22 outubro, 2014

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa na Catedral de Santo Amaro, SP.

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21 outubro, 2014

“Para Francisco, uma fragorosa derrota: tradicionalistas obtiveram uma grande vitória”.

“Mesmo em 2015, será  difícil para Francisco ir muito além disso sem correr o risco de um cisma.”

Por Rorate-Caeli | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Professor Odon Vallet é um especialista em história das religiões e civilizações e, por ser considerado como um forte e radical “progressista”, ele é um dos prediletos na mídia francesa para falar como uma voz amiga da agenda secular quando se trata de questões católicas.

Ele foi entrevistado pelo diário popular “20 Minutes” sobre os resultados da Assembléia do Sínodo dos Bispos de 2014:

Em que sentido o texto provisório [a relation de Bruno Forte] sinaliza um passo importante? 

O texto provisório incluía duas aberturas. Uma com  relação aos divorciados recasados e outra a respeito dos homossexuais. Não foi uma revolução, mas uma evolução. Não foi proposta a admissão de divorciados recasados ao sacramento, mas simplesmente de prever, quer por anulação do casamento, ou por um procedimento de penitência, eles pudessem ser readmitidos ao sacramento. Para os homossexuais, não era uma questão de reconhecer o casamento, mas para sublinhar os “dons e qualidades” que eles poderiam oferecer à Igreja. Eles seriam bem recebidos, sem no entanto oficialmente terem sua  união civil reconhecida.

Uma evolução que não passou no momento da votação … 

No texto final, nenhuma alusão foi feita novamente a esses dois temas polêmicos. Foi uma fragorosa derrota para o papa Francisco, uma afronta. Pior ainda, um Cardeal [editor nota: Raymond Leo Burke, da oposição conservadora] americano chegou a declarar que o papa tinha causado “um grande dano por não dieclarar abertamente qual era a sua posição.” Na realidade, Francisco permaneceu em silêncio para garantir a liberdade a todos os participantes. É a primeira vez em pelo menos 50 anos, que um cardeal opõe-se abertamente ao Papa. É a primeira vez também, em vários séculos, que  Bispos e cardeais não tem confiança nele.

Como explicar isso? 

A quase totalidade destes prelados foram nomeados por João Paulo II e Bento XVI. Suas opiniões são mais conservadoras do que as do papa. Alguns chegam a questionar a sua legitimidade. Eles não aceitaram a renúncia de Bento XVI. [***] E uma vez que o Papa Francisco disse que também renunciaria e que seu pontificado seria breve, alguns estão começando a jogar com o tempo e esperando pela eleição de seu sucessor.

No entanto, é na verdade o papa Francisco que terá a palavra final? 

Após o segundo sínodo, em 2015, o Papa [teria] normalmente que tomar as decisões sob o formato de uma exortação apostólica. Mas é quase impossível que o Papa vá contra bispos e cardeais. Isso provocaria o risco de um cisma na Igreja. Tradicionalistas católicos tiveram uma grande vitória e a França desempenhou um papel importante neste processo.

Não foi uma vitória simbólica para os homossexuais? 

Esta tentativa de mudança tocou os espíritos em paróquias e dioceses. [*] Muitos clérigos que fazem preparação para casamentos estavam contentes ao ver que o Sínodo parecia levar essas realidades em consideração. Mas o retrocesso final os deixaram perturbados. Em muitos países, tais como a França e a Alemanha, a Igreja Católica está profundamente dividida. O grande sucesso dos protestos [nota Rorate: A Manif pour tous] contra o casamento para todos [Rorate nota: mariage pour tous, um eufemismo Socialista Francês para casamento civil entre pessoas do mesmo sexo" ] previu esse fracasso do Papa Francisco. Não nos esqueçamos de que o centro de gravidade do corpo episcopal é claramente conservador. O Papa  perdeu por enquanto qualquer margem de manobra, apesar de sua imensa popularidade [**]. Mas uma vez que ele é ardiloso, ele tomará algum tempo pra refletir e tentar assumir o controle de outra maneira.

