janeiro 27, 2012

Uma Igreja no Exílio (V): O choro amargo de Dom Antônio pelo seminário.

D

om Navarro começou sua atividade pastoral demitindo o chanceler da diocese e vigário da catedral do Santíssimo Salvador de Campos, Monsenhor Henrique Conrado Fischer, um amigo de Dom Antonio que por anos fora encarregado da supervisão dos assuntos diocesanos. Pouco depois, começou a acusar os padres da diocese de irregularidades econômicas. Ele sugeriu abertamente que muitos deles desviaram fundos para uso pessoal, venderam terras que não lhes pertenciam e auferiram ganhos pessoais com as vendas e encorajavam um boicote econômico ao novo bispo e à diocese. Essas acusações começaram a aparecer em revistas nacionais e circularam por todo o Brasil. Elas pararam abruptamente quando os padres da diocese deram a conhecer em uma “notinha” pública que, se o novo bispo continuasse a fazer tais acusações, poderia esperar ser desafiado aprová-las em juízo. Nada mais foi dito publicamente sobre esses assuntos, mas, é claro, os rumores continuaram a circular.

[...]

Uma forma de descontinuar a Missa Tridentina desde a fonte se tornou óbvia – parar de formar padres que celebram a Missa. Em uma visita ao seminário menor em Varre-Sai, em um período de férias enquanto ninguém estava no seminário há várias semanas, Dom Navarro se declarou chocado com o estado do velho prédio. Por muitos anos, aquele fora o seminário maior da diocese, antes de se tornar o seminário menor, quando Dom Antonio, em uma medida de precaução por ocasião de uma tentativa de dividirem a diocese e tomarem controle do seminário, transferiu o seminário maior para a cidade de Campos. Dom Navarro agora declarava que o velho prédio era “pior que Auschwitz”. Ele o fechou sumariamente. Os jovens seminaristas que esperavam retornar ao curso para continuar seus estudos em preparação ao sacerdócio – português, francês, latim, grego, história geral, história eclesiástica, matemática, geografia, religião, canto gregoriano e filosofia – descobriram, de repente, que estudavam em um dilapidado, velho prédio que era “pior que Auschwitz”. Absolutamente, eles se viram, de fato, tendo de estudar para o sacerdócio.

O passo seguinte veio sem surpresas. O novo bispo anunciou sua intenção de fechar o seminário maior em Campos. Quando Dom Antonio entregou seu molho de chaves do seminário a um representante do novo bispo, chorou abertamente, talvez a primeira vez que chorava em público desde a carta chegada de Roma anunciando a instituição do novus ordo missae.

The Mouth of the Lion: Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic Diocese. Dr. David Allen White, Angelus Press, 1993 – pág. 128-129 | Tradução: Fratres in Unum.com

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janeiro 26, 2012

Santa Sé: Nota de imprensa sobre o programa de televisão “Os intocáveis”.

Por Vatican Information Service | Tradução: Fratres in Unum.com

Cidade do Vaticano, 26 de janeiro de 2012 – Foi publicada, ao meio-dia de hoje, uma nota do Padre Federico Lombardi, S.I., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, a respeito do programa de televisão “Os intocáveis”, transmitido ontem à noite pela rede italiana “La7”. O Pe. Lombardi manifesta a “tristeza pela difusão de documentos reservados”, e assinala os “métodos jornalísticos discutíveis” com que foi realizado o programa,  que frequentemente fazem parte de um “estilo de informação agitador em relação ao Vaticano e à Igreja Católica”.

Da mesma forma, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé realiza duas considerações “que não tiveram espaço no debate”. Em primeiro lugar, “o trabalho levado a cabo por Mons. Viganò como Secretário-geral do Governo [do Estado da Cidade do Vaticano] teve, certamente, aspectos muito positivos, contribuindo a uma gestão caracterizada pela busca do rigor administrativo, da economia e da correção de uma situação econômica ao todo difícil. (…) Uma avaliação mais adequada requereria, todavia, ter em conta o andamento dos mercados e dos critérios das aplicações no curso dos últimos anos, assim como recordar também outras circunstâncias importantes. (…)

