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21 julho, 2014

Cardeal Cañizares: Summorum Pontificum estabelece igualdade de condições entre as formas do Rito Romano.

Autoridade Litúrgica Suprema, em texto inovador, diz: - Summorum Pontificum prevê condição de igualdade para ambas as Formas

- As condições para a participação na Missa Tradicional são as mesmas da Missa nova

- e muito mais 

Por Rorate-Caeli | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com: Em 25 de julho de 2013, festa do Santo Padroeiro da Espanha, São Tiago o Grande, o Cardeal Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, assinou o prefácio de uma obra notável, a tese de doutorado apresentada por seu confrade espanhol, o Padre Alberto Soria Jiménez, O.S.B., dedicada a uma profunda consideração canônica da natureza jurídica do motu proprio Summorum Pontificum, suas disposições relativas às formas e usos do Rito Romano, e a história que levou a ele.

Santa Cruz del Valle de los Caidos

Santa Cruz del Valle de los Caidos

O padre Soria é um monge da abadia de Santa Cruz do Vale dos Caídos (Santa Cruz del Valle de los Caídos), uma fundação de Solesmes perto da capital espanhola, e sua tese foi defendida e aprovada na Faculdade de Direito Canônico da Universidade de San Dámaso, a casa principal para a formação de sacerdotes e teólogos que pertence à Arquidiocese de Madri, em 29 de maio de 2013. A tese foi publicada há poucos dias pela editora espanhola Ediciones Cristiandad sob o título “Los principios de interpretación del motu proprio Summorum Pontificum”, razão pela qual só agora o texto do Cardeal se tornou disponível.

O prefácio do Cardeal Cañizares faz uma longa apresentação do livro e obviamente inclui muitas referências à própria obra – mas o que o torna particularmente especial é a profundidade da avaliação do Cardeal sobre o motu proprio e sua defesa (que sempre foi defendida por nós que apreciamos profundamente a natureza de Summorum Pontificum) de que aquilo que o motu proprio estabeleceu em lei não foi nada menos do que a igualdade jurídica de ambas as formas do Rito Romano. Trata-se de um texto inovador, e abaixo traduzimos os trechos mais importantes do original em espanhol.

* * *

PREFÁCIO DO CARDEAL CAÑIZARES À TESE DE DOUTORADO DO PADRE ALBERTO SORIA JIMÉNEZ, O.S.B.

Cardeal Cañizares Llovera

Cardeal Cañizares Llovera

Estamos diante de um trabalho que aborda, em termos científicos, um tema que nos últimos anos tem sido objeto de controvérsias acirradas. Todavia, desde o início duas características de sua obra devem ser levadas em consideração: seu caráter acadêmico e a pertença do autor a uma comunidade fiel aos grandes princípios da liturgia, mas na qual a forma extraordinária do Rito Romano não é celebrada. Isso lhe permitiu observar a situação de fora”, tornando possível a grande objetividade refletida em sua pesquisa.

A concepção, claramente presente tanto no motu proprio como nos documentos relacionados, de que a liturgia herdada é uma riqueza a ser preservada deve ser entendida no espírito do movimento litúrgico na linha de Romano Guardini, a qual Bento XVI deve tanto de sua relação pessoal com a liturgia desde sua juventude. A história detalhada e documentada do processo, desde seu início nos anos 70 até os dias de hoje, que o autor dessa obra nos apresenta, mostra como essa legislação não foi um resultado momentâneo de pressão, nem uma reflexão da opinião pessoal e isolada do Papa, mas que outras pessoas haviam desejado por muito tempo uma solução semelhante. Esses critérios do jovem padre Joseph Ratzinger foram consolidados e purificados ao longo dos anos, e foram assumidos por João Paulo II, que havia considerado a possibilidade de oferecer uma legislação apropriada.

O clima entre os cardeais designados para refletir sobre esse tema era favorável [Nota do Rorate: referência à comissão de 1986 - cf a nossa postagem de 2007 sobre a revelação feita pelo Cardeal Castrillón Hoyos]. A comissão cardinalícia constituída por João Paulo II, na qual a influência do Cardeal Ratzinger era inegável, havia proposto, eliminar a impressão de que cada missal é o produto temporal de um época histórica, e havia afirmado que, as normas litúrgicas, não sendo verdadeira e propriamente ‘leis,’ não podem ser ab-rogadas, mas sub-rogadas: as precedentes nas subsequentes. A demonstração muito relevante, e que está presente nesta investigação, é que a atitude de Bento XVI não é tanto uma novidade ou mudança de direção, mas sim uma realização do que João Paulo II já havia empreendido — com iniciativas, como, por exemplo, a consulta da comissão cardinalícia, o motu proprio Ecclesia Dei e a criação da Comissão Pontifícia de mesmo nome, a missa do Cardeal Castrillón Hoyos em Santa Maria Maggiore, em 2003, ou as declarações do papa à Congregação para o Culto Divino naquele mesmo ano.

A história do processo revela que, desde o início, o desejo de preservar a forma tradicional da missa não se limitava aos integristas, mas que pessoas do mundo da cultura ou escritores, como, por exemplo, Agatha Christie e Jorge Luis Borges, assinaram uma carta solicitando a sua preservação, e que São Josemaría Escrivá fez uso de um indulto pessoal concedido espontaneamente pelo próprio Arcebispo Bugnini. Deve-se observar também a preocupação de Bento XVI em enfatizar que a Igreja não descarta o seu passado: ao declarar que o Missal de 1962, nunca foi juridicamente ab-rogado, ele tornou manifesta a coerência que a Igreja deseja manter. De fato, ela não pode se permitir negligenciar, esquecer ou renunciar aos tesouros e à rica herança da tradição do Rito Romano, porque a herança histórica da liturgia da Igreja não pode ser abandonada, nem tudo pode ser estabelecido ex novo sem a amputação das partes fundamentais da mesma Igreja.

