Fratres in Unum.com

“Quam bonum est et quam jucundum, habitare fratres in unum”

‘Eclesialês’ vazio e afetado no ENP. Entre chavões marxistas e neologismos baratos.

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Excertos da “Carta do 13º Encontro Nacional de Presbíteros“:

Celebração da luz no 13º Encontro Nacional dos Presbíteros - Fonte: blog Igreja Una.

Celebração da luz no 13º Encontro Nacional dos Presbíteros - Fonte: blog Igreja Una.

“Nesse 13º ENP, ajudados pelo nosso irmão Pe. Paulo Suess, sentimos, na ótica da Conferência de Aparecida, o apelo a abrir nossas paróquias à missionariedade, saindo de uma teologia da metafísica rumo à teologia trinitária da relação, harmonizando pluralidade e unidade, na perspectiva da contraculturalidade do evangelho e do resgate da profecia“.

“O assessor nos ajudou a perceber como podemos nos tornar presas fáceis do processo de aceleração imposto pela mentalidade neoliberal. Tudo se apresenta como tão urgente que terminamos por não discernir o que realmente tem urgência. E, nesse mesmo espírito neoliberal, somos tentados a mergulhar num processo de consumismo e de acumulação sem sentido que, além de esvaziar o núcleo humano de todos nós, termina por afetar todo o ecossistema“.

“No 13º ENP, emergiu ainda o anseio de definirmos melhor nossa identidade de presbíteros, no prisma do sacerdote elementar que, segundo Pe. Paulo Suess, é, hoje, mais necessário que o dotado de dons extraordinários. O sacerdote elementar é o presbítero do bom senso, teologicamente perspicaz, bem informado e inteiro; livre no acolhimento de sua vocação e no seguimento de Jesus Messias. [...] É o presbítero que fundamenta sua relação e vivência com o povo no seu encontro pessoal com Cristo missionário. É o homem de vivência eucarística e de comunhão eclesial, que entrega sua vida, sobretudo aos pobres e oprimidos, sabendo que só Deus basta, vivenciando, assim, o primado da graça“.

“Por meio do Pe. Joel Portella, percebemos ainda que a aceleração e a acumulação fazem parte da construção de um novo ethos, engendrado na cultura atual de mudança de época, que recompõe a hierarquia dos principais elementos que constituem e interpelam a vida. Tal recomposição na pós-modernidade, afirmou o Pe. Joel Portellla, gira em torno do papel que se atribui ao sujeito individual, como base para um novo pensar, sentir e agir. [...] Nessa perspectiva, fomos interpelados a construir um novo ethos, conscientes de que, nessa mudança de época, a Igreja tem seu lugar social mudado, como também mudou o lugar social do presbítero. Mas, nada de ficarmos lamentando o lugar mudado ou perdido, pois importa reconhecer que as mudanças de época são períodos profundamente libertadores para a construção do Reino“.

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 9, 2010 em 6:29 pm

Publicado em Atualidades, Igreja

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Bispo de Basileia pode ser o substituto de Kasper.

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(IHU) O vaticanista Andrea Tornielli, sempre atento à vida curial vaticana, comenta que o Papa recebeu no dia 05 de fevereiro em audiência privada o bispo de Basileia, Kurt Koch. O prelado suíço poderia ser candidato ao posto atualmente ocupado pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

A informação é de José Manuel Vidal e está publicada no sítio Religión Digital, 07-02-2010. A tradução é do Cepat.

De acordo com Tornielli, completariam a lista de candidatos ao cargo o bispo de Regensburg, Gerhard Ludwig Müller, e o arcebispo de Chieti-Vasto, o teólogo Bruno Forte. Tanto Koch como Bruno Forte pertencem à ala moderada do episcopado, ao passo que Müller, amigo pessoal do Papa, se perfila na ala mais conservadora.

* * *

Mais honestidade, por favor!“: Em junho de 2009, Dom Kurt Koch escreveu uma carta a seu clero sobre a “aceitação incondicional” do Concílio Vaticano II.

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 9, 2010 em 12:40 pm

Tenso clima entre presidente e membros da Academia para a Vida.

