25 junho, 2015

DENÚNCIA: Paróquia de Itaquera a serviço da destruição da Igreja.

Por Catarina Maria B. de Almeida | FratresInUnum.com – Conforme notícia publicada na última segunda-feira, a Paróquia Nossa Senhora do Carmo, da Diocese de São Miguel Paulista – SP, em seu semanário litúrgico “Memorial do Senhor” apresentou um conjunto de preces em que se suplicava a Deus em favor da causa gay.

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6 julho, 2015

1987 – Padre Richard Williamson: Rezemos para que o Papa dê jurisdição à Fraternidade São Pio X.

Por Credidimus Caritati | Tradução: FratresInUnum.com – Em 08 de dezembro de 1987, Dom Lefebvre recebia em Econe o Cardeal Édouard Gagnon, que veio de Roma inspecionar os lugares de culto da FSSPX e das comunidades amigas.  Não era um momento de cegueira. Ao longo do verão, o arcebispo Lefebvre havia estabelecido claras diferenças com o Cardeal Ratzinger sobre a liberdade religiosa e um ano antes, ele havia se alarmado face ao escândalo de Assis. Apesar disso, a visita cardinalícia era um motivo de alegria, pois ela demonstrava de maneira muito pública o desejo de manter laços visíveis com a hierarquia, mesmo se ela fosse constituída por membros frequentemente desviados pelas novas normas do período pós-conciliar. Nesse mesmo dia, que foi festa da Imaculada Conceição, do outro lado do Atlântico, o Padre Richard Williamson, diretor do seminário americano de Ridgefield, instava seus seminaristas a rezarem insistentemente para que a regularização canônica, injustamente negada à Fraternidade, fosse concedida:

“Rezemos pela Fraternidade! Rezemos em particular pelo Cardeal Gagnon, que volta hoje ao seminário da Fraternidade na Suíça, depois de ter terminado sua visita de um mês pelas casas da Fraternidade na Suíça, na França e na Alemanha. Rezemos por ele, pois ele redigirá seu relatório sobre a Fraternidade à intenção do Santo Padre, para que ele apresente a verdade de tal modo que receba a aprovação do papa. Rezemos pelo papa, para que ele possa fazer o que deveria fazer claramente: dar jurisdição e um status à Fraternidade, que o merece inteiramente. Isso é absolutamente necessário para o bem da Igreja universal, sem falar da Fraternidade”.

Nessas linhas estão ausentes as falsas ideias elaboradas a posteriori, segundo as quais as autoridades romanas seriam totalmente estranhas à Igreja Católica, que seria preciso que a FSSPX rompesse toda relação com a Santa Sé ou ainda que ela se afastasse de uma vez por todas de seus representantes. Muito pelo contrário, ao longo de suas últimas décadas, vividas neste mundo, Dom Lefebvre era animado por um duplo desejo de salvaguardar a Tradição bimilenar da Igreja, reivindicando, ao mesmo tempo, a justiça de fazer a experiência dessa Tradição sem entraves. É a seus sucessores – que estão à frente da obra que ele fundou – que ele confiou a missão de descobrir esses entraves, permitindo ou não a experiência reconhecida da Tradição.

6 julho, 2015

O reino dos Céus sofre violência e são os violentos que o arrebatam.

Na vida desta humilde criança, que apontamos em breves linhas, podemos ver um quadro não só digno do Céu, mas também digno de ser contemplado com admiração e veneração pelos homens do nosso tempo.

stmariagoretti-1-1Aprendam os pais e as mães de família com quanto empenho devem educar na rectidão, na santidade e na fortaleza os filhos que Deus lhes deu, e formá-los na obediência aos preceitos da religião católica, para que possam, com o auxílio da graça divina, sair vencedores, sem feridas e sem manchas, quando for posta à prova a sua virtude.

Aprenda a alegre infância, aprenda a juventude ardente a não se deixar cair miseravelmente nos prazeres efémeros e ilusórios da paixão, a não ceder ante a sedução do vício, mas antes a combater com alegria, mesmo entre dificuldades e espinhos, para alcançar aquela perfeição cristã de bons costumes, que todos podemos atingir com a força de vontade, ajudada com a graça divina, por meio do esforço, do trabalho e da oração.

