24 novembro, 2014

O futurismo de Francisco tem futuro?

Por Pe. Cristóvão | Fratres in Unum.com

Os progressistas andam contentes. Vivem dizendo que Bento XVI foi a última expressão de resistência ao Concílio, juntamente com João Paulo II, do qual é herdeiro. Entretanto, dizem eles, agora é a hora em que, afinal, a revolução conciliar chegará ao seu objetivo. Com Francisco, a Igreja entraria em sua nova era. E cantam vitória. E tripudiam.

Mas, será?

unnamed (4)

Esquecem-se eles que a Igreja não é como qualquer outra organização social. A dinâmica de seu organismo tem características muito peculiares, que a subtraem subitamente do alcance da ciência sociológica. Uma destas é a lentidão do seu metabolismo.

Como sociedade guiada por anciãos, a autoridade de governo sobre ela nunca representa perfeitamente as tendências do seu tempo, excetuando-se os casos extraordinários de pastores visionários, que enxergaram muito à frente e conseguiram discernir que as mudanças, apesar de aparentemente convulsivas, são na verdade evanescentes e só ostentam a definitividade do eterno e imutável Deus, da verdade da fé, da indefectibilidade do catolicismo.

Em síntese, “olhar para frente”, na Igreja, significa ultrapassar as modas e chegar àquilo que é estável, duradouro, perene…

Contudo, quando tais visionários faltam, ficamos reféns de perspectivas de curto alcance e, embora estas se travistam de um otimismo efusivo, ao fim e ao cabo, todos percebem que são um delírio “quase” patológico.

Este me parece ser o caso de Papa Francisco. Francamente, não há nada em sua postura que me evoque uma visão realmente de longo alcance. Ao contrário, ele parece mais alguém perdido no tempo, fixado naquele entusiasmo futurista típico dos anos 70 ou 80 do século passado… Ele representa bem aquela geração.

E não é sem razão que é justamente a parcela da população que naquelas décadas já era adulta que se entusiasma ao ver a reedição de suas utopias de outrora, agora desempoeiradas e desfraldadas em plena Loggia de São Pedro.

Os jovens, ao contrário, não têm feeling com Francisco. Com ele não se passa nem de longe o mesmo fenômeno dado durante o pontificado de Bento XVI, quando uma multidão de jovens, coroinhas, acólitos, seminaristas, néo-sacerdotes se encheram de vida ao ver o renascimento da Igreja de sempre, e agora têm de amargar goela abaixo a rotulação, dada por Francisco, de restauracionistas.

Toda uma plêiade de jovens foi reduzida a uma mera classificação pejorativa em sua boca, o que demonstra bem o desatino de sua percepção pastoral, ferreamente encarcerada naquelas décadas confusas do pós-concílio. Definitivamente, Francisco não é o papa do futuro, mas do passado.

É interessante notar como a admiração por sua pessoa – nunca pelo sublime ofício que ocupa – é despertada sobretudo entre incrédulos, comunistas, hereges, imorais, gays, abortistas, roqueiros, satanistas, fofoqueiros de plantão, enfim, personalidades boçais sem as quais o mundo televisivo nunca iria para a frente…, mas, na Igreja, os olhares dos fieis ainda brilham quando se vislumbra o vulto de seu predecessor.

Francisco vive chamando Bento de vovô, mas, na verdade, embora a opinião pública o tenha estigmatizado, suas palavras ecoavam com a autoridade de um pai, enquanto seu sucessor é somente objeto de uma vaga simpatia, típica daquela devotada a um “avô”. Com efeito, ele se pôs rapidamente na posição de um bom velhinho, entusiasmado, com a irreverência de um Chespirito caricaturado e a poesia de um John Lennon do túnel do tempo, sem a gravidade requerida de um papa, a confiabilidade esperada de um pastor e a respeitabilidade suposta de um pai.

Se há algo patente na reação dos jovens a Francisco é a sua total apatia, o desconcerto mal disfarçado, o mal-estar incontido, a nostalgia de uma referência forte, a perplexidade de quem se sente perdido dentro de casa e órfão de pai vivo.

A única salvação para o “legado” de Francisco será o uso autoritário que ele faz de seu poder, pelo qual favorece ostensivamente a diplomacia vaticana. Com Francisco, a Igreja não se tornará mais pastoral, como propalam os progressistas; antes, ela está se tornando mais política do que nunca, e politicamente correta.

