Posts tagged ‘Igreja’

21 julho, 2014

5 minutos de coragem…

E a tibieza de sempre voltou.

Arquidiocese volta atrás e libera curta de Padilha com Cristo Redentor

UOL – A Arquidiocese do Rio de Janeiro voltou atrás e não vai se opor ao uso da imagem do Cristo Redentor no curta dirigido por José Padilha e com Wagner Moura para o longa “Rio, Eu te Amo”. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (21), a assessoria da produtora Conspiração Filmes avisou que a cúpula religiosa reavaliou o episódio e entendeu que não houve desrespeito.

Há duas semanas, a própria Conspiração havia publicado um texto dizendo que o filme de Padilha, “Inútil Paisagem”, não entraria na versão final do longa porque aArquidiocese do Rio não cedeu os direitos de uso da imagem da estátua do Cristo Redentor, “peça fundamental da história de José Padilha”. Como justificativa ao veto, a Cúria Metropolitana teria dito que considerou o filme “ofensivo” à imagem de Cristo.

Em “Inútil Paisagem”, o personagem de Wagner Moura voa de asa delta em torno da estátua e faz um “desabafo”, usando o Cristo Redentor como interlocutor. Ele reclama, ainda segundo a produtora, de problemas pessoais e também de problemas da cidade, como a pobreza.

No novo comunicado, enviado aos produtores pelo vicariato, os integrantes da Arquidiocese “entenderam que o episódio não visou interesse religioso no trato à imagem do Cristo Redentor, portanto não houve desrespeito ao Cristo ou à religião católica”. Ainda de acordo com o texto, apesar do prazo apertado para a entrega do longa, “os produtores vão trabalhar intensamente e esperam poder incluir o episódio [de Padilha] na versão para os cinemas brasileiros”.

No início do mês, a Conspiração informou ao UOL que a história havia sido vetada em abril pela Arquidiocese do Rio e, desde então, a produtora lutava para que o órgão religioso voltasse atrás. Como o filme tem contrato com distribuidoras internacionais e precisava ser concluído até o final deste mês, os produtores decidiram “jogar a toalha” e resolveram lançar o longa sem “Inútil Paisagem” –o cartaz oficial já excluía a produção.

Parte da série de filmes “Cities of Love” –que já inclui “Paris, Eu te Amo” e “Nova York, Eu te Amo”–, “Rio, Eu te Amo” tem estreia marcada para 11 de setembro. O longa traz no elenco 24 estrelas nacionais e internacionais, entre elas Harvey Keitel, Emily Mortimer, John Turturro, Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Vincent Cassel, Vanessa Paradis, Ryan Kwanten e Jason Isaacs, entre outros, em histórias curtas dirigidas por renomados diretores de cinema.

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18 julho, 2014

Mártires do passado e do futuro?

Por Christine L. Niles – The Catholic Thing | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – No ano passado, centenas de milhares de cidadãos franceses invadiram Paris para caminhar a favor do matrimônio tradicional. Eles estavam participando da Manif Pour Tous – a “Manifestação para Todos” – em reação ao projeto de lei Mariage Pour Tous, que legaliza o casamento de pessoas do mesmo sexo. Reconhecendo que o casamento não é meramente “o amor entre duas pessoas, mas uma instituição que protege a dignidade de pais e filhos, e que rege o parentesco”, as passeatas do Manif têm impressionado pelo número de participantes, superando grandemente manifestações semelhantes nos Estados Unidos.

Prestando pouca atenção à vontade das pessoas, o governo levou a cabo a legislação – a despeito do clamor público disseminado. Além desse espetáculo de força legislativa, houve demonstrações de força física, e manifestantes (incluindo mulheres, crianças, idosos e até mesmo padres) foram aspergidos com gás lacrimogêneo e spray de pimenta, apanharam ou foram presos por soldados da tropa de choque.

