Archive for ‘Igreja’

16 agosto, 2014

Foto da semana.

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Se receamos ir diretamente a Jesus Cristo, nosso Deus, por causa da sua grandeza infinita, ou da nossa miséria, ou ainda dos nossos pecados, imploremos ousadamente o auxílio e a intercessão de Maria, nossa mãe. Ela é boa e terna; nada tem de austero ou de repulsivo, nada de demasiado sublime e brilhante. Contemplando-a, vemos a nossa própria natureza.

Ela não é o Sol, que pela vivacidade dos seus raios poderia cegar-nos por causa da nossa fraqueza. Ela é bela e doce como a Lua (Ct 6, 9), que recebe a luz do Sol e a abranda a fim de adaptá-la à nossa pequenez. É tão caridosa que não repele nenhum dos que pedem a sua intercessão, por mais pecador que seja. Pois, como dizem os santos, desde que o mundo é mundo, nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido à Santíssima Virgem, com confiança e perseverança, tenha sido por Ela desamparado.

São Luis Maria Grignon de Monfort, Tratado da Verdadeira Devoção.

Na imagem, de 10 de agosto de 2014, o fenômeno conhecido como Superlua se apresenta ao fundo da Igreja Nossa Senhora da Penha, no Rio de Janeiro.

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16 agosto, 2014

Diocese de Ciudad del Este – Resumo explicativo da Visitação Apostólica.

Por Diocese de Ciudad del Este | Tradução: Fratres in Unum.com

A Visita Apostólica

Oficialmente, o Núncio Apostólico em Paraguai avisou em conferência de imprensa aos 2 de julho de 2014 que a Diocese de Ciudad del Este receberia uma iminente Visita Apostólica «a fim de lhe oferecer uma assistência para o bem daquela Igreja particular». Oficiosamente, os meios de comunicação disseram que se tratava de uma verdadeira «intervenção na Diocese», isto é, de um processo que culminaria ou com a renúncia ou com a destituição de nosso Bispo e com o fim da obra que vem concretizando.

Apresentamos agora um resumo explicativo que sublinha os pontos desta conjuntura com seus fatos e documentos probatórios. Fazemo-lo no estilo plano e direto do Povo de Deus, e com a honestidade e transparência a que nos tem habituado D. Rogelio.

15 agosto, 2014

Foederis Arca.

Ouvimos na primeira leitura: “Abriu-se o Santuário de Deus que está no céu e apareceu no Santuário a arca da sua Aliança” (Apocalipse, 11, 19). Qual é o significado da arca? O que se apresenta? Para o Antigo Testamento, ela é o símbolo da presença de Deus no meio de seu povo. Mas, agora, o símbolo deu lugar à realidade. Assim, o Novo Testamento nos diz que a verdadeira Arca da Aliança é uma pessoa viva e concreta: é a Virgem Maria. Deus não habita em um móvel, Deus habita em uma pessoa, um coração: Maria, aquela que trouxe em seu seio o Filho eterno de Deus feito homem, Jesus, nosso Senhor e Salvador. Na Arca — como sabemos — foram conservadas as duas tábuas da lei de Moisés, que expressavam a vontade de Deus em manter a aliança com o seu povo, indicando-lhe as condições para ser fiel à aliança de Deus, para se conformar à vontade de Deus e, assim, também, à nossa verdade profunda. Maria é a Arca da Aliança, pois acolheu Jesus em si; acolheu em si a Palavra viva, todo o conteúdo da vontade de Deus, da verdade de Deus; acolheu em si Aquele que é a nova e eterna aliança, culminada com a oferta de seu corpo e sangue: corpo e sangue recebidos de Maria. Com razão, pois, a piedade cristã, nas ladainhas em honra a Nossa Senhora, volta-se a Ela, invocando-a como Foederis Arca, ou seja, “Arca da Aliança”, arca da presença de Deus, arca da aliança do amor que Deus quis contrair de modo definitivo com toda a humanidade em Cristo.

[...]

Nesta Solenidade da Assunção, olhemos para Maria: Ela nos abre à esperança, a um futuro cheio de alegria, e nos ensina o caminho para atingi-lo: acolher, na fé, o seu Filho; não perder jamais a amizade com Ele, mas se deixar iluminar e guiar por sua palavra; segui-lo todos os dias, mesmo nos momentos em que sentimos que nossas cruzes se tornam pesadas. Maria, a Arca da Aliança, que está no santuário do céu, nos indica com luminosa clareza que estamos caminhando para nosso verdadeiro lar, a comunhão de alegria e de paz com Deus. Amém!

