Archive for ‘O Papa’

15 janeiro, 2016

Léonard, apelo ao Papa.

Pouco depois de ser dispensado da Arquidiocese de Bruxelas-Malines, o arcebispo Léonard dirigiu um apelo ao Papa. É interessante, porque diz respeito ao Sínodo da Família e ao documento – Exortação Pós-Sinodal – que, segundo o que alguns andam dizendo, o Papa iria tornar público ainda no próximo mês.

Por Marco Tosatti – La Stampa | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Uma das demissões mais inexplicáveis, entre as mais difíceis de se entender, feita durante o reinado do Papa Francisco, tocou o arcebispo de Malines-Bruxelas, Dom André-Joseph Léonard.

leonard2Dom Léonard foi demitido no termo dos seus cinco anos de serviço, sem receber o barrete cardinalício que normalmente acompanha a Arqudiocese de Bruxelas. Ele foi atacado física e publicamente pelas feministas do Femen, defendeu a doutrina católica, e tendo recebido uma diocese que em 2010 contava com apenas quatro seminaristas, deixou um seminário com 55 candidatos.

Professor em Louvain por vinte anos, por treze anos esteve à frente do seminário universitário e como Bispo de Namur antes de ir para Bruxelas. É bem provável que ele foi vítima da antipatia de outros irmãos no episcopado que o viam como muito conservador e em pouca sintonia com o conselheiro do Papa, o controverso Cardeal Danneels.

Pouco depois de ter deixado o cargo, ele respondeu a uma série de perguntas feitas pelo site La Croix e, embora a entrevista tenha sido dada há alguns dias, parece útil repropor algumas passagens para os leitores italianos, referindo-se ao original AQUI.

Leonard também dirige um apelo ao Papa. É interessante, porque diz respeito ao Sínodo da Família e ao documento – Exortação Pós-Sinodal – que, segundo o que andam dizendo, o Papa iria tornar público ainda no próximo mês. Isso depois de ter dito que estava um pouco “decepcionado com o texto final, porque nele se cultivou a ambiguidade em pontos mais delicados”.

“Alguns bispos disseram-me que os textos foram deliberadamente redigidos de forma ambígua, para que sejam interpretados em diferentes direções”. E aqui está o apelo:

“Espero que tenhamos uma palavra benevolente e sem nuances, bem clara em questões de doutrina e disciplina da Igreja Católica no que diz respeito ao casamento e à família. A bola está agora no campo do Papa. É hora de ele exercer o seu mandato petrino de unidade e continuidade da Tradição, como havia declarado em seu discurso de encerramento do primeiro Sínodo sobre a família”.

13 janeiro, 2016

O Papa me disse: “Deus perdoa com uma carícia e não com um decreto”.

IHU – No dia 13 de março de 2015, enquanto escutava a homilia da liturgia penitencial, na qual o Papa Francisco anunciou o Ano Santo extraordinário, pensei: seria  bom fazer-lhe algumas perguntas centradas no temas da misericórdia e do perdão, para aprofundar o que estas palavras significaram para ele, como homem e como padre.

Sem a preocupação de obter qualquer frase de efeito que repercutisse no debate midiático em torno do sínodo sobre a família, muitas vezes reduzido a um derby entre posições opostas, eu nutria a ideia de uma entrevista que fizesse emergir o coração de Franciso, o seu olhar. Um texto que deixasse as portas abertas, num tempo, como o Ano Jubilar, durante o qual a Igreja pretende mostrar, de modo particular, e ainda mais significativo, o seu rosto de misericórdia.

A reportagem é de Andrea Tornielli, autor do livro “O nome de Deus é Misericórdia” (Nota da IHU On-Line: a ser publicado nesta quarta-feira, dia 12, também no Brasil, pela Editora Planeta), publicada por Vatican Insider, 10-01-2016. A tradução é de IHU On-Line.

O Papa aceitou a proposta. Este livro, “O nome de Deus é Misericórdia”, é o fruto de um colóquio iniciado na sala daCasa Santa Marta, no Vaticano, numa tarde quentíssima do mês de julho do ano passado, poucos dias depois do retorno da viagem ao Equador, Bolívia e Paraguai.

Pouco antes, enviara um elenco de argumentos e perguntas que pretendia abordar. Apresentei-me munido de três gravadores: dois digitais e um os velhos microcassetes. Pois me acontecera, em dezembro de 2013, no fim do colóquio publicado no jornal La Stampa, de apertar um botão errado e perder uma parte do áudio (ainda bem que já então levara um segundo aparelho).

Francisco me esperava, tendo diante de si, na mesa, uma concordância da Bíblia e das citações dos Padres da Igreja. Imediatamente convidou-me a tirar o casaco para que eu me sentisse mais à vontade devido ao calor.

Tendo percebido que não levara um caderno ou bloco de notas, mas somente uma pequena caderneta onde anotara as perguntas, o Papa se levantou e foi buscar um bloco de folhas brancas.

Conversamos longamente. Ele respondeu a todas as perguntas. Falou narrando experiências ligadas à sua experiência de padre e de bispo, contando, por exemplo, que o marido de uma sua sobrinha, divorciado recasado, na época aguardando a declaração da nulidade do primeiro casamento,  falava todas as semanas com o padre, no confessionário, sempre já lhe dizendo antecipadamente: “Sei que o senhor não me pode absolver”.

Narrou também a dor que sentiu no momento da morte do padre Carlos Duarte Ibarra, o confessor encontrado casualmente na paróquia no dia 21 de setembro de 1953, dia da festa de São Mateus. Jorge Mario Bergoglio tinha 17 anos, e foi naquele encontro que se sentiu surpreendido por Deus, decidindo abraçar a vocação religiosa e o sacerdócio. Na tarde do funeral do padre Duarte, um ano depois daquele encontro, o futuro Papa “chorara muito, escondido no meu quarto”, “porque perdera uma pessoa que me fazia sentir a misericórdia de Deus”.

