4 setembro, 2015

Visões heterodoxas (e outras) florescem na Igreja Católica.

Por Maike Hickson – Corrispondenza Romana | Tradução: FratresInUnum.com – Na sequência do Sínodo dos Bispos sobre o matrimônio e a família realizado em outubro de 2014 e a escandalosa “relazione” de meio termo, que promoveu atitudes mais relaxadas e ostensivamente mais liberais a respeito dos divorciados recasados e homossexuais, a Igreja Católica se encontra em uma situação em que cada vez mais se vê obrigada a confrontar bispos e prelados que apoiam um programa liberal inovador no que diz respeito ao ensino moral tradicional da Igreja.

E foi exatamente nessas últimas semanas que se sucederam alguns eventos que nos levam a refletir: um arcebispo alemão declarou publicamente seu apoio aos homossexuais; um bispo espanhol permitiu que uma transexual seja a madrinha de Batismo de seu sobrinho; um bispo suíço foi denunciado por uma organização homossexual por uma suposta “incitação ao ódio”, ao ter citado literalmente o Antigo Testamento; e um dos conselheiros mais próximos do Papa realizou um importante discurso em uma conferência em Roma com vários oradores marcadamente progressistas.

Mas entremos nos detalhes.

No dia 1 de agosto de 2015, o arcebispo de Hamburgo, Stefan Hesse, se expressou publicamente em favor de uma atitude mais permissiva para com casais “homossexuais” e “divorciados recasados”. O órgão oficial da Conferência Episcopal Alemã, katholisch.de, relatou o seguinte:

“Embora ele [Mons. Hesse] se mostre ainda um pouco reticente quanto à concessão de um casamento homossexual”, ele também disse: “Mas quando essas pessoas tentam estar perto de nós, então nós, como Igreja, temos que estar abertos para eles. O que mais? A Igreja deve considerar bem se nos relacionamentos homossexuais é possível encontrar valores como lealdade e confiabilidade. Para mim, isso não minimiza o amor e a fidelidade entre duas pessoas”, disse Hesse. Ele também deseja para os divorciados recasados “formas possíveis de reconhecimento e apoio por parte da Igreja às pessoas divorciadas, sem sacrificar o ideal do casamento.”

Com esta saída, o Arcebispo Hesse revela concretamente o perfil de alguém que mina o ensinamento de Cristo sobre o casamento, ao ignorar o fato de que ambos os grupos — homossexuais praticantes e divorciados “recasados” – vivem objetivamente, na maioria dos casos, em estado de pecado.

No dia 8 de agosto, saiu outra notícia: um bispo espanhol anunciou que irá permitir que um transexual se torne o padrinho em um batizado iminente. O órgão oficial da Conferência Episcopal da Suíça kath.ch, noticiou que o Bispo de Cádiz, na Espanha, Dom Rafael Zornoza Boy, concedeu permissão ao transexual de 21 anos de idade, Alex Salinas, para se tornar a madrinha de Batismo de seu sobrinho. Salinas nasceu mulher, mas agora afirma ser um homem.

Esta decisão saiu depois de forte pressão popular através de uma petição nacional lançada em defesa de Salinas, que a princípio tinha tido a permissão negada por não viver de acordo com o ensinamento moral da Igreja. Mais de 35.000 pessoas assinaram a petição em favor de Salinas. Então a diocese resolveu mudar de idéia, conforme relatado kath.ch, e disse abertamente que “ser uma transexual não constitui motivo de exclusão do papel de padrinho”. Salinas comentou a nova decisão, segundo o jornal espanhol El País, da seguinte forma:

“Eu não sei se o Papa havia visto minha petição, não tenho conhecimento sobre isso, mas é claro que toda a Igreja está mudando. Na verdade, ele apenas disse que católicos divorciados não estão excomungados, e eu acho maravilhoso que a Igreja esteja tomando uma nova rota”. [Ndr: em outra reviravolta, mais tarde,  o bispo da Cádiz declarou ter havido um mal entendido, proibindo novamente essa aberração]

No dia 10 de agosto, a Rosa Cruz (Pink Cross), uma organização de apoio aos homens homossexuais na Suíça, entrou com uma ação legal contra o bispo suíço Vitus Huonder, de Chur (Grisons), por ter citado o Antigo Testamento contra a homossexualidade de um modo que eles consideraram ofensivo. Em uma conferência em Fulda, Alemanha, no dia 31 de julho, Huonder havia citado partes essenciais da Escrituras Sagradas – Antigo e Novo Testamento – a fim de demonstrar o plano de Deus para o casamento e a família. Com relação à homossexualidade, o bispo Huonder citou duas partes pelo livro de Levítico dizendo: “Estas duas partes seriam suficientes para nos dar a direção certa em relação ao homossexualismo, à luz da nossa fé”. Ambas as citações mostram como a prática de todos os atos especificamente homossexuais é condenada nas Escrituras, a qual diz claramente que pessoas que cometem um crime tão grave são dignas de serem condenadas à morte. Huonder continuou afirmando que o simples fato de argumentar que existe uma variedade de modelos aceitáveis de casamento e família é já por si só “um ataque não só contra o Criador, mas também contra o Redentor e o Santificador, isto é, contra toda a  Santíssima Trindade”.

