Archive for ‘Cúria Romana’

12 agosto, 2014

Santa Sé pede que autoridades, sobretudo muçulmanas, condenem barbáries no Iraque.

Cidade do Vaticano (RV) – O Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso divulgou uma mensagem nesta terça-feira, 12, sobre a restauração do califado. Eis a íntegra da mensagem:

“O mundo inteiro testemunhou incrédulo ao que agora é chamado de “Restauração do Califado”, este que foi abolido em 29 de outubro de 1923 por Kamal Araturk, fundador da Turquia moderna. A oposição a esta “restauração” pela maioria dos institutos religiosos e políticos muçulmanos não impediu que os jihadistas do “Estado Islâmico” cometessem e continuem a cometer indizíveis atos criminais.

Este Conselho Pontíficio, junto a todos aqueles engajados no diálogo inter-religioso, seguidores de todas as religiões e todos os homens e mulheres de boa vontade, pode somente denunciar e condenar, de forma inequívoca, esses atos que trazem tanta vergonha à humanidade:

- o massacre de pessoas somente pela sua fé e condição religiosa;
– a desprezível prática da decapitação, crucificação e exposição de corpos em lugares públicos;
– a escolha forçada imposta aos Cristãos e Yezidis entre a conversão ao Islã, o pagamento de um tributo (jizya) ou o exílio forçado;
– a expulsão forçada de milhares de pessoas, incluindo crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes;
– o rapto de meninas e mulheres pertencentes às comunidades Yezidi e Cristã como despojos de guerra (sabaya);
– a imposição da prática bárbara da infibulação;
– a destruição dos lugares de fé e túmulos cristãos e muçulmanos;
– a ocupação forçada ou dessacralização de igrejas e monastérios;
– a remoção de crucifixos e outros símbolos cristãos assim como aqueles de outras comunidades religiosas;
– a destruição de uma inestimável herança cultural e religiosa cristã;
– violência indiscriminada com o objetivo de aterrorizar as pessoas para que estas entreguem-se ou fujam;

Nenhuma causa e, certamente, nenhuma religião, pode justificar tamanha barbárie. Isso constitui uma ofensa extremamente séria à humanidade e a Deus, como recorda frequentemente o Papa Francisco. Não podemos esquecer, todavia, que cristãos e muçulmanos conviveram em harmonia – é verdade que com altos e baixos – durante séculos, construindo a cultura pacífica da coexistência e civilização das quais têm muito orgulho. Por outro lado, é com base nisto que, em anos recentes, o diálogo entre cristãos e muçulmanos teve continuidade e intensificou-se.

A situação dramática de cristãos, yezidis e outras comunidades religiosas e minorias étnicas no Iraque requer uma posição clara e corajosa dos líderes religiosos, especialmente muçulmanos, assim como daqueles engajados no diálogo inter-religioso e todas as pessoas de boa vontade. Todos devem ser unânimes em condenar inequivocamente estes crimes e em denunciar o uso da religião para justificá-los. Caso contrário, qual credibilidade terão as religiões, seus seguidores e seus líderes? Qual credibilidade tem o diálogo inter-religioso que, pacientemente, buscamos continuar ao longo destes anos?

Líderes religiosos também são exortados a usar sua influência junto às autoridades para colocar fim a estes crimes, para punir os responsáveis e para reestabelecer as regras da lei em todo o país, assegurando o retorno à casa daqueles que foram deslocados. Enquanto recordam a necessidade de uma direção ética das sociedades humanas, estes mesmos líderes religiosos não devem falhar ao demonstrar que o apoio, o financiamento e o armamento do terrorismo é moralmente repreensível.

Dito isto, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso agradece todos que já levantaram suas vozes para denunciar o terrorismo, especialmente contra aqueles que usam a religião para justificá-lo.

Queremos, assim, unir nossa voz àquela do Papa Francisco: “Possa o Deus da paz despertar em cada um de nós o genuíno desejo para o diálogo e a reconciliação. Violência não se vence com violência. Violência se vence com a paz”.

Tags:
4 agosto, 2014

Os estranhos silêncios de um Papa tão loquaz.

Nem uma palavra para as estudantes nigerianas raptadas, nem pela paquistanesa Asia Bibi, condenada à morte pela acusação de ter ofendido o Islã. E também as audiências negadas ao ex presidente do IOR, Gotti Tedeschi, dispensado por ter desejado fazer limpeza.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com – Roma, 1 de agosto de 2014 – No dia de Sant’ana, padroeira de Caserta, o Papa Francisco visitou esta cidade. Tudo normal? Não. Porque apenas dois dias depois, Jorge Mario Bergoglio voltou a Caserta, em visita privada, para encontrar seu amigo italiano, que conheceu em Buenos Aires, Giovanni Traettino, pastor de uma igreja evangélica local.

Mais ainda, em um primeiro momento, o propósito de Francisco era ir se encontrar somente com este seu amigo, com o bispo de Caserta sendo deixado totalmente às escuras, e se quis convencer o Papa a duplicar o programa, para não descuidar das ovelhas de seu redil.

