Archive for ‘Cúria Romana’

2 março, 2015

E que tal Henrique VIII?

O Cardeal George Pell, secretário para a Economia, tem sido alvo de ataques no que alguns chamaram de retorno dos Vatileaks. Evidentemente, isso só ocorre por conta de seu claro posicionamento em favor da família. Não se vê vazamentos nem torpedos contra Kasper, Paglia, Marx…

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Por Cardeal George Pell | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com: Curiosamente, o rígido ensinamento de Jesus de que “portanto, não separe o homem o que Deus uniu ” (Mt 19: 6) não ocorre muito tempo depois de sua insistência a Pedro sobre a necessidade do perdão (cf. Mateus 18: 21–35).

Cardeal George Pell.

Cardeal George Pell.

É verdade que Jesus não condenou a mulher adúltera que fora ameaçada de morte por apedrejamento, mas Ele não lhe disse para continuar do mesmo jeito ou ir levando a vida sem se modificar. Ele lhe disse para não mais pecar (cf. João 8: 1–11).

Uma barreira intransponível para aqueles que defendem uma nova disciplina doutrinal e pastoral a fim de receber a Sagrada Comunhão é a unanimidade quase completa de dois mil anos de história católica sobre esse assunto. É verdade que os ortodoxos têm uma tradição de longa data, embora diferente, que lhes foi imposta originalmente por seus imperadores bizantinos, porém, essa nunca foi a prática católica.

Alguém talvez alegue que as disciplinas penitenciais nos primeiros séculos antes do Concílio de Nicéia eram muito rigorosas, uma vez que eles discutiam se os culpados de assassinato, adultério ou apostasia poderiam ser reconciliados pela Igreja com suas comunidades locais uma única vez — ou nunca. Eles sempre reconheceram que Deus poderia perdoar, mesmo quando a capacidade da Igreja de readmitir pecadores à comunidade era limitada.

Esse rigor era a norma no tempo em que a Igreja estava se expandindo em número, apesar da perseguição. Não se pode ignorá-los, tanto quanto não se pode ignorar os ensinamentos do Concílio de Trento ou de São João Paulo II ou Bento XVI sobre o matrimônio. Será que as decisões que se seguiram ao divórcio de Henrique VIII foram totalmente desnecessárias?

24 fevereiro, 2015

Franciscanos da Imaculada: Golpe de cena, Padre Volpi rejeita o acordo que havia assinado.

Por Mauro Faverzani – Corrispondenza Romana | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Padre Fidenzio Volpi, Comissário imposto à Ordem Apostólica dos Frades Franciscanos da Imaculada, sempre consegue surpreender. Em 12 de fevereiro, assinou livremente um ato de mediação com a família do padre Stefano Manelli, fundador do Instituto, o qual evitou o “processo civil por alegada difamação pendente no Tribunal Ordinário de Roma, seção Civil I.”

E eis que já no dia 18 de fevereiro, apenas seis dias mais tarde, ele emite uma circular interna, publicada no site oficial da Congregação, em que retira tudo e comunica “a vontade de deixar de cumprir o acordo assinado, considerando-o já não mais válido devido a negligência grave da outra parte”. Não está claro e não explica o que seria essa  “violação grave”.

Que a notícia do acordo apareceria em tudo que é agência de notícias, sites e blogs de todo o mundo é mais que óbvio. Que nem todos a tenham divulgado com uma linguagem juridicamente apropriada, pode até ser. Mas não no nosso site. Nós apresentamos essa notícia nos termos apropriados. E para que não restem dúvidas, apresentamos o original, para que todos possam julgar e ver como estão as coisas. Mas tudo isso não tem nada a ver com o ato em si considerado. Ato que é ou não é. E, como tal, não é rejeitável segundo o que lhe der na veneta.

Com tal documento – repetimos, assinado livremente – Padre Volpi admitiu  “o não-envolvimento dos familiares do padre Stefano Maria Manelli, reafirmando a estranheza absoluta” dos mesmos “em qualquer operação considerada ilegal e, portanto, contestada pelo próprio Comissário Apostólico, sobre a alegada transferência da disponibilidade dos ativos do Instituto dos Frades Franciscanos da Imaculada”. Desmentindo assim suas declarações anteriores, de caráter totalmente oposto, contidas em uma carta de 8 de Dezembro de 2013. Declaração, agora mais uma vez afirmada em sua recente circular, na qual, contrariando a mediação de 12 de fevereiro, parece voltar às velhas acusações, julgando-as  imunes  de  “caráter de falsidade” e de fato “facilmente verificáveis”. Ou seja, a sua afirmação de que os “bens do Instituto” teriam sido colocados à disposição de terceiros, “entre outros, certos membros da família do Padre Manelli.”

