Arquivo para ‘O Papa’

5 fevereiro, 2014

Cardeal Burke sobre a exortação Evangelii Gaudium: “Não creio que haja a intenção de fazer parte do magistério papal”.

Da entrevista do Cardeal Raymond Leo Burke, Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, a Raymond Arroyo, da EWTN, em 13 de dezembro de 2013:

Questionado se a exortação apostólica “Evangelii Gaudium” está em continuidade com o ensinamento de João Paulo II e Bento XVI ou se há apenas uma mudança de tom, Burke respondeu — aos 20m47s:

“Eu não sei. Creio que quando olhamos para a introdução do próprio documento e, parece-me [...], que o Santo Padre fez uma afirmação muito clara no início, que se trata de várias reflexões e que está dizendo que não tem intenção de que isso faça parte do magistério papal [...] que são sugestões, diretrizes, planos, e assim, para mim, para esse tipo de documento, não sei perfeitamente como qualificá-lo, mas não creio que haja a intenção de fazer parte do magistério papal. Essa é a minha impressão”.

O Cardeal também falou sobre os “assuntos essenciais” (aborto, defesa da vida, etc) e a reforma da Cúria após o “efeito Francisco”. Agradeceremos aos leitores que puderem transcrever outros trechos da entrevista.

6 janeiro, 2014

Brasil – Bergoglio doa 3,6 milhões de euros para saldar dívidas da JMJ.

Segundo imprensa brasileira, o comitê organizador recebeu uma doação para o evento encerrado a fim de saldar parte da dívida de 28 milhões de euros.

guaratiba_valePor Vatican Insider, 4 de janeiro de 2014 – Tradução: Fratres in Unum.com –  A imprensa brasileira informa hoje que o Comitê Organizador da JMJ 2013 (arquidiocese do Rio de Janeiro) recebeu uma doação de 3,6 milhões de euros (]proximadamente 11 milhões de reais] do Papa Francesco para ajudar a cobrir a dívida deixada pelo grande encontro de jovens no mês de julho do ano passado.

Segundo a auditoria da empresa Ernst&Young – informa o blog Il Sismografo -, a Jornada Mundial da Juventude do Rio encerrou com uma dívida de 28,3 milhões de euros (equivalente a 91,3 milhões de «reais»).

Uma parte importante da dívida foi paga com proventos da venda de um importante imóvel da arquidiocese (alugado para uma clínica) e também com doações (4 milhões de euros), assinaturas, licenças comerciais e outras receitas menores. A dívida de 28,3 milhões de euros era composta dessa maneira: 6,26 milhões de euros para fornecedores e 22,92 milhões de euros para várias despesas gerais.

6 janeiro, 2014

Papa abole o título honorário de monsenhor para padres diocesanos abaixo de 65 anos.

Visando eliminar o carreirismo no clero católico, o Papa Francisco aboliu a concessão do título de ‘monsenhor’ a padres seculares ou diocesanos abaixo da idade 65 anos.

Por Gerard O’Connell – Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com –  Em uma nova ação visando a reforma do clero e a eliminação do carreirismo na Igreja Católica, o Papa Francisco aboliu a concessão da Honra Pontifícia de ‘Monsenhor’ a padres seculares abaixo da idade de 65 anos.

Daqui em diante, a única Honra Pontifícia que será conferida a ‘padres seculares’ será a de ‘Capelão de Sua Santidade’, e esse título será conferido somente a ‘padres dignos’ que tenham mais de 65 anos de idade. (‘Padres Seculares’ são padres em uma diocese que não são monges ou membros de institutos ou ordens religiosas).

A Secretaria de Estado do Vaticano comunicou essa notícia aos Núncios Apostólicos ao redor do mundo, e pediu-lhes para informar todos os bispos em seus respectivos países sobre essa decisão tomada pelo Papa Francisco.

Assim, por exemplo, em 2 de janeiro, o Núncio Apostólico para a Grã Bretanha, o Arcebispo Antonio Mennini, escreveu a todos os bispos na Grã Bretanha para informar-lhes da decisão do Papa. Ele confirmou que “os privilégios nesse sentido” que já foram concedidos pelo Romano Pontífice a “pessoas físicas ou jurídicas” continuam em vigor. Isso poderia dar a entender que o decreto papal não é retroativo; aqueles que já são monsenhores não perderão o seu cargo.

