Arquivo para ‘Cúria Romana’

11 março, 2014

Um herói (marxistoide) no Vaticano.

Com informações de Catapulta | Tradução: Fratres in Unum.com (destaques do original) - “Na terça-feira passada, o fundador da Teologia da Libertação, a corrente católica de inspiração latino-americana que defende os pobres, foi recebido como um herói no Vaticano, no momento em que o outrora criticado movimento continua a sua reabilitação com o papa Francisco.

O reverendo Gustavo Gutiérrez Merino, do Peru, foi o orador surpresa nessa terça-feira, no lançamento de um livro, que contou com a participação do cardeal Gerhard Mueller, chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, entidade encarregada de cuidar para que os sacerdotes não se afastem dos ensinamentos centrais da Igreja; do cardeal Óscar Rodríguez (Maradiaga) um dos principais assessores do Papa, e do porta-voz do Vaticano”

http://www.jornada.unam.mx/2014/02/27/mundo/

Vatican Insider fornece mais detalhes sobre a apresentação do livro:

“Pobre e para os pobres”. As palavras do Papa são também o título do mais recente livro de Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. (que aparece na foto vestindo um poncho). Um texto que parece ser o passo definitivo em direção a uma Teologia da Libertação “normalizada”. A edição, que conta com o prólogo de Francisco, foi apresentada em um auditório do Vaticano…

Müller é o principal artífice dessa “normalização” de uma corrente de pensamento que ainda provoca debates acalorados na América Latina. Ele é amigo pessoal de Gutiérrez, “pai” dessa teologia, há décadas. Após a apresentação do livro, o brilhante cardeal alemão explicou aos jornalistas porque ele a apoia sem duvidar.

http://vaticaninsider.lastampa.it/es/en-el-mundo/dettagliospain/articolo/teologia-della-liberazione-teologia-de-la-liberacion-32380/

Agora vamos lá, em 1973 o fundador Gutiérrez publicou Fe cristiana e cambio social, onde aparecem as seguintes pérolas “católicas” e das quais nunca se arrependeu:

 “… a luta de classes é um fato, e é impossível manter a neutralidade nesse tema”.

“… não há nada mais certo do que um fato. Ignorá-lo é enganar e deixar-se enganar e, além disso, privar-se dos meios necessários para eliminar verdadeira e radicalmente essa condição ‒ ou seja, avançar até uma sociedade sem classes“.

“Participar da luta de classes não somente não se opõe ao amor universal; hoje em dia, esse compromisso é o meio necessário e inevitável para concretizar esse amor, uma vez que essa participação é o que conduz a uma sociedade sem classes, uma sociedade sem proprietários e despossuídos, sem opressores e oprimidos”.

“… a missão da Igreja se define prática e teoricamente, pastoral e teologicamente, em relação… ao processo revolucionário. Ou seja, a sua missão se define mais pelo contexto político do que por problemas intra-eclesiais”.

“… a luta de classes existe dentro da mesma Igreja… a unidade da Igreja (é)… um mito que deve desaparecer se a Igreja é “reconvertida” ao serviço dos trabalhadores na luta de classes”.

No mundo atual a solidariedade e o protesto de que falamos têm um evidente e inevitável caráter político, tanto que têm um significado libertador. Optar pelo oprimido é optar contra o opressor. Em nossos dias e em nosso continente, solidarizar-se com o pobre assim entendido, significa correr riscos pessoais… É o que ocorre a muitos cristãos – e não cristãos – no processo revolucionário latino-americano”. (Ver Postagem de 11 de setembro de 2013 “MÁS ALIENTO A LA REVOLUÇÃO” http://www.catapulta.com.ar/?p=11414)

7 março, 2014

Efeito Francisco segundo Ravasi.

Cardeal Gianfranco Ravasi.

Cardeal Ravasi.

“Num mundo em que os políticos são vistos como uma casta, o Papa, ao contrário, tenta se aproximar.

Com Bento XVI, as audiências duravam 40 minutos e a volta da praça [de papamóvel], 10.

Francisco fala dez minutos e passeia entre os fiéis durante uma hora, ouvindo-os”.

Palavras do Cardeal Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, outrora papabile, sobre a “a originalidade do Papa Francisco”.

27 fevereiro, 2014

Eminência parda? Muito parda!

O artigo que traduzimos abaixo foi publicado, originalmente, no blog italiano “Papale Papale”, mas, depois de algumas horas, não se sabe o porquê, foi retirado do ar. Não se encontra sequer sua versão em cache. Afortunadamente, o artigo reapareceu num outro blog e, até o presente momento, ainda não foi removido.

* * *

Brilha uma “Stella”[1] em cima da pirâmide vaticana: o Beniamino[2] do papa

Quem é realmente a eminência parda que de repente subiu todos os graus da pirâmide vaticana e agora brilha no cume… como uma estrela? Como pôde, um homem desconhecido de todos, repentinamente se tornar a eminência parda de toda a Santa Sé e o árbitro de todas as carreiras eclesiásticas, inclusive das pertencentes à Secretaria de Estado, para qual ele escolheu o Titular? Uma espécie de dossier (pelo menos em parte) sobre o já cardeal e atual Prefeito da Congregação para o Clero, outrora presidente da Pontifícia Academia Eclesiástica (onde se fabricam os núncios), o Emmo. Card. Beniamino Stella.

de Antônio Margheriti Mastino

Todas as pontas da Estrela

Francisco e Stella.

Francisco e Stella.

A estrela é o símbolo do sionismo, uma estrela foi o símbolo das “brigadas vermelhas”, uma estrela está no centro da meia-lua islâmica, a estrela vermelha é símbolo do comunismo soviético, muitas estrelas juntas compõem a bandeira do decadente império americano, a estrela de cinco pontas é, por antonomásia, o símbolo do satanismo. A estrela também é o símbolo da maçonaria. Digamos que, em geral, não obstante o caráter melodramático que inspira, a estrela não augura nada de bom. Há algumas semanas, também o Vaticano, cruzes!, tem a sua Stella, que começou a brilhar de modo inesperado, fulminante e violento, como que direcionada para algum buraco negro. E agora se irradia sobre tudo e sobre todos, lá, no alto da pirâmide, onde subiu, excelsa, para “iluminar” também os outros, caso não estivessem lá há algum tempo.

Estamos falando do cardeal Beniamino Stella. Passou, da noite para o dia, de obscuro reitor da Academia Eclesiástica, na qual tinha estacionado à espera da aposentadoria, ali onde se formam os futuros núncios apostólicos, a nada menos que Prefeito da Congregação para o Clero, ele que nunca trabalhou como padre em toda a sua vida, derrubando da cadeira o predecessor, que tinha sido nomeado há pouco tempo pelo outro papa, e que ali, se fossem observadas as regras e o bom-tom, deveria ainda permanecer por três anos: o Cardeal Mauro Piacenza, que, notem bem!, foi a primeira vítima eminente da escalada à pirâmide vaticana de Mons. Stella.