Ora, então tecnicamente a rescisão do documento assinado na frente do mediador do Tribunal de Justiça, portanto, um oficial do judiciário, fica parecendo improvável, senão impossível. Nada parece atribuível aos familiares do Padre Manelli, então, rebus sic stantibus, salvo algumas cláusulas ou notas de rodapé, dificilmente a retirada anunciada poderá surtir algum efeito. De qualquer modo, resta a questão básica: é verdade ou não é verdade o que o Padre Volpi disse e assinou? Este é o único aspecto a considerar. Como Padre Volpi explica ter declarado seis dias antes a estranheza absoluta do envolvimento da família do Padre Manelli em “qualquer operação considerada ilegal, sobre a alegada transferência da disponibilidade dos ativos do Instituto dos Frades Franciscanos da Imaculada” e, seis dias mais tarde, declarar ser verdadeiro e verificável  que os bens do Instituto “foram colocados” à disposição, entre outros, de certos membros da família do Padre Manelli ? Tratando-se de duas versões diametralmente opostas, em qual das duas deveríamos acreditar?

Padre Volpi tecnicamente tem razão quando declara não ter sido jamais “condenado por qualquer crime, ou submetido a algum processo penal”. Mas isso simplesmente porque o ”acordo de mediação” aqui mencionado, e que foi assinado por ele, como ele mesmo admite, “tinha como único objetivo evitar a continuação do processo civil junto ao Tribunal de Roma, com os custos adicionais por conta do Instituto”. Despesas essas que, por sua vez, agora parece que o Instituto será instado a custear para levar avante uma questão que diz respeito unicamente às declarações escritas por ele em 2013 e que agora se veem novamente sujeitas a desagradáveis ​​consequências judiciais.

É realmente um triste cenário proposto pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, aquele em que, com o decreto n. 52741/2012, afastou os vértices dos Franciscanos da Imaculada e impôs Padre Volpi como comissário apostólico. O Secretário da Congregação, Dom José Rodriguez Carballo, permanece envolvido no maxi-escândalo que abalou a Ordem dos Frades Menores, um escândalo que levou a uma investigação da Procuradoria Suíça por tráfico ilícito com a apreensão de dezenas de milhões de euros, bem como a fiscalização do passivo sobre o hotel “Il Cantico” de Roma. Agora, Padre Volpi, que antes quis evitar a todo custo um processo por difamação ao assinar uma mediação, então — com a decisão, talvez um tanto demais   emocional e temperamental — retira tudo, considerando que já não é válida, como se o que ele declarou ontem não valesse mais hoje .

No último dia 22 de dezembro, Papa Francisco, nas saudações de Natal à Cúria Romana, defendeu uma Igreja de “saneamento” frente às “doenças da Cúria” – conforme definia, para incluir aí “fofocas, murmurações, maledicências” tanto quanto o “acumular” e muito, muito mais — Não teria então chegado o momento de começar a fazer a limpeza naqueles pontos que estão mais à sombra, naqueles onde melhor se esconde a sujeira? (M.F.)

20 fevereiro, 2015

Nunca poderá haver oposição entre “ação pastoral e doutrina”: Cardeal Piacenza refuta Kasper.

ROMA, 18 de fevereiro de 2015 – LifeSiteNews.com | Tradução: Fratres in Unum.com – Misericórdia e verdade nunca podem estar separadas, e certamente nunca devem ser contrapostas uma a outra, enfatizou o Cardeal Mauro Piacenza em seu discurso no mês passado a uma assistência de padres na Alemanha.

5f3b328dc9e5021d16da86c25a5b8dbeUma vez que diversos líderes da Igreja fazem pressão para que haja mudanças em sua com relação à distribuição da Comunhão, o cardeal refutou a noção de que os ensinamentos morais católicos devam ser ignorados, a fim de que a Igreja dispense “misericórdia”.

O Cardeal Piacenza, que atua como chefe da Penitenciaria Apostólica, um dos três supremos tribunais da Igreja, afirmou: “Quando no cristianismo misericórdia e verdade são apresentados como antagônicas ou, ao menos, como contraditórias, isso resulta sempre em uma percepção parcial.”

