21 dezembro, 2014

“Dois amores erigiram duas cidades”.

Divulgamos a seguir a leitura introdutória ao Ato de Desagravo à exposição blasfema ocorrida na Bienal de SP, ocorrido em 30 de novembro passado. Matéria completa e outras imagens podem ser vistas aqui.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“Dois amores erigiram duas cidades, Babilônia e Jerusalém: aquela é o amor de si até o desprezo de Deus; esta, o amor de Deus, até o desprezo de si”.

O que fazemos aqui hoje nada mais é que responder à constatação prática desse pequeno trecho citado de Santo Agostinho no início de sua obra “Cidade de Deus”.

Ato de desagravo reuniu centenas de pessoas.

Ato de desagravo reuniu centenas de pessoas.

A Bienal de SP 2014 materializa muito bem esse conceito. O desprezo a Deus vai a limites tão absurdos que o homem, no caso, o ‘artista’ se infla de um ‘amor’ próprio tão sujo, tão mesquinho, que se afunda em um mar de luxúria, impurezas, canalhices e podridão.

E como é triste e vergonhoso ver como grandes empresas privadas e mesmo estatais, que poderiam contribuir para transformar o Brasil em um país mais decente, mais inteligente, mais culto, patrocinam, apoiam e aplaudem esse mar de excremento que, para eles, repousa sob o título de “arte”, de “cultura”.

Decerto, nadam todos no mesmo mar. E ousam introduzir nesse mar nossos filhos, pois são numerosas as escolas públicas que todos os dias são conduzidas à dita exposição. Isso é educar para um governo??

Infelizmente, centenas, milhares de pessoas, muitas vezes até de bem, mas cegos e ávidos pela mais nova moda do momento, contribuem pela sua passividade, ou pelo temor à opinião pública pré-fabricada pela imprensa, a jogar na Santa Face de Nosso Senhor Jesus Cristo toda essa imundície, para, segundo a própria Bienal, “gerar dinâmica através do conflito, apontando para a necessidade de pensar e agir coletivamente, modo mais poderoso e enriquecedor do que a lógica individualista que nos é imposta”.

Permito-me arriscar que essa tal “lógica que nos é imposta”, não passa de senso comum.

Essa pessoas, ignorando a Deus e à Sua Moral, perderam mesmo a mais simples noção do senso comum.

Porque podem cantar à ”arte” contemporânea, sem importar-lhes violar o mesmo Código penal no seu art. 208: «[É crime] vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso». Podem até gritar aos quatro cantos que o Estado é laico, mas agem como um Estado antirreligioso.

E, se laico é o estado, não o é seu povo, certamente.

Somos de maioria Cristã, logo, seguidores da doutrina do Cristo, de Sua Santíssima Mãe e de Sua Santa Igreja: Católica, Apostólica e Romana. E a tranquilidade que devemos ter para viver de acordo com a Fé, isso o Estado DEVE nos garantir. Mas não é o que acontece, quando se promove, se apoia e se incentiva um evento como a 31ª Bienal de SP, que nos ofende, por tripudiar, ofender, blasfemar contra o que nos é mais caro.

O título da Bienal trata de “como encontrar coisas que não existem”. Esse título é proposital e serve para que seja colocado qualquer verbo que sirva em determinada circunstância. Assim podem discorrer sobre como “ver”, “sentir”, “viver” coisas que não existem. Assim, dizem: “(as coisas que não existem) nos confrontam quando testemunhamos injustiças”. E, bom, nisso, concordo em partes, pois de fato, creio que todos nós aqui presentes, nos sentimos “confrontados” com um Estado que não existe, um código penal que não existe, autoridades que não existem, uma maioria de padres e bispos que não existem… ou vivem como se não existissem.

E diante dessa total “inexistência” estamos aqui, para “tornar tangível” uma coisa bem real e de muita importância: desagravar as ofensas públicas feitas a Deus, Sua Santíssima Mãe e Sua Igreja.

Há mais de 30 peças que ofendem ao que eles chamam “sentimento religioso dos católicos”: espaço para abortar, imagens dos sagrados corações com baratas, em máquinas de moer, com excrementos, o manto de nossa Senhora em um travesti… isso é arte?

