Posts tagged ‘Summorum Pontificum’

maio 12, 2012

Sob o estandarte da Imaculada.

Padre Serafino M. Lanzetta, professor de teologia dogmática no Instituto Teológico Imaculada Medianeira, dos Franciscanos da Imaculada, é, desde 2006, diretor da revista teológica Fides Catholica. Em dezembro de 2010, organizou o Congresso ‘Concilio Ecumenico Vaticano II – Un Concilio Pastorale. Analisi Storico-Filosofico-Teologica’ em Roma, e já apareceu em nosso blog em mais de uma oportunidade [aqui e aqui]. Justamente sobre o seu instituto religioso, a Missa Tradicional e o Concílio Vaticano II, cujos 50 anos estão sendo comemorados, é que o Padre Lanzetta aceitou conversar com Fratres in Unum.

Primeiramente, Reverendíssimo Pe. Lanzetta, muito obrigado por aceitar o nosso convite. Por favor, apresente-se a nossos leitores. De onde o senhor é? Conte-nos sobre sua família e seu discernimento vocacional.

Padre Serafino Lanzetta é sacerdote professo do Instituto dos Franciscanos da Imaculada e pároco da Igreja São Salvador em Ognissanti,  Florença, desde 2004.

Padre Serafino Lanzetta é sacerdote professo do Instituto dos Franciscanos da Imaculada e pároco da Igreja São Salvador em Ognissanti, Florença, desde 2004.

Obrigado por me convidar para a entrevista e, sobretudo,  poder apresentar meu Instituto Religioso. Venho de uma cidade em Salerno, Campania (Itália). Esta cidade é Sarno. Graças a Deus, fui criado em uma família cristã. Desde os meus 6 anos, comecei a participar em um grupo paroquial, a “Azione Cattolica”. Recordo, sobretudo, o cuidado de minha mãe em me ensinar a fé e em me impulsionar a ir à Missa dominical. Infelizmente, quando fiquei mais velho, aos 14 anos, deixei os sacramentos e a Santa Missa, atraído e seduzido pelo mundo. Desse jeito, aprendi — depois — que o mundo nem sempre é um amigo verdadeiro. Foi a oração de meus pais, especialmente de minha mãe, que me trouxe de volta à fé. Alguns anos mais tarde descobri, pela graça da oração, a beleza da Fé Católica e tentei me aprofundar nela, fazendo-me muitas perguntas que só poderiam ser respondidas através da Verdade de Cristo. Desde criança perguntava a mim mesmo o que significava uma vocação. Finalmente, senti este chamado em minha alma: em minha inteligência e em minha vontade. Eu deveria obedecê-lo a fim de ser verdadeiramente feliz. Desejei dar minha vida a Cristo e à Sua Igreja. Encontrei os Franciscanos da Imaculada em Frigento (nossa Casa Mãe na Itália) e disse: “Esta é a minha família”.

E por que os Franciscanos da Imaculada? O senhor tem alguma função específica na ordem?

Escolhi este Instituto, primeiramente, porque procurava uma vida religiosa muito fiel ao carisma de São Francisco. A idéia de escolher uma vida religiosa muito similiar à minha vida passada me feria demais. Seria melhor permanecer no mundo. Encontrei nos Franciscanos da Imaculada o rigor da pobreza e de penitência, como descritas nas Fontes Franciscanas, e, ao mesmo tempo, um espírito de grande abertura aos novos desafios do mundo: difundir o Evangelho com todos os meios possíveis, mesmo os mais sofisticados.

Atualmente, sou pároco em Florença (Ognissanti), professor de dogmática em nosso próprio Seminário Teológico (Seminario Teologico “Immacolata Mediatrice”), e também vigário de nossa Delegação Italiana.

Qual é a principal mensagem de São Maximiliano Kolbe, um grande apóstolo dos tempos modernos, aos nossos dias?

São Maximiliano Maria Kolbe.

São Maximiliano Maria Kolbe.