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É uma análise correta do momento. Gostaríamos apenas de acrescentar algumas poucas notas. Em primeiro lugar, [*]  o relatório provisório inflamou os espíritos em todos os lugares e de maneiras muito diferentes, mas não meramente, como Vallet implica, de esperança e expectativa entre os pseudo-católicos que não acreditam em nada. Pelo que recebemos dos leitores oriundos de várias paróquias e de um particular leitor da África, o relatório provisório acendeu um  fogo de indignação em muitos espíritos tanto nas paróquias como também em dioceses. E se tem algo que podemos dizer é que os leigos em países africanos (e, certamente, em cada nação asiática) são muito mais conservadores em questões morais do que os seus próprios bispos. Segundo, que [**] a inegável imensa “popularidade” do papa em contextos seculares é muito menos perceptível a nível paroquial, onde o efeito  “Francisco” é insignificante, isso se existente – e quanto mais dedicado e completamente catequizado é um determinado grupo, menos popular o papa é. Daí o risco imenso, senão for de um cisma claro, uma divisão forte e duradoura entre o papa, sacerdotes e os leigos. Francisco tem muito apoio para mudar a doutrina católica … mas esse apoio vem principalmente de pessoas que raramente vão à igreja, isso se ainda podemos considerá-los como Católicos de fato. Em terceiro lugar, [***] a renúncia do ex-papa é um problema inexistente, apenas na mente dos novos Ultramontanists liberais.

Um ponto adicional diz respeito ao Cardeal Burke, este servo exemplar da Igreja. Ele não tem sido outra coisa senão humilde ao aceitar pacientemente todas as humilhações. A maneira como ele foi tratado por Francisco é constrangedora não para ele, mas sim para o papa. Pense no quão diferente eram João Paulo II e Bento XVI para com seus dissidentes mais radicias como o anti-Africano cardeal alemão Walter Kasper, e muitos outros da mesma linha, que nunca foram humilhados ou ameaçados de rebaixamento e exílio, apesar de suas posições – muito pelo contrário. E eles agiram assim não porque eram frouxos, mas porque lutavam pra salvaguardar a unidade da Igreja.

Francisco, por outro lado, brincou com fogo e trouxe a Igreja à beira do precipício, sua mais séria divisão em cinco séculos, a fim de implementar aquilo que o seu próprio nomeado, o Cardeal Pell chama de “agenda secular”. Nem mesmo em um Sínodo, cujos membros foram escolhidos a dedo por ele e dirigido pelo cardeal Baldisseri sob seu commando, ele foi capaz de alcançar 2/3 dos votos naquelas questões que lhe eram as mais queridas, isso mesmo depois de terem sido consideravelmente diluídas. Comparem e contrastem isso tanto com o Vaticano I como o Vaticano II, onde nem mesmo as questões mais controversas atingiram esse nível de discordância da inequívoca vontade do Papa – e mesmo quando havia uma proporção muito menor de “non placet” votos (menos ainda de 10%), os textos foram alterados para se obter acordos e se chegar o mais próximo possível da unanimidade. E em vez de aceitar graciosamente a exclusão dos parágrafos rejeitados, ele procedeu incluindo as passagens rejeitadas no texto, o que faz com que todo o processo sinodal perca o sentido … Apesar de tudo isso, como diz Vallet, ele é “ardiloso” o suficiente para prosseguir adiante em sua tentativa, independente dos riscos graves e extremamente elevados para a unidade da Igreja envolvidos nisso. Que Nosso Senhor e Nossa Senhora possam proteger a Igreja.

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21 outubro, 2014

“Se eu não tivesse falado com todas as letras, o Sínodo acabaria pior”.

Presidente da Conferência Episcopal Polonesa: – Acabemos com essa ilusão de que só agora a ‘misericórdia’ começou, após 2000 anos! – A Familiaris Consortio é suficiente.

Por Marek Lehnert – Vatican Insider* | Tradução: Fratres in Unum.com - O Arcebispo Stanislaw Gadecki, arcebispo de Poznan, na Polênia, e presidente da conferência episcopal de seu país, está feliz consigo mesmo e com os demais que pensavam como ele pela determinada crítica à Relatio post disceptationem do Sínodo sobre a Família. O prelado polonês denunciou uma ruptura clara com o ensinamento de João Paulo II sobre a questão, bem como a visão pouco clara sobre a finalidade do próprio Sínodo.

Dom Stanislaw Gadecki.

Dom Stanislaw Gadecki.

