Archive for ‘Igreja’

27 janeiro, 2015

Não é divórcio, mas é bem parecido.

Por Sandro Magister | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Ao inaugurar oficialmente o ano judiciário do Vaticano na última sexta-feira, 23 de janeiro, Francisco deu à Rota Romana – e consequentemente a todos os tribunais da Igreja Católica em todo o orbe terrestre – uma nova direção.

Esta é a direção que o papa já tinha em mente quando, pouco antes do sínodo sobre a Família em outubro passado, nomeou uma comissão encarregada de simplificar e facilitar os procedimentos dos processos de nulidade matrimonial.

Francisco não entrou no mérito das alterações processuais. Por exemplo, ele não disse se prefere que basta uma só sentença – ao invés de duas “compatíveis”, como é hoje — para se obter um reconhecimento de nulidade.

No entanto, ele deixou claro que espera uma facilidade universal de acesso aos tribunais e gratuidade generalizada para os processos.

Mas, acima de tudo, ordenou que se amplie os tipos de casamentos que preenchem os requisitos para um processo de validade, assumindo que o número dos inválidos é altíssimo devido principalmente à fraca fé dos contraentes.

Assim Francisco articulou seu discurso à Rota.

Ele começou por recordar qual é a tarefa dos tribunais eclesiásticos:

“O juiz é chamado a fazer sua análise judicial quando existe dúvida sobre a validade do casamento, para verificar se há um defeito de origem do consentimento, seja diretamente por defeito de válida intenção, seja pelo sério déficit na compreensão do matrimônio em si, de forma a determinar a vontade “.

Ele prosseguiu afirmando que hoje em dia os casamentos defeituosos em origem são muito mais numerosos do que no passado:

“A experiência pastoral nos ensina que existe hoje um grande número de fiéis em situação irregular, cuja história de vida teve uma forte influência da mentalidade mundana”.

Ele explicou que a invalidade de muitos casamentos deriva da pouca ou nenhuma fé dos contraentes:

“Por isso o juiz, ao ponderar sobre a validade do consentimento expresso, deve levar em conta o contexto dos valores e da fé – sua carência ou ausência – em que a intenção matrimonial foi formada. Na verdade, a falta de conhecimento dos conteúdos da fé poderia levar ao que o Código de Direito Canônico chama de erro determinante da vontade (cf. cân. 1099). Esta eventualidade não pode mais ser considerada como excepcional como era no passado, dado precisamente à prevalência freqüente do pensamento mundano sobre o magistéro da Igreja “.

Os tribunais eclesiásticos – prosseguiu – portanto, deverão se adaptar a esta nova realidade:

“Quanto trabalho pastoral para o bem de tantos casais e de tantos filhos, muitas vezes as vítimas destas situações! Aqui, também, precisamos de uma conversão pastoral das estruturas eclesiásticas. […] Eis a vossa difícil missão, assim como a de todos os juízes nas dioceses: não fechem a salvação das pessoas dentro das constrições do legalismo”.

E preparem-se de acordo:

“Se faz útil recordar a necessária presença em cada tribunal eclesiástico de pessoas competentes para prestar assistência e aconselhamento aos que cogitam sobre a possibilidade de apresentar uma causa de nulidade do matrimônio; ao mesmo tempo que é requerido a presença de oficiais estáveis, pagos pelo mesmo tribunal, que exerçam o papel de advogados”.

Melhor ainda se for grátis para todos:

“Eu gostaria de salientar que um número significativo de casos na Rota Romana são de assistência judicial grátis, favorecendo aqueles que devido às desfavoráveis condições econômicas em que se encontram, não podem arcar com as custas de um advogado. E este é um ponto que quero destacar: os sacramentos são gratuitos. Os sacramentos nos dão a graça. E um processo de nulidade matrimonial está ligado ao sacramento do matrimônio. Como eu gostaria que todos os processos fossem gratuitos!”.

Para registro, na Itália, é a Conferência dos Bispos que cobre a maior parte dos custos de um processo de nulidade. Para os que se valem dos advogados credenciados junto aos tribunais diocesanos, o custo de um processo é um pouco mais de 500 euros. Enquanto que para aqueles que se encontram em situação de pobreza, o processo mesmo agora é totalmente gratuito.

