Archive for ‘Cúria Romana’

17 dezembro, 2014

Relatório sobre as irmãs norte-americanas enfatiza a “gratidão” e reflete mudanças no Vaticano.

IHU – O relatório do Vaticano dessa terça-feira sobre a investigação das ordens religiosas femininas dos Estados Unidos (disponível aqui, em inglês) foi amplamente positivo no tom, em contraste com as declarações emitidas quando a investigação começou em 2009.

A nota é de John Thavis, publicada no seu blog, 16-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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Naquela época, o cardeal Franc Rodé, que dirigia a Congregação vaticana para as ordens religiosas, disse que o estudo tinha como objetivo identificar atitudes “seculares” e “feministas” que tinham se infiltrado nas ordens das freiras e ajudaram a provocar um drástico declínio no número de membros.

O relatório dessa terça-feira não vai nesse sentido. Em vez disso, delineia desafios reais enfrentados pelas ordens religiosas, ao mesmo tempo em que agradece repetidamente as irmãs pelo seu serviço ao Evangelho.

Essa abordagem equilibrada reflete uma mudança de guarda no Vaticano – mas é uma mudança que começou com o Papa Bento XVI. Em 2011, Bento XVI nomeou o cardeal brasileiro João Braz de Aviz para substituir o cardeal Rodé. O cardeal brasileiro assumiu a investigação das religiosas, mas adotou uma abordagem muito mais conciliatória.

Eu acho que o relatório equilibrado dessa terça-feira foi praticamente uma conclusão antecipada, tendo em vista a liderança continuada do cardeal Braz de Aviz na Congregação vaticana para as ordens religiosas e dado que o Papa Francisco claramente quer a paz com as irmãs norte-americanas.

No entanto, parece haver uma dinâmica do “bom policial, mau policial” que ainda perdura no Vaticano. Uma investigação separada do Vaticano sobre a Leadership Conference of Women Religious (LCWR), a maior associação de irmãs norte-americanas, foi realizada pela Congregação doutrinal e tem sido muito mais crítica.

Em 2012, a Congregação doutrinal emitiu uma “avaliação doutrinal” e insistiu em grandes mudanças na LCWR para garantir que a organização se alinhe com o ensinamento católico em áreas como a ordenação de mulheres, a homossexualidade, o aborto e a eutanásia.

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O cabo de guerra sobre a implementação dessas mudanças continua. No ano passado, em uma rara demonstração de pontos de vista divergentes nos níveis mais altos do Vaticano, o cardeal Braz de Aviz criticou a forma como a revisão da LCWR foi conduzida. Isso levou a uma rápida declaração do Vaticano, que tentou minimizar qualquer desacordo entre Braz de Aviz e o cardinal Gerhard Müller, presidente da Congregação doutrinal.

O cardeal Müller não afrouxou, no entanto. Alguns meses atrás, ele repreendeu a LCWR por ter adotado ideias que ele disse que levam a “erros fundamentais” sobre “a onipotência de Deus, a encarnação de Cristo, a realidade do pecado original, a necessidade de salvação e o caráter definitivo da ação salvífica de Cristo”.

A LCWR está trabalhando com o arcebispo de Seattle, J. Peter Sartain, que foi nomeado em 2012 para implementar a avaliação doutrinal. Depois de se encontrar com o arcebispo em agosto passado, a LCWR emitiu um comunicado que dizia em parte: “Continuaremos a conversa com o arcebispo Sartain como uma expressão de esperança de que novas formas possam ser criadas dentro da Igreja para uma discussão saudável das diferenças”.

17 outubro, 2014

Relatórios dos grupos de discussão do Sínodo querem mais contexto doutrinal e linguagem “profética” no documento final.

Relatórios das Comissões divididas por idiomas representam um ataque à “busca por um populismo complacente que silencia e amordaça” ensinamento da Igreja.

Por John Thavis, 16 de outubro de 2014| Tradução: Fabiano Rollim – Fratres in Unum.com: Relatórios dos 10 grupos de discussão do Sínodo dos Bispos estão surgindo [ndt: foram publicadas ontem], e muitos deles se opõem seriamente a um relatório preliminar – a relatio post disceptationem – que há apenas três dias parecia inaugurar um novo capítulo na tentativa de aproximar a Igreja de casais que coabitam sem ter o sacramento do matrimônio, de casais de pessoas divorciadas e de “casais” gays.

Esses relatórios, vistos como um todo, representam um verdadeiro teste para o Evangelho da “misericórdia” pregado pelo Papa Francisco, porque não apenas articulam o desejo por uma qualificação doutrinal no documento do sínodo, mas também criticam o que um grupo de discussão chamou de “busca por um populismo complacente que silencia e amordaça” o que a Igreja ensina sobre o casamento e a família. Mais de uma pessoa observou que o termo “populismo complacente” talvez seja direcionado em parte ao próprio Papa Francisco.