Nem todos somos chamados a sofrer o martírio; mas todos somos chamados a adquirir as virtudes cristãs. A virtude, porém, exige energia, que embora não atinja as alturas da fortaleza desta angélica menina, nem por isso obriga menos a um cuidado contínuo e muito atento, que deve ser sempre mantido por nós até ao fim da vida. Por isso, semelhante esforço pode ser considerado um martírio lento e prolongado, ao qual nos convidam estas divinas palavras de Jesus Cristo: O reino dos Céus sofre violência e são os violentos que o arrebatam.

Da Homilia de Pio XII, proferida na canonizacão de Santa Maria Goretti

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5 julho, 2015

Foto da semana.

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Caxias do Sul, 3 de julho de 2015. Conforme anunciado, pessoas se manifestaram em “panelaço” contra conferência de herege Leonardo Boff, em auditório de ordem religiosa e com a complacência do bispo diocesano.

Créditos da imagem: Terça livre

Vídeo aqui.

4 julho, 2015

Igreja Católica não deveria ter “líderes vitalícios”, diz papa.

Reuters – A Igreja Católica não deveria ter líderes vitalícios em suas fileiras, senão corre o risco de ser como um país sob ditadura, disse o papa Francisco nesta sexta-feira (3).

Francisco, de 78 anos, já declarou anteriormente que estaria pronto para renunciar ao invés de ficar até o fim da vida se sentisse que não pode continuar liderando a igreja de 1,2 bilhão de fiéis por razões de saúde ou outras.

“Sejamos claros. O único que não pode ser substituído na igreja é o Espírito Santo”, afirmou o pontífice argentino em um discurso a cerca de 30 mil pessoas durante um evento ecumênico na Praça São Pedro.

“Deveria haver um limite de tempo para os cargos (na igreja), que na verdade são cargos de serviço”, disse ele durante sua fala, em parte preparada e em parte improvisada.

Deixando claro que seus comentários não se restringem ao clero, Francisco acrescentou: “É conveniente que todos (os cargos) na igreja tenham um limite de tempo. Não há líderes vitalícios na igreja. Isto ocorre em alguns países onde existe uma ditadura”.

Em fevereiro de 2013, o antecessor de Francisco, o papa Bento 16, se tornou o primeiro pontífice a renunciar em 600 anos.

Em uma entrevista à televisão mexicana em março passado, Francisco disse que o que Bento, agora conhecido como papa emérito, fez “não deveria ser considerado uma exceção, mas uma instituição”.

Mas, na mesma entrevista, ele afirmou não gostar da ideia de uma idade de aposentadoria automática para os papas, por exemplo aos 80 anos.

3 julho, 2015

Ativistas mexicanos fazem queixas-crime contra cardeal católico por se opor a “casamento” gay.

Por LifeSiteNews | Tradução: FratresInUnum.com – O Cardeal Juan Sandoval Iniguez, arcebispo emérito de Guadalajara, tornou-se objeto de múltiplas queixas-crime por ativistas homossexuais após um discurso na TV, em que denunciou a recente declaração da Suprema Corte do México que anulava as leis estatuais que restringiam o casamento a um homem e uma mulher, de acordo com fontes dos meios de comunicação mexicanos.

Em sua exortação semanal, transmitida pela rede de TV católica Mariavision na semana passada e redistribuída na Internet, o Cardeal denunciou a definição de casamento adotada pela corte como  um “desvio” e uma “perversão” da verdadeira natureza do matrimônio, palavras que descrevem a doutrina da Igreja Católica sobre os atos homossexuais. Ele também lamentou a falta de oposição dos bispos católicos e teorizou que o impulso para redefinir o casamento é uma tentativa de destruir a instituição [do casamento], como parte de um plano maior para estabelecer uma “nova ordem [mundial]” e um único governo global.

“Qualquer coisa fora desta instituição divina [o matrimônio] constitui um ataque contra ela e é uma aberração, não pode ser aceitável  aos católicos,” disse Sandoval.