São Maximiliano Maria Kolbe é um grande santo e, por isso, um apóstolo da Imaculada pelo Reinado de Cristo. São Maximiliano compreendeu que o próprio centro da Ordem Franciscana é a Imaculada. Ela é nossa padroeira e advogada, a “Virgo Ecclesia facta”, “Aquela em quem esteve e está toda graça e virtude“, como disse o Pai Seráfico. Segundo São Francisco, devemos viver sob o Seu manto. E podemos acrescentar também: nela e com Ela alcançar a meta: sermos semelhantes a Cristo, Seu FIlho. São Maximiliano leu toda a história da Ordem através da Imaculada. Agora, após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, é hora de difundir esta verdade entre os povos, a fim de levar todos eles a vivê-lo em suas vidas. Por esta razão, o Santo da Imaculada escolheu tudo o que era possível para difundir a devoção a Nossa Senhora pelo fundo: imprensa, televisão, rádio, internet, etc. Todos os meios de comunicação são instrumentos importantes para fazer a Imaculada conhecida. Deus quer salvar o mundo por Ela. Seguimos precisamente este carisma. Podemos dizer: São Maximiliano é um exemplo para compreender corretamente a Tradição da Igreja: sempre fiel às origens (as Fontes), mas em constante processo de compreensão e vivência da mesma mensagem, atualizando-a hoje. Isso é, acima de tudo, a Igreja.

Tem havido cada vez mais notícias sobre o grande trabalho na promoção da Missa Tradicional pelos Franciscanos da Imaculada, inclusive com alguns setores de sua ordem optando por ela como seu rito próprio. Sabemos que os Franciscanos da Imaculada não surgiram de meios já ligados à Missa Tridentina. Como ocorreu esta descoberta, tanto ao senhor individualmente como à congregação?

Dom Manoel Pestana, finado bispo de Anápolis, e o fundador dos Franciscanos da Imaculada, Pe. Stefano Manelli. A ordem foi a responsável pela publicação da obra de Mons. Brunero Gherardini.

Dom Manoel Pestana, finado bispo de Anápolis, e o fundador dos Franciscanos da Imaculada, Pe. Stefano Manelli (à direita do bispo).

Sim, nós não surgimos da Missa Tridentina, embora sempre a tenhamos apreciado, por ser um tesouro da Igreja. Nosso fundadores (Pe. Stefano M. Manelli e Pe. Gabriele M. Pellettieri), após o Concílio Vaticano II, sentiram um chamado, como que uma obrigação, de renovar a vida religiosa — segundo o desejo do Concílio na Perfectae caritatis –, retornando às fontes de São Francisco, lendo-as através dos Santos Franciscanos modernos, como São Pio de Pietrelcina, Ven. Gabriele Allegra, São Maximiliano M. Kolbe e diversos outros. Os Santos do século XX foram uma inspiração para uma renovação segundo a Tradição Franciscana. Tudo isso para dizer que a Missa Tridentina, que descobrimos e celebramos graças ao [motu proprio] Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI, não era para nós uma “novidade”, mas simplesmente uma possibilidade de manter a tradição litúrgica ininterrupta do Santo Sacrifício da Missa, desde São Gregório Magno até João XXIII. Nós celebramos ambas as Missas, isto é, na forma ordinária e extraordinária, e tentamos, na medida do possível, ter a forma extraordinária como a Missa própria de nossa vida comunitária. Eu mesmo celebro esta Missa todos os dias e, para mim, esta descobertura foi uma grande graça. Esta Santa Missa me ajuda a viver o mistério que celebro, por causa da beleza e da profunda teologia que está por trás dela.

A sua ordem também está presente no Brasil. O senhor já esteve por aqui?

Sim, estamos em Anápolis, tanto irmãos como irmãs. Infelizmente, ainda não estive no Brasil. Conheço esta majestosa terra apenas do mapa. Espero visitá-la um dia.

