 2000, João Paulo II tornou público o texto do terceiro segredo que contém a famosa visão do “bispo vestido de branco”, com o Papa que atravessa uma cidade destruída e tantos cadáveres, e depois o martírio do Santo Padre, dos bispos, padres e fieis.

Por muitos elementos, podia-se intuir que não continha tudo. Também eu, como outros autores, em 2006 publiquei um livro, “O quarto segredo de Fátima”, onde mostrava que faltava a parte, escrita e enviada depois, com as palavras de Nossa Senhora, que explicavam a mesma visão.

O próprio secretário de João XXIII, Mons. Capovilla, que tinha vivido tudo em primeira pessoa, numa conversa com Solideo Paolini, acenou para a existência de um misterioso “anexo”.

Pela parte eclesiástica, desmentiu-se que exista e que houvessem profecias relativas aos tempos hodiernos.

 

RATZINGER 2010

Mas uma clamorosa confirmação implícita veio do próprio Bento XVI, que, durante uma improvisada peregrinação a Fátima, em 13 de maio de 2010, afirmou: “Iludiria-se quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída”.

Acrescentou: “estão indicadas realidades que dizem respeito ao futuro da Igreja, que pouco a pouco se desenvolvem e se revelam… e, portanto, são sofrimentos da Igreja que se anunciam”.

Mas quais profecias poderiam ser encontradas naquele texto?

Estas duas frases do Papa, pronunciadas naquele discurso em Fátima, nos fazem refletir: “O homem pôde desencadear um ciclo de morte e de terror, mas não consegue interrompê-lo”. E depois: “A fé em amplas regiões da terra corre o risco de apagar-se como uma chama que não é mais alimentada”.

As palavras de Papa Bento nos fazem intuir que haja, portanto, algo a mais no Terceiro Segredo, e é dramático para o mundo e para a Igreja. Talvez seja devido àquela visita do Papa a publicação deste livro, que deixa escapar um outro pedaço da verdade.

O volume, de fato, é escrito a partir das cartas da Irmã Lúcia e do Diário inédito, intitulado “O meu caminho”. Impressionante, entre os episódios inéditos, é a narração de como a Irmã Lúcia superou o terror que lhe impedia de escrever o Terceiro Segredo.

 

O INÉDITO 

Por volta das 16h do dia 3 de janeiro de 1944, na capela do convento, diante do sacrário, Lúcia pediu a Jesus que lhe fizesse conhecer a Sua vontade: “senti então, que uma mão amiga, carinhosa e maternal me toca no ombro”. 

É “a Mãe do Céu” que lhe diz: “Está em paz e escreve o que te mandam, não porém o que te é dado entender do seu significado”, querendo aludir ao significado da visão que a própria Virgem lhe tinha revelado.

Logo depois – diz a Irmã Lúcia – “senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi, – A ponta da lança como chama que se desprende, toca o eixo da terra, – Ela estremece: montanhas, cidades, vilas e aldeias com os seus moradores são sepultados. O mar, os rios e as nuvens saem dos seus limites, transbordam, inundam e arrastam consigo num redemoinho, moradias e gente em número que não se pode contar, é a purificação do mundo pelo pecado em que se mergulha. O ódio, a ambição provocam a guerra destruidora! Depois senti no palpitar acelerado do coração e no meu espírito o eco duma voz suave que dizia: – No tempo, uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica. Na eternidade, o Céu! Esta palavra Céu encheu a minha alma de paz e felicidade, de tal forma que quase sem me dar conta, fiquei repetindo por muito tempo: – O Céu! O Céu!”.

Assim lhe foi dada a força para que escrevesse o Terceiro Segredo.

O inédito que acabei de citar é um documento muito interessante, no qual os que se dedicam a este tema encontram facilmente a confirmação para a reconstrução histórica pela qual o Terceiro Segredo está composto de duas partes: uma, a visão, foi escrita e enviada antes, enquanto a outra – aquela que nas palavras de Nossa Senhora é o “significado” da própria visão – foi escrita e enviada sucessivamente.

É o famoso e misterioso “anexo” ao qual se referia Capovilla. É o texto ainda não publicado, onde presumivelmente está a parte que mais assustava a Irmã Lúcia. A mesma parte que assustou João XXIII (e, antes dele, Pio XII) e que Roncalli decidiu não publicar porque – como advertia – poderia ser apenas um pensamento da Irmã Lúcia e não ter origem sobrenatural.

É uma parte tão explosiva que ainda se continua oficialmente a negar sua existência. E a abertura de Bento XVI em 2010, que levou também à publicação deste volume, hoje fechou-se novamente.

