Archive for ‘Igreja’

6 fevereiro, 2016

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Ato perfeito de amor a Deus.

“Conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor; quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele”… “Nós, portanto, amemos a Deus, porque Deus nos amou primeiro” (1 S. João, IV, 16 e 19).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Primeiramente um esclarecimento: Habitualmente, em nosso amor de Deus há mistura de amor puro e de amor de esperança, o que quer dizer que amamos a Deus por Si mesmo, porque é infinitamente bom, e também porque é a fonte de nossa felicidade. Estes dois motivos não se excluem, pois Deus quis que em O amar e glorificar encontrássemos a nossa felicidade. Não nos inquietemos, pois, desta mistura, e, pensando no céu, digamo-nos somente que a nossa felicidade consistirá em possuir a Deus, em O ver, amar e glorificar; então o desejo e a esperança do céu não impedem que o motivo dominante das nossas ações seja verdadeiramente o amor de Deus.

O Ato de Amor a Deus é a maior e mais preciosa ação que se possa ser feito, tanto no céu como na terra. A alma que faz mais Atos de Amor a Deus é a alma mais amada por Deus no céu e na terra. O Ato de Amor a Deus é o mais poderoso e eficaz meio para chegar bem depressa e facilmente à mais íntima união com Deus, à mais alta santidade e à maior paz da alma. (Beato Olier).

O Ato de perfeito Amor a Deus realiza imediatamente o mistério da união da alma com Deus. E se esta alma fosse culpada dos maiores erros, ainda que numerosos, adquiriria imediatamente a Graça de Deus com este Ato, com a condição de desejar se confessar o quanto antes. Não pode comungar antes da confissão. Mas queremos dizer que feito o Ato de perfeito Amor a Deus, a alma por mais pecadora é perdoada por este Ato e se morrer antes de se confessar não vai para o inferno. Está salva.

Este ato purifica a alma dos pecados veniais, das imperfeições, dá o perdão do pecado, dá também a remissão da pena por todos os pecados e restitui os méritos perdidos. O Ato perfeito de Amor a Deus torna a dar a alma imediatamente a inocência batismal. É este ato o meio eficaz para converter os pecadores, salvar os moribundos, libertar as almas do Purgatório, e para consolar os que sofrem, para ajudar os Padres, para ser útil às almas e à Igreja.

Um Ato perfeito de Amor a Deus aumenta a glória exterior do próprio Deus, da Santíssima Virgem e de todos os Santos do Paraíso; soergue todas as almas do Purgatório; obtém acréscimo da graça para todos os fiéis sobre a terra, reprime o poder maligno do inferno sobre as criaturas. O menor Ato de amor a Deus chega como bênção e graça até o selvagem que mora na última choupana abandonada nos limites da terra.

O Ato de Amor a Deus é o mais poderoso meio de evitar o pecado, de vencer as tentações e também para adquirir todas as virtudes e merecer todas as graças.

“O menor Ato de perfeito Amor a Deus tem mais efeito, mais merecimento e mais importância, que todas as boas obras em conjunto”. (São João da Cruz) É óbvio que São João da Cruz está se referindo às obras boas mas não feitas com perfeito amor a Deus. O Ato de Amor a Deus é a ação mais simples, mais fácil, mais curta ou rápida que se pode fazer, pois basta dizer com toda simplicidade: “Meu Deus, eu Vos amo”.

É tão fácil fazer um Ato de Amor a Deus. Pode-se realizá-lo a todo momento, em todas as circunstâncias, no meio do trabalho, entre a multidão humana, seja qual for o lugar, e num instante de tempo. O Bom Deus está sempre presente, ouvindo, esperando afetuosamente colher do coração da criatura essa expressão de amor. Ele deseja somente que a alma que faz um Ato de Amor conserve-se atenta um momento para poder Ele, Deus responder-lhe por sua vez: “Eu também te amo; Eu te amo muito!”

O Ato de amor não requer esforço nem inteligência. Não interrompe a atividade, não exige fórmulas particulares. O Ato de Amor não é um ato de sentimento; é um ato da vontade. Elevado infinitamente acima da sensibilidade e é também imperceptível aos sentidos. Basta que a alma diga ou mesmo exprima sem palavras ao bom Deus: “Meu Deus, eu Vos amo!”

Na dor sofrendo em paz e com paciência, a alma manifesta seu Ato de Amor deste modo: “Eu Vos amo Meu Deus, por isto sofro tudo por amor a Vós!”

Em meio aos trabalhos e preocupações exteriores, no cumprimento do dever cotidiano: “Meu Deus, eu vos amo, trabalho convosco, para Vós, por Vosso Amor”.

Na solidão, no isolamento, na imolação, na desolação: “Obrigado, meu Deus, sou assim mais semelhante a Jesus. Basta-me amar-Vos muito!”

Por ocasião de defeitos, mesmo graves: “Meu Deus, sou fraco, perdoai-me. Recorro a Vós, refugio-me em Vós porque Vos amo muito!”

Nas alegrias, nas horas de felicidade: “Meu Deus, obrigado por este dom. Eu Vos amo”.

Quando a última hora se aproximar: “Obrigado, meu Deus por tudo.

Amei-Vos sobre a terra; espero amar-Vos para sempre no Paraíso!”

Pode-se fazer o Ato de Amor a Deus de mil modos diversos. Mas ele é realizado de modo particular pela vontade sempre disposta a cumprir a Santa Vontade de Deus, de qualquer modo que ela se apresente e nos seja manifestada.

Faz-se o Ato de Amor a Deus, também, quando se cumpre mesmo uma pequenina obrigação, quando se sofre uma bem pequena pena ou frui-se qualquer ventura ou alegria, tudo por seu Amor.

“Para o bom Deus, vale mais apanhar um alfinete do chão por seu Amor, do que realizar ações notáveis por outros objetivos, ainda que honestos”, – diz um santo.

Faz-se Atos de Amor a Deus todas as vezes que se Lhe diz pela vontade: “Meu Deus, eu Vos amo”.

Uma pobre alma, ignorada de todos, pode fazer por dia 10.000 Atos de Amor a Deus. Na realidade, uma alma simples, e que vive no meio do mundo, e no meio da agitação e das preocupações, pode repetir cada dia 10.000 vezes: “Meu Deus, eu Vos amo”.

A ALMA PODE FAZER O ATO DE AMOR A DEUS EM TRÊS GRAUS DE PERFEIÇÃO.

1º) – Vontade de sofrer quaisquer penas e até mesmo a morte para não ofender gravemente o Senhor. “Meu Deus, antes morrer que cometer um pecado mortal”.

2º) – Vontade de sofrer qualquer pena e até mesmo a morte de preferência a consentir num pecado venial. “Meu Deus, antes morrer que ofender-Vos, mesmo levemente”.

3º) – Vontade de escolher sempre o que for mais agradável a Deus. “Meu Deus, uma vez que Vos amo, quero somente o que quereis”.

Cada um destes três atos contém um Ato perfeito de Amor a Deus. Santo não é quem faz milagres, tem êxtases ou visões, mas quem faz mais Atos de Amor a Deus no decorrer do dia. Santo não é quem nunca consente num pecado, mas quem faz pecados por fraqueza mas logo se reergue e encontra em sua própria fraqueza nova razão de amar ainda mais o bom Deus e de se abandonar melhor nos braços divinos. Santo não é quem se flagela, usa de fortes mortificações ou que foge ao mundo, ou que realiza obras notáveis que maravilham os homens, mas quem diz maior número de vezes e com mais amor ao bom Deus: “Meu Deus, eu Vos amo muito, e por vosso amor, quero florescer onde me semeastes”. Santo é quem repete com maior vontade e maior número de vezes o Ato de Amor pela jornada diária afora: “Meu Deus, eu Vos amo muito”. A alma mais simples e escondida, ignorada de todos, mas que faz o maior número de Atos de Amor a Deus, é muito mais útil às almas e à Igreja do que aquelas que fazem grandes obras com menor amor.

As obras grandiosas e maravilhosas de alguns santos tiveram muito valor justamente porque tiveram como motivo o grande amor a Deus que lhes inflamava a alma.

