Posts tagged ‘Moral’

20 dezembro, 2016

Cardeal Burke defende signatários de ‘dubia’ em entrevista bombástica à EWTN.

Por LifeSiteNews – 16 de dezembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: No programa “The World Over with Raymond Arroyo” da última quinta-feira, o Cardeal Raymond Burke respondeu àqueles dentro da Igreja que estão criticando a ele e a outros três cardeais por pedirem esclarecimentos morais sobre Amoris Laetitia. Ele afirmou que os cardeais não estão criando divisão, mas “abordando” a divisão já existente dentro da Igreja. Ele também insiste que ele “nunca” fará parte de um cisma por defender a Fé Católica, e que ataques contra o matrimônio desestabilizam a Igreja e a sociedade.

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Cardeal Burke e Dom Athanasius Schneider na Marcha pela Vida, em Roma, 8 de maio de 2016.

Burke diretamente respondeu às afirmações feitas pelos colaboradores próximos do Papa, padre Antonio Spadaro e Cardeal Cristoph Schönborn, sobre Amoris Laetitia. Em particular, ele se referiu à declaração de Spadaro de que o Papa Francisco já respondeu ao dúbia dos quatro cardeais ao aprovar as diretrizes lançadas pelos bispos de Buenos Aires, que permitiram a Comunhão a divorciados recasados. Burke também respondeu à afirmação do Papa Francisco de que pessoas que são excessivamente “rígidas” quanto à defesa da doutrina sofrem de um tipo de “condição”.

Respondendo à afirmação de Spadaro de que Burke e os outros três cardeais estão tentando “potencializar” a divisão e tensão na Igreja, Burke disse, “de fato, estamos tentando tratar da divisão que já está muito potencializada, para usar a expressão dele”.

“Somente quando essas questões, que foram apresentadas segundo a maneira tradicional de resolver questões na Igreja, e que têm relação com matérias muito sérias, somente quando essas questões forem adequadamente respondidas a divisão será dissipada”, afirmou Burke. “Porém, como está acontecendo agora, na medida em que isso continuar, a divisão somente crescerá e, é claro, o fruto da divisão é o erro. E aqui estamos falando sobre a salvação das almas, pessoas levadas a erro em matérias que têm a ver com a sua salvação eterna. Então, o padre Spadaro está muitíssimo errado nessa afirmação”.

Burke declarou estar “muitíssimo ofendido” pela recente afirmação de padre Spadaro de que o Papa Francisco não responde a questões “binárias”.

“É o papel do papa, como pastor da Igreja universal, como guardião da unidade dos bispos e de todo o Corpo de Cristo, responder a essas questões”, disse Burke. “Sugerir que fazer essas questões é sinal de falta de sinceridade é profundamente ofensivo. Posso assegurar que, por mim, e conheço os outros cardeais envolvidos, nós nunca levantaríamos questões a menos que tivéssemos a mais profunda e sincera preocupação pela própria Igreja e por cada um dos fiéis”.

O Papa Francisco “deu sua própria opinião” sobre a Comunhão a divorciados recasados, mas “a questão só pode ser respondida em termos do que a Igreja sempre ensinou e praticou”, declarou Burke. “Não é uma questão de… alguma ideia especulativa que eu possa ter sobre como abordar essas questões, mas de como Cristo em sua Igreja trata essas questões?…. até que se dê essa resposta, nós permanecemos em um estado de confusão”.

Burke e Arroyo discutiram as aparentes incompatibilidades de Amoris Laetitia com trechos da exortação Familiaris Consortio do Papa S. João Paulo II e a afirmação de Schönborn de que se trata de uma “evolução” do ensinamento da Igreja.

“Não se pode ter um amadurecimento de um ensinamento que é uma ruptura com o próprio ensinamento, que é um rompimento com esse ensinamento”, disse Burke. “As afirmações do Cardeal Schönborn a esse respeito não refletem o que se chama de desenvolvimento doutrinal – em outras palavras, através da reflexão da Igreja ela aprofunda sua apreciação de um ensinamento e ajuda os fiéis a praticar esse ensinamento. Neste caso, trata-se de uma completa ruptura com o ensinamento da Igreja, um completo distanciamento em relação ao que a Igreja sempre ensinou e praticou. Um amadurecimento é algo orgânico, onde se vê que aquilo que a Igreja vem ensinando sobre o matrimônio agora é expresso com maior plenitude”.

Burke denunciou a “politização da Igreja” que ocorreu com os ataques aos quatro cardeais, através dos meios de comunicação, realizados pelos defensores de um relaxamento na prática da Igreja. Essa “politização” é “muito aumentada por todas essas formas de intervenção midiática, é muito prejudicial e estão causando um grande dano ao bem comum na Igreja”, afirmou.

“Eu percebo que um espírito mundano, um espírito terreno entrou na Igreja, que divide seus membros em vários campos: liberais e conservadores”, disse Burke, sendo esses últimos “os ‘fundamentalistas’, como alguns adoram aqueles de nós que estamos lutando para defender o ensinamento constante da Igreja”.

Burke também respondeu à recente entrevista de Dom Athanasius Schneider na qual ele explicou a “estranha forma de cisma” que se dá hoje na Igreja. Schneider enfatizou como “muitos eclesiásticos guardam uma unidade formal com o Papa, por vezes, para o bem de suas próprias carreiras e por uma espécie de papolatria”, mas, “ao mesmo tempo, romperam os laços com Cristo, a Verdade, e com Cristo, a verdadeira cabeça da Igreja”. Fizeram-no ao negar a verdade do matrimônio e ao aderir “a um evangelho da liberdade sexual” que rompe com o sexto mandamento, afirmou.

Burke falou do assunto na mesma linha de Schneider, explicando que os que defendem o ensinamento perene da Igreja são o contrário dos cismáticos.

“De minha parte, nunca serei parte de um cisma”, disse Burke. “Sou Católico Romano e defender a Fé Católica Romana não é a causa de me separar da Igreja. E, então, eu simplesmente pretendo continuar a defender a Fé por amor a Nosso Senhor e por seu Corpo Místico, por meus irmãos e irmãs na Igreja, e creio que os outros cardeais têm o mesmo espírito”.

Quando Arroyo questionou Burke sobre as afirmações do Papa Francisco de que pessoas que estão “meio que presas em sua ‘rigidez’ quanto a doutrina e, por outro lado…, sofrem de uma compulsão ou condição”, o Cardeal afirmou que os dúbia “não são reações de pessoas que sofrem de desordens emocionais”.

“Nossa apresentação de cinco perguntas é feita com grande serenidade e respeito”, disse. “Estarmos profundamente preocupados com a verdade da doutrina da Fé e sua integridade não é sinal de enfermidade”.

13 dezembro, 2016

Dom Athanasius Schneider – palavra final sobre ‘Amoris Laetitia’.

A seguinte palestra foi proferida por Sua Excelência Reverendíssima Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar de Astana, Cazaquistão, na Fundação Lepanto, em 5 de dezembro, e traduzida por Matthew Cullinan Hoffman de LifeSiteNews – tradução para o português de Rafael Ribeiro de Faria especialmente para FratresInUnum.com.

Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, Cazaquistão.

Dom Athanasius Schneider,..

ROMA, Itália, 9 de dezembro de 2016 — Quando Nosso Senhor Jesus Cristo pregou a verdade eterna dois mil anos atrás, a cultura, isto é, o espírito reinante daquele tempo, estava radicalmente oposto a Ele. Especificamente, havia o sincretismo religioso, o gnosticismo das elites intelectuais e a permissividade moral das massas, especialmente no que diz respeito à instituição do matrimônio. “Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não o reconheceu.” (João 1:10.)

A maioria do povo de Israel, em particular os sumos sacerdotes, os escribas e os Fariseus, rejeitaram o Magistério da divina revelação de Cristo e também a proclamação da indissolubilidade absoluta do matrimônio. “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”. (João 1:11). Toda a missão do Filho de Deus na Terra consistiu na revelação da Verdade: “É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo”. (João 18:37).

8 dezembro, 2016

Escândalo Internacional: Arquidiocese de Belo Horizonte professa a Ideologia de Gênero.

Por FratresInUnum.com: Publicamos abaixo a tradução da estarrecedora notícia veiculada pelo site espanhol InfoCatólica: a Arquidiocese de Belo Horizonte assume a ideologia de gênero em suas diretrizes pastorais.

Diz o texto do documento, encontrado no próprio site da arquidiocese:

O Matrimônio, no qual mulher e homem procuram, segundo a graça de Deus, corresponder ao mais profundo de sua vocação, tem valor para a Igreja e para a sociedade, e não restringe a compreensão da existência de outras configurações familiares, oriundas de situações sociais, culturais, econômicas e religiosas diversas. Compreende-se, então, que a família é a união das pessoas na consciência do amor, ‘cuja força […] reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar’, constituindo um núcleo fundamental das sociedades. Como Igreja doméstica, a família precisa ser, constantemente, valorizada nas suas particularidades e pluralidades, que enriquecem a Igreja. Por isso, devemos:

“Promover ações pastorais capazes de dialogar e de acolher todas as famílias, em suas mais diversas configurações, com respeito e zelo, a fim de que elas se sintam pertencentes, de fato, à comunidade que edificam com seu testemunho de amor. Cuide-se para que essa perspectiva inclua, também, os casais de novas uniões, os casais de não casados na Igreja, os divorciados, ofertando a todas essas famílias qualificado serviço de acolhimento. Atente-se para que, nesse mesmo horizonte, sejam acompanhadas as pessoas em suas diferentes IDENTIDADES SEXUAIS (gays, transexuais, lésbicas, travestis, transgêneros e bissexuais)”.

“Outras configurações familiares”? “Identidade sexual”? “Transgêneros”? Conceitos forjados pelos autores da conhecidíssima “ideologia de gênero”.

Como assim?… A Arquidiocese de Belo Horizonte está jogando no lixo todo o trabalho do laicato católico contra a “ideologia de gênero” e a favor da família natural realizado heroicamente no último ano? Está se colocando ao lado de todos os inimigos da Igreja e da família, subscrevendo a sua ideologia?

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Dom Walmor, Arcebispo de Belo Horizonte: portas escancaradas ao lobby gay.

Pois bem, a Arquidiocese de Belo Horizonte, pelo jeito, parece que resolveu aderir abertamente à ideologia de gênero. Mera ignorância ou pura malícia? Parece que a última alternativa é a verdadeira, por que isso não é de hoje, nem por acaso, mas com todo conhecimento de causa.

Como já noticiamos anteriormente, a própria PUC-BH realizou um evento para promover a ideologia de gênero, e em suas versões mais radicais, em que se fala, inclusive, de “heterossexualidade forçada” (sic!).

Ademais, através de uma portaria assinada por seu reitor, o bispo Dom Joaquim Mól (ele mesmo, aquele que fez o “grito da menina-moça”, num trio-elétrico da CUT), a PUC-BH aderiu à política do “nome social” para os alunos trans (sic!), como efusivamente noticiou o site GuiaGay.

Algumas perguntas inquietantes:


– Por que o Sr. Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo é, assim, tão complacente com o lobby gay, a ponto de colocar explicitamente no Plano de Pastoral de sua Arquidiocese algo tão escandalizante e clamoroso?

(Se algum leitor tiver alguma resposta para essa nossa intrigante dúvida, por favor, não deixe de nos enviá-la).

– Onde está o Sr. Núncio Apostólico, Dom Giovanni D’Aniello, que não tem tempo de ver essas coisas, mas teve tempo para perseguir Dom Aldo Pagotto, obrigado-o a renunciar por razões que ele mesmo desconhece? As acusações contra Dom Aldo foram bastante desacreditadas, mas, mesmo que fossem verdadeiras, nem chegam perto desse abuso: usar a Igreja para a difusão dessa ideologia!

O Sr. Núncio vai agir ou vai esperar que as acusações cheguem à Santa Sé? O Sr. concorda com isso, Sr. Núncio?

Não deixe de expressar sua perplexidade às autoridades competentes:

NUNCIATURA APOSTÓLICA

Excelência Reverendíssima Dom Giovanni D’Aniello, Núncio Apostólico
Av. das Nações, Quadra 801 Lt. 01/ CEP 70401-900 Brasília – DF
Cx. Postal 0153 Cep 70359-916 Brasília – DF
Fones: (61) 3223 – 0794 ou 3223-0916
Fax: (61) 3224 – 9365
E-mail: nunapost@solar.com.br

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SECRETARIA DE ESTADO DA SANTA SÉ:

Eminência Reverendíssima Dom Pietro Parolin
Palazzo Apostolico Vaticano
00120 Città Del Vaticano – ROMA
Tel. 06.6988-3438 Fax: 06.6988-5088
1ª Seção Tel. 06.6988-3014
2ª Seção Tel. 06.6988-5364
e-mail: vati026@relstat-segstat.vavati023@genaff-segstat.va ; vati032@relstat-segstat.va

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CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

Eminência Reverendíssima Dom Gerhard Ludwig Müller
Palazzo del Sant’Uffizio, 00120 Città del Vaticano
E-mail: cdf@cfaith.va – Tel. 06.6988-3438 Fax: 06.6988-5088

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CONGREGAÇÃO PARA O CLERO

Eminência Reverendíssima Dom Beniamino Stella
Piazza Pio XII, 3 00193 – Città del Vaticano – ROMA
Tel: (003906) 69884151, fax: (003906) 69884845
Email: clero@cclergy.va (Secretário)

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SUPREMO TRIBUNAL DA ASSINATURA APOSTÓLICA

Excelência Reverendíssima Dom Dominique Mamberti
Piazza della Cancelleria, 1 – 00186 ROMA
Tel. 06.6988-7520 Fax: 06.6988-7553

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A Arquidiocese de Belo Horizonte adota a ideologia de gênero em suas diretrizes pastorais

A Arquidiocese de Belo Horizonte recorreu, em suas diretrizes pastorais para os próximos cinco anos, à tese da ideologia de gênero ao abordar seus compromissos de atenção à família.

