13 fevereiro, 2016

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Tudo é do Cristão, mas ele mesmo é de Jesus Cristo.

“Todas as coisas são vossas, ou seja Paulo, ou seja Apolo, ou seja Cefas, ou seja o mundo,  ou seja a vida, ou seja a morte ou sejam as coisas presentes, ou sejam as futuras; tudo é vosso; mas vós (sois) de Cristo, e Cristo de Deus” (1 Coríntios. III, 22 e 23).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Estas palavras mostram-nos, no cristão, a mais gloriosa realeza e a mais nobre servidão. Tudo é seu: mas ele mesmo é de Jesus Cristo.

1 – Tudo é meu. – Quando Deus me adotou, na fonte do batismo, revestiu-me de uma admirável realeza, dizendo-me, pela boca do grande Apóstolo: Meu filho, tudo é teu: todas as coisas são vossas. Que imenso horizonte se descobre, aqui, aos olhos da minha fé! Desde o momento em que sou filho de Deus, tudo me pertence: em primeiro lugar, a Igreja, representada pelos homens apostólicos, ou Paulo, ou Apolo, ou Cefas. Sim, a Igreja é minha; a Igreja, com o esplendor dos seus mistérios, com as águas vivas de seus Sacramentos, a sua nuvem de mártires, ou testemunhas, de protetores e de modelos; com os seus tesouros de graças, verdadeiramente inesgotáveis. Os trabalhos dos Apóstolos e dos seus sucessores, a sua vida, a sua morte: tudo o que é da Igreja, é meu. Todos os seus ministros, todos os meios de santificação de que dispõe, não me pertencem menos que a luz e o orvalho do céu. Que cuidado devo ter em  aproveitar-me de tamanho tesouro! Uma alma ingrata não pode meditar, sem terror, estas palavras do Apóstolo: “A terra que absorve a chuva que cai muitas vezes sobre ela, e produz erva proveitosa a quem a cultiva, recebe a bênção de Deus. Mas, se ela produz espinhos e abrolhos, é reprovada e está perto
da maldição, e o seu fim é a queima” (Hebreus VI, 7 e 8).

tumblr_ntrvpnSawy1sknvnko1_500Mas, se a Igreja é minha, e o mundo é da Igreja, é, por conseguinte, meu o mundo, ou seja todas as coisas criadas, ou o mundo. Oh! quantas vozes me dão as criaturas, para me incitar a amar o meu Deus! Como se doem e gemem, quando faço violência à sua natureza, desviando-as do seu fim, empregando em ofender a Deus, o que me é dado para ajudar-me
a servi-Lo!

A vida é minha, ou a vida: sim, a vida, com todas as suas vicissitudes, tristezas, alegrias, dias belos e dias sombrios, tribulações e consolações. Diz a Sagrada Escritura que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam ao Senhor (Cf. Romanos. VIII, 28): sim, a vida, que o Filho de Deus veio trazer à terra: Eu vim para que tenham a vida; e tenham-na com abundância” (S. João. X, 10). E não é Ele mesmo a vida?; ora, Jesus pertence-me: seu Pai deu-mo; Ele mesmo se deu, e se dá, ainda, a mim todos os dias, na qualidade de pão vivo e princípio de vida: “Eu sou o pão vivo que dá a vida aos homens” (S. João, VI, 48 e 51).

A morte é minha, ou a morte. Caríssimos, é verdade que não posso evitá-la, mas posso pôr-me em estado, não só de não a temer, mas, também, de a desejar, como dizia São Paulo: “Tenho o desejo de estar desatado e estar com Cristo” (Filipenses, I, 23). Desde que o meu Salvador venceu a morte, só de mim depende fazê-la minha serva, e tirar dela, grande utilidade; posso constrangê-la a abrir-me as portas da prisão, e a introduzir-me no Céu.

Tudo é, pois, meu: o futuro, assim como o presente; o bem, que Deus me faz, é um penhor seguro do que me prepara.

2 – Sou de Jesus Cristo.  – Sou de Jesus Cristo, como preço da sua paixão e morte. Jesus fez a aquisição de todo o meu ser, entregando-se a si mesmo por mim. Não sou de mim mesmo; como custei caro ao meu amável Redentor! Pagando o meu resgate, e incorporando-me em si, pelo batismo, Jesus quis ter mais uma inteligência, para contemplar a seu Pai adorável, mais uma vontade, para O seguir com amor, mais um coração, para o amar, mais uma boca, para cantar eternamente os seus louvores. Ser de Jesus Cristo é o meu título de nobreza. Mas cumpre não esquecer que  – Nobreza, obriga. Para ser de Jesus Cristo, é necessário ter o seu Espírito: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, este não é d’Ele” (Romanos VIII, 9).

Terminemos com Santo Ambrósio: “Os homens do mundo têm tantos senhores como paixões. A luxúria vem, e diz: Sois meu, porque cobiçais os prazeres da carne. A avareza vem, e diz: Sois meu; o ouro e a prata, que possuís, são o preço da vossa liberdade. Vêm todos os vícios, e cada um diz: Sois meu. Não pode ser inteiramente de Jesus Cristo, senão aquele que está livre de todo o apego culpável, e mostra sempre, com o seu procedimento, que é servo deste adorável Senhor”.