Devolvamos, pois, com 50 Ave Marias, de todo nosso coração, não à Bienal, mas diretamente ao coração de Cristo e que Ele se digne aceitar nossa humilde reparação a tamanha vergonha, tamanha rebeldia daqueles que preferem idolatrar não o Deus Verdadeiro, mas o mundo o qual, como sabemos, jaz no Maligno.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

21 dezembro, 2014

Foto da semana.

Por Chiesa et Post Concilio | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Não nasceu do nada, mas foi uma iniciativa, com a colaboração do eurodeputado Mario Borghezio, que, em comemoração ao centenário de morte de São Pio X, em 2014, propôs que um bispo da Fraternidade Sacerdotal São Pio X abençoasse o Presépio junto ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, que já vem sendo exibido há vários anos. Convite ao qual respondeu imediatamente Dom Fellay. Este particular eu soube através do Medias- Press [ver]. A bênção foi assistida por vários deputados do Parlamento Europeu: Franceses, Gregos, Ingleses, Portugueses e Italianos. O texto que se segue foi retirado do website do Distrito da FSSPX Italiana [aqui]:

No dia 09 de dezembro de 2014, por iniciativa do Civitas, um presépio foi montado no Parlamento Europeu, em Bruxelas; Dom Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, quis ir pessoalmente lá para abençoá-lo na presença de alguns deputados, assistentes e funcionários parlamentares, bem como alguns convidados do exterior presente para a ocasião.

Alain Escada, presidente do Civitas, brevemente tomou a palavra para recordar que o Menino Jesus, o centro do presépio, é chamado a governar as nações e que todo poder vem de Deus. Citando São Pio X, recordou que: “A civilização não é algo a ser inventado: foi e é a civilização cristã, é “a cidade católica. Não se trata de outra coisa senão instaurá-la e re-instaurá-la sobre seus fundamentos naturais e divinos”.

Por sua vez, o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X se dirigiu ao público presente dizendo: “É aí que tudo começou, no presépio. Assim, é natural que os líderes europeus rendam homenagem ao Deus que vem entre os homens para salvá-los, Ele que é o Rei dos Reis. Recordemos o que disse o Cardeal Pie (a Napoleão III): ‘Se não é chegado o tempo para Jesus Cristo reinar, então não é chegado o momento para os governos durarem'”.

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1. Civitas, movimento político francês, inspirado no Direito natural e na Doutrina Social da Igreja, que inclui leigos católicos comprometidos com o estabelecimento do Reinado Social de Cristo sobre as nações e os povos em geral, sobre a França e os franceses em particular.
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20 dezembro, 2014

Um hotel em Roma, armas e droga. Assim, os Frades Menores foram à falência.

Será que os Frades Menores, envolvidos neste estrepitoso escândalo financeiro, não receberão também uma “fraterna” Visita Apostólica, ou este seria um “privilégio” exclusivo dos pobrezinhos Franciscanos da Imaculada? Parece que, neste pontificado, o único e verdadeiro crime consiste em ser católico.

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Por Gelsomino del Guercio | Tradução – Fratres in Unum: Frades menores próximos da falência. Na mira de investigações financeiras opacas, por conta da reestruturação de um hotel em Roma, com vistas ao Vaticano. E não é só isso. Fala-se até mesmo de armas e droga.

ECONÔNOMO SOB ACUSAÇÃO

unnamedO escândalo, que saiu em Panorama (18 de dezembro), teria explodido em outubro. Os investimentos, escreve o vaticanista do semanário, Ignazio Ingrao, remetem ao período em que era superior dos frades menores José Rodriguez Carballo, hoje secretário da Congregação para os religiosos (uma das primeiras nomeações do Papa Francisco, ndt). Está sob acusação o ex-ecônomo geral, o Fr. Giancarlo Lati, que foi demitido juntamente com alguns conselheiros.

O APELO DE PERRY

O sequestro dos fundos, os interesses passivos a serem pagos e a perda de uma parte do patrimônio por causa de investimentos perigosos deixaram de joelhos os frades, a ponto de constranger o novo ministro geral, Fr. Michael Perry a pedir aos Estados Unidos e a outras províncias que fizessem uma coleta para ajudar a Cúria generalícia.

VIGILÂNCIA FRACA

Um dos resultados da investigação, explica Perry numa carta publicada no site oficial dos Frades menores e reportada em Avvenire (18 de dezembro), foi que “os sistemas de vigilância e de controle financeiro da gestão do patrimônio da Ordem eram fracos demais ou, então, comprometidos, levando à inevitável consequência de sua falta de eficácia com relação à salvaguarda de uma gestão responsável e transparente”.