Por InfoCatolica Brasil | Tradução: FratresInUnum.com: O livreto “Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra” relativiza a compreensão da instituição familiar, abrindo-a à configurações diferentes da configuração natural, e sugere que as pessoas possam ter “identidades sexuais” que não correspondam com aquelas às quais nasceram.

O texto, de 31 páginas, apresenta dez prioridades pastorais e especifica as diretrizes que serão desenvolvidas pelas diversas instâncias eclesiais da arquidiocese. Quatro parágrafos abordam o compromisso pastoral com a família e neles estão presentes afirmações que adotam a perspectiva da chamada ideologia de gênero.

Um dos parágrafos explica que “O Matrimônio, no qual mulher e homem procuram, segundo a graça de Deus, corresponder ao mais profundo de sua vocação, tem valor para a Igreja e para a sociedade, e não restringe a compreensão da existência de outras configurações familiares, oriundas de situações sociais, culturais, econômicas e religiosas diversas”.

Em seguida afirma que “Compreende-se, então, que a família é a união das pessoas na consciência do amor, ‘cuja força […] reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar'”

Ao definir a família como simples união de pessoas no amor e omitir que esta surge da união conjugal de um homem e uma mulher o documento aponta para uma interpretação muito mais ampla da instituição familiar e a relativiza, no mesmo sentido que propõe Judith Butler.

A professora do departamento de retórica e literatura comparada da Universidade da Califórnia, em Berkeley, aponta em uma entrevista ao periódico argentino Página 12 que “deve-se distinguir família de parentesco […] estas instituições devem abrir-se a mundos mais amplos, não é necessário estarem unidos por sangue ou pelo matrimônio para que sejam essenciais uns para os outros”

Manipulação do ponto 53 de Amoris Laetitia

Na definição de família oferecida no documento da arquidiocese faz-se referência, como se fosse fundamento, ao número 53 da exortação apostólica Amoris Laetitia.

Entretanto, ao recorrer ao texto pode-se constatar que há uma evidente tegiversação das palavras do Pontífice. O número 53 afirma que “Avança, em muitos países, uma desconstrução jurídica da família, que tende a adoptar formas baseadas quase exclusivamente no paradigma da autonomia da vontade.”

Também indica a necessidade de não depreciar o verdadeiro sentido do matrimônio, pois “A força da família «reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar”. Portanto, as palavras citadas entre aspas nas diretrizes diocesanas estão claramente fora do contexto em que foram originalmente apresentadas.

Outro parágrafo aborda a necessidade de acolher todas as famílias “em suas mais diversas configurações, com respeito e zelo, a fim de que elas se sintam pertencentes, de fato, à comunidade”

Orienta-se que nesta perspectiva incluam-se os divorciados em uma nova união civil, os que não estão casados na Igreja e os divorciados oferecendo-lhes um “qualificado serviço de acolhimento”. Até aqui as orientações de acolhida estão em consonância com a atitude solicitada pelo Papa Francisco de acolher e acompanhar aqueles que estão feridos.

Porém, a última linha do parágrafo afirma “Atente-se para que, nesse mesmo horizonte, sejam acompanhadas as pessoas em suas diferentes identidades sexuais (gays, transexuais, lésbicas, travestis, transgêneros e bissexuais)”.

Esta frase adota de forma plena, sem utilizar o termo gênero, a perspectiva ideológica da “gender theory” ao utilizar o conceito de “identidade sexual” como passível de diversas variantes das entidades feminina e masculina.

Também não utiliza o termo “tendência sexual” ou “orientação sexual”, que possibilita entender que não devem ser excluídos de acompanhamento pastoral as pessoas que experimentam atração por pessoas do mesmo sexo.

Fala-se de “identidades sexuais” elencando, entre as possibilidades, o “transgênero”. Como é sabido, isto se refere a pessoas que afirmam ter uma identidade que não corresponde ao sexo biológico. Exatamente um dos aspectos essenciais da ideologia de gênero, que até leva à reivindicação do reconhecimento de um “nome social”.

Apesar disso, na carta de apresentação do documento, o arcebispo de Belo Horizonte, Mons. Walmos Oliveira de Azevedo, afirma que o foco, eixo e ponto de partida para a evangelização em sua diocese é “proclamar a Palavra de Deus”.

Nas primeiras páginas do documento adverte que se assumiu um novo paradigma pastoral desenhado sobre os pilares da eclesiologia “resgatada” pelo Concílio Vaticano II:

“O Concílio elaborou a compreensão da Igreja como Povo de Deus, que dialoga com a sociedade […], distanciando-se do eclesiocentrismo medieval, do clericalismo e da romanização do catolicismo tridentino, assumindo, assim, uma eclesiologia de comunhão”

O “Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra”, aprovado pelo Arcebispo de Belo Horizonte e que leva como data de publicação a 8 de Dezembro, pode ser lido na página da web da arquidiocese.

Os parágrafos destacados que abordam o compromisso com a família estão nas páginas 18 e 19.

De acordo com o arcebispado, o documento em questão é a síntese das contribuições oferecidas pelo clero aos fiéis em um amplo processo de consulta denominado 5a Assembléia do Povo de Deus.

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7 dezembro, 2016

J’Accuse!

Por Dom Orani João Cardeal Tempesta – Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro

O título acima está em francês e não é novo. Vem ele de 13 de janeiro de 1898 quando Emile Zola publicou na primeira página do jornal L’Aurora o artigo que traduzido para o português quer dizer “Eu acuso!”. Sim, em forma de carta ao presidente francês Felix Faure, Zola acusa a todos os que defenderam Dreyfus. Afinal, a sociedade francesa e a de outros países esperava uma condenação desse senhor por crimes de guerra, mas o tribunal arbitrariamente inocentara um verdadeiro culpado.

Pois bem, no dia 29 de novembro próximo passado, recebemos consternados, pela imprensa, a notícia segundo a qual a maioria da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que um aborto cometido até o 3º mês de gestação não é crime, inocentando uma clínica clandestina de aborto. Uma violência cometida num estado tão cheio de violência! Isso poderá dar a outros juízes base para agirem de igual modo em suas respectivas Comarcas. Seria como dizer “Eu acuso, ao menos potencialmente, com pena de morte todos os nascituros inocentes e indefesos no ventre materno, caso alguém decida matá-los antes dos três meses de gestação”. Porém nesta semana, no próximo dia 7 de dezembro, poderá ainda o STF julgar (está na pauta) o caso de das crianças por nascer de mães que se contaminaram com algumas doenças. Querem também condenar à morte essas crianças. Como trabalhar pela paz em nosso país com tantas situações violentas condenando inocentes?

Aqui começam as nossas reflexões – jurídicas, biológicas e morais – junto aos nossos prezados(as) irmãos(as) a respeito desse tema tão polêmico por várias razões que tentaremos aclarar abaixo, a fim de que todos possam melhor entendê-lo a contento e, dentro da lei e da ordem, reagir. Tal medida descabida e inconstitucional há de ser frustrada pelos nossos nobres legisladores eleitos com o voto do povo, cuja esmagadora maioria é a favor da vida e contra o homicídio no ventre materno.