No entanto, quem é realmente este Beniamino Stella, que ninguém, pouquíssimos, conheciam, além daqueles que frequentam os ambientes da diplomacia vaticana? Além disso, era alguém que não era visto por aí, não confiava em ninguém, saía raramente ou senão com gente selecionadíssima. A sua história é, certamente, longa; se rica ou pobre, é difícil dizer, embora esta Stella pareça nunca ter brilhado, senão pela luz daquela aurea mediocritatis, que é o máximo brilho do Vaticano pós-conciliar. Não é claro, de fato, se a sua história ignota seja obscura ou parda, e todos sabemos que entre o pardo e o escuro a variação pode ser mínima e indefinida.

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Encontro com o misterioso Prelado

Tentemos entendê-lo com vagar, neste tipo de dossier que lhes garanto provir das melhores fontes. Vaticanas e afins. Um telefonema inesperado de um amigo me anuncia o de um “secretário”, que, por sua vez, me anuncia que Alguém, o seu chefe, tinha certas coisas para me contar, das quais apenas uma parte, com um “conta-gotas”, poderia publicar “em alguma mídia on-line”. “Por enquanto”. Marcam o encontro num apartamento “insuspeitável”, num bairro histórico de Roma. Com um certo temor, digo a verdade, fui até lá. Depois de ouvir as coisas graves que, com lentíssima circunspeção e com extenuantes circunlóquios, me contavam, surgiu-me espontaneamente uma pergunta: “Me desculpem, mas isto é coisa para divulgadores de notícias muito maiores que eu; por que não vão a um Magister, a um grande vaticanista?”.

“Porque não é prudente, porque daria muito na cara. Porque não se pode controlar aquilo que um grande vaticanista, como o sr. diz, quererá dizer ou não”.

“E porque se deveria confiar num pirata sem barco, como eu?”

“Porque o sr. tem tudo a ganhar, e também tudo a perder. Porque lhe convém fazer como estou dizendo; ou estou errado?”.

Não, não erra este elegante eclesiástico de olhos glaciais e incandescentes, que enquanto olha pra você não se entende nunca o que está pensando, não se entende ao menos se, enquanto olha, lhe vê, se você existe pra ele, se não é apenas um gravador, ao invés de um ser humano. E, nisso, é realmente um homem de poder, e isto se nota. Se nota pela sua cortesia suntuosa, pela educação atroz que recebeu; por suas mãos lisas, grandes e cândidas, como que apenas trabalhadas por manicure.

Chega o secretário, afadigado, que lhe sussurra algo. Toma o telefone e diz “pronto!”, ao modo italiano, mas depois começa a falar nalguma dura declinação do espanhol, algo como o basco, penso eu, pois de outro modo teria entendido. Não entendo o que diz. Faz um outro telefonema e, desta vez, fala português.

Sinto seu bom perfume ao longe, e observo atentamente suas mãos: percebe, e se as olha também ele. “O que é que tem? É o anel?”. Com um profissionalismo estupefaciente, dispensou apresentações. Não foi um esquecimento ou uma descortesia: escolheu fazer assim.

Tem um anel dourado na mão direita. Que era um bispo, entendi há muito. “Não somente. As abotoaduras douradas ao pulso, e depois seu perfume de, no mínimo, cinquenta euros: o papa desaprovaria!”, digo com um sorriso digno de Mefistófeles. Entende a piada e abre pela primeira vez um sorriso não plastificado: “O sr. também sabe que o papa não quer ver os eclesiásticos e seminaristas que não sejam fedidos?”

“Não quer abotoaduras nas mangas, ao contrário de Bento; não quer anéis dourados, não quer nem que os padres passem perfume”, digo.

“Quer apenas fedor de ovelha e lã de cabra”, sorri. Não espera as minhas perguntas, não as previu nem as tolera: é uma confissão espontânea, calibrada em cada vírgula. Nos despedimos. E quando já ia embora me disse “atenção ao que faz, e escreve”. Não está mais sorrindo. Entende que o tom foi ameaçador demais, procura um meu olhar ressentido, enquanto me viro velozmente, e se corrige imediatamente: “Confio no sr. Sabe, os grandes…, no sentido de conhecidos…, vaticanistas são como os grandes santos ou os grandes advogados, lhe invocam como protetores e depois prestam pouca atenção às causas pequenas, talvez até as perdem; os pequenos santos ou os pequenos advogados, ao contrário…, por um cliente que têm, se dedicam completamente, e talvez vencem a causa”. Eis aí o diplomata, finalmente!, que sabe bem alternar ameaças e adulações, o bastão e a cenoura, e entender rapidamente que o “bastão”, em mim, surte o efeito oposto ao desejado; as “cenouras”, ao contrário… Nunca me considerei incorrompível: ao contrário, se necessário for, sou corrompível. Mas nunca em relação aos princípios.

“Os pequenos advogados, ao contrário…” Me faz sorrir, porque era a teoria sobre os grandes santos e os grandes advogados que tinha, e me repetia sempre, aquele grande advogado, Giovanni Leone, o ex-presidente, que conheci em seus últimos anos de vida, como vizinho de casa e acompanhante em alguns passeios a Le Rughe, na via Cassia.

A entrevista em nome de terceiros

Tenho estima por Tornielli, sobretudo porque tenho muita estima por Messori: sendo Tornielli amigo de Messori, tenho por ele, digamos, uma “estima” por reflexo condicionado: às vezes quisera me irritar com ele, mas pela razão suscitada nunca o fiz nem nunca o farei. Mas certas vezes me parece cair em tons clericais que vão muito além do permitido, mas é uma profissão difícil esta de trabalhar com aquela feminilidade volúvel e fatal de padres que iniciaram a mudar a cor das vestes, numa velocidade sempre crescente; uma profissão ingrata e vacilante, sob moldes tão instáveis de não se desejar ao pior inimigo, e menos ainda a um pai de família.

Então, é melhor pouco incenso, ópio do povo, e poucas ladainhas cantaroladas quando se tem de tratar com esta “gente non sancta”, aqui. São vingativos, capazes de lhe fazerem perder o trabalho, especialmente se percebem que você é “inteligente” e “competente”, o que, para eles, é sinônimo de “sedição” perigosa e, não o queira Deus, de “integralismo”. Dão apenas entrevistas a quem fica de joelhos, e talvez por isso eu não seja um vaticanista, pois, depois de certo número de porradas, lhes jogaria o gravador na cara.

Mas não divaguemos. Outro dia, Tornielli publicou em Vatican Insider, uma entrevista com o novo Prefeito da Congregação para o Clero, o nosso Beniamino Stella. Uma entrevista que, pelo título, parecia estar cheia de fogo e chamas: “O clericalismo faz mal aos padres e aos leigos”. O conteúdo, naturalmente, desiludia, tinha uma verbosidade aflita, típica de “documentite aguda”, e, por si mesma, de um clericalismo incolor, tão antiquado e decrépito a ponto de superar a irrelevância. Coisa que, a olhos profanos, deveria dar a impressão de confirmar a autenticidade da entrevista, que deve ser – em minha opinião – uma daqueles em que o vaticanista profissional manda as perguntas escritas ao escritório do prelado e espera que alguém lhe copie as respostas canônicas. E, em geral, é o secretário do prelado quem o faz. Todas, coisas que o olhar profano ignora.