Depois que o protesto contra as declarações de Huonder explodiu na imprensa secular da Suíça, no dia 7 de agosto, o presidente da Conferência dos Bispos da Suíça, Dom Markus Büchel, de St. Gallen, publicou uma carta aberta demostrando grande simpatia e indulgência para com os casais do mesmo sexo. Dom Büchel, na verdade, preferiu tomar explicitamente distância de seu irmão no Episcopado, o Bispo de Chur. Ele chegou ao ponto de declarar, que a orientação sexual não importa contanto que você a viva “com responsabilidade”. Em sua declaração Büchel diz literalmente:

“Para promover o bem da pessoa é menos importante se uma pessoa tem uma inclinação heterossexual ou homossexual; mas é muito mais importante a abordagem responsável da sexualidade e de todas as outras dimensões de um relacionamento (como a atenção, respeito e fidelidade). Aqui nos é permitido, como fiéis católicos, confiar na consciência de cada um. Alegremo-nos com todos os tipos de relacionamentos em que as partes se aceitam uns aos outros como iguais, preciosos filhos amados de Deus, e que respeitam a dignidade do outro e promovem o bem-estar do povo!”

Dom Büchel prossegue observando que o respeito pela dignidade da pessoa humana “também significa não reduzir uma pessoa e seus relacionamentos a uma mera questão sexual”.

O ativista pró-vida e jornalista alemão Mathias von Gersdorff comentou esse pronunciamento em seu site, dizendo: “Com esta declaração, ele [Büchel] contradiz fortemente o ensinamento moral da Igreja católica sobre a sexualidade e, muito provavelmente, também seu ensinamento sobre antropologia cristã (ou seja, a doutrina sobre o homem)”.

Muito preocupante é o fato de que as afirmações deste bispo são validadas pelas palavras subversivas de outro prelado importante e membro da Conferência dos Bispos da Suíça, o abade Urban Federer, da Abadia de Einsiedeln, que declarou no dia 11 de agosto que “a Igreja não deve condenar os homossexuais, mas sim acolhê-los’. Federer disse: “a Igreja pode alegrar-se dos homossexuais como filhos de Deus!” Continuando, ele disse: “O Papa Francisco já não demonstrou como a Igreja deve tratar os homossexuais de modo justo? Em sua primeira conferência de imprensa como chefe da Igreja Católica, ele promoveu a idéia de não discriminar os homens e mulheres homossexuais. O Papa disse claramente: Quando uma pessoa é homossexual e busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?”

Além de todas estas visões (mais ou menos) heterodoxas e seu desenvolvimento consecutivo, para piorar, um assistente pessoal próximo do Papa (e membro do Conselho dos Cardeais) – o Cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, de Tegucigalpa, Honduras – foi anunciado como relator de uma próxima conferência progressista, a ser realizada no próximo mês, em Roma. Entre os dias 10-12 de setembro, a Academia Internacional para a Espiritualidade Conjugal, a INTAMS, com sede na Bélgica, estará promovendo uma conferência sobre as questões do próximo Sínodo de outubro. Entre os palestrantes estarão dois teólogos alemães progressistas, professores Eberhard Schockenhoff e Jochen Sautermeister. Ambos defendem a “Proposta Kasper” e promovem a liberalização da doutrina moral da Igreja. Schockenhoff propôs, em maio de 2015, que os casais homossexuais devem receber um reconhecimento oficial por parte da Igreja. Já Sautermeister escreveu em 2014 um artigo na revista católica alemã Herder Korrespondenz no qual ele abertamente promove a agenda Kasper.

Uma outra sacudida que recebemos foi a notícia que saiu no dia 7 de agosto, na Catholic News Agency, que, segundo suas fontes, o Papa Francisco teria nomeado, como uma escolha pessoal, o bispo mais progressista dos Estados Unidos, o arcebispo Blaise Cupich. de Chicago, como membro do próximo Sínodo dos Bispos sobre a família. Para citar apenas uma desse prelado, Blaise Cupich recusou-se a negar a comunhão a políticos que promovem o aborto.

