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12 fevereiro, 2016

Por que Padre Pio é o oposto de Bergoglio.

O retorno dos peregrinos a Roma pelo santo estigmatizado

Por Antonio Socci, 7 de fevereiro de 2016 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: O “complô para mudar o Catolicismo” (título do New York Times), que é o verdadeiro projeto do Papa argentino, ou seja, transformar a Igreja em uma sucursal do jornal  “La Repubblica” e do Greenpeace, ganhou a aprovação entusiasmado de todos os mais acirrados inimigos da fé católica.

Saint_Padre_Pio

Mas, para ter sucesso nesse intento, precisa do apoio absoluto do povo católico. Só que este povo está no lado oposto dos progressistas bergoglianos e – embora bombardeados pela mídia – preferem ficar ao lado de Padre Pio do que dos “esquerdistas”.

E não foi por acaso que em 2014 caiu pela metade sua participação nas audiências de Bergoglio e já em 2015 se reduziu pela metade do de 2014. Uma verdadeira fuga.

Por isso, no Vaticano, saíram com a ideia de um novo Jubileu: era necessário inventar um meio para sanar a dramática queda no comparecimento em torno ao papa Bergoglio.

ENCONTROS “MEDIEVAIS”

Certo, o Jubileu é um ritual nascido na Idade Média, fez com que surgisse Lutero (com as acusações sobre as indulgências) e é totalmente o oposto da mentalidade de Bergoglio que ama mais a companhia de Eugenio Scalfari, do centro social Leoncavallo, de Fidel Castro ou dos teólogos da libertação do que o povo Católico Wojtyliano e Ratzingeriano.

Mas, o objetivo era mostrar que em torno a Bergoglio existe um plebiscito permanente e que, para ser bem sucedido, ele chega a suportar até mesmo o “cheiro das ovelhas Católicas”.

No entanto, o jubileu provou ser um fracasso desde o seu início. O povo cristão percebeu seu nascimento em “tubo de ensaio”, para fins “políticos”, fora da tradição (a bula é ainda ambígua sobre as indulgências). E a comparação com a afluência do Jubileu do ano 2000, de João Paulo II, foi desde o início devastadora para Bergoglio.

Até mesmo o Dia da Família, do dia 30 de janeiro, mostrou que o povo Católico ama e segue ainda os ensinamentos de João Paulo II e Bento XVI e, de fato, aquele mesmo povo se deparou com a hostilidade gelada do Papa Argentino que teimosamente o ignorou e o boicotou.

Como é que depois de tudo isso eles ainda esperavam “forçar” o povo de Deus a aplaudir os triunfos mundanos de Bergoglio?

A idéia saiu mais uma vez da mente de Mons. Fisichella, o qual é muito zeloso em agradar o Soberano: visto que os corações das pessoas batem pelos santos da Tradição, levemos a Roma as relíquias dos santos mais populares e queridos como Padre Pio.

E, de fato, o povo veio em massa: só ontem, mais de 80.000 pessoas, um mar de fiéis. O site do “La Repubblica” foi comicamente intitulado: “Multidão em São Pedro pelo Papa”.

Mas – apesar dos esforços de propaganda deste jornal – todos sabem que a enorme multidão não estava na Praça de São Pedro por causa de Bergoglio (na verdade, sua audiência da última quarta-feira estava deserta): estava lá por Padre Pio.

O evento é excepcional por muitas razões, e cria tantos embaraços.

DESPREZO DE HOJE

Antes de mais nada, é um embaraço para a mídia e intelectuais seculares que vêem Padre Pio e a religiosidade popular como uma peste. Só que é difícil desta vez ridicularizar o evento porque era o seu favorito, Bergoglio, que quis esta iniciativa.

O Oscar do secularismo foi conquistado pelo jornal esquerdista “Il Fato Quotidiano”, com um título de desprezo publicado na sexta-feira: “Quem precisa do Isis?  Nossa Idade Média está aqui com Padre Pio”.

Deixemos de lado a referência ao ISIS… Um conhecimento mofado é a única idéia aproximada da Idade Média. Deveríamos responder-lhes que, de fato, a Idade Média está sempre entre nós e nos deixou um enorme patrimônio artístico (do qual gozamos e que com ele lucramos).

Mas está também no meio de nós porque os hospitais, universidades, bancos e catedrais foram inventados precisamente nas “trevas” da Idade Média. E da mesma forma, a idéia de Europa, a liberdade comunitária, a economia de mercado e a soberania popular.

A cultura clássica nos foi transmitida a partir da “perversa” Idade Média e ali também nasceram a tecnologia e a ciência, junto com a música (em sua forma moderna).

Mesmo a Divina Comédia – que talvez alguns leigos acreditam ter nascido de Roberto Benigni – vem do gênio medieval de Dante Alighieri, que literalmente  “inventou” a língua italiana.