Os relatórios foram apresentados à assembleia do Sínodo após quatro dias de discussão, juntamente com várias centenas de propostas de correções para a relatio preliminar. É certo que tais relatórios refletem um processo estabelecido para melhorar a relatio, de forma que era esperado que se encontrassem pedidos de esclarecimentos, muitos dos quais parecendo ser apoiados pela maioria, e não endossos acalorados do texto.

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16 outubro, 2014

Sínodo: os bilhetinhos do Papa.

Qual seria o conteúdo dos bilhetinhos que o Papa Francisco escrevia e mandava ao Secretário Geral do Sínodo, o cardeal Lorenzo Baldisseri, durante as assembléias sinodais? Curiosidade sem esperança. Segundo o presidente da Conferência dos bispos poloneses, o relatório lido ontem no Sínodo: “inaceitável para muitos bispos”.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Infelizmente esse é um desejo impossível de ser realizado, mas eu pagaria não pouco para saber o que estava escrito nos bilhetinhos que durante a assembléia do sínodo, Papa Francisco escrevia e, em seguida, enviava ao Secretário-Geral do Sínodo, o cardeal Lorenzo Baldisseri.

Bergoglio e Baldisseri recém-criado cardeal.

Bergoglio e Baldisseri recém-criado cardeal.

O Cardeal Baldisseri lia, tomava nota e em seguida retornava a mensagem ao Papa, que a metia no bolso. Esse é um fenômeno que se repetiu muitas vezes nos dias de reunião da Assembléia Geral do Sínodo, e que foi observado por vários participantes. Ele deu origem à impressão de que o Papa estava passando as disposições ao Secretário-Geral.

Desde ontem, os Padres estão nas Comissões Linguísticas. Mas entre os Padres sinodais, há um mal-estar generalizado com relação à gestão global do Sínodo, e pelo fato de que muitos não se reconhecem no documento, assinado pelo Cardeal Erdo, mas escrito por outros, o que marcou o fim da primeira fase da Assembléia Geral.

O mesmo Erdo sublinhou a sua alienação parcial, indicando o Arcebispo Bruno Forte como o autor das passagens relativas à homossexualidade.

É um mal-estar presente em várias personalidades de destaque, como deixou claro o Presidente da Conferência Episcopal polonesa, Cardeal Gadecki.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o prelado afirmou sem meio-termos que a “Relatio” apresentada ontem é “inaceitável para muitos bispos e se distancia do magistério de Papas anteriores, contém traços de uma ideologia anti-matrimonial e demonstra uma falta de visão clara da parte da Assembléia sinodal”. Em sua entrevista, Dom Gadecki ressalta que “o ponto que trata da possibilidade de casais do mesmo se responsabilizarem por crianças é apresentado como algo aceitável. É um dos erros do texto, ao invés de incentivar a fidelidade e os valores familiares, aceitar as coisas como elas se apresentam. Dá a impressão de que o ensino da Igreja tenha sido até agora implacável e só agora se começa a ensinar a misericórdia”.

16 outubro, 2014

Sínodo, outra censura. Protestos.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Fratres in Unum.com – Uma outra censura, e os Padres Sinodais se rebelam.

A Secretaria Geral do Sínodo havia anunciado sua decisão de não publicar os relatórios dos Circuli Minores.

O Cardeal Erdo tomou a palavra, tomando implicitamente distância do relatório que trazia sua assinatura, e dizendo que, se aquela “disceptatio” havia sido publicada, deveria-se publicar também a dos Circuli Minores, as Comissões.

A sua intervenção foi seguida por uma chuva de numerosas outras no mesmo tom, reforçada por aplausos trovejantes.

O Secretário do Sínodo, Cardeal Baldisseri, olhava para o Papa, como que a procura de conselho e luzes, e o Papa permanecia calado e sério.

Mudos também o sub-secretário do Sínodo, Fabene, Forte, Schönborn e Maradiaga.

Kasper não estava lá.

Por fim, o padre Lombardi anunciou que os relatórios das comissões seriam publicados.

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16 outubro, 2014

Curtas do Sínodo.

Pressão kasperiana

Da coluna de hoje de Marco Tossatti: “Nestas horas, e desde ontem, está em ato uma ação de pressão por parte dos partidários da linha Kasper nos Circuli Minores, para mover a opinião dos bispos indecisos ou contrários, mas talvez manobráveis​​ […], tendo em conta a votação de sábado do relatório final do Sínodo. Kasper disse em entrevista que espera formar uma maioria favorável. E os membros da “coluna Kasper” estão trabalhando nesse sentido. Nos pequenos grupos, tem sido notado que quando um dos kasperianos se ausenta por algum motivo, é imediatamente substituído por outro. O Cardeal Marx foi ouvido, comentando em voz alta que para ele é incompreensível como os Padres sinodais sejam mais ligados à tradição que o Papa. É razoável supor que os discursos na Aula não tenham sido publicados porque seria mais difícil, posteriormente, explicar as mudanças de orientação, devido à “persuasão moral” realizada neste momento”.