“Algumas acusações – inclusive muito graves – feitas durante o programa, em particular as relativas a membros do comitê de Finanças e Gestão do Governo e da Secretaria de Estado, comprometem a própria Secretaria de Estado e o Governatorato, que seguirão todas as vias oportunas, inclusive as legais, se necessário, para garantir a honra das pessoas moralmente íntegras e de reconhecido profissionalismo, que servem lealmente à Igreja, ao Papa e ao bem comum. Em todo caso, os critérios positivos e claros da correta e sã administração e de transparência nos quais se inspirou Mons. Viganò seguem sendo, certamente, os que guiam também os atuais responsáveis do Governatorato. (…) E isso é coerente com a linha de crescente transparência, confiabilidade e atento controle das atividades econômicas com que a Santa Sé está claramente comprometida”.

Em segundo lugar, “um procedimento de discernimento difícil sobre os diversos aspectos do exercício do governo em uma instituição complexa e articulada como o Governatorato – e que não se limitam ao justo rigor administrativo –  foi, entretanto, apresentado de modo parcial e banal, exaltando evidentemente os aspectos negativos, com o fácil resultado de apresentar as estruturas do governo da Igreja não tanto como afetadas pela fragilidade humana – o que seria facilmente compreensível – mas como caracterizadas profundamente por disputas, divisões e jogo de interesses. (…) Tanta desinformação certamente não pode ocultar o sereno trabalho diário em vista a uma transparência cada vez maior de todas as instituições vaticanas”. (…)

“Desta perspectiva, é necessário reafirmar decididamente que a nomeação ao encargo de Núncio nos Estados Unidos de Mons. Viganò, uma das tarefas de maior relevo de toda a diplomacia vaticana, dada a importância do país e da Igreja Católica nos Estados Unidos, é uma prova indubitável de estima e confiança por parte do Papa”.

janeiro 26, 2012

Entenda o caso Viganò.

Duas notícias para compreender o post “Grandes funerais na corte!” – Leia aqui.

janeiro 26, 2012

Grandes funerais na corte!

Por Francesco Colafemmina | Tradução: Fratres in Unum.com

Bertone comenta partida de futebol para televisão italiana.

Bertone comenta partida de futebol para televisão italiana.

Muitos de vocês viram na noite passada o programa de TV “Os Intocáveis”, comandado na La7 por Gianluigi Nuzzi. Tema da transmissão: a remoção de Monsenhor Carlo Maria Viganó, ex-secretário do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, pelo Cardeal Bertone e seus acolitos. Infelizmente para o Cardeal, e, ah!, para o Santo Padre, para defender a Santa Sé da acusação de ser uma espécie de pequena corte de mistérios, cheia de falsidades, inveja e chantagens, foi convidado ao estúdio o inculpável Professor Vian [ndr: editor chefe do L'Osservatore Romano]. Um homem de cultura, equilibrado, um professor e um jornalista do mais alto perfil que, no entanto, não tem uma grande familiaridade com o meio televisivo. Resultado: o escândalo não pode ser contido. Então podemos muito bem falar sobre isso. Comecemos de trás para frente…

No início de setembro de 2011, surgiu a notícia publicada inicialmente em Panorama sobre um “corvo no Vaticano”. Um misterioso autor anônimo de uma missiva cáustica contra o Cardeal Bertone. A carta começa com uma citação de São João Bosco: “Grandes funerais na corte!”. A citação dizia respeito a um “sonho ameaçador” do santo, que previu, em 1854, enquanto se discutia a abolição das ordens religiosas, mortes na família de Vittorio Emanuele II.

Apenas os fantasiosos leitores de Dan Brown poderiam imaginar, em setembro último, que por trás da citação havia uma atemorizante ameaça de morte ao Secretário de Estado. Na verdade, alguém preparava uma vingança e a explosão da “gangue” bertoniana no Vaticano.

Este alguém era próximo de Carlo Maria Viganò, Monsenhor do ferro, nomeado em julho de 2009 secretário do Governatorado e, posteriormente, “deposto” com uma carta de Bertone, de 13 de agosto de 2011, para Washington (EUA), como núncio apostólico.