Com essa ação do STF, agindo em contrário à Constituição Federal que a todos garante o direito à vida como cláusula pétrea (art. 5º caput), caímos em uma tremenda insegurança jurídica, pois a Corte Suprema se dá o direito não só de legislar – papel exclusivo do Poder Legislativo, como bem lembrou o presidente da Câmara dos Deputados – mas até de reformar ou deformar a Constituição. Para onde iremos?

Isso, aliás, há alguns anos, já preocupava o renomado jurista Dr. Ives Gandra da Silva Martins ao escrever o seguinte: “Pela Lei Maior brasileira, a Suprema Corte é a ‘guardiã da Constituição’ – e não uma ‘Constituinte derivada’”. No entanto, no Brasil, não tem faltado coragem para que o Supremo legisle no lugar do Congresso Nacional, mas isso é preocupante, diz o Dr. Ives. E o que o assusta? – “A questão que me preocupa é este ativismo judicial, que leva a permitir que um Tribunal eleito por uma pessoa só substitua o Congresso Nacional, eleito por 130 milhões de brasileiros, sob a alegação de que além de Poder Judiciário, é também Poder Legislativo, sempre que imaginar que o Legislativo deixou de cumprir as suas funções. Uma democracia em que a tripartição de poderes não se faça nítida, deixando de caber ao Legislativo legislar, ao Executivo executar e ao Judiciário julgar, corre o risco de se tornar ditadura, se o Judiciário, dilacerando a Constituição, se atribua poder de invadir as funções de outro. E, no caso do Brasil, nitidamente  o constituinte não deu ao Judiciário tal função”.

Que poderia o Congresso Nacional fazer no caso? – Poderia tomar a decisão, baseada no artigo 49, inciso XI, da CF, que lhe permite sustar qualquer invasão de seus poderes por outro poder, (artigo 142 “caput”) para garantir-se nas funções usurpadas. (http://anajus.jusbrasil.com.br/noticias/2687189, acessado em 30/11/16). É de se esperar que o Congresso Nacional não desaponte a milhões de brasileiros defensores da vida.

Não obstante a isso, há quem diga – erroneamente, é claro –, que o aborto no Brasil é legal em dois casos: (I) quando não há outro meio – que não o aborto – para salvar a vida da gestante; e (II) quando a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido do consentimento da gestante. Isso, porém, não é real. O que o Código Penal textualmente diz é o seguinte: em duas hipóteses o crime do aborto “não se pune”: “Art. 128 – Não se pune o aborto praticado por médico: I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante; II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal”.

Portanto, o crime permanece, apenas há a chamada escusa absolutória, ou seja, a lei deixa de ser aplicada ao errante, tal como é o caso de um filho que furta os pais (art. 181, Código Penal) ou de uma mãe que esconde seu filho malfeitor da polícia (art. 348, § 2º, Código Penal). Sempre há o crime, porém não se aplica a punição da lei. Aliás, se uma lei brasileira infraconstitucional autorizasse o aborto estaria fulminada de inconstitucionalidade e não teria valor algum frente à Constituição Federal.

Cabe, no entanto, dizer uma palavra ainda sobre a razão pela qual os casos de abortos vão parar no Judiciário. E fazemo-lo a partir de declarações insuspeitas de uma das grandes defensoras do aborto na Colômbia, a advogada Mónica Roa. Diz ela que os defensores do homicídio no ventre materno usaram de três diferentes técnicas para implantar o aborto naquele país. Primeiro fugiram do debate moral e religioso levando o caso para o campo da saúde pública e da ideologia de gênero. Mesmo mudando de foco nunca era demais recordar o que segue: “deixe a Igreja fora, ela tem argumentos irrefutáveis. Para ganhar a batalha é preciso tirar a Igreja da jogada” (cf. Alfredo Mac Hale inPe. David Francisquini. Catecismo contra o aborto: porque devo defender a vida humana. São Paulo: Artpress, 2009, p. 61).

No âmbito legislativo, cinco ou seis projetos de lei tinham fracassado – os políticos têm medo de perder votos dos fiéis participantes das Missas nos finais de semana, sobretudo se os Bispos forem firmes na defesa do Evangelho da vida. Levou-se, então, o caso à Suprema Corte colombiana e lá conseguiram seu intento (idem, p. 71-73).

Questiona-se, no entanto, que provas temos de que há vida desde a concepção? – perguntam alguns. A prova da Ciência, da própria Lógica ou do próprio bom-senso humano. Vejamos isso com base no livro A favor da vida a ser publicado em breve: A maneira mais simples (e óbvia) de provar que o nascituro é vivo se dá mediante a seguinte observação: o óvulo da mulher e o espermatozoide do homem são células vivas e se unem dando origem a um ser vivo da mesma espécie humana.

A prova de que há vida é que essas duas células, logo que se fundem (é uma nova vida), se reorganizam, crescem e continuam a ter todas as propriedades de uma célula viva. Portanto, contra a tese abortista, o bebê está vivo. Ele não é nem morto (se fosse morto, o organismo feminino o expeliria pelo aborto espontâneo ou daria sinais de mal-estar e levaria a mulher a buscar ajuda médica) e nem é inanimado/inorgânico (se fosse, nunca poderia nascer vivo).

Mais: um ser morto ou inanimado não realiza divisão celular. Ora, os bebês, além de nadarem e se locomoverem no útero da mãe vivenciam uma taxa bem alta de divisão celular (41 das 45 divisões que ocorrem na vida de um indivíduo). Por tudo isso que acabamos de expor, vê-se que o bebê é um ser vivo e defender o aborto é promover o homicídio.

O renomado geneticista francês Jérôme Lejeune, que muito trabalhou com os portadores da Síndrome de Down, depois de ter ele mesmo descoberto que essa síndrome era causada por um cromossomo a mais na pessoa especial, declarou com todas as letras e mais de uma vez o seguinte: “Não quero repetir o óbvio. Mas, na verdade, a vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos transportados pelo espermatozoide se encontram com os 23 cromossomos da mulher [no óvulo], todos os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco do início da vida. Daí para a frente qualquer método artificial para destruí-la é um assassinato” (Pergunte e Responderemos n. 485, nov. 2002, p. 462-468).

Lejeune fala mais: “A vida tem uma longa história, mas cada um de nós tem um início muito preciso, que é o momento da concepção. A vida começa no momento em que toda a informação necessária e suficiente se encontra reunida para definir o novo ser. Portanto, ela começa exatamente no momento em que toda a informação trazida pelo espermatozoide é reunida à informação trazida pelo óvulo. Desde a penetração do espermatozoide se encontra realizado o novo ser. Não um homem teórico, mas já aquele que mais tarde chamarão de Pedro, de Paulo, de Tereza ou de Madalena.”