A decisão não chega de surpresa àqueles que conhecem o Papa Francisco. Como homem humilde, ele sempre foi avesso a títulos eclesiásticos e, quando era bispo e mais tarde cardeal na Argentina, sempre pediu às pessoas para chamá-lo de ‘Padre’, ao invés de ‘Meu Senhor’, ‘Excelência’ ou ‘Sua Eminência’; ele está convencido de que o nome ‘Padre’ reflete melhor a missão que foi confiada a um padre, bispo ou cardeal. Sem dúvida, durante o seu mandato como arcebispo de Buenos Aires (1998-2013), ele nunca pediu a Santa Sé para conferir o título de ‘monsenhor’ a qualquer padre na arquidiocese.

Ao tomar essa decisão, o Papa Francisco está construindo a reforma nesta área de títulos eclesiásticos, que foi introduzida por Paulo VI, em 1968, na esteira do Concílio Vaticano Segundo. Antes da reforma de Paulo VI havia 14 graus de ‘monsenhores’; ele os reduziu a três categorias, que existem até hoje: Protonotário Apostólico, Prelado Honorário de Sua Santidade, Capelão de Sua Santidade. Os títulos originais remontam ao pontificado do Papa Urbano VIII (1623-1644).

Essas três honras são concedidas pelo Papa, geralmente, a pedido do bispo local, para os padres católicos que têm prestado serviço particularmente valioso para a Igreja. Os padres que recebem essas Honras Pontifícias podem ser tratados por ‘Monsenhor’ e têm determinados privilégios, como, por exemplo, aqueles relacionados a vestimentas eclesiásticas.

Muitos bispos tendiam a usar a honra como uma maneira de recompensar padres que lhes são particularmente leais, ou para promover padres que demonstraram iniciativa particular, mas não raro padres em suas dioceses interpretaram esse gesto em uma perspectiva diferente. Um pouco antes do Natal, um prelado importante do Vaticano me contou que, recentemente, o Papa Francisco havia recusado a solicitação de um bispo que havia lhe pedido para conferir o título de ‘Monsenhor’ a, pelo menos, 12 padres em sua diocese. Outra fonte me disse que em alguns países a Honra Pontifícia é conferida em uma cerimônia que, às vezes, está longe do estilo da Igreja que Francisco deseja.

A decisão do Papa não faz qualquer alteração com relação à concessão de Honras Pontifícias para Religiosos e Leigos, afirmou a Secretaria de Estado do Vaticano em um comunicado aos núncios. Ela informou que as mesmas condições se aplicam como anteriormente para essas honras, conforme o modo de solicitá-las.

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2 janeiro, 2014

Surpreso.

Da edição de ontem de Il Foglio (tradução: Fratres in Unum.com): No dia de Natal, ele completou oitenta anos — comemorados com a irrupção de uma ativista do Femen fazendo topless na Catedral de Colónia, enquanto celebrava missa — e “no mais tardar, no final de fevereiro”, deixará, após 25 anos, o governo da grande diocese da Renânia Setentrional.

Cardeal Joachim Meisner.

Cardeal Joachim Meisner.

Antes das saudações, no entanto, o Cardeal Joachim Meisner quis advertir o seu superior imediato, o Papa, de que não se envolvesse demais em disputas com o mundo. Não o fez por meio da imprensa ou por carta entregue na Casa Santa Marta, mas em pessoa. Um encontro olho a olho no qual “pude falar livremente ao Santo Padre sobre muitas coisas”, disse Meisner à rádio pública alemã. “Disse-lhe que seus pronunciamentos em forma de entrevistas e declarações breves deixa muitas perguntas sem respostas, que, pelo contrário, deveriam ser explicadas de modo mais amplo”. Francisco, acrescentou o prelado, “ficou surpreso e me pediu para lhe dar alguns exemplos. E eu falei acerca do que ele disse durante a viagem de volta de avião do Rio para Roma”. Ponto sensível, as frases sobre a readmissão dos divorciados recasados aos sacramentos, a comunhão primeiramente. Falar muito misericórdia de é também perigoso: “Arrisca-se cobrir com essa palavra todas as falhas humanas”. Nesse ponto — declarou ainda o arcebispo de Colônia — o Papa “respondeu de modo muito enérgico que ele é filho da igreja e não disse nada senão reafirmar os ensinamentos da Igreja”. A misericórdia, esclareceu Francisco no encontro com Meisner, “deve corresponder à verdade ou não pode ser definida como misericórdia”. Ademais, se houver qualquer questão teológica pendente , “há a Congregação para a Doutrina da Fé”, acrescentou Bergoglio. Assim, para dúvidas ou questões específicas, há Dom Gerhard Müller, o guardião da ortodoxia, colocado aí por Joseph Ratzinger e o primeiro monsenhor da cúria a ser confirmado por seu sucessor.