“Dificilmente se pode conceber que poderia haver uma ênfase tão forte sobre a misericórdia em detrimento da verdade. Ou, seu oposto, uma forte ênfase na verdade em detrimento da misericórdia.”

O cardeal rejeitou a proposta apresentada pelo Cardeal Walter Kasper e seus seguidores no Sínodo dos Bispos, em outubro, de que é possível existir uma “oposição artificial entre doutrina e atividade pastoral.”

“No cristianismo”, disse ele, “misericórdia e verdade são co-inerentes e inseparáveis, de modo que não podem ser propriamente distinguíveis”. A misericórdia e a verdade, acrescentou, “estão unidas sem confusão e são distintas sem separação… Uma misericórdia sem verdade não é cristã e, ao mesmo tempo, verdade sem a misericórdia não é cristã”.

“A cada caso em que a atividade pastoral se contrapõe à doutrina — uma atividade pastoral que está cheia de misericórdia em oposição à doutrina repleta de uma verdade fria e impiedosa – nós nos revelamos prisioneiros de uma estrutura pré-cristã, em que a verdade e a novidade radical do Verbo encarnado [Cristo] ainda não estão suficiente e adequadamente integradas.”

Ele afirmou que essa “polarização ocorre” com “certa legitimidade”, mas ela deve ser entendida “dentro dos limites de ‘uma e outra'” sem cair de “maneira destrutiva na dicotomia ‘ou uma ou outra’, o que não é católico.”

Em seu discurso, intitulado “A misericórdia e a verdade se encontrarão”, Piacenza citou os salmos para ilustrar o verdadeiro significado da doutrina católica, dizendo: “’O Amor e a Verdade se encontrarão.’ Temos uma nova realidade, que não é feita por mãos humanas; é algo a ser almejado e intensamente esperado, mas que somente se concretizará como dom de Deus.”

Ao abordar o tema favorito do Cardeal Walter Kasper e seus seguidores da ala “progressista” da Igreja, Piacenza disse: “Devemos reconhecer o primado da consciência”, mas acrescentou que isso se deve entender no contexto do “primado da verdade”.

“Apesar da negação dramática da verdade objetiva em nossa época”, disse o cardeal, “… podemos perceber a necessidade dramática da verdade no coração de cada homem, uma necessidade irreprimível e inevitável, porque ela é colocada pelo próprio Deus no coração do ser humano, quando ele disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.’ … À imagem de Deus Ele o criou.”

Segundo ele, “o sacramento da confissão é aquele encontro supremo com a misericórdia oferecida por Deus ao homem e a verdade sobre o homem e sua relação com Deus, a quem ele é chamado a reconhecer.”

O Cardeal Piacenza disse que um “bom confessor guiará” o penitente para reconhecer “uma verdade objetiva que vem de fora de si mesmo, porque ela é dada e revela-se como a condição para uma experiência autêntica e objetiva da misericórdia.”

O gabinte de Piacenza é responsável pela concessão ou indeferimento de dispensas às disciplinas sacramentais da Igreja. Alguns pecados são considerados tão graves pela Igreja que não podem ser tratados ao nível local do pároco ou até mesmo do bispo, mas estão “reservados à Santa Sé”, incluindo a profanação da Sagrada Eucaristia, considerada como verdadeiramente o corpo e sangue de Cristo.

A Penitenciaria Apostólica, chamada de “tribunal da misericórdia”, é o órgão do Vaticano responsável por conceder ou negar dispensas às disciplinas sacramentais da Igreja, tal como determinar como e quando conceder a absolvição para aqueles que foram automaticamente excomungados “latae sententiae” ou por suas próprias ações. Este é o caso de pecados graves como o aborto.

Seu gabinete talvez seja o mais próximo, em um nível humano, das questões que causaram uma polêmica mundial no ano passado, em particular, a proposta de permitir que católicos divorciados e recasados ​​civilmente recebam a Sagrada Comunhão sem mudar seu modo de vida. Um católico em um estado de pecado grave ou “mortal” não pode receber a Comunhão até fazer uma confissão sacramental válida, o que implica, pelo menos, na intenção declarada de nunca mais cometer o pecado novamente.