Falando ontem a uma rádio polonesa, Gadecki reiterou que muitos Padres Sinodais partilhavam de seus sentimentos, considerando o texto “fortemente ideologizado, porque ele levava em conta mais o lado sociológico do que o teológico”, mas, acima de tudo, porque “algumas das suas teses pareciam destruir o magistério da Igreja. “

“Tenho a impressão de que se eu não tivesse falado claramente, as coisas poderiam ter acabado bem pior. Acho que era necessário dizer alguma coisa por causa dos pedidos das famílias, elas estavam apavoradas. Alguma coisa tinha que ser dita, de modo a não confirmar para as pessoas a certeza de que estávamos prestes a abandonar a doutrina da Igreja. Porque tudo tinha que ter um formato mais sério, mais detalhado e analisado.”

“Felizmente – acrescentou o prelado polonês – os circuli minores realizaram um trabalho muito sério, considerando palavra por palavra, e aquele trecho que resultou no terceiro texto é muito mais sério, graças a Deus.”

O presidente dos bispos poloneses considera que no Sínodo recente “não aconteceu nada de revolucionário.” Em 1981, a exortação “Familiaris Consortio”, de João Paulo II, “já expunha tudo muito antes disso.” O que acontece é que “todo mundo já esqueceu, e agora há a impressão de que a Igreja tornou-se subitamente misericordiosa, ao passo que ela não o era até então, que ela tornou-se iluminada, e não era antes.”

“Essas são todas ilusões, que são o produto da miopia, do fato de que olhamos para as duas últimas semanas e exclamamos: isso não existia antes! Ao contrário, tudo isso já existia. Não se pode dar a  impressão de que durante dois mil anos não havia misericórdia na Igreja, que agora a misericórdia aparece inesperadamente. A misericórdia faz sentido se ela estiver relacionada à verdade”, declarou o arcebispo Stanislaw Gadecki à rádio estatal polonesa.

* Tradução a partir da versão inglesa de Rorate-Caeli.

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20 outubro, 2014

A verdadeira história deste Sínodo. Diretor, atores, auxiliares.

Novos paradigmas sobre divórcio e homossexualidade são agora especialidade da casa para os vértices da Igreja. Nada foi decidido, mas o Papa Francisco é paciente. Um historiador americano refuta a tese de “La Civiltà Cattolica”.

Por Sandro Magister | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: ROMA, 17 out 2014 – “E voltou a soprar o espírito do Concílio”, foi o que disse o cardeal filipino Luis Antonio Tagle G, uma estrela em ascensão na hierarquia mundial, bem como um historiador do Vaticano II. E é verdade. No sínodo que está prestes a terminar há muitos elementos em comum com o que aconteceu naquele grande evento.

A semelhança mais impressionante é a distância entre o sínodo real e o sínodo virtual veiculado pela mídia.

Mas existe uma semelhança ainda mais substancial. Tanto no Concílio Vaticano II como neste sínodo,  as mudanças de paradigma são o produto de uma condução meticulosa. Um protagonista do Concílio Vaticano II como o Pe. Giuseppe Dossetti – habilíssimo estrategista entre os quatro cardeais moderadores que estavam no comando da máquina conciliar – o afirmou com orgulho. Ele disse que “virou a sorte do Concílio”, graças à sua capacidade de pilotar a assembléia, algo que ele aprendeu com a sua prévia experiência política como líder do maior partido italiano.

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20 outubro, 2014

“Onde houver dúvida, que eu leve…

Por Pe. Cristóvão – Fratres in Unum.com

… a fé”. Esta era a oração atribuída a São Francisco, deste que Bergoglio apresenta ao mundo como seu modelo, sua inspiração. De fato, um modelo, mas ao revesso. Com Bergoglio, no que se refere à Igreja, a oração do Seráfico Patriarca de Assis está em perfeita realização, ao contrário.

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“Onde houver fé, que eu leve a dúvida”, sim, pois hoje suas atitudes e palavras demonstram que ele não se preocupa nem em dissimular seu ativismo liberal. Enquanto os bispos católicos se contorciam para defender a doutrina, ele os atacava, explicitamente, impiedosamente, aplicando-lhes as mesmas palavras dirigidas por Nosso Senhor contra os mestres da Lei.

É o que vem reportado por “L’Osservatore Romano”:

“O Papa Francisco exortou a questionar-se sobre o motivo pelo qual os doutores da lei não compreendiam os sinais dos tempos, invocando um sinal extraordinário. E propôs algumas respostas: a primeira é ‘porque eram fechados. Fechados no seu sistema, tinham elaborado muito bem a lei, uma obra-prima. Todos os judeus sabiam o que se podia fazer, o que não se podia fazer, e até aonde se podia ir’. Mas Jesus surpreende-os fazendo ‘coisas estranhas’, como por exemplo ‘acompanhar com os pecadores, comer com os publicanos’. E os doutores da lei ‘não gostavam disso, era perigoso; estava em perigo a doutrina, que eles, os teólogos, tinham elaborado ao longo dos séculos’”.