Particularmente me tocaram as poucas palavras com que respondeu à pergunta sobre a sua famosa frase “Quem sou eu para julgar?”, proferida no vôo de retorno do Rio de Janeiro, em julho de 2013, a propósito dos gays. O Papa sublinhou a importância de sempre falar de “pessoas homossexuais”, porque “em primeiro lugar está a pessoa, na sua inteireza e dignidade. E a pessoa não é definida somente pela sua tendência sexual”.

Igualmente é significativa a distinção entre pecador e corrupto, que não diz respeito primeiramente à quantidade ou à gravidade das ações cometidas, mas ao fato que o primeiro humildemente reconhecer o que é e continuamente pedir perdão para poder se levantar novamente, enquanto que o segundo “é elevado a um sistema, torna-se um hábito mental, um modo de viver”.

Ou ainda as palavras com os quais o Papa Bergoglio fala dos seus encontros com os encarcerados, e como ele não se sente melhor do que eles: “Toda a vez entro na porta de um cárcere para uma visita, me vem este pensamento: por que eles e não eu?”

Nas respostas, Francisco falou várias vezes da importância de sentir-se pequeno, necessitado de ajuda, pecadores.

Espero que o entrevistado não leve a mal se revelo, neste momento, um fato. Estávamos falando da dificuldade de reconhecer-se pecador e, na primeira versão que preparara, Francisco afirmava: “A medicina existe, a cura existe, basta somente que demos um pequeno passo em direção a Deus”.

Depois de ter relido o texto, me chamou, e pediu que acrescentasse: “… ou tenhamos ao menos o desejo de nos movermos, de dar um pequeno passo em direção a Deus”, uma expressão que eu havia, distraidamente, deixado de lado.

Neste acréscimo, ou melhor, neste texto corretamente corrigido, revela-se o coração do pastor que busca se assemelhar ao coração de Deus e não deixa nada de lado para atingir o pecador. Não deixa de lado o mínimo detalhe, na busca de poder dar o perdão. Deus, explica Francisco no livro, nos espera de braços abertos. Basta que se dê um passo na sua direção como o Filho Pródigo da parábola evangélica. Mas se não temos a força de fazer pelo menos este gesto, basta então o simples desejo de fazê-lo. É já um início suficiente, para que a graça possa operar e a misericórdia seja dada, segundo a experiência de uma Igreja que não se concebe como uma alfândega, mas que busca sempre um caminho para perdoar.

Numa das homilias de Santa Marta, Francisco disse: “Quantos de nós não mereceríamos uma condenação! E que seria  justa. Mas Ele perdoa”. Como? “Com a misericórdia que não cancela o pecado: é somente o perdão de Deus que o cancela, enquanto a misericórdia vai além”. É “como o céu: nós olhamos o céu, tantas estrelas, mas vem o sol da manhã, com tanta luz, as estrelas não mais são vistas. Assim é a misericórdia de Deus: uma grande luz de amor, de ternura, porque Deus perdoa não com um decreto, mas com uma carícia”.

24 novembro, 2015

Quando a Maçonaria decide “ajudar o Papa”…

“Francisco está sereno.” Claro, Nuzzi o está ajudando 

Por Maurizio Blondet, Chiesa e post concilio –  05 de novembro de 2015 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Dando por descontadas as figuras desprezíveis, os maus costumes e as ações repugnantes por parte de alguns prelados envolvidos nos últimos escândalos do Vaticano, tudo nos leva a farejar uma meta bem precisa. Basta apenas pôr em relevo a cronologia, a sequência de eventos provocados, e uma vasta e bem coordenada operação reflete uma estratégia ampla e harmoniosa envolvendo muitas mãos.

avarizia-viacrucisFase 1 – São anunciados não um, mas dois livros sobre os escândalos do Vaticano, escritos de forma independente por dois autores que dizem não se conhecer um ao outro, e lançados simultaneamente por duas editoras.

Fase 2 – Em seguida, são anunciadas as clamorosas prisões feitas pela gendarmeria pontifícia de dois personagens conhecidos como “os corvos”, os quais teriam vazado informações “confidenciais” aos dois jornalistas, autores de dois livros a serem lançados em breve. Vazamento de documentos confidenciais que é “fruto de uma traição grave à confiança depositada por parte do Papa”.

O caso, sem precedentes na modernidade, de dois personagens lançados nas masmorras do Vaticano (a bonitona Chaouqui e “um prelado do Opus Dei”, arregalam os olhos dos jornais), e, naturalmente, geram uma grande publicidade para os dois livros, que ainda não foram lançados [ndt: quando da redação deste artigo], mas que todos agora aguardam espasmodicamente. No mundo inteiro, editores já firmaram contratos de publicação e traduções em 15 países.

A Sala de Imprensa bergogliana emite então um estranhíssimo comunicado, como se já soubesse de antemão o conteúdo dos livros e o aprovasse, deplorando apenas o “modo” utilizado para se obter as informações.

“Publicações deste tipo não contribuem de forma alguma para estabelecer a clareza e a verdade, mas sim para criar confusão e interpretações parciais e tendenciosas. É necessário absolutamente evitar o equívoco de pensar que esta é uma maneira de ajudar a missão do papa”. Por que, talvez, alguém poderia suspeitar que toda a manobra foi feita para “ajudar” a missão do Papa? E qual missão?

Fase 3 – Os dois livros continuam não disponíveis [ndt: como dito, no momento da redação deste artigo]; ninguém ainda os leu, mas a mídia já recebeu antecipações suculentas e fazem entrevistas com seus autores. “Riqueza, desperdícios e jogos de poder – atrizes e viagens de ouro, alfaiates e assinaturas de canais pornográficos; despesas-fantasmas de milhões que foram roubados das ofertas das Missas”, são apenas alguns dos títulos.

