Posts tagged ‘Igreja’

17 abril, 2014

Hora Santa: Quinta-Feira Santa e a prisão do Sacrário.

Accipite, et manducate ex hoc omnes...

Temos a honra de publicar esta belíssima Hora Santa composta especialmente para o dia de hoje pelo Padre Mateo Crawley-Boevey, membro da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. Tendo sido curado milagrosamente no Santuário das aparições do Sagrado Coração a Santa Margarida Maria em Paray-le-Monial, França, Pe. Mateo decidiu então conquistar os lares, sociedades e nações para o Sagrado Coração. Com ordens de São Pio X, iniciou sua cruzada pela Entronização do Sagrado Coração nos lares. Por quarenta anos percorreu o mundo promovendo suas famosas Horas Santas, implorando às famílias cujos lares já eram consagrados ao Sagrado Coração que não deixassem Nosso Senhor solitário, especialmente nas quintas-feiras que antecediam a primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração. Até sua morte em 1960, Padre Mateo, o grande Apóstolo do Sagrado Coração, lançava em suas publicações apelos pela Comunhão reparadora, freqüente e diária, a devoção ao Santo Rosário e até mesmo o reconhecimento pela ONU dos direitos de Cristo Rei.

Tags:
16 abril, 2014

Os três Cedros do Líbano.

Uma piedosa estória contada para crianças e relembrada pelos mais velhos libaneses. Nesta Semana Santa, rezemos por esse povo sofrido e fiel.

Por George-François Sassine | Fratres in Unum.com – “No começo dos tempos, no Líbano, Deus criou os três primeiros e grandes cedros do Líbano, dos quais todos os outros descenderam. Ao primeiro, ele o fez o mais sábio. Ao segundo, ele o fez o mais forte. Ao terceiro, ele o fez o mais belo.

Por milhares de anos as árvores cresceram em estatura, sabedoria e beleza, tendo assistido a uma expedição enviada pelo rei Salomão contra os assírios, conhecido ao profeta Elias e assistido à invenção do alfabeto pelos fenícios.

O Cedro do Líbano

O Cedro do Líbano

Até que um lenhador viesse, e maravilhado com a imponência daquelas árvores, as cortasse. Os cedros, sussurando em meio às suas folhas, compartilhavam seus desejos do que seria o destino de cada um.

O primeiro disse “… quero viajar pelo mundo afora, e, quando encontrá-lo, ser transformado no trono do rei mais poderoso da Terra…”.

O segundo cedro disse “… eu quero ficar nesta terra, como sinal de força e estabilidade. Assim, serei parte da lembrança da vitória do bem sobre o mal…”

O terceiro cedro finalizou “… seja aqui ou seja onde for, eu quero trazer às pessoas esperança e assim ser lembrança de Deus aos olhos dos homens …”

Porém concordaram “De Deus somos criaturas, por causa de Sua Bondade infinita existimos, então confiemos na Sua Providência”.

E assim Deus ouviu aos desejos dos 3 cedros, e assim Deus os concedeu.

Ao primeiro cedro que se tornasse abrigo de animais, e, que de suas sobras fosse feito um cocho para feno.

Ao segundo, que se tornasse uma mesa grande e robusta, mas muito simples e rústica.

Ao terceiro, que fosse apenas cortado e armazenado, quase abandonado.

Muitos anos depois, talvez séculos, numa noite gelada e cheia de estrelas, um casal peregrino que não encontrava refúgio resolveu passar a noite naquele estábulo, construído com a madeira do primeiro cedro. A mulher, em trabalho de parto, deu à luz ali mesmo. Ela envolveu seu filhinho em panos e colocou-o sobre o feno e a madeira. Naquele momento a primeira árvore entendeu que seu sonho tinha sido cumprido: sobre ele, o mais sábio dos cedros, era deitado o Rei dos reis da Terra.

Poucas décadas mais tarde, à noite e numa casa modesta, vários homens sentaram-se em refeição ao redor daquela mesa grande e robusta, simples e rústica. Um deles, após a ceia, tomou para si pão e vinho. Antes que os distribuísse, fez aos seus convidados ouvir palavras nunca ditas antes. O mais forte dos cedros entendeu então que pão e vinho já não eram mais a mesma coisa, senão a eterna aliança renovada entre os homens e o Criador Todo Poderoso.

