Posts tagged ‘Cardeal Raymond Leo Burke’

6 abril, 2018

Cardeal Burke: “A situação é intolerável. Não só é possível, mas é necessário criticar o Papa”.

«O que ocorreu com a última entrevista concedida a Eugenio Scalfari durante a Semana Santa supera tudo o que é tolerável», declarou o Cardeal Raymond Leo Burje em uma entrevista a Ricardo Cascioli, publicada em La Nuova Bussola Quotidiana, do último dia 4 de abril. 

Por«Que um ateu pretenda anunciar uma revolução no ensino da Igreja católica, afirme falar em nome do Papa, e negue a imortalidade da alma humana e a existência do inferno, suscitou um escândalo tremendo, não só para muitos católicos, mas também para numerosos não crentes que respeitam a Igreja Católica e seus ensinamentos, embora não compartilhe deles”, declarou o cardeal norte-americano, um dos quatro signatários dos dubia de 2016. «E mais, a resposta da Santa Sé à reação de escândalo que se produziu em todo o mundo foi extremamente insuficiente. Em vez de reafirmar claramente a verdade sobre a imortalidade da alma humana e o inferno, o desmentido se limita a dizer que algumas das palavras citadas não são do Papa. Não diz que o Sumo Pontífice não está de acordo com as idéias errôneas, e inclusive heréticas, expressas por tais palavras, nem que as repudia por serem contrárias à Fé Católica. Julgar desta forma a fé e a doutrina, ao nível mais elevado da Igreja, é, com razão, causa de escândalo entre os pastores e fiéis».

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Questionado por Cascioli sobre o silêncio dos pastores, o Cardeal Burke responde: «A situação se vê agravada pelo silêncio de tantos bispos e cardeais que compartilham, com o Sumo Pontífice, do dever de zelar pela Igreja universal. Alguns se limitaram a ficar em silêncio. Outros, fingem se há a menor gravidade. E outros propagam fantasias sobre uma nova Igreja, uma Igreja que empreende um rumo totalmente inovador, sonhando, por exemplo, com um novo paradigma para a Igreja ou uma conversão radical de sua praxis pastoral, fazendo dela algo completamente novo. Também há promotores entusiastas da suposta revolução na Igreja Católica. Os fiéis que percebem a gravidade da situação reagem com perplexidade diante da falta de direção doutrinal e disciplinar por parte de seus pastores. E para os que não compreendem a gravidade da situação, essa ausência lhes deixa confusos e vulneráveis a erros perigosos para as suas almas. Muitos que entraram em plena comunhão com a Igrea Católica após terem se batizados em uma comunhão eclesial protestante, pois tais comunidades abandonaram a fé apostólica, sofrem intensamente com esta situação: se dão conta de que a Igreja Católica está seguindo o mesmo caminho de abandono da fé. Esta situação me leva a refletir cada vez mais sobre a mensagem da Virgem de Fátima, que nos adverte do mal — pior ainda que os gravíssimos males originados da difusão do comunismo ateu — que é a apostasia da fé no seio da Igreja. O número 675 do Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final que abalará a fé de numerosos fiéis”, e que “A perseguição que acompanha a sua peregrinação sobre a terra desvelará o mistério da iniquidade sob a forma de uma impostura religiosa que proporcionará aos homens uma solução aparente de seus problemas, mediante o preço da apostasia da verdade” »

