“Esta é a Fé Católica: a não ser que o homem creia, não poderá salvar-se”.
Na festa dos grandes Santos João Fischer e Thomas Morus, apresentamos a nossos leitores algumas antigas anotações feitas da obra de Michael Davies, Saint John Fischer, The martyrdom of John Fischer, Bishop, during the reign of King Henry VIII, The Neumann Press, Long Prairie, Minnesota, 1998.
* * *
A maneira com que o clero rivalizava entre si para ver quem fazia mais os caprichos do rei foi, talvez, o fato mais desgostoso de toda a história do catolicismo inglês. Os bispos foram os líderes na corrida para capitular. O decano e capítulo de São João, Londres, não só jurou, mas afirmou que Henrique era o único “a quem, sozinho, depois de Jesus Cristo nosso Salvador, nós devemos tudo”.
O juramento exigido das ordens religiosas era ainda mais duro que do restante do clero secular: deviam reconhecer o casto e santo casamento entre Henrique e Ana.
Esperava-se que tal juramento colocasse fim nas ordens religiosas da Inglaterra. Tal esperança foi vã:
“Se as ordens religiosas são vistas como o exército permanente do Papado, nenhum exército já se rendeu tão facilmente”, escreveu o Padre Constant.
Os monges que resistiram podem ser contados à mão. Em 20 de abril de 1535, John Houghton, Augustine Webster e Robert Lawrence, os priores da Charterhouse de Londres, Beauvale e Axelhome foram presos. Juntou-se a eles depois Richard Reynolds, tido como o monge mais sábio da Inglaterra.
Os padres disseram que eram capazes de aceitar tudo o que fosse permitido pela lei de Deus. [Thomas] Cromwell respondeu:
“Eu não admito exceções. Se a Lei de Deus permite ou não, vocês devem jurar sem qualquer reserva que seja, e devem observá-lo também”.
Os monges objetaram que a Igreja Católica havia sempre ensinado o contrário, e tiveram por resposta:
“Eu não me importo em nada com o que a Igreja manteve ou ensinou. Quero que vocês testifiquem por juramento solene que crêem e firmemente sustentam o que nós propomos: que o Rei é o chefe da Igreja da Inglaterra”.
No julgamento, os monges reafirmaram que a supremacia do Papa era instituída por Nosso Senhor. Dois dos jurados se negaram a condenar padres de tão radiante santidade, apesar de ameaças de padecer o mesmo que os monges. Ameaçado, o júri relutantemente considerou os monges culpados. Deveriam ser enforcados, pendurados e esquartejados.
São Thomas Morus e sua filha Margaret testemunharam a triste procissão da janela de sua cela. Lágrimas vieram aos seus olhos vendo a cena. Disse o santo à Margaret:
“Veja, vossa alteza não vê, Meg, que esses benditos padres estão agora alegremente indo à morte como noivos a um casamento”.
Quando jovem, Morus aspirou à vida cartuxa, mas depois decidiu que esta não era sua vocação. Em sua grande humildade disse o santo que Deus estava chamando os monges à vida eterna como prêmio por darem suas vidas em grandes dificuldades, enquanto ele era indigno de tal graça e, portanto, era condenado a uma vida mais longa na terra.
Num ato de barbárie sem precedentes, os monges foram executados com seus próprios hábitos, já que se fossem culpados por traição deveriam ser reduzidos a estado leigo e executados com roupas civis; uma afronta à Igreja nunca vista na Inglaterra católica.
“Ao beato John Houghton Deus dignou-se conceder o sinal de honra em ser o primeiro homem desde os tempos pagãos a sofrer a morte na Inglaterra por ser católico. Após amavelmente abraçar o carrasco, que suplicou seu perdão, o santo mártir entrou na carroça que ficava debaixo da forca; e lá, à vista da multidão, lhe foi perguntado novamente se ele se submeteria à lei do reino, antes que fosse tarde. Nada amedrontado, respondeu: ‘Eu tomo Deus todo-poderoso por testemunha e suplico a todos aqui presentes para atestar por mim no terrível perigo de julgamento, que estando para morrer em público, declaro que neguei-me a obedecer a vontade de Sua Majestade o Rei, não por obstinação, malícia ou espírito de rebeldia, mas somente por medo de ofender à suprema Majestade de Deus. Nossa Santa Mãe decretou e impôs de outra forma que decretaram o Rei e o Parlamento. Estou, portanto, vinculado em consciência e pronto e desejoso a sofrer qualquer tipo de tortura do que negar a doutrina da Igreja. Rezem por mim, e tenham misericórdia de mim, irmãos, de quem fui indigno Prior”.
Rezando sua última oração, disse ele o Salmo 30:
“Em vós, Senhor, coloquei minha esperança; não seja eu desamparado: dai-me a vossa justiça”
Uma grossa corda foi escolhida, por medo de que ele fosse estrangulado e morresse muito rapidamente. A carroça foi retirada e o bom monge, que havia feito tanto bem a muitos e mal a ninguém, estava suspenso como um malfeitor. Após, a parte mais cruel: a corda foi cortada e o corpo caiu no chão, mas John não estava morto. O carrasco enfiou um longo e apavorante garfo, retirou seus intestinos e os queimou num fogo preparado para esta hora.