Outro aspecto importante resulta da leitura da narrativa histórica em sua obra: os avanços que ocorreram ao longo desses anos em relação à sensibilidade pastoral por esses fiéis, a maior atenção às suas pessoas e a seu bem-estar espiritual. Na verdade, no princípio, a legislação era [nota do Rorate: Indulto Agatha Christie, indultos pessoais, Quattuor abhinc annos, Ecclesia Dei adflicta] muito limitada, levava em conta somente o mundo eclesiástico e praticamente ignorava os fiéis leigos, considerando que a primeira preocupação era disciplinar: controlar a possível desobediência à legislação recém-promulgada. Com o passar do tempo, a situação assumiu um aspecto mais pastoral, a fim de atender às necessidades desses fiéis, o que acaba se refletindo na forte mudança de tom da terminologia que está sendo usada: é assim que o problema dos padres e fiéis que permaneceram ligados ao chamado rito tridentino não é mais mencionado, mas sim a riqueza que a sua preservação representa.

Dessa forma, o que se criou foi uma situação análoga àquela que havia sido normal por tantos séculos, porque devemos recordar que São Pio V não havia proibido o uso das tradições litúrgicas que tivessem pelo menos 200 anos de idade. Muitas ordens religiosas e dioceses, portanto, preservaram o seu rito próprio; como Arcebispo de Toledo, pude viver essa realidade com o Rito Moçárabe. O motu proprio modificou a situação recente, ao deixar claro que a celebração da forma extraordinária deveria ser normal, eliminando toda restrição [todo condicionamiento] relativa ao número de fiéis interessados, e deixando de fixar outras condições para a participação na referida celebração além daquelas normalmente exigidas para qualquer celebração da missa, o que permitiu acesso amplo a essa herança que, enquanto por lei constitui um patrimônio espiritual de todos os fiéis, é, na verdade, ignorada por grande parte deles. Na verdade, as restrições atuais à celebração na forma extraordinária não diferem daquelas em vigor para qualquer outra celebração, seja qual for o rito. Aqueles que desejam ver, na distinção feita pelo motu proprio de cum e sine populo, uma restrição à forma extraordinária, esquecem que, com o missal promulgado por Paulo VI, a celebração cum populo sem autorização e anuência do pároco ou reitor da igreja também não é permitida.

Por outro lado, a possibilidade, expressamente contemplada no motu proprio, de que na celebração sine populo a presença espontânea de fiéis seja admitida sem obstáculos (uma expressão que havia causado mais do que uma observação irônica por parte dos críticos do documento) simplesmente possibilitou o fim das circunstâncias estranhas pelas quais, embora celebrada por um sacerdote em situação canônica completamente regular, esta missa permanecia fechada à participação dos fiéis simplesmente por causa da forma ritual utilizada, uma forma que por outro lado era plenamente reconhecida pela Igreja. A situação dos anos 70 — em que os sacerdotes que não podiam adotar o novo missal por motivos de saúde, idade, etc, foram condenados a nunca mais celebrar a Eucaristia com a comunidade, por menor que fosse — também foi evitada, o que seria visto, de acordo com a sensibilidade atual, como discriminatória. Por outro lado, a restrição deliberada da missa cum populo, limitando na prática a celebração da forma extraordinária sine populo, seria uma contradição às palavras e intenções da constituição conciliar: Sempre que os ritos comportam, segundo a natureza particular de cada um, uma celebração comunitária, caracterizada pela presença e activa participação dos fiéis, inculque-se que esta deve preferir-se, na medida do possível, à celebração individual e como que privada” (Sacrosanctum Concilium, 27).

É por essa razão que absolutamente não tem cabimento declarar que as prescrições do Summorum Pontificum deveriam ser consideradas como um ataque contra o concílio; uma afirmação desse tipo demonstra uma grande ignorância do próprio concílio, porque o fato de oferecer a todos os fiéis a chance de conhecer e apreciar a multiplicidade de tesouros da liturgia da Igreja é precisamente o que esta grande assembleia desejava ao declarar: “O sagrado Concílio, guarda fiel da tradição, declara que a santa mãe Igreja considera iguais em direito e honra todos os ritos legitimamente reconhecidos, quer que se mantenham e sejam por todos os meios promovidos” (Sacrosanctum Concilium, 4)

Outro aspecto para o qual essa obra que apresentamos chama a atenção, e que é imperativo que nunca se perca de vista, é a repercussão negativa que esses debates intra-eclesiais podem ter no campo do ecumenismo. Dentre a controvérsia, sempre se esquece que as críticas feitas contra o rito recebido da Tradição Romana também se aplicam a outras tradições, antes de tudo aos ortodoxos: quase todos os aspectos litúrgicos que aqueles que tem se oposto à preservação do missal antigo atacam fortemente são precisamente os aspectos que tínhamos em comum com a Tradição Oriental! Um sinal que confirma isso, por outro lado, são as expressões entusiasticamente positivas que chegaram do mundo ortodoxo com a publicação do motu proprio. Dessa maneira, esse documento torna-se um aspecto chave para a credibilidade do ecumenismo porque, de acordo com a expressão do presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, na verdade, ele promove, se assim o pudermos chamar, um ‘ecumenismo intra-católico’. Consequentemente, poderíamos dizer que a premissa ut unum sint pressupõe o ut unum maneant, de modo que, como o referido Cardeal escreve, se o ecumenismo intra-católico falhou, a controvérsia católica sobre a liturgia também se estenderia ao ecumenismo.