Mas já havia sinais desta deposição desde, ao menos, o início de 2011. Em 5 de fevereiro, apareceu em “Il Giornale” um artigo praticamente anônimo que falava do desejo de Viganò de substituir o serviço de inteligência do Vaticano “interna”, confiado a “uma pessoa decente”, por um serviço a ser confiado a uma empresa externa. A pessoa decente seria o aretino Domenico Giani, e o Arcebispo vilão, Mons. Viganò: “Se teme pela segurança, pela confidencialidade; não agradam as iniciativas de quem está interessado em mudar um sistema que por anos tem funcionado e servido fielmente aqueles a quem, exclusivamente, deve responder. A inteligência do Vaticano é cuidada por um homem decente, que sabe muito bem quem são os seus superiores, mas a pressão exercida por um arcebispo para substituir o trabalho interno por  uma central de segurança de uma empresa externa está se tornando insustentável. Quem é este arcebispo de olhar sinistro, que lança a perturbação no santo condomínio? O nome é coberto pelo sigilo. Quem será?”.

O nome é o de Viganò, censurado pela acusação de ser um nepotista, por causa da presença no Vaticano de seu sobrinho, Carlo Maria Polvani. O artigo concluía: “O fato é que alguém do Palácio Apostólico, apaixonado por futebol, em algum momento intervirá para chamar o jogador com as palavras de um famoso treinador. É de se imaginar que o aviso será: ‘zeru tituli’ [ndr: “nenhum título”, referência à provocação feita por José Mourinho em 2009, então técnico da Internazionale de Milão, aos rivais Milan e Juventus. A frase ficou famosa pelo erro de pronúncia do técnico português; o correto seria zero titoli]. Em suma, mesmo no Vaticano, vale ainda a competência, princípio imperativo, especialmente em um ambiente em que o sigilo construiu a própria inviolabilidade”.

Eis que chega, então, o esportivo Bertone, que alerta Viganò e o manda embora… Mas quando a carta do “Corvo” chega em setembro, quem é chamado para investigar? Exatamente Domenico Giani, então ex-oficial da Sisde [ndr: Servizio per le Informazioni e la Sicurezza Democratica – o serviço de inteligência italiano]. Toda essa história nos mostra, então, um sistema feito de chantagens indiretas, de “dossiês”, de informações reservadas e cartas anônimas, que ameaça implodir. E o problema é que esse sistema coincide com o centro espiritual do catolicismo.

Sigamos em frente. No programa de ontem, foram mostradas inquietantes cartas escritas por Mons. Viganò ao Pontífice e ao Secretário de Estado. Espalhar estas cartas através da mídia certamente não é um método ortodoxo para comunicar seu desconforto. Assemelha-se mais a um  “acerto de contas”, mas não se diz que por trás do acerto de contas há um benefício em potencial para a Santa Sé e para o catolicismo. Porque é evidente que estas cartas foram difundidas hoje, há poucas semanas do anúncio do Consistório blindado pelo Cardeal Bertone. Constituem, assim, a abertura de uma verdadeira e própria guerra para o próximo conclave, na qual fica claro quem poderia sucumbir, mas não a face do potencial vencedor.

Esta guerra, no entanto, se estendeu por uma frente muito mais ampla do que podemos imaginar. E esta frente atinge o poder laico da Maçonaria, o poder das finanças, o poder da política (na verdade, muito reduzida em comparação com o passado). Monsenhor Viganò cita entre os artífices da conspiração para desacreditá-lo primeiro e, em seguida, destitui-lo, um tal de Marco Simeon. Menino prodígio ligado a Bertone e elevado às honras das manchetes em 2011 por seus contatos com o suposto chefe da [loja maçônica] P4, Luigi Bisignani. Simeon chamaria  Bisignani ao telefone de  “coach” (treinador). Mas já em 2010, como parte de outras escutas telefônicas para a gestão de contratos do G8 em La Maddalena, essa figura do “coach” aparece em uma comunicação entre Simeon e um terceiro. O objeto da discussão entre Simeon e Bisignani era um artigo do Espresso dedicado ao tráfego relacionado ao G8. E todos recordam que pelo escândalo dos contratos do G8 foi preso Angelo Balducci, então cavaleiro de Sua Santidade  e visitador frequente de Mons. Camaldo, cerimoniário do Papa, mais conhecido por um apelido irreverente que traz à mente o filme “Uma cilada para Roger Rabbit”. Camaldo, como apurou há alguns anos o procurador Woodcock,  estava envolvido em uma transação financeira para a compra de uma casa que pertenceu a Sophia Loren com o objetivo de torná-la a sede de uma associação maçônica. Camaldo está ainda entre os cerimoniários do do Papa.