O Cardeal assinala possíveis iniciativas: « Diante de tal situação, os bispos e cardeais têm o dever de anunciar a verdadeira doutrina. Ao mesmo tempo, devem orientar aos fiéis para que ofereçam reparações pelas ofensas a Cristo e às feridas infligidas a seu Corpo Místico, a Igreja, quando a fé e a disciplina não são devidamente salvaguardadas e promovidas pelos pastores. O grande canonista do século XIII, Enrico da Susa, o Ostiense, diante da grave situação de como corrigir a um romano pontífice que age de modo contrário ao que seu cargo obriga, afirma que o colégio cardinalício é, de fato, um mecanismo de controle dos erros papais. Se o Papa não exerce bem o seu ofício para o bem das almas, não só é possível, como, inclusive, é necessário criticá-lo. Essa crítica deve se ajustar aos ensinamentos de Cristo sobre a correção fraterna (Mt.18, 15-18). Primeiro, o fiel ou pastor deve expressar a sua crítica em privado, para que o Pontífice possa se emendar. Se o Papa se nega a corrigir o seu modo gravemente deficiente de ensinar e agir, a crítica deve ser feita pública, porque dela depende o bem da Igreja e do mundo. Alguns criticaram aqueles que expressaram publicamente críticas ao Sumo Pontífice, como se se tratasse de uma manifestação de rebeldia ou desobediência, mas pedir — com o devido respeito ao cargo — a correção de uma confusão ou erro não é um ato de desobediência, mas de obediência a Cristo, e, portanto, também, a seu Vigário na Terra.»

Emmanuele Barbieri

7 janeiro, 2018

Foto da semana.

Roma, Igreja Santissima Trinità dei Pellegrini, 6 de janeiro de 2018: Circundado pelo padre brasileiro Vilmar Pavesi e pelo superior para a América Latina do Instituto do Bom Pastor, padre Matthieu Raffray, o Cardeal Raymond Leo Burke celebrou a Santa Missa por ocasião da solenidade da Epifania.

14 novembro, 2017

Entrevista do Cardeal Raymond Burke sobre os “dubia”, um ano depois da sua publicação.

Por Sandro Magister, 14 de novembro de 2017

P. – Vossa Eminência, em que ponto estamos desde que, faz esta semana um ano, os “dubia” foram tornados públicos por Vossa Eminência, pelo Cardeal Walter Brandmüller, e pelos dois Cardeais recentemente falecidos, Carlo Caffarra e Joachim Meisner?

R. – Um ano depois da publicação dos “dubia” a respeito de “Amoris Laetitia”, que não receberam qualquer resposta por parte do Santo Padre, observamos que é cada vez maior a confusão acerca da interpretação da Exortação Apostólica. Torna-se por isso mais urgente ainda a minha preocupação pela situação da Igreja e pela sua missão no mundo. Naturalmente, continuo em contacto regular com o Cardeal Walter Brandmüller acerca destes assuntos de extrema gravidade. Ambos permanecemos em profunda unidade com os saudosos Cardeais Joachim Meisner e Carlo Cafarra, que nos deixaram nos últimos meses. É assim que de novo reitero a gravidade desta situação que se tem vindo a agravar continuamente.

P. – Muito se tem dito acerca dos perigos inerentes à natureza ambígua do Capítulo 8 de “Amoris Laetitia”, sublinhando-se como dá azo a interpretações diversas. Porque é que a clareza é tão importante?

R. – A clareza no ensinamento não implica de todo qualquer rigidez que pudesse impedir as pessoas de caminhar; bem pelo contrário, já que é precisamente essa clareza que vem trazer a luz necessária para se poder acompanhar as famílias a seguirem o caminho próprio dos discípulos de Cristo. É ao invés a obscuridade, e ela somente, que, impedindo que se enxergue o caminho, vem prejudicar a acção evangelizadora da Igreja, como nos diz Jesus: “Vem a noite, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9, 4).

P. – Poderia explicar algo mais, à luz dos “dubia”, acerca do que se está a acontecer na presente situação?

R. – A presente situação, longe de diminuir a importância dos “dubia” ou perguntas, torna-os ainda mais prementes. Não se trata de todo, como houve quem dissesse, de uma “ignorantia affectata”, que levanta dúvidas por não se querer aceitar um determinado ensinamento. Do que se trata nos dubia é sim, em vez disso, de determinar com precisão o que o Papa quis ensinar como sucessor de Pedro. Assim, as perguntas nascem precisamente do próprio reconhecimento daquele ofício petrino que o Papa Francisco recebeu de Nosso Senhor para confirmar na fé os seus irmãos, que é a sua finalidade. O Magistério é um dom de Deus à Igreja, para que faça clareza sobre pontos relativos ao depósito da fé. Afirmações em que falte essa mesma clareza, pela sua própria natureza, não podem ser qualificadas como expressões do Magistério.