* * *

[Atualização - 3 de janeiro de 2014, às 8:36] Um gentil leitor nos envia sua tradução de excertos da entrevista veiculada em espanhol por Info Católica:

–(…) Os temas família e matrimônio são atuais, o debate sobre os divorciados que voltaram a casar parece dividir a Igreja na Alemanha. Qual é sua posição?

–Caro senhor Liminski, em todo momento, a Igreja, especialmente os bispos junto com o Papa têm o dever de dar o exemplo, diante dos homens, de obediência à Palavra de Deus. Os bispos também compartilham com o Papa o Magistério. Mas sempre cum Petro et sub Petro, isto é, com Pedro e sob Pedro. Assim, que qualquer dissenso entre o ensinamento do Papa e o do bispo é teoricamente inadmissível. Deixe-me acrescentar algo mais: desde tempos imemoriais a Igreja está convencida de que a unidade de Cristo com sua Igreja, que é o seu corpo, é normativa também para o matrimônio. E o apóstolo Paulo o disse explicitamente: «O matrimônio é um mistério profundo. Eu me refiro a Cristo e à Igreja». E Cristo disse então, logicamente, que o que Deus uniu, não o separe o homem. A isto não há realmente nada mais a acrescentar. Pode você pensar talvez que isto eu lanço como um tiro. É que todos os dias me vejo confrontado com estas questões e por isso sua pergunta não era nova para mim.

–Esta não é a mesma posição, idêntica, que a de seu colega Zollitsch. Ele chama a uma maior integração na vida comunitária, também uma integração das pessoas divorciadas. E crê que em Roma também haveria diferentes opiniões sobre isso. Desse modo a opinião da CDF, não seria, portanto, mais importante que as outras. Então, o que é que está valendo?

–Sr. Liminski, escute por uma vez a um velho bispo. Em minha última visita ao Papa Francisco pude falar muito francamente com o Santo Padre sobre todos os temas. E também lhe disse que quando fala em forma de entrevistas e breves discursos ficam algumas perguntas abertas, que para os não iniciados deveriam na realidade explicar-se melhor. O Papa me olhou fixamente e me disse para lhe mencionar um exemplo.

E minha resposta foi então que em seu regresso do Rio a Roma, enquanto viajava no avião, mencionou-se a ele o problema dos divorciados que voltaram a se casar. Então o Papa simplesmente me respondeu: «os divorciados podem comungar, mas não os divorciados casados novamente. Na Igreja Ortodoxa se pode casar duas vezes». Até aqui sua declaração.

Logo falou da misericórdia que, contudo, em meu modo de ver, e assim lhe disse, neste país sempre se interpreta como um substituto de todas as possíveis faltas do homem. E o Papa me respondeu muito enérgico que era um filho da Igreja Católica, e que ele não disse outra coisa que o que a Igreja ensina. E a misericórdia deve ser idêntica à verdade, caso contrário não merece o nome de misericórdia.

E, ademais, ele me disse expressamente que quando certas questões teológicas se mantêm abertas, então a importante Congregação para a Doutrina da Fé está aí, para esclarecer e formular detalhadamente. Também deve-se pensar que antes do Concílio o próprio Papa era o prefeito desta congregação, e ela é, na ordem curial, a que está no primeiro lugar, hoje como antes. Não se pode falar do Prefeito como se fosse um cidadão particular, somente porque ele anteriormente foi membro da Conferência Episcopal (alemã).

–Agora o Papa iniciou uma consulta de opinião acerca da família, do matrimônio e da moral sexual diante do Sínodo do próximo outono. E para Colônia já há resultados. Assim se observa que em relação ao povo as coisas vão de modo diferente que em Roma. A Igreja não deveria, deve, adaptar-se?