Tanto o senhor como sua congregação, que publicou o livro “Vaticano II, un discorso da fare”, de Monsenhor Gherardini, fizeram um forte trabalho de estudo teológico sobre o Concílio Vaticano II. O que os senhores pretendem com esta iniciativa?

Nós estamos só tentando, por amor à Igreja e pelo futuro do Evangelho no mundo, examinar as causas da “crise profunda” que afeta nossa Igreja hoje, como o Papa Bento XVI repetiu várias vezes (ultimamente na Alemanha). Claro que não dizemos — porque não é verdade — que todo o problema ou a causa da crise é o Vaticano II. Os problemas são mais extensos que o Concílio. Basta apenas lembrar do modernismo e do neomodernismo, ou seja, uma forma de unir fé e sentimento e, por último, natureza e graça, causando sua mistura. Hoje a graça tem sido quase absorvida na natureza e, assim, tem desaparecido. Isso era até justificado por algumas teologias errôneas. Freqüentemente ouvimos que só se pode viver a Fé como homens deste mundo. Viver como um homem real já seria, de certa forma, acreditar. Um exemplo: o conceito de pecado mortal enquanto grave ofensa a Deus está quase abandonado. Isso é a secularização. De toda forma, a crise de fé atual também tem algumas ligações com o Concílio. Após quase 50 anos, nós ainda nos perguntamos qual é a verdadeira hermenêutica do Vaticano II!

Vaticano II: ruptura ou continuidade? Problema de recepção e interpretação ou os próprios documentos conciliares são em si problemáticos?

Um católico nunca pode ver um concílio como ruptura. Este é o caminho para justificar o sedevacantismo ou para ver o Vaticano II como um novo início da Igreja. É claro que há continuidade dentro da Tradição como um todo. O problema reside em outro lugar. O Concílio, de fato, é um verdadeiro concílio ecumênico. O problema na minha opinião é o seguinte: o Vaticano II inaugurou uma nova forma de ensinar em um concílio, uma maneira pastoral de dizer a doutrina. Este mesmo significado de “ensino pastoral”, mesmo durante o Concílio, não estava claro. Surgiram muitas interpretações. A teologia neste momento não tem uma categoria suficiente para compreender e qualificar este nível de ensinamento. Mas, de certa forma, os próprios documentos também são problemáticos. Evitando o modo de ensinar com censuras e definições, escolheram a forma descritiva, como uma catequese ou uma homilia. Ambas as formas de ler o Concílio, tanto a forma da continuidade como a da descontinuidade, normalmente citam os textos do Concílio. Os textos são, portanto, suscetíveis a ambas as leituras. Qual é a única correta? Aquela iluminada pela Tradição. Portanto, o Vaticano II precisam de um a priori que é a Tradição da Igreja. E apenas com a Tradição nós podemos examinar os novos documentos. Podemos ler o Vaticano II apenas à luz do Vaticano I, Trento, etc, e nunca o contrário. O mistério da Igreja vem primeiro.

A Itália tem sido palco de um grande debate sobre o Concílio. Monsenhor Gherardini e Roberto de Mattei alcançaram grande sucesso com suas obras. Há esperança de que o Concílio possa ser objeto de um estudo sério e não mais um “super dogma” intocável?

Padre Lanzetta ao lado de Cristina Siccardi e Monsenhor Brunero Gherardini.

Padre Lanzetta ao lado de Cristina Siccardi e Monsenhor Brunero Gherardini.

Creio que o primeiro passo a ser dado neste debate é apresentar o Vaticano II não como um “super dogma”, segundo a significativa expressão do Cardeal Ratzinger. O Vaticano II não é o universo da Fé Católica. Nossos dogmas são muito mais abrangentes que o último concílio, que foi uma tentativa, não de reescrever a doutrina, mas apenas de difundi-la de uma nova maneira ao mundo moderno. Os efeitos destes 50 anos podem nos ajudar a verificar o que deu errado, o que não estava funcionando. Creio que o espírito todo otimista que acompanhou estes anos, a esperança de ser muito amigável com o mundo a fim de conquistá-lo, absolutamente não está funcionando. O mundo conquistou os católicos. Não devemos nunca esquecer a Cruz de Cristo, sua Paixão e Morte. Só após a morte é que vem a ressurreição.