P. – Do ponto de vista de Vossa Eminência, porque é que se torna tão perigoso que haja interpretações divergentes de “Amoris Laetitia”, em especial no que toca ao tratamento pastoral a dispensar a quantos vivam numa união irregular, e mais particularmente, no que diz respeito aos divorciados civilmente “recasados” que não vivem em perfeita continência e à questão de estes poderem ou não receber a Sagrada Eucaristia?

R. – É hoje evidente que foram sendo propostas várias interpretações, divergentes e até mesmo incompatíveis entre si, para certas indicações contidas em “Amoris Laetitia” e relativas a aspectos essenciais da fé e da prática da vida cristã. Este facto incontestável confirma que tais indicações aí contidas são ambivalentes e permitem diversas leituras, muitas das quais em contraposição com a doutrina católica. Assim sendo, as questões que nós Cardeais levantámos dizem respeito a saber o que foi exactamente que o Santo Padre ensinou e de que modo o seu ensinamento se harmoniza com o depósito da fé, dado que o magistério “não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado” (Concílio Vaticano II, Constituição dogmática “Dei Verbum”, n. 10).

P. – Não será que o Papa já não deixou claro qual seja a sua posição por meio da carta que endereçou a alguns bispos argentinos, na qual afirmou que “não há outra interpretação” senão a das linhas directrizes promulgadas por esses bispos – linhas directrizes essas que deixaram aberta a possibilidade de conviventes sexualmente activos não casados receberem a comunhão?

R. – Ao contrário do que foi dito entretanto, não podemos considerar como resposta adequada às questões levantadas a carta escrita pelo Papa pouco antes de receber os “dubia”, dirigida aos bispos da região de Buenos Aires e versando sobre as linhas directrizes estabelecidas por estes prelados. Por um lado, tais linhas directrizes podem elas próprias ser interpretadas de maneiras diferentes; e, por outro, não fica claro que a carta em questão seja um texto magisterial, mediante o qual o Papa tenha querido falar à Igreja universal enquanto sucessor de Pedro. O facto de que essa carta se tenha tornado conhecida porque houve uma fuga de informação para a imprensa – só depois tendo sido tornada pública pela Santa Sé – levanta uma dúvida razoável sobre se o Santo Padre teria a intenção de a dirigir à Igreja universal. Além do mais, seria bastante estranho – e contrário ao desejo manifestado explicitamente pelo Papa Francisco de deixar aos bispos de cada país a aplicação concreta de “Amoris Laetitia” (cf. AL, n. 3) – que agora o Papa viesse impor a toda a Igreja universal aquelas que são apenas as directivas concretas de uma pequena região. A ser assim, não deveriam porventura passar a considerar-se inválidas as diversas disposições promulgadas por vários bispos para as suas dioceses, desde Filadélfia até Malta? Um ensinamento que não é suficientemente determinado, seja quanto à respectiva autoridade como quanto ao seu efectivo conteúdo, não pode pôr em dúvida a clareza do ensinamento constante da Igreja, que, aliás, qualquer que seja o caso, permanece sempre normativo.

P. – Também está preocupado pelo facto de que certas conferências episcopais, ao permitirem que alguns divorciados “recasados” e que vivam “more uxorio” (isto é, que continuem a manter relações sexuais) possam receber a Sagrada Eucaristia sem um firme propósito de emenda, elas estejam com isso a contradizer o precedente ensinamento papal, em particular o contido na exortação apostólica “Familiaris consortio”, do Papa São João Paulo II?