Quer dizer, de repente, quem era ortodoxo passa a ser “mestre da lei”, “fariseu”, o anátema. Não lhe basta o reproche tout court, pune. O card. Burke, que se comportou nos últimos dias como heroico confessor da fé, segundo informações, está sendo removido do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica.

Bispos africanos sendo vilipendiados por Kasper, por serem mais conservadores. Grupos de bispos se manifestando contra a escandalosa traição do texto de trabalho da “Relatio” ao magistério unânime da Igreja. Manipulações gritantes, que propiciaram a elaboração de um documento que só pode ter sido escrito pelo “Exterminador do futuro”… Senão, como um texto que deveria conter o resultado de umas discussões poderia reproduzi-lo em diversas línguas antes que as mesmas tivessem acontecido? O Vaticano está contratando ciganas? Ou o card. Baldisseri é a versão curial da Mãe Dinah?

Mas os danos não param por aí. A maioria dos padres sinodais foi favorável à inclusão elogiosa aos gays e aos recasados na “Relatio Synodi” – o que é uma vergonha! –, mas, como para a aprovação é necessário o sufrágio de dois terços dos votantes, eles sucumbiram à minoria. Contudo, Bergoglio não se deu por vencido: “em um movimento audaz, o Papa não apenas pediu que se dessem a conhecer os três parágrafos mencionados, mas também deu instruções para que os mesmos façam parte da ‘Relatio Synodi’, ainda que sob a categoria de ‘não aprovados formalmente’. Assim, de fato, deixou aberto o debate sobre os mesmos. A discussão se estenderá durante mais um ano, envolverá todas as dioceses do mundo e concluirá com outra assembleia do Sínodo, em outubro de 2015”.

Este Sínodo é uma piada, e de péssimo, de blasfemo gosto! Entretanto, como dizia o Apóstolo São Paulo, de “Deus não se zomba” (Gal. VI,7). Estes homens perderam o temor do Senhor, estão chamando o juízo de Deus sobre si e, mais dia, menos dia, este virá.

A Igreja virou um inferno a céu aberto, enquanto Bergoglio diz “fazei-me um  instrumento da vossa”… “paz?”. Não!, ninguém pode ser instrumento da paz quando diz sê-lo, mas, com suas ações confessa dia após dia “onde houver união, que eu leve a discórdia”.

Diz, mas talvez também escreva, pois todo este cenário de conflito desenrolava-se sob os salpiques do correio elegante entre Bergoglio e Baldisseri, B&B – daria um lindo logo para uma nova marca de perfumes! Engraçado para quem se acha moderno… Poderiam, ao menos, usar o whatsapp. Assim, poupariam os padres sinodais do constrangimento de se verem manipulados in loco e clamorosamente.

Mas, no fim das contas, Bergoglio é o soberano absoluto, a ele se rende a opinião pública, a Igreja, a fé e…, quem sabe?, até mesmo Cristo – óbvio, não o verdadeiro Cristo-Rei, mas este hippie que eles inventaram, à margem do Evangelho.

Todavia, a desgraça das desgraças, a meu ver, é que estamos testemunhando a “Santa Sé” ensinando a “obstinação no pecado”, “negando a verdade conhecida como tal”, o que a tradição católica, lendo obedientemente a Escritura, chamou sem titubeios de “pecado contra o Espírito Santo”. E isto sem disfarces, à luz do dia.

E as almas vão para o inferno, e Nossa Senhora pede para rezarmos pela conversão dos pecadores, e Bergoglio o acha antiquado… Não! Melhor colocar todo mundo dentro. Afinal de contas, com ele, conversando a gente se entende.

O melhor presente que Bergoglio poderia dar à Igreja seria reconhecer a confusão que está criando e renunciar. Mas, enfim, a sua vaidade nada franciscana não lhe permitirá reconhecer seus erros: ele prefere corrigir os “erros” de toda a Tradição da Igreja, do Evangelho, e até mesmo de Nosso Senhor.

Cabeças vão rolar. O sínodo continua. Novidades vêm aí. E é bom estarmos preparados para a pior de todas as provas: olhar para a Sede de Pedro e encontrar novamente a negação, a recusa, o perjúrio, o grito de “nescio hominem istum quem dicitis”, “não conheço este homem de quem falais” (Marc. XV,71).

