Archive for ‘Igreja’

28 abril, 2015

IBP bloqueado na Argentina.

Por Manoel Gonzaga Castro | Fratres in Unum.com: Na esteira do recente reconhecimento da FSSPX como católica por parte da República Argentina, as atenções dos fiéis ligados à forma extraordinária do rito romano voltaram-se para o circuito tradicionalista portenho, no qual o Instituto do Bom Pastor (IBP) anunciou aterrissar em 2014.

Em março do ano passado, o Superior do IBP na América Latina, Pe. Mathieu Raffray, anunciou jubilosamente a autorização recebida do Bispo Oscar Sarlinga para que fosse instalada uma casa do instituto na diocese de Zárate-Campana, situada na Província de Buenos Aires.

Porém, essa instalação, infelizmente, não chegou a se efetivar por interferência do Núncio Apostólico na Argentina, Dom Emil Paul Tscherrig, que agora intermediou o reconhecimento civil da FSSPX.

Razão: a possível presença do IBP teria causado mal estar na Conferência Episcopal argentina. Nessa queda de braço, Dom Sarlinga, conhecido desafeto do então Cardeal Bergoglio, cedeu e o IBP acabou bloqueado. Curiosamente, foi o próprio bispo Sarliga quem, no fim do ano passado, emitiu uma dura carta condenando a FSSPX.

Fontes argentinas informam que o IBP, disseminando teses rotuladas por seus adversários como “cripto-lefebvristas” dentro da estrutura diocesana, incomodaria mais a Francisco que a FSSPX, a qual mantém uma vida à parte.

Em Zárate-Campana, o IBP seria encarregado de um colégio.

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27 abril, 2015

Conferência dos Bispos defende acolher casais homoafetivos.

CNBB vai propor ao Vaticano, no Sínodo da Família, melhor relação com casais divorciados e acolhida a homoafetivos

Por O Estado de Minas – Aparecida (SP) – Os quatro bispos eleitos na quinta-feira pela 53ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para participar do Sínodo sobre a Família, em outubro, em Roma, vão propor que a Igreja discuta questões desafiadoras para a pastoral, como a situação dos casais divorciados que vivem uma segunda união e a acolhida aos homoafetivos. O bispo de Camaçari (BA), dom João Carlos Petrini, um dos delegados escolhidos, adiantou que esse não é o foco central, mas é um desafio que receberá atenção especial. “Há uma expectativa de que o Sínodo dê uma resposta a essa questão, embora não se concentre nela”, disse dom Petrini, para o qual o Sínodo deverá buscar uma resposta com equilíbrio.

Sob a orientação do papa Francisco, os participantes do encontro refletirão também sobre a educação dos filhos de pais separados e a das crianças adotadas por homossexuais que vivem uma união estável. Outro ponto a ser discutido é o acolhimento na comunidade de católicos divorciados que se casaram de novo. Dom Petrini acredita que a Igreja venha a permitir que eles participem dos sacramentos, em circunstâncias especiais. “É possível que possam receber a eucaristia, com permissão do bispo, em alguns casos”, observou dom Petrini.

O novo presidente da CNBB, dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, também eleito delegado ao Sínodo, afirmou ao Estado que a Igreja quer dar mais atenção aos casais em situação difícil. “Esperamos que, no Sínodo, possamos encontrar luz, para não só iluminar genericamente, mas oferecer orientação de ordem pastoral. É um tema que nos está preocupando e que preocupa a todos, como o papa Francisco admitiu claramente”, disse dom Sérgio.

A Igreja quer acolher a todos, acrescentou o arcebispo, sem que ninguém fique excluído, mas, ao mesmo tempo, procura oferecer, à luz do Evangelho, os valores que vêm da palavra de Deus, que devem orientar a conduta de todo mundo. “”Quem vai participar do Sínodo precisa expressar aquilo que é o sentir da Igreja local, do episcopado, da Igreja no Brasil”, adverte. Por isso, a Assembleia Geral procurou identificar, entre os dias 19 e 23, em Aparecida, quais são os grandes temas que devam receber destaque.