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Mons. Rino Fisichella

Religión en Libertad traz um artigo de Sandro Magister sobre a próxima reunião da Pontifícia Academia para a Vida, nos dias 11, 12 e 13 deste mês. O site espanhol prevê um clima tormentoso, dada a indisposição de muitos membros da Academia com relação a seu presidente, o arcebispo Dom Rino Fisichella. Entre os mais destacados opositores de Fisichella está o sacerdote belga Dr. Michel Schooyans.

Os leitores de OBLATVS haverão de se recordar do malfado artigo de Fisichella no L’Osservatore Romano sobre o caso do aborto dos gêmeos em Recife. Mons. Schooyans escreveu na ocasião um artigo em que desmontava os argumentos chinfrins de Fisichella e defendia o arcebispo brasileiro Dom José Cardoso Sobrinho.

Dos 46 membros da Academia, 27 firmaram uma carta a Dom Rino Fisichella pedindo-lhe que se retratasse, pedido rechaçado por Fisichella em carta-resposta. Diante da recusa os signatários se dirigiram à Congregação para a Doutrina da Fé e dela receberam a confirmação de que o artigo havia sido aprovado pelo Secretário de Estado. E como não receberam deste último garantias de esclarecimento, alguns deles levaram a questão ao Papa.

Pouco depois, o Papa mandou publicar o esclarecimento em que as teses de Fisichella-Bertone são condenadas, não obstante a imagem pública de ambos tenha sido diplomaticamente protegida.

Estarão agora cara a cara Fisichella e seus colegas acadêmicos, muitos dos quais o desejam fora da Academia.

Fonte: Oblatvs

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 9, 2010 em 8:28 am

Dom Bernard Fellay: humanamente, os acordos com Roma são impossíveis… mas a Igreja não é humana.

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Na festa da Purificação da Virgem (Candelária, 2 de fevereiro), Mons. Fellay impôs a batina a treze novos seminaristas franceses da FSSPX (por certo, um número superior aos ingressos no seminário de quaqluer diocese francesa). Durante a homilia, que pode ser escutada neste link, o Superior geral da Fraternidade tratou também do tema dos diálogos com Roma. Eis uma paráfrase dos conceitos expressos por Mons. Fellay:

“Quando se olha as tendências e pensamentos que circulam e dominam na Igreja atualmente, se tem a impressão de que nossa cerimônia de hoje não tem pontos em comum. Como é possível que tantas coisas tenham mudado? E quando escutamos, inclusive de Roma, que nada mudou, é para se ficar estupefato. Também a Missa: basta abrir os olhos para ver se é ou não sempre a mesma. Reconhece-se todavia a Jesus como Filho de Deus? O terremoto sacudiu a Igreja desde seus alicerces. E então, se pergunta, chegar-se-á a um resultado nas discussões com Roma, teremos logo um acordo? Francamente, sinceramente, humanamente falando, não vemos chegar este acordo. O que quer dizer acordo? Sobre o que estamos de acordo? Sobre o fato de que só através da Igreja temos os meios de salvação?”.

“Se nós discutimos — não negociamos, discutimos — é na esperança de que esta verdade, que proclamamos aos máximos níveis da Igreja, toque os corações: já que temos os meios para abrir a boca, temos o dever de abri-la. Isso não quer dizer malbaratar a verdade para tratar de encontrar um caminho intermediário; absolutamente não, pelo contrário. Então, humanamente, não chegaremos nunca a um acordo; sim, humanamente não chegaremos a um acordo, por como vemos as coisas agora, humanamente não serve para nada. Mas quando falandos da Igreja, não falamos humanamente. Falamos de uma realidade sobrenatural à qual Nosso Senhor prometeu que não sucumbirá, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão. E, portanto, ainda que estejamos diante de uma realidade difícil e contraditória, nós sabemos que as coisas estão nas mãos de Deus, que tem os meios para pôr as coisas novamente em seu lugar. Seria oportuno recordar que falar e discutir é necessário, mas não basta: quando se fala de salvar as almas, quando se pensa em como Deus fez a Igreja sair de outras crises que teve no curso dos séculos, vemos que o que se necessita é santidade, com a qual se rejuvenesce e cura a Igreja. Sem a graça, e ficando apenas no nível dos homens, já se perdeu desde o começo. Todos, portanto, como católicos, devemos fazer algo, avançando na graça, no amor de Deus e na caridade”.