Ele não é o líder dos católicos, mas o porta-voz dos discursos da ONU, das ONGs, da Nova Ordem Mundial, dos Illuminati. Se algum católico não se deu ainda conta disso, as Fundações internacionais já o perceberam, e não cessam de usar o magistério franciscanista contra a própria doutrina da Igreja e contra a dignidade humana em geral. Falta apenas a alguns cristãos a clarividência de poderem verbalizar o que já sentem, simples assim: #FranciscoNãoMeRepresenta!

Ele só tem uma saída: o aparelhamento eclesial. Por isso suas movimentações grotescas, o fracasso na dissimulação de sua manipulação no sínodo e em tudo o mais, a pressa em remover seus inimigos (Piacenza, Cañizares, Burke, além de soldados de pouca monta) e nomear seus cúmplices. Em definitiva, aquilo que foi Lula para o Brasil, é Francisco para a Igreja.

Contudo, contra eles corre um relógio inexorável: a ampulheta da vida. Alguém já disse que os maiores reformadores da Igreja são o infarto e o derrame cerebral. Talvez seja uma afirmação fisiológica demais…, não sei! Porém, uma coisa é certa: toda esta gente está confinada no surto de uma época que não convence mais.

Ao contrário de Bento XVI, este sim, um visionário, que soube ler as ânsias do âmago da mocidade católica e despertar seus mais genuínos desejos de santidade, e fez escola!, Francisco passará para a história como um papa obtuso, cultivador das defecções de nossa civilização adoecida, também ele doente, de miopia histórica, refém de sua geração, réu do mesmo destino dos insanos, que não conseguem transcender sua própria biografia, reproduzindo compulsivamente os mesmos padrões de sua mentalidade tacanha, provinciana, que não consegue ir além da presumível “bondade” de umas intenções equivocadas.

Não sou futurólogo, nem me agrada a adivinhação, mas talvez esta cafonice chegue ao seu fim, talvez seja o canto do cisne daquela primeira geração do pós-concílio, e que, no final deste pesadelo, voltemos à normalidade, tendo apenas de remover alguns deslocados que foram promovidos, os mesmos que estavam silenciados em sua insignificância e agora se inebriam com sua própria loquacidade ensandecida, mas que não serão capazes de lidar com as novas gerações que, cansadas deles mesmos, os farão sentir-se tais quais são: ridículos.

No fundo, teremos de pagar pra ver. Mas não me parece impossível que, dadas estas circunstâncias, este seja um eventual desfecho.

23 novembro, 2014

Conferência de Dom Guido Pozzo sobre o Vaticano II.

Importante texto de conferência do Arcebispo Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, uma vez que, recentemente, ele mesmo afirmou que “Roma não pretende impor uma capitulação à FSSPX”.

* * *

Comentários e tradução por Guilherme Chenta, guilhermechenta.com

COMENTÁRIOS

Introdução

Em abril de 2014, o Arcebispo Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia ComissãoEcclesia Dei, visitou o seminário do Instituto do Bom Pastor, com os seguintes objetivos: verificar a situação do instituto no pós-crise, dar duas conferências norteadoras da ação do IBP de acordo com a “hermenêutica da reforma na continuidade” e conferir ordens a alguns seminaristas.

Continuar lendo

23 novembro, 2014

Foto da semana.

A paróquia da Santa Cruz em San Jose, Califórnia, sofreu um incêndio no sábado, mas de alguma forma este belo crucifico italiano de três metros de altura conseguiu escapar das labaredas:

Dada à extensão do incêndio, é um milagre que o crucifixo tenha saído ileso, já que todo o interior da igreja foi consumido pelas chamas.

Mais detalhes podem ser vistos aqui.

Créditos: Veneremur Cernui

Tags:
22 novembro, 2014

Papa pede luta por terra em reunião com sindicalistas.

Francisco recebeu uma comitiva Central de Trabalhadores do país.

Por ANSA – O papa Francisco teve uma reunião com uma comitiva da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) nesta quarta-feira (19) e pediu que os sindicalistas “lutem pelos três T: Teto, Terra e Trabalho”.

No encontro, que ocorreu na residência de Santa Marta, o deputado e sindicalista Victor De Gennaro expressou seu apoio ao Pontífice por ter convocado uma “assembleia de movimentos populares no Vaticano” e disse “apoiar firmemente a iniciativa”.

O político se referiu ao Encontro Mundial dos Movimentos Populares, realizado entre os dias 27 e 29 de outubro, que trouxe para Roma centenas de líderes do mundo todo para “encontrar soluções alternativas para a economia do descarte e da exclusão”.

