Posts tagged ‘Igreja’

13 setembro, 2014

Foto da semana.

“… Felizes sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus…”

(Evangelho segundo São Mateus Apóstolo, cap. 5,vers. 10-12)

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Maaloula, Aleppo, Mosul, Qaraqosh… Enclaves católicos sujeitos ao silêncio e à indiferença, sob o preço da dessacralização sistemática e do martírio de sangue. Longe dos interesses dos poderosos deste mundo, a verdadeira Igreja chora no Iraque e na Síria – assim como na na Nigéria, no Egito, no Líbano e na Líbia.

Ah, se os poderosos dessem ouvido ao que disse, no século XIV, o imperador bizantino Manuel Palaiologus a um emissário persa (muçulmano), como lembrado pelo Papa Emérito Bento XVI em Regensburg:

“Mostre-me o que Maomé trouxe de novo… E aí você encontrará apenas coisas más e desumanas, como o comando de espalhar pela espada a fé que ele pregou”

E ainda nos pedem o diálogo e a “paz”?

“… Mas vós, Senhor Deus, tratai-me segundo a honra de vosso nome. Salvai-me em nome de vossa benigna misericórdia, porque sou pobre e miserável; trago, dentro de mim, um coração ferido.

Vou-me extinguindo como a sombra da tarde que declina, sou levado para longe como o gafanhoto.

Vacilam-me os joelhos à força de jejuar, e meu corpo se definha de magreza.

Fizeram-me objeto de escárnio, abanam a cabeça ao me ver.

Ajudai-me, Senhor, meu Deus. Salvai-me segundo a vossa misericórdia.

Que reconheçam aqui a vossa mão, e saibam que fostes vós que assim fizestes.

Enquanto amaldiçoam, abençoai-me. Sejam confundidos os que se insurgem contra mim, e que vosso servo seja cumulado de alegria…”

(Livro dos Salmos, cap. 108, vers. 21-28)

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16 agosto, 2014

Foto da semana.

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Se receamos ir diretamente a Jesus Cristo, nosso Deus, por causa da sua grandeza infinita, ou da nossa miséria, ou ainda dos nossos pecados, imploremos ousadamente o auxílio e a intercessão de Maria, nossa mãe. Ela é boa e terna; nada tem de austero ou de repulsivo, nada de demasiado sublime e brilhante. Contemplando-a, vemos a nossa própria natureza.

Ela não é o Sol, que pela vivacidade dos seus raios poderia cegar-nos por causa da nossa fraqueza. Ela é bela e doce como a Lua (Ct 6, 9), que recebe a luz do Sol e a abranda a fim de adaptá-la à nossa pequenez. É tão caridosa que não repele nenhum dos que pedem a sua intercessão, por mais pecador que seja. Pois, como dizem os santos, desde que o mundo é mundo, nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido à Santíssima Virgem, com confiança e perseverança, tenha sido por Ela desamparado.

São Luis Maria Grignon de Monfort, Tratado da Verdadeira Devoção.

Na imagem, de 10 de agosto de 2014, o fenômeno conhecido como Superlua se apresenta ao fundo da Igreja Nossa Senhora da Penha, no Rio de Janeiro.

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15 agosto, 2014

Foederis Arca.