Todos estes sinais de um reforço cumulativo de elementos progressistas no seio da Igreja Católica – afinal de contas, nenhum deles, até agora, foi chamado a Roma por causa de suas declarações tendencialmente heterodoxas – ocorrem em um momento em que as forças anticristãs ao redor do mundo estão ganhando força e ao se tornarem cada vez mais fortes, tornam-se também muito mais ousadas, como demonstrou o incidente com o Bispo Huonder da Suíça. O ensinamento de Jesus Cristo está sendo cada vez mais isolado, jogado em um canto e grosseiramente ameaçado e reprimido. Possam os fiéis católicos, sacerdotes e leigos, encontrar agora forças para se erguerem em Sua defesa e assim combater, com inteligência e perseverança, contra este ataque concentrado, de modo a retomar as rédeas da situação, antes que seja tarde demais.

4 setembro, 2015

Falece o Cônego Aldomiro Storniolo.

Por Manoel Gonzaga Castro* | FratresInUnum.com: No último 31 de agosto, aos 89 anos de idade, faleceu, no interior de São Paulo, o Cônego Aldomiro Storniolo, cujo estado de saúde precário havia sido noticiado por Fratres in Unum em 07 de julho.

Como dito na ocasião, o valente Côn. Aldomiro era o responsável pela Santa Missa Tridentina na diocese de Limeira, pastoreada por Dom Vilson Dias de Oliveira, trabalho que exerceu bravamente de 24 de julho de 2010 a 12 de abril de 2015.

Cônego Aldomiro recebe a bênção apostólica de Bento XVI por ocasião de seus 61 anos de sacerdócio, em 2011.

Cônego Aldomiro recebe a bênção apostólica de Bento XVI por ocasião de seus 61 anos de sacerdócio, em 2011.

No próprio dia 31 de agosto, Dom Vilson publicou comovida nota de condolências no site da Diocese:

É com profundo pesar e em comunhão de fé e esperança no Cristo Ressuscitado, que recebi o comunicado do falecimento, aos 89 anos, do Cônego AldomiroStorniolo, ocorrido nesta segunda-feira (31/08), às 13h, na cidade de Americana. Cônego Aldomiro completaria 90 anos no próximo dia 20 de setembro.

Em meu nome e em nome da Diocese de Limeira, nesse momento de dor, solidarizo-me com o pároco: Pe. Reginaldo Andrietta, com os membros da Paróquia São Judas Tadeu, de Americana, com os familiares, demais parentes e amigos, aos quais apresento minhas condolências pela perda deste caríssimo irmão.

Em meio a essa dor da Diocese de Limeira e de todos os católicos ligados à liturgia tradicional no Brasil, Fratres in Unum pede a seus leitores orações pela alma do Cônego Aldomiro e, especialmente, pelo conforto da alma de seus fiéis, ora órfãos.

Fratres in Unum também roga a Dom Vilson que reestabeleça logo a Missa Tridentina em sua diocese, em memória do Cônego Aldomiro e em respeito a seus filhos espirituais. Fiéis de Limeira relatam que seu bispo já teria, inclusive, apontado um sacerdote para a tarefa.

Mais informações sobre o cônego, seu trabalho pela forma extraordinária e seu falecimento podem ser obtidas no extenso e belo relato de Leandro Salvagnane Correia, publicado no site Montfort.

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

3 setembro, 2015

Querem usar dinheiro de católicos da Suíça para silenciar bispos africanos no Sínodo.

WASHINGTON DC, 26 Ago. 15 / 08:00 am (ACI).- O Fundo Católico Suíço Quaresmal (Fastenopfer, em alemão) e uma importante fundação dos Estados Unidos estão financiados por uma organização europeia do lobby LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) para realizar um projeto que busca silenciar os bispos africanos durante o Sínodo da Família a ser realizado no Vaticano em outubro.

O European Forum of LGBT Christian Groups (Fórum Europeu de Grupos Cristãos LGBT), com sede na Holanda, lançou um projeto para fazer um documentário sobre católicos ativistas gay em Gana, Togo, Benin, Nigéria e Camarões.

“Reagindo à influência extremamente negativa dos bispos da África Ocidental no documento final do Sínodo da Família 2014, consideramos importante apresentar as vozes de católicos LGBT desta região a fim de obter uma atenção maior”, assinalou o Fórum Europeu em seu relatório de atividades 2014-2015.

O relatório indicou que este projeto é financiado pelo Fastenopfer e a pouco conhecida, mas enriquecida, Fundação Arcus dos Estados Unidos, a qual contribuiu com o lobby gay – contrário ao Sínodo – com centenas de milhares de dólares.