Fase 4 – O frenesi da mídia ao explicar com unanimidade: este novo Vatileaks é um outro complô de “conservadores” que impedem o Papa  de “fazer as reformas.” Os corruptos, ladrões de ofertas das Missas e do hospital do Menino Jesus, os proprietários de coberturas de 700 metros quadrados, são os mesmos que “não querem a renovação”, a “limpeza nas finanças do Vaticano”, são os estelionatários que usam o IOR para lavagem de dinheiro… e assim por diante. Mas, absolutamente, não é verdade – muitos dos envolvidos foram nomeados pelo próprio Bergoglio para os cargos dos quais tiraram proveito, os modernistas, os carreiristas e puxa-sacos. Mas, a mensagem que deve ser passada é essa: vejam… a Igreja “velha” é corrupta, as hierarquias “conservadoras” são ricas e escandalosas, os cardeais são nojentos e imundos. São exatamente aqueles que se opõem ao “novo”… Apenas o Papa é limpo, honesto e inovador, verdadeiramente santo… E essa é exatamente a mensagem que Bergoglio e sua junta sul-americana fizeram de tudo pra passar desde o início.

“A mídia italiana vive em uma verdadeira bolha de papolatria”, escreve Socci, com razão: “Bergoglio é visto como o bem absoluto e quem não concorda com ele é retratado como um conspirador sinistro ou um emissário do mal”.

Fase 5 – O escândalo não deixa indignado e nem entristece muito Sua Santidade. “Francisco é calmo e sabe o que fazer… Ele prossegue sem incertezas no caminho da sua boa administração”.

Fase 6 – Nuzzi, um dos autores dos dois livros simultâneos, ao falar na conferência de imprensa de lançamento do seu volume, repete a palavra de ordem combinada: “Eu acho que este Papa está levando avante as reformas e encontra uma série de dificuldades” . É a tese que se deve passar. As “reformas”, as “reformas”: a comunhão para divorciados, o casamento gay, a Igreja pobre pelos pobres, todo o repertório. Se tivesse sido Bergoglio a sugerir a estratégia, não poderia fazer melhor a seu favor. Nuzzi, na conferência de imprensa, também disse outra coisa, do nada: que ele não teve nenhum contato com o Papa. E por que ele deveria ter tido algum contato com o Papa? Quem pensaria nisso? E então ele acrescenta: “Se eu tivesse tido, certamente não iria torná-lo público, porque se converteria em outra forma de instrumentalização”. E se, talvez, Nuzzi tenha mesmo se encontrado com o Papa? E se tudo isso fosse, de fato, um belo complô arquitetado a favor de Francisco? Graças a estes “escândalos”, (muitos dos quais antigos e já conhecidos, outros nem tanto, como o dinheiro que corre para as causas de beatificação) o partido sul-americano poderá proceder com novos expurgos na cúria romana.

Se isso soa conspiração absurda, lembre-se que este papado tem a confiança da Maçonaria. Bergoglio foi eleito em 13 de março de 2013. No mesmo dia, algumas horas mais tarde, um comunicado oficial do Grande Oriente foi emitido. Nele, o Grão-Mestre Gustavo Raffi previa com incontida alegria: “Com Papa Francisco, nada será como antes.”

Pergunta ingênua que não quer calar: como é que Raffi sabia disso de antemão? Antes de todos? E por que ele cumprimentou o Papa com uma declaração oficial em papel timbrado do Grande Oriente, portanto, não uma missiva pessoal, mas da Fraternidade Universal? Antecipando ainda mais as razões de propaganda e motivos ideológicos que o argentino iria colocar no centro da sua ação: “o jesuíta que está muito próximo da história recente tem a grande oportunidade de mostrar ao mundo o rosto de uma Igreja que precisa  recuperar o “anúncio de um nova humanidade (note a terminologia construída). Bergoglio conhece a vida real e recordará a lição de um dos seus teólogos de referência, Romano Guardini, para o qual não se pode separar a verdade do amor”.

“A cruz simples que ele usa sobre as vestes brancas – disse o grão-mestre do Palazzo Giustiniani – nos dá a esperança que uma Igreja do povo reencontre a capacidade de dialogar com todas as pessoas de boa vontade e com a Maçonaria, que, como ensina a experiência da América Latina, trabalha para o bem e o progresso da humanidade, tendo como referências Bolivar, Allende e José Martí, para citar alguns”.

Alguns dos personagens secularíssimos que arquitetaram o novo escândalo do Vaticano têm ares e palavras de maçons. Quando a Maçonaria decide que é hora de “ajudar o Papa”, pode muito bem organizar o concerto papolátrico tão evidente na mídia. Depois, se esse tambor semear desgosto, náuseas e consternação entre os fiéis, melhor ainda.

Maurizio Blondet, 05 de novembro de 2015

18 novembro, 2015

Bergogliada do dia: uma situação embaraçosa. Um bispo de Roma totalmente inadequado.

Por Antonio Socci | Tradução: FratresInUnum.com – O discurso bergogliano de Florença destruiu, de uma só vez, todo o pontificado de João Paulo II e Bento XVI, jogando de novo a Igreja italiana no devastante marasma clérico-progressista dos anos setenta, justo nos anos em que Paulo VI – isolado e ignorado – denunciava a “fumaça de satanás”, que entrara no templo de Deus, e a fúria autodemolidora desencadeada na Igreja. Aqueles foram os anos mais tétricos da Igreja italiana (ndt, e também da Igreja no Brasil), e estamos voltando a estes.

Bergoglio, além disso, é de tal modo raquítico de referenciais culturais e privado de sólidas bases teológicas que, naquele discurso florentino, cometeu imprecisões inacreditáveis. Eu já assinalei aquela sobre “don Camilo” de Guareschi, um desastrado gol-contra.

O professor Pietro De Marco (publicado por Sandro Magister com uma breve introdução), mostra, também, como as suas referências polêmicas à gnose e ao pelagianismo foram não apenas erradas, mas o exato contrário da realidade.

Passam alguns dias, e acontece o atentado em Paris…

Depois da embaraçosa entrevistinha telefônica sobre o massacre parisiense que Bergoglio fez à TV2000 (disponibilizaram-lhe um péssimo serviço… Mas, quando é que um papa já se prestou ao papel de um “achista” no telefone?), na qual disse que “estas coisas são difíceis de entender” (na realidade, bastaria perguntar a qualquer cidadão comum, e este lhe poderia explicar, mas talvez o problema seja quem NÃO QUER ENTENDER), tornou a dizer, depois, que “não é necessário construir muros”, ligando esta ideia ao atentado de Paris.