DOCUMENTO A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) posicionou-se ontem contra a redução da maioridade penal e fez crítica ao Projeto de Lei 4.330, que regulamenta a terceirização em contratos de trabalho. Em documento que faz análise da atual realidade nacional, aprovado na 53ª Assembleia Geral da CNBB, a entidade católica considerou que a proposta da terceirização, em tramitação no Congresso Nacional, “não pode restringir os direitos dos trabalhadores”. “É inadmissível que a preservação dos direitos sociais venha a ser sacrificada para justificar a superação da crise”, considerou.

O texto ressalta que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/93, que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal, é um “equívoco que precisa ser defeito”. Segundo ele, o projeto, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, não é a solução para a violência “que grassa no Brasil” e apenas reforça a política de encarceramento do país”. “Em vez de aprovar a redução da maioridade penal, os parlamentares deveriam criar mecanismos que responsabilizem os gestores por não aparelharem seu governo para a correta aplicação das medidas socioeducativas”, critica o texto. O documento também avalia que o projeto que sugere a alteração do Estatuto do Desarmamento vai “na contramão da segurança e do combate à violência” e considera que a credibilidade política do país não pode ser recuperada “ao preço da aprovação de leis que retiram direitos dos mais vulneráveis”.

Na mesma linha adotada nas últimas semanas, a entidade católica ressaltou que vê com “apreensão” a atual realidade brasileira que, segundo ela, é marcada por uma “profunda e prolongada crise” que ameaça as conquistas das últimas décadas e “coloca em risco a ordem democrática do país”.

“O momento não é de acirrar ânimos nem de assumir posições revanchistas ou de ódio que desconsiderem a política como defesa e promoção do bem comum. Os três poderes da República, com a autonomia que lhes é própria, têm o dever irrenunciável do diálogo aberto, franco, verdadeiro na busca de uma solução que devolva aos brasileiros a certeza da superação da crise”, ressalta o documento da CNBB, que chama a corrupção no país de “praga da sociedade”. “É imperativo recuperar uma cultura que prima pelos valores da honestidade e da retidão. Só assim se restaurará a justiça e se plantará, novamente, no coração do povo, a esperança de novos tempos, calcados na ética”, defende.

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27 abril, 2015

Profanação em Vargem Grande Paulista, SP.

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A Igreja São Judas, Paróquia Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, em Vargem Grande Paulista, diocese de Osasco, SP, foi invadida e teve seu Sacrário arrombado, com o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo profanado. A este ato tão vil e ultrajante, e que tem se repetido com tanta frequência em nosso Brasil, desagravemos e reparemos.

Ato de desagravo e reparação

Oh! dulcíssimo Jesus, cujo imenso amor aos homens não tem recebido pagamento, dos ingratos, mais que esquecido, negligenciado e menosprezado!

Vede-nos prostrados ante vosso altar, para reparar, com especiais homenagens de honra, a frieza indigna dos homens e as injúrias com que, em todas partes, ferem vosso amantíssimo Coração.

Mas recordando que também nós algumas vez nos manchamos com tal indignidade da qual nos doemos agora vivamente, desejamos, acima de tudo, obter para nossas almas vossa divina misericórdia, dispostos a reparar, com voluntária expiação, não apenas nossos próprios pecados, mas sim também os daqueles que, separados do caminho da salvação e obstinados em sua infidelidade, ou não querem seguir-vos como um Pastor e Guia, ou, pisando as promessas do Batismo, tem desprezado o suavíssimo jugo de vossa lei.

Nós queremos expiar tão abomináveis pecados, especialmente a imodéstia e a desonestidade da vida e dos vestidos, os inumeráveis ataques estendidos contra as almas inocentes, a profanação dos dias festivos, as imensas injúrias proferidas contra Vós e contra vossos Santos, os insultos dirigidos a vosso Vigário e a Ordem Sacerdotal, as negligências e horríveis sacrilégios com que é profanado o mesmo Sacramento do amor e, em fim, os públicos pecados das nações que opõem resistência aos direitos e ao magistério da Igreja única por Vós fundada.

