27 fevereiro, 2015

Sínodo: o mistério do livro desaparecido.

A agência alemã Kath.net informou e logo em seguida vários sites de língua inglesa; também aqui recontamos um episódio do Sínodo, em 2014, que se for mesmo verdade, como parece ser, não pode deixar de suscitar algumas perplexidades.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: A agência alemã Kath.net informou, e logo em seguida vários sites de língua inglesa. Também  aqui recontamos um episódio do Sínodo, em 2014, que se for mesmo verdade, como parece ser, não pode deixar de suscitar algumas perplexidades.

51jX-noL9nL._SY344_BO1,204,203,200_Lembram-se do livro “Permanecendo na verdade de Cristo. Matrimônio e comunhão na Igreja Católica”, publicado pela Cantagalli no ano passado, em que cinco cardeais de grande peso, incluindo o prefeito da Doutrina da Fé e outros especialistas e estudiosos defendiam tudo aquilo que até agora o Magistério ensinou sobre casamento, divórcio, etc? O texto, que na versão em Inglês é intitulado “Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church”, foi impresso em três línguas e enviado (Inglês e Italiano certamente) aos participantes do Sínodo dos Bispos sobre a família de Outubro de 2014. As intervenções, algumas das quais precedentes ao consistório em que o cardeal Walter Kasper tinha enunciado sua tese e que foram objeto do debate, sobre a possibilidade de os divorciados novamente casados  receberem a comunhão, eram certamente contrárias à posição assumida pelo cardeal alemão e apoiado pela Secretaria do Sínodo.

O Sínodo de 2014 diferia de todos os outros anteriores, porque a Secretaria não quis que as intervenções dos bispos e cardeais participantes se tornassem públicas; uma decisão que foi julgada contrária à transparência de que tanto falam. O livro foi despachado individualmente para cada bispo participante do sínodo, mas nunca chegou. E de acordo com o que está sendo escrito, quando os organizadores do Sínodo tomaram conhecimento, simplesmente fizeram com que o pacote com o livro desaparecesse das caixas de correio dos membros do sínodo. Apenas dois ou três prelados o teriam recebido.

O artigo de Kath.net, que atribui ao Cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário do Sínodo, a responsabilidade por este gesto, diz entre outras coisas: “Este incidente teve lugar no Vaticano e não no Kremlin. Como eu relatei a um amigo que naqueles dias estava prestes a voltar para a África, ele sorriu docemente e disse: ‘Por que você se preocupa? Aqui no Sudão as coisas não estão melhores'”.

Padre Joseph Fessio, SJ, diretor da Ignatius Press, que publicou a edição americana do livro, confirma que dezenas de cópias foram enviadas e recebidas pelo correio do Vaticano (administrado pelo Governatorato), mas nunca chegou aos destinatários.

27 fevereiro, 2015

Cardeal Marx diz que a Igreja da Alemanha não é uma filial de Roma e que Sínodo não pode dizer-lhes o que devem fazer.

O presidente da Conferência Episcopal Alemã, cardeal arcebispo de Munique, Reinhard Marx, declarou que «não somos uma filial de Roma. Cada conferência episcopal é responsável pelo cuidado pastoral em sua cultura e devemos, como tarefa própria, anunciar o evangelho por nossa conta». Quanto à pastoral, o cardeal disse que «o Sínodo não pode prescrever em detalhes o que devemos fazer na Alemanha».

Por Il Foglio/Cathcon/InfoCatólica | Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.com Em declarações à imprensa, o cardeal dá por fato que após o sínodo seguirá uma comissão (em seu país) que analisará os temas mais relevantes já que, segundo ele as polêmicas teológicas sobre o matrimônio, a família e a moral sexual não poderão ser solucionadas em três semanas.

No Sínodo, indica, devemos encontrar um texto base que «conduziria a um maior progresso» na discussão. Também deve se buscar uma posição comum sobre questões fundamentais.

Sobre a doutrina, o cardeal disse que se deve estar em comunhão com a Igreja, mas em questões individuais de atenção pastoral, «o Sínodo não pode prescrever em detalhes o que devemos fazer na Alemanha». Portanto, acrescenta, os bispos alemães tem a intenção de publicar sua própria carta pastoral sobre o matrimônio e a família depois do Sínodo.

O ofício dos bispos não é esperar e receber permissão. «Não somos só uma filial de Roma.Cada conferência episcopal é responsável pelo cuidado pastoral em sua cultura e devemos, como tarefa própria, anunciar o evangelho por nossa conta. Não podemos esperar até que um sínodo estabeleça algo, como temos feito até aqui, para abordar a pastoral familiar».