O segundo passo desse estudo deveria aperfeiçoar uma análise crítica para verificar como as novas doutrinas estão em continuidade com a Tradição. Isso é muito delicado, mas não basta proclamar a continuidade. Ela deve ser verificada. O problema principal do Vaticano II é sua interpretação. Então, o Sujeito mais adequado para realizar este trabalho é o próprio Magistério. É por isso que ambos os autores, Gherardini e De Mattei, pedem uma intervenção do Papa para resolver essa questão tão problemática.

Há aqueles que, em nome do que chamam “Magistério vivo da Igreja”, justificam todo e qualquer ato aprovado pelas autoridades da Igreja no período pós-conciliar. O que o senhor pensa a respeito?

Temos sempre que respeitar o Magistério da Igreja, mesmo as iniciativas pastorais dos Papas. Eles são sempre os Vigários de Cristo. Porém, respeito e reverência não significam cegueira, mas antes uma possibilidade real de mostrar desaprovação pelas escolhas pastorais, o que poderia ser um grito de Fé. Elas podem ser verificadas e corrigidas. Recordemos a desaprovação de Ratzinger a Assis I.

Por fim, Padre: um jovem que discerniu sua vocação ao sacerdócio e está ligado ao rito Tridentino, desejando se engajar em um estudo sério e crítico do Concílio, encontraria boas-vindas e portas abertas nos Franciscanos da Imaculada?

Sim, é claro. Esperamos por muitas vocações brasileiras.

abril 10, 2012

Um sacerdote pergunta a seus confrades: Como foi a preparação para celebrar sua primeira missa no rito tradicional?

Sacerdote se prepara na sacristia para celebrar o Santo Sacrifício da Missa.

Sacerdote se prepara na sacristia para celebrar o Santo Sacrifício da Missa.

O caríssimo e reverendíssimo Padre Francisco Ferreira pergunta:

Ainda não celebro no rito tradicional. Tenho estudado, lamentado meu parco latim, encontrado velhos livros e missais empoeirados nas bibliotecas e sacristias e colecionado vários GB de arquivos sobre o assunto.

[...] Gostaria de saber dos padres como foi a preparação para celebrar sua primeira missa (no rito tradicional), ja que para muitos de nós, nascidos no pós-concilio, tal rito nem era conhecido… Celebrou privadamente no início? Aprendeu com os vídeos? Preparou os fiéis (ou eles prepararam o padre)?

Caros Padres, se não puderem se expôr, excepcionalmente neste post aceitaremos comentários anônimos. Mas, por favor, não deixem de responder a este sacerdote! Sua contribuição é de grande valia. A ajuda de acólitos e seminaristas que acompanharam de perto algum sacerdote nesse itinerário também é bem-vinda!

abril 8, 2012

O acolhedor bispo de São Carlos: repercussão internacional.

Dom Paulo Sérgio Machado, bispo de São Carlos, e o Deputado Petista e perseguidor da Igreja Edinho Silva. Créditos: Missa aos Domingos.

Dom Paulo Sérgio Machado, bispo de São Carlos, e o Deputado Petista e perseguidor da Igreja Edinho Silva. Créditos: Missa aos Domingos.

A Brazilian bishop’s assault on Catholic Tradition, em Rorate-Caeli (EUA); o mesmo post foi retransmitido no fórum  Angelqueen.org.