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26 janeiro, 2015

“Ordenada” a primeira “bispa” anglicana.

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Triste Inglaterra. Hoje foi “ordenada” a primeira “bispa” anglicana, Sra. Libby Lane, 48 anos, casada e mãe de dois filhos. No momento em que foi chamada pelo “bispo” para ser “ordenada”, uma voz corajosamente se levantou em meio à assembleia exclamando: “Não, não está na bíblia — disse um clérigo dissidente, Paul Williamson –, respeitosamente, Excelência, peço para falar sobre esse impedimento absoluto, por favor”. O vídeo pode ser visto aqui.

Rezemos pela conversão dos hereges e cismáticos.

26 janeiro, 2015

Em audiência, Papa recebe transexual no Vaticano.

Nota do Fratres: esperamos — mesmo!! —  o desmentido por parte da Sala de Imprensa da Santa Sé. Esperamos também, ansiosamente, a divulgação da data em que o Papa, misericordiosamente, receberá Dom Rogélio Livieres, bispo removido de Ciudad del Este.

* * *

(ANSA) – O papa Francisco recebeu no último sábado (24), em audiência privada, o transexual espanhol Diego Neria Lejarraga, 48 anos, e sua namorada, informou o jornal Hoy.

O encontro teria ocorrido após Lejarraga ter enviado cartas ao Pontífice para contar que estava sendo excluído de sua paróquia após ter feito a cirurgia de mudança de sexo.

Ainda de acordo com as informações do periódico, o homem contou ao líder da Igreja Católica que na sua cidade, Estremadura, ele foi proibido de comungar e que o pároco o chamou de “filha do diabo”.

Após receber a carta, Jorge Bergoglio ligou para Lejarraga no dia 8 de dezembro e, mais uma vez, dias antes do Natal, quando o convidou para ir ao Vaticano. Sobre o encontro, estritamente privado na residência de Santa Marta, as fontes oficiais da Santa Sé não quiseram se pronunciar.

Nascido em uma família católica, Diego nasceu menina e, assim como tantas pessoas que passam pela mesma situação, não se sentia uma mulher. Apesar de sempre ter contado com o apoio dos pais e da irmã, ele só fez a cirurgia de mudança de sexo aos 40 anos.

Bergoglio é conhecido por querer aproximar e dar uma maior abertura na Igreja para os homossexuais e os transexuais. Em julho de 2013, Bergoglio afirmou que “se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgá-la?” e no Sínodo Extraordinário sobre a família o tema chegou a entrar em discussão. (ANSA)

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26 janeiro, 2015

Papa em estado de graça.

O crédito de Francisco continua crescendo fora do Vaticano enquanto aumenta a perplexidade interna com sua forma personalista de exercer o poder.

Por Pablo Ordaz – El País: A chave está no poder. Os moralistas do século XVII afirmam que o poder é um hábito que se perde apenas com a morte. Joseph Ratzinger, no entanto, sentiu que a sua incapacidade de exercê-lo o estava asfixiando e, em um gesto desesperado – o único grito de um homem que jamais havia levantado a voz -, decidiu encerrá-lo. Jorge Mario Bergoglio não tem esse problema. É encantado pelo poder. Ama exercê-lo. E, se não fosse o suficiente, de Buenos Aires teve uma boa perspectiva para contemplar o que acontece com o Vaticano quando dois papas consecutivos – João Paulo II, durante sua longa doença, e Bento XVI, pela sua incapacidade para dar ordens – deixaram o destino da Igreja nas mãos de uma Cúria omissa, rachada e à mercê dos instintos mundanos. De forma que, à parte de isso estar mais ou menos de acordo com seus planos, já não há dúvidas no Vaticano que o hóspede de 78 anos, que cada madrugada acorda às quatro e meia, acende a luz do quarto 201 da residência de Santa Marta, reza durante duas horas, diz a missa às sete e toma café da manhã logo depois com grande apetite, está disposto a usar todo o seu poder para mudar a Igreja.

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26 janeiro, 2015

Foto da semana.