Ouvimos na primeira leitura: “Abriu-se o Santuário de Deus que está no céu e apareceu no Santuário a arca da sua Aliança” (Apocalipse, 11, 19). Qual é o significado da arca? O que se apresenta? Para o Antigo Testamento, ela é o símbolo da presença de Deus no meio de seu povo. Mas, agora, o símbolo deu lugar à realidade. Assim, o Novo Testamento nos diz que a verdadeira Arca da Aliança é uma pessoa viva e concreta: é a Virgem Maria. Deus não habita em um móvel, Deus habita em uma pessoa, um coração: Maria, aquela que trouxe em seu seio o Filho eterno de Deus feito homem, Jesus, nosso Senhor e Salvador. Na Arca — como sabemos — foram conservadas as duas tábuas da lei de Moisés, que expressavam a vontade de Deus em manter a aliança com o seu povo, indicando-lhe as condições para ser fiel à aliança de Deus, para se conformar à vontade de Deus e, assim, também, à nossa verdade profunda. Maria é a Arca da Aliança, pois acolheu Jesus em si; acolheu em si a Palavra viva, todo o conteúdo da vontade de Deus, da verdade de Deus; acolheu em si Aquele que é a nova e eterna aliança, culminada com a oferta de seu corpo e sangue: corpo e sangue recebidos de Maria. Com razão, pois, a piedade cristã, nas ladainhas em honra a Nossa Senhora, volta-se a Ela, invocando-a como Foederis Arca, ou seja, “Arca da Aliança”, arca da presença de Deus, arca da aliança do amor que Deus quis contrair de modo definitivo com toda a humanidade em Cristo.

[...]

Nesta Solenidade da Assunção, olhemos para Maria: Ela nos abre à esperança, a um futuro cheio de alegria, e nos ensina o caminho para atingi-lo: acolher, na fé, o seu Filho; não perder jamais a amizade com Ele, mas se deixar iluminar e guiar por sua palavra; segui-lo todos os dias, mesmo nos momentos em que sentimos que nossas cruzes se tornam pesadas. Maria, a Arca da Aliança, que está no santuário do céu, nos indica com luminosa clareza que estamos caminhando para nosso verdadeiro lar, a comunhão de alegria e de paz com Deus. Amém!

Do sermão do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, 15 de agosto de 2011.

Tradução: Fratres in Unum.com

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7 agosto, 2014

Patriarca de Lisboa: celibato não é “mera questão disciplinar”.

Por José Manuel Santos Ferreira – Na conclusão da homilia que proferiu na Missa de ordenação de dois novos sacerdotes, no dia 29 de Junho de 2014, Solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, na Igreja de Santa Maria de Belém, D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa, falou do celibato sacerdotal, deixando muito claro que o celibato não é uma “mera questão disciplinar”.

Aqui está o texto, na parte relativa ao celibato:

Caríssimos irmãos: A verdade da Igreja e da sua missão no mundo articula-se inevitavelmente aqui, quando a teologia se faz escatologia, acolhimento e anúncio do que Deus nos dá definitivamente em Cristo. E é importante verificar, caríssimos ordinandos, que não é por acaso que a frase litúrgica citada – «enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador» – será dita por vós em cada Missa que celebrardes, e precisamente como sacerdotes celibatários.

Detenhamo-nos um pouco neste último ponto, já que alguma opinião o desvaloriza ou dispensa. Deixai-me dizer até que, sendo verdade que, mesmo na Igreja Católica, há casos de ordenação sacerdotal de homens casados, o celibato não se reduz, como por vezes se ouve, a uma “mera questão disciplinar”. Muito pelo contrário, sendo realmente uma graça, ele assinala para a Igreja toda, na vida consagrada ou ligado ao ministério sacerdotal, aquela dimensão final em que Jesus Cristo, também ele celibatário, nos introduz já e culminará por fim.

O celibato e a virgindade consagrada alargam o horizonte e o coração, quer para a paternidade pastoral dos sacerdotes, quer para a universal maternidade da Igreja. Assim o disse, com muita clareza e aviso, o Papa Francisco, a 6 de Julho do ano passado, a um grupo de seminaristas, noviços e noviças, além doutros jovens em caminho vocacional: «Vós, seminaristas e freiras, consagrais o vosso amor a Jesus, um amor grande; o coração é para Jesus, e isto leva-nos a fazer o voto de castidade, o voto de celibato. Mas o voto de castidade e o voto de celibato não acaba no momento em que se emite, continua… Um caminho que amadurece, amadurece, amadurece até à paternidade pastoral, até à maternidade pastoral, e quando um sacerdote não é pai da sua comunidade, quando uma religiosa não é mãe de todos aqueles com os quais trabalha, torna-se triste. Eis o problema. Por isto vos digo: a raiz da tristeza na vida pastoral consiste precisamente na falta de paternidade e maternidade que vem de viver mal esta consagração que, ao contrário, nos deve conduzir à fecundidade. Não se pode imaginar um sacerdote ou uma religiosa que não sejam fecundos: isto não é católico! Não é católico! Esta é a beleza da consagração: a alegria, a alegria…» (L’Osservatore Romano, ed. port., 14 de Julho de 2013, p. 5).