Ataque de Obispo a la Tradición Católica, em Ecce Christianus (México)

Um bispo de truz, em  A Casa de Sarto (Portugal)

Despiadado ataque de obispo brasileño a la Forma Extraordinaria, em Secretum Meum Mihi

Ataque de Obispo a la Tradición Católica, em Juventutem Argentinae

Un obispo de Brasil que no quiere la pax liturgica de Benedicto XVI, Roma Aeterna (Una Voce – Espanha)

O Fratres in Unum enviou a matéria sobre Dom Paulo Sérgio Machado a veículos de línguas inglesa, francesa, alemã, espanhola e italiana. Novas atualizações serão postadas aqui.

abril 4, 2012

Um bispo acolhedor e inclusivo: espíritas sim, Católicos não.

Dois artigos de Dom Paulo Sérgio Machado, ordinário de São Carlos, São Paulo. Lá também, como em muitos outros lugares do Brasil, não chegou a carta do Santo Padre dirigida aos bispos que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum. Embora os cientistas ainda não tenham “inventado um aparelho para abrir cabeças”, muitas delas “de vento”, sua leitura lançaria algumas luzes sobre as trevas da ignorância que cobrem a mente um tanto “fora de linha” do senhor bispo.

O Retorno à Idade Média

Por Dom Paulo Sérgio Machado, bispo de São Carlos, SP – 31 de março de 2012

Não consigo entender como, em pleno século XXI, existam pessoas que querem a volta da Missa em latim, com o padre celebrando “de costas para o povo”, usando os pesados paramentos “romanos”. Estamos celebrando, neste ano, os cinqüenta anos da abertura do Concílio Vaticano II, quando já sentimos a necessidade da realização de um Vaticano III e encontramos gente que quer retornar ao passado. E, o que é mais  preocupante, são pessoas que freqüentaram a universidade, que entraram na universidade, mas a universidade não entrou neles. Penso que é hora de os nossos cientistas inventarem um aparelho para “abrir cabeças”. O “desconfiômetro” já está ultrapassado, mesmo porque estas pessoas não desconfiam que estão “fora de linha”, “fora de época”. Querem, a todo custo, a volta ao passado. Vivem de milagres e aparições, de devoções e pieguismo já, felizmente, ultrapassados.

Imaginemos um padre celebrando em latim numa capelinha rural. “Dominus vobiscum”. “Et cum spiritu tuo”. O nosso povo simples vai pensar que o padre está maluco ou, pelo menos, que o está xingando. Lembro-me de meu tempo de criança, quando a missa era em latim. As senhoras piedosas, não entendendo nada, rezavam o terço. Não tenho nada contra o terço -aliás eu rezo o rosário todos os dias- mas terço é reza, não é celebração.

Só falta defenderem a volta às famosas “mantilhas” que cobriam as cabeças das mulheres. E eu pergunto: por que não a dos homens? Seria até bonito ver os homens de “mantilhas rendadas”. Difícil seria encontrar quem as quisesse usar. A não ser alguns “cabeças de vento” que andam por aí querendo ensinar o pai posso ao vigário.

Mas, persiste a pergunta, o que está por detrás disso? Um saudosismo? Penso que não. É mais do que isso: é um desejo mórbido, um medo do novo. Uma aversão à mudança. É o que poderíamos chamar de -para usar uma expressão francesa – um “laissez faire, laissez passer”, um “deixa estar para ver como é que fica”. É uma tentativa de manter o “status quo”, mesmo que esse “status quo” beneficie a uma meia dúzia. E os outros é que se danem.

Para esses puritanos o inferno está cheio de gente; quando na verdade, cheio está o céu, porque Deus quer salvação de todos. E não apenas de uma minoria moralista que vê pecado em tudo e para quem o capeta é mais poderoso do que Deus. “Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes”, diz o profeta. Gente que se preocupa em lavar os copos, as taças, e não as mentes e os corações. É a velha posição dos fariseus – que ainda hoje são muitos - que criticavam Jesus por curar no dia de sábado. Lembro-me da história de uma pessoa que, ouvindo a notícia de que o João havia assassinado Pedro na sexta feira santa, disse: “por que ele não deixou para matar no sábado?“ Para esta pessoa o dia era o mais importante.