Continua o vaticanista do La Stampa: “Os bispos, apesar de muitos deles privadamente verem os mecanismos, expressarem sentimentos não idílicos à Secretaria do Sínodo que os organiza e gerencia, e serem contra a linha imposta, estão cientes de um estilo de governo que pune implacavelmente aqueles que não podem, ou não foram rápidos ou críveis o bastante ao se alinhar ao novo estilo. Confirmam-no os casos de Burke, Piacenza, Canizares, Morga, entre os mais notórios. E os bispos vêem que aqueles que há alguns anos abanavam o rabo teologicamente diante de Bento XVI, encontraram em Francesco as honras aspiradas.”

“Tendencioso e incompleto”

Assim o Cardeal George Pell qualificou o relatório preliminar do Sínodo. Para o purpurado australiano, o documento é um resumo “incompleto” do que foi discutido no Sínodo e precisa ser “melhorado e corrigido”.

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Segundo Pell, três quartos dos participantes do sínodo que intervieram após a divulgação da relatio citaram problemas do texto. “A questão da Comunhão para divorciados recasados é só a ponta do iceberg”, disse ao The Tablet. “Ao procurarem ser misericordiosos, alguns querem abrir o ensinamento da Igreja sobre o casamento, divórcio, uniões civis, homossexualidade, em uma direção radicalmente liberalizante, cujos frutos nós vemos em outras tradições cristãs”, concluiu o responsável pelas finanças do Vaticano.

Até Dolan

Da matéria da AP: ‹‹ O Cardeal americano Timothy Dolan disse que seu compatriota, o cardeal linha dura Raymond Burke, refletiu o ponto de vista de “muitas pessoas ao dizer que este documento é um rascunho bruto que precisa de revisões maiores. Penso que ele tem razão; ele retomou o que sentem muitos bispos, inclusive eu, de que são necessárias algumas correções maiores”, disse Dolan ao programa CBS This Morning. ››

Pergunte a ele

Questionado na conferência de imprensa após a divulgação do Relatório, o Cardeal Peter Erdo, relator geral, apontou Dom Bruno Forte, Arcebispo de Chieti-Vasti e secretário especial do Sínodo, como autor do polêmico trecho sobre os homossexuais: “Pergunte a ele, o autor deve saber do que está falando”.

“La sinodalidad soy yo”

Segundo a Associated Press, o porta-voz da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, SJ, declarou que se lembrava de um único discurso sobre o homossexualismo, de um total de 265 intervenções dos bispos durante os debates.

Piadista

Da matéria de Aleteia: “O arcebispo de Chieti-Vasto, Bruno Forte, disse que o trabalho ainda está em curso, o documento foi um exercício de sinodalidade, como foi pedido pelo Papa Francisco […] O arcebispo comentou que durante as colocações e intervenções se sentia o espírito do Concílio Vaticano II”. Percebe-se claramente!

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15 outubro, 2014

O Sínodo em frases.

Archbishop Raymond Burke“A meu ver, tal declaração [doutrinal do Papa Francisco em defesa da moral cristã] está muito atrasada. O debate sobre essas questões foi avançando faz quase nove meses, especialmente nos meios de comunicação seculares, mas também através dos discursos e entrevistas do Cardeal Walter Kasper e de outros que apoiam a sua posição. Os fiéis e os seus bons pastores estão a espera que o Vigário de Cristo, confirme a sua fé Católica e a prática a respeito do casamento, que é a primeira célula da vida da Igreja.”

Do Cardeal Raymond Leo Burke em entrevista a Catholic World Report

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“Acho que existe uma contradição flagrante no fato de que fora da Sala do Sínodo os bispos podem conceder entrevistas livremente, ao passo que suas intervenções na sala não podem ser públicas […] Além disso, havia a intenção de romper com uma tradição que é própria da Igreja… Não interessa se alguns não estão de acordo com esta minha opinião. Eu falo o que quero, mas acima de tudo eu falo o que preciso dizer como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ademais, não fiz nada mais do que dar voz aos protestos de muitos fiéis de muitas nações, que têm escrito para mim com relação a este assunto, e que têm o direito de saber como seus bispos pensam. Por que foi necessário modificá-lo?”

Do Cardeal Gerhard Ludwig Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

15 outubro, 2014

Voice of the Family: relatório é uma “traição”. Kasper deveria se desculpar por comentários desdenhosos sobre bispos africanos.

Católicos Pró-família rejeitam o relatório preliminar do Sínodo, chamando-o de “traição”

Voice of the Family, uma coalizão de 15 grupos internacionais pró-família, emitiu um comunicado na segunda-feira de manhã. 

Por LifeSiteNews | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – O relatório preliminar do Sínodo Extraordinário sobre a Família não passa de uma “traição” aos valores católicos e familiares, disse um influente grupo pró-vida.

Falando com todas as letras, o porta-voz britânico do Voice of the Family, John Smeaton, disse que “aqueles que estão controlando o Sínodo traíram os pais católicos. O relatório preliminar do Sínodo é um dos piores documentos oficiais elaborados na história da Igreja.”

“Felizmente,” disse Smeaton, “o relatório é preliminar para fins de discussão, ao invés de uma proposta definitiva.”