 

QUEM CALA… 

Prova disso é o que aconteceu com Solideo Paolini, o maior estudioso italiano de Fátima, que, vendo as páginas deste livro que lhe enviei, escreveu ao Carmelo de Coimbra, pedindo para poder consultar as duas obras inéditas, mencionadas no volume, considerando que ali existissem mais detalhes sobre a parte em segredo.

A carta chegou ao destino (testifica-o o recibo), mas não teve resposta. Então, Paolini escreveu de novo, entrando no mérito da questão e perguntando se a Irmã Lúcia tinha alguma vez esclarecido o “significado da visão” que do Alto lhe tinha sido dado compreender e que naquele 3 de janeiro evitou anotar, sob sugestão de Nossa Senhora: “nas obras que lhe pedi para consultar há alguma referencia a ‘algo a mais’, relativo ao Segredo de Fátima, que ainda hoje seja textualmente inédito?”.

A carta chegou em 6 de junho. Mas também esta não teve resposta. E, do mesmo modo, seria simples responder que “não”. Evidentemente, a resposta era “sim”, mas não pode ser dada, porque seria explosiva. Deste modo, calam.

Entretanto, a visão que acabo de citar remete a dois elementos que presumivelmente estariam contidos no texto inédito do Segredo: a profecia de uma terrível catástrofe para o mundo e uma grande apostasia e crise da Igreja. Uma prova apocalíptica, em cujo término – Nossa Senhora em pessoa o disse, em Fátima – “o meu Imaculado Coração triunfará”.

Bento XVI fez referência a este esperado “triunfo” em 2010: “Possam estes sete anos que nos separam do centenário das Aparições (2017) apressar o prenunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria, para a glória da Santíssima Trindade”.

Significa que hoje, em 2014, já entramos na prova assustadora? De fato, se lermos os jornais…

Antonio Socci

Em “Libero”, 17 de agosto de 2014

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8 janeiro, 2014

Carta de Irmã Lúcia sobre a terceira parte do segredo de Fátima exposta pela primeira vez.

Documento foi escrito em 1944 e enviado para o Vaticano em 1957. O conteúdo só foi revelado em 2000 e este ano o Santuário de Fátima teve autorização do Papa Francisco para expor pela primeira vez o manuscrito.

Público – Já fez investigação em arquivos em várias partes do mundo, mas passar a porta do Arquivo Secreto da Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, foi diferente. “É imponente, aquelas paredes espessas que nos fazem desejar lá entrar, sabendo nós que há todo um conjunto de reservas muito rigorosas para ter acesso a este arquivo e às suas especialidades”, conta a docente da Universidade de Coimbra (UC), Maria José Azevedo Santos, que terá sido a primeira mulher leiga a ter acesso, com objectivos de investigação científica, ao documento escrito pela irmã Lúcia sobre a terceira parte do segredo de Fátima. É esse manuscrito que está agora exposto pela primeira vez ao público em Fátima, numa mostra intitulada Segredo e Revelação.

Com o aproximar do centenário, em 2017, das chamadas aparições de Fátima (1917), o Santuário decidiu promover uma reflexão em torno da terceira parte do segredo. Para isso, pediu autorização ao Vaticano para trazer até Portugal, e expor publicamente, o documento escrito em Tui a 3 de Janeiro de1944, quando Lúcia ainda era religiosa de Santa Doroteia.

A exposição Segredo e Revelação, que pode ser visitada na zona da Reconciliação da Basílica da Santíssima Trindade, põe em destaque as três partes do chamado segredo de Fátima – A visão do inferno, O imaculado Coração de Maria, A Igreja mártir – e mostra pela primeira vez o manuscrito relativo à terceira parte do segredo, aquele que esteve mais tempo guardado e que demorou mais tempo a ser revelado. O documento foi escrito em 1944, deu entrada no Arquivo Secreto da Congregação para a Doutrina da Fé a 14 de Abril de 1957 e o conteúdo só foi revelado ao microfone em Fátima a 13 de Maio de 2000, na cerimónia de beatificação de Francisco e Jacinta. O fio condutor da exposição é a interpretação teológica do segredo feita pelo cardeal Joseph Ratzinger, agora Papa emérito Bento XVI.

Guardado por muito tempo, o documento terá saído poucas vezes do Vaticano. Uma das vezes foi a pedido do então Papa João Paulo II, quando ainda estava na Policliníca Gemelli, depois do atentado de que foi vítima a 13 de Maio de 1981. Outra das vezes terá sido em 2000 quando o então secretário da Congregação da Doutrina da Fé se encontrou com Lúcia, em Coimbra, levando-lhe a carta e pedindo-lhe que também confirmasse que era autêntica.