DESPREZO DE ONTEM

Aquele povo de hoje, reunido em torno a Padre Pio, é o mesmo povo Católico que há 70 anos foi ridicularizado pelos intelectuais “iluminados” que zombavam da “Itáliazinha das procissões e das Madonnas peregrinas “.

E enquanto os “intelectuais” (que muitas vezes tinham sido fascistas) se enfileiravam com a Frente Popular Togliatti e Stalin, os quais preparavam para a Itália um futuro de Tchecoslováquia, as pessoas humildes e camponesas, ouvindo seus párocos e Pio XII, salvaram o país ao votarem pela Democracia Cristã. Foram elas que colocaram o país para sempre no ocidente da democracia e da liberdade.

Por causa disso, um verdadeiro liberal, Benedetto Croce, após o 18 de Abril de 1948, era capaz de dizer àquela  intellighentsia: “Agradeça àquelas beatas das quais vocês riem, pois se não fossem por elas,  hoje vocês não seriam livres”.

Em suma, enquanto os intelectuais “iluminados” estavam do lado daqueles que ameaçavam a liberdade e a civilização, foi justamente o povo devoto e desprezado que salvou o país.

Isso também foi possível graças à personalidade daqueles que como Padre Pio contribuíram decisivamente para que naquela eleição o comunismo fosse derrotado.

HORROR COMUNISTA

Padre Pio conhecia bem os crimes dos regimes comunistas, a devastação espiritual do ateísmo marxista e a mentira repugnante dos partidos comunistas que enganavam os pobres. E não se calava.

E mesmo nessas coisas, o santo capuchinho é exatamente o oposto de Bergoglio que nunca perde uma oportunidade de “flertar” com os piores tiranos comunistas, seja os irmãos Castro em Cuba (onde o Papa argentino desprezou dissidentes e perseguidos enquanto homenageou o déspota) seja o regime vergonhoso comunista chinês, um regime genocida, sobre o qual Bergoglio deu uma entrevista nos últimos dias ao “Asia Times”,  no mínimo constrangedora.

Nessa entrevista ele ficou totalmente calado sobre as questões da liberdade e sobretudo da liberdade religiosa, mas não poupou palavras – como foi observado por Sandro Magister – para absolver efusivamente a China de seus pecados do passado, presente e futuro, exortando-a a ser “misericordiosa consigo mesma” e a “aceitar seu próprio caminho para o que devia ser” como “água corrente” que purifica tudo, até mesmo as milhões de vítimas que o Papa nunca menciona, nem mesmo veladamente.

Um pronunciamento que foi recebido com entusiasmo pelos opressores comunistas. Os carrascos são sempre preferidos às vítimas.

Mas Padre Pio e Bergoglio são o oposto, sobretudo porque Padre Pio representa aquela Igreja Católica fiel à sua doutrina e à Tradição que Bergoglio quer ver desmantelada.

MISERICÓRDIA

O próprio nome que o frade de Gargano – Pio, tomou à entrada da vida religiosa –  foi destinado a homenagear São Pio X, ou seja, o Papa que mais combateu o Modernismo,. Exatamente o Papa mais odiado pelos progressistas que hoje estão no poder das salas do Vaticano.

Bergoglio afirma que ele trouxe as relíquias de Padre Pio a Roma para o Jubileu, como um símbolo de misericórdia. Mas a misericórdia testemunhada por Padre Pio – ao contrário da de Bergoglio – era inseparável da justiça e da verdade.

Padre Pio dizia temer a misericórdia, porque dela se pode abusar. Seu ensino espelha o de João Paulo II (com Santa Faustina) e Bento XVI.

O santo frade acrescentou: “A caridade sem verdade e sem a justiça que é a Verdade não pode existir. Deus é a Verdade, mesmo antes de ser Caridade”.

Palavras intragáveis para o partido bergogliano acariciado pelo radical chic.

De resto, assim como Padre Pio foi “perseguido” por certos eclesiásticos “iluminados”, igualmente hoje Bergoglio persegue duramente os mais autênticos filhos espirituais de Padre Pio, ou seja, os frades Franciscanos da Imaculada de Padre Stefano Maria Manelli que foram quase liquidados pelo papa Argentino.

Hoje Padre Pio está sendo “usado” por Bergoglio como atração para trazer a multidão em torno de si próprio, mas corre o sério risco de ser interpelado por algumas de suas “surpresas”. Poderia muito bem acabar que Padre Pio faça o milagre de converter alguém no Vaticano.

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11 fevereiro, 2016

Aleppo, a ira de um Bispo.