Passadas poucas horas, o terceiro cedro que havia sido quase largado em um depósito, teve dois de seus lenhos tomados. O maior foi carregado para o alto de um monte e deitado na terra. O segundo, menor, foi entregue a um homem dilacerado e humilhado, que o carregou por horas até que chegar ao alto daquele monte. Os lenhos foram unidos e a eles foi cravado o homem, que a eles molhou com seu sangue.

Horrorizado, o terceiro e o mais belo dos cedros lamentou a herança bárbara que a vida lhe deixara, ao ter que assistir à agonia e morte de homem tão manso. Não suficiente, assistiu à terrível dor de uma jovem mãe que morria em vida assistindo ao seu filho cravado naquela cruz.

Porém, antes que três dias decorressem, entendeu seu destino: o homem que ali estivera pregado ressurgia vivo em glória e poder, demonstrando definitivamente que é a Luz do mundo, o Filho de Davi, o Cordeiro de Deus.

A cruz feita com sua madeira já não mais era símbolo de tortura, mas transformara-se em sinal concreto e visível da vitória do Amor sobre o ódio, da Humildade sobre a soberba, da Obediência sobre a revolta, do Bem sobre o mal, da Vida sobre a morte”.

Os três cedros do Líbano então glorificaram a Deus, por ter-lhes concedido, mesmo privados da imaginação de cada um deles, cumprir ao destino que cada um aspirara. Não segundo suas vontades, mas segundo a vontade de Deus.

Tags:
21 março, 2014

Discurso de posse do Des. Ricardo Dip na Academia Cristã de Letras, em São Paulo (18-3-2014).

Capítulo das boas maneiras da retórica ensina que, em situações como estas, alçando-se alguém sem maiores méritos a uma elevada honraria acadêmica −em meu caso, na cadeira que, nesta colenda Academia Cristã de Letras, está sob o patronato de GUSTAVO TEIXEIRA, poeta neoparnasiano da nossa cidade de São Pedro−, mas dizia eu: nessas circunstâncias, recomenda a retórica que deva ser breve a alocução de agradecimento, ao menos para que a escassez de palavras satisfaça o saudável motivo de poupar o orador de sua maior exibição ao constrangedor cotejo presencial com tantos Maiores na Academia.

E, em meu caso, é mais vistosa a prudência na recomendação da brevidade do discurso, pela intensidade do motivo adicional de que meu imediato antecessor na Cadeira a que nesta Academia tão desproporcionadamente ascendo foi o Professor SAMUEL PFROMM NETTO, Professor que foi da Universidade de São Paulo e não menos da Universidade que ainda hoje conserva o nome de Católica de São Paulo, esse escritor, psicólogo, pedagogo, historiador, justa vaidade de sua piracicabana terra natal, esse pensador, nascido em 1932, que foi Presidente do Conselho Regional paulista de Psicologia e membro de diversas Academias −a Paulista de Psicologia, a Paulista de História, a Paulista de Educação, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo−, recebendo dezenas de medalhas e títulos, testemunho social da excelência de sua obra, sinalizada pelos muitos livros que nos legou (inter plures: Psicologia, introdução e guia de estudo, Psicologia da aprendizagem e do ensino, Telas que ensinam, Principles of learning and instructional theory).

Numa entrevista de março de 2002, contemplando o processo ruinoso da civilização contemporânea, PFROMM NETTO afirmava que “a sociedade acabou por engendrar influências, condições e situações que estão criando à larga pequenos Frankensteins” e lembrava que Daniel Boorstin advertira, no ínicio da década de 60, que, a seguir-se nessa trilha, “o botequim imundo, com sua boçalidade, suas brigas violentas e sua desfaçatez, e o prostíbulo, com o sexo aviltado e seu cortejo de misérias e indecências, estariam dentro da sala de estar das nossas casas perante os olhos da família”. E rematava o eminente Professor PFROMM:

“A verdade é que estamos fabricando, assim, os Frankensteins de amanhã, em meio à indiferença, à inconsciência, à irresponsabilidade e à amoralidade (…)”

Quando faleceu, em 17 de novembro de 2012, o Professor PFROMM tinha mais do que estampada essa diagnose de nossos tempos, confirmada pela imensa e vistosíssima crise do mundo contemporâneo: já se estendiam os tapetes vermelhos para a recepção dos Frankensteins, e eram estes ruidosamente saudados com uma sinistra e muito gráfica divisa: “ad delendam Christianitatem”.

Crise tenebrosa, de fato, esta em que vivemos. Ainda que, em outras épocas da história humana, se haja a Cristandade afligido de misérias, insídias e ataques, sempre havia, para a segurança das consciências, a autoridade sólida da Igreja docente: Roma locuta causa finita.