Fastenopfer é uma fundação católica de desenvolvimento que tradicionalmente arrecada recursos durante o tempo de Quaresma. O Bispo de Basileia, Dom Felix Gmur, é o atual presidente desta fundação. Além disso, dois membros do conselho são nomeados pela Conferência Episcopal da Suíça.

Michael Brinkschroeder, co-presidente do Fórum Europeu de Grupos Cristãos LGBT até este ano, assinalou que a ajuda da Fastenopfer foi oferecida como uma pequena doação para um projeto.

Em declarações ao Grupo ACI no dia 10 de agosto, Brinkschroeder disse que a contribuição foi de 15 mil e 300 dólares. E esta não necessitava ser aprovada pelo Bispo Gmur, um dos três bispos suíços que participou do chamado “Sínodo paralelo” no final do mês de maio deste ano. O Grupo ACI tentou contato com sua diocese, mas não recebeu nenhuma resposta até o fechamento desta edição.

Romana Buchel da Fastenopfer disse ao Grupo ACI no dia 7 de agosto que o projeto para o documentário não foi feito como originalmente o planejaram, porque os realizadores “disseram de repente que tinham medo de voar” e saíram do avião em uma parada de trânsito. Disseram ainda que as entrevistas foram realizadas com “gente afligida, colaboradores”.

Buchel afirmou ainda que o material recolhido “será usado para documentos escritos de sensibilização sobre o segundo Sínodo da Família”.

O Fórum Europeu planeja publicar um livro com o nome do novo grupo global de ativistas LGBT, a Global Network of Rainbow Catholics (a Rede Global de Católicos Arco-íris), cuja criação foi anunciada em junho. O texto incluirá “outros documentos importantes” e exposições de um evento realizado em Roma durante o ano passado, antes do Sínodo da Família. Será publicado em italiano e em inglês antes do mês de outubro de 2015.

Centenas de milhares de dólares para a agenda LGBT

O relatório de atividades do Fórum Europeu não declarou quanto dinheiro recebeu da Fundação Arcus para realizar o projeto de vídeo, mas indicou que em 2013 receberam 134 mil dólares dessa instituição, a fim de combater “a religião apoiada na homofobia na Europa” e para ajudar que o Fórum se mobilize como “os principais defensores religiosos LGBT na região”.

O relatório de atividades assinalou que o Fórum elaborará, provará e usará uma “contra narrativa aos valores tradicionais com a ideologia de gênero” em diversos contextos religiosos entre 2014 e 2016, com uma atenção especial às “oportunidades de defesa” como o Sínodo deste ano, o Sínodo Pan-ortodoxo de 2016 e os diversos esforços do Conselho Mundial de Igrejas.

Em 2015, a Fundação Arcus também outorgou uma contribuição de 262 mil e 500 dólares, para que o Fórum Europeu responda a “oposição anti-LGBT”. No dia 20 de janeiro, a Fundação indicou que com esta contribuição “buscaram uma estratégia bem-sucedida para modificar as perspectivas tradicionais” e “responder as decisões homofóbicas da Igreja Católica sobre a família durante o Sínodo”.

Em seguida, Brinkschroeder disse ao Grupo ACI que o Fórum Europeu considera que vários bispos africanos não puderam cumprir o “seu dever cristão de evitar sinais de apoio de discriminações violentas e injustas, assim como de proteger a dignidade de toda pessoa humana”.

Em uma declaração do dia 22 de outubro de 2014, Brinkschroeder disse que o resultado do Sínodo foi “um desastre para os gays e lésbicas” e o Fórum Europeu criticou o documento final dos bispos, por não terem uma “avaliação positiva” dos casais do mesmo sexo e da forma através da qual poderiam educar as crianças.

A primeira assembleia oficial da Global Network of Rainbow Catholics intitulada “Vozes LGBT para o Sínodo” viria acontecer entre os dias 1º e 4 de outubro, em Roma, evento no qual apresentarão uma conferência pública intitulada “Formas do amor”, a fim de promover o que consideram as melhores práticas para o ministério católico LGBT.

Durante o ano passado, o Fórum Europeu realizou um evento semelhante em Roma, no qual o principal orador foi o controverso Bispo Emérito Auxiliar de Sydney, Dom Geoffrey Robinson, cujo livro foi condenado pela Conferência Episcopal Australiana por diversos problemas doutrinais.

A conferência de 2014 teve o apoio financeiro do Ministro da Educação, Ciência e Cultura da Holanda. Este governo europeu e a Fundação Arcus são aliados de Global Equality Found do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que busca promover o ativismo mundial LGBT no mundo inteiro.

Neste mesmo evento participaram representantes de dois importantes grupos de católicos dissidentes nos Estados Unidos: New Ways Ministry e Dignity, os quais receberam 200 mil dólares da Fundação Arcus.