Todas as realidades criaturais são boas e necessárias para crescermos na terra. Mas para crescermos da terra ao céu. A própria vida familiar é um valor primeiríssimo, que Jesus restaurou segundo o “princípio”, mas como pedagogia do fim: daquele fim em que já nem eles se casam nem elas são dadas em casamento, pois todos seremos igualmente irmãos na única família de Deus (cf. Mc 12, 25). Esquecer isto é esquecer quase tudo e tomar como fim o que é princípio e meio.

Por isso, Jesus não constituiu família humana, para abrir no mundo a família dos filhos de Deus. E assim mesmo o seguiu Paulo, que deu ao apostolado a mais expressiva das realizações. Consequentemente, foi-se afirmando a vida celibatária e virginal entre muitos cristãos e cristãs, monges e monjas, clérigos também e em número crescente, antes até das normas canónicas o preverem.

Esquecer este facto não é apenas ignorar a história. É atenuar o que não pode ser atenuado, como desafio escatológico, definitivo e completo da vocação cristã. Isso mesmo que o sensualismo dominante da subcultura contemporânea não aceita, mas que o cristianismo autêntico mantém e oferece, como dizia o Apóstolo das Gentes, «a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, há-de dar a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda»: um amor bastante, um amor final, para ser infindo.

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21 julho, 2014

5 minutos de coragem…

E a tibieza de sempre voltou.

Arquidiocese volta atrás e libera curta de Padilha com Cristo Redentor

UOL – A Arquidiocese do Rio de Janeiro voltou atrás e não vai se opor ao uso da imagem do Cristo Redentor no curta dirigido por José Padilha e com Wagner Moura para o longa “Rio, Eu te Amo”. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (21), a assessoria da produtora Conspiração Filmes avisou que a cúpula religiosa reavaliou o episódio e entendeu que não houve desrespeito.

Há duas semanas, a própria Conspiração havia publicado um texto dizendo que o filme de Padilha, “Inútil Paisagem”, não entraria na versão final do longa porque aArquidiocese do Rio não cedeu os direitos de uso da imagem da estátua do Cristo Redentor, “peça fundamental da história de José Padilha”. Como justificativa ao veto, a Cúria Metropolitana teria dito que considerou o filme “ofensivo” à imagem de Cristo.

Em “Inútil Paisagem”, o personagem de Wagner Moura voa de asa delta em torno da estátua e faz um “desabafo”, usando o Cristo Redentor como interlocutor. Ele reclama, ainda segundo a produtora, de problemas pessoais e também de problemas da cidade, como a pobreza.

No novo comunicado, enviado aos produtores pelo vicariato, os integrantes da Arquidiocese “entenderam que o episódio não visou interesse religioso no trato à imagem do Cristo Redentor, portanto não houve desrespeito ao Cristo ou à religião católica”. Ainda de acordo com o texto, apesar do prazo apertado para a entrega do longa, “os produtores vão trabalhar intensamente e esperam poder incluir o episódio [de Padilha] na versão para os cinemas brasileiros”.

No início do mês, a Conspiração informou ao UOL que a história havia sido vetada em abril pela Arquidiocese do Rio e, desde então, a produtora lutava para que o órgão religioso voltasse atrás. Como o filme tem contrato com distribuidoras internacionais e precisava ser concluído até o final deste mês, os produtores decidiram “jogar a toalha” e resolveram lançar o longa sem “Inútil Paisagem” –o cartaz oficial já excluía a produção.

