Posts tagged ‘Moral’

26 agosto, 2018

Foto da semana.

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Com informações de LifeSiteNews – Após uma parada gay ser realizada em sua cidade na Ucrânia, um padre ortodoxo fez o mesmo caminho abençoando e purificando com água benta.

Mais informações em: https://twitter.com/cityod/status/1031080857577107456

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23 agosto, 2018

Bispo americano: “Estou cansado! Se me permitirem, o que a Igreja precisa agora é de mais ódio (ao pecado)! É hora de admitir a existência na hierarquia da Igreja Católica de uma subcultura homossexual que está causando grande devastação na vinha do Senhor.”

Carta do Bispo Robert C. Morlino aos fiéis sobre a atual crise de abusos sexuais na Igreja

Por Diocese de Madison, EUA, 18 de agosto de 2018 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com – Caros irmãos e irmãs em Cristo da Diocese de Madison:

Morlino

Dom Robert Morlino.

As últimas semanas trouxeram muito escândalo, cólera justificada e um apelo por respostas e ações de muitos fiéis católicos aqui dos EUA e do exterior, dirigidos à hierarquia da Igreja em relação aos pecados sexuais de bispos, padres e até cardeais. Cólera ainda maior é dirigida justamente àqueles que foram cúmplices em impedir que alguns desses pecados sérios viessem à luz.

De minha parte – e sei que não estou sozinho –, estou cansado disso. Estou cansado de pessoas sendo feridas, gravemente feridas! Estou cansado da ofuscação da verdade. Estou cansado do pecado. E, como alguém que tentou – apesar de minhas muitas imperfeições – entregar minha vida por Cristo e por Sua Igreja, eu me cansei da violação regular dos deveres sagrados por parte daqueles a quem o Senhor conferiu imensa responsabilidade para o cuidado de Seu povo.

Os relatos que vêm sendo trazidos à luz e exibidos em detalhes macabros a respeito de alguns sacerdotes, religiosos, e agora inclusive daqueles colocados em lugares de liderança mais alta, são repugnantes. Ouvir um só desses relatos literalmente basta para deixar alguém doente. Mas a minha própria doença em face desses relatos é rapidamente colocada em perspectiva quando eu me lembro de que muitas pessoas passaram por isso durante anos. Para elas, esses não são relatos, mas de fato realidades. Para elas eu me volto, e digo novamente: sinto muito pelo que vocês sofreram e continuam a sofrer na mente e no coração.

Se ainda não o fez, peço-lhe que estenda a mão, por mais difícil que seja, e procure ajuda para começar a curar. Além disso, se você foi ferido por um padre da nossa diocese, eu o encorajo a se apresentar, a fazer um relatório à polícia e ao nosso Coordenador de Assistência à Vítima, para que possamos começar, com você como indivíduo, a tentar e definir as coisas direito na maior medida possível.

Não há nada sobre esses relatos que esteja bem. Essas ações, cometidas por mais do que alguns, só podem ser classificadas como mal, mal que clama por justiça e pecado que deve ser expulso de nossa Igreja.

Confrontado com relatos da depravação de pecadores no seio da Igreja, fui tentado a desesperar. E por quê? A realidade do pecado – até mesmo o pecado na Igreja – não é nova. Somos uma Igreja feita de pecadores, mas somos pecadores chamados à santidade. Então, o que é novo? O que é novo é a aparente aceitação do pecado por alguns na Igreja, e os aparentes esforços deles e de outros para encobrir o pecado. A menos e até que levemos a sério nosso chamado à santidade, nós, como instituição e como indivíduos, continuaremos a sofrer o “salário do pecado”.

Por muito tempo nós diminuímos a realidade do pecado – recusamo-nos a chamar um pecado de pecado – e temos desculpado o pecado em nome de uma noção equivocada de misericórdia. Em nossos esforços para nos abrirmos ao mundo, tornamo-nos todos muito dispostos a abandonar o Caminho, a Verdade e a Vida. A fim de evitar ofender, oferecemos a nós mesmos e a outras pessoas sutilezas e consolação humana.

Por que fazemos isso? É por um desejo sincero de mostrar uma sensação equivocada de ser “pastoral?” Nós encobrimos a verdade por medo? Estamos com medo de sermos antipatizados por pessoas neste mundo? Ou estamos com medo de sermos chamados de hipócritas porque não estamos nos esforçando incansavelmente pela santidade em nossas próprias vidas?

Possivelmente são essas as razões, mas talvez seja mais ou menos complexo do que isso. No final, as desculpas não importam. Nós devemos dar um basta no pecado. Ele deve ser erradicado e considerado novamente inaceitável. Ama os pecadores? Sim. Aceita o verdadeiro arrependimento? Sim. Mas não diga que o pecado está bem. E não finja que violações graves do ofício e da confiança não vêm sem consequências graves e duradouras.

Para a Igreja, a crise que enfrentamos não se limita ao caso McCarrick, nem ao Relatório do Grande Júri da Pensilvânia ou a qualquer outra coisa que possa vir. A crise mais profunda que deve ser enfrentada é a licença para o pecado ter um lar nos indivíduos em todos os níveis da Igreja.

Existe certo nível de conforto com o pecado que veio permear nosso ensino, nossa pregação, nossa tomada de decisão e nosso próprio modo de viver.

Se me permitirem, o que a Igreja precisa agora é de mais ódio! Como já disse anteriormente São Tomás de Aquino, o ódio à maldade pertence realmente à virtude da caridade. Como diz o Livro de Provérbios: “A minha boca meditará a verdade, e os meus lábios odiarão a impiedade” (Provérbios 8: 7). É um ato de amor odiar o pecado e chamar os outros a se afastarem do pecado.

Não deve haver espaço, nenhum refúgio para o pecado – seja dentro de nossas próprias vidas, seja dentro das vidas das nossas comunidades. Para ser um refúgio dos pecadores (que deveríamos ser), a Igreja deve ser um lugar onde os pecadores possam se voltar para se reconciliar. Nisso eu falo de todo pecado. Mas, para ser claro, nas situações específicas em questão, estamos falando de atos sexuais desviantes – quase exclusivamente homossexuais – praticados por clérigos. Também estamos falando de proposições homossexuais e abusos contra seminaristas e jovens sacerdotes por poderosos sacerdotes, bispos e cardeais. Estamos falando de atos e ações que não só violam as promessas sagradas feitas por alguns, em suma, sacrilégio, mas que também violam a lei moral natural para todos. Chamar isso de outra coisa seria enganoso e apenas ignoraria o problema.

Tem havido um grande esforço para manter separados atos que se enquadram na categoria de atos de homossexualidade, agora culturalmente aceitáveis, dos atos publicamente deploráveis de pedofilia. Quer dizer, até recentemente os problemas da Igreja eram pintados puramente como problemas de pedofilia – isto apesar de clara evidência em contrário. É hora de ser honesto [e reconhecer] que os problemas são ambos e ainda outros. Cair na armadilha de analisar os problemas de acordo com o que a sociedade pode achar aceitável ou inaceitável é ignorar o fato de que a Igreja nunca sustentou QUALQUER um deles como aceitável – nem o abuso de crianças, nem qualquer uso da sexualidade fora do casamento, nem o pecado de sodomia, nem absolutamente a entrada de clérigos em relações sexuais íntimas, nem abuso e coerção por parte daqueles que possuem autoridade.

Nesta última consideração, deve-se mencionar especialmente o caso mais notório e mais alto no ranking, que são as acusações (amiúde sussurradas, agora muito públicas) de pecados sexuais, predação e abuso de poder do antigo Cardeal Theodore McCarrick. Os detalhes bem documentados deste caso são vergonhosos e seriamente escandalosos, como o é qualquer encobrimento de tais ações aterradoras por parte de outros líderes da Igreja que sabiam disso com base em sólidas evidências.

Embora as recentes e verossímeis acusações de abuso sexual infantil por parte do arcebispo McCarrick tenham trazido à luz uma série de questões, o problema do seu abuso de poder por causa do prazer homossexual era muito ignorado.

É hora de admitir a existência na hierarquia da Igreja Católica de uma subcultura homossexual que está causando grande devastação na vinha do Senhor. O ensinamento da Igreja é claro de que a inclinação homossexual não é em si mesma pecaminosa, mas intrinsecamente desordenada, de modo a tornar incapaz para o sacerdócio qualquer homem afligido estavelmente por ela. E a decisão de agir de acordo com essa inclinação desordenada é um pecado tão grave que clama ao céu por vingança, especialmente quando se trata de atacar os jovens ou os vulneráveis. Tal maldade deve ser odiada com um ódio perfeito. A própria caridade cristã exige que odiemos a maldade, assim como amemos o bem. Mas ao mesmo tempo em que odiamos o pecado, nunca devemos odiar o pecador, que é chamado à conversão, à penitência e à renovada comunhão com Cristo e Sua Igreja, através de sua inesgotável misericórdia.

Ao mesmo tempo, porém, o amor e a misericórdia que somos chamados a ter, até mesmo para o pior dos pecadores, não exclui responsabilizá-los por suas ações através de uma punição proporcional à gravidade de sua ofensa. De fato, uma punição justa é um exercício importante de amor e misericórdia, porque, enquanto serve principalmente como retribuição pela ofensa cometida, também oferece ao culpado uma oportunidade de expiar seu pecado nesta vida (se ele aceitar de bom grado sua punição), poupando-lhe assim a pior punição na vida futura. Motivado, portanto, pelo amor e preocupação pelas almas, permaneço com aqueles que pedem que se faça justiça aos culpados.

Os pecados e crimes de McCarrick e de muitos outros na Igreja provocam suspeitas e desconfianças em sacerdotes, bispos e cardeais muito bons e virtuosos, suspeita e desconfiança em seminários grandes e respeitáveis, e em tantos seminaristas santos e fiéis. O resultado do primeiro exemplo de desconfiança prejudica a Igreja e o excelente trabalho que fazemos em nome de Cristo. Faz com que outros pequem por pensamentos, palavras e ações – o que é a própria definição de escândalo. E a segunda desconfiança prejudica o futuro da Igreja, uma vez que nossos futuros sacerdotes estão em jogo.

Eu disse que estava tentado a desesperar-me diante de tudo isso. No entanto, essa tentação passou rapidamente, graças a Deus. Por maior que seja o problema, sabemos que somos chamados a seguir adiante com fé, confiar nas promessas de Deus, e trabalhar duro para fazer toda a diferença que pudermos, dentro de nossas esferas de influência.

Recentemente, eu tive a oportunidade de conversar diretamente com os nossos seminaristas sobre esses assuntos muito prementes, comecei e continuarei a conversar com os sacerdotes da diocese, assim como com os fiéis, pessoalmente e através de minha coluna semanal e nas homilias, tornando as coisas tão claras quanto me for possível, desde a minha perspectiva. Agora, ofereço aqui alguns pensamentos aos meus diocesanos:

Em primeiro lugar, devemos continuar o bom trabalho que vimos realizando para proteger os jovens e os vulneráveis da nossa diocese. Este é um trabalho em relação ao qual nunca podemos descansar em nossa vigilância, nem em nossos esforços para melhorá-lo. Devemos continuar em nosso trabalho de educação para todos e manter as políticas efetivas que foram implementadas, exigindo exames psicológicos de todos os candidatos ao ministério, bem como verificações gerais de antecedentes para quem trabalha com crianças ou indivíduos vulneráveis.

