Archive for ‘Igreja’

28 fevereiro, 2015

Efeito “Quem sou eu para julgar?” – Pais e alunos protestam contra Moral Católica em escolas… Católicas!

Pais e alunos de escolas Católicas de San Francisco protestam contra cláusulas de moralidade nos contratos de Professores.

Por CBS | Tradução: Fratres in Unum.com – SAN FRANCISCO (KPIX 5) – Pais e alunos de escolas controladas pela Arquidiocese Católica de San Francisco participaram de um protesto em frente à Catedral de Santa Maria, na Quarta-Feira de Cinzas, alegando que a Igreja deveria ficar fora dos quartos dos professores e retirar as cláusulas de moralidade propostas nos contratos com os professores.

Assista ao vídeo aqui.

Na Quarta-Feira de Cinzas, um dos dias mais sagrados no calendário católico, os alunos e pais esperavam que o Arcebispo Salvatore Cordileone mudasse de ideia sobre as cláusulas, uma vez que nesse dia a Igreja inicia um período de 40 dias de reflexão quaresmal.

Pais e alunos protestaram contra cláusulas de moralidade propostas para a Arquidiocese de San Francisco em frente à Catedral de Santa Maria, no dia 18 de fevereiro de 2015. (CBS)

Pais e alunos protestaram contra cláusulas de moralidade propostas para a Arquidiocese de San Francisco em frente à Catedral de Santa Maria, no dia 18 de fevereiro de 2015. (CBS) – Num dos cartaz se lê: “Quem sou eu para julgar?”

“Estamos aqui porque se Jesus estivesse vivo hoje em dia, ele estaria de pé bem perto de nós”, disse Mairead Ahlbach, uma aluna da escola do Sagrado Coração, à multidão.

O que está em discussão são os contratos de moralidade propostos pelo arcebispo aos professores, que incluem cláusulas como oposição ao homossexualismo e contraceptivos.

Do lado de fora da catedral, o padre John Piderit da Arquidiocese disse: “O arcebispo está reiterando a doutrina católica tradicional. E a reclamação feita por diversos políticos e alguns pais e professores é que essa atitude é discriminatória. Na realidade, a nossa abordagem é a mesma para rapazes e moças, para heterossexuais e gays.”

Mas as diferenças sobre a doutrina e sua aplicação são profundas.

“A única coisa que estamos fazendo nesta noite é pregar valores católicos,” disse Ahlbach.

Ao serem indagados sobre se a proposta do arcebispo se enquadra na doutrina católica, outra aluna que participava do protesto disse: “Sim, ela efetivamente se enquadra na doutrina católica, mas achamos que se ela for implementada talvez muitos de nossos professores saiam da escola.”

“Não queremos que os nossos professores saiam e talvez até mesmo abandonem a fé. Apenas achamos que a Igreja Católica deveria se tornar mais progressista, assim como a Igreja Anglicana,” disse a aluna.

* * *

Nota do Fratres: Além dos protestos de pais e alunos das escolas de San Francisco, Dom Cordileone enfrenta protestos da Fundação da Campanha de Direitos Humanos, o braço educacional da maior organização americana de direitos civis de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, que apela à Arquidiocese de San Francisco que retire a linguagem anti-LGBT de seu novo contrato com os professores.

“As novas ‘cláusulas morais’ propostas no contrato pelo Arcebispo Salvatore Cordileone contrastam de maneira gritante com a mensagem de inclusão promovida pelo Papa Francisco”, disse Lisbeth Melendez Rivera, diretora da Latina/o e Iniciativas Católicas para o Programa de Religião e Fé da Fundação HRC. “Ao impor algo que equivale a um teste de pureza anti-LGBT, o arcebispo está fechando a porta a profissionais dedicados, muitos dos quais são católicos fiéis – gays e heterossexuais -, cujos códigos morais não incluem discriminação.”

Por sua vez, em carta aos professores de ensino médio, o Arcebispo Cordileone falou que o documento não tem por objetivo demitir ninguém, mas como acontece com muitas questões polêmicas relacionadas à fé e moral, ele percebeu que era importante ajudar os professores a oferecer perspectivas a seus alunos que estejam lutando em áreas como moralidade sexual e disciplina religiosa.