Já agora, e como nunca, diante de uma intensa e sistemática hostilidade contra as verdades da Fé e da Moral, desfilando diante de nossos espantados olhos as milhares de crianças assassinadas diariamente no ventre materno, o crescente número e aterrador de suicídios de jovens em vários países do mundo, a prática “legalizada” da eutanásia, a destruição da família −já pela trágica aversão de sua realidade natural, já pela insidiosa moléstia do divórcio…, já agora, e como nunca, tamanhas sendo todas essas agressões a bens e princípios que, tal o disse BENTO XVI, são princípios e bens “iscritti nella natura umana stessa e quindi (…) comuni a tutta l’umanità”, já agora, e como nunca, o mais insólito dessa crise está em que a tudo se agregue o trágico quarto de hora da Igreja Militante.

Nosso Senhor perguntara a seus discípulos, se quando o Filho do homem voltar, encontrará por ventura a Fé sobre a Terra −inveniet fidem in terra?, e o Magistério da Igreja, no “Catecismo” de JOÃO PAULO II, vem confirmar-nos que, “antes do advento de Cristo, a Igreja deverá passar por uma provação final que sacudirá a fé de numerosos crentes”: a glória do Reino exige uma derradeira Páscoa, mas esta última Páscoa da Igreja impõe que siga ela seu divino Fundador, na Morte e na Ressureição; à glória do Reino a Igreja não se elevará, disse JOÃO PAULO II, “sem passar por esta última Páscoa, em que seguirá seu Senhor em sua Morte e Ressurreição” in Eius Morte Eiusque sequētur Resurrectione.

Tempos difíceis os nossos, o da Paixão da Igreja, dilacerada num drama agudíssimo que tão bem resumiu PAULO VI, quando, em célebre discurso ao Seminário lombardo −era o ano de 1968−, acusou na crise o processo de autodemolição da Santa Barca de S.Pedro: também ela não podia deixar de ter seus Judas Iscariotes, sua Sexta-Feira Dolorosa.

Bem gostava pessoalmente de encerrar este brevíssimo discurso proclamando minha firme esperança de que demain, le Pape −para usar o título de valioso artigo do saudoso JEAN MADIRAN−, de que demain, le Pape aplicará, no governo interno da Igreja, as santas sábias medidas que o Papa PAULO IV deixou ditado de modo perdurável na célebre Bula Cum ex apostolatus officio. A militância católica pequenina de minha menoridade habitual, elevada graciosamente a esta egrégia Academia, traz guardada in corde a mais funda esperança de que não nos faltará a Providência e que, demain, le Pape reconstruirá sua autoridade e restituirá a saudosa inteireza da doutrina que sempre e em toda parte ensinou a Santa Igreja… porque senha indefectível da sobrenatural grandeza do Pontificado romano sempre foi e sempre o será a sólida fidelidade papal na custódia da tradição, nessa vanguardista conservação da doutrina que semper et ubique tenuit Ecclesia… porque, isto é absolutamente certo: DEUS, DEUS não muda!

Muito obrigado.

* * *

Agradecemos ao dr. Ricardo Dip a honra que concede ao Fratres de divulgar seu discurso.

Tags:
6 março, 2014

Os sete estágios da heresia.

Por Pat Archbold

As heresias[1] populares não surgem do nada. Elas crescem lentamente.

Estágio 1.

A prática imoral é claramente condenada e anatematizada. A salvação eterna das almas está em perigo. Algumas pessoas ainda a praticam, mas elas são entendidas como pecadoras e, algumas vezes, são condenadas ao ostracismo social.

Estágio 2.

A prática imoral ainda é claramente condenada, mas ninguém realmente fala sobre isso. Mais pessoas a praticam, mas não é considerada ideal.

Estágio 3.

A prática imoral é formalmente condenada, mas tal condenação é raramente ensinada. Muito mais pessoas a praticam, isto é como a vida é algumas vezes.

Estágio 4.

A prática imoral ainda é formalmente condenada, mas a maior parte do clero vê de outra maneira e alguns até mesmo a encorajam. A maioria a pratica, qual o grande problema?

Estágio 5.

A prática imoral ainda é formalmente condenada, mas nós devemos encontrar um modo de agir pastoralmente com todos os que se engajam em tal prática. Entende-se que a Igreja os feriu desnecessariamente com sua intolerância ultrapassada. A fim de sermos mais pastorais, encorajamos mais a prática imoral porque o nosso desenvolvimento nos ensinou que os sentimentos das pessoas são mais importantes do que suas almas.