Foi a pedido da diocese de Leiria-Fátima que Maria José Azevedo Santos esteve, entre 4 e 8 de Setembro, no Vaticano com a missão de analisar e atestar, do ponto de vista científico, a autenticidade do documento. O Papa Francisco autorizou a ida da docente ao arquivo, a investigadora pegou no manuscrito “com luvas”, analisou-o e emitiu para já um parecer oral favorável: é o documento escrito por Lúcia e muito provavelmente terá sido redigido com uma pena de aparo metálico, a tinta azul, numa folha de papel de carta, de quatro páginas, de cor bege, pautado (16 linhas). Mais tarde, a investigadora nas áreas da História Medieval, Ciências Documentais, História da escrita e Arquivos Históricos, irá fazer um estudo aprofundado sobre a carta.

“Já fiz investigação em muitos arquivos da América, da África, nacionais, e já vi muitos documentos e devo dizer que o que senti ao passar aquela porta do arquivo jamais será apagado da minha memória”, diz a especialista em Paleografia e Diplomática medievais, modernas, latinas e portuguesas. Apesar de garantir que tal não interfere com o trabalho científico que lá foi fazer, a professora admite que o facto de ser católica contribuiu para aumentar “o sentimento e a responsabilidade”.

Carta fez “correr rios de tinta”

“Foi uma emoção singular exactamente porque se trata de um autógrafo [documento escrito na íntegra pelo autor] muito especial. Fala-se tanto em Património da Humanidade, aqui temos um exemplo sem ser declarado. Não é preciso declarar, este documento é património da Humanidade, não é dos católicos, não é dos ortodoxos, é da Humanidade”, defende a docente que pertence também à Comissão Histórica do processo de beatificação e canonização da irmã Lúcia.

Apesar de poder ter havido vigilantes e restauradores com eventual acesso ao documento, Maria José Azevedo Santos terá sido a primeira mulher leiga com a missão de o analisar: “Para os objectivos que me foram atribuídos, com este encargo de carácter científico fui realmente a primeira mulher leiga a ter acesso directo ao documento, isso é verdade”, diz a catedrática da faculdade de letras que já foi directora do arquivo da UC e, até hoje, também a única mulher a ocupar o cargo.

A exposição que pode ser visitada em Fátima inclui fotografias e outros documentos, como aquele que foi escrito também por Lúcia sobre as duas primeiras partes do segredo. Faz ainda alusão aos interrogatórios a que foram sujeitos Francisco, Jacinta e Lúcia, depois das alegadas aparições. Existe ainda referência a relatos e artigos da época sobre o fenómeno solar que terá ocorrido em Fátima a 13 Outubro de 1917.

Apesar de admitir que também é católico e que acredita na mensagem de Fátima, o comissário da exposição, Marco Daniel Duarte, doutorado em História de Arte pela UC e director do Museu do Santuário de Fátima, defende que o documento relativo à terceira parte do segredo “extrapola a dimensão religiosa, porque tudo o que é religioso faz parte da cultura humana e torna-se elemento ligado à cultura”: “É um dos documentos mais ansiados ao longo do século XX, é importante não só para o mundo católico mas culturalmente. Alguns preconceitos ideológicos podem levar à tendência de não dimensionar o valor que esta peça tem. Esta folha de papel fez correr rios de tinta ao longo do século XX”, defende. E acrescenta: “Como cientista social também me interessa perceber o que motiva, o que gera movimentos de massas. O debate ideológico nunca cessará e isso é lícito. O que não me parece lícito é desvalorizar o fenómeno, não o interpretando com as ferramentas que cada tempo tem”.

Mesmo Ratzinger, diz o comissário, com “o coração alemão e o rigor teológico” que lhe são conhecidos, “diz que Fátima tem algo de especial”: “O teólogo mais racional, ao olhar para este tema, converte-se”, nota.

De uma forma geral, a primeira parte do segredo descreve uma visão do inferno e a segunda pede “devoção” ao imaculado coração de Maria e a conversão dos regimes ateus, referindo-se em particular o caso da Rússia. A terceira parte descreve um “bispo vestido de branco” que é morto. Se João Paulo II pediu para ver o documento depois do atentado de que foi vítima e considerou que foi “uma mão materna que guiou a trajectória da bala” – hoje incrustada na coroa da imagem de nossa senhora de Fátima, na Capelinha das Aparições -, Ratzinger não pessoaliza a visão profética, estendendo-a antes a todos os papas. Inaugurada a 30 de Novembro, a exposição tem entrada livre e pode ser visitada até 31 de Outubro, todos os dias, das 9h às 19h. Até agora, já contou com 10.156 visitantes.

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