O Papa ainda pediu para o grupo continuar “combatendo todo tipo de trabalho escravo” no país e no continente. As bandeiras sobre as formas de escravidão modernas e a luta pela inclusão social através do trabalho são os atuais focos do sucessor de Bento XVI na sociedade. O Pontífice, constantemente, ressalta a importância da “dignidade” para as pessoas que estão sem emprego e que são “deixadas de lado” pelo sistema capitalista atual.

Segundo Pablo Micheli, secretário-geral da CTA, Francisco ainda agradeceu o apoio dos argentinos as suas iniciativas, mas disse que “não é nada fácil” o processo de abertura de renovação da Igreja Católica.

22 novembro, 2014

São Josafá Kuncewycz, bispo e mártir ucraniano.

Por Associazione Luci sull’Est | Tradução: Lucas Janusckiewivz Coleta – Fratres in Unum.com: Nascido no ano de 1580 em Wolodymyr, na Volônia (atualmente Ucrânia), São Josafá vem sendo lembrado como símbolo de uma Rússia ferida na luta dos russos cismáticos contra os uniatas (cristãos que abandonaram o cisma e se uniram à Sé Romana). A Diocese de Polock situava-se na Rutênia, região que pertencia a Rússia, mas boa parte da qual passou para o domínio do rei polonês Sigismundo III. A fé dos poloneses sempre foi a católica romana, enquanto na Rutênia como no resto da Rússia os fiéis aderiram à denominada “igreja greco-ortodoxa”.

Tentou-se então a união da Igreja grega com a latina. Mantiveram-se os ritos e os sacerdotes ortodoxos, mas se restabeleceu a comunhão com Roma. Esta igreja, chamada de Uniata, teve aprovação do rei da Polônia e do Papa Clemente VIII. Os cismáticos russos (erroneamente chamados de ortodoxos) acusavam de traição os uniatas, que também não tinham muita aceitação dos católicos do rito latino.

João Kuncewycz, que tomou o nome de Josafá, foi o grande defensor da Igreja uniata. Aos vinte anos, entrou na Ordem dos monges basilianos. Monge, prior, abade e, finalmente, Arcebispo de Polock, empreendeu uma reforma dos costumes monásticos na região da Rutênia, reformando a Igreja uniata. Mas, por causa de seu apostolado, um grupo de russos cismáticos o atacaram, assassinando-o com golpes de espada e tiros de mosquete em 1623.

Continuar lendo

Tags:
22 novembro, 2014

FSSPX avança com seu apostolado em São Paulo.

Por Fratres in Unum.com – A Capela São Pio X, do priorado Padre Anchieta, em São Paulo, está quase finalizada. No último 02 de novembro, foram benzidos seus sinos por Dom Alfonso de Galarreta, que também celebrou a cerimônia da crisma para fiéis da FSSPX na cidade e na região.

Apesar de ainda não oficializada pela Igreja, como os demais institutos Ecclesia Dei, seu apostolado na cidade cresce de maneira estável, fazendo do priorado um foco de irradiação da liturgia e da doutrina tradicionais em São Paulo e no Brasil.

A FSSPX tem em sua resistência ao Concílio Vaticano II e à forma ordinária do rito romano (missa nova), causa de sua não oficialização, um dos principais motivos de atração de católicos de linha tradicional.

Dado o crescimento da importância do Brasil para a FSSPX, é possível que o país abrigue um novo distrito da Fraternidade nos próximos anos. Em 15 de fevereiro de 2014, com o apoio de fiéis decepcionados com o afastamento de Dom Fernando Rifan da linha doutrinária seguida por Dom Antonio de Castro Mayer, foi fundado o Priorado São Sebastião, em Bom Jesus do Itabapoana, em plena Diocese de Campos dos Goytacazes/RJ.

O priorado Padre Anchieta está solicitando doações, para concluir as obras do altar da capela.

Seguem abaixo algumas fotos do evento:

Dom Alfonso de Galarreta asperge os novos sinos, acompanhado dos sacerdotes do priorado.

Dom Alfonso de Galarreta asperge os novos sinos, acompanhado dos sacerdotes do priorado.

Crismandos, seus padrinhos e demais fiéis.

Crismandos, seus padrinhos e demais fiéis.

… in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.

… in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.

Missa Solene após as crismas.

Missa Solene após as crismas.

Tags:
22 novembro, 2014

Grandes mudanças à vista na Cúria.