Um percurso escolhido pelos manifestantes começou na Place de la Bastille e seguiu até a Rue Diderot, terminando na Place de La Nation, onde os discursos finais foram feitos antes que os participantes se dispersassem de maneira pacífica. Essa praça, há pouco mais de dois séculos, é o mesmo local onde cidadãos franceses – tanto ricos quanto pobres — que se opunham ao recém-fundado regime tiveram que derramar seu sangue em prol da République. Dentre as vítimas havia um grupo considerável de freiras carmelitas.

Muitos conhecem a história (que foi tema de uma peça de Georges Bernanos e uma ópera de Francis Poulenc). No dia seguinte à Festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, 1794, dezesseis carmelitas de Compiègne subiram o patíbulo uma por uma, cantando o Veni Creator – o hino entoado em sua profissão religiosa, e foram decapitadas. O Tribunal Revolucionário havia produzido como prova de sua traição um gravura do Sacratíssimo Coração de Jesus, juntamente com a gravura de um dos reis depostos, que foram tiradas da parede do convento.

Quatro anos antes, a Assemblée Nationale havia exigido que a Ordem Carmelita justificasse a sua existência. Madre Nathalie de Jesus dirigiu-se à assembléia assim:

No mundo eles gostam de difundir que os mosteiros contêm somente vítimas lentamente consumidas por arrependimentos; mas proclamamos diante de Deus que se existir na terra a felicidade verdadeira, nós a possuímos na penumbra do santuário, e que, se tivéssemos que escolher entre o mundo e o claustro, nenhuma de nós deixaria de ratificar com grande alegria a sua primeira decisão.

A longa temporada penitencial para as Carmelitas começa na Festa da Exaltação da Santa Cruz e dura até a Páscoa. Em 1792, as freiras de Compiègne foram separadas e forçadas a deixar seu querido Carmelo e voltar ao mundo. Apenas poucos meses antes, elas haviam concordado juntas em oferecer-se como vítimas à justiça divina para restaurar a paz na França e na Igreja. Elas renovavam a sua oferta diariamente, continuando a se encontrar secretamente durante dois anos, vestidas como leigas e se reunindo para a oração em comum.

Elas foram descobertas em junho de 1794 e aprisionadas na Conciergerie, onde outros clérigos e religiosos aguardavam seu destino sob a lâmina da Madame La Guillotine. (Ironicamente, uma Carmelita de sangue real escapou à morte porque por acaso estava ausente; ela se tornou a primeira historiadora das mártires.) Em 17 de julho, um dia após a Festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, elas foram chamadas diante do tribunal e, na mesma cidade onde Santa Joana d’Arc três séculos antes havia sido abandonada e entregue ao inimigo, foram condenadas à morte.

A Reverenda Madre Émilienne, Superiora Geral das Irmãs da Caridade de Nevers, escreveu:

A mais jovem dessas boas Carmelitas foi chamada primeiro. Ela se ajoelhou diante de sua venerável Superiora, pediu sua benção e permissão para morrer. Em seguida, ela subiu ao patíbulo cantando Laudate Dominum omnes gentes [o salmo entoado por Santa Teresa de Ávila 190 anos antes na fundação do novo Carmelo]. Então, ela mesma colocou-se debaixo da lâmina. Todas as demais fizeram a mesma coisa. A Venerável Madre foi a última sacrificada. Durante o tempo todo, não havia um único rufar de tambores; mas reinava um silêncio profundo.

Outra testemunha disse que as freiras pareciam radiantes, como se elas estivessem indo para seus casamentos.

Dez dias mais tarde, Robespierre seria executado no mesmo local, e o governo revolucionário interino chegaria ao fim. O sacrifício das Carmelitas – juntamente com incontáveis outras pessoas assassinadas pela fé na França revolucionária – haviam ascendido como uma doce oblação a Deus.

Em 1906, o Papa São Pio X beatificou as mártires Carmelitas, cujos corpos foram sepultados em uma sepultura comunitária no Cimetière de Picpus, a 500 metros da Place de la Nation. Uma placa discreta na parede do cemitério lhes serve de epitáfio, e o nome de cada irmã morta pela Fé está gravado nela.