Bento XVI demonstrou, com a sua legislação, o seu amor paternal e compreensão por aqueles que são especialmente ligados à tradição litúrgica romana e que se arriscaram a se tornar, de maneira permanente, eclesialmente marginalizados; é dessa maneira que, falando sobre o assunto, ele recordou claramente que, ninguém é demais na Igreja, demonstrando a sensibilidade que antecipou a preocupação do atual Papa Francisco pelas periferias existenciais. Todos esses fatos indubitavelmente apresentam um forte sinal para os irmãos separados.

Mas o motu proprio também produziu um fenômeno que para muitos é assustador e constitui um sinal verdadeiro dos tempos: o interesse que a forma extraordinária do Rito Romano suscita, em particular dentre os jovens que nunca a experimentaram como uma forma ordinária e que manifestam sede por linguagens que não são mais as mesmas e que nos impelem em direção a horizontes novos e, para muitos pastores, imprevistos. A abertura da riqueza litúrgica da Igreja a todos os fiéis tornou possível a descoberta de todos os tesouros deste patrimônio por aqueles que ainda os ignoravam, os quais sentem-se comovidos com essa forma litúrgica, mais do que nunca, numerosas vocações sacerdotais e religiosas no mundo todo, dispostas a dar suas vidas para o serviço da evangelização. Isso se refletiu de maneira concreta na peregrinação a Roma em novembro do ano passado [2012], em gratidão pelos cinco anos do motu proprio, que reuniu peregrinos de todo o mundo sob o sugestivo motto “Una cum Papa nostro” e que era, devido a sua grande exibição, sua grande participação, e, acima de tudo, devido ao espírito que inspirou seus participantes, uma confirmação mensurável de como esta legislação estava correta, o resultado de tantas décadas de amadurecimento.

A impressão mais forte deixada após a leitura desta obra é que a estrutura jurídica fundada pelo motu proprio não está fadada a ser uma resposta a um problema delimitado no tempo, mas está respaldada em princípios teológicos e litúrgicos permanentes, criando, assim, uma situação jurídica sólida e bem definida que torna a questão independente tanto das correntes de opinião como das decisões arbitrárias. Dessa maneira, enquanto para uns e outros o problema e o debate durante anos girou acerca de uma decisão sobre uma matéria que, no final das contas, era de natureza histórica, Bento XVI, acima do debate teórico, tentou enfatizar a necessidade de alcançar coerência teológica e, acima de tudo, obter um importante resultado pastoral.

Na verdade, se a partir de ambas as formas de celebração surgir claramente a unidade da fé e a singularidade do Mistério, isso somente pode ser motivo de profunda alegria e gratidão. Portanto, quanto melhor for vivida a liturgia, cada um em sua própria forma, com abertura de coração que supera exclusões e preconceitos, então será possível viver aquela unidade na fé, liberdade nos ritos, caridade em tudo.

Confiamos à Mãe de Deus o tempo da graça em que estamos vivendo. Ela irá nos conduzir ao Filho, em quem podemos confiar. Será Ele que irá nos conduzir, inclusive em tempos turbulentos, para que possamos redescobrir o caminho da fé e assim iluminar cada vez mais claramente a alegria e o entusiasmo renovado do encontro com Cristo. O presente livro do Pe. Alberto Soria, O.S.B., sem dúvida contribuirá para essa finalidade, uma grande obra de pesquisa que prestará um importante serviço à reconciliação litúrgica e, consequentemente, à nova evangelização, e para uma unidade que cresce a cada dia, real e eficaz, no seio da Igreja. Mais uma vez meus parabéns e minha grande gratidão ao autor por esta obra magnífica, um grande serviço que, ademais, é tão apropriado a um filho de São Bento.

Antonio Cañizares Llovera

Cardeal Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos

Roma, 25 de julho de 2013

São Tiago Apóstolo, Padroeiro da Espanha

7 julho, 2014

Summorum Pontificum: 7 anos.


Ela ressurgirá,  eu te digo… a Missa ressurgirá, como respondo a muitos que vêm a mim para se lamentar (e eles o fazem, às vezes, chorando); e àquele que me pergunta como eu posso ter tanta certeza disso, eu respondo (como ‘poeta’, se prefere) trazendo-o à beira da janela e mostrando o Sol… Logo virá o entardecer e lá, na igreja de São Domingos, os frades cantarão nas Vésperas:  Iam sol recedit igneus; mas, em poucas horas, estes mesmos dominicanos, meus amigos, cantarão, na Prima: Iam lucis orto sidere – e assim todos os dias.

O Sol, quero dizer, levantar-se-á novamente, brilhará novamente depois da noite, para iluminar a terra desde o céu, por que… porque ele é o Sol, e Deus o estabeleceu para nossa vida e conforto. Então, acrescento eu, assim é e será com a Missa – a Missa que é “nossa”, católica, de sempre e de todos: nosso Sol espiritual, tão bela, tão santa e tão santificante — contra as desilusões dos morcegos, tirados de seu esconderijo pela Reforma [litúrgica], que acreditavam que a sua hora, a hora das trevas, não teria fim. E recordo: nesta minha grande janela nós fomos muitos, nos anos passados, assistindo um total eclipse solar. Eu me lembro, e eu quase posso sentir novamente, o sentimento de frieza, de tristeza, e quase de desilusão ao assistir, em sentir o ar escuro e gelado, pouco a pouco. Recordo o silêncio que se fez na cidade, durante a escuridão… enquanto os pássaros desapareciam, amedrontados, e os repugnantes morcegos apareciam, voando no céu.

Àquele que dizia, quando o Sol estava inteiramente coberto: — “E se não amanhecer nunca mais?” — um pensamento a quem ninguém respondia, quase como não entendendo o gracejo nisso… O Sol apareceu novamente, de fato, o Sol ressurgiu, depois de uma curta noite, tão belo como antes, e como se vê, mais do que antes, enquanto o ar é recheado novamente por pássaros e os morcegos voltam ao seus esconderijos.