Como dizia o Profeta, “não criam, os reis da terra e todos os habitantes do mundo, que entrassem o opressor e o inimigo pelas portas de Jerusalém” (Lam. IV,12).

A São Francisco, disse Cristo: “Vai, e reconstrói a minha Igreja”. Bergoglio ouviu, e o está fazendo, mas ao contrário.

19 outubro, 2014

Foto da semana.

Papa Francisco saúda o Papa Emérito Bento XVI na cerimônia de encerramento do Sínodo sobre a Família e Missa de beatificação do Papa Paulo VI, ocorrida hoje em Roma.

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“Foi uma grande experiência, na qual vivemos a sinodalidade e a colegialidade e sentimos a força do Espírito Santo que sempre guia e renova a Igreja, chamada sem demora a cuidar das feridas que sangram e a reacender a esperança para tantas pessoas sem esperança”.
(Palavras do Papa Francisco ao concluir o Sínodo dos Bispos sobre a Família)

Fonte: Radio Vaticano

19 outubro, 2014

Discurso do papa Francisco por ocasião do encerramento do Sínodo ontem.

Por Rádio Vaticano: No discurso de encerramento, na última sexta-feira, o papa Francisco descreve os momentos de desolação, de tensão e de tentações ocorridos durante o Sínodo:

- Uma: a tentação de enrijecimento hostil, isto é, de querer fechar-se dentro do escrito (a letra) e não deixar-se surpreender por Deus, pelo Deus das surpresas (o espírito); dentro da lei, dentro da certeza daquilo que conhecemos e não daquilo que devemos ainda aprender e atingir. Desde o tempo de Jesus, é a tentação dos zelosos, dos escrupulosos, dos cuidadosos e dos assim chamados – hoje – “tradicionalistas” e também dos “intelectualistas”.

- A tentação do “bonismo” destrutivo, que em nome de uma misericórdia enganadora, enfaixa as feridas sem antes curá-las e medicá-las; que trata os sintomas contra os pecadores, os fracos, os doentes (cf. Jo 8,7), isto é, transformá-los em “fardos insuportáveis” (Lc 10,27).

- A tentação de descer da cruz, para acontentar as pessoas, e não permanecer ali, para realizar a vontade do Pai; de submeter-se ao espírito mundano ao invés de purificá-lo e submeter-se ao Espírito de Deus.

- A tentação de negligenciar o “depositum fidei”, considerando-se não custódios, mas proprietários ou donos ou, por outro lado, a tentação de negligenciar a realidade utilizando uma língua minuciosa e uma linguagem “alisadora” (polida) para dizer tantas coisas e não dizer nada”. Os chamavam “bizantinismos”, acho, estas coisas…

19 outubro, 2014

Burke confirma: “Sim, o Papa me rebaixou”. “O Papa faz muito mal ao deixar de falar abertamente a sua posição”. Sínodo “projetado para mudar a doutrina da Igreja”.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Publicamos aqui para registro dos acontecimentos atuais todas as citações publicadas pelo BuzzFeed da entrevista com o Cardeal Burke:

Um cardeal de alto escalão disse ao BuzzFeed News na sexta-feira que o encontro mundial de líderes da Igreja que está chegando ao fim em Roma parecia ter sido projetado para “enfraquecer a doutrina e pratica da Igreja” com a aparente bênção do Papa Francisco.

[...]

Se o Papa Francisco havia selecionado alguns cardeais para dirigir o encontro, a fim de promover suas opiniões pessoais sobre questões como o divórcio e o tratamento das pessoas LGBT, Burke disse, ele não estaria observando o seu mandato como líder da Igreja Católica.

De acordo com minha compreensão da doutrina e disciplina da Igreja, não, isso não seria correto“, disse Burke, afirmando que o papa havia “feito muito mal” por deixar de dizer “abertamente qual era a posição dele.”

[...]

O papa, mais do que qualquer outra pessoa, como pastor da igreja universal, é obrigado a servir à verdade“, disse Burke. “O papa não é livre para alterar a doutrina da Igreja em relação à imoralidade dos atos homossexuais ou à insolubilidade do casamento ou qualquer outra doutrina da fé.”

[...]