Digamos que aquela entrevista fedia, de modo que a “salvei” e mandei que alguns “peritos” nada profanos a examinassem, com a pergunta: “o melaço é da lata de Stella?”. Eles também a submeteram a olhares especializados. O resultado da autópsia veio depois de poucas horas. “Que nulidade este Beniamino Stella!”, foi o incipit. “Quem dera fosse dele”, continua. De fato, não é ele: “Posso lhe assegurar que ele não deu a entrevista”. Talvez – me diz, em substância – os temas foram tratados, mas Stella não tem tal propriedade de linguagem para que se possa dizer que foi ele quem falou. Antes de mais nada, porque não sabe nem o que são os sinônimos. Repete as mesmas palavras em cada frase, e dificilmente, ou melhor, NUNCA, usa termos latinos, no máximo enche seus discursos com palavras espanholescas. Além disso, usa uma fraseologia diplomática que tende ao possibilismo, à persuasão, ama iniciar cada frase com um condicional, e evita cuidadosamente as frases diretas, talvez consideradas por ele “duras demais”. Todas, coisas que, na entrevista, não constam totalmente.

O clã dos vicentinos

É curioso, ou melhor, não é, que no Vaticano, há décadas, se continue com provincialismos ou anglossaxonismos. Se antes era o reino dos “clãs” provinciais, o clã dos piacentinos, o clã dos romagnolos (ou brisingueleses, que se quer dizer), depois se passou à era dos “lobbyes”: dos gays, por exemplo, o principal de todos, também porque é o mais numeroso, se presume; ultimamente, existe um grande crescimento do lobby financeiro, laico, laicíssimo, das tarefas indefiníveis mas feitas de propósito para embalar um monte de bilhões de católicos cada dia. Todavia, um clã conseguiu se tornar o novo dirigente: o clã dos venezianos, venezianos de lugares confinantes: Parolin é veneziano, veneziano é o secretário de João XXIII, Capovilla, que se tornou cardeal com quase 100 anos, veneziano é Stella, veneziano e vicentino, como Parolin, é o sucessor de Stella na cabeça da Pontifícia Academia Eclesiástica: um laço bem amarrado em torno do campanário. Como para todos os outros clãs, este também fez um ninho, na Pontifícia Academia Eclesiástica. Um verdadeiro triângulo amoroso.

Não basta: do mesmo clã, de qualquer modo, é um dos dois novos secretários de Parolin, mas a notícia é que foi Beniamino Stella quem lhos deu, sendo um escolhido dentre seus pupilos. Portanto, Parolin precisava de dois novos secretários, dos quais um deveria ser diplomata e falar inglês (e o outro “civil” e que soubesse francês), e notem que foi mesmo um inglês, um dos preferidos de Stella, outrora secretário da nunciatura na Colômbia, quando ele era núncio. Parolin pediu a Stella e eis que Stella tinha bela e pronta uma outra sua estrelinha a ser posta no firmamento vaticano.

Não é nem mesmo um mistério, ou um caso, que um dos principais colaboradores de Stella, um outro pupilo, todo dia toma um taxi para a Secretaria de Estado a fim de dar disposições, ao invés de recebê-las.

E o futuro Papa, em segredo, foi ao seu Beniamino

Agora alguém poderia pensar que foi o Secretário de Estado Parolin que disse ao Papa que nomeasse o velho amigo, Stella, ao vértice da Congregação para o Clero, mas aconteceu o contrário: foi Stella que pôs coração e alma para fazer o papa nomear Parolin, um dos tantos núncios do mundo, que sequer era cardeal, que admitiu ter encontrado Bergoglio apenas uma vez em sua vida, ao mais alto encargo do vaticano. Porque, se ainda não entenderam, é Stella quem está no vértice da pirâmide, é ele quem manobra tudo e faz as nomeações, tem faculdade de vida e de morte sobre legiões inteiras de carreiras eclesiásticas, é ele que já é membro de todas as congregações vaticanas, coisa que apenas Marchisano conseguiu anteriormente. Ele está por trás da nomeação do cardeal Lourenzo Baldisseri, diplomata, como secretário do Sínodo.

Stella, então, foi o máximo artífice da nomeação de Parolin, desde a eleição de Francisco, ele o indicou apertis verbis no primeiro colóquio oficial com o novo Papa Francisco em 6 de junho. Digo “oficial” porque, na realidade, tinham tido outros, incógnitos, e no momento mais delicado, não com o papa, mas com o cardeal Bergoglio, antes do fechamento do conclave. Minha suscitada fonte episcopal me confirma esta notícia com uma irônica pergunta retórica: “O sr. sabe que sua eminência Bergoglio encontrou Stella diversas vezes nas semanas antes do conclave, entre as quais a última, mesmo enquanto se abriam as portas do conclave?”.

Não, naturalmente, não o sei. “E, de fato, ninguém o saberia melhor dizer, pouquíssimos o sabem”. Como assim, ninguém viu Bergoglio, um papável, durante a Sé vacante, ou seja, um vigiado especial, entrar, nada mais, nada menos, que na fábrica dos núncios e dos arcebispos, para encontrar o Star? Esta é a minha ingênua pergunta. Simplesmente, parece que foi ali num horário em que não havia ninguém no portão de ingresso, talvez com exceção de uma única vez. Mas aquela vez foi o bastante para se dar a conhecer a quem deveria saber, especialmente depois do êxito do conclave. Foi um maná, também, para o “visitado”, o novo Star do Vaticano, o Beniamino do papa. Logo, Bergoglio acreditava (ou pelo menos pensava) em entrar sem ser visto.

Mas o que fazia ali Bergoglio visitando Stella, escondido? Quem sabe? E em que horários foi até lá, precisamente? No dia anterior ao conclave, pela última vez, portanto. Uma outra vez, à tarde, ou uma noite, após o jantar, ao menos pelas vezes que se contam. Mas a verdadeira pergunta é uma outra: não parece estranho que alguém como Bergoglio, com o seu estilo, com as suas idiossincrasias “anti-cortesãs” e “anti-mundanas” mande logo à Academia, o templo da “mundanidade espiritual” um padre seu? Nunca mandou ninguém em vinte anos, e o mande no “fim” da sua própria carreira? E, por fim, vá ele mesmo à Academia, e não para encontrar os padres que mandou de Buenos Aires.

Mas, o que queria, então, de Stella? Por que toda esta confidência com um diplomata? Parece que os dois se conheceram na América Latina, talvez mesmo em Aparecida, onde entre ambos havia uma caterva de bispos e cardeais; mas Bergoglio deve ter entrado no coração de Stella, sobretudo, com a redação do texto final. Então, sobre o que falou Bergoglio a Stella nas visitas secretas? Falavam das chances e do futuro, imaginemos, do conclave. Mas uma coisa permanece certa como a morte: no “fim” de sua carreira [como arcebispo de Buenos Aires], Bergoglio mandou a Roma diversos de seus padres, a fim de prepará-los para “alguma coisa”, além de que para que eles lhe contassem “coisas romanas”, “fofoquinhas” curiais, sobretudo, que não desprezava saber e, antes, como se disse, o divertia. E…, jogando também se aprende. E talvez os padres de Bergoglio teriam contado dele a Mons. Stella, o futuro prefeito da Congregação do Clero e deus ex machina do Vaticano.