Desses fatos surge a imagem de um Vaticano que não se ocupa em nada de religião, que não promove a fé, mas vive de chantagens, ludíbrios, corrupção e, às vezes, depravação. Surge a imagem de um Papa que não governa ou é colocado em condições de não governar. Surge a imagem de um Secretário de Estado onipotente que alimenta carreirismos e assuntos privados à sombra da cúpula. Esta é a imagem de uma hierarquia repugnante. E não importa se hoje quase nenhum jornal, mesmo aqueles online, falam do assunto, só porque foi dado o toque de recolher. Seria preferível se perguntar por que os jornais italianos, sempre prontos a falar mal da Igreja, hoje não estão interessados em um escândalo tão descarado. Saber que o Vaticano organiza um presépio na Praça de São Pedro pelo custo exorbitante de 550 mil euros é uma notícia fantástica! Da mesma forma como saber que o Vaticano, em 2009, perdeu 2 milhões e meio de dólares em uma única transação financeira equivocada… E estes dados estão contidos na carta do Monsenhor Viganò ao Papa.

Seria perverso e inútil defender o indefensável. Lançar o coro habitual sobre padres que são antes de tudo homens. A fumaça de Satanás realmente tem se infiltrado no Vaticano e, embora ainda existam muitos padres, bispos e cardeais dignos e talvez santos, eles estão sobrecarregados pela lamacenta crosta de interesses e privilégios que sufoca qualquer vislumbre de espiritualidade. Neste ponto, como simples católico, só posso esperar que os grandes funerais metafóricos se tornem reais. Que o escândalos façam uma faxina nos laços entre Igreja e poderes maçônicos. Muitos se escandalizarão, alguns perderão a fé, mas se não forem cortados os ramos secos e doentes, toda a planta acabará morrendo.

“Vi uma igreja estranha que era construída contra todas as regras… Não havia anjos para cuidar das operações de construção. Naquea igreja não havia nada que viesse do alto… Havia apenas divisão e caos. Trata-se provavelmente de uma igreja de criação humana, que segue a última moda, assim como a nova igreja heterodoxa de Roma, que parece do mesmo tipo…”.

(Profecia da Beata Anna Catarina Emmerich – 12 de setembro de 1820)

janeiro 26, 2012

Semana cheia na Cúria: Bispos Austríacos em Roma para encontro sigiloso.

Kath.net | Tradução: Fratres in Unum.com – Vários bispos austríacos, entre eles o Cardeal de Viena, Christoph Schönborn, o Arcebispo de Salzburgo, Alois Kothgasser, o Bispo diocesano de Graz, Egon Kapellari, e o bispo diocesano de St. Pöltner, Klaus Küng, estiveram em Roma na última segunda-feira para um “encontro sigiloso, informou o “Salzburger Nachrichten”.

O tema da conversa com diferentes representantes da Cúria romana foi a “Iniciativa anti-romana dos párocos”. No ano passado, o grupo causou certo alvoroço na Áustria com o “Apelo à desobediência”. A conferência episcopal austríaca criticou o apelo repetidas vezes.  Até agora o conteúdo do encontro não foi divulgado.

janeiro 25, 2012

Reunião na Congregação para a Doutrina da Fé analisa situação da FSSPX.

Fratres in Unum.com | A agência austríaca Kath.net informa que a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) iniciou ontem, terça-feira, a sua assembléia no Vaticano. A plenária será dirigida pelo Prefeito da Congregação, Cardeal William Levada. Pertencem também à Congregação para a Doutrina da Fé os Cardeais Kurt Koch e Walter Kasper, como peritos para o ecumenismo, bem como o Arcebispo de Viena Christoph Schönborn. Igualmente, o bispo de Regensbugo, Gerhard Ludwig Müller, de 64 anos, é membro da congregação e está cotado como um dos três favoritos para suceder Levada, na nomeação prevista para abril.