OPERAÇÕES FINANCEIRAS DUVIDOSAS

“Em terceiro lugar – prossegue Perry –, parece que houve um certo número de operações financeiras duvidosas, conduzidas por frades aos quais se tinha confiado o cuidado do patrimônio da Ordem, sem o pleno conhecimento e o consentimento do precedente e do atual Definitório geral”, que decidiu “pedir a intervenção das autoridades civis, para que estas possam trazer luz a estes acontecimentos”.

UM BARULHO EM “O CÂNTICO”

O Corriere della Sera  (19 de dezembro) aponta o dedo para o hotel “O Cântico”. Mesmo que os frascos de shampoo dos banheiros levem a oração do poverello de Assis, nota o Corriere, foi justo este albergue, com vistas à Cúpula de São Pedro, que arrastou à bancarrota a Ordem dos Frades Menores. Sob acusação está o departamento de aquisição e reestruturação do hotel. Sente-se, no final das contas, o cheiro de um estrondoso cambalacho, levado a cabo também por leigos, neste “buraco” de incontáveis “milhões”.

RESSALVAS AOS FRADES DE ASSIS E DE SAN GIOVANNI ROTONDO

Neste cenário, os Franciscanos gostam de esclarecer que são uma galáxia composta por diversas famílias. Por isso, estão fora do ciclone os Frades Capuchinhos, os Conventuais, as Terceiras Ordens regulares (e, sobretudo, os Franciscanos da Imaculada, ndt), para que se entenda, os frades de San Giovanni Rotondo e os de Assis (Vatican Insider, 19 de dezembro).

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20 dezembro, 2014

Melhor unidos do que “Uniatas”. Com os Ortodoxos, Francisco quer mudar de rumo.

Por Sandro Magister | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: No vôo de regresso de Constantinopla a Roma, ao ser interpelado por um importante jornalista russo, Papa Francisco fez uma piada que não é imediatamente compreensível por aqueles não familiarizados:

“Eu vou dizer uma coisa que talvez alguém não consegue entender, mas… As Igrejas Orientais católicas têm o direito de existir, é verdade. Mas uniatismo é uma palavra de uma outra época. Hoje não se pode falar assim. Deve-se encontrar um outro meio”.

Para entender o significado dessa piada vem em socorro a nota abaixo.

O autor ensina história da Igreja Ortodoxa na Universidade Estatal de Bolonha e na Faculdade de Teologia de Emilia Romagna. É diácono e preside a Comissão para o  Ecumenismo da Arquidiocese de Bolonha.
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“PALAVRA DE UMA OUTRA ÉPOCA”

Por Enrico Morini

“Uniatismo” é uma palavra feia, embora seja um termo já consagrado pelo uso e difícil de ser desprezado. A alternativa correta seria na verdade uma paráfrase: “Cristãos orientais unidos a Roma”. A expressão foi cunhada no âmbito ortodoxo com um sentido fortemente pejorativo, para descrever o resultado de uma união espúria, enganosa, desleal e provocante.

Se trata de um fenômeno que começou na dinâmica das relações entre as igrejas na era moderna, quando a Igreja Católica percebeu que, após o fracasso da união com a Igreja Ortodoxa assinado em Florença em 1439, qualquer outra tentativa de se alcançar uma união completa entre as duas Igrejas – até mesmo por causa das mutáveis condições culturais e políticas da Igreja Ortodoxa sob o domínio turco – já não tinha a menor chance de sucesso.

Passou-se, portanto, do objetivo tradicional e mais ambicioso que era a união global com a Igreja Ortodoxa como um todo, para a nova estratégia das uniões parciais, feitas com bispos individuais de uma determinada região que aceitavam os termos da união sancionada em Florença, os quais envolviam a aceitação do dogma católico,  a garantia de manter seu próprio rito e, mais em geral, suas próprias tradições religiosas (como, por exemplo, o calendário juliano).

O fenômeno começou em 1596 com a união, sancionada em Brest, do Episcopado da Ucrânia Oriental — que naquela época estava sob domínio da coroa polaco-lituana — que olhava para Roma para superar uma profunda crise cultural e moral.