“Se o ser humano não começa por ocasião da fecundação, jamais começará. Pois de onde lhe viria uma nova informação? O bebê de proveta o demonstra. Aceitar o fato de que, após a fecundação, um novo ser humano chegou à existência já não é questão de gosto ou de opinião.”

Sobre o aborto, o geneticista francês diz que “em nossos dias, o embrião é tratado como o escravo antes do Cristianismo; podiam vendê-lo, podiam matá-lo… O pequeno ser humano, aquele que traz toda a esperança da vida, torna-se comparável ao escravo de outrora. Uma sociedade que mata seus filhos perdeu, ao mesmo tempo, sua alma e sua esperança” (E. Bettencourt. Problemas de Fé e Moral. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2007, p. 176).

Por fim, o questionamento é: que deve o fiel católico fazer ante essa dramática situação? – Duas atitudes são básicas: 1) Organizar-se dentro da lei e da ordem a fim de incentivar os congressistas a defenderem a vida e não a morte, sustando os efeitos do STF na pretensão de legislar, e ainda movimentar para que no próximo dia 7 de dezembro não se comenta outro crime contra as crianças e contra a constituição brasileira; 2) A quem trabalha diretamente na área da saúde toca o grave dever da objeção de consciência frente a ordens que mandem executar o homicídio de um ser humano indefeso e inocente no ventre materno, conforme ensinou o Papa São João Paulo II na Encíclica Evangelium Vitae: “73. O aborto e a eutanásia são, portanto, crimes que nenhuma lei humana pode pretender legitimar. Leis deste tipo não só não criam obrigação alguma para a consciência, como, ao contrário, geram uma grave e precisa obrigação de opor-se a elas através da objeção de consciência. Desde os princípios da Igreja, a pregação apostólica inculcou nos cristãos o dever de obedecer às autoridades públicas legitimamente constituídas (cf. Rm 13,1-7; 1 Ped 2,13-14), mas, ao mesmo tempo, advertiu firmemente que ‘importa mais obedecer a Deus do que aos homens’ (At 5,29)”.

“74. Recusar a própria participação para cometer uma injustiça é não só um dever moral, mas também um direito humano basilar. Se assim não fosse, a pessoa seria constrangida a cumprir uma ação intrinsecamente incompatível com a sua dignidade e, desse modo, ficaria radicalmente comprometida a sua própria liberdade, cujo autêntico sentido e fim reside na orientação para a verdade e o bem. Trata-se, pois, de um direito essencial que, precisamente como tal, deveria estar previsto e protegido pela própria lei civil. Nesse sentido, a possibilidade de se recusar a participar na fase consultiva, preparatória e executiva de semelhantes atos contra a vida, deveria ser assegurada aos médicos, aos outros profissionais da saúde e aos responsáveis pelos hospitais, clínicas e casas de saúde. Quem recorre à objeção de consciência deve ser salvaguardado não apenas de sanções penais, mas ainda de qualquer dano no plano legal, disciplinar, econômico e profissional.”

Com essas palavras exorto a todos os diocesanos e demais pessoas de boa vontade a quem este escrito chegar para que não se entreguem à cultura da morte, não se conformem com esse descaminho em nossa querida pátria já tão cheia de violências, mas vençam a morte com a Vida que é o próprio Cristo Jesus, Nosso Senhor.

21 novembro, 2016

Misericordia et Misera: nova Carta Apostólica de Francisco.

Íntegra no site do Vaticano da Carta Apostólica para o encerramento do Ano da Misericórdia.

Sobre a FSSPX, dispõe o Papa Francisco:

No Ano do Jubileu, aos fiéis que por variados motivos frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, tinha-lhes concedido receber válida e licitamente a absolvição sacramental dos seus pecados.[16] Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunhão na Igreja Católica, estabeleço por minha própria decisão de estender esta faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto, a fim de que a ninguém falte jamais o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja.

A seguir, matéria da agência Ecclesia, da Conferência Episcopal de Portugal:

Igreja/Aborto: Papa decide alargar faculdade de absolvição a todos os sacerdotes

Decisão tomada no Jubileu da Misericórdia ganha agora caráter definitivo

Cidade do Vaticano, 21 nov 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco anunciou hoje a decisão de alargar definitivamente a faculdade de absolvição de quem praticou o aborto a todos os sacerdotes, mantendo assim a prática do Ano Jubilar da Misericórdia que se concluiu este domingo.

“Para que nenhum obstáculo exista entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto”, escreve, no número 12 da carta apostólica ‘Misericórdia e Mísera’, divulgada esta manhã pelo Vaticano.

Francisco precisa que aquilo que concedera a todos os padres, de forma limitada ao período jubilar, fica agora “alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário”.

“Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai”, explica.

O Papa espera que os sacerdotes católicos sejam “guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação”.

A prática do aborto implica, segundo o Direito Canónico, a excomunhão ‘latae sententiae’ (automática), exigindo até agora a confissão ao bispo (ou os padres a quem o bispo desse essa faculdade) para a remissão da pena.

Francisco decidiu ainda manter o serviço dos “Missionários da Misericórdia”, mais de mil sacerdotes de vários países, incluindo Portugal, que foram enviados no ano santo extraordinário (dezembro 2015-novembro 2016) para promover o perdão dos pecados.

“Desejo que permaneça ainda, até novas ordens, como sinal concreto de que a graça do Jubileu continua a ser viva e eficaz nas várias partes do mundo”, adianta o Papa.

A carta anuncia também que os fiéis que assim o desejarem podem continuar a confessar-se nas igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, um gesto explicado com o desejo de restabelecer “a plena comunhão na Igreja Católica”.

O pontífice argentino pede a todos os padres que se preparem com “grande cuidado” para o ministério da Confissão, acolhendo cada pessoa com misericórdia e comunicando o amor de Deus.

“Isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exceção, em qualquer situação que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus”, escreve.

Francisco deseja uma redescoberta do “ministério da reconciliação”, particularmente valorizada em iniciativas como as ‘24 horas para o Senhor’, na Quaresma.

“Que a ninguém sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai que espera o seu regresso e, ao mesmo tempo, a todos seja oferecida a possibilidade de experimentar a força libertadora do perdão”, apela.

A nova carta apostólica propõe ainda iniciativas para a valorização da Bíblia na vida dos católicos, sugerindo às comunidades que escolham um domingo do ano litúrgico para “renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura”.

‘Misericordia et misera’ foi assinada publicamente este domingo, na Praça de São Pedro, após o final da Missa que encerrou o Jubileu da Misericórdia, 29.º Ano Santo na história da Igreja Católica.

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28 outubro, 2016

Terremoto na Academia Pontifícia para a Vida. Com uma limpeza dos Não-Alinhados.

Por Sandro Magister, 26 de outubro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Conforme anunciado no dia 13 de outubro pelo blog Settimo Cielo, amanhã não será o cardeal Robert Sarah a inaugurar o novo ano acadêmico do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família.

paglia1O discurso de abertura será proferido pelo próprio Papa Francisco. Mas ele não se dirigirá até a Pontifícia Universidade Lateranense, e sim receberá os membros do instituto na Sala Clementina do Vaticano, às 11 da manhã.