Sou vosso, ó Jesus: isto explica os cuidados paternais da vossa Providência a meu respeito e nisto fundo a esperança da minha salvação. E poderia eu perder-me nas vossas mãos? Não, Senhor; e, salvando-me, será um bem vosso que salvareis. Arrependo-me e espero vossa misericórdia, ó Jesus, por tantas e tantas vezes que ousei dispor de mim, em detrimento dos vossos direitos mais incontestáveis: usando do meu espírito, do meu coração, do meu corpo, da minha saúde, do meu tempo, como se tudo isto me pertencesse; e que uso, meu Deus, fiz eu de tudo isto? Mas, pela vossa graça, tomo a resolução de combater, energicamente, tudo o que pode separar-me de Vós. Amém!

13 fevereiro, 2016

Francisco e Kirill: declaração conjunta.

Por Rádio Vaticana – No histórico encontro desta sexta-feira, dia 12 de fevereiro em Cuba o Papa Francisco e o Patriarca de Moscovo Kirill assinaram uma declaração conjunta. Eis o texto integral dessa declaração:

Continuar lendo

12 fevereiro, 2016

Campanha da Fraternidade, um desabafo sacerdotal.

Do facebook do Reverendíssimo Pe. Cleber Eduardo dos Santos Dias:

Um texto longo, mas necessário. Peço que ninguém o mutile, nem o altere:Algumas notas sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016: “Casa comum nossa responsabilidade”.

12694791_10206813048418748_8827556593086458918_o

Este texto está assegurado pela a Constituição Federal, Artigo 5º ” IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; ” e também pelo Código de Direito Canônico, cânon 212 § 2: “Os fiéis têm o direito de manifestar aos Pastores da Igreja as próprias necessidades, principalmente espirituais, e os próprios anseios.” e § 3: “De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, tem o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos Pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os Pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, dêem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis.”

Portanto, escrevo aos leitores, certo de que entre eles, alguns de nossos bispos também o lerão. Já aviso de antemão que qualquer comentário pejorativo aos Senhores Bispos será sumariamente apagado, não porque alguns não o mereçam, mas porque o meu perfil não é um lugar para bate-bocas de comadres de vila. Uma coisa é discordar, outra fazer estrepolias de moleques. Quem discorda do que escrevo ou vê de forma diferente tenha a hombridade de o fazê-lo dentro da educação e polidez de gente civilizada e de usar seu nome próprio. Se discorda, coloque seus argumentos e iniciemos um debate.

Centenas de católicos escrevem-me diariamente sobre sua inquietação e perplexidade com mais uma Campanha da Fraternidade (CF). Discutir saneamento básico, esgoto e políticas da água dentro das igrejas parece-lhes – e parece-me – totalmente fora da realidade. Dentre as dezenas de razões para o rechaço a mais ouvida é que a CF tem o intuito de desviar o espírito da Quaresma para ocupar cátedras e púlpitos para uma pregação meramente social e política, quase sempre alinhada ao bom-mocismo do politicamente correto transformando a Igreja Católica em mais um ONG “engajada”. Atitude esta condenada pelo Papa Francisco….

Dizem os perplexos e inquietos que, para os promotores da CF 2016, é mais importante discutir sobre esgoto e água que tratar sobre a proteção da vida nascente e o pecado hediondo do aborto, mais importante cuidar do córrego sujo que do manancial de sangue dos milhares de cristãos, católicos ou não, perseguidos não só na Síria pelos muçulmanos, mais importante que banir e entregar à justiça canônica e civil sacerdotes pedófilos, mais importante que cuidar dos inúmeros casos e denúncias sobre a péssima formação sacerdotal e a corrompida doutrina instilada nalguns seminários e servida à mão-cheia nos púlpitos, mais importante que suspender sacerdotes que não temem desfilar com bandeiras partidárias e bonezinhos de sindicatos, partidos políticos e do MST, mais importante que se levantar contra a eugenia que se instala contra os prováveis e futuros microcéfalos, mais importante que limpar e sanear a PJ de todo a doutrina marxista que está às claras.

Quando um padre se levanta contra estas questões candentes ele é tachado de “não está em comunhão com a Igreja” ou, “não está em comunhão com a Diocese” ou “não está em comunhão com o presbitério”. Conversa fiada de que detêm o poder, mas não detêm a razão. Senhores… o mal e o pecado continuam ser mal e pecado mesmo que todos digam que não.

O que ocorre com tal padre, na melhor das hipóteses é ostracizado pelos colegas, na pior é suspenso do uso de ordens. VEREMOS o que lá vem para mim. Só não sei porque tantas pessoas falam dos padres e bispos bons que se calam… terão medo de quais represálias os assim chamados “bons” bispos? A não promoção à uma diocese “melhor”, à não promoção a algum arcebispado, um título cardinalício? Consultando minha consciência e os ditames da Santa Igreja a quem sirvo vejo-me na obrigação de esclarecer aos fiéis algumas coisas:

– Há uma dezena de anos atrás constatou-se que quem comandava as cordinhas da CNBB eram seus assessores, todos sem exceção alinhados ao socialismo- comuno-psolista-petista.