Um dos temas da assembléia seria, segundo Kath.net, o exame da questão envolvendo a Fraternidade São Pio X. O dicastério analisaria a resposta de Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade, relativa às condições formuladas pela Congregação de Levada para uma reconciliação.

Novas negociações ou uma ruptura definitiva?

Continua Kath.net: “A questão crucial é saber se as melhorias [no Preâmbulo Doutrinal] exigidas pelos lefebvristas serão consideradas alterações na causa ou meramente reformulações. No primeiro caso, a resposta romana provavelmente significaria a ruptura definitiva. No entanto, caso a maioria dos peritos da CDF esteja disposta a considerá-las como reajustes permitidos, isso soaria como uma nova rodada de negociações. O caminho do meio seria congelar a situação atual primeiro. A CDF identificaria uma discordância ainda existente em pontos essenciais, e isso explicaria porque a priori uma maior integração da Fraternidade na Igreja seria impossível. Assim ambos os lados  manteriam as aparências”.

janeiro 25, 2012

Cegueira voluntária.

Nem o frio nem a chuva demoveram os americanos — em sua maioria jovens — de marcharem na March for Life, manifestação que anualmente reúne cidadãos contrários ao aborto, no aniversário da decisão Roe v. Wade, que legalizou o aborto nos EUA em 1973.

E o episódio nos traz um outro exemplo, após a suposta citação do Papa, de como não se deve confiar irrestritamente na imprensa secular.

A agência France-Presse – AFP – noticiou que “centenas de pessoas pró-vida” participaram da marcha.

Centenas?

Centenas?

Esta mesma notícia, em sua veiculação acrítica pela imprensa brasileira, permaneceu alguns dias citando as tais “centenas” de manifestantes e incluindo entre eles alguns indivíduos “em defesa do direito ao aborto”, como que numa tentativa desesperada de minimizar a manifestação. Ao menos a seção portuguesa da agência acaba de corrigir o número de manifestantes para milhares.

Mas há algum espaço para dúvida quanto ao número dos pró-vidas manifestantes? As fotos falam por si. As estatísticas das últimas manifestações falam em 200 mil pessoas; algumas agências chegam a falar de até 400 mil. E o montante poderia ser ainda maior: estima-se que 54 milhões de crianças deixaram de nascer após a medida judicial.

Independente da cifra, reduzir tamanha manifestação a “centenas” de pró-vidas — acompanhados por alguns favoráveis ao “direito ao aborto”, tá bom? — tem um nome: canalhice.

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janeiro 24, 2012

Aos neocatecumenais, o diploma. Mas não o que eles esperavam.

A última ceia - obra de Kiko Argüello.

A última ceia - obra de Kiko Argüello.

IHU – A Santa Sé aprovou os ritos que marcam as etapas do catecismo neocatecumenal. Mas as peculiaridades com as quais celebram as missas ainda estão sob observação. Algumas foram permitidas. Outras não.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada em seu sítio, Chiesa, 23-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Antes da audiência com Bento XVI de três dias, dentro do Caminho Neocatecumenal, corria o boato de que, nessa ocasião, seriam definitivamente aprovadas as “liturgias” do movimento eclesial fundado por Francisco “Kiko” Argüello e Carmen Hernández.

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janeiro 24, 2012

Cañizares e a aprovação das celebrações neocatecumenais.

Por Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com

A Rádio Vaticano entrevista o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos sobre o decreto.

Creio que a relação entre catequese e liturgia no Caminho Neocatecumenal seja exemplar.” Afirmou o Cardeal Antonio Cañizares Llovera, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. “A aprovação deste decreto sobre as celebrações do Caminho Neocatecumenal contidas no ‘Diretorio Catequético’ é, para toda a Igreja, um reconhecimento da maneira de como a iniciação cristã deve ter sempre uma união entre a Palavra e as celebrações”.

Durante a entrevista à Rádio Vaticano, o purpurado espanhol recordou o catecumenato antigo, no qual as diferentes etapas estavam marcadas por celebrações específicas para cada momento do itinerário da iniciação, e indicou que no Caminho Neocatecumenou “se faz o mesmo hoje: por isso, não são etapas artificiais, não se trata de uma simples metodologia inventada pelos homens [caiu do céu, Eminência? Uma nova revelação?], mas que correspondem ao itinerário da conversão”.