Este discurso, que alguns órgãos de imprensa mal interpretaram como um boicote aos diálogos em curso (o que, ademais, seria totalmente incoerente, considerando os esforços por parte da FSSPX para obter este diálogos), é , na realidade, um discurso de abertura e confiança na intervenção sobrenatural para alcançar o resultado, inalcançável contando apenas com as forças humanas. Não há necessidade de ser semiólogo para saber que a frase “humanamente é impossível, mas Deus pode tornar as coisas possíveis” tem, evidentemente, um sentido exatamente oposto a dizer: “Deus pode tudo, mas humanamente é impossível”. Isto é, a ênfase está colocada sempre na adversativa (pensai na diferença entre “É um preguiçoso, mas um bom garoto” e “é um bom garoto, mas preguiçoso”).

Unamo-nos às orações pelo bom resultado destes diálogos, conhecendo, em particular, quanto ruído o campo progressista faz por seu fracasso.

Dignos de menção são também os conceitos que o bispo lefebvrista desenvolveu na homilia para explicar o valor da batina que os treze seminaristas usaram pela primeira vez, e, esperamos, in aeternum. Esta “batina toda negra” prega, disse:

“Recorda aos homens que sois discípulos de Jesus Cristo e é um sinal de que existe algo que ultrapassa a realidade dos homens: a fé, as realidade sobrenaturais. Sim, a batina fala e prega: diante dela, os homens reagem, talvez mal, mas com frequência positivamente afetados. A gente vê uma batina e vê um sacerdote. Hoje, esta imagem já não está na realidade, salvo entre os tradicionalistas e na publicidade (quando se trata de anunciar uma marca de spaghetti, se vê sacerdotes de batina, nunca de clergyman), mas precisamente porque sabem que, na alma dos cristãos, o sacerdote é o sacerdote de batina. E quando se pensa no sacerdote, se pensa em outro Jesus, em um homem que não é como os outros homens, que está separado do mundo. O preto da batina é o preto do luto, da morte ao mundo, da renúncia a ele. A batina é já sacrifício, não pelo prazer do sacrifício como fim em si mesmo, como um estóico ou um masoquista, mas para se pôr à disposição das almas. E se essa batina se comporta bem, é uma verdadeira chama; se se comporta mal, é imediatamente um escândalo que produz um imenso mal”.

Fonte: Messa in Latino, via La Buhardilla de Jerónimo.

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 8, 2010 em 3:06 pm

Nota da FSSPX sobre os fatos ocorridos no México.

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Nota do editor: Esta nota fora publicada sexta-feira à tarde pelo site do distrito norte-americano da FSSPX; hoje, fomos surpreendidos ao ver ela já não está mais lá (versão em cache aqui).

* * *

Padres Superiores

Distrito do México e América Central

+ Cidade de Salta, Argentina, terça-feira, 2 de janeiro de 2010

Prezados Padres,

Espero que os senhores estejam bem. Recentemente, o nosso Distrito tem sofrido indiretamente rumores e falsos relatos. Deus misereatur nostri!

Um exemplo disso é um artigo publicado na Internet acusando-nos de “ataques” à Fraternidade de São Pedro. Uma vez que ele circulou rapidamente, gostaria de informá-los sobre a versão verdadeira, a fim de evitar mais confusão entre nós.

Continuo a sua disposição, em Cristo Soberano Sacerdote,

Pe. Mario Trejo

PS: O relatório escrito pelo Pe. Amozurrutia:

A associação “Cruzada Cristo Rei”, cujo líder é um de nossos fiéis, me propôs uma participação voluntária, tanto de sacerdotes quanto de fiéis em atos de reparação durante a “semana de oração”.

Da mesma maneira que tenho feito em ocasiões anteriores, quando um grupo ou associação nos convidou para um evento desta natureza, e considero bom e pertinente, dei minha aprovação aos sacerdotes e fiéis que queriam apoiar esses atos de reparação. No sábado, 17 de janeiro, como um dos avisos dominicais, convidei àqueles que estivessem interessados, que comparecessem às reuniões onde o objetivo e a justificativa por trás desses atos fossem explicados.