Estágio 6.

A prática imoral ainda é imoral, mas aqueles encarregados da cura de almas e de salvaguardar a verdade dizem coisas como “o navio já zarpou” ou “não é tão importante” ou “irrelevante” ou “nós não somos obcecados com esses assuntos” ou “devemos ir ao encontro das pessoas onde elas estão” ou, no final das contas, “o sensus fidelium já falou”. Aqueles que não a praticam são considerados aberrações intolerantes, desvairadas e obcecadas que, em última analise, estão atrapalhando a expansão da Igreja.

Estágio 7.

A prática imoral ainda é imoral e a Igreja ainda a condena formalmente, mas a prática imoral em escala mundial já gerou outras piores, então nós temos mais com o que nos preocupar. Parabéns! Você tem uma heresia plenamente desabrochada!!


[1] [N.T.] Heresia aqui entendida lato sensu como a negação obstinada de uma verdade moral infalível.

Tags:
4 março, 2014

O jejum e a abstinência na lei da Igreja.


Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canônico de 1983.

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as sextas-feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cânon 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as sextas, exceto nas solenidades. [Cânon 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. [Cânon 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até o início dos 60 anos [Cânon 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canônico de 1917.

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para S. Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: segundas, terças, quartas e quintas-feiras da Quaresma. [Cânon 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até os 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as sextas-feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [cânon 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cânon 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: quarta-feira de cinzas, toda sexta e sábado da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), em cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, Assunção, Todos os Santos e Natal. [Cânon 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência aos que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

Fonte: The year of Our Lord Jesus Christ 2009, The Desert Will Flower Press.

(Post originalmente publicado na quaresma de 2009)

Tags:
26 fevereiro, 2014

Retorno ao lar depois de 30 anos de guerra litúrgica.

Por Dom Mark Daniel Kirby, OSB, Prior de Silverstream Priory*

Com serenidade e humildade

Algumas pessoas têm me perguntado se a minha avaliação pessoal da “reforma da reforma” de alguma forma significa que eu decidi desprezar a grande maioria dos católicos que ainda continuam a celebrar usando os ritos e os textos presentes nos atuais livros litúrgicos reformados. Nada poderia estar mais longe da minha mente e do meu coração. Estou bem ciente de que em dioceses e paróquias espalhadas pelo mundo afora um imediato reavivamento das antigas formas litúrgicas não é uma idéia realística. Eu acho que é algo que inexoravelmente irá acontecer, mas muito lentamente, na medida em que as novas gerações começarem a descobrir, ali e aqui, locais prósperos em que as celebrações Católicas são feitas no rito tradicional. É como Ratzinger uma vez disse: “a beleza está em casa” e na medida em que os mistérios da fé forem transmitidos com integridade, com serenidade e com profunda humildade, esses locais, creio eu, exercerão uma força de atração e não de coação sobre as demais paróquias e outras comunidades religiosas, fazendo com que voltem a se envolver voluntariamente com os ritos litúrgicos tradicionais da Igreja.

O Privilégio da Marginalidade 

Eu escrevo, é claro, como um monge e não como padre diocesano. Mosteiros criam raizes, florescem e dão frutos num território intermediário que começa onde a cidade secular termina e se estende para a vastidão inexplorada do deserto. O desmerecido privilégio dessa sagrada marginalidade concede aos monges o espaço e a liberdade para recuperar, preservar e transmitir elementos da tradição litúrgica que poderiam por algum tempo permanecer remotos ou inacessíveis aos vários níveis do clero que estão totalmente engajados no cuidado pastoral das almas.

Um veterano cansado finalmente volta pra casa

“Depois de ter dedicado quase quarenta anos da minha vida a uma “reforma da reforma” digna; depois de ter ensinado e defendido o Novus Ordo Missae com o melhor da minha habilidade, depois de ter composto –  e até mesmo ter sido aclamado por um decano do Pontifício Instituto de Sagrada Liturgia – um inteiro antifonal monástico em modo cantochão para os textos litúrgicos franceses, depois de ter composto centenas de configurações correspondentes ao cantochão para o Próprio da Missa em vernáculo, depois de ter lutado com todas as minhas forças pela restauração dos cantos relativos aos Próprios da Missa, depois de ter litigado à exaustão por uma obediência inteligente à Institutio Generalis Missalis Romani (Instrução Geral do Missal Romano); depois de ter me jogado de corpo e alma em palestras e conferências para sacerdotes, seminaristas, religiosos e religiosas, sou obrigado a admitir que eu poderia ter melhor gastado meu tempo e minhas energias na humilde obediência à liturgia tradicional como eu a havia descoberto – e, como eu tanto amava – na alegria da minha juventude. Não digo isto com amargura, mas como a constatação resignada  de um veterano cansado que volta tardiamente pra casa depois de uma honrosa derrota nesses trinta anos de Guerra Litúrgica.