E continuou com a união sancionada em Uzhhorod em 1646 pelo clero ortodoxo da Rutênia subcarpática, que era então o reino da Hungria.

E finalmente se concluiu com a união dos romenos ortodoxos da Transilvânia, que acompanharam o bispo de Alba Iulia, em 1700, na adesão à Igreja de Roma.

Uma vez que no final do século XVIII, sob Catarina II, a Igreja Ucraniana Unida foi abolida por lei, mas reorganizada pela Santa Sé na Ucrância Ocidental, ou seja, na Galiza, em torno da sé episcopal Leopoli (Lviv), todos estes Católicos de rito oriental se viram dentro do Império Austro-Húngaro, que assumiu a tarefa de protegê-los e promover o seu desenvolvimento e onde assumiram o nome de greco-católicos.

Nesse meio tempo, também no antigo Patriarcado de Antioquia — então sob domínio dos turcos – se iniciou um movimento de aproximação a Roma, e quando, em 1724, um dos líderes desse movimento subiu ao patriarcado foi provocada uma divisão nessa Igreja, que ainda subsiste no Oriente Médio, entre greco-Católicos e ortodoxos, ambos de língua árabe.

Finalmente, em seguida, a Santa Sé estabeleceu eparquias apostólicas na Rússia (1917), Bulgária (1926) e na Grécia (1932) para os fiéis Católicos de rito “bizantino”, como resultado da atividade missionária católica entre os ortodoxos.

Para os ortodoxos, o fenômeno representa uma ferida sempre aberta. Não se trata simplesmente de respeitar a liberdade religiosa: sua aversão decorre de uma incompreensão ligada à sua própria eclesiologia.

Os Ortodoxos não aceitam que o rito seja separado do dogma: a maneira pela qual oramos é um reflexo do que acreditamos. A partir deste ponto de vista, os “uniatas” são vistos como um híbrido monstruoso: eles têm o rito ortodoxo, mas professam a fé católica e, não sendo, portanto, nem Ortodoxos e nem Católicos, são percebidos exclusivamente como uma ferramenta de propaganda para esvaziar as Igrejas Ortodoxas de seus fiéis. Em outras palavras, eles são vistos como o “cavalo de Tróia” para subverter a Ortodoxia.

Quando estas Igrejas voltaram à luz após o período do comunismo — que as havia liquidado através da promoção do retorno de seus fiéis à Igreja Ortodoxa — os Ortodoxos colocaram um ultimato à Igreja Católica: o diálogo teológico poderia ser retomado somente após a resolução do problema do “uniatismo”.

Assim saiu, em 1993, o documento de Balamand, no Líbano, da comissão mista para o diálogo teológico, que, no entanto, não foi aceito nem pela Igreja Católica, para a qual o documento era muito severo no tocante ao julgamento histórico do ”uniatismo”, e nem para a maioria das Igrejas Ortodoxas, que o consideraram como demasiado permissivo ao defender a sobrevivência destas Igrejas. Mesmo uma sessão plenária subsequente dessa Comissão em Baltimore, em 2000, mais uma vez sobre esta questão, terminou em nada.

As palavras do Santo Padre, em seu vôo de volta de Constantinopla, retomam exatamente os termos do texto de Balamand, que na verdade ele já tinha mencionado na entrevista para “La Civiltà Cattolica” em 2013.

O documento afirma que estas Igrejas devem continuar a existir, já que elas alcançaram especial fisionomia, a sua própria identidade eclesial e cultural dentro do Catolicismo; além do mais, elas enriquecem a Igreja ao infundir nela a força vital da espiritualidade e teologia oriental (basta pensar no papel do patriarca greco-católico de Antioquia, Maximus IV Saigh, durante o Concílio Vaticano II. O Patriarca Atenágoras, disse: “Você nos representa!”) e testemunhou com o sangue a sua fidelidade à Igreja de Roma.

Enquanto isso, o documento reconhece que o método de construção da unidade entre as duas Igrejas através de uniões parciais agora está superado, já que fere a caridade e é absolutamente incompatível com a eclesiologia das Igrejas irmãs.

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UMA OBSERVAÇÃO – Entre os “uniatas”, os ucranianos são o maior grupo, com mais de cinco milhões de fiéis. E são eles também os que tem mais conflitos com a Igreja Ortodoxa. São, na verdade, os católicos gregos-ucranianos o principal obstáculo para o encontro entre o Papa e o Patriarca de Moscou, com mais outro agravante – recordado por Francisco na conferência de imprensa de 30 de Novembro – a guerra civil em curso no país.