Na entrevista ao BuzzFeed News, Burke confirmou publicamente pela primeira vez os rumores de que lhe haviam dito que Francis pretendia rebaixá-lo do cargo de guardião chefe do direito canônico para para um cargo menos importante como patrono da Soberana Ordem Militar de Malta. [* ]

“Estou tenho apreciado muito e tenho sido feliz prestando esse serviço. Portanto, e uma lástima ter de abandoná-lo,” disse Burke, explicando que ele ainda não havia recebido uma notificação de transferência. “Por outro lado, na Igreja, como sacerdotes, temos que estar sempre prontos para aceitar qualquer missão que nos for dada. E assim eu confio ao aceitar essa missão, confio que Deus vai me abençoar, no final das contas, isso é o que é mais importante “.

  …
A [Relatio post disceptationem] agora está sendo revisada com o feedback das discussões dos pequenos grupos, realizada nesta semana, e uma versão final está prevista para ser votada no sábado. Burke disse esperar que a comissão que está redigindo o novo relatório produza um “documento digno“, mas disse que sua “confiança está um pouco abalada” pela linguagem da minuta preliminar, acrescentando que falta “uma boa base tanto nas Sagradas Escrituras como na doutrina perene da Igreja.”     …

Enquanto Francisco não tem demonstrado nenhum sinal de que apoia a revisão da doutrina da Igreja de que o homossexualismo é pecaminoso, parece que, a partir dessa experiência, ele assumiu o desejo de minimizar os conflitos sobre a sexualidade, a fim de ampliar a mensagem da Igreja.

Porém, Burke disse que a Igreja deve sempre chamar uma “pessoa que está envolvida em atos pecaminosos [...] à conversão, de forma amorosa, mas, obviamente, como um pai ou mãe de família, de maneira firme para o bem da próprio pessoa. “não pode haver” uma diferença entre a doutrina e a prática “sobre questões como o homossexualismo ou qualquer outra coisa, disse Burke.

A Igreja não exclui ninguém quem é de boa vontade, mesmo que essa pessoa está sofrendo de atração pelo mesmo sexo ou mesmo agindo segundo essa atração“, disse Burke. “Se as pessoas não aceitam a doutrina da Igreja sobre essas questões, então elas não estão pensando com a Igreja e precisam examinar a si mesmas sobre esso ponto e corrigir sua maneira de pensar ou sair da Igreja, se elas não podem absolutamente aceitar. Elas certamente não são livres para mudar o ensino da igreja de acordo com suas próprias idéias. “[Fonte]

[* Atualização (11:50 GMT): "A pedido de vários leitores, BuzzFeed News publicou uma transcrição da parte da entrevista em que o Cardeal Burke fala sobre sair da Assinatura".]

BuzzFeed News: devo perguntar-lhe sobre os relatos de que o senhor está senod destituído da Assinatura. Qual é a mensagem que essa destituição quer transmitir? O senhor acha que está sendo destituído em parte por causa da sua sinceridade sobre estas questões?

Cardeal Burke: A dificuldade – eu tenho conhecimento de todos os relatos, obviamente. Ainda não recebi uma notificaao oficial de transferência. Obviamente, estas questões dependem de atos oficiais. Quero dizer, posso ser informado de que vou ser transferido para um novo cargo, mas até que eu tenha uma carta de transferência na minha mão, tenho dificuldade em falar sobre esse assunto. Não sou livre para comentar sobre o motivo pelo qual acho que isso poderá vir a acontecer.

BFN: Já lhe disseram que o senhor vai ser transferido?

CB: Sim.

BFN: Obviamente o senhor é uma pessoa muito respeitada. Isso deve ser decepcionante.

CB: Bem, eu tenho que dizer, a área em que eu trabalho é uma área para a qual estou preparado e eu tentei prestar um serviço muito bom. Gosto e tenho sido muito feliz prestando este serviço, por isso é uma decepção ter de deixá-lo.

Por outro lado, na Igreja, como sacerdotes, temos que estar sempre prontos para aceitar qualquer missão que nos for dada. E assim eu confio que, ao aceitar esta missão, confio que Deus vai me abençoar, e isso é o que importa no final das contas. E embora eu teria gostado de continuar trabalhando na Assinatura Apostólica, vou entregar-me a ao novo trabalho para o qual estou sendo designado…

BFN: O senhor quer dizer, como chanceler da Ordem de Malta, não é mesmo?

CB: É chamado de patrono da Soberana Ordem Militar de Malta, é isso mesmo.