Ao mesmo tempo bons vizinhos

Eu respeito aqueles sacerdotes e leigos que continuam a acreditar na “reforma da reforma”. Eu honro a sua devoção e perseverança, mas de onde eu me encontro, a essa altura da minha vida, eu creio que eles desperdiçam sua energia desnecessariamente. A vida é curta. Eu não posso mais aconselhar os demais a dedicar os anos mais produtivos de suas vidas remendando um edifício que foi sem sombra de dúvida erguido às pressas durante uma onda de construções rápidas, com fundações inseguras, isolamento térmico de má qualidade, luminárias defeituosas e um teto cheio de goteiras. Bem ao lado, existe uma outra casa, mais antiga, formosa, solidamente construída e em bom estado de conservação. Ela pode até precisar de um pequeno ajuste aqui e outro ou ali, mas é um lugar onde qualquer um se sente em casa e sabe que é confortável pra se viver. Pois é nessa casa que eu escolhi viver os dias que me restam. Se outros optam por continuar vivendo no “improviso” ao lado, só posso desejar-lhes boa sorte, confiante que possamos continuar vivendo ao mesmo tempo como bons vizinhos, com frequentes bate-papos sobre a cerca do quintal, trocando idéias  e talvez até mesmo aprendendo alguma coisa um com o outro.

Thomas Merton

Uma das coisas que eu aprendi ao longo dos últimos quarenta anos, e isso em meio ao tédio de uma espera muito dura, é que os monges e freiras que professam uma vida contemplativa não ganharam absolutamente nada em mudar as formas, conteúdo e linguagem da Sagrada Liturgia. As mudanças litúrgicas varreram os mosteiros como um furacão deixando um lamentável rastro de destruição em seu caminho. Será que a tão aclamada renovação litúrgica nos mosteiros serviu para um acréscimo das vocações? Será que serviu pra gerar um compromisso generoso com as regras da observância monástica? Teria servido pra promover um zelo maior pela obra de Deus? Poucos mosteiros conseguiram se recuperar dessas contínuas décadas de agitação litúrgica. Até mesmo Thomas Merton, quando se viu diante dos primeiros ventos de uma iminente mudança litúrgica, advertiu para o perigo que ameaçava a vida contemplativa de clausura. Em 1964, ele escreveu a Dom Ignace Gillet, então Abade Geral dos Cisterciences de Observância Rigorosa:

“Isto é o que eu penso do Latim e do Canto Gregoriano: eles são obras primas que nos oferecem uma insubstituível experiência Cristã e monástica. Eles possuem uma força, uma energia, uma profundidade sem igual. Se formos fazer uma comparação, podemos dizer que todos os Ofícios propostos em inglês são muito pobres. Além do mais, de forma alguma é impossível fazer com que tais coisas sejam compreendidas e apreciadas. Geralmente eu consigo ser bem sucedido nisso já no noviciado, naturalmente com algumas exceções, como com aqueles que não compreendem bem o latim. Mas aqui eu devo adicionar algo bem mais sério. Como você deve saber, eu tenho muitos amigos pelo mundo afora que são artistas, poetas, autores, editores, etc. Todos eles são capazes de apreciar nosso canto e o latim. E todos eles, sem exceção, ficaram escandalizados e entristecidos quando eu disse que provavelmente daqui a 10 anos esse Ofício e essa Missa não estarão mais aqui. E isso é que é o pior; os monges não conseguem entender esse tesouro que eles mesmo possuem e jogam tudo isso fora pra ir atrás de alguma outra coisa, enquanto seculares, que na sua maioria sequer são Cristãos, são capazes de apreciar essa arte incomparável.”