25 fevereiro, 2015

Pe. Michael Rodríguez: Fé e Coragem a toda prova.

Perseguições, provações e tristezas. Isso é uma graça porque é o que nos faz santos e amigos de Cristo. Se você realmente quer ser um santo, se você realmente quer ser um amigo de Cristo, você tem de sofrer perseguições, provações e tristezas” 

Com muita satisfação apresentamos o belíssimo vídeo produzido pela JMJ Productions do último sermão público do reverendíssimo Padre Michael Rodríguez, na igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Shafter, Texas. Como é do conhecimento dos nossos leitores, padre Rodríguez foi destituído de sua paróquia, no dia 10 de novembro do ano passado, devido à sua defesa intransigente da Fé Católica em sua doutrina, liturgia e moral.

Apresentamos este vídeo não apenas para consolo de seus admiradores brasileiros, mas especialmente para que ele sirva de estímulo e encorajamento aos seus irmãos sacerdotes diocesanos, que, uma vez tendo conhecido a magnificência do Rito Antigo, sentem receio de implementá-lo em suas próprias paróquias.

Padre Michael Rodríguez ficou mundialmente conhecido não somente por sua profunda piedade e amor à Tradição Católica, mas, sobretudo, por fazer o que precisava ser feito, com coragem e coerência, ao amparo dos documentos magisteriais, sobretudo do Motu Poprio Summorum Pontificum. Embora tenha sempre acatado as decisões de seus superiores e os sofrimentos que lhe foram impostos, o heróico sacerdote percebeu que não poderia deixar de oferecer a seus fiéis o bem mais precioso na face da Terra – o Santo Sacrifício da Missa em sua forma mais bela, ortodoxa e reverente.

O recolhimento sabático a que o referido sacerdote foi submetido no ano passado chegará ao fim em 10 de abril. Até lá, não teremos como informar mais a seu respeito. Aos leitores que quiserem oferecer-lhe orações, terços, missas ou outros dons espirituais, pedimos que os mencione na caixa de comentários e os faremos chegar a pessoas próximas do padre.

Aos que quiserem recapitular os acontecimentos que culminaram no recolhimento sabático do padre Rodríguez, indicamos nossa última postagem sobre o assunto.

Tradução e legendas: Fabiano Rollim

25 fevereiro, 2015

Paulo IV e os hereges de seu tempo.

Por Roberto de Mattei | Tradução: Fratres in Unum.com – O Conclave iniciado em 30 de novembro de 1549, após a morte de Paulo III, foi certamente um dos mais dramáticos da História da Igreja. O cardeal inglês Reginald Pole (1500-1558) era apontado por todos como o grande favorito. Já haviam sido preparados seus paramentos pontifícios e ele já tinha mostrado para alguns seu discurso de agradecimento. Em 5 de dezembro, faltava-lhe apenas um voto para obter a tiara papal, quando o Cardeal Gian Pietro Carafa se levantou e, diante da assembléia surpreendida, o acusou publicamente de heresia, atribuindo-lhe, entre outras coisas, o fato de ter defendido a dupla justificação cripto-luterana, rejeitada pelo Concílio de Trento em 1547. Carafa era conhecido por sua integridade doutrinária e por sua piedade. Os sufrágios em favor de Pole desabaram e, após longas disputas, no dia 7 de fevereiro de 1550, foi eleito o cardeal Giovanni del Monte, que tomou o nome de Júlio III (1487-1555).

A acusação de heresia, que era lançada pela primeira vez contra um cardeal num conclave, refletia as divisões entre os católicos face ao protestantismo (cfr. Paolo Simoncelli, Il caso Reginald Pole. Eresia e santità nelle polemiche religiose del cinquecento, Edizioni di Storia e Letteratura, Roma 1977). Entre os anos trinta e cinquenta do século XV, as tendências heréticas haviam se espalhado no mundo eclesiástico romano e delas nascera o partido dos “espirituais”, representado por personagens ambíguos, como o cardeais Reginald Pole, Gasparo Contarini (1483-1542) e Giovanni Morone (1509-1580). Eles cultivavam um cristianismo irênico e propunham conciliar o luteranismo com a estrutura institucional da Igreja Católica. Pole havia criado um círculo heterodoxo em Viterbo; Morone, quando era bispo de Modena, entre 1543 e 1546, tinha escolhido pregadores que posteriormente foram processados por heresia. Os atos dos processos inquisitoriais contra o cardeal Morone (1557-1559), o bispo Peter Carnesecchi (1557-1567) e o humanista Vittore Soranzo (1550-1558), todos pertencentes ao grupo dos “espirituais”, publicados pelo Instituto Histórico Italiano da Idade Moderna e Contemporânea e pelo Arquivo Secreto do Vaticano, entre 1981 e 2004, mostram como foi densa essa rede de cumplicidades, vigorosamente combatida por dois homens – Gian Pietro Carafa, o futuro Papa Paulo IV, e Michele Ghislieri, futuro São Pio V –, ambos destinados a se tornarem Papas e convencidos de que os “espirituais” eram, na verdade, cripto-luteranos.