No final destas reflexões, não faltará certamente quem pergunte: Mas, Padre, qual o melhor meio para se conseguir este Amor Perfeito a Deus? Respondo: A Meditação da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e também a instituição do Santíssimo Sacramento do Altar. Amor com amor se paga. Na expressão de Santo Agostinho: “Jesus, sendo poderosíssimo, não poderia fazer mais, sendo sapientíssimo, não saberia fazer mais, e sendo riquíssimo, não teria nada mais precioso para nos dar”. Jesus Cristo, em Belém, fez-se nosso Irmão; no Cenáculo fez-se nosso Alimento; no Calvário, nosso Resgate e no Céu, será nossa Recompensa. Caríssimos, como não amar a Deus? É o único Ser que merece todo nosso amor! E oxalá, tivéssemos milhares de corações para  amar a Deus, Nosso Pai, Nosso Criador e Nosso Redentor por seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!

(Esta postagem é um folheto distribuído por Religiosas no alto da “Escada Santa” em Roma. Foi traduzido para o português e publicado em 1958. Recebeu para tanto o Nihil obstat do Cônego Vital B. Cavalcanti (Censor ad hoc); e o “imprimatur” = pode imprimir-se – foi dado pelo Mons. Caruso , Vigário Geral no Rio de Janeiro).

5 fevereiro, 2016

Pe. Zezinho & Pe. Joãozinho. A diminuta dupla diminutiva e sua “fuga em ré menor”.

Editorial de FratresInUnum.com

Nunca entendemos porque esses dois gostam tanto de diminutivos… Aliás, tão pueris e impróprios para sua idade e condição.

Em todo caso, nas últimas semanas os dois andaram meio atacados; ou melhor, atacando os outros…

Com todo aquele ar de superioridade que os caracteriza – adoram passar “pitos” em todo mundo! –, erigiram-se acima e no centro e decidem quem está à direita e quem à esquerda. Este, a propósito, é um modus operandi muito usual de Pe. José Fernandes (ou Zezinho), que em suas músicas ou quadros na TV sempre se pôs a dar liçõezinhas de “moral” em todo mundo, a criticar a falta de ética na política, de tolerância, de ecumenismo, a etiquetar os outros de radical, enquanto ele desfila como um monumento da infalibilidade moral.

Até aqui, nenhuma novidade.

Porém, nos últimos dias, os dois começaram a disparar contra o clero “conservador”, termo cujo significado desconhecem por completo, a invocar a “inerrância” da teologia da libertação, a louvar histericamente a CNBB, chamando em causa o próprio Papa Francisco.

Tudo começou há algumas semanas, quando, repentinamente, Pe. Zezinho começou a atacar o que ele chamou de OS NOVOS MONTANISTAS.

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Comportando-se como um caça-fantasmas, cita sem citar, manda indiretas. Ele é um padre, não uma futriqueira de sacristia, como essas que o Papa Francisco vive corrigindo. A propósito, num discurso improvisado a religiosos – Pe. Zezinho é religioso, não?! –, o Papa que ele diz tanto amar soltou essa:

“Escutem bem: não às fofocas, ao terrorismo das fofocas. Porque quem fofoca é um terrorista. É um terrorista dentro da própria comunidade, porque atira a palavra como uma bomba contra este, contra aquele, e depois vai embora tranquilo. Destrói! Quem faz isso destrói, como uma bomba, e ele se afasta. Se lhe dá vontade de dizer qualquer coisa contra um irmão ou irmã, de jogar uma bomba de fofoca, morda a língua! Forte! Terrorismo na comunidade, não! ‘Mas, Padre, e se tiver alguma coisa, um defeito, algo a se corrigir?’. Diga à pessoa: você tem essa atitude que me faz mal, ou não está bem. As fofocas não ajudam!” (Discurso, 1/02/2016).

Mas isso é o de menos! Aliás, se fosse para rebater essas maledicências indiretas, nem nos ocuparíamos em escrever a respeito.

O problema é uma das frases do texto, quando ele diz que “escolheram como alvo a Teologia da Libertação que faz tempo que se libertou da pecha de pro-marxista”… Como? Não, isso não dá!

E é justamente aqui que sua fala se alinha com uma interessante intervenção do Pe. Joãozinho em um encontro, ocorrido no fim de janeiro passado, em Aparecida, SP, em que afirmou:

(…) Aí alguém vai dizer: peraí, eu já peguei esse livro do Gustavo Gutierrez aqui ó: e ele é marxista! Hoje tem o marxismo cultural. Claro que ele é marxista!, porque ele tava falando pra marxistas. No periodo dele ele tava falando pra guerrilheiros, com o Camilo Torres, mas ele mudou… o… sotaque quando mudou o interlocutor. Então tem uma segunda edição, 1800… 1989, que muita gente não lê, né. Tem, é, tá publicada no brasil pela edições Loyola, e tem, um livro do atual prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerrard Muler, sobre isso: “Ao lado dos pobres”, eu preferia até, ao lado do pobre, solidário com o pobre que é Jesus, né?

Mas a dupla, sempre tão alinhada, agora parece se contradizer: a TL se “libertou da pecha de pro-marxista” ou houve apenas uma “mudança de sotaque”?

É óbvio que isso não começou hoje. Hibridizar RCC e TL é uma das metas mais antigas de Pe. Joãozinho. Ele e Pe. Zezinho formam, entre os desafortunados dehonianos, prodígios como Fabio de Melo, religioso que depois renunciou aos votos, entre eles o de pobreza, e se fez diocesano. Seria porque optou pelo cachê?

Aliás, a tese de doutorado de Pe. Joãozinho em teologia sistemática é propriamente sobre o conceito de salvação em Gustavo Gutiérrez.

No trecho acima, ele faz o seguinte raciocínio: Gustavo Gutiérrez não é marxista, mas ele é marxista para conversar com marxistas!!! –Que lógica, hein?!

Segundo Pe. Joãozinho, a TL não é marxista, nunca foi, nunca será. É apenas uma concretização da tal “opção pelos pobres”. Ele apela para a nova edição do livro de Gutiérrez, para o Cardeal Müller da Congregação para a Doutrina da Fé (que segundo o Arcebispo de Lima, terra de Gutierrez, é um “bom alemão, bom teólogo, um pouco ingênuo”), como se mil argumentos de autoridade pudessem mudar fatos, ou melhor, documentos publicados.

Pe. Joãozinho reclama muito de “generalidades”, mas a sua palestra foi um caleidoscópio de generalizações, citações de orelha, escassíssima documentação, em suma, uma vergonha acadêmica, diante da qual, invocar três doutorados de pouco serve!, embora essa gente ame os argumentos de autoridade, ainda mais quando a autoridade é a sua. Sabem aquelas pessoas que desfiam palavras difíceis como se aquilo provasse ciência?… Tipo assim!

A este respeito, enxertamos aqui o trecho de um artigo que publicamos há alguns meses, cuja leitura nos parece tremendamente necessária. Nele, utilizou-se a edição de 1996 do livro de Gustavo Gutiérrez, justamente essa com “novo sotaque”, levantada como troféu por Joãozinho em sua “conferência”!

* * *

Engana-se quem imagina que a TL seja uma corrente teológica inspirada no marxismo.

A TL é uma metodologia destinada a transformar a Igreja numa organização integralmente marxista. Para entendê-lo melhor, valhamo-nos da reflexão do fundador da TL, o Padre Gustavo Gutiérrez.

Em seu livro “Teologia da Libertação” (Loyola, São Paulo: 2000, conforme a 9ª. edição original de 1996), Gutiérrez afirma que a história da teologia poderia ser dividida em três fases: no primeiro milênio, a teologia era uma reflexão sapiencial; no segundo milênio, uma reflexão racional; e agora, no terceiro milênio, seria uma “reflexão crítica sobre a práxis, uma teologia crítica” (cf. pp. 61-71).

Ele assume que “entre os antecedentes desta teologia estão o pensamento marxista centrado na práxis, dirigido para a transformação do mundo, cuja gravitação se acentuou no clima cultural dos últimos tempos, e constitui-se em marco formal de todo o pensamento filosófico de hoje, não superável” (pg. 65).