Os atos de reparação consistiam em estar presente em locais diferentes onde esses eventos se realizassem a fim de rezar o Santo Terço com cânticos entre os mistérios e distribuir panfletos contra o ecumenismo, levando dois cartazes contra o ecumenismo.

Quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 Celebração Eucarística (Rito Latino) – Capela de São Pedro – Fraternidade de São Pedro

  • Cerca de 80 pessoas compareceram. O Santo Rosário começou fora do átrio da igreja (na rua) às 19:00h, ao mesmo tempo em que a Missa começava do lado de dentro.
  • Pe. Romanoski (ou algum nome parecido com esse) veio para fora algumas vezes para convidá-los a entrar para assistir a Missa, dizendo que “éramos a mesma coisa” e convidou-os para o “Rosário de Reparação pelo falso ecumenismo”, que ocorreria após a Missa.
  • Uma senhora que estava do lado de fora, fechou a porta da igreja, porém, as pessoas que estavam do lado de dentro a abriram.
  • A recitação do Santo Rosário terminou antes da consagração (aparentemente no Sanctus) e eles deixaram o local.

Com relação ao comentário na Internet sobre pintura ou pichação na Capela de São Pedro Apóstolo, a igreja onde os sacerdotes da Fraternidade de São Pedro celebram a Missa, certamente, não foi nenhum dos organizadores em dos membros da associação, ou quaisquer de nossos fiéis. Não houve confrontação nem qualquer “ataque” ou sinal de violência. Eles rezaram o Santo Rosário com cânticos e foram embora.

É preciso recordar que em Guadalajara há muitos grupos que são contra não somente à posição da Fraternidade de São Pedro mas também contra à nossa posição. Também está claro que os padres e fiéis da Fraternidade de São Pedro querem tirar vantagem da situação a fim de se transformarem em mártires e assim confundir os fiéis da Tradição ainda mais.

NB do Pe. Trejo: Posso acrescentar que os jovens que trabalham para a Una Voce México já inventaram estórias, com informações falsas, que foram espalhadas pela Internet. A última delas, que era inverossímil (dizia que o Pe. Fallarcuna tinha feito um ato de submissão ao bispo de Gomez Palacio, fevereiro de 2009), foi feita de maneira maliciosa a fim de criar confusão dentre os fiéis.

* * *

Abaixo, o folheto distribuído pelos manifestantes (fonte)

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 7, 2010 em 6:13 pm

Publicado em Atualidades, FSSP, FSSPX

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O Concílio Vaticano I e o Ensinamento Ordinário do Soberano Pontífice – O Magistério Ordinário da Igreja Católica, por Dom Paul Nau, O.S.B.

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Damos continuidade à série de posts com a tradução da obra de Dom Paul Nau, OSB, da abadia de Solesmes, originalmente intitulada “Um ensaio sobre a Autoridade dos Ensinamentos do Soberano Pontífice”, e reimpressa pela Angelus Press (1998) sob o título “O Magistério Ordinário da Igreja Católica”.

* * *

O Concílio Vaticano I e o Ensinamento Ordinário do Soberano Pontífice

Antes de examinar a mente do Concílio acerca do Magistério Ordinário do Papa, talvez seja útil restaurar esta doutrina em seu duplo contexto, através de uma nova leitura dos decretos conciliares relacionados ao Magistério da Igreja e às várias maneiras nas quais ele é expresso.

O papel do Magistério da Igreja

O primeiro pormenor a ser observado nos decretos do Concílio diz respeito à exata função do Magistério da Igreja. A recente proclamação do dogma da Assunção de Nossa Senhora nos mostrou que equívocos ainda se mostravam possíveis sobre este ponto, mesmo entre católicos. Muitas mentes foram surpreendidas por esta nova definição como se ela tivesse sido a primeira revelação de uma doutrina, até então estranha à Fé, que se manteve desconhecida por aproximadamente 20 séculos.