O pobrezinho estava consciente o tempo todo e enquanto sofria, ouvia-se clamar:
“Oh Santíssimo Jesus, tende misericórdia de mim nesta hora!”.
Quando o carrasco colocou sua mão no coração, o beato mártir falou novamente:
“Ó meu bom Jesus! O que vós fareis com meu coração?”
A batalha chegara ao fim. John Houghton foi fiel até o fim e ganhou a coroa da vida.
A todos os mártires era oferecido o pleno perdão se renunciassem sua Fé católica, mas todos preferiram a morte à apostasia. O coração de John Houghton foi esfregado em sua face. Os corpos foram esquartejados e depois pendurados em diversas partes de Londres.
* * *
Fisher recebeu a mesma sentença que os monges cartuxos.
“Meus senhores, estou aqui condenado diante de vós por alta traição por negar a supremacia do Rei sobre a Igreja da Inglaterra, mas por qual ordem de justiça deixo a Deus, que perscruta tanto a consciência de Sua Majestade como as vossas; não menos, sendo considerado culpado como consta nos termos, estou e devo estar satisfeito com tudo o que Deus enviará, cuja vontade eu inteiramente me entrego e submeto. E agora, para dizer claramente o que penso quanto a essa matéria da supremacia do rei, penso realmente, e sempre pensei, e declaro agora pela última vez, que Sua Majestade não pode justamente clamar qualquer supremacia sobre a Igreja de Deus como ele agora clama; nem fora visto ou ouvido que qualquer príncipe temporal anterior a estes dias presumisse a esta dignidade; entretanto, se o Rei irá agora se aventurar em proceder esse caso estranho e raro, então sem dúvidas ele incorrerá na grave ira do Onipotente, para grande dano de sua própria alma e de muitos outros, e para futura ruína deste reino a ele submetido; de forma que rezo para que Sua Majestade lembre-se em bom tempo e recupere o bom conselho para preservação de si mesmo, de seu reino e para tranqüilidade de toda a Cristandade”.
Com a sentença, muitos dos que lá estavam ficaram com lágrimas nos olhos. A sentença foi mudada pelo rei para a guilhotina, pois temia-se, por conta de sua saúde, que o bispo morresse a caminho de forca. O alívio do bispo em ver seu caso resolvido era tamanho que até conseguiu caminhar na volta para a torre, quando grande multidão o acompanhava como que numa procissão.
Uma notícia contemporânea afirmava que o bispo parecia voltar de uma festa; além disso, seu comportamento e gestos mostravam uma grande felicidade interior.
* * *
Toda depressão de alma que acompanhava o santo havia acabado. Na manhã do dia 22 de junho o tenente veio ao pé de sua cama e o pegou dormindo, trazendo a ele a notícia de sua execução. Quando soube que o horário marcado era às 10 da manhã, o Santo respondeu:
“Bem, então eu vos peço que me deixeis dormir uma ou duas horas, pois devo dizer que não dormi muito essa noite; e ainda, para dizer a verdade, não foi por algum medo da morte, mas por conta de minha grande enfermidade e fraqueza”.
E ele se virou e foi dormir novamente.
Quando foi acordado de novo, pediu ajuda para se levantar e para retirar a camisa de pêlos que ele sempre vestiu, [como forma de penitência], colocando uma camisa branca e suas melhores vestes.
“Vossa senhoria não percebe que esse é o dia de nosso casamento e que nós devemos, portanto, usar o branco para a solenidade do casamento?”
Saindo da Torre, encostou-se numa parede para se apoiar e abriu seu Evangelho, dizendo em vós alta:
“Esta é a vida eterna: que eles possam conhecer-Vos, o único verdadeiro Deus, e a Jesus Cristo que Vós enviastes. Eu vos glorifiquei na terra: eu terminei o trabalho que Vós me destes para fazer” (João, 17:3-4).
Fechando o livro, disse:
“Aqui está todo o conhecimento necessário para o fim de minha vida”.
Durante todo o percurso para a torre, seus lábios moviam-se em oração. Fez questão de não precisar de ajuda para chegar até o patíbulo.
O sol brilhava forte. Chegando, o carrasco, como de costume, ajoelhou-se pedindo perdão, no que o Cardeal respondeu:
“Eu vos perdôo de todo o coração e confio em Nosso Senhor que Ele me verá morrer vigorosamente”.
Foi dada a ele a última chance de reconhecer a supremacia do Rei, no que o santo respondeu:
“Povo cristão, eu venho até aqui para morrer pela fé na Igreja Católica de Cristo, e eu agradeço a Deus pois até agora minha coragem tem me servido bem para tal, de forma que até agora eu não temi a morte; portanto, desejo que me ajudeis e que me assistais com vossas orações, para que bem no momento e instante da pancada de minha morte eu então não me acovarde em qualquer ponto da Fé Católica por medo; e eu rezo a Deus para que salve o Rei e o reino, mantenha Sua Santa Mão sobre ele e lhe dê bom conselho”.