Do sermão do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, 15 de agosto de 2011.

Tradução: Fratres in Unum.com

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14 agosto, 2014

O método PPP.

Como escolher um candidato

Por Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz

Na proximidade das eleições, é preciso oferecer aos cristãos um critério sólido para escolher os candidatos.

Se um edifício tem uma fachada linda, paredes bem resistentes, pilares grossos, mas não tem alicerce, ninguém de bom senso se atreverá a morar nele.

Assim, há candidatos com muitas qualidades humanas: capacidade de administração, boa retórica, boas relações com o público, preparo intelectual, mas nenhum cristão pode votar neles se houver falhas no que há de fundamental: o respeito à vida e à família.

Para escolher um candidato, é preciso examinar três coisas: primeiro, o seu Partido, segundo o seu Passado e, por último, as suas Promessas. É importante observar a ordem deste PPP. As Promessas estão em último lugar. Não devemos dar importância a elas se o Partido do candidato é antivida ou se o candidato no seu Passado favoreceu a cultura da morte.

1º) O Partido

A Igreja, justamente por ser católica, isto é, universal, não pode estar confinada a um partido político. Ela “não se confunde de modo algum com a comunidade política”[1] e admite que os cidadãos tenham “opiniões legítimas, mas discordantes entre si, sobre a organização da realidade temporal”[2].

Isso não significa, porém, que os fiéis católicos podem filiar-se a qualquer partido. Há partidos que abusam da pluralidade de opinião para defender atentados contra a lei moral, como o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo. “Faz parte da missão da Igreja emitir juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política, quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas[3].

Um exemplo de um partido incompatível com a moral cristã é o Partido dos Trabalhadores (PT). No 3º Congresso do PT, ocorrido entre agosto e setembro de 2007, foi aprovada a resolução “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público[4]. Todo candidato filiado ao PT é obrigado a acatar essa resolução. O Estatuto do PT põe como requisito para ser candidato pelo Partido “assinar e registrar em Cartório o ‘Compromisso Partidário do Candidato ou Candidata Petista’” (art. 140, c)[5]. Tal assinatura, diz o Estatuto, “indicará que o candidato ou candidata está previamente de acordo com as normas e resoluções do Partido, em relação tanto à campanha como ao exercício do mandato” (art. 140, §1º). Se o político contrariar uma resolução como essa, que apoia o aborto, “será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato” (art. 140, §2º). Em 17 de setembro de 2009, dois deputados petistas (Luiz Bassuma e Henrique Afonso) foram punidos pelo Diretório Nacional. O motivo alegado é que eles “infringiram a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto[6].

Não deve causar espanto que o PT aprove o aborto, uma vez que já no artigo 1º de seu Estatuto, tal partido se declara defensor de uma doutrina inúmeras vezes condenada pela Igreja: o socialismo[7].

Convém aqui recordar o ensinamento dos dois Papas canonizados pelo Papa Francisco: João XXIII e João Paulo II.

São João Paulo II explica que “o erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social. [...] O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão moral”[8].

O socialismo vê na criança por nascer algo que está subordinado à vontade da sociedade. Se for proveitosa para a sociedade, que nasça. Se for trazer ônus ao Estado, se trouxer mais custos que benefícios, que seja abortada.

Explica-se assim como há uma afinidade estreita entre o socialismo e a causa abortista. Não é à toa que o primeiro país do mundo a legalizar o aborto foi a Rússia, em 1920, logo após a revolução comunista de 1917. Não é à toa também que durante a vigência do nazismo (nacional socialismo), a Alemanha legalizou a prática do aborto com fins de purificação da raça (eugenia). Não é à toa que na China, que se tornou comunista desde a revolução de 1949, o aborto não é só permitido, mas até obrigatório como meio de controle de natalidade. E não é à toa que em Cuba, sob o regime dos irmãos Castro, ocorrem anualmente cerca de 66 abortos provocados para cada 100 partos![9]

Poderia haver um tipo de socialismo tão suave que pudesse ser aceito pelos cristãos? A essa pergunta, São João XXIII responde negativamente, recordando os ensinamentos de seu predecessor Pio XI: “Entre comunismo e cristianismo, o Pontífice declara novamente que a oposição é radical. E acrescenta não poder admitir-se de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado”[10].