Da mesma forma, o representante irlandês Patrick Buckley disse que o relatório “representa um ataque ao matrimônio e à família” ao “efetivamente dar uma aprovação tácita às relações adúlteras.” Além disso, “o relatório enfraquece o ensinamento definitivo da Igreja contra a contracepção e deixa de reconhecer que a inclinação homossexual é objetivamente desordenada,” disse Buckley.

Patrick Craine, porta-voz americano do Voice of the Family, disse que o relatório “não constitui uma representação fiel das discussões sinodais. Muitos padres sinodais têm defendido bravamente o ensinamento da Igreja dentro e fora da Sala do Sínodo, ainda que a posição deles dificilmente esteja refletida no documento.”

“O relatório está certo ao pedir solicitude pastoral,” disse Craine, “porém, conforme enfatizava o Cardeal Ratzinger, solicitude só pode ser realizada na verdade. Da maneira como está redigido, o documento enfraquece o zelo pastoral autêntico e só pode causar danos graves, neste mundo e no que há de vir, àqueles a quem pretende ajudar.”

“Dar a Sagrada Comunhão a pessoas que não se arrependem de pecados sexuais mortais seria uma falsa misericórdia,” disse a coordenadora do Voice of the Family, Maria Madise, que afirmou que o relatório enfraquece as famílias católicas. “Será que os pais católicos serão forçados a dizer falsamente aos seus filhos que pecados mortais como o uso da contracepção, coabitação com parceiros ou vivência de estilos de vida homossexuais têm atributos positivos?”

“A misericórdia real consiste em oferecer às pessoas uma consciência limpa através do Sacramento da Penitência e, assim, a união com Deus,” concluiu Madise.

“É essencial que as vozes dos fiéis leigos que sinceramente vivem o ensinamento católico também sejam levadas em consideração,” disse Smeaton. “O Voice of the Family recomenda que os católicos não sejam complacentes ou cedam a um falso sentido de obediência em face dos ataques aos princípios fundamentais da lei natural no Sínodo.”

Sobre o Voice of the Family:

O Voice of the Family é uma coalizão leiga internacional formada pelas principais organizações pró-vida e pró-família para oferecer conhecimentos especializados e recursos aos líderes da Igreja, à mídia, a ONGs e governos antes, durante e depois do Sínodo sobre a Família da Igreja Católica. Essa coalizão inclui 18 influentes grupos pró-vida e pró-família em todo o mundo. Seus princípios estão concentrados na mudança da Cultura da Morte através do matrimônio sacramental, oposição à contracepção e ao aborto, bem como na capacitação dos pais.

O Voice of the Family consiste de 18 organizações associadas provenientes de 18 nações nos cinco continentes. Seus membros são: Alfa Szövetség/Alpha Alliance, Campagne Québec-Vie, Campaign Life Catholics, Campaign Life Coalition Canada, Catholic Democrats, Catholic Voice, CENAP, Culture of Life Africa, European Life Network, Famiglia Domani, Family Life International NZ, Hnutí Pro život ČR, Human Life International (HLI), Liga pár páru ČR, LifeSiteNews.com, National Association of Catholic Families (NACF), Profesionales por la Ética e Society for the Protection of Unborn Children (SPUC).

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Cardeal Kasper deveria se desculpar por comentários desdenhosos sobre bispos africanos, diz coalizão pró-família.

Por The Voice of the Family | Tradução: Fratres in Unum.com – O Cardeal Walter Kasper deveria se desculpar por comentários desdenhosos feitos em uma entrevista, publicada hoje, sobre os bispos africanos e seu papel no Sínodo sobre a Família.

O Cardeal afirmou que os bispos africanos “não deveriam nos dizer muito o que devemos fazer” (Ver a nota dos editores abaixo). Kasper falava sobre a oposição dos bispos africanos à agenda homossexual. Esta agenda foi inserida no relatório preliminar do sínodo, publicado na segunda-feira para ampla perplexidade.

Maria Madise, coordenadora do Voice of the Family afirmou: “O Cardeal Kasper deveria pedir desculpas por seus comentários desdenhosos sobre os bispos africanos. Eles são condescendentes e discriminatórios. Os comentários de Kasper são similares aos que ele fez em 2010, quando disse que “quando você desembarca no aeroporto de Heathrow [em Londres], você às vezes pensa que desembarcou em um país de Terceiro Mundo”. (Ver “Pope aide pulls out of trip after Third World jibe“, BBC, 15 de setembro de 2010)

A Sra. Madise acrescentou: “Os bispos africanos têm o mesmo status no sínodo e têm todo direito de dizer que a Igreja universal deve manter sua oposição à agenda homossexual”.

Em junho, John Smeaton, co-fundador do Voice of the Family, foi aplaudido de pé pelos bispos da Nigéria por um discurso no qual ele os louvava, bem como a seus países, por sua cultura pro-família. O Sr. Smeaton declarou: “Os bispos de todo o mundo deveriam seguir a liderança e o discurso claro dos bispos nigerianos por políticas firmes contra a subversão da verdade e do significado da sexualidade humana”.