É evidente para qualquer pessoa que o problema de Paris e da França (que tem seis milhões de muçulmanos em casa), como também da Europa, deriva, pelo contrário, de ter abolido os muros, deriva da dramática dificuldade de integrar o Islã nas sociedades democráticas e da falência do multiculturalismo.

Mas, Bergoglio não escuta as razões de ninguém e continua com a sua ideia de derrubar de modo indiscriminado e generalizado todas as fronteiras da Europa (foi também por isso que ele repreendeu os bispos eslovacos que alegavam a necessidade de defender a identidade do seu País das ondas migratórias dos muçulmanos).

Qualquer um pode ver, nestes dias, o que isso significa.

Não contente com isso, horas depois, Bergoglio foi ao encontro dos Luteranos e – como explica Sandro Magister – fez uma outra confusão… E sobre uma questão central da verdade católica: a Eucaristia, que é o coração da vida da Igreja, e com a qual o papa argentino tem uma atitude que nos deixa, para dizer pouco, inquietos (vejam, também, o que aconteceu no Sínodo, mas não apenas)…

Não sei se e quanto Bergoglio conheça Lutero, que definia a Igreja como “a cloaca na qual o Espírito Santo está encarcerado”. Evito comentários sobre o que disse Bergoglio aos luteranos porque são coisas inauditas e, por agora, bastam as palavras de Magister… Mas, me pergunto: já não é evidente para todos a incompetência deste “bispo de Roma”?

A barca de Pedro está navegando em trevas densas e a água está entrando por todos os lados, arriscando o afundamento…

Perdeu-se totalmente a rota, tanto no plano doutrinal como no plano pastoral (Bergoglio desarmou e amordaçou a Igreja ante a pesada agressão ideológica do laicismo), inclusive no plano diplomático, no qual a Igreja quase desapareceu no que diz respeito à defesa de igrejas inteiras, perseguidas e ameaçadas de serem fisicamente eliminadas.

A única coisa que funciona é a máquina de propaganda pessoal do “Bergoglio-Star”, um astro moderno, aplaudido e exaltado, não sem motivo, pelos inimigos de sempre, inimigos de Cristo e da Igreja, que estão muito felizes com o trabalho papal.

A última “sacada” do Bergoglionismo de hoje foi o “jubileu aberto aos muçulmanos”. Que ideia! Aliás, ideia cujo significado não se entende… Esperemos que isso não signifique uma peregrinação bergogliana a Meca, depois do seu “momento de adoração”, voltado para Meca, na mesquita-azul de Istambul.

A gente não sabe se ri ou se chora!

Já está claro a todos aqueles que são bastante livres para reconhecer a realidade que Bergoglio é dramaticamente incompetente para este ministério, e causa danos enormes (entre aplausos dos inimigos de Jesus Cristo e da Igreja, que finalmente podem rir triunfalmente dos católicos).

Seria o caso de que os cristãos, os sacerdotes, os bispos e os cardeais que abriram os olhos comecem a dizer a verdade, a dizer em consciência aquilo que vêem e que pensam de verdade. Antes que Bergoglio, prosseguindo com nomeações episcopais à sua imagem e semelhança, e também com novas nomeações cardinalícias, comprometa até o futuro da Igreja.

Creio que Deus pedirá contas a cada um de nós de como assumimos as nossas responsabilidades neste momento terrível da história da Igreja. E julgará se vendemos a verdade à conveniência e ao oportunismo.

17 novembro, 2015

Papa Francisco: “peçamos ao Senhor pela Igreja, para que o Senhor a proteja de todas as formas de mundanidade”.

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco começou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta.

O Pontífice comentou a primeira leitura do dia, extraída do Livro dos Macabeus, que fala de uma “raiz perversa” que surgiu naquelas dias: o rei helenista Antíoco Epífanes impõe os hábitos pagãos a Israel, ao “Povo eleito”, isto é, à “Igreja daquele momento”.

Francisco descreveu “a imagem da raiz que está sob a terra”. A “fenomenologia da raiz” é esta: “Não se vê, parece não machucar, mas depois cresce e mostra a própria realidade”. “Era uma raiz razoável”, que impulsionava alguns israelitas a se aliarem com as nações vizinhas para se protegerem: “Por que tantas diferenças? Porque desde que nos separamos deles, muitos males caíram sobre nós. Unamo-nos a eles”.

O Papa explicou esta leitura com três palavras: “Mundanidade, apostasia, perseguição”. A  mundanidade é fazer aquilo que faz o mundo. É dizer: “Vamos leiloar a nossa carteira de identidade; somos iguais a todos”. Assim, muitos israelitas “renegaram a fé e se afastaram da aliança sagrada”. E aquilo “que parecia tão razoável – ‘somos como todos, somos normais’ – se tornou a destruição”:

“Depois o rei prescreveu em todo o seu reino que todos formassem um só povo, um pensamento único; a mundanidade, e que cada um abandonasse os próprios costumes. Todos os povos seguiram as ordens do rei; até mesmo muitos israelitas aceitaram o seu culto: sacrificaram aos ídolos e profanaram o sábado. A apostasia, ou seja, a mundanidade leva ao pensamento único e à apostasia. As diferenças não são permitidas: todos iguais. E na história da Igreja, na história vimos, penso num caso, que foi mudado o nome das festas religiosas. O Natal do Senhor tem outro nome para cancelar a identidade.”

Em Israel foram queimados os livros da lei “e se alguém obedecia a lei, a sentença do rei o condenava à morte”. “Eis a perseguição, iniciada de uma raiz venenosa. Sempre me chamou a atenção”, disse o Papa, “que o Senhor, na última ceia, naquela longa oração rezasse pela unidade dos seus e pedia ao Pai que os libertasse de todo espírito do mundo, de toda mundanidade, porque a mundanidade destrói a identidade; a mundanidade leva ao pensamento único”:

“Começa de uma raiz, mas é pequena, e termina na abominação da desolação, na perseguição. Este é o engano da mundanidade. Por isso, Jesus pedia ao Pai, naquela ceia: Pai, não te peço que os tire do mundo, mas que os proteja do mundo”, desta mentalidade, deste humanismo que vem tomar o lugar do homem verdadeiro, Jesus Cristo, que vem nos tirar a identidade cristã e nos leva ao pensamento único: ‘Todos fazem assim, por que nós não?’. Nesses tempos, isso nos deve questionar: como é a minha identidade? É cristã ou mundana? Ou me declaro cristão porque quando criança fui batizado ou nasci num país cristão, onde todos são cristãos? A mundanidade que entra lentamente, cresce, se justifica e contagia: cresce como aquela raiz, se justifica – ‘mas façamos como todos, não somos tão diferentes’ -, busca sempre uma justificativa  e, no final, contagia e tantos males vêm dali”.