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Catedral da Sé, São Paulo, 25 de janeiro de 2015: O Prefeito Fernando Haddad (PT) comunga devotamente das mãos do Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, em Missa por ocasião do 461º aniversário da cidade de São Paulo.

25 janeiro, 2015

Os sinais.

raio-basilica1Os sinais têm se cumprido.

Os sinais têm se realizado. Que importa que os homens não os vejam? E, porventura, isso mesmo não está profetizado e não é outro Sinal, que os homens não os verão?…

A Igreja está enferma, a Igreja tem sido atacada por dentro.

A Igreja está enferma da mesma enfermidade que atacou a Sinagoga.

O mundo vai se parecendo cada dia mais ao mundo ao qual desceu o Filho de Deus doloroso: tanto na Igreja como fora dela. Paganismo e farisaísmo.

Não digo que tenha sucumbido na Fé, falhado na Fé, pois possui contra isso a infalível promessa divina.

Mas, Pedro pecou três vezes contra a Caridade; e Caifás profetizou criminalmente, para seu pesar. E assim será no fim.

E quando um enfermo diz que está enfermo não há que se duvidar, porque ele sente sua enfermidade.

E ele sente sua enfermidade, porque cada uma de suas células sente pertencer a um corpo que anda mal. E a maioria das células não pode dizê-lo.

Mas algumas podem. E essas são as células nervosas. Infelizes células nervosas!

Infelizes células nervosas, cujo único ofício é transmitir ao cérebro, e então a todo o corpo, que ele anda mal!

E se não transmitem, estão mortas. Para elas vale mais morrer que não transmitir.

Os sinais têm se cumprido. Eis aqui o que tenho que transmitir sob pena de morte interna. Os sinais têm se cumprido.

(Padre Leonardo Castellani, Los papeles de Benjamín Benavidez,  Parte Segunda, Los Septenarios – Fonte: Panorama Catolico | Tradução: Airton Vieira de Souza – Fratres in Unum.com)

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24 janeiro, 2015

Eu vos explico os Cleaners.

Por Frei Clemente Rojão – Muitos me perguntam o que é “Cleaner”. Abaixo descrevo o Cleaner ideal. Não existe um cleaner ideal, mas diversos estágios desta – parafraseando nosso papa Francisco sentando o relho na Cúria Romana – “doença espiritual”.
Cleaners – “limpadores” – são os católicos com uma concepção errada de Igreja, que julgam que se deve defender tudo o que o papa diz, mesmo quando agride o senso da fé dos fiéis e o próprio magistério da Igreja, mesmo que fale de improviso e num ambiente hostial da imprensa mundana. Cleaners se dedicam a piruetas mentais para defender tudo o que é dito e feito, mesmo que isto exija duplipensar a maneira orwelliana de 1984. Os Cleaners seguem a máxima de Groucho Marx “Você vai ter coragem de deixar de acreditar em mim para acreditar no que dizem seus olhos???”
Cleaners não entendem a Infalibilidade Papal nem suas restrições. Eles não compreendem a diferença entre atos administrativos e doutrina. Para eles, mover um bispo de diocese é tão infalível quanto proclamar a natureza de Cristo. Cleaners as vezes confundem o síndico de um prédio com seu engenheiro.
Os Cleaners são mestres em atacar o mensageiro. A culpa é sua se reclama, não de quem fala torto lá do alto da cátedra. A culpa é sempre da Veja, da Folha, do Frates in Unum, do Socci e os suspeitos de sempre, nunca do pontífice que solta a pérola. Cleaners também são mestres em italiano para tentar arrumar traduções semânticas para dizer que não é bem assim como foi noticiado. Farão longos tratados de doutrina para explicar. Acho isso nobre. Mas, convenhamos, precisa mesmo explicar um pontífice? E porque só este precisa?Cleaners apresentam como evidência para defender o pontífice de alguma declaração completamente diferente que ele disse lá atrás e perdem de vista o principal: Como pode um pontífice romano ser tão contraditório, então? O que está havendo?