Gian Pietro Carafa havia fundado com São Caetano de Thiene a Ordem dos Teatinos e tinha sido escolhido por Adriano VI para colaborar na reforma universal da Igreja, interrompida pela morte prematura do Papa de Utrecht. Era principalmente ao cardeal Carafa a quem se devia a instituição do Santo Ofício da Inquisição Romana. A bula Licet ab initio, de 21 de julho de 1542, com a qual Paulo III, por sugestão de Carafa, havia criado esse órgão, era uma declaração de guerra à heresia. Guerra que alguns desejavam continuar até a extirpação total do erro, e com a qual outros queriam acabar em nome da paz religiosa.

Após a morte de Júlio III, os dois partidos entraram em confronto no Conclave de 1555. Em 23 de maio de 1555, o cardeal Gian Pietro Carafa foi eleito Papa, superando por uma diferença mínima o cardeal Morone. Ele tinha na época 79 anos e tomou o nome de Paulo IV. Foi um Pontífice intransigente, que teve como objetivo principal a luta contra as heresias e uma verdadeira reforma da Igreja. Ele lutou contra a simonia, impôs aos bispos a obrigação de residirem nas próprias dioceses, restaurou a disciplina monástica, deu um forte impulso ao Tribunal da Inquisição, instituiu o Índice de Livros Proibidos. Seu braço direito era um humilde frade dominicano, Michele Ghislieri, nomeado por ele Bispo de Nepi e Sutri (1556), Cardeal (1557) e Grande Inquisidor vitalício (1558), abrindo-lhe assim o caminho ao Papado.

No dia 1° de junho de 1557, Paulo IV informou aos cardeais que ordenara a prisão do cardeal Morone, sob suspeita de heresia. Ele havia encarregado a Inquisição de realizar o processo, cujos resultados deveriam ser levados ao Sacro Colégio. Paulo IV dirigia a mesma acusação ao cardeal Pole, que se encontrava na Inglaterra e que foi demitido de seu cargo de legado pontifício. O cardeal Morone foi preso no Castelo de Sant’Angelo e liberado apenas em agosto de 1559, quando, na véspera do julgamento, a morte do Papa permitiu que ele recuperasse a liberdade para participar do conclave.

Em março de 1559, poucos meses antes de sua morte, Paulo IV havia publicado a bula Cum ex apostolato officio, na qual abordou a questão da possível heresia de um Papa (cfr. Bullarium diplomatum et privilegiorum sanctorum romanorum pontificum, S. e H. Dalmezzo, Augustae Taurinorum, 1860, VI, pp. 551-556). Nela lemos, “que mesmo o Romano Pontífice, que atua na terra como Vigário de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo e possui poder total sobre todas as nações e reinos, e a todos julga sem poder ser julgado por ninguém, se for reconhecido que se desviou da fé, pode ser repreendido” e “se alguma vez acontecer que (…) antes de sua promoção a cardeal ou sua elevação a Romano Pontífice, tivesse se desviado da fé católica ou tivesse caído em alguma heresia (ou tiver incorrido em um cisma ou o tiver suscitado), é nula, inválida e sem valor a sua promoção ou elevação, mesmo se ela tiver resultado da aprovação e do consenso unânime de todos os cardeais”.

Esta bula repete quase textualmente o princípio canônico medieval de que o Papa não pode ser repreendido e julgado por ninguém, “nisi deprehandatur a fide devius” – a menos que se desvie da fé (Ivo de Chartres, Decretales, V, cap. 23 , coll. 329-330). Discute-se se a Bula de Paulo IV é uma decisão dogmática ou um ato disciplinar; se ela ainda está em vigor ou se foi implicitamente revogada pelo Código de 1917; se se aplica ao Papa que tenha incorrido em heresia ante ou post electionem, e assim por diante. Não entramos nessas discussões. A bula Cum ex apostolatu officio permanece um documento papal relevante que confirma a possibilidade de um Papa herege, embora não dê nenhuma indicação da modalidade concreta pela qual ele perderia o pontificado.