Nota dos Editores:

Da entrevista com o Cardeal Walter Kasper, por Edward Pentin, Zenit, 15 de outubro de 2014:

[Kasper]: O problema, também, é que há diferentes problemas de diferentes continentes e diferentes culturas. A África é totalmente diferente do Ocidente. Também os países asiáticos e muçulmanos são muito diferentes, especialmente sobre os gays. Não se pode falar sobre isso com africanos ou pessoas de países muçulmanos. Não é possível, é um tabu. Para nós, nós dizemos que não se deve discriminar, nós não queremos discriminar a certos respeitos.

[Pentin]: Mas os participantes africanos são ouvidos a este respeito [no sínodo]?

[Kasper]: Não, a maioria deles [que defende essas posições não falarão sobre elas].

[Pentin]: Não são ouvidos?

[Kasper]: Na África, claro que sim, onde isso é um tabu.

[Pentin]: Para o senhor, o que mudou a respeito da metodologia desse sínodo?

[Kasper]: Creio que, ao fim, deve haver uma linha geral na Igreja, um critério geral, mas as questões da África nós não podemos resolver. Deve haver espaço também para as conferências episcopais locais resolverem seus problemas, mas eu diria que com a África é impossível [para nós resolvermos]. Mas eles não deveriam nos dizer muito o que devemos fazer.

15 outubro, 2014

Müller: A censura. Relatório: “Indigno, vergonhoso, completamente errado”.

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Gerhard Mueller, se pronunciou contra a censura imposta às intervenções dos participantes do Sínodo. Um bispo: a proposta de Kasper é um remédio pior que a doença.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Gerhard Müller, se pronunciou contra a censura imposta às intervenções dos participantes do Sínodo. De acordo com o que foi divulgado pela AP (Associated Press), o purpurado alemão disse a uma emissora de TV católica presente em alguns momentos dos trabalhos sinodais que “todos os cristãos têm o direito de serem informados sobre as intervenções de seus bispos. “

Atualmente, no entanto, as informações sobre o Sínodo são fornecidas pelo Diretor da Sala de Imprensa, padre Federico Lombardi, assistido por um sacerdote de língua inglesa (Padre Rosica) e por outro de língua espanhola. Na conferência de imprensa se oferece um panorama geral da jornada, indicando temas, mas não as intervenções de maneira explícita, nem tampouco os autores das intervenções.
E isso é lamentável, porque certamente houve intervenções que merecem ser conhecidas com mais detalhes. Assim, como por exemplo, aquela de um bispo que criticou duramente a proposta do cardeal Kasper de dar a Eucaristia aos divorciados novamente casados​​, afirmando que se trata de “um remédio pior que a doença.”
Enquanto outro observou que o cuidado pastoral com os divorciados deve deixar claro que se trata de pessoas já casadas e que antes de 2014 já existiam Papas na Igreja e não se pode dizer que eles não eram misericordiosos. Um outro observou que, além de ficar sempre repetindo “misericórdia”, devemos evangelizar mais, que se menciona frequentemente a necessidade de formação, mas depois a ignoram pelo medo de sermos mal entendidos. Ao que o cardeal Kasper repetiu que sim, foi ele que tomou a iniciativa, mas primeiro consultou o Papa…

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Segundo o jornal La Repubblica [creditos: Rorate-Caeli], o Cardeal Muller assim qualificou o Relatório Pós-Debate em uma discussão nos circuli minores (grupos de discussão dentro do Sínodo divididos por idiomas): “Indigno, vergonhoso, completamente errado”.

15 outubro, 2014

A fé não se decide por votos.

Cardeal Burke contra a “manipulação” informativa do Sínodo. E muito claro sobre todo o resto. 

Por Alessandro Gnocchi, Il Foglio, 13 de outubro de 2014 | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – O Cardeal Raymond Leo Burke agrada pouco ou nada ao mundo. E, se possível, ainda menos à Igreja que agrada ao mundo. Por outro lado, este americano de 66 anos natural de Richland Center, Wisconsin, faz todo o possível para ser catolicamente bem sucedido em sua tentativa de incendiar as consciências cristãs muito propensas à apatia. Participa nas marchas pela vida, diz que não dará a Comunhão a políticos que apoiam leis a favor do aborto, denuncia o rápido avanço da agenda homossexual, deixa claro ao Papa Francisco que a defesa de princípios não-negociáveis não é uma moda sujeita aos caprichos dos pontífices e apoia a missa no rito tradicional. Recentemente, assinou o livro coletivo “Permanecer na verdade de Cristo. Casamento e comunhão na Igreja Católica”, escrito em conflito aberto com as misericordiosas aberturas do Cardeal Walter Kasper sobre a família e comunhão para divorciados recasados. Não é de se estranhar então, que a remodelação da Cúria pensada por Bergoglio prevê que o Prefeito da Assinatura Apostólica venha agora a ser exilado como o Cardeal encarregado da Ordem Soberana de Malta. Mas, enquanto isso, no Sínodo sobre a família, esse finíssimo canonista, filho da América rural, assumiu o papel de opositor diante da revolução atribuída sem desmentidos à homens de confiança do Papa. Como se recita na antiga “bíblia poliglota” aberta sobre a estante de seu escritório na página do Eclesiastes: “Cada coisa tem o seu tempo (…) há um tempo para calar  e um tempo para falar.”