Declaro novamente aqui, como temos feito de modo consistente, que se você tiver conhecimento de qualquer tipo de abuso criminal de crianças por parte de alguém na Igreja, entre em contato com a polícia. Se você precisar de ajuda para entrar em contato com a polícia, entre em contato com o nosso Coordenador de Assistência à Vítima, que o ajudará a conectar-se com os melhores recursos. Se você é adulto que foi vítima de abuso sexual desde a infância, nós ainda o encorajamos a entrar em contato primeiro com a lei, mas mesmo se você não quiser, por favor, entre em contato conosco.

Aos nossos seminaristas: Se vocês receberam proposta impura, foram abusados ou ameaçados (não importa por quem), ou se testemunham diretamente comportamento impuro, relatem a mim e ao reitor do seminário. Vou cuidar [do assunto] com rapidez e vigor. Não suportarei isso em minha diocese ou em qualquer lugar que eu envie homens para formação. Confio em que os seminários escolhidos muito criteriosamente por mim para ajudar a formar nossos homens não irão ignorar esse tipo de comportamento escandaloso, expectativa que continuarei a verificar.

Aos nossos sacerdotes: Simplesmente, cumpram as promessas que fez no dia da sua ordenação. Os senhores são chamados a servir o povo de Cristo, começando com a oração diária da Liturgia das Horas. Isso é para mantê-los muito perto de Deus. Além disso, prometeram obedecer e ser fiel ao seu bispo. Em obediência, esforcem-se para viver o seu sacerdócio como sacerdote santo, sacerdote trabalhador e sacerdote puro e feliz – como o próprio Cristo os está chamando a fazer. E, por extensão, vivam uma vida casta e celibatária, para que possam entregar completamente sua vida a Cristo, à Igreja e às pessoas a quem Ele os chamou para servir. Deus lhes dará as graças para fazer isso. Peçam-Lhe a ajuda de que precisam diariamente e durante todo o dia. E se vierem a ser objeto de proposta impura, abusados, ou ameaçados (não importa por quem), ou se testemunharem diretamente comportamento impuro, relatem a mim. Não suportarei isso em minha diocese mais do que em nossos seminários.

Aos fiéis da diocese: Se vocês são vítimas de abuso de qualquer tipo por um padre, bispo, cardeal ou qualquer funcionário da Igreja, revelem-no. Ele [o caso] será abordado de forma rápida e justa. Se vocês presenciaram diretamente avanços sexuais ou qualquer tipo de abuso, apresentem-nos também. Tais ações são pecaminosas e escandalosas e não podemos permitir que alguém utilize sua posição ou poder para abusar de outra pessoa. Novamente, além de ferir indivíduos, essas ações prejudicam o próprio Corpo de Cristo, Sua Igreja.

Além disso, acrescento meu nome ao daqueles que pedem uma reforma real e sustentada no episcopado, no sacerdócio, em nossas paróquias, escolas, universidades e seminários que extirpem e responsabilizem qualquer pretenso predador ou cúmplice sexual; vou manter os sacerdotes da diocese em sua promessa de viver uma vida casta e celibatária de serviço a você e a sua paróquia, e as evidências de fracasso serão tratadas com justiça;

Sustentarei da mesma forma que todo homem que estiver estudando para o sacerdócio, que a nossa diocese será responsável por ele viver uma vida casta e celibatária como parte de sua formação. Não fazê-lo levará à cessação do patrocínio diocesano;

Continuarei exigindo (com nossos homens e nossos fundos) que todos os seminários aos quais enviamos homens para estudar estejam vigilantes para que os seminaristas sejam protegidos dos predadores sexuais, e proporcionem uma atmosfera propícia à sua formação holística, como santos sacerdotes, à imagem de Cristo;

Peço a todos os fiéis da diocese que nos ajudem a prestar contas às autoridades civis, aos fiéis e ao Deus Todo-Poderoso, não apenas para proteger as crianças e os jovens dos predadores sexuais na Igreja, mas nossos seminaristas, estudantes universitários, bem como todos os fiéis. Prometo colocar qualquer vítima e seus sofrimentos diante da reputação pessoal e profissional de um padre, ou de qualquer funcionário da Igreja culpado de abuso;

Peço a todos que leram isso para rezar. Rezem fervorosamente pela Igreja e por todos os seus ministros. Reze pelos nossos seminaristas. E reze por si e por suas famílias. Todos nós devemos trabalhar diariamente para a nossa santidade pessoal, e responsabilizar primeiramente a nós, e depois responsabilizar também os nossos irmãos e irmãs, e

Por fim, peço a todos que se unam a mim e a todo o clero da Diocese de Madison para fazer atos públicos e privados de reparação ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria por todos os pecados de depravação sexual que foram cometidos pelos membros do clero e do episcopado. Eu oferecerei uma missa pública de reparação na sexta-feira, 14 de setembro, Festa do Triunfo da Santa Cruz, em Holy Nome Heights, e peço a todos os pastores que façam o mesmo em suas próprias paróquias. Além disso, peço que todos os sacerdotes, clérigos, religiosos e funcionários diocesanos se juntem a mim observando as próximas Têmporas de outono (19, 21 e 22 de setembro) como dias de jejum e abstinência em reparação pelos pecados e ultrajes cometidos por membros do clero e do episcopado, e convido todos os fiéis a fazerem o mesmo. Alguns pecados, como alguns demônios, só podem ser expulsos pela oração e pelo jejum.

Esta carta e estas declarações e promessas não pretendem ser uma lista exaustiva do que podemos e precisamos fazer na Igreja para começar a curar e afastar dela esta doença profunda, mas sim os próximos passos que eu acredito que podemos dar localmente.

Mais do que qualquer outra coisa, nós, como Igreja, devemos cessar nossa aceitação do pecado e do mal. Nós devemos expulsar o pecado de nossas próprias vidas e correr em direção à santidade. Devemos nos recusar a ficar em silêncio diante do pecado e do mal em nossas famílias e comunidades, e exigir de nossos pastores – inclusive de mim – que eles mesmos estejam lutando dia a dia pela santidade. Devemos fazer isso sempre com respeito amoroso pelos indivíduos, mas com uma compreensão clara de que o amor verdadeiro nunca pode existir sem a verdade.

Novamente, neste momento há muita cólera e paixão justificadas, vindas de muitos leigos e clérigos santos e fiéis em todo o país, exigindo uma reforma real e uma “limpeza doméstica” desse tipo de depravação. Eu estou com eles. Ainda não sei como isso vai acontecer nacional ou internacionalmente. Mas disto eu sei, e faço dele a minha última consideração e última promessa para a Diocese de Madison: “Quanto a mim e minha casa, serviremos ao Senhor”.

Fielmente vosso no Senhor,

Reverendíssimo Dom Robert C. Morlino

Bispo de Madison

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20 agosto, 2018

Cardeal McCarrick e a máfia gay: corrupção do clero atual rivaliza com a da época dos Bórgias.

Por LifeSiteNews.com, 1.º de agosto de 2018 | Tradução: FratresinUnum.com – O escandaloso registro de abusos sexuais cometidos pelo Cardeal McCarrick contra seminaristas e menores de idade está espalhando terror por toda a Igreja, à medida que os católicos se põem a meditar cada vez mais sobre as suas perturbadoras consequências. Está claro agora que a fama de predador sexual de McCarrick era há décadas amplamente conhecida pela hierarquia católica, e ainda assim nada foi feito para freá-lo nem para impedir que ele ascendesse na carreira eclesiástica.

McCarrick

Não obstante as tentativas por parte de um pequeno número de padres e jornalistas católicos de trazer à tona a verdade sobre as imoralidades sexuais de McCarrick, e até de alertar a Santa Sé, o prelado teve êxito em ser promovido, chegando a receber o arcebispado de Washington e inclusive o barrete cardinalício. Aparentemente, nenhum crime era suficiente para ameaçar a carreira de McCarrick, até que ele se aposentasse em segurança.

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30 maio, 2018

Aprovação do aborto na Irlanda, consequência direta do pontificado de Francisco.

Por FratresInUnum.com, 30 de maio de 2018 – No último final de semana, a Igreja sofreu um dos golpes mais terríveis das últimas décadas: com uma maioria de quase 70% dos votos, através de um referendo, os irlandeses derrubaram o art. 8o. da sua Constituição, que fora aprovado em 1983 como consequência da visita de do Papa João Paulo II ao seu país e que defendia a vida humana desde a concepção, abrindo, assim, as portas para uma futura descriminalização e legalização do aborto. O fato não foi apenas a expansão daquilo que o pontífice polonês chamava com propriedade de cultura da morte, mas foi o sepultamento de um dos últimos bastiões fortes do catolicismo no velho continente europeu (além de Malta e da Polônia).

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Irlandeses comemoraram resultado da votação que abriu as portas do país ao aborto.

Tal como o “grito silencioso” de uma criança abortada, o golpe não foi protestado e, isso, graças ao anestesiamento voluntário, pelo qual a Igreja Católica Irlandesa deliberadamente sucumbiu.

A Association of Catholic Priests of Ireland, a maior associação de sacerdotes do país, manifestou-se “contra usar o púlpito para a campanha pró-vida”, pois isto seria “inapropriado e insensível”, além de um “abuso da Eucaristia”. Embora teoricamente endossando a posição da Igreja, a associação afirmou que “a vida humana é complexa, abundando situações que são mais variações de cinza que propriamente branco-e-preto, e que exigem de nós uma abordagem pastoral delicada e sem preconceitos”.

Ademais, o grupo afirmou que, como “homens solteiros e sem filhos próprios, não estamos em condições adequadas para sermos tão dogmáticos nesta questão” e, portanto, “não queremos indicar a ninguém como se deve votar”, pois, “um voto expresso de acordo com a consciência de cada pessoa, seja qual for o resultado, merece o respeito de todos”.

Como notou uma reportagem da TV chilena Tele13, “a Irlanda era um dos países mais restritivos contra o aborto na Europa, não permitindo o procedimento nem sequer em caso de inviabilidade do feto, estupros ou incesto”. De fato, “era um dos últimos bastiões da tradição católica e o resultado é fruto da pouca participação da Igreja em manifestações contra o aborto… Com esta última mudança na Constituição, a Irlanda termina de desfazer-se da influência da Igreja”.