Durante a “Noite dos testemunhos”, organizada anualmente pela “Ajuda à Igreja que Sofre”, o Arcebispo grego-melquita de Aleppo, Dom Jean-Clément Jeanbart, depois de descrever a situação dramática dos aleppinos, falou aos jornalistas que vieram para ouvir. A tradução do original de Boulevard Voltaire.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: “Os meios de comunicação europeus continuam a distorcer o cotidiano dos que sofrem na Síria e também estão usando isso para justificar o que está acontecendo em nosso país sem jamais checar essas informações”. Assim o bispo deu início ao seu discurso, descendo o chicote nas fontes usadas pela imprensa durante a guerra e que continuam a ser usadas por muitas agências de notícias. Entre elas, “instrumentos da oposição armada, como é o caso do Observatório Sírio de Direitos Humanos, a fonte indiscutível usada pelos meios de comunicação ocidentais”.

Refugiados em um igreja, incerto se Mosul ou Irbil, da página síria “Syrian Christian Resistance”, no Facebook

Refugiados em um igreja, incerto se Mosul ou Irbil, da página síria “Syrian Christian Resistance”, no Facebook.

“É preciso compreender que entre o Estado islâmico e o governo Sírio, a nossa escolha é feita rapidamente. Nós podemos condenar o regime por algumas coisas, mas vocês nunca tentaram ser objetivos”, acusou ainda. Quando lhe foi perguntado se ele poderia explicar sua posição para as autoridades francesas, Dom Jeanbart disse que tinha tentado, antes de lhe terem dito que ele deveria ser “menos crítico”.

Para ele, no entanto, o Ocidente continuou a se calar sobre as atrocidades cometidas pela oposição armada, enquanto denigrem o governo Sírio e seu presidente. “Bashar Assad tem muitas falhas, mas saibam que tem também qualidades”, explicou ele, “as escolas eram gratuitas, os hospitais, mesquitas e igrejas não pagavam nenhum imposto, mas que outros governos na região fazem essas coisas? Sejam honestos! Lembrem-se também que, se nós preferimos apoiar o governo hoje, é porque nós tememos o estabelecimento de uma teocracia sunita que nos privaria do direito de viver em nossa terra”.

Ele continuou: “Sim, eu tentei dizer todas essas coisas às autoridades francesas, mas o que você espera de um Fabius Laurent que pensa que é o Todo-Poderoso para decidir quem merece ou não a viver nesta Terra?” Ele respondeu, aparentemente cansado (Laurent Fabius disse que Assad não merece estar sobre essa terra). “É possível que a França – que eu amo e que me educou através de comunidades religiosas que  tinham se estabelecido na Síria – tenha mudado tanto? É possível que os seus interesses e seu amor ao dinheiro tomaram precedência sobre valores que outrora defendia”? Continuou o arcebispo amargamente.

Sobre os bispos franceses, Dom Jeanbart disse: “Se a Conferência dos Bispos da França tivesse confiado em nós, teria sido melhor informada. Por que os seus bispos se calam diante de uma ameaça que agora é vossa também? Porque os vossos bispos são como todos vocês, acostumado ao politicamente correto! Mas Jesus nunca foi politicamente correto, era politicamente justo!”, bradou.

“A responsabilidade de um bispo é ensinar e usar a sua influência para transmitir a verdade. Os vossos bispos, por que eles têm medo de falar? Naturalmente que serão criticados, mas igualmente lhes será dada uma chance de se defender e de defender esta verdade. Devemos lembrar que a o silêncio às vezes é um sinal de assentimento”.

E até mesmo a política de migração dos países ocidentais foi criticada pelo arcebispo: “O egoísmo e os interesses servis defendidos por seus governantes, no fim, acabarão por assassinar até mesmo vocês. Abram os olhos, pois não viram o que aconteceu recentemente em Paris?”, acrescentou o Arcebispo, antes de concluir com uma súplica: “Precisamos que vocês nos ajudem a viver e permanecer em nossa casa […], eu não posso aceitar ver nossa Igreja de dois mil anos desaparecer. Eu prefiro morrer do que ter que ver isso”.

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10 fevereiro, 2016

Pe. Zezinho e Pe. Joãozinho. Um debate necessário!

FratresInUnum.com – Gostaríamos de fazer uma ponderação acerca de nosso artigo sobre as declarações de Pe. Zezinho e Pe. Joãozinho, em que os dois afirmavam, confusamente, que a Teologia da Libertação era e não era marxista e o primeiro rotulava todos os seus opositores de “CATOLIBÃS”. Acabamos descendo ao baixo nível das acusações, e, disseram-nos, fomos muito mordazes em nossa crítica, e isto não corresponderia à caridade cristã, ordenada por Cristo, Nosso Senhor. Se ofendemos a dupla, pedimos desculpas pelo erro!

Pe. Joãozinho preferiu ignorar. Pe. Zezinho, ao contrário, continuou no ataque desviando o assunto para a defesa da CNBB e do Papa Francisco, apresentando-se como alguém transcendentealém da direita ou da esquerda, que está acima e ao centro, exatamente como dizíamos em nosso artigo.

De fato, precisamos elevar o nível da discussão!

Por isso, nossa equipe do FratresInUnum faz uma proposta: um debate por escrito, leal e respeitoso, para chegarmos a uma conclusão acerca do tema da “Teologia da Libertação”.