Entretanto, o Concílio do Vaticano teve muito cuidado em lembrar as bases precisas para a assistência carismática (i.e., a assistência divina manifestando-se por um dom excepcional visível aos outros fiéis) prometida por Cristo ao sucessor de São Pedro:

Pois o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de São Pedro para que estes, sob a revelação do mesmo, pregassem uma nova doutrina, mas para que, com a sua assistência, conservassem santamente e expusessem fielmente o depósito da fé, ou seja, a revelação herdada dos Apóstolos. [3]

Nenhuma nova revelação pode, de fato, ser esperada após a morte dos Apóstolos, que eram as testemunhas imediatas de Cristo e os primeiros a receber o depósito revelado como um todo. A doutrina que eles receberam do Mestre continuarão, por si mesma, alimentando a fé divina dos fiéis até o fim dos tempos [4]. O único cuidado do fiel deve ser o de conhecer exatamente o que os Apóstolos acreditavam, de modo que ele, também, possa aderir a essa doutrina [5].

Mas para que a doutrina dos Apóstolos possa ser abraçada pela fé, ela deve ser apresentada aos fiéis no decorrer dos séculos. Ao contrário do protestantismo, que olha apenas para a letra dos escritos apostólicos, o católico olha para os ensinamentos dos sucessores dos Apóstolos, e especialmente dos sucessores de Pedro, para a preservação e apresentação do depósito da Fé [6].

No cumprimento de seu múnus “de preservar inviolado (sancte custodirent) o depósito da Fé”, os membros da hierarquia docente não se contentarão em enterrá-lo, como fez o guardião do talento na parábola do Evangelho. Pelo contrário, eles o “transmitirão” à Igreja, e através dela o “transmitirão” às gerações seguintes e a seus sucessores”. [7]

Quando estes, por sua vez, se levantarem para transmití-lo, eles apenas acrescentarão uma nova ligação à corrente ininterrupta que em todos os tempos vincula a fé da Igreja aos primeiros discípulos de Cristo.

Assim, também, quando eles “fielmente expõem a doutrina” (fideliter exponerent), não é uma questão de mera proposição em termos estabelecidos, mas de uma exposição que compreenderá explicações e desenvolvimentos necessários, a fim de defender a formulação do dogma contra qualquer deformação e de fazê-lo explícito sem nunca trair a verdade revelada.

Embora muitos séculos de influência protestante tenham gradualmente obscurecido esta visão, ela é uma para as quais as mais veneráveis tradições podem ser reivindicadas. Em um célebre capítulo do Contra Haereses [8], Santo Irineu procura um critério que nos permita distinguir das doutrinas heréticas aquela doutrina que deve reter a fé do verdadeiro fiel, pois ela traz a ele, sem qualquer diferença, o genuíno ensinamento dos Apóstolos. A regra de fé, responde ele, é o ensinamento presente daqueles bispos que estão ligados, sem qualquer ruptura, aos discípulos imediatos de Cristo, pela sucessão legítima das sedes episcopais fundadas pelos Apóstolos. O charisma da transmissão fiel da verdade revelada está vinculado a esta sucessão legítima.

Estender, se fosse necessário, tal investigação a todas as sedes que reivindicam uma origem apostólica, observa Irineu, o santo bispo de Lion, seria algo prolongado e que muitos considerariam impossível; mas, pela graça de Deus, a investigação pode ser consideravelmente simplificada. A mesma garantia da verdade pode ainda ser encontrada se a investigação for direcionada a apenas uma sede, aquela sede que ostenta ter sido governada pelos sucessores dos Príncipes dos Apóstolos. Graças a seu potentiorem principalitem (literalmente: seu principado mais poderoso), a Igreja de Roma pode, por si mesma, representar a fé de toda a Igreja.

Esta função da Igreja Romana como representante da Igreja inteira por conta de sua maior importância é algo que mesmo os próprios galicanos reconheceriam. “É o privilégio da Igreja Romana, que nenhuma outra igreja individual possui, de ser capaz de representar a Igreja Universal”, disse Pierre d’Ailly [10].

Continua…

[3] CL. c. 486 c (D. 1836)

[4] As declarações doutrinais enunciam a verdade que é e que sempre foi: elas não criam a verdade (F. Hurth, S.J., Periodica, (1948), p. 38).