Pois bem, esta atitude flagrantemente entreguista, abstencionista, não é senão a reprodução do desprezo que o Papa Francisco reserva aos temas relacionados com a defesa da vida. Na famosa entrevista ao seu confrade jesuíta, o Pe. Antonio Spadaro, em agosto de 2013, Francisco afirmou:

“Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e uso dos métodos contraceptivos. Isto não é possível. Eu não falei muito destas coisas e censuraram-me por isso. Mas quando se fala disto, é necessário falar num contexto. De resto, o parecer da Igreja é conhecido e eu sou filho da Igreja, mas não é necessário falar disso continuamente. Os ensinamentos, tanto dogmáticos como morais, não são todos equivalentes. Uma pastoral missionária não está obcecada pela transmissão desarticulada de uma multiplicidade de doutrinas a impor insistentemente”.

O resultado está aí: quando a Igreja se recusa a ser militante, é derrotada. E a consequência será o extermínio de milhões de bebês.

A percepção de João Paulo II era fundamentalmente outra, marcada por uma consciência nítida do problema, como deixou claramente registrado na Encíclica Evangelium Vitae, n. 28: “Este horizonte de luzes e sombras deve tornar-nos, a todos, plenamente conscientes de que nos encontramos perante um combate gigantesco e dramático entre o mal e o bem, a morte e a vida, a ‘cultura da morte’ e a ‘cultura da vida’. Encontramo-nos não só ‘diante’, mas necessariamente ‘no meio’ de tal conflito: todos estamos implicados e tomamos parte nele, com a responsabilidade iniludível de decidir incondicionalmente a favor da vida”.

Justamente a atitude cinzenta é a que favorece a “cultura da morte” e é esta passividade que permite aos inimigos avançarem e vencerem. É preciso entender que não há como abortar crianças sem abortar o Evangelho e a Igreja juntamente com elas, de tal modo que precisamos gritar para sermos ouvidos. Basta com este “grito silencioso”!

No Brasil, graças a Deus, o povo é beligerante e decididamente contra o aborto, a despeito da atitude morna do clero. Por isso, temos vencido e, queira Deus, continuaremos vencendo.

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14 maio, 2018

Exclusivo – Carta pastoral dos bispos do Cazaquistão por ocasião do 50º aniversário da encíclica Humanae Vitae.

Nosso especial agradecimento à sua Excelência Reverendíssima Dom Athanasius Schneider pela gentileza de traduzir o documento para português, para publicação em FratresInUnum.com.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Queridos irmãos e irmãs em Cristo! O ano corrente está marcado pelo memorável evento do 50mo aniversário da encíclica Humanae vitae, com a qual o Beato Paulo VI confirmou a doutrina do Magistério constante da Igreja com respeito à transmissão da vida humana. Os Bispos e os Ordinários do Cazaquistão querem aproveitar esta ocasião propícia para honrar a memória e a importância perene desta encíclica.

Durante a última reunião de todos os nossos sacerdotes e Irmãs religiosas em Almaty foram feitos amplos debates sobre o tema da preparação dos jovens para o sacramento do matrimônio. Foi feita a proposta de transmitir aos jovens as verdades mais importantes do Magistério da Igreja em relação ao matrimônio cristão e à santidade da vida humana desde o momento da sua concepção.

Proclamamos com a voz do Magistério da Igreja como a podemos perceber na encíclica Humanae vitae e em outros documentos dos Pontífices Romanos as seguintes verdades exigentes do “jugo suave e do fardo leve” (Mt 11, 30) de Cristo:

  • “Chamando a atenção dos homens para a observância das normas da lei natural, interpretada pela sua doutrina constante, a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida” (Paulo VI, Encíclica Humanae vitae, 11).
  • “É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta, quer perpétua quer temporária, tanto do homem como da mulher. É, ainda, de excluir toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação. Não se podem invocar, como razões válidas, para a justificação dos atos conjugais tornados intencionalmente infecundos, o mal menor, ou o fato de que tais atos constituiriam um todo com os atos fecundos, que foram realizados ou que depois se sucederam, e que, portanto, compartilhariam da única e idêntica bondade moral dos mesmos. Na verdade, se é lícito, algumas vezes, tolerar o mal menor para evitar um mal maior, ou para promover um bem superior, nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal, para que daí provenha o bem; isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado e, portanto, indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais. É um erro, por conseguinte, pensar que um ato conjugal, tornado voluntariamente infecundo, e por isso intrinsecamente desonesto, possa ser coonestado pelo conjunto de uma vida conjugal fecunda” (Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae, 14).
  • “Quando, portanto, mediante a contracepção, os esposos tiram à prática da sua sexualidade conjugal a potencial capacidade procriativa da mesma, arrogam-se um poder que pertence só a Deus: o poder de decidir em última istância a vinda à existência de uma pessoa humana. Arrogam-se o atributo de serem não os cooperadores do poder criador de Deus, mas os depositários últimos da nascente da vida humana. Nesta perspectiva, a contracepção deve ser considerada, objetivamente, tão profundamente ilícita que não pode nunca, por razão alguma, ser justificada. Pensar ou dizer o contrário, equivale a supor que na vida humana possam apresentar-se situações em que é lícito não reconhecer Deus como Deus” (João Paulo II, Discurso aos sacerdotes participantes num seminário de estudos sobre «A procreacão responsável», 17 de setembro de 1983).
  • “Muitos pensam que o ensino cristão, se bem que seja verdadeiro, não é viável, ao menos em determinadas circunstâncias. Como a Tradição da Igreja tem sempre ensinado, Deus não nos manda nada que seja impossível, mas cada mandamento implica a graça que ajuda a liberdade humana a cumpri-lo. A oração constante, o recurso frequente aos sacramentos e o exercício da castidade conjugal são necessários. […] Hoje mais que nunca, o homem está de novo começando a sentir a necessidade da verdade e da reta razão na sua experiência diária. Estejam sempre preparados para dizer sem equívocos, a verdade sobre o bem e o mal com respeito ao homem e à família” (João Paulo II, Discurso aos participantes na reunião de estudo sobre a procriação responsável, 5 de junho de 1987).
  • “A carta encíclica Humanae vitae constitui um significativo gesto de coragem ao reafirmar a continuidade da doutrina e da tradição da Igreja. […]  Este ensinamento não só manifesta a sua verdade inalterada, mas revela também a clarividência com a qual o problema é tratado. […] O que era verdade ontem, permanece verdadeiro também hoje. A verdade expressa na Humanae vitae não muda; aliás, precisamente à luz das novas descobertas científicas, o seu ensinamento torna-se mais atual e estimula reflectir sobre o valor intrínseco que possui” (Bento XVI, Discurso aos participantes num Congresso Internacional no 40mo aniversário da encíclica “Humanae vitae”, 10 de maio de 2008).
  • “A encíclica Humanae Vitae está inspirada na intocável doutrina bíblica e evangélica que convalida as normas da lei natural e os ditames insuprimíveis da consciência sobre o respeito da vida, cuja transmissão foi confiada à paternidade e à maternidade responsáveis. Aquele documento é hoje de nova e mais urgente atualidade por causa das feridas que as legislações públicas infligiram à santidade indissolúvel do vínculo matrimonial e à intocabilidade da vida humana desde o seio materno. […] Diante dos perigos que temos delineado e diante de dolorosas defecções de carácter eclesial ou social, sentimo-nos impulsados, como Pedro, a acudir a Ele como a única salvação e a gritar: “Senhor, a quem iremos? Vós tendes palavras de vida eterna” (Jo6, 68)” (Paulo VI, Homilia, 29 de junho de 1978).

Toda a história humana deu suficientes provas do fato que o verdadeiro progresso da sociedade depende em grande medida das famílias numerosas. Isso vale ainda mais para a vida da Igreja. O Papa Francisco lembra-nos esta verdade: “Dá consolação e esperança ver muitas famílias numerosas que acolhem os filhos como um autêntico dom de Deus. Eles sabem que cada filho é uma bênção” (Papa Francesco, Audiência geral, 21 de janeiro de 2015).

Que as seguintes palavras de são João Paulo II, o papa da família, sejam luz, fortaleza, consolação e alegre coragem para os casais casados católicos e para varões e mulheres jovens que se preparam para a vida do matrimónio e da família cristã.

  • “Temos uma particular confirmação de que o caminho de santidade percorrido em conjunto, como casal, é possível, é belo, é extraordinariamente fecundo e fundamental para o bem da família, da Igreja e da sociedade. Isto convida-nos a invocar o Senhor, para que sejam cada vez mais numerosos os casais capazes de fazer transparecer, na santidade da sua vida, o “grande mistério” do amor conjugal, que tem origem na criação e se realiza na união de Cristo com a Igreja (cf. Ef5, 22-33). Como qualquer caminho de santificação, também o vosso, queridos esposos, não é fácil. Sabemos quantas famílias são tentadas nestes casos pelo desencorajamento. Penso, sobretudo, em todos os que vivem o drama da separação; penso nos que devem enfrentar a doença e em quem sofre a desaparecimento prematuro do cônjuge ou de um filho. Também nestas situações se pode dar um grande testemunho de fidelidade no amor, tornado ainda mais significativo pela purificação através da passagem pelo crisol do sofrimento. Caríssimos esposos, nunca vos deixeis vencer pelo desalento: a graça do Sacramento ampara-vos e ajuda-vos a elevar continuamente os braços para o céu como Moisés, do que nos falou a primeira Leitura (cf. Êx 17, 11-12). A Igreja acompanha-vos e ajuda-vos com a sua oração, sobretudo nos momentos difíceis. Ao mesmo tempo, peço a todas as famílias que, por sua vez, amparem os braços da Igreja, para que nunca deixe de realizar a sua missão de interceder, confortar, orientar e encorajar” (João Paulo II, Homilia para a beatificação dos Servos de Deus Luigi Beltrame Quattrocchi y Maria Corsini, 21 de outubro de 2001).
  • “Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja também a Mãe da «Igreja doméstica» e, graças ao seu auxílio materno, cada família cristã possa tornar-se verdadeiramente uma «pequena Igreja», na qual se manifeste e reviva o mistério da Igreja de Cristo. Seja Ela, a Escrava do Senhor, o exemplo de acolhimento humilde e generoso da vontade de Deus; seja Ela, Mãe das Dores aos pés da Cruz, a confortar e a enxugar as lágrimas dos que sofrem pelas dificuldades das suas famílias. E Cristo Senhor, Rei do Universo, Rei das famílias, como em Caná, esteja presente em cada lar cristão a conceder-lhe luz, felicidade, serenidade, fortaleza” (João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio,86).

Astana, 13 de Maio de 2018, Memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Fátima

Vossos Bispos e Ordinários:

+ José Luis Mumbiela Sierra, Bispo da diocese da Santíssima Trindade em Almaty e Presidente da Conferência dos Bispos Católicos de Cazaquistão

+ Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana

+ Adelio Dell’Oro, Bispo de Karaganda

+ Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana

Sac. Dariusz Buras, Administrador Apostólico de Atyrau

Reverendíssimo Protopresbítero Mitrado Vasyl Hovera, Delegado da Congregação para as Igrejas Orientais para os fiéis greco-católicos de Cazaquistão e Ásia Central

 

2 janeiro, 2018

Importante: Dom Athanasius Schneider e bispos do Cazaquistão lançam ‘Profissão sobre verdades imutáveis a respeito do sacramento do Matrimônio”.