Recentemente ambos os grupos defenderam a tese de converter o matrimônio de pessoas do mesmo sexo como um sacramento da Igreja Católica. As duas instituições fazem parte da Equally Blessed Coalition, a qual organiza um evento LGBT no mês setembro, no mesmo mês a ser realizado o Encontro Mundial das Famílias na Filadélfia, no qual o Papa Francisco estará presente.

O Fórum Europeu também recebeu financiamento do Open Society Institute vinculado ao conhecido milionário americano George Soros.

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3 setembro, 2015

“Esta é a paz da Igreja”.

E sim, peçamos a paz, tal como é compreendida e desejada pelos filhos de Deus; uma paz digna deste nome, que a Sagrada Escritura de modo algum separa da Verdade, da Justiça e da Graça; esta é a paz da Igreja: o tranquilo cumprimento da lei cristã, o pacífico desenvolvimento das obras da Fé e da Caridade, a afirmação pública da verdade e dos preceitos do Evangelho, a conformidade das leis e instituições humanas com a doutrina e o ensinamento moral de Jesus Cristo, a contínua resistência ao Príncipe das Trevas e a todos aqueles que propagam as suas perversas máximas.

Dom Giuseppe Melchiorre Sarto, então bispo de Mântua — futuro São Pio X, alocução de 3 de setembro de 1889. Citado em Dal-Gal, Pie X, apud Saint Pius X, Restorer of the Church, Yves Chiron, Angelus Press, 2002, p.297 – Tradução: Fratres in Unum.com

*Publicado originalmente na festa de São Pio X de 2012

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2 setembro, 2015

Agenda de Gênero avança no país.

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

Judith Butler, uma das mais radicais feministas estará no Brasil entre 4 e 9 de setembro, para disseminar mais intensamente a ideologia de gênero, em eventos promovidos por universidades federais e patrocinados pelo poder público. 

JudithButler2013

A Agenda de Gênero avança no Brasil, em grande proporção. Uma rede de OnGs e demais instituições já atuam há vários anos, inoculando na sociedade o conteúdo de subversão da mais radical e inumana ideologia. O “feminismo de gênero”, termo cunhado por Christina Hoff Sommers, vai sendo disseminado por meio de simpósios, encontros, mesas redondas, trabalhos acadêmicos em profusão, propagandeados pelos meios de comunicação, de todas as formas, em apologia às mais estranhas experiências de anarquismo sexual, visando a subversão da identidade do ser humano como pessoa. O efeito de tal ideologia visa a dissolução de todas as formas de limites ao desejo humano, e a corrosão de todas as instituições: a começar pela família, e tudo mais, daí seu propósito devastador. Judith Butler advoga que as práticas institucionais “não devem tornar-se normas restritivas para uma política radical”. Por isso o corpo humano, destituído de sua identidade natural, passa a ser instrumentalizado por uma ideologia declaradamente subversiva e pervertida, que o utiliza como laboratório do anarquismo que propõe para o corpo social.

Uma amostra de tal conteúdo será apresentada em dois eventos, no Brasil, realizados com a presença de Judith Butler, autora do livro “O problema do gênero: o feminismo e a subversão da identidade”, uma das mais ativistas feministas a difundir, por meio de muitas OnGs, a ideologia de gênero. Sua obra – como explica Oscar Alzamora Revoredo – é utilizada “já há vários anos como livro de texto em diversos programas de estudos femininos de prestigiosas universidades norte-americanas, onde a perspectiva de gênero está conhecendo uma ampla promoção. O Núcleo de Estudos de Gênero Pagu anuncia em seu site o I Seminário Queer, nos dias 9 e 10 de setembro, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, apresentando Butler como filósofa e “uma das principais referências sobre o tema no mundo”. Pouco antes, entre 4 e 7 de setembro, Butler também participará em Salvador (BA), do evento “II Desfazendo Gênero – Ativismos das Dissidências Sexuais e de Gênero“, promovido por várias universidades federais e patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia, Ministério da Educação, OAB Bahia, CNPQ, Secretaria de Política das Mulheres e outros parceiros do setor público. Richard Miskolci explica que a proposta do evento é “tomar nossa cultura como objeto de reflexão, o que – em uma perspectiva queer – não pode ser feito sem a subversão das identidades sexuais. A superação das fronteiras sexuais e de gênero aponta para a criação de uma nova forma de cidadania não-heterocentrada e além do binarismo de gênero atualmente imposto”.