Alessandro Gnocchi: O que se pode ver além da cortina midiática que envolve o Sínodo? 

Cardeal R. L. Burke: Emerge uma tendência preocupante porque alguns defendem a possibilidade de se adotar uma prática que desvia da verdade da fé. Ainda que seja evidente que não se pode proceder desta forma, muitos encorajam perigosas aberturas sobre essas questões, como a concessão da comunhão a divorciados novamente casados. Eu não vejo como se pode conciliar o conceito irreformável da indissolubilidade do matrimônio com a possibilidade de se admitir à comunhão quem vive em situação irregular. Aqui se põe diretamente em discussão aquilo que já nos disse Nosso Senhor quando ensinava que aquele que se divorcia de sua mulher e se casa com outra comete adultério.

De acordo com os reformadores esse ensinamento se tornou duro demais. 

Esquecem-se de que o Senhor assegura o auxílio da graça àqueles que são chamados a viver o Sacramento do matrimônio. Isso não significa que não terão dificuldades e sofrimento, mas sempre haverá uma ajuda divina para resolvê-los e ser fiel até o fim.

Parece que a sua é uma posição minoritária… 

Há alguns dias atrás eu assisti um programa em que o Cardeal Kasper disse que se está caminhando na direção certa para a abertura. Em poucas palavras, 5.700.000 italianos que acompanharam a transmissão, assumiram a idéia de que todo o Sínodo marcha nessa linha, que a Igreja está prestes a mudar a sua doutrina sobre o matrimônio. Mas isso simplesmente não é possível. Muitos bispos estão intervindo para dizer que não se pode admitir mudanças.

Mas, não é isso que emerge da conferência de imprensa diária da sala de imprensa do Vaticano e isso foi algo lamentado até pelo Cardeal Müller. 

Eu não sei como é concebida a conferência de imprensa, mas parece-me que algo não funciona bem se a informação é manipulada de modo a dar destaque apenas a uma tese ao invés de divulgar fielmente as várias posições expostas. E isso muito me preocupa, porque um número consistente de bispos não aceita a idéia de abertura e poucos sabem disso. Só se fala sobre a necessidade da Igreja se abrir às instâncias do mundo conforme anunciado em fevereiro pelo cardeal Kasper. Na verdade, a sua tese sobre os temas da família e uma nova disciplina para a comunhão aos divorciados recasados não é nova, ela já havia sido discutida há trinta anos. A partir de fevereiro, recuperou força e foi culposamente permitida que voltasse a crescer. Mas, tudo isso tem que parar porque provoca sérios danos à fé. Bispos e sacerdotes vêm me dizer que agora muitos divorciados recasados estão pedindo que sejam admitidos à comunhão porque assim o quer Papa Francisco. Na realidade, vejo que até agora ele não se pronunciou sobre o assunto.

Mas parece evidente que o cardeal Kasper e todos aqueles que seguem sua linha dizem que eles têm o apoio do Papa. 

Isso sim. O Santo Padre nomeou o Cardeal Kasper para o Sínodo e deixou que o debate seguisse sobre esse trilho. Mas, como disse um outro cardeal, o papa ainda não se pronunciou. Eu estou esperando por um pronunciamento dele, que só pode ser em continuidade com o ensinamento dado pela Igreja ao longo de toda a sua história. Um ensinamento que nunca mudou porque não pode mudar.

Alguns prelados que apóiam a doutrina tradicional dizem que se o Papa resolvesse fazer mudanças, eles iriam aceitá-las. Isso não é uma contradição? 

Sim, é uma contradição, porque o Pontífice é o Vigário de Cristo na terra e, portanto, o primeiro servidor da verdade da fé. Conhecendo o ensinamento de Cristo, eu não vejo como se possa desviar daquele ensinamento com uma declaração doutrinal ou práticas pastorais que ignoram a verdade.

A ênfase colocada por esse Pontífice na misericórdia como sendo a mais importante, senão a única idéia de orientação da Igreja, não contribui para sustentar a ilusão de que podemos praticar uma pastoral divorciada da doutrina? 

É difundida a idéia de que pode existir uma Igreja misericordiosa que não respeita a verdade. Mas, o que me ofende profundamente é a idéia de que até agora bispos e sacerdotes não tenham sido misericordiosos. Eu cresci em uma área rural dos Estados Unidos, e eu me lembro bem que quando eu era menino, na nossa paróquia, havia um casal de uma fazenda vizinha que vinha sempre à missa em nossa igreja, mas nunca recebiam a comunhão. Na medida que fui crescendo perguntei ao meu pai o porque e meu pai com muita naturalidade me explicou que eles viviam em situação irregular e aceitavam não terem acesso à Comunhão. O pároco era muito gentil com eles, muito misericordioso e aplicava a sua misericórdia em fazer de tudo para que o casal voltasse a ter uma vida de acordo com a fé católica. Sem a verdade não pode haver verdadeira misericórdia. Meus pais sempre me ensinaram que se amamos o pecador, devemos odiar o pecado e fazer de tudo para arrancar os pecadores do mal em que vivem.