[Atualização – 02/01/2018 às 19:19] Corrispondenza Romana acaba de anunciar que dois bispos italianos, Dom Luigi Negri e Dom Carlo Maria Viganò aderiram à iniciativa dos bispos do Cazaquistão.

Três bispos declaram leitura de Amoris Laetitia feita pelo Papa como “estranha” à Fé Católica.

LifeSiteNews, Roma, 2 de janeiro de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com — Três bispos se pronunciaram contra a interpretação feita pelo Papa Francisco de Amoris Laetitia que permite o acesso de alguns divorciados recasados à Sagrada Comunhão, afirmando que tal leitura está causando “confusão desenfreada”, é “estranha” à Fé Católica, e disseminará uma “epidemia do divórcio” na Igreja.

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Dom Tomash Peta, Dom Jan Pawel Lenga e Dom Athanasius Schneider.

Dom Athanasius Schneider, bispo-auxiliar de Astana, Cazaquistão, Dom Tomash Peta, arcebispo metropolita de Astana, e Dom Jan Pawel Lenga de Karaganda, Cazaquistão, divulgaram uma Profissão de verdades imutáveis sobre o sacramento matrinonial em 31 de dezembro, como “um serviço de caridade na verdade” à Igreja de hoje e ao Papa.

Os bispos tomaram a decisão de realizar uma “pública e inequívoca profissão da verdade” a respeito do ensinamento da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio, pois afirmam “não poderem permanecer em silêncio”.

Como bispos Católicos incumbidos de defender e promover a Fé Católica e a disciplina comum, afirmam ter uma “grave responsabilidade” e “dever perante os fiéis” que esperam deles “uma pública e inequívoca profissão da verdade e da imutável disciplina da Igreja acerca da indissolubilidade do matrimônio”.

Eles observam que após a publicação do documento do Papa Francisco sobre a família, Amoris Laetitia, diversos bispos e conferências episcopais divulgaram normas permitindo a alguns divorciados recasados civilmente, que não vivem em continência sexual, receber os sacramentos da Penitência e da Sagrada Comunhão. Eles enfatizam que essas várias autoridades hierárquicas (Alemanha, Malta e Buenos Aires, embora eles não as nominem) também receberam aprovação “até mesmo da suprema autoridade da Igreja”.

No mês passado, o Papa Francisco decidiu formalmente declarar a interpretação de Amoris Laetitia feita pelos bispos de Buenos Aires como “magistério autêntico”.

A disseminação dessas normas pastorais aprovadas eclesialmente “causaram uma considerável e sempre crescente confusão entre os fiéis e o clero” e são “meios de difusão da ‘epidemia do divórcio’ na Igreja”, escreveram os bispos do Cazaquistão.

“Nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo solenemente reafirmou a vontade de Deus sobre a absoluta proibição do divórcio”, recordaram, e a Igreja sempre preservou e fielmente transmitiu tanto em sua doutrina como em sua disciplina sacramental “o ensinamento cristalino de Cristo” acerca da indissolubilidade do matrimônio”.

“Por conta da vital importância que a doutrina e a disciplina do matrimônio e da Eucaristia, a Igreja é obrigada a falar com a mesma voz. As normas pastorais a respeito da indissolubilidade do matrimônio não podem, portanto, ser contraditórias entre uma diocese e outra, entre um país e outro”.

“Desde os tempos dos Apóstolos”, explicam os bispos, “a Igreja observou este princípio, como testemunha Santo Irineu de Lion”:

“A Igreja, embora espalhada pelo mundo até os confins da terra, tendo recebido a Fé dos Apostólos e seus discípulos, preserva esta pregação e esta Fé com cuidado e, como Ela habita uma única casa, crê da mesma e idêntica maneira, como tendo uma só alma e um só coração, e prega a verdade da Fé, ensina-a e transmite-a em uma voz uníssona, como se tivesse uma só boca” (Adversus haereses, I, 10, 2).

Após, eles recordam a advertência do Papa João Paulo II de que a confusão semeada nas consciências dos fiéis por diferentes “opiniões e ensinamentos” enfraqueceria o “verdadeiro sentido de pecado, quase a ponto de eliminá-lo”.

O Papa João Paulo II erigiu a diocese de Santa Maria em Astana, Cazaquistão, em 1999, e a elevou à arquidiocese em 17 de maio de 2003, nomeando o bispo polonês Tomash Peta como seu arcebispo. No Sínodo Ordinário sobre a Família em 2015, Dom Peta, que participou como delegado do Cazaquistão, iniciou sua breve intervenção com as palavras do Beato Paulo VI pronunciadas em 1972: “Por alguma fresta, a fumaça de Satanás penetrou no templo de Deus”.

Ele, então, afirmou aos Padres Sinodais que estavam reunidos: “Estou convencido de que estas foram palavras proféticas de um santo Papa, o autor de Humanae Vitae, Durante o Sínodo do ano passado [2014], a ‘fumaça de Satanás’ estava tentando adentrar na aula Paulo VI [local em que ocorriam as sessões do Sínodo]”. O arcebispo acrescentou: “Infelizmente, pode-se ainda sentir o cheiro desta ‘fumaça infernal’ em alguns pontos do Instrumentum Laboris e também em algumas intervenções de certos padres sinodais neste ano”. [Leia a intervenção aqui.]

Na Profissão, Dom Athanasius Schneider, juntamente com os arcebispos Peta e Lenga, reiteram aos fiéis sete verdades imutáveis sobre o sacramento do matrinônio, e, “no espírito de São João Batista, São João Fisher, São Tomás Morus, da Beata Laura Vicuña e de numerosos confessores e mártires, conhecidos ou não, da indissolubilidade do matrimônio”, afirmam:

Não é licito (non licet) justificar, aprovar, legitimar, direta ou indiretamente, o divórcio e a relação sexual estável não conjugal, através da disciplina sacramental da admissão dos assim chamados ‘divorciados e recasados’ à Sagrada Comunhão, neste caso, uma disciplina estranha à toda a Tradição da Fé Católica e Apostólica.

Leia a íntegra da Profissão de verdades imutáveis sobre o matrimônio sacramental aqui.

21 dezembro, 2017

Atribuem créditos ao Papa Francisco por ter ajudado a aprovar lei da eutanásia na Itália.

LifeSiteNews, Roma, 19 de dezembro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – A eutanásia finalmente chegou à Itália e tanto os ativistas jubilantes do direito-de-morrer como os Católicos desconsolados estão atribuindo ao Papa Francisco parte do crédito. Além do mais, a nova legislação não garante aos médicos que quiserem recusar a participação o direito à objeção de consciência.

Na quinta-feira passada, o governo Italiano passou a lei que permite aos adultos determinar o tipo de cuidados médicos de fim-de-vida, incluindo as circunstâncias em que podem recusar o tratamento. Os Italianos agora poderão escrever “testamentos vivos”, nos quais eles poderão recusar não apenas tratamento médico, mas também hidratação e nutrição.

De acordo com a doutrina Católica, a retirada de nutrição e hidratação é uma forma de eutanásia passiva.

Essa lei Italiana sobre o fim da vida, também conhecida como “lei do biotestamento”, já havia sido introduzida trinta anos atrás, mas encontrou vigorosa oposição por parte de políticos pró-vida que bloquearam sua passagem sugerindo mais de três mil emendas. No entanto, na quarta-feira, todas essas emendas foram revogadas e a lei foi votada 180 contra 71, com 6 abstenções.

A nova legislação entrará no registro oficial no 40º aniversário da aprovação da lei Italiana que permite o aborto.

Críticos alegam que a resistência dos políticos Católicos contra essa lei foi enfraquecida depois do discurso do Papa Francisco à Pontifícia Academia para a Vida, quando ele disse que as pessoas podem recusar longos tratamentos médicos para prolongar a vida, mas deixou de mencionar que a administração de nutrição e alimentação são cuidados básicos humanitários, e não tratamento médico. De acordo com o jornal La Repubblica, da Itália, e o New York Times, muitos dos apoiadores da lei, e também muitos Católicos, viram no discurso de Francisco um “sinal verde” para a aprovação da nova lei.

“As palavras do Papa Francisco, no dia 16 de novembro, à Pontifícia Academia para a Vida sobre questões relativas ao final da vida, foram interpretadas como uma porta aberta à forma de eutanásia que é o chamado biotestamento”, escreveu Roberto de Mattei, historiador Católico e diretor da Fundação Lepanto da Itália.

Segundo Corrado Augias, do jornal La Repubblica, “as palavras do Papa foram necessárias para quebrar a última resistência de alguns Católicos e provavelmente — para convencer pelo menos um grupo entre eles a dar o seu consentimento [à lei pró-eutanásia ]”.

O defensor do “direito de morrer” Marco Cappato, membro do “Partido Radical” de extrema esquerda da Itália, elogiou Francisco imediatamente após seu discurso à Academia da Vida sobre o cuidado com os doentes terminais. Francisco, segundo ele, estaria do lado da nova lei.

“Que estava faltando uma lei que pelo menos respeitasse os direitos do doente terminal é algo que agora foi questionado até pelo próprio Papa”, escreveu ele naquele momento. “Quem sabe se agora os clericalistas no no Parlamento, que se acham mais Católicos que o Papa, não tomarão um momento para repensar seu obstrucionismo… sobre o biotestamento”.

Evidentemente que eles acabaram repensando.

O Papa Francisco, em seu discurso à Academia para a Vida disse: “(I)  é moralmente lícito decidir não adotar medidas terapêuticas ou descontinuá-las, quando seu uso não atende mais aos padrões éticos e humanitários que poderia ser chamado mais tarde “devidas proporções no uso de remédios” … permitindo assim que a decisão seja moralmente qualificada como retirada de “tratamento excessivo”.

O Papa Francisco pediu “discernimento” quando se trata de prolongar a vida, mas sem mencionar o cerne da questão, a saber, a retirada de nutrição e hidratação. Suas palavras para todos efeitos indicam um apoio à lei Italiana.

“Para determinar se uma intervenção médica clinicamente apropriada é de fato proporcional,  uma regra geral não é suficiente , disse o Papa.

“É necessário que haja um discernimento cauteloso do objeto moral, das circunstâncias presentes e das intenções dos envolvidos”, continuou ele.

“O paciente, primeiramente e antes de tudo, tem o direito, obviamente em diálogo com os profissionais médicos, de avaliar os tratamentos propostos e julgar se é realmente proporcional à sua realidade concreta e necessariamente recusá-lo se julgar que tal proporcionalidade lhe falta”, acrescentou ele.

De Mattei disse ao site LifeSiteNews que a Conferência dos Bispos Italianos também não falou contra a nova legislação.

Em uma entrevista ao La Repubblica, o aposentado Cardeal Ruini, de 86 anos, ex-presidente da Conferência Episcopal Italiana, lamentou a aprovação do projeto de lei. “Esta lei”, disse ele, “abre a porta para a eutanásia, sem, no entanto, nomeá-la”.