Como antes, luminoso e belo, e ainda sendo o mesmo, o Sol parece mais maravilhoso do que era antes, como na [...] lição do Evangelho sobre a moeda perdida e achada. Como era antes, e mais do que era antes: assim será com a missa, assim a missa aparecerá a nossos olhos, culpados por não tê-la estimado como merecia, antes do eclipse; nossos corações culpados por não tê-la amado o bastante.

(Tito Casini, La Tunica Stracciata – Nel fumo di Satana. Verso l’ultimo scontro)

Republicado por ocasião do aniversário do Motu Proprio Summorum Pontificum

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O blog permanecerá em recesso até o final de julho.

15 junho, 2014

Foto da semana.

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Peregrinação Notre-Dame de la Chrétienté de 2014: 10 mil peregrinos partem de Paris a Chartres. Para se reconciliar com Deus, fazer penitência e mudar de vida, não há lugar definido — pode ser no meio da rua mesmo.

3 junho, 2014

Retornar ao Sacrifício para salvar o Sacramento.

Editorial de “Radicati nella fede” * – Anno VII n° 6 – Junho 2014

Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com

Junho é o mês de Corpus Christi. É o mês da grande festa inteiramente dedicada a Jesus Eucarístico. Também nós, como em todas as paróquias, estamos nos preparando para celebrá-la no dia 22 de junho, visto que na Itália a quinta-feira da solenidade não é mais considerada como feriado. Mas vamos comemorar sobretudo com a procissão solene após a Missa Solene cantada, levando para as ruas da cidade a Hóstia Santa.

A preparação da procissão de Corpus Christi em uma foto do início de 1900.

A preparação da procissão de Corpus Christi em uma foto do início de 1900.

Esta deveria ser a procissão mais importante do ano, porque nela não se porta uma simples estátua venerada da Bem Aventurada Virgem Maria ou de um santo, não se porta uma relíquia, mas o próprio Jesus, vivo e verdadeiro no Santíssimo Sacramento, vivo e verdadeiro com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Esta procissão deveria ser solene, repleta de adoração e de sacro respeito pelo Senhor que passa.

Certamente muitos sentirão aflorar as considerações nostálgicas: agora na nossa terra já não é mais assim, não se consegue mais fazer o Corpus Christi dos tempos passados; um tempo em que todas as ruas eram decoradas, as paredes do percurso todas cobertas pelas mais belas tapeçarias; e vocês se lembram dos altares das paradas? Era uma corrida para fazê-los cada um mais lindo que o outro! E pessoas, como se ajoelhavam… !

Sim, não é mais assim. Hoje já está bom, aquele Corpus Christi é a procissão do pequeno resto de crentes que ainda adoram a Santíssima Eucaristia. Para a procissão de Nossa Senhora talvez haja esperança de aparecer um cristão a mais, mas para o Corpus Christi…!

Estas são todas considerações realistas, mas cometeríamos um erro se parássemos melancolicamente apenas nelas, sem ir mais fundo.

Por que se perdeu o espírito de adoração? Por que as almas de tantos batizados não reconhecem mais o Senhor que passa na Hóstia Consagrada?

Muitos entre os  “conservadores” dirão que tudo foi causado por alguns fatores: o deslocamento dos tabernáculos nas igrejas, os altares que foram relegados para um canto qualquer; por não se fazer mais genuflexão; por se receber a comunhão na mão e em pé; a redução e senão o próprio desaparecimento do jejum eucarístico, etc…

Tudo isso é verdade, mas não chegamos ainda na causa mais profunda, real.

Tudo começou a partir de uma reforma desastrosa do rito da Missa que se seguiu ao Concílio Vaticano II.

Sob o pretexto de traduzir a missa para a língua falada, em 1969 ela foi mudada radicalmente, praticamente refeita, expurgada de todas as referências explícitas ao Sacrifício propiciatório, e isso para agradar aos protestantes.

Na verdade, a missa foi se tornando cada vez mais uma santa ceia, feita praticamente só para que padres e fiéis se alimentassem nas “duas mesas”: a da Palavra e a do Corpo de Cristo. Em uma palavra,  a missa foi feita pra se fazer a Comunhão .

Desapareceu, assim, no cotidiano do povo cristão, o fato central e crucial: o Sacrifício de Cristo na Cruz. Foi por isso que Jesus instituiu a Eucaristia, para que seja perpetuado o seu oferecimento na Cruz, aquele único oferecimento capaz de apagar os pecados e aplacar a justiça divina. Todos os dias, nas igrejas do mundo inteiro, é necessário que seja oferecido o Sacrifício de Cristo, para que o mundo seja salvo do abismo.

Mas o que isso tem a ver com a presença de Jesus na Hóstia Consagrada, com adoração, com o Corpus Christi? Simples, se a Missa já não é mais entendida como o Sacrifício de Cristo no altar da cruz, mas apenas como uma refeição sagrada, o que se coloca em risco é a própria presença de Cristo na Eucaristia.