Alguns bispos e cardeais que se opuseram à proposta do Cardeal Kasper salientaram que isso obrigaria os sacerdotes a distribuir, de maneira consciente, a Comunhão a pessoas em condição objetivamente pecaminosa, o que constituiria um ato de profanação deliberada.

A verdade cristã, disse ele, nunca é “uma vara empunhada contra o outro”, mas sim um “chamado para uma relação autêntica, que seja capaz de levar o homem à realização de si mesmo: seu relacionamento com Deus”.

17 dezembro, 2014

Relatório sobre as irmãs norte-americanas enfatiza a “gratidão” e reflete mudanças no Vaticano.

IHU – O relatório do Vaticano dessa terça-feira sobre a investigação das ordens religiosas femininas dos Estados Unidos (disponível aqui, em inglês) foi amplamente positivo no tom, em contraste com as declarações emitidas quando a investigação começou em 2009.

A nota é de John Thavis, publicada no seu blog, 16-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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Naquela época, o cardeal Franc Rodé, que dirigia a Congregação vaticana para as ordens religiosas, disse que o estudo tinha como objetivo identificar atitudes “seculares” e “feministas” que tinham se infiltrado nas ordens das freiras e ajudaram a provocar um drástico declínio no número de membros.

O relatório dessa terça-feira não vai nesse sentido. Em vez disso, delineia desafios reais enfrentados pelas ordens religiosas, ao mesmo tempo em que agradece repetidamente as irmãs pelo seu serviço ao Evangelho.

Essa abordagem equilibrada reflete uma mudança de guarda no Vaticano – mas é uma mudança que começou com o Papa Bento XVI. Em 2011, Bento XVI nomeou o cardeal brasileiro João Braz de Aviz para substituir o cardeal Rodé. O cardeal brasileiro assumiu a investigação das religiosas, mas adotou uma abordagem muito mais conciliatória.

Eu acho que o relatório equilibrado dessa terça-feira foi praticamente uma conclusão antecipada, tendo em vista a liderança continuada do cardeal Braz de Aviz na Congregação vaticana para as ordens religiosas e dado que o Papa Francisco claramente quer a paz com as irmãs norte-americanas.

No entanto, parece haver uma dinâmica do “bom policial, mau policial” que ainda perdura no Vaticano. Uma investigação separada do Vaticano sobre a Leadership Conference of Women Religious (LCWR), a maior associação de irmãs norte-americanas, foi realizada pela Congregação doutrinal e tem sido muito mais crítica.

Em 2012, a Congregação doutrinal emitiu uma “avaliação doutrinal” e insistiu em grandes mudanças na LCWR para garantir que a organização se alinhe com o ensinamento católico em áreas como a ordenação de mulheres, a homossexualidade, o aborto e a eutanásia.

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O cabo de guerra sobre a implementação dessas mudanças continua. No ano passado, em uma rara demonstração de pontos de vista divergentes nos níveis mais altos do Vaticano, o cardeal Braz de Aviz criticou a forma como a revisão da LCWR foi conduzida. Isso levou a uma rápida declaração do Vaticano, que tentou minimizar qualquer desacordo entre Braz de Aviz e o cardinal Gerhard Müller, presidente da Congregação doutrinal.

O cardeal Müller não afrouxou, no entanto. Alguns meses atrás, ele repreendeu a LCWR por ter adotado ideias que ele disse que levam a “erros fundamentais” sobre “a onipotência de Deus, a encarnação de Cristo, a realidade do pecado original, a necessidade de salvação e o caráter definitivo da ação salvífica de Cristo”.

A LCWR está trabalhando com o arcebispo de Seattle, J. Peter Sartain, que foi nomeado em 2012 para implementar a avaliação doutrinal. Depois de se encontrar com o arcebispo em agosto passado, a LCWR emitiu um comunicado que dizia em parte: “Continuaremos a conversa com o arcebispo Sartain como uma expressão de esperança de que novas formas possam ser criadas dentro da Igreja para uma discussão saudável das diferenças”.

17 outubro, 2014

Relatórios dos grupos de discussão do Sínodo querem mais contexto doutrinal e linguagem “profética” no documento final.

Relatórios das Comissões divididas por idiomas representam um ataque à “busca por um populismo complacente que silencia e amordaça” ensinamento da Igreja.