“É um método bastante hipócrita de se proceder, muito semelhante ao que usaram para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, sem no entanto chamá-lo casamento e falando em união civil quando no final tem toda a substância de um casamento”, disse ele.

Ruini já havia sido duramente atacado há onze anos atrás por ter recusado o funeral Católico para o ativista pelo direito- de- morrer e membro do Partido Radical, Piergiorgio Welby.

O cardeal Ruini disse que a “falta de provisão para objeção de consciência por parte de médicos e outros profissionais médicos” é um dos mais sérios defeitos da lei.

Entre os ativistas Italianos pelo “direito-de-morrer” que foram fotografados enquanto comemoravam a aprovação da “lei do Biotestamento” estava a pioneira da lei do aborto do Partido Radical ” Emma Bonino. Ela estava sentada na câmara do Senado com a viúva de Piergiorgio Welby, Mina Welby, quando os resultados da votação foram exibidos. Bonino é famosamente considerada pelo Papa Francisco como uma entre os “grandes Italianos esquecidos”.

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23 novembro, 2017

Notas de perplexidade acerca da Mensagem do Papa Francisco sobre o final da vida.

Por Federico Catani | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comA mensagem enviada pelo Papa Francisco aos participantes do Encontro Regional Europeu da Associação Médica Mundial sobre questões relacionadas com o final da vida, realizado no Vaticano de 16 a 17 de novembro, teve grande eco midiático. Em particular, a mídia secular destacou uma guinada considerável da Igreja sobre a eutanásia: de uma clara censura se teria passado a uma abertura prudente, mas clara. A resposta no campo católico foi geralmente a de que o Papa reiterou a doutrina de sempre, e que, a admitir-se uma mudança, ela diz respeito apenas à maneira de abordar a questão e ao idioma usado, percebido como mais dialogante.

Se é verdade que a mídia laicista obviamente se serviu da Mensagem papal para seus próprios interesses e, portanto, para promover, em particular na Itália, uma lei sobre o chamado “testamento biológico” (ou seja, a legalização da eutanásia), é igualmente inegável que as palavras de Francisco contêm alguns pontos em relação aos quais se fica pelo menos perplexo.

  1. Em primeiro lugar, o Papa põe o foco de sua atenção na chamada “obstinação terapêutica” – que é o tema central da Mensagem –, como se este fosse o principal problema hoje no mundo hospitalar. Mas fatos que foram objeto de crônicas muito recentes, como o do pequeno Charlie Gard, mostram que esse não é o caso. A doutrina moral da Igreja certamente sempre condenou a obstinação terapêutica e, nesse sentido, o Papa Francisco de fato não diz nada de novo. Deve-se, contudo, notar que os grupos que favorecem a legalização da eutanásia fazem deliberadamente confusão em torno dos conceitos de “obstinação terapêutica” e de “eutanásia”, apoiando-se na emoção da opinião pública e apresentando à atenção da mídia casos humanos extremos e devastadores. Apresenta-se amiúde como desproporcional uma terapia ou um tratamento que não o é realmente. Confundir e deturpar as palavras faz parte da estratégia da Revolução, neste caso denominada “cultura da morte”.
  1. Mas o ponto mais preocupante do discurso é aquele no qual o Papa Francisco acena para um acordo entre as várias correntes em luta, e até mesmo para a aprovação de uma eventual legislação em matéria de fim de vida: “No seio das sociedades democráticas, tópicos delicados como esses devem ser confrontados com calma: de modo sério e reflexivo, e bem dispostos a encontrar soluções – mesmo normativas – tanto quanto possível compartilhadas. Por um lado, de fato, deve-se ter em conta a diversidade de visões do mundo, as convicções éticas as afiliações religiosas, em um clima de recíproca escuta e aceitação.” 

Na prática, a doutrina sobre os princípios não negociáveis ​​é pela enésima vez esquecida. A impossibilidade de se chegar a um compromisso nesses temas fundamentais – cujo enunciado por Bento XVI lhe atraiu as críticas e os dardos do mundo – já não é considerada como tal por Francisco. O Papa de fato reconhece que pode haver uma lei para reger o chamado fim de vida. E até mesmo declara que isso deve acontecer tirando uma linha média entre as diferentes posições e visões, com o que se chegaria inevitavelmente a um resultado contrário à doutrina moral católica. A contradição com o n° 73 da Evangelium vitae também é evidente. No caso da Itália, ainda não existe uma lei sobre o chamado “testamento biológico” e o mundo católico deve impedir que isso aconteça. Se de fato se ceder nesse ponto, acontecerá com a eutanásia o mesmo que aconteceu com o aborto, com o divórcio e com o “casamento” homossexual: abrir-se-á uma brecha no dique e será dificílimo fechá-la, pela técnica hoje bem conhecida do slippery slope, ou ladeira escorregadia. Aprovar hoje uma lei sobre o assunto só serve para isso.

  1. Além disso, o Papa Francisco afirma que “para determinar se uma intervenção médica clinicamente apropriada é realmente proporcionada não é suficiente aplicar mecanicamente uma regra geral. É preciso um discernimento cuidadoso, que considere o objeto moral, as circunstâncias e as intenções das pessoas envolvidas”. A mesma linguagem usada para os divorciadas recasados em Amoris laetitia… No entanto, os médicos normalmente já fazem isso: cada paciente e cada doença é um caso à parte, sem prejuízo, entretanto, da verdade moral, que não muda. Aqui, pelo contrário, o Papa escolhe uma linguagem que favorece o relativismo, já amplamente em uso nesses casos.

Bem diversa foi a resposa que a Congregação para a Doutrina da Fé deu, em 2007, aos dubia da Conferência Episcopal dos Estados Unidos ao afirmar claramente que, por exemplo, a hidratação e a alimentação artificiais, exceto obviamente nos casos em que o corpo não pode absorver mais nada, nunca deve ser considerada como obstinação terapêutica.

Isso não transparece nas palavras de Francisco, as quais, na verdade, inclusive podem confundir: “As intervenções no corpo humano estão se tornando cada vez mais eficazes, mas nem sempre são decisivas: podem sustentar funções biológicas que se tornaram insuficientes, ou mesmo substituí-las, mas isso não equivale a promover a saúde”. Conforme observou Tommaso Scandoglio em La Nuova Bussola quotidiana, para evitar interpretações enganosas bastaria adicionar o advérbio “sempre” diante da expressão “a promover a saúde”.

Como conclusão, além de qualquer interpretação destinada a minimizar ou acentuar a pretensa novidade da Mensagem papal, sem todas as observações técnicas possíveis e independentemente das intenções reais ou não, um resultado é evidente: as palavras do Papa Francisco, pelo menos na Itália, ofereceram ajuda e publicidade àqueles que vêm lutando para introduzir a eutanásia no sistema legal.

 

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22 setembro, 2017

Adeus, Wojtyla e Caffarra. Com Francisco muda-se a família.

Por Sandro Magister, Settimo Cielo, La Repubblica, 19 de setembro de 2017. Tradução: André Sampaio | FratresInUnum.com – O terremoto que mudou a cara da Pontifícia Academia para a Vida atingiu também o Instituto para Estudos sobre Matrimônio e Família, criado por João Paulo II e com o teólogo e logo cardeal Carlo Caffarra como seu primeiro presidente.

Paglia e Francisco

Paglia e Francisco.

Hoje [n.d.t: exatamente 1 ano após o endereçamento dos dubia a Francisco pelos cardeais Brandmüller, Burke, Caffarra e Meisner], esse histórico Instituto foi abolido e substituído por outro Instituto com um nome diferente.

Com efeito, assim se lê no artigo 1.º do Motu Proprio Summa familiae cura, publicado esta manhã, com o qual o papa Francisco “pôs a assinatura” na virada [em 8 de setembro, dois dias após o falecimento de Caffarra, n.d.t.]:

“Com o presente Motu Proprio estabeleço o Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família, o qual, vinculado à Pontifícia Universidade Lateranense, sucede, substituindo-o, ao Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, criado pela Constituição Apostólica Magnum Matrimonii Sacramentum, o qual, portanto, vem a cessar.”

E no artigo 4.º:

“O Pontifício Instituto Teológico, assim renovado, adequará suas próprias estruturas e disporá dos instrumentos necessários – cátedras, docentes, programas, pessoal administrativo – para realizar a missão científica e eclesial que lhe é designada.”

Estão despedidos, consequentemente, todos os docentes do falecido Instituto, enquanto conservam seus cargos o atual grão-chanceler Vincenzo Paglia e o presidente Pierangelo Sequeri, cujas nomeações por parte do papa Francisco se mostraram, um ano atrás, o prelúdio do atual cataclismo.

Os dois acompanham a publicação do Motu Proprio com uma nota, que sublinha o “envolvimento direto” do papa, o qual – prosseguem dizendo – “confia a tarefa de modelar as regras, as estruturas e a operacionalidade do novo Instituto Teológico” às mesmas “autoridades acadêmicas do histórico Instituto João Paulo II”, ou seja, justamente, precisamente a eles dois, e não a outros.

Ao descrever o “mais amplo horizonte” sobre o qual deverá mover-se o Instituto, Paglia e Sequeri remetem, naturalmente, à Amoris laetitia, mas também à Laudato si’ e ao “cuidado pela criação”.

Resta agora ver quais serão os docentes da nova instituição, quais serão confirmados e quais não, tanto em Roma quanto nas outras sedes pelo mundo.

Assim também se verá que destino terão as últimas publicações do falecido Instituto, especialmente o “vade-mécum” sobre a reta interpretação da Amoris laetitia, o qual é visto como peste pelos paladinos da comunhão aos divorciados recasados e do qual o mesmo Motu Proprio Summa familiae cura parece tomar distância, quando escreve que não mais se consentirá em “limitar-nos a práticas da pastoral e da missão que refletem modelos e formas do passado”.

 

 

14 setembro, 2017

Josef Seifert adverte contra a “bomba atômica” que pode derrubar todo o ensinamento moral da Igreja.

Afastado da docência pelo Arcebispo de Granada, ao mesmo tempo em que é elogiado pelo Arcebispo de Vaduz por escrever um artigo sobre Amoris Laetitia, o filósofo católico Josef Seifert volta a advertir numa entrevista que o edifício moral da Fé Católica pode desmoronar.

Por 1P5/InfoCatólica | Tradução: FratresInUnum.com – À luz do recente ensaio de Josef Seifert, no qual examina as perigosas consequências lógicas de Amoris Laetitia, um ensaio pelo qual ele foi despedido de seu posto como professor pelo Arcebispo de Granada, a doutora Maike Hickson, em nome do site “One Peter Five”, entrou em contato com o filósofo austríaco para fazer-lhe algumas perguntas adicionais, não só sobre a Exortação Pós-Sinodal, que gerou tanta controvérsia, mas sobre o estado do ensino e da prática da moral na Igreja.