Oxalá que nos fosse dado lavar tantos crimes com nosso próprio sangue!

Mas, entretanto, como reparação da honra divina ofendida, unindo com a expiação da Virgem vossa Mãe, dos Santos e das almas boas, Vos oferecemos a satisfação que Vós mesmo oferecestes um dia sobre a cruz ao Eterno Pai e que diariamente se renova em nossos altares, prometendo de todo coração que, enquanto nos seja possível e mediante o auxilio de vossa graça, repararemos os pecados próprios e alheios e a indiferença das almas ante vosso amor, opondo a firmeza na fé, a inocência da vida e a observância perfeita da lei, sobretudo da caridade, enquanto nos esforçamos por impedir que sejais injuriado e por atrair a quantos possamos para que Vos sigam.

Oh! benigníssimo Jesus! Por intercessão da Santíssima Virgem Maria Reparadora, vos suplicamos que recebais este voluntário ato de reparação; concedei-nos que sejamos fiéis a vossos mandados e a vosso serviço até a morte e dai-nos o dom da perseverança, com a qual cheguemos felizmente a glória, onde em união com Pai e com o Espírito Santo, viveis e reinais, pois sois Deus por todos os séculos dos séculos. Amém.

Pio XI

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26 abril, 2015

Foto da semana.

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Fratres in Unum.com: “Cabe a Deus a vingança e a retribuição”, de acordo com Dom Oliver Dashe Doeme, bispo de diocesano de Maiduguri, Nigéria, falando à agência de notícias da Ajuda a Igreja que Sofre. Durante a Semana Santa, o bispo visitou as paróquias destruídas pelos maometanos terroristas do Boko Haran, que têm disseminado o ódio e a destruição no país africano. Os fiéis visitados demonstraram um grande anseio em receber o Sacramento da Confissão e o senhor bispo, juntamente com os padres que o acompanhavam, atendeu, em muitas delas, os penitentes por mais de três horas.

Em uma série de Missas pela Reconciliação e Reparação, Dom Dashe encarajou os fiéis a permanecer firmes na fé, apesar dos sofrimentos que têm experimentado. Ele os instou a seguir o exemplo de Cristo e a perdoar os terroristas por seus sacrilégios e ódio.

Créditos: Arquidiocese de Melborne – indicação do leitor Carlos.

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25 abril, 2015

Profetismo ou petismo?

Perguntamos respeitosamente a Dom Sérgio da Rocha:

  • “A palavra da Igreja é profética, é de anúncio e de denúncia”, diz o novo presidente da CNBB. Por que, então, coincidentemente…, as denúncias proféticas da CNBB são, senão idênticas, pois mesmo entre partidos esquerdistas há diferenças acidentais, ao menos muito afins às teses do partido do governo?
  • Por que as denúncias contundentes da CNBB se dão apenas sobre valores “politicamente (ou esquerdisticamente) corretos” — maioridade penal, demarcação de terras indígenas, reforma política –, matérias em que a CNBB tem a companhia da elite esquerdista, capitaneada pelo partido governante, do país?
  • Por que a apatia quando se trata de denunciar profeticamente o aborto, o homossexualismo, a imoralidade que destrói a inocência das crianças e corrompe a família, valores, curiosamente…, não compartilhados pelos “companheiros” da esquerda no Brasil e que lhe gerariam a antipatia dos poderosos deste mundo?
  • Enfim, isso tudo é profetismo ou é petismo?

Abaixo, seguem respostas de Dom Sérgio da Rocha e de Dom Leonardo Steiner em entrevista coletiva após a tomada de posse da nova presidência da CNBB.

Vale ressaltar que, pela primeira vez, a CNBB reage publicamente a interpelações, seja de fiéis, nos protestos que ocorreram Brasil afora e nas redes sociais, seja da própria imprensa, por seu favorecimento ao petismo. Fontes seguras informam que houve discussões acaloradas a esse respeito dentro da assembléia encerrada ontem, em Aparecida.