Como as estrelas, que quando há luz, não se vêem

Mas, entre Parolin e Stella, que ligame existe além de serem conterrâneos, considerado que os dois são distantes em algo como 15 anos? Simples: são verdadeiramente amigos e, como todos os amigos, cúmplices. É isso, a sorte e o destino de um é ligado ao do outro. Mas, entre os dois, aquele que está acima é Stella.

Se vocês fizerem uma pesquisa no google, notarão que antes de sua nomeação para a Cúria, não existem documentos, artigos e sequer fotos, além das costumeiras coisas oficialíssimas, sobre Stella. Escuro absoluto. Mistério. Era um fantasma. Mas, então, quem é… que tipo é realmente este personagem que subiu de repente, à venerável idade de mais de 72 anos, às honras da crônica? Deveríamos começar mesmo por seu dado anagráfico incomum, porque para um tipo de carreira que ele teve não se explica o epílogo: é como um coqueiro que desse bananas. Mas não o faremos agora.

Ao invés disso, concentremo-nos um instante sobre o homem Beniamino Stella.

Uma pessoa muito reservada. Sai pouco, seleciona muito as pessoas com as quais sai, não se mostra nunca passeando por aí, nunca num restaurante: quando sai, se esconde atrás dos outros. Às vezes, é visto com roupa esportiva e boné na cabeça pegando a bicicleta para se movimentar em qualquer parque romano, mas ninguém o reconheceria, salvo o autor deste artigo, que, avesso às coisas e aos rostos eclesiásticos, e habituado às manhãs dominicais da Villa Doria Pamphilj em Monteverde, reiteradamente reconheceu em um distinto ciclista desconhecido ele mesmo, Stella. Tentei confirmar por aí: me confirmaram.

Vida moral limpa? O sujeito parece quase um assexuado, daquilo que se sabe, mas eventualmente seria necessário perguntar ao governo cubano (esteve ali por anos, terão relatórios inteiros que lhe dizem respeito)… para talvez não encontrar nada, porque, para aqueles que o conhecem, e são poucos, se jura de todos os modos que nunca houve nenhum sinal de dupla vida em nível moral sobre ele. Nunca.

Mas é justo esta “perfeição” que fede.

Bem, de resto, ele precisa contar em todo lugar que foi o próprio Albino Luciani que o escolheu pessoalmente e, portanto, diz, qualquer qualidade terei de haver. O ponto é que isso não é verdade, ou melhor, é uma meia verdade: Stella esteve no seminário romano e dali foi logo para a Academia. Provavelmente, Luciani o tenha visto somente no dia de sua ordenação. Mas é claro que entrou em sua ex-Academia dos Nobres porque é amigo de alguém, na época era assim, e estão tantos venezianos na Academia quanto veneziano era o onipresente Sebastiano Baggio. Uma autoridade na época. Um outro vicentino. Um outro com forte cheiro de maçonaria, estando em várias lendas metropolitanas e, se diz, também em diversas pastas judiciárias. Repito, é imaculado demais, e é justo isso que fede.

Já manifestou alguma ideia eclesiológica particular? É difícil dizê-lo. Não é um tipo que se manifeste a si mesmo; pela educação que recebeu e a carreira que se fixou, seria a ruína. Em geral, fontes de oltreoceano nos confirmam: não fala, mas deixa que sejam outros a falarem, talvez deixando qualquer saída de modo tendencioso, sobre este ou sobre aquele setor nevrálgico, para colher a reação, para testar a fidelidade, para escanear o eventual imprudente doutra parte: Jano duas caras, não faz ou diz nada senão para ter informações, enquanto te alisa, te arrebenta sem que o percebas e, neste sentido, é um verdadeiro mágico. E mais de um foi esfolado pelo amo, pelas eventuais respostas imprevidentes que deu, revelando-se, simplesmente respondendo uma pergunta. Stella é felpudo, não deixa rastros quando destrói alguém. Simplesmente dá uma piscadinha de olho, espalha vaselina e, fazendo de conta que pensa como você, age segundo aquilo que a lógica do poder impõe.

Ou, como diria Papa Francisco, com uma frase inconscientemente revelatória: “Monsenhor Stella sabe bater à porta!”.

E as estrelinhas não estão olhando…

Atenção, porém, tudo isso não faz de Stella um guardião da ordem; da sua ordem, certamente, mas não da ordem geral da Igreja. Não é, de fato, imparcial, como parece. Nenhum homem neutral poderia sobreviver naqueles ambientes. Um dissimulador, sim, mas não um homem puro. Stella é o contrário: parcial e partidário, favorece as pessoas que considera mais que merecedoras (mas o Vaticano, de resto, é o Éden dos “recomendados”, onde mais que as qualidades, contam as fidelidades individuais, as relações de confiança, a intimidade corporativa, a cumplicidade de grupo) e ele o está demonstrando também em seu novo papel de Prefeito de uma dentre as mais importantes congregações.

São-me trazidos alguns exemplos, aos quais poderei somente acenar-lhes de modo leve, por enquanto. Cada ano, a fábrica de núncios desenforma uns quinze alunos, e até aqui, tudo normal.

Agora, porém, existem dois fatores, como muitos sabem.

Um primeiro. Na Academia se louva muito o aproveitamento nos exames e no estudo. E, assim, os estudantes piores, quase desprezados pelos outros – assegura-me o antigo diplomata diante de mim – são aqueles que não conseguem concluir o doutorado dentro da metade do último ano. Significa que não estudaram e não foram capazes de terminar tudo em tempo: são considerados pelos colegas e professores como ociosos e tolos, pessoas que não conseguem fazer os “trabalhos indicados”.

O segundo. Explica-me a minha fonte, Sua Excelência, que depois soube que girou meio globo terráqueo em funções de relevância diplomática, como são os critérios para definir o país de destinação e o seu prestígio. Diz-me que, substancialmente, existem destinações “missionárias”, ou seja, diplomacias de série A, B, C, de acordo com o país, certamente, mas também de acordo com muitas condições contingentes, do mesmo modo variáveis. Antes de mais nada, o nível de pobreza do país, esta é uma condição fundamental. As primeiras missões são, normalmente, na Ásia, África e Amética Latina, mas não todos os países destes continentes. É necessário tirar da América Latina os países mais importantes, tirar da África os países do norte islâmico e o sul, mais rico, tirar da Ásia os países com mais progressos, como a Índia, o Japão e a China. Claramente, todos os países da Ásia são considerados as coisas mais nojentas, porque mesmo se alguém for a um país rico na primeira vez, se está sempre longe e tudo é diferente do Ocidente. Do mesmo modo, quem parte da Ásia, terminará, depois, na América Latina ou na África. E a sua escalada se prolongará até o infinito. Se quisermos tentar fazer uma classificação, também com base naquilo que pude entender daquele diálogo, então, da Ásia é como partir do -1; se lhe mandarem para a África negra ou um país pobre da América, estará no 0. Para ser 1, deve-se mandar para um país da África do Sul, onde são mais desenvolvidos e não existem guerras e tem menos fome, ou um país da América Latina entre os mais populosos e parecidos com o Ocidente. Se for parar ali, segundo a ordem em que for mandado, será destinado a uma sede de nível 2 ou, como todos esperam, será mandado para Roma.