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Maike Hickson (MH): Há um ano, em agosto de 2016 – depois da publicação de Amoris Laetitia – o senhor publicou um ensaio no qual educadamente fazia uma crítica deste documento papal e pedia ao Papa que corrigisse alguns erros ou inclusive às vezes “afirmações objetivamente heréticas”. Qual é a razão pela qual o senhor agora volta mais uma vez a levantar sua voz num novo ensaio sobre este tema de Amoris Laetitia?

Josef Seifert (JS): Depois de publicar meu artigo, aconteceram muitas coisas: meu bom amigo Rocco Buttiligione e meu antigo aluno Rodrigo Guerra defenderam Amoris Laetitia apaixonadamente contra todas as minhas objeções, e eu lhes escrevi muitos e-mails e uma resposta que não se publicou. Um grupo de teólogos e filósofos acusou o Papa Francisco, por duas vezes, de uma longa série de heresias e outros erros que eles atribuíam ao documento, e entraram em detalhes para provar que tinham razão e para pedir ao Papa que se retratasse destes erros. Pediram-me que assinasse a carta, mas eu não o fiz por diversas razões. O Arcebispo de Granada me afastou como professor do seminário por causa de meu primeiro artigo. O Arcebispo de Vaduz, no Principado de Liechenstein, felicitou-me por este mesmo artigo e agradeceu-me pelo grande serviço que fiz à Igreja escrevendo-o. Os quatro cardeais expressaram seus dubia (ainda sem respostas). Por tanto, eu tinha muitas novas razões para refletir sobre Amoris Laetitia e sobre meu primeiro artigo, que tinha enviado primeiro como uma carta pessoal ao Papa Francisco (nunca respondida, e nem sequer reconhecida).

No entanto, o que motivou diretamente meu segundo artigo foi a descoberta  da convocatória de uma comissão feita pelo Papa Francisco, supostamente para revisar a Humanae Vitae (HV) e adaptá-la à Amoris Laetitia (AL). Além disso, eu expressei ao professor Buttiligione, um querido amigo cujo ponto de vista sobre a AL é radicalmente diferente do meu, o meu temor de que também a HV e a Evangelium Vitae fossem vítimas da mesma linha de pensamento expressa na AL. Ele aumentou meu medo e eu me alarmei quando ele me respondeu que obviamente à HV e à Evangelium Vitae deveriam ser aplicados o mesmo discernimento e os mesmos princípios que estão estabelecidos na AL sobre o matrimônio. Isto me comoveu profundamente. – Eu tinha escrito muitos artigos defendendo filosoficamente a Humanae Vitae e a Veritatis Splendor e preocupava-me muitíssimo a ideia de que todas essas doutrinas verdadeiras fossem revogadas, relativizadas e destruídas simplesmente aplicando a lógica do dito comentário de AL.

Por essas razões, eu meditei novamente sobre as mesmas perguntas e pensei que havia encontrado uma causa ainda maior de preocupação que aquelas que eu tinha expressado no meu primeiro artigo.

Por este motivo, decidi escrever um novo artigo muito mais curto e que se restringia a comentar uma só afirmação de AL que eu não havia considerado suficientemente no meu primeiro artigo. Esta simples afirmação me impactou profundamente, porque parecia provar que as mudanças no ensinamento moral de AL iam potencialmente muito mais além do que ninguém no atual debate (incluindo o próprio Papa Francisco e eu mesmo) tínhamos considerado sobre a admissão dos adúlteros não arrependidos e homossexuais aos sacramentos. Eu tive, por assim dizer, uma visão da grande ameaça que se escondia neste texto para todo o ensino da moral da Igreja. Tive a impressão que era minha obrigação, para servir bem ao Papa e à Igreja, apresentar a questão primordial que meu novo artigo apresenta, sem respondê-la, mas colocando-a de uma forma tão clara que o Papa e qualquer outro leitor pudesse fazê-lo corretamente. Eu me senti obrigado a escrever isso para evitar uma destrutiva bomba atômica teológico-moral que podia fazer que toda a doutrina moral da Igreja desabasse. Tenho a intenção – propondo esta pergunta com a maior clareza possível – de ajudar o Magistério do Papa Francisco a prever tal dano.

Devido às consequência lógicas e potenciais desta única afirmação que vi serem tão terríveis, e devido a que senti ao mesmo tempo que não era apropriado acusar o Papa de um erro tão grave (esta foi uma das razões pelas quais não aderi à acusação formal de heresia ao Papa que dois grupos de teólogos me tinham pedido que assinasse), e devido a que somente o próprio Papa e possivelmente o colégio cardinalício, ou um Concílio, poderiam corrigir esta afirmação [presente em AL] e evitar que se desenvolva suas lógicas consequências práticas, é que eu formulei meu artigo como uma pergunta principal, e uma série de interrogações que se deduzem aplicando a pura lógica à mencionada afirmação e pergunta.

MH:  O senhor poderia expor para nossos leitores sua preocupação mais importante sobre Amoris Laetitia?

JS: A minha preocupação principal está exposta neste meu segundo artigo. Se nossa consciência pode conhecer (e não só opinar falsamente) que Deus quer que cometamos um ato intrinsecamente mau, adúltero ou homossexual, desde que estejam algumas condições atenuantes, então a lógica deve extrair a consequência de que o mesmo princípio se aplica à anticoncepção (HV), ao aborto e a todos os outros atos que a Igreja e os mandamentos de Deus proíbem de forma absoluta. Esta é exatamente a postura e estas são exatamente as consequências da assim chamada “ética puramente teológica” que o teólogo jesuíta Josef Fuchs e muitos outros defendiam muitos anos atrás antes e depois da Humanae Vitae e que eu investiguei e refutei em muitos artigos e em um livro escrito em alemão e que não foi publicado. O Papa João Paulo II condenou clara e definitivamente este erro de Fuchs e outros defensores, e o fez solenemente na Veritatis Splendor e na Evangelium Vitae, esclarecendo assim o perene ensinamento moral dos Evangelhos e da Igreja. Nesta última encíclica, o Papa João Paulo II invoca a autoridade de São Pedro (EV, n.68) e declara (creio eu que dogmaticamente) que desde o primeiro momento da concepção, toda criança merece o respeito devido à pessoa, e, portanto, o aborto é sempre e intrinsecamente um grave ato imoral.

Foi então que eu experimentei um profundo sofrimento pessoal. Minha impressão era que agora todo o edifício da ética absoluta (já ensinada antes de Cristo por Sócrates e Cícero) do Antigo e do Novo Testamento, assim como o edifício da Igreja, poderia começar a desmoronar simplesmente aplicando a lógica desta afirmação [de AL].

Antes, no meu primeiro artigo, também expressei muitas outras preocupações:

– Que a distinção mediante o discernimento entre adúlteros bons e adúlteros maus, onde os primeiros, inclusive sem se arrependerem, poderiam ser admitidos aos sacramentos, enquanto que somente os outros teriam que ser excluídos, apresenta uma tarefa totalmente impossível para o sacerdote de discernimento entre bons e maus pecadores mortais (tal como muito bem o disse a Conferência Episcopal Polonesa).

O longo texto de AL propõe admitir aos sacramentos casais que, objetivamente falando, vivem em pecado mortal, mas não diz uma só palavra sobre o perigo de blasfêmia e sacrilégio, contra o que no adverte o Apóstolo São Paulo nos mais enérgicos termos, dizendo que “comemos e bebemos nossa condenação se recebemos a Sagrada Comunhão em pecado mortal”.

AL diz que “ninguém (inclusive o adúltero) será condenado para sempre” o que parece negar a existência do inferno, o que contrasta com as palavras de São Paulo que dizem que nenhum adúltero que não se tenha convertido irá ao Céu e, portanto, serão condenados para sempre se não se convertem.

– Que alguns cristãos não tenham a força para cumprir os mandamentos (com a ajuda dos sacramentos e da graça de Deus), o que foi uma das principais heresias propostas por Lutero e condenada pelo Concílio de Trento.

Eu ainda sustento estas e outras preocupações sobre AL, mas queria a) desenvolver no segundo artigo somente um ponto que me parece a “cruz” de AL, e b) apresentar algumas perguntas lógicas ao Papa e a outros leitores, que não vejo que podem ser respondidas negativamente. No entanto, se forem respondidas afirmativamente, esta conclusão a partir de AL nos levaria logicamente à destruição de todo o ensinamento moral da Igreja, e por este motivo deveria ser revogada, o que eu imploro (com reservas) ao Papa.

Eu, portanto, suplico com reservas ao Papa com toda caridade e amor, que se ele deve responder às perguntas lógicas que eu lhe proponho com um sim rotundo, que retire ao menos essa frase de AL e que não a converta num motivo para a reforma teológica e moral da Igreja.

Certamente, o Papa não manterá esta afirmação se com isto provoca – com sua resposta afirmativa à pergunta de meu artigo – a destruição do pilar da doutrina moral da Igreja e da ética natural (como foi ensinada por Sócrates e Cícero).

MH:  O senhor pensa que ainda restam dúvidas sobre se o Papa tem a intenção de permitir que alguns divorciados que voltaram a se casar recebam os sacramentos? Quais são para o senhor os argumentos mais sólidos para defender sua posição?

JS: Não tenho nenhuma dúvida! Inclusive os muito elogiados defensores de AL, tais como Rocco Buttilglione, o Cardeal Blasé Cupich e o Cardeal Schönborn o veem claramente e louvam a AL exatamente por isso. Ao contrário do que eu e muitos outros, eles tomam a admissão aos sacramentos dos pecadores não arrependidos como um fruto da misericórdia e da legítima consideração pastoral do Papa Francisco. Eles acreditam que AL, admitindo aos adúlteros não arrependidos, aos homossexuais, e a outros casais em “situações irregulares”, não contradizem a Veritatis Splendor nem Familiaris Consortio nº 84, que proíbem tudo isso baseando-se no Evangelho. O raciocínio deles é o seguinte: se esses casais fossem capazes de compreender que o que eles estão fazendo é algo mau e tivessem a força de vontade que o Papa João Paulo II assume, eles não poderiam ser admitidos aos sacramentos, como ensina o Santo Padre. Mas se esses pecadores não cumprem estas duas condições subjetivas necessárias para encontrar-se em pecado mortal (e Buttiglione, junto com o Papa, pensa que possivelmente a maioria dos homens e mulheres contemporâneos carecem de uma ou de ambas condições), eles deveriam ser admitidos aos sacramentos, como diz o Papa Francisco em AL. De acordo com esta interpretação, ambos os Papas têm razão e não se contradizem entre si. Podemos ver que também esses defensores de AL estão de acordo com que na Exortação de fato se propõe admitir aos adúlteros não arrependidos e outros pecadores, depois do devido discernimento aos sacramentos (os Bispos filipinos, em sua primeira resposta à AL, convidaram imediatamente a todos os casais aos sacramentos sem um prévio discernimento). Além disso, o Cardeal Shönborn e o Pe. Antonio Spadaro, SJ, chegaram a afirmar que AL elimina toda distinção entre casais em situação regular e irregular.