Para os Cleaners, São Paulo e Santa Catarina de Siena, que contestaram as atitudes dos pontífices de sua época, estavam errados. Lógico que eles não admitem isso por causa do “São” na frente, mas na prática é isso mesmo.
Cleaners não conhecem a História da Igreja nem suas regras disciplinares. Cleaners acham que sempre um santo é eleito papa, quando na verdade – infelizmente – não é, nem nunca Jesus prometeu isto. Se os Cleaners vivessem no pontificado de Estevão IV, diriam que exumar e julgar o cadáver de seu antecessor estava muito correto mesmo. Se os Cleaners vivessem no pontificado de Alexandre VI diriam que todo católico tem obrigação de beber o vinho servido pelo papa.
Os Cleaners são um fenômeno do pontificado de Francisco. Antes dele não havia necessidade de consertarem o que o papa disse. Havia alguma incompreensões as vezes, havia perseguição na imprensa, mas não havia escândalo sistemático e periódico em cada declaração do pontífice.
Cleaners têm senso de matilha, e atacam como hienas (apenas não riem). De alguma maneira foram treinados para atacar em grupo e em massa os inimigos do grande líder, que ousam fazer observações sobre o Grande Guia. Cleaners possuem esta visão soviética e muçulmana do pontífice. Cleaners não gostam de pensamento independente.
Secretamente os Cleaners devem invejar a disciplina férrea que impera entre os xiitas iranianos com seu aiatolá ou no estado islâmico com seu mulá Al Bagdhadi.
Enfim, Cleaners não querem um pontífice romano, com todos seus defeitos e erros, como todo filho de Adão. Querem um macho alpha incontestável para liderar sua matilha.
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23 janeiro, 2015

Paternidade responsável, pastoral a caminho.

Para o jornal da Conferência Episcopal Italiana, as recentes declarações do Papa Francisco relançariam  as orientações da Humanae Vitae com aquele “abraço acolhedor daquela ternura”. Muita ternura, não é mesmo, senhoras coelhas irresponsáveis? 

* * *

Por Avvenire | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Família, novas palavras para a reviravolta pastoral. Depois do fermento de renovação espalhado na “fase 1″ do Sínodo das Famílias no outubro passado, o Papa falando a repórteres no avião que o levava de volta a Roma após a viagem às Filipinas, endereçou o tema da maternidade e da paternidade responsável tomando como ponto de partida a encíclica Humanae Vitae de Paulo VI. Não para diminuir a sua importância ou para redefinir o seu significado, mas para atualizar sua tradução pastoral. “Palavras proféticas”, sublinhou Francisco. Um projeto que adquire nova força à luz da nova pastoral do acolhimento e da misericórdia. As indicações corajosas da encíclica de Papa Montini sobre o exercício da maternidade e da paternidade responsável, repropostas pela “Igreja hospital de campanha”, conserva intacta a sua capacidade de ir contra a corrente. Uma força da verdade que tanto hoje como naquele tempo se opõe, à luz do Evangelho e da sabedoria humana, às mentiras de uma certa cultura dominante.

“É como um poderoso tapa em todas as ideologias”, argumenta Don Paolo Gentili, diretor nacional da secretaria da CEI ( Conferência dos Bispos Italianos) para a família, que relê as palavras de Francisco com a sensação de que se está a meio caminho entre a leveza do entusiasmo e o peso da responsabilidade. Entusiasmo, porque o que o Papa disse sobre a paternidade responsável abre um debate importante. Um debate que ficou por muito tempo adormecido debaixo de um cobertor pesado de silêncio e indiferença, e que se tornou amadurecido até mesmo em nossas comunidades.

As ideologias que Francisco aponta como perigos graves, contra as quais se faz necessário concentrar esforços e atenção – explica Don Gentile – são pelo menos três: aquela  “ideologia do gênero” que busca destruir a família por dentro ao remover suas bases antropológicas do plano da natureza para o da cultura arbitrária, e também a ideologia da família “obrigatoriamente numerosa sem o exercício da responsabilidade” ou – pelo contrário – aquela outra que levaria a uma rejeição da procriação de acordo com uma insensata  “cultura do bem-estar que entorpece”.