Termino citando dois pensamentos que fazem pensar: “O passado é uma lição para se meditar, não para se reproduzir” (Mário de Andrade — autor de Macunaíma); “Leve do altar do passado o fogo, não as cinzas” (Jean Jures — líder socialista francês).

Nosso agradecimento ao leitor Dionisio Lisbôa pela indicação.

* * *

Espiritismo: teoria ou religião?

Por Dom Paulo Sérgio Machado, bispo de São Carlos, SP – 1º de fevereiro de 2012

Nós encontramos, na história, vários codificadores de teorias. E teoria, segundo o Aurélio, é o conjunto de princípios fundamentais de uma arte ou ciência. Marx codificou as teses socialistas; Adam Smith, as capitalistas; Charles Darwin, as evolucionistas; Allan Kardec, as espiritistas. Cada um no seu campo específico.

Allan Kardec, por exemplo, preocupado com a vida após a morte, defendia a tese da reencarnação, fundado num princípio de “nova chance”, talvez preocupado com a condenação eterna. Foram muitos os seus seguidores e, principalmente no Brasil, o espiritismo assumiu características de religião. E o vasto tempo de apologética da Igreja católica contribuiu para isso. Daí os espíritas terem sido estigmatizados pelos católicos como hereges.

No meu ponto de vista, três coisas devem ser consideradas. Primeiro, que toda religião tem doutrina e culto. O espiritismo tem doutrina e não tem culto. Daí ser uma teoria e não uma religião. Basta ver que os espíritas estão mais ligados à Igreja Católica. Dificilmente se encontra um espírita evangélico, isto é, protestante. Eles fazem questão de batizar os filhos na Igreja Católica, casar na Igreja Católica e chegam até encomendar missa de sétimo dia, na igreja Católica, para os familiares falecidos.

Em segundo lugar, o que leva uma pessoa a ser espírita? São várias as razões: uns, por tradição: os pais são espíritas, os avós foram espíritas. Outros porque procuram respostas imediatas para questões insolúveis: a morte, por exemplo. Quando uma “alma” envia mensagens, ela, de certa forma, alivia o sofrimento dos que ficaram. Se um filho perdeu a mãe, indo ao centro espírita, julga que se “comunica” com ela, isso serve de alívio para ele.

E, em terceiro lugar, onde o espiritismo se desenvolveu? Nos países subdesenvolvidos. Não se fala de espiritismo, por exemplo, na Europa. Lembro-me que, uma vez, numa visita ad limina – visita que os bispos fazem ao Papa – um bispo brasileiro tentava falar do crescimento do espiritismo no Brasil. E o Papa não conseguia entender o que era o espiritismo de que o bispo falava. É, de certa forma, o “animismo” que caracteriza o “africanismo” e seus cultos.

A única coisa que, no espiritismo, contraria a Igreja Católica é a teoria da reencarnação. Isso porque ‘bate de frente’ com a fé na ressurreição. Eu chamaria isso de “atalho”, E o que é um “atalho”?  O dicionário vem em nosso socorro: “caminho que encurta a distância entre dois pontos”. No mundo moderno temos muitos atalhos: o quebra-molas, por exemplo. É mais fácil colocar um obstáculo na estrada do que educar para o trânsito; o preservativo: é mais fácil recomendar o seu uso do que promover uma educação para a castidade. Assim, a reencarnação: é mais fácil “dar uma chance” à alma penada do que exigir dela, em vida, uma conversão.

Outro aspecto relevante no espiritismo é a caridade. Os espíritas são caridosos, isto é, promovem a caridade como forma de purificação. Basta ver o exemplo de Chico Xavier. Inúmeras foram as obras de caridade por ele sustentadas. Apesar de seu “status” de médium famoso, procurado por tanta gente, viveu e morreu pobre. Talvez tenha sido esta a “isca” para atrais tantos admiradores. Com certeza, foi isso que fez dele o “papa” do espiritismo.