Ademais, admite que todos esses fatores “levaram igualmente à redescoberta ou à explicitação da função da teologia como reflexão crítica”, explicando que, “reflexão crítica” significa que “a teologia deve ser um pensamento crítico de si mesmo, de seus próprios fundamentos[…] Referimo-nos também a uma atitude lúcida e crítica com relação aos condicionamentos econômicos e socioculturais da vida e reflexão da comunidade cristã […] A reflexão teológica seria então, necessariamente, uma crítica da sociedade e da Igreja…, indissoluvelmente unida à práxis histórica” (pp. 67-68).

Gutiérrez não titubeia, e afirma que “se, porém, parte a teologia dessa leitura e contribui para descobrir a significação dos acontecimentos históricos, é para fazer que seja mais radical e lúcido o compromisso libertador dos cristãos. Só o exercício da função profética, assim entendida, fará do teólogo o que, usando a expressão de A. Gramsci, pode chamar-se um novo tipo de ‘intelectual orgânico’” (pp. 70-71).

“Estamos, pois”, conclui Gutierrez, “diante de uma hermenêutica política do Evangelho” (p. 71), que não se limita apenas a justapor-se a toda a tradição, mas “leva necessariamente a uma redefinição” daqueles dois modelos anteriores, de modo que “sabedoria e saber racional terão, daí em diante, mais explicitamente, como ponto de partida e como contexto, a práxis histórica” (p. 72). Portanto, o que “a teologia da libertação nos propõe não é tanto um novo tema para a reflexão quanto um novo modo de fazer teologia” (pp. 72-73).

* * *

Não precisamos sequer citar, por exemplo, o clamoroso artigo de Leonardo Boff no “Jornal do Brasil”, em 6 de abril de 1986, em que ele escreve, explicitamente: “O que propomos não é Teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da Teologia”; bastaria citar a própria Instrução Libertatis Nuntius da Congregação para a Doutrina da Fé, de 6 de agosto de 1984, portanto, anterior ao artigo de Boff e em meio à efervescência da “teologia da libertação”, em que a Santa Sé quer “chamar a atenção dos pastores, dos teólogos e de todos os fiéis, para os desvios e perigos de desvio, prejudiciais à fé e à vida cristã, inerentes a certas formas da teologia da libertação que usam, de maneira insuficientemente crítica, conceitos assumidos de diversas correntes do pensamento marxista” (Introdução).

Fazendo-se de surdos, os “teólogos” da libertação camuflaram-se na estrutura da Igreja e, mediante a revolução cultural, foram chegando ao resultado que queriam: a consolidação de um partido político (PT) a partir do laicato católico, partido em favor do qual militam até hoje membros da hierarquia; e, para atingirem este fim, usar a Igreja como mídia de seus “valores”, apresentados como “valores do Reino”.

As musiquinhas esquerdistas de Zé Vicente e Pe. Zezinho serviram exatamente para isso. É difícil, por exemplo, imaginar que a “música” do Pe. Zezinho intitulada “Trabalhadores”, não faça uma imediata evocação ao “Partidos dos Trabalhadores”.

Silenciados e corrigidos pela Congregação para a Doutrina da Fé, os teólogos da libertação encontram agora a última, já que estão todos à beira do túmulo, oportunidade para sair do armário, e o fazem alegando uma suposta humilde aceitação da correção: a libertação de “pecha de pro-marxismo”, como disse pe. Zezinho,  mas, que — por lapso?! — Pe. Joãozinho confessou como uma mera “mudança de sotaque”…

Não há nada de novo na história: uma vez condenadas pela Igreja, as grandes heresias se travestiam de humildade para, supostamente “corrigidas”, apresentarem-se com uma roupagem menos escandalosa. Assim foi com o neo-arianismo, o neo-pelagianismo e, mais recentemente, o neo-modernismo.

Além disso, Pe. Zezinho esperneia para defender os bispos, dizendo que NUNCA!, nunca conheceu um, hum, 1, unzinho, one, bispo marxista…

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Como assim? Ele supõe que o que faz um bispo ou um padre ser marxista é auto-declarar-se marxista?

Pe. Zezinho, mas o senhor não se declara marxista, nem modernista, nem cantor cafona e brega que chegou ao seu auge enquanto o catolicismo no Brasil chegava ao fundo do poço… no entanto, o é com muita propriedade! Quase um Valdik Soriano sem rayban, sem chapéu e, óbvio, sem batina,  cantando “trabalhadores, trabalhadoras”…

Alega que querem atacar o Papa Bergoglio, mas, não tendo coragem, acabam por atacar a CNBB, querendo separá-la do mesmo Papa… Mas que lógica a dessa turma! Se são contra o Papa e contra a CNBB, por que separá-los?

Parece que Pe. Zezinho lê apenas os seus próprios textos. Será que ele não percebe o tremendo mal-estar do povo católico com as “inovações” de Francisco? Foram mais de 800 mil de assinaturas contra as aclamadas “inovações” do Sínodo da Família!! Será que não lê as inúmeras críticas que Francisco recebe, inclusive por membros da alta hierarquia, mesmo cardeais!, que em tons mais ou menos polidos manifestam sua perplexidade diante de suas declarações ambíguas?

Critica-se o que é criticável em Papa Francisco. Ele mesmo se critica, em diversas de suas entrevistas, e não parece preocupar-se muito com isso. Até telefonou para o falecido Mario Palmaro, jornalista extremamente ácido em relação a Bergoglio, para agradecer-lhe e dizer que aceitou as críticas porque “foram feitas com amor”. Cadê seu amor, Pe. Zezinho?

Agora, haja paciência!, dizer que se começou a criticar a CNBB apenas após a eleição de Papa Francisco é uma inverdade grotesca!

Há muito se critica o “marxismo camuflado” (e em não poucas vezes escrachado) na CNBB, praticamente desde sua fundação! Portanto, não é nenhuma novidade da era Francisco. Ainda em 2009, Bento XVI alertava os bispos:

“Vale a pena lembrar que em agosto passado, completou 25 anos a Instrução Libertatis nuntius da Congregação da Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, nela sublinhando o perigo que comportava a assunção acrítica, feita por alguns teólogos de teses e metodologias provenientes do marxismo. As suas sequelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas. Suplico a quantos de algum modo se sentiram atraídos, envolvidos e atingidos no seu íntimo por certos princípios enganadores da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida Instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece de mão estendida” (Discurso aos bispos dos Regionais Sul 3 e Sul 4, 5 de dezembro de 2009 – negrito nosso).

É, pelo jeito Bento XVI foi impreciso e estava desatualizado — coitado, não consultou Joãozinho e Zezinho –, pois no discurso acima não fez nenhuma distinção entre a boa e má TL…

Num outro post, Pe. Zezinho ainda começou a ofender os opositores da teologia da libertação, conferindo-lhes a alcunha de “gurus” e “gurís”. Mais uma de suas arrogantes “lições” de “humildade”.

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Contudo, é forçoso reconhecer, aqui, que Pe. José (ou Zezinho) tem muita razão!!! De fato, temos muitos guris, coisa que a turminha da TL cada vez mais desconhece. É… O trem das CEBs está cada dia mais senil e caduco!!!

Lembram daquela fotografia maravilhosa feita num congresso de gurus – sim, gurus! – da TL?… Realmente, estavam faltando guris.

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O próprio Leonardo Boff reconheceu que não havia uma renovação nos “pensadores” da TL! Sabem o porquê?

A máfia “libertadora” sempre desprezou o magistério papal, hostilizou os papas, os desobedeceu cinicamente… Agora, fingem obediência a Francisco, mas apenas continuam fazendo o que lhes convém, mesmo quando isso coincide com aquilo que ele ensina.

Por isso, incorreram no castigo de Micol, mulher de Davi, que caçoou dele, enquanto entrava celebrando ante a Arca da Aliança.