Parte da série de filmes “Cities of Love” –que já inclui “Paris, Eu te Amo” e “Nova York, Eu te Amo”–, “Rio, Eu te Amo” tem estreia marcada para 11 de setembro. O longa traz no elenco 24 estrelas nacionais e internacionais, entre elas Harvey Keitel, Emily Mortimer, John Turturro, Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Vincent Cassel, Vanessa Paradis, Ryan Kwanten e Jason Isaacs, entre outros, em histórias curtas dirigidas por renomados diretores de cinema.

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18 julho, 2014

Mártires do passado e do futuro?

Por Christine L. Niles – The Catholic Thing | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – No ano passado, centenas de milhares de cidadãos franceses invadiram Paris para caminhar a favor do matrimônio tradicional. Eles estavam participando da Manif Pour Tous – a “Manifestação para Todos” – em reação ao projeto de lei Mariage Pour Tous, que legaliza o casamento de pessoas do mesmo sexo. Reconhecendo que o casamento não é meramente “o amor entre duas pessoas, mas uma instituição que protege a dignidade de pais e filhos, e que rege o parentesco”, as passeatas do Manif têm impressionado pelo número de participantes, superando grandemente manifestações semelhantes nos Estados Unidos.

Prestando pouca atenção à vontade das pessoas, o governo levou a cabo a legislação – a despeito do clamor público disseminado. Além desse espetáculo de força legislativa, houve demonstrações de força física, e manifestantes (incluindo mulheres, crianças, idosos e até mesmo padres) foram aspergidos com gás lacrimogêneo e spray de pimenta, apanharam ou foram presos por soldados da tropa de choque.

Um percurso escolhido pelos manifestantes começou na Place de la Bastille e seguiu até a Rue Diderot, terminando na Place de La Nation, onde os discursos finais foram feitos antes que os participantes se dispersassem de maneira pacífica. Essa praça, há pouco mais de dois séculos, é o mesmo local onde cidadãos franceses – tanto ricos quanto pobres — que se opunham ao recém-fundado regime tiveram que derramar seu sangue em prol da République. Dentre as vítimas havia um grupo considerável de freiras carmelitas.

Muitos conhecem a história (que foi tema de uma peça de Georges Bernanos e uma ópera de Francis Poulenc). No dia seguinte à Festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, 1794, dezesseis carmelitas de Compiègne subiram o patíbulo uma por uma, cantando o Veni Creator – o hino entoado em sua profissão religiosa, e foram decapitadas. O Tribunal Revolucionário havia produzido como prova de sua traição um gravura do Sacratíssimo Coração de Jesus, juntamente com a gravura de um dos reis depostos, que foram tiradas da parede do convento.

Quatro anos antes, a Assemblée Nationale havia exigido que a Ordem Carmelita justificasse a sua existência. Madre Nathalie de Jesus dirigiu-se à assembléia assim:

No mundo eles gostam de difundir que os mosteiros contêm somente vítimas lentamente consumidas por arrependimentos; mas proclamamos diante de Deus que se existir na terra a felicidade verdadeira, nós a possuímos na penumbra do santuário, e que, se tivéssemos que escolher entre o mundo e o claustro, nenhuma de nós deixaria de ratificar com grande alegria a sua primeira decisão.

A longa temporada penitencial para as Carmelitas começa na Festa da Exaltação da Santa Cruz e dura até a Páscoa. Em 1792, as freiras de Compiègne foram separadas e forçadas a deixar seu querido Carmelo e voltar ao mundo. Apenas poucos meses antes, elas haviam concordado juntas em oferecer-se como vítimas à justiça divina para restaurar a paz na França e na Igreja. Elas renovavam a sua oferta diariamente, continuando a se encontrar secretamente durante dois anos, vestidas como leigas e se reunindo para a oração em comum.