“A liturgia, nestes últimos dias do ano litúrgico” – finaliza o Papa – nos exorta a prestar atenção às “raízes venenosas” que “afastam do Senhor”:

“E peçamos ao Senhor pela Igreja, para que o Senhor a proteja de todas as formas de mundanidade. Que a Igreja sempre tenha identidade emitida por Jesus Cristo; que todos nós tenhamos a identidade que recebemos no batismo, e que esta identidade, para querer ser como todos, por motivos de ‘normalidade’, não seja jogada fora. Que o Senhor nos dê a graça de manter e proteger a nossa identidade cristã contra o espírito da mundanidade que sempre cresce, se justifica e contagia”. (BF/MJ/RB)

4 março, 2015

A filial resistência de São Bruno de Segni ao Papa Pascoal II.

Por Roberto de Mattei | Tradução: Fratres in Unum.com – Entre os mais ilustres protagonistas da reforma da Igreja nos séculos XI e XII, destaca-se a figura de São Bruno, bispo de Segni e abade de Monte Cassino.

Bruno nasceu em torno do ano 1045 em Solero, perto de Asti, no Piemonte. Depois de ter estudado em Bolonha, foi ordenado sacerdote no clero romano e aderiu com entusiasmo à reforma gregoriana. O Papa São Gregório VII (1073-1085) nomeou-o bispo de Segni e o teve entre os seus mais fiéis colaboradores. Também seus sucessores Vitor III (1086-1087) e Urbano II (1088-1089) valeram-se da colaboração do bispo de Segni, que unia aos seus trabalhos de estudioso um intrépido zelo apostólico em defesa do Primado romano.

Bruno participou dos concílios de Piacenza e de Clermont — no qual Urbano II convocou a primeira Cruzada — e mais tarde foi legado da Santa Sé na França e na Sicília. Em 1107, sob o novo Pontífice Pasqual II (1099-1118), tornou-se abade de Monte Cassino, cargo que fazia dele uma das personalidades eclesiásticas mais destacadas de seu tempo. Grande teólogo e exegeta, resplandecente pela doutrina, como escreve em seus Anais o cardeal Barônio (tomo XI, ano 1079), é considerado um dos melhores comentadores medievais das Sagradas Escrituras (Réginald Grégoire,  Bruno de Segni, exégète médiéval et théologien monastique, Centro Italiano di Studi sull’Alto Medioevo, Spoleto, 1965).

Sua época foi cheia de choques políticos e de profunda crise espiritual e moral. Na obra De Simoniacis, Bruno oferece-nos uma imagem dramática das deturpações da Igreja de seu tempo. Já no tempo do Papa São Leão IX (1049-1054) “mundus totus in maligno positus erat (todo o mundo estava sob o poder do maligno): não havia mais santidade; a justiça estava em decadência e a verdade sepultada. Reinava a iniquidade, dominava a avareza; Simão o Mago possuía a Igreja, os Bispos e os sacerdotes entregavam-se à volúpia e à fornicação. Os sacerdotes não se envergonhavam de tomar mulher, de abertamente contrair núpcias e matrimônios nefandos. (…) Tal era a Igreja, tais eram os Bispos e os sacerdotes, tais foram alguns dos Romanos Pontífices” (cf. S. Leonis papae Vita in Patrologia Latina (PL), vol. 165, col. 110).

No âmago da crise, além do problema da simonia e do concubinato dos sacerdotes, havia a questão da investidura dos bispos. O Dictatus Papae, com o qual, em 1075, São Gregório VII havia reafirmado os direitos da Igreja contra as pretensões imperiais, constituiu a magna carta à qual apelavam Vítor III e Urbano II. Mas Pascoal II abandonou a posição intransigente de seus predecessores e tentou de todas as maneiras um acordo com o futuro imperador Henrique V. No começo de fevereiro de 1111, em Sutri, ele pediu ao soberano alemão que renunciasse ao direito de investidura, oferecendo-lhe em troca a renúncia da Igreja a todos os direitos e bens temporais. As negociações esvaneceram-se como fumaça e, cedendo às intimidações do imperador, Pascoal II aceitou um compromisso humilhante, assinado em Ponte Mammolo, em 12 de abril de 1111. O Papa concedia a Henrique V o privilégio da investidura dos bispos, antes mesmo da sagração pontifícia, com o anel e o báculo que simbolizavam tanto o poder temporal quanto o espiritual, prometendo ao soberano de jamais excomungá-lo. Pascoal coroou então Henrique V em São Pedro.

Essa concessão levantou uma multidão de protestos na Cristandade, porque contrariava a posição de São Gregório VII. O abade de Monte Cassino, segundo o Chronicon Cassinense (PL, vol. 173, col. 868 C-D), protestou com força contra o que ele então definiu não como um privilegium, mas um pravilegium [NdT: jogo de palavras contrapondo um privilégio legítimo ao favorecimento do mal – pravus], e promoveu um movimento de resistência ao lapso papal. Numa carta endereçada a Pedro, bispo de Porto, ele definiu o tratado de Ponte Mammolo como “heresia”, apelando para as determinações de muitos concílios: “Quem defende a heresia – escreve – é herético. Ninguém pode dizer que essa não é uma heresia” (Carta Audivimus quod, in PL, vol. 165, col.1139 B).