A mudança dramática de pessoa foi lida por todos como o início oficial de um novo rumo para o instituto, agora mais em linha com a “abertura” de Jorge Mario Bergoglio e, a pedido de seu novo grão-chanceler, que desde meados de agosto é Dom Vincenzo Paglia.

Enquanto isso, na adjacente Pontifícia Academia para a Vida, também entregue pelo Papa aos cuidados de Dom Paglia, a limpeza dos membros não-alinhados já é visível.

Nos termos dos artigos 5º § 2 dos estatutos, os membros ordinários, todos nomeados pelo Papa, e quase todos nomeados por João Paulo II, ficam no cargo continuamente até completarem 80 anos. São, portanto, irremovíveis. Mas, Dom Paglia já obteve do Papa Francisco o sinal verde para mudar o estatuto, reduzindo a 5 anos ou pouco mais que isso o mandato, como já ocorre com os chamados membros “correspondentes”. Ele está se preparando para fazer com que a nova norma tenha efeito retroativo.

Entre os acadêmicos de renome que correm o risco de expulsão estão, por exemplo, o austríaco Josef Maria Seifert e o inglês Luke Gormally, ambos culpados de terem feito críticas radicais à exortação pós-sinodal “Amoris laetitia”.

Entre os cardeais membros estão na mira Carlo Caffara, que também foi o primeiro presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, e Willem Jacobus Eijk, que é arcebispo de Utrecht e Presidente da Conferência Episcopal Holandesa, mas que também é um médico e teólogo moralista de valor, culpado também de criticar a “Amoris laetitia” e talvez mais ainda por ter assinado a famosa carta dos treze cardeais que tanto  irritou Papa Francisco no início do último sínodo.

Inseguros também estão os membros mais comprometidos com os movimentos pró-vida, começando pela batalhadora Guatemalteca-americana Maria de Mercedes Arzu Wilson, de quem se recorda uma áspera polêmica com Dom Rino Fisichella, então presidente da Pontifícia Academia para a Vida, por causa de um artigo escrito por ele no “L’Osservatore Romano” muito compreensivo com relação ao caso de um aborto feito por uma adolescente e mãe solteira brasileira.

Um destino diferente, ou seja, a reconfirmação, está prevista para outros membros da academia se estes forem cientificamente qualificados, mas que sustentam posições – em matéria de bioética – não exatamente de acordo com o ensinamento da Igreja, pelo menos o de antigamente.

Um deles é, por exemplo, Felice Petraglia de Siena, ginecologista e editor-chefe da revista internacional “Human Reproduction Update”, fundada por Robert Edwards, um dos pais da fertilização em tubo de proveta e membro do órgão oficial da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, que apoia a fertilização “in vitro”, o diagnóstico e seleção genética de embriões, pílulas abortivas e outros semelhantes.

E outro é o ginecologista francês Charles Chapron, um amigo de Petraglia, membro de várias sociedades internacionais de obstetrícia e ginecologia, também favorável ao anterior em tudo, e que no entanto foi admitido como membro correspondente da Academia.

Um estratagema no qual Paglia está trabalhando, para associar membros desse naipe à Academia Pontifícia para a Vida e para incluir outros nos próximos anos, seria o mesmo que eliminar do estatuto o que está disposto nos art. 5 § 4º, alínea b:

“Os novos acadêmicos são convidados a subscrever a Declaração dos Servidores da Vida, com os quais se comprometem a promover e defender os princípios sobre o valor da vida e da dignidade da pessoa humana, interpretados de modo consistente com o Magistério da Igreja”.

Com isso, estaria aplainado o caminho para convidar a fazer parte da Academia Pontifícia para a Vida também Angelo Vescovi, muito ligado a Paglia desde quando ele era bispo de Terni e ajudou-o a estabelecer na cidade a sede central sua criação, a Fundação de células-tronco. Angelo Vescovi não é Católico e participou da campanha do plebiscito de 2005 para defender a lei 40, fortemente desejada pelo Cardeal Camillo Ruini. Mas, fora isso, ele nunca se destacou na defesa pública da vida humana nos círculos científicos dos quais ele é membro. Além do mais, é conhecida a sua posição ambígua sobre as questões de células-tronco embrionárias.

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29 setembro, 2016

Continua a consulta pública no site do Senado sobre o aborto – Vote contra!

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Vote CONTRA a pertinência do projeto aqui.

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16 abril, 2016

Sobre o divórcio, eram exatamente os fariseus que decidiam “caso por caso”.

Por Francesco Agnoli – La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: FratresInUnum.com: Frequentemente se lê, nos dias de hoje, que, entre os defensores da indissolubilidade do matrimônio estariam muitos fariseus que escolhem uma posição muito “rigorosa” porque são contrários à misericórdia ou porque gostariam de afirmar uma superioridade moral sobre o próximo, fechando, assim, a porta. A Igreja “aberta” seria, portanto, uma igreja que rejeita o legalismo hipócrita dos fariseus e estabelece uma nova visão da misericórdia e, no caso do casamento, uma nova visão da fidelidade e do adultério.

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Os fariseus

Certamente que pode haver, entre os que se apresentam como defensores da verdade, alguns fariseus. A verdade pode, de fato, tornar-se um ídolo e um cassetete para usar contra os outros. Mas isso não ocorre quando quem a defende o faz com amor, primeiro para consigo mesmo, e porque acredita que ela deve ser testemunhada e anunciada com humildade e para o bem de todos (não como um privilégio ou como uma fonte de orgulho). Mas, deixando de lado os julgamentos, muitas vezes temerários, sobre os motivos que moveram muitos padres no Sínodo a manter a doutrina tradicional diante das teses de alguns membros do episcopado da Europa do Norte, é importante voltar ao Evangelho, e observar realmente o comportamento dos fariseus.

Será que ali os encontramos intencionados a defender, em nome da lei, a indissolubilidade do casamento, tão claramente anunciada por Cristo?

Não, ocorre exatamente o oposto.

Os fariseus são os ferrenhos opositores da doutrina evangélica sobre o matrimônio. São eles que se aproximam de Jesus tentando desafiar sua clareza ao perguntar-lhe “se é lícito repudiar a esposa por qualquer motivo” (Mateus 19.3). Porque segundo a lei de Moisés, de fato, era concedido ao homem o direito de repúdio mediante uma carta de divórcio, dando a ele a permissão de se casar novamente. Jesus, por sua vez, não entra na casuística rabínica, não fica perdido nos “casos individuais”. Ele, que mais do que ninguém conhece caso a caso e os julga com misericórdia, não faz outra coisa senão recordar-lhes que  “no princípio não era assim”, que Moisés “por causa de sua dureza de vossos corações concedeu-lhes repudiar suas esposas” e que o plano original de Deus é que o casal se torne “uma só carne”.