Eis a lista dos partidos políticos brasileiros que se declaram comunistas ou socialistas:

Partido dos Trabalhadores (PT) – 13

Partido Comunista Brasileiro (PCB) – 21

Partido Popular Socialista (PPS), sucessor do PCB – 23

Partido Comunista do Brasil (PC do B) – 65

Partido da Causa Operária (PCO) – 29

Partido Democrático Trabalhista (PDT) – 12

Partido da Mobilização Nacional (PMN) – 33

Partido Pátria Livre (PPL) – 54

Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – 50

Partido Socialista Brasileiro (PSB) – 40

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) – 16

Partido Verde (PV)[11] – 43

Exclua, portanto, os candidatos cujos números começam por

13, 21, 23, 65, 29, 12, 33, 54, 50, 40, 16 e 43.

Não votar em tais candidatos – mesmo que sejam seus amigos – é um ato de correção fraterna. Votar neles é ser cúmplice do erro que eles cometeram ao filiar-se a um partido anticristão.


2º) O Passado

Excluídos os candidatos pertencentes aos partidos acima, é preciso agora examinar o passado de cada candidato. Se ele já foi parlamentar, deve-se examinar como foi o seu voto nas questões relativas à vida e à família. Verifique, por exemplo[12]:

1) se em 02/03/2005 ele foi um dos deputados que votou contra ou a favor do artigo 5º da Lei de Biossegurança, que permite a destruição de embriões humanos.

2) se em 13/08/2008 ele foi um dos deputados que assinaram o Recurso 0201/08, de José Genoíno (PT/SP), solicitando que o projeto abortista PL 1135/91 não fosse arquivado, mas primeiro fosse apreciado pelo plenário da Câmara.

3) se em 28/05/2009 ele foi um dos deputados que assinaram a PEC 367/2009, pretendendo dar um terceiro mandato (pró-aborto) ao presidente Lula.

4) se em 19/05/2010 ele foi um dos deputados que votaram contra o Estatuto do Nascituro na Comissão de Seguridade Social e Família.

5) se em 22/04/2014 ele foi um dos senadores que votaram a favor da ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação.


3º) As Promessas

As promessas de defender a vida desde a concepção até a sua morte natural etc., ainda que sejam feitas por escrito e assinadas, só têm algum valor se o candidato já venceu as duas etapas anteriores: o Partido e o Passado. É totalmente inútil, por exemplo, que um candidato petista (que, portanto, já assinou o Compromisso Partidário do Candidato Petista em defesa do aborto) venha agora assinar um outro compromisso em defesa da vida. Cuidado, portanto, com os “pró-vida” de última hora!

Anápolis, 13 de agosto de 2014.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do Pró-Vida de Anápolis


[1] Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”, n. 76.

[2] Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”, n. 75.

[3] Catecismo da Igreja Católica, n. 2246, citando “Gaudium et Spes, n. 76.

[4] Resoluções do 3º Congresso do PT, p. 82. in: http://old.pt.org.br/arquivos/Resolucoesdo3oCongressoPT.pdf

[5] Partido dos Trabalhadores. Estatuto, art. 140, c in: http://old.pt.org.br/arquivos/ESTATUTO_PT_2012_-_VERSAO_FINAL_registrada.pdf

[6] DN suspende direitos partidários de Luiz Bassuma e Henrique Afonso. Notícias. 17 set. 2009, in: http://www.pt.org.br/portalpt/documentos/dn-suspende-direitos-partidarios-de-luiz-bassuma-e-henrique-afonso-254.html

[7] “Art. 1º – O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma associação voluntária de cidadãos e cidadãs [...] com o objetivo de construir o socialismo democrático”.

[8] JOÃO PAULO II, Encíclica Centesimus annus, 1991, n. 13.

[9] Cf. Anuario Estadístico de Salud 2013, p. 166, in: http://files.sld.cu/dne/files/2014/05/anuario-2013-esp-e.pdf

[10] João XXIII, Encíclica Mater et magistra, 1961, n.º 31

[11] O PV não se declara socialista, mas em seu Programa defende o homossexualismo e a legalização do aborto (cf. http://pv.org.br/wp-content/uploads/2011/02/programa_web.pdf).

[12] Pode-se verificar isso clicando em “Como votaram”, no sítio do Pró-Vida de Anápolis: http://www.providaanapolis.org.br

14 agosto, 2014

Faz de conta que os fundamentalistas não são muçulmanos.