– Nos dias atuais já não se pode culpar os assessores uma vez que, com a clareza do sol do meio dia, até um cego vê o alinhamento majoritário dos bispos a todo esquerdismo militante. Basta recordar o episódio no ano de 2014 da morte do líder do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, pranteado na página da CNBB pelo então Secretário Geral da CNBB, Dom Leonardo U. Steiner, como “Exemplo de cristão na política”. Para quem acompanhou o desenrolar do caso nas redes sociais viu as milhares de mensagens condenando tal pranto por defunto tão vil. Era muita vela pra pouco defunto. Plínio de Arruda Sampaio era defensor aguerrido do Aborto, do coletivismo, do estatismo comunista e de todas as mazelas intrínsecas ao comunismo já condenado pela Igreja. Para Dom Steiner era um modelo de cristão. Para os demais bispos… ficaram todos caladinhos e acovardados ou compactuaram com o cristianíssimo Dom Steiner, cuja noção de cristão deve ser algo sui generis. Dom Steiner, como todo bom democrata socialista mandou apagar das redes sociais todos as centenas de comentários que o denunciavam….A título de exemplo, a nota pranteadora de Dom Steiner ainda está lá no site da CNBB, limpinha de comentários (http://www.cnbb.org.br/index.php…).

Em a grande maioria das paróquias os católicos ouvirão disparates na Oração dos Fiéis como: “Rezemos para que o poder público dê os devidos cuidados ao saneamento… etc… etc”. Ora, ora, ora…os dirigentes da CNBB sabem muito bem que os atuais mandatários e a mandatária maior do país só foi eleita com sua ajuda…. se não se recordam, refresco-lhes a memória… quando da necessidade da fundação do partido no poder usou-se o povo católico como massa de manobra para colher assinaturas, sabem muito bem que têm um canal privilegiado junto ao famoso Gilberto de Carvalho direto com a Presidência da República, vulgo “seminarista”. Bastaria agora, na questão do saneamento público, do acesso à agua, da situação calamitosa e indigna dos hospitais e da roubalheira generalizada, colher assinaturas citando e cobrando quais inicitivas e entregar aos poderes públicos. Não creio que um só católico que seja não aceitaria assinar. o próprio volume de assinaturas poderia ser levado ao Congresso para propor e agilizar pautas verdadeiramente sociais.

Quando foi pra conseguir assinaturas para a Reforma Política proposta por entidades de esquerda e ONGS esquerdistas patrocinadas com dinheiro público a CNBB não teve vergonha nenhuma de fazer correr nas paróquias as listas para as assinatura e em quantas missas os senhores párocos fizeram verdadeira campanha pela tal Reforma Política. Baste o gesto lacaio e subserviente da visita da presidência da CNBB à Presidente num sinal de “estamos juntos, companheira!”. Da mesma CNBB não se vê uma linha de apóio explícto ao Judiciário que tenta desmantelar a quadrilha que se instalou e só lá está por apoio implícito e explícito de tal entidade.

Voltemos ao nosso… quais os limites da acção da CNBB e de aceitação da CF?

Recordo a todos que:

1) A CF é uma iniciativa anual da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB).

2) A CNBB como qualquer Conferência de Bispos no mundo inteiro não é orgão da Igreja Católica, não a dirige. Os dirigentes da Igreja Católica são respectivamente cada um dos Bispos diocesanos em suas dioceses. O Arcebispo Primaz do Brasil que é o Arcebispo de São Salvador da Bahia detêm o título honorífico e pode sim convocar um Concílio Plenário para sanar as mazelas, incluindo as da CNBB. Em cada Província Eclesiástica o arcebispo detêm o poder de convocar os bispos das dioceses sufragâneas e presidir o Concílio Regional para sanar as mazelas locais. Por os senhores Primazes e Arcebispos faltarem com seu papel é que a CNBB tomou para si suas funções.

3) A CF é uma proposta, não uma imposição. Para que algo que ela tenha decidido se torne obrigatório a todos os católicos é necessário que todos estes pontos sejam observados: a) Aconteça uma Assembléia Geral na qual a questão é decidida e não seja a decisão de uma comissão delegada, b) haja o consentimento de todos os bispos (não tem nenhum valor a decisão de uma comissão ou de um grupo restrito, c) sejaredigida uma Ata na qual conste o conteúdo e o consentimento de todos os bispos, d) Tal Ata seja enviada ao Papa que a aprova ou não, e) Somente então a decisão passa ter valor de lei.

4) Portanto nenhum presbítero (padre), diácono, leigo e até mesmo bispo, se não concorda, tem de dar seu assentimento e implantação em sua paróquia ou diocese da CF se antes ela não seguiu os trâmites para se tornar lei geral e comum. E isto não significa que não se está em comunhão com a Igreja, apenas que não se concorda com uma proposta da CNBB que é um orgão de reunião de bispos, não da Igreja.

5) Minha opinião particular, resguarda pela Constituição Federal e pelo Código de Direito canônico: Qualquer bispo com o mínimo de noção e conhecimento deveria dizer “aqui em minha diocese não haverá CF este ano”. Qualquer padre, com as mesmas condições, também. Os leigos já não suportam mais tal situação e dizem: “CNBB: Devolva-nos a nossa Quaresma”. Se os pastores não ouvem e não cuidam do rebanho vão acabar por perdê-lo… CNBB..Senhores Bispos, Senhores padres… não dá mais! Até quando irão tapar o sol com a peneira? Até quando iremos fazer de conta que a CF está aí e só afasta cada vez mais os fiéis? Vamos ficar ainda mais em cima do muro? Digamos as coisas às claras, sejamos homens não subservientes e rastejantes ao erro.

6) Os católicos deveriam também pedir uma auditoria de todas as entradas financeiras às coletas nacionais e, maximamente, do chamado Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) cujos próprios relatórios demonstram que o dinheiro dos fiéis, salvo honrosas e diminutas somas, é injetado em ONGs e sindicatos. Não se trata de algo interno, o FNS recebe uma contrapartida do BNDES… portanto passível de uma séria investigação do Ministério Público.