25 fevereiro, 2015

Paulo IV e os hereges de seu tempo.

Por Roberto de Mattei | Tradução: Fratres in Unum.com – O Conclave iniciado em 30 de novembro de 1549, após a morte de Paulo III, foi certamente um dos mais dramáticos da História da Igreja. O cardeal inglês Reginald Pole (1500-1558) era apontado por todos como o grande favorito. Já haviam sido preparados seus paramentos pontifícios e ele já tinha mostrado para alguns seu discurso de agradecimento. Em 5 de dezembro, faltava-lhe apenas um voto para obter a tiara papal, quando o Cardeal Gian Pietro Carafa se levantou e, diante da assembléia surpreendida, o acusou publicamente de heresia, atribuindo-lhe, entre outras coisas, o fato de ter defendido a dupla justificação cripto-luterana, rejeitada pelo Concílio de Trento em 1547. Carafa era conhecido por sua integridade doutrinária e por sua piedade. Os sufrágios em favor de Pole desabaram e, após longas disputas, no dia 7 de fevereiro de 1550, foi eleito o cardeal Giovanni del Monte, que tomou o nome de Júlio III (1487-1555).

A acusação de heresia, que era lançada pela primeira vez contra um cardeal num conclave, refletia as divisões entre os católicos face ao protestantismo (cfr. Paolo Simoncelli, Il caso Reginald Pole. Eresia e santità nelle polemiche religiose del cinquecento, Edizioni di Storia e Letteratura, Roma 1977). Entre os anos trinta e cinquenta do século XV, as tendências heréticas haviam se espalhado no mundo eclesiástico romano e delas nascera o partido dos “espirituais”, representado por personagens ambíguos, como o cardeais Reginald Pole, Gasparo Contarini (1483-1542) e Giovanni Morone (1509-1580). Eles cultivavam um cristianismo irênico e propunham conciliar o luteranismo com a estrutura institucional da Igreja Católica. Pole havia criado um círculo heterodoxo em Viterbo; Morone, quando era bispo de Modena, entre 1543 e 1546, tinha escolhido pregadores que posteriormente foram processados por heresia. Os atos dos processos inquisitoriais contra o cardeal Morone (1557-1559), o bispo Peter Carnesecchi (1557-1567) e o humanista Vittore Soranzo (1550-1558), todos pertencentes ao grupo dos “espirituais”, publicados pelo Instituto Histórico Italiano da Idade Moderna e Contemporânea e pelo Arquivo Secreto do Vaticano, entre 1981 e 2004, mostram como foi densa essa rede de cumplicidades, vigorosamente combatida por dois homens – Gian Pietro Carafa, o futuro Papa Paulo IV, e Michele Ghislieri, futuro São Pio V –, ambos destinados a se tornarem Papas e convencidos de que os “espirituais” eram, na verdade, cripto-luteranos.

Gian Pietro Carafa havia fundado com São Caetano de Thiene a Ordem dos Teatinos e tinha sido escolhido por Adriano VI para colaborar na reforma universal da Igreja, interrompida pela morte prematura do Papa de Utrecht. Era principalmente ao cardeal Carafa a quem se devia a instituição do Santo Ofício da Inquisição Romana. A bula Licet ab initio, de 21 de julho de 1542, com a qual Paulo III, por sugestão de Carafa, havia criado esse órgão, era uma declaração de guerra à heresia. Guerra que alguns desejavam continuar até a extirpação total do erro, e com a qual outros queriam acabar em nome da paz religiosa.

Após a morte de Júlio III, os dois partidos entraram em confronto no Conclave de 1555. Em 23 de maio de 1555, o cardeal Gian Pietro Carafa foi eleito Papa, superando por uma diferença mínima o cardeal Morone. Ele tinha na época 79 anos e tomou o nome de Paulo IV. Foi um Pontífice intransigente, que teve como objetivo principal a luta contra as heresias e uma verdadeira reforma da Igreja. Ele lutou contra a simonia, impôs aos bispos a obrigação de residirem nas próprias dioceses, restaurou a disciplina monástica, deu um forte impulso ao Tribunal da Inquisição, instituiu o Índice de Livros Proibidos. Seu braço direito era um humilde frade dominicano, Michele Ghislieri, nomeado por ele Bispo de Nepi e Sutri (1556), Cardeal (1557) e Grande Inquisidor vitalício (1558), abrindo-lhe assim o caminho ao Papado.