Acontece, porém, que alguém seja tão afortunado a ponto de ir para uma sede “fora” do programa já desde a primeira nomeação. Talvez mesmo um dos “burrinhos”. Que vá terminar numa sede melhor, senão de série A, ao menos de série B, suculentíssima, sendo também um país turístico. Mas não diremos os nomes nem dos “afortunados” nem dos países “suculentos” (por enquanto, ao menos).

Mas quem são estes cujo mérito foi tão grande a ponto de serem maximamente premiados?

E logo se responde: os “prediletos” de Beniamino Stella. E foi propriamente por isso que não deveriam ser um tipo de santo, além de não serem astros de inteligência, nem referências no estudo. E, de fato, o problema é que, em certos casos, os “prediletos” quase sempre eram propriamente os piores entre os alunos. Que fosse somente este o problema! Parece que algum destes ilustríssimos cadetes tenha sido mandado à Academia pelo próprio bispo, a fim de que fosse mantido longe da diocese: mantê-lo equivalia a meter uma bomba-relógio no sacrário da catedral. Por suspeitas e velhas acusações, verdadeiras e próprias, as mais perigosas vão aqui (mas, por ora, não podemos dizer mais). E, notem, com o clássico método do promoveatur ut removeatur, foi mandado para a Academia, onde “brilhou” com a luz refletida pelos “prediletos”, nascidos sob uma boa Stella, pela burrice, a incontinência sobre cujo gênero é melhor calar. Tanto trovejou que chove, com um igual curriculum, um “predileto” de Stella, não obstante tudo, pode muito bem dar-se em primo round a missão diplomática mais desejada e suculenta. Mas, como ensina o Evangelho, “as prostitutas vos procederão no reino dos céus”, mas também sobre a terra, parece.

Talvez seja propriamente para evitar curiosidades “perigosas” e acidentes com os alunos, tipo alguém que queira verificar cada nome e descobrir que é refugium peccatorum além de ser scholam diplomaticorum, talvez seja por isso (antes, é certo) que a Academia Eclesiástica, no site oficial do vaticano, decidiu não atualizar a lista de seus alunos, que, prestem atenção, parou nada menos que em 2002, isto é, há doze anos: uma era geológica, que viu passarem três pontificados.

Nascido sob uma boa Estrela, um só mérito: ter feito Bento escorregar

Pergunto ao meu excelente interlocutor acerca do sucessor de Beniamino Stella à presidência da Pontifícia Academia Eclesiástica. Não gosta de perguntas, prefere as declarações espontâneas. Derrete o olhar gélido que me desafia por alguns segundos, mudado. Tempera a tensão com uma piada: “Um de quem deve sempre olhar de costas” e ri a valer, também o secretário, e acrescenta “especialmente se vem antes dele pela escada”. Riem com gosto, eu não, porque, em minha ainda dúbia inocência, não entendi. Tive como que a sensação de que estivessem abusando de mim, mas talvez não; aludem, simplesmente. É um fato que Gianpiero Gloder foi logo consagrado bispo pelo Papa Francisco, talvez seja o primeiro que tenha consagrado. Tem 55 anos e um curriculum bastante escasso para aceder a tanta glória como cabeça da Pontifícia Academia Eclesiástica, sucedendo Stella. Digamos que lhe bastou ser um outro do clã vicentino. É o enésimo “predileto”, antes, o “preferido” do próprio Stella. Todavia, um ponto em falso tem: o título de comendador, um trapo de pano honorífico que lhe foi concedido pelo então presidente católico-comunista do Conselho, Romano Prodi. O motivo nos é ignorado.

Mesmo não tendo feito uma missão no exterior (menos de dois anos na Guatemala) se tornou presidente. Era até pouco antes o ecônomo da Academia (2001-2008), quando desde 2005 foi posto para fazer o que?… Esta é a pergunta mais importante… Capo ufficio para os Assuntos especiais! Logo quando Ratzinger se tornou papa. Mas, na realidade, o que fazia ali? Corrigia, do ponto de vista político, os discursos do Papa; este trabalho se tornou tão pesado que, pouco depois, deixou a Academia. Em 2008, quando foi engatilhada a hora da vingança, Sodano sendo aposentado à força, começava a operação vaticana para “neutralizar Bento”, gerenciada, notem, pelo grupo diplomático-curial, com a benção de Sodano: guerra anti Bento, devida à sua tentativa de afastar todos os diplomáticos dos postos de poder (coisa que, na época, era avaliada por todos como positiva, “finalmente”), entre os quais o sancta sanctorum de tais postos, isto é, o Secretário de Estado. Bertone era um civil, não um diplomata. “Erro” fatal. Que começasse a guerra, Sodano deu a entender com um sinal “logístico”, o arrogante e ruidoso rechaço de ceder ao sucessor, por mais de um ano, as suas secretarias, onde continuou a se meter, insensível a cada chamada.

Vocês pensaram que tenha um bom trabalho para merecer-se uma tão fulminante promoção, naquela que (hierarquicamente falando) pode ser considerada uma sede de excelência? Não foi para a Ásia, nem para a África, nem para a América latina… Ficou em Roma. O que podemos concluir, então? Que tem amigos muito poderosos, pois de outro modo não permaneceria no exterior pouco mais de um ano. Sobretudo, tem um “mérito”, o maior, que o torna um astro nascente: manipulou os discursos políticos de Bento, tanto que foi a causa dos escorregões e dos acidentes diplomáticos daquele pontificado. Ou melhor: simplesmente não lhes conferiu, ou não os quis modificar, sendo que politicamente os problemas dos discurso de Bento eram seus problemas. Não resolvidos. Fez carreira, e não por acaso. Nasceu sob uma boa Stella.


[1] Stella, em italiano, estrela. O autor faz o trocadilho entre o nome de Beniamino Stella e a estrela.

[2] O nome Beniamino, em italiano, significa, também, “o predileto”.

5 fevereiro, 2014

Cardeal Burke sobre a exortação Evangelii Gaudium: “Não creio que haja a intenção de fazer parte do magistério papal”.