7) Por último, cuidar sim da nossa casa comum, cuidar do meio ambiente, sim, lutar por vida digna e qualidade de vida dos mais pobres, sim; mas não antepôr questões temporais àquelas que dizem respeito à salvação. A figura deste mundo passa (1Cor 7, 31) e o que vale ao homem ganhar o mundo e perder a sua vida? (Marcos 8, 36). Não devemos nos conformar com este mundo, mas renovarmo-nos pela conversão a Deus e não às criaturas (Romanos 12, 2), pois são os pagãos que se preocupam com as coisas deste mundo: ” Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.” (Mateus 6, 31-32)

Padre Cléber
12 fevereiro, 2016

Pe. Joãozinho responde, e nós também.

Por FratresInUnum.com – Informamos que nossa redação recebeu uma comunicação privada (e-mail) do Pe. Joãozinho.

Nós lhe respondemos prontamente, apresentando nossa proposta de debate, a ser desenvolvido por nossos colaboradores Gercione Lima e Rodolpho Loreto.

Comunicamos ao Pe. Joãozinho que, doravante, não trocaremos mais mensagens privadas. Não aceitaremos, também, desviar o foco para outras questões. Queremos debater somente o tema a ser discutido, sem fugas para assuntos paralelos.

Propusemos a seguinte pergunta a ser debatida: “A Teologia da Libertação é marxista desde sua criação até os dias atuais?”

Proporemos que sim, enquanto os padres que não.

Sugerimos a seguinte ordem para o debate:

1. Os padres abrem a discussão com um texto expondo seu ponto de vista.
2. Faremos, então, a resposta contrária, colocando também os argumentos que justificam nossa posição.
3. Os padres poderão replicar nossos argumentos.
4. Faremos uma tréplica.
5. Cada um dos debatedores, ao mesmo tempo, deverá escrever sua conclusão do debate.

Estamos à espera de uma resposta de Pe. Joãozinho.

Enquanto isso, para não perdermos nosso habitual bom humor, escute esta linda obra de arte, que tanto evangelizou o Brasil, de Padre Zezinho e se inspire!

Tags:
12 fevereiro, 2016

Por que Padre Pio é o oposto de Bergoglio.

O retorno dos peregrinos a Roma pelo santo estigmatizado

Por Antonio Socci, 7 de fevereiro de 2016 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: O “complô para mudar o Catolicismo” (título do New York Times), que é o verdadeiro projeto do Papa argentino, ou seja, transformar a Igreja em uma sucursal do jornal  “La Repubblica” e do Greenpeace, ganhou a aprovação entusiasmado de todos os mais acirrados inimigos da fé católica.

Saint_Padre_Pio

Mas, para ter sucesso nesse intento, precisa do apoio absoluto do povo católico. Só que este povo está no lado oposto dos progressistas bergoglianos e – embora bombardeados pela mídia – preferem ficar ao lado de Padre Pio do que dos “esquerdistas”.

E não foi por acaso que em 2014 caiu pela metade sua participação nas audiências de Bergoglio e já em 2015 se reduziu pela metade do de 2014. Uma verdadeira fuga.

Por isso, no Vaticano, saíram com a ideia de um novo Jubileu: era necessário inventar um meio para sanar a dramática queda no comparecimento em torno ao papa Bergoglio.

ENCONTROS “MEDIEVAIS”

Certo, o Jubileu é um ritual nascido na Idade Média, fez com que surgisse Lutero (com as acusações sobre as indulgências) e é totalmente o oposto da mentalidade de Bergoglio que ama mais a companhia de Eugenio Scalfari, do centro social Leoncavallo, de Fidel Castro ou dos teólogos da libertação do que o povo Católico Wojtyliano e Ratzingeriano.

Mas, o objetivo era mostrar que em torno a Bergoglio existe um plebiscito permanente e que, para ser bem sucedido, ele chega a suportar até mesmo o “cheiro das ovelhas Católicas”.

No entanto, o jubileu provou ser um fracasso desde o seu início. O povo cristão percebeu seu nascimento em “tubo de ensaio”, para fins “políticos”, fora da tradição (a bula é ainda ambígua sobre as indulgências). E a comparação com a afluência do Jubileu do ano 2000, de João Paulo II, foi desde o início devastadora para Bergoglio.

Até mesmo o Dia da Família, do dia 30 de janeiro, mostrou que o povo Católico ama e segue ainda os ensinamentos de João Paulo II e Bento XVI e, de fato, aquele mesmo povo se deparou com a hostilidade gelada do Papa Argentino que teimosamente o ignorou e o boicotou.

Como é que depois de tudo isso eles ainda esperavam “forçar” o povo de Deus a aplaudir os triunfos mundanos de Bergoglio?

A idéia saiu mais uma vez da mente de Mons. Fisichella, o qual é muito zeloso em agradar o Soberano: visto que os corações das pessoas batem pelos santos da Tradição, levemos a Roma as relíquias dos santos mais populares e queridos como Padre Pio.

E, de fato, o povo veio em massa: só ontem, mais de 80.000 pessoas, um mar de fiéis. O site do “La Repubblica” foi comicamente intitulado: “Multidão em São Pedro pelo Papa”.