A Agenda de Gênero está mais avançada do que podemos imaginar. Além da incessante propaganda nos meios de comunicação, de todas as formas (em artigos, filmes, novelas, documentários, em programas de auditório, telejornais, etc.), há a ação integrada de OnGs e órgãos do poder público, aparelhados para tais fins, com objetivos de reengenharia social traçados pelas fundações internacionais e agências da ONU, entre outras instâncias de fora. Por isso, a imprensa pauta, todos os dias, nas edições dos noticiários, para que as informações e notícias sejam cada vez mais canalizadas para, lentamente, a população ir aceitando a agenda, que é imposta por tais forças de poder e controle social. Não é a toa que a abordagem dada às notícias acabam sempre privilegiando o enfoque ideológico de desconstrução da realidade, da autoridade, da tradição, da moral objetiva, da lei natural, etc. Nesse sentido, temas, por exemplo, que até pouco tempo seriam escandalosos (como a inserção de gays no serviço militar) se tornam corriqueiros na grande mídia e no cotidiano dos espaços de formação de opinião na sociedade. Daí os questionamentos proliferam por toda a parte, como defende Butler, questionando “os valores do militarismo”, “da própria conjugalidade” e tudo mais, como “objetivo final de qualquer movimento de minorias de sexo e gênero – que verdadeiramente pensa analiticamente sobre as estruturas sociais existentes e insiste em produzir novas”.

Parte dessa agenda está não apenas a desconstrução da família e da cultura, mas também da religião, chamando de fundamentalista qualquer um que defenda os princípios e valores da família, da maternidade, da sacralidade do matrimônio, da fidelidade conjugal, da heterossexualidade, etc. Chega inclusive a defender um concepção de religião apenas como fenômeno sociológico, como afirma a “teóloga feminista de gênero” Elizabeth Schussler Fiorenza: “Os textos bíblicos não são revelação de inspiração verbal nem princípios doutrinais, mas formulações histórica”. E “analogamente, a teoria feminista insiste no fato que todos os textos são fruto de uma cultura e de uma história patriarcal androcêntrica”. Descontruindo a família, a educação, a cultura e a religião, as feministas de gênero descontroem a própria realidade humana, no afã de uma utopia irreal e surreal. Jorge Scala lembra ainda que as feministas de gênero “reivindicam uma autonomia absoluta para ‘construir’ qualquer ‘tipo de família’ que ocorra à sua imaginação ou capricho”. Por isso a ideologia de gênero leva ao escapismo da realidade, fazendo do corpo expressão de todas as fantasias e caprichos, vulnerabilizando, portanto, a pessoa humana a graus de violência inimagináveis. Basta ver com que facilidade muitos se deixam seduzir pela falácia de tal fantasia e aceitam expor seus corpos a toda sorte de experiências sexuais, sem moralidade alguma para vivenciar as mais extremas formas de prazer, com as práticas do homossexualismo, amor livre, incesto, pedofilia, zoofilia e tantas outras perversões sexuais. E tudo isso vivido não apenas na privacidade, mas com exposição pública.

A ideologia de gênero, pelos seus efeitos corrosivos, é expressão sombria da “cultura da morte”, denunciada por São João Paulo II, há 20 anos, na Evangelium Vitae. É certo que ela fracassará, como toda ideologia que se volta contra a realidade do ser humano. Mas até soçobrar terá feito suas vítimas, muitas delas já perecem em seus danos, daí que é preciso, enquanto cristãos, estarmos mais vigilantes e atuantes, no combate a esta ideologia, para não sermos vítimas de sua armadilha e perigo. Urge portanto reagirmos e afirmarmos a cultura da vida, em contraposição a esta avalanche de devastação, que Judith Butler vem disseminar, mais intensamente em nosso País.

Hermes Rodrigues Nery é Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, especialista em Bioética (pela PUC-RJ).

2 setembro, 2015

O jesuitismo de Francisco.

Por Padre Cristóvão | FratresInUnum.com

Antigamente, alguns dicionários davam como significado de “jesuitismo” a hipocrisia e a falsidade. Outros, mais moderados, definiam-no como simplesmente uma falta de franqueza ou uma atitude de quem se expressa de forma evasiva, dissimulada. Tal sinonimia se deve àqueles modos tradicionalmente imputados à Companhia de Jesus, típicos, de fazer-se jogos duplos, triplos, sétuplos, múltiplos, alucinantes. Foram os jesuítas que desenvolveram as técnicas de “restrição mental”, em que se responde algo ludibriando-se o interlocutor. “Fulano passou por aqui?”, “Nessa casa, não”, respondia malandramente o jesuíta, passando os dedos pela casa da batina…


Francisco faz jus a este “modus faciendi”?