Da entrevista do Cardeal Raymond Leo Burke, Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, a Raymond Arroyo, da EWTN, em 13 de dezembro de 2013:

Questionado se a exortação apostólica “Evangelii Gaudium” está em continuidade com o ensinamento de João Paulo II e Bento XVI ou se há apenas uma mudança de tom, Burke respondeu — aos 20m47s:

“Eu não sei. Creio que quando olhamos para a introdução do próprio documento e, parece-me [...], que o Santo Padre fez uma afirmação muito clara no início, que se trata de várias reflexões e que está dizendo que não tem intenção de que isso faça parte do magistério papal [...] que são sugestões, diretrizes, planos, e assim, para mim, para esse tipo de documento, não sei perfeitamente como qualificá-lo, mas não creio que haja a intenção de fazer parte do magistério papal. Essa é a minha impressão”.

O Cardeal também falou sobre os “assuntos essenciais” (aborto, defesa da vida, etc) e a reforma da Cúria após o “efeito Francisco”. Agradeceremos aos leitores que puderem transcrever outros trechos da entrevista.

3 dezembro, 2013

Vaticano: Papa preside a segunda reunião do conselho consultivo de cardeais.

Cidade do Vaticano, 03 dez 2013 (Ecclesia) – O Papa preside a partir de hoje ao segundo encontro com os oito cardeais dos cinco continentes que nomeou em abril para o aconselharem, abrindo caminho à redação de uma nova constituição para a Cúria Romana.

Francisco e os cardeais reunidos hoje.

Francisco e os cardeais reunidos hoje.

O novo “Conselho de Cardeais” tem como missão auxiliar o Papa no governo da Igreja promover o aperfeiçoamento do documento que regulamenta atualmente a Cúria do Vaticano, organismos centrais (dicastérios) da Santa Sé, a constituição ‘Pastor bonus’, assinada por João Paulo II a 28 de junho de 1988.

Após a primeira reunião, em outubro, o porta-voz do Vaticano afirmou que a orientação não é para uma “simples atualização da ‘Pastor bonus’”, mas para a elaboração de uma Constituição com “novidades de relevo”.

O padre Federico Lombardi destacou que este trabalho “vai requerer um tempo adequado” e visa colocar os organismos centrais da Igreja Católica a funcionar em termos de “subsidiariedade e não de centralismo”.

 Neste contexto, os trabalhos à porta fechada aludiram ainda às funções e ao papel da Secretaria de Estado do Vaticano, que deve ser a “Secretaria do Papa”.

Em cima da mesa esteve ainda a possibilidade de criar a figura de um “moderador da Cúria”, que coordenasse os dicastérios.

Após este segundo encontro, que decorre até quinta-feira, prevê-se “uma nova reunião no mês de fevereiro do próximo ano”, para que o trabalho nesta fase inicial se possa “desenrolar expeditamente”.

O grupo é coordenado por Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa, Honduras, e presidente da Cáritas Internacional, incluindo Giuseppe Bertello, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, Francisco Javier Errázuriz Ossa, arcebispo emérito de Santiago do Chile, e Oswald Gracias, arcebispo de Bombaím, na Índia.

Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising (Alemanha), Laurent Monsengwo Pasinya, arcebispo de Kinshasa, na República Democrática do Congo, Sean Patrick O’Malley, arcebispo de Boston, nos EUA, e George Pell arcebispo de Sydney, na Austrália, completam o elenco do conselho que tem como secretário D. Marcello Semeraro, bispo da diocese italiana de Albano.

13 novembro, 2013

Guerra alemã.

Quase imediatamente após a sua renúncia ao governo da arquidiocese de Friburgo ser acolhida pelo Papa Francisco, o arcebispo Robert Zollitsch torna público um documento “pastoral” onde orienta os padres sobre a comunhão aos católicos divorciados e em segunda união. Poucas semanas depois o Prefeito da Doutrina da Fé, o também alemão Gerhard Müller, publicou um longo artigo no L’Osservatore Romano onde defende a atual posição católica de total inviolabilidade do casamento, desde que validamente celebrado. Agora Müller se dirige de forma direta ao arcebispo emérito Zollitsch, e aos demais bispos da Alemanha, revogando o documento “pastoral”. Abaixo a carta enviada por Müller.

* * *

A Sua Excelência!
Honorável Senhor Arcebispo!

Com o documento prot. N 2922/13, de 8 de outubro de 2013, o Nuncio Apostólico informou o projeto das diretrizes para o cuidado pastoral das pessoas separadas, divorciadas e recasadas civilmente na Arquidiocese de Friburgo, bem como a sua circular aos membros da Conferência Episcopal Alemã antes da publicação dessa carta, à Congregação para a Doutrina da fé. Uma leitura cuidadosa do rascunho do texto revela que ele contém ensinamentos pastorais muito corretos e importantes, mas não é claro em sua terminologia e não corresponde com o ensinamento da Igreja em dois pontos:

“As pessoas divorciadas e recasadas se colocam no caminho do seu acesso à Eucaristia”.
1. Em relação à recepção dos sacramentos por fiéis divorciados novamente casados ​​a proposta dos bispos da área de Oberrhein é novamente recomendada como uma direção pastoral: após um processo de discussão com os párocos, as pessoas interessadas podem chegar à conclusão de participar muito na vida da Igreja, mas a abster-se deliberadamente de receber os sacramentos, enquanto outras podem em suas situações concretas alcançar uma “decisão responsável de consciência” e serem capazes de receber os sacramentos do Batismo, a Sagrada Comunhão, Crisma, Reconciliação e Unção dos Enfermos, e esta decisão deve “ser respeitada” pelo padre e pela comunidade.

Ao contrário desta suposição, o Magistério da Igreja enfatiza que os pastores devem reconhecer bem  as diversas situações e devem convidar os fiéis afetados por elas a uma participação na vida da Igreja, mas também “reafirma a sua prática, que é baseada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística divorciados que voltaram a casar “(cf. João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, de 22 de novembro de 1981, N. 84; também comparar a Carta desta Congregação de 14 de setembro de 1994 sobre a recepção da Comunhão por divorciados recasados fiel, que rejeita a proposta dos bispos Oberrhein, e Bento XVI, Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, de 22 de fevereiro de 2009, N. 29).

Esta posição do Magistério é bem fundamentada. Divorciados recasados estão no caminho de seu acesso à Eucaristia, na medida em que o seu estado de vida é uma contradição objetiva para a relação de amor entre Cristo e a Igreja, que se torna visível e presente na Eucaristia (razão doutrinária). Se estas pessoas pudessem receber a Eucaristia isso causaria confusão entre os fiéis sobre o ensinamento da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio (razão pastoral).

2. Além disso, um rito [service, no original em inglês, NdT] de oração para os fiéis divorciados que entram em um novo casamento civil é sugerido. Embora seja explícito que isso não é um “semi-casamento” e a cerimônia deve ser simples, mas ainda assim seria uma espécie de “rito”, com uma entrada, a leitura da Palavra de Deus, benção e entrega de uma vela, oração e conclusão.