Dirigindo-se depois diretamente ao Papa, Bruno afirma: “Os meus inimigos vos dizem que eu não vos amo e que falo de vós pelas costas, mas eles mentem. Eu de fato vos amo, como devo amar a um Pai e senhor. Enquanto estiverdes vivo, não quero ter outro pontífice, como vos prometi, junto a muitos outros. Escuto porém Nosso Salvador que me diz: ‘Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim’ (Mt. 10-37). (…) Devo portanto amar-vos, mas devo amar ainda mais Aquele que criou a vós e a mim”. Com o mesmo tom de filial franqueza, Bruno convidava o Papa a condenar a heresia, porque “quem defende a heresia é herético” (Carta Inimici mei, in PL, vol. 163, col. 463 A-D).

Pascoal não tolerou essa voz de dissensão e destituiu Bruno do cargo de abade de Monte Cassino. Mas o exemplo de São Bruno motivou muitos outros prelados a pedirem com insistência ao Papa que revogasse o pravilegium. Alguns anos mais tarde, num Concílio que se reuniu no Palácio de Latrão, em março de 1116, Pascoal II retratou o acordo de Ponte Mammolo. O mesmo Sínodo lateranense condenou a visão pauperista da Igreja, expressa no acordo de Sutri. A concordata de Worms, de 1122, entre Henrique V e o Papa Calixto II (1119-1124), encerrou – pelo menos temporariamente – a questão das investiduras. Bruno morreu em 18 de julho de 1123. Seu corpo foi sepultado na catedral de Segni e, pela sua intercessão, houve a seguir muitos milagres. Em 1181, ou, mais provavelmente, em 1183, o Papa Lúcio III colocou-o entre os santos.

Alguém poderá objetar que Pascoal II (como mais tarde João XXII, na questão da visão beatífica) não incorreu jamais em heresia formal. Mas esse não é o cerne do problema. Na Idade Média o termo heresia era empregado em sentido amplo. Depois do Concílio de Trento, a linguagem teológica tornou-se mais precisa, introduzindo distinções entre proposições heréticas, próximas da heresia, errôneas, escandalosas, etc.

Não vem ao caso, aqui, definir a natureza das censuras teológicas aplicáveis aos erros de Pascoal II e João XXII, mas analisar a liceidade de se resistir a tais erros, os quais certamente não correspondiam a sentenças pronunciadas ex cathedra. A teologia e a história nos ensinam que, se uma declaração do Sumo Pontífice contém elementos censuráveis no plano doutrinário, é lícito — e pode até ser obrigatório — criticá-la, mesmo que não se trate de uma heresia formal, expressa solenemente. Foi o que fizeram São Bruno de Segni contra Pascoal II e os dominicanos do século XIV contra João XXII. Com sua atitude, eles não erraram, mas os Papas daqueles tempos, os quais aliás se retrataram antes de morrer.

Além disso, aqueles que com mais firmeza resistiram aos Papas que se desviavam da Fé foram precisamente os mais ardentes defensores da supremacia do Papado. Os prelados oportunistas e servis da época adaptaram-se ao flutuar dos homens e dos acontecimentos, antepondo a pessoa do Papa ao Magistério da Igreja. Bruno de Segni, nas pegadas de outros campeões da ortodoxia católica, antepôs, pelo contrário, a fé de Pedro à pessoa de Pedro e redarguiu a Pascoal II com a mesma firmeza respeitosa com que Paulo resistiu a Pedro (Gál. 2, 11-14).

Em seu comentário exegético de Mt. 16, 18, São Bruno explica que o fundamento da Igreja não é Pedro, mas a fé cristã confessada por Pedro. Cristo afirma, de fato, que Ele edificará a sua Igreja não sobre a pessoa de Pedro, mas sobre a fé que Pedro manifestou dizendo: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. A esta profissão de fé, Jesus responde: “É sobre esta pedra e sobre esta fé que edificarei a minha Igreja” (Comment.. in Matth., Pars III, cap. XVI, in PL, vol. 165, col. 213).

Elevando Bruno de Segni à honra dos altares, a Igreja chancelou a sua doutrina e o seu comportamento.

3 março, 2015

O caso do desaparecimento do prefácio de Bento XVI.

Por Katholisches.info | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com: (Roma) Os defensores da doutrina católica sobre o matrimônio e a família atualmente  estão enfrentando tempos difíceis. Os editores que publicaram livros em defesa do sacramento do matrimônio estão sendo pressionados. Os livros em defesa do matrimônio e da moral católica que estavam a caminho do Sínodo no Vaticano desapareceram. Ataques públicos contra os cardeais que se opõem à proposta de Kasper, aprovada pelo Papa Francisco, são desferidos para prejudicar-lhes a reputação. Demissões e destituições estão ocorrendo.

Onde está o prefácio?

Onde está o prefácio?

Não se pode dizer facilmente em que proporção isso está acontecendo por obediência antecipada ou por ordem direta de instâncias superiores. Contudo, muitos indícios apontam para um firme centro de comando ao redor do Papa Francisco. Há um objetivo em mente e é preciso alcançá-lo em outubro de 2015. Nos bastidores, a rica igreja alemã aumentou sua pressão sobre RomaO Cardeal Reinhard Marx mandou o recado de que a Alemanha pode mudar a prática da Igreja por si caso Roma reverta o Sínodo novamente, como fez em outubro de 2014. Será que Marx é uma sombra do Papa em Munique? Na Roma argentina, estão querendo pegar – se não fosse pelos incômodos “conservadores” – aqueles que não querem acompanhar o progresso.

Dentre eles encontra-se o cardeal africano Robert Sarah. Recentemente, a editora francesa Fayard lançou um livro-entrevista com o Cardeal Sarah. Nele encontramos a seguinte afirmação: “A ideia de deixar o Magistério em uma bela caixa e assim separá-lo da prática pastoral, e, em seguida, dependendo das circunstâncias, desenvolvê-lo de acordo com as modas e paixões, é uma forma de heresia, de esquizofrenia patológica. Afirmo solenemente que a Igreja da África se oporá a qualquer forma de rebelião contra o Magistério de Cristo e da Igreja.”