É justo que comecemos por dar aos dois a oportunidade de esclarecerem melhor as suas posições. Cada um dos lados teria tempo para escrever sua posição com calma e fundamento, a começar de uma data a ser combinada.

Seguiríamos a seguinte ordem.

1. Os padres escrevem um texto explicando sua posição.
2. Nós fazemos, em resposta, nossas considerações.
3. Eles fazem uma réplica.
4. Nós fazemos uma tréplica.
5. Cada um dos lados escreve uma conclusão.

Desse modo, podemos chegar a uma ideia mais bem acabada sobre as posições de cada lado, sem nos precisarmos entrincheirar um contra o outro.

Obviamente, comprometemo-nos a publicar integralmente todos os textos.

Agradecemos desde já a eventual aceitação!

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9 fevereiro, 2016

O jejum e a abstinência na lei da Igreja.


Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canônico de 1983.

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as sextas-feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cânon 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as sextas, exceto nas solenidades. [Cânon 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. [Cânon 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até o início dos 60 anos [Cânon 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canônico de 1917.

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para S. Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: segundas, terças, quartas e quintas-feiras da Quaresma. [Cânon 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até os 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as sextas-feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [cânon 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cânon 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: quarta-feira de cinzas, toda sexta e sábado da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), em cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, Assunção, Todos os Santos e Natal. [Cânon 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência aos que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

Fonte: The year of Our Lord Jesus Christ 2009, The Desert Will Flower Press.

(Post originalmente publicado na quaresma de 2009)

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30 janeiro, 2016

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Restaurar em Cristo todas as coisas.

“É n’Ele (Jesus Cristo) que temos a redenção pelo seu sangue, a
remissão dos pecados, segundo as riquezas de sua graça, a qual
derramou abundantemente sobre nós, em toda sabedoria e prudência; a
fim de nos tornar conhecido o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito, que tinha estabelecido consigo mesmo, de restaurar em
Cristo todas as coisas…” (Efésios I, 7-10).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

“… A volta das nações ao respeito da majestade e da soberania divina, por mais esforços, aliás, que façamos para realizá-lo, não advirá senão por Jesus Cristo. De feito, o Apóstolo adverte-nos que ninguém pode lançar outro fundamento senão aquele que foi lançado e que é a Cristo Jesus  (1 Cor III, 11). Só a ele foi que o Pai santificou e enviou a este mundo (S. João X, 36), esplendor do Pai e figura da sua substância (Heb. I, 3), verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem o qual ninguém pode conhecer a Deus como convém, pois ninguém pode conhecer a Deus como convém, pois ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo (S. Mateus XI,  27).

São Pio X.

São Pio X.

“Donde se segue que restaurar tudo em Cristo e reconduzir os homens à obediência divina são uma só e mesma coisa. E é por isto que o fito para o qual devem convergir todos os nossos esforços é reconduzir o gênero humano ao império de Cristo. Feito isto, o homem achar-se-á, por isso mesmo, reconduzido a Deus. Mas – queremos dizer – não um Deus inerte e descuidoso das coisas humanas, como nos seus loucos devaneios o forjaram os materialistas, senão um Deus vivo e verdadeiro, em três pessoas na unidade de natureza, autor do mundo, estendendo a todas as coisas a sua infinita Providência, enfim legislador justíssimo que pune os culpados e assegura às virtudes a sua recompensa”

“Ora, onde está a via que nos dá acesso a Jesus Cristo? Está debaixo dos nossos olhos: é a Igreja. Diz-no-lo com razão S. João Crisóstomo: ‘A Igreja é a tua esperança, a Igreja é a tua salvação, a Igreja é o teu refúgio’. Foi para isso que Cristo a estabeleceu, depois de adquiri-la ao preço do seu sangue; foi para isso que Ele lhe confiou a sua doutrina e os tesouros da graça divina para a santificação e salvação dos homens”.

… “Trata-se de reconduzir as sociedades humanas, desgarradas longe da sabedoria de Cristo, reconduzi-las à obediência da Igreja; a Igreja, por seu turno, submetê-las-á a Cristo, e Cristo a Deus. E, se pela graça divina nos for dado realizar esta obra, termos a alegria de ver a iniquidade ceder lugar à justiça, e folgaremos de ouvir uma grande voz dizendo do alto dos céus: Agora é a salvação, e a virtude, e o reino de nosso Deus e o poder de seu Cristo (Apocalipse XII, 10).”

“Todavia, para que o resultado corresponda aos nossos votos, mister se faz, por todos os meios e à custa de todos os esforços, desarraigar inteiramente essa detestável e monstruosa iniquidade própria do tempo em que vivemos e pela qual o homem se substitui a Deus; restabelecer na sua antiga dignidade as leis santíssimas e os conselhos do Evangelho; proclamar bem alto as verdades ensinadas pela Igreja sobre a santidade do matrimônio, sobre a educação da infância, sobre a posse e o uso dos bens temporais, sobre os deveres dos que administram a coisa pública; restabelecer, enfim, o justo equilíbrio entre as diversas classes da sociedade segundo as leis e as instituições cristãs.”