Um grande autor escreveu:

Existem duas grandes realidades na Missa, que são o Sacrifício e o Sacramento. Estas duas grandes realidades se realizam ao mesmo instante, no momento em que o sacerdote pronuncia as palavras da consagração do pão e do vinho.  Assim que ele termina de pronunciar as palavras da consagração do Preciosíssimo Sangue, o sacrifício de Nosso Senhor é realizado e naquele momento também está presente Nosso Senhor, o Sacramento que é o próprio Senhor também está lá. (… ) Essa separação mística das espécies do pão e do vinho realiza o Sacrifício da missa. Portanto, essas duas realidades se dão pelas palavras da consagração. É impossível separá-las. E isso é o que fizeram os protestantes; eles queriam somente o sacramento sem o sacrifício. No final, acabaram ficando sem um e sem o outro, nem sacramento e nem sacrifício. E este é o perigo com as missas novas. Não se fala mais do Sacrifício, parece que se desconsidera o Sacrifício. Não se fala outra coisa senão de Eucaristia, e se faz uma “Eucaristia” como se não fosse outra coisa senão uma refeição. E aqui também corre-se o risco de acabar sem uma coisa e sem a outra. É muito perigoso. Na medida em que o sacrifício desaparece do sacramento, este também desaparece, porque aquilo que é apresentado no sacramento é a vítima. Se não há mais sacrifício, também não há mais vítima.

“Se não há mais sacrifício, não há mais a vítima”. Palavras pesadas, mas muito razoáveis segundo a fé. Sem ater-nos a delicadíssimas considerações sacramentais, podemos dizer tranquilamente que, pelo menos no cotidiano dos cristãos, é precisamente isso que aconteceu: o ofuscamento do caráter sacrificial da Missa fez com que fosse perdida a consciência da presença substancial de Cristo no sacramento .

À MISSA ANTIGA corresponde a ênfase no Sacrifício propiciatório e na presença substancial de Cristo na Hóstia Santa.

À MISSA NOVA corresponde a ênfase no banquete eucarístico, na Sagrada Comunhão… e aliás… nela quase desaparece o espírito de adoração .

Não é realmente um acaso [se raciocinam que], se não há mais sacrifício, não há nem mesmo Vítima; Jesus não está presente.

Eis porque é errado tentar consertar o desastre litúrgico com algum trabalho de  “maquiagem “, talvez mantendo alguns sinais exteriores de adoração — incenso , velas, balaustras e genuflexórios… grandes vigílias de adoração noturna… sem se preocupar em voltar ao correto rito da Missa, à Missa da Tradição.

Erra quem se detém apenas nos sinais externos, brincando com um vago sentimento de Tradição, baseando-se unicamente numa estética enganosa. A questão é retornar à clareza, toda Católica, do Sacrifício Propiciatório expresso na Missa, naquela Missa verdadeira.

O retorno à Missa verdadeira restabelecerá também a  procissão de Corpus Christi, e restabelecerá também a vida dos cristãos, chamados a participar no Sacrifício de Cristo com todas as fibras do seu próprio ser.

Radicati nella fede é o boletim da igreja de Vocogno e da Cappela dell’Ospedale de Domodossola, na diocese de Novara, Itália.

1 junho, 2014

Foto da semana.

 

Verastegui

A virtude, sempre e em todas as circunstâncias, é possível – Foto publicada no facebook pelo ator Eduardo Verástegui, com a seguinte descrição: “Minha primeira vez servindo em uma Missa Tridentina, foi incrível, obrigado Padre Gerónimo. Pax Domini! #latinmass”. Créditos: Secretum Meum Mihi.

A seguir, texto (inclusive os erros) de Wikipedia:

“Eduardo reafirmou seu catolicismo após realizar em Hollywood o filme “Chasing Papi”, onde uma professora de Inglês fez ele refletir sobre o vazio de sua vida e perceber que, segundo nas suas palavras era “um vazio por dentro”. O padre mexicano Juan Rivas, lhe ofereceu ajudar e ofereceu-lhe alguns livros que em que aos pouco Eduardo foi descobrindo a vida cristã.

Começou a freqüentar diariamente a missa e de outro padre, o Padre Francisco, propôs uma confissão geral. Após uma longa preparação, Eduardo Verástegui fez uma confissão de três horas de duração com Padre Justin. Isso é o que o ator considera o seu segundo período de conversão. “Eu percebi que não nasceu para ser um ator ou qualquer outra coisa, mas para conhecer, amar e servir Jesus Cristo” disse ele.

Então, com a audácia de sua decisão ele vendeu todos os seus bens, e decidiu ir para o Brasil como um missionário, mas o padre Juan Rivas, fez ele ver que onde deveria estar era aonde estava em Hollywood, por que Cristo era ainda mais necessário do que na selva. Assim, Eduardo Verastegui criou com Leo Severino, a produtora Metanoia Filmespara fazer filmes a serviço da esperança e da dignidade humana.

O filme Bella é a primeira obra desta empresa, que ofereceram a Nossa Senhora de Guadalupe e que venceu o “Toronto Film Festival” contra todas as probabilidades. Ele também criou um estudo bíblico para atores e diretores, um encontro em Hollywood para aqueles que procuram algo mais do que fama. Por cinco anos, o mulherengo “latin lover” viveu feliz e radiante em castidade, se sente livre, reza o rosário e vai à missa diariamente, e apesar disso se tornou uma referência contra cultural no círculo de Hollywood.

Eduardo Verástegui foi muito ativo na luta contra a liberalização da interrupção voluntária da gravidez, ele acredita que é um crime contra a humanidade e contra as mulheres. Tem participado em inúmeras campanhas de sensibilização e divulgação sobre a realidade do aborto”.

14 maio, 2014

Summorum Pontificum no Brasil: Missa na Catedral de Santo Amaro, SP.

santo amaro

9 maio, 2014

A Missa.

Vídeo de divulgação da Santa Missa Tradicional celebrada na Igreja da Encarnação, em Tampa, Flórida, EUA.

29 março, 2014

O testamento de Mario Palmaro.