A história delas é apenas uma dentre muitas que ocorreram em toda a França durante o Reinado de Terror, quando uma república fundada nos altivos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade – livres de todas as amarras cristãs – inevitavelmente acabou esmagando a oposição indefesa sob os pés.

E hoje em dia vemos sinais perturbadores da Quinta República seguindo as pegadas da Primeira, estabelecendo um regime, em nome de uma “igualdade” criada pelo homem, que só pode acabar destruindo a civilização, ao destruir a família. E o fato mais perturbador ainda é que o governo tem se mostrado muito disposto a usar quaisquer meios políticos necessários – e se isso falhar, quaisquer meios físicos necessários – para impor a sua vontade.

Como de costume, os meios de comunicação em grande parte fazem vista grossa, comprovando que a bandeira tricolor segurada ao alto por Marianne* na famosa pintura de Delacroix – que serve como lema tripartite da república – hoje em dia é, como era naquela época, um pouco mais que propaganda.

Talvez se possa dizer – e talvez mais cedo do que possamos imaginar – que os mártires de ontem servirão de testemunha para os mártires de amanhã. E não somente na França.

Christine Niles diplomou-se pela Universidade de Oxford e pela Faculdade de Direito de Notre Dame. Ela é a apresentadora na Forward Boldly Radio, cujos episódios podem ser encontrados aqui.

 * * *

Nota da Tradutora: Marianne é a figura alegórica (uma mulher) que representa a República Francesa, sendo portanto uma personificação nacional. Sob a aparência de uma mulher usando um barrete frígio, Marianne encarna a República Francesa e representa a permanência dos valores da república e dos cidadãos franceses: Liberté, Égalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade). Marianne é a representação simbólica da mãe pátria, simultaneamente enérgica, guerreira, pacífica e protectora e maternal. O seu nome provém, provavelmente, da contracção de Marie e de Anne, dois nomes muito frequentes no século XVIII entre a população feminina do Reino de França. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marianne

 

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16 julho, 2014

Flos Carmeli, vitis florigera, splendor Coeli, Virgo puerpera, singularis!

Por Padre Élcio Murucci

Bem podemos dizer que a veste da graça foi tecida pelas mãos benditas de Maria Santíssima. A Santa Madre Igreja proclama-a Corredentora. Se deu inteiramente a si mesma, em união com o seu Filho, pela nossa redenção. Uma tradição popular fala da túnica inconsútil que a sempre Virgem Maria teceu para Jesus; mas para nós fez realmente muito mais: cooperou para nos conseguir a veste da nossa salvação eterna. Maria Santíssima nunca deixou de nos seguir com o seu olhar maternal para proteger em nós a vida da graça. Cada vez que nos convertemos a Deus, nos levantamos de uma culpa – grande ou pequena – ou progredimos na graça, sempre o fazemos por intermédio de Maria Santíssima. O escapulário que a Senhora do Carmo nos oferece não é mais do que o símbolo exterior desta sua incessante solicitude maternal; símbolo, mas também sinal e penhor de salvação eterna. “Recebe, amado filho – disse Nossa Senhora a São Simão Stock – este escapulário… quem morrer com ele não padecerá o fogo eterno”. A sua poderosa intercessão maternal dá-lhe direito a repetir em nosso favor as palavras de Jesus: “Pai Santo… conservei os que me deste e nenhum deles se perdeu”.

O Carmelo é o símbolo da vida contemplativa, vida toda dedicada à busca de Deus, toda dirigida para a intimidade divina; e quem melhor realizou este ideal altíssimo foi a Virgem, Rainha e Decoro do Carmelo. Diz o profeta Isaías XXXII, 16-18: “No deserto habitará a equidade, e a justiça terá o seu assento no Carmelo. A paz será a obra da justiça e o fruto da justiça é o silêncio e a segurança para sempre. O meu povo repousará na mansão da paz, nos tabernáculos da confiança”. Estas palavras do profeta mostram o espírito contemplativo e retratam a alma de Maria Santíssima. Carmelo em hebreu significa jardim. A alma de Nossa Senhora é um jardim de virtudes, é um oásis de silêncio e de paz, onde reina a justiça e a santidade, oásis de segurança, todo cheio de Deus.