Por fim, ficou de joelhos, rezou o Te Deum e o salmo Em Vós Senhor coloquei minha confiança. Depois avisou o carrasco para vendar seus olhos, abaixou-se e colocou seu pescoço no bloco, no que o carrasco arrancou sua cabeça num único golpe.
Uma divina ironia fez com que a morte de São João Fisher ocorresse em 22 de junho, festa de Santo Albão, primeiro mártir da Bretanha. A roupa do condenado era uma das gratificações do carrasco, ficando o corpo do condenado deitado nu até que uma boa alma se apiedasse e o cobrisse.
O corpo foi enterrado nu, sem reverência alguma ao santo bispo. Os fiéis começaram a vir em grande número venerar o grande santo, e então o bispo foi transportado para a Igreja de São Pedro ad Vincula, próximo ao corpo de São Thomas Morus, que foi sentenciado em 1º de julho. Após a sentença, Morus afirmou abertamente que nenhum leigo poderia usurpar aquilo que foi dado a São Pedro por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Numa carta a Cromwell quinze meses antes, Morus expressou a Fé pela qual ele e Fisher morreriam:
“Esta é a Fé Católica: a não ser que o homem acredite, não poderá salvar-se”
São Thomas Morus foi executado em 6 de julho com a mesma coragem do santo bispo e dos cartuxos. Testemunhas oculares afirmam que ele demonstrou alegria diante da decapitação, afirmando que morria fiel ao Rei e como verdadeiro Católico diante de Deus.
A cabeça de São João Fisher foi colocada na ponte de Londres. Uma lenda diz que Ana Bolena foi a primeira a expressar deseja de vê-la. Olhando para a cabeça de forma satisfeita, afirmou:
“É esta a cabeça que tão freqüentemente exclamava contra mim?”
Diz ainda a lenda que ela cortou seu dedo em um dos dentes de John Fisher, ferimento que demorou a ser curado e lhe fez permanecer com uma cicatriz pelo resto de sua vida.
Mesmo que a história não seja verdadeira, ela mostra que o povo via Ana Bolena como uma nova Herodias e o santo como um novo São João Batista, que deu sua vida pela indissolubilidade do casamento.
Para maior vergonha do Rei, Deus fez que a cabeça de Fisher permanecesse incorrupta. Após 14 dias os guardas tiveram que retirá-la para colocar em seu lugar a cabeça de Thomas Morus, decapitado em 6 de julho.
Em 17 de dezembro de 1538 o Papa Paulo III publicou a bula que excomungava Henrique e colocou a Inglaterra sob interdito. Uma excomunhão anterior do Papa Clemente VII havia sido suspensa.
* * *
Em 19 de maio de 1935 a Igreja canonizou o santo bispo de Rochester, fixando sua festa, junto de S. Thomas Morus, no dia 9 de julho. De São João Fischer disse Monsenhor R. L. Smith:
“Nunca existiu um sacerdote mais verdadeiro que esse homem de Yorkshire tomado dentre os homens e ordenado para os homens nas coisas que pertencem a Deus, para que pudesse oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sua devoção no serviço de todos que eram dados aos seus cuidados, sua retidão de visão e de falar, seu amor por seu país e sua inabalável lealdade a Deus, tudo isso fez um caráter cuja delicadeza clamava aos homens de seus dias e manteve esse apelo pelos séculos. Um intelectual sem vestígio algum de orgulho, um bispo que sabia como governar sem arrogância, um conselheiro dos reis que sempre deu conselhos honestos, ele era todas essas coisas e muito além porque amava a Deus com toda a força de sua alma e amava o próximo por causa de Deus. Seus motivos não eram egoístas, sua visão era apurada, e na glória dessa visão ele andou sem hesitar o estreito caminho da verdade. ‘Bendito os puros de coração, pois eles verão a Deus”.
Motu proprio “Ecclesiae Unitatem”, a propósito da Comissão Ecclesia Dei [Tradução não-oficial].
LITTERAE APOSTOLICAE
MOTU PROPRIO DATAE
BENEDICTUS PP. XVI
1. O dever de guardar a unidade da Igreja, com a preocupação de oferecer a todos a ajuda para responder no modo oportuno a esta vocação e graça divina, pertence de modo particular ao Sucessor de Pedro, que é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, seja dos bispos, seja dos fiéis 1 . A prioridade fundamental e suprema da Igreja, em todos os tempos, de levar os homens ao encontro com Deus deve ser encorajada mediante o empenho de atingir o comum testemunho de fé de todos os cristãos.
2. Na fidelidade a tal mandato, em seguida ao ato com o qual o Arcebispo Marcel Lefebvre, em 30 de junho de 1988, conferiu ilicitamente a ordenação episcopal a quatro sacerdotes, o Papa João Paulo II, de venerada memória, instituiu, em 2 de julho de 1988, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, “com o dever de colaborar com os Bispos, com os Dicastérios da Cúria Romana e com os meios interessados, a fim de facilitar a plena comunhão eclesial dos sacerdotes, seminaristas, indivíduos ou comunidades religiosas, até então de vários modos ligados à Fraternidade fundada por Mons. Lefebvre, que desejassem permanecer unidos ao Sucessor de Pedro na Igreja Católica, preservando as suas tradições espirituais e litúrgicas, à luz do Protocolo assinado no último 5 de maio pelo Cardeal Ratzinger e por Mons. Lefebvre” 2.