Espiritismo: teoria ou religião? Para mim, perguntar se um espírita pode ser católico é o mesmo que perguntar se um evolucionista ou capitalista também pode. Ou, para ser mais radical, um corintiano pode ser católico? Ou, então, um católico pode ser corintiano? Não só pode, como deve.

abril 1, 2012

Uma vez por mês, o bispo vem.

Dos monges beneditinos de Núrsia, Itália, uma nota de 19 de março sobre um bispo próximo:

O Bispo [de Foligno, Gualtiero Sigismondi,] pediu aos monges que celebrassem uma série de Missas solenes na Forma Extraordinária do Rito Romano como parte de seu esforço para apresentar os fiéis de sua diocese à forma tradicional. O próprio bispo frequentemente assiste à Missa e se senta no coro, dando assim um testemunho pessoal da importância deste “tesouro da Igreja”, como a chama o Papa Bento XVI.

A Missa é oferecida uma vez por mês na antiga igreja de Santa Maria Infraportas, às 10 AM. A próxima Missa será em 14 de abril de 2012. [Fonte; créditos: Messainlatino e Rorate-Caeli]

março 30, 2012

Presidente da Conferência Nacional dos Bispos das Filipinas celebra Missa Pontifical Solene.

Algo impensável para os dirigentes da CNBB ocorre no maior país católico da Ásia.

Por Shawn Tribe, New Liturgical Movement | Tradução: Fratres in Unum.com

O Presidente da Conferência  Nacional dos Bispos das Filipinas e Arcebispo de Cebu, Jose S. Palma, celebrou uma Missa Solene Pontifical segundo o usus antiquior no último dia 26 de março por ocasião das Festa da Anunciação.

Como parece ser o caso com frequência, os Freis Franciscanos da Imaculada deram a sua ajuda valiosa para a liturgia.

Aqui algumas fotografias do evento que foram enviadas para o NLM.

Começamos pela vestidura do arcebispo. (E nesse ponto, um breve comentário. Tive a felicidade de estar em uma série de diferentes sacristias em várias partes da Europa onde isso ocorre, e devo dizer que esses ritos, as suas orações anexas e o simbolismo que acompanha os elementos particulares dos paramentos, para não mencionar o simbolismo de tudo isso, conforme se relaciona com o cargo do bispo, são extraordinariamente comoventes e muito ricos teologicamente. Certamente, estes e seus elementos associados são algo digno de reivindicação em nossa busca de ‘enriquecimento mútuo’.)

A chegada e a vestição do Arcebispo

A Missa

Parabéns a todos que ajudaram a tornar esse evento uma realidade. Oxalá esse seja o início de muitos outros eventos semelhantes.

março 19, 2012

Papa concede indulgência aos que assistirem à inauguração de primeira igreja dedicada à Missa Tridentina na Inglaterra.

Por A Catholic Life | Tradução: Fratres in Unum.com – O Papa Bento XVI está oferecendo uma Benção Papal com Indulgência Plenária a todos os fiéis que comparecerem à grande abertura do Santuário dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e de Santa Filomena, em New Brighton, Wirral [Inglaterra], em 24 de março.

Cônego Olivier Meney, do Instituto Cristo Rei, celebra Missa no novo Santuário.

Cônego Olivier Meney, do Instituto Cristo Rei, celebra Missa no novo Santuário.

A Missa marcará a abertura do Santuário, seguindo o fechamento da paróquia em 2008 em meio a um aumento nos custos de manutenção e reparos.

O Santuário será um lugar especial de oração e devoção aberto todos os dias para a adoração da Santíssima Eucaristia.

A igreja também servirá como um centro na Diocese de Shrewsbury para a celebração da Santa Missa e demais sacramentos na Forma Extraordinária em Latim do Rito Romno.