Por Riccardo Cascioli – La Nuova Bussola Quotidiana, 11 de agosto de 2014 | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: “Não podemos permanecer em silêncio”, esse é o título de um comunicado à imprensa com a qual os bispos italianos convidam à dedicação do dia 15 de agosto, solenidade da Assunção da Virgem Maria, como um dia para se rezar pelos cristãos perseguidos, especialmente aqueles no Iraque. É um compromisso ao qual nós aderimos com convicção, pois o que está acontecendo é uma tragédia talvez sem precedentes em toda a história. É verdade que nas últimas semanas foi varrida do Iraque a presença de uma das mais antigas comunidades cristãs, uma comunidade que por quase dois mil anos sobreviveu incólume à quase todas as vicissitudes da história. Além disso, também trata-se de comunidades que ainda falam a mesma língua de Jesus, o aramaico, de modo que a expulsão também assume um valor simbólico adicional. 
 
Portanto, aderimos com convicção. Mas enquanto agradecemos à Conferência Episcopal por nos oferecer esta oportunidade, não podemos deixar de sentir um certo desconforto ao lermos esse comunicado por causa do título inicial. O “não podemos permanecer em silêncio” é flagrantemente desmentido pelo conteúdo, que reflete um terrível mal-entendido, do qual não só a Igreja, como a maior parte do mundo ocidental, parece ter se tornado refém.
 
Simplesmente se cala sobre a identidade dos perseguidores, não querem admitir quem são realmente os carniceiros e por que agem de tal maneira. É uma espécie de denúncia sobre autores desconhecidos, mesmo tendo todas as ferramentas e o conhecimento para se identificar os culpados. No comunicado se fala de cristãos perseguidos, expulsos, mortos; se fala em Iraque e Nigéria; mas, então, refere-se a terroristas sem especificá-los e, mais adiante, fundamentalistas e só. Mas quem são eles? Quem quer a eliminação dos cristãos no Iraque, Nigéria e na maioria dos países onde os cristãos estão sendo perseguidos? 
 
Eis aqui o problema: se tem medo de dizer que se trata do Islamismo, que os terroristas são muçulmanos. E isso não diz respeito apenas à Conferência Episcopal Italiana, é um fato generalizado em toda a Igreja e em todo o mundo ocidental. Um exemplo: há dois anos, na Inglaterra, descobriu-se que os fundamentalistas islâmicos desenvolveram uma estratégia, já em fase avançada, para tomar o controle – ou islamizar – algumas escolas estaduais de Birmingham. A partir daqui, soou o alarme, mas o fato é que, em seguida, saiu a notícia de que as autoridades locais haviam descoberto há muito tempo o que estava acontecendo, mas preferiram se calar nada pra não ofender os muçulmanos.
 
Eis aqui o drama: o medo de ofender os muçulmanos. E quando se vêem obrigados a dizer que os assassinos são muçulmanos, imediatamente se apressam em ressaltar que se trata de extremistas que estão traindo o verdadeiro Islã, o qual seria uma “religião de paz”. E aqui está o equívoco em que se encontra mergulhada a opinião pública ocidental: estão tentando fazer com que se creia que a tragédia  no Iraque, Síria, Nigéria, é obra de grupos totalmente circunscritos, que usam a religião contra o próprio Islã. E para este fim estão dando um destaque desproporcional a casos isolados de muçulmanos que defendem os cristãos ou que tomam uma posição contrária ao que o Isis está aprontando no Iraque. É justo que se publique tais histórias e que as valorizem, mas não às custas da realidade. 
 
É verdade que há muitos muçulmanos que desejam apenas viver em paz, que há alguns que até pagaram com a própria vida para defender os cristãos no Iraque, e que são muitos que não querem nem o Isis e nem os nigerianos do Boko Haram. Mas não dá pra fazer de contas que não existe um problema sério com o Islã. 
 