No dia 1° de junho de 1557, Paulo IV informou aos cardeais que ordenara a prisão do cardeal Morone, sob suspeita de heresia. Ele havia encarregado a Inquisição de realizar o processo, cujos resultados deveriam ser levados ao Sacro Colégio. Paulo IV dirigia a mesma acusação ao cardeal Pole, que se encontrava na Inglaterra e que foi demitido de seu cargo de legado pontifício. O cardeal Morone foi preso no Castelo de Sant’Angelo e liberado apenas em agosto de 1559, quando, na véspera do julgamento, a morte do Papa permitiu que ele recuperasse a liberdade para participar do conclave.

Em março de 1559, poucos meses antes de sua morte, Paulo IV havia publicado a bula Cum ex apostolato officio, na qual abordou a questão da possível heresia de um Papa (cfr. Bullarium diplomatum et privilegiorum sanctorum romanorum pontificum, S. e H. Dalmezzo, Augustae Taurinorum, 1860, VI, pp. 551-556). Nela lemos, “que mesmo o Romano Pontífice, que atua na terra como Vigário de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo e possui poder total sobre todas as nações e reinos, e a todos julga sem poder ser julgado por ninguém, se for reconhecido que se desviou da fé, pode ser repreendido” e “se alguma vez acontecer que (…) antes de sua promoção a cardeal ou sua elevação a Romano Pontífice, tivesse se desviado da fé católica ou tivesse caído em alguma heresia (ou tiver incorrido em um cisma ou o tiver suscitado), é nula, inválida e sem valor a sua promoção ou elevação, mesmo se ela tiver resultado da aprovação e do consenso unânime de todos os cardeais”.

Esta bula repete quase textualmente o princípio canônico medieval de que o Papa não pode ser repreendido e julgado por ninguém, “nisi deprehandatur a fide devius” – a menos que se desvie da fé (Ivo de Chartres, Decretales, V, cap. 23 , coll. 329-330). Discute-se se a Bula de Paulo IV é uma decisão dogmática ou um ato disciplinar; se ela ainda está em vigor ou se foi implicitamente revogada pelo Código de 1917; se se aplica ao Papa que tenha incorrido em heresia ante ou post electionem, e assim por diante. Não entramos nessas discussões. A bula Cum ex apostolatu officio permanece um documento papal relevante que confirma a possibilidade de um Papa herege, embora não dê nenhuma indicação da modalidade concreta pela qual ele perderia o pontificado.

Depois de Paulo IV, em 25 de dezembro de 1559 foi eleito um Papa político, que tomou o nome de Pio IV (Giovanni Angelo di Medici Marignano – 1499-1565). Em 6 de janeiro de 1560, o novo pontífice decretou a nulidade do julgamento contra o cardeal Morone, reinstalando-o em seu cargo e colidindo de frente com o cardeal Ghislieri, considerado por ele um fanático da Inquisição. O Inquisitor maior et perpetuus foi privado dos poderes excepcionais conferidos pelo Papa Paulo IV e transferido para a diocese secundária de Mondovi. Mas, com a morte de Pio IV, Michele Ghislieri foi eleito Papa de forma inesperada em 7 de janeiro de 1566, assumiundo o nome de Pio V. Seu pontificado situou-se em plena continuidade com o de Paulo IV, retomando a atividade inquisitorial. Porém, o cardeal Morone, que como legado papal tinha aberto o Concílio de Trento em nome de Paulo III, e dirigido suas últimas sessões por mandato de Pio IV, obteve a suspensão de sua condenação.