Um livro com um enigma

Um livro que oferece um enigma. A editora o anunciou com um “Prefácio do Papa Emérito Bento XVI”, e o nome de  Bento XVI foi publicado na capa do livro (veja a foto acima), mas ele sumiu. O livro foi publicado sem o prefácio. “Muito possivelmente, Bento XVI escreveu um prefácio para o livro; caso contrário, a página de título não seria concebida com esse aviso, que poderia ser usado para fins publicitários”, disse [o blog francês] Benoit et moi . O porquê da retirada do prefácio segue sendo um mistério. “Que ideias politicamente corretas ganharam a última palavra na editora Fayard para considerar imprudente a publicação de um prefácio do Papa Emérito em um novo livro?”, indagou Benoit et moi, esperançoso de que o Cardeal Sarah divulguasse o prefácio escrito por Bento XVI.

As razões para a retirada do prefácio, obviamente, não devem recair sobre a editora francesa. Por enquanto, o que temos é a suspeita de pressão e intimidação contra aqueles que defendem a doutrina e a ordem católica, para que essa defesa seja denunciada como “ataques” contra o Papa.

Cardeal Sarah

Cardeal Sarah

O Cardeal Sarah atuou por 22 anos como arcebispo de Conakry, na Guiné. Ele sabe como lidar com situações difíceis sem se exasperar de imediato. Seu predecessor fora encarcerado por nove anos pelos comunistas que na época governavam a Guiné. Em 2001, o Papa João Paulo II o chamou a Roma e o designou Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos. Em 2010, o Papa Bento XVI o nomeou Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum e o criou cardeal no mesmo ano. Ao final de 2014, o Papa Francisco o nomeou como o novo Prefeito da Congregação para o Culto Divino. Na busca de um sucessor para o ratzingeriano Cardeal Cañizares, pesaram sua origem e dedicação no contexto das obras de caridade da Igreja a favor dos africanos. O fator determinante parece ter sido que após a gafe verbal do Cardeal Walter Kasper durante o Sínodo, o Papa Francisco esforçou-se para fazer gestos de boa vontade em relação à África. Desde então, a Presidência do Pontifício Conselho Cor Unum está vacante, o que facilita a fusão proposta dos Conselhos Pontifícios como parte da reforma da Cúria.

10 fevereiro, 2015

Burke resiste. E confirma o que disse.

O que o Cardeal Burke realmente disse sobre “resistir” ao Papa Francisco.

“Eu simplesmente afirmei que é sempre o meu sagrado dever defender a verdade do ensinamento e da disciplina da Igreja a respeito do matrimônio”, declarou o Cardeal Burke a CNA ontem, 9 de fevereiro.

“Nenhuma autoridade pode me dispensar dessa responsabilidade e, portanto, se qualquer autoridade, mesmo a mais elevada, negar ou agir contra essa verdade, eu seria obrigado a resistir, em fidelidade à minha responsabilidade perante Deus”.

O Cardeal Burke disse que sua entrevista ao canal de televisão francês France 2, transmitida em 8 de fevereiro, foi “fielmente relatada” quanto à questão e à resposta sobre resistir ao Papa Francisco.

Segundo uma transcrição da entrevista divulgada no blog Rorate Caeli, o cardeal enfatizou a necessidade de prestar bastante atenção ao poder do múnus do papado conforme o entendimento católico. O poder papal “está a serviço da doutrina da fé”, explicou”, “e, assim, o Papa não tem o poder de mudar o ensinamento, a doutrina”.

A jornalista então perguntou: “De um modo um tanto provocativo, podemos dizer que o verdadeiro guardião da doutrina é o senhor, e não o Papa Francisco?”

“Nós devemos, deixemos de lado a questão do Papa”, respondeu o cardeal. “Em nossa fé, é a verdade da doutrina que nos guia”.

“Se o Papa Francisco insistir neste caminho, o que o senhor faria?”, perguntou a entrevistadora.

“Resistirei. Não posso fazer outra coisa”, afirmou.

A declaração do cardeal sobre resistir atraiu grande atenção.

O Cardeal Burke continuou afirmando à France 2 que o a Igreja Católica está enfrentando “um tempo difícil” que é “doloroso” e “preocupante”.

Ao mesmo tempo, quando questionado se a Igreja enquanto instituição estava em perigo, ele manifestou confiança.

“O Senhor nos assegurou, como assegurou a São Pedro no Evangelho, que as forças do mal não prevalecerão — ‘non praevalebunt’, como dizemos em latim. Que as forças do mal não alcançarão, digamos assim, a vitória sobre a Igreja”.

Perguntando se o Papa Francisco é seu amigo, o cardeal respondeu: “Eu não gostaria de fazer do Papa um inimigo, certamente!”.

O Cardeal, arcebispo emérito de Saint Louis, trabalho de 2008 a 2014 como Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, efetivamente a suprema corte da Igreja Católica. Ele também esteve na Congregação para os Bispos por vários anos.

O Papa Francisco o removeu de suas funções da cúria e o designou como Patrono da Soberana Ordem Militar de Malta, uma instituição de 900 anos focada na defesa da fé e no cuidado aos pobres. A ordem está presente em 120 países, com 13 mil membros e 80 mil voluntários.

Burke foi um protagonista durante o Sínodo Extraordinário sobre a Família realizado em outubro de 2014. À época, ele declarou a CNA que grande parte da mídia apresentou de modo impreciso o Papa Francisco como sempre favorável à permissão da distribuição da Sagrada Comunhão a divorciados recasados, bem como outras propostas.

20 outubro, 2014

A verdadeira história deste Sínodo. Diretor, atores, auxiliares.

Novos paradigmas sobre divórcio e homossexualidade são agora especialidade da casa para os vértices da Igreja. Nada foi decidido, mas o Papa Francisco é paciente. Um historiador americano refuta a tese de “La Civiltà Cattolica”.

Por Sandro Magister | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: ROMA, 17 out 2014 – “E voltou a soprar o espírito do Concílio”, foi o que disse o cardeal filipino Luis Antonio Tagle G, uma estrela em ascensão na hierarquia mundial, bem como um historiador do Vaticano II. E é verdade. No sínodo que está prestes a terminar há muitos elementos em comum com o que aconteceu naquele grande evento.