R. – Sim, os “dubia”, as nossas questões continuam em aberto. Quantos afirmam que disciplina ensinada por “Familiaris consortio” n. 84 mudou, mostram-se em oposição entre si logo que se trata de explicar as razões e as consequências. Alguns há que chegam ao ponto de defender que os divorciados com uma nova união e que continuam a viver “more uxorio” não se encontrariam num estado objectivo de pecado mortal (citando em seu apoio AL n. 303); outros negam esta interpretação (citando em seu apoio AL n. 305), e no entanto, deixam depois completamente entregue ao juízo da consciência a determinação dos critérios de acesso aos sacramentos. Parece pois que o objectivo dos intérpretes seja aquele de se chegar a todo o custo a uma mudança da disciplina, sem importar os argumentos que para tal fim se aduzam, e sem ter em consideração o quanto põem em perigo pontos essenciais do depósito da fé.

P. – Que efeito tangível tem tido esta mistura de interpretações?

R. – Tamanha confusão hermenêutica já produziu, de facto, um triste resultado. Verificamos que a ambiguidade a respeito de um ponto concreto da pastoral familiar conduziu alguns a propor uma mudança de paradigma acerca de toda a prática moral da Igreja, cujos fundamentos foram ensinados com autoridade por São João Paulo II na encíclica “Veritatis splendor”.

A verdade é que se activou um processo de subversão de partes essenciais da Tradição. No que toca à moral cristã, alguns sustentam que é necessário relativizar as normas morais absolutas e que se deve dar à consciência subjectiva, a uma consciência auto-referencial, um primado – em última análise equívoco – em matéria de moral. Por conseguinte, o que aqui está em jogo não é um elemento tão-só secundário do “kerygma”, da mensagem fundamental do Evangelho. Do que estamos a falar é de saber se sim ou não, o encontro de uma pessoa com Cristo pode, por meio da graça de Deus, configurar o caminho da vida cristã, de modo a que este possa estar de acordo com o plano sapiente do Criador. Para melhor se compreender o alcance das mudanças que assim se propõem, basta pensar no que aconteceria se esse raciocínio viesse a ser aplicado a outros casos, como o do médico que pratica abortos, o do político que está ligado a uma rede de corrupção ou o de alguém que, estando em sofrimento, decida recorrer a uma modalidade de suicídio assistido…

P. – Alguns disseram que o efeito mais pernicioso é que tudo isto representa não só um ataque ao ensinamento moral da Igreja, mas também aos Sacramentos. De que modo?

R. – Para além do debate em torno da moral, está a provocar-se na Igreja uma erosão cada vez mais evidente do significado da sua prática sacramental, especialmente no que toca à Penitência e à Eucaristia. O critério decisivo para a admissão aos sacramentos sempre foi o da coerência do modo como uma pessoa vive com os ensinamentos de Jesus. Se agora, em vez disso, o critério decisivo passasse a ser a ausência de culpabilidade subjectiva das pessoas – como o fazem alguns dos intérpretes de “Amoris Laetitia” – não se estaria com isso a mudar também a própria natureza dos sacramentos? De facto, estes não são encontros privados com Deus nem meios sociológicos de integração comunitária. São sim sinais visíveis e eficazes da nossa incorporação em Cristo e na Sua Igreja, pelos quais e nos quais a Igreja professa publicamente a sua fé e a realiza. Assim, em se assumindo a culpabilidade subjectiva diminuída de uma pessoa ou a ausência de tal culpabilidade como critério decisivo para a admissão aos sacramentos, estar-se-ia a pôr em perigo a própria “regula fidei”, a regra da fé, que os sacramentos proclamam e realizam, não somente por meio de palavras mas também com gestos visíveis. Mais: como poderia a Igreja continuar a ser sacramento universal de salvação, se se esvaziasse de conteúdo o significado próprio dos sacramentos?