Mas – apesar dos esforços de propaganda deste jornal – todos sabem que a enorme multidão não estava na Praça de São Pedro por causa de Bergoglio (na verdade, sua audiência da última quarta-feira estava deserta): estava lá por Padre Pio.

O evento é excepcional por muitas razões, e cria tantos embaraços.

DESPREZO DE HOJE

Antes de mais nada, é um embaraço para a mídia e intelectuais seculares que vêem Padre Pio e a religiosidade popular como uma peste. Só que é difícil desta vez ridicularizar o evento porque era o seu favorito, Bergoglio, que quis esta iniciativa.

O Oscar do secularismo foi conquistado pelo jornal esquerdista “Il Fato Quotidiano”, com um título de desprezo publicado na sexta-feira: “Quem precisa do Isis?  Nossa Idade Média está aqui com Padre Pio”.

Deixemos de lado a referência ao ISIS… Um conhecimento mofado é a única idéia aproximada da Idade Média. Deveríamos responder-lhes que, de fato, a Idade Média está sempre entre nós e nos deixou um enorme patrimônio artístico (do qual gozamos e que com ele lucramos).

Mas está também no meio de nós porque os hospitais, universidades, bancos e catedrais foram inventados precisamente nas “trevas” da Idade Média. E da mesma forma, a idéia de Europa, a liberdade comunitária, a economia de mercado e a soberania popular.

A cultura clássica nos foi transmitida a partir da “perversa” Idade Média e ali também nasceram a tecnologia e a ciência, junto com a música (em sua forma moderna).

Mesmo a Divina Comédia – que talvez alguns leigos acreditam ter nascido de Roberto Benigni – vem do gênio medieval de Dante Alighieri, que literalmente  “inventou” a língua italiana.

DESPREZO DE ONTEM

Aquele povo de hoje, reunido em torno a Padre Pio, é o mesmo povo Católico que há 70 anos foi ridicularizado pelos intelectuais “iluminados” que zombavam da “Itáliazinha das procissões e das Madonnas peregrinas “.

E enquanto os “intelectuais” (que muitas vezes tinham sido fascistas) se enfileiravam com a Frente Popular Togliatti e Stalin, os quais preparavam para a Itália um futuro de Tchecoslováquia, as pessoas humildes e camponesas, ouvindo seus párocos e Pio XII, salvaram o país ao votarem pela Democracia Cristã. Foram elas que colocaram o país para sempre no ocidente da democracia e da liberdade.

Por causa disso, um verdadeiro liberal, Benedetto Croce, após o 18 de Abril de 1948, era capaz de dizer àquela  intellighentsia: “Agradeça àquelas beatas das quais vocês riem, pois se não fossem por elas,  hoje vocês não seriam livres”.

Em suma, enquanto os intelectuais “iluminados” estavam do lado daqueles que ameaçavam a liberdade e a civilização, foi justamente o povo devoto e desprezado que salvou o país.

Isso também foi possível graças à personalidade daqueles que como Padre Pio contribuíram decisivamente para que naquela eleição o comunismo fosse derrotado.

HORROR COMUNISTA

Padre Pio conhecia bem os crimes dos regimes comunistas, a devastação espiritual do ateísmo marxista e a mentira repugnante dos partidos comunistas que enganavam os pobres. E não se calava.

E mesmo nessas coisas, o santo capuchinho é exatamente o oposto de Bergoglio que nunca perde uma oportunidade de “flertar” com os piores tiranos comunistas, seja os irmãos Castro em Cuba (onde o Papa argentino desprezou dissidentes e perseguidos enquanto homenageou o déspota) seja o regime vergonhoso comunista chinês, um regime genocida, sobre o qual Bergoglio deu uma entrevista nos últimos dias ao “Asia Times”,  no mínimo constrangedora.

Nessa entrevista ele ficou totalmente calado sobre as questões da liberdade e sobretudo da liberdade religiosa, mas não poupou palavras – como foi observado por Sandro Magister – para absolver efusivamente a China de seus pecados do passado, presente e futuro, exortando-a a ser “misericordiosa consigo mesma” e a “aceitar seu próprio caminho para o que devia ser” como “água corrente” que purifica tudo, até mesmo as milhões de vítimas que o Papa nunca menciona, nem mesmo veladamente.

Um pronunciamento que foi recebido com entusiasmo pelos opressores comunistas. Os carrascos são sempre preferidos às vítimas.

Mas Padre Pio e Bergoglio são o oposto, sobretudo porque Padre Pio representa aquela Igreja Católica fiel à sua doutrina e à Tradição que Bergoglio quer ver desmantelada.

MISERICÓRDIA

O próprio nome que o frade de Gargano – Pio, tomou à entrada da vida religiosa –  foi destinado a homenagear São Pio X, ou seja, o Papa que mais combateu o Modernismo,. Exatamente o Papa mais odiado pelos progressistas que hoje estão no poder das salas do Vaticano.

Bergoglio afirma que ele trouxe as relíquias de Padre Pio a Roma para o Jubileu, como um símbolo de misericórdia. Mas a misericórdia testemunhada por Padre Pio – ao contrário da de Bergoglio – era inseparável da justiça e da verdade.

Padre Pio dizia temer a misericórdia, porque dela se pode abusar. Seu ensino espelha o de João Paulo II (com Santa Faustina) e Bento XVI.

O santo frade acrescentou: “A caridade sem verdade e sem a justiça que é a Verdade não pode existir. Deus é a Verdade, mesmo antes de ser Caridade”.