São as paixões e os apegos que fazem barulho dentro de nós, tirando a paz da nossa alma. Só uma alma completamente desprendida e que domina inteiramente as suas paixões, poderá, como Maria Santíssima, ser um “jardim” solitário e silencioso, um verdadeiro Carmelo, onde Nosso Senhor Jesus Cristo encontre suas delícias.

“Ó Maria, flor do Carmelo, vinha florida, esplendor do céu, Virgem fecunda e singular, Mãe bondosa e intacta, aos carmelitas dai privilégios, Estrela do mar!” Em latim: “Flos Carmeli, vitis florigera, splendor Coeli, Virgo puerpera, singularis! Mater mitis, sed viri nescia, Carmelitis da privilegia, Stella Maris!”

Publicado originalmente na festa de Nossa Senhora do Carmo de 2012.

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27 junho, 2014

Cor Jesu sacratissimum, miserere nobis!

Ato de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus

Dulcíssimo Jesus, Redentor do gênero humano, lançai os vossos olhares sobre nós, humildemente prostrados diante de vosso altar. Nós somos e queremos ser vossos; e para que possamos viver mais intimamente unidos a Vós, cada um de nós neste dia se consagra espontaneamente ao vosso Sacratíssimo Coração.

Muitos nunca Vos conheceram; muitos desprezaram os vossos mandamentos e Vos renegaram. Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros e trazei-os todos ao vosso Sagrado Coração.

Senhor, sede o Rei não somente dos fiéis que nunca de Vós se afastaram, mas também dos filhos pródigos que Vos abandonaram; fazei que eles tornem, quanto antes, à casa paterna, para que não pereçam de miséria e de fome.

Sede o Rei dos que vivem iludidos no erro, ou separados de Vós pela discórdia; trazei-os ao porto da verdade e à unidade da fé, a fim de que em breve haja um só rebanho e um só pastor.

Sede o Rei de todos aqueles que estão sepultados nas trevas da idolatria e do islamismo, e não recuseis conduzi-los todos à luz e ao Reino de Deus.

Volvei, enfim, um olhar de misericórdia aos filhos do que foi outrora vosso povo escolhido; desça também sobre eles, num batismo de redenção e vida, aquele sangue que um dia sobre si invocaram.

Senhor, conservai incólume a vossa Igreja, e dai-lhe uma liberdade segura e sem peias; concedei ordem e paz a todos os povos; fazei que de um a outro pólo do mundo, ressoe uma só voz: Louvado seja o Coração divino, que nos trouxe a salvação! A Ele, honra e glória por todos os séculos dos séculos. Amém.

S.S. Pio XI, 11 de dezembro de 1925.

Publicado originalmente em 2010

Leia também:

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

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14 junho, 2014

Ecclesia mutilans.

J’étais moi-même debout dans la foule, près du second pilier à l’entrée du choeur à droite du côté de la sacristie. Et c’est alors que se produisit l’événement qui domine toute ma vie. En un instant mon coeur fut touché et je crus. [Eu mesmo estava de pé no meio da multidão, perto do segundo pilar à entrada do coro, à direita do lado da sacristia. E foi então que se produziu o acontecimento que domina toda a minha vida. Em um instante meu coração foi tocado e eu acreditei.]

Notre Dame de Paris

Notre Dame de Paris

Por  – Foi enquanto se cantavam as vésperas solenes do dia de Natal de 1886 que Paul Claudel surpreendeu no âmago do seu ser esta excentricidade e escândalo a que se chama ser católico – literalmente esta particularidade de se ser universal – ao fim do mesmoMagnificat que a Mãe de Deus pronunciara num anónimo povoado de Judá.