P. – Apesar de Vossa Eminência e muitos outros, incluindo mais de 250 académicos e sacerdotes que emitiram uma “correcção filial”, terem claramente sérias apreensões e reservas acerca dos efeitos destas passagens de Amoris Laetitia, e porque, até ao presente, não obteve ainda qualquer resposta por parte do Santo Padre, pode-se dizer que está aqui a dirigir-lhe um último apelo?

R. – Sim, por estas graves razões, um ano depois de se ter tornado públicos os “dubia”, de novo me dirijo ao Santo Padre e a toda a Igreja, sublinhando vigorosamente o quanto é urgente que o Papa, exercendo o ministério que recebeu do Senhor, confirme os seus irmãos na fé, com uma manifestação clara da doutrina atinente tanto à moral cristã como ao significado da prática sacramental da Igreja.

12 novembro, 2017

Foto da semana.

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Fátima, 3 de novembro de 2017: O Cardeal Raymond Leo Burke celebra Missa Pontifical por ocasião da peregrinação do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote, que levou cerca de 4 mil fieis ao Santuário. Mais imagens aqui. E um comentário que vale a leitura aqui.

2 outubro, 2017

Burke: de volta à Assinatura Apostólica. Mas…

Sua nomeação é apenas para ser juiz membro do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica — cardeais são, normalmente, membros de várias congregações romanas, o que não é o caso de Burke: desde que deixou o comando do supremo tribunal da Igreja, o purpurado americano foi também defenestrado da Congregação para o Culto Divino, em novembro de 2016 — imediatamente após a divulgação dos dubia. Com a nomeação do arcebispo Angelo Becciu como delegado especial do Papa para a Ordem de Malta, a Burke restou somente o título de cardeal patrono, sem função efetiva. Burke, embora com apenas 69 anos, é já tratado como um cardeal aposentado: curioso observar que dos outros quatro nomeados juntamente com ele, três são já eméritos.

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Burke no Brasil em entrevista a FratresInUnum.com.

Por Catholic Herald | Tradução: FratresInUnum.com: Sua nomeação ocorre três anos após sua destituição como prefeito

O Papa Francisco renomeou o Cardeal Raymond Leo Burke para a Assinatura Apostólica, quase três anos após destituí-lo do cargo de prefeito.

A Santa Sé anunciou sábado pela manhã que o cardeal americano foi nomeado ao mais alto tribunal do Vaticano juntamente com o Cardeal Agostino Vallini, Cardeal Edoardo Menichelli, Arcebispo Frans Daneels e o Bispo Johannes Willibrordus Maria Hendriks.

O Cardeal Burke atuou como prefeito do tribunal durante seis anos antes de ser destituído, em 2014 e nomeado cardeal patrono da Ordem de Malta, um cargo predominantemente cerimonial. Na ocasião, era bastante incomum destituir um cardeal de posição hierárquica tão elevada sem designá-lo a responsabilidades compatíveis em algum outro lugar.

Desde então ele tem se tornado um forte defensor do ensinamento tradicional da Igreja e foi um dos quatro cardeais signatários dos ‘dubia’, que pede esclarecimento acerca do documento Amoris Laetitia.

26 junho, 2017

O Cardeal Burke…

Recebeu em mãos, hoje pela manhã, as mensagens de nossos leitores. Rezemos sempre mais por esse valoroso cardeal. 

22 junho, 2017

O Amor Divino Encarnado. No Brasil.

Por Belém, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, o que se viu, no pouco mais de uma semana em que o Cardeal Raymond Leo Burke esteve no país, foi uma multidão de fiéis abarrotando auditórios e igrejas, ávida por ouvir o purpurado americano. Apesar do desdém de boa parte de seus irmãos no episcopado por onde esteve, a passagem do Cardeal Burke pelo Brasil foi um estrondoso sucesso. Sobre isso tudo, conversamos com Sua Eminência:

Cardeal Burke, primeiramente, gostaríamos de agradecer a sua atenção para com nosso blog. FratresInUnum já traduziu para o português inúmeros discursos e entrevistas de Vossa Eminência e nos sentimos muito honrados em colaborar para tornar a sua defesa da Fé e Moral Católica conhecida em nosso país. 