Em Francisco, a colegialidade de governo é mais invocada que praticada. O estilo é o de um superior geral dos jesuítas que, ao final, decide tudo por si só. Depreende-se isso por seus gestos, por suas palavras e por seus silêncios.

Por exemplo, há semanas que, por detrás dos bastidores, Bergoglio cultiva relações com líderes das poderosas comunidades “evangélicas” dos Estados Unidos. Na casa Santa Marta, passou horas e horas na companhia deles. Convidou-lhes para almoçar. Em um desses momentos de convivência, fez-se imortalizar fazendo um high five, entre grandes risos, com o pastor James Robinson, um dos tele-evangelistas americanos de maior êxito.

Quando, no entanto, ninguém sabia de nada, foi Francisco quem lhes antecipou seu propósito de ir a Caserta encontrar seu colega italiano e a explicar o motivo: “oferecer as desculpas da Igreja Católica pelos danos que lhes ocasionou ao obstaculizar o crescimento de suas comunidades”.

Argentino como é, Bergoglio conhece “ao vivo” a avassaladora expansão das comunidades evangélicas e pentecostais na América Latina, que continua arrebatando da Igreja Católica enorme massa de fiéis. Contudo, decidiu não combater seus líderes, mas, antes, fazer-se amigo deles.

Trata-se da mesma linha que adotou com o mundo muçulmano: oração, invocação da paz, condenações gerais do que se está fazendo de mal, mas muito atento para se manter longe dos casos específicos relacionados a pessoas determinadas, sejam vítimas ou carrascos.

Francisco tampouco abandona esta atitude reservada quando o mundo inteiro se mobiliza em defesa de certas vítimas e todos esperariam dele um pronunciamento.

Não pronunciou uma só palavra quando a jovem mãe sudanesa Meriam estava presa com seus filhinhos, condenada à morte somente por ser cristã, porém, recebeu-lhe uma vez que foi libertada graças às pressões internacionais.

Não disse nada quanto às centenas de estudantes nigerianas raptadas por Boko Haram, apesar da campanha promovida por Michelle Obama com o tema: “Bring back our girls” [Devolvam nossas garotas].

Cala-se sobre o destino de Asis Bibi, a mãe paquistanesa presa há cinco anos, a espera da apelação contra a sentença de morte que recebeu, acusada de ter ofendido o Islã.

Também a campanha pela libertação de Asis Bibi tem o mundo católico comprometido por todos os lados e foi divulgada, no início deste ano, uma dolorosa carta escrita por ela ao Papa — que não a respondeu.

São silêncios que causam muitíssima má impressão uma vez que são praticados por um Papa de quem se conhece sua generosíssima disponibilidade para escrever, telefonar, levar uma ajuda, abrir as portas a qualquer pessoa que toca a campainha, não importando se pobre ou rico, bom ou mau.

Por exemplo, sua demora em se encontrar com as vítimas de abusos sexuais, cometidos por representantes do clero, havia levantado algumas críticas. Porém, no último 7 de julho, remediou essa situação, dedicando toda uma jornada a seis dessas vítimas, trazidas a Roma desde três países europeus.

Nestes mesmos dias, Francisco avançou com a reorganização das finanças vaticanas, com algumas substituições nos cargos máximos e a demissão do inocente presidente do IOR, o alemão Ernst von Freyberg.

Inexplicavelmente, em dezesseis meses de pontificado, este funcionário jamais conseguiu obter uma audiência com o Papa.

Porém, mais inexplicável é a “damnatio” que atingiu seu predecessor, Ettore Gotti Tedeschi, despedido em maio de 2012 justamente por ter levado adiante a obra de limpeza, demitido precisamente pelos maiores culpáveis pela má administração.

Seus pedidos ao Papa Francisco para ser recebido e escutado jamais receberam resposta.

Tags:
30 julho, 2014

Cardeal Müller sobre a Misericórdia Divina: “Não se pode ir à igreja pela manhã e à tarde ao bordel, como se fosse possível viver na casa de Deus pela manhã e na casa do diabo à noite”.

“A Igreja não é um sanatório”. Além da misericórdia, existe muito mais.

Por Matteo Matzuzzi – Il Foglio | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: “Santo Tomás de Aquino afirmou que a misericórdia é precisamente o cumprimento da justiça, porque através dela Deus justifica e renova a criação do homem. Portanto, não deverá ser jamais uma desculpa pra suspender ou tornar inválidos os mandamentos e os sacramentos. Caso contrário, estaremos na presença da pesada manipulação da autêntica misericórdia e, portanto, também de frente à vã tentativa de justificar nossa indiferença tanto em relação a Deus como aos homens”. É assim que deve ser entendida a misericórdia, de acordo com o cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da congregação para a Doutrina da fé. Tendo em vista o próximo sínodo sobre a família, o purpurado alemão expôs sua reflexão em um longo diálogo com Carlos Granados, diretor das edições espanholas Bac, já disponível nas livrarias em um pequeno volume intitulado  “La speranza della família” (Edizioni Ares). Da misericórdia se tem falado em abundância depois do discurso consistorial do cardeal  Walter Kasper, que invocou a misericórdia para os divorciados recasados que desejam se aproximar novamente da eucaristia, alegando que “através da penitência qualquer um pode receber clemência e todo pecado ser absolvido”, cada ferida poderia ser curada no “hospital de campanha”, segundo a entrevista de Francisco na revista  Civiltà Cattolica – “A imagem do hospital de campanha é muito bonita”, disse Müller, mas “não podemos manipular o Papa reduzindo a esta imagem toda a realidade da Igreja. A Igreja não é um sanatório: a Igreja é também a casa do Pai”.