É uma abordagem errada seja do ponto de vista conceitual ou histórico. Erro conceitual é sustentar que “o verdadeiro Islã rejeita a violência”. Essa é uma quimera e não a realidade. Como já havia escrito o especialista em estudos islâmicos Padre Samir Khalil Samir, “que a maioria dos muçulmanos seja contrária à qualquer tipo de violência, pode até ser. Mas dizer que o verdadeiro Islã se opõe a qualquer tipo de violência, não me parece verdadeiro: a violência está no Alcorão”. E ele explica: “Em sua vida, Maomé fez mais de 60 guerras. Ora, se Maomé é o modelo por excelência (como diz o Alcorão 33:21), não é de se estranhar que alguns muçulmanos também façam uso da violência como imitadores perfeitos do fundador do Islã. “
 
O fundamentalismo que domina hoje no mundo islâmico, ainda que em diferentes versões, é, portanto, simplesmente uma reproposição do modelo maometano. É verdade que há no mundo islâmico estudiosos e intelectuais que propõem uma reinterpretação do Alcorão segundo a chave espiritual, enfatizando a historicidade de certos conteúdos relacionados ao mundo árabe no momento histórico em que o Islã nasceu, mas se trata de um fenômeno significativamente minoritário. De qualquer maneira, não se pode continuar a fingir que isso tem alguma coisa a ver com um Islã que na verdade não existe.
 
Uma segunda questão que está sendo subestimada é a falta de autoridade no Islã. Cada imã, cada mufti, no fundo representa a si mesmo e quem o segue. Não existe um interlocutor que possa falar em nome de pelo menos uma parte reconhecível do mundo islâmico. Isso torna irrealista qualquer tentativa de um “diálogo” com o Islã, o diálogo, como é vulgarmente entendido, é simplesmente impossível. É possível, em vez — e desejável –, um relacionamento com muçulmanos individuais, e isso pode ser constatado pelos casos citados de muçulmanos iraquianos que defenderam as casas dos cristãos. Mas de qualquer modo é uma realidade que joga por terra um certo irenismo que está em moda nos círculos católicos. 
 
A ausência de uma autoridade religiosa reconhecida dentro do mundo muçulmano, permite relações de poder decisivas entre diferentes correntes. E hoje o que predomina são os grupos fundamentalistas, graças à sua capacidade de organização. 
 
E aqui chegamos ao erro “histórico” que até dentro da Igreja se comete: o fundamentalismo islâmico que vemos em curso no Oriente Médio e na África afeta não apenas aquelas regiões, mas também nosso próprio país onde ele se encontra em franco crescimento. A prova maior está nos inúmeros casos de combatentes no Iraque e na Síria que são oriundos da Europa. Não se iludam: tão logo a situação se estabilize nessas regiões, eles se voltarão para a Europa para prosseguir com a mesma guerra. 
 
Não somente isso, pois existem outras associações islâmicas, vinculadas ou próximas da Irmandade Muçulmana, que apesar de se apresentarem de modo diferente, compartilham o mesmo projeto do Califado. Elas chegam até nós a partir das periferias, de baixo e gradualmente, mas o objetivo é o mesmo. Conquistar a Europa é um objetivo que eles estão declarando publicamente com cada vez mais frequência. E as personalidades e associações que eles escolhem como interlocutores são justamente aquelas do mundo eclesiástico e civil. Na prática, estamos escancarando as portas para aqueles que esperam apenas o momento certo para nos eliminar. Além disso, a cegueira para a realidade do Islã fez com que a Europa e os EUA, com suas opções políticas nefastas, facilitassem a ascensão da al-Qaeda e dos salmistas nos países do Norte de África (ver a Líbia) e Oriente Médio, isso pra não falar da gestão ou não da imigração. 
 
Gostem ou não, o Islã representa  uma ameaça grave para a nossa civilização e uma oração para os cristãos perseguidos que não leve em conta essa realidade corre o risco de ser apenas mais uma demonstração de piedoso sentimentalismo.  
14 agosto, 2014

O ecumenismo de São Maximiliano Maria Kolbe.

São Maximiliano Maria Kolbe.

São Maximiliano Maria Kolbe.

“Não há maior inimigo da Imaculada e de Seu Reinado que o ecumenismo de hoje, o qual todo Cavaleiro [da Imaculada] deve não só combater, mas também neutralizar, por uma ação diametralmente oposta e, finalmente, destruir” (S. Maximiliano Maria Kolbe).

Créditos: A Catholic Life 

Publicação original em 22/10/2013

Leia também:

Na festa de São Maximiliano Maria Kolbe: “Só vós destruístes todas as heresias no mundo inteiro”.

13 agosto, 2014

Em desagravo a Nosso Senhor…

Tão ofendido e profanado, a começar pelas Comunhões de pé e na mão, até o verdadeiro ato de ódio explícito e desavergonhado como o ocorrido na Paraíba.