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“As ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz” (Jo, 10, 4-5). Cardeal Raymond Leo Burke: afável e disponível para com todos.

FratresInUnum: Vossa Eminência está visitando o Brasil para a publicação de seu livro “O Amor Divino Encarnado”. O que desejou abordar em sua obra?

Cardeal Burke: Desejei abordar a nossa Fé na Eucaristia como o encontro com o Senhor ressuscitado que vem a nós no Santíssimo Sacramento, trazendo o céu à terra, dando-nos os dons do Espírito Santo. Em nossos dias, por conta dos abusos litúrgicos, gosto de enfatizar a atenção à natureza sagrada da Eucaristia. A Fé Eucarística sofreu enormemente em minha própria terra natal, nos Estados Unidos, onde cerca de metade dos católicos não acreditam mais na Presença Real de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento — este é o centro da Fé Católica: quando não se crê mais nesta verdade, não se é mais Católico.

Assim, eu quis, usando dois documentos de papas recentes, a Carta Encíclica do Papa São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, e a Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Bento XVI, Sacramentum Caritatis, oferecer uma séria reflexão que ajudará as pessoas a se renovarem em seu conhecimento sobre o Senhor Eucarístico e também em seu amor por Ele.

No mês que vem, o motu proprio Summorum Pontificum completa 10 anos. Qual a importância deste documento para o aumento do amor à Sagrada Eucaristia e como Vossa Eminência avalia a sua recepção e aplicação?

O documento é importantíssimo, pois após o Concílio Vaticano II se difundiu a ideia de uma nova Liturgia, em outras palavras, de uma Sagrada Liturgia completamente diferente daquela que a Igreja vinha celebrando há séculos. Por exemplo, a forma da Santa Missa permaneceu praticamente imutável desde os tempos de São Gregório Magno. Então, o que aconteceu foi que o rito da Missa, primeiramente, foi drasticamente atenuado, muitas de suas riquezas foram eliminadas, e o que tornou a situação ainda pior foram as experiências litúrgicas do rito.

E, assim, com tantas experiências mundanas, em que o homem é colocado no centro, perdeu-se o sentido de que a Missa é ação do próprio Cristo. É Cristo que age na Santíssima Eucaristia para fazer presente sacramentalmente o Seu Sacrifício no Calvário. Assim, o Papa Bento XVI expressou de maneira muito clara, em sua carta aos bispos por ocasião da promulgação do motu proprio Summorum Pontificum, que era sua esperança de que a celebração das duas formas do único Rito Romano restauraria o sentido do sagrado na Sagrada Liturgia. Parece estranho dizer, mas, desde a promulgação do motu proprio, houve uma certa resistência da parte de alguns bispos e padres, porém, da parte de outros bispos, padres e bravos fiéis, houve um grande sentimento de alegria por terem restaurada agora a bela forma da Missa tal como foi conhecida pelos séculos. E eu vejo, por onde vou para celebrar a forma extraordinária da Missa, que há sempre um grande número de fiéis, dentre eles muitos jovens e jovens famílias, e isso me mostra que a forma extraordinária do Rito Romano é importantíssima para comunicar o dom incomparável que é a Sagrada Eucaristia. Às vezes, ouvi dizer: “Ah, teremos a forma extraordinária somente até todos esses velhos morrerem!”. Sim, há pessoas mais velhas, como eu, que amam a forma extraordinária da Missa, mas há muitos, muitos jovens, que, ao contrário de mim, nunca a conheceram quando crianças, mas vieram a conhecê-la agora e são muito, muito ligados a ela.