“Tais são os princípios que, para obedecer à divina vontade, nós nos propomos aplicar durante todo o curso do Nosso Pontificado e com toda a energia de nossa alma” (…)

São Pio X indica, a seguir, os meios para formar em todos Jesus Cristo e assim n’Ele restaurar todas as coisas:

– Formar Cristo nos sacerdotes;

– Daí todo cuidado com os Seminaristas;

– Cuidado com os novos Sacerdotes;

– Necessidade do ensino religioso;

– Fazer tudo isto com caridade cristã;

É preciso que todos os fiéis colaborem.

Formar Cristo nos Sacerdotes:

“Que meios importa empregar para atingir um fim tão elevado? Parece supérfluo indicá-los, tanto eles apresentam à mente por si mesmos. Sejam os vossos [dos bispos] primeiros cuidados formar Cristo naqueles que, pelo dever da sua vocação, são destinados a formá-lo nos outros. Queremos falar dos sacerdotes, Veneráveis Irmãos. Porquanto todos aqueles que são honrados com o sacerdócio devem saber que têm, entre os povos com que convivem, a mesma missão que Paulo testava haver recebido, quando pronunciava esta ternas palavras: ‘Filhinhos, a quem eu gero de novo, até que Cristo se forme em vós’ (Gálatas IV, 19).

Ora, como poderão eles cumprir um tal dever, se eles próprios não forem primeiramente revestidos de Cristo? E revestidos até poderem dizer com o Apóstolo: ‘Vivo, já não eu, mas Cristo vive em mim’ (Gal. II, 20). ‘Para mim, Cristo é a minha vida’ (Filipenses I, 21). Por isso, embora todos os fiéis devam aspirar ao estado de homem perfeito, à medida da idade da plenitude de Cristo (Efésios IV, 3), essa obrigação incumbe principalmente àquele que exerce o ministério sacerdotal. Por isto é ele chamado outro Cristo; não somente porque participa do poder de Jesus Cristo, mas porque deve imitar-Lhe a imagem em si mesmo”.

“Se assim é, Veneráveis Irmãos, quão grande não deve ser a vossa solicitude para formar o clero na santidade! Não há negócio que não deva ceder o passo a este. E a consequência é que o melhor e o principal do vosso zelo deve aplicar-se aos vossos Seminários, para introduzir neles uma tal ordem e lhes assegurar um tal governo, que neles se veja florescerem lado a lado a integridade do ensino e a santidade dos costumes. Fazei do Seminário as delícias do vosso coração, e não descureis coisa alguma daquilo que, na sua alta sabedoria, o Concílio de Trento, prescreveu para garantir a prosperidade dessa instituição”.

Em seguida São Pio X lembra aos bispos algumas advertências das Sagradas Escrituras:

‘Não imponhas precipitadamente as mãos a ninguém, e não te faças participante dos pecados dos outros’ (1 Timóteo, V, 22).  ‘Guarda o depósito, evitando as novidades profanas na linguagem, tanto quanto as objeções de uma ciência falsa, cujos partidários com todas as suas promessas faliram na fé’ (1 Timóteo VI, 20 ss). São Pio X conclui sua encíclica lembrando a misericórdia divina: “Que Deus, rico em misericórdia (Ef. II, 4), apresse, na sua bondade, essa renovação do gênero humano em Jesus Cristo, visto não ser isso obra nem daquele que quer, nem daquele que corre, mas do Deus das misericórdias’ (Romanos IX, 16). (Este artigo são excertos da Encíclica “E Supremi  Apostolatus” – 1903).

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28 janeiro, 2016

A penitência: desejada pelo Céu e odiada pelo mundo.

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comSe há um conceito radicalmente oposto à mentalidade moderna é o da penitência.

ihs-305x278O termo e a noção de penitência evocam a ideia de um sofrimento que infligimos a nós mesmos para expiar os nossos pecados ou os de outras pessoas e nos unirmos aos méritos da Paixão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo moderno rejeita o conceito de penitência por estar imerso no hedonismo e professar o relativismo, que é a negação de qualquer bem pelo qual vale a pena sacrificar-se, exceto a busca do prazer. Só isso pode explicar episódios como o furibundo ataque midiático em curso contra os Franciscanos da Imaculada, cujos mosteiros são descritos como locais de tortura, só porque neles se pratica uma vida de austeridade e penitência. Usar o cilício ou gravar o monograma do nome de Jesus no peito é considerado uma barbárie, enquanto praticar o sadomasoquismo ou tatuar indelevelmente o próprio corpo é considerado hoje um direito inalienável da pessoa.