Por Fratres in Unum.com – Segundo o vaticanista Marco Tosatti, são iminentes várias mudanças na Cúria Romana.

A começar pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cujo nome mais cotado para o posto de Prefeito é a do Cardeal Robert Sarah, o primeiro cardeal da Guiné.

Cardeal Sarah

Cardeal Sarah

Sarah, até o momento presidente do Pontifício Conselho Cor Unum, gentilmente recebeu uma comitiva de sacerdotes participantes da peregrinação Summorum Pontificum, no mês passado.

Na segunda-feira, o Papa presidirá uma reunião com todos os chefes de dicastérios da Cúria a fim de discutir os projetos de reforma antes de tomar as decisões com seu conselho de oito cardeais.

Dá-se por certo a fusão da Congregação para a Educação Católica com o Pontifício Conselho para a Cultura. No comando do novo organismo permanecerá o Cardeal Gianfranco Ravasi e, assim, podemos esperar a continuação de suas exposições da arte moderna e as famosas edições do “Pátio dos gentios” mundo afora.

Ravasi, Vincenzo Paglia [presidente do Conselho para a Família, que, pouco antes da renúncia do Papa Bento XVI, defendeu “soluções de direito privado” para “outras convivências não familiares”. Em outras palavras, o reconhecimento jurídico das uniões homossexuais] e o todo poderoso Oscar Maradiaga foram vistos jantando juntos em uma sala reservada de um restaurante romano. Crê-se que Maradiaga seria o comandante de uma nova “super congregação”, que abarcaria o Conselho Justiça e Paz, o Conselho para os Migrantes, o Conselho Cor Unum, a Academia para a Vida e o Conselho para os Operadores Sanitários, bem como um quinto secretariado para o Direito das Mulheres.

21 novembro, 2014

Totalitarismo Vaticano.

Por Francesco Colafemmina – Fides et Forma | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Aquilo que eu sempre tive dificuldade de tolerar no progressismo liberal dentro da Igreja é a sua arrogância totalitária. Mas, o que se vive hoje na Igreja sob a ditadura de Bergoglio e sua direção é algo bem diferente se formos comparar com o progressismo militante que apenas pretendia tomar de assalto o Papado e o Magistério. Estamos, em poucas palavras, muito além das frequentes investidas e, portanto, daquela arrogância se tornou obsoleta ao se transformar na mais pura protérvia, despotismo rancoroso e intolerância bolchevique.

Este fenômeno deveria deixar preocupados nem tanto os considerados conservadores e aquela  pequena parte minoritária que frequentemente é definida como “tradicionalistas”, mas sim aqueles ex-progressistas que pariram um monstro que agora se tornou tão incontrolável que ameaça engoli-los em primeiro lugar.

O progressismo católico tomou como presas uma grande maioria de homens da Igreja que, em boa fé, estavam certos de que um maior envolvimento da Igreja nas lutas sociais, uma simplificação dos aparelhos eclesiásticos fundamentais, um maior cuidado pastoral com as ovelhas desgarradas, favoreceriam uma redescoberta do Evangelho autêntico, privado de superestruturas humanas. Daí o fascínio por Bergoglio, considerado um defensor dessa política eclesial, uma verdadeira volta à descoberta da “autenticidade” do Cristianismo (entre outras instâncias da retaguarda, fixadas nos anos 60 e 70).

Infelizmente esses progressistas estão sendo obrigados a reconhecer agora que as suas teorias estão sendo usadas por Bergoglio e seu entorno com um cinismo estratégico ímpar para levar a Igreja justamente a um caminho oposto.

De antagonista em um mundo fundamentado nas desigualdades e na prepotência ideológica e econômica de uma elite à sua companheira de merenda. É nisso que a “nova Igreja” corre o risco de se tornar sob o desígnio dos novos “Robespierres purpurados”. Não é por acaso que as fileiras do novo totalitarismo Vaticano são constituídas principalmente por diplomatas, ou seja, por  aqueles bispos sem a menor formação pastoral e acostumados a tratar e lidar com embaixadores, chefes de estado, burocratas e funcionários, ao invés de famílias carentes, desempregados, pessoas que sofrem, moribundos e oprimidos em geral.

O projeto vai muito além do progressismo e conservadorismo, ambos pulsões internas da Igreja, e tem como único propósito transformar a Igreja em um mero instrumento de controle social a serviço das elites políticas e econômicas.