Castiga Dom Livieres, que morre; faz o mesmo com outros. Supervisiona a destruição dos Franciscanos da Imaculada, mas, agora…

Concede, “misericordiosamente”, aos padres da FSSPX a faculdade de absolverem válida e licitamente. Para estes, tal concessão não se sentia como necessária: sustentando estarmos num “estado de necessidade”, graças à interminável “crise conciliar”, entendem que a jurisdição de suplência lhes seria de direito. Francisco lhes dá aquilo que eles pensam não precisar receber. Mas a impressão é a de que, “misericordiosamente”, os fieis tradicionalistas estão sendo acolhidos de braços abertos, junto com os aborteiros e cia.

Notem a ambiguidade. Dando-lhes a liceidade e validade, o Papa está dizendo que, habitualmente, as suas confissões não são lícitas, nem válidas! Ao mesmo tempo, obrigando a FSSPX a aceitar a concessão que “misericordiosamente” lhes concede (pois, se não aceitassem, estariam na posição de quem “rejeita” a “misericórdia”), busca forçá-los a confessarem que estão objetivamente errados.

A propósito, de que vale confessar-se validamente se o penitente teria que confessar que suas confissões anteriores não eram válidas, nem lícitas (portanto, sacrílegas simulações), e que todos os demais sacramentos seriam igualmente ilícitos e, alguns, inválidos (como o matrimônio), e, portanto pecaminosos?… Então, apenas durante o ano da misericórdia, será possível confessar-se com um padre da FSSPX, mas não ser ordenado no seminário deles, ou assistir suas missas, ou casar-se em seus priorados?

Fazendo desse modo, Francisco abre um enorme precedente. Em nome dessa “concessão”, quantas outras terá em mente, e para quais outros grupos, que eles consideram dissidentes?…

Aliás, enquanto faz tudo isso, Francisco se prepara para comemorar os 500 anos da Reforma Protestante!

Jesuitismo. Esta é a síntese deste pontificado?

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1 setembro, 2015

Comunicado da Casa Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Por FSSPX | Tradução: FratresInUnum.com – A Fraternidade São Pio X toma conhecimento, pela imprensa, das disposições que o Papa Francisco estabeleceu por ocasião do próximo Ano Santo. No último parágrafo de sua carta dirigida, em 1º de setembro de 2015, a Dom Rifo Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, o Santo Padre escreve: “estabeleço por minha própria vontade que quantos, durante o Ano Santo da Misericórdia, se aproximarem para celebrar o Sacramento da Reconciliação junto dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, recebam validamente e licitamente a absolvição dos seus pecados”.

A Fraternidade São Pio X expressa seu agradecimento ao Sumo Pontífice por esse gesto paternal. No ministério do sacramento da penitência, ela sempre se apoiou, com absoluta certeza, na jurisdição extraordinária conferidas pelas Normae generales do Código de Direito Canônico. Por ocasião deste Ano Santo, o Papa Francisco quer que todos os fiéis que desejam se confessar com os sacerdotes da Fraternidade São Pio X possam fazê-lo sem serem importunados.

Neste ano de conversão, os sacerdotes da Fraternidade São Pio X procurarão exercer com renovada generosidade seu ministério no confessionário, seguindo o exemplo de dedicação infatigável que o Santo Cura D’Ars deu a todos os sacerdotes.

Menzingen, 1° de setembro de 2015

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1 setembro, 2015

Ano da Misericórdia – Papa Francisco concede faculdade a padres da FSSPX para atender confissões válida e licitamente.

Da carta do Papa Francisco ao Arcebispo Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, na qual concede indulgência por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia:

Uma última consideração é dirigida aos fiéis que por diversos motivos sentem o desejo de frequentar as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade São Pio X. Este Ano Jubilar da Misericórdia não exclui ninguém. De diversas partes, alguns irmãos Bispos referiram-me acerca da sua boa fé e prática sacramental, porém unida à dificuldade de viver uma condição pastoralmente árdua. Confio que no futuro próximo se possam encontrar soluções para recuperar a plena comunhão com os sacerdotes e os superiores da Fraternidade. Entretanto, movido pela exigência de corresponder ao bem destes fiéis, estabeleço por minha própria vontade que quantos, durante o Ano Santo da Misericórdia, se aproximarem para celebrar o Sacramento da Reconciliação junto dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, recebam validamente e licitamente a absolvição dos seus pecados.

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31 agosto, 2015

Os próximos agraciados no Ano da Misericórdia.

o-beijo-de-judasDom Rogelio Livieres ✔

Dom Robert Finn ✔

Dom Mario Oliveri

Dom Antonio Carlos Altieri ✔

Dom Tomé Ferreira da Silva…

Dom Aldo Di Cillo Pagotto…

Não, nosso propósito não é generalizar os casos dos bispos acima citados. Cada um tem suas virtudes e defeitos. Também não são exatamente da mesma “orientação político-eclesiástica”, todavia, são todos mais conservadores que a média do clero pós-conciliar. Grosso modo, representam a Igreja de João Paulo II e Bento XVI, dos apegados mais à letra do Concílio Vaticano II que a seu “espírito”, em contraposição à Igreja dita aberta e reformada de João XXIII e Paulo VI. O crime maior que lhes é atribuído é o de fechar as janelas para os ventos da mudança.