Coros desnudados e vazios

As reformas litúrgicas dos anos 60 e 70 arrancaram de seu eixo a vida espiritual de muito mais que um simples monge. A abençoada monotonia do saltério, que repetida semana após semana em acentos familiares gerava um cantochão consistente e harmônico, foi substituída pela distribuição de um saltério em vernáculo com duas, três ou até mesmo quatro diferentes semanas, numa flagrante violação tanto da Regra de São Bento como das leis objetivas da antropologia. Nunca vou esquecer a angústia gerada por tentar inventar novos tons para os salmos para que esses correspondessem ao vernáculo, ao mesmo tempo em que eu tentava desesperadamente me agarrar aos cantos do “Antiphonale Monasticum” que estavam enraizados no meu coração. Memórias da liturgia tradicional persistiam durante o inverno do meu descontentamento como as lindas flores do açafrão tentando perfurar a crosta congelada que haviam colocado sobre o meu “hortus conclusus” (jardim concluído). Os “coros desnudados e vazios” de tantas abadias modernas são tristes testemunhas do sucateamento causado pela inovação litúrgica, ainda que essa tenha sido feita, como sempre, com a melhor das intenções e tendo como base uma noção deturpada de obediência cega ao que foi mal interpretado como sendo “a mente da Igreja”.

Paulo VI

Quando eu digo “deturpada”, é porque embora o Papa Paulo VI tenha vacilado em questões litúrgicas, muitas vezes tomando partido dos reformistas mais iconoclastas em algumas matérias e até mesmo autorizando inovações de caráter duvidoso, a própria Constituição Sacrosanctum Concilium, (particularmente quando lida através das lentes da Mediator Dei, como deve ser para que essa seja entendida corretamente) e alguns dos pronunciamentos pessoais do mesmo Pontífice chamam para algo bem diferente do que se tornou a ordem do dia.

Por exemplo, o Papa Paulo VI, ao endereçar a  Sacrificium Laudis (http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_letters/documents/hf_p-vi_apl_19660815_sacrificium-laudis_it.html) aos Superiores das Ordens masculinas em agosto de 1966 não se absteve de chamá-los à obediência naquelas matérias que lhe eram particularmente importantes:

“Na atual circunstância, que língua vos parece que poderia substituir aquelas formas de piedade litúrgica que tendes usado até agora? É preciso refletir bem para que as coisas não se tornem piores após terem negado essa herança gloriosa. Porque há que se temer que o Ofício no coral seja reduzido a uma recitação disforme da qual vós mesmos sereis os primeiros a lamentar a pobreza e a monotonia. Surge também outra pergunta: os homens ansiosos por ouvir tais peças sacras, ainda entrarão em grande número em vossos templos se ali já não se encontrará mais a linguagem antiga e nativa daquelas orações, unida ao canto cheio de gravidade e beleza?

Peçamos então aos interessados que ponderem bem sobre o que pretendem abandonar e não deixem secar a fonte de onde beberam tão abundantemente até os dias de hoje. Naturalmente que o latim apresenta algumas dificuldades e talvez algumas bem consideráveis, principalmente para os noviços da vossa sagrada milícia. Mas isto, como sabeis, não é algo impossível de ser superado e vencido, sobretudo entre vós que estais mais afastados dos afazeres e distrações do mundo e que podeis vos dedicar mais facilmente ao estudo.

Além do mais, essas orações permeadas de  antiga grandeza e nobre majestade, continuam a atrair a vós os jóvens chamados à herança do Senhor. Por outro lado, aquele coro do qual é removido essa linguagem de admirável força espiritual, a qual transcende os confins das nações, e do qual é removido também essa melodia que procede do mais íntimo santuário da alma, onde reside a fé e a caridade se inflama- estamos falando do Canto Gregoriano-  tal coro se tornará como uma vela apagada que não ilumina mais nada, não atrai mais para si nem os olhos e nem as mentes dos homens.

Em qualquer caso, caríssimos filhos, os pedidos que havíamos mencionado acima dizem respeito a matérias graves que nos é impossível fazer concessões ou derrogar as normas do Concílio e as Instruções citadas acima. Portanto vos exortamos ponderar bem sobre todos os aspectos de uma questão tão complexa. Para o bem estar dos que vos circundam e pela boa estima dos que vos acompanham, não queremos permitir que  isso possa ser causa de queda para o pior, pois poderia se tornar uma fonte de não breve detrimento e certamente poderia causar mal estar e tristeza para toda a Igreja. Permita-nos então contra a vossa vontade, defender a vossa causa. A Igreja que por razão de caráter pastoral, isto é, para o bem daqueles que não sabe o latim, introduziu as línguas nacionais na Sagrada Liturgia, vos dá mandato para custodiar a tradicional dignidade, a beleza, a gravidade do Ofício do coral tanto na língua como no canto.