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

É verdade, assegura o guardião da ortodoxia católica, que “Deus perdoa até um pecado grave como o adultério, todavia não permite um outro casamento que colocaria em dúvida um matrimônio sacramental ainda existente, um matrimônio que expressa a fidelidade de Deus. Fazer um similar apelo a uma presumida misericórdia de Deus equivale a um jogo de palavras que não ajuda a esclarecer os termos do problema. Na realidade – acrescenta o chefe do antigo Santo Ofício em uma das frases escapadas da longa antecipação publicada na revista Avvenire – me parece que esse é um modo de não perceber a profundidade da misericórdia divina”. Visões diametralmente opostas, portanto, que levam Müller a dizer-se surpreso com o empenho “da parte de alguns teólogos que possuem o mesmo entendimento sobre a misericórdia como um pretexto para admitir aos sacramentos os divorciados casados novamente segundo a lei civil”. O princípio da misericórdia, observa ainda, “é muito fraco quando se transforma em um único argumento teológico-sacramental válido. Toda a ordem sacramental é precisamente obra da misericórdia divina e não pode ser anulada revogando o mesmo princípio que a rege. Do contrário, uma referência errada à misericórdia contém o grave risco de banalizar a imagem de Deus, segundo a qual Deus não seria livre, mas sim obrigado a perdoar”. É verdade, enfatiza o prefeito, que Deus não se cansa nunca de perdoar e de oferecer a sua misericórdia, o problema é que somos nós que nos cansamos de suplicá-la”. E depois, “além da misericórdia, também a santidade e a justiça pertencem ao mistério de Deus. Se ocultássemos esses atributos divinos e se banalizássemos a realidade do pecado, não haveria sentido algum em implorar para as pessoas a misericórdia de Deus”.

O cardeal Müller toca ainda em outro ponto delicado que é o grande desafio entre doutrina e vida, também no que diz respeito aos pedidos de adaptação do ensinamento católico em assuntos de moral sexual à realidade pastoral. “Trata-se de um mal entendimento, como se a doutrina fosse um sistema teórico reservado a alguns especialistas de teologia. Não, a doutrina, além da palavra de Deus, nos dá a vida e a mais autêntica verdade da vida. Não podemos confessar de modo doutrinal que ‘Cristo é o Senhor’ e depois não cumprir a Sua vontade”. Busca-se, em suma, “transformar a doutrina católica numa espécie de museu das teorias cristãs: uma espécie de reserva que interessaria apenas a alguns especialistas” e “ o severo cristianismo estaria se convertendo em uma nova religião civil, politicamente correta, reduzida a alguns valores tolerados pelo resto da sociedade. De tal modo, se obteria o objetivo inconfessável de alguns: marginalizar a Palavra de Deus para poder dirigir ideologicamente toda a sociedade”. Jesus, explica o purpurado, “não se encarnou para expor algumas simples teorias que tranqüilizam a consciência, deixando tudo, até o que tem fundo lascivo, como está, sem alterar a ordem constituída”. Em suma, não se pode, “ir à igreja pela manhã e à tarde ao bordel, como uma espécie de síntese esquizofrênica entre Deus e o mundo, como se fosse possível viver na casa de Deus pela manhã e na casa do diabo à noite.”
22 maio, 2014

Roma excomunga responsável por movimento “Nós somos a Igreja”.

Por La Vie | Tradução: Fratres in Unum.com – Esse é o epílogo de um longo impasse entre o movimento Wir sind Kirche (“Nós somos a Igreja”) e o Vaticano. Segundo as informações do Tiroler Tageszeitung (em alemão), Martha Heizer, a responsável austríaca pelo movimento leigo muito crítica em relação a Roma, acaba de ser excomungada pelo Papa Francisco. Seu marido, Gert Heizer, foi igualmente atingido pela medida. De acordo com o diário alemão Die Welt (em alemão), a informação é confirmada “por círculos católicos”.

Martha Heizer

O bispo de Innsbruck, Dom Manfred Scheuer, “apresentou pessoalmente o decreto ao casal na quarta-feira, 21 de maio, à noite”, afirmou a rádio ORF Tirol (em alemão). O bispo leu o conteúdo do decreto aos dois envolvidos, que, em seguida, recusaram o documento. “Nós não aceitamos porque questionamos a integridade de todo o processo”, disse Martha Heizer à rádio austríaca.

Nesta manhã de quinta-feira, ela declara, em um comunicado (em alemão), estar “profundamente chocada ao se encontrar na mesma categoria que os padres pedófilos”. Na sua opinião, “esse procedimento mostra como a que ponto a Igreja Católica precisa de renovação”.