Elas foram descobertas em junho de 1794 e aprisionadas na Conciergerie, onde outros clérigos e religiosos aguardavam seu destino sob a lâmina da Madame La Guillotine. (Ironicamente, uma Carmelita de sangue real escapou à morte porque por acaso estava ausente; ela se tornou a primeira historiadora das mártires.) Em 17 de julho, um dia após a Festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, elas foram chamadas diante do tribunal e, na mesma cidade onde Santa Joana d’Arc três séculos antes havia sido abandonada e entregue ao inimigo, foram condenadas à morte.

A Reverenda Madre Émilienne, Superiora Geral das Irmãs da Caridade de Nevers, escreveu:

A mais jovem dessas boas Carmelitas foi chamada primeiro. Ela se ajoelhou diante de sua venerável Superiora, pediu sua benção e permissão para morrer. Em seguida, ela subiu ao patíbulo cantando Laudate Dominum omnes gentes [o salmo entoado por Santa Teresa de Ávila 190 anos antes na fundação do novo Carmelo]. Então, ela mesma colocou-se debaixo da lâmina. Todas as demais fizeram a mesma coisa. A Venerável Madre foi a última sacrificada. Durante o tempo todo, não havia um único rufar de tambores; mas reinava um silêncio profundo.

Outra testemunha disse que as freiras pareciam radiantes, como se elas estivessem indo para seus casamentos.

Dez dias mais tarde, Robespierre seria executado no mesmo local, e o governo revolucionário interino chegaria ao fim. O sacrifício das Carmelitas – juntamente com incontáveis outras pessoas assassinadas pela fé na França revolucionária – haviam ascendido como uma doce oblação a Deus.

Em 1906, o Papa São Pio X beatificou as mártires Carmelitas, cujos corpos foram sepultados em uma sepultura comunitária no Cimetière de Picpus, a 500 metros da Place de la Nation. Uma placa discreta na parede do cemitério lhes serve de epitáfio, e o nome de cada irmã morta pela Fé está gravado nela.

A história delas é apenas uma dentre muitas que ocorreram em toda a França durante o Reinado de Terror, quando uma república fundada nos altivos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade – livres de todas as amarras cristãs – inevitavelmente acabou esmagando a oposição indefesa sob os pés.

E hoje em dia vemos sinais perturbadores da Quinta República seguindo as pegadas da Primeira, estabelecendo um regime, em nome de uma “igualdade” criada pelo homem, que só pode acabar destruindo a civilização, ao destruir a família. E o fato mais perturbador ainda é que o governo tem se mostrado muito disposto a usar quaisquer meios políticos necessários – e se isso falhar, quaisquer meios físicos necessários – para impor a sua vontade.

Como de costume, os meios de comunicação em grande parte fazem vista grossa, comprovando que a bandeira tricolor segurada ao alto por Marianne* na famosa pintura de Delacroix – que serve como lema tripartite da república – hoje em dia é, como era naquela época, um pouco mais que propaganda.

Talvez se possa dizer – e talvez mais cedo do que possamos imaginar – que os mártires de ontem servirão de testemunha para os mártires de amanhã. E não somente na França.

Christine Niles diplomou-se pela Universidade de Oxford e pela Faculdade de Direito de Notre Dame. Ela é a apresentadora na Forward Boldly Radio, cujos episódios podem ser encontrados aqui.

 * * *

Nota da Tradutora: Marianne é a figura alegórica (uma mulher) que representa a República Francesa, sendo portanto uma personificação nacional. Sob a aparência de uma mulher usando um barrete frígio, Marianne encarna a República Francesa e representa a permanência dos valores da república e dos cidadãos franceses: Liberté, Égalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade). Marianne é a representação simbólica da mãe pátria, simultaneamente enérgica, guerreira, pacífica e protectora e maternal. O seu nome provém, provavelmente, da contracção de Marie e de Anne, dois nomes muito frequentes no século XVIII entre a população feminina do Reino de França. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marianne

 

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16 julho, 2014

Flos Carmeli, vitis florigera, splendor Coeli, Virgo puerpera, singularis!