A História da Igreja, mesmo nos momentos de mais áspero confronto interno, é mais complexa do que muitos podem crer. O Concílio de Trento, um monumento da fé católica, foi inaugurado e depois concluído por um personagem gravemente suspeito de heresia luterana. Quando morreu, em 1580, Giovanni Morone foi enterrado em Santa Maria sopra Minerva (seu túmulo não é mais reconhecível), a mesma basílica onde São Pio V quis levantar um mausoléu em honra de seu acusador, do qual iniciou o processo de canonização: o campeão da ortodoxia Gian Pietro Carafa, Papa Paulo IV.

22 fevereiro, 2015

Foto da semana.

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“Vejam o padre: vestido como um rei, mas humilde como um camponês”. São João Maria Vianney

Créditos da imagem: Click Vaticano

19 fevereiro, 2015

A Igreja pede o vosso auxílio, a Igreja pede o vosso socorro: Rezemos o Santo Rosário!

Homilia proferida pelo Reverendíssimo Padre Renato Leite no dia 25 de maio de 2014*.

padre_pio_rosariogdeEu gostaria de fazer uma breve meditação aproveitando a ocasião do encerramento do mês Mariano, este mês de maio, recordando que em situações adversas como esta na qual nos encontramos, corremos, em princípio, um grave perigo do ponto de vista da fé e da nossa salvação, porque agora tudo à nossa volta conspira contra Jesus Cristo. Se cumprem aquelas palavras do Salmo 2: “Por que tumultuam as nações? Por que tramam os povos vãs conspirações? Erguem-se, juntos, os reis da terra, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Cristo.”

De modo que os cristão agora, de modo sutil, são tentados à abdicar da fé, a abandonar os votos que fizeram no Santo Batismo, a aderir às máximas do mundo, enganados pelo número, já que a maioria vive assim. Não bastante, até mesmo muitos membros do clero, muitos pastores, também capitularam, também condescenderam e agora são contados nas fileiras daqueles que  lutam contra Cristo, no fronte dos inimigos jurados de Jesus Cristo.

No passado, em situações como essa, os sucessores de Pedro não tinham nada em que pensar e nada no que se apoiar a não ser no auxílio da Virgem Maria. Em circunstâncias bem menos graves, encontraram o auxílio poderoso da Santíssima Virgem Maria. Vocês podem verificar isso que digo nos diversos documentos Marianos, as cartas, as encíclicas dos papas, de modo particular Pio IX, Leão XIII e Pio X. Era a Ela, invariavelmente, a quem estes grandes príncipes dos apóstolos recorriam nas agruras e nas dores da Mãe Igreja, pedindo seu auxílio poderoso, porque sabiam que eram sempre atendidos, e exortavam aos demais pastores e fiéis para que fizessem o mesmo pela oração do santo rosário.

Assim sendo, a oração do rosário deve ser mais do que uma opção de piedade pessoal e privada. Ainda que, infelizmente, também o rosário tenha caído no âmbito dos gostos pessoais, ou seja, reza quem gosta, quem não gosta não reza. O rosário ficou “ad libitum”, a critério.

Constantemente ouço dizer: “Ah! Eu rezo porque gosto, me sinto bem”. Vejam onde fomos parar: As pessoas rezam o terço porque “gostam de rezar e se sentem bem”, como se esse dom celeste tivesse sido oferecido ao gosto dos homens e não como remédio às suas necessidades terminais!

Antigamente, porém, a súplica à Maria era uma das principais armas de que a Igreja dispunha diante dos graves males, como foi a heresia albigense, quando a própria Virgem inspirou o rosário ao grande São Domingos, e pelos seus efeitos maravilhosos no combate contra as heresias e contra o mundo com suas máximas que, de tempos em tempos, não quer outra coisa a não ser “sacudir dos ombros” o suave jugo de Cristo, deu aos católicos a almejada vitória.

Diante de situações humanamente perdidas como esta na qual nos encontramos, afundados até o pescoço, a Igreja não fez outra coisa a não ser se apoiar nos braços da Santíssima Virgem, se prender a Ela pela oração fervorosa do rosário, pedindo a salvação dos cristãos. Dito isso, vejo-me no dever, do qual sei que Deus vai me pedir sérias contas, de exortar-vos à oração do rosário, já que temos na Tradição da Igreja o nosso apoio e a referência para a nossa pratica da fé.