Não é preciso ser um teólogo graduado pelo Angelicum para perceber que não foram nem os verbos nem as vibrações do ar, nem os componentes químicos do calcário industriosamente repartido em forma de catedral, nem mesmo o proverbial brio dos sacristãos franceses, que converteram Claudel – é da graça e dos seus instrumentos que falamos. Nesse momento, operava na penumbra da catedral de Paris um subtil, grandioso e ao mesmo tempo extremamente preciso dispositivo de cooperação com o Espírito Santo. Era a Civilização Cristã, como se nada fosse: viva, inteira e respirando.

Mesmo um não crente, que exclua metodologicamente da operação a agência sobrenatural, reconhecerá na Igreja esse património avassalador que são dois mil anos de experiência humana a articular-se com a naturalidade dum organismo vivo –  capazes de atingir o coração das pessoas e dos povos com uma profundidade, uma eficácia e uma frescura misteriosas para operar o sursum corda sobre o qual tudo se edifica.

Aí, nesse amplexo ao mesmo tempo etéreo e uterino, tremendo e íntimo como uma visão de Isaías, onde Claudel se resguardou do frio de Paris, o sagrado experimentava-se não por referência, por elucubração teórica ou por analogia – mas por imersão. É de imaginar que possa ter murmurado para consigo as mesmas palavras que Jacó pronunciou em Bethel: terribilis est locus iste. E consummatum erat: Claudel era cristão. Foi-o até ao fim duma vida que se estendeu por décadas duríssimas para a urbe e para o orbe, e se morreu triste para com os homens, triste especialmente para com as ideias que os varriam como folhas mortas através das primeiras décadas do último século, tinha a alegria de Cristo que era a da Igreja que o recebera.

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20 maio, 2014

Ladainha de Nossa Senhora.

Uma catequese fornecida pelo nosso leitor José Carlos Bovo, a quem agradecemos.

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17 abril, 2014

Hora Santa: Quinta-Feira Santa e a prisão do Sacrário.

Accipite, et manducate ex hoc omnes...

Temos a honra de publicar esta belíssima Hora Santa composta especialmente para o dia de hoje pelo Padre Mateo Crawley-Boevey, membro da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. Tendo sido curado milagrosamente no Santuário das aparições do Sagrado Coração a Santa Margarida Maria em Paray-le-Monial, França, Pe. Mateo decidiu então conquistar os lares, sociedades e nações para o Sagrado Coração. Com ordens de São Pio X, iniciou sua cruzada pela Entronização do Sagrado Coração nos lares. Por quarenta anos percorreu o mundo promovendo suas famosas Horas Santas, implorando às famílias cujos lares já eram consagrados ao Sagrado Coração que não deixassem Nosso Senhor solitário, especialmente nas quintas-feiras que antecediam a primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração. Até sua morte em 1960, Padre Mateo, o grande Apóstolo do Sagrado Coração, lançava em suas publicações apelos pela Comunhão reparadora, freqüente e diária, a devoção ao Santo Rosário e até mesmo o reconhecimento pela ONU dos direitos de Cristo Rei.

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16 abril, 2014

Os três Cedros do Líbano.

Uma piedosa estória contada para crianças e relembrada pelos mais velhos libaneses. Nesta Semana Santa, rezemos por esse povo sofrido e fiel.

Por George-François Sassine | Fratres in Unum.com – “No começo dos tempos, no Líbano, Deus criou os três primeiros e grandes cedros do Líbano, dos quais todos os outros descenderam. Ao primeiro, ele o fez o mais sábio. Ao segundo, ele o fez o mais forte. Ao terceiro, ele o fez o mais belo.

Por milhares de anos as árvores cresceram em estatura, sabedoria e beleza, tendo assistido a uma expedição enviada pelo rei Salomão contra os assírios, conhecido ao profeta Elias e assistido à invenção do alfabeto pelos fenícios.

O Cedro do Líbano

O Cedro do Líbano

Até que um lenhador viesse, e maravilhado com a imponência daquelas árvores, as cortasse. Os cedros, sussurando em meio às suas folhas, compartilhavam seus desejos do que seria o destino de cada um.

O primeiro disse “… quero viajar pelo mundo afora, e, quando encontrá-lo, ser transformado no trono do rei mais poderoso da Terra…”.