* * *

 • Sobre Acusações de atitudes favoráveis ao partido do governo

Dom Sérgio da Rocha

“Nós deixamos muito claro que a CNBB, na sua história e no momento presente tem sempre se pautado por aquilo que é a Doutrina Social da Igreja. Nós temos sim o dever de nos pronunciar sobre as questões sociais e fazemos isso sempre na fidelidade a Cristo, iluminados pela palavra dele”

“A palavra da Igreja é profética, é de anúncio é de denúncia, sempre fundamentada na palavra de Deus. É a palavra de Deus que está sendo proclamada nas condições concretas do nosso tempo, do nosso país. De nossa parte, nós não temos adotado e não queremos adotar nenhuma posição que seja político-partidária. E no caso da Reforma Política, até mesmo existem outros projetos diversos daquele que a Coalizão, da qual a CNBB participa, está propondo. Então não é justo, às vezes as pessoas não estão muito atentas aos detalhes, às vezes vão misturando as coisas. Por exemplo, o fato da Igreja falar da reforma política, mostrar a importância da palavra política não quer dizer que esteja adotando uma posição que seja do governo que aí está ou então de um partido ou outro. Nós fazemos isso [falar da reforma política], com sentimento de corresponsabilidade e de reponsabilidade na vida social.

“Eu deixo muito claro que se há equívocos, a gente respeita, até mesmo pessoas que possam ter uma postura mais crítica, mas, de nossa parte, aquilo que tem sido e que continuará a ser é uma postura de autonomia, de independência diante daquilo que é posição político-partidária. Lamentavelmente, às vezes, acaba-se confundindo as coisas dependendo daquilo que se fala”.

• Continuidade de posicionamentos sobre questões sociais e políticas com a nova presidência

Dom Sérgio da Rocha

“A eleição de uma nova presidência não significa uma mudança radical nos rumos da Conferência Episcopal. A presidência não age sozinha. Nós estamos, em primeiro lugar, procurando dar sequência àquilo que tem sido o papel da CNBB na Igreja no Brasil nesses anos todos”.

“Essa postura profética que sempre acompanhou a vida da Igreja, a vida da CNBB, vai continuar”.

Na elaboração de notas e nos Conselhos Episcopais “não se reflete aquilo que é o sentir da presidência, mas do episcopado”.

“Não podemos renunciar a esse aspecto que é próprio da missão da Igreja e da CNBB na Igreja no Brasil, que é o profetismo, uma postura de anúncio da Palavra de Deus nas condições concretas do mundo de hoje, principalmente denunciando aquilo que vai contra a palavra de Deus, contra o Reino de Deus, independente da matéria que esteja em pauta”.

• Vistas ao papa e à presidência da República

Dom Leonardo Steiner

Dom Leonardo explicou que a presidência da CNBB apresenta a cada ano o resultado das Assembleias Gerais. Um momento de diálogo e para “ouvir as orientações”. Ele ressaltou sua experiência com o “jeito afável e próximo” de Bento XVI e a “expansividade” do papa Francisco, o qual tem sempre a curiosidade de saber como está o trabalho da Conferência.

“É praxe da nova presidência fazer uma visita ao presidente, no nosso caso, a presidente, até no período da ditadura. A CNBB coloca suas preocupações. Também estabelece contato com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e com o procurador geral da República”.

“Às vezes a gente sente que alguns pensam que a visita no caso da presidente que é uma visita para reforçar o Partido dos Trabalhadores (PT). Não! É uma visita de relação de entidades. Nós não visitamos, portanto, partidos. Nós sempre vamos com pontos para discutir, para propor. E sempre com uma preocupação muito importante. Não para a igreja se impor, mas a questão realmente dos pobres”.

Nos ministérios, é comum dom Leonardo acompanhar integrantes de comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, em nome da CNBB para que sejam expostas suas necessidades às autoridades.