Os muitos movimentos NO KIDS, que foram surgindo especialmente em ambientes anglo-saxões e que são olhados com certa simpatia por certos setores radicais e progressistas até mesmo dentro de nossa casa, demonstram que o risco do egoísmo elevado a modelo de vida está sempre presente. E o peso da responsabilidade? “Está relacionado aos novos caminhos pastorais incentivados e que agora, de fato, se tornaram urgentes e irrevogáveis – diz o diretor da secretaria para a família – a partir da leitura das palavras de Francisco.”

Trata-se de propostas capazes de colocar verdadeiramente no centro a responsabilidade do casal e da família, solicitando dos cônjuges aquela capacidade de serem “sujeitos pastorais”, a qual  deriva diretamente do sacramento do matrimônio.

O caminho para conseguir compor esta sábia integração pastoral – que retoma as orientações da encíclica Humanae vitae, e as relança com o abraço acolhedor daquela ternura que não tem medo de lidar com as feridas e a fragilidade – é a redescoberta do filho como dom. E a responsabilidade do acolhimento desse dom não deriva de uma relação acrítica de indicações que têm o sabor de “postos aduaneiros” onde é preciso mostrar permissão, mas da adesão inteligente a um projeto de vida que não considera tanto a rigidez da letra, segundo as palavras de São Paulo, mas sim o dinamismo do Espírito, o coração e a determinação comum de construir um futuro bom para todos.

Nessa chave seria enganoso pensar que falar sobre maternidade e paternidade responsável é o mesmo que rejeitar as famílias numerosas.

Menos de um mês atrás, falando às associações européias de famílias numerosas, foi o próprio Francisco que disse: “Em um mundo marcado pelo egoísmo, vocês são escola de solidariedade e partilha.”

O não às “famílias-coelhos”, de acordo com a expressão colorida do Papa, deve ser entendida como uma exortação, tanto mais eficaz pelo imediatismo da linguagem, à busca de um equilíbrio mais consciente no exercício da sexualidade conjugal,  que deverá ser sempre proporcional – como indicado por Paulo VI – aos processos biológicos, à atração erótica natural, às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais.

A palavra da Igreja não é um código a ser respeitado mediante sanções e ameaças, mas um convite à redescoberta de nossa humanidade mais autêntica, que é a verdade inscrita pelo Criador no fundo do coração. “Acompanhar os casais para que possam redescobrir esta verdade – observa ainda Don Gentili – significa retomar pelas mãos e sem moralismo aquela lei da gradualidade que João Paulo II havia indicado na Familiaris Consortio, e que infelizmente não tivemos a força e a capacidade de traduzir em prática pastoral».

Em outras palavras, de acordo com as indicações várias vezes enfatizadas por Francisco, isso significa tomar os casais pelas mãos sem julgar seu estado de vida, mas acolhendo o que existe de positivo em cada relacionamento entre homem e mulher baseado na  responsabilidade, planejamento e respeito mútuo.

Estamos realmente diante de uma reviravolta? “Basta reler o resultado das 47 perguntas do questionário distribuído tendo em vista o Sínodo Ordinário do próximo mês de Outubro – concluiu Don Gentile – para perceber que o caminho tomado tem um desenvolvimento racional. O que disse o Papa disse anteontem é a confirmação de um projeto que vai ajudar muitas famílias a reencontrar o caminho do Evangelho”.

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23 janeiro, 2015

Pastoral da Juventude Revolucionária.

Por Hermes Rodrigues Nery – Fratres in Unum.com: Para prestigiar o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, realizado em Manaus, de 11 a 25 de janeiro, o Vaticano enviou uma carta1 do Papa Francisco dirigida, com afeto, a Aline Ogliari e Alberto Chamorro, dirigentes da Pastoral da Juventude, agradecendo, através da carta, de participar “deste grande e bendito encontro”2, “a partilhar ‘a vida, o pão e a utopia'”3. E concluiu a missiva, dizendo: “Joguem a vida por grandes ideais. Apostem em grandes ideais, em coisas grandes; não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, mas para coisas grandes!.”4

PJ GuevaraSe todos são escolhidos para ser grandes, o que dizer daquilo que afirmou Santa Teresinha: “Se todas as florinhas quisessem ser rosas, perderia a natureza as suas galas primaveris e os campos os esmaltes das suas boninas”5. E ainda: “O amor de Nosso Senhor tanto se revela na alminha mais simples, que nenhuma resistência opõe às suas graças, como nas almas que em vôos sublimes se remontaram à perfeição”6. Mas, Bergoglio exorta os jovens a apostar em “coisas grandes”7.