O segundo cedro disse “… eu quero ficar nesta terra, como sinal de força e estabilidade. Assim, serei parte da lembrança da vitória do bem sobre o mal…”

O terceiro cedro finalizou “… seja aqui ou seja onde for, eu quero trazer às pessoas esperança e assim ser lembrança de Deus aos olhos dos homens …”

Porém concordaram “De Deus somos criaturas, por causa de Sua Bondade infinita existimos, então confiemos na Sua Providência”.

E assim Deus ouviu aos desejos dos 3 cedros, e assim Deus os concedeu.

Ao primeiro cedro que se tornasse abrigo de animais, e, que de suas sobras fosse feito um cocho para feno.

Ao segundo, que se tornasse uma mesa grande e robusta, mas muito simples e rústica.

Ao terceiro, que fosse apenas cortado e armazenado, quase abandonado.

Muitos anos depois, talvez séculos, numa noite gelada e cheia de estrelas, um casal peregrino que não encontrava refúgio resolveu passar a noite naquele estábulo, construído com a madeira do primeiro cedro. A mulher, em trabalho de parto, deu à luz ali mesmo. Ela envolveu seu filhinho em panos e colocou-o sobre o feno e a madeira. Naquele momento a primeira árvore entendeu que seu sonho tinha sido cumprido: sobre ele, o mais sábio dos cedros, era deitado o Rei dos reis da Terra.

Poucas décadas mais tarde, à noite e numa casa modesta, vários homens sentaram-se em refeição ao redor daquela mesa grande e robusta, simples e rústica. Um deles, após a ceia, tomou para si pão e vinho. Antes que os distribuísse, fez aos seus convidados ouvir palavras nunca ditas antes. O mais forte dos cedros entendeu então que pão e vinho já não eram mais a mesma coisa, senão a eterna aliança renovada entre os homens e o Criador Todo Poderoso.

Passadas poucas horas, o terceiro cedro que havia sido quase largado em um depósito, teve dois de seus lenhos tomados. O maior foi carregado para o alto de um monte e deitado na terra. O segundo, menor, foi entregue a um homem dilacerado e humilhado, que o carregou por horas até que chegar ao alto daquele monte. Os lenhos foram unidos e a eles foi cravado o homem, que a eles molhou com seu sangue.

Horrorizado, o terceiro e o mais belo dos cedros lamentou a herança bárbara que a vida lhe deixara, ao ter que assistir à agonia e morte de homem tão manso. Não suficiente, assistiu à terrível dor de uma jovem mãe que morria em vida assistindo ao seu filho cravado naquela cruz.

Porém, antes que três dias decorressem, entendeu seu destino: o homem que ali estivera pregado ressurgia vivo em glória e poder, demonstrando definitivamente que é a Luz do mundo, o Filho de Davi, o Cordeiro de Deus.

A cruz feita com sua madeira já não mais era símbolo de tortura, mas transformara-se em sinal concreto e visível da vitória do Amor sobre o ódio, da Humildade sobre a soberba, da Obediência sobre a revolta, do Bem sobre o mal, da Vida sobre a morte”.

Os três cedros do Líbano então glorificaram a Deus, por ter-lhes concedido, mesmo privados da imaginação de cada um deles, cumprir ao destino que cada um aspirara. Não segundo suas vontades, mas segundo a vontade de Deus.

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21 março, 2014

Discurso de posse do Des. Ricardo Dip na Academia Cristã de Letras, em São Paulo (18-3-2014).

Capítulo das boas maneiras da retórica ensina que, em situações como estas, alçando-se alguém sem maiores méritos a uma elevada honraria acadêmica −em meu caso, na cadeira que, nesta colenda Academia Cristã de Letras, está sob o patronato de GUSTAVO TEIXEIRA, poeta neoparnasiano da nossa cidade de São Pedro−, mas dizia eu: nessas circunstâncias, recomenda a retórica que deva ser breve a alocução de agradecimento, ao menos para que a escassez de palavras satisfaça o saudável motivo de poupar o orador de sua maior exibição ao constrangedor cotejo presencial com tantos Maiores na Academia.