No dia 10 de dezembro, os Católicos greco-ucranianos celebram, em Kiev, 25 anos de seu retorno à liberdade após o colapso do império soviético que os havia anexado contra sua vontade à Igreja Ortodoxa Russa. E para essa ocasião, Papa Francisco enviará como seu representante o cardeal Christoph Schönborn, Arcebispo de Viena e, portanto, o representante da capital histórica daquele império de Habsburgo que os protegeu do imperialismo russo político e religioso.

 

19 dezembro, 2014

Padre Jorge e seus confrades. Porque eles queriam se livrar dele.

Por Sandro Magister | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com – No dia do aniversário do Papa Francisco, 17 de dezembro, comemorado pelo tango dançado na Praça de São Pedro e por milhares de seus “aficcionados”, “L’Osservatore Romano” publicou uma página de um livro publicado na Argentina, que Jorge Mario Bergoglio guarda de uma maneira particular e em cuja elaboração quis ele mesmo meter a mão.

Intitulado “Aquele Francisco”, escrito por Javier Cámara e Sebastián Pfaffen, dois jornalistas de Córdoba, e impresso pela Raíz de Dos, uma editora daquela mesma cidade, o livro reconstrói de forma precisa e com uma grande quantidade de testemunhas confiáveis, os dois períodos cruciais da vida do papa atual transcorridos justamente em Córdoba: os dois anos de noviciado, entre 1958 e 1960, e sobretudo os outros dois anos, quando ele foi dispensado de todos os cargos na Companhia de Jesus, entre 1990 e 1992, numa espécie de exílio que ele hoje gosta de definir como “purificação interior”.

Informado em dezembro de 2013 pelo arcebispo de Córdoba, em uma visita a Roma, de que os dois jornalistas estavam escrevendo um livro sobre essa dupla porção de sua vida, o Papa Francisco os chamou ao telefone não uma, mas várias vezes e não parou mais de dar sua contribuição. Manteve com eles uma extensa troca de correspondência via correio. Mergulhou fundo em suas memórias e transformou o livro em uma espécie de autobiografia cordobana, com muitos de seus pareceres e histórias em aspas.

São pelo menos dois pontos que intrigam, neste livro.

O primeira tem a ver com os verdadeiros motivos que provocaram a queda em desgraça de Bergoglio dentro da Companhia de Jesus, depois dele ter sido na década de setenta o número um argentino.

Quem o exilou em Córdoba foi um jesuíta que o conhecia bem de perto, Padre Víctor Zorzin, o qual tinha sido seu “parceiro”, ou seja, o vice de Bergoglio, quando ele era chefe da província argentina, e que, em 1986, se tornou seu provincial permanecendo no cargo até 1991.

Entre Zorzin e Bergoglio havia forte desacordo sobre os métodos de governo, e do mesmo modo entre Bergoglio e o sucessor de Zorzin, Padre Ignacio García-Mata, que se tornou o provincial entre 1991-1997.

Esta discordância tomou forma concreta – documentam os autores do livro – através de uma incessante  “campanha de difamação” contra Bergoglio, que encontrou ouvido sensível em Roma por parte do próprio Superior Geral da Companhia de Jesus, na época o holandês Peter Hans Kolvenbach. Fizeram circular boatos – como testemunham entre outros Padre Ángel Rossi, o atual Superior da residência cordobana onde Bergoglio foi exilado – que aquele ex-provincial dos jesuítas, que antes era “tão brilhante”, tinha sido enviado para o isolamento em Córdoba”, porque era um doente, um louco”.

Aquele que em 1979  foi substituído por Bergoglio como provincial, permanecendo no entanto seu amigo, o padre Andrés Swinnen, nos fornece hoje uma explicação que tem mais substância. A “culpa” de Bergoglio foi de continuar a exercer forte liderança pessoal sobre uma fração da Companhia de Jesus, mesmo depois de já não ter mais nenhum papel como dirigente. Primeiramente o haviam feito reitor do Colégio Máximo de San Miguel, depois o despacharam para fazer um doutorado em Frankfurt na Alemanha, de onde voltou correndo para a Argentina, e depois ainda o transferiram para ensinar teologia na Colegio del Salvador. No entanto, de qualquer que fosse o lugar pra onde era enviado, ele continuava a agir – conta o Padre Swinnen – “como um Superior paralelo”, influenciando muitos jesuítas, sobretudo os mais jovens, numa década em que mais de uma centena deles abandonou  a Ordem e o sacerdócio. E esse êxodo lhe foi imputado, não obstante “a maioria dos que deixaram a Ordem pertencia ao grupo dos que não estavam do lado de Bergoglio, mas justamente aqueles que queriam livrar-se dele”.