A celebração da Eucaristia — indicou — no interior do itinerário próprio destas comunidades ocorre de maneira muito digna e bela, com grande sentido de fé, com espírito eclesial, festivo e litúrgico, com profundo ‘sentido do mistério e do sagrado’. A Palavra de Deus e a Eucaristia assinalam a prioridade de Deus, a iniciativa de Deus, e constituem a base e a fonte que dão vida, estímulo e força às comunidades, capacidade, vigor e liberdade para dar testemunho e evangelização”.

Por isso, ao concluir sua reflexão sobre a liturgia, o prefeito vaticano disse que “realmente devemos dar graças a Deus por este dom com que enriquece a Igreja, nascido na Espanha, mas de tanto e tão fecundo influxo no mundo inteiro”.

* * *

Celebração “digna e bela, com grande sentido de fé, com espírito eclesial, festivo e litúrgico” do “Caminho Neocatecumenal da Diocese de Franca, SP, em Lisboa, Portugal, na primeira Eucaristia [supomos que ao final da missa] celebrada em território Europeu por ocasião da Jornada Mundial da Juventude Madrid 2011″ (descrição do próprio Youtube) .

janeiro 23, 2012

Big Father.

Espanha: Padre se inscreve no programa Big Brother. Arcebispado publica sua suspensão a divinis.

Padre Juan Antonio Molina Sanz.

Padre Juan Antonio Molina Sanz.

BARCELONA, segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) – O arcebispado de Barcelona publicou em seu site um decreto dos Missionários do Sagrado Coração que suspende a divinis o padre Juan Antonio Molina Sanz, pertencente à congregação, enquanto ele mantiver o propósito de participar no programa televisivo Gran Hermano, versão espanhola do reality show conhecido no Brasil como Big Brother.

Juan Antonio Molina Sanz, 40, vive em Barcelona e se declara amante de motos, academias de musculação e heavy metal. Sua decisão não agradou nem sequer à sua família, de acordo com os meios de comunicação. Além de sacerdote, Molina também é professor.

O decreto publicado no site do arcebispado de Barcelona tem data de 19 de dezembro de 2011 e é assinado pelo superior geral dos Missionários do Sagrado Coração, Pe. Mark McDonald, e pelo secretário geral, Pe. Luis Carlos Araujo Moraes, que afirmam que, “depois de constatar que o Pe. Juan Antonio Molina Sanz expressou a vontade de participar do programa televisivo Gran Hermano contrariando uma ordem explícita do seu provincial, o Pe. Wifredo Arribas Sancho, e depois de informar ao Pe. Juan Molina por meio do seu provincial e diretamente por correio eletrônico sobre os efeitos negativos que essa participação poderia ter para ele próprio, para a congregação e para a Igreja, o abaixo assinado superior geral da congregação dos Missionários do Sagrado Coração, com o consentimento do Conselho Geral, reunido em 19 de dezembro de 2011, em Roma, declara o Pe. Juan Antonio Molina Sanz suspenso a divinis”.

O decreto detalha que esta punição “proíbe ao sacerdote todo trabalho pastoral com os fiéis, a celebração pública da Eucaristia e a pregação aos fiéis, e ouvir a confissão dos fiéis”.

“Esta pena”, prossegue o texto, “terá efeito a partir do momento em que o Pe. Juan Molina desobedecer à ordem do seu provincial e participar do programa televisivo”.

Trata-se de “uma sanção temporária, que tem como finalidade suscitar no Pe. Molina um desejo sincero de mudança e de conversão. Durará até a sua oficial revogação por decreto contrário”.

O Pe. Molina, de acordo com o mesmo documento, foi informado de que “os efeitos desta pena ficam suspensos toda vez que vier a ser preciso atender fiéis em perigo de morte, segundo o cânon 1335”.

O texto pede “às autoridades eclesiásticas, em particular aos bispos mais envolvidos no caso, que velem para que o Pe. Molina respeite este decreto no espírito em que foi emitido, isto é, visando a proteção dos fiéis e a sua própria conversão”.

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