Depois de Paulo IV, em 25 de dezembro de 1559 foi eleito um Papa político, que tomou o nome de Pio IV (Giovanni Angelo di Medici Marignano – 1499-1565). Em 6 de janeiro de 1560, o novo pontífice decretou a nulidade do julgamento contra o cardeal Morone, reinstalando-o em seu cargo e colidindo de frente com o cardeal Ghislieri, considerado por ele um fanático da Inquisição. O Inquisitor maior et perpetuus foi privado dos poderes excepcionais conferidos pelo Papa Paulo IV e transferido para a diocese secundária de Mondovi. Mas, com a morte de Pio IV, Michele Ghislieri foi eleito Papa de forma inesperada em 7 de janeiro de 1566, assumiundo o nome de Pio V. Seu pontificado situou-se em plena continuidade com o de Paulo IV, retomando a atividade inquisitorial. Porém, o cardeal Morone, que como legado papal tinha aberto o Concílio de Trento em nome de Paulo III, e dirigido suas últimas sessões por mandato de Pio IV, obteve a suspensão de sua condenação.

A História da Igreja, mesmo nos momentos de mais áspero confronto interno, é mais complexa do que muitos podem crer. O Concílio de Trento, um monumento da fé católica, foi inaugurado e depois concluído por um personagem gravemente suspeito de heresia luterana. Quando morreu, em 1580, Giovanni Morone foi enterrado em Santa Maria sopra Minerva (seu túmulo não é mais reconhecível), a mesma basílica onde São Pio V quis levantar um mausoléu em honra de seu acusador, do qual iniciou o processo de canonização: o campeão da ortodoxia Gian Pietro Carafa, Papa Paulo IV.

24 fevereiro, 2015

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa em São Carlos, SP.

Mais uma Missa tridentina em São Carlos, no Santuário de Adoração.

Data: Domingo, 1ª de março de 2015

Horário: 11h.

Local: Santuário de Adoração São Pio X
Av. José Pereira Lopes, 386. São Carlos–SP
(ao lado do Seminário diocesano)
Mapa

24 fevereiro, 2015

Franciscanos da Imaculada: Golpe de cena, Padre Volpi rejeita o acordo que havia assinado.

Por Mauro Faverzani – Corrispondenza Romana | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Padre Fidenzio Volpi, Comissário imposto à Ordem Apostólica dos Frades Franciscanos da Imaculada, sempre consegue surpreender. Em 12 de fevereiro, assinou livremente um ato de mediação com a família do padre Stefano Manelli, fundador do Instituto, o qual evitou o “processo civil por alegada difamação pendente no Tribunal Ordinário de Roma, seção Civil I.”

E eis que já no dia 18 de fevereiro, apenas seis dias mais tarde, ele emite uma circular interna, publicada no site oficial da Congregação, em que retira tudo e comunica “a vontade de deixar de cumprir o acordo assinado, considerando-o já não mais válido devido a negligência grave da outra parte”. Não está claro e não explica o que seria essa  “violação grave”.

Que a notícia do acordo apareceria em tudo que é agência de notícias, sites e blogs de todo o mundo é mais que óbvio. Que nem todos a tenham divulgado com uma linguagem juridicamente apropriada, pode até ser. Mas não no nosso site. Nós apresentamos essa notícia nos termos apropriados. E para que não restem dúvidas, apresentamos o original, para que todos possam julgar e ver como estão as coisas. Mas tudo isso não tem nada a ver com o ato em si considerado. Ato que é ou não é. E, como tal, não é rejeitável segundo o que lhe der na veneta.

Com tal documento – repetimos, assinado livremente – Padre Volpi admitiu  “o não-envolvimento dos familiares do padre Stefano Maria Manelli, reafirmando a estranheza absoluta” dos mesmos “em qualquer operação considerada ilegal e, portanto, contestada pelo próprio Comissário Apostólico, sobre a alegada transferência da disponibilidade dos ativos do Instituto dos Frades Franciscanos da Imaculada”. Desmentindo assim suas declarações anteriores, de caráter totalmente oposto, contidas em uma carta de 8 de Dezembro de 2013. Declaração, agora mais uma vez afirmada em sua recente circular, na qual, contrariando a mediação de 12 de fevereiro, parece voltar às velhas acusações, julgando-as  imunes  de  “caráter de falsidade” e de fato “facilmente verificáveis”. Ou seja, a sua afirmação de que os “bens do Instituto” teriam sido colocados à disposição de terceiros, “entre outros, certos membros da família do Padre Manelli.”