A semelhança mais impressionante é a distância entre o sínodo real e o sínodo virtual veiculado pela mídia.

Mas existe uma semelhança ainda mais substancial. Tanto no Concílio Vaticano II como neste sínodo,  as mudanças de paradigma são o produto de uma condução meticulosa. Um protagonista do Concílio Vaticano II como o Pe. Giuseppe Dossetti – habilíssimo estrategista entre os quatro cardeais moderadores que estavam no comando da máquina conciliar – o afirmou com orgulho. Ele disse que “virou a sorte do Concílio”, graças à sua capacidade de pilotar a assembléia, algo que ele aprendeu com a sua prévia experiência política como líder do maior partido italiano.

10 outubro, 2014

Sínodo da Família: “Hagan lío!”

Impressionante falta de clareza: depois da decisão de realizar o Sínodo amordaçando bispos, manobra que, segundo alguns observadores, foi realizada para minimizar a forte oposição que a linha Kasper-Bergoglio enfrenta dos demais padres sinodais, agora o porta-voz da Santa Sé se esquiva sobre o que deveria ser seu dever: esclarecer o que ocorre no Vaticano e eliminar confusões. O chamado do Papa Francisco aos jovens no Brasil parece ter sido acolhido no Vaticano como palavra de ordem: “Hagan lío!”. 

* * *

A entrevista em que o Papa se distancia dos “bispos conservadores”. 

Por Le Blog de Jeanne Smits | Tradução: Fratres in Unum.com – A entrevista com o papa publicada pelo jornal argentino La Nacion, em 05 de outubro, citada aqui por Riposte Catholique, merece ser abordada novamente, tanto que o diretor de LifeSiteNews pediu esclarecimentos hoje sobre o assunto, em uma conferência de imprensa sobre o sínodo extraordinário no Vaticano. Enquanto o Papa parece se distanciar dos “bispos muito conservadores”, John Henry Westen pediu um “esclarecimento”, referindo-se ao livro dos cinco cardeais em resposta às propostas do Cardeal Kasper sobre os divorciados recasados.

Resposta do padre Federico Lombardi: “Não tenho conhecimento desta entrevista, não sei absolutamente nada a respeito. Nós não a publicamos e, portanto, não tenho nada a esclarecer, pois mal a conheço”. O porta-voz do idioma inglês para o Sínodo reafirmou que, antes desta questão do LifeSiteNews, a Sala de Imprensa do Vaticano não tinha conhecimento dessa entrevista ou de seu conteúdo.

Trata-se em si de uma novidade. Que o Papa dê entrevistas sem que ninguém tome conhecimento é, no mínimo, curioso, ao que se deve acrescentar que ela foi escrita em grande parte de modo narrativo, sem que possamos saber, em certos pontos, se o jornalista reflete o pensamento do papa ou o seu próprio. O que é certo é que Joaquin Morales Solá deu à entrevista o seguinte título: “A sós com Francisco”. Houve gravação? Ele relata, entre aspas, palavras autênticas? Quem sabe!

Eis as declarações que Morales Solá atribui ao Papa, direta ou indiretamente. Em primeiro lugar, ele observa que o sínodo é apenas consultivo, que tem por tarefa principal aconselhar o papa sobre um tópico específico. O da família.

“Não espere uma definição para a próxima semana”, me disse o papa, ironicamente. “Será um sínodo longo, que durará provavelmente um ano. Eu só lhe dei agora um impulso inicial”, acrescenta. Preocupa-lhe o livro crítico a suas posições que acaba de sair, assinado por cinco cardeais, um deles muito importante? “Não — responde. Todos têm algo a acrescentar. A mim me dá até prazer discutir com bispos muito conservadores, mas bem formados intelectualmente”.

Note-se que Morales Solá atribui aqui as posições contestadas sobre a comunhão a divorciados “recasados” ao próprio Papa Francisco, e não ao cardeal Kasper. Mas daí a saber o que realmente disse o Papa, há uma grande distância.

“O papa soltou as rédeas do sínodo. “Eu fui relator do sínodo de 2001 e havia um cardeal que nos dizia o que devia ser tratado ou não. Isso não acontecerá agora. Até deleguei aos bispos a faculdade que tenho de eleger os presidentes das comissões. Eles farão a eleição, assim como dos secretários e relatores”. “Claro — aponta –, essa é a prática sinodal que me agrada. Que todos possam dizer suas opiniões com total liberdade. A liberdade é sempre muito importante. Outra coisa é o governo da Igreja. Isso está nas minhas mãos, depois das respectivas consultas”, enfatiza. Francisco é um papa bom, mas não um papa governado por outros. Isso está muito claro em sua noção de condução política ou religiosa”.

O que ele, o Papa, espera do sínodo?

“A família é um tema muito valioso, tão caro à sociedade como à Igreja!”, diz, e acrescenta: “Colocou-se muita ênfase sobre o tema dos divorciados. Um aspecto que, sem dúvida, será debatido. Mas, para mim, um problema também muito importante são os novos costumes atuais da juventude. A juventude não se casa. É uma cultura da época. Muitíssimos jovens preferem conviver sem se casar. Que deve fazer a Igreja? Expulsá-los de seu seio? Ou, ao invés, aproximar-se deles, mantê-los e tratar de lhes levar a palavra de Deus? Eu estou com esta última posição”, apontou. “O mundo mudou e a Igreja não pode se fechar em supostas interpretações do dogma. Temos que nos aproximar dos conflitos sociais, dos novos e velhos, e tratar de estender uma mão de consolo, não de estigmatização e não só de acusação”, assinala.

Breve observação. Quando os apóstolos se lançavam estradas e mar afora para espalhar a mensagem de Cristo em terras pagãs, eles, obviamente, estendiam a mão a todos ensinando o amor do próprio Jesus. Eles buscavam ser entendidos — senão, de que adianta? –, mas não desvirtuavam a mensagem porque os gentios não compartilhavam de sua cultura (para dizer o mínimo).

Também percebe-se que o Papa não diz (ou Morales Solá não o faz dizer) nada de preciso. Isso não impede de se prestar contas, nem de se questionar. Onde é que ele realmente quer ir?