3. Nesta linha, aderindo fielmente ao mesmo encargo de servir a comunhão universal da Igreja na sua manifestação também visível, e envidando todos os esforços para que a todos aqueles que verdadeiramente tenham o desejo da unidade seja possível nela permanecer ou reencontrá-la, quis ampliar e atualizar, com o Motu Proprio Summorum Pontificum, as indicações gerais já contidas no Motu Proprio Ecclesia Dei sobre a possibilidade de usar Missale Romanum de 1962, através de normas mais precisas e detalhadas 3.
4. No mesmo espírito e com o mesmo empenho de favorecer a superação de toda fratura e divisão na Igreja e de curar uma ferida sentida de modo sempre mais doloroso no tecido eclesial, quis remitir a excomunhão dos quatro bispos ordenados ilicitamente por Mons. Lefebvre. Com essa decisão, pretendi remover um obstáculo que poderia prejudicar a abertura de uma porta ao diálogo e convidar, assim, os bispos e a “Fraternidade São Pio X” a reencontrar o caminho em direção à plena comunhão com a Igreja. Como expliquei na Carta aos Bispos de 10 de março passado, a remissão de excomunhão era um procedimento no âmbito da disciplina eclesiástica para liberar as pessoas do peso de consciência representado pela censura eclesiástica muito grave. Mas as questões de doutrina, obviamente, permanecem, e até que sejam esclarecidas, a Fraternidade não tem um estatuto canônico na Igreja e seus ministros não podem exercitar de modo legítimo qualquer ministério.
5. Precisamente porque os problemas que devem agora ser tratados com a Fraternidade são de natureza essencialmente doutrinária, decidi – há vinte e um anos do Motu Proprio Ecclesia Dei, e conforme me era reservado fazer 4 – repensar a estrutura da Comissão Ecclesia Dei, ligando-a de modo estreito à Congregação para a Doutrina da Fé.
6. A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei terá, portanto, a seguinte configuração:
a) O Presidente da Comissão é o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
b) A Comissão tem um próprio quadro orgânico composto de Secretário e oficiais.
c) Será competência do Presidente, assistido pelo Secretário, apresentar os principais casos e questões de caráter doutrinário ao estudo e discernimento das instâncias ordinárias da Congregação para a Doutrina da Fé, e também apresentar os resultados às disposições superiores do Sumo Pontífice.
7. Com esta decisão quis, em particular, mostrar paterna solicitude para com a “Fraternidade São Pio X”, a fim de restabelecer a plena comunhão com a Igreja. Estendo a todos um apelo urgente para rezar ao Senhor sem cessar, pela intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, “ut unum sint”.
Dado em Roma, em São Pedro, em 2 de julho 2009, quinto ano do nosso Pontificado.
BENEDICTUS PP. XVI
_____________________________
1 Cfr CONC. ECUM. VAT. II, Cost. dogm. sulla Chiesa Lumen Gentium, 23; CONC. ECUM. VAT. I, Cost. dogm. sulla Chiesa di Cristo Pastor aeternus, cap. 3: DS 3060.
2 GIOVANNI PAOLO II, Litt. Ap. Motu proprio datae Ecclesia Dei (2 luglio 1988), n. 6: AAS 80 (1988), 1498.
3 Cfr BENEDETTO XVI, Litt. Ap. Motu proprio datae Summorum Pontificum (7 luglio 2007): AAS 99 (2007), 777-781.
4 Cfr. ibid. art. 11, 781.
COMUNICADO DO EMINENTÍSSIMO CARDEAL WILLIAM JOSEPH LEVADA POR OCASIÃO DA PUBLICAÇÃO DA CARTA MOTU PROPRIO “ECCLESIAE UNITATEM” DO SANTO PADRE BENTO XVI.
Conforme havia antecipado na Carta do Santo Padre aos Bispos da Igreja Católica acerca da remissão da excomunhão dos quatro bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre (10 de março de 2009), vem publicado em data de hoje a Carta Motu proprio “Ecclesiae unitatem“, com a qual é repensada e atualizada a estrutura da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, instituída pelo Papa João Paulo II em 1988.
Com o Motu proprio “Ecclesiae unitatem” vem primeiramente explicado a razão principal de tal reestruturação. A remissão da excomunhão dos quatro bispos lefebvrianos foi um procedimento no âmbito da disciplina canônica para liberar as pessoas do peso da censura eclesiástica muito grave, embora nela se reconheça que as questões doutrinárias permanecem e até que sejam esclarecidas a “Fraternidade Sacerdotal S. Pio X” não pode gozar de um estatuto canônico na Igreja e seus ministros não exercitam de modo legítimo qualquer ministério na Igreja. Assim, uma vez que os problemas são essencialmente de natureza doutrinária, o Santo Padre decidiu repensar a estrutura da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, vinculando-a estreitamente à Congregação para a Doutrina da Fé.
A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei mantém a configuração atual, com algumas alterações na sua estrutura, que nós resumimos aqui:
1) O Presidente da Comissão é o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
2) A Comissão, com um próprio quadro orgânico, é composta do Secretário e de Oficiais.