Obedeçam portanto, essas prescrições com coração humilde e sincero, pois não são derivadas de um amor exagerado pelo uso antigo, mas propostas pela caridade paterna que temos por vós e aconselhadas pelo zelo pelo culto divino”.

Antiga Paixão pelo que antes era amado.

Esse contundente mandato não foi recebido com obediência filial, mas pelo contrário, com indiferença e até mesmo arrogante desprezo pela maioria dos endereçados. Até hoje, depois de 48 anos, ainda existem mosteiros onde o claro mandato da “Sacrificium Laudis” é totalmente desconhecido. Da minha parte, posso dizer humildemente que já não tenho a ilusão de fazer qualquer contribuição ativa no tocante à restauração da sagrada liturgia. Eu estou, na maior parte, contente de apenas poder sentar novamente no coro, dia após dia, hora após hora, para entoar as laudes imutáveis ao Deus Imutável. A verdade é que estou cansado até a medula das campanhas sangrentas desses trinta anos de Guerra litúrgica. No entanto, há momentos que, para minha própria surpresa, a paixão pelas coisas que antes eram amadas e que foram perdidas se reacende novamente e me inflama e é o que me obriga a escrever.

Dom Mark Daniel Kirby OSB, Prior de Silverstream Priory

Tradução: Gercione Lima, cuja gentileza agradecemos.

* O Priorado de Silverstream em Stamullen (http://cenacleosb.org), County Meath, na Irlanda, é uma casa de monges que vivem sob a Regra de São Bento. Cada mosteiro Beneditino é uma família autônoma caracterizada por um espírito único. Sob o patrocínio de Nossa Senhora do Cenáculo, os monges do Priorado Silverstream se dedicam à celebração digna da Opus Dei nas suas formas tradicionais e à adoração perpétua do Santíssimo Sacramento do Altar em espírito de reparação. Sua vida de louvor e adoração é marcada por uma solicitude sincera pela santificação dos sacerdotes. Sem sair da clausura do mosteiro, os monges realizam vários trabalhos compatíveis com a vocação de cada um, nomeadamente, hospitalidade ao clero que necessita  de retiro espiritual e a operação de uma excelente livraria católica localizada na portaria do Priorado.

20 fevereiro, 2014

Penitência, Penitência, Penitência!

Beata Jacinta e Beato Francisco com Irmã Lúcia de Fátima

Beata Jacinta e Beato Francisco com Irmã Lúcia de Fátima

Vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: PenitênciaPenitênciaPenitência! E vimos n’uma luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Varios outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’êles recolhiam o sangue dos Martires e com êle regavam as almas que se aproximavam de Deus.

Mensagem de Fátima – Post publicado em 20 de fevereiro de 2014, festa dos Beatos Jacinta e Francisco.

Tags:
16 fevereiro, 2014

Foto da semana.

lucia

Há 9 anos, no dia 13 de fevereiro de 2005, falecia Irmã Lúcia, vidente de Fátima. Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. Créditos: Paula Luckhurst.

Tags:
29 dezembro, 2013

“Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Salmos 71, 11)

“Em fevereiro de 1685, o Rei Carlos II, da Espanha, conduziu um numeroso grupo de cortesões e plebeus em procissão real para fora da cidade, para o que chamaríamos de um piquenique real. Quando estavam saindo da cidade, o cortejo encontrou um padre que cruzava a mesma estrada levando o Santíssimo Sacramento a um pobre jardineiro moribundo. O sacerdote estava apenas acompanhado de um acólito, que segurava uma vela. Quando o rei descobriu que o sacerdote estava levando o Santíssimo Sacramento, ele parou a carruagem e pôs-se de joelhos para adorar Cristo na Eucaristia. Então, muito respeitosamente, o rei convidou o sacerdote a entrar na carruagem real e sentar-se em seu lugar junto com o acólito. Fechando a porta com os novos ocupantes dentro, o rei, então, tomou as rédeas da carruagem com suas próprias mãos e conduziu os cavalos a pé por toda a rua, que era longa e lamacenta.