A última entrevista de Mario Palmaro – A Mensagem aos Tradicionalistas: “Disseminem a Fé no Mundo”

A OPORTUNIDADE PERDIDA DOS LEFEBVRIANOS

Professor Palmaro, o senhor (e o mundo eclesial que de alguma maneira o senhor interpreta) justificadamente apoiou a tentativa do Papa Bento de trazer à [plena] comunhão o movimento “cismático” lefebvriano. Porém, em julho de 2012, quando o seu Capítulo Geral recusou o convite da Santa Sé, qual foi a sua opinião sobre essa questão? O que o senhor acha agora dessa atitude?

Embora eu nunca tenha feito parte da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), fundada por Monsenhor Marcel Lefebvre, tive a sorte de conhecê-los em primeira mão há alguns anos. Junto com o jornalista Alessandro Gnocchi, decidimos ver esse mundo com os nossos próprios olhos e também descrevê-lo em dois livros e alguns artigos. Devo dizer que muitos preconceitos que eu tinha se comprovaram infundados; encontrei vários bons padres, freiras e irmãos dedicados a uma experiência séria da vida católica, adornada com abertura e cordialidade. Tive uma impressão muito boa da figura de Dom Bernard Fellay, o bispo que lidera a FSSPX – um homem bom e com grande fé. Descobri um mundo de fiéis leigos e padres que rezam todos os dias pelo Papa, embora tenham se colocado em atitude definitiva de crítica, especialmente, com relação à liturgia, liberdade religiosa e ecumenismo. Vimos muitos jovens, muitas vocações religiosas, muitas famílias católicas “normais” que frequentam a Fraternidade. Padres de batina, que caminhavam pelas ruas de Paris ou Roma, eram abordados por pessoas que lhes pediam conforto e esperança.

Estamos bem familiarizados com o polimorfismo da Igreja contemporânea no mundo, o que significa que hoje em dia denominar-se católico não é a mesma coisa que seguir a mesma doutrina; a heterodoxia está amplamente difundida e há freiras, padres e teólogos que abertamente contestam ou negam partes da doutrina católica. Por essa razão, nos indagamos: Como é possível que haja espaço para todo mundo na Igreja, exceto para esses irmãos e irmãs que são católicos em cada aspecto e que são absolutamente fiéis a 20 de todos os 21 concílios que ocorreram no curso da história católica?

Enquanto escrevíamos o primeiro livro, chegaram notícias sobre o levantamento das excomunhões através da decisão histórica do Papa Bento XVI. O que permaneceu nesse ponto foi uma regularização canônica da Fraternidade. O Papa Bento acreditava nessa reconciliação ternamente e ela ainda precisa ser concretizada. Afirmo que o pontificado de Bento foi uma oportunidade histórica para a plena reconciliação e deixá-la passar foi uma verdadeira vergonha. Sempre afirmei que a FSSPX deve fazer tudo o que for possível para a sua regularização canônica, mas eu acrescentaria que Roma tem que dar a Monsenhor Fellay e a seus fiéis a garantia de respeito e liberdade, acima de tudo na celebração do Vetus Ordo e na doutrina que normalmente é ensinada dentro dos seminários da Fraternidade, a doutrina perene.

AGRESSIVIDADE DEFENSIVA

O apoio total em relação ao Papa Bento XVI não parece ocorrer com o Papa Francisco. Os papas são aceitos ou eles são “escolhidos”? O que o papado representa hoje em dia?

O fato de um papa ser “apreciado” pelas pessoas é completamente irrelevante à lógica de dois mil anos da Igreja: o papa é o Vigário de Cristo na Terra e ele tem que agradar a Nosso Senhor. Isso significa que o exercício do seu poder não é absoluto, mas está subordinado ao ensinamento de Cristo, que se encontra na Igreja Católica, em Sua Tradição, e é promovido pela vida da Graça através dos Sacramentos.

Agora, isso significa que o próprio papa pode ser julgado e criticado pelos católicos [ordinários], contanto que isso aconteça na perspectiva de amor pela verdade, e que a Tradição e o Magistério sejam utilizados como critério de referência. Um papa que contradiga um predecessor em questões de fé e moral, sem dúvida, tem de ser criticado.

Precisamos desconfiar tanto da lógica mundana, em que o papa é julgado pelos critérios democráticos que satisfaçam a maioria, quanto da tentação à “papolatria”, de acordo com a qual “o papa está sempre certo.” Além disso, há décadas nos acostumamos a criticar muitos papas do passado de maneira destrutiva, demonstrando uma parca seriedade historiográfica; bem, não vemos razão porque os papas reinantes ou os mais recentes tenham que ser poupados de qualquer tipo de crítica. Se Bonifácio VII ou Pio V são julgados, por que não julgar Paulo VI ou Francisco?

CONTRA O MODERNISMO

No mundo dos sites (internet) e revistas sobre a Tradição, nota-se uma frequente exibição de forte agressividade. É verdade? Quais são as causas? O que o senhor acha disso?

Os problemas comportamentais de algumas pessoas ou entidades relacionadas à Tradição é algo sério e não podem ser negados. Uma verdade apresentada ou proposta sem caridade é uma verdade traída. Cristo é o nosso caminho, verdade e vida; portanto, devemos sempre seguir o Seu exemplo, pois Ele sempre foi firme na verdade e invencível na caridade. Creio que o mundo da Tradição às vezes é mordaz e polêmico por três motivos: o primeiro é uma determinada síndrome de isolamento, que os torna desconfiados e vingativos, e se manifesta através de problemas de personalidade; o segundo é o escândalo genuíno que certas tendências do catolicismo contemporâneo causam naqueles que conhecem o ensinamento doutrinal dos papas e da Igreja antes do Vaticano II; o terceiro, pela falta de caridade que o catolicismo oficial tem demonstrado a esses irmãos, que são interpelados com desprezo como “tradicionalistas” ou “lefebvrianos”, olvidando que, de qualquer maneira, eles estão mais próximos da Igreja do que os membros de qualquer outra confissão cristã jamais puderam estar ou mesmo qualquer outra religião. A imprensa católica oficial não dedica nem sequer uma linha a essa realidade – que inclui centenas de padres e seminaristas – e ainda assim eles são capazes de oferecer páginas a pensadores que não têm nada, ainda que vagamente, do pensamento católico.