[5] Cf. J. Bainvel, artigo sobre os “Apóstolos”, DTC, I c. 658; S. Tomás de Aquino, Summa Theologica: Ia, II ae, Q. 94, A.3; Q;106m, A.4; IIa II ae, Q. 1, A.7; Q. 175, A.6. Relato de Mons. Gasser ao Concílio Vaticano, 2 de julho de 1870, CL, c. 369; Y. Congar, Vraie et fausse reforma dans l’Eglise, (Paris, 1950), p. 75.

[6] Cf. J. Danielou, “Résponse à Oscar Cullman”, Dieu vivant, 24, pp. 105 et sq.

[7] Cf. M. L. Guerard des Lauriers, Dimensions de la foi, T.I. (Paris, 1950), p. 298

[8] Livro III, 3,2, de Contra Haereses — Contra as Heresias, escrito por Santo Irineu, nascido aproximadamente em 130, bispo de Lion.

[9] Sobre o significado a ser dado a esta expressão, ver H. Holstein, Propter potentiorem principalitem (St. Irineu) em RSR, XXXVI, (1949), pp. 122, etc.

[10] Citado por A. G. Martimort, Le Gallicanismo de Bossuet, (Paris, 1953), p. 29.

Posts anteriores da série:

Apresentação: O Magistério Ordinário da Igreja Católica, por Dom Paul Nau, O.S.B.

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 6, 2010 em 6:00 am

Publicado em Igreja, O Papa

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Foto do dia.

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Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus (Mt 3, 16)

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 5, 2010 em 2:00 pm

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Mal-entendido sobre intenção de Missa leva a vandalismo e protestos em frente à Capela da FSSP em Guadalajara.

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Lamentavelmente, nos chegam notícias de que no final de janeiro passado um grupo de fiéis da capela de Santo Atanásio, da Fraternidade São Pio X, causou alvoroço em frente à igreja de São Pedro Apóstolo, da Fraternidade de São Pedro, em Guadalajara – México.

Os fatos:

1. – As irmãs Brígidas em Guadalajara solicitam à FSSP uma Missa pela unidade dos cristãos. Os padres da Fraternidade São Pedro dizem não aceitar tomar parte em congressos ecumênicos, embora todo católico fosse livre para assistir missa em sua capela. Aceita-se então celebrar a missa “pro Ecclesiae unitate”, do missal romano de 1962, pela conversão dos não católicos. A referida Missa é anunciada no jornal diocesano.

Os escritos "Ecumenismo no. Judas" podem ainda ser vistos, embora os padres tenham tentando apagá-los com gasolina.

Os escritos "Ecumenismo no. Judas" podem ainda ser vistos, embora os padres tenham tentando apagá-los com gasolina.

2.- Na capela de Santo Atanásio (FSSPX) entenderam que a Missa seria um “serviço ecumênico” e chamaram seus fiéis para protestar fora do templo da Fraternidade de São Pedro.

3.- O Pe. Romo (FSSP) escreve ao superior do priorado da FSSPX, Pe. Amozurrutia, para esclarecer o mal-entendido.

4.- Na manhã anterior à Missa, os muros do templo de São Pedro aparecem com repetidas pichações com aerossol: «Ecumenismo não», «Judas».

5.- Durante a Missa, um grupo de fiéis dirigidos pelo Pe. Puga e seu megafone se fizeram presentes com cartazes que diziam “Fora da Igreja não há salvação”. Eles permaneceram rezando o Rosário a todo volume enquanto dentro se celebrava os sagrados mistérios e se proferia um sermão sobre a Mortalium Animos.

6. – Durante a celebração, o regente do coral que cantava na missa pede aos manifestantes que respeitem os Sagrados Mistérios que estavam sendo celebrados. A Santa Missa transcorre, apesar da algazarra fora da igreja. Alguns participantes do protesto mostram inconformidade com os rumos tomados e entram na igreja para rezar em reparação pelo ocorrido.

6.- Após a missa, o Revdo. Pe. Romo saiu para falar com os manifestantes, mas não lhe deram atenção.

7.- O grupo da FSSPX distribuiu panfletos denegrindo a FSSP.

Fontes (e mais detalhes em): Creer en México, Catholic Champion Blog e Ite ad Thomam.

* * *

Para ler o excelente sermão pregado naquele dia na igreja de São Pedro Apóstolo clique aqui.