Em resposta, uma coalizão de pelo menos doze organizações [de defesa dos direitos] homossexuais apresentaram queixas-crime em duas autarquias, alegando que as palavras do Cardeal são “discriminatórias” e “incitam à violência” contra homossexuais.

O Cardeal “com as suas declarações está fomentando a homofobia e a transfobia,” disse Carlos Becerra da União Diversa, um dos grupos que está apresentando denúncias, em uma entrevista à agência de notícias espanhola EFE.

“O Cardeal considera que o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo não é uma questão de direitos humanos, mas que os direitos humanos são para todos,” ele acrescentou.

O jornal mexicano de esquerda Milenio relata que outro grupo homossexual, a Coesão de Diversidades para a Sustentabilidade (CODISE), planeja apresentar uma queixa-crime contra Sandoval ao Secretariado federal de Governo, bem como contra o seminário de Guadalajara, porque eles “fazem um discurso que incita ao ódio e à discriminação e que gera confusão entre os pais heterossexuais com relação aos seus filhos homossexuais, e criam uma mentalidade repressora e suicida em seus filhos homossexuais.”

Esta não é a primeira vez que o Cardeal Sandoval e outros prelados e instituições católicas foram ameaçados com processos judiciais por ousarem defender a doutrina da Igreja Católica relativamente à imoralidade dos atos homossexuais e à natureza do laço matrimonial.

Em agosto de 2010, Sandoval acusou publicamente Marcelo Ebrard, então Governador da capital do país, de ter “engordado” a Suprema Corte com benefícios, de modo a garantir decisões judiciais a favor de sua agenda antivida, que incluía o aborto e o “casamento” homossexual. Ebrard ameaçou reiteradamente e, em seguida, moveu uma ação contra Sandoval, usando seu próprio pessoal para persegui-lo em quatro acusações. Ebrard também ameaçou o porta-voz da arquidiocese da Cidade do México, Hugo Valdemar, com ação judicial por afirmar que o regime de aborto da cidade era mais assassino do que os narcotraficantes, porque havia matado mais pessoas. As acusações contra Sandoval e Valdemar foram consideradas sem fundamento em veredito dado em 2014, e Ebrard foi condenado a pagar todos as despesas judiciais da arquidiocese de Guadalajara, na Cidade do México.

3 julho, 2015

Rezemos pelo Cardeal Burke.

Cardeal Raymond Burke

Cardeal Raymond Burke

No último dia 30, Sua Eminência completou 67 anos de idade; um dia antes, completou 40 anos de vida sacerdotal.

3 julho, 2015

Ordenações no IBP – Atualização.

Sobre nossa matéria de ontem, uma gentil leitora nos informa:

Sobre as ordenações dos meninos do IBP, ao menos os brasileiros, o motivo de ainda não terem sido ordenados é muito tranquilo e de alegria: não foram ainda porque suas ordenações não ocorrerá em França e sim no Brasil. E posso lhe garantir (segundo os bons e bem informados amigos que tenho) que conta com a aprovação do bispo local. Aliás, o ordenante também é brasileiro e a data também não está muito longe.

Deo gratias!

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2 julho, 2015

Ordenações para IBP e Administração Apostólica.

Por Manoel Gonzaga Castro* – FratresInUnum.com: No último sábado, 27 de junho, pela graça de Deus, foram ordenados diáconos no Instituto do Bom Pastor os seminaristas Guillaume Touche e Adolfo Andrés Hormazábal. Causou apreensão, no entanto, a não ordenação dos seminaristas brasileiros do Instituto, todos membros do grupo Montfort.

Com efeito, Guillaume Touche, Adolfo Andrés, José Luiz e Thiago Bonifácio, haviam sido ordenados subdiáconos no último 21 de março, e, seguindo a praxe do instituto, tinham já previstas suas ordenações diaconais para o final do primeiro semestre. Porém, tanto o subdiácono Thiago, quanto o subdiácono José Luiz ficaram de fora do cronograma normal das ordenações desta vez.

Da esq. para direita: seminaristas José Luiz, Adolfo Andrés, Guillaume Touche e Thiago Bonifácio, em sua ordenação subdiaconal (março de 2015).