Eucaristias privadas

O motivo das duas excomunhões? Missas privadas celebradas sem padre na residência do casal. Há vários anos, Martha Heizer não esconde que ela e seu marido acolhem em sua casa essas celebrações, às quais alguns fiéis participam regularmente. Simulações de missas que constituem “delicta graviora” (delitos graves) aos olhos da Igreja Católica.

“O caso causou polêmica em 2011″, explica o Tiroler Tageszeitung, com a intervenção do bispo local. A Congregação para a Doutrina da Fé, em seguida, anunciou a criação de uma comissão.

Martha Heizer encabeça o movimento reformista desde 7 de abril passado — um movimento fundado na Áustria em 1995, da qual é uma das fundadoras. Aos 67 anos, Martha Heizer é conhecida por suas posições favoráveis à ordenação de mulheres e a “uma renovação da Igreja através dos leigos”, diz o Die Welt. Desde 2012, ela dirige o International Movement We Are Church (IMWAC), “Movimento Internacional Nós Somos Igreja”.

Com esta decisão, Dom Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, mantém-se fiel à sua posição anterior: em 2009, então chefe da diocese de Regensburg, o prelado alemão havia suspendido Paul Winckler, o responsável alemão da Wir sind Kirche .

17 maio, 2014

Michael Amaladoss, teólogo jesuíta, é censurado pelo Vaticano. Jesuítas minimizam fato.

Michael Amaladoss, teólogo jesuíta, é censurado pelo Vaticano

IHU – O Vaticano está investigando um teólogo jesuíta da Índia por supostamente defender crenças heterodoxas, o que levanta novas questões sobre se o Papa Francisco – o primeiro papa jesuíta – de fato está movendo a Igreja Católica para uma nova direção.

A reportagem é de David Gibson, publicada no sítio Religion News Service, 12-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A notícia da ameaça de censura ao padre Michael Amaladoss, cujo livro mais conhecido é Jesus, o profeta do Oriente (Ed. Pensamento), segue o rastro de um contundente aviso sobre ortodoxia e obediência que o guardião doutrinal do Vaticano, o cardeal Gerhard Müller, entregou a um grupo de religiosas que representam a maioria das irmãs norte-americanas.

O discurso de Müller, no dia 30 de abril, às irmãs da Leadership Conference of Women Religious (LCWR) foi visto como um revés inesperado nas negociações em torno de uma investigação vaticana sobre as freiras que começou um ano antes de Francisco ser eleito. A linha dura de Müller também parecia estar fora de sintonia com o novo estilo de abertura e flexibilidade que tem marcado o jovem papado de Francisco.

Fontes da Igreja dizem que Amaladoss, um especialista altamente renomado em diálogo inter-religioso e cristologia, passou a ser vigiado pelo escritório de Müller pela primeira vez há um ano. Elas disseram que Amaladoss acreditava que as suas respostas iniciais às questões sobre os seus pontos de vista sobre a unicidade de Jesus e a Igreja Católica haviam respondido às objeções vaticanas.

Mas em janeiro o escritório de Müller voltou à tona com uma demanda para que Amaladoss escrevesse um artigo endossando publicamente as opiniões vaticanas, ou enfrentaria o silenciamento. Durante décadas, esse nível de grave sanção foi uma característica marcante do tratamento linha-dura dado aos teólogos sob o cardeal Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornaria o Papa Bento XVI.

No início de abril, Amaladoss se encontrou com Müller e outras autoridades da Congregação para a Doutrina da Fé ” e concordou em refazer (…) essas questões à luz do diálogo”, disse o padre Edward Mudavassery, que supervisiona os jesuítas na Índia.

“Eu entendo que foi um encontro aberto e honesto, na tentativa de esclarecer questões objecionáveis”, disse Mudavassery. “Todos sabemos que o Papa Francisco é um homem de diálogo. Parece-me que a Congregação para a Doutrina da Fé também pode seguir esse caminho para resolver as diferenças, porque esses homens sob escrutínio são genuínos e leais à Igreja e aos ensinamentos de Jesus”.

Francisco saberia da investigação, mas não parece muito preocupado que ela irá acabar na punição de Amaladoss, de acordo com jesuítas familiarizados com o caso.

Francisco conhece Amaladoss por causa da sua longa e distinta carreira como jesuíta, tanto como teólogo e autor de centenas de livros e artigos, quanto também como antigo assistente do Padre Geral da Companhia de Jesus. Nessa função, ele viveu vários anos em Roma, na Cúria Geral dos jesuítas.

Amaladoss está viajando ao exterior, disse Mudavassery, e o teólogo não respondeu aos e-mails enviados a ele no Instituto de Diálogo com as Culturas e as Religiões que ele dirige em Chennai.

Mudavassery disse que não sabia de quaisquer restrições impostas a Amaladoss. Mas Amaladoss cancelou todos os compromissos de conferências e textos, enquanto tenta lidar com as preocupações do Vaticano. Fontes jesuítas disseram que Amaladoss disse à sua editora nos EUA, Orbis Books, que interrompessem os trabalhos de uma coleção planejada dos seus escritos. Os responsáveis da Orbis não quiseram comentar o status de qualquer projeto com Amaladoss.