Tais celebrações foram expressamente proibidas por João Paulo II e Bento XVI: “O respeito devido ao sacramento do Matrimônio, para os próprios casais e suas famílias, e também para a comunidade dos fiéis, proíbe qualquer pastor, por qualquer motivo ou pretexto mesmo de natureza pastoral, de realizar cerimônias de qualquer natureza para as pessoas divorciadas que se casam novamente. Estas dariam a impressão de celebração de novas núpcias sacramentais válidas, e que, assim, levariam as pessoas ao erro sobre a indissolubilidade do matrimônio contraído validamente “(Familiaris Consortio, n. 84).

Os fiéis afetados devem receber suporte, mas é preciso evitar que “cresça confusão entre os fiéis sobre o valor do matrimônio” (Sacramentum Caritatis, N. 29).

Devido às discrepâncias acima destacadas, o projeto de texto deve ser retirado e revisto, de modo que nenhuma direção pastoral seja sancionada que se oponha aos ensinamentos da Igreja. Porque o texto suscitou questões não só na Alemanha, mas em muitas partes do mundo, bem como levou à incertezas numa questão pastoral delicada, me senti obrigado a informar ao Papa Francisco sobre isso.

Após consulta com o Santo Padre, um artigo de minhas mãos foi publicado em L’Osservatore Romano em 23 de outubro de 2013, que resume o ensino vinculante da Igreja sobre estas questões. Essa contribuição também foi publicada na edição semanal do jornal do Vaticano.

Uma vez que um número de bispos que se voltou para mim e um grupo de trabalho da Conferência Episcopal Alemã está lidando com o tema, gostaria de informar que vou enviar uma cópia desta carta a todos os bispos diocesanos da Alemanha. Esperando que sobre esta questão delicada nós vamos por caminhos pastorais, que estão em pleno acordo com a doutrina da fé da Igreja, fico com cordial saudação e bênção no Senhor.

Gerhard L. Müller
Prefeito

  • Batalha 4 – Cardeal Marx [um dos purpurados membros do poderoso conselho de 8 cardeais erigido pelo Papa Francisco]: “O Prefeito da CDF não pode por fim à discussão”.

    Por Pray Tell | Tradução: Fratres in Unum.com - Na opinião do Cardeal Marx, de Munique, o debate sobre o tratamento dado pela Igreja Católica a divorciados recasados está completamente aberto. “O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé não pode colocar um fim na discussão”, declarou, na quinta-feira, na conclusão do encontro da Conferência Episcopal de Frisinga, noticiou Kathweb [...]. “Veremos que isso é discutido muito amplamente; quanto ao resultado, não sei”. O Cardeal Marx afirmou que é o desejo expresso de Roma que haja uma ampla discussão por toda a Igreja em preparação para o sínodo especial sobre a família, em outubro de 2014 [...]. Um grande número de fiéis não podem entender plenamente “que uma segunda união não seja aceita pela Igreja”. Ele crê ser inadequado falar de divórcio simplesmente como “uma falha moral”.

7 novembro, 2013

ACI: “João Paulo II nunca soube a verdade sobre Marcial Maciel, assegura seu ex-secretário pessoal”. Mas, o testemunho do secretário particular de Maciel é outro: “Não quis escutá-lo, não acreditou”.

Padre Marcial Maciel, LC.ROMA, 06 Nov. 13 / 10:20 am (ACI/EWTN Noticias).- O Arcebispo de Cracóvia (Polônia), Cardeal Stanislaw Dziwisz, que foi o secretário pessoal do Papa João Paulo II durante mais de 40 anos, assegurou que o futuro santo nunca soube a verdade sobre a vida imoral que levava o fundador dos Legionários de Cristo, Marcial Maciel.

“Sei eu também, mas pensando a posteriori, que o Santo Padre nunca deveria ter recebido esse indivíduo. Mas João Paulo II quando o encontrou não sabia nada, absolutamente nada!”, disse o Cardeal, em declarações compiladas no livro-entrevista “vivi com um santo”, escrito pelo jornalista Gian Franco Svidercoschi.

Conforme explicou o Arcebispo de Cracóvia, para João Paulo II, Maciel “era ainda o fundador de uma grande ordem religiosa e basta, ninguém tinha falado nada com ele! Nem sequer dos rumores que corriam!”.

Nos últimos anos de sua vida, surgiram diversos informes que revelaram as duas vidas que tinha Marcial Maciel, com atos que compreendiam o abuso sexual, filhos secretos e inclusive vício a drogas.

Em 2006, Bento XVI determinou que Maciel se abstivesse de exercer o ministério sacerdotal publicamente, e foi obrigado a recolher-se a “uma vida de oração e penitência”. O fundador dos Legionários de Cristo faleceu em 30 de janeiro de 2008.

O Cardeal Stanislaw Dziwisz explicou que a reação lenta frente às denúncias de abusos foi devido à burocracia no Vaticano.

“São, por desgraça, as consequências de uma estrutura ainda extremamente burocrática”, lamentou.

O Arcebispo de Cracóvia explicou os reparos de João Paulo II ao marxismo na teologia da libertação, pois “o marxismo, que defende a luta de classes, uma revolução violenta, não podia certamente ser adotado como solução aos males na América Latina”.

“Existia o perigo, muito realista, que a medicina pudesse revelar-se mais daninha que a doença mesma”, disse.

“Ao mesmo tempo é verdade que João Paulo II aprovou expressamente uma teologia da libertação em sinal da opção pelos pobres, quer dizer da grande eleição evangélica cumprida pela Igreja latino-americana”, particularizou.

O ex-secretário pessoal de João Paulo II revelou que o beato, próximo à canonização, refletiu durante muito tempo sobre uma possível renuncia ao pontificado.

“Sobre a renúncia, o Papa examinou os textos deixados pelo Papa Montini (Paulo VI), consultou os mais estreitos colaboradores, entre eles o Cardeal Ratzinger. Estabeleceu também um especial procedimento para a demissão, caso não estivesse mais em capacidade de desenvolver seu ministério”, disse.

Ao final, assinalou o Cardeal Dziwisz, “como sempre tinha feito na sua vida, Karol Wojtyla se submeteu à vontade do Senhor: ia permanecer até que ele o quisesse”.

* * *

Os arquivos de Fratres in Unum estão repletos de matérias a esse respeito (nossos leitores poderão pesquisá-las na “busca” disponível em nossa barra lateral e citá-las na caixa de comentários). Particularmente, recordamos um post, de junho de 2012, que traz as notas tomadas pelo secretário particular de Bento XVI de um encontro com o Pe. Rafael Moreno, assistente pessoal de Marcial por 18 anos, e que vieram à tona no escândalo dos Vatileaks:

livro de Nuzzi nos dá mais detalhes, reproduzindo as breves notas tomadas pelo secretário papal no dia 19 de outubro de 2011, depois de uma reunião de meia hora com o padre Rafael Moreno, um sacerdote mexicano que atuou como assistente particular de Maciel por 18 anos.

No texto completo da nota sem assinatura reproduzida por Nuzzi, escrita em papel timbrado do “Secretário Particular de Sua Santidade”, lemos:

“19 de outubro de 2011
Reunião 9:00 – 9:30 da manhã
Por mim
Reunião com o padre Rafael Moreno, secretário particular de M.M.