Ora, então tecnicamente a rescisão do documento assinado na frente do mediador do Tribunal de Justiça, portanto, um oficial do judiciário, fica parecendo improvável, senão impossível. Nada parece atribuível aos familiares do Padre Manelli, então, rebus sic stantibus, salvo algumas cláusulas ou notas de rodapé, dificilmente a retirada anunciada poderá surtir algum efeito. De qualquer modo, resta a questão básica: é verdade ou não é verdade o que o Padre Volpi disse e assinou? Este é o único aspecto a considerar. Como Padre Volpi explica ter declarado seis dias antes a estranheza absoluta do envolvimento da família do Padre Manelli em “qualquer operação considerada ilegal, sobre a alegada transferência da disponibilidade dos ativos do Instituto dos Frades Franciscanos da Imaculada” e, seis dias mais tarde, declarar ser verdadeiro e verificável  que os bens do Instituto “foram colocados” à disposição, entre outros, de certos membros da família do Padre Manelli ? Tratando-se de duas versões diametralmente opostas, em qual das duas deveríamos acreditar?

Padre Volpi tecnicamente tem razão quando declara não ter sido jamais “condenado por qualquer crime, ou submetido a algum processo penal”. Mas isso simplesmente porque o ”acordo de mediação” aqui mencionado, e que foi assinado por ele, como ele mesmo admite, “tinha como único objetivo evitar a continuação do processo civil junto ao Tribunal de Roma, com os custos adicionais por conta do Instituto”. Despesas essas que, por sua vez, agora parece que o Instituto será instado a custear para levar avante uma questão que diz respeito unicamente às declarações escritas por ele em 2013 e que agora se veem novamente sujeitas a desagradáveis ​​consequências judiciais.

É realmente um triste cenário proposto pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, aquele em que, com o decreto n. 52741/2012, afastou os vértices dos Franciscanos da Imaculada e impôs Padre Volpi como comissário apostólico. O Secretário da Congregação, Dom José Rodriguez Carballo, permanece envolvido no maxi-escândalo que abalou a Ordem dos Frades Menores, um escândalo que levou a uma investigação da Procuradoria Suíça por tráfico ilícito com a apreensão de dezenas de milhões de euros, bem como a fiscalização do passivo sobre o hotel “Il Cantico” de Roma. Agora, Padre Volpi, que antes quis evitar a todo custo um processo por difamação ao assinar uma mediação, então — com a decisão, talvez um tanto demais   emocional e temperamental — retira tudo, considerando que já não é válida, como se o que ele declarou ontem não valesse mais hoje .

No último dia 22 de dezembro, Papa Francisco, nas saudações de Natal à Cúria Romana, defendeu uma Igreja de “saneamento” frente às “doenças da Cúria” – conforme definia, para incluir aí “fofocas, murmurações, maledicências” tanto quanto o “acumular” e muito, muito mais — Não teria então chegado o momento de começar a fazer a limpeza naqueles pontos que estão mais à sombra, naqueles onde melhor se esconde a sujeira? (M.F.)

24 fevereiro, 2015

Cresce o apostolado da Administração Apostólica São João Maria Vianney.

Por Manoel Gonzaga Castro | Fratres in Unum.com: No último dia 9 de fevereiro, Dom Fernando Arêas Rifan, bispo titular de Cedamusa e Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, celebrou a Santa Missa na Capela do Menino Jesus de Praga, que está localizada no centro de São Paulo e que já se consolidou como um ponto importante de irradiação da missa tridentina na capital paulista.

Dom Fernando Rifan e Papa Francisco.

Dom Fernando Rifan e Papa Francisco.

No sermão, o bispo pediu orações pelo apostolado da Administração Apostólica cuja presença tem sido solicitada em diversas partes do Brasil e cujo seminário, neste ano, conta com vinte e cinco novas vocações.

O responsável pelo apostolado da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney em São Paulo é o experiente sacerdote Jonas dos Santos Lisboa, por décadas pároco da pequena São Fidelis, no norte-fluminense, mas cuja missão em São Paulo contribuiu com a formação de outros sacerdotes para a celebração da Missa no Rito Tridentino: Dom Bruno Costa, jovem e combativo ecônomo do Mosteiro de São Bento — que em recente entrevista, provavelmente por influência de seu formador, declarou considerar Mons. Lefebvre “profético” –, e Padre Jefferson Pimenta, que atua na cidade de São Caetano do Sul (diocese de Santo André).

Ainda recentemente, Dom Odilo Cardeal Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, nomeou Padre Jonas como capelão da Santa Luzia, de modo que ele agora está responsável por toda a vida pastoral da capela — o que inclui o atendimento geral dos fiéis e celebrações segundo a forma ordinária.