–Também disse com antecipação que a Igreja tem que adaptar-se à Palavra de Deus e não à opinião das pessoas. Devemos, como Igreja, conhecer a opinião das pessoas, para depois proclamar a Palavra de Deus em função disto. Mas adaptar-se do modo que você pergunta não é uma categoria do Evangelho. É surpreendente que, por exemplo, a Igreja Evangélica Luterana, com seu documento de tomada de posição sobre a temática da sexualidade, se tenha alinhado totalmente com o chamado espírito dos tempos nos assuntos da sexualidade. E como se encontra a situação da Igreja Evangélica Luterana?  Ouvi dizer que os números de abandono da igreja luterana são ainda mais altos que os nossos. De maneira que, em última instância, este êxodo não pode dever-se à questão da sexualidade.

–O ZdK (comitê central dos católicos alemães) o vê um pouco diferente. O Presidente Glück advoga por adaptar-se e integrar plenamente os divorciados que voltaram a casar, isto é, admiti-los também na Eucaristia. O ZdK quer casar-se com o espírito dos tempos, se poderia dizer. Aí desertam unidades inteiras dos exércitos cristãos. Não tem medo do isolamento?

–Bem, não conheço o medo do isolamento. Na escola primária, na Turíngia, eu era o único aluno católico. E sempre estava no meio e não me deixava isolar. A missão do ZdK é fazer visível e efetivo o Evangelho nas dimensões do secular, quer dizer, no mundo. E aqui, este grêmio deve se fazer realmente, com seriedade, a pergunta: mantiveram-se fiéis a sua missão e vocação?

E formula você, neste contexto, a pergunta de se eu hei de temer um certo isolamento? O que eu tenho é autêntica preocupação pelas pessoas que deformam como lhes convêm sua própria fé ao invés de aceitá-la respeitosamente como o próprio Cristo nos confiou. Isto não traz nenhuma solução. No século IV, por causa da heresia dos arianos, se dizia que da noite para o dia, a Igreja havia se tornado ariana. Mas isso não ficou assim. Converteu-se em católica de novo. E por isso, por hostis que sejam os números, não me assustam. Devo dizer que simplesmente devemos nos perguntar o que Deus quer.
E a Igreja sabe desde há 2.000 anos que o que Deus uniu o homem não pode separar. Outra questão diferente é a de se todos os matrimônios são realmente válidos. Se deveria haver critérios novos que permitissem determinar se um matrimônio não ocorreu realmente e não é válido. Mas essa é outra questão. Aí não se trata da admissão dos divorciados que voltaram a casar à Santa Comunhão.
19 dezembro, 2013

Francisco aos olhos do mundo (V): “personalidade do ano” por revista gay.

BN - A revista de direitos gays The Advocate, publicação mais antiga do gênero nos Estados Unidos, elegeu o papa Francisco como a “pessoa mais influente de 2013, único na vida das pessoas LGBT”. É a primeira vez que uma personalidade da Igreja Católica recebe tal indicação. “Enquanto 2013 será lembrado pelo trabalho de centenas de pessoas na promoção da igualdade de casamento, também será lembrado pelo exemplo de um homem”, escreveu a revista on-line, ao anunciar a escolha. O pontífice havia falado este ano sobre o tema. Francisco afirmou não ser “juiz” de homossexuais. De acordo com a publicação, as declarações “tornaram-se um sinal para os católicos e para o mundo de que o novo papa não é como o antigo”.

6 dezembro, 2013

Entrevista de Dom Bernard Fellay, superior da FSSPX, sobre o Papa Francisco.

Mons. Fellay sobre Francisco: «Este não é um homem de doutrina»

Traduzido do original francês por Carlos Wolkartt – Blog Renitência

Esta entrevista foi realizada em vídeo pelo site dici.org, no qual também está disponível a gravação em áudio. Apresentamos a seguir a transcrição completa, onde o estilo oral foi mantido.
A chegada de um novo Papa
Mons. Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em entrevista ao portal DICI (novembro de 2013).

Mons. Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em entrevista ao portal DICI (novembro de 2013).

A chegada de um novo Papa é como recomeçar a contar do zero. Especialmente com um Papa que se distingue de seus predecessores por sua forma de atuar, falar e intervir, com grande contraste. Isso pode fazer com que esqueçamos o pontificado anterior, e é basicamente isso que está acontecendo. Pelo menos em relação a certas linhas conservadoras ou reformistas marcadas pelo Papa Bento XVI. É certo que as primeiras intervenções do Papa causaram muita confusão e inclusive quase contradição, em todo caso, uma oposição em relação a essas linhas reformistas.