[Nota dos Editores: Segundo informações de pessoas próximas às duas capelas, o relacionamento de padres e fiéis da FSSP e FSSPX em Guadalajara até então foi sempre cordial. Aguardamos mais informações e esclarecimentos sobre o triste episódio e pedimos a Deus pela reconciliação dos dois grupos e, sobretudo, pela restauração da Fé Católica no México.]

PANO DE FUNDO:

(Relato enviado por e-mail de um fiel católico conhecedor da realidade mexicana e dos dois grupos envolvidos no episódio)

Primeiramente, não se trata de uma realidade como a que encontramos no Brasil. Estamos falando do México. E estamos falando mais precisamente de Jalisco, o berço da revolta cristera contra os maçons. Essas pessoas na capela da FSSPX (Santo Atanásio) testemunharam a tomada de sua catedral e igrejas pelos modernistas, que são muito maçônicos. Não foi à toa que deram o nome de Santo Atanásio a sua capela.

Eles se reuniram por muitos anos para começar a reconstrução de sua fé em Guadalajara. Naqueles tempos, muitos dos antigos membros da capela haviam atuado como cristeros durante a juventude. Muitos mais são descendentes diretos dos cristeros. Se essas pessoas estavam protestando na rua, devemos lembrar que eles, seus pais e avós derramaram seu sangue e morreram para combater pela Igreja contra os maçons. Protestar na rua é café pequeno para eles.

Muitos mexicanos se tornaram sedevacantistas em razão da revolta cristera. Em nenhum lugar do mundo o sedevacantismo é mais forte do que em Guadalajara, onde a universidade tem um seminário sedevacantista. As pessoas dessa capela (Sto. Atanásio) combateram os maçons por um lado e os sedevacantistas por outro.

Lembremos que apesar do Motu Proprio de 1988 (Ecclesia Dei Adflicta) em nenhum lugar … em nenhuma única diocese de todo o México…um bispo respeitou os desejos do papa. A maçonaria fez incursões incríveis no episcopado mexicano.

Essas pessoas nunca se confundiram quanto ao fato de que os bispos eram seus inimigos. A quase dois anos atrás o Arcebispo de Guadalajara convidou a FSSP. Talvez possamos considerar isso como algo bom, mas se você é alguém que teve que combater os seus bispos a vida inteira (bem como seus pais e avós), talvez você veja a iniciativa de um bispo de maneira diversa.

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 4, 2010 em 4:06 pm

Publicado em FSSP, FSSPX, Igreja

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Cristo, justiça de Deus.

com 4 comentários

O anúncio cristão responde positivamente à sede de justiça do homem, como afirma o apóstolo Paulo na Carta aos Romanos: “ Mas agora, é sem a lei que está manifestada a justiça de Deus… mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os crentes. De fato não há distinção, porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção que se realiza em Jesus Cristo, que Deus apresentou como vitima de propiciação pelo Seu próprio sangue, mediante a fé” (3,21-25).

Qual é portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O fato de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “ a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cfr Gal 3,13-14). Mas isto levanta imediatamente uma objecção: Que justiça existe lá onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a bênção que toca ao justo? Desta maneira cada um não recebe o contrário do que é “seu”? Na realidade, aqui manifesta-se a justiça divina, profundamente diferente da justiça humana. Deus pagou por nós no seu Filho o preço do resgate, um preço verdadeiramente exorbitante. Perante a justiça da Cruz o homem pode revoltar-se, porque ele põe em evidência que o homem não é um ser autárquico , mas precisa de um Outro para ser plenamente si mesmo. Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.

Compreende-se então como a fé não é um fato natural, cômodo, óbvio: é necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do “meu”, para me dar gratuitamente o “seu”. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Graças à ação de Cristo, nós podemos entrar na justiça “ maior”, que é aquela do amor ( cfr Rom 13,8-10), a justiça de quem se sente em todo o caso sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.

Da mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2010, apresentada hoje.

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 4, 2010 em 9:41 am

Publicado em O Papa

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Bento XVI prepara sua visita à Inglaterra com discurso pouco ‘British’. A repercussão das palavras do Papa aos bispos do Reino Unido.