Por John Thavis, 16 de outubro de 2014| Tradução: Fabiano Rollim – Fratres in Unum.com: Relatórios dos 10 grupos de discussão do Sínodo dos Bispos estão surgindo [ndt: foram publicadas ontem], e muitos deles se opõem seriamente a um relatório preliminar – a relatio post disceptationem – que há apenas três dias parecia inaugurar um novo capítulo na tentativa de aproximar a Igreja de casais que coabitam sem ter o sacramento do matrimônio, de casais de pessoas divorciadas e de “casais” gays.

Esses relatórios, vistos como um todo, representam um verdadeiro teste para o Evangelho da “misericórdia” pregado pelo Papa Francisco, porque não apenas articulam o desejo por uma qualificação doutrinal no documento do sínodo, mas também criticam o que um grupo de discussão chamou de “busca por um populismo complacente que silencia e amordaça” o que a Igreja ensina sobre o casamento e a família. Mais de uma pessoa observou que o termo “populismo complacente” talvez seja direcionado em parte ao próprio Papa Francisco.

Os relatórios foram apresentados à assembleia do Sínodo após quatro dias de discussão, juntamente com várias centenas de propostas de correções para a relatio preliminar. É certo que tais relatórios refletem um processo estabelecido para melhorar a relatio, de forma que era esperado que se encontrassem pedidos de esclarecimentos, muitos dos quais parecendo ser apoiados pela maioria, e não endossos acalorados do texto.

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16 outubro, 2014

Sínodo: os bilhetinhos do Papa.

Qual seria o conteúdo dos bilhetinhos que o Papa Francisco escrevia e mandava ao Secretário Geral do Sínodo, o cardeal Lorenzo Baldisseri, durante as assembléias sinodais? Curiosidade sem esperança. Segundo o presidente da Conferência dos bispos poloneses, o relatório lido ontem no Sínodo: “inaceitável para muitos bispos”.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Infelizmente esse é um desejo impossível de ser realizado, mas eu pagaria não pouco para saber o que estava escrito nos bilhetinhos que durante a assembléia do sínodo, Papa Francisco escrevia e, em seguida, enviava ao Secretário-Geral do Sínodo, o cardeal Lorenzo Baldisseri.

Bergoglio e Baldisseri recém-criado cardeal.

Bergoglio e Baldisseri recém-criado cardeal.

O Cardeal Baldisseri lia, tomava nota e em seguida retornava a mensagem ao Papa, que a metia no bolso. Esse é um fenômeno que se repetiu muitas vezes nos dias de reunião da Assembléia Geral do Sínodo, e que foi observado por vários participantes. Ele deu origem à impressão de que o Papa estava passando as disposições ao Secretário-Geral.

Desde ontem, os Padres estão nas Comissões Linguísticas. Mas entre os Padres sinodais, há um mal-estar generalizado com relação à gestão global do Sínodo, e pelo fato de que muitos não se reconhecem no documento, assinado pelo Cardeal Erdo, mas escrito por outros, o que marcou o fim da primeira fase da Assembléia Geral.

O mesmo Erdo sublinhou a sua alienação parcial, indicando o Arcebispo Bruno Forte como o autor das passagens relativas à homossexualidade.

É um mal-estar presente em várias personalidades de destaque, como deixou claro o Presidente da Conferência Episcopal polonesa, Cardeal Gadecki.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o prelado afirmou sem meio-termos que a “Relatio” apresentada ontem é “inaceitável para muitos bispos e se distancia do magistério de Papas anteriores, contém traços de uma ideologia anti-matrimonial e demonstra uma falta de visão clara da parte da Assembléia sinodal”. Em sua entrevista, Dom Gadecki ressalta que “o ponto que trata da possibilidade de casais do mesmo se responsabilizarem por crianças é apresentado como algo aceitável. É um dos erros do texto, ao invés de incentivar a fidelidade e os valores familiares, aceitar as coisas como elas se apresentam. Dá a impressão de que o ensino da Igreja tenha sido até agora implacável e só agora se começa a ensinar a misericórdia”.

16 outubro, 2014

Sínodo, outra censura. Protestos.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Fratres in Unum.com – Uma outra censura, e os Padres Sinodais se rebelam.

A Secretaria Geral do Sínodo havia anunciado sua decisão de não publicar os relatórios dos Circuli Minores.

O Cardeal Erdo tomou a palavra, tomando implicitamente distância do relatório que trazia sua assinatura, e dizendo que, se aquela “disceptatio” havia sido publicada, deveria-se publicar também a dos Circuli Minores, as Comissões.