3) É dever do Cardeal Presidente, assistido pelo Secretário, relatar os principais casos e questões de caráter doutrinário ao exame e juízo da instância ordinária da Congregação para a Doutrina da Fé (Consulta e Membros da Sessão Ordinária / Plenária) e submeter os resultados às supremas disposições do Sumo Pontífice.
O Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e agora nomeado Presidente da Comissão Ecclesia Dei, manifestou a sua gratidão ao Santo Padre pela confiança demonstrada com esta decisão, assegurando ao Santo Padre, em nome dos Oficiais da Congregação para a Doutrina da Fé, empenho no diálogo doutrinal com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
O Santo Padre, com carta autógrafa, agradeceu cordialmente o Cardeal Darío Castrillón Hoyos, até então Presidente, por sua grande dedicação ao trabalho da Comissão Ecclesia Dei. Igualmente, o Santo Padre, através do Cardeal Secretário de Estado, agradeceu Monsenhor Camille Perl por tantos anos de serviço para a mesma Comissão. A tais agradecimentos se unido também o Cardeal Levada, estendendo aos Membros e Peritos da Comissão, cujos trabalhos serão agora retomados pelos membros da Congregação para a Doutrina da Fé assim como por peritos escolhidos conforme a necessidade de estudar questões específicas.

Mons. Guido Pozzo, novo Secretário da Comissão Ecclesia Dei.
Dando boas vindas à nomeação de Mons. Guido Pozzo como Secretário da Comissão, o Cardeal Levada ressaltou a preparação de Mons. Pozzo e o seu particular interesse pelas questões de competência da Comissão Ecclesia Dei. Até agora, Mons. Pozzo foi auxiliar de gabinete do Ofício Doutrinal da Congregação para a Doutrina da Fé e Secretário Adjunto da Comissão Teológica Internacional.
Com o Motu proprio hoje publicado, o Santo Padre quis mostrar solicitude particular e paterna para com a “Fraternidade São Pio X”, a fim de superar as dificuldades que ainda permanecem para a obtenção da plena comunhão com a Igreja.
Papa tem encontro privado com Fraternidade São Pedro.
Às vésperas da reorganização da comissão Ecclesia Dei, o que este encontro pode significar?

‹‹ Na segunda-feira, 6 de julho, o Santo Padre encontrou em audiência privada o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, pe. John Berg. O encontro ocorreu na biblioteca privada do Santo Padre no Palácio Apostólico. Depois do encontro, o Santo Padre teve o prazo de cumprimentar alguns dos membros fundadores da F.S.S.P e lhes agradeceu por seus trabalhos enquanto lhes dava um pequeno presente. ›› Fonte: Orbis Catholicus



Carta encíclica ‘Caritas in Veritate’ – sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade.

CARTA ENCÍCLICA
CARITAS IN VERITATE
DO SUMO PONTÍFICE
BENTO XVI
AOS BISPOS
AOS PRESBÍTEROS E DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
AOS FIÉIS LEIGOS
E A TODOS OS HOMENS
DE BOA VONTADE
SOBRE O DESENVOLVIMENTO
HUMANO INTEGRAL
NA CARIDADE E NA VERDADE
INTRODUÇÃO
1. A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. O amor — « caritas » — é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz. É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta. Cada um encontra o bem próprio, aderindo ao projecto que Deus tem para ele a fim de o realizar plenamente: com efeito, é em tal projecto que encontra a verdade sobre si mesmo e, aderindo a ela, torna-se livre (cf. Jo 8, 22). Por isso, defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de caridade. Esta, de facto, « rejubila com a verdade » (1 Cor 13, 6). Todos os homens sentem o impulso interior para amar de maneira autêntica: amor e verdade nunca desaparecem de todo neles, porque são a vocação colocada por Deus no coração e na mente de cada homem. Jesus Cristo purifica e liberta das nossas carências humanas a busca do amor e da verdade e desvenda-nos, em plenitude, a iniciativa de amor e o projecto de vida verdadeira que Deus preparou para nós. Em Cristo, a caridade na verdade torna-se o Rosto da sua Pessoa, uma vocação a nós dirigida para amarmos os nossos irmãos na verdade do seu projecto. De facto, Ele mesmo é a Verdade (cf. Jo 14, 6).
2. A caridade é a via mestra da doutrina social da Igreja. As diversas responsabilidades e compromissos por ela delineados derivam da caridade, que é — como ensinou Jesus — a síntese de toda a Lei (cf. Mt 22, 36-40). A caridade dá verdadeira substância à relação pessoal com Deus e com o próximo; é o princípio não só das micro-relações estabelecidas entre amigos, na família, no pequeno grupo, mas também das macro-relações como relacionamentos sociais, económicos, políticos. Para a Igreja — instruída pelo Evangelho —, a caridade é tudo porque, como ensina S. João (cf. 1 Jo 4, 8.16) e como recordei na minha primeira carta encíclica, « Deus é caridade » (Deus caritas est): da caridade de Deus tudo provém, por ela tudo toma forma, para ela tudo tende. A caridade é o dom maior que Deus concedeu aos homens; é sua promessa e nossa esperança.