Dom Fernando Rifan pediu também orações por sua viagem a Belém, PA, onde travará contato com Dom Alberto Taveira, arcebispo local.

Taveira já celebrou Missa Pontifical na forma extraordinária em 2010 com o Instituto do Bom Pastor. Todavia, um discurso por ele proferido no recém concluído Congresso Nacional da Renovação Carismática em Aparecida, SP, causou perplexidade entre os próprios carismáticos, que lamentaram o que entenderam como uma crítica do Arcebispo a uma guinada do movimento ao “conservadorismo”, com práticas como o uso do véu e a comunhão de joelhos. É de se esperar e rezar, portanto, que o contato de Dom Alberto Taveira com os chamados “tradicionalistas” possa ser útil à superação de alguns preconceitos muito comuns entre o clero brasileiro.

Capela do Colégio do Monte Calvário, em Belo Horizonte, lotada para a Santa Missa do último domingo.

Capela do Colégio do Monte Calvário, em Belo Horizonte, lotada para a Santa Missa do último domingo.

Em dezembro de 2014, também visitaram a capital do Pará o Superior do Instituto do Bom Pastor, Padre Philippe Laguérie, junto com o presidente da Associação Cultural Montfort, o Sr. Alberto Zucchi, o que é sinal da existência de um incipiente movimento tradicionalista na cidade.

O Administrador Apostólico informou também que se planeja realizar um Congresso Eucarístico em Belém em 2016 e que provavelmente ele será o responsável pela celebração da forma extraordinária nesse congresso.

Em tempo: no último domingo, 22, a Administração Apostólica disponibilizou dois sacerdotes para a missa tridentina na Capela do Colégio do Monte Calvário. Graças a Deus, apesar dos recentes reveses sofridos pelo movimento tradicionalista na capital mineira, os fiéis ligados à liturgia tradicional seguem sendo atendidos em Belo Horizonte. A celebração contou com aproximadamente 300 fiéis.

23 fevereiro, 2015

Cardeal Kasper diz que Lutero faz parte da «grande tradição» da Igreja na qual se inclui o Papa Francisco.

O L’Osservatore Romano publicou vários extratos do novo livro do cardeal Kasper dedicado ao papa Francisco. O Papa, segundo o purpurado alemão, é um radical no sentido de colocar ênfase nas raízes da mensagem do Evangelho e na alegria que o acompanha. O Santo Padre, assegura, «não defende uma postura liberal, mas radical» e não é «tradicionalista nem progressista». Kasper situa o atual pontífice numa lista de santos e doutores da Igreja entre os quais inclui ao heresiarca alemão Martinho Lutero.

Por CatholicCulture/InfoCatólica – Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.comCitando Nietzsche, Sartre, Heidegger e outros escritores dos séculos XIX e XX, o cardeal Kasper assegura que o homem moderno necessita de alegria. A mensagem do Evangelho traz renovação e alegria, é a fonte da qual brota «toda doutrina cristã e a disciplina moral».

LuteroAssim como o Evangelho é a fonte da doutrina, a caridade é a fonte da vida moral, indicou o purpurado. A ênfase do Papa sobre as raízes do Evangelho e da caridade, contudo, não «elimina a assim chamada verdade secundária ou incômoda,» nem muitas verdades «descartadas como menos obrigatórias».

O cardeal Kasper acrescenta que a ênfase do Papa na centralidade da proclamação da mensagem do Evangelho e da vida da caridade, situam-no dentro de uma «grande tradição» que inclui, de diversas maneiras, SantoAgostinho, São Francisco, São Domingo, Santo Tomás de Aquino, Martinho Lutero e o Concílio Vaticano II.

Opinião de Lutero sobre o Concílio de Trento

Martinho Lutero disse o seguinte sobre o Concílio de Trento, que ratificou a doutrina católica que os protestantes negavam:

“Haveria que fazer prisioneiro ao Papa, aos cardeais e a todos estes canalhas que o idolatram e o santificam; prendê-los por blasfêmias e logo arrancar-lhes a língua e colocá-los todos na fila da forca… Então se poderia permitir que celebrassem o concílio os que quisessem desde a forca, ou no inferno com os diabos”.

Tomado de “Lutero e a unidade das Igrejas (Card. Joseph Ratzinger)”

 

23 fevereiro, 2015

Francisco diz que a “Reforma da Reforma” está “equivocada”. Seminaristas “tradicionalistas” criticados, Papa diz que o “desequilíbrio” deles se manifesta na celebração da liturgia.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Grande parte da atenção da mídia ao encontro anual do Papa Francisco com o clero de Roma (realizado ontem, 19 de fevereiro) se concentrou em suas observações sobre os padres casados. De igual e possivelmente mais importância imediata foram suas observações sobre a liturgia, que acabam de ser publicadas pela agência de notícias ZENIT.