Além do mais, o elogio que o Papa fez da interpretação dos Bispos de Buenos Aires da AL de admitir aos adúlteros não arrependidos e outros casais depois do discernimento aos sacramentos e confirmando que essa era a leitura correta, prova o que estamos dizendo.

A mesma coisa se aplica ao elogio da interpretação muito mais liberal que fizeram os Bispos de Malta, baseando-se em pressupostos de uma radical ética de situação. Estas e muitas outras palavras e atos do Papa Francisco provam que a sua pergunta tem que ser respondida afirmativamente, inclusive ainda que o Cardeal Gerard Muller ou o Mons. Livio Melina adotassem a interpretação de que AL não mudasse a disciplina dos sacramentos.

Ao mesmo tempo, o Papa aceita a postura da Conferência Episcopal Polonesa, e da Conferência Episcopal de Alberta, no Canadá, que seguem o ensinamento da Familiaris Consortio (FC) e rejeitam qualquer tipo de mudança na doutrina sacramental. O Papa Francisco aceitou a rejeição unânime dos Bispos poloneses de mudar as normas de FC declarando (como a mesma AL diz) que o magistério não deve ter um único ensinamento em tais matérias, mas que deve aceitar a diversidade cultural e nacional em matéria de tradições morais. Há uma preocupação estendida na Igreja de que isso acrescente um relativismo histórico e cultural aos outros problemas de AL. Porque certamente parece inaceitável que o que na Polônia constitua um pecado mortal, e faz com que se exclua da comunhão e da confissão os pecadores que não se arrependam, não tenha nenhuma dessas consequências quando o adúltero cruze a fronteira e vá se confessar e comungar na Alemanha, uma milha de distância ao leste do anterior sacerdote polonês, que se negou a dar-lhe a absolvição e a admiti-lo à comunhão.

MH No seu ensaio de 2016, o senhor diz que Amoris Laetitia poderia causar “uma avalanche de destrutivas consequências para as almas e para a Igreja”. Um ano mais tarde, o senhor vê tais consequências destrutivas já se desenvolvendo?

JS: Se somente um ou alguns – já não digamos a maioria – dos casais em “situações irregulares” que recebem os sacramentos agora cometem um sacrilégio e um pecado grave, obviamente as consequências destrutivas de AL estão acontecendo e portanto as palavras de Cristo a uma vidente em Granada são certas, já que diz que estas “falsíssimas doutrinas” conduzirão muitas almas ao inferno.

Além do mais, se está causando um grave dano às almas se agora alguns seminaristas não querem chegar a ser sacerdotes porque se verão forçados, contra a sua consciência, a administrar os sacramentos a católicos que voltaram a se casar e cujos primeiros matrimônios não foram declarados nulos pela Igreja. Se lhes diz que as portas do seminário estão abertas para quem quiser sair, e se eles não querem aceitar essa nova prática, deveriam ir embora. Por conseguinte, muitos dos melhores futuros sacerdotes vão embora e já não trabalharão pelo bem das almas. Aos sacerdotes se lhes anima, e inclusive seus Bispos lhes ordenam, atuar contra a sua consciência, alguns são ameaçados de ser expulsos de suas paróquias se atuam segundo a mesma. Os Bispos pressionam os sacerdotes que aderem à Tradição da Igreja e aos ensinamentos expressos na Familiaris Consortio pelo Papa João Paulo II. Alguns sacerdotes, que vivem contra os ensinamentos da Igreja, sentem-se animados a receber os sacramentos e a celebrar a Missa, professando uma carência de força de vontade para abster-se de relações homossexuais ou relações sexuais com mulheres. Reina uma grande confusão: muitos perdem a fé na Igreja como pilar da verdade e agora a veem como uma Babel de confusão, etc.

MH: Em seu novo ensaio de 2017, pergunta-se se Amoris Laetitia “afirma claramente que estes atos intrinsecamente desordenados e objetivamente pecaminosos […] podem ser permitidos, ou mesmo se podem ser objetivamente ordenados por Deus” e o senhor diz que, se isto for assim, nós estamos enfrentando uma “bomba atômica moral e teológica”. O senhor poderia nos explicar o significado desta expressão?

JS:  Se isto é certamente assim, o que AL diz no texto que eu analizo, isto é, se Deus em alguns casos, ou somente em um, quer que nós, em nossa situação concreta, cometamos um ato intrinsecamente errôneo, tais como atos homossexuais ou adultérios, não há nenhuma razão lógica que nos impeça aplicar isto à anticoncepção, ao aborto, à vingança de sangue, às mentiras, aos enganos, etc. Não podemos deixar de aplicar os mesmos princípios que declaramos serem válidos para um tipo de ato intrinsecamente maus a outros igualmente pecaminosos. Simplesmente podemos também negar que este ato, ou qualquer outro ato humano, seja intrinsecamente desordenado e mau.

No entanto, toda a Lei e os Profetas, o ensinamento moral da Igreja, giram em torno do reconhecimento de que muitos atos deste tipo não podem ser cometidos nunca nem em nenhuma situação. Assim, pois, se alguém deduz logicamente esta consequência de AL, tal afirmação provocaria uma avalanche de consequências e é uma bomba atômica espiritual que destruiria o maravilhoso edifício do ensinamento moral católico (e da ética natural).

MH:  Neste contexto de “atos intrinsecamente desordenados e objetiva e gravemente pecaminosos” o senhor menciona explicitamente não só aos divorciados e recasados, mas também às uniões homossexuais. O senhor acredita que o termo “casais irregulares” como se usa em Amoris Laetitia significa que vai ser mais inclusivo e que se vai aplicar também aos casais homossexuais?

JS: Está claro que é assim e muitas outras declarações do Papa e de Conferências Episcopais, tais como a das Filipinas, demonstram-no claramente.

MH No contexto de leis morais absolutas que agora parece que estão sendo enterradas por esta discussão, o senhor trouxe à tona o tema da Humanae Vitae e a possível revisão de seus ensinamentos sobre a contracepção. O senhor tem alguma informação concreta sobre esta comissão vaticana recentemente formada? Segundo sua opinião, alguns de seus membros são indicadores da direção que vai tomar este trabalho?

JS: Apareceu um grande número de artigos e de blogs, com fontes fidedignas e bem informadas, que confirmaram esta notícia. No entanto, mesmo que não acreditássemos neles, a lógica nos diz: se alguns adúlteros não arrependidos podem ser admitidos aos sacramentos e se seu adultério pode inclusive “ser o que Deus quer que eles façam na complexidade de sua situação”, porque segundo este raciocínio, alguns casais que usam métodos anticoncepcionais não poderiam ser igualmente admitidos aos sacramentos ou inclusive que “Deus na complexidade de sua situação concreta”, deseje que eles usem métodos anticoncepcionais e esterilização, em vez da abstinência temporal, porque dita situação levaria o esposo ou a esposa a cometer pecados mais graves?

MH:  O senhor acrescentou em seu novo ensaio, que o senhor mesmo havia sido escolhido pelo Papa São João Paulo II como membro ordinário vitalício da Pontifícia Academia para a Vida (um cargo que foi eliminado quando todos os membros da referida Academia foram despedidos pelo Papa Francisco em 2016 e não pode ser reeleito como membro devido às mudanças profundas na Pontifícia Academia realizadas em 2017): O senhor poderia nos explicar estas palavras? Isto significa que o senhor foi despedido da Pontifícia Academia para a Vida, apesar do fato de que havia sido designado (por João Paulo II) como membro vitalício da mesma?

JS:  De acordo com os estatutos da Pontifícia Academia para a Vida, todos os membros ordinários eram vitalícios. O Papa Francisco primeiro mudou os estatutos. Portanto, agora o período máximo da duração do cargo de um membro ordinário é de 5 anos. Em segundo lugar, o Papa Francisco despediu a todos os membros atuais da Pontifícia Academia para a Vida e cancelou sua Assembléia Geral convocada para 2016. Em terceiro lugar, nomeou novos membros e voltou a incluir a alguns outros que já tinham sido membros anteriormente, inclusive alguns muito bons. Eu estava entre os que foram despedidos e que não foram reincorporados.

MH: O senhor tem alguma ideia do porquê ter sido despedido da Pontifícia Academia para a Vida?

JS: Já que todos os membros da Academia para a Vida foram despedidos, como eu disse anteriormente, está claro o porquê eu também fui. A razão pela qual não fui reincorporado somente poderia ser respondida com certeza pelo Papa, ainda que eu posso especular sobre isso, se quiser.

Talvez por causa de meu artigo sobre a AL em 2016? Possivelmente porque eu em diversas ocasiões critiquei publicamente a dois presidentes da Pontifícia Academia para a Vida (durante o Pontificado de Bento XVI) e pedi ao Papa que os substituísse (coisa que ele fez numa das ocasiões)? Seria porque eu escrevi várias vezes sobre a definição de “morte cerebral”, para as várias reuniões da Academia para a Vida e dois encontros da Pontifícia Academia das Ciências (aos quais fui convidado como especialista na matéria) e durante dois anos para uma comissão sobre “morte cerebral” convocada pelo Cardeal Elio Sgreccia? Talvez porque eu enviei estas críticas aos Papas anteriores (João Paulo II e Bento XVI) com a esperança (frustrada) de que a Igreja rejeitasse claramente as definições e critérios de morte cerebral por serem inválidas? Ou talvez porque eu critiquei publicamente a mensagem que Mons. Marcelo Sanchez Sorondo enviou a um Congresso Médico Mundial sobre o coma e a morte, em Cuba, que identificava a “morte cerebral” com a morte humana e dizia que isso era um tipo de “dogma da Igreja Católica”, e que a adesão a este princípio era obrigatória, e sua falsa afirmação de que agora isso era “ensinamento oficial da Igreja Católica”? Talvez porque neste mesmo Congresso sobre o coma e a morte, e nos dois anteriores, fiz o discurso de abertura e nele criticava o fato de identificar “morte cerebral” e morte humana? Ou seria porque eu informei aos assistentes do referido Congresso o que e o porquê o Papa João Paulo II tinha expressado suas sérias dúvidas em relação a identificação entre a morte humana e a morte cerebral num discurso dirigido a médicos especializados em transplantes? Ou porque eu disse publicamente que o Papa São João Paulo II tinha convocado um simpósio sobre este tema na Pontifícia Academia para as Ciências no qual todos os doutores, filósofos, juristas, anestesistas, etc. rejeitaram esta identificação? Talvez porque eu revelei aos presentes que o texto prometido (e já revisado) deste simpósio havia sido suprimido aparentemente por Mons. Sanchez Sorondo e que a Pontifícia Academia para a Saúde havia convocado outro simpósio no qual só uma minoria (bastante significativa) rejeitava a identificação entre morte humana e morte cerebral?