Estou ciente dos desvios e esvaziamento de sentido que a caridade não cessa de enfrentar com o risco, daí resultante, de ser mal entendida, de excluí-la da vida ética e, em todo o caso, de impedir a sua correcta valorização. Nos âmbitos social, jurídico, cultural, político e económico, ou seja, nos contextos mais expostos a tal perigo, não é difícil ouvir declarar a sua irrelevância para interpretar e orientar as responsabilidades morais. Daqui a necessidade de conjugar a caridade com a verdade, não só na direcção assinalada por S. Paulo da « veritas in caritate » (Ef 4, 15), mas também na direcção inversa e complementar da « caritas in veritate ». A verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na « economia » da caridade, mas esta por sua vez há-de ser compreendida, avaliada e praticada sob a luz da verdade. Deste modo teremos não apenas prestado um serviço à caridade, iluminada pela verdade, mas também contribuído para acreditar a verdade, mostrando o seu poder de autenticação e persuasão na vida social concreta. Facto este que se deve ter bem em conta hoje, num contexto social e cultural que relativiza a verdade, aparecendo muitas vezes negligente senão mesmo refractário à mesma.
3. Pela sua estreita ligação com a verdade, a caridade pode ser reconhecida como expressão autêntica de humanidade e como elemento de importância fundamental nas relações humanas, nomeadamente de natureza pública. Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente. A verdade liberta a caridade dos estrangulamentos do emotivismo, que a despoja de conteúdos relacionais e sociais, e do fideísmo, que a priva de amplitude humana e universal. Na verdade, a caridade reflecte a dimensão simultaneamente pessoal e pública da fé no Deus bíblico, que é conjuntamente « Agápe » e « Lógos »: Caridade e Verdade, Amor e Palavra.
4. Porque repleta de verdade, a caridade pode ser compreendida pelo homem na sua riqueza de valores, partilhada e comunicada. Com efeito, a verdade é « lógos » que cria « diá-logos » e, consequentemente, comunicação e comunhão. A verdade, fazendo sair os homens das opiniões e sensações subjectivas, permite-lhes ultrapassar determinações culturais e históricas para se encontrarem na avaliação do valor e substância das coisas. A verdade abre e une as inteligências no lógos do amor: tal é o anúncio e o testemunho cristão da caridade. No actual contexto social e cultural, em que aparece generalizada a tendência de relativizar a verdade, viver a caridade na verdade leva a compreender que a adesão aos valores do cristianismo é um elemento útil e mesmo indispensável para a construção duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integral. Um cristianismo de caridade sem verdade pode ser facilmente confundido com uma reserva de bons sentimentos, úteis para a convivência social mas marginais. Deste modo, deixaria de haver verdadeira e propriamente lugar para Deus no mundo. Sem a verdade, a caridade acaba confinada num âmbito restrito e carecido de relações; fica excluída dos projectos e processos de construção dum desenvolvimento humano de alcance universal, no diálogo entre o saber e a realização prática.
O tabuleiro de xadrez das nomeações romanas: os “brancos” se impulsionam, os “pretos” resistem.

Monsenhor Juan Miguel Ferrer Grenesche, recém nomeado sub-secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.
(Osservatore Vaticano) Congregação dos Bispos: – Mons. Monterisi, um “preto”, secretário da Congregação dos Bispos, atingido por esta terrível moléstia que é a idade da aposentadoria, teve de renunciar. Mas foi elevado ao posto de arcipreste de São Paulo fora dos muros, que é uma função onde se torna cardeal. Nomeação que era esperada de um dia para o outro. Este fiel assistente do Cardeal Re não tem senão que apenas esperar o barrete vermelho para um consistório que poderia se realizar em junho de 2010 – Em contrapartida, a nomeação de seu substituto, como novo Secretário da Congregação dos Bispos, igualmente esperada, a do núncio na Espanha, Manuel Monteiro de Castro, um português, é considerada geralmente como a nomeação de um “branco”. É verdade, lhe censuram uma grande lentidão para instruir os processos de nomeação. É verdade que se deveria também ter em conta, na Espanha, a enorme influência do Cardeal Rouco Valera, arcebispo de Madri, um Cardeal Vingt-Trois espanhol mais combativo. Mas a inclinação natural de Dom Manuel o leva para os nomes dos episcopáveis verdadeiramente clássicos. Congregação do Culto Divino: O Cardeal Cañizares acaba de obter a nomeação como sub-secretário, ao lados de Mons. Ward, um “preto”, Mons. Juan Miguel Ferrer Grenesche, vigário geral de Toledo, homem muito erudíto nas coisas litúrgicas, em que tem toda confiança. Um “branco”, portanto (com um caso particular raríssimo: dois sub-secretários para uma mesma Congregação). Também favorável à forma extraordinária como Dom Antonio, seu Cardeal, Dom Juan Miguel realizou uma verdadeira “reforma da reforma” em Toledo. Com efeito, o antigo rito moçárabe (rito latino visigótico