O padre também cancelou uma conferência no Union Theological Seminary, em Nova York, marcada para o dia 8 de abril, intitulada “A teologia na Índia é realmente diferente da teologia no Ocidente?”. Uma nota no site do seminário diz: “A Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano proibiu o Dr. Amaladoss de falar e publicar até que um processo de exame do seu pensamento se conclua com sucesso” (ver reprodução abaixo).

“Amaladoss nos pediu para não comentar sobre as razões específicas desse cancelamento, e nós respeitamos a sua vontade”, acrescentou o porta-voz do seminário, Jeff Bridges.

As investigações da Congregação para a Doutrina da Fé são conduzidas em segredo, e os teólogos visados muitas vezes não sabem que estão sob escrutínio até que a investigação esteja em andamento. Eles geralmente também não sabem quem apresenta as queixas ou quem na Congregação está conduzindo a investigação.

Há muito os teólogos se queixam de que tal sigilo e as oportunidades limitadas que eles têm para responder pessoalmente às acusações têm levado a um sistema coercitivo que reflete negativamente sobre a hierarquia católica.

Durante o quarto de século que Ratzinger dirigiu o escritório sob o Papa João Paulo II, os jesuítas frequentemente eram alvos das sondagens da Congregação para a Doutrina da Fé, em parte porque os jesuítas têm um foco missionário e procuram traduzir as crenças tradicionais para os crentes modernos e para outras culturas religiosas.

O processo de engajamento com as culturas está particularmente avançado na Ásia, onde o cristianismo é uma minoria e onde os jesuítas estabeleceram um porto seguro para o catolicismo. Mas isso também significa que os teólogos que lá trabalham costumam usar formulações não tradicionais para tentar comunicar a fé aos públicos hindus ou budistas que têm pouca compreensão dos pontos de vista ocidentais sobre Deus e Jesus.

O próprio mestre de Amaladoss, o jesuíta belga Jacques Dupuis, enfrentou uma longa e cansativa investigação por parte da Congregação para a Doutrina da Fé sobre os seus pontos de vista sobre o pluralismo religioso. Seus colegas dizem que o estresse provocado pela sondagem, liderada por Ratzinger, contribuiu para a morte de Dupuis em 2004.

* * *

Jesuítas indianos minimizam censura vaticana a Michael Amaladoss

IHU – O provincial jesuíta do sul da Ásia, o padre Edward Mudavassery, minimizou os relatos generalizados de que o Vaticano lançou uma investigação sobre os escritos do padre Michael Amaladoss (foto), um proeminente teólogo jesuíta indiano.

A reportagem é de Christopher Joseph, publicada pela agência UCA News, 14-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Até onde eu sei, não há nenhuma investigação, e ele não foi impedido de escrever e de lecionar”, disse o padre Mudavassery nessa terça-feira.

Ele acrescentou que a Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano convidou o Pe. Amaladoss a Roma na primeira semana de abril para um “diálogo” sobre evangelização, mas insistiu que as conversas com as autoridades da Congregação ocorreram de “forma amigável”.

O Pe. Amaladoss, 77 anos, conhecido mundialmente pelos seus ensinamentos sobre cultura e diálogo inter-religioso na Ásia, estaria atualmente na Europa, em uma visita pessoal, e não pôde ser contatado para mais detalhes.

O teólogo, que pertence à província de Madurai dos jesuítas, trabalhou em Roma de 1983 a 1995 como assistente-geral do superior jesuíta da época, Peter-Hans Kolvenbach, com responsabilidades especiais para as questões de evangelização, inculturação e diálogo inter-religioso.

Uma importante autoridade da província de Madurai, que pediu para não ser identificada, confirmou ao sítio UCANews.com que a correspondência entre a Congregação para a Doutrina da Fé e o Pe. Amaladoss “tem ocorrido há algum tempo, ao menos há dois a três anos”.

As questões que estão sendo discutidas não se referem a “nenhum livro dele em particular, mas sim a como proclamar Jesus a um público asiático”, disse a autoridade.

Desde o Concílio Vaticano II, os teólogos asiáticos – especialmente indianos – têm trabalhado para interpretar a Bíblia e a liturgia nos termos das filosofias e das culturas orientais, a fim de ajudar os asiáticos a compreendê-las.

Não é desconhecido para alguns desses teólogos o fato de estarem sob investigação vaticana, seguida de reprimendas e até mesmo de excomunhão por expressarem opiniões heterodoxas.

Dentre eles, o mais proeminente foi o teólogo Tissa Balasuriya, do Sri Lanka, que foi excomungado em 1997, quando o cardeal Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornou o Papa Bento XVI, chefiava a Congregação para a Doutrina da Fé. A excomunhão foi levantada um ano mais tarde, depois que Balasuriya assinou uma profissão de fé. Ele morreu no ano passado, aos 89 anos.

12 maio, 2014

Papa Francisco e Dom Fellay, o encontro. Mais detalhes.