19 outubro, 2014

Cidade do Texas aprova leis que analisam sermões de padres e pastores contra gays e enfrenta críticas.

Religiosos querem derrubar as normas e processam agora a prefeita, que é lésbica.

O Globo – RIO – Houston, a quarta maior cidade dos Estados Unidos, vive uma batalha nos tribunais que pode indicar como o país deve se comportar no futuro em relação aos direitos homossexuais e transgêneros. O alvo da disputa são leis em vigor desde junho deste ano preveem o exame de sermões de padres e pastores para saber se eles discriminam o público LGBT em todo o Texas. As normas agora estão sendo contestadas na justiça pelos religiosos.

As leis foram parcialmente aprovada em junho por Annise Parker, prefeita de Houston que é lésbica, mas encontrou forte oposição nos círculos religiosos. Líderes de igrejas formaram uma coalizão chamada Alliance Defending Freedom (ADF), que entrou com uma ação contra a cidade e a própria Parker. Um escritório de advocacia que representa quatro pastores argumenta que as medidas são “demasiado ampla, demasiado morosos, ofensivo e vexatório”.

A advogada Christina Holcomb chegou a tachar as normas municipais de “uma inquisição projetada para abafar qualquer crítica”.

- Comentário político e social não é um crime. Ele é protegida pela Primeira Emenda – disse ela ao jornal inglês The Independent.

Membros da ADF argumentam ainda que a cidade está exigindo que pastores que nem fazem parte do processo entreguem seus sermões e outras comunicações para saber se eles estão fazendo críticas ao poder municipal.

- Vereadores deveriam ser funcionários públicos, e não senhores do ‘Big Brother’ que não toleraram a dissidência ou desafio. É uma caça às bruxas, e estamos pedindo ao tribunal para colocar um fim a isso – afirmou o advogado Erik Stanley.

A prefeita Annise Parker vive desde os anos 1990 com Kathy Hubbard, parceira com quem tem dois filhos adotivos. Parker assumiu o cargo no Texas em 2009:

- Esta eleição mudou o mundo para gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros comunidade.

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19 outubro, 2014

Quantos equívocos sobre o acolhimento aos gays.

Por Roberto Marchesini – La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: A pedido de um amigo, fui obrigado a ocupar-me do Sínodo Extraordinário atualmente em curso e  a ler o artigo de Marco Tosatti sobre “o acolhimento aos filhos gays.” Descubro então que neste Sínodo sobre a Família foi convidado um casal australiano que falou sobre a importância da sexualidade no casamento. Não se sabe bem por qual motivo, mas o fato é que esse casal achou oportuno acrescentar outra carne ao fogo falando de acolhimento aos “filhos gays.” Estas são suas palavras entre aspas relatados por Tosatti: “Nossos amigos estavam planejando a sua reunião de família para o Natal, quando seu filho gay disse que queria levar para casa o companheiro. Eles acreditavam piamente nos ensinamentos da Igreja e sabiam que os seus netos teriam gostado de vê-los acolhendo o seu filho e seu parceiro na família. Sua resposta pode ser resumida em três palavras: É o nosso filho “.