anterior à introdução do rito romano na Espanha e conservado graças à invasão muçulmana), que se celebra ainda em alguns raros lugares de Toledo e Salamanca, tinha sido reformado por bugninistas! Mons. Ferrer muito inteligentemente reformou esta reforma ao retroduzir sabiamente textos veneráveis. Eis uma Congregação cada vez mais homogênea para se ocupar de liturgia: o Cardeal Cañizares, Prefeito, Mons. Di Noia, Secretário, Mons. Ward e Mons. Ferrer, sub-secretários. Os mais otimistas (freqüentemente desiludidos) já fazem castelos de vento, é o caso dizê-lo, e imaginam que a prazo, um sub-secretário “preto” se ocuparia da forma ordinária, e um subsecretário “branco” da forma extraordinária. Um “preto” avança (muito). Dois “brancos”, ao que parece, tomam posição. E a seguir? Uma verdadeira campanha dos “pretos” orquestrada por certos setores do secretariado de Estado e pelo Cardeal Re, dos quais La Stampa (Marco Tosatti, inteiramente à sua devoção) se tem recentemente feito eco, sugere que o Santo Padre, para “blindar” sua Cúria, poderia não alterar (e sugere ao Santo Padre que não altere) nenhum chefe de dicastério que atingiu o limite de idade ou um início de limite de cansaço. Os “pretos”, muito gentis, propõem então que os “brancos” e “pretos” passem a sua vez… Hum! Hum! Eles vislumbram o que resultaria: isso manteria o Cardeal Rodé (Prefeito do Religiosos), um “branco”, prolongando os cardeais “pretos” Dias (Propaganda) e Levada (Santo Ofício), que são sem relevância porque os pobres estão ambos bem cansados, mas – este é objetivo da manobra – conservaria o Cardeal Re, um preto de preto, como Prefeito da nomeação dos bispos do mundo. A seguir…
Peace Bruder!
Um padre da Fraternidade está caminhando na rua enquanto reza o seu breviário quando é interpelado por um camarada sentado no parque que o vê passar. O camarada levanta para cumprimentá-lo e diz: “Olá, irmão, paz” [Peace Bruder]. O padre levanta os olhos e o corrige de maneira bem-humorada: “Nein, Pius Bruder“. [Não, irmão da FSSPX].
Segredo Vaticano, mas não muito – Os acadêmicos pró-vida recusam seu presidente.
Após nomear novo arcebispo de Recife Dom Fernando Saburido, que declarou deixar facilmente “de lado a política canônica” por ser “mais pastoral” que seu predecessor, esperamos verdadeiramente que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, tome as medidas necessárias para corrigir a lastimável série de afrontas à moral católica perpetrada pela própria Cúria Romana. De outra maneira, a aceitação da renúncia de Dom José num momento tão crítico (quando motivos menos importantes são suficientes para prolongar o governo de outros bispos que ultrapassam seus 75 anos), somada à nomeação de um bispo que fez rejubilar a corja do clero pernambucano, só poderia soar como uma chancela do próprio Papa a todos os desmandos desta que poderá se tornar a maior chaga de seu pontificado.
Abaixo publicamos importante artigo de Sandro Magister (tradução e comentários do blog Oblatvs):
Segredo Vaticano, mas não muito – Os acadêmicos pró-vida recusam seu presidente
Sobre os desenvolvimentos da controvérsia acesa pelo artigo do arcebispo Rino Fisichella sobre o caso da menina brasileira levada a abortar os gêmeos que trazia no ventre, www.chiesa deu informações no serviço disponibilizado na rede em 3 de julho: “O caso de Recife. Roma falou, mas o caso não está encerrado”.
Aos fatos públicos ali apresentados, acrescentem-se importantes movimentos nos bastidores.
O artigo de Fisichella – publicado em 15 de março na primeira página do “L’Osservatore Romano” – impressionou não somente pelo conteúdo e pela modalidade da publicação, mas porque o seu autor é presidente da pontifícia academia para a vida.
E então, 27 dos 46 membros desta academia escreveram em 4 de abril passado uma carta coletiva a Fisichella, pedindo-lhe que corrigisse as posições “erradas” expressas por ele no artigo.
Em 21 de abril, Fisichella responde-lhes por escrito, rejeitando o pedido.
Em 1º de maio, 21 dos signatários da carta precedente se dirigem, pois, ao cardeal William Levada, prefeito da congregação para a doutrina da fé, pedindo à congregação um pronunciamento esclarecedor sobre a doutrina da Igreja em matéria de aborto.
A carta foi entregue em 4 de maio, mas não recebeu resposta. Os autores souberam por um funcionário da congregação que a carta foi encaminhada ao Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, “uma vez que o artigo de Fisichella fora escrito a seu pedido”.
Dois membros da pontifícia academia para a vida transmitiram então diretamente ao papa um dossiê sobre o acontecido.
Em 8 de junho Bento XVI teria discutido o caso com Bertone e teria ordenado que fosse publicada uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja em matéria de aborto.
Mas tal texto ainda não viu a luz do dia. Há quem se oponha a que seja publicado no “L’Osservatore Romano”. E há quem desejaria que fosse transmitido por via reservada somente a um restrito número de destinatários: os bispos e os acadêmicos mais diretamente envolvidos na controvérsia.