  • Foi por 18 anos secretário particular de MM; isto foi de …[palavra ilegível]
  • Destruiu prova contra ele (material incriminatório)
  • Quis informar P.P.II em 2003, mas ele não quis escutá-lo, não acreditou
  • Quis informar o Card. Sodano, mas ele não lhes concedeu uma audiência
  • Cardeal De Paolis tinha pouco tempo”

Nuzzi afirma que, provavelmente, “P.P.II” se refere a João Paulo II. Cardeal Velasio De Paolis, por sua vez, é o oficial Vaticano que Bento XVI designou para supervisionar uma reforma dos Legionários.

Para Nuzzi, o fracasso em levar Moreno a sério em 2003 é especialmente condenatório, dado que este testemunho veio “não de uma vítima, talvez motivada pelo ódio, mas da melhor testemunha possível: o secretário que, por 18 anos, seguiu o fundador da congregação dia a dia, e que, portanto, sabia de sua vida dupla e tripla, de seus mais secretos aspectos”.

7 novembro, 2013

Vaticano adverte bispos americanos sobre Medjugorge. “Vidente” Ivan forçado a cancelar viagem aos EUA.

A carta a seguir foi divulgada, aparentemente, primeiro no site pró-Medjugorgje “Spirit Daily”. No mínimo, ela sinaliza que a Comissão Medjugorje ainda está investigando ativamente as supostas “aparições”, e refuta a suposição, tida em alguns círculos “marianos”, que as aparições se presumem verdadeiras enquanto se aguarda o julgamento final de Roma.

De acordo com um post datado de hoje em “Medjugorje Today”, as viagens para os Estados Unidos foram canceladas: “as aparições públicas ao vidente Ivan Dragicevic, programadas no final de outubro, foram canceladas após as instruções do chefe da Congregação para a Doutrina da Fé. Os bispos americanos foram convidados a não permitir organizações [de eventos] que tomem as aparições como verdadeiras.”

A seguir, a tradução da carta:

Reverendíssimo Monsenhor Jenkins.

Escrevo a pedido de Sua Excelência, o Reverendíssimo Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que pede que os Bispos dos Estados Unidos sejam advertidos, mais uma vez, do seguinte (cf. minha carta de 27 de Fevereiro de 2013, com o mesmo número de protocolo ). Desta forma, Sua Excelência deseja informar os Bispos que um dos chamados videntes de Medjugorje, o Sr. Ivan Dragicevic, está programado para aparecer em certas paróquias de todo o país, ocasiões nas quais ele fará apresentações sobre o fenômeno de Medjugorje. Prevê-se, além disso, que o Sr. Dragicevic vai receber “aparições” durante estas apresentações agendadas.

Como o senhor bem sabe, a Congregação para a Doutrina da Fé está em processo de investigação de determinados aspectos doutrinários e disciplinares do fenômeno de Medjugorje. Por esta razão, a Congregação afirmou que, no que diz respeito à credibilidade das “aparições” em questão, todos devem aceitar a declaração, datada de 10 de Abril de 1991, dos bispos da antiga República da Iugoslávia, que afirma: “Com base na investigação que tem sido feita, não é possível afirmar que houve aparições ou revelações sobrenaturais.” Segue-se, portanto, que os clérigos e os fiéis não estão autorizados a participar de reuniões, conferências e celebrações públicas, durante as quais a credibilidade de tais “aparições” seria tomada como garantida.

Com o intuito, portanto, de evitar escândalo e confusão, o arcebispo Müller pede que os bispos sejam informados sobre este assunto o mais rápido possível.

Aproveito esta oportunidade para apresentar-lhe os meus sentimentos de profunda estima, e permaneço,

Sinceramente seu em Cristo,

+ Carlo Maria Viganò
Núncio Apostólico
———————-
Monsenhor Ronny Jenkins
Secretário-Geral da USCCB
3211 Fourth Street NE
Washington , DC 20017

 

31 outubro, 2013

Papa Francisco convoca consistório para criação de novos cardeais.

cardeais consistório joão paulo IICanção Nova - O Papa Francisco convocou o primeiro consistório de seu Pontificado para a criação de novos cardeais para o dia 22 de fevereiro de 2014. A informação foi confirmada nesta quinta-feira, 31, pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse à Agência Ansa que nos dias que antecedem o consistório, o Santo Padre se encontrará com o grupo de oito cardeais conselheiros para a reforma da Cúria. E nos dias seguintes, haverá um encontro do conselho do Sínodo.

Em relação ao número de 120 cardeais eleitores, fixado pelo Papa Paulo VI, haverá 14 lugares vagos em fevereiro de 2014, devido aos cardeais que completam 80 anos e deixam de ser votantes. Esse número sobe para 16 em março. Francisco terá, portanto, a possibilidade de dar a púrpura a outros novos cardeais eleitores.

Os critérios que serão utilizados pelo Papa para compor a lista de novos cardeais não foram divulgados.

* * *

Nota do Fratres – Nomes de curiais que muito provavelmente estarão entre os novos purpurados: Dom Pietro Parolin, Secretário de Estado; Dom Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; Dom Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero; Dom Lorenzo Baldisseri, secretário do Sínodo dos Bispos, criado cardeal informalmente no conclave que elegeu Francisco. Do Brasil, podem ser feitos cardeais os seguintes arcebispos residentes, uma vez que seus antecessores já ultrapassaram os 80 anos: Dom Orani João Tempesta, do Rio de Janeiro; Dom Sérgio da Rocha, de Brasília; e Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, S.C.I, de Salvador.

29 outubro, 2013

“Haverá uma Congregação para os Leigos”, afirma Maradiaga.

IHU – O cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa (Honduras) e coordenador do grupo dos oito cardeais conselheiros do Papa, volta a falar sobre a reforma da cúria. Isso aconteceu em Logroño (Espanha), onde fez uma conferência.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 28-10-2013. A tradução é de André Langer.

O cardeal explicou que “os ministérios dentro do Vaticano deverão sofrer readequações”. Há “apenas um conselho de leigos, mas há uma congregação para bispos, outra para sacerdotes e outra para religiosos, e não há uma congregação para os leigos, quando são os mais numerosos”.

Não é nenhum mistério que uma das vias da reforma da cúria passa justamente por uma revalorização dos leigos, pela criação de uma Congregação dedicada a eles, para a qual poderiam confluir vários pontifícios conselhos (desde o da família até o dos agentes da pastoral da saúde).

O Papa Francisco considera o clericalismo como uma das doenças da Igreja. Por este motivo, seria absurdo imaginar que a insistência no valor dos leigos e das mulheres nas comunidades cristãs e também nas estruturas da Igreja se realize mediante uma “clericalização” (como dava a entender o caso sobre as “mulheres cardeais”).

Bergoglio confirmou em seus postos até que se cumpra o mandato dos cinco anos tanto o presidente como o secretário do Pontifício Conselho para os Leigos (o cardeal Stanislaw Rylko e o bispo Jozef Clemens), mas o final do seu mandato deverá se dar de qualquer maneira em 2014.