“O que Deus uniu”, afirma Jesus, sabendo que a sua palavra será dura e difícil de entender, “o homem não separe”. E assim é encerrada de uma vez por todas a lei de Moisés que havia gerado uma grande casuística (deixava ao discernimento dos rabinos sobre qual seria a lista de possíveis causas de repúdio), e é anunciada  a nova lei do amor. “Terminada a lição aos fariseus”, escreve Joseph Ricciotti, em sua obra “Vida de Jesus”, “os discípulos voltam novamente à questão dolorosa da esposa, interrogando Jesus privadamente em casa”. Sim, a indissolubilidade realmente não era do agrado de nenhum deles, mas Jesus não encontra palavras diferentes, menos claras, mais flexíveis para evitar que alguém exclamasse: “Se, portanto, é assim a condição do homem em relação à sua esposa, não convém nem mesmo se casar” .

Se tudo isso é verdade, para um católico resta apenas uma possibilidade: reconhecer que o adultério e o estudo de caso a caso, amado pelos fariseus, não têm lugar na visão evangélica, da qual a doutrina tradicional é simplesmente uma transcrição, porque pertence ao reino da lei, a mesma lei que os fariseus sempre deturparam para atacar Jesus.

A única lei de Cristo, no entanto, é o amor, assim como Deus o quis desde o princípio. Este amor, e aqui está o escândalo para todos, mesmo para os discípulos, contempla até a presença da cruz. E é por isso que na visão do mundo e na de muitos homens da Igreja a “boa nova” parece muito dura. Por isso gostariam de introduzir a exceção, a casuística, em uma religião em que Deus vai às últimas consequências com sua lealdade e seu amor, até o ponto de ser acusado de violar a lei de Moisés para ser crucificado, porque Ele diz coisas incompreensíveis e não quer diluí-las.

Cristo manifesta assim a sua misericórdia: não fazendo concessões às exigências dos fariseus, nem às dos apóstolos (alguns dos quais são casados e não estão felizes de ver tolhida a possibilidade tradicional de repúdio), ou para os ajustes que fariam diminuir o número de seus inimigos, mas dando todo o seu coração para a humanidade (misericórdia deriva literalmente de  miseris cor dare: dar o coração aos pobres): a fim de que os homens aprendam a doar-se a seus entes queridos, seus filhos, sua esposa, seus próprios amigos. Se os cristãos anunciam a possibilidade de um amor assim, eles não anunciam uma lei, mas o próprio amor de Cristo.

E para aqueles que repetem que o amor indissolúvel é um anúncio irrealista no Ocidente de hoje, recordem-se, primeiro, que nem tampouco parecia realista há dois mil anos quando o divórcio e o repúdio no Império Romano eram a norma, e em segundo lugar, que Cristo não é Maquiavel. Ele não veio para explicar-nos a “realidade real”, ou para nos recordar de como o homem é fraco e frágil (isso qualquer um chega por si só), mas para nos indicar as alturas da santidade, o caminho para felicidade. Ele veio para nos dizer: “Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:48).  Será que ele também estava voando alto demais?  Qualquer anúncio que não lembre ao homem sua filiação com Deus e essa possibilidade de grandeza e amor total é um anúncio humano, demasiado humano. Não é a “boa nova”.

8 março, 2016

A traição histórica dos “católicos”.

Por Roberto de Mattei | Tradução: Paulo Henrique Chaves* – FratresInUnum.com: A aprovação do pseudo-casamento homossexual, ocorrida no Senado [da Itália] no dia 25/02/16 com 173 sim, 71 não e 76 abstenções, é a mais recente etapa de um processo de dissolução da sociedade italiana que se iniciou com a introdução do divórcio (1970), passou pela legalização do aborto (1978) e terá seu próximo e iminente passo na legalização da eutanásia.

Pode-se compreender bem, nesta perspectiva, a exultação da imprensa laicista. “Na longa e tortuosa história da libertação sexual da Itália – escreve Francesco Merlo no jornal La Repubblica (26/02/16) – esta lei tem a mesma relevância histórica que as leis do divórcio e do aborto”. O que estes três eventos têm em comum é a traição consumada pelos dirigentes católicos dos respectivos governos. O divórcio veio sob um governo de centro-esquerda liderado pelo democrata-cristão Emilio Colombo. O aborto foi aprovado por um governo democrata-cristão presidido por Giulio Andreotti [ndr: editor, até sua morte, da célebre revista 30Giorni].

alfano-renzi-468x156A Democracia Cristã desabou, mas os principais responsáveis pela nova lei, o presidente do Conselho Matteo Renzi e o ministro do Interior Angelino Alfano, se definem, nas pegadas de Colombo e Andreotti, como católicos praticantes. Se o ministro Alfano tivesse ameaçado renunciar teria tornado impossível, ou pelo menos teria adiado a aprovação da lei; mas o político siciliano preferiu comportar-se como Andreotti, que no dia 21 de janeiro de 1977 anotou no seu diário: “Sessão na Câmara para votar o aborto. Passa com 310 votos a favor e 296 contra. Pus-me o problema [de consciência] de subscrever esta lei (também o tem [o presidente] Leone para ratificá-la), porém se eu me recusasse, não só abriríamos uma crise após ter apenas começado a tapar os vazamentos, mas, além de ter que aturar a lei do aborto, a DC perderia também a presidência e seria muito mais grave” (Diários 1976-1979. Os anos da solidariedade, Rizzoli, Milão 1981, p. 73). A perda da presidência do governo era considerada mais grave que o homicídio legal de milhões de inocentes.

O que prevê o atual projeto sobre as uniões civis que leva o nome da senadora Monica Cirinnà? Como explicou o jurista Alberto Gambino no Libero de 26 de janeiro, trata-se de um instituto paramatrimonial no qual são previstos os mesmos direitos e deveres do casamento: assistência moral e material, coabitação, direitos patrimoniais, prerrogativas em matéria de trabalho, previdência, impostos, atribuição de moradia, até mesmo a mudança de nome e a comunhão de bens.

O único direito matrimonial que não é reconhecido é o de adoção, mas a Sra. Cirinnà anunciou que “um projeto de lei sobre as adoções de casais homossexuais está quase pronto. Será iniciado na Câmara, onde os números são seguros, de modo que chegará ao Senado blindado” (Il Fatto Quotidiano, 26 de fevereiro). Como se isso não fosse suficiente, existem ainda as instâncias da União Europeia. A Corte Europeia de Direitos Humanos estabeleceu que basta inserir na legislação de um país um regime jurídico substancialmente igual à instituição do casamento, ainda que se o chame de “união civil”, para tornar-se obrigatória a introdução da adoção de crianças e assim evitar a discriminação.

O projeto de lei Cirinnà, tornado projeto Renzi-Alfano, apesar de não conter as adoções homossexuais, é em si injusto e inaceitável, não só porque introduz um pseudo-casamento, mas por atribuir direitos aos homossexuais não enquanto pessoas, mas enquanto homossexuais. Segundo a doutrina católica e, antes mesmo, segundo a lei natural, o homossexualismo ou sodomia é um vício do homem que subverte os princípios da ordem moral. Mas o ministro Angelino Alfano declarou no programa Agorà na RAI3: “Eu nunca ameacei o governo [de retirar-me] pela questão da adoção de crianças pelas famílias homossexuais, farei de tudo para chegar a um acordo. (…) No projeto de lei Cirinnà, voto ‘sim’ se eles tirarem as adoções. Sou a favor de direitos para todos os casais, inclusive os casais homossexuais. Estou absolutamente aberto” (La Repubblica, 05/02/16).