A sua intervenção foi seguida por uma chuva de numerosas outras no mesmo tom, reforçada por aplausos trovejantes.

O Secretário do Sínodo, Cardeal Baldisseri, olhava para o Papa, como que a procura de conselho e luzes, e o Papa permanecia calado e sério.

Mudos também o sub-secretário do Sínodo, Fabene, Forte, Schönborn e Maradiaga.

Kasper não estava lá.

Por fim, o padre Lombardi anunciou que os relatórios das comissões seriam publicados.

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16 outubro, 2014

Curtas do Sínodo.

Pressão kasperiana

Da coluna de hoje de Marco Tossatti: “Nestas horas, e desde ontem, está em ato uma ação de pressão por parte dos partidários da linha Kasper nos Circuli Minores, para mover a opinião dos bispos indecisos ou contrários, mas talvez manobráveis​​ […], tendo em conta a votação de sábado do relatório final do Sínodo. Kasper disse em entrevista que espera formar uma maioria favorável. E os membros da “coluna Kasper” estão trabalhando nesse sentido. Nos pequenos grupos, tem sido notado que quando um dos kasperianos se ausenta por algum motivo, é imediatamente substituído por outro. O Cardeal Marx foi ouvido, comentando em voz alta que para ele é incompreensível como os Padres sinodais sejam mais ligados à tradição que o Papa. É razoável supor que os discursos na Aula não tenham sido publicados porque seria mais difícil, posteriormente, explicar as mudanças de orientação, devido à “persuasão moral” realizada neste momento”.

Continua o vaticanista do La Stampa: “Os bispos, apesar de muitos deles privadamente verem os mecanismos, expressarem sentimentos não idílicos à Secretaria do Sínodo que os organiza e gerencia, e serem contra a linha imposta, estão cientes de um estilo de governo que pune implacavelmente aqueles que não podem, ou não foram rápidos ou críveis o bastante ao se alinhar ao novo estilo. Confirmam-no os casos de Burke, Piacenza, Canizares, Morga, entre os mais notórios. E os bispos vêem que aqueles que há alguns anos abanavam o rabo teologicamente diante de Bento XVI, encontraram em Francesco as honras aspiradas.”

“Tendencioso e incompleto”

Assim o Cardeal George Pell qualificou o relatório preliminar do Sínodo. Para o purpurado australiano, o documento é um resumo “incompleto” do que foi discutido no Sínodo e precisa ser “melhorado e corrigido”.

75%

Segundo Pell, três quartos dos participantes do sínodo que intervieram após a divulgação da relatio citaram problemas do texto. “A questão da Comunhão para divorciados recasados é só a ponta do iceberg”, disse ao The Tablet. “Ao procurarem ser misericordiosos, alguns querem abrir o ensinamento da Igreja sobre o casamento, divórcio, uniões civis, homossexualidade, em uma direção radicalmente liberalizante, cujos frutos nós vemos em outras tradições cristãs”, concluiu o responsável pelas finanças do Vaticano.

Até Dolan

Da matéria da AP: ‹‹ O Cardeal americano Timothy Dolan disse que seu compatriota, o cardeal linha dura Raymond Burke, refletiu o ponto de vista de “muitas pessoas ao dizer que este documento é um rascunho bruto que precisa de revisões maiores. Penso que ele tem razão; ele retomou o que sentem muitos bispos, inclusive eu, de que são necessárias algumas correções maiores”, disse Dolan ao programa CBS This Morning. ››

Pergunte a ele

Questionado na conferência de imprensa após a divulgação do Relatório, o Cardeal Peter Erdo, relator geral, apontou Dom Bruno Forte, Arcebispo de Chieti-Vasti e secretário especial do Sínodo, como autor do polêmico trecho sobre os homossexuais: “Pergunte a ele, o autor deve saber do que está falando”.

“La sinodalidad soy yo”

Segundo a Associated Press, o porta-voz da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, SJ, declarou que se lembrava de um único discurso sobre o homossexualismo, de um total de 265 intervenções dos bispos durante os debates.

Piadista

Da matéria de Aleteia: “O arcebispo de Chieti-Vasto, Bruno Forte, disse que o trabalho ainda está em curso, o documento foi um exercício de sinodalidade, como foi pedido pelo Papa Francisco […] O arcebispo comentou que durante as colocações e intervenções se sentia o espírito do Concílio Vaticano II”. Percebe-se claramente!