Palavras intragáveis para o partido bergogliano acariciado pelo radical chic.

De resto, assim como Padre Pio foi “perseguido” por certos eclesiásticos “iluminados”, igualmente hoje Bergoglio persegue duramente os mais autênticos filhos espirituais de Padre Pio, ou seja, os frades Franciscanos da Imaculada de Padre Stefano Maria Manelli que foram quase liquidados pelo papa Argentino.

Hoje Padre Pio está sendo “usado” por Bergoglio como atração para trazer a multidão em torno de si próprio, mas corre o sério risco de ser interpelado por algumas de suas “surpresas”. Poderia muito bem acabar que Padre Pio faça o milagre de converter alguém no Vaticano.

Tags:
11 fevereiro, 2016

Aleppo, a ira de um Bispo.

Durante a “Noite dos testemunhos”, organizada anualmente pela “Ajuda à Igreja que Sofre”, o Arcebispo grego-melquita de Aleppo, Dom Jean-Clément Jeanbart, depois de descrever a situação dramática dos aleppinos, falou aos jornalistas que vieram para ouvir. A tradução do original de Boulevard Voltaire.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: “Os meios de comunicação europeus continuam a distorcer o cotidiano dos que sofrem na Síria e também estão usando isso para justificar o que está acontecendo em nosso país sem jamais checar essas informações”. Assim o bispo deu início ao seu discurso, descendo o chicote nas fontes usadas pela imprensa durante a guerra e que continuam a ser usadas por muitas agências de notícias. Entre elas, “instrumentos da oposição armada, como é o caso do Observatório Sírio de Direitos Humanos, a fonte indiscutível usada pelos meios de comunicação ocidentais”.

Refugiados em um igreja, incerto se Mosul ou Irbil, da página síria “Syrian Christian Resistance”, no Facebook

Refugiados em um igreja, incerto se Mosul ou Irbil, da página síria “Syrian Christian Resistance”, no Facebook.

“É preciso compreender que entre o Estado islâmico e o governo Sírio, a nossa escolha é feita rapidamente. Nós podemos condenar o regime por algumas coisas, mas vocês nunca tentaram ser objetivos”, acusou ainda. Quando lhe foi perguntado se ele poderia explicar sua posição para as autoridades francesas, Dom Jeanbart disse que tinha tentado, antes de lhe terem dito que ele deveria ser “menos crítico”.

Para ele, no entanto, o Ocidente continuou a se calar sobre as atrocidades cometidas pela oposição armada, enquanto denigrem o governo Sírio e seu presidente. “Bashar Assad tem muitas falhas, mas saibam que tem também qualidades”, explicou ele, “as escolas eram gratuitas, os hospitais, mesquitas e igrejas não pagavam nenhum imposto, mas que outros governos na região fazem essas coisas? Sejam honestos! Lembrem-se também que, se nós preferimos apoiar o governo hoje, é porque nós tememos o estabelecimento de uma teocracia sunita que nos privaria do direito de viver em nossa terra”.

Ele continuou: “Sim, eu tentei dizer todas essas coisas às autoridades francesas, mas o que você espera de um Fabius Laurent que pensa que é o Todo-Poderoso para decidir quem merece ou não a viver nesta Terra?” Ele respondeu, aparentemente cansado (Laurent Fabius disse que Assad não merece estar sobre essa terra). “É possível que a França – que eu amo e que me educou através de comunidades religiosas que  tinham se estabelecido na Síria – tenha mudado tanto? É possível que os seus interesses e seu amor ao dinheiro tomaram precedência sobre valores que outrora defendia”? Continuou o arcebispo amargamente.

Sobre os bispos franceses, Dom Jeanbart disse: “Se a Conferência dos Bispos da França tivesse confiado em nós, teria sido melhor informada. Por que os seus bispos se calam diante de uma ameaça que agora é vossa também? Porque os vossos bispos são como todos vocês, acostumado ao politicamente correto! Mas Jesus nunca foi politicamente correto, era politicamente justo!”, bradou.

“A responsabilidade de um bispo é ensinar e usar a sua influência para transmitir a verdade. Os vossos bispos, por que eles têm medo de falar? Naturalmente que serão criticados, mas igualmente lhes será dada uma chance de se defender e de defender esta verdade. Devemos lembrar que a o silêncio às vezes é um sinal de assentimento”.

E até mesmo a política de migração dos países ocidentais foi criticada pelo arcebispo: “O egoísmo e os interesses servis defendidos por seus governantes, no fim, acabarão por assassinar até mesmo vocês. Abram os olhos, pois não viram o que aconteceu recentemente em Paris?”, acrescentou o Arcebispo, antes de concluir com uma súplica: “Precisamos que vocês nos ajudem a viver e permanecer em nossa casa […], eu não posso aceitar ver nossa Igreja de dois mil anos desaparecer. Eu prefiro morrer do que ter que ver isso”.

Tags:
11 fevereiro, 2016

Continua o lobby: grupo “católico” pede a Papa Francisco que libere anticoncepcionais por conta do Zika.

Reuters – Um grupo católico fez um apelo nesta quarta-feira para que o papa Francisco autorize integrantes da Igreja a “seguir a sua própria consciência” e usar métodos contraceptivos ou que deixasse as mulheres realizarem abortos para se proteger do Zika vírus.

O apelo foi feito no momento em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou que as mulheres em áreas com o vírus se protegessem, especialmente durante a gravidez, se cobrindo para evitar os mosquitos e praticando sexo seguro com os seus parceiros.