Com toda a força de que os meios de comunicação são capazes, os inimigos da Igreja repetem as acusações anticlericais de sempre. O que é novo é a atitude das autoridades eclesiásticas, que em vez de defender as freiras difamadas, as abandonam ao carrasco midiático com secreto comprazimento, fruto da incompatibilidade entre as regras tradicionais que essas religiosas estão decididas a observar e os novos padrões impostos pelo “catolicismo adulto”.

Mesmo que o espírito de penitência tenha pertencido desde o início à Igreja Católica – como o recordam as figuras de São João Batista e de Santa Maria Madalena – qualquer incitamento às práticas ascéticas antigas é considerado hoje intolerável até por muitos eclesiásticos. No entanto, não há doutrina mais razoável do que aquela que fundamenta a necessidade de mortificação da carne. Se o corpo está em revolta contra o espírito (Gl 5, 16-25), não é razoável e prudente reprimi-lo? Nenhum homem está livre do pecado, nem mesmo os “cristãos adultos”. Não age portanto segundo um princípio lógico e salutar quem expia seus pecados mediante a penitência?

As penitências mortificam o “eu”, dobram a natureza rebelde, reparam e expiam os próprios pecados e os dos outros. Se, pois, considerarmos as almas que amam a Deus, que buscam a semelhança com o Crucificado, então a penitência se torna uma exigência do amor. São famosas páginas de De Laude flagellorum de São Pedro Damião, o grande reformador do século XI, cujo mosteiro de Fonte Avellana se caracterizava por uma extrema austeridade nas regras. Escrevia ele: “Quero sofrer o martírio por Cristo, mas não tenho ocasião; submetendo-me às flagelações, pelo menos manifesto a vontade de minha alma ardente” (Epístola VI, 27, 416 c.).

Toda reforma na história da Igreja foi feita com a intenção de reparar os males do tempo por meio da austeridade e da penitência. Nos séculos XVI e XVII, os Mínimos de São Francisco de Paula praticaram (e o fizeram até 1975) um voto de via quaresmal que lhes impõe a abstenção perpétua não só de carne, mas de ovos, de leite e de todos os seus derivados; os Recoletos consomem a própria refeição no chão, misturam cinza nos alimentos, prosternam-se diante da porta do refeitório sob os pés dos religiosos que entram; os Irmãos hospitalares de São João de Deus estabelecem na sua constituição “comer no chão, oscular os pés dos irmãos, sofrer repreensões públicas e acusar-se publicamente”. Análogas são as regras dos Barnabitas, dos Escolápios, do Oratório de São Felipe Neri, dos Teatinos. Não há instituto religioso, como documenta Lukas Holste, que não inclua em sua constituição a prática do capítulo de culpas, a disciplina várias vezes por semana, os jejuns, a diminuição das horas de sono e de repouso (Codex regularum monasticarum et canonicarum, (1759) Akademische Druck und Verlaganstalt, Graz 1958).

A essas penitências “de regra” os religiosos mais fervorosos juntavam as chamadas penitências “superrogatórias”, deixadas a critério de cada um. Santo Alberto de Jerusalém, por exemplo, na Regra escrita para os Carmelitas e confirmada pelo Papa Honório III em 1226, depois de descrever o gênero de vida da Ordem e as respectivas penitências a praticar, conclui: “Se alguém no entanto quiser dar mais, o próprio Senhor em seu retorno o recompensará”.

Bento XIV, que era um Papa meigo e equilibrado, confiou a preparação do Jubileu de 1750 a dois grandes penitentes, São Leonardo de Porto Maurício e São Paulo da Cruz. Frei Diego de Florença deixou um diário da missão realizada por São Leonardo de Porto Maurício na Praça Navona, em Roma, de 13 a 25 julho 1759. Com uma pesada corrente em volta do pescoço e uma coroa de espinhos na cabeça, o santo se flagelava diante da multidão, gritando: “Ou penitência ou inferno” (São Leonardo de Porto Maurício, Obras Completas. Diário de Fra Diego, Veneza, 1868, vol. V, p. 249). São Paulo da Cruz terminava sua pregação infligindo-se golpes tão violentos, que com frequência algum fiel não resistia mais ao espetáculo e saltava no palco, com o risco de ser atingido, para deter-lhe o braço (Os processos de beatificação e de canonização de São Paulo Cruz, Postulação geral dos Padres Passionistas I, Roma 1969, p. 493).

A penitência foi praticada ininterruptamente durante dois mil anos pelos santos, canonizados ou não, que com suas vidas têm ajudado a escrever a história da Igreja; por Santa Joana de Chantal e Santa Veronica Giuliana, que gravaram com um ferro quente o cristograma no peito, e por Santa Teresinha do Menino Jesus, que escreveu o Credo com o seu sangue, no final do livrinho dos Santos Evangelhos que trazia sempre sobre o coração.