Então, se alguém me perguntasse: “Mas padre, o que vamos fazer? As coisas pioram, as defecções são incontáveis, as traições, a heresia avança, campeia por todos os lados, os flancos estão abertos e os inimigos entram, o que fazer?” O que fazer?! Empunhemos a arma do terço, do santo rosário, não mais como uma simples opção de devoção privada, mas como um penhor de vitória.

Eu gostaria de exortar a vocês, portanto, filhos, celebrando esse último domingo do mês de maio, mês tradicionalmente dedicado ao terço, à Nossa Senhora, a meditar Suas virtudes, Seus méritos, a Sua glória e a Sua materna proteção e a Sua infalível intercessão, Sua onipotente intercessão. Eu gostaria de exortar-vos a tomar com afinco esta tarefa tão simples de guardar cada dia doze, quinze minutos para recitar pelo menos uma vez o terço do rosário, seguindo a tradição abalizada daqueles que o fizeram antes de nós, devemos rezar o Santo Rosário não simplesmente por gosto, ou por que nos sentimos inspirados a fazê-lo, mas porque nos foi ordenado a fazer.

Aqui não se trata simplesmente de um grupo  afeiçoado a uma devoção, mas sim da milícia de Cristo, dos soldados de Cristo que devem se levantar e, apoiados no Santo Sacrifício da Missa, empunhando o Santo Rosário, combater as forças das trevas que operam por detrás de todos os males dos quais não fazemos outra coisa senão lamentar, como se simplesmente pelo lamentar e chorar os males fosse possível diminuí-los ou resolvê-los.

Lembremos, filhos, lembremos do tempo que nos separa das coisas que são ditas a vocês hoje nesta Santa Missa, para recordar que nossos antepassados na fé fizeram isso. E o Céu não deixou de responder às suplicas que, uma vez colocadas nas mãos da Santíssima Virgem, foram levadas diante da presença do Trono do Cordeiro. O Senhor não deixou de atender a essas súplicas chanceladas pela virtude da Virgem Maria.

Assim sendo, devemos agora dar um passo adiante; demos um passo atrás, relegando o santo rosário a uma mera questão de gosto, de piedade privada, porque quando ele foi dado pela Virgem Maria a seu servo, ao seu Apóstolo Domingos de Gusmão, não lhe foi dado para lhe afagar o gosto, mas como uma arma de combate contra uma das piores heresias que a Igreja já conheceu, que devastava a França e o resto da Europa, a heresia Albigense, Cátara, o Catarismo.

Quantas vezes a Igreja encabeçada por seus pastores, dignos pastores, exemplares pastores, elevou com o terço nas mãos, com o rosário da Virgem, as súplicas a Deus em situações humanamente perdidas, obteve a resposta e o auxílio de que necessitava. Agora não é diferente, até porque, filhos, nós não combatemos uma heresia, um problema, nós combatemos todas as heresias juntas, no seu conjunto chamado de “Modernismo”, cloaca de todas as heresias. Não é mais um erro, um desvio da fé, mas todos juntos, compilados num amálgama monstruoso, um “dragão” que se posicionou diante da Igreja para devorá-la  e ao Cristo.

Então, eu exorto a vocês a tomar com temor e tremor os vossos rosários nas mãos, a se recordarem, honrando a memória dos santos que viveram antes de nós, e que o empunharam como arma de combate, a fazer o que eles mesmos fizeram quando puderam, quando tinham a oportunidade de recitar os mistérios do santo terço com Maria, em Maria e por Maria, e com Ela, por Cristo, em Cristo e para Cristo. É o que temos, filhos, é nosso primeiro combate, é a primeira forma de demonstrarmos apreço e amor à nossa Mãe Igreja, de quem recebemos todos os bens, de modo particular aqueles que vão passar conosco desta vida para a Eternidade e que vão franquear-nos as portas do Céu.