Em seu escritório, há uma estátua do Sagrado Coração, em sua capela, acima do altar, há uma outra imagem do Coração de Jesus, o seu lema episcopal é “Secundum Cor Tuum”. Então, um bispo pode manter unidas misericórdia e doutrina…

Sim, é junto à fonte incessante e inesgotável da verdade e da caridade, isto é, a partir do glorioso Coração trespassado de Jesus, que o sacerdote encontra a sabedoria e força para conduzir o rebanho na verdade e na caridade. O Cura d’Ars definia o sacerdote como o amor do Sagrado Coração de Jesus. O sacerdote que está unido ao Sagrado Coração de Jesus não sucumbirá à tentação de dizer ao rebanho palavras diferentes daquelas que Cristo infalivelmente transmitiu à sua Igreja, não cairá na tentação de substituir as palavras da sã doutrina com uma linguagem confusa e facilmente errônea.

Mas os reformistas argumentam que a caridade, para a Igreja, consiste em seguir o mundo. 

Esta é a pedra angular dos argumentos daqueles que querem mudar a doutrina ou a disciplina. Isso muito me preocupa. Se diz que os tempos estão muito mudados, que já não se pode falar da lei natural, da indissolubilidade do matrimônio… Mas, o homem não mudou, continua a ser como Deus planejou. Claro, o mundo tornou-se secularizado, mas este é mais um motivo para se dizer a verdade de forma alta e clara. É nosso dever, mas para fazê-lo, como nos ensinou São João Paulo II na Evangelium Vitae, é preciso chamar as coisas pelo seu nome, não podemos usar uma linguagem ambígua para agradar o mundo.

A clareza não parece ser uma prioridade para os reformadores, se por exemplo, não veêm contradição quando sustentam que os divorciados recasados podem receber a comunhão, contanto que reconheçam a indissolubilidade do matrimônio. 

Se alguém sinceramente reitera a indissolubilidade do matrimônio só pode corrigir a condição irregular em que se encontra ou abster-se da comunhão. Não há meio termo.

Nem mesmo o chamado “divórcio ortodoxo”? 

A praxis ortodoxa da economia ou do segundo ou terceiro matrimônio penitencial é historicamente e atualmente muito complexa. De qualquer modo, a Igreja Católica, que sabe dessa prática há séculos, nunca a adotou, em virtude das palavras de Nosso senhor recordadas no Evangelho segundo São Mateus (19, 9).

Você não acha que, se devessem conceder esta abertura, seria criado precedente para muitas outras? 

Certamente. Agora se diz que isso só será concedido em alguns casos. Mas quem conhece um pouco os homens sabe que quando se cede em um caso, se cede em todos os outros. Se for admitida como lícita a união entre divorciados recasados, se abrirá então as portas a todo tipo de união que não está em conformidade com a lei de Deus, porque será eliminado o baluarte conceitual que protege a boa doutrina e a boa pastoral que daí deriva.

Os reformadores frequentemente falam de um Jesus disposto a tolerar o pecado, para  caminhar ao encontro dos homens. Mas era assim? 

Um tal Jesus é uma invenção que não tem respaldo algum nos Evangelhos. Basta pensar no confronto com o mundo no Evangelho de São João. Jesus foi o maior opositor do seu tempo e ainda o é também nos tempos de hoje. Pense no que Ele disse à mulher flagrada em adultério: “Nem eu te condeno, vá e de agora em diante não peques mais “(Jo 8, 11).

Admitir  à comunhão divorciados recasados mina Sacramento do Matrimônio, mas também o Sacramento da Eucaristia. Não lhe parece uma consequência que toca o próprio coração da igreja? 

Na Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 11, São Paulo ensina que aqueles que recebem a Eucaristia em estado de pecado comem sua própria condenação. Acesso à Eucaristia significa estar em comunhão com Cristo, ou seja, se conformar a Ele. Muitos se opõem à idéia de que a Eucaristia não é o Sacramento dos perfeitos, mas este é um argumento falso. Nenhum homem é perfeito e a Eucaristia é o sacramento daqueles que estão lutando para se tornarem perfeitos, segundo ordenou o próprio Jesus: ser como nosso Pai que está nos céus (Mt 5, 48). Mesmo aqueles que lutam para alcançar a perfeição pecam, é claro, e se eles se encontram em um estado de pecado mortal não podem comungar. Para fazê-lo devem confessar o seu pecado com arrependimento e com a intenção de não o cometer mais: isso se aplica a todos, incluindo aos divorciados que voltaram a se casar.

Hoje, a participação na Eucaristia quase não é vista mais como um ato sacramental, mas como uma prática social. Já não significa comunhão com Deus, mas aceitação por parte de uma comunidade. Não está aí a raiz do problema? 