“Voltando Davi para abençoar a família, Micol, filha de Saul, veio-lhe ao encontro e disse-lhe: Como se distinguiu hoje o rei de Israel, dando-se em espetáculo às servas de seus servos, e descobrindo-se sem pudor, como qualquer um do povo! Foi diante do Senhor que dancei, replicou Davi; diante do Senhor que me escolheu e me preferiu a teu pai e a toda a tua família, para fazer-me o chefe de seu povo de Israel. Foi diante do Senhor que dancei. E me abaixarei ainda mais, e me aviltarei aos teus olhos, mas serei honrado pelas escravas de que falaste. E Micol, filha de Saul, não teve mais filhos até o dia de sua morte” (2Sm 6,20-23).

A “Teologia da Libertação” é estéril. Só produz morte! Ninguém mais se interessará dela. Os jovens, hoje, querem a Tradição, querem a Fé, querem Deus!

Podem esconder-se atrás do Papa ou atrás de quem quiserem, mas isso não os fará mais atrativos. Essas demagogias impressionam apenas aqueles que sempre sonharam com elas, os revoltados de ontem, os adolescentes que nunca cresceram.

O futuro está com a Tradição! E isso não é questão de moda, da tal da “lei do pêndulo”, mas, sim, de profundidade, de verdade. Eles conhecem apenas a conveniência, o discurso gasto das décadas de 60 e 70.

Francamente, pensamos muito se deveríamos ou não fazer este comentário e, consequentemente, dar audiência a esses dois… Mas, diante de falsificações como estas da TL não poderíamos emudecer.

A sincera impressão que temos de tudo isso é que a dupla diminutiva está inconformada mesmo é com sua falta de sucesso. Aliás, seu número de likes nas mídias é irrisório – ainda bem, pra eles, que não existe a opção dislike.

Relegados ao mundo brega da catholic music, não suportam mais o vazio de auditório. Zezinho, com sua voz rouca; Joãozinho, com sua voz fanha e fina, poderiam tentar ainda fazer uma dupla. Quem sabe aproveitar a oportunidade da saída da Joelma e se juntarem ambos ao Chimbinha. Contudo, diante da falta de talento, resta-lhes mesmo é fazer isso que fizeram: uma bela fuga, na marcha ré, pra trás do papa, digamos, uma “fuga em ré menor”.

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4 fevereiro, 2016

Há um “pueblo” para Francisco?

Do artigo de Massimo Faggioli, historiador italiano, no Global Pulse:

Todavia, os problemas que afetam o pontificado de Francisco vêm muito mais do lado de dentro da Igreja do que do lado de fora. O que o Dia da Família mostrou é que a Igreja dos “valores não negociáveis”, aquela que continua a considerar a homossexualidade uma “desordem intrínseca”, está longe de acabar.

Eis um estilo de catolicismo muito diferente daquele do atual papa. A Igreja da cultura de guerra se mantém viva e ainda é capaz de mobilizar-se e ser ouvida. Mas ela é uma Igreja que não tem a mesma compreensão que Francisco.

O que se viu no palco montado no Circus Maximus foi uma espécie de volta ao começo dos anos 2000, quando a Igreja italiana era dominada pelo Cardeal Camillo Ruini, a mente política do episcopado italiano na era João Paulo II.

O Vaticano fica a uma pequena distância daquele vasto campo, mas os homens de Francisco e a sua mensagem não foram vistos no Dia da Família.

É provavelmente correto dizer que o evento era, em parte, uma resposta ao chamado do papa, feito em maio passado, para que os leigos católicos tomassem as questões sociais em suas próprias mãos em vez de ficarem esperando serem dirigidos por bispos “pilotos”.

Mas estes fiéis se puseram a assumir as questões sociais de uma maneira nada próxima ao estilo do Papa Francisco.

Não se trata de uma estratégia maquiavélica do papa, no sentido de que ele deixa os leigos fazerem o que não se atreve a fazer a fim de não se tornar impopular. Não. Existe uma diferença profunda entre a Igreja de que Franciscofala e a Igreja que o Dia da Família representou com as suas faixas e gritos de guerra.

A Igreja do “pueblo” sobre a qual fala Francisco é marcada por condições pessoais profundamente imperfeitas e sociais. É composta de paróquias onde gays, lésbicas e suas famílias são bem-vindos.

A Igreja representada pelo Dia da Família pareceu estar cega ao fato de que as famílias consistem de natureza bem como de cultura. Este evento expressou um extremismo ideológico fora de contato não só com o mundo secular, mas também com a vida diária de católicos no mundo.

A dúvida, portanto, é esta: “Quem são os católicos de Francisco?”

Não são os bispos, pelo menos não em sua maioria. Não são os membros dos movimentos leigos organizados, cuja cultura, linguagem e líderes ainda constituem uma manifestação da Igreja de João Paulo II e Bento XVI. E não são os políticos católicos, dos quais Francisco está mantendo uma clara distância.

Assim, a pergunta permanece: Há um “pueblo” para Francisco?

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3 fevereiro, 2016

Dia da Família – Bastidores desconcertantes.

É possível que o Vaticano tenha chegado a esse ponto? 

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Como muitos já perceberam, eu não posso ser contado entre os fãs do Papa Bergoglio, no entanto, por uma esperança incurável, nunca desisto de esperar que qualquer surpresa agradável desminta minha opinião negativa. Até agora continuo pontualmente decepcionado.

12642742_1188265427852137_9116043699412535548_nSábado de manhã, argumentando com os amigos, eu dizia, se não por causa da paternidade, se não por causa dos ideais em comum, ou quem sabe pela esperteza política (que em Bergoglio nunca falha), eu esperava que o papa pelo menos desse um sinal.

No fundo, para esse povo composto por pessoas boas e corajosas bastaria apenas uma pequena mensagem e eles o teriam hosanado e enchido de aplausos filiais.

E de pensar que Bergoglio chegou a discursar para o Centro Social Leoncavallo e abençoou aqueles ativistas políticos, instando-os a continuar a luta! Pensei, então, que ele poderia dirigir pelo menos um cumprimento ou uma bênção para o povo do Dia da Família, que basicamente seria o seu povo católico.

Digo,  não falar diretamente, em pessoa, como fez com os centros sociais, mas pelo menos duas linhas de saudação por escrito. Se por nenhuma outra razão, pelo menos para não deixar transparecer com tanta evidência uma eventual hostilidade, o que seria objetivamente constrangedor e vergonhoso.

Nada a fazer. No dia 30 de janeiro, o Osservatore Romano saiu sem ter na primeira página sequer uma linha mencionando o dia da família.

Pela parte da manhã, Bergoglio fez a audiência do jubileu, sem o menor aceno àquele imenso povo cristão que estava se reunindo no Circo Massimo.

Nem um bilhete com saudações escritas e, durante o evento, nem sequer um daqueles seus telefonemas que normalmente faz ao amigo Scalfari e até mesmo Pannella.

Nos perguntamos entre amigos: é possível que um papa tenha essa hostilidade toda pelas famílias católicas, que com tantos sacrifícios testemunham a verdade, a ponto de nem sequer conseguir disfarçar?

Talvez ele esteja ressentido pelo fato de que a Igreja italiana – que ele vem tratando durante os três últimos anos com desdém – manifeste esta grande vivacidade popular que seguramente não têm as igrejas que aplicam as suas teorias. Será que ele está com raiva porque um tal Dia da Família pulveriza todo aquele seu discurso de censura à Igreja italiana, realizado em Florença?

Mas, será possível que ele não consiga sequer dissimular o rancor pelos filhos fiéis que frequentemente dão provas de verdadeiro heroísmo na vida cotidiana e não esperam mais nada dele, do que a paternidade?

Será possível que sinta um mal estar pessoal por um evento que João Paulo II e Bento XVI teriam coberto de louvores e bênçãos? Como podemos explicar tal comportamento? Por que ele é tão frio e hostil?

Confesso que – embora tenha manifestado antes muitas críticas à obra de Bergoglio – jamais cheguei ao ponto de temer que ele poderia ter essa hostilidade toda por nós católicos, sempre fiéis ao Magistério da Igreja.

Digo isso com a dor e inquietação. Mas este sentimento preciso me sobreveio quando chegou ao meu conhecimento um fato que até agora muitos desconheciam e que, infelizmente, nos permite compreender muitas coisas.