MH: O senhor disse que a nova Pontifícia Academia para a Vida (PAV), tal como foi reorganizada no final de 2016, está profundamente mudada. Poderia explicar-nos como é isso? Quais são as mudanças que o senhor vê que estão ocorrendo na nova Academia para a Vida?

JS: Em primeiro lugar, não quero mitificar a antiga PAV fundada por São João Paulo II. Depois da presidência do santo médico doutor Jerome Lejeune, cujo processo de beatificação está em curso (que descobriu as causas da síndrome de Down e lutou tenazmente pela vida das crianças afetadas a quem muitos doutores e pais assassinavam quando se confirmava a existência da síndrome), e que morreu de câncer alguns meses depois de ser nomeado, tivemos outros dois presidentes. O primeiro foi o professor Juan de Dios Vial, reitor da Universidade Pontifícia de Chile, ajudado pelo excelente vice-presidente monsenhor (agora cardeal) Elio Sgreccia, quem se converteu posteriormente num igualmente sensato e competente presidente (ainda que alguns dos membros, incluindo eu mesmo, fomos muito críticos com a forma na qual ele manejou certos assuntos, como por exemplo, o debate sobre a “morte cerebral”). Mesmo em seus melhores tempos na PAV, houve muitas discussões, por exemplo, sobre se a assim chamada “morte cerebral” é realmente morte humana e aqueles que o negavam tais como os professores Allan Shewmon, Wolfgang Waldstein, Alejandro Serani, eu mesmo, etc, fomos progressivamente marginalizados. Depois, tivemos dois presidentes que fizeram declarações contrárias à verdade ética e ao ensinamento da Igreja (o primeiro, o Arcebispo Fisichella defendeu a legitimidade e a bondade de alguns abortos). O segundo organizou por exemplo um Congresso na Pontifícia Academia, no qual, dos sete oradores convidados para falar sobre tratamentos de infertilidade, seis defendiam diretamente métodos opostos ao ensinamento da Igreja. Estes e outros acontecimentos suscitaram uma bem merecida oposição de alguns membros. Em minha opinião, e na de muitos outros, isso contrariava claramente os fins da Academia para a Vida e o juramento pró-vida que cada membro tinha que fazer e, sobretudo, contrariava a doutrina da Igreja. Escrevi duas cartas abertas sobre a situação intolerável pela qual estava passando a antiga Academia. Eu não louvo a anterior Academia, nem nego que uma sensata reforma tivesse sido saudável.

No entanto, as profundas mudanças que ocorreram agora parecem ir muito mais longe e na direção contrária. Por um lado, em nível administrativo, o Papa Francisco mudou os estatutos, como já disse, e eliminou o sólido núcleo de membros incondicionalmente comprometidos com a vida, membros que o Papa João Paulo II tinha escolhido e, com isso, transformou a Academia numa sociedade cambiante e flexível que perdeu a identidade que alguns membros comprometidos lhe tinham dado. Mais importante ainda, os novos estatutos eliminam o juramento pró-vida que tínhamos que professar na anterior PAV. Foram nomeados alguns membros que são abertamente anti-vida. O novo presidente e bispo, Monsenhor Vicenzo Paglia, encomendou, antes de sua eleição, afrescos para sua Catedral na Itália nos quais aparece ele e muitas outras pessoas nuas e involucradas em atos homossexuais e outros pecados, e são atraídos para o Céu numa grande rede por um Jesus que cujas feições são as de conhecido barbeiro local homossexual. O grande pintor El Bosco tinha pintado os mesmos pecados que são glorificados neste afresco, em suas famosas pinturas do inferno. O Bispo Paglia também preside o Instituto João Paulo II onde exerce uma grande pressão sobre os professores para que não apoiem os ensinamentos morais e a disciplina dos sacramentos da Familiaris Consortio, mas que o façam aos da Amoris Laetitia.

MH O senhor está preocupado porque alguns membros da PAV, tais como Nigel Biggar, Padre Maurizio Chiodi, Padre Carlo Casalone, SJ ou o Padre Alain Thomasset, SJ alguns dos quais defendem ativamente o aborto ou o uso de anticoncepcionais?

JS:  É óbvio que estou preocupado. Nós tivemos membros como estes antes, como por exemplo um austríaco que promovia a “família dos teus sonhos” (Die Wunschfamilie) em cujo centro se incluía fertilização in vitro (FIV), a seleção de óvulos fertilizados de acordo com o sexo ou a saúde, a eliminação de crianças “deficientes” ou “não desejados” e, portanto, os aborto nas primeiras semanas. No entanto, a estes membros lhes foi pedido sua demissão. Agora parece que estão sendo nomeados diretamente pelo Vaticano. Isto significa uma mudança profunda da visão da Pontifícia Academia para a Vida atual frente à original.

MH À luz das discussões prévias sobre a Amoris Laetitia e as muitas tentativas de defender a doutrina moral tradicional da Igreja Católica, o senhor vê um paralelismo com o possível desenvolvimente da reinterpretação da Humanae Vitae e seu resultado?

JS:  Estou convencido de que a lógica diz que se o Papa Francisco não revogar o ensinamento [presente na AL] que eu analizei no meu último artigo e se ele não responder aos Dubia dos cardeais para deixar claro que há “atos intrinsecamente maus” e que estes atos nunca estão justificados em nenhuma circunstância, a Humanae Vitae será reinterpretada como um ideal que não se pode exigir a todo o mundo, e que depois de um discernimento, aqueles que praticam a contracepção (com ou sem efeitos abortivos) podem ser admitidos aos sacramentos, e que Deus mesmo, em algumas situações difíceis, assim quer. Disso se deduziria a negação dos atos intrinsecamente maus. E tal negação é certamente sugerida na passagem que eu analisei em meu último artigo. Assim, pois, espero fervorosamente que o Papa, se responder a minha pergunta afirmativamente, retire esta afirmação de AL e, portanto, e evite a deposição da Humanae Vitae.

MH: O Padre John A. Hardon, SJ (+30 de dezembro de 2000), reconhecido teólogo dogmático americano, costumava ressaltar que a maioria dos ensinamentos morais eram certamente ensinados infalivelmente pelo magistério ordinário universal, isto é, sem serem ensinadas ex cathedra. O senhor considera a proibição estrita do uso de qualquer forma de contraceptivos (muitos dos quais são abortivos) como parte do ensino infalível da Igreja? Ou seria possível que o Papa permitisse exceções a este ensinamento?

JS: Certamente o considero parte do ensino infalível da Igreja (ainda que não expresso num dogma). E mais, creio que sua verdade ética pode ser reconhecida pela razão pura e escrevi muitos artigos defendendo as provas filosóficas e as evidências de sua verdade.

MH Levando em conta seu próprio ensaio de 2017 com a próxima discussão sobre a Humanae Vitae, o senhor vê que existe um dano real e que o desmoronamento das leis morais absolutas pode conduzir a Igreja tolerar oficialmente o aborto e a contracepção?

JS: Penso que o grande dom da infalibilidade da Igreja evitou que o Papa Paulo VI, que se inclinava à opinião da maioria (pro contracepção) na comissão que ele tinha convocado, assim o fizesse, e escreveu a Humanae Vitae, na qual apoiava a opinião VERDADEIRA da minoria. Além do mais, creio que a mesma infalibilidade nunca permitirá que a Igreja siga a mensagem da Conferência Anglicana de Lambeth, que mudou a proibição do uso de anticoncepcionais nas igrejas protestantes, uma proibição que anteriormente tinha sido aceita por todas as igrejas cristãs.

No entanto, não acredito que seja impossível que um ensinamento infalível da Igreja seja negado FALÍVELMENTE por um Concílio ou por um Papa como já ocorreu algumas vezes na História da Igreja. Por exemplo, o Papa João XXII ensinou uma grave heresia, que ele mesmo revogou em seu leito de morte, escrevendo uma Bula que condenava seu próprio ensinamento, e que seu sucessor condenou como heresia. O Papa Libério assinou uma declaração semi-ariana que se desviava de alguma forma do dogma central da Igreja sobre a verdadeira divindade de Cristo e Santo Atanásio, que defendeu fervorosamente a verdade, foi várias vezes excomungado por esta defesa. Um Concílio queimou todos os escritos heréticos do Papa Honório que foi excomungado depois de morto. Por isso, ás vezes, – afortunadamente muito raramente, e nunca quando um Papa fala infalivelmente, declarando um dogma – um Papa pode cometer graves erros e inclusive cair em heresia. No meu último artigo eu não critico nem ataco ao Papa nem o acuso de heresia, só lhe faço algumas perguntas. Ninguém deveria esquecer que criticar uma afirmação não infalível do Papa ou uma opinião sua não é algo errado que faça mal à Igreja. O primeiro Papa, São Pedro, foi publicamente repreendido e criticado por São Paulo num Concílio e Santo Tomás fez uma grande defesa deste fato. O mesmo Cristo, logo depois de ter nomeado a São Pedro como primeiro Papa, e Pedra sobre a qual se construiria a Igreja, chamou-o de “Satanás”, e lhe disse: “Afasta-te de mim, Satanás!” e lhe acusou de querer impor seus pensamentos puramente humanos sobre os de Deus que incluíam os mistérios da Paixão e Morte de Jesus Cristo.

MH:  O Cardeal Walter Brandmueller recentemente discutiu publicamente a questão de uma profissão de fé papal, que frequentemente foi requerida em tempos de crise na Igreja. Poderia nos dizer se o senhor pensa que na situação atual tal profissão de fé papal seria útil?

JS:  Eu acredito que, se o Papa publicamente confessasse todo o verdadeiro Credo da Igreja Católica, seria realmente útil para trazer clareza e certeza a esta situação desesperadora e aparentemente confusa, mas provavelmente só um Concílio poderia pedir isto ao Papa ou ele teria que reconhecer pessoalmente que isto é útil.

MH: Os cardeais dos Dubia são repetida e duramente criticados por outros cardeais tais como o Cardeal Rodríguez e o Cardeal Schönborn. O senhor vê justificadas tais críticas ou qual seria sua resposta pessoal a estas reações de altos cargos contra os Dubia?

JS: Creio que os quatro cardeais dos Dubia (a três dos quais considero amigos e um deles amigo íntimo há 37 anos) atuaram de acordo com sua consciência com grande comedimento e respeito pelo Papa e com total justificação. Penso que as críticas que estão recebendo por seus Dubia são profundamente equivocadas, e o que é mais, o caluniar a estes grandes homens da Igreja é um grande pecado. Além disso creio que todo o Colégio Cardenalício deveria se unir a eles. Desde o meu ponto de vista todos os outros cardeais, bispos e todos os católicos, deveríamos apoiar aos quatro cardeiais (dos quais só restam três) e pedir-lhe ao Papa, junto com os Cardeais dos Dubia, uma resposta que restaurasse clareza e certeza e dissipasse a imensa confusão que reina agora e que ninguém que tenha olhos para ver e mente para pensar pode negar. Não são os Dubia, mas o fato de não responder às perguntas com sinceridade e com total claridade o que semeia a desconfiança sobre o Papa e provoca a confusão.