O Papa não poderia ter sido mais claro em sua visão da “Reforma da Reforma”. Ele fala da necessidade de uma ars celebrandi mais respeitosa, mas qualquer um que tenha realmente acompanhado os debates litúrgicos dos últimos 20 anos saberá que isso não é a mesma coisa que a “Reforma da Reforma”. Esperamos, sinceramente, que os “costumeiramente suspeitos” na blogosfera e nas redes sociais não ignorem essa conversa completamente nem tentem minimizar esse assunto criando explicações complexas de como o Papa “realmente queria dizer” algo diferente, ou que tudo isso não passa de boataria, uma invenção, ou seja lá o que for. Qualquer coisa que lhes permita manter as cabeças na areia!

O Papa critica a “Reforma da Reforma” de maneira notável e abertamente, mas ele não diz nada negativo a respeito do próprio Summorum Pontificum em si, muito pelo contrário. Todavia, a sua aparente condenação e palavras desdenhosas sobre os seminaristas diocesanos “tradicionalistas” não podem e não devem ser minimizadas como simplesmente fazendo referência ao comportamento imoral de alguns deles – comportamento que também pode ser encontrado, empiricamente com muito mais frequência, entre seminaristas não tradicionalistas. Ao designar especificamente as “liturgias” (Reforma da Reforma”?) celebradas pelos seminaristas “tradicionalistas”, uma vez ordenados, como a manifestação de seus “desequilíbrios” “morais e psicológicos”, fica claro que o alvo do Papa são os pontos de vista semelhantes aos tradicionais a respeito da sagrada liturgia de muitos jovens padres e seminaristas. Ao mencionar que a Congregação dos Bispos está conduzindo intervenções a este respeito, a mensagem enviada é clara e em bom tom: bispos, aceitem seminaristas com tendências “tradicionalistas” por sua conta e risco. Ao declarar abertamente que os problemas morais e psicológicos “acontecem com frequência” em “ambientes” tradicionalistas, aparentemente desprovido de misericórdia, doravante uma grande tarja poderá ser utilizada para denegrir esses jovens.

Reproduzimos abaixo a passagem relevante do relatório da Zenit, com os nossos destaques:

No entanto, alguns trechos do discurso do Papa foram liberados graças em parte a vários padres que falaram com a imprensa após a reunião. Alguns até mesmo conseguiram gravar as palavras do Papa. Além de várias frases relatadas por algumas agências de notícias italianas nesta manhã, o Pontífice de 78 anos abordou o tema, por exemplo, do “rito tradicional” com o qual Bento XVI concedeu a celebração da Missa. Através do Motu Propio Summorum Pontificum, publicado em 2007, o atual Papa Emérito permitiu a possibilidade de celebrar a Missa segundo os livros litúrgicos editados por João XXIII, em 1962, não obstante a forma “ordinária” de celebração na Igreja Católica continuar sempre aquela estabelecida por Paulo VI em 1970.

O Papa Francisco explicou que esse gesto por parte de seu antecessor, “um homem de comunhão”, foi concebido para oferecer “uma mão corajosa aos lefebvrianos e tradicionalistas”, bem como àqueles que desejavam celebrar a Missa de acordo com os ritos antigos. A chamada Missa “tridentina” – disse o Papa – é uma “forma extraordinária do Rito Romano”, aprovado após o Concílio Vaticano II. Assim, ele não é considerado um rito distinto, mas sim uma “forma diferente do mesmo rito”. (sic)

Entretanto, o Papa observou que há padres e bispos que falam de uma “reforma da reforma.” Alguns deles são “santos” e falam “de boa fé.” Mas isso “é um equívoco”, disse o Santo Padre. Então, ele mencionou o caso de alguns bispos que aceitaram seminaristas “tradicionalistas” que foram expulsos de outras dioceses, sem averiguar informações sobre eles, porque “eles se apresentavam muito bem, eram muito devotos.” Então, eles foram ordenados; porém, mais tarde ficou comprovado que eles tinham “problemas psicológicos e morais”. 

Esse não é o costume, mas “muitas vezes isso acontece” nesses ambientes, destacou o Papa, e ordenar esse tipo de seminaristas é como “hipotecar a Igreja.” O problema subjacente é que alguns bispos às vezes ficam sobrecarregados com “a necessidade de novos sacerdotes na diocese.” Portanto, não é feito um discernimento suficiente entre os candidatos, entre os quais alguns podem esconder certos “desequilíbrios” que então se manifestam nas liturgias. Na verdade, a Congregação dos Bispos – continuou o pontífice – teve que intervir com três bispos em três desses casos, embora eles não tenham ocorrido na Itália.