Fonte: CNBB

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24 abril, 2015

CNBB divulga nota sobre o momento nacional.

CNBB – Os bispos reunidos na 53ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), avaliaram a realidade brasileira, “marcada pela profunda e prolongada crise que ameaça conquistas, a partir da Constituição Cidadã de 1988, e coloca em risco a ordem democrática do País”. Leia, na íntegra, a nota:

Nota da CNBB sobre o momento nacional

 

“Entre vós não deve ser assim” (Mc 10,43).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida em sua 53ª Assembleia Geral, em Aparecida-SP, no período de 15 a 24 de abril de 2015, avaliou, com apreensão, a realidade brasileira, marcada pela profunda e prolongada crise que ameaça as conquistas, a partir da Constituição Cidadã de 1988, e coloca em risco a ordem democrática do País. Desta avaliação nasce nossa palavra de pastores convictos de que “ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (EG, 183).

O momento não é de acirrar ânimos, nem de assumir posições revanchistas ou de ódio que desconsiderem a política como defesa e promoção do bem comum. Os três poderes da República, com a autonomia que lhes é própria, têm o dever irrenunciável do diálogo aberto, franco, verdadeiro, na busca de uma solução que devolva aos brasileiros a certeza de superação da crise.

A retomada de crescimento do País, uma das condições para vencer a crise, precisa ser feita sem trazer prejuízo à população, aos trabalhadores e, principalmente, aos mais pobres. Projetos, como os que são implantados na Amazônia, afrontam sua população, por não ouvi-la e por favorecer o desmatamento e a degradação do meio ambiente.

A lei que permite a terceirização do trabalho, em tramitação no Congresso Nacional, não pode, em hipótese alguma, restringir os direitos dos trabalhadores. É inadmissível que a preservação dos direitos sociais venha a ser sacrificada para justificar a superação da crise.

A corrupção, praga da sociedade e pecado grave que brada aos céus (cf. Papa Francisco – O Rosto da Misericórdia, n. 19), está presente tanto em órgãos públicos quanto em instituições da sociedade. Combatê-la, de modo eficaz, com a consequente punição de corrompidos e corruptores, é dever do Estado. É imperativo recuperar uma cultura que prima pelos valores da honestidade e da retidão.  Só assim se restaurará a justiça e se plantará, novamente, no coração do povo, a esperança de novos tempos, calcados na ética.

A credibilidade política, perdida por causa da corrupção e da prática interesseira com que grande parte dos políticos exerce seu mandato, não pode ser recuperada ao preço da aprovação de leis que retiram direitos dos mais vulneráveis. Lamentamos que no Congresso se formem bancadas que reforçem o corporativismo para defender interesses de segmentos que se opõem aos direitos e conquistas sociais já adquiridos pelos mais pobres.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, por exemplo, é uma afronta à luta histórica dos povos indígenas que até hoje não receberam reparação das injustiças que sofreram desde a colonização do Brasil. Se o prazo estabelecido pela Constituição de 1988 tivesse sido cumprido pelo Governo Federal, todas as terras indígenas já teriam sido reconhecidas, demarcadas e homologadas. E, assim, não estaríamos assistindo aos constantes conflitos e mortes de indígenas.

A PEC 171/1993, que propõe a redução da maioridade penal para 16 anos, já aprovada pela Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça da Câmara, também é um equívoco que precisa ser desfeito. A redução da maioridade penal não é solução para a violência que grassa no Brasil e reforça a política de encarceramento num país que já tem a quarta população carcerária do mundo. Investir em educação de qualidade e em políticas públicas para a juventude e para a família é meio eficaz para preservar os adolescentes da delinquência e da violência.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, em vigor há 25 anos, responsabiliza o adolescente, a partir dos 12 anos, por qualquer ato contra a lei, aplicando-lhe as medidas socioeducativas. Não procede, portanto, a alegada impunidade para adolescentes infratores. Onde essas medidas são corretamente aplicadas, o índice de reincidência do adolescente infrator é muito baixo. Ao invés de aprovarem a redução da maioridade penal, os parlamentares deveriam criar mecanismos que responsabilizem os gestores por não aparelharem seu governo para a correta aplicação das medidas socioeducativas.