Neste centenário de Fátima, de que forma a mensagem de Nossa Senhora se relaciona com a Sagrada Eucaristia e os temas tratados em seu livro? 

Ela se relaciona diretamente, pois Nossa Senhora trata fundamentalmente da apostasia dos nossos tempos, representada, primeiramente, no comunismo ateu, filosofia que nega a existência de Deus e propõe uma relação entre nós e o mundo que não respeita a ordem desejada por Deus, e também na apostasia que traz para Igreja uma perspectiva bastante mundana, e que começa a afetar os pastores da Igreja. Especialmente, no terceiro segredo, Nossa Senhora aborda essa apostasia, em particular a falha dos bispos em ensinar a Fé de forma concreta e em defendê-la.

burke entrevista 2Para chegar exatamente ao ponto que você está levantando, a Fé abordada por Nossa Senhora é fundamentalmente uma Fé Eucarística, vinculada à realidade da presença de Cristo conosco e com a Igreja e à necessidade de sermos obedientes a Cristo em todas as coisas. E isso muda completamente a perspectiva do católico leigo, e também muda a perspectiva de padres e bispos no entendimento de que todos estamos obedecendo a Cristo e construindo o reino de Deus na Terra, e restaurando todas as coisas em Cristo.

Nossa Senhora em Fátima nos propõe um profundo programa de renovação espiritual e de uma vida mais intensa em Cristo, primeiramente, pela penitência, a importância de se praticar a penitência em nossas vidas, a importância da devoção dos primeiros sábados em reparação às ofensas feitas a Nosso Senhor, em especial no Santíssimo Sacramento, ofensas ao Sagrado Coração de onde provêm todas as graças para a Igreja.

Assim sendo, vejo meu livro como estando diretamente a serviço da mensagem de Nossa Senhora para os nossos tempos. Nós precisamos, inclusive a preço do sofrimento, buscar uma maior santidade em nossas vidas, e essa santidade provém fundamentalmente da Comunhão com Nosso Senhor na Sagrada Eucaristia.

É a sua primeira visita ao nosso país? Qual era a expectativa de Vossa Eminência antes de sua viagem e quais eram suas referências sobre o catolicismo no Brasil?

Sim, essa é minha primeira visita ao Brasil. Eu tinha uma grande expectativa porque, primeiramente, o Brasil é um país muito importante, não só no mundo, mas para a Igreja e a história do catolicismo mundial, e o Brasil é um lugar lindo e inspirador – basta olhar para todas as belíssimas igrejas aqui, e belas imagens e objetos sagrados, para perceber quão profundamente a Fé Católica está presente no Brasil. Portanto, estava esperando essa visita para me encontrar pessoalmente com a Igreja daqui. Eu a conheci indiretamente, pois ao longo dos anos tive contato com muitos seminaristas e padres brasileiros em Roma, e sempre percebi neles uma profunda Fé Católica e também uma grande alegria e entusiasmo em relação a esta mesma Fé, e agora eu vi pessoalmente, através das pessoas que participaram das Missas e dos eventos de lançamento do livro, que estão bastante comprometidas e que amam muito a Nosso Senhor e também a sua Igreja. Isso foi muito edificante para mim.

Eu sei que a Igreja aqui, como em todas as outras partes do mundo, sofreu bastante com a secularização que se originou de uma falsa interpretação do Concilio Vaticano II, que Bento XVI chama de interpretação da descontinuidade ou da ruptura, e sei que isso causou um grande sofrimento. Entretanto, detecto aqui, e acredito que isso seja um forte movimento, especialmente porque eu o vejo nos jovens, o desejo de restaurar a integridade da Fé Católica, da Liturgia Católica e da Disciplina Católica.

E agora, ao fim de sua viagem, o que mais chamou a atenção de Vossa Eminência?