[Comentário de Pe. Clécio]
Finalmente ficamos sabendo a pedido e sob autoridade de quem foi escrito o vergonhoso artigo de Fisichella. Os acadêmicos se moveram e levaram o caso a Levada que transmitiu “mateus” a quem o pariu. Como Bertone fez pouco do pedido, apresentaram o caso ao Papa, que decidiu: uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja.
Desnecessário dizer que tal declaração seria favorável a Dom José Cardoso Sobrinho e desmascararia a posição falsamente “pastoral” de Rino/Bertone. Cadê o texto?
Magister afirma que há quem se oponha a que saia no “L’Osservatore”. Por que razão o incógnito supõe que o jornal do Papa não seja adequado para publicar uma declaração que reafirme a doutrina da Igreja? Para não ferir sensibilidades prelatícias? Para não avechar o presidente da academia para a vida?
Lançar às feras um pobre arcebispo latinoamericano “sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” pode!
Fonte: Settimo Cielo
Tradução: OBLATVS
Dom Tissier de Mallerais: “Nunca assinaremos acordos”.
Entrevista concedida por Dom Tissier de Mallerais à La Vie, que nos chega via Rorate-Caeli:
[La Vie:] Como a Fraternidade São Pio X se prepara em vista das discussões teológicas que devem ocorrer com o Vaticano?
[Bishop Tissier de Mallerais:] « O Superior Geral da comunidade recentemente nomeou uma comissão composta de dez padres que são especialistas em doutrina. Eles estudaram teologia em Écône ou são professores em seminários; serão capazes de apresentar nossas críticas ao Concílio [Vaticano Segundo] e responder às objeções que lhes serão feitas. Os quatro bispos da Fraternidade estão igualmente envolvidos; terão uma função de supervisão. »
Será possível começar estas discussões tão logo Roma estabeleça a estrutura?
« Não, porque primeiro será necessário que nós determinamos a ordem na qual iremos nos aproximar de diferentes assuntos; será necessário avançar num nível crescente de dificuldade, e resolver um ponto após o outro. Nós proporemos nossos anseios. »
Quais são?
« É necessário começar pela liturgia; seria o [assunto] mais simples, porque será possível apontar a deficiência do novo rito das ordenações sacerdotais, por exemplo. Uma deficiência que, por outro lado, quando falamos da nova missa, inclui muita contradição, pura e simples; porque é uma nova teologia que é expressa, portanto uma nova religião. Mais tarde, deveria vir ecumenismo e liberdade religiosa; assuntos que são gravíssimos, pois estão ligados à fé. A questão da colegialidade dos bispos não pode vir senão no fim, porque é a mais difícil. »
Quando o senhor fala de estabelecer os argumentos, prevê a via do acordo que permitiria as suas posições e as de Roma coexistir?
« Nunca assinaremos acordos; as discussões não avançarão ao menos que Roma reforme suas posições e reconheça os erros aos quais o Concílio levou a Igreja. »
Enquanto o senhor espera a resolução dos conflitos, está aberto, como Dom Fellay [o Superior Geral] diz estar, à adoção de um estatuto intermediário para a Fraternidade?
« A condição sine qua non que consideramos sobre o status a ser dado à Fraternidade São Pio X é a resolução de nossos argumentos. Enquanto esperamos [isso], preservaremos o estatuto que é o nosso atual; não há urgência que demande seu desenvolvimento, e não mudaremos nada em nosso apostolado. Conseqüentemente, as discussões deverão e poderão levar o tempo que for necessário. »
D. Nicola Bux: “Por que o Santo Padre não age? Não pode impor a esses prelados a obediência?”.
Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Clemente Romano, ao falar das mortes dos apóstolos Pedro e Paulo, observa que a inveja de alguns na própria comunidade cristã facilitou-as. Após dois mil anos, o pecado está sempre presente nos homens. Há os que se alegram com o Magistério pontifício, mesmo porque colocou um freio na interpretação “descontínua” do Concilio Vaticano II, explicando que os conflitos disseminados na área da doutrina, da educação e da liturgia são o resultado de um mal-entendido e que o Concilio foi claro.Missa Tradicional no Rio de Janeiro, dia 11 de julho, na capela Nossa Senhora da Glória do Outeiro.
O leitor Alcleir Chagas nos informa sobre a celebração da Santa Missa no rito Gregoriano no Rio de Janeiro:

Dia: 11 de julho de 2009 às 12:30h (sábado)
Local: Capela de N. Sra. da Glória do Outeiro, no bairro da Glória
Celebrante: Mons Sérgio Costa Couto.
Conforme explica o leitor, trata-se do primeiro passo para a celebração regular da Santa Missa dominical por Monsenhor Costa Couto. Esperamos que outros padres cariocas possam se unir a este exemplo na difusão da verdadeira missa católica, já que, como determina o Papa Bento XVI, para tal “o sacerdote não necessita nenhuma permissão, nem da Sé Apostólica nem do ordinário” (Summorum Pontificum, art. 2º).





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honra a Deus, alegra os anjos, edifica a Igreja, ajuda os vivos, proporciona descanso aos defuntos e faz-se participante de todos os bens.
(Imitação de Cristo, Livro IV, Cap. V)