Elites essas que a Igreja deveria ser a primeira em confrontar “apertis verbis”. Em um mundo ocidental, cada vez mais aceso por tensões sociais e com um abismo crescente entre pobres e ricos, a nova Igreja deve anestesiar as massas edulcorando sua condição, exaltando a pobreza e a igualdade sem jamais denunciar ou contrapor-se às forças que as determinam, sem jamais lutar contra o desvio moral que é um produto desses poderes, oferecido às massas como meio seguro de controle e condicionamento. A Igreja, pelo contrário, deveria combater ferozmente a ideologia desumana aplicada à vida diária dos homens, deveria ser um obstáculo contra a tentativa de se mudar radicalmente a estrutura da sociedade humana, que busca transformá-la em individualismo controlado e consumista. Deveria, em suma, ser aquela perpétua testemunha do vínculo indissolúvel entre Criador e criatura que impõe a esta última os freios e ao mesmo tempo a valoriza através do reconhecimento de sua dignidade espiritual.

Mas, ao invés disso, hoje a Igreja de Bergoglio e sua direção é totalmente inclinada aos interesses das elites que condicionam o sentir e o querer das massas e que tem como alvo a realização de um projeto já identificado e descrito por Aldous Huxley em seu “Admirável Mundo Novo” de 1932. Huxley esclarecia mais tarde em “Uma volta ao mundo novo” que o papel da religião na futura configuração da ditadura dos mercados seria aquele de uma “distração social”: “Nem mesmo na Roma antiga havia algo que se assemelhasse à distração incessante que hoje oferecem os jornais e revistas, rádio, televisão e cinema. Este fluxo incessante de distrações no meu ‘Novo Mundo’ foi usado deliberadamente como um instrumento da política, para impedir as pessoas de prestar muita atenção na realidade da situação social e política que o cerca”.

Assim, para mudar o rosto da Igreja foi necessária uma revolução, uma espécie de golpe de Estado, que começou bem antes da demissão — obviamente forçada – de Ratzinger em 2013.

Isto é demonstrado pelas características do regime totalitário de Bergoglio. Primeiro de tudo, o culto de personalidade em torno deste líder revolucionário, cuidadosamente construído por debaixo da mesa, através de alguns movimentos astutos já de início (a idéia de celebrar missa todos os dias em Santa Marta, de escolher viver lá, em vez de no Palácio Apostólico, etc, etc.). Em segundo lugar, a degradação das Sedes tradicionais de poder transformando-as em meros simulacros empoeirados onde se colocam funcionários, em sua maioria desconhecidos, que apenas se destinam a facilitar as decisões do regime. Adicionado a isso vem a criação de uma direção oficial e um oficiosa. A direção oficial (composto pelo conselho dos oito) e a oficiosa (uma espécie de círculo mágico feito de amigos, ex-revolucionários frustrados, intelectuais radicais, jornalistas hipnotizados pelo querido líder). Não falta, entre outras coisas, a presença de uma espécie de polícia secreta (veja o caso de Franciscanos da Imaculada).

Uma outra característica fundamental deste regime é a ausência de referências substanciais ao passado. Assim, de um modo meio embaralhado e bem arquitetado se implementou uma passagem radical de um Papa teólogo para um Papa que fala como o vendedor de frutas no mercado local ou o aposentado no bar que transmite esportes pela TV. Latim e citações de Patrística são considerados como frescuras desnecessárias. Portanto, deve-se comentar o Evangelho reinterpretando-o dia a dia em Santa Marta, tendo em seus braços, armas em punho para disparar uma série impressionante de “pensamentos” que têm como núcleo a criminalização dos católicos (independentemente de suas posições). Os últimos passos são os mais chatos, mas não menos inesperados: os expurgos. Primeiro foi Piacenza — que tentando recuperar posições no esquema comentou positivamente certas aberturas do Sínodo — depois Canizares, agora – clamorosamente e verdadeiramente, Burke. Amanhã talvez seja até Müller.

Tudo aquilo que define Bergoglio e seus companheiros é por outro lado uma ânsia quase milenarística: a ansiedade de empreender uma mudança radical e definitiva que para eles é entendida como uma missão divina autêntica. Não é nenhuma coincidência que em um estilo totalmente semelhante a “Joaquim de Fiore” não fazem outra coisa senão mencionar o “Espírito” que estaria se movendo dessa vez sobre os homens. Eis porque todos os obstáculos devem ser removidos, porque são precisamente obstáculos, mesmo quando se referem às verdades da fé, ao Magistério e ao Evangelho (não aquele das pregações em Santa Marta). Os obstáculos estão sendo removidos, sem, no entanto, suscitar protestos ou simples perplexidade: no novo regime do Vaticano, um crime legitimamente punível é a falta de conformidade com a vontade e a missão milenarística de Bergoglio e seu diretório. Então, não há nada de errado com isso. Na verdade, é até uma ação digna. Porque ela empurra a Igreja para a frente, sim, diretamente para o abismo…

21 novembro, 2014

Vaticano: O assassinato cruel do casal cristão é uma barbárie que humilha a humanidade.