3 dezembro, 2013

Vaticano: Papa preside a segunda reunião do conselho consultivo de cardeais.

Cidade do Vaticano, 03 dez 2013 (Ecclesia) – O Papa preside a partir de hoje ao segundo encontro com os oito cardeais dos cinco continentes que nomeou em abril para o aconselharem, abrindo caminho à redação de uma nova constituição para a Cúria Romana.

Francisco e os cardeais reunidos hoje.

Francisco e os cardeais reunidos hoje.

O novo “Conselho de Cardeais” tem como missão auxiliar o Papa no governo da Igreja promover o aperfeiçoamento do documento que regulamenta atualmente a Cúria do Vaticano, organismos centrais (dicastérios) da Santa Sé, a constituição ‘Pastor bonus’, assinada por João Paulo II a 28 de junho de 1988.

Após a primeira reunião, em outubro, o porta-voz do Vaticano afirmou que a orientação não é para uma “simples atualização da ‘Pastor bonus’”, mas para a elaboração de uma Constituição com “novidades de relevo”.

O padre Federico Lombardi destacou que este trabalho “vai requerer um tempo adequado” e visa colocar os organismos centrais da Igreja Católica a funcionar em termos de “subsidiariedade e não de centralismo”.

 Neste contexto, os trabalhos à porta fechada aludiram ainda às funções e ao papel da Secretaria de Estado do Vaticano, que deve ser a “Secretaria do Papa”.

Em cima da mesa esteve ainda a possibilidade de criar a figura de um “moderador da Cúria”, que coordenasse os dicastérios.

Após este segundo encontro, que decorre até quinta-feira, prevê-se “uma nova reunião no mês de fevereiro do próximo ano”, para que o trabalho nesta fase inicial se possa “desenrolar expeditamente”.

O grupo é coordenado por Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa, Honduras, e presidente da Cáritas Internacional, incluindo Giuseppe Bertello, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, Francisco Javier Errázuriz Ossa, arcebispo emérito de Santiago do Chile, e Oswald Gracias, arcebispo de Bombaím, na Índia.

Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising (Alemanha), Laurent Monsengwo Pasinya, arcebispo de Kinshasa, na República Democrática do Congo, Sean Patrick O’Malley, arcebispo de Boston, nos EUA, e George Pell arcebispo de Sydney, na Austrália, completam o elenco do conselho que tem como secretário D. Marcello Semeraro, bispo da diocese italiana de Albano.

26 novembro, 2013

Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”.

brasao

1. A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos.

1. Alegria que se renova e comunica

2. O grande risco do mundo actual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado.

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23 novembro, 2013

Programa brasileiro da Rádio Vaticano reage à acusação de Fratres in Unum de omitir trechos “incômodos” das homilias do Santo Padre.

radiovaticanoNa última segunda-feira, lançamos o post O Papa ataca o “progressismo adolescente”, mas a sessão brasileira da Rádio Vaticano omite descaradamente o que não lhe agradae, hoje, o reverendíssimo Pe. Cesar Augusto dos Santos, SJ, responsável pelo programa brasileiro da Rádio Vaticano, vem a público prestar seus esclarecimentos.

Fazemos apenas uma observação:Fratres in Unum não reivindicou que a Rádio Vaticano difunda ou reporte as homilias do Santo Padre na íntegra. Sabemos bem que elas são feitas de improviso e a própria Sala de Imprensa da Santa Sé já se pronunciou, há muito, sobre a impossibilidade de transcrevê-las ipsis litteris. Portanto, abordar a questão sob esse aspecto nos parece apenas mais um subterfúgio. O que questionamos — e sobre o que a Rádio não se explicou — é o fato de a sessão brasileira omitir trechos das homilias do Pontífice divulgados por outras sessões, em particular a italiana, da própria Rádio Vaticano! 

Jornalismo sem manipulação

Rádio Vaticano - O Programa Brasileiro da Rádio Vaticano sempre buscou transmitir a todos a voz do Santo Padre e jamais manipulá-la. Ele é o Vigário de Cristo e como tal é respeitado e seguido. Nossa adesão é absoluta a tudo o que o Sumo Pontífice diz e nos ensina.