Como vocês sabem, na Basílica de São Pedro, toda manhã, são celebradas diversas missas que muitos grupos reservam com antecedência. Assim, nos dias que precederam o evento, um grupo de pessoas que estava vindo para o Dia da Família tinha reservado uma Missa às 7h no sábado de manhã. Tudo bem, tudo normal, como sempre.

Mas, no último instante, veio uma comunicação desconcertante: todas as missas estavam canceladas.

O pedido insistente de esclarecimento ao final foi respondido – segundo o que me referiram –: o motivo era que àqueles que iriam participar no “Dia da Família” não foi considerado oportuno permitir celebrar a missa…

Chegamos então a esse ponto. Acho que qualquer comentário é desnecessário. Este seria o Vaticano de hoje? Onde está a paternidade? Que tipo de pai Católico é esse que para punir os filhos (réus de viver sua fé com coragem e generosidade) chega a privá-los da Santa Missa?

Como é possível chegar ao ponto de consumar vinganças tão tolas e mesquinhas? Então seria esta a era da “misericórdia”?

Há algo urgente a fazer: orar por aqueles que hoje deveriam fazer as vezes de pastores do rebanho, por aqueles que deveriam ser “pastores”… Rezar hoje mais do que nunca. Realmente, rezar com todo o coração por nossa pobre Igreja.

Antonio Socci

2 fevereiro, 2016

Há ou não há um lobby para ampliar a legalização do aborto com o pretexto do Zika Vírus?

REDAÇÃO CENTRAL, 01 Fev. 16 / 07:30 pm (ACI).- No Brasil, já são 3.448 casos investigados de microcefalia, além dos 270 comprovados. Neste cenário, um grupo de ativistas indicou que apresentará ao Supremo Tribunal Federal (STF) ação para pedir o direito ao aborto em gestações de bebês com tal síndrome. Em resposta, o presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, Prof. Hermes Rodrigues Nery, denuncia que “o governo brasileiro e fundações internacionais usam o Zika vírus para alargar a agenda do aborto no país”.

Segundo entrevista concedida à BBC Brasil pela antropóloga Debora Diniz, do Instituto de Bioética Anis, o mesmo grupo de advogados e acadêmicos que apresentou em 2004 o pedido de aprovação do aborto em casos de anencefalia (aprovado em 2012) entrará agora com uma ação em relação à microcefalia.

O grupo argumentará que o Estado é “responsável pela epidemia de Zika”, uma vez que não erradicou o mosquito transmissor, o Aedes Aegypti, e que as mulheres não podem ser “penalizadas pelas consequências de políticas públicas falhas”. Além disso, alegará que a ilegalidade do aborto e a falta de políticas públicas de erradicação do mosquito ferem a Constituição Federal no que diz respeito ao direito à saúde e à seguridade social.

Entretanto, não citam o direito à vida, também expresso na Constituição, conforme explica à ACI Digital o Prof. Nery. “O direito à vida é o primeiro e o principal de todos os direitos humanos e a pessoa humana deve ser protegida, amada, defendida, desde o primeiro instante, na concepção” disse ele, ao ressaltar que “não há embasamento jurídico sólido para esse que é o pior de todos os atentados contra a vida humana”.

Confira a seguir a entrevista completa com o Prof. Nery:

ACI Digital: Quem são os atores deste cenário que quer aproveitar o Zika para promover a legalização do aborto? Que fundações ou indivíduos estão por trás disso?

Prof. Hermes Nery: O Citizen Go está com uma petição para que a OMS (Organização Mundial da Saúde) não instrumentalize o Zika Vírus para legalizar o aborto no Brasil. Na petição, o Citizen Go explica que “a estratégia parece clara. Grupos feministas, principalmente Women’s Link Worldwide, de Monica Roa (EUA-Colômbia), estão utilizando o vírus Zika para promover a legalização do aborto”. E afirma ainda que “em pouco tempo as feministas fizeram do mosquito seu melhor aliado”, mencionando declarações como as de Monica Roa, porta-voz de Women’s Link Worldwide: “Uma notícia de alcance tão massivo pôs em evidência as grandes lacunas em matéria de educação sexual que ainda existem (…) O Ministério da Saúde tem de adotar uma postura clara. Não digo que tenha de recomendar a todas as mulheres com Zika que abortem, mas que possa informá-las sobre quais são suas opções”. E ainda a de Débora Diniz, professora da Faculdade de Direito na UNB (universidade de Brasília) e pesquisadora do Instituto de Bioética Anis: “Falar do direito ao aborto no caso de um diagnóstico de microcefalia no feto significa reconhecer que as mulheres podem tomar decisões reprodutivas”. Elas pressionam o Ministério da Saúde para deixar claras “as suas opções”, num jogo e roteiro conhecidos, de sutilezas, que interessa também ao governo, que vê assim mais uma oportunidade de favorecer seu programa abortista, pois desde o PNDH3 (Plano Nacional de Direitos Humanos), o governo do PT quer aprovar o aborto no País.

ACI Digital: No Brasil, em 2012, os casos de anencefalia entraram na categoria em que o aborto destes bebês é despenalizado. Existe uma pressão sobre o Supremo para fazer o mesmo no caso da microcefalia?

Prof. Hermes Nery: Está evidentíssimo isso, como temos percebido na mídia em geral, que a máquina do governo e das Ongs financiadas por fundações que promovem o aborto já se mobilizam para repetir o que ocorreu no caso da anencefalia, em 2012, quando o STF despenalizou o aborto em casos de anencefalia, com a ADPF-54. Na época, durante a votação da referida ADPF-54, houve ministro que chegou a declarar: “Está aberta a porta para a legalização do aborto, no Brasil”, de modo gradual, por etapas. Naquele momento, eram os anencéfalos, mas viriam depois com outros casos, para assim, gradualmente irem alargando a agenda no aborto, via judiciária, até chegar ao aborto total, como ocorreu nos Estados Unidos, em 1973.

ACI Digital: Existe certeza médica de que a contaminação com o Zika vírus implica microcefalia do feto em 100% dos casos?

Prof. Hermes Nery: Não, não existe, de forma alguma. Não há comprovação disso. O Zika vírus está sendo utilizado pelo governo como estratégia para alargar a agenda no país e disseminar na mídia a mentalidade contraceptiva, com as sutilezas já conhecidas, induzindo a população a aceitar o aborto nesses casos, preparando assim as condições para que lá na frente o aborto seja reconhecido inclusive como direito humano, como querem as Fundações internacionais, como a Fundação Rockefeller, a Fundação Ford, a Fundação MacArthur e outras.

ACI Digital: O que levou os magistrados em 2012 a considerar a anencefalia razão suficiente para o aborto? Qual seria o embasamento jurídico para manter a microcefalia nos casos onde o aborto deve continuar sendo penalizado?

Prof. Hermes Nery: Essa história do STF interferir com seu abominável ativismo judicial em favor do aborto (ajudando assim a política do governo petista de Dilma Rousseff) começou quando o STF autorizou o uso de células-tronco embrionárias, em 2008, com a ADIN3510.  Naquela ocasião, o Ministro Carlos Ayres Brito, relator da ADIN3510, validou a tese de que só depois do nascimento é que a pessoa humana deve ter proteção jurídica, porque, para ele, só é pessoa depois que nasce. Foi um voto terrível e assombroso de Ayres Brito, que abriu brecha para o processo hoje em curso. O fato é que não há embasamento jurídico sólido para esse que é o pior de todos os atentados contra a vida humana, vitimando o ser humano inocente e indefeso. O direito à vida é o primeiro e o principal de todos os direitos humanos e a pessoa humana deve ser protegida, amada, defendida, desde o primeiro instante, na concepção. Ontem, o STF autorizou matar os bebês anencéfalos, hoje, poderão fazer o mesmo com os casos de microcefalia (e a mídia está afoita já na difusão disso, como que em campanha pela agenda do aborto), amanhã, serão outras categorias. São, portanto, precedentes perigosos, a favorecer um totalitarismo que vitimará os mais fragilizados da sociedade, como o Papa São João Paulo II denunciou em sua memorável encíclica Evangelium Vitae. Como ainda afirmou o Dr. Paulo Silveira Martins Leão Júnior, presidente da união dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro, “a dignidade da pessoa humana há de decorrer, necessariamente, da própria natureza do ser humano e não de circunstâncias acessórias, adjetivas, como, por exemplo, saúde e tempo de existência, pois do contrário, cairíamos em fórmulas e critérios arbitrários e aleatórios, conforme as conveniências do momento, condicionando e aviltando a dignidade humana, e desrespeitando os termos claros dos princípios e preceitos constitucionais”.