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15 outubro, 2014

O Sínodo em frases.

Archbishop Raymond Burke“A meu ver, tal declaração [doutrinal do Papa Francisco em defesa da moral cristã] está muito atrasada. O debate sobre essas questões foi avançando faz quase nove meses, especialmente nos meios de comunicação seculares, mas também através dos discursos e entrevistas do Cardeal Walter Kasper e de outros que apoiam a sua posição. Os fiéis e os seus bons pastores estão a espera que o Vigário de Cristo, confirme a sua fé Católica e a prática a respeito do casamento, que é a primeira célula da vida da Igreja.”

Do Cardeal Raymond Leo Burke em entrevista a Catholic World Report

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“Acho que existe uma contradição flagrante no fato de que fora da Sala do Sínodo os bispos podem conceder entrevistas livremente, ao passo que suas intervenções na sala não podem ser públicas […] Além disso, havia a intenção de romper com uma tradição que é própria da Igreja… Não interessa se alguns não estão de acordo com esta minha opinião. Eu falo o que quero, mas acima de tudo eu falo o que preciso dizer como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ademais, não fiz nada mais do que dar voz aos protestos de muitos fiéis de muitas nações, que têm escrito para mim com relação a este assunto, e que têm o direito de saber como seus bispos pensam. Por que foi necessário modificá-lo?”

Do Cardeal Gerhard Ludwig Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

15 outubro, 2014

Voice of the Family: relatório é uma “traição”. Kasper deveria se desculpar por comentários desdenhosos sobre bispos africanos.

Católicos Pró-família rejeitam o relatório preliminar do Sínodo, chamando-o de “traição”

Voice of the Family, uma coalizão de 15 grupos internacionais pró-família, emitiu um comunicado na segunda-feira de manhã. 

Por LifeSiteNews | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – O relatório preliminar do Sínodo Extraordinário sobre a Família não passa de uma “traição” aos valores católicos e familiares, disse um influente grupo pró-vida.

Falando com todas as letras, o porta-voz britânico do Voice of the Family, John Smeaton, disse que “aqueles que estão controlando o Sínodo traíram os pais católicos. O relatório preliminar do Sínodo é um dos piores documentos oficiais elaborados na história da Igreja.”

“Felizmente,” disse Smeaton, “o relatório é preliminar para fins de discussão, ao invés de uma proposta definitiva.”

Da mesma forma, o representante irlandês Patrick Buckley disse que o relatório “representa um ataque ao matrimônio e à família” ao “efetivamente dar uma aprovação tácita às relações adúlteras.” Além disso, “o relatório enfraquece o ensinamento definitivo da Igreja contra a contracepção e deixa de reconhecer que a inclinação homossexual é objetivamente desordenada,” disse Buckley.

Patrick Craine, porta-voz americano do Voice of the Family, disse que o relatório “não constitui uma representação fiel das discussões sinodais. Muitos padres sinodais têm defendido bravamente o ensinamento da Igreja dentro e fora da Sala do Sínodo, ainda que a posição deles dificilmente esteja refletida no documento.”

“O relatório está certo ao pedir solicitude pastoral,” disse Craine, “porém, conforme enfatizava o Cardeal Ratzinger, solicitude só pode ser realizada na verdade. Da maneira como está redigido, o documento enfraquece o zelo pastoral autêntico e só pode causar danos graves, neste mundo e no que há de vir, àqueles a quem pretende ajudar.”

“Dar a Sagrada Comunhão a pessoas que não se arrependem de pecados sexuais mortais seria uma falsa misericórdia,” disse a coordenadora do Voice of the Family, Maria Madise, que afirmou que o relatório enfraquece as famílias católicas. “Será que os pais católicos serão forçados a dizer falsamente aos seus filhos que pecados mortais como o uso da contracepção, coabitação com parceiros ou vivência de estilos de vida homossexuais têm atributos positivos?”

“A misericórdia real consiste em oferecer às pessoas uma consciência limpa através do Sacramento da Penitência e, assim, a união com Deus,” concluiu Madise.

“É essencial que as vozes dos fiéis leigos que sinceramente vivem o ensinamento católico também sejam levadas em consideração,” disse Smeaton. “O Voice of the Family recomenda que os católicos não sejam complacentes ou cedam a um falso sentido de obediência em face dos ataques aos princípios fundamentais da lei natural no Sínodo.”