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As palavras do Papa Bento XVI, nesta segunda-feira, aos bispos da Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales causaram alvoroço. Segundo o vaticanista de Il Foglio‘, Paolo Rodari, “a imprensa britânica leu o discurso do Papa como um ataque direto ao Labour [ndt: Partido Trabalhista inglês]. As autoridades anglicanas, como um ataque dirigido a elas. Entretanto, outros notaram “que as palavras do Papa foram dirigidas à Igreja Católica da Inglaterra, acusada de não ter conseguido se expressar durante a polêmica sobre a adoção de crianças por casais homossexuais de modo unívoco e convincente”. Da mesma forma a Rainha da Inglaterra”. Eis alguns dos comentários da imprensa britânica: “O Papa ataca os trabalhistas sobre as leis de igualdade”, destacou o Telegraph. “O Vaticano lançou um ataque sem precedentes às políticas de direitos humanos de Gordon Brown”, escreveu o Times.

Adoção de crianças por homossexuais.

Segundo Rodari, “o nó principal é sempre um: graças a essas normas se impede qualquer tipo discriminação por parte de organizações como as agências de adoção. E, então, essas mesmas agências, em nome da não discriminação, são obrigadas por lei a conceder a adoção de crianças também a casais de homossexuais.

Para o Papa, o efeito de tais leis “tem sido impor limitações injustas à liberdade de comunidades religiosas para agir de acordo com suas crenças. Em alguns aspectos, isso realmente viola a lei natural, sobre a qual a igualdade de todos os seres humanos está alicerçada e pela qual é garantida”.

Tibieza episcopal.

O conflito também atingiu os meios eclesiásticos: o episcopado inglês não combateu a lei como deveria.

Por isso, Bento XVI exortou os bispos “a garantir que o ensino moral da Igreja seja sempre apresentado em sua totalidade e defendido de modo convincente. A fidelidade ao Evangelho em nada restringe a liberdade dos outros – pelo contrário, ela serve à liberdade oferecendo-lhe a verdade”,  pois, continua o Papa, “quando muitos da população se declaram cristãos, como alguém poderia contestar o direito de o Evangelho ser ouvido?”.

E as advertências do Papa continuaram: “Se a mensagem salvífica de Cristo deve ser apresentada de movo efetivo e convincente para o mundo, a comunidade católica em vosso país precisa falar com uma voz unida”. Prossegue o Pontífice: “Em um meio social que encoraja a expressão de uma variedade de opiniões sobre cada questão que aparece, é importante reconhecer os dissensos pelo que são e não se confundir, a fim de uma contribuição madura para um debate equilibrado e abrangente. Essa contribuição é a verdade revelada através das Escrituras e da Tradição e articulada pelo Magistério da Igreja, que nos liberta”.

Anglicanorum Coetibus.

Para o chefe anglicano, dr. Rowan Williams, a constituição apostólica que acolhe dissidentes anglicanos na Igreja Católica foi “um ataque”. Já a Rainha Elizabeth, por sua vez, enviou o Lord Chamberlain, Earl William Peel, para pedir ao arcebispo católico de Westminster esclarecimentos sobre as intenções do Papa.

Aos senhores bispos, que também manifestaram suas reticências com relação à medida, expressou o Romano Pontífice: “gostaria de solicitar que sejais generosos na aplicação das disposições da Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, de modo a ajudar os grupos de anglicanos que desejam entrar em plena comunhão com a Igreja Católica. Estou convencido de que, se for dada uma calorosa e generosa boas vindas, tais grupos serão uma bênção para toda a Igreja”.

Visita de Estado.

Bento XVI visitará o Reino Unido, como chefe de Estado, em outubro deste ano. A programação inclui um encontro com a rainha no palácio de Buckingham. Porém, Bento XVI declinou o convite de se hospedar no palácio e ficará na Nunciatura Apostólica. Também não participará do tradicional jantar oferecido aos chefes de estado visitantes e dispensou a carruagem de Elizabeth II.

Um abaixo-assinado na internet contra a visita já conta com 4 mil assinaturas. Terry Sanderson, da Sociedade Secular Nacional,  lamenta o uso de 24 milhões de euros na visita de um Papa que “já indicou que vai atacar a igualdade de direitos e promoverá a discriminação” dos homossexuais.

Escrito por G. M. Ferretti

fevereiro 3, 2010 em 5:21 pm