Quando essa crise, quando esse monstro começava a tomar sua forma definitiva no ano de 1917, com a explosão da insânia marxista, comunista na Rússia, foi isso que a Virgem pediu aos pastorinhos. Nas Suas seis benditas aparições em Fátima, o tema recorrente das aparições era esse: “Rezem o Terço todos os dias.” E será que nos custa tanto, filhos? Alguém de nós caiu na tentação de imaginar que o tempo rezado, o tempo dispensado ao Terço é tempo perdido? É o tempo em que mais ganhamos depois do tempo empenhado à Missa.

Eu não tenho mais nada a dizer, peço somente à Nossa Senhora que nos ajude a transformar esses propósitos, que o Espírito de Deus suscita em nossas almas num compromisso de combate. Não apenas porque fizemos o voto de escravidão à Santíssima Virgem segundo o método de São Luís Maria de Montfort, não apenas por isso, não por causa de nossas relações pessoais com a Mãe de Jesus, mas porque a Igreja precisa urgentemente desse obséquio.

Urgentemente! Nossa Mãe Igreja grita e pede auxílio aos seus filhos, grita como a Virgem do Apocalipse no capítulo doze, grita em dores de parto, porque o dragão agora se coloca diante dela para lhe devorar o Filho, para lhe devorar a obra, o fruto do Seu ventre. Não nos façamos de rogados, eu não posso exigir que abandonem vossas famílias, que saiam em Missão, que vendam seus bens, que os dêem aos pobres, isso eu não posso fazer, mas exigir que vocês rezem o Terço nessas condições e com essa intenção, eu devo, eu posso.

A Igreja pede o vosso auxílio. A Igreja pede o vosso socorro. Não deixemos nossa Mãe em agonia, uma vez que a grande Sexta-feira Santa da Igreja chega ao seu auge, chega à hora nona. Peçamos a Nossa Boa Mãe, a Santíssima Virgem, que tão solicitamente na Idade Média deu esse auxílio diante do grave risco que toda a Igreja e toda a Cristandade corriam por causa da heresia Cátara, supliquemos à nossa Boa Mãe que nos dê aquele zelo que deu ao Seu grande apóstolo São Domingos de Gusmão, aos outros que vieram na sequência: Santo Afonso Maria de Ligório, São Luís Maria Grignion de Montfort e tantos outros que fizeram muito porque rezaram o Terço, rezaram o Rosário da Virgem, porque não se deixaram seduzir pela Serpente, porque combateram ao lado da Igreja e não contra Ela, porque não se deixaram seduzir e enganar, estavam do lado da Mulher, daquela que pisou a cabeça da Serpente com seu calcanhar.

Se queremos estar do lado da Mulher que pisou, que pisa, que pode pisar a cabeça da Serpente, rezemos o Terço, foi o que Ela pediu. Quem quiser se alistar nas milícias da Virgem comece e termine pelo Santo Terço, o resto vem depois. O que devemos fazer virá depois, o que nos será  pedido pessoalmente virá depois, mas ninguém presuma coisa alguma se antes não voltar à fidelidade ao santo terço, ao terço diário. Se antes não entender que, mais do que qualquer outra coisa, o terço foi-nos dado como um instrumento para o combate, para a batalha, para esvaziar e anular as forças das trevas, os poderes das trevas e dos seus aliados aqui no mundo. Uma vez que tenhamos essa consciência e com essa consciência empunharmos o santo terço, tenho certeza que uma nova fase da nossa vida cristã, da nossa vida católica, vai começar. Sei que posso contar com vocês.

Ao término deste dia, na minha oração, vou levar o vosso alistamento aos pés de Nossa Senhora, neste último domingo do mês de maio, vou dizer-Lhe, em meu nome e em vosso, que Ela pode contar convosco, que estamos de acordo com aquilo que aqui foi dito, que nos alistaremos para o combate. Porque a Mãe Igreja pede ajuda, a Mãe Igreja grita por auxílio. Quem a socorrerá?

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

* A transcrição acima manteve o estilo coloquial do sermão.

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17 fevereiro, 2015

O jejum e a abstinência na lei da Igreja.


Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canônico de 1983.