Por Padre Élcio Murucci

Bem podemos dizer que a veste da graça foi tecida pelas mãos benditas de Maria Santíssima. A Santa Madre Igreja proclama-a Corredentora. Se deu inteiramente a si mesma, em união com o seu Filho, pela nossa redenção. Uma tradição popular fala da túnica inconsútil que a sempre Virgem Maria teceu para Jesus; mas para nós fez realmente muito mais: cooperou para nos conseguir a veste da nossa salvação eterna. Maria Santíssima nunca deixou de nos seguir com o seu olhar maternal para proteger em nós a vida da graça. Cada vez que nos convertemos a Deus, nos levantamos de uma culpa – grande ou pequena – ou progredimos na graça, sempre o fazemos por intermédio de Maria Santíssima. O escapulário que a Senhora do Carmo nos oferece não é mais do que o símbolo exterior desta sua incessante solicitude maternal; símbolo, mas também sinal e penhor de salvação eterna. “Recebe, amado filho – disse Nossa Senhora a São Simão Stock – este escapulário… quem morrer com ele não padecerá o fogo eterno”. A sua poderosa intercessão maternal dá-lhe direito a repetir em nosso favor as palavras de Jesus: “Pai Santo… conservei os que me deste e nenhum deles se perdeu”.

O Carmelo é o símbolo da vida contemplativa, vida toda dedicada à busca de Deus, toda dirigida para a intimidade divina; e quem melhor realizou este ideal altíssimo foi a Virgem, Rainha e Decoro do Carmelo. Diz o profeta Isaías XXXII, 16-18: “No deserto habitará a equidade, e a justiça terá o seu assento no Carmelo. A paz será a obra da justiça e o fruto da justiça é o silêncio e a segurança para sempre. O meu povo repousará na mansão da paz, nos tabernáculos da confiança”. Estas palavras do profeta mostram o espírito contemplativo e retratam a alma de Maria Santíssima. Carmelo em hebreu significa jardim. A alma de Nossa Senhora é um jardim de virtudes, é um oásis de silêncio e de paz, onde reina a justiça e a santidade, oásis de segurança, todo cheio de Deus.

São as paixões e os apegos que fazem barulho dentro de nós, tirando a paz da nossa alma. Só uma alma completamente desprendida e que domina inteiramente as suas paixões, poderá, como Maria Santíssima, ser um “jardim” solitário e silencioso, um verdadeiro Carmelo, onde Nosso Senhor Jesus Cristo encontre suas delícias.

“Ó Maria, flor do Carmelo, vinha florida, esplendor do céu, Virgem fecunda e singular, Mãe bondosa e intacta, aos carmelitas dai privilégios, Estrela do mar!” Em latim: “Flos Carmeli, vitis florigera, splendor Coeli, Virgo puerpera, singularis! Mater mitis, sed viri nescia, Carmelitis da privilegia, Stella Maris!”

Publicado originalmente na festa de Nossa Senhora do Carmo de 2012.

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27 junho, 2014

Cor Jesu sacratissimum, miserere nobis!

Ato de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus

Dulcíssimo Jesus, Redentor do gênero humano, lançai os vossos olhares sobre nós, humildemente prostrados diante de vosso altar. Nós somos e queremos ser vossos; e para que possamos viver mais intimamente unidos a Vós, cada um de nós neste dia se consagra espontaneamente ao vosso Sacratíssimo Coração.

Muitos nunca Vos conheceram; muitos desprezaram os vossos mandamentos e Vos renegaram. Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros e trazei-os todos ao vosso Sagrado Coração.

Senhor, sede o Rei não somente dos fiéis que nunca de Vós se afastaram, mas também dos filhos pródigos que Vos abandonaram; fazei que eles tornem, quanto antes, à casa paterna, para que não pereçam de miséria e de fome.