A Paróquia dos Santos Apóstolos e Mártires é servida pela Igreja Paroquial dos Mártires Ingleses e o Padre Philip Moor, o pároco, assistirá à Missa de abertura.

março 9, 2012

Summorum Pontificum no Brasil: antecipado o início das missas dominicais em Salvador! E começam já neste domingo!

Parabéns aos fiéis, ao Padre Gilson e à Arquidiocese de Salvador! Deo gratias!

As informações são do leitor Dinisio Lisboa, a quem agradecemos:

Nós, fiéis de Salvador, não temos palavras para agradecer a ótima repercussão que vosso blog deu à Grande Vitória que foi e que é a Missa Segundo o Rito Extraordinário em Salvador, Sé Primacial desta Terra de Santa Cruz.  Inclusive informamos que muitas pessoas que a frequentam tomaram conhecimento dela através de seu blog, o qual faz um trabalho excelente de divulgação da Missa que tantos santos deu à Igreja!

Também não temos como agradecer a atenção que a Arquidiocese nos tem prestado e ao nosso capelão, Padre Gilson Magno, que, inclusive nos pediu que informássemos o blog que, devido à ótima aceitação da Missa Tridentina nestas Terras de São Salvador da Bahia, as missas semanais inicialmente designadas para maio do corrente ano, serão celebradas já a partir de 11/03/2012, domingo, apenas com a observação de que ocorrerão às 08:30h da manhã para facilitar a questão do jejum eucarístico!

Então ficamos assim:

Missa Tridentina em Salvador, BA, Sé Primacial do Brasil

Local: Capela do Colégio Nossa Senhora da Vitória – Antigo Colégio Maristas

Rua Araújo Pinho, 39, bairro Canela, CEP: 40.110-150.

Dias: TODOS OS DOMINGOS

Horário: 08:30

Celebrante: Padre Gilson Magno

Atenciosamente

Dionisio Pedro de Alcântara Lisbôa

março 9, 2012

Missa Afro na África é assim.

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A Missa Afro no Gabão: 19 de fevereiro de 2012, o Cônego Michael Stein, do Instituto Cristo Rei e Soberano Sacerdote, é instalado como novo pároco da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Libreville, capital do Gabão (que teve como reitor de seu seminário maior, em 1934, ninguém menos que Dom Marcel Lefebvre). A Missa Pontifical foi celebrada pelo bispo diocesano, Dom Basil Mvé Engone.

Missa Afro no Brasil…

Fotos: Instituto Cristo Rei

fevereiro 29, 2012

Um novo mosteiro beneditino tradicional em Fréjus-Toulon.

Em dezembro de 2011, mons. Dominique Rey, bispo Fréjus-Toulon no Sul da França, erigiu o Monastère Saint-Benoît, uma nova comunidade monástica que segue a Regra de São Bento e celebra a Sagrada Liturgia de acordo com as antigas e clássicas formas dos ritos romano e monástico. O superior, Dom Aidan, deu esta entrevista – a qual, pelo que sei, é a primeira dada por essa comunidade monástica.

Por New Liturgical Movement

Nosso agradecimento a um caro amigo pela gentileza de nos enviar esta tradução.

NLM: Dom Prior, o senhor nos poderia falar sobre as origens deste mosteiro?

A origem do nosso mosteiro jaz no nosso antigo desejo de viver a vida monacal de acordo com a Regra de São Bento. Alguns dentre nós éramos já monges beneditinos formados e professos, mas que nos encontrávamos frustrados em não viver nossa vocação por circunstâncias que escapavam ao nosso controle. Outros, também, experimentavam essa dificuldade, mas desejavam ainda ser monges. O tempo passado fora da vida monástica, por doloroso que fosse, concentrou nosso desejo de viver a vida monacal tradicional e experimentar, a cada dia, sua harmonia natural com os ritos litúrgicos e ofícios monásticos clássicos. Através de circunstâncias que foram verdadeiramente providenciais, pudemos expressar esse desejo ao bispo mons. Rey.

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