ROMA, 07 Nov. 14 / 01:20 pm (ACI/EWTN Noticias).- A Santa Sé se pronunciou sobre o trágico caso dos dois jovens casados, cristãos, pais de 4 filhos, queimados vivos no Paquistão por uma multidão muçulmana. O casal foi injustamente acusado de blasfêmia por um muçulmano.

Sobre este acontecimento, o Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, o Cardeal Jean-Louis Tauran, falou com a Rádio Vaticano: “estou perplexo, ficamos sem palavras, obviamente, perante um ato de tamanha barbárie. Aquilo que é ainda mais grave é que foi invocada a religião, em modo específico”.

“Uma religião não pode justificar crimes desse gênero. Existe essa lei da blasfêmia, que representa um problema: a comunidade internacional, não deveria intervir?”

O Cardeal disse que “de um lado, certamente estão as convicções religiosas que devem ser respeitadas, mas é necessário, também, manter um mínimo de humanidade, de solidariedade. Acredito, então, que o diálogo se imponha: infelizmente, não se diz nunca o bastante sobre isso. Mais delicada é a situação, mais se impõe o diálogo”. “Eu me pergunto: podemos ficar assim, passivos frente a crimes declarados legítimos pela religião? Desde o ano em que foi introduzida a lei da blasfêmia, foram registradas cerca de 60 execuções”.

O Cardeal Tauran disse logo que “não envolvem somente os cristãos: inclusive outras minorias foram atingidas, como advogados, opositores ao regime que foram mortos de maneira bárbara. Estamos perante a um grande problema…”.

Pensando que “muitos cristãos se encontram, atualmente, nos braços da morte do Paquistão: pensamos, obviamente, também em Asia Bibi, mas existem tantos outros casos. Hoje seria realmente necessária uma ação para solicitar a reforma dessa lei…”.
“Sim, mas no ponto em que nos encontramos agora, não se pode intervir nos assuntos internos de um Estado, mas, ao menos, é preciso ajudar os responsáveis da política a encontrarem soluções dignas do homem e da civilização”.

A Comissão de Justiça e Paz do Paquistão reagiu a este drama, denunciando a falta de vontade por parte da política e afirmando que tudo isso rende as minorias ainda mais vulneráveis: “Penso que, efetivamente, a Igreja local seja muito corajosa. É necessário apoiá-la e, sobretudo, denunciar, denunciar rigorosamente que não há nenhuma justificativa pra esse tipo de coisa. Na realidade, a humanidade inteira acaba sendo humilhada…”.

Sobre uma possível reação dos líderes muçulmanos locais, o Cardeal disse: “Espero, sim! Isso é o que desejamos desde agosto… Por isso, é preciso reconhecer que as primeiras vítimas são os muçulmanos, porque esses crimes dão ao islamismo uma imagem terrível, muito negativa. Então, teriam todo o interesse de denunciar, e também de maneira contundente…”.

“Acredito que tenhamos chegado ao que São Paulo define “o mistério da iniquidade”, isto é, o mal ao estado puro. Nem os animais se comportam desse modo!”.

Para concluir, o Cardeal afirmou que “a gente se encontra realmente numa época de precariedade total, onde tudo pode acontecer, a pessoa humana não é respeitada, a vida não conta mais”.

Tags:
21 novembro, 2014

Dom Athanasius Schneider no Brasil: Missa Pontifical e Crisma em São Paulo.

Por Fratres in Unum.com: Em 30 de novembro de 2014, às 20h30min, Dom Athanasius Schneider celebrará cerimônia de crisma e Missa Pontifical na forma extraordinária do rito romano, na Paróquia São Paulo Apóstolo, situada à Rua Tobias Barreto, 1320, no Belém.

unnamed

Nessa ocasião, receberão o santo crisma membros da Associação Cultural Montfort, alunos do Colégio São Mauro e fiéis dos Padres Luiz Fernando Pasquotto e Renato Coelho, IBP, responsáveis pela missa tradicional na São Paulo Apóstolo.