Contudo, as exigências de uma redação muitas vezes não são bem compreendidas por alguns receptores finais da informação e alguns ruídos acabam por distorcer a verdadeira mensagem. Somos uma rádio, e como tal, esbarramos em alguns obstáculos práticos e inerentes a tal meio. Como exemplo prático, cito as homilias do Papa Francisco realizadas na Capela da Casa Santa Marta, onde o tempo de programação não permite a veiculação, na íntegra, de uma sua homilia proferida lá ou em outro local.

Trata-se de uma missa, com a presença de pequenos grupos de fiéis, cinqüenta no máximo, em que o Santo Padre pretende conservar um caráter de familiaridade. Exatamente por isso, ele não deseja vê-la transmitida ao vivo por rádio ou televisão.

Quanto à homilia, ela não é pronunciada tendo como base um texto escrito, mas é feita de modo improviso, em língua italiana, que o Papa fala bem, mas que não é sua língua materna. Uma publicação “integral” exigiria necessariamente uma transcrição e nova elaboração do texto em diversos pontos, dado que a forma escrita é diferente da oral, que, neste caso, é a forma originária escolhida intencionalmente pelo Santo Padre. Isso levaria a uma revisão feita pelo Papa, mas o resultado seria claramente “outra coisa”, e não aquela que o Papa faz a cada manhã.

Depois de uma reflexão séria e considerando o modo melhor para tornar acessível a riqueza da homilia do Papa, sem alterar sua essência, chegou-se à conclusão que o melhor seria publicar uma síntese, rica também de frases originais que refletissem o sabor genuíno da expressão do Papa. E isso se compromete a realizar diariamente o jornal L’Osservatore Romano, enquanto a Rádio Vaticano, baseada em sua natureza característica, oferece uma síntese mais breve, mas enriquecida também por algum trecho do áudio original gravado, e o Centro Televisivo Vaticano oferece um vídeo clip correspondente a um dos trechos de áudio veiculado pela Rádio Vaticano.

Essa situação deu azo a algumas providências para evitar que algum de nossos ouvintes e leitores caia na tentação de fazer mau juízo ou interpretação que não corresponda à verdade, como por exemplo, omitir frases do Santo Padre. De agora em diante, iremos publicar junto com a notícia sobre alguma homilia, encíclica ou qualquer declaração do Pontífice, um link de endereço eletrônico, se disponível, dos meios oficiais de comunicação da Santa Sé, para que o leitor possa encontrar o texto na íntegra. Tudo isso para comunicar a verdade.

Lembramos, mais uma vez, que somos uma Rádio – nenhuma rádio dá algum discurso na íntegra, a não ser que esteja em transmissão ao vivo – e também não somos um arquivo. Ao longo de seus 55 anos de história, o Programa Brasileiro da Rádio Vaticano sempre manteve os princípios de sua missão de difundir a voz dos Sumos Pontífices. E é isso que continuaremos a fazer, levar a palavra do Santo Padre como uma rádio, no caso, a Rádio do Papa, sem manipulação.

Pe. Cesar Augusto dos Santos, SJ
Responsável pelo Programa Brasileiro da Rádio Vaticano

9 novembro, 2013

“Te colaram as mãos”?

Santo Domingo Savio, monaguillo

De Página Católica - Tradução: Fratres in Unum.com:

No último dia 2 de novembro, Sua Santidade, o Papa, visitou o túmulo de São Pedro e seus sucessores, na cripta que está sob a Basílica homônima.

Ao chegar, esperavam-no dois coroinhas, um segurando o acéter com a água benta, que mais tarde o Papa usaria para aspergir os túmulos, e outro com suas mãos juntas, posição litúrgica correta que, como ressalta o locutor da RAI que publicou o vídeo abaixo, foi corretamente ensinada pelo cerimonial litúrgico pontifício.

Ao se aproximar dele, e após saudar a um dos coroinhas com um beijo, o Papa disse-lhe: “Te colaram as mãos? Separe-as, deixe-me ver”. 

E após separar as mãos do menino com as suas, continou: “Ah, eu pensava que as tinham colado”. 

Depois do que o coroinha, após titubear por um seguro, voltou a juntá-las. Não é para menos, ele é um menino e se trata do Papa.

Este é um gesto sobre o qual os espanhóis dizem “isso canta muito“, que fala por si mesmo. Alguns dirão que mostra o carinho transbordante do Papa, mas outros verão nele um mau ensinamento para um coroinha que faz o que mandam as rubricas e a piedade.

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