E, em meu caso, é mais vistosa a prudência na recomendação da brevidade do discurso, pela intensidade do motivo adicional de que meu imediato antecessor na Cadeira a que nesta Academia tão desproporcionadamente ascendo foi o Professor SAMUEL PFROMM NETTO, Professor que foi da Universidade de São Paulo e não menos da Universidade que ainda hoje conserva o nome de Católica de São Paulo, esse escritor, psicólogo, pedagogo, historiador, justa vaidade de sua piracicabana terra natal, esse pensador, nascido em 1932, que foi Presidente do Conselho Regional paulista de Psicologia e membro de diversas Academias −a Paulista de Psicologia, a Paulista de História, a Paulista de Educação, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo−, recebendo dezenas de medalhas e títulos, testemunho social da excelência de sua obra, sinalizada pelos muitos livros que nos legou (inter plures: Psicologia, introdução e guia de estudo, Psicologia da aprendizagem e do ensino, Telas que ensinam, Principles of learning and instructional theory).

Numa entrevista de março de 2002, contemplando o processo ruinoso da civilização contemporânea, PFROMM NETTO afirmava que “a sociedade acabou por engendrar influências, condições e situações que estão criando à larga pequenos Frankensteins” e lembrava que Daniel Boorstin advertira, no ínicio da década de 60, que, a seguir-se nessa trilha, “o botequim imundo, com sua boçalidade, suas brigas violentas e sua desfaçatez, e o prostíbulo, com o sexo aviltado e seu cortejo de misérias e indecências, estariam dentro da sala de estar das nossas casas perante os olhos da família”. E rematava o eminente Professor PFROMM:

“A verdade é que estamos fabricando, assim, os Frankensteins de amanhã, em meio à indiferença, à inconsciência, à irresponsabilidade e à amoralidade (…)”

Quando faleceu, em 17 de novembro de 2012, o Professor PFROMM tinha mais do que estampada essa diagnose de nossos tempos, confirmada pela imensa e vistosíssima crise do mundo contemporâneo: já se estendiam os tapetes vermelhos para a recepção dos Frankensteins, e eram estes ruidosamente saudados com uma sinistra e muito gráfica divisa: “ad delendam Christianitatem”.

Crise tenebrosa, de fato, esta em que vivemos. Ainda que, em outras épocas da história humana, se haja a Cristandade afligido de misérias, insídias e ataques, sempre havia, para a segurança das consciências, a autoridade sólida da Igreja docente: Roma locuta causa finita.

Já agora, e como nunca, diante de uma intensa e sistemática hostilidade contra as verdades da Fé e da Moral, desfilando diante de nossos espantados olhos as milhares de crianças assassinadas diariamente no ventre materno, o crescente número e aterrador de suicídios de jovens em vários países do mundo, a prática “legalizada” da eutanásia, a destruição da família −já pela trágica aversão de sua realidade natural, já pela insidiosa moléstia do divórcio…, já agora, e como nunca, tamanhas sendo todas essas agressões a bens e princípios que, tal o disse BENTO XVI, são princípios e bens “iscritti nella natura umana stessa e quindi (…) comuni a tutta l’umanità”, já agora, e como nunca, o mais insólito dessa crise está em que a tudo se agregue o trágico quarto de hora da Igreja Militante.

Nosso Senhor perguntara a seus discípulos, se quando o Filho do homem voltar, encontrará por ventura a Fé sobre a Terra −inveniet fidem in terra?, e o Magistério da Igreja, no “Catecismo” de JOÃO PAULO II, vem confirmar-nos que, “antes do advento de Cristo, a Igreja deverá passar por uma provação final que sacudirá a fé de numerosos crentes”: a glória do Reino exige uma derradeira Páscoa, mas esta última Páscoa da Igreja impõe que siga ela seu divino Fundador, na Morte e na Ressureição; à glória do Reino a Igreja não se elevará, disse JOÃO PAULO II, “sem passar por esta última Páscoa, em que seguirá seu Senhor em sua Morte e Ressurreição” in Eius Morte Eiusque sequētur Resurrectione.