Outra revelação interessante do livro diz respeito ao que Bergoglio escreveu durante os dois anos de exílio em Córdoba.

Naquela cidade, Bergoglio relata hoje que já havia escrito dois livros: “Reflexiones en esperanza” e especialmente “Corrupción y pecado”, e que pensou o último a partir de um episódio dramático ocorrido em 1990, o do assassinato de uma jovem de  17 anos de idade em Catamarca por obra de um expoente da alta sociedade.

O tema da “corrupção” é algo que constantemente retorna na pregação de Francisco. Mas há também um outro de seus escritos do período de Córdoba que reaparece com força no seu magistério de papa.

“Em Córdoba – revela Bergoglio em ‘Aquele Francisco’ – voltei a estudar para ver se eu poderia proceder na redação da tese de doutorado sobre Romano Guardini. Não consegui finalizá-la, mas aquele estudo me ajudou muito para o que aconteceu comigo depois, incluindo a redação da exortação apostólica “Evangelii gaudium’, cuja secção relativa aos critérios sociais foi toda tomada de minha tese sobre Guardini”.

E é exatamente assim. Na “Evangelii gaudium” tem uma citação de Guardini, do seu ensaio “O fim da era moderna”. E isso se encontra dentro da seção (nºs 217-237.) na qual o Papa Francisco ilustra os quatro critérios que em sua opinião são aqueles que promovem o bem comum e a paz social: 1. o tempo é superior ao espaço; 2. unidade prevalece sobre o conflito; 3. a realidade é mais importante do que a idéia; 4. o todo é maior do que a parte.

Mesmo esses critérios estão continuamente presente em Papa Francisco. Não só na sua pregação, mas também na sua maneira de governar a Igreja.

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19 dezembro, 2014

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa de Natal em Interlagos, SP.

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18 dezembro, 2014

Papa Francisco, Obama, Cuba e a Grande Pátria Latino-Americana.

Por Fratres in Unum.com 

Será que alguém ainda não percebeu para onde caminha este pontificado?

Depois de se referir à “Grande Pátria latino-americana”, no dia da Virgem de Guadalupe, aderindo ao vocabulário dos “iniciados” do Foro de São Paulo, o Papa Bergoglio favorece, mais uma vez, um dos maiores inimigos da Igreja, o comunismo.

Ontem, Obama anunciou a retomada das relações diplomáticas dos Estados Unidos com Cuba, atribuindo os méritos da empreitada ao Papa Francisco, que se “compraz grandemente” pelo sucesso de sua intermediação. Também o mandatário norte-americano se referiu en passant à tal Grande Pátria, declarando em rede de televisão e em espanhol: “Somos todos americanos”.

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O alinhamento ideológico é flagrante em Obama que, enquanto pôde, e a exemplo de seus autoritários pares latino-americanos, buscou achincalhar o legislativo — só não foi além, eliminando de vez o embargo, porque isso extrapola as suas atribuições e esbarra em um congresso republicano nada subserviente.

Pois bem, agora que Cuba entrevê o financiamento do comunismo com dólares americanos, Dilma pôde agradecer ao Papa e comemorar a “vitória de Fidel e do povo cubano”.

Tem-se a impressão de ver o retorno do Pontífice enquanto autoridade moral mundial de outrora, intermediador neutro de conflitos aos quais acorriam países em litígio. Contudo, em vez de isenção, neste caso há o vício ideológico. Dilma, Kirchner, Maduro, irmãos Castro, toda a esquerda exulta. Reconhecem a manobra de Obama e Francisco — os laicistas falam, piedosos que são, de milagre em vida!

Curiosamente — coincidentemente… –, este grau máximo de incensamento ao Papa Francisco ocorre quando ele reenvia, persistente, após uma derrota fragorosa no sínodo deste ano, outro questionário às dioceses, em mais um passo do que parece ser uma determinada jornada fadada a abalar as estruturas na moral Católica.