Para quem escreve o Vaticano?

Para a jovem Aline Ogliari, 23 anos, que em sua página no facebook, naquele mesmo dia fazia a seguinte apologia: “Viva Evo Morales!!! Seguimos adelante, nuestra Pátria Grande!”8

A mesma Aline, secretária nacional da Pastoral da Juventude, que apoiou Dilma Roussef nas eleições de 2014 e afirmou numa carta9 aos jovens participantes do 11º encontro nacional que “vários movimentos juvenis foram agentes fundamentais na reeleição da presidenta Dilma, porque acreditaram que o projeto político vencedor representava de forma mais clara a linha de avanços nos campos sociais e na garantia dos direitos, e o projeto popular em curso na América Latina.”10 Reconhece, naquele mesmo documento, “a capilaridade da PJ”11, como uma “das maiores organizações juvenis do Brasil”12, a defender as seguintes bandeiras:

“…a luta contra a violência e o extermínio da juventude, expressa na Campanha Nacional Contra a Violência e Extermínio de Jovens; a luta contra a redução da maioridade penal; o fim dos autos de resistência; a desmilitarização da polícia; a defesa integral dos direitos das juventudes, respeitando sua imensa diversidade; a democratização da mídia; e o fortalecimento dos instrumentos de participação popular, que estimulam e valorizam o engajamento e a construção concreta, tanto a partir dos mecanismos formais, como também pelas novas formas de participação – pela internet, pela expressão cultural, pela experiência comunitária.”13

E mais:

“Nos unimos também a outros movimentos sociais que lutam pelo direito à terra, à moradia e aos direitos básicos previstos, além da luta pela Reforma Política, pilar fundamental para o avanço verdadeiramente popular e democrático, e base de tantas outras reformas necessárias.”14

E completa:

“Temos ainda a luta pela igualdade de gênero que precisa ser fortalecida em todos os espaços. Enquanto estivermos junto à juventude, não nos faltará pelo que lutar.”15

Num outro artigo, intitulado “Organizando a esperança”16, publicado no site da Pastoral da Juventude, Aline Ogliari disse ter ficado profundamente indignada com “os discursos vazios de ódio contra o PT e a Dilma”17 e do “conservadorismo ao extremo”18 da campanha eleitoral de 2014.

Mas, afinal, ela acredita na força da Pastoral da Juventude para mover o projeto revolucionário, não só no Brasil, mas em toda a América Latina, pois, não foi o que o próprio Bergoglio pediu aos jovens, na Jornada Mundial da Juventude de 2013, quando disse: “sejam revolucionários”19?

Por isso, Aline disse, com convicção:

“O sonho de um mundo de liberdade deve ser permanente! Ele revela o nosso jeito, a nossa genética, e fala da essência juvenil que é a intensidade, a ousadia, a rebeldia. Construir o Reino de Deus é um ato de resistência de quem insiste em sonhar, de subversividade de quem, dentro desse sistema, anda na contramão.”15 E assim, concluiu: “não pedimos licença a ninguém para construir o Reino. Essa deve ser uma das nossas alegrias!”20

Foi à jovem Aline, revolucionária, eleitora do PT e de Dilma, que atua pela reforma política que favorece o projeto bolivariano da Pátria Grande, que o Vaticano escreveu, com toda a estima, estendendo o elogio aos jovens revolucionários da PJ: “tenho muita esperança em vocês que dão testemunho com as suas vidas desse Cristo libertador”.

PS:  Quem será o ghost writter de Bergoglio ou quem teria escrito essa carta que Francisco assina?

* * *

Notas:

1. http://www.cnbb.org.br/comissoes-episcopais-1/juventude-1/15721-papa-francisco-envia-carta-aos-participantes-do-11-enpj

2. Ibidem

3. Ibidem.

4.Ibidem.