Tem razão Merlo ao escrever que “de qualquer perspectiva que se olhe, esta lei é uma nova Porta Pia” [NdT: local pelo qual as tropas de Garibaldi penetraram em Roma], pois “desvaticaniza [ou seja, descristianiza] a Itália” (La Repubblica, 26/02/16). Mas como podemos ignorar a responsabilidade da hierarquia eclesiástica nesta descristianização da Itália? O vaticanista Giuseppe Rusconi observa que “a amargura e a raiva” dos fiéis, muito mais do que contra os políticos católicos, “se dirigem contra outro alvo: o secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana, Dom Nunzio Galantino” (Rossoporpora, 26/02/16), alto expoente da “Igreja em saída” [desejada pelo Papa Francisco], que “ao confronto aberto e até mesmo duro – especialmente nas questões da família e da vida – prefere um diálogo exagerado e incerto com o poder político, o qual se desenvolve nos bastidores e em reuniões amistosas de conversa”. 

Devemos acrescentar que nenhuma palavra veio de quem exerce o cargo de Bispo de Roma e Primaz da Itália. A este respeito, o projeto de lei aprovado no Senado é uma derrota pesada para todos os católicos, incluindo aqueles que vêm chamando de “vitória” o Family Day e a supressão da adoção de crianças por casais homossexuais sob a forma de stepchild adoption, ou seja, de adoção de enteado. Foi propriamente esta “vitória” que tornou possível o acordo Renzi-Alfano, resultando numa derrota colossal para o mundo católico. Uma manifestação pública é sempre uma forte mensagem que se remete a alguém e a importância do Family Day se encontra no fato de que ele tenha existido.

O mundo católico na Itália sempre foi relutante a grandes manifestações públicas, porque sempre tentou evitar o conflito aberto com o adversário, com a ilusão de vencer por meio de compromissos. Mas a renúncia à luta é o pressuposto da derrota. Devemos, portanto, nos alegrar com a demonstração do dia 30 de janeiro, porque ela expressou o espírito militante de um povo vindo de toda a Itália, reunido com esforço e sacrifício para fazer ouvir a sua voz. Mas não devemos confundir a base do Family Day com os líderes do mundo católico.

Tampouco confundamos as intenções e os planos dos organizadores da manifestação com a forte mensagem que veio das ruas. O povo do Family Day é um povo que perdeu uma batalha, mas que deseja prosseguir a guerra. E que já está se mobilizando para um referendo a fim de revogar integralmente a lei que vai introduzir as uniões homossexuais na Itália. O próximo compromisso é em Roma, no dia 8 de maio, para a Marcha pela Vida.

* A quem agradecemos a gentileza da tradução fornecida.

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2 março, 2016

A confusão sobre os (supostos) casos de contracepção no Congo.

Por Dr. Edward Peters | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Mesmo para os padrões de seu pontificado, a conferência de imprensa que o Papa Francisco realizou em seu vôo de retorno do México provocou um número incomum de questões. Desejo abordar apenas uma delas aqui.

Preliminarmente, observo que o ônus da prova não está no negativo, ou seja, provar que algo não ocorreu, e sim no afirmativo, isto é, provar que ocorreu alguma coisa. Dito isso, porém, agora parece claro que a “permissão” ou “aprovação” que Francisco atribuiu ao seu predecessor, o Papa Paulo VI, quanto ao uso de contraceptivos para freiras no Congo simplesmente não existe. Ver e.g. Fr. Zuhlsdorf ou John Allen *.

Infelizmente esse mito foi invocado pelo papa como se fosse um fato da história da Igreja, e, o mais importante, de uma maneira como sugerindo um precedente a ser considerado para evitar a gravidez em alguns casos de possíveis defeitos congênitos. Essa alegação levaria as observações sobre contracepção feitas pelo Papa Francisco a uma área muito diferente, pois já não mais estamos conjecturando sobre um ponto da história da Igreja (por mais interessante que  possa ser), mas agora estamos lidando com o ensinamento moral da Igreja. E aqui o que está em jogo é algo dramaticamente superior.

Então, aqui está o meu ponto: não apenas o caso das freiras do Congo parece não existir, mas, mesmo que tivesse existido de alguma forma, não poderia, eu digo por seus próprios termos, ser usado por Francisco (ou qualquer outra pessoa comprometida com a voz da Igreja) para questionar o que a Igreja estabeleceu e ensina, ou seja, que “todo e cada ato conjugal [quilibet matrimonii usus] deverá, obrigatoriamente, manter a sua relação intrínseca com a procriação da vida humana” (Humanae Vitae 11) e que, portanto, “está excluída toda e qualquer ação seja antes, no momento ou após a relação conjugal [conjugale commercium], especificamente destinado a impedir a procriação – seja como um fim ou como um meio “(Humanae Vitae 14).

Obviamente, o caso das freiras do Congo (ou as freiras dos Balcãs na década de 1990, só para se ter uma outra variação do mito) não diz respeito a atos conjugais, e sim sobre religiosas forçadas a submeterem-se a atos criminosos de estupros. A questão do Congo não seria, portanto, sobre possíveis defeitos de nascimento, mas de como impedir que o esperma do estuprador alcançasse um óvulo com potencial de fecundação. Entre as mulheres que enfrentam um estupro e mulheres preocupadas com defeitos de nascimento simplesmente não existe um paralelo relevante à questão moral da contracepção. Pode-se gostar desse fato ou odiá-lo, mas não se pode alterá-lo ou ignorá-lo. Além disso, o ensinamento da Igreja sobre a imoralidade dos atos conjugais que fazem recurso à contracepção é, creio eu, infalível.

Mas, ainda que eu esteja errado sobre essa reivindicação técnica, não existe dúvida sobre qual seja o Magistério, ou seja, que a contracepção em atos de relação sexual conjugal, quer seja fazê-lo como um fim em si mesmo ou como um meio para algum outro fim, é objetivamente imoral .

Poder-se-ia discutir, penso eu, sobre se as relações sexuais fora do casamento estão sujeitas às mesmas exigências morais do ato conjugal ente casados. A Humanae Vitae, até onde eu posso ver, não aborda essa questão. Mas, quanto a saber se a permissão supostamente dada a freiras para tomar medidas contraceptivas em face da violação, estabelece um precedente para os cônjuges que queiram usar a contracepção em suas relações sexuais por medo de possíveis defeitos de nascimento, isso leva-nos a uma inevitável conclusão: não existe nenhum paralelo entre a dois casos e, portanto, não há tampouco nenhum precedente estabelecido.

Edward Peters, JD, JCD, Ref. Sig. Ap.

Dr. Peters, Advogado Canônico,  foi designado, em 2010, como  Referendário da Assinatura Apostólica pelo Papa Bento XVI 

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