Sede o Rei dos que vivem iludidos no erro, ou separados de Vós pela discórdia; trazei-os ao porto da verdade e à unidade da fé, a fim de que em breve haja um só rebanho e um só pastor.

Sede o Rei de todos aqueles que estão sepultados nas trevas da idolatria e do islamismo, e não recuseis conduzi-los todos à luz e ao Reino de Deus.

Volvei, enfim, um olhar de misericórdia aos filhos do que foi outrora vosso povo escolhido; desça também sobre eles, num batismo de redenção e vida, aquele sangue que um dia sobre si invocaram.

Senhor, conservai incólume a vossa Igreja, e dai-lhe uma liberdade segura e sem peias; concedei ordem e paz a todos os povos; fazei que de um a outro pólo do mundo, ressoe uma só voz: Louvado seja o Coração divino, que nos trouxe a salvação! A Ele, honra e glória por todos os séculos dos séculos. Amém.

S.S. Pio XI, 11 de dezembro de 1925.

Publicado originalmente em 2010

Leia também:

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

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14 junho, 2014

Ecclesia mutilans.

J’étais moi-même debout dans la foule, près du second pilier à l’entrée du choeur à droite du côté de la sacristie. Et c’est alors que se produisit l’événement qui domine toute ma vie. En un instant mon coeur fut touché et je crus. [Eu mesmo estava de pé no meio da multidão, perto do segundo pilar à entrada do coro, à direita do lado da sacristia. E foi então que se produziu o acontecimento que domina toda a minha vida. Em um instante meu coração foi tocado e eu acreditei.]

Notre Dame de Paris

Notre Dame de Paris

Por  – Foi enquanto se cantavam as vésperas solenes do dia de Natal de 1886 que Paul Claudel surpreendeu no âmago do seu ser esta excentricidade e escândalo a que se chama ser católico – literalmente esta particularidade de se ser universal – ao fim do mesmoMagnificat que a Mãe de Deus pronunciara num anónimo povoado de Judá.

Não é preciso ser um teólogo graduado pelo Angelicum para perceber que não foram nem os verbos nem as vibrações do ar, nem os componentes químicos do calcário industriosamente repartido em forma de catedral, nem mesmo o proverbial brio dos sacristãos franceses, que converteram Claudel – é da graça e dos seus instrumentos que falamos. Nesse momento, operava na penumbra da catedral de Paris um subtil, grandioso e ao mesmo tempo extremamente preciso dispositivo de cooperação com o Espírito Santo. Era a Civilização Cristã, como se nada fosse: viva, inteira e respirando.

Mesmo um não crente, que exclua metodologicamente da operação a agência sobrenatural, reconhecerá na Igreja esse património avassalador que são dois mil anos de experiência humana a articular-se com a naturalidade dum organismo vivo –  capazes de atingir o coração das pessoas e dos povos com uma profundidade, uma eficácia e uma frescura misteriosas para operar o sursum corda sobre o qual tudo se edifica.

Aí, nesse amplexo ao mesmo tempo etéreo e uterino, tremendo e íntimo como uma visão de Isaías, onde Claudel se resguardou do frio de Paris, o sagrado experimentava-se não por referência, por elucubração teórica ou por analogia – mas por imersão. É de imaginar que possa ter murmurado para consigo as mesmas palavras que Jacó pronunciou em Bethel: terribilis est locus iste. E consummatum erat: Claudel era cristão. Foi-o até ao fim duma vida que se estendeu por décadas duríssimas para a urbe e para o orbe, e se morreu triste para com os homens, triste especialmente para com as ideias que os varriam como folhas mortas através das primeiras décadas do último século, tinha a alegria de Cristo que era a da Igreja que o recebera.

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20 maio, 2014

Ladainha de Nossa Senhora.

Uma catequese fornecida pelo nosso leitor José Carlos Bovo, a quem agradecemos.

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