Andrea Tornielli traz mais detalhes sobre o encontro entre o Papa Francisco e Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

“O encontro teria ocorrido nas primeiras semanas de 2014. Dom Fellay fora convidado para jantar em Santa Marta pelo bispo Guido Pozzo, secretário da Pontíficia Comissão “Ecclesia Dei” e pelo arcebispo Augustin Di Noia, vice-presidente da mesma comissão. Junto ao prelado tradicionalista estiveram presentes o padre Niklaus Pfluger e o padre Marc Nely (primeiro e segundo assistente do superior geral, que naquele dia assistiram à Missa celebrada pelo Papa em Santa Marta [mas não concelebraram], de acordo com o que noticiou a agência IMedia).

O Papa estava à mesa de costume no refeitório da Casa Santa Marta; Fellay, com seus dois assistentes, Pozzo e Di Noia, estavam numa outra mesa. Quando Francisco se levantou ao fim do jantar, o superior da Fraternidade São Pio X fez o mesmo e caminhou em direção ao Papa, ajoelhando-se para pedir uma benção. O encontro foi, portanto, breve, não se tratou de nenhum audiência, nem de um longo colóquio face a face. Viver em Santa Marta permite e facilita ao Papa Bergoglio esse tipo de contato, mais ou menos casul.

Com o retorno, no último mês de agosto, de Dom Pozzo à “Ecclesia Dei, depois de um parêntese de alguns meses na Esmolaria Apostólica, era esperado que se pudesse reatar o diálogo entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X. Na Congregação para a Doutrina da Fé há, todavia, aqueles que reivindicam– depois de anos de diálogo e depois da não aceitação do preâmbulo doutrinal — um novo ato formal contra os lefebvrianos. No momento, parece, porém, prevalecer a linha de espera.

O jantar com Di Noia e Pozzo, e a benção papal, é um episódio certamente emblemático de acolhimento por Francisco. Seria, no entanto, um erro lhe atribuir excessiva importância em relação a eventuais desenvolvimentos sobre a posição dos lefebvrianos.

[Atualização - 12 de maio de 2014, às 12:35] A página oficial do Distrito da França da FSSPX faz o seguinte esclarecimento – tradução de Fratres in Unum.com:

Os Padres Pfluger e Nély nunca assistiram à missa privada do Papa e os jornalistas que o afirmam teriam muita dificuldade em indicar o dia dessa suposta assistência. Eis os fatos:

Em 13 de dezembro de 2013, Dom Fellay e seus assistentes foram a Roma, a pedido da Comissão Ecclesia Dei, para um encontro informal. Ao fim dessa reunião, Dom Guido Pozzo, Secretário da Comissão, convidou seus interlocutores para almoçar no refeitório da Casa Santa Marta, onde a eles se juntou Dom Augustin Di Noia, secretário adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé. É nesse amplo refeitório que o Papa faz suas refeições diárias, afastado de outros comensais.

Dom Pozzo apresentou Dom Fellay ao Papa no momento em que ele deixava o refeitório. Houve uma breve conversa onde Francisco disse a Dom Fellay, de acordo com a fórmula usual de polidez, “Estou muito feliz em conhecê-lo”; ao que Dom Fellay disse que rezava muito, e o papa lhe pediu para rezar por ele. Este foi o “encontro” que durou alguns segundos.

Na entrevista que concedeu a Rocher (abril-maio de 2014), Dom Fellay havia respondido à seguinte questão: Houve alguma aproximação oficial de Roma para retomar contato desde a eleição do Papa Francisco?  – “Houve uma aproximação ‘não-oficial’ de Roma para retomar contato conosco, mas nada mais e eu não solicitei uma audiência como eu pude fazer após a eleição de Bento XVI. Para mim, atualmente, as coisas são muito simples: nós permanecemos onde estamos. Alguns concluíram dos contatos realizados em 2012, que eu coloquei como princípio supremo a necessidade de um reconhecimento canônico. A preservação da fé e a nossa identidade católica tradicional é primordial e continua sendo nosso primeiro princípio”.

7 maio, 2014

Em defesa do intocável Concílio.

É única e exclusivamente para isso que trabalha o dicastério do Cardeal Braz de Avis: fustigar qualquer vestígio de “retrocesso” nas reformas conciliares. Retroceder, jamais! É preciso ir adiante na descristianização do mundo e na paganização da vida religiosa. Divulgamos, a seguir, as palavras do Secretário da Congregação para os Religiosos, Dom José Rodríguez Carballo – créditos da tradução a Blogonicus:

(InfoVaticana) O Secretário da Congregação para a Vida Consagrada, o franciscano José Rodríguez Carballo, número dois há um ano neste organismo vaticano encarregado da vida religiosa, esteve na Espanha neste final de semana para assistir à reunião da União dos Religiosos da Catalunha.

Nela, Carballo situou como um ponto importante da vida religiosa a fidelidade ao Vaticano II: Para consagrados o Concílio é um ponto que não pode ser negociado. E afirmou que aqueles que buscam nas reformas do Vaticano II todos os males da vida religiosa “negam a presença do Espírito Santo na Igreja“.

Explicou que na Congregação para a Vida Consagrada estão “especialmente preocupados” com este tema:estamos vendo verdadeiros desvios. Sobretudo porque “não poucos institutos dão não só uma formação pré-conciliar, mas também ante-conciliar. Isso não é admissível, é se colocar fora da história. É algo que nos preocupa muito na Congregação”.