O Zika tem sido ligado a casos de má-formação craniana em milhares de bebês nascidos no Brasil, e o vírus tem se espalhado rapidamente pelas Américas. O primeiro caso conhecido de Zika nos Estados Unidos foi relatado na semana passada por autoridades locais de saúde, que disseram que havia sido provavelmente contraído via relação sexual, e não por picada de mosquito.

O grupo liberal Catholics for Choice, com sede em Washington, disse em comunicado que publicaria anúncios na edição internacional do New York Times e no El Diario de Hoy de El Salvador na quinta-feira, véspera de uma viagem do papa para Cuba e México.

“Quando você viajar amanhã (sexta-feira) para a América Latina, nós pedimos que você deixe claro para os seus irmãos bispos que bons católicos podem seguir a sua consciência e usar métodos contraceptivos para proteger a si e a seus parceiros”, diz o texto do anúncio, de acordo com trechos divulgados por um comunicado.

O movimento pediu ao papa Francisco, o primeiro papa latino-americano, para “se posicionar realmente de forma solidária com os pobres”.

“As decisões das mulheres sobre gravidez, inclusive a decisão de terminar com a gravidez, precisa ser respeitada, e não condenada”, disse.

A Igreja Católica ensina que a vida começa no momento da concepção, e que a aborto é assassinato. A Igreja proíbe métodos contraceptivos artificiais como preservativos, alegando que eles bloqueiam a possível transmissão de vida.

A proibição é amplamente ignorada em muitos países avançados, mas ativistas dizem que ainda há o estigma relacionado ao controle de natalidade em alguns países da América Latina.

Em 2010, o ex-papa Bento 16 afirmou num livro que o uso de preservativos para conter a Aids poderia ser justificado em certos casos excepcionais. O Vaticano até agora não tratou do tema em relação ao Zika vírus.

No seu anúncio nesta quarta-feira, a OMS afirmou: “Mulheres que desejam terminar a gravidez por causa do medo da microcefalia devem ter acesso a serviços de aborto seguros dentro da lei”.

Tags:
11 fevereiro, 2016

Três anos depois da pane, numa segunda-feira de Carnaval.

O sentimento de tristeza e perplexidade fica mais agravado por tudo o que ocorreu depois. Mas como os primeiros cristãos, somos sempre animados pela esperança, pois sabemos que o Senhor cumprirá Sua promessa e não nos abandonará em meio à tempestade, pois Ele é Nosso Senhor e Nosso Salvador, e o primeiro a amar a Igreja que fundou como rocha inconcussa, entregando as chaves a Pedro…

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

Foi numa segunda-feira de Carnaval, há três anos exatos, que todos nós recebemos, impactados, a notícia da renúncia de Bento XVI. Foi um desabamento, especialmente para os católicos que viviam se empenhando com sinceridade em afirmar a verdadeira identidade da Igreja, corroída pelas tantas ideologias do modernismo, “síntese de todas as heresias”, conforme a feliz expressão de São Pio X. Era o dia de Nossa Senhora de Lourdes, 11 de fevereiro, pouco antes de começar a Quaresma mais triste para muitos católicos, muitos choraram, sacerdotes, leigos, religiosas, enfim, foi uma dor que até agora não conseguimos superar. Ninguém sabe o que aconteceu. Muito se falou de pressões que teriam forçado Bento XVI a renunciar, apesar de ele ter escrito em sua declaração que agia com liberdade, reconhecendo a gravidade do seu ato. É fato que foi um dia tristíssimo, e mais triste ainda o da sua despedida, em 28 e fevereiro, quando o mundo todo viu o helicóptero sobrevoar a cidade e Roma, rumo a Castel Gandolfo.

1_4

Foi assim que descrevi aquela despedida, à época:

“Prevaleceu a tristeza – 28 de fevereiro de 2013: a cena do chofer do Papa ajoelhando­-se e cumprimentando o Sumo Pontífice, às 12h57 (hora de Brasília) na sua saída do Vaticano rumo a Castel Gandolfo, expressou os sentimentos dos católicos que verdadeiramente amam a Igreja e sofreram com todos os últimos acontecimentos. Tristeza e perplexidade é o que se via nos olhares de freiras com seus hábitos religiosos, e muitos que se espalhavam na praça, até mesmo no alto dos edifícios exibindo cartazes de apoio e de afeto, também em língua alemã, para dizer “Danke!” Às 13h04 o helicóptero branco da República Italiana começou a acionar suas hélices (lembrando a estrela de Davi), e pouco depois decolou ao som dos sinos de todas as igrejas de Roma. Não haveria mesmo outra forma de ver um papa deixar o trono de São Pedro, senão subindo aos céus. E foi assim que acompanhamos o vôo até Castel Gandolfo, como uma pomba branca a pairar sobre a Cidade Eterna. É certo que a cena comoveu, com lágrimas aos olhos. Vimos o helicóptero sobrevoar o Coliseu, e fazer um percurso panorâmico sobre Roma, feita “da harmonia de múltiplos séculos”, no dizer de Afonso Arinos. E assim Ratzinger chegou neste dia histórico, ao entardecer, em Castel Gandolfo, às 13h37. Houve quem disse que não chegava mais como um pai, mas como um avô querido, da grande família do Ocidente. Ainda uma nova despedida na sacada, para os agradecimentos, como um “peregrino na última fase nesta terra”. E após entrar de volta para os aposentos, um vento fez tremular a bandeira escarlate com o brasão pontifício. Mais tarde, às 16h (20 horas em Castel Gandolfo), houve a troca da Guarda Suíça, ao som de sinos e de “Viva ao Papa!”