Francisco, infelizmente, atende sempre mais aos anseios e expectativas da moral da Nova Ordem Mundial — não é preciso recordar a pouca importância dada a temas como aborto e moral sexual, inversamente proporcional ao vigor quando se trata de pedir fechamento de Guantánamo ou o diálogo mesmo com os terroristas do ISIS.

Naturalmente, acaba sendo alçado cada vez mais às honras dos altares globalistas — chegando agora ao ápice do culto à sua pessoa –, sendo transformado em um semi-ídolo, intocável personificação dos valores politicamente corretos, contra o qual ninguém ousará se opor, sob pena de incorrer nas excomunhões eclesial e secular.

Como disse a Virgem de Fátima, “a Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados”.

Deus tenha misericórdia da nossa geração, que pode ter a imensa desgraça de ver o levante do dragão vermelho comunista reerguendo-se em fúria, para atacar a Igreja. Como dizia a antiga oração a São Miguel Arcanjo, escrita por Leão XIII, na forma completa do exorcismo de sua autoria, “os mais maliciosos inimigos têm enchido de amargura a Igreja, esposa do Cordeiro Imaculado, têm-lhe dado a beber absinto, têm posto suas mãos ímpias sobre tudo o que para Ela é mais sagrado; onde foram estabelecidas a Sé do Beatíssimo Pedro e a Cátedra da Verdade como Luz para as Nações, eles têm erguido o Trono da Abominação e da Impiedade, de sorte que, ferido o Pastor, possa dispersar-se o rebanho. Ó invencível Príncipe, ajudai o povo de Deus contra a perversidade dos espíritos que lhes atacam e dai-lhes a vitória. Amém”.

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18 dezembro, 2014

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa em Montes Claros, MG.

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17 dezembro, 2014

Relatório sobre as irmãs norte-americanas enfatiza a “gratidão” e reflete mudanças no Vaticano.

IHU – O relatório do Vaticano dessa terça-feira sobre a investigação das ordens religiosas femininas dos Estados Unidos (disponível aqui, em inglês) foi amplamente positivo no tom, em contraste com as declarações emitidas quando a investigação começou em 2009.

A nota é de John Thavis, publicada no seu blog, 16-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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Naquela época, o cardeal Franc Rodé, que dirigia a Congregação vaticana para as ordens religiosas, disse que o estudo tinha como objetivo identificar atitudes “seculares” e “feministas” que tinham se infiltrado nas ordens das freiras e ajudaram a provocar um drástico declínio no número de membros.

O relatório dessa terça-feira não vai nesse sentido. Em vez disso, delineia desafios reais enfrentados pelas ordens religiosas, ao mesmo tempo em que agradece repetidamente as irmãs pelo seu serviço ao Evangelho.

Essa abordagem equilibrada reflete uma mudança de guarda no Vaticano – mas é uma mudança que começou com o Papa Bento XVI. Em 2011, Bento XVI nomeou o cardeal brasileiro João Braz de Aviz para substituir o cardeal Rodé. O cardeal brasileiro assumiu a investigação das religiosas, mas adotou uma abordagem muito mais conciliatória.

Eu acho que o relatório equilibrado dessa terça-feira foi praticamente uma conclusão antecipada, tendo em vista a liderança continuada do cardeal Braz de Aviz na Congregação vaticana para as ordens religiosas e dado que o Papa Francisco claramente quer a paz com as irmãs norte-americanas.

No entanto, parece haver uma dinâmica do “bom policial, mau policial” que ainda perdura no Vaticano. Uma investigação separada do Vaticano sobre a Leadership Conference of Women Religious (LCWR), a maior associação de irmãs norte-americanas, foi realizada pela Congregação doutrinal e tem sido muito mais crítica.

Em 2012, a Congregação doutrinal emitiu uma “avaliação doutrinal” e insistiu em grandes mudanças na LCWR para garantir que a organização se alinhe com o ensinamento católico em áreas como a ordenação de mulheres, a homossexualidade, o aborto e a eutanásia.

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O cabo de guerra sobre a implementação dessas mudanças continua. No ano passado, em uma rara demonstração de pontos de vista divergentes nos níveis mais altos do Vaticano, o cardeal Braz de Aviz criticou a forma como a revisão da LCWR foi conduzida. Isso levou a uma rápida declaração do Vaticano, que tentou minimizar qualquer desacordo entre Braz de Aviz e o cardinal Gerhard Müller, presidente da Congregação doutrinal.