Como disse, vim principalmente para fazer o lançamento do livro, mas nesses eventos tive contato com muitas pessoas e percebi essa grande sede de ouvir a Fé proclamada em toda sua riqueza. Fiéis que demonstram querer ouvir também a parte difícil da mensagem, e não simplesmente ouvir que tudo está bem. Principalmente, diante das tantas dificuldades que enfrentamos hoje em dia e do estado do mundo ateu, quando, inclusive na Igreja, ouve-se ideias confusas e às vezes erradas, vejo que as pessoas querem ouvir o que realmente Nosso Senhor nos ensina através da Igreja e qual deve ser a nossa atitude decorrente desse ensinamento.

Hoje em dia, nós, fiéis Católicos, muito frequentemente nos sentimos isolados, não só na sociedade, mas também na Igreja. Vossa Eminência poderia deixar uma palavra de confiança e esperança a bispos, padres, religiosos e leigos comprometidos em manter a Fé Católica viva em nossa época?

O que deve ser central para nós, mais importante para nós, é a nossa relação com Nosso Senhor Jesus Cristo que está vivo na Igreja, como Ele prometeu que estaria conosco até o final dos tempos. E nós devemos manter essa relação especialmente através da Sagrada Eucaristia e das nossas orações diárias, da nossa devoção, tanto ao Sagrado Coração de Jesus, como pela reza do Santo Rosário, que eu tinha intenção de mencionar anteriormente, esta grande devoção e poderosa oração incentivada por Nossa Senhora em Fátima. E, através de todas essas devoções e práticas, nós passaremos a perceber melhor e mais certamente a presença de Nosso Senhor em nossas vidas e responderemos com amor. Então, poderemos suportar qualquer isolamento, ridicularização e até a perseguição pela nossa fidelidade a Cristo, e abraçar isso alegremente por amor a Ele.

Isso tudo, é claro, é o maior ato de caridade que podemos oferecer aos nossos irmãos e irmãs, tanto na Igreja quanto no mundo: um forte testemunho da Verdade e do amor que conhecemos em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Muito obrigado, Eminência!

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A você que esteve presente, ou ao menos desejou estar, em algum dos eventos com o Cardeal Burke no Brasil: escreva, na caixa de comentários, o seu relato, o seu agradecimento à Sua Eminência. Faremos chegar a ele, em Roma, em um buquê espiritual junto com nossas orações.

18 junho, 2017

Foto da semana.

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Em visita à Catedral de Belém nesta semana, o Cardeal Raymond Leo Burke encontra crianças da Escola Sagrado Coração. Foto: Paula Andrea Caluff Rodrigues.

11 junho, 2017

Foto da semana.

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Chartres, França, segunda-feira, 5 de junho de 2017: O Cardeal Raymond Leo Burke, Patrono da Ordem de Malta, celebra Missa Pontifical no Rito Tradicional por ocasião do encerramento da 35ª peregrinação anual de Pentecostes que vai de Paris a Chartres.

O Cardeal Burke estará no Brasil nesta semana, para o lançamento de seu novo livro “O Amor Divino Encarnado”, passando por Belém, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

28 maio, 2017

Foto da semana.

Gricigliano, Itália, Sexta-feira Santa de 2017: No seminário do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote, é costume que a refeição da Sexta-feira Santa seja servida pelos superiores. Neste ano, entre eles apresentou-se o Cardeal Raymond Leo Burke, que estava presente para as cerimônias da Semana Santa.

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Burke, na última semana, foi duramente atacado pelo Cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga — cujas aspirações nada católicas podem ser recordadas aqui — por conta dos dubia: “Aquele cardeal que sustenta isso é um homem desiludido, na medida em que desejava o poder e o perdeu”.

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Enquanto a corte bergogliana se afunda no ódio e na perseguição, não poupando nem Bento XVI, Burke, também na semana que se passou, fez um histórico pedido de que o Papa consagrasse a Rússia ao Imaculado Coração de Maria.