Sobre o Voice of the Family:

O Voice of the Family é uma coalizão leiga internacional formada pelas principais organizações pró-vida e pró-família para oferecer conhecimentos especializados e recursos aos líderes da Igreja, à mídia, a ONGs e governos antes, durante e depois do Sínodo sobre a Família da Igreja Católica. Essa coalizão inclui 18 influentes grupos pró-vida e pró-família em todo o mundo. Seus princípios estão concentrados na mudança da Cultura da Morte através do matrimônio sacramental, oposição à contracepção e ao aborto, bem como na capacitação dos pais.

O Voice of the Family consiste de 18 organizações associadas provenientes de 18 nações nos cinco continentes. Seus membros são: Alfa Szövetség/Alpha Alliance, Campagne Québec-Vie, Campaign Life Catholics, Campaign Life Coalition Canada, Catholic Democrats, Catholic Voice, CENAP, Culture of Life Africa, European Life Network, Famiglia Domani, Family Life International NZ, Hnutí Pro život ČR, Human Life International (HLI), Liga pár páru ČR, LifeSiteNews.com, National Association of Catholic Families (NACF), Profesionales por la Ética e Society for the Protection of Unborn Children (SPUC).

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Cardeal Kasper deveria se desculpar por comentários desdenhosos sobre bispos africanos, diz coalizão pró-família.

Por The Voice of the Family | Tradução: Fratres in Unum.com – O Cardeal Walter Kasper deveria se desculpar por comentários desdenhosos feitos em uma entrevista, publicada hoje, sobre os bispos africanos e seu papel no Sínodo sobre a Família.

O Cardeal afirmou que os bispos africanos “não deveriam nos dizer muito o que devemos fazer” (Ver a nota dos editores abaixo). Kasper falava sobre a oposição dos bispos africanos à agenda homossexual. Esta agenda foi inserida no relatório preliminar do sínodo, publicado na segunda-feira para ampla perplexidade.

Maria Madise, coordenadora do Voice of the Family afirmou: “O Cardeal Kasper deveria pedir desculpas por seus comentários desdenhosos sobre os bispos africanos. Eles são condescendentes e discriminatórios. Os comentários de Kasper são similares aos que ele fez em 2010, quando disse que “quando você desembarca no aeroporto de Heathrow [em Londres], você às vezes pensa que desembarcou em um país de Terceiro Mundo”. (Ver “Pope aide pulls out of trip after Third World jibe“, BBC, 15 de setembro de 2010)

A Sra. Madise acrescentou: “Os bispos africanos têm o mesmo status no sínodo e têm todo direito de dizer que a Igreja universal deve manter sua oposição à agenda homossexual”.

Em junho, John Smeaton, co-fundador do Voice of the Family, foi aplaudido de pé pelos bispos da Nigéria por um discurso no qual ele os louvava, bem como a seus países, por sua cultura pro-família. O Sr. Smeaton declarou: “Os bispos de todo o mundo deveriam seguir a liderança e o discurso claro dos bispos nigerianos por políticas firmes contra a subversão da verdade e do significado da sexualidade humana”.

Nota dos Editores:

Da entrevista com o Cardeal Walter Kasper, por Edward Pentin, Zenit, 15 de outubro de 2014:

[Kasper]: O problema, também, é que há diferentes problemas de diferentes continentes e diferentes culturas. A África é totalmente diferente do Ocidente. Também os países asiáticos e muçulmanos são muito diferentes, especialmente sobre os gays. Não se pode falar sobre isso com africanos ou pessoas de países muçulmanos. Não é possível, é um tabu. Para nós, nós dizemos que não se deve discriminar, nós não queremos discriminar a certos respeitos.

[Pentin]: Mas os participantes africanos são ouvidos a este respeito [no sínodo]?

[Kasper]: Não, a maioria deles [que defende essas posições não falarão sobre elas].

[Pentin]: Não são ouvidos?

[Kasper]: Na África, claro que sim, onde isso é um tabu.

[Pentin]: Para o senhor, o que mudou a respeito da metodologia desse sínodo?

[Kasper]: Creio que, ao fim, deve haver uma linha geral na Igreja, um critério geral, mas as questões da África nós não podemos resolver. Deve haver espaço também para as conferências episcopais locais resolverem seus problemas, mas eu diria que com a África é impossível [para nós resolvermos]. Mas eles não deveriam nos dizer muito o que devemos fazer.