7 maio, 2014

Cardeal Walter Kasper relata palavras do Papa Francisco sobre críticas a seu livro: “Isso entra por um ouvido e sai pelo outro”.

Cardeal Kasper, o “teólogo do Papa”, suaviza as críticas do Vaticano às religiosas americanas

IHU – O cardeal alemão que vem sendo chamado “o teólogo do papa” disse que a crítica aberta do Vaticano às religiosas americanas é típica da visão “mais estreita” que funcionários da Cúria Romana tendem a ter, e falou que as católicas estadunidenses não devem se preocupar excessivamente com o caso.

Cardeal Walter Kasper

Cardeal Walter Kasper

“Eu também sou considerado suspeito”, disse o cardeal Walter Kasper com uma risada durante evento ocorrido segunda-feira na Universidade de Fordham, EUA. “E não posso ajudá-las”, acrescentou, referindo-se aos críticos das irmãs em Roma.

A reportagem é de David Gibson, publicada por Religion News Service, 06-05-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Kasper, de 81 anos, atuou como o líder ecumênico do Vaticano sob os papas João Paulo II e Bento XVI. É considerado um aliado próximo do Papa Francisco. Quando este convocou os bispos para uma cúpula de dois dias a fim de tratar alguns temas relacionados com a família em fevereiro passado, pediu a Kasper para fazer uma fala de abertura dando o tom ao encontro.

Kasper pode refletir melhor a visão do atual papa do que as medidas duras aplicadas às religiosas americanas pelo escritório doutrinal. Assim como Francisco suavizou o foco dado às regras e a questões polêmicas num esforço para ampliar o apelo da Igreja, também Kasper sublinhou a importância da flexibilidade pastoral e do realismo para com os membros da Igreja, em suas vidas imperfeitas.

Kasper encontra-se nos Estados Unidos para divulgar seu livro intitulado “Mercy: The Essence of the Gospel and the Key to Christian Life” [Misericórdia: A essência do Evangelho e a chave para a vida cristã]. Nele há um pequeno texto escrito pelo Papa Francisco, quem fez da misericórdia a pedra angular de seu ministério desde que foi eleito no ano passado.

Na segunda-feira, Kasper disse ao público que após Francisco tê-lo enaltecido poucos dias depois de sua eleição [ndr: e o fez também no consistório, após um discurso polêmico de Kasper sobre a comunhão a "recasados", a despeito da oposição de grande número de cardeais], “um experiente cardeal se aproximou dele [do papa] e falou: ‘Santo Padre, o senhor não pode fazer isso! Há heresias neste livro’”.

Quando Francisco contou a história ao próprio Kasper, declarou ele, o pontífice sorriu e acrescentou: “Isso entra por um ouvido e sai pelo outro”.

Esta foi a forma de Kasper contextualizar a notícia de que o czar doutrinal do Vaticano, o cardeal Gerhard Müller, tinha criticado duramente as líderes de mais de 40 mil irmãs americanas por desobediência a Roma e por “erros fundamentais” em suas crenças.

A Congregação para a Doutrina da Fé liderada por Müller vem tentando controlar as irmãs americanas há dois anos. Acreditava-se que as conversações estavam indo bem, sobretudo após a eleição do Papa Francisco. Mas as críticas de Müller e a dura advertência de que elas precisam levar em conta suas exigências pareceram constituir um grande revés às esperanças.

Kasper disse ter esperanças de que o confronto entre o Vaticano e a Conferência de Liderança das Religiosas (Leadership Conference for Women Religious – LCWR) seja superado.

“Se tivermos algum problema com a liderança das ordens femininas, então teremos que ter uma conversa com elas. Precisamos dialogar com elas, ter uma troca de ideias”, disse. “Talvez elas precisem mudar alguma coisa. Talvez também a Congregação (para a Doutrina da Fé) precise mudar um pouco a sua maneira de ver as coisas. Esta é a maneira normal de se fazer as coisas na Igreja. Estou aqui para o diálogo. O diálogo pressupõe posições diferentes. A Igreja não é uma unidade monolítica”.

“Devemos estar em comunhão”, continuou Kasper, “o que também significa [estar] em diálogo com o outro. Espero que toda esta controvérsia termine com um bom, pacífico e significativo diálogo”.

Censurada pela Conferência Episcopal dos EUA, Johnson, teóloga, foi premiada pela LCWR e louvada por Kasper.

Censurada pela Conferência Episcopal dos EUA, Johnson, teóloga, foi premiada pela LCWR e louvada por Kasper.

Na Universidade de Fordham, Kasper também elogiou uma teóloga feminista americana, a Irmã Elizabeth Johnson, que deverá ser homenageada pelas irmãs americanas e a quem Müller escolheu para criticar.

Müller chamou a atenção da LCWR por decidir homenagear Johnson sem, antes, buscar a aprovação de Roma. Johnson, famosa teóloga que leciona na Fordham, foi repreendida pela comissão doutrinal dos bispos americanos em 2011 devido aos debates que ela propôs em seu livro para o público geral intitulado “Quest for the Living God” [A busca pelo Deus Vivo].