Tempos difíceis os nossos, o da Paixão da Igreja, dilacerada num drama agudíssimo que tão bem resumiu PAULO VI, quando, em célebre discurso ao Seminário lombardo −era o ano de 1968−, acusou na crise o processo de autodemolição da Santa Barca de S.Pedro: também ela não podia deixar de ter seus Judas Iscariotes, sua Sexta-Feira Dolorosa.

Bem gostava pessoalmente de encerrar este brevíssimo discurso proclamando minha firme esperança de que demain, le Pape −para usar o título de valioso artigo do saudoso JEAN MADIRAN−, de que demain, le Pape aplicará, no governo interno da Igreja, as santas sábias medidas que o Papa PAULO IV deixou ditado de modo perdurável na célebre Bula Cum ex apostolatus officio. A militância católica pequenina de minha menoridade habitual, elevada graciosamente a esta egrégia Academia, traz guardada in corde a mais funda esperança de que não nos faltará a Providência e que, demain, le Pape reconstruirá sua autoridade e restituirá a saudosa inteireza da doutrina que sempre e em toda parte ensinou a Santa Igreja… porque senha indefectível da sobrenatural grandeza do Pontificado romano sempre foi e sempre o será a sólida fidelidade papal na custódia da tradição, nessa vanguardista conservação da doutrina que semper et ubique tenuit Ecclesia… porque, isto é absolutamente certo: DEUS, DEUS não muda!

Muito obrigado.

* * *

Agradecemos ao dr. Ricardo Dip a honra que concede ao Fratres de divulgar seu discurso.

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6 março, 2014

Os sete estágios da heresia.

Por Pat Archbold

As heresias[1] populares não surgem do nada. Elas crescem lentamente.

Estágio 1.

A prática imoral é claramente condenada e anatematizada. A salvação eterna das almas está em perigo. Algumas pessoas ainda a praticam, mas elas são entendidas como pecadoras e, algumas vezes, são condenadas ao ostracismo social.

Estágio 2.

A prática imoral ainda é claramente condenada, mas ninguém realmente fala sobre isso. Mais pessoas a praticam, mas não é considerada ideal.

Estágio 3.

A prática imoral é formalmente condenada, mas tal condenação é raramente ensinada. Muito mais pessoas a praticam, isto é como a vida é algumas vezes.

Estágio 4.

A prática imoral ainda é formalmente condenada, mas a maior parte do clero vê de outra maneira e alguns até mesmo a encorajam. A maioria a pratica, qual o grande problema?

Estágio 5.

A prática imoral ainda é formalmente condenada, mas nós devemos encontrar um modo de agir pastoralmente com todos os que se engajam em tal prática. Entende-se que a Igreja os feriu desnecessariamente com sua intolerância ultrapassada. A fim de sermos mais pastorais, encorajamos mais a prática imoral porque o nosso desenvolvimento nos ensinou que os sentimentos das pessoas são mais importantes do que suas almas.

Estágio 6.

A prática imoral ainda é imoral, mas aqueles encarregados da cura de almas e de salvaguardar a verdade dizem coisas como “o navio já zarpou” ou “não é tão importante” ou “irrelevante” ou “nós não somos obcecados com esses assuntos” ou “devemos ir ao encontro das pessoas onde elas estão” ou, no final das contas, “o sensus fidelium já falou”. Aqueles que não a praticam são considerados aberrações intolerantes, desvairadas e obcecadas que, em última analise, estão atrapalhando a expansão da Igreja.

Estágio 7.

A prática imoral ainda é imoral e a Igreja ainda a condena formalmente, mas a prática imoral em escala mundial já gerou outras piores, então nós temos mais com o que nos preocupar. Parabéns! Você tem uma heresia plenamente desabrochada!!


[1] [N.T.] Heresia aqui entendida lato sensu como a negação obstinada de uma verdade moral infalível.

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