Durante o inicio de seu discurso, Francisco falou sobre homilética e a ars celebrandi, encorajando os padres a não cair na tentação de querer ser uma “estrela” no púlpito, talvez até mesmo falando de uma “maneira sofisticada” ou “com excesso de gestos.”

Todavia, os padres também não deveriam ser “chatos” ao ponto das pessoas “darem uma saidinha para fumar um cigarro lá fora” durante a homilia.

(Fonte: Pope Holds Two Hour Meeting with Roman Clergy)

22 fevereiro, 2015

Ocidentais juntam-se a milícias cristãs do Iraque para combater Estado Islâmico.

Por Jihad Watch | Tradução: Alexandre Oliveira – Fratres in Unum.com

Essas pessoas estão fazendo o que os governos do Ocidente pós-cristão não mostraram interesse em fazer: proteger os cristãos perseguidos pelo Estado Islâmico. Mas, uma vez que eles se identificam como cristãos, prepare-se para vê-los difamados e demonizados pela grande mídia e mostrados como o equivalente do Estado Islâmico: cristãos que cometem violência em nome de sua religião de um lado, e os muçulmanos que a cometem em nome de sua própria religião do outro. Que estes homens tenham ido lá para impedir atrocidades ao invés de cometê-las será algo encoberto e ignorado.

“Ocidentais se juntam a uma milícia cristã do Iraque para lutar contra Estado islâmico”, por Isabel Coles, Reuters, 15 de fevereiro de 2015:

 

 

(Reuters) – São Miguel, o arcanjo da batalha, está tatuado nas costas de um veterano do exército dos EUA, que recentemente voltou ao Iraque e se juntou a uma milícia cristã em luta contra Estado Islâmico, no que ele vê uma guerra bíblica entre o bem e o mal.

Brett, 28, carrega a mesma Bíblia de bolso desgastada de quando foi enviado ao Iraque em 2006 – uma imagem da Virgem Maria dobrada dentro de suas páginas e seus versos favoritos destacados.

‘Agora é muito diferente’, disse ele, questionado sobre até que ponto ambas experiências se comparam. ‘Aqui eu estou lutando por um povo e por uma fé, sendo que o inimigo é muito maior e mais brutal.’

Milhares de estrangeiros afluíram ao Iraque e à Síria nos últimos dois anos, principalmente para se juntarem Estado islâmico, mas um punhado de ocidentais idealistas estão igualmente se recrutando, citando a frustração de que seus governos não estão fazendo mais para combater os islamitas ultrarradicais ou para impedir a sofrimento de inocentes.

A milícia a que eles se juntaram é chamada DwekhNawsha – ou seja, ‘sacrifício de si’ no antigo idioma aramaico falado por Cristo e ainda usado por cristãos assírios, que se consideram como povos indígenas do Iraque.

Um mapa na parede no escritório do partido político assírio afiliado à DwekhNawsha marca as cidades cristãs no norte do Iraque, que se desdobram em torno da cidade de Mosul.

A maioria destas cidades agora está sob o controle do Estado Islâmico, que invadiu Mosul no verão passado e emitiu um ultimato aos cristãos: pagarem um imposto, converterem-se ao islamismo ou morrerem pela espada. A maioria fugiu.

DwekhNawsha opera ao lado das forças curdas Peshmerga para proteger aldeias cristãs na linha da frente na província de Nínive.

‘Estas são algumas das únicas cidades em Nínive, onde os sinos das igrejas ainda tocam. Em todas as outras cidades, eles se silenciaram, e isso é inaceitável’, disse Brett, que tem “O Rei de Nínive”, escrito em árabe na parte da frente de seu colete de exército…

Tim encerrou seu negócio de construção na Grã-Bretanha no ano passado, vendeu sua casa e comprou dois bilhetes de avião para o Iraque: um para si e outro para um engenheiro de software americano, com 44 anos de idade, que ele conheceu através da internet.

Os dois se encontraram no aeroporto de Dubai, voaram para a cidade curda de Suleimaniyah e pegaram um táxi para Duhok, onde chegaram na semana passada.

‘Eu estou aqui para fazer a diferença e, quem sabe, colocar um fim a estas atrocidades’, disse Tim de 38 anos, que já trabalhou no serviço de prisão. ‘Eu sou apenas um cara normal da Inglaterra realmente.’