Ao comentar sobre a instrução do Vaticano com relação aos Franciscanos da Imaculada, o senhor invocou objeção de consciência para os religiosos quanto às indicações litúrgicas. De que maneira [então] os religiosos devem obedecer a sua família espiritual? Como o senhor coloca a objeção de consciência na tradição do Syllabus?

No meu ponto de vista, a questão dos Franciscanos da Imaculada é muito triste. Ela diz respeito às disposições tomadas por um comissário externo e decidida por Roma com pressa incomum e gravidade igualmente inexplicável. Uma vez que conheço essa família religiosa muito bem, acho que essa decisão é completamente injustificável e [assim] juntamente com outros três expoentes apresentei um pequeno apelo ao Vaticano.

Em suma, lembre-se que as disposições “destitua” o fundador e proíba a celebração do Rito Antigo a todos os sacerdotes da Congregação constitui uma flagrante contradição ao que foi estabelecido por Bento XVI em seu Motu Proprio, Summorum Pontificum. Você está certo: a resistência a uma ordem de autoridade legítima sempre cria um problema para o cristão, ainda mais se ele faz parte de uma família religiosa. Não obstante, nesse caso há alguns aspectos claramente inaceitáveis, e afirmo que os padres dos Franciscanos da Imaculada devem continuar celebrando a Missa na Forma Extraordinária do Vetus Ordo, assegurando que o birritualismo que conheço era a prática normal dos frades. Eu acrescentaria que, em uma Igreja sacudida por milhares de problemas e rebeliões, em que congregações gloriosas estão desaparecendo por falta de vocações, não é bom ver os Franciscanos da Imaculada sendo atingidos dessa maneira, uma vez que eles têm vocações abundantes em todo o mundo.

Em sua opinião, quais são os limites mais evidentes da sensibilidade católica “conciliar” (ou “liberal” se o senhor preferir)? Quais são as suas fragilidades mais evidentes?

Na minha opinião, o problema fundamental é o seu relacionamento com o mundo,  marcado por uma atitude de sujeição e dependência, quase como se a Igreja precisasse Ela mesma adaptar-se aos caprichos dos homens, quando, na verdade, sabemos que é o homem que precisa se adaptar à vontade de Cristo, o Rei da história e do universo. Quando Pio X atacou o Modernismo severamente, ele queria afastar essa tentação mortal do catolicismo: a mudança de doutrina para acompanhar o espírito do mundo. Uma vez que a humanidade tem sido presa do processo de dissolução que começou com a Revolução Francesa (seguida pela modernidade e pós-modernidade) a Igreja é mais do que chamada a resistir a esse espírito do mundo. Ao invés disso, muitas escolhas feitas pela Igreja nos últimos 50 anos são um sintoma de sujeição [a esse espírito do mundo]: a reforma litúrgica, que construiu a Missa para as sensibilidades contemporâneas pela destruição de um Rito em vigor há séculos, orientando tudo em direção à palavra, à assembleia, à participação, [e ao mesmo tempo] diminuindo a centralidade do Sacrifício; a insistência no sacerdócio universal, que tem desvalorizado o sacerdócio ministerial, desanimado gerações de padres e acarretado uma crise sem precedentes nas vocações; a arquitetura “sacra”, que construiu monstros antilitúrgicos; a abolição de facto dos Novíssimos, quando o tema da salvação de almas (e o risco de condenação eterna) é o único assunto sobrenatural que diferencia a Igreja de uma agência filantrópica; e daí por diante.

TORNAR-SE SANTOS

Os crentes estão unidos no essencial e estão divididos em questões controversas. Entretanto, todo mundo é chamado a respeitar e acompanhar àqueles que estão atribulados pelo sofrimento e pelas fatigas da vida. Como é que as sensibilidades espirituais de alguém se modificam quando essa pessoa experimenta o sofrimento ao longo dos dias com violência, como está acontecendo com o senhor?

A primeira coisa que nos abala a respeito da doença é que ela nos atinge sem qualquer aviso e em um momento que não decidimos. Ficamos à mercê dos acontecimentos e não podemos fazer nada a respeito, a não ser aceitá-los. A enfermidade grave nos obriga a estarmos cientes de que somos verdadeiramente mortais; mesmo se a morte é a coisa mais certa no mundo, o homem moderno tende a viver como se ele nunca fosse morrer.

Na doença você compreende pela primeira vez que a vida na Terra é apenas um sopro, você reconhece com amargor que você não se tornou aquela obra prima de santidade que Deus queria. Você experimenta uma profunda nostalgia pelo bem que poderia ter feito e pelo mal que poderia ter evitado. Você olha para o Crucifixo e compreende que este é o coração da Fé; sem sacrifício o catolicismo não existiria. Então, você agradece a Deus por tê-lo tornado um católico, um “pequeno” católico, um pecador, mas alguém que tem uma Mãe atenta na Igreja. Assim, a enfermidade grave é um tempo de graça, mas frequentemente os vícios e as misérias que nos acompanharam na vida permanecem ou até mesmo aumentam [durante ela]. É como se a agonia já tivesse começado, e existe uma batalha sendo travada pelo destino da minha alma, porque ninguém pode estar seguro da sua própria salvação.