Da esq. para direita: seminaristas José Luiz, Adolfo Andrés, Guillaume Touche e Thiago Bonifácio, em sua ordenação subdiaconal (março de 2015).

Além disso, também contrariando a praxe do IBP, não foram ordenados sacerdotes os seminaristas brasileiros Pedro Gubitoso e Tomás Parra, ordenados diáconos em junho de 2014, depois de terem recebido o subdiaconato em abril do mesmo ano, após a visita do Mons. Guido Pozzo ao seminário.

O receio se deve ao fato de, em março de 2012, o mesmo Mons. Pozzo ter admoestado o superior do Instituto nos seguintes termos: “É necessário desejar que um bom discernimento seja feito para as vocações provenientes do Brasil”.

Os subdiáconos Tomás Parra (esq.) e Pedro Gubitoso (dir.) recebem o diaconato

Os subdiáconos Tomás Parra (esq.) e Pedro Gubitoso (dir.) recebem o diaconato

Oxalá esses atrasos tenham sido ocasionados por questões meramente circunstanciais e que logo a Igreja no Brasil possa receber os reforços de mais essas vocações.

Em 2013, dois brasileiros da Montfort – os agora Padres Luiz Fernando Pasquotto e Renato Coelho – também tiveram suas ordenações sacerdotais atrasadas por causa da crise institucional que se abateu sobre o IBP naquele ano.

Enquanto isso, os reforços ao avanço da difusão da liturgia tradicional vêm da parte de Dom Fernando Rifan, que ordenou mais um diácono pela Administração Apostólica São João Maria Vianney em 21 de junho último: o seminarista Domingos Sávio Silva Ferreira.

Ordenação diaconal do seminarista Domingos Sávio, junho de 2015

Ordenação diaconal do seminarista Domingos Sávio, junho de 2015

A vocação do agora diácono Domingos Sávio é resultado de um longo apostolado da Administração, sendo ele proveniente da Paróquia Pessoal Nossa Senhora de Fátima e Santo António de Pádua. O diácono Domingos Sávio será ordenado sacerdote no próximo 12 de dezembro.

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

2 julho, 2015

Bispo católico do Reino Unido afirma: aborto e pesquisas com células-tronco embrionárias assemelham-se aos sacrifícios humanos feitos pelos astecas.

Por Notifam.pt – A cultura da morte no Ocidente iguala-se à decadente civilização dos astecas e ao seu sacrifício humano generalizado, afirmou o bispo católico de Birmingham, na Inglaterra.

A sociedade asteca e o mundo ocidental de hoje têm a crença de que algumas vidas humanas podem ser descartadas, disse o bispo de Shrewsbury, Mark Davies, ao Catholic Herald, durante uma turnê pelo país com uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, considerada a padroeira dos nascituros.

“Podemos ver uma semelhança com a decadente civilização do mundo ocidental, que, de modo parecido, sacrifica e descarta vidas de milhões de seres humanos por meio do aborto; em experiências com embriões e em tratamentos de fertilidade; e agora ameaça as vidas, por meio dos suicídios assistidos e da eutanásia, daqueles que apresentam o maior fardo financeiro: os doentes e os idosos”, disse o bispo.

“Não podemos considerar nenhuma vida inferior à nossa própria vida, quer nós a encontremos no refugiado abandonado, na criança não-nascida ou no idoso abandonado”.

Dom Davies pronunciou-se, no passado, em apoio aos nascituros e também em defesa do casamento natural.

O bispo fez suas afirmações na Catedral de Shrewsbury diante de uma imagem-relíquia de Nossa Senhora de Guadalupe, que foi encostada no manto original que traz a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe dada a São João Diego, no México, pela Santíssima Virgem Maria em 1531, quando ela apareceu para ele. A aparição marcou o fim dos sacrifícios humanos e motivou a conversão de cerca de dez milhões de nativos ao Catolicismo ao longo dos dez anos seguintes.

Dom Davies relembrou como a cultura asteca havia degradado a vida em uma escala incomensurável.

“Hoje acolhemos em peregrinação esta réplica da imagem da Virgem de Guadalupe, tão venerada nas Américas”, disse Dom Davies. “Vemos Nossa Senhora novamente… tal como ela apareceu em meio a uma civilização moribunda, o mundo asteca, que havia se tornado uma cultura da morte segundo a qual o bem-estar da sociedade era sustentado pela crueldade do sacrifício humano em larga escala.”

“Observamos que Maria sempre aparece na história ao lado dos pequenos, dos mais pobres e dos mais vulneráveis. Esta imagem nos lembra onde nós sempre deveríamos esperar encontra-la”, disse ele.

1 julho, 2015

Roma: a era do vazio.

Por Padre Pio Pace – Rorate Caeli | Tradução: FratresInUnum.comO mundo todo pôde ver em suas telas, na viagem papal recente para Saraievo, que a cruz pontifical, que havia quebrado, foi remendada com esparadrapo: “Um símbolo completo!”, disseram, com ironia, os prelados em torno do pontífice. Sim, um símbolo completo. A Igreja de Pedro, no século XXI, aguarda uma encíclica… sobre o meio ambiente. É mau que uma ou duas pessoas estejam sós em um carro porque isso aumenta a quantidade de gases de efeito estufa, assim disse o Magistério da Santa Igreja Católica…

O título que dei a este artigo veio do ensaio A Era do Vazio (em italiano, L’era del vuoto, Luni, 1995), o qual foi escrito, aliás, com um objetivo completamente diferente do meu, pelo pensador francês Gilles Lipovetski. Mas, parece-me expressar bem a impressão mais ou menos compartilhada por todos hoje sobre o atual pontífice, agora que o impressionante “estado de graça” do qual ele gozou por um tempo diminuiu e as massas nas audiências gerais de quarta-feira voltaram aos níveis normais.

Um artigo de Julius Müller-Meininger, no Die Zeit (o jornal de Helmuth Schmidt, que é algo como o nosso Reppublica, só que do Reno), de 30 de abril de 2015, Jetzt hat es auch ihn erwischt, expressa bem o que os jornalistas que eram mais favoráveis a Francisco sentem agora: “O que ele quer, afinal de contas?” Müller-Meininger, que cruelmente ressalta, aliás, que a inconsistência das afirmações pontifícias são cada vez mais abertamente zombadas (“Estar doente é ter uma experiência da nossa fragilidade”), explica porque a mídia está inquieta com relação ao papa. Ele cita o ativista transsexual Vladimir Luxuria: “Eu não o entendo. Ele segue agora uma política da cenoura na vara. Primeiro, as palavras são de abertura e, depois, um ataque contra a ideologia de gênero. Francisco é um impasse. Estou desapontado.”

O impasse é o de uma abertura moral, num sentido liberal ao qual se deve, ao final, ou satisfazer ou negar. A questão que preocupa particularmente Müller-Meiningen é a da proposta feita pelo governo francês de nomear Laurent Stéfanini embaixador para a Santa Sé. Alguém que é muito competente em questões religiosas, um católico praticante, mas um homossexual. Assim como outros embaixadores perante a Santa Sé e membros do próprio corpo diplomático da Santa Sé… exceto pelo fato de que Stéfanini não vive escandalosamente como casal. Ele apenas é conhecido por ter más tendências nas quais – só seu confessor pode dizer, e nunca o fará – ele, às vezes, talvez caia.

Contudo, contra seus assessores na Secretaria de Estado, que observaram que há embaixadores muçulmanos ou comunistas perante a Santa Sé, ou ainda, freqüentadores de diversões sensuais, etc., e que mesmo assim foram aceitos como embaixadores, Francisco decidiu, por sua própria conta, que Stéfanini não receberia o aval da Sé Apostólica. É sem dúvida sua animosidade contra François Hollande, que se equipara à que ele tem por Cristina Kirchner, presidente da Argentina, que explica essa tirada de autoritarismo, típica dele: está convencido que François Hollande nomeou Stéfanini por provocação anticlerical – o que não é impossível. Mas, no mesmo momento em que tem esse ataque de “rigorismo”, Francisco retirou a suspensão da ajuda dada pela Santa Sé à UNICEF, uma suspensão decidida por João Paulo II devido às fortes campanhas em favor da contracepção organizadas ou financiadas pela UNICEF.

É verdade que o bispo Marcelo Sanchez Sorondo, Chanceler da Academia Pontifícia de Ciências Sociais e a mente por trás dessa reaproximação com a UNICEF, é um dos amigos do Papa – o que, na Roma de hoje, que se tronou uma corte mais do nunca, permite todas as coisas e acoberta todos os pecados. Também um amigo do Papa, o secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica, o franciscano José Rodriguez Carballo, que era superior dos Franciscanos de 2003 a 2013, tempo durante o qual questões financeiras impressionantes levaram a Ordem à beira da falência. Também um amigo do Papa, Monsenhor Battista Ricca, a cargo de todas as grandes casas sacerdotais em Roma (via della Scroffa, via della Traspontina, Casa Santa Marta…), nomeado prelado do Banco Vaticano, e que fez uma reputação escandalosa como diplomata no Uruguai. Também um amigo do Papa, o Arcebispo Vincenzo Paglia, presidente do Conselho para a Família, que esteve sob investigação policial por conspiração criminal, obstrução e fraude contra o município de Narni, improbidade administrativa e desvio durante o tempo em que era bispo de Terni. “Quem sou eu para julgar?”

O ponto mais incômodo disso tudo é que não se pode ver uma linha clara de governo. Tem-se a impressão de ensaios – para não dizer teimosia – de um homem que, apesar de sua idade, exerce sua autoridade com paixão, emitindo decisões para todas as direções. Como explicar, por exemplo, o tom aparentemente positivo para com a Fraternidade São Pio X e, por outro lado, o não para os Franciscanos da Imaculada? A atividade é barulhenta e ainda assim confusa; e os grandes pronunciamentos acabam morrendo na praia: ninguém mais acredita numa verdadeira reforma da Cúria, considerando a maneira totalmente ineficiente pela qual o grupo de nove cardeais encarregados trabalha. E com mais razão ainda quando ouvimos o seu presidente, o indescritível cardeal Maradiaga, anunciar, por exemplo, que todas as cortes da Sé Apostólica podem ser unidas em um único corpo…

Sob essas condições, o Sínodo de Outubro poderia parecer como uma Epifania… de vazio. É bem provável que Francisco já tenha descoberto que as teses das quais o Cardeal Kasper fora um dos maiores defensores não podem levar a uma modificação da doutrina da Igreja sem provocar divisões significativas. Alguns acham que ele acreditava, a seu modo teológico impressionista, que fórmulas poderiam ser encontradas, as quais poderiam abrir a porta para uma permissão, em certo número de casos, para que pessoas divorciadas e recasadas acedessem aos Sacramentos da Igreja, usando de misericórida versus “rigorismo”, “pastoralidade” versus dogma.

Mas é muito mais provável que o Papa tenha calculado precisamente, desde o início, o que ele deveria essencialmente esperar dessa imensa empreitada: barulho, muito barulho, uma quantidade imensa de barulho. Muito barulho para nada. Porque, se o Sínodo pura e simplesmente confirmar a doutrina tradicional da Igreja, a imagem de um pontificado que levaria a grandes mudanças irá colapsar. Se, ao contrário, o sínodo agradar os Kasperianos, irá provocar um non possumus da parte de um número considerável de cardeais e bispos. Assim, teríamos duas assembléias do Sínodo dos Bispos, uma considerável massa de literatura eclesiástica, de declarações, de pronunciamentos de imprensa em todos os sentidos, um burburinho não visto desde o último Concílio – tudo para nada. Para nada? Exceto que o ensinamento da Igreja em nome do Evangelho é deixado praticamente em silêncio.  Exceto em que o rebanho é deixado desorientado: em campo, os padres que desejarem, darão os Sacramentos calmamente para adúlteros e casais homossexuais e até os abençoarão na igreja.

Podemos, assim, falar de um pontificado de revelação, de consecução. 2015 é o ano do jubileu do Concílio, que terminou em 1965. Já percebeu que não mencionamos mais o Concílio em Roma? Sem dúvida é porque, 50 anos depois, o Concílio Vaticano II foi agora plenamente realizado, encarnado.

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