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Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Leia:

NOVA PALMEIRA PB: ATO DE VANDALISMO NA MADRUGADA DESTE SÁBADO (09) NA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GUIA

NOVA PALMEIRA PB: PE RÔMULO EMITE NOTA DE DESAGRAVO CONTRA ATO DE VANDALISMO

11 agosto, 2014

Uma voz que clama: intercedam por nós, porque somos filhos da mesma Igreja e professamos a mesma Fé.

“Elaih-i, elaih-i… La-mah sabachthani?[1]” (Evangelho segundo São Mateus Apóstolo, cap. 27, vers. 46)

“Transpassaram as minhas mãos e os meus pés, posso contar todos os meus ossos” (Livro dos Salmos, cap. 21, vers. 16-17)

Por George-François Sassine – Fratres in Unum.com: Na mentalidade ocidental, tão “objetiva e prática”, tão “certa e vaidosa” de sua característica “sintética e pragmática”, certamente as frases em epígrafe passaram a ter muito pouco significado. Já não se vive e nem se entende a gravidade do dito por Nosso Senhor Crucificado e Agonizante ao Pai, quase um protesto de um Filho que O ama infinitamente.

Não tivesse o Ocidente abraçado ideais diabólicos como o iluminismo, a franco-maçonaria e o comunismo, talvez houvesse via por onde resgatar – ao menos – o signficado rememorado anualmente na Sexta-Feira da Paixão.

Mas afinal, o que tem de concreto o dito de Nosso Senhor com a vida de cada um “de nós”, neste tempo brutal de maravilhas tecnológicas e de devoção ao prazer?

A consequência direta disso é ainda mais grave: a mentalidade objetivista e naturalista ocidentais culminam com o esvaziamento do sentido místico da Paixão e Morte de Nosso Senhor, que pode e deve ser observado, pela perspectiva do Santo Sacrifício da Missa, no desdobramento da História.

O primeiro e mais grave ato de esvaziamento – gestado de dentro da Igreja – foi o golpe colocado ao rebanho latino: a dessacralização do rito romano por um novus ordo aggiornato.

Esvaziado o sentido sobrenatural, então não mais conhece mais o homem ocidental médio – em sua carne – a dor insuportável de Deus que se oculta para por à prova aquele que O ama. Por isso, o homem ocidental médio é incapaz de reconhecer esta dor em outrem, esteja onde estiver.

A Igreja trouxe a semente do Oriente, pelas mãos de homens simples e ignorantes do mundo, para ser plantada no Ocidente, para substituir o trono do máximo poder temporal e da falsa glória, para que todos os caminhos culminassem no Único e Possível Poder: a Fé Verdadeira da qual São Pedro é o fiel depositário.

Mas novamente, quem se lembra da Igreja para além das construções e do poder visível que emana de Roma?

Refugiados em um igreja, incerto se Mosul ou Irbil, da página síria “Syrian Christian Resistance”, no Facebook

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“Ó vós, que passais pelo caminho, atentai e vede se há dor semelhante à minha dor”(Livro das Lamentações. 1, 12)

Eles são filhos de São Pedro e de São Tomé. São siríacos e caldeus. Falam o arábe e o idioma de Nosso Senhor. Têm origem apostólica. Recontam a Tradição sem necessidade de livros. Por alguns séculos estiveram separados do Santo Padre, mas depois retornaram como filhos pródigos.

Hoje, na planície de Nínive (na Mesopotâmia, território do Iraque), naquela mesma onde pregou o profeta Jonas, um pequeno rebanho sofre – além das próprias agruras da perseguição de uma seita demoníaca em doutrina e sua em atitude – o esquecimento daqueles que são, ou, ao menos deveriam, ser e agir como irmãos na Fé Ortodoxa de Nosso Senhor e de Seus Santos Apóstolos.

Fogem apenas com a roupa do corpo, vêem suas igrejas destruídas, as cruzes arrancadas, os altares profanados, os mosteiros queimados. São humilhados, extorquidos, escravizados, decapitados. São chamados de “nazranii” (nazarenos) como se isso fosse sinônimo de “infiel”.

Quem lhes virá em socorro? Até quando?

Santo Padre, esse teu povo clama a tua voz, que ela se erga em sua defesa e cobre – pragmática e objetivamente – aos poderosos deste mundo que ajam contra este massacre covarde. Dai-nos o exemplo, Santo Padre, para que o clero e os fiéis leigos ergam a voz e se indignem com justiça e piedade.