santissimo

Ao chegarem à casa do pobre jardineiro, o rei abriu a porta e ajudou o sacerdote a sair da carruagem. Depois de ajoelhar-se novamente em atitude de adoração, levantou-se e com a cabeça descoberta e acompanhou o padre até o interior da pequena cabana. Durante toda a cerimônia que se seguiu, o rei permaneceu em profunda adoração. Depois que o moribundo recebeu o Santíssimo Sacramento, o rei falou-lhe de maneira muito gentil e deixou-lhe uma quantia em dinheiro. Prometeu também que daria um dote a sua filha única, que estava prestes a enfrentar a orfandade. Em seguida, o rei levou o sacerdote de volta à igreja de onde viera. Finalmente, este pôde persuadir o rei a não caminhar a pé pela rua novamente, mas, como último ato de homenagem ao Santíssimo Sacramento, o monarca preferiu viajar em uma carruagem separada atrás daquela que transportava o sacerdote. Então, ao chegarem ao seu destino, o rei acompanhou o sacerdote até o interior da igreja e recebeu a bênção habitualmente dada aos que assistem à recepção dos sacramentos aos enfermos. Enquanto tudo isso acontecia, a enorme procissão de nobres e pessoas comuns havia crescido imensamente, e muito se comentou a respeito da devoção do rei.”

Fonte: “In the Presence of Our Lord” do Pe. Benedict J. Groeschel, C.F.R.

Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com

* * *

Atenção: O Fratres in Unum está em recesso.

Tags:
24 dezembro, 2013

Um Santo e Feliz Natal!

É o que deseja o Fratres in Unum a seus leitores!

Publicamos a seguir nossa tradução da mensagem de Natal de Dom Samir Nassar, arcebispo de Damasco. Rezemos nesta Santa Noite por nossos irmãos sírios, por suas famílias e crianças.

Os refugiados diante da manjedoura

Reflexão de natal do Arcebispo Maronita de Damasco

A Síria, neste tempo de Natal, assemelha-se muitíssimo com a manjedoura: um estábulo aberto, sem portas, frio, desprovido e extremamente pobre…

Ao Menino Jesus não faltam companheiros na Síria… Milhares de crianças que perderam seus lares estão vivendo em barracas tão pobres quanto a manjedoura de Belém.

Jesus não está sozinho em sua extrema pobreza. As crianças sírias abandonadas e marcadas pelas cenas de violência querem estar no lugar de Jesus, que tem pais ao seu redor e que o acariciam.

Freira mostra presépio de Natal para sírios cristãos na igreja de São Paulo em Damasco (23/12)

Freira mostra presépio de Natal para sírios cristãos na igreja de São Paulo em Damasco (23/12)

Essa prova de amargura é muito visível nos olhos dessas crianças sírias, em suas lágrimas e em seu silêncio…

Algumas delas invejam o Divino Menino porque ele encontrou uma manjedoura para nascer e se proteger, enquanto algumas desafortunadas crianças sírias nascem sob bombas ou a caminho do exílio.

Maria não está mais sozinha em suas dificuldades; mães infelizes, menos auspiciosas, vivem em extrema pobreza e lidam com responsabilidades familiares sozinhas, sem seus maridos.

A insegurança (precariedade) da gruta de Belém traz uma consolação a essas mães esgamadas por problemas intratáveis e pela falta de esperança.

A tranquilizadora presença de José ao lado da Sagrada Família é fonte de inveja para milhares de famílias desprovidas de um pai, carência que traz medo, angústia e insegurança. Nossos desempregados invejam José, o carpinteiro, que protege sua família de passar necessidade.

Os pastores e seu rebanho, próximos à manjedoura, falam demais para muitos lavradores que perderam 70% de sua criação nessa guerra…

A vida nômade nesta terra bíblica que data até a Abrãao e até antes, brutalmente desaparece com seus antigos costumes de hospitalidade e sua tradicional cultura.

Amman, Jordânia, Natal de 2012: crianças rezam pela Paz.

Amman, Jordânia, Natal de 2012: crianças rezam pela Paz.

Os cães dos pastores do Natal têm compaixão pelo fato dos animais domésticos na Síria serem marcados pela violência mortal; perambulando entre ruínas e se alimentando com cadáveres.

O som infernal da guerra sufoca o “Gloria” dos Anjos… Esta sinfonia pela paz dá lugar ao ódio, à divisão e à atrocidades cruéis.

Possam os três Magos trazer à manjedoura da Síria os mais preciosos dons do Natal: Paz, Perdão e Reconciliação, a fim de que a Estrela do Natal possa brilhar novamente em nossas noites escuras.

Rezemos ao Divino Infante.

Senhor, graciosamente ouvi-nos.

Natal de 2013.

 + Samir NASSAR

Arcebispo Maronita de Damasco.

Tags: ,