Naquela segunda-feira de Carnaval, fomos todos surpreendidos por uma pane. Sim, o que houve foi como que uma pane no meio do deserto, em que ficamos sem saber o que fazer, como fazer, porque aquilo parecia ser um soçobramento e a impressão que ficou é de que o que nos restou para nos segurar foram somente poucos galhos, em meio a forte correnteza.

Histórias incríveis e fantásticas começam assim, com uma pane. Mas nunca estamos preparados para isso. Quando nos damos conta, o deserto está à nossa frente, há água para poucos dias, o sol é escaldante, e qualquer oásis se torna apenas miragem. Uma vez li um romance sobre um naufrágio e como o sobrevivente conseguiu suportar por tanto tempo para enfim ser resgatado. O mais impressionante é que depois ele chegou a ser nonagenário. Tinha vivido o estresse de semanas em alto mar quando ainda era jovem e o que mais o fazia sofrer era a água do mar salgada que não podia beber, tamanha a sua sede, e a mesma água quando caia em sua pele. Nem todos sobrevivem a um naufrágio e a cena do Titanic afundando é terrível, mesmo sabendo que alguns poucos nos botes conseguiram evitar a hipotermia e foram salvos. Como essa palavra soa tão forte nessas horas de soçobramento. Sim, queremos ser salvos! E tudo o que acontece mostra que não há quem fique imune de uma séria pane em sua vida. E então, é claro que não sabemos mesmo o que fazer quando o chão parece desabar e temos que nos agarrar a galhos apenas, em meio a toda correnteza.

Assim como o náufrago, sabemos que a salvação não vem de nós próprios, mas de Alguém que vem ao nosso encontro, e não conseguimos nos salvar por nossas próprias forças, mostrando a nossa inteira fragilidade. Mas sabemos que Alguém pode nos salvar, e por isso essa história começa também em busca de Alguém [como é forte a imagem de Jesus andando sobre as águas, em meio a tempestade], quando ficou constatado que a pane que se dera (depois de meio século do Vaticano II) era séria e não sabíamos mesmo como sobreviver ao acúmulo de obstáculos e problemas, que pareciam estar comprometendo tudo. Por isso, como os primeiros discípulos, três anos depois daquela terrível segunda-feira de Carnaval, rezamos e clamamos a Nosso Senhor Jesus Cristo, suplicando: “Senhor! Salva-nos outra vez!”

10 fevereiro, 2016

Pe. Zezinho e Pe. Joãozinho. Um debate necessário!

FratresInUnum.com – Gostaríamos de fazer uma ponderação acerca de nosso artigo sobre as declarações de Pe. Zezinho e Pe. Joãozinho, em que os dois afirmavam, confusamente, que a Teologia da Libertação era e não era marxista e o primeiro rotulava todos os seus opositores de “CATOLIBÃS”. Acabamos descendo ao baixo nível das acusações, e, disseram-nos, fomos muito mordazes em nossa crítica, e isto não corresponderia à caridade cristã, ordenada por Cristo, Nosso Senhor. Se ofendemos a dupla, pedimos desculpas pelo erro!

Pe. Joãozinho preferiu ignorar. Pe. Zezinho, ao contrário, continuou no ataque desviando o assunto para a defesa da CNBB e do Papa Francisco, apresentando-se como alguém transcendentealém da direita ou da esquerda, que está acima e ao centro, exatamente como dizíamos em nosso artigo.

De fato, precisamos elevar o nível da discussão!

Por isso, nossa equipe do FratresInUnum faz uma proposta: um debate por escrito, leal e respeitoso, para chegarmos a uma conclusão acerca do tema da “Teologia da Libertação”.

É justo que comecemos por dar aos dois a oportunidade de esclarecerem melhor as suas posições. Cada um dos lados teria tempo para escrever sua posição com calma e fundamento, a começar de uma data a ser combinada.

Seguiríamos a seguinte ordem.

1. Os padres escrevem um texto explicando sua posição.
2. Nós fazemos, em resposta, nossas considerações.
3. Eles fazem uma réplica.
4. Nós fazemos uma tréplica.
5. Cada um dos lados escreve uma conclusão.

Desse modo, podemos chegar a uma ideia mais bem acabada sobre as posições de cada lado, sem nos precisarmos entrincheirar um contra o outro.

Obviamente, comprometemo-nos a publicar integralmente todos os textos.

Agradecemos desde já a eventual aceitação!

Tags:
9 fevereiro, 2016

O jejum e a abstinência na lei da Igreja.


Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canônico de 1983.

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as sextas-feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cânon 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as sextas, exceto nas solenidades. [Cânon 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. [Cânon 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até o início dos 60 anos [Cânon 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canônico de 1917.

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para S. Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: segundas, terças, quartas e quintas-feiras da Quaresma. [Cânon 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até os 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as sextas-feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [cânon 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cânon 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: quarta-feira de cinzas, toda sexta e sábado da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), em cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, Assunção, Todos os Santos e Natal. [Cânon 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência aos que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

Fonte: The year of Our Lord Jesus Christ 2009, The Desert Will Flower Press.

(Post originalmente publicado na quaresma de 2009)

Tags: