Persiste o escândalo de Viena. Missa Discoteca celebrada por bispo auxiliar.
O escândalo de Viena se aprofunda cada vez mais. Depois da celebração da “Missa Jovem” pelo próprio Cardeal Arcebispo, agora é a vez do senhor bispo auxiliar implementar a “Missa Discoteca”. Não bastassem os absurdos litúrgicos, chega-nos a notícia de que o senhor Cardeal visitará Medjurgorge.
(Kreuz.net, Viena) Em 8 de novembro, o bispo auxiliar Stephan Turnovszky presidiu uma Missa-Discoteca em Viena. A ocasião ocorreu na localidade de Großengersdorf, a vinte quilômetros ao norte de Viena. As Missas-Discotecas vienenses são celebradas sob o título de “Find Fight Follow” (Encontre, Lute, Siga). Provavelmente, com pão pita. Geralmente, se consagra o pão pita durante as Missas-Discotecas da arquidiocese de Viena.
Contudo, a organização desses eventos há muito tempo tem evitado a publicação de fotos da celebração eucarística. Obviamente, o Cardeal Arcebispo responsável, Christoph Schönborn, deseja que os grandes escândalos ocorram em segredo. Não obstante, é provável que o Mons. Turnovszky, seguindo o modelo de seu arcebispo, tenha consagrado um pão pita.
A Missa-Discoteca é um sacrilégio
O lema da recente Missa-Discoteca era “um caminho”. Supostamente, umas mil pessoas devem ter comparecido à Missa. A Arquidiocese de Viena constrange os jovens a participarem de uma Missa-Discoteca pelo menos uma vez antes de receberem o sacramento do Crisma. Uma equipe de preparação escreveu o texto da missa em uma suposta “linguagem apropriada aos jovens”, conforme informou o sítio da Arquidiocese em Viena ‘Stephanscom.at’.
Leitura Cômica
Durante as Missas-Discotecas os conteúdos da Bíblia são supostamente transformados para ficarem “modernos”. Um exemplo disso seria a leitura como algo cômico. As “vozes distintas” da Missa teriam sido apoiadas através de efeitos luminosos e sonoros. Segundo informações do sítio da arquidiocese de Viena, o bispo auxiliar Turnovszky, presidiu a Missa juntamente com o diretor espiritual dos jovens do vicariato, Markus Beranek, e a senhorita Judith Faber (15). No meio da Missa, quatro jovens confabularam sobre becos sem saída experimentados no âmbito pessoal. A próxima Missa-Discoteca será celebrada no final de novembro. Seu lema será “Me dá”. .
Muito divertida
Desde a ocorrência da Missa, ao todo, quatorze pessoas escreveram um comentário entusiasmado no livro de visitas do sítio ‘Find Fight Follow’. Anita (17) se alegra pelos “efeitos luminosos espetaculares e pela decoração”. Stefan T. (22) achou a Missa “muito divertida”. Markus Hofbauer (15) se alegrou pela “Missa fff maneira”. A sigla ‘fff’ refere-se ao lema do evento “Find Fight Follow” (Encontre, Lute, Siga).
Moni (16) ficou “de alguma maneira decepcionada”. A percussão teria se sobressaído bastante: “E o conteúdo não me agradou muito. Eu tava esperando por uma ‘Ação’ tipicamente fff.” Anni (35) ficou impressionada com a Missa: “Certa vez foi bem diferente”.
O diretor espiritual dos jovens, padre Helmut Scheer (46) elogiou os participantes. A assistente dos leigos no altar, a senhorita Judith Faber, teria se posicionado “na linha de frente” de sua senhora.
“Os bispos e os padres são exortados a acolher bem as legítimas exigências dos fiéis, uma vez que não se trata de uma concessão aos fiéis, mas de um direito”.
Eu sempre manifestei interesse e sensibilidade espiritual pela liturgia gregoriana, do mesmo modo como sou sensível – e isso não é de hoje — aos problemas e às controvérsias teológicas relacionadas às interpretações do concílio Vaticano II e da necessidade restaurar e reforçar a tradição e a identidade católica em nossa civilização. [...] A especificidade da estrutura da Comissão pontifícia Ecclesia Dei, à luz do Motu Proprio Ecclesiae Unitatem de julho de 2009, vem do fato que ela é estreitamente ligada à Congregação para a Doutrina da Fé. O Cardeal presidente é o Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e seus membros são os cardeais e arcebispos membros da mesma congregação. Eu diria que a Comissão Pontifícia que, por um lado, foi reforçada, por outro, que ela viu aumentar as obrigações que lhe são atribuídas.
Os deveres que a Comissão pontifícia Ecclesia Dei recebeu, primeiramente do motu proprio do Papa João Paulo II em 1988 e posteriormente integrados pelo motu proprio de Bento XVI Summorum Pontificum, permanecem inalterados. As competências da Comissão no que diz respeito à aplicação das disposições do motu proprio Summorum Pontificum concernentes à forma antiga do rito romano estão plenamente confirmadas. Do mesmo modo está confirmada, no âmbito das faculdades atribuídas à Comissão pelos Soberanos Pontífices, a missão de exercer, em nome da Santa Sé, a autoridade sobre os diversos Institutos e Comunidades religiosas erigidas por esta mesma Comissão que tem por rito a forma extraordinária da liturgia romana e praticam as tradições precedentes da vida religiosa. A isso foi acrescentado, com o motu proprio Ecclesiae Unitatem, o ônus de tratar as questões doutrinais relativas às dificuldades que ainda subsistem com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para alcançar a plena comunhão.
[...] As dificuldades de responder às exigências dos fiéis que solicitam a celebração da santa missa na forma extraordinária são, por vezes, devidas às atitudes de hostilidade ou preconceito, outras vezes a obstáculos práticos, como a insuficiência do clero, a dificuldade de encontrar padres capazes de celebrar dignamente segundo o rito antigo. Além disso, dificilmente se vê como a harmonizar a pastoral e a catequese da celebração dos sacramentos no rito antigo com a pastoral e a catequese ordinárias das paróquias. É claro que os bispos e os padres são exortados a acolher bem as legítimas exigências dos fiéis, segundo as normas estabelecidas pelo motu proprio, uma vez que não se trata de uma concessão aos fiéis, mas de um direito dos fiéis de poder ter acesso à liturgia gregoriana. Por outro lado, é evidente que temos de ser realistas e operar com a habilidade necessária, pois se trata também de trabalhar pela formação e educação na perspectiva introduzida pelo Papa Bento XVI com Summorum Pontificum.
[...] No artigo 11 do motu proprio se diz entre outras coisas que “esta Comissão tem a forma, as funções e normas que o Pontífice Romano quiser lhe atribuir”. Uma instrução deveria seguir oportunamente para precisar certos aspectos concernentes à competência da Comissão pontifícia e a aplicação de algumas disposições legislativas. O projeto está em estudo.
[...] A idéia de uma “reforma da reforma litúrgica” foi sugerida por diversas vezes pelo então Cardeal Ratzinger. Se me lembro bem, ele acrescentou que esta reforma não seria o resultado de um trabalho administrativo de uma Comissão de peritos, mas que demandaria um amadurecimento em toda a vida e realidade eclesial. Creio que no ponto em que chegamos, é essencial agir na linha que indica o Santo Padre na carta de apresentação do motu proprio sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma de 1970, a saber que “as duas formas do uso do rito romano podem se enriquecer mutuamente” e que “o que era sagrado para as gerações anteriores permanece sagrado e grande para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar”. Assim se exprimiu o Santo Padre. Promover esta linha significa, portanto, contribuir efetivamente a este amadurecimento na vida e na consciência litúrgica que poderia levar, num futuro não tão distante, a uma “reforma da reforma”. O que é essencial hoje para recuperar o sentido profundo da liturgia católica, nos dois usos do missal romano, é o caráter sagrado da ação litúrgica, o caráter central do padre como mediador entre Deus e o povo cristão, o caráter sacrifical da santa missa, como dimensão primordial da qual deriva a dimensão de comunhão.
Se não servem para a evangelização os padres “showman” da TV, o que dizer dos padres carnavalescos?
“A comunicação deve favorecer a comunhão na Igreja, de outro modo se converte em protagonista, ou pior ainda, introduz divisão. Para a evangelização não servem os sacerdotes showman que vão à TV [...] O sacerdote não deve improvisar quando utiliza os meios de comunicação, nem pode comunicar a si mesmo, mas [comunicar] dois mil anos de comunhão na Fé. Esta mensagem pode ser transmitida apenas através de sua própria experiência e de sua vida interior”.
Leitor pede ajuda para Missa.
de: X
data: 16 de novembro de 2009 16:37
assunto: Missa Tridentina: O dilema na Diocese de XYZCaríssimo colaboradores do site Frates in Unum,
Ao cumprimentá-los solicito ajuda (orientações) para que e eu e alguns amigos, colegas e conhecidos da Diocese de XYZ, consigamos assistir a Santa Missa no Rito Tridentino.
Ocorre que o grupo é grande e que o Bispo, por sua vez, motivado por meia dúzia de padres modernistas é contrário à celebração naquele rito.
Debaldes nossas tentativas de conseguir que ele permita que um padre da própria diocese (existem padres interessados em celebrar), ou mesmo padres de fora (conhecemos alguns que se propoem em vim celebrar), continuamos sem conseguir a graça de assistirmos a Santa Missa.
Entretanto, todas as manifestações modernistas, tais como, Neo-catecumenato, Renovação Carismática “Católica” e derivados (sic), têm espaço e “fazem e acontecem” na diocese.
Nesse sentido, aguardo manifestações positivas e dividimos com vocês nossa angústia. Outrossim, solicitamos que rezem na intenção dos poucos fiéis católicos que lutam pela Igreja em XYZ.
Cordialmente,
X
Caro amigo,
Antes de qualquer iniciativa, é importante que o grupo se encontre semanalmente para rezar o rosário ou o terço de maneira pública por esta intenção – de preferência na igreja em que se pedirá a celebração da Santa Missa. É fundamental encontrar um padre, mesmo que de outra cidade, para guiar este grupo. Havendo um sacerdote interessado em celebrar a missa, deve-se convidá-lo para conduzir a oração.
A formação doutrinal do grupo também imperativamente deve ser dirigida por um piedoso e ortodoxo sacerdote (apesar da escassez destes, ainda é possível encontrá-los).
Procurem todos os meios amigáveis para se encontrar uma solução aceitável. Será necessário esforçar-se ao máximo para não perder a paciência ao ouvir um não ou um comentário preconceituoso.
Sigam estritamente a lei da Igreja: procurem um pároco favorável e façam o pedido, tudo sempre documentado. Não havendo retorno, procurem o bispo, a quem “convida-se vivamente [...] a satisfazer seu desejo” (Summorum Pontificum, Art 7. §1º).
Havendo novo insucesso, não há o que fazer senão enviar toda a documentação (abaixo-assinados, fotos, e-mails — tudo isso é muito importante) que comprove estas tratativas a Roma:
Reverendíssimo Monsenhor Guido Pozzo, secretário desta egrégia Comissão,
Pontifícia Commissione “Ecclesia Dei”
00120 – Città del Vaticano
Santa Sede
Eminência Reverendíssima Dom Antonio Cardeal Cañizares Llovera, Prefeito desta egrégia Congregação,
CONGREGAZIONE PER IL CULTO DIVINO E LA DISCIPLINA DEI SACRAMENTI
Palazzo delle Congregazioni
Piazza Pio XII, 10
00120 CITTÀ DEL VATICANO – Santa Sede
Não se preocupem com o idioma; é aconselhável escrever em italiano, mas, se não for possível, em Roma os dicastérios têm seus serviços de tradução. Seja insistente; caso não receba resposta num tempo razoável, você pode reenviar seu pedido à Comissão Ecclesia Dei por FAX: 00 XX 39 – 06.698. 83412.
Deixem seu bispo ciente deste recurso. Alguns deles temem e procuram solucionar o problema diante da possibilidade de levar um puxão de orelhas (especialmente os que procuram maior sucesso na carreira).
Em tudo, por mais difícil que seja, respeitem sempre seu bispo e sacerdotes.
O fato é que a missa tradicional, em quase todas as dioceses do Brasil, está longe de ser algo desejado para a famigerada “pastoral”. Salvo um milagre, vocês serão considerados um mal menor a ser tolerado para se evitar problemas com Roma. É a triste realidade, mas que não pode paralisar os esforços de bons católicos pela sã doutrina e sua lex orandi. Façamos o nosso dever e deixemos o restante a cargo da Providência, certos de que “porta inferi non prevalebunt“!
Fica também o pedido para que nossos outros leitores enviem suas sugestões na caixa de comentários. Elas poderão ser muito úteis a outros grupos que também batalham pela missa.
[Atualização - 19 de novembro de 2009, às 08:03] A pedido do leitor, excluímos toda referência à diocese em questão, tanto no post, como nos comentários.
Bispos brasileiros celebram ‘versus Deum’ em Santa Maria Maior.
Conhecendo a orientação de nosso episcopado, só se pode pressupor que os mandaram a uma capela lateral que não tinha o “altar-mesa”, ficando os senhores bispos sem outra opção. O discurso do Santo Padre aos bispos do Regional Sul 1 em visita ‘Ad limina Apostolorum’ pode ser encontrado aqui.

Rosário pela Vida: o ódio anti-católico se exprime ruidosamente em Bordeaux.
Tal como no ano passado, alguns bons católicos de Bordeaux se reuniram em frente à Catedral de Santo André no último sábado (14) para rezar o rosário — liderados por padres da Fraternidade São Pio X, Fraternidade São Pedro e Instituto do Bom Pastor — pelas almas das pequeninas vítimas do aborto.

Como não poderia deixar de ser, um grupo de baderneiras feministas pró-aborto se amontoaram em torno dos valorosos fiéis, sob olhar leniente das autoridades policiais — contra os católicos tudo é permitido! Mesmo importunados por uivos, xingamentos, ironias, e claro, muitas blasfêmias ao megafone, os intrépidos católicos terminaram seu rosário, para a maior glória de Deus e honra da Santíssima Virgem!
Fontes: Le Forum Catholique e NovoPress Aquitaine
Summorum Pontificum no Brasil: Missa em Brotas, SP.
Nosso leitor Thales Pissolato nos informa sobre a Santa Missa em seu Rito Romano tradicional a ser celebrada em Brotas, SP:
Os amigos que quiserem divulgar as Missas celebradas pelo Brasil podem fazê-lo através de nosso e-mail.
O jovem cura de Taboão da Serra.
“Aparelha-te, pois, para o combate, se queres a vitória. Sem peleja não podes chegar à coroa da vitória. Se não queres sofrer, renuncia à coroa; mas se desejas ser coroado, luta varonilmente e sofre com paciência. Sem trabalho não se consegue o descanso e sem combate não se alcança a vitória.” (Imitação de Cristo, Lv. III, 19)
Por Marcela A. de Castro
Sob o sol escaldante das duas e meia da tarde lá ia o intrépido padre José Leite Prado da Silva com seus dois corinhas rumo à casa do Dr. Oswaldo. Alto, magro, de passos largos, padre José Leite caminhava ligeiro segurando sua pasta de couro preto, onde levava apostilas e alguns objetos litúrgicos que usaria para celebrar a missa tradicional. Os garotos quase não podiam acompanhá-lo e se sentiam um tanto ofegantes toda vez que tinham de fazê-lo. Entretanto, acompanhar o jovem padre diocesano era um prazer e uma grande aventura e eles não perderiam essa oportunidade por nada desse mundo.
Fazia já um ano que o bispo diocesano o havia designado para auxiliar o idoso pároco da igrejinha do Sagrado Coração de Jesus naquele bairro perdido nos confins de Taboão da Serra. Para Dom Irineu Costa Serra, essa havia sido uma decisão salutar e necessária para que Padre José Leite tomasse contato com a realidade. Preocupava-se com o fato de que o jovem padre, ordenado há somente 2 anos, se comportasse de maneira tão diferente dos demais. Não lhe tinha nenhuma antipatia. Pelo contrário, o bispo bonachão até gostava do Padre José Leite; achava-o amável, determinado e entusiasmado com a sua vocação sacerdotal, seu histórico escolar no seminário destacara-se pelas melhores notas da classe. A única preocupação do bispo era que o jovem padre tinha algumas idéias um tanto estranhas para a sua geração. Em primeiro lugar, estava a tal da batina. Já ninguém mais a usava no dia a dia. E lá ia Padre José Leite para tudo quanto é canto, faça sol ou chuva, com aquela batina calorenta, que o próprio bispo só usava em ocasiões especiais. Fora isso, havia os livros estranhos sobre a missa pré-conciliar e os tais “cismáticos” franceses descobertos de maneira subrepitícia por um colega seminarista e devidamente informados a Dom Serra, naturalmente, não porque o então seminarista José Leite recusara terminantemente seu convite para acompanhá-lo ao famigerado Clube Nevado numa noite de sábado, mas, tão somente, à guisa de preocupação pela “linha pastoral” do novo sacerdote.
“Que raio de livros são esses que esse cabra andou lendo?”, quis saber Dom Serra. O informante confuso não sabia ao certo, pois não entendia nada de francês. Sabia apenas se tratar de alguma coisa de Dom Marcel Lefebvre, o bispo rebelde, e também havia os outros livros com gravuras da Missa Tradicional, aquela que já não era mais celebrada há séculos.
“Era só o que me faltava!” – exclamou Dom Serra com um levantar de sobrancelhas. “Mas deixa o menino pegar pé da realidade e tudo se ajeita. Trabalho não falta na diocese e, certamente, o tempo se encarregará de colocar tudo nos eixos.”
* * *
Quinze minutos depois chegaram os três ao casarão de dois andares do engenheiro aposentado. A casa espaçosa era um oásis de ortodoxia uma vez a cada quinze dias. Eram vinte cinco a trinta pessoas que queriam ouvir o jovem e querido Padre José Leite. Assim que chegava, uma criada trazia um copo d’água fresca. Depois de cumprimentar a todos, sentava-se em uma mesinha colocada de frente para as cadeiras e poltronas em forma de ferradura. Hoje a palestra era sobre as rubricas da Missa Gregoriana, também chamada Missa de Sempre ou Missa Tridentina. Cada gesto era explicado detalhadamente. Na verdade, essa era a segunda aula sobre o tema, pois a primeira havia sido dada na semana anterior. Depois foram distribuídas apostilas xerocadas com alguns desenhos e explicações. A audiência estava fascinada pela maneira entusiasmada com que Padre José Leite lhes falava sobre a Missa Tradicional. Havia uma explicação para tudo, até mesmo para o beijo no altar e as relíquias dos santos depositadas sob a sua superfície. Era incrível saber que as missas eram literalmente celebradas sobre os “mini-túmulos” dos santos. Como ninguém lhes havia dito isso antes?
Depois das aulas de formação, as pessoas se dirigiam a uma capela na parte lateral da casa, que dava para o quintal. Enquanto Padre José Leite e os coroinhas preparavam o altar, o Sr. Francisco Peixoto puxava o Terço.
Aquela capela, construída pelo Dr. Oswaldo apenas para suas orações pessoais, convertia-se agora em um centro de espiritualidade e disseminação do verdadeiro catolicismo e ficava à disposição de bons padres para a celebração do Santo Sacrifício da Missa. Padre José Leite não desejava continuar celebrando a Santa Missa na casa do Dr. Oswaldo para sempre. Desejava ardentemente que o grupo passasse a ouvir missa na igrejinha do Sagrado Coração de Jesus, onde era vigário. A Confraria de Sta. Gertrudes deveria ser apenas o começo de um grupo de católicos tradicionais plenamente integrados na vida da paróquia.
No entanto, o idoso pároco, Padre Antonio Costa de Mello, não parecia muito entusiasmado com a idéia. Quando, pela primeira vez, o Padre José Leite lhe falou da Missa Gregoriana, ele disparou que não lhe agradava a idéia de ver beatas de véu na missa e que o vernáculo veio justamente para as pessoas entenderem mais o sentido da Missa. Ademais, não era bom dividir os fiéis. As beatas gordas com suas manias ultrapassadas poderiam afugentar os jovens da igreja. Elas começariam a implicar com roupas e outros detalhes secundários.
Era preciso ter prudência e paciência, virtudes com as quais Padre José Leite havia sido agraciado em profusão.
* * *
A paróquia do Sagrado Coração de Jesus não era muito grande, comportava bem umas cento e cinqüenta pessoas sentadas. Algumas vezes, até mesmo 180 com a colocação de cadeiras plásticas. Padre Antonio Costa de Mello celebrava a Missa das 7 da manhã e seu auxiliar ficara encarregado da missa das 18:30h, de terça a sábado. Aos domingos eram três missas. Os fiéis gostavam muito dos sermões explicativos do jovem vigário. Pouco a pouco, resgatava-lhes o orgulho de serem católicos, esforçando-se por recuperar nestes o sentido de pecado, especialmente, com relação a certos temas morais. Em vários anos não havia quem lhes falasse daquelas coisas todas, como aborto, contracepção, divórcio e sodomia. O velho confessionário de madeira foi limpo e voltou a pleno uso, três vezes por semana antes da missa das 18:30h, enquanto o Terço era recitado pelos fiéis. A princípio, Padre Antonio Costa de Mello achou estranho que seu jovem auxiliar estivesse disposto a ficar enfurnado lá dentro em vez de usar a saleta de reconciliação, mas, como não era algo mal em si, não lho proibiu, porque gosto não se discute e se ele quisesse assar de calor lá dentro, que o fizesse.
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Cinco e meia da manhã e lá estava Padre José Leite colocando os cartões de orações em latim no altar de Nossa Senhora das Dores, onde em poucos minutos celebraria a Missa Tradicional. Todas as manhãs era essa a rotina a seguir – acordar bem cedo, cuidar da higiene pessoal, fazer as orações da manhã e celebrar a Missa de Sempre quando ainda a igreja estava fechada aos fiéis, tudo para não criar atritos com o pároco. Às vezes, Dr. Oswaldo e mais dois ou três membros madrugadores da Confraria de Santa Gertrudes assistiam à missa. Entravam de fininho pela sacristia e saíam do mesmo jeito. Durante a semana não tinha sermão, mas isso não lhes tirava a alegria de assistir ao Santo Sacrifício celebrado de maneira tão piedosa e reverente. Hoje a data era especialíssima: 14 de setembro – Dia da Exaltação da Santa Cruz e dois anos da promulgação do Motu Proprio Summorum Pontificum. Todos os sacerdotes podiam celebrar a Missa Tradicional sem precisar pedir autorização a quem quer que fosse. Tecnicamente falando, padre José Leite não precisava se preocupar porque não estava fazendo nada errado. Na prática, no entanto, o jovem padre era apenas um vigário, recém instalado na paróquia, e não queria entrar em confronto com o Padre Costa de Mello. Tentaria falar com ele novamente naquela noite e convencê-lo a permitir que oferecesse a Missa Tradicional aos domingos.
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Uma hora da tarde e todos vão se sentando à mesa da sala de jantar da casa paroquial. À cabeceira Padre Costa de Mello, o aniversariante, e a seu lado direito, o cerimoniário do bispo, Padre Carlos Feitosa. Em seguida o casal coordenador do curso de noivos, dois ministros extraordinários da Comunhão, Irmã Maria Agripina, coordenadora da catequese de adultos e, finalmente, nosso protagonista, Padre José Leite. Entre garfadas e goles de refrigerante e cerveja gelada todos os assuntos da hora são abordados. Primeiro, a vinda do famoso padre cantor Joaquim Campos, que fará um show imperdível no estádio de futebol da cidade. Depois, o encontro inter-religioso presidido por Dom Irineu Costa Serra na catedral. Em seguida, as notícias da política e, finalmente, o novo plano de evangelização tropical.
Padre José Leite sente-se esmagado entre dois mundos diversos, o seu mundo interior de catolicismo e o seu ambiente concreto. Como reagir a tudo isso? Como desenvolver um apostolado consistente em meio àquela selva progressista?
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Cai a noite. Depois da missa das 18:30h, hoje, excepcionalmente celebrada pelo aniversariante e animada pelo Grupo de Oração Louvor de Jericó, alguns paroquianos decidem levar o velho pároco para jantar em uma churrascaria da cidade. Voltará tarde. Não adianta esperá-lo. Ainda não será dessa vez que Padre José Leite tentará convencer seu pároco a permitir que uma das três missas dominicais seja na Forma Extraordinária. Tentará fazê-lo amanhã, se Deus quiser.
No seu quartinho simples e despojado medita sobre um trecho de seu livro de cabeceira favorito, Imitação de Cristo, faz suas orações da noite, pede o auxílio da Virgem Santíssima para se manter casto e puro de coração, beija o crucifixo e adormece.
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Naquele mesmo dia, do outro lado do hemisfério, em um gélido convento de monjas carmelitas, Irmã Maria Pia do Coração Eucarístico OCD, ofereceria orações e sacrifícios pelo jovem padre brasileiro, a quem adotara como seu ‘filho espiritual’.
“O crucifixo é, antes de tudo, o sinal distintivo da única e verdadeira religião, a católica, depois vem o resto”.
(Bruno Volpe – Pontifex) No debate sempre agudo sobre esta questão ligada ao Crucifixo e à sentença desconcertante do Tribunal de Estrasburgo, Pontifex considerou prudente ouvir o parecer de um leigo, mas ligado à Igreja, que é o professor Roberto de Mattei, docente de história contemporânea, história da Igreja e também diretor da prestigiosa revista Radici Cristiane, um importante ponto de referência para todos os bons católicos respeitosos da tradição. Professor De Mattei, lhe chocou a decisão da Corte? “Absolutamente não. É totalmente coerente com uma direção agora estável da Comunidade Européia em assuntos religiosos, ainda que desta vez a Comunidade Européia não tenha nada em comum. Mas noto uma afinidade eletiva extraordinária e uma indiscutível unidade de direcionamento”. Pelo contrário, o que lhe surpreendeu? “A agradável revolta em massa ocorrida na Itália, também por expoentes de partidos seguramente nada simpáticos às posições da hierarquia católica e não tacháveis de clericalismo. Mas quando se toca em símbolos caros ao sentimento comum, se corre esses riscos”. De todo modo, o professor tira algumas pedras do sapato, “penso que o problema, de certo modo, foi iniciado exatamente com a Concordata que aceitou o princípio da laicidade e da neutralidade”. O que o senhor quer dizer? “Então, creio que seja exato e fora de dúvida que o crucifixo é um símbolo ligado à tradição e à cultura do continente, ou seja, às raízes históricas, mas isso absolutamente não basta, estamos na superfície do problema“. E então?: “a Cruz é principalmente um símbolo religioso, eis o verdadeiro cerne da questão. Eu entendo e justifico os laicos quando se limitam o seu argumento à questão do sinal histórico e cultural, fazem o seu ofício. Mas não justifico os religiosos e os católicos quando afirmam a mesma coisa“. Em que ponto, em sua opinião, eles erram? “Os homens da Igreja têm sempre a obrigação de defender as verdades da fé, sem ceder ao mundanismo. O princípio da neutralidade é aceitável em um não-crente ou um laico, mas um clérigo não pode se abrir às modas ou teorias contrastantes com a tradição. O crucifixo é antes de tudo o sinal distintivo da única e verdadeira religião, a católica, depois vem o resto“. E afirma: “o verdadeiro católico não pode e não deve se conformar com o princípio da neutralidade. O meu modelo e aquele desejável é um estado que se defina como católico e disso também se orgulhe, em que o crucifixo reine gloriosamente nos edifícios públicos e em toda parte. Mas também temos de salientar que ali na corte que estabeleceu aquela sentença absurda estava um católico italiano adulto. Isso eu ouvi dizer de alguns, evidentemente não é politicamente correto”.
A reforma de Cluny e a reforma de hoje: esmero pela liturgia, fama de santidade, isenção da jurisdição dos bispos e proteção direta do Romano Pontífice.
Em Cluny, restaurou-se a observância da Regra de São Bento, com algumas adaptações já introduzidas por outros reformadores. Sobretudo, quis-se garantir o lugar fundamental que a liturgia deve ocupar na vida cristã. Os monges cluniacenses se dedicaram com amor e grande cuidado à celebração das Horas litúrgicas, ao canto dos Salmos, a procissões tão devotas quanto solenes e, sobretudo, à celebração da Santa Missa. Promoveram a música sacra; quiseram que a arquitetura e a arte contribuíssem para a beleza e a solenidade dos ritos; enriqueceram o calendário litúrgico de celebrações especiais, como, por exemplo, no começo de novembro, a comemoração dos fiéis defuntos, que também nós celebramos há pouco; incrementaram o culto a Nossa Senhora. Reservou-se muita importância à liturgia, porque os monges de Cluny estavam convencidos de que esta era participação na liturgia do céu. E os monges se sentiam responsáveis por interceder diante do altar de Deus pelos vivos e pelos defuntos, dado que muitíssimos fiéis lhes pediam com insistência que rezassem por eles. [...] Não surpreende que rapidamente uma fama de santidade envolveu o mosteiro de Cluny e que muitas outras comunidades monásticas decidiram seguir seus costumes. Muitos príncipes e papas pediram aos abades de Cluny que difundissem sua reforma, de maneira que, em pouco tempo, estendeu-se uma rede enorme de mosteiros ligados a Cluny ou com verdadeiros e próprios vínculos jurídicos, ou com uma espécie de afiliação carismática. Assim, ia se desenhando uma Europa do espírito nas várias regiões da França, Itália, Espanha, Alemanha e Hungria.
[...] O êxito de Cluny foi assegurado antes de mais nada pela elevada espiritualidade que se cultivava lá, mas também por algumas outras condições que favoreceram seu desenvolvimento. Ao contrário do que havia acontecido até então, o mosteiro de Cluny e as comunidades dependentes dele foram reconhecidas como isentas da jurisdição dos bispos locais e submetidas diretamente à do Pontífice Romano. Isso comportava um vínculo especial com a Sé de Pedro, e graças precisamente à proteção e ao ânimo dos pontífices, os ideais de pureza e de fidelidade, que a reforma cluniacense pretendia buscar, puderam difundir-se rapidamente.
[...] A reforma cluniacense teve efeitos positivos não somente na purificação e no despertar da vida monástica, mas também na vida da Igreja universal. De fato, a aspiração à perfeição evangélica representou um estímulo para combater dois graves males que afligiam a Igreja daquela época: a simonia, isto é, a compra de cargos pastorais, e a imoralidade de clero leigo. Os abades de Cluny, com sua autoridade espiritual, os monges cluniacenses que se converteram em bispos, alguns deles inclusive papas, foram protagonistas desta imponente ação de renovação espiritual. E os frutos não faltaram: o celibato dos sacerdotes voltou a ser estimado e vivido e, na assunção dos ofícios eclesiásticos, foram introduzidos procedimentos mais transparentes.
[...] Dessa forma, há mil anos, quando estava em pleno desenvolvimento o processo de formação da identidade europeia, a experiência cluniacense, difundida em vastas regiões do continente europeu, ofereceu sua contribuição importante e preciosa. Exigiu a primazia dos bens do espírito; manteve elevada a tensão aos bens de Deus; inspirou e favoreceu iniciativas e instituições para a promoção dos valores humanos; educou para um espírito de paz. Queridos irmãos, oremos para que todos aqueles que estão preocupados por um autêntico humanismo e pelo futuro da Europa saibam descobrir, valorizar e defender o rico patrimônio cultural e religioso desses séculos.
Audiência geral do Papa Bento XVI, quarta-feira, 11 de novembro de 2009












Eu sempre manifestei interesse e sensibilidade espiritual pela liturgia gregoriana, do mesmo modo como sou sensível – e isso não é de hoje — aos problemas e às controvérsias teológicas relacionadas às interpretações do concílio Vaticano II e da necessidade restaurar e reforçar a tradição e a identidade católica em nossa civilização. [...] A especificidade da estrutura da Comissão pontifícia Ecclesia Dei, à luz do Motu Proprio Ecclesiae Unitatem de julho de 2009, vem do fato que ela é estreitamente ligada à Congregação para a Doutrina da Fé. O Cardeal presidente é o Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e seus membros são os cardeais e arcebispos membros da mesma congregação. Eu diria que a Comissão Pontifícia que, por um lado, foi reforçada, por outro, que ela viu aumentar as obrigações que lhe são atribuídas.
“A comunicação deve favorecer a comunhão na Igreja, de outro modo se converte em protagonista, ou pior ainda, introduz divisão. Para a evangelização não servem os sacerdotes showman que vão à TV [...] O sacerdote não deve improvisar quando utiliza os meios de comunicação, nem pode comunicar a si mesmo, mas [comunicar] dois mil anos de comunhão na Fé. Esta mensagem pode ser transmitida apenas através de sua própria experiência e de sua vida interior”.



São João Fisher, mártir -
Bispo de Rochester
fratresinunum@gmail.com
honra a Deus, alegra os anjos, edifica a Igreja, ajuda os vivos, proporciona descanso aos defuntos e faz-se participante de todos os bens.
(Imitação de Cristo, Livro IV, Cap. V)