Para assinar a petição do Citizen Go, basta acessar o site:http://www.citizengo.org/pt-pt/lf/node%3Anid%5D-oms-nao-instrumentalize-o-zika-virus-para-promover-o-aborto?tc=wp&tcid=19444650.

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2 fevereiro, 2016

Os últimos atos de Francisco sob o olhar de um agnóstico.

Assim interpreta os últimos acontecimentos do pontificado de Francisco seu amigo próximo, o editor do jornal La Reppublica.

Por Eugenio Scalfari, 31 de janeiro de 2016 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Eu queria escrever sobre a Europa de hoje e a crise que a está devastando, apesar da indiferença que tem permeado as suas instituições e a chamada classe dominante que a administra; uma crise que pareceu mais evidente na reunião de sexta-feira entre Angela Merkel e Matteo Renzi, em Berlim.

Eu falarei disso em um momento, mas primeiro tenho de fazer algumas observações sobre o encontro no Vaticano entre o Papa Francisco e Hassan Rohani, o presidente do Irã, e também sobre o pré-anunciado encontro que terá lugar em 31 de Outubro na Suécia entre Francisco e os representantes das igrejas protestantes de todo o mundo para celebrar a Reforma Luterana de meio milênio naquele mesmíssimo dia em que Martinho Luthero cravou sobre a porta da catedral de Wittenberg suas teses que partiram ao meio a religião cristã.

Quinhentos anos durante o qual foram desencadeadas guerras religiosas, massacres, fogueiras, tortura infligida a ambos os lados e com o apoio de vários governantes que usavam para a própria vantagem política essas trágicas guerras religiosas. Somente um tentou o caminho da reconciliação em 1541 e foi Carlos V de Hagsburgo, imperador da Alemanha e da Espanha, mas a tentativa falhou e as guerras religiosas continuaram a derramar sangue na Europa.

O clímax foi atingido na noite de São Bartolomeu, em 1572, quando os huguenotes (protestantes franceses) liderados pelo rei de Navarra, pelo príncipe de Condé e pelo Almirante de Coligny, foram massacrados por soldados de Catarina de Médici e seu filho Carlos IX de Valois. Eram vinte e três mil vítimas do massacre em Paris, e depois continuaram durante séculos.

Em 31 de outubro, aquele racha que dividiu em dois o catolicismo será celebrado e superado. Francisco já pediu perdão aos Valdenses, que precederam em muito a divisão Luterana e pedirá perdão também a Lutero e a seus descendentes e o perdão será mútuo, porque os protestantes também têm sua responsabilidade por tanto derramamento de sangue. O objetivo de ambas as partes é superar essas divisões tornando-se fraternos novamente em nome de Cristo. Os ritos e a liturgia permanecem distintos, mas a fraternidade será aberta no âmbito de uma Igreja pastoral e missionária que, com uma abrangência dessa magnitude, à qual devem ser adicionados uma grande parte dos anglicanos e, no futuro próximo, também as Igrejas ortodoxas do Oriente, se tornará a religião numericamente mais difusa nas Américas, Europa, Rússia, África, Ásia e Austrália.

Mas, não nos esqueçamos da visita à sinagoga de Roma feita pelo papa Francisco e do encontro com Rouhani [presidente do Irã] no Palácio Apostólico no dia 26 passado. O comunicado divulgado com a anuência de ambas as partes diz o seguinte: “Durante o colóquio, foram evidenciados os valores espirituais comuns e depois se fez referência às boas relações entre a Santa Sé e a República Islâmica do Irã. O colóquio também revelou o papel importante que o Irã desempenha, junto com outros países da região, para promover soluções políticas adequadas para os problemas que enfrentam o Oriente Médio, como o combate à propagação do terrorismo. A este respeito, foi alertado para a importância do diálogo inter-religioso e a responsabilidade das comunidades religiosas para promover a tolerância e a paz”.

Duas iniciativas: com os luteranos e  protestantes e outra com o Irã islâmico, das quais saem reforçadas a liberdade religiosa, a convergência humanitária, bem como as repercussões políticas dessas iniciativas, em grande parte tomadas pelo Papa Francisco, que em várias vezes eu defini como profético e revolucionário. Na base do seu pensamento e de sua ação está sempre a fé em um Deus que ninguém havia antes  proclamado com o vigor de Francisco e que representa a excomunhão dos fundamentalistas de todos os tipos e do terrorismo e guerras que esses fundamentalismos alimentam.

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1 fevereiro, 2016

Diocese de Helsinki adverte aos bispos luteranos que eles não podem comungar em Missa Católica.

Em vista da participação, e possível comunhão, de Samuel Salmi, bispo luterano de Oulu, Finlândia, em uma missa católica celebrada na Basílica de São Pedro no Vaticano, após ser recebido pelo papa Francisco, o diretor do Centro de Informações da diocese [Católica] de Helsinki emitiu um comunicado no qual recorda que somente os Católicos em estado de graça podem receber o sacramento Católico da Eucaristia.

Fonte: InfoCatólica | Tradução: Teresa Maria Freixinho – FratresInUnum.comComunicado da diocese de Helsinki:

A Eucaristia na Igreja Católica não mudou

Uma informação da agência de notícias Kotimaa 24 (19 de janeiro de 2016) afirma que Samuel Salmi [bispo luterano de Oulu, Finlândia] participou de uma missa católica celebrada na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Sem dúvida, a notícia está redigida de uma forma que poderia causar mal-entendidos. Meu objetivo é esclarecer algumas questões relativas à recepção da Eucaristia na Igreja Católica.

  1. Somente os membros da Igreja Católica em estado de graça podem receber o sacramento Católico da Eucaristia ou Sagrada Comunhão. Há algumas exceções muito particulares a essa regra. Porém, em qualquer caso, para receber a Eucaristia é necessário aceitar a doutrina Católica a esse respeito e cumprir as condições necessárias para recebê-la (por exemplo, viver em uma relação diversa de um verdadeiro matrimônio sacramental cristão é um impedimento).
  2. Atualmente, em alguns países, principalmente, no norte da Europa, existe o costume de receber uma benção do sacerdote durante a Missa no momento da Comunhão. Geralmente, este gesto é feito colocando a mão direita sobre o ombro esquerdo. Essa prática não é muito conhecida em outros lugares. Portanto, é aconselhável que as pessoas permaneçam em seus lugares durante a Comunhão caso não saibam se o ministro da Comunhão está familiarizado com ela. Se, por ignorância, o ministro da Comunhão lhes oferecer a Comunhão, elas podem recusá-la educadamente.
  3. Contrariamente às especulações de Samuel Salmi, não se pode concluir que o Vaticano tem uma «nova atitude ecumênica», baseada na ocorrência de um erro que se deu na distribuição da Comunhão. Não houve nos últimos anos ou décadas mudança da doutrina e da prática da Igreja Católica com relação a quem pode receber a Sagrada Comunhão. Se tivesse mudado, não seria «na prática», mas sim através de uma alteração da lei da Igreja e dos ensinamentos referentes aos sacramentos da Igreja Católica.
  4. A notícia também menciona que, durante a visita ecumênica a Roma, os bispos de Helsinki, Teemu Sippo SCJ (católico), Ambrosius (ortodoxo) e Irja Askola (luterano), haviam «celebrado» uma «Missa ecumênica» juntos na festa de Santo Enrique (de Uppsala). Não é bem assim. Em anos alternados, há uma missa católica na qual participam representantes de outras igrejas em espírito ecumênico, por exemplo, fazendo pregações. Nos outros anos, o que se celebra é uma Ceia do Senhor luterana, na qual pregam um bispo ou um sacerdote católico. A celebração, portanto, segue sempre a tradição e a prática da igreja correspondente. Deve-se ressaltar inclusive que nessas missas se respeita o doloroso fato de que não há Comunhão entre as igrejas.
  5. «A nova maneira de pensar» de Francisco, mencionada no artigo, não é um sinal de que a Igreja Católica vai alterar a sua prática referente à distribuição da Sagrada Eucaristia. Pelo contrário, para nós os católicos, isso é um sinal de que também devemos examinar mais detalhadamente as nossas consciências à luz do magistério da Igreja e, em seguida, discernir com sinceridade se reunimos nesse momento os requisitos para receber a sagrada Comunhão.