O cardeal Müller não afrouxou, no entanto. Alguns meses atrás, ele repreendeu a LCWR por ter adotado ideias que ele disse que levam a “erros fundamentais” sobre “a onipotência de Deus, a encarnação de Cristo, a realidade do pecado original, a necessidade de salvação e o caráter definitivo da ação salvífica de Cristo”.

A LCWR está trabalhando com o arcebispo de Seattle, J. Peter Sartain, que foi nomeado em 2012 para implementar a avaliação doutrinal. Depois de se encontrar com o arcebispo em agosto passado, a LCWR emitiu um comunicado que dizia em parte: “Continuaremos a conversa com o arcebispo Sartain como uma expressão de esperança de que novas formas possam ser criadas dentro da Igreja para uma discussão saudável das diferenças”.

17 dezembro, 2014

Perigo! Votação que abre (ainda mais) as portas do Brasil ao aborto ocorre hoje! Manifeste-se!

Por Aline Castilho – Fratres in Unum.com: Na última quarta-feira, 10 de dezembro, foi apresentado pelo relator Senador Vital do Rego (PMDB-PA), o relatório do PLS 236/2012, o Novo Código Penal. O prazo dado aos membros da Comissão de Constitucionalidade do Senado foi de apenas 2 dias para ler o relatório de 300 páginas e apresentar as emendas. Como era de se esperar, os Senadores não tiveram tempo para ler as centenas de páginas, nem uma assessoria jurídica para elaborar adequadamente emendas que contribuíssem para o Novo Código Penal.

Dentre as várias alterações absurdas, o Novo Código descriminaliza o aborto usando uma redação ainda mais ampla que aquela utilizada para introduzi-lo na Inglaterra. O art. 217 da proposta afirma:

Não há crime de aborto praticado por médico se houver risco à vida ou à saúde da gestante”.

Além disso, o projeto altera importantíssimas disposições penais em nosso código:

  • Suprime a criminalização da venda de drogas abortivas,
  • Retira a menção à proibição da pena de morte aplicada pelos indígenas,
  • Remove a pena de homicídio culposo entre parentes (art. 121),
  • Descriminaliza o terrorismo movido por propósitos sociais (art. 245 § 2),
  • Revoga a proibição da fabricação e uso de minas terrestres (art; 541),
  • Revoga as penas para quem impede por ameaça ou violência uma CPI (art. 541),
  • Eliminam os artigos que criminalizavam a prática e divulgação de atos obscenos em público e
  • Introduz a ideologia de gênero pela inserção do crime de “transgenerização forçada”, além de muitas coisas conhecidas e desconhecidas.

A votação está prevista para hoje, 17 de dezembro. Muitas pessoas estão ligando e mandando e-mails para os Senadores e é importante que mais pessoas se posicionem pela não aprovação do Novo Código Penal sem a devida discussão e revisão desses pontos.

Há também uma petição no site CitizenGo e é igualmente importante a nossa assinatura e divulgação.

Não deixe de manifestar o seu repúdio aos Senadores da Comissão de Constitucionalidade:

renan.calheiros@senador.leg.brvital.rego@senador.leg.brgab.josepimentel@senado.leg.br;

anibal.diniz@senador.leg.brgleisi@senadora.leg.brpedrotaques@senador.leg.br;

antoniocarlosvaladares@senador.leg.brinacioarruda@senador.leg.brcrivella@senador.leg.br;

randolfe.rodrigues@senador.leg.breduardo.suplicy@senador.leg.breduardo.braga@senador.leg.br;

simon@senador.leg.brricardoferraco@senador.leg.brluizhenrique@senador.leg.br;

eunicio.oliveira@senador.leg.brfrancisco.dornelles@senador.leg.brsergiopetecao@senador.leg.br;

romero.juca@senador.leg.braecio.neves@senador.leg.brcassio@senador.leg.br;

alvarodias@senador.leg.brjose.agripino@senador.leg.braloysionunes.ferreira@senador.leg.br;

armando.monteiro@senador.leg.brmozarildo@senador.leg.brmagnomalta@senador.leg.br;

vicentinho.alves@senador.leg.br;

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