Contudo, essa generosidade não caracteriza somente as monjas contemplativas. No século XX, dois santos diplomatas iluminaram a Cúria Romana: o cardeal Merry del Val (1865-1930), Secretário de Estado de São Pio X, e o Servo de Deus Mons. José Canovai (1904-1942), representante da Santa Sé na Argentina e no Chile. O primeiro usava sob a púrpura cardinalícia uma camisa de crina trançada com pequenos ganchos de ferro. Do segundo, autor de uma oração escrita com sangue, o cardeal Siri escreve: “As correntes, os cilícios, as flagelações horríveis com lâminas de barbear, as feridas, as cicatrizes aumentadas pelas sucessivas lesões, não são o ponto de partida, mas de chegada de um fogo interior; não a causa, mas a eloquente e reveladora explosão desse fogo. Tratava-se da clareza com a qual ele via em si e em cada coisa um meio para amar a Deus, e com a qual, no lancinante sacrifício do sangue, via garantida a sinceridade das demais renúncias interiores” (Memorial para a Positio de beatificação de 23 de Março 1951).

Foi nos anos cinquenta do século XX que as práticas espirituais e ascéticas da Igreja começaram a declinar. O padre João Batista Janssens, Geral da Companhia de Jesus (1946-1964), interveio mais de uma vez para chamar os próprios irmãos a retornar ao espírito de Santo Inácio. Em 1952 ele lhes enviou uma carta sobre a “mortificação contínua”, na qual se opunha às posições da nouvelle théologie, tendentes a excluir as penitências reparadoras e impetratórias, e escrevia que jejuns, flagelação, cilícios e outros rigores deviam permanecer escondidos dos homens, segundo a norma de Cristo (Mt 6, 16-18), mas deviam ser ensinados e inculcados nos jovens jesuítas até o segundo noviciado, chamado de terceiro ano de aprovação (Dizionario degli Istituti di Perfezione, vol. VII, col. 472). Ao longo dos séculos, as formas de penitência podem mudar, mas não o espírito, que é sempre oposto ao do mundo.

Prevendo a apostasia espiritual do século XX, Nossa Senhora em pessoa recordou em Fátima a necessidade da penitência. Penitência não é senão a recusa das falácias do mundo, a luta contra os poderes das trevas, que disputam com as forças angélicas o domínio das almas, e a mortificação contínua da sensualidade e do orgulho, enraizados no mais profundo do nosso ser. Somente aceitando essa luta contra o mundo, o demônio e a carne (Ef 6, 10-12), podemos compreender o significado da visão cujo centésimo aniversário celebraremos dentro de um ano. Os pastorinhos de Fátima viram “ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!” (Roberto de Mattei)!

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23 janeiro, 2016

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: As declarações de nulidade de matrimônio.

“Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda que eles as calquem com os seus pés, e que, voltando-se contra vós, vos dilacerem” (São Mateus VII, 6).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Vejamos, em primeiro lugar, algo que o papa Pio XII diz aos membros da Santa Rota Romana.

(…) “Pelo ofício que a Santa Sé Apostólica vos confiou, sois no centro espiritual da Cristandade ministros do direito, eleitos representantes de um poder judicial penetrado do sagrado sentimento de responsabilidade, consagrado ao bem ordenado com justiça e equidade no mundo católico. Pois não é coisa nova para vós que a administração da justiça na Igreja é uma função de cura de almas, uma emanação daquele poder e solicitude pastoral, cuja plenitude e universalidade está enraizada e incluída na entrega das chaves ao primeiro Pedro.

(…) “E na idade presente, em que tanto mais parece abalado em não poucos o respeito pela majestade do direito quanto mais as considerações de utilidade e de interesse, de força e de riqueza prevalecem sobre o direito, muito mais convém que os órgãos da Igreja dedicados à administração da justiça deem e infundam no povo cristão a viva consciência de que a Esposa de Cristo não se renega a si mesma, não muda de caminho com a mudança dos dias, mas é e caminha sempre fiel à sua sublime missão. A tão alto fim se ordena em grau eminente o vosso insigne Colégio.

(…)

As declarações de nulidade de matrimônios

“Quanto às declarações de nulidade dos matrimônios, ninguém ignora ser a Igreja cautelosa e contrária a favorecê-las. Se de fato a tranquilidade, a estabilidade e a segurança do comércio humano em geral exigem que os contratos não sejam levianamente proclamados nulos, muito mais ainda quando se trata de um contrato de tanta importância, como o do matrimônio, cuja firmeza e estabilidade são requeridas pelo bem comum da sociedade humana e pelo bem particular dos cônjuges e da prole, e cuja dignidade sacramental proíbe que se exponha levianamente o que é sagrado e sacramental ao perigo de profanação. Quem não sabe, pois, que os corações humanos são, em casos não raros, assaz inclinados – por este ou aquele gravame, ou por discórdia e tédio da outra parte, ou para abrir caminho à união pecaminosa com outra pessoa amada – a procurar libertar-se do vínculo conjugal já contraído? Por isso é que o juiz eclesiástico não deve mostrar-se fácil em declarar a nulidade do matrimônio, mas há de sobretudo esforçar-se por fazer com que se revalide o que invalidamente está contraído, principalmente quando as circunstâncias do caso particularmente o aconselham.