Há alguns meses, escrevíamos:

Em tempos de Francisco, o roteiro é quase sempre o mesmo: um bispo, mais ou menos conservador, que se indisponha com seu clero ultra progressista tem os dias contados. A quadrilha liberal, muito bem articulada, nessas horas torna-se inclusive moralista e, bradando a quatro ventos os supostos pecados (aqueles que nas saletas de confissão eles dizem não existir) do ordinário, pedem sua cabeça… Ao que a Santa Sé, através da Nunciatura Apostólica, mui ciosa da “comunhão” do presbitério da diocese, envia um visitador que elabora um relatório, cujo resultado culminará quase que invariavelmente sugerindo a renúncia do bispo. Se ele se recusar a renunciar, é bem provável que seja removido sem dó nem clemência — e nem audiência de misericórdia com o bispo de Roma, como ocorreu a Dom Rogelio Livieres.

Você, caro leitor, tem um bispo um tiquinho só mais conservador, com um mínimo de piedade e zelo? Pois, então, coloque sua barba de molho.

Pois bem, os próximos agraciados neste Ano da Misericórdia devem ser Dom Tomé Ferreira da Silva e Dom Aldo Di Cillo Pagotto, bispo e arcebispo, respectivamente, de São José do Rio Preto e da Paraíba.

Os erros e desvios de que são acusados podem ser, e às vezes são, reais. A investigação sobre Dom Aldo, a exemplo da visitação desencadeada sobre os Franciscanos da Imaculada, teve seu ponta-pé inicial ainda sob Bento XVI, com o conservador Cardeal Piacenza, então Prefeito da Congregação para o Clero. O visitador da Arquidiocese da Paraíba foi ninguém menos que o também conservador Dom Fernando Guimarães, ordinário dos militares no Brasil.

Os bons não são imunes ao erro, nem impecáveis, e não devem, portanto, estar acima da lei.

O que é questionável é o fato de, nos tempos da misericórdia de Francisco, a lei ser aplicada exclusivamente sobre alguns. E, quase sempre, aplicação movida por questões políticas, como demonstra claramente a matéria abaixo:

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Em suma: “divisão na Igreja” causada pela “postura do arcebispo”; o clero descontente tem “saudade dos antecessores” — ninguém menos que os ultra-progressistas da Teologia da Libertação; um dos gravíssimos pecados de Dom Aldo é formar rapazes conservadores, que só pensam em liturgia…

Dentre outros erros imperdoáveis, Dom Aldo também falou abertamente contra o PT, por ocasião das eleições de 2010, e recentemente suspendeu um padre de seu clero deputado por esse partido. Para piorar, ousou redigir um opúsculo questionando a tese Kasper, aquele que, segundo Francisco, faz teologia de joelhos e mereceu por ele ser elogiado publicamente mais de uma vez.

Enfim, para defenestrar seus inimigos, os progressistas não abrem mão dos métodos mais sórdidos, o que não é novo. Acusam, inclusive, de pecados contra o sexto mandamento — aquele pecado que o Papa desculpou publicamente no vôo em que proferiu a frase mais célebre de seu pontificado, justificando a manutenção em seu posto de um de seus colaboradores mais próximos.

A novidade consiste em que, agora, em Roma, os modernistas têm quem dispense a seus desafetos o golpe final de misericórdia: a renúncia ou a destituição.

30 agosto, 2015

Foto da semana.

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Basílica de São Pedro, 21 de agosto de 2015: Às 7h da manhã, o Pontífice argentino havia se dirigido ao altar de São Pio X para rezar. Quando o monsenhor Lucio Bonora começou sua celebração, Jorge Mario Bergoglio decidiu então se sentar com as outras pessoas e acompanhar a cerimônia.

Além disso, na hora da comunhão, ele entrou na fila junto com os fiéis. “Eu tinha vindo para uma oração minha, eu já havia celebrado uma missa mais cedo. Mas então eu vi que você caminhava para o altar e decidi ficar”, disse Francisco ao padre.

A missa aconteceu no dia da festa litúrgica de São Pio X (no calendário reformado de Paulo VI; no rito tradicional, a festa de São Pio X ocorre em 3 de setembro), do qual o Papa é muito devoto. “Te havia dito que sou muito devoto de São Pio X”, declarou o bispo de Roma ao padre celebrante.

Créditos: ANSA

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