5. Santa Teresinha do Menino Jesus, História de uma Alma, p. 27, Livraria Apostoloado da Imprensa, Braga, Portugal, 1990.

6. Ibidem.

7. http://www.cnbb.org.br/comissoes-episcopais-1/juventude-1/15721-papa-francisco-envia-carta-aos-participantes-do-11-enpj

8. https://www.facebook.com/aline.ogliari.9?fref=ts

9. http://www.pj.org.br/blog/carta-aberta-da-pastoral-da-juventude/

10. Ibidem.

11. Ibidem.

12. Ibidem.

13. Ibidem.

14. Ibidem.

15. Ibidem.

16. http://www.pj.org.br/blog/organizar-esperanca-partilha-da-caminhada/

17. Ibidem.

18. Ibidem.

19. http://fratresinunum.com/2013/08/01/que-revolucao-quer-francisco/

20. http://www.pj.org.br/blog/organizar-esperanca-partilha-da-caminhada/

22 janeiro, 2015

Onde estão os nossos pastores?

Por Pe. David FrancisquiniPor instituição divina, a Igreja visa à salvação das almas, pois o preceito de Jesus Cristo é claro: Ide por toda parte e pregai o Evangelho, aquele que crer e for batizado será salvo e o que não crer será condenado”. A Igreja é católica, isto é, universal, abarca todos os povos e nações, e haverá um só rebanho e um só pastor.

Nosso Salvador se comparou ao bom pastor que não apenas vigia, mas que é capaz de lutar e dar a vida por suas ovelhas. Quis Ele mesmo ser modelo vivo dos pastores que viria instituir para dar continuidade à Sua obra, os quais devem ser vigilantes e militantes na defesa do rebanho a eles confiado.

Exemplo de militância que a Igreja deve sempre mostrar é o de Nosso Senhor enfrentando por três vezes a Satanás, ensinando-nos com isso que a vida neste mundo é de luta. Outros exemplos deixou-nos o Divino Mestre quando discutia com os escribas, os fariseus e os doutores da Lei.

Portanto, o sacerdócio católico deve ser militante — tônica essencial da Santa Igreja até a consumação dos séculos. Depois do pecado de nossos primeiros pais, a luta contra as más paixões passou a ser regra neste exílio, neste vale de lágrimas, como se reza na Salve Rainha.

Luta posta pelo próprio Deus ao decretar: Porei inimizades entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a descendência d’Ela, e Ela te esmagará a cabeça e tu armarás ciladas ao Seu calcanhar (Gn. 3,15). Luta que não existe apenas agora, mas que há de recrudescer até o fim dos tempos.

Vigilância e luta poderia bem ser o lema dos sacerdotes, pois os filhos das trevas costumam ser mais sagazes do que os filhos da luz. Os seguidores de Satanás não se cansam de investir contra as muralhas indefectíveis da Santa Igreja, o que perpetuará esta luta até a fim do mundo.

Como é incessante hoje em todos os lugares e em todas as circunstâncias a propagação do erro — quer nas tendências, nas ideias e nos fatos — isso nos impõe, ou pelo menos deveria nos impor, não somente uma vigilância contínua, mas uma luta sem tréguas, sob pena de trairmos a missão sacerdotal.

Iniciativas como o aborto, a contracepção, a identidade de gênero, o pseudo-casamento homossexual e a prostituição; a eliminação da família, da propriedade e do pátrio poder; o interconfessionalismo religioso e o laxismo moral — todas elas visam a completa relativização do ensinamento de Jesus Cristo.

Meios não faltam aos propagadores do mal, cujos erros fazem grassar através da mídia, da educação, dos divertimentos, dos shows, das músicas que apodrecem a moralidade e, portanto, as famílias e a vida pública. Com toda razão, os fieis poderiam perguntar: — Onde estão os pastores?

Ao decretar que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Sua Igreja, Nosso Senhor sem dúvida nos confirmava na fé e na esperança. Caso contrário, poderíamos vacilar nessas virtudes, à vista da imobilidade de muitos pastores diante dos lobos que investem contra os seus rebanhos.