Por outro lado, esta enfermidade permitiu que eu descobrisse uma quantidade impressionante de pessoas que me amam e que rezam por mim; famílias que recitam o Rosário à noite com os seus filhos pela minha recuperação. Não tenho palavras para descrever a beleza dessa experiência, que é uma antecipação do amor de Deus e da própria eternidade. O maior sofrimento que experimento é a ideia de ter de deixar este mundo que de tanto gosto e que é tão belo mesmo que também seja tão trágico; de ter que deixar muitos amigos e parentes; mas acima de tudo, de ter que deixar a minha esposa e meus filhos, que ainda estão em tenra idade.

Às vezes imagino meu lar, meu estudo vazio e a vida que continuarei lá, mesmo se não estiver presente. É uma cena que dói, mas é extremamente realista: ela me faz perceber a inutilidade do servo que tenho sido, e que todos os livros que escrevi, as conferências que proferi e os artigos que redigi são nada mais do que palha [NdT.: possível alusão a Santo Tomás de Aquino, que afirmara a mesma coisa após uma experiência mística ao final de sua vida]. Porém, minha esperança está firmada na misericórdia do Senhor e no fato de que outras pessoas recolham parte das minhas aspirações e batalhas e continuem o “antigo duelo”.

[Fonte original: Settimana (Ed. Dehoniane), 27 de outubro de 2013, edição nº 38/2013, p. 12-13. Tradução para o português de Fratres in Unum.com feita a partir da tradução para o inglês de Francesca Romana]

20 março, 2014

Inacreditável – a única maneira do moribundo Mario Palmaro conseguir uma Missa de Réquiem no Rito Tradicional: pedir autorização do município para que o pároco envergonhado a “permitisse”.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – O ódio atroz pela Missa Tradicional continua mesmo após a morte – em janeiro, nosso colaborador Joseph Shaw apresentou o guia da Latin Mass Society sobre a maneira de garantir que a sua própria Missa de Réquiem seja celebrada de acordo com o Rito Romano Tradicional (pelo menos, em algumas jurisdições, veja aqui: Um Guia Prático para conseguir uma Missa de Réquiem no Rito Tradicional). 

Agora, habituado como estava ao ódio diabólico pela Missa em Latim, o finado Mario Palmaro (requiescat in pace) concebeu, durante vários meses de sofrimento e dores excruciantes causadas pela doença que o levou à morte, uma outra maneira de garantir que o pároco da catedral de sua cidade, Monza, “permitisse” que a sua Missa de réquiem fosse celebrada no Rito Romano Tradicional na Duomo:

“Mario Palmaro deixa esposa e quatro filhos jovens, assim, a fim de ter um funeral católico, ele teve que recorrer a um tipo de estratagema: enquanto ainda estava vivo, pediu ao pároco (arcipreste) da catedral de Monza que a Santa Missa Católica [Vetus Ordo] fosse celebrada em sua morte: o padre respondeu – ‘de maneira alguma.’ Porém, Mario ameaçou pedir ao Prefeito, caso o funeral fosse recusado na Igreja, que ela fosse celebrada por um padre católico (fiel ao Vetus Ordo) na praça [fora da catedral]. Assim, diante de algo que poderia ter se tornado um escândalo vergonhoso, o pároco permitiu que a Missa de Sempre fosse celebrada dentro da Catedral na presença de uma multidão profundamente comovida.” [Riscossa Cristiana, em italiano]

Um grande amigo do Rorate esteve presente na Duomo, e ele nos conta que mais de mil fiéis compareceram à Missa de Réquiem. Palmaro agiu com base em sua experiência: um dos primeiros artigos que publicamos em tradução aqui por Mario Palmaro e Alessandro Gnocchi foi sobre a recusa da Missa de Réquiem no Rito Tradicional para o próprio pai de Alessandro Gnocchi (Outra Misa de Réquiem no Rito tradicional negada por uma diocese, 11 de novembro de 2011).

17 março, 2014

Comunicado Oficial: Missa Tridentina proibida na Costa Rica.

Comunicado Oficial

- Aos Católicos Perplexos da Costa Rica e do Exterior -

Por Una Voce Costa Rica | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – A finalidade desta declaração é apresentar um relato resumido da situação na Costa Rica, particularmente, na Arquidiocese de San José, com relação à Missa de Sempre, também chamada de Missa Tridentina, Missa Tradicional em Latim ou Forma Extraordinária do Rito Romano.

A Una Voce Costa Rica, afiliada à Foederatio Internationalis Una Voce, uma federação com reconhecimento da Santa Sé, tem trabalhado nos últimos anos para que todos os católicos na Costa Rica desfrutem daquilo que na carta que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum, de Sua Santidade o Papa Bento XVI, foi denominado “um tesouro precioso a ser preservado”.

Bispo emérito Hugo Barrantes.

Bispo emérito Hugo Barrantes.

Desde o final de 2010, primeiramente, como “Grupo São Pio V” e hoje em dia como Una Voce Costa Rica, contatamos diversos padres diocesanos que estavam muito interessados em aprender a celebrar a Missa, e que ficaram ainda mais motivados quando perceberam que se tratava de uma iniciativa séria, e que esta era em grande parte conduzida por jovens. Desde o início achamos que era muito importante que o nosso projeto fosse colocado sob os cuidados pastorais de nosso Arcebispo (Sua Excelência Hugo Barrantes) e, portanto, nós o contatamos e lhe pedimos uma audiência, que ocorreu no final de 2011. O bispo foi breve. Ele basicamente nos disse para procurarmos padres interessados. Nós o fizemos e, cerca de três meses mais tarde, solicitamos uma segunda reunião, onde apresentamos uma lista de padres, enquanto ao mesmo tempo o informamos que tínhamos todos os itens básicos necessários para a Missa (Missal, Sacras, etc.). Na segunda reunião o Bispo nomeou o Padre German Rodriguez (um pároco que não pertencia a San Jose) como supervisor para todos os assuntos relacionados à Missa Tradicional.