Instigai-nos a – concreta e pragmaticamente – nos esquecermos dos nossos confortos ocidentais e prestarmos nossa ajuda no carregar desta cruz. Provocai-nos os brios, para que não nos calemos e façamos da dor deles também nossa dor. Incitai em nós o desejo de também merecermos o desprezo mundano e de sermos também “nazranii”.

Porque eles são Igreja, Santo Padre, e morrem por amor ao Nome de Nosso Senhor. Eles são a tua Igreja que sofre. O sangue deles molha a terra, o nosso não.

Refugiados em um igreja, incerto se Mosul ou Irbil, da página síria “Syrian Christian Resistance”, no Facebook

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Nos anos recentes, a onda islamita varreu o Egito, a Síria, agora o Iraque e já chega ao Líbano.

Na sua simplicidad,e meu avô me dizia que o tempo é inimigo nosso na medida em que nos apressa em querer entender, logo, nos levando ao engano da verdade.

Um caro amigo uma vez me lembrou: “O sofrimento que Deus permite é sinal de predileção”.

Nessas duas colocações aparentemente desconexas, reflete-se o que viveu Jó: destituído de tudo, indistintamente do tempo, não se apressou em “concluir e sintetizar”, em ser “pragmático e objetivo”. Mas glorificou a Deus a todo momento, apesar de toda sua dor e secura.

Sacrifício este que foi perfeccionado ao absoluto, conforme ensinou São João Crisóstomo: “… havia dois altares, a Cruz de Nosso Senhor e o Coração de Maria Santíssima…”.

3

Finalizo com uma reflexão a partir da oração preparatória para a Eucaristia na Divina Liturgia (de São João Crisóstomo):

“Recebei-me, hoje, participante da vossa ceia mística, / ó Filho de Deus. / Porque não revelarei vossos mistérios aos vossos inimigos, / nem Vos beijarei como Judas; / mas como o bom ladrão eu Vos digo: / lembrai-Vos de mim, Senhor, em vosso reino”

Nós nos resignamos em nossas misérias e escondemos nossos talentos, ou, vamos em busca de ser sal da terra?

Da nossa parte, em orações e obras, o que falta para que mereçamos a lembrança de Nosso Senhor?

KYRIE ELEISON, KYRIE ELEISON, KYRIE ELEISON.

* * *

[1] Do aramaico transliterado: “ Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?”

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6 agosto, 2014

O Brasil tem seu novo Ordinário Militar.

Parabéns, Dom Fernando José Monteiro Guimarães, C.SS.R.

O Ordinariato, tal como Porto Alegre, foi poupado do maior castigo que se possa padecer.

4 agosto, 2014

Dicas de Santo Afonso para a felicidade.

Para viver sempre bem, diz Santo Afonso, é preciso que gravemos profundamente no espírito certas máximas gerais de vida eterna:

Santo Afonso Maria de Ligório.

Santo Afonso Maria de Ligório.

“Todas as coisas deste mundo acabam, o gozo e o sofrimento; mas a eternidade nunca tem fim”.

“De servem no momento da morte, todas as grandezas deste mundo?”

“Tudo o que vem de Deus, ou próspero ou adverso, é bom e para nosso bem”.

“É preciso deixar tudo para ganhar tudo.”

“Sem Deus não se pode ter verdadeira paz”.

“Só é necessário amar a Deus e salvar a alma”.

“Só o pecado se deve temer”.

“Perdido Deus, é tudo perdido”.

“Quem nada deseja deste mundo, é senhor de todo o mundo”.

“Quem reza se salva; quem não reza perde-se”.

“Morra-se, mas dê-se gosto a Deus”.

“Custe Deus o que custar, nunca nos sairá caro”.

“Para quem mereceu o inferno, toda pena é leve”.

“Tudo sofre quem considera Jesus na cruz”.

“O que não se faz por Deus, tudo redunda em pena”.

“Quem só quer a Deus, é rico de todos os bens”.

“Ditoso daquele que pode dizer do coração: Meu Jesus, só a Ti quero, e nada mais”.

“Quem ama a Deus, em todas as coisas achará prazer; quem não ama a Deus, em nenhuma coisa encontrará verdadeiro prazer”.

“QUEM REZA SE SALVA; QUEM NÃO REZA SE CONDENA”.

Fonte: Zelo Zelatus Sum