Quando perguntado sobre Johnson e uma outra teóloga feminista, Elisabeth Schussler Fiorenza, cujas opiniões também foram contestadas pela hierarquia da Igreja, Kasper falou que as conhece há anos e acrescentou: “Eu estimo as duas”.

Kasper – companheiro de confiança de seu colega alemão, o cardeal teólogo Joseph Ratzinger, que depois se tornaria Bento XVI – disse que as críticas fazem parte do discurso acadêmico, porém, acrescentou, a congregação doutrinal “vê, às vezes, algumas coisas de uma forma um pouco estreita”.

Disse que a crítica a Johnson “não é uma tragédia e que iremos superar”. Observou que São Tomás de Aquino, o teólogo da Idade Média hoje considerado um dos maiores pensadores da Igreja, foi condenado pelo seu bispo, tendo que viver à sombra durante anos.

“Então ela está em boa companhia”, Kasper disse a respeito de Johnson.

11 março, 2014

Um herói (marxistoide) no Vaticano.

Com informações de Catapulta | Tradução: Fratres in Unum.com (destaques do original) – “Na terça-feira passada, o fundador da Teologia da Libertação, a corrente católica de inspiração latino-americana que defende os pobres, foi recebido como um herói no Vaticano, no momento em que o outrora criticado movimento continua a sua reabilitação com o papa Francisco.

O reverendo Gustavo Gutiérrez Merino, do Peru, foi o orador surpresa nessa terça-feira, no lançamento de um livro, que contou com a participação do cardeal Gerhard Mueller, chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, entidade encarregada de cuidar para que os sacerdotes não se afastem dos ensinamentos centrais da Igreja; do cardeal Óscar Rodríguez (Maradiaga) um dos principais assessores do Papa, e do porta-voz do Vaticano”

http://www.jornada.unam.mx/2014/02/27/mundo/

Vatican Insider fornece mais detalhes sobre a apresentação do livro:

“Pobre e para os pobres”. As palavras do Papa são também o título do mais recente livro de Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. (que aparece na foto vestindo um poncho). Um texto que parece ser o passo definitivo em direção a uma Teologia da Libertação “normalizada”. A edição, que conta com o prólogo de Francisco, foi apresentada em um auditório do Vaticano…

Müller é o principal artífice dessa “normalização” de uma corrente de pensamento que ainda provoca debates acalorados na América Latina. Ele é amigo pessoal de Gutiérrez, “pai” dessa teologia, há décadas. Após a apresentação do livro, o brilhante cardeal alemão explicou aos jornalistas porque ele a apoia sem duvidar.

http://vaticaninsider.lastampa.it/es/en-el-mundo/dettagliospain/articolo/teologia-della-liberazione-teologia-de-la-liberacion-32380/

Agora vamos lá, em 1973 o fundador Gutiérrez publicou Fe cristiana e cambio social, onde aparecem as seguintes pérolas “católicas” e das quais nunca se arrependeu:

 “… a luta de classes é um fato, e é impossível manter a neutralidade nesse tema”.

“… não há nada mais certo do que um fato. Ignorá-lo é enganar e deixar-se enganar e, além disso, privar-se dos meios necessários para eliminar verdadeira e radicalmente essa condição ‒ ou seja, avançar até uma sociedade sem classes“.

“Participar da luta de classes não somente não se opõe ao amor universal; hoje em dia, esse compromisso é o meio necessário e inevitável para concretizar esse amor, uma vez que essa participação é o que conduz a uma sociedade sem classes, uma sociedade sem proprietários e despossuídos, sem opressores e oprimidos”.

“… a missão da Igreja se define prática e teoricamente, pastoral e teologicamente, em relação… ao processo revolucionário. Ou seja, a sua missão se define mais pelo contexto político do que por problemas intra-eclesiais”.

“… a luta de classes existe dentro da mesma Igreja… a unidade da Igreja (é)… um mito que deve desaparecer se a Igreja é “reconvertida” ao serviço dos trabalhadores na luta de classes”.

No mundo atual a solidariedade e o protesto de que falamos têm um evidente e inevitável caráter político, tanto que têm um significado libertador. Optar pelo oprimido é optar contra o opressor. Em nossos dias e em nosso continente, solidarizar-se com o pobre assim entendido, significa correr riscos pessoais… É o que ocorre a muitos cristãos – e não cristãos – no processo revolucionário latino-americano”. (Ver Postagem de 11 de setembro de 2013 “MÁS ALIENTO A LA REVOLUÇÃO” http://www.catapulta.com.ar/?p=11414)

7 março, 2014

Efeito Francisco segundo Ravasi.

Cardeal Gianfranco Ravasi.

Cardeal Ravasi.

“Num mundo em que os políticos são vistos como uma casta, o Papa, ao contrário, tenta se aproximar.

Com Bento XVI, as audiências duravam 40 minutos e a volta da praça [de papamóvel], 10.

Francisco fala dez minutos e passeia entre os fiéis durante uma hora, ouvindo-os”.

Palavras do Cardeal Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, outrora papabile, sobre a “a originalidade do Papa Francisco”.