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as sextas-feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cânon 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as sextas, exceto nas solenidades. [Cânon 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. [Cânon 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até o início dos 60 anos [Cânon 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canônico de 1917.

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para S. Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: segundas, terças, quartas e quintas-feiras da Quaresma. [Cânon 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até os 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as sextas-feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [cânon 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cânon 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: quarta-feira de cinzas, toda sexta e sábado da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), em cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, Assunção, Todos os Santos e Natal. [Cânon 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência aos que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

Fonte: The year of Our Lord Jesus Christ 2009, The Desert Will Flower Press.

(Post originalmente publicado na quaresma de 2009)

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16 fevereiro, 2015

Filial Súplica ao Papa Francisco pelo futuro da família.

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Com vistas ao Sínodo sobre a Família a realizar-se em outubro de 2015 em Roma, um grupo de leigos católicos e de associações pró-vida preocupados se reuniram, para pedir filialmente ao Papa Francisco que reafirme de modo categórico o ensinamento tradicional da Igreja segundo o qual os católicos divorciados e recasados civilmente não podem receber a Sagrada Comunhão, e de que as uniões homossexuais são contrárias às leis divina e natural.

A iniciativa já conta com mais de 100.000 assinaturas, entre as quais estão personalidades eclesiásticas como o Cardeal Raymond Leo Burke, Cardeal Walter Brandmüller, Cardeal Jorge Arturo Medina Estevez, Dom Athanasius Schneider, Dom Aldo Pagotto (arcebispo da Paraíba), Dom Milton Kenan Junior (bispo de Barretos), Dom Alano Maria Pena (arcebispo emérito de Niterói).

Clique na imagem acima para assinar e não deixe de divulgar!

16 fevereiro, 2015

Dom Athanasius Schneider nos EUA.

Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, após visitar o Brasil em dezembro, está agora nos Estados Unidos. Dentre os eventos importantes da viagem estão a conferência pronunciada em Washington, DC, sobre “Alguns aspectos da renovação da Igreja e de sua liturgia”, organizada pelo Paulus Instititute e pela TFP americana e a visita de Dom Athanasius ao seminário americano da Fraternidade São Pio X. Em janeiro, Sua Excelência já havia visitado outro seminário da Fraternidade, em Flavigny, na França. Em ambos os encontros, as conversas giraram em torno do problema dos “pressupostos doutrinais do Novus Ordo Missae.

Em dezembro, o Cardeal Walter Brandmüller, presidente emérito do Pontifício Conselho para as Ciências Históricas, visitou o seminário da FSSPX na Alemanha.

15 fevereiro, 2015

Foto da semana.

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Padre Pedro Stepien, sacerdote polonês residente em Brasília, e suas manifestações em favor da vida, contra o aborto. À direita, grupo de crianças levado pelo sacerdote para conscientizar o Congresso Nacional contra o abominável assassinato dos pequenos indefesos.

Segundo o jornal O Globo, de 11 de fevereiro de 2015, Padre Pedro interpelou o furibundo deputado abortista Jean Willys, pedindo-lhe que assinasse um requerimento de criação de uma frente parlamentar “a favor da vida e da família”, contra o aborto e o casamento gay. Evidentemente, recebeu um rotundo não, porém, não se calou: “Aborto é um crime hediondo em qualquer caso, é assassinato de criança que não tem advogado. A pessoa que é a favor do aborto não tem direito de falar de direitos humanos”. O deputado, por sua vez, denunciou à polícia legislativa o que chamou de “exploração” das crianças levadas ao Congresso e se irritou ao saber que o sacerdote rezava por ele.

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14 fevereiro, 2015

Festival Católico de Cinema em São Paulo.

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Portal Mater Dei está promovendo um festival de filmes católicos que serão exibidos no Teatro São Bento, no centro de São Paulo. Entre os filmes estão: Cristiada Mons. Lefebvre.

A programação completa e informações sobre ingressos estão disponíveis aqui.

E a quem não é de São Paulo, algumas dicas de filmes católicos disponíveis na internet podem ser encontradas neste nosso post de maio de 2013.

 

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13 fevereiro, 2015

Folheto – Prece para os Dias de Carnaval.

 

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