É verdade, está se tornando cada vez mais difusa essa idéia protestante. E não se aplica somente aos divorciados que voltaram a se casar. Frequentemente se ouve dizer que, em momentos especiais como primeira comunhão, confirmação dos filhos ou em casamentos, até mesmo os não-católicos podem ser admitidos à Eucaristia. Mas isso, novamente é contra a fé, é contra a própria verdade da Eucaristia.

Em vez de um debate sobre estas questões, o que um Sínodo deveria produzir? 

O Sínodo não é uma assembléia democrática, onde os bispos se reúnem para mudar a doutrina católica segundo o voto da maioria. Eu gostaria que ele se tornasse uma oportunidade para dar o apoio aos pastores e todas as famílias que querem vivenciar melhor a sua fé e sua vocação, para apoiar aqueles homens e mulheres que, apesar das muitas dificuldades, não querem romper com o que ensina o Evangelho. É isso que deveria fazer um Sínodo sobre a família, ao invés de se perder em discussões inúteis sobre questões que não podem ser discutidas, numa tentativa de mudar verdades que não podem ser mudadas. Na minha opinião, teria sido melhor que tivessem removido estes temas da mesa porque não estão disponíveis. Que se fale em como ajudar os fiéis a viver a verdade do matrimônio. Que se fale da formação das crianças e jovens que chegam ao  casamento sem conhecer os elementos fundamentais da fé e depois caem diante das primeiras dificuldades.

Os reformadores não pensam naqueles Católicos que mantiveram a sua família unida, mesmo diante de situações dramáticas renunciando à reconstruir as suas vidas? 

Muitas pessoas que fizeram esse esforço agora me perguntam se eles fizeram tudo errado. Eles se perguntam se jogaram fora suas vidas em sacrifícios inúteis. Não é aceitável tudo isso, é uma traição.

O senhor não acha que a crise moral está ligada à crise litúrgica? 

Certamente. No pós Concílio se verificou uma queda na vida da fé e da disciplina eclesiástica, evidenciada especialmente pela crise da liturgia. A liturgia tornou-se uma atividade antropocêntrica, acabou por refletir as idéias do homem ao invés do direito de Deus ser adorado como Ele mesmo pede. A partir daqui, segue-se também no campo moral a atenção quase exclusiva às necessidades e desejos dos homens, ao invés daquilo que o próprio Criador inscreveu nos corações de todas as criaturas. A lex orandi está sempre  vinculada à lex credendi. Se o homem não reza direito, então também não crê corretamente e portanto não se comporta bem. Quando vou celebrar a missa tradicional, por exemplo, eu vejo tantas belas jovens famílias com muitos filhos. Eu não acho que essas famílias não têm problemas, mas é claro que têm mais força pra enfrentá-los. Tudo isso deve significar alguma coisa. A liturgia é a expressão mais perfeita, mais completa da nossa vida em Cristo e quando tudo isso diminui ou é traído todos os aspectos da vida dos fiéis são feridos.

O que pode dizer um pastor ao Católico que se sente perdido diante desses ventos de mudança? 

Os fiéis devem ter coragem, porque o Senhor nunca vai abandonar a sua igreja. Pense em como o Senhor acalmou o mar tempestuoso e as suas palavras aos seus discípulos: ” Por que temeis, homens de pouca fé?” (Mt 8, 26). Se este período de confusão parece colocar em risco a sua fé, devem se empenhar com mais vigor em levar uma vida verdadeiramente Católica. Mas eu me dou por conta que viver nestes tempos comporta um grande sofrimento.

Acha difícil não pensar em um castigo? 

Isso eu penso antes de tudo pra mim mesmo. Se eu estou sofrendo agora pela situação da igreja, acho que o Senhor está me dizendo que eu preciso de uma purificação. E penso também que se o sofrimento está tão generalizado, isso significa que há uma purificação da qual toda a igreja tem necessidade. Mas isso não depende de um Deus que só está esperando para nos punir, depende de nossos pecados. Se de alguma forma traímos a doutrina, a moral ou liturgia, inevitavelmente segue-se um sofrimento que nos purifica para trazer-nos de volta ao caminho reto.
14 outubro, 2014

Burke: “Espero que este documento seja completamente deixado de lado”.

Da matéria de Catholic News Agency:

Archbishop Burke Em entrevista à CNA, o Cardeal Burke afirmou que o relatório [pós-debate da primeira semana do Sínodo], como está, utiliza uma linguagem “confusa” e “mesmo errônea”, e que espera que o documento final deste sínodo seja mais claro.

“Há uma confusão em relação à questão das pessoas que vivem uniões de fato, ou quanto às pessoas que são atraídas pelo mesmo sexo e que vivem juntas, e uma inadequada explicação da relação da Igreja com a pessoa”, declarou.

“Eu certamente espero que este documento seja completamente deixado de lado e que haja um esforço para apresentar os verdadeiros ensinamentos e práticas pastorais da Igreja, que sempre caminham juntos, em um novo documento”.