Em suma, devo acrescentar que para os católicos a Eucaristia é «fonte e ápice» de nossa vida cristã. Ela é, por assim dizer, o nosso credo. Preparemo-nos cuidadosamente para receber a Comunhão, confessemos nossos pecados graves e jejuemos (embora por pouco tempo) antes de recebê-la. Ajustemos nossas vidas para poder receber a Comunhão dignamente, sabendo que «Portanto, o aquele que come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor» (1Co 11,27).

Apesar do que foi dito anteriormente, nem todas as pessoas que administram a Comunhão conhecem cada ponto do magistério e da prática da Igreja, e é possível que se cometam erros. A intenção de criar comunhão (entre as igrejas) baseando-se na própria autoridade, em todo caso, dificulta ainda mais os esforços autênticos das igrejas para se aproximarem. Portanto, seria bom respeitar o enfoque de cada igreja a respeito desse assunto.

Marko Tervaportti

Diretor do Centro de Informação Católica

1 fevereiro, 2016

Papa: a Igreja não reivindica espaço privilegiado na bioética.

O Pontífice convida a Comissão de Bioética a se aprofundar nos temas ligados à devastação ambiental, à deficiência e aos padrões a serem harmonizados. “Hoje se corre o risco de perder qualquer referência que não seja a do lucro”.

Por Iacopo Scaramuzzi – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: “Todos são cientes do quanto a Igreja é sensível a assuntos éticos, mas, talvez ainda não tenha ficado claro a todos que a Igreja não reivindica qualquer posição privilegiada nesse campo”.

Foi o que disse o Papa Francisco em um encontro com a Comissão Nacional para Bioética Italiana, enfatizando o risco do utilitarianismo e do lucro serem usados como únicas referências nos progressos da ciência biológica e tecnologia médica.

Ele, então, exortou este organismo consultivo do governo italiano, liderado pelo católico Francesco Paolo Casavol, para que procure se aprofundar em temas ligados à “devastação ambiental e também ao prejuízo e a marginalização de indivíduos vulneráveis”. Em suma, ele pediu para que se tomasse a tarefa de contrapor à “cultura do descartável” que nos dias de hoje assume muitas formas, inclusive aquela de tratar embriões humanos como material descartável, assim como os doentes e idosos quando se aproximam do fim da vida. O Papa também pediu para que as normas e os padrões nos campos médicos e biológicos sejam harmonizados.

“Tenho o prazer de poder manifestar o apreço da Igreja pelo fato de que, há 25 anos, foi instituído na Itália, junto à presidência do Conselho de Ministros, o Comitê Nacional de Bioética”, disse Francisco. “E todos sabem o quanto a Igreja é sensível a questões éticas, mas, talvez, nem a todos tenha ficado igualmente claro que a Igreja não reivindica qualquer espaço privilegiado neste campo, pelo contrário, ela fica satisfeita quando vê que a consciência cívica, em seus vários níveis, é capaz de refletir, discernir e agir tendo como base a racionalidade livre e aberta e os valores constitutivos da pessoa e da sociedade. De fato, exatamente, essa maturidade cívica responsável é o sinal de que a semeadura do Evangelho – esta sim, revelada e confiada à Igreja – produziu seus frutos e conseguiu promover a busca da verdade e da bondade nas complexas questões éticas e humanas”.

É necessário, para o Papa, “servir ao homem, o homem todo, todos os homens e mulheres, com especial atenção e cuidado – como já foi referido – às pessoas mais vulneráveis e desfavorecidas, que estão lutando para fazer ouvir sua voz, ou que não podem ainda ou não poderão mais fazê-la ouvir. Neste terreno comum é que a comunidade eclesial e a civil se encontram e são chamadas a cooperar de acordo com as suas respectivas competências distintas”.

A comissão “tem repetidamente tratado – disse o Papa hoje – do respeito pela integridade do ser humano e a tutela de sua saúde, desde a concepção até a morte natural, considerando a pessoa em sua singularidade, sempre como um fim e nunca simplesmente como um meio. Este princípio ético é fundamental também no que diz respeito às aplicações da biotecnologia no campo da medicina, que nunca podem ser utilizadas de uma forma prejudicial à dignidade humana, e nem tampouco devem ser guiadas apenas por fins industriais e comerciais. A bioética – disse o papa Argentino – nasceu para confrontar, através de um esforço crítico, as razões e as condições da dignidade da pessoa humana, com os avanços da ciência e das tecnologias biológicas e médicas, as quais, por seu ritmo acelerado, arriscam perder qualquer referência que não seja a utilidade e o lucro”.

O Comitê Nacional de Bioética interveio nos últimos anos em questões legislativas controversas, como na questão do fim da vida, da interrupção da gravidez, da pesquisa com células-tronco e da barriga de aluguel. O Papa, hoje, incentivou o trabalho da Comissão “em algumas áreas.”

Em primeiro lugar, “a análise interdisciplinar das causas da degradação ambiental. Espero que a Comissão seja capaz de formular linhas de orientação, em áreas que, ligadas às ciências biológicas, sejam capazes de estimular a conservação, preservação e cuidados com o meio ambiente. Neste contexto, é oportuno um confronto entre as teorias biocêntricas e antropocêntricas, em busca de caminhos que reconheçam a correta centralidade do homem em relação a outros seres vivos e todo o ambiente, até mesmo para ajudar a definir as condições irrenunciáveis para a proteção das gerações futuras”.

“Um cientista um pouco amargo e cético – acrescentou o Papa –, certa vez, quando eu falei essas coisas sobre a proteção das gerações futuras, me respondeu assim: ‘Diga-me, padre, haverá geração futura?'”. Em segundo lugar, “a questão da deficiência e da marginalização das pessoas vulneráveis em uma sociedade fundamentada na competição, na aceleração do progresso. E o desafio de combater a cultura do descartável, a qual tem muitas expressões, entre as quais aquela de tratar embriões humanos como material descartável, e do mesmo modo as pessoas doentes e idosas que estão se aproximando da morte”. Em terceiro lugar, “os esforços cada dia mais crescentes em direção a um confronto internacional com vista a uma possível e desejável, embora complexa, harmonização das normas e regras das atividades biológicas e médicas, regras que saibam reconhecer os valores e os direitos fundamentais.”

O papa finalmente elogiou a Comissão por ter sensibilizado a opinião pública, a partir da escola, sobre questões como a compreensão do progresso biotecnológico. Para Francisco, em geral, “a pesquisa sobre complexas questões bioéticas não é fácil e nem sempre chega-se a uma harmoniosa conclusão; pois esta sempre requer humildade e realismo, e não teme o confronto entre diferentes posições; e que , finalmente, o testemunho dado à verdade contribui para o amadurecimento da consciência social”.

Hoje, neste meio tempo, no escritório da sala de imprensa do Vaticano, foi apresentada a mensagem do Papa para o XXIV Dia Mundial do Enfermo, que será realizado no dia 11 de fevereiro próximo, e que foi anunciado em setembro passado. Entre os oradores estão Mons. Zygmunt Zimowski, presidente do Conselho Pontifício para os profissionais de saúde (para a Pastoral da Saúde), Mons. Jean-Marie Mate Musivi Mupendawatu e padre Augusto Chendi, secretário e subsecretário do dicastério, e padre Peter Felet, secretário-geral da Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa e referência local para a organização do Dia Mundial do Enfermo, que será sediado esse ano em Nazaré.