(…)

“… É bem verdade que em nossos tempos, em que o desprezo ou negligência da religião fizeram reviver o espírito de um novo paganismo gozador e soberbo, se manifesta em não poucos lugares uma quase mania pelo divórcio, a qual tenderia para contrair e dissolver os matrimônios com maior facilidade e ligeireza do que nos contratos de aluguel. Mas tal mania, imprudente e imponderada, não pode contar-se como razão, para que os Tribunais eclesiásticos se afastem da norma e da praxe senão a estabelecida por Deus, Autor da natureza e da graça”.

Como já havia anunciado e prometido, termino falando algo sobre a Misericórdia divina, já que estamos no ano do Jubileu da Misericórdia.

Se Deus quiser, neste ano ainda poderei fazer um artigo exclusivo sobre o Salmo CII, salmo este chamado das Misericórdias divinas. Hoje, limitar-me-ei a algumas reflexões apenas. Em verdade, este Salmo de Davi é “o cântico das misericórdias do Senhor”. Se no Salmo L, o Rei Profeta implora para si a multidão das misericórdias divinas, aqui ele louva esta mesma misericórdia olhando em primeiro lugar para si mesmo, ou seja, canta com todas as potências de sua alma a misericórdia que Deus usou para com ele (vers. 1-5); canta igualmente um hino à misericórdia que Deus prodigalizou ao seu povo de Israel (v. 6-12) e, finalmente, louva também a misericórdia dispensada a todo homem que a justiça divina vê quão fraco é (v. 13-18). O Salmista termina convidando todas as criaturas para louvarem o seu Criador (v. 20-22).

Eis alguns versículos: “É Ele [Deus] que perdoa todas as tuas maldades, e que sara todas as tuas enfermidades. É Ele que resgata da morte a tua vida, e que te coroa da sua misericórdia e das suas graças” (v. 3-4); “O Senhor faz misericórdia e faz justiça a todos os que sofrem agravos… O Senhor é compassivo e misericordioso, paciente e de muita misericórdia” (v. 6 e 8); “Porque, quanto a elevação do céu está remontada sobre a terra, tanto ele firmou a sua misericórdia sobre os que o temem;… “Como um pai se compadece dos seus filhos, assim se compadeceu os Senhor dos que o temem;  porque ele sabe bem de que somos formados; lembrou-se que somos pó” (v. 11, 13 e 14); “Mas a misericórdia do Senhor estende-se desde a eternidade, e até à eternidade sobre os que o temem. E a sua justiça espalha-se sobre os filhos dos filhos, para os que guardam sua aliança, e se lembram dos seus mandamentos, para os observar” (v. 17 e 18). Termina como começa: Bendize, ó minha alma, o Senhor”.

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7 janeiro, 2016

Quando ídolos aparecem em um vídeo oficial do Vaticano.

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27 dezembro, 2015

Foto da semana.

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Neste Natal, rezemos pela Síria cristã que resiste.

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24 dezembro, 2015

Um Santo e Feliz Natal!

Natale

É o que deseja o Fratres in Unum a seus leitores!

Natal do Senhor chama-se o dia em que a Sabedoria se mostrou como criança e o Verbo de Deus, sem palavras, emitiu voz humana. A divindade oculta foi, no entanto, revelada aos Magos pelo testemunho do céu e pela voz dos Anjos aos pastores. Celebremos, hoje, portanto, com solenidade anual, o cumprimento da profecia que diz: “A Verdade brotou da terra e a justiça olhou do céu”. A Verdade que está no seio do Pai brotou da terra para também estar no seio da Virgem mãe. A Verdade que contém o mundo brotou da terra a fim de ser carregada pelas mãos de uma mulher. A Verdade que nutre, incorruptivelmente, a felicidade dos anjos brotou da terra para ser nutrida com o leite dos seios maternos. A Verdade a quem o céu não basta, brotou da terra para ser colocada em um presépio. Em benefício de quem, tamanha sublimidade desceu a tão profunda humildade?! Evidentemente não para vantagem própria, mas, se tivermos fé, para nosso grande bem.

Desperta, ó homem: Deus por ti se fez homem! “Levanta-te, tu que dormes e sai dentre os mortos e o Cristo te iluminará”. Por ti, repito, Deus se fez homem. Estarias eternamente morto, se não tivesse Ele nascido no tempo. Jamais te libertarias da carne do pecado, se não assumisse Ele a semelhança da carne do pecado. Perene miséria te consumiria, se esta misericórdia não te fosse feita. Não reviverias, se Ele não sofresse a tua morte. Sucumbirias, se não te socorresse. Perder-te-ias, se não tivesse vindo.

Santo Agostinho

Créditos ao leitor Pedro Henrique.

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