Obviamente (eu sabia, e queria evitá-lo), eu fui assaltado pelas perguntas: por que, em um Sínodo em que a presença de leigos não é admitida, esse casal foi convidado? Por quem? Por que eles? Por que eles introduziram o tema da homossexualidade? Quem os convidou sabia da sua intervenção? Sua afirmação conclusiva nos recorda um documento intitulado “Sempre nossos filhos”, publicado em 1997 pela Comissão sobre Casamento e Família da Conferência Episcopal dos Estados Unidos. Nove dias após a aprovação do documento, o então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Ratzinger, enviou aos bispos uma carta duríssima na qual ele pedia que fossem feitas pelo menos dez modificações e alguns acréscimos ao documento. A referência a esse documento seria intencional ou acidental?
Também no Vatican Insider, desta vez assinado por Andrea Tornielli, eu li que de acordo com um não identificado padre participante do Sínodo, “expressões tais como” intrinsecamente desordenados “(usado sobre a homossexualidade, ed) ou ” mentalidade contraceptiva” não ajudam a levar as pessoas a Cristo”.
Parece quase certo que os Padres sinodais decidiram aceitar as exigências da conferência internacional teológica “Streets of Love” (os caminhos do amor), promovido pelo Fórum Europeu dos cristãos LGBT e realizada com a contribuição  do Ministério da Educação da Holanda(?)
O que dizer?
Em primeiro lugar, podemos dizer que a Igreja prega de modo explícito o acolhimento das pessoas com tendências homossexuais desde 1975 (cfr. Pessoa Humana § 8;. Catecismo da Igreja Católica § 238), e o fato de que no Sínodo o convite ao acolhimento a essas pessoas soe como uma novidade é desconcertante.
Em segundo lugar, deve-se dizer que o acolhimento das pessoas com tendências homossexuais não implica de forma alguma na aceitação dessas mesmas tendências.  Este é o motivo pelo qual o Magistério não fala de “homossexual” ou “gay”, mas de “pessoas com tendências homossexuais”, fazendo uma clara distinção entre pessoa e tendências. É uma distinção importante, explicada pelos documentos, nos quais lemos (Homosexualitatis problema, § 16): “A Igreja oferece aquele contexto no qual hoje se sente uma extrema urgência em cuidar da pessoa humana, exatamente quando ela se recusa a considerar a pessoa puramente como um “heterossexual” ou “homossexual” e enfatiza que todos têm a mesma identidade fundamental: ser criatura e, pela graça”, um filho de Deus, herdeiro da vida eterna.
Ainda mais decisivo,  monsenhor Livio Melina, presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, escreve: “[...] As pessoas com inclinações homossexuais são homens e mulheres e, portanto, [...] seria oportuno superar o termo “homossexual” e substituí-lo por “pessoa com inclinações homossexuais”, pois enquanto uma inclinação não assume significados relevantes, não pode definir exaustivamente o sujeito”. É a velha distinção aristotélica entre “substância” e “acidente”. Mas tudo isso, nesse Sínodo parece não ter o direito de cidadania, e assim se fala tranquilamente em “filho gay” (nem mesmo “homossexual”, apenas “gay” como se todas as pessoas com tendências homossexuais fossem ativistas ou homossexuais ativos), como se a homossexualidade fosse substância  (e não, como ensina o Magistério, acidente).
Enfim, que comentários poderíamos fazer sobre o que disse o anônimo padre sinodal segundo o qual, definir a homossexualidade como uma inclinação “objetivamente desordenada” não ajudaria a trazer as pessoas para Cristo? Começamos por dizer que (ainda) é o Magistério que define a homossexualidade como “objetivamente desordenada”, porque “é [...] uma tendência, mais ou menos forte direcionada a um comportamento intrinsecamente mal do ponto de vista moral ” (Homosexualitatis problema § 3;. ver Catecismo da Igreja Católica § 2358). Os atos homossexuais, de fato, são considerados (sempre de acordo com o Catecismo) ofensas graves contra a castidade, simplesmente porque são atos sexuais praticados fora do casamento, “excluem do ato sexual o dom da vida, não são o resultado de uma verdadeira complementariedade afetiva e sexual “(ibid). Não vejo outros modos para não definir dessa maneira os atos homossexuais, senão se: 1) elevar o “casamento gay” a sacramento   (e, pelo menos sobre isso, não me parece que o Sínodo queira conceder tal abertura) ou 2) modificar a doutrina que considera lícitos somente os atos sexuais castos (ou seja, abertos à vida e que sejam o dom total de si ao outro).
Na verdade, se a proposta do Cardeal Kasper tivesse que ser aceita (permitir que divorciados que têm relacionamento sexual com um parceiro que não é o cônjuge se aproximem da Eucaristia, sem arrependimento, confissão e absolvição), esta seria, obviamente uma doutrina sem raízes. E então, por que continuar a considerar como pecaminosos os atos sexuais por exemplo, entre dois namorados? Desta forma, já não poderiam ser considerados como pecaminosos os atos homossexuais, e portanto a homossexualidade já não seria uma inclinação “objetivamente desordenada”.
O discurso poderia continuar questionando por que, a este ponto, se quer abolir apenas o o sexto mandamento da Lei de Deus? Por que não abolir também o quinto, o sétimo ou o oitavo? Por que não resolvem abolir de vez o primeiro mandamento que, falando com toda franquza, também não ajuda em nada a trazer as pessoas para Cristo?
Vou parar por aqui para não ser acusado de querer me auto intitular teólogo.
Resta apenas a impressão desoladora de que pelo menos parte dos padres sinodais, abandonando o uso do latim para o atual italiano como língua oficial, parecem abandonar também o Magistério para abraçar a mentalidade deste mundo como pensamento oficial.
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