31 janeiro, 2016

Foto da semana.

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Roma, 30 de janeiro de 2016: Mais de 2 milhões de pessoas marcham a favor da família na edição deste ano do Family Day.

O evento ocorre diante da ambivalência do bispo de Roma perante uma Itália prestes a aprovar o “casamento gay”: embora tenha sustentando, na última semana, perante a Rota Romana não poder “haver confusão entre a família desejada por Deus e qualquer outros tipos de união”, soou como uma verdadeira reprovação, nos meios eclesiásticos italiano, o cancelamento da audiência que Francisco concederia ao maior “patrocinador” da postura de manifestação pública da Igreja italiana nesse debate, o Cardeal Bagnasco.

Há precedentes: quando a Argentina passava pela mesma provação, ao mesmo tempo em que, privadamente, escrevia uma carta, para o seu próprio perfil, excepcionalmente clara a respeito, publicamente mandava que os católicos que planejavam fazer uma vigília de oração contra o casamento gay fossem para casa.

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30 janeiro, 2016

Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Restaurar em Cristo todas as coisas.

“É n’Ele (Jesus Cristo) que temos a redenção pelo seu sangue, a
remissão dos pecados, segundo as riquezas de sua graça, a qual
derramou abundantemente sobre nós, em toda sabedoria e prudência; a
fim de nos tornar conhecido o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito, que tinha estabelecido consigo mesmo, de restaurar em
Cristo todas as coisas…” (Efésios I, 7-10).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

“… A volta das nações ao respeito da majestade e da soberania divina, por mais esforços, aliás, que façamos para realizá-lo, não advirá senão por Jesus Cristo. De feito, o Apóstolo adverte-nos que ninguém pode lançar outro fundamento senão aquele que foi lançado e que é a Cristo Jesus  (1 Cor III, 11). Só a ele foi que o Pai santificou e enviou a este mundo (S. João X, 36), esplendor do Pai e figura da sua substância (Heb. I, 3), verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem o qual ninguém pode conhecer a Deus como convém, pois ninguém pode conhecer a Deus como convém, pois ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo (S. Mateus XI,  27).

São Pio X.

São Pio X.

“Donde se segue que restaurar tudo em Cristo e reconduzir os homens à obediência divina são uma só e mesma coisa. E é por isto que o fito para o qual devem convergir todos os nossos esforços é reconduzir o gênero humano ao império de Cristo. Feito isto, o homem achar-se-á, por isso mesmo, reconduzido a Deus. Mas – queremos dizer – não um Deus inerte e descuidoso das coisas humanas, como nos seus loucos devaneios o forjaram os materialistas, senão um Deus vivo e verdadeiro, em três pessoas na unidade de natureza, autor do mundo, estendendo a todas as coisas a sua infinita Providência, enfim legislador justíssimo que pune os culpados e assegura às virtudes a sua recompensa”

“Ora, onde está a via que nos dá acesso a Jesus Cristo? Está debaixo dos nossos olhos: é a Igreja. Diz-no-lo com razão S. João Crisóstomo: ‘A Igreja é a tua esperança, a Igreja é a tua salvação, a Igreja é o teu refúgio’. Foi para isso que Cristo a estabeleceu, depois de adquiri-la ao preço do seu sangue; foi para isso que Ele lhe confiou a sua doutrina e os tesouros da graça divina para a santificação e salvação dos homens”.

… “Trata-se de reconduzir as sociedades humanas, desgarradas longe da sabedoria de Cristo, reconduzi-las à obediência da Igreja; a Igreja, por seu turno, submetê-las-á a Cristo, e Cristo a Deus. E, se pela graça divina nos for dado realizar esta obra, termos a alegria de ver a iniquidade ceder lugar à justiça, e folgaremos de ouvir uma grande voz dizendo do alto dos céus: Agora é a salvação, e a virtude, e o reino de nosso Deus e o poder de seu Cristo (Apocalipse XII, 10).”

“Todavia, para que o resultado corresponda aos nossos votos, mister se faz, por todos os meios e à custa de todos os esforços, desarraigar inteiramente essa detestável e monstruosa iniquidade própria do tempo em que vivemos e pela qual o homem se substitui a Deus; restabelecer na sua antiga dignidade as leis santíssimas e os conselhos do Evangelho; proclamar bem alto as verdades ensinadas pela Igreja sobre a santidade do matrimônio, sobre a educação da infância, sobre a posse e o uso dos bens temporais, sobre os deveres dos que administram a coisa pública; restabelecer, enfim, o justo equilíbrio entre as diversas classes da sociedade segundo as leis e as instituições cristãs.”

“Tais são os princípios que, para obedecer à divina vontade, nós nos propomos aplicar durante todo o curso do Nosso Pontificado e com toda a energia de nossa alma” (…)

São Pio X indica, a seguir, os meios para formar em todos Jesus Cristo e assim n’Ele restaurar todas as coisas:

– Formar Cristo nos sacerdotes;

– Daí todo cuidado com os Seminaristas;

– Cuidado com os novos Sacerdotes;

– Necessidade do ensino religioso;

– Fazer tudo isto com caridade cristã;

É preciso que todos os fiéis colaborem.

Formar Cristo nos Sacerdotes:

“Que meios importa empregar para atingir um fim tão elevado? Parece supérfluo indicá-los, tanto eles apresentam à mente por si mesmos. Sejam os vossos [dos bispos] primeiros cuidados formar Cristo naqueles que, pelo dever da sua vocação, são destinados a formá-lo nos outros. Queremos falar dos sacerdotes, Veneráveis Irmãos. Porquanto todos aqueles que são honrados com o sacerdócio devem saber que têm, entre os povos com que convivem, a mesma missão que Paulo testava haver recebido, quando pronunciava esta ternas palavras: ‘Filhinhos, a quem eu gero de novo, até que Cristo se forme em vós’ (Gálatas IV, 19).

Ora, como poderão eles cumprir um tal dever, se eles próprios não forem primeiramente revestidos de Cristo? E revestidos até poderem dizer com o Apóstolo: ‘Vivo, já não eu, mas Cristo vive em mim’ (Gal. II, 20). ‘Para mim, Cristo é a minha vida’ (Filipenses I, 21). Por isso, embora todos os fiéis devam aspirar ao estado de homem perfeito, à medida da idade da plenitude de Cristo (Efésios IV, 3), essa obrigação incumbe principalmente àquele que exerce o ministério sacerdotal. Por isto é ele chamado outro Cristo; não somente porque participa do poder de Jesus Cristo, mas porque deve imitar-Lhe a imagem em si mesmo”.

“Se assim é, Veneráveis Irmãos, quão grande não deve ser a vossa solicitude para formar o clero na santidade! Não há negócio que não deva ceder o passo a este. E a consequência é que o melhor e o principal do vosso zelo deve aplicar-se aos vossos Seminários, para introduzir neles uma tal ordem e lhes assegurar um tal governo, que neles se veja florescerem lado a lado a integridade do ensino e a santidade dos costumes. Fazei do Seminário as delícias do vosso coração, e não descureis coisa alguma daquilo que, na sua alta sabedoria, o Concílio de Trento, prescreveu para garantir a prosperidade dessa instituição”.

Em seguida São Pio X lembra aos bispos algumas advertências das Sagradas Escrituras:

‘Não imponhas precipitadamente as mãos a ninguém, e não te faças participante dos pecados dos outros’ (1 Timóteo, V, 22).  ‘Guarda o depósito, evitando as novidades profanas na linguagem, tanto quanto as objeções de uma ciência falsa, cujos partidários com todas as suas promessas faliram na fé’ (1 Timóteo VI, 20 ss). São Pio X conclui sua encíclica lembrando a misericórdia divina: “Que Deus, rico em misericórdia (Ef. II, 4), apresse, na sua bondade, essa renovação do gênero humano em Jesus Cristo, visto não ser isso obra nem daquele que quer, nem daquele que corre, mas do Deus das misericórdias’ (Romanos IX, 16). (Este artigo são excertos da Encíclica “E Supremi  Apostolatus” – 1903).

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