O Projeto de Lei 3722/2012, que altera o Estatuto do Desarmamento, é outra matéria que vai na contramão da segurança e do combate à violência. A arma dá a falsa sensação de segurança e de proteção. Não podemos cair na ilusão de que, facilitando o acesso da população à posse de armas, combateremos a violência. A indústria das armas está a serviço de um vigoroso poder econômico que não pode ser alimentado à custa da vida das pessoas. Dizer não a esse poder econômico é dever ético dos responsáveis pela preservação do Estatuto do Desarmamento.

Muitas destas e de outras matérias que incidem diretamente na vida do povo têm, entre seus caminhos de solução, uma Reforma Política que atinja as entranhas do sistema político brasileiro. Apartidária, a proposta da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, da qual a CNBB é signatária, se coloca nessa direção.

Urge, além disso, resgatar a ética pública que diz respeito “à responsabilização do cidadão, dos grupos ou instituições da sociedade pelo bem comum” (CNBB – Doc. 50, n. 129). Para tanto, “como pastores, reafirmamos ‘Cristo, medida de nossa conduta moral’ e sentido pleno de nossa vida” (Doc. 50 da CNBB, Anexo – p. 30).

Que o povo brasileiro, neste Ano da Paz e sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, supere esse momento difícil e persevere no caminho da justiça e da paz.

Aparecida, 21 de abril de 2015.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis

Arcebispo de Aparecida

Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM

Arcebispo de São Luís do Maranhão

Vice Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

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24 abril, 2015

E os últimos bispos escolhidos para representar a CNBB no Sínodo sobre a Família são…

… Dom Geraldo Lyrio, arcebispo de Mariana e antigo presidente da CNBB, e Dom Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo. Os suplentes, que substituirão os membros eleitos em caso de necessidade, são Dom João Bosco Barbosa de Sousa, bispo de Osasco, e Dom Leonardo Ulrich Steiner, bispo-auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB reeleito.

23 abril, 2015

Escolhidos os primeiros bispos que representarão o episcopado brasileiro no Sínodo sobre a Família.

O primeiro, Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília e novo presidente da CNBB. O segundo, o bispo de Camaçari (BA) dom João Carlos Petrini – ambos representarão a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil na 14ª Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a Família, a ocorrer em outubro próximo, em Roma. A eleição continua e conheceremos os demais nomes em breve.

22 abril, 2015

Summorum Pontificum no Brasil: Santa Missa na Catedral de Santo Amaro, SP.

santo amaro

22 abril, 2015

“A frieza de Francisco” ou “Como não ter cheiro de ovelha”.

Por Fratres in Unum.com: Papa Bergoglio é conhecido por sua genialidade em telefonemas e em receber gente da mais alta categoria, como aquela transexual espanhola e sua, digamos, “namorada”, que vieram queixar-se de seu pároco.

Desta vez, esteve em Roma a família de Asia Bibi, a paquistanesa que há seis anos está encarcerada por causa de um único crime: ser cristã.

O patriarca de Moscou se comoveu, e pediu sua libertação. O governo da França, laicista e anticatólico, se comoveu, e concedeu-lhe uma cidadania de honra.

Papa Francisco, porém, não se comove. Nenhuma palavra, nenhuma defesa.

Agora, reparem bem no modo como, em 15 segundos, fala en passant com a filha e o marido de Asia Bibi, que ficam completamente perplexos ante a frieza de seu pastor. Queriam contar-lhe seu sofrimento, queriam uma palavra de consolo, mas encontram apenas o sorriso apressando de Bergoglio que, insensível e alegremente, os desconsidera. Seria este o modo bergogliano de ter “cheiro de ovelha”?…

Parece